Você está na página 1de 106

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CENTRO DE TECNOLOGIA E GEOCIÊNCIAS


DEPARTAMENTO DE ENERGIA NUCLEAR

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TECNOLOGIAS


ENERGÉTICAS E NUCLEARES (PROTEN)

AVALIAÇÃO MICROBIOLÓGICA DE MATERIAIS


DE CAMOMILA (Matricaria recutita L.) IRRADIADOS,
EMPREGADOS NA PRODUÇÃO DE CHÁS

EVELYNE GOMES SOLIDÔNIO

Orientador: Dr. Waldeciro Colaço

RECIFE – PERNAMBUCO – BRASIL


SETEMBRO – 2009
AVALIAÇÃO MICROBIOLÓGICA DE MATERIAIS
DE CAMOMILA (Matricaria recutita L.) IRRADIADOS,
EMPREGADOS NA PRODUÇÃO DE CHÁS
Evelyne Gomes Solidônio

AVALIAÇÃO MICROBIOLÓGICA DE MATERIAIS DE


CAMOMILA (Matricaria recutita L.) IRRADIADOS,
EMPREGADOS NA PRODUÇÃO DE CHÁS

Dissertação submetida
ao Programa de Pós-
graduação em
Tecnologias Energéticas
e Nucleares,
Departamento de
Energia Nuclear,
Universidade Federal de
Pernambuco.

ORIENTADOR: Dr. WALDECIRO COLAÇO

RECIFE – PERNAMBUCO – BRASIL


SETEMBRO – 2009
SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS
LISTA DE TABELAS
LISTA DE ABREVIATURAS – SIGLAS
RESUMO
SUMMARY
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 1

2 REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................ 3

2.1 O chá .................................................................................................................... 3


2.1.2 Crescimento da utilização de produtos naturais .......................................... 4
2.1.3 Contaminação .................................................................................................. 7
2.2 Descontaminação versus Irradiação ................................................................. 9
2.2.1 Irradiação de alimentos: histórico ................................................................ 12
2.2.2 A irradiação de alimentos no Brasil ............................................................. 14
2.2.3 Aspectos legislativos da irradiação de alimentos ........................................ 15
2.3 Camomila ........................................................................................................... 17
2.3.1 Botânica ............................................................................................................ 18
2.3.2 Constituintes químicos .................................................................................... 19
2.3.3 Indicações ......................................................................................................... 21
2.3.4 Advertências .................................................................................................... 24

3 OBJETIVOS ......................................................................................................... 26

4 MATERIAL E METODOS ................................................................................. 27

4.1 Seleção das amostras .......................................................................................... 27


4.2 Análise microbiológica ...................................................................................... 28
4.2.1 Meios de cultura ............................................................................................... 28
4.2.2 Isolamento Primário ...................................................................................... 29
4.2.3 Identificação dos Isolados ............................................................................... 29
4.2.3.1 Enterobactérias ............................................................................................ 30
4.2.3.2 Staphylococcus aureus ............................................................................... 32
4.2.4 Análise do perfil de sensibilidade dos microrganismos identificados 34
frente a diferentes antibióticos .......................................................................
4.3 Irradiação das amostras ................................................................................... 36
4.3.1 Preparo das amostras ..................................................................................... 36
4.3.2 Equipamento..................................................................................................... 36
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO .......................................................................... 37

5.1 Contagem de colônias ........................................................................................ 37


5.2 Identificação e perfil de resistência dos microrganismos isolados ................ 40
5.2.1 Microrganismos Gram positivos .................................................................... 40
5.2.1.1 Staphylococcus aureus .................................................................................. 40
5.2.1.2 Staphylococcus coagulase negativa ............................................................. 42
5.2.1.3 Bacillus spp. .................................................................................................. 45
5.2.1.4 Actinomicetos ............................................................................................... 46
5.2.2 Microrganismos Gram negativos .................................................................. 47
5.2.2.1 Pantoea aglomerans ..................................................................................... 47
5.2.2.2 Enterobacter cloacae .................................................................................... 50
5.2.2.3 Serratia ficaria .............................................................................................. 51
5.2.2.4 Buttiauxella noackiae ................................................................................... 53
5.3 Irradiação das amostras .................................................................................... 55
5.3.1 Contagem de colônias ..................................................................................... 55
5.3.2 Identificação dos microrganismos isolados após irradiação ....................... 57

6 CONCLUSÕES ...................................................................................................... 59

7 REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 60

APÊNDICES ............................................................................................................. 83
ANEXOS ................................................................................................................... 86
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Radura, o símbolo internacional da irradiação de alimentos (CODEX 11


ALIMENTARIUS, 2007) ........................................................................

Figura 2 - Fluxograma de amostragem ..................................................................... 27

Figura 3 - Esquema de Isolamento e Identificação de Enterobactérias .................... 31

Figura 4 - Esquema de Isolamento e Identificação de Staphylococcus aureus ........ 33

Figura 5 - Esquema de Antibiogramas ...................................................................... 35

Figura 6 - Arranjos experimentais da irradiação. A – Acondicionamento de saches 36


em placas de Petri. B – Bloco de placas submetido à irradiação ..............

Figura 7 – Cocos agrupados em cachos G+ ............................................................... 40

Figura 8 – Meio manitol salgado: a observação de viragem do meio para amarelo 40


indica que o microrganismo fermenta manitol ........................................

Figura 9 – Agar DNAse, observa-se a presença de halo indicando que o 41


microrganismo apresenta a enzima ..........................................................

Figura 10 – Agar Vogel-Johnson, colônia preta indicativa de microrganismo 41


coagulase +, halo amarelo no entorno indicativo de microrganismo
fermentador de manitol ............................................................................

Figura 11 – Teste de catalase, a produção de bolhas indica a presença da enzima .. 43

Figura 12 – Coagulase negativa, não se observa a presença de grumos .................. 43

Figura 13 – Análise de resistência a Novobiocina, não se observa formação de 43


halo de inibição ........................................................................................

Figura 14 – Bacilos Gram positivos vistos em toda a lâmina na observação ao 45


microscópio ..............................................................................................

Figura 15 – Hifas grandes esporuladas – observação ao microscópio óptico ........... 46

Figura 16 – Redução de Nitrato (NIT). Na sequência: controle negativo, controle 48


positivo, microrganismo testado. Observar a viragem para vermelho
indicando prova positiva ..........................................................................
Figura 17 – Voges-Proskauer (VP): Controle positivo, controle negativo, 48
microrganismo testado. Observar anel vermelho na superfície do meio
indicando teste positivo ............................................................................
Figura 18 – Lisina descarboxilase (LIA): controle positivo, controle negativo, 48
microrganismo testado. O fundo de tubo amarelo indica não
descarboxilação da lisina .........................................................................

Figura 19 – Ornitina descarboxilase (MIO): controle positivo, controle negativo, 48


microrganismo testado. O meio amarelo revela a não descarboxilação
da ornitina ................................................................................................

Figura 20 - Vermelho de Metila (VM): controle positivo, controle negativo, 50


microrganismo testado. O meio amarelo indica prova negativa ..............

Figura 21 – Ornitina descarboxilase (MIO): controle positivo, controle negativo, 50


microrganismo testado. O meio roxo indica teste positivo ......................

Figura 22 – Prova de produção de ácido por fonte de carbono: meio amarelo 50


indica teste positivo; meio roxo - prova negativa ....................................

Figura 23 – Citrato positivo: observar a mudança da cor do meio de verde para 52


azul ...........................................................................................................

Figura 24 - Bile esculina positiva. Escurecimento do meio indica prova positiva ... 52

Figura 25 – Prova de produção de ácido por fonte de carbono: meio amarelo indica 53
teste positivo; meio roxo prova negativa .................................................

Figura 26 – Crescimento na superfície em tioglicolato, característico de 57


microrganismo aeróbio ............................................................................

Figura 27 – Crescimento na Cetrimida com pigmento verde fluorescente ............... 58


LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Contagem de unidades formadoras de colônias em amostras de 37


sachês do lote 1 da marca 2 .................................................................

Tabela 2 - Contagem de unidades formadoras de colônias em amostras de 38


sachês do lote 2 da marca 2 ................................................................

Tabela 3 - Contagem de unidades formadoras de colônias em amostras de 38


sachês do lote 3 da marca 2 .................................................................

Tabela 4 – Perfil de resistência dos Staphylococcus aureus .................................. 41

Tabela 5 – Perfil de resistência dos Staphylococcus coagulase negativa ............. 44

Tabela 6 – Perfil de resistência de Bacillus spp. .................................................... 45

Tabela 7 – Perfil de resistência da Pantoea aglomerans ....................................... 49

Tabela 8 – Perfil de resistência da Enterobacter cloacae ...................................... 51

Tabela 9 – Perfil de resistência da Serratia ficaria ................................................ 52

Tabela 10 – Perfil de resistência da Buttiauxella noackiae ................................... 54

Tabela 11 – Contagem de unidades formadoras de colônias em amostras de 55


sachês do após a irradiação com dose de 5kGy .................................

Tabela 12 – Contagem inicial (pré irradiação) de colônias do lote 1 caixa 1 e 55


do lote 2 caixa 1 ...................................................................................
LISTA DE ABREVIATURAS – SIGLAS

AIEA – Agência Internacional de Energia Atômica


ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária
ARA - Arabinose
AS - Sangue de Carneiro
CA-MRSA - S. aureus resistente à oxacilina comunidade adquirido
CAT - Catalase
CLSI -Clinical and Laboratory Standards Institute
CNEN - Comissão Nacional de Energia Nuclear
CENA - Centro de Energia Nuclear na Agricultura
DNA - Ácido desoxirribonucléico
EMB - Eosina Azul de Metileno
FAO – Food and Agriculture Organization
FDA - Food and Drug Administration
GAL - Galactose
GLI - Glicose
HE - Entérico de Hektoen
IPEN - Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares
OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico
OMS - Organização Mundial de Saúde
LAC - Lactose
LIA - Agar Lisina Ferro
MAN - Manitol
MESO - Meso-inositol
MeV – Mega eletron volt
MH - Müeller Hinton
MIO - Ornitina Indol Motilidade
MRSA - Staphylococcus aureus resistente à oxacilina/meticilina
MS - Ministério da Saúde
MTX - Metotrexato
MYO - Myo-inositol
NIT- Nitrato
PDEs - Fosfodiesterases
R - Resistente
RAF - Rafinose
RAM - Raminose
RDC - Resolução de Diretoria Colegiada
S – Sensível
SAC - Sacarose
SAL - Salicilina
SCN - Staphylococcus coagulase negativa
SIM - Sulfeto-Indol-Motilidade
SOD - Superóxido dismutase
SOR - Sorbitol
SS - Salmonella-Shigella
TSI - Tríplice Açúcar-Ferro
UFC/mL – Unidades Formadoras de Colônias por mL
VM - Vermelho de Metil
VP - Voges-Proskauer
XIL - Xilose
WHO - World Health Organization
AVALIAÇÃO MICROBIOLOGICA DE MATERIAIS DE CAMOMILA (Matricaria
recutita L.) IRRADIADOS, EMPREGADOS NA PRODUÇÃO DE CHÁS

RESUMO

O tratamento de enfermidades humanas - a partir de plantas medicinais ou seus derivados - é


uma prática antiga que se encontra em expansão. A camomila é uma das plantas mais
conhecidas e mais estudadas. O acondicionamento de plantas medicinais em saquinhos de
papel representa uma das preparações mais utilizadas. Apesar do mercado para produtos
naturais ser promissor, e sua demanda ser crescente, a falta de qualidade, desde a matéria-
prima ao produto acabado, é um dos problemas frequentes. O pó em sachês, por ser um
produto seco, possui limitações à esterilização, sendo a irradiação uma alternativa. Assim, o
objetivo deste trabalho foi estabelecer, seguindo protocolo de análise microbiológica, a
avaliação da qualidade de sachês de camomila comercializados em Recife, bem como a
faixa de dose de radiação gama que possibilite a descontaminação de amostras comerciais
do produto. Para a realização das análises, foi feita a seleção das amostras aplicando um
critério utilizado pela RDC de número 12, de 2001. A análise foi realizada com duas marcas
de chá em sachês, das quais foram escolhidos três lotes e, destes, três caixas. O
procedimento experimental foi composto de duas séries de análises microbiológicas, uma
com o produto seco e a outra com o produto seco irradiado. No processo de irradiação, as
amostras foram transferidas ao irradiador com fonte de Co-60, em placas de Petri, e
submetidas às doses de radiação gama de 5, 10 e 15 kGy. A marca um (1) apresentou
contaminação em três das nove caixas testadas. A segunda marca revelou contaminação em
todos os lotes e em todas as caixas avaliadas. Portanto os chás avaliados apresentaram-se
em desacordo com o contido na RDC 12 de 2001, que estabelece Padrões Microbiológicos
Sanitários para Alimentos. Nessa regulamentação os valores máximos permitidos são da
ordem de 103 unidades formadoras de colônias (UFC), e os encontrados variaram de 104 a
106 UFC. Ainda, no material testado foram detectados, isolados e identificados:
Staphylococcus aureus, Staphylococcus coagulase negativa, Bacillus spp., Actimonicetes,
Pantoea aglomerans, Enterobacter cloacae, Serratia ficaria e Buttiauxella noackiae. A
dose de 5 kGy não eliminou totalmente os microrganismos contaminantes, mas essa
contaminação foi diminuída de forma substancial. Nas doses de 10 kGy e 15 kGy não
houve crescimento de colônias. Essas doses são consideradas totalmente eficazes para
eliminar microrganismos encontrados em material semelhante ao analisado. Conclui-se que
o material analisado possui alto nível de contaminação, o que, além de revelar falta de
cuidados em todas as etapas do processamento desse material, demonstra a
irresponsabilidade com a comercialização dos produtos. A irradiação com raios gama do
Co-60, nas doses de 10 kGy e 15 kGy, mostrou-se um método eficaz para a
descontaminação deste tipo de material.
Palavras-chave: plantas medicinais, camomila, sachês, irradiação, Co-60.
MICROBIOLOGICAL EVALUATION OF CHAMOMILE IRRADIATED
MATERIALS (Matricaria recutita L.), USED IN TEA PRODUCTION

SUMMARY

The treatment of human diseases – by using medicinal plants, phytotherapeutic products, or


thin derivatives – is an ancient pratice that is expanding nowadays. Chamomile is one of the
best known and studied plants. Wrapping medicinal plants in paper bags represents one of
the most used preparations. Despite the fact that commercialization of natural products is
promising, and they demand is increasing, poor quality, since the raw material until the
finished product - is an usual problem. The material in sachets, is a dry product presents
some difficulties in sterilization, what turns irradiation a good alternative. In this work,
following a microbiological assay protocol, the quality of chamomile sachets marketed at
Recife, State of Pernambuco, as well as the gamma radiation dose range that allows
decontamination of commercial samples of the product, were evaluated. To carry out the
analysis, the sample selection followed the criteria used by RDC number 12, of 2001.
Analysis was carried out by using two brands of tea bags or sachets. The experimental
procedure was composed of two sets of microbiological analysis, one with the dry product,
and the other with the irradiated dry product. In the irradiation process, samples were
transferred in Petri dishes to the irradiator with a Co-60 source, and submitted to gamma
radiation doses of 5 kGy, 10 kGy and 15 kGy. Trademark-1 presented contamination in
three out of the nine boxes tested, but trademark-2 revealed contaminations in all batches,
and in all boxes examined. This one showed that the evaluated teas are not in agreement
with the RDC 12 - 2001, which establish the Microbiological and Sanitary Standards for
Food. In this regulation, the maximum values allowed are 103 Colony Forming Units
(CFU), and the values found varied from 104 to 106 CFU. Yet, in the tested material, it was
detected, isolated and identified: Staphylococcus aureus, Staphylococcus negative
coagulase, Bacillus spp., Actimonicetes, Pantoea aglomerans, Enterobacter cloacae,
Serratia ficaria and Buttiauxella noackiae. The exposition to a 5 kGy dose of radiation did
not eliminate all of the contaminant microorganisms, but the contamination was
substantially decreased. At doses of 10 kGy and 15 kGy of irradiation, there was no
observable colonies growth. Such doses are considered totally effectives to eliminate the
microorganisms found in similar material to be analyzed. The tested material presented high
levels of contaminations, wich, besides reveals the carelessness in all steps of the process,
shows the irresponsibility with the commercialization of these products. Irradiation by using
gamma rays from Co-60, at 10 kGy and 15 kGy doses, proved to be an effective techinique
for the decontamination of this kind of material.

Key-words: medicinal plants, chamomile, sachets, irradiation, Co-60.


AGRADECIMENTOS

Inicialmente a Deus por ter sido uma grande força nos momentos difíceis.
À minha família: Alice (minha filha amada que tinha sempre um sorriso no rosto e um
afago para os dias de muito trabalho), Tales (meu grande companheiro, que compartilhou
comigo todas as dificuldades enfrentadas nessa caminhada), Meus Pais – Neuma e
Solidônio (por terem me ensinado a maior lição da minha vida: “O estudo é a única herança
que podemos deixar para você”), Meus Irmãos – Jonathan e Aristóteles (Jonjon meu amigo
e o titio querido de Alice, Tota o maluco beleza), Vovó Eliete (pela grande lição de vida e
força) e todos os outros familiares que sempre me deram muitos motivos para sorrir.
Ao meu Orientador e Mestre Prof. Waldeciro Colaço pelos ensinamentos, pela paciência,
pelas grandes lições, principalmente, por me ensinar que a ética é muito importante.
À querida Professora Kêsia Xisto Ribeiro de Sena, uma grande orientadora e colaboradora
desse trabalho, pelos ensinamentos, pela paciência, pelos valorosos conselhos e pela
amizade sem medida.
À Profa. Norma Gusmão por sempre me dizer o quão pedregoso o caminho é, e mostrar que
no final tudo dará certo.
A todos os alunos do Laboratório de Fármacos e Ensaios Antimicrobianos que de uma
forma ou de outra colaboraram para execução desse trabalho e que também compartilharam
muitos momentos de descontração. Rosilma muito obrigada por toda a ajuda.
À Danielle Ísis pela ajuda nesse trabalho, por dividir comigo as dificuldades enfrentadas,
pelos momentos de alegria, por ouvir as reclamações e lamúrias. Obrigada mesmo!
Á Dani Pontes grande amiga que sempre está presente seja nos bons ou nos maus
momentos. Também a Fernando por me “ceder” Dani e pela ajuda no trabalho.
Aos alunos do Laboratório de Microbiologia de Solo e também a João o nosso técnico,
sempre solícito.
Enfim, a todos que direta e indiretamente participaram dessa caminhada. Obrigada a todos
vocês.
E às pessoas que de alguma forma impuseram obstáculos a essa jornada, vocês tornaram a
vitória ainda mais valorosa.
1 INTRODUÇÃO

O comércio de plantas medicinais e produtos fitoterápicos encontra-se em expansão por


todo o mundo, em razão de diversos fatores como o alto custo dos medicamentos
industrializados ou o próprio modismo. A má qualidade desses produtos no Brasil, no entanto,
é um fato conhecido, apesar do Ministério da Saúde (MS) possuir portaria que regulamenta os
procedimentos para a produção desses fármacos. Por outro lado, a atividade de
farmacovigilância no País é incipiente, sendo praticamente inexistente para os fitoterápicos
(BRANDÃO, 1998).
As dez plantas medicinais da preferência dos consumidores, em ordem decrescente,
são: camomila, anis, boldo, carqueja, guaco, malva, poejo, espinheira-santa, menta e sálvia
(MARCHESE et al., 2004). A camomila (Matricaria recutita L.) é uma das plantas mais
estudadas e mais conhecidas. Suas múltiplas propriedades medicinais são utilizadas no
tratamento de várias doenças e alívio de muitos sintomas como cólicas e mal-estar intestinal
(TINÊO, 2003).
O acondicionamento de plantas medicinais em sachês ou saquinhos de papel representa
uma das preparações de plantas medicinais mais utilizadas nos dias de hoje, e corresponde a
cerca de 80% dos chás vendidos no mundo (BRANCO, 2004). Os chás em sachês são
vantajosos por simplificarem a dosagem e serem convenientes para o uso. Contudo, são
constituídos de misturas complexas que podem variar. Dependendo de fatores ambientais e
genéticos, os seus princípios ativos não são bem explicados e muitos possuem combinações de
outras plantas (SCHROEDER, 1995; SCHULZ, 2002).
Gomes et al. (2004) observaram que as práticas incorretas do setor primário, a falta de
controle de qualidade do setor secundário e as inadequações de armazenagem do setor
terciário, isoladamente ou sinergeticamente associadas, são determinantes da má qualidade
observada em algumas marcas de chás comercializadas.
Por ser um produto seco, o pó contido dentro do sache possui algumas limitações para a
esterilização. Dois métodos são propostos para a descontaminação desse tipo de material: a
exposição ao óxido de etileno ou a exposição à radiação. A exposição ao óxido de etileno é um
método eficaz, mas possui muitas limitações por possibilitar ou levar a efeitos mutagênicos,
carcinogênicos e teratogênicos. A irradiação, método já utilizado, em alimentos embalados ou
congelados pode ser um tratamento terminal que elimina a possibilidade de contaminação até
que o alimento seja removido da embalagem (FARKAS, 1998; FELLOWS, 2006; ROMANO;
QUELHAS, 1997).
Satomi et al. (2005) verificaram a existência de contaminação microbiológica em ervas
medicinais e a possibilidade de descontaminação por irradiação com raios gama. Esses autores
concluíram que o método é eficaz para a redução da carga microbiana.

O objetivo deste trabalho é estabelecer, por meio de um protocolo de análise


microbiológica, a avaliação da qualidade de sachês de camomila comercializados em Recife,
bem como possibilitar a determinação eficiente e segura da faixa de dose de radiação gama que
favoreça, permita e ou promova a descontaminação de amostras comerciais do produto.
2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 O chá

Conta a lenda que a árvore do chá foi descoberta, no ano 2737 a. C., quando o
imperador chinês Shên Nung passeava pelas suas propriedades. Preocupado com as epidemias
que devastavam o Império do Meio, o Imperador decretou que todas as pessoas fervessem a
água antes de a consumir. Durante o passeio, enquanto descansava à sombra de uma árvore, o
governante pediu que lhe servissem água. Foi dessa árvore que uma folha se soltou e caiu
dentro da taça de água fervida. O Imperador bebeu essa água, sendo dessa forma que nascia o
chá. O primeiro registro escrito sobre o uso do chá data do século III a. C. Escrito no séc. VIII,
o tratado de Lu Yu - conhecido como o primeiro tratado sobre chá com caráter técnico - definiu
o papel da China como responsável pela introdução do chá no mundo (A HISTÓRIA.., 2008;
O CHÁ..., 2008).

Sato (2006) diz que o verdadeiro chá é a bebida resultante da infusão em água de partes
da planta Camellia sinensis e, como na Europa Ocidental não havia o chá propriamente dito,
mas existiam outras ervas e plantas das quais eram feitas infusões em água, também essas
infusões foram popularmente chamadas de chá.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) - na Resolução de Diretoria


Colegiada número 277 - define chá como sendo... “o produto constituído de uma ou mais
partes de espécie(s) vegetal(is) inteira(s), fragmentada(s) ou moída(s), com ou sem
fermentação, tostada(s) ou não”, constante de Regulamento Técnico de Espécies Vegetais para
o Preparo de Chás. O produto pode ser adicionado de aroma e ou especiaria para conferir
aroma e ou sabor (BRASIL, 2005).
2.1.2 Crescimento da utilização de produtos naturais

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 65-80% da população que vive em
países em desenvolvimento, dependem essencialmente de plantas medicinais como tratamento
primário à saúde (CALIXTO, 2000). Esse percentual se deve principalmente ao fato de que,
nesses países, a disponibilidade de serviços de saúde é limitada (AGRA; FREITAS;
BARBOSA-FILHO, 2007).
O tratamento das enfermidades humanas a partir de plantas medicinais (ou seus
derivados) é uma prática antiga que se encontra em expansão. Conforme Engelke (2003), os
produtos a base de plantas medicinais movimentaram cerca de 30 bilhões de dólares no ano de
2000. Nos Estados Unidos, as ervas são usadas por uma porcentagem grande e crescente da
população (BENT; KO, 2004). No Reino Unido, terapias complementares estão se tornando
populares e as plantas medicinais estão entre as mais utilizadas (ERNST; WHITE, 2000). Em
encontro realizado em 2004, pela OMS, foi observado que a utilização de ervas medicinais
continua a se expandir rapidamente, por todo o mundo (WHO, 2004).
No Brasil, é visível o crescimento da utilização de fitoterápicos. Alguns fatores podem
explicar o aumento do uso desses medicamentos: os efeitos adversos de fármacos sintéticos; os
avanços ocorridos na área científica que permitiram o desenvolvimento de fitoterápicos
reconhecidamente seguros e eficazes; um melhor conhecimento químico, farmacológico e
clínico das drogas vegetais e seus derivados; uma forte tendência de busca, pela população, por
terapias menos agressivas destinadas ao atendimento primário à saúde. Outro fator importante
é o preço dos fitoterápicos. Esses medicamentos estão ganhando popularidade entre os
habitantes de áreas rurais e urbanas (AGRA; FREITAS; BARBOSA-FILHO, 2007;
CAÑIGUERAL; DELLACASSA; BANDONI, 2003; VIEIRA, 2001; YUNES; PEDROSA;
CECHINEL FILHO, 2001).
As plantas medicinais são utilizadas por até 90% da população carente do Nordeste do
Brasil, e servem como acesso primário à saúde para muitas comunidades (MATOS, 2002;
SILVA et al., 2006). Com o aumento do consumo também cresce a responsabilidade das
agências regulatórias e dos fabricantes objetivando que sejam asseguradas a qualidade e a
eficácia terapêutica (SATOMI; SORIANI; PINTO, 2005).
Apesar do mercado para produtos naturais ser promissor, e sua demanda ser crescente, a
falta de qualidade, desde a matéria-prima ao produto acabado é um dos problemas frequente
nesse ramo. Entre esses problemas está o armazenamento inadequado. Além de gerar perdas de
princípios ativos do produto, o armazenamento pode favorecer a contaminação por agentes
diversos, os quais, por sua vez, podem causar danos à saúde do consumidor (GOMES et al.,
2007; THOMAS et al, 2008). Entre os consumidores, existe o equívoco de que “natural”
significa “seguro”, bem como a crença comum de que “remédios de origem natural são
inofensivos e não possuem riscos” (WHO, 2004).

Como conseqüência da grande difusão e utilização das plantas medicinais, as indústrias


vêm elaborando produtos à base de espécies vegetais, de diversas formas farmacêuticas, que
têm sido comercializados em farmácias, supermercados e casas de produtos naturais. Contudo,
para a maioria desses produtos, não há garantia quanto a sua eficácia, segurança e qualidade
(MELO et al., 2007). Segundo Farias (2001), a eficácia é dada pela confirmação dos efeitos
biológicos preconizados para esses recursos terapêuticos (por meio de ensaios farmacológicos
pré-clínicos e clínicos), e a segurança é definida pelos ensaios que comprovam a ausência de
efeitos tóxicos. No entanto, a má qualidade de um produto fitoterápico ou droga vegetal pode
vir a anular a sua eficácia e trazer riscos à saúde do consumidor.
A contaminação microbiana ou por agentes químicos, durante qualquer fase da
produção, pode afetar a tríade eficácia, segurança e qualidade. Plantas medicinais coletadas no
ambiente selvagem podem ser contaminadas por outras espécies de plantas ou por suas partes,
devido à identificação errada. Também, pode ocorrer esse tipo de contaminação acidental ou
uma adulteração intencional (ADEWUNMI; OJEWOLE, 2004; TUROLLA; NASCIMENTO,
2006). Segundo Duarte e Lima (2003), o excesso de elementos estranhos indica mau preparo
do fármaco vegetal, geralmente praticado por produtores que procuram ganhar no peso do
produto a ser comercializado.

Melo et al. (2004) enfatizam que, em fitoterápicos, a fraude e a má qualidade são


motivos de preocupação, por parte dos profissionais da área de saúde e da comunidade
científica, por interferirem na eficácia e segurança do produto. A Organização Mundial de
Saúde considera a falta de segurança desses produtos um importante problema de saúde
pública (WHO, 2004).

A obediência às condições ideais de cultura, colheita, secagem, estabilização,


manufatura, conservação e armazenamento são importantes para a qualidade final do produto
(AMARAL et al., 2003). Também, é determinante a aplicação das boas práticas de higiene
durante o cultivo, a colheita e a descontaminação eficaz. Vale salientar a importância do
correto manuseio dos alimentos pelos usuários finais (SAGOO et al, 2009).

Como acontece com outros produtos agrícolas, as especiarias podem ser expostas à
contaminação microbiana durante os procedimentos pré e pós colheita, o que pode ocorrer, por
exemplo, durante processamento, armazenamento, transporte, distribuição, venda ou utilização
(BUCKENHÜSKES; RENDLEN, 2004; LEE et al., 2009; McKEE, 1995). Assim, torna-se
importante a cooperação entre criadores, agricultores, cientistas e vendedores para garantir a
qualidade do produto final (SCHWEIGGERT; CARLE; SCHIEBER, 2007).

A qualidade dos remédios à base de ervas varia consideravelmente devido a uma série
de fatores como: espécie de plantas, solo, clima, armazenamento, método de extração
(GARRARD et al., 2003). Devido à origem, a carga microbiana detectada nos produtos
naturais é normalmente elevada, oferecendo riscos ao usuário. Dessa forma, a avaliação de sua
qualidade sanitária constitui etapa obrigatória no que se refere ao aspecto de segurança ao
consumidor. Além disso, a eficácia terapêutica pode igualmente ser comprometida por
decomposição de componentes, decorrentes da ação de microrganismos (SORIANI, 2004).
O armazenamento é uma fase importante do tratamento pós-colheita. Na pesquisa
realizada por Böttcher et al. (2001) é destacado o papel das condições ideais de armazenamento
(temperatura, umidade) para garantir a manutenção das propriedades da matéria-prima. Alta
umidade relativa do ar e alta temperatura são condições que favorecem o crescimento de
microrganismos (WEN et al., 2006).

2.1.3 Contaminação

Fatores como poluição da água de irrigação, atmosfera, solo, métodos de esterilização e


estocagem desempenham um papel importante na contaminação das plantas medicinais
(ABOU-ARAB et al., 1999).

Muitos trabalhos confirmam a existência de contaminação dos produtos naturais, sejam


eles comercializados no Brasil ou em outros países, nas mais distintas formas. Assim, em
trabalho realizado por Brandão et al. (1998), os autores demonstram sua preocupação com a
contaminação existente em produtos naturais vendidos em diferentes estabelecimentos
comerciais no estado de Minas Gerais. Os resultados revelaram a presença de contaminantes
em todas as amostras avaliadas, além de detectar a presença de insetos (em sua maioria, vivos),
em 63% das amostras comercializadas em farmácias.

Em pesquisa realizada com amostras de plantas medicinais obtidas em mercados do


Egito, entre elas de camomila, Abou-Arab et al. (1999) observaram a presença de chumbo,
zinco, cobre e ferro, havendo também contaminação por Penicillium spp na maioria do
material avaliado. Sofuoglu; Kavcar (2008) também relataram a presença de metais, incluindo
alumínio, cromo, manganês, níquel em amostras de chá preto. Ainda, em estudo efetuado com
amostras de ervas medicinais coletadas em mercados públicos de Lisboa (13 dessas de
camomila - Matricaria chamomila L.), Martins et al. (2001) observaram a presença de
Penicillium sp em 100% das amostras.
No Brasil, a situação não é diferente. No Maranhão, a pesquisa de elementos estranhos
em plantas medicinais, realizada por Amaral et al. (2003), revelou que 86% das amostras
comerciais apresentavam impurezas como: outros órgãos da própria planta ou de outra,
parasitas vivos e ou mortos, insetos, terra, areia e pedra. A pesquisa de fungos e bactérias
revelou contaminação em 81,5% do material analisado. No Paraná, Zaroni et al. (2004)
evidenciaram que 79% do material analisado estava fora dos limites capazes de garantir a
utilização de um produto com qualidade mínima necessária para o consumo humano. As
amostras de camomila (Chamomila recutita) que faziam parte dessas análises apresentaram
contaminação por Enterobactérias (Enterobacteriaceae), em especial, Escherichia coli.

Estudos realizados por Satomi et al. (2005), em São Paulo, demonstram elevados níveis
de microrganismos aeróbios totais e fungos em todas as amostras testadas. A presença de
Escherichia coli foi observada em algumas das alíquotas. Também em São Paulo, em
investigação procedida por Bugno et al. (2005), foram avaliadas 91 amostras de drogas
vegetais, compostas por 65 espécies vegetais, dentre elas 3 camomila (Matricaria recutita). Do
material em questão, 51 tipos de drogas vegetais apresentaram populações microbianas
superiores aos limites farmacopéicos. As presenças de Escherichia coli, Enterobacter spp. e
Klebsiella spp. foram respectivamente verificadas em 26,2%, 52,3% e 60% das espécies
vegetais investigadas. Os bacilos Gram-negativos pertencentes à família Enterobacteriaceae
são as bactérias isoladas de amostras (biológicas) com maior frequência. Distribuídos
amplamente na natureza, esses microrganismos são encontrados no solo, na água, nas plantas e
no trato intestinal de seres humanos e animais. Vale lembrar que fazem parte da família
Enterobacteriaceae as espécies Escherichia, Salmonella, Enterobacter e Shigella
(KONEMAN, 2008).
Vale ressaltar, ainda, que em estudos realizados na cidade de Recife, também foi
relatada a presença de um elevado teor de umidade nos materiais analisados. Isto revela falta
de cuidados na fabricação dos produtos e contribui sobremaneira para a sua má qualidade
(MELO et al., 2007; NASCIMENTO et al., 2007).
2.2 Descontaminação versus Irradiação

A garantia de melhor qualidade e segurança dos alimentos para consumo exige uma
melhor técnica para sua preservação. A presença de parasitas, insetos, ácaros e microrganismos
é uma importante fonte de problemas. Nesse contexto, a irradiação é uma alternativa
interessante a ser considerada a fim de satisfazer requisitos de quarentena, controle de graves
perdas durante o transporte e a comercialização, além de garantir a segurança dos alimentos
(LACROIX; QUATTARA, 2000).

Existem vários métodos de descontaminação, mas um dos mais versáteis é o tratamento


com radiação ionizante. Esse processo é seguro, eficiente, ambientalmente limpo e
energeticamente eficiente. O tratamento com doses em torno de 2 a 7 kGy pode potencialmente
eliminar bactérias patogênicas como Salmonella e Staphylococcus aureus, bem como agentes
patogênicos emergentes como Campylobacter, Listeria monocytogenes e Escherichia coli
O157:H7, sem afetar as qualidades sensoriais e nutricionais dos alimentos (FARKAS, 1998;
MISHRA; UPADHYAYA, 2007 ).

A irradiação de alimentos é o processo de expor alimentos às radiações ionizantes. A


radiação ionizante é obtida – dentre outras formas, a partir de radioisótopos, na forma de raios
gama. Esses, na maioria das instalações de irradiação comerciais, são provenientes do cobalto-
60 ou do césio-137 (FARKAS, 2006; FELLOWS, 2006).

A radiação provoca quebra de moléculas formando radicais livres. O efeito mais


importante ocorre sobre o ácido desoxirribonucléico (DNA), substância orgânica complexa que
é necessária ao crescimento e à replicação da célula. Consequentemente, microrganismos,
gametas de insetos, meristemas vegetais, dentre outros, são impedidos de se reproduzirem,
resultando em vários efeitos de conservação dependentes da dose absorvida (FARKAS, 2006;
FELLOWS, 2006; LOURIA, 1999; 2001]). O dano ao DNA pode ser direto ou indireto. No
mecanismo direto a radiação age diretamente sobre a biomolécula, no caso o DNA. No
mecanismo indireto, moléculas como as da água são quebradas pela radiação. Os radicais
formados, como a hidroxila, e o peróxido de hidrogênio, por exemplo, produzem danos
(OKUNO, 1988).

A irradiação dos alimentos tem sido estudada em todo o mundo e demonstrou


benefícios como sendo um tratamento eficaz para prevenir perdas pós-colheita e para assegurar
a higiene e qualidade sanitárias dos alimentos. A aplicação da radiação com a finalidade de
preservar alimentos tem aumentado enormemente nos últimos anos, em muitos países. Ela é
permitida e utilizada em 38 deles, para a conservação de alimentos pela destruição microbiana
(AZELMAT, 2006; FELLOWS, 2006; OLIVEIRA; SABATO, 2004;).

A radiação gama pode prolongar o tempo de prateleira sem induzir a formação de


qualquer radio-produto nos alimentos. Esses podem ser tratados, antes ou depois de embalados,
sem haver aquecimento, adição de conservantes, ou outro tratamento (THOMAS et al, 2008;
WEN et al., 2006). Além disso, uma dose de 8 kGy pode melhorar a qualidade pós-colheita e
reduzir o risco de doenças de origem alimentar (WEN et al., 2008).

Como já foi dito, a irradiação é uma das mais eficientes técnicas para a redução de
microrganismos nos alimentos. Em estudo realizado por Thomas et al. (2008) a irradiação
resultou na completa remoção de micróbios e na prorrogação do prazo de validade das
amostras de chá preto. A irradiação também demonstrou uma maior redução microbiana em
pimenta, com efeitos mínimos sobre a composição centesimal, componentes funcionais, cores
e atributos sensoriais da especiaria (WAJE et al., 2008). Em trabalho realizado por Lee et al.
(2009) a exposição à radiação promoveu a descontaminação microbiana, melhorou a cor e as
propriedades antioxidantes do suco de tamarindo, sem qualquer alteração adversa nas suas
qualidades sensoriais. A análise microbiológica dos sucos de tamarindo frescos e armazenados
apresentou melhor qualidade microbiológica após a irradiação.
Segundo o Codex Alimentarius (2007) o rótulo de um alimento que tenha sido tratado
por radiação ionizante deve ter uma declaração por escrito indicando o tratamento em estreita
proximidade com o nome do alimento. A utilização do símbolo internacional da irradiação de
alimentos - a “Radura” (Figura 1) - é opcional, mas quando usado, deve estar em estreita
proximidade com o nome do alimento. No entanto, alguns países (a saber, os E.U.A.) tornam
obrigatória a sua utilização; alguns países permitem o uso opcional, e outros, em particular a
União Européia, não prevêem sua utilização (EHLERMANN, 2008).

Figura 1 – Radura: símbolo internacional da irradiação de alimentos


(CODEX ALIMENTARIUS, 2007).

Existe certa resistência à irradiação de alimentos, mas isso é um fator comum a todas as
novas tecnologias objetivando a segurança alimentar. É possível que o medo do desconhecido
induza resistência natural a adoção de novas tecnologias. Quando, em 1850, Louis Pasteur
descobriu que as bactérias poderiam ser eliminadas ao submeter os alimentos a altas
temperaturas e, logo em seguida, a baixas temperaturas, processo que se tornou conhecido
como pasteurização, o processo foi considerado uma tecnologia altamente controversa,
naquele momento (SKOVGAARD; KNUDSENSVEJ, 2007). Por outro lado, a tragédia
provocada pela bomba atômica durante a Segunda Guerra Mundial repercutiu de maneira
negativa em todo o mundo, refletindo também, de certa forma, sobre a irradiação de alimentos
(MELLO, 2008).
2.2.1 Irradiação de alimentos: histórico

O início da história da irradiação dos alimentos e a história da descoberta da radiação


caracterizam eventos que aconteceram de forma contemporânea. A idéia de utilizar radiações
ionizantes para a preservação dos alimentos surgiu poucos anos depois da descoberta dos raios-
X e ondas curtas pelo físico alemão Roentgen, em 1895. A sugestão de usar energia ionizante
para destruir microrganismos patogênicos e evitar o desperdício de alimentos foi publicada em
um periódico alemão, na mesma época (DEL MASTRO, 1999; STEELE, 1999).

No início de 1900, cientistas americanos no Instituto de Tecnologia de Massachusetts


iniciaram estudos sobre os efeitos da radiação sobre bactérias. Nessa mesma época, patentes
que descrevem a utilização de radiações ionizantes para destruir microrganismos nos alimentos
foram emitidas nos EUA e no Reino Unido. Ao longo da primeira metade do século XX muitos
estudos foram empreendidos para determinar como a radiação poderia ser utilizada para
fornecer alimentos mais seguros à humanidade em uma escala mundial (DEL MASTRO, 1999;
EHLERMANN, 2005; STEELE, 1999).

Em 1905, foi emitida, para J. Appleby e A. J. Banks a patente - “Radiation British


Patent No.1609”, de sua invenção, “para levar à melhoria da condição dos alimentos e, em
geral, manter sua qualidade'' (DIEHL, 2002). O trabalho de pós-doutorado de Madame Curie,
em 1929, foi sobre a redução das colônias de microrganismos por meio de radiação ionizante
(DEL MASTRO, 1999). No ano de 1930, o uso de raios-X para a eliminação de bactérias em
alimentos embalados, rendeu uma patente francesa ao engenheiro alemão O. Wust (DIEHL,
2002).

No período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial um dos problemas da irradiação


de alimentos era o fato do material avaliado desenvolver “um sabor inaceitável” após
submissão a irradiação. Outros obstáculos, como a escassez de fontes de radiação adequadas e
os custos elevados, impediram o rápido crescimento da irradiação de alimentos (STEELE,
1999).

A primeira utilização comercial da irradiação de alimentos ocorreu em 1957, na


Alemanha, em Stuttgart, quando um fabricante de especiarias começou a melhorar a qualidade
higiênica dos seus produtos por irradiação com elétrons, usando um gerador de Van de Graaff
(DIEHL, 2002).

O uso e ou emprego da irradiação em escala industrial começou a entrar em


proeminência na década de 1950. O uso comercial da radiação gama advinda do cobalto-60
surgiu em meados de 1960, quando a Ethicon, uma divisão da Johnson & Johnson©, instalou
a sua primeira unidade para esterilizar fios de suturas (STEELE, 1999).

Em 1970, um Projeto Internacional no Campo da Irradiação de Alimentos (IFIP) foi


criado com o objetivo de realizar um programa de pesquisa, ao nível mundial, acerca da
segurança sanitária dos alimentos irradiados. O Projeto, patrocinado pela FAO, AIEA, OCDE,
contou com a adesão de 19 países (DIEHL, 2002).

Em 1980, uma Comissão de especialistas concluiu que a irradiação de qualquer


alimento ao nível médio global de 10 kGy não apresenta riscos toxicológicos e não levanta
preocupações quanto à segurança microbiológica ou adequação nutricional. Finalmente, em
1997, a OMS em conjunto com a FAO e a AIEA, convocou mais uma reunião de peritos. Este
grupo concluiu que “em qualquer dose adequada para alcançar os objetivos destinados, os
alimentos irradiados são nutricionalmente adequados e seguros para o consumo” (STEELE,
1999).
2.2.2 A irradiação de alimentos no Brasil

Os países da América do Sul são produtores de uma grande variedade de alimentos,


mas em vários casos, há deficiências na preservação, armazenamento e nas condições
sanitárias e fitossanitárias. A irradiação dos alimentos pode ajudar o desenvolvimento agrícola
continental. Apenas três países da América do Sul - Brasil, Argentina e Chile - têm legislação
sobre irradiação de alimentos. Essas legislações diferem entre si, principalmente, no aspecto
relativo a produtos autorizados a serem irradiados (OLIVEIRA, 2000).

No Brasil, os primeiros artigos publicados sobre a irradiação de alimentos datam de


1968. A seção de Entomologia do Centro de Energia Nuclear da Agricultura (CENA) da
Universidade de São Paulo desenvolveu uma grande parte da investigação sobre a irradiação de
alimentos e insetos, sendo Frederico W. Wiendl o pioneiro no campo. Desde 1991, a
investigação sobre irradiação de alimentos também teve lugar no Instituto de Pesquisas
Energéticas e Nucleares (IPEN), em São Paulo, um dos institutos pertencentes à Comissão
Nacional de Energia Nuclear – CNEN - (DEL MASTRO, 1999).

Ainda, segundo Del Mastro (1999), os seguintes institutos estão desenvolvendo


pesquisas sobre a irradiação de alimentos: IPEN-CNEN/SP, o Centro de Energia Nuclear na
Agricultura (CENA), o Instituto de Biociências da Faculdade de Farmácia da Universidade de
São Paulo, o Instituto Biológico, em São Paulo, a Escola de Tecnologia da Alimentação da
Universidade de Campinas, todas no estado de São Paulo. Algumas investigações são, por
vezes, realizadas na Universidade do Rio de Janeiro e na Universidade Federal de Pernambuco.

Segundo Kumea et al. (2008) a quantidade total de alimentos irradiados, no mundo, em


2005, foi de 405.000 ton. Desse total, 23.000 toneladas foram processadas no Brasil, sendo
20.000 ton de especiarias e 3000 ton de frutos.
Pesquisa realizada por Martins et al. (2008) sugere que a maioria dos consumidores
brasileiros provavelmente hesitaria em comprar um produto irradiado, principalmente se não
houvesse uma informação prévia sobre o processo e seus riscos. O autor relata que alguns
consumidores comentaram que é importante constar mais informações sobre o processo, no
rótulo; que outras pessoas temem a palavra “irradiado”, ou acham que o termo conota
artificialidade. Além disso, percebem um certo risco em consumir o produto.

Um considerável número de pesquisas mostra que a irradiação dos alimentos é uma


tecnologia capaz de produzir alimentos seguros, sendo eficaz na redução de doenças oriundas
de alimentos não tratados. Entretanto, a taxa de adoção da tecnologia continua lenta. Laminack
et al. (2008) sugerem que algumas experiências, como passeios a instalações que utilizam a
irradiação de alimentos, onde o processo possa ser esclarecido e os alimentos provados, podem
ajudar na formação de novos consumidores.

A irradiação de alimentos é apoiada pela American Medical Association, a American


Dietetic Association, a American Veterinary Medical Association, o Institute of Food
Tecnologists, World Health Association, U. S. Food and Drug Association, U. S. Departament
of Agriculture, Codex, dentre outras estruturas semelhantes (BRUHN, 1998).

2.2.3 Aspectos legislativos da irradiação de alimentos

O marco inicial da legislação para a irradiação de alimentos no Brasil é o decreto de


número 72.718, de agosto de 1973, do Ministério da Saúde. O decreto estabelece normas gerais
sobre a irradiação de alimentos. Esse regulamento define alimento irradiado como:

“Todo alimento que tenha sido intencionalmente submetido à ação de radiações


ionizantes, com a finalidade de preservá-lo, ou para outros fins lícitos, obedecidas as normas
que vierem a ser elaboradas pelo órgão competente do Ministério da Saúde.”
Esse decreto dispõe sobre a energia que pode ser utilizada instituindo um limite que
seja inferior ao limiar das reações nucleares que poderiam induzir radioatividade no material
irradiado.
Ainda, determina quais alimentos podem passar pelo processo de irradiação, deixando
claro que somente será autorizada a irradiação de alimentos sobre os quais se disponha de
trabalhos técnicos e científicos que comprovem que o alimento irradiado possui inocuidade
para o consumo e que as perdas nutritivas sejam comparadas às de outros processos de
conservação, sendo de competência da Comissão Nacional de Normas e Padrões para
Alimentos do Ministério da Saúde a elaboração da tabela dos alimentos ou grupo de alimentos
cuja irradiação é autorizada.
A legislação que atualmente regula os processos de irradiação de alimentos no Brasil é
a RDC (Resolução de Decisão Colegiada) nº 21, de 26 de janeiro de 2001. Ela estabelece os
requisitos gerais para o uso da irradiação de alimentos com vistas à qualidade sanitária do
produto final. Quanto às fontes a serem utilizadas, a RDC determina que:

“As fontes de radiação são aquelas autorizadas pela Comissão Nacional de Energia
Nuclear, na conformidade das normas pertinentes, a saber:
a) Isótopos radioativos emissores de radiação gama: Cobalto-60 e Césio-137;
b) Raios X gerados por máquinas que trabalham com energias de até 5 MeV;
c) Elétrons gerados por máquinas que trabalham com energias de até 10 MeV. ”

A RDC ainda regulamenta os casos em que é possível a reirradiação, lembrando que, -


exceto para os alimentos de baixo conteúdo hídrico, irradiados com o objetivo de combater a
reinfestação de insetos - os alimentos irradiados não devem ser submetidos a re-irradiação.
Em comparação com o decreto de 1973, a RDC 21 discorre melhor sobre as instalações
onde o processo de irradiação será procedido, não deixando de lado as normas de radioproteção
as quais não foram citadas, no referido decreto; aborda de forma mais eficaz os tipos de fontes
a serem utilizadas, como deve ser a embalagem dos alimentos submetidos à irradiação, entre
outros.
2.3 Camomila

A camomila é uma das mais conhecidas e mais versáteis plantas medicinais. O


consumo sob a forma de chá é contabilizado para mais de 1 (um) milhão de xícaras por dia.
Suas múltiplas propriedades medicinais são utilizadas no tratamento de várias doenças e alívio
de muitos sintomas como cólicas e mal-estar intestinal. Membro da família Asteraceae,
apresenta flores brancas com centro dourado; seu nome deriva de duas palavras gregas:
chamos (solo), e melos (maçã), que se referem ao seu baixo crescimento e ao perfume de maçã
exalado por suas folhas. Apresenta as seguintes sinonímias: Chamomilla chamomilla,
Chamomilla recutita, Matricaria chamomilla, Matricaria suaveolens; sendo conhecida
popularmente como: camomila, camomila-alemã, camomila-comum, macela-nobre,
camomila-da-alemanha, matricaria. (CAMOMILA..., 2007; CRAIG, 2001; DUARTE; LIMA,
2003; MASCHI et al., 2008).

Conhecida, desde a antiguidade, pelos egípcios, gregos e romanos, devido às suas


propriedades medicinais, cosméticas, ornamentais e aromáticas, a camomila é uma planta
herbácea, originária da Europa e do Norte da Ásia (CAMOMILA..., 2007; VAZ; JORGE,
2006), extensivamente cultivada na Hungria, Romênia, Bulgária, Alemanha, Grécia e no Egito
(BALAZS; TISSERAND, 1998).

Comercializada na Europa para uma grande variedade de doenças, a camomila é


listada como uma das plantas mais solicitadas em mais de duas dezenas de países. Nos Estados
Unidos é uma das mais comumente utilizadas como ingrediente para chás (CRAIG, 2001). No
Brasil, foi introduzida pelos imigrantes europeus há mais de 100 anos. É a planta medicinal
com a maior área de cultivo e com o maior envolvimento de pequenos produtores rurais. O
Paraná destaca-se como o seu maior produtor, tendo produzido, na safra de 2002, 491
toneladas (RAMOS et al., 2004; SOUZA et al., 2006).
2.3.1 Botânica

A camomila é uma planta anual com cerca de 20 a 50cm de altura, caule ereto muito
ramificado, desprovido de pêlos; folhas verdes, lisas na parte superior, recortadas em
segmentos estreitos e pontiagudos; flores organizadas em inflorescências (flores sem
pedúnculos), brancas, amarelas no centro, sobre receptáculo cônico e fistuloso; flores radiais,
femininas, liguladas, tridentadas, com corola branca; flores de disco, hermafroditas, tubulosas,
pentalobadas e com corola amarela, ovário ínfero com tricomas glandulares bisseriados e
drusas de oxalato de cálcio, estigma bífido, anteras contendo grãos de pólen esféricos e exina
espiculada. Os frutos são do tipo simples, secos, com uma única semente, cilíndricos,
arqueados, pequenos e truncados no ápice (DUARTE; LIMA, 2003; VAZ; AMICI , 2006).

Devido à elevada atividade respiratória relacionada com o metabolismo intenso durante


a floração das plantas, o melhor estágio para a colheita objetivando o uso terapêutico é o
momento da floração plena. Alguns pesquisadores acreditam que a quantidade de óleo
essencial é maior no momento da floração (BALAZS; TISSERAND, 1998; BOTTCHER et
al., 2001). O teor de óleo essencial é diferente para cada parte da planta e é distribuído da
seguinte forma: capítulos florais - 0,421%, pedúnculos florais - 0,132%, caules - 0,0251%
(DONALISIO, 1985).

A propagação é realizada por meio de sementes, as quais podem ficar armazenadas por
até dois anos. Reproduz bem em clima temperado com elevada umidade relativa do ar. Resiste
às geadas no período vegetativo. Prefere solos férteis, estruturados e permeáveis, com pH
entre 6,0 e 7,5, ricos em matéria orgânica. Recomenda-se uma adubação com esterco de gado
bem curtido, composto orgânico ou esterco de aves, quando necessário (SOUZA et al., 2007;
VAZ; AMICI, 2006).
A camomila (Matricaria recutita L.) como uma erva medicinal anual pode ser
considerada um substituto econômico para culturas ervenses irrigadas com água fresca, dado a
sua capacidade de adaptação a uma grande variedade de climas e solos. Ela é capaz de manter
todas as suas propriedades medicinais quando irrigada com água salina, podendo se tornar
uma alternativa viável onde o cultivo de culturas irrigadas com água fresca não é possível
(BAGHALIAN et al., 2008).

2.3.2 Constituintes químicos

A camomila é conhecida por conter uma variedade de constituintes químicos ativos


dentre eles flavonóides, cumarinas, bem como um óleo volátil que é rico em terpenóides,
como o alfa-bisabolol, óxidos de bisabolol e o chamazuleno. Esses constituintes fornecem
atividade antiespasmódica e antibacteriana da planta (CRAIG, 2001).

Mais de 120 constituintes foram identificados nas flores da camomila entre eles o
óxido de bisabolol (bisabololoxides A e B), farneseno, chamazuleno, cis- e trans-spiroeter,
1,6-Dioxaspiro[4,4]-non-3-ene, espatulenol, polienos, azuleno, THC/farneseno, eudesmol,
óxidoβ- farneseno, óxido de α-bisabolol B, óxido de α bisabolol-A, apigenina, quercetina,
patuletina, luteolina, acetil e malonil glicosídeos, ácidos fenólicos (cafeico, clorogênicos e
ferúlico) (GANZERA; SCHNEIDER, 2006; MAPELI et al., 2005; MASCHI et al., 2008;
PRESIBELLA et al., 2006 STANDEN; CONNELLAN; LEACH, 2006).
As cumarinas são importantes metabólitos secundários encontrados nas plantas. A
camomila contém essencialmente cumarinas simples, como umbelliferona e herniarina.
(PASZKIEWICZ et al, 2008). A umbelliferona é fungistática. O chamazuleno é responsável
pelas propriedades antinflamatória, antiespasmódico, antimicrobiana e de cicatrização. O
azuleno é um isômero do naftaleno que é um hidrocarboneto não polar, possui uma estrutura
eletrônica única que lhe confere um acentuado caráter polar e uma intensa cor azul. A
apigenina é o constituinte que possui a mais potente ação antiespasmolítica, sendo mais
potente que a papaverina, um opiáceo relaxante de músculo liso (BALAZS; TISSERAND,
1998; SOUZA et al, 2006).
Medina et al. (1998 apud GYLLENHAAL, 2000) 1 relatam que os efeitos sedativos da
camomila são leves, e podem ser devidos ao flavonóide apigenina que se liga a receptores
benzodiazepínicos.

Em estudo realizado por Matsubara; Rodriguez-Amaya (2006) foi verificada uma


quantidade razoável de quercetina nas folhas de camomila analisadas, concluindo-se que esse
chá é fonte de flavonóides na dieta brasileira. Uma das propriedades melhores descritas dos
flavonóides é a capacidade antioxidante desses compostos. As flavonas, dentre elas a
quercetina e a apigenina, e as catechinas parecem ser os grupos mais poderosos de flavonóides
que atuam protegendo o corpo contra as espécies reativas de oxigênio. Eles podem prevenir
lesões provocadas por radicais livres de várias maneiras. Uma forma direta é o sequestro de
radicais livres. A quercetina inibe a atividade da xantina oxidase, resultando na diminuição do
dano oxidativo; inibe também a atividade da cicloxigenase e da lipoxigenase. Atua, ainda,
reduzindo o dano oxidativo ao fígado, a proliferação ductular e a fibrose em ratos com
obstrução biliar. Esses efeitos sugerem que a quercetina pode ser um agente útil para preservar
a função hepática em doentes com obstrução biliar. A apigenina e a luteolina são declarados
potentes inibidores da proliferação celular (NIJVELDT et al., 2001; PERES et al, 2000).

O metabolismo oxidativo e outros fatores metabólicos alteram o processamento de


esfingolipídios e aumentam o risco da progressão de várias doenças relacionadas com a idade:
câncer, diabetes, arteriosclerose, desordens e doenças neuro-degenerativas. Estudos têm
demonstrado que a quantidade de esfingolipídios no fígado e nas células hepáticas é mais

1
MEDINA, J. H.; VIOLA, H.; WOLFMAN, C.; MARDER, M.; WASOWSKI, C.; CALVO,
D.; PALADINI, A.C. Neuroactive flavonoids: new ligands for the benzodiazepine receptors.
Phytomedicine, v. 5, p.235-243,1998.
elevada em ratos idosos em comparação com os mais jovens. Uma mistura de flavonóides da
camomila conhecida por chamiloflan (apigenina, luteolina, AP7Glu, LU7Glu, quercetina) é
relatada na literatura por possuir um efeito hepatoprotetor. Os flavonóides afetam o
metabolismo de esfingolipídios e reduzem o elevado nível de ceramida, em fígado de ratos
idosos; afetando também o metabolismo dos esfingolipídios em fígados e células hepáticas
danificados por CCl4 e etanol, normalizando as principais enzimas do “turnover” dos
esfingolipídios - esfingomielinase neutra e ceramidase (BABENKO; SHAKHOVA, 2006,
2008; KAVOK; KRASILNIKOVA; BABENKO, 2003; LIGHTLE; OAKLEY; NIKOLOVA-
KARAKASHIAN, 2000).

2.3.3 Indicações

A camomila (Matricaria chamomilla) é amplamente utilizada na medicina tradicional,


para o tratamento da ansiedade, gastrite, colite, conjuntivite, inflamação da pele, bronquite,
febre. Essas capacidades terapêuticas estão relacionadas com a presença de diversos
compostos ativos (HERNANDEZ-CERUELOS et al., 2007). Matos (1999) atribui à camomila
a capacidade de ser eficaz para cólicas, nervosismos e pele. A Matricaria chamomilla também
é empregada para tratar diversas afecções como insônia, indigestão, enxaqueca, dores de
cabeça, constipações, inflamação e queimaduras. Na região do olho as indicações incluem
irritação, terçol, epífora, e inflamação (FRAUNFELDER, 2004).

A infusão é um dos mais populares chás de ervas e tem sido tradicionalmente utilizada
como remédio contra gases, sedativo e tônico. Sabe-se que é eficaz para cólicas
gastrintestinais e doenças inflamatórias do trato gastrintestinal. A infusão também pode ser
administrada como uma compressa para a pele. A co-medicação com o extrato acetato de etila
ou com óleo essencial de camomila e anti-histamínicos pode ser eficaz para pruridos que não
puderam ser perfeitamente resolvidos isoladamente pelos anti-histamínicos convencionais
(KOBAYASHI; TAKAHASHI; OGINO, 2005).
Embora a atividade espasmolítica da camomila seja amplamente reconhecida, os
mecanismos subjacentes do relaxamento da musculatura lisa ainda não estão esclarecidos. Os
nucleotídeos cíclicos AMPc e GMPc regulamentam o sistema gastrintestinal que provoca
relaxamento muscular. A inibição de fosfodiesterases (PDEs), que catalisam a hidrólise de
AMPc e GMPc em 5'-AMP e 5'-GMP, é um dos mecanismos operados por drogas
espasmódicas. A camomila inibe a atividade AMPc-PDE, enquanto GMPc-PDE5 parece ser
menos afetada. Esses dados dão suporte à hipótese de que o bom relaxamento muscular
causado pela camomila é mediado por meio da diminuição da degradação do AMPc do que a
de GMPc (MASCHI et al., 2008).

O importante papel do estresse oxidativo na patogênese de várias doenças


neurológicas, e a crescente evidência da presença de compostos com propriedades
antioxidantes nos extratos de plantas, foram estudados por Pereira et al. (2008). Esses autores
investigaram a capacidade antioxidante de três plantas utilizadas no Brasil para o tratamento
neurológico: Melissa officinalis, Matricaria recutita, Cymbopogon citratus. Os resultados
obtidos mostram que os extratos das plantas poderiam proteger contra o dano oxidativo
induzido por vários agentes pró-oxidantes que levam à peroxidação lipídica por diferentes
processos. Assim, extratos vegetais podem inibir a geração de espécies reativas ou,
alternativamente, bloquear uma via final comum no processo de peroxidação de ácidos graxos
poliinsaturados. Em parte, esses efeitos podem ser relacionados com o conteúdo fenólico,
incluindo a presença de flavonóides.

Yoo et al. (2008), ao testarem várias ervas para saber se possuíam atividades
antioxidante e citoprotetora, verificaram que a camomila apresenta uma grande quantidade de
fenóis e de flavonóides, além de ter evidenciado também, entre as ervas testadas, a maior
atividade antioxidante. Esses pesquisadores concluíram que os extratos de camomila e de
algumas outras ervas testadas aumentaram a viabilidade celular, inibiram o estresse oxidativo
induzido por H2O2, protegeram a junção gap (junção comunicante) e reforçaram a atividade
das enzimas antioxidantes, superóxido dismutase (SOD) e catalase (CAT).
Vários trabalhos informam sobre as atividades benéficas da camomila na região bucal.
Em pesquisa realizada com pacientes irradiados Cardoso (2003) concluiu que a utilização de
bochechos de água bicarbonatada, de chá de camomila, e a aplicação tópica de flúor,
contribuiram para prevenir e tratar as lesões resultantes da radioterapia em pacientes com
neoplasia da região de cabeça e pescoço. Mazokopakis et al. (2005) sugerem que o
enxaguatório bucal contendo camomila é eficaz na cura da mucosite oral causada pela
administração de Metotrexato (MTX), potente agente anti-câncer muito utilizado em
tratamentos para doenças autoimunes. Em trabalho realizado por Borba e Macedo (2006) a
camomila (Matricaria chamomilla L.) foi a planta mais utilizada durante a fase de erupção
dental.

Estudo realizado por Machado Junior et al. (2006) revelou que o extrato hidroetanólico
dos capítulos florais de Chamomilla recutita L. possui efeito proliferativo estimulante sobre as
células mononucleares humanas.

O óleo essencial é mencionado como bactericida contra microrganismos Gram


positivos, tais como Staphylococcus duwus; e como fungicida contra Candida albicans
(BALAZS, 1998). Um óleo fixo, na cor amarela claro, pode ser extraído a partir das sementes.
Esse óleo possui a capacidade de inibir Pseudomonas aeruginosa, Escherichia coli, o que
sugere um efeito inibitório positivo em comparação com o molde padrão do cloranfenicol. Os
resultados revelam que o óleo tem potencial para se tornar um novo produto farmacêutico
(PEREIRA, 2008).

O efeito da Matricaria chamomilla sobre o desenvolvimento de dependência de


morfina e expressão da abstinência foi investigado em ratos. Os dados obtidos sugerem que o
extrato inibe o desenvolvimento da dependência de morfina e expressão da síndrome de
abstinência (GOMAA et al., 2003).
A aromaterapia pode prestar um serviço médico complementar vantajoso, tanto nos
serviços de saúde como no consultório. Existem muitas indicações úteis e bem sucedidas para
a aplicação de óleos essenciais. Pacientes que receberam massagens com óleo essencial de
camomila tiveram uma melhora estatisticamente significante na qualidade de vida com
redução da ansiedade. O óleo também é empregado para tratar infecções bacterianas do trato
urinário, usado como sais de banho ou em massagens aplicadas no abdômen inferior
(STEFLITSCH; STEFLITSCH, 2008). Ernest (2007) também relata a eficácia da Matricaria
recutita no tratamento da ansiedade.

Na agricultura, a camomila é usada como alternativa para o controle químico na pós-


colheita. Rozwalka et al. (2008) avaliaram os efeitos fungitóxicos de extratos, decoctos e óleos
essenciais de plantas medicinais e aromáticas, no crescimento micelial de patógenos. A
principal doença da goiaba, em pós-colheita, é a antracnose, ou mancha-chocolate, causada
pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides. No controle de C. gloeosporioides destacaram-se
os decoctos de marcela e camomila. Isto indica uma aplicação potencial desses produtos no
controle alternativo da antracnose em frutos de goiabeira.

2.3.4 Advertências

Alguns médicos recomendam o chá de camomila para tratar perturbações


gastrintestinais. Em geral, a erva é considerada segura. Assim, os pais utilizam frequentemente
o seu chá para tratar cólicas infantis. Além disso, o FDA (Food and Drug Administration)
geralmente reconhece a camomila como segura, com base na sua composição química
(BIANCO et al., 2008). No entanto, bactérias formadoras de esporos podem contaminar a
camomila (MARTINS et al., 2001), e a ingestão do chá pode se tornar um risco para o
botulismo infantil. Os esporos de Clostridium botulinum podem resistir a altas temperaturas;
portanto, ferver a água não destrói esses esporos, mas pode ativá-los. Em estudo realizado por
Bianco et al. (2008) houve uma prevalência de esporos de C. botulinum em 7,5% das amostras
de camomila. Desse modo, para minimizar o risco de aquisição do botulismo infantil os
autores recomendam que o chá de camomila não deve ser administrado a lactentes com idade
inferior a 12 meses.

Existem relatos do uso da camomila para tratamento de distúrbios oculares, entre eles
irritação e inflamação. Porém, há fortes indícios de que o chá, quando aplicado topicamente
em torno dos olhos, pode causar uma grave conjuntivite. Um possível mecanismo para essa
conjuntivite poderia ser uma sensibilidade aos alérgenos presentes no pólen da Matricaria
chamomilla. Os oftalmologistas devem reconhecer a possível sensibilidade à Matricaria
chamomilla em casos que parecem ser conjuntivite alérgica (FRAUNFELDER, 2004;
HERNÁNDEZ-CERUELOS, 2007).

Efeitos adversos ou interações medicamentosas são notificados para o extrato ou chá


de camomila. Por exemplo: reações anafiláticas (SUBIZA et al., 1989) ou a potencialização
dos efeitos anticoagulantes da warfarina (HECK; DeWITT; LUKES, 2000). Os citocromos
P450, um grupo de mais de 50 proteínas diferentes, são as principais enzimas para o
metabolismo oxidativo de drogas e outros xenobióticos. Várias isoformas, como o CYP1A2,
CYP2C9, CYP2D6 e CYP3A4 parecem mais relevantes para o metabolismo de drogas
clinicamente significantes (CRESPI; MILLER; PENMAN, 1997; WISEMAN, 2005). A
inibição de um deles muitas vezes resulta em inesperadas e, por vezes, graves interações
medicamentosas. O óleo essencial de camomila demonstrou inibição de CYP1A2, CYP2C9,
CYP2D6 e CYP3A4, destacando-se o CYP1A2 como mais sensível que as outras isoformas.
Três constituintes do óleo, o chamazuleno, cis-spiroeter e o trans-spiroeter mostraram-se
potentes inibidores dessa enzima. As preparações de camomila possuem constituintes que
inibem a atividade das principais enzimas do metabolismo de drogas. Portanto, interações com
drogas cuja via de eliminação ocorre, principalmente, por citocromos (especialmente
CYP1A2) são possíveis (GANZERA; SCHNEIDER, 2006).
3 OBJETIVOS

Considerando os aspectos estudados, o presente trabalho pretende:

a) Estabelecer, por meio de um protocolo de análise microbiológica, a avaliação da


qualidade de sachês de camomila comercializados na cidade do Recife;
b) Determinar a faixa de dose de radiação gama que possibilite, permita e ou promova,
de modo eficiente e seguro, a descontaminação de amostras comerciais do produto.
c) Avaliar, de forma mais específica, por meio da contagem de microrganismos
contaminantes gerais, a população microbiana presente em amostras de chá de camomila
acondicionadas na forma de saquinhos de papel;
d) Adicionalmente, levar a efeito o isolamento e a identificação dos microrganismos
contaminantes, na tentativa de definir o perfil de resistência dos microrganismos identificados.
e) Determinar a faixa de dose de radiação gama que efetivamente pode promover a
descontaminação dessas amostras.
4 MATERIAL E MÉTODOS

4.1 Seleção das amostras

A seleção foi feita aplicando o critério utilizado pela RDC de número 12 de 2001, cujas
instruções gerais estabelecem que cada unidade de amostra deve ser composta de no mínimo
três unidades do mesmo lote. Assim, a análise foi realizada com duas marcas de chá em sache,
dessas marcas foram escolhidos três lotes e, de cada lote, três caixas/amostras (Figura 2). A
metade do conteúdo de cada caixa contará como uma unidade amostral. Cada caixa é composta
por, em média, dez saches.

Amostra 1.1

Lote 1 Amostra 1.2

Amostra 1.3

Amostra 2.1

Marca Lote 2 Amostra 2.2

Amostra 2.3

Amostra 3.1

Lote 3 Amostra 3.2

Amostra 3.3

Figura 2- Fluxograma de amostragem.


4.2 Análise microbiológica

O procedimento experimental foi composto por duas análises microbiológicas. Cada


análise foi realizada com diferentes tipos de amostras. A primeira análise foi feita com o
produto seco, ou seja, o conteúdo do interior das embalagens. A segunda com o produto após
submissão à irradiação. Os meios empregados na avaliação microbiológica são informados a
seguir. Detalhes sobre a composição e o procedimento de preparo dos meios de cultura estão
informados no Anexo 1, página 87.

4.2.1 Meios de cultura

• Meios de isolamento primário


9 Ágar Eosina Azul de Metileno (EMB)
9 Ágar Salmonella-Shigella (SS)
9 Ágar Entérico de Hektoen (HE)
9 Agar Sangue de Carneiro (AS)
9 Ágar Manitol Salgado

• Meios de identificação de Enterobactérias


9 TSI (ágar Tríplice Acúcar-Ferro)
9 SIM (Sulfeto-Indol-Motilidade)
9 Citrato de Simmons
9 Caldo Uréia de Stuart
9 Agar Lisina Ferro
9 Meio Ornitina Indol Motilidade
9 Caldo glicose tamponado
9 Caldo Nitrato
9 Caldo base com adição de açúcares
• Meios de Identificação de Staphylococcus aureus
9 Ágar Manitol Salgado
9 Agar DNAse
9 Agar Vogel-Johnson Base

• Meio para realização do Antibiograma

9 Müeller Hinton (MH)

4.2.2 Isolamento Primário

Em um frasco contendo 22,5mL de água destilada estéril foram adicionadas 2,5g de


cada amostra. O conjunto foi agitado mecanicamente por 15 minutos (CABRINI et al., 2002).
Após o período de agitação, partindo das soluções de lavagens, foram semeadas alíquotas com
uma alça de platina calibrada (1µL) por esgotamento em triplicata nos meios: Agar Eosina
Azul de Metileno (EMB), Agar entérico Hektoen (HE), Ágar Salmonella-Shigella (SS), Ágar
sangue de carneiro e Agar Manitol Salgado. As placas semeadas foram incubadas a 35 ± 2 ºC
por 24 horas. Após incubação, foi realizada a contagem das colônias que foram reisoladas para
tornar possível a identificação (KONEMAN, 2008) (Figura 3).

4.2.3 Identificação dos Isolados

Todas as colônias isoladas foram coradas pelo método de Gram o que possibilitou a
observação da morfologia, dos arranjos, e sua classificação: Gram +(positivo) e Gram –

(negativo).
4.2.3.1 Enterobactérias

Após reisolamento, as colônias foram submetidas aos seguintes testes bioquímicos para
identificação:
9 Teste de utilização fermentativa da glicose, lactose e sacarose, e produção de H2S (meio
TSI);
9 Teste de motilidade, avaliação da produção de indol e produção de H2S (meio SIM);
9 Produção de urease (caldo uréia de Stuart);
9 Teste de utilização de citrato de sódio (citrato de Simmons)
9 Teste de descarboxilação ou desaminização de lisina (Agar Lisina Ferro);
9 Teste da atividade da ornitina descarboxilase (Meio Ornitina Indol Motilidade);
9 Testes Vermelho Metil e teste Voges-Proskauer (Caldo Glicose Tamponado);
9 Teste de redução de nitrato a nitrito (Caldo nitrato); e
9 Prova de produção de ácido por fonte de carbono (Caldo base contendo separadamente:
glicose, xilose, arabinose, manitol, lactose, sacarose, myo-inositol, meso-inositol,
galactose, rafinose, ramnose, sorbitol e salicilina) (Figura 3) (SANTOS FILHO, 2003;
KONNEMAN, 2001).
ISOLAMENTO PRIMÁRIO

25 g de camomila
+
225mL de água
destilada
estéril

Agitação por 15 minutos

Solução de
lavagem

Semeio de alíquotas para


crescimento e incubação a 35º
C por 24 h

Contagem de colônias UFC/mL

PROVAS BIOQUÍMICAS

TSI SIM Uréia Citrato LIA MIO VP VM NIT Prova de produção


de ácido

Figura 3 - Esquema de Isolamento e Identificação de Enterobactérias.


4.2.3.2 Staphylococcus aureus

As colônias reisoladas foram submetidas às seguintes provas de identificação para


Staphylococcus aureus:
Prova da catalase,
Prova da coagulase,
Crescimento em Ágar Manitol salgado, em Ágar DNAse (SANTOS FILHO, 2003) e
crescimento no Agar Vogel-Johnson – Agar com adição de telurito de potássio que permite a
detecção de colônias coagulase positiva e manitol positivo (Figura 4).
ISOLAMENTO PRIMÁRIO

25g de
camomila +
225mL de
água destilada
estéril

Agitação por 15 minutos

Solução
de
lavagem

Semeio de alíquotas para


crescimento e incubação a 35º C
por 24 h

Contagem de colônia (UFC/mL)

PROVAS DE IDENTIFICAÇÃO

Catalase Coagulase Manitol DNAse Vogel-Johnson

Figura 4 - Esquema de Isolamento e Identificação de Staphylococcus aureus.


4.2.4 Análise do perfil de sensibilidade dos microrganismos identificados frente a
diferentes antibióticos

A metodologia utilizada para o teste de susceptibilidade antimicrobiana foi o Método


de Bauer et al. (1966). Foram transferidas colônias de cada microrganismo identificado de
uma cultura, para um tubo com 5mL de água estéril a fim de formar uma solução com
turvação correspondente ao tubo 0,5 de turbidez da Escala de McFarland. A suspensão foi
semeada, utilizando “swab” estéril embebido com a mesma, em placa contendo o Ágar
Müeller Hinton em três sentidos diferentes, girando a placa num ângulo de 60º após cada
aplicação.

Os discos de antibióticos foram colocados sobre a superfície do meio semeado


assepticamente e uniformemente obedecendo a mesma distância. Em seguida, as placas foram
incubadas à 35ºC (Figura 5). Após 16 a 18 horas de incubação, as placas foram examinadas e
os diâmetros das zonas de inibição foram medidos e classificados de acordo com a tabela
M100/S18 do Clinical and Laboratory Standards Institute - CLSI (Anexo 2).

Para avaliar a sensibilidade das Enterobactérias foram utilizados discos de Ampicilina


10µg, Cefalotina 30µg, Gentamicina 10µg, Cefoxitina 30µg, Cefotaxima 30µg, Cefepime
30µg e Tetraciclina 30µg e para Staphylococcus e Bacillus os discos de Oxacilina 1µg,
Penicilina G, Eritromicina 15µg, Cloranfenicol 30µg, Gentamicina 10µg, Tetraciclina 30µg e
Cefalotina 30µg.
Colônia a ser inoculada Água estéril Solução com turbidez equivalente ao
tubo 0,5 da escala de McFarland

Discos de
antibióticos

Figura 5 - Esquema de Antibiogramas


4.3 Irradiação das amostras

4.3.1 Preparo das amostras

As amostras foram compostas por metade do conteúdo de cada caixa do produto


avaliado (cinco sachês). Os sachês foram acondicionados em placas de Petri, devidamente
identificadas e, em seguida, transferidos (em blocos de seis placas) ao irradiador (Figura 6).

A B

Figura 6 - Arranjos experimentais da irradiação. A – Acondicionamento de saches em placas


de Petri. B – Bloco de placas submetido à irradiação.

4.3.2 Equipamento

O material, preparado como descrito, foi submetido à irradiação com raios gama nas
doses de 5 kGy, 10 kGy e 15 kGy em irradiador com fonte de cobalto-60 Gammacell 220
Excel – MDS Nordion (detalhes do irradiador no apêndice 1 ), com taxa de dose de 7,795
kGy/h, no dia da irradiação. As amostras utilizadas na primeira análise microbiológica
serviram como controle para este procedimento.
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1 Contagem de colônias

A marca 1 apresentou contaminação em três das nove caixas testadas. No primeiro lote
testado duas caixas mostraram contaminação, havendo crescimento de colônia na placa de
Agar Manitol Salgado da caixa um com média de 9,66 x 104 UFC/mL (δ: 1,247) e na placa de
EMB da caixa dois com média de 1,26 x 105 UFC/mL (δ: 1,699). No segundo lote, só a
segunda caixa apresentou contaminação, observando-se crescimento de colônias apenas no
meio EMB com média de 7 x 104 UFC/mL (δ: 1,633). No terceiro lote não houve crescimento
de colônia em nenhuma placa.

A análise da segunda marca revelou contaminação em todos os lotes e em todas as


caixas. Os valores das médias de unidades formadores de colônias por mL (UFC/mL) estão nas
tabelas 1, 2 e 3.

Tabela 1 – Contagem de unidades formadoras de colônias em amostras de sachês do


lote 1 da marca 2.

LOTE 1 CAIXA 1 CAIXA 2 CAIXA 3


MÉDIA DESVIO MÉDIA DESVIO MÉDIA DESVIO
MEIO UFC/mL PADRÃO UFC/mL PADRÃO UFC/mL PADRÃO
SANGUE 1,87 x 106 2,49 2,42 x 106 2,94 1,67 x 106 3,68
SS 1,45 x 106 2,86 2,03 x 106 4,19 1,77 x 106 3,85
6 6 6
HE 1,08 x 10 2,86 1,62 x 10 4,64 1,77 x 10 4,99
EMB 1,72 x 106 2,86 2,1 x 106 2,62 2,19 x 106 4,92
Tabela 2 - Contagem de unidades formadoras de colônias em amostras de sachês do lote 2
da marca 2.

LOTE 2 CAIXA 1 CAIXA 2 CAIXA 3


MÉDIA DESVIO MÉDIA DESVIO MÉDIA DESVIO
MEIO UFC/mL PADRÃO UFC/mL PADRÃO UFC/mL PADRÃO
SANGUE 6,18 x106 4,11 4,66 x 106 4,89 5,45 x 106 3,68
6 6 6
SS 2,86 x 10 4,19 2,66 x 10 4,54 2,06 x 10 4,89
HE 2,08 x 106 4,49 1,65 x 106 3,68 1,35 x 106 4,49
6 6 6
EMB 5,11 x 10 4,98 3,06 x 10 4,92 5,14 x 10 3,74

Tabela 3 - Contagem de unidades formadoras de colônias em amostras de sachês do lote 3


da marca 2.

LOTE 3 CAIXA 1 CAIXA 2 CAIXA 3


MÉDIA DESVIO MÉDIA DESVIO MÉDIA DESVIO
MEIO UFC/mL PADRÃO UFC/mL PADRÃO UFC/mL PADRÃO
SANGUE 2,53 x 106 4,11 2,28 x 106 3,29 2,43 x 106 4,18
SS 6,7 x 105 4,08 8,46 x 105 3,68 7,96 x 105 4,49
HE 8,73 x 106 3,68 1,08 x 106 3,29 8,66 x 105 3,29
6 6 6
EMB 2,0 x 10 3,74 2,27 x 10 4,08 1,17 x 10 2,16

O material testado não se encontra em acordo com o estabelecido pela RDC 12 de


2001 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que estabelece Padrões Microbiológicos
Sanitários para Alimentos. Esta regulamentação estabelece que os valores máximos permitidos
são da ordem de 103 UFC (Unidades Formadoras de Colônias) e os resultados aqui
encontrados variam de 104 a 106 UFC. O material também não está em acordo com os padrões
determinados pelo regulamento técnico para café, cevada, chá, erva-mate e produtos solúveis,
o qual faz parte da RDC 277 de 2005, e determina que: “Os produtos devem ser obtidos,
processados, embalados, armazenados, transportados e conservados em condições que não
produzam, desenvolvam e ou agreguem substâncias físicas, químicas ou biológicas que
coloquem em risco a saúde do consumidor”.
Em trabalho realizado por Bugno et al. (2005), os resultados indicaram que 93,2% das
espécies vegetais analisadas não cumpriram com os parâmetros farmacopêicos de aceitação.
Os autores sugerem a necessidade de medidas regulatórias e educacionais que garantam a
qualidade destes produtos. Zaroni et al. (2004) em suas pesquisas observaram que a maioria
das amostras foi reprovada pelo fato de apresentar contagens elevadas de microrganismos
aeróbios e de bolores e leveduras. Essa reprovação evidencia a necessidade de um programa
de treinamento dos produtores, envolvendo as diversas etapas de produção e o posterior
processamento.

Um hábito costumeiro na Alemanha é o uso de chás nos cuidados com os pacientes.


Wilson et al. (2004) analisaram saches de chás empregados por essas clínicas e observaram que
os materiais em questão eram altamente contaminados. (Eles sugerem que pode) Eles chamam
a atenção para o fato de poder existir um possível risco de infecção nosocomial para os
pacientes.

A qualidade microbiológica e físico-química do conteúdo dos saquinhos de chás está


atrelada aos diferentes segmentos da cadeia produtiva. É necessário ter em mente que a
qualidade do produto final deve ser o resultado da soma de esforços concentrados para a
melhoria da qualidade do processo produtivo como um todo, abrangendo desde a obtenção de
matéria prima idônea até a manutenção da qualidade do produto final (FISCHER; OHARA;
SAITO, 1996; GOMES et al., 2004).

Adicionalmente a estas informações vale observar que a contaminação biológica de


alimentos é um problema de saúde pública no Brasil, assim como no resto do mundo. No país,
existe normatização adequada para controle sanitário dos alimentos. Porém, ainda falta a
fiscalização efetiva e permanente da produção, conservação e comercialização de alimentos
pelos serviços estaduais e municipais de vigilância sanitária, aos quais é delegado o poder de
inspecionar e punir os infratores (BALBANI; BUTUGAN, 2001).
5.2 Identificação e perfil de resistência dos microrganismos isolados

5.2.1 Microrganismos Gram positivos

5.2.1.1 Staphylococcus aureus

De acordo com os testes de identificação empregados seis dos microrganismos isolados


foram identificados como Staphylococcus aureus. Isto é: são cocos Gram positivos, agrupados
em cachos (Figura 7), catalase positiva, fermentam manitol (Figura 8), possuem a enzima
DNAse (Figura 9), apresentam a enzima coagulase, com colônias pretas e amarelo no Agar
Vogel Johnson (Figura 10).

Figura 7 – Cocos agrupados em cachos G+. Figura 8 – Meio manitol salgado: a


observação de viragem do meio para
amarelo indica que o microrganismo
fermenta manitol.
Figura 9 – Agar DNAse, observa-se a Figura 10 – Agar Vogel-Johson, colônia
presença de halo indicando que o preta indicativa de microrganismo
microrganismo apresenta a enzima. coagulase +, halo amarelo no entorno
indicativo de microrganismo fermentador
de manitol.

Quanto ao perfil de resistência, todos os S. aureus foram resistentes à penicilina, dois


ao cloranfenicol, um à cefalotina, três oxacilina, quatro à eritromicina e um à tetraciclina. Não
houve resistência à gentamicina (Tabela 4).

Tabela 4 – Perfil de resistência dos Staphylococcus aureus.

Microrganismo/ A1 A2 A3 A4 A5 A6
Antibiótico
Cloranfenicol S R S S S R
Cefalotina S R S S S S
Oxacilina R R S S R S
Gentamicina S S S S S S
Penicilina R R R R R R
Eritromicina S R S R R R
Tetraciclina S S S R S S
R = resistente; S = sensível.
Vale salientar que o microrganismo A2 pode ser classificado como multiresistente já
que só possui sensibilidade à gentamicina e à tetraciclina. Devendo-se também destacar a
presença de três microrganismos (A1, A2 e A5) oxacilina resistentes (ORSA).

Na literatura há relatos do isolamento de S. aureus de diferentes alimentos, entre eles


comidas prontas para consumo (CHRISTISON; LINDSAY; von HOLY, 2008); produtos de
origem animal, como carne (BOER et al., 2009) e leite (ARAÚJO, 2005); frutas (VICALVI,
2007); vegetais minimamente processados (SIQUEIRA, 2007) e chás. Estudo realizado por
Abba et al. (2009) avaliou a contaminação bacteriana de preparações em pó à base de plantas
medicinais e observou que 65,33% estavam contaminadas por Staphylococcus aureus.

Na pesquisa feita por Araújo (1998) foram isoladas 201 cepas de S. aureus a partir de
amostras de leite cru, as quais foram submetidas a provas de resistência a antibióticos. Dessas
cepas 88 foram resistentes à penicilina, 90 à ampicilina, 24 à cloranfenicol e 40 à tetraciclina.

Staphylococcus aureus resistente à oxacilina/meticilina (MRSA) é um dos maiores


problemas clínicos e epidemiológicos em infecções nosocomiais. Porém, as infecções por
MRSA não se limitam ao ambiente hospitalar, pois S. aureus resistente à oxacilina,
comunidade adquirido (CA-MRSA) está emergindo e pode atingir pessoas sem fatores de
risco, como hospitalizações prévias (LOPES, 2005; MENEGOTTO; PICOLI, 2007).

5.2.1.2 Staphylococcus coagulase negativa

De acordo com os testes de identificação quatro microrganismos foram identificados


como Staphylococcus coagulase negativa (SCN), ou seja, são cocos agrupados em cachos
Gram positivos, catalase positiva (Figura 11), coagulase negativa (Figura 12). Dentre esses,
foi possível determinar um Staphylococcus saprophyticus identificado por ser resistente a
novobiocina (Figura 13).
Figura 11 – Teste de catalase, a produção Figura 12 – Coagulase negativa, não
de bolhas indica a presença da enzima. se observa a presença de grumos.

Figura 13 – Análise de resistência à Novobiocina, não se observa formação de halo de


inibição.

Quanto ao perfil de resistência, três microrganismos foram resistentes a oxacilina, dois


a penicilina e eritromicina, e um a cefalotina. Um dos microrganismos foi sensível a todos os
antibióticos testados (Tabela 5).
Tabela 5 – Perfil de resistência dos Staphylococcus coagulase negativa.
Microrganismo/ S. saprophyticus SCN1 SCN2 SCN3
Antibiótico
Cloranfenicol S S S S
Cefalotina S S R S
Oxacilina R R R S
Gentamicina S S S S
Penicilina R S R S
Eritromicina R S R S
Tetraciclina S S S S
R = resistente; S = sensível.

Staphylococcus coagulase negativa são habitantes normais da pele humana e


membranas mucosas. Eles já foram considerados como cultura contaminante, mas o papel
potencialmente importante dos SCN como patógenos e o aumento da sua incidência têm sido
reconhecidos. Cerca de 55-75% dos isolados nosocomiais são resistentes à
meticilina/oxacilina. No hospedeiro imunocompetente, endocardite e infecções do trato
urinário com Staphylococcus saprophyticus são as afecções mais comuns (PIETTE;
VERSCHRAEGEN, 2009). Na literatura há relatos de espécies de Staphylococcus coagulase-
negativa isolados de leite (GILLESPIE, 2009).

Faria et al. (2009) relataram os padrões de resistência aos antibióticos de


Staphylococcus coagulase negativa isolados de uma estação de tratamento de água potável,
uma rede de distribuição de água potável, responsável pelo fornecimento de água para os
consumidores e uma de tratamento de águas residuais. Foram isolados Staphylococcus
epidermidis, Staphylococcus pasteuri, Staphylococcus saprophyticus dentre outros. A maior
taxa de resistência foi à eritromicina, sendo encontrada também resistência a tetraciclina.
5.2.1.3 Bacillus spp.

Dos microrganismos isolados, após verificação da lâmina corada pelo método de


Gram, sete foram classificados como Bacillus spp. por apresentarem morfologia característica
desse gênero, ou seja, bacilos Gram positivos (Figura 14).

Figura 14 – Bacilos Gram positivos vistos em toda a lâmina na observação ao microscópio.

A análise do perfil de resistência revelou que quatro microrganismos são resistentes à


penicilina e três ao cloranfenicol (Tabela 6).

Tabela 6 – Perfil de resistência de Bacillus spp.


Microrganismo/ B1 B2 B3 B4 B5 B6 B7
Antibiótico
Cloranfenicol S S R R R S S
Cefalotina S S S S S S S
Oxacilina S S S S S S S
Gentamicina S S S S S S S
Penicilina R R S S S R R
Eritromicina S S S S S S S
Tetraciclina S S S S S S S
R = resistente; S = sensível.
O grupo de bactérias Bacillus cereus são saprófitas do solo, mas de vez em quando
essas bactérias podem causar uma vasta gama de doenças em seres humanos, incluindo
intoxicação alimentar e infecções sistêmicas. A maioria das espécies do gênero Bacillus é
considerada contaminante inofensivo. Contudo, seus endosporos são capazes de suportar duras
condições ambientais e várias etapas da transformação alimentar, havendo por parte da
indústria alimentícia uma grande preocupação com as espécies de Bacillus toxigênicas que são
líderes de intoxicação alimentar. As espécies de Bacillus conhecidas como toxigênicas ou
potencialmente toxigênicas são: Bacillus cereus, Bacillus thuringiensis, Bacillus subtilis,
Bacillus licheniformis e Bacillus pumilus (DIDELOT et al., 2009; OH; COX, 2009).

As bactérias do gênero Bacillus podem ser isoladas de diferentes amostras, como arroz
(OH; COX, 2009) e leite (COOREVITS et al., 2008). Podendo também serem isoladas em
fábricas de alimentos (KIM et al., 2009), em amostras de origem clínica e ambiental
(SUOMINEN et al., 2001).

5.2.1.4 Actinomicetos

Um dos microrganismos isolados foi identificado como actinomiceto, pois o exame


microscópico da lâmina revelou a presença de hifas grandes esporuladas características de
Actinomiceto (Figura 15).

Figura 15 – Hifas grandes esporuladas – observação ao microscópio óptico.


Actinomicetos são bactérias Gram positivas, sendo o grupo de microrganismos mais
amplamente distribuído na natureza. Eles também são bem conhecidos como saprófitos do
solo. Devido a sua grande capacidade de degradação de moléculas de difícil decomposição,
como celulose e ligninas, são de grande importância em processos de compostagem. A
habilidade natural da compostagem de suprimir doenças pode diminuir o impacto ambiental
pela utilização de pesticida químico (TAKISAWA; COLWELL; HILL, 1993; MOURA et al,
2009; ARAGÃO; SANTOS; ARAÚJO, 2000). Khamna; Yokota; Lumyong (2009) isolaram
da rizosfera de plantas medicinais cerca de 445 espécies de actinomicetos.

A presença desses microrganismos contaminando o chá pode ser explicada porque eles
podem ser encontrados no solo, quer seja como saprófitos ou pelo processo de adubação
usando a compostagem, o que revela uma certa falta de cuidado no momento da colheita e no
processamento desse material.

5.2.2 Microrganismos Gram negativos

5.2.2.1 Pantoea aglomerans

Foi isolado um microrganismo que na microscopia é um bacilo Gram negativo, nas


provas bioquímicas: reduz nitrato a nitrito (Figura 16), uréia negativa, motilidade positiva,
Vosges-Proskauer positivo (Figura 17), não possui as enzimas lisina descarboxilase (Figura
18) e ornitina descarboxilase (Figura 19), não fermenta sacarose, e possui outras
características de fermentação que possibilitam a identificação desse microrganismo como
Pantoea aglomerans.
VP + VP - VP +

Nit - Nit + Nit +

Figura 16 – Redução de Nitrato (NIT). Figura 17 – Voges-Proskauer (VP):


Na sequência: controle negativo, Controle positivo, controle negativo,
controle positivo, microrganismo microrganismo testado. Observar anel
testado. Observar a viragem para vermelho na superfície do meio
vermelho indicando prova positiva. indicando teste positivo.

MIO + MIO - MIO -

LIA + LIA - LIA -

Figura 18 – Lisina descarboxilase Figura 19 – Ornitina descarboxilase


(LIA): controle positivo, controle (MIO): controle positivo, controle
negativo, microrganismo testado. O negativo, microrganismo testado. O
fundo de tubo amarelo indica não meio amarelo revela a não
descarboxilação da lisina. descarboxilação da ornitina.

Quanto ao perfil de resistência o microrganismo é resistente a ampicilina e sensível aos


demais antibióticos testados (Tabela 7).
Tabela 7 – Perfil de resistência da Pantoea aglomerans.
Microrganismo/ Pantoea aglomerans
Antibiótico
Cefepime S
Cefoxitina S
Cefalotina S
Tetraciclina S
Cefotaxima S
Gentamicina S
Ampicilina R

R = resistente; S = sensível.

Pantoea agglomerans é um bacilo Gram negativo da família Enterobacteriaceae.


Espécies pertencentes ao gênero de Pantoea são isoladas de plantas como epífitas (crescendo
sobre ou anexa à planta) e endófita (crescimento dentro da planta), do solo, da água, de
alimentos, de animais e de seres humanos. Dentro do gênero, P. agglomerans é a espécie mais
comumente isolada em humanos - tecidos moles ou ósseo (BARASH; MANULIS-SASSON,
2007; BICUDO et al., 2007; BRADY et al., 2008; CRUZ; CAZACU; ALLEN, 2007;
GAVINI. et al., 1989; PRAKAMHANG et al., 2009).

Embora seja raramente reconhecida como uma agente de infecções nosocomiais


endógenas, a Pantoea agllomerans pode causar epidemias entre os pacientes internados,
quando associada à utilização de produtos intravenosos contaminados devido à sua capacidade
de crescer em fluidos de infusão comerciais. A contaminação desse material pode ser advinda
das mãos dos manipuladores (BICUDO et al., 2007).
5.2.2.2 Enterobacter cloacae

Foi isolado um microrganismo que na microscopia é um bacilo Gram negativo, nas


provas bioquímicas: reduz nitrato a nitrito; é citrato positivo, é Voges-Proskauer positivo; é
Vermelho de Metila negativo (Figura 20); possui a enzima ornitina descarboxilase e é móvel
(Figura 21); fermenta glicose, sacarose, lactose, xilose, arabinose, manitol, rafinose, raminose,
sorbitol e salicilina (Figura 22).

VM + VM - VM -

MIO + MIO - MIO +

Figura 20 – Vermelho de Metila (VM): Figura 21 – Ornitina descarboxilase


controle positivo, controle negativo, (MIO): controle positivo, controle
microrganismo testado. O meio amarelo negativo, microrganismo testado. O meio
indica prova negativa. roxo indica teste positivo.

GLI+ SAC+ LAC+ XIL+ ARA+ MAN+ MYO - MESO - GAL+ RAF+ RAM+ SOR+ SAL+

Figura 22 – Prova de produção de ácido por fonte de carbono: meio amarelo indica teste
positivo; meio roxo - prova negativa.
Quanto ao perfil de resistência a bactéria foi resistente à cefoxitina, cefalotina e
ampicilina, apresentando sensibilidade aos demais antibióticos testados (Tabela 8).

Tabela 8 – Perfil de resistência da Enterobacter cloacae


Microrganismo/ Enterobacter cloacae
Antibiótico
Cefepime S
Cefoxitina R
Cefalotina R
Tetraciclina S
Cefotaxima S
Gentamicina S
Ampicilina R

R = resistente; S = sensível.

Boehme et al. (2004) analisaram a contaminação de diferentes vegetais e o perfil de


resistência dos microrganismos isolados. Essa análise revelou a presença de Enterobacter
cloacae. A resistência mais comum foi a tetraciclina (43%), estreptomicina (37%),
cloranfenicol (29%), co-trimoxazol (9%) e gentamicina (4%). Os autores ainda citam a
preocupação com a propagação dessa resistência por meio da cadeia alimentar.

5.2.2.3 Serratia ficaria

Foi isolado um microrganismo com características de Serratia ficaria, ou seja, bacilo


Gram negativo, redutor de nitrato, fermentador de citrato (Figura 23), uréia negativa, indol
negativo, esculina positiva (Figura 24), não apresenta as enzimas lisina e ornitina
descarboxilase.
Figura 23 – Citrato positivo: Figura 24 - Bile esculina positiva.
observar a mudança da cor do meio Escurecimento do meio indica prova
de verde para azul. positiva.

Quanto ao perfil de resistência o microrganismo é resistente a ampicilina e sensível aos


demais antibióticos testados (Tabela 9).

Tabela 9 – Perfil de resistência da Serratia ficaria.


Microrganismo/ Serratia ficaria
Antibiótico
Cefepime S
Cefoxitina S
Cefalotina S
Tetraciclina S
Cefotaxima S
Gentamicina S
Ampicilina R

R = resistente; S = sensível.
Serratia ficaria é uma enterobacteria que faz parte do ecossistema da figueira. A partir
da figueira, a bactéria pode ser disseminada por insetos e formigas. Isso poderia explicar a
disseminação de isolados em humanos por via respiratória e a possível contaminação por via
oral. O isolamento na clínica é raro e o papel como um agente patogênico não é claro, todavia
infecções causadas pela S. ficaria em pacientes com a saúde debilitada pode ter graves
conseqüências (ANAHORY et al., 1998; BADENOCH; THOM; COSTER, 2002; DARBAS;
JEAN-PIERRE; PAILLISSON, 1994; GILL et al., 1981).

5.2.2.4 Buttiauxella noackiae

A Buttiauxella noackiae pertence a família das Enterobacteriaceae é um bacilo Gram


negativo, redutor de nitrato a nitrito, uréia negativo, vermelho de metila positivo, Voges-
Proskauer negativo, móvel, não fermenta Myo-inositol, Meso-inositol, rafinose, sorbitol
(Figura 25), dentre outras características.

MIO-I - MESO-I - GAL + RAF - RAM + SORB - SAL +

Figura 25 – Prova de produção de ácido por fonte de carbono: meio amarelo indica teste
positivo; meio roxo prova negativa.
O microrganismo sensível a todos os antibióticos testados (Tabela 10).

Tabela 10 – Perfil de resistência da Buttiauxella noackiae


Microrganismo/ Buttiauxella noackiae
Antibiótico
Cefepime S
Cefoxitina S
Cefalotina S
Tetraciclina S
Cefotaxima S
Gentamicina S
Ampicilina S

R = resistente; S = sensível.

Bactérias do gênero Buttiauxella, consideradas incomuns, são encontradas


frequentemente em moluscos, principalmente caracóis e lesmas, também podem ser isoladas do
solo e de alimentos, mas raramente em humanos – escarros e feridas (KONEMAN et al., 2008;
MULLER et al., 1996, STONE et al., 2007). A presença de Bittiauxella noackiae no chá
analisado pode ser devido a sua presença no solo, o que revela, mais uma vez, a ausência de
cuidados no processamento desse material (2).

______________________________________
(2) - Os perfis de resistência de todos os microrganismos isolados e identificados estão
informados no Apêndice 2.
5.3 Irradiação das amostras

5.3.1 Contagem de colônias

Não houve crescimento de colônias nas placas correspondentes à marca 1, mostrando


que para essa marca a dose de 5 KGy conseguiu eliminar totalmente a contaminação. Na
segunda marca testada houve crescimento de colônias em algumas placas correspondentes ao
lote 1 (caixa 1) e ao lote 2 (caixa 1), não se observando crescimento nas placas do lote 3.

O resultado da contagem de colônias em unidades formadoras de colônias por mL


(UFC/mL) das caixas em que foi observada contaminação após a irradiação com a dose de 5
kGy está na tabela 11, acompanhado dos valores da contagem inicial dessas caixas (Tabela 12).

Tabela 11 – Contagem de unidades formadoras de colônias em amostras de sachês do


após a irradiação com dose de 5kGy.

Irradiado Lote 1 CAIXA 1 Lote 2 CAIXA 1


MEIO MÉDIA DESVIO MÉDIA DESVIO
UFC/mL PADRÃO UFC/mL PADRÃO
SANGUE 8 x 104 0,81 8 x 104 2,16
SS 3,33 x 104 0,94 5 x 104 2,45
4 4
HE 1,33x 10 0,47 1,33 x 10 0,47
EMB 3,66 x 104 0,47 4 x 104 0,81
Tabela 12 – Contagem inicial (pré irradiação) de colônias do lote 1 caixa 1 e do lote 2
caixa 1.

Controle Lote 1 CAIXA 1 Lote 2 CAIXA 1


MEIO MÉDIA DESVIO MÉDIA DESVIO
UFC/mL UFC/mL
SANGUE 1,86 x 106 2,494 6,18 x 106 4,109
6 6
SS 1,44 x 10 2,867 2,86 x 10 4,189
HE 1,08 x 106 2,867 2,08 x 106 4,496
6 6
EMB 1,71 x 10 2,867 5,11 x 10 4,988

Observando-se esses dados é possível dizer que a maior diminuição (99,36%)


aconteceu na placa do meio HE do lote 2 caixa 1 e a menor diminuição (95,71%) é vista na
placa de Sangue do lote 1 caixa 1. Apesar da dose de 5kGy não ter eliminado totalmente os
microrganismos contaminantes, essa contaminação foi diminuída de forma subtancial.

Nas doses de 10 kGy e 15 kGy não houve crescimento de colônias. Assim, essas doses
são consideradas totalmente eficazes na eliminação dos microrganismos encontrados no
material analisado.

Muitos autores concordam que a irradiação de alimentos para eliminação de


contaminantes é um processo eficaz e pode ser utilizado no processamento dos mais diversos
alimentos (AN et al., 2004; BUGAY et al., 2000; BYUN et al., 2007; DURANTE, 2002;
GUMUS et al., 2008; SOMMERS; BOYD, 2006).

No trabalho realizado por Wen et al. (2008) a dose de 8 kGy foi eficiente na
descontaminação. Thomas et al. (2008) aplicaram doses de 7 e 10 kGy em chá preto e
observaram a eliminação de contaminação em ambas as doses. Esses resultados corroboram
com o resultado encontrado nesse trabalho.
Todavia, alguns pesquisadores citam a eliminação de contaminação com doses mais
baixas do que as aqui encontradas. Gumus et al. (2008) observaram a eliminação de
microrganismos com uma dose de 4,5 kGy e Byun et al (2007) viram que uma dose 3 kGy
destruiu todos microrganismos contaminantes.

5.3.2 Identificação dos microrganismos isolados após a irradiação

Como dito anteriormente nas amostras que receberam a dose de 5 kGy houve
crescimento de colônias nas placas semeadas. Algumas dessas colônias foram isoladas para
posterior identificação.

Foi possível identificar quatro microrganismos duas Serratia ficaria, uma Pantoea
aglomerans e uma Pseudomonas aeruginosas. A Serratia ficaria é bacilo Gram -, redutor de
nitrato, fermentador de citrato, é uréia negativa, indol negativo, esculina positiva, móvel, não
apresenta as enzimas lisina e ornitina descarboxilase. Pantoea aglomerans é um bacilo G-, nas
provas bioquímicas: reduz nitrato a nitrito, é uréia negativa, é móvel, Vosges-Proskauer
positivo, não possui as enzimas lisina descarboxilase e ornitina descarboxilase, não fermenta
sacarose. Pseudomonas aeruginosas é um bastonete Gram negativo, citocromo oxidase
positivo, aeróbio (Figura 26), semeado na Cetrimida apresentou pigmento verde fluorescente
(Figura 27).
Figura 26 – Crescimento na Figura 27 – Crescimento na
superfície em tioglicolato, Cetrimida com pigmento verde
característico de microrganismo fluorescente.
aeróbio.

A presença de Pantoea aglomerans após a irradiação pode ser explicada pelo trabalho
de Dussault et al. (2009), que avaliaram o efeito da irradiação-γ sobre os ácidos graxos e
muropeptideos de duas cepas de Pantoea agglomerans e concluiram que os efeitos da
irradiação na membrana bacteriana são percebidas e poderia desempenhar um papel
importante na resposta celular e capacidade de sobreviver neste ambiente rígido.
6 CONCLUSÕES

Com base nos resultados obtidos neste trabalho, pode-se concluir que:

Os sachês de chás de camomila comercializados em Supermercados do Recife, que


foram analisados, apresentaram-se em condições precárias para o consumo, segundo os
padrões estabelecidos pela ANVISA - Agência de Vigilância Sanitária, o que sugere e reforça
a necessidade da intensificação na vigilância de produtos de natureza idêntica,
comercializados no Brasil. Muitos dos microrganismos isolados e identificados são patógenos
em potencial, e representam risco adicional por terem desenvolvido e ou evidenciado
resistência a alguns dos antibióticos testados. A irradiação de sachês/saquinhos de chás
utilizando a radiação gama do Co-60 nas doses de 10 kGy e 15 kGy mostrou-se eficaz e
eficiente para a esterilização desses produtos. Apesar de haver regulamentação para o controle
sanitário dos alimentos, a fiscalização não se mostra eficiente e ou eficaz.
REFERÊNCIAS

A HISTÓRIA do Chá. Disponível em: < http://cha.web.simplesnet.pt/historia.htm>. Acesso


em: 02 fev. 2008.

ABBA, D.; INABO, H. I.; YAKUBU, S. E.; OLONITOLA, O. S. Contamination of herbal


medicinal products marketed in Kaduna metropolis with selected pathogenic bacteria. African
Journal of Traditional, Complementary and Alternative Medicines, v. 6, n. 1, p. 70 – 77,
2009.

ABOU-ARAB, A. A. K.; SOLIMAN KAWTHER, M.; EL TANTAWY, M. E.; ISMAIL


BADEAA, R.; NAGUIB KHAYRIA. Quantity estimation of some contaminants in commonly
used medicinal plants in the Egyptian market. Food Chemistry. v. 67, p. 357-363, 1999.

ADEWUNMI, C. O.; OJEWOLE, J. A. O. Safety of traditional medicines, complementary and


alternative medicines in Africa. Afr. J. Trad. v. 1, p. 1-3, 2004.

AGRA, M. F.; FREITAS, P. F.; BARBOSA-FILHO, J. M. Synopsis of the plants known as


medicinal and poisonous in Northeast of Brazil. Rev. Bras. Farmacog, v. 17, n. 1, p. 114-140,
2007.

AMARAL, F. M. M.; COUTINHO, D. F.; RIBEIRO, M. N. S.; OLIVEIRA, M. A. Avaliação


da qualidade de drogas vegetais comercializadas em São Luís/Maranhão. Rev. Bras.
Farmacogn., v. 13, supl., p. 27-30, 2003.

AN, BONG-J.; KWAK, JAE-H.; SON, JUN-H.; PARK, JUNG-M.; LEE, JIN-Y.; JO, C.;
BYUN, MYUNG-W. Biological and anti-microbial activity of irradiated green tea
polyphenols. Food Chemistry, v. 88, p. 549–555, 2004.
ANAHORY, T.; DARBAS, H.; ONGARO, O.; JEAN-PIERRE, H.; MION, P. Serratia
ficaria: a Misidentified or Unidentified Rare Cause of Human Infections in Fig Tree Culture
Zones. Journal of Clinical Microbiology, v. 36, n. 11, p. 3266–3272, 1998.

ARAGÃO, J. M. S.; SANTOS, S. M.; ARAÚJO, J. M. Ocorrência de actinomicetos com


atividade antifúngica em compostagem de resíduos sólidos. In: XXVII Congresso
Interamericano de Engenharia Sanitária e Ambiental, 2000.

ARAÚJO, W. P. Fagotipagem de cepas de Staphylococcus aureus resistentes a antibióticos,


isoladas de leite. Braz. J. vet. Res. anim. Sci, v. 35, n. 4, p. 161-165, 1998.

AZELMAT, K.; EL GARROUJ, D.; MOUHIB, M.; SAYAH, F. Irradiation of


‘Boufeggous’dates: effects on chemical composition during storage. Postharvest Biol.
Technol., v. 39, p. 217–222, 2006.

BABENKO, N. A.; SHAKHOVA, E. G. Effects of Chamomilla recutita flavonoids on age-


related liver sphingolipid turnover in rats. Experimental Gerontology, v. 41, p. 32–39, 2006.

BABENKO, N.A; SHAKHOVA, E. G. Effects of flavonoids on sphingolipid turnover in the


toxin-damaged liver and liver cells. Lipids Health Dis., v. 7, n. 1, 2008.

BADENOCH, P. R.; THOM, A. L.; COSTER, D. J. Serratia ficaria Endophthalmitis. Journal


of Clinical Microbiology, v. 40, n. 4, p. 1563–1564, 2002.

BALAZS, T.; TISSERAND, R. German Chamomile. The Internacional Journal of


Aromatherapy. v. 4, n. 1, 1998.

BALBANI, A. P. S.; BUTUGAN, O. Contaminação biológica de alimentos. Pediatria, v. 23,


n. 4, p. 320-8, 2001.
BAGHALIAN, K.; HAGHIRY, A.; NAGHAVI, M. R.; MOHAMMADI, A. Effect of saline
irrigation water on agronomical and phytochemical characters of chamomile (Matricaria
recutita L.). Scientia Horticulturae, v. 116, p. 437–441, 2008.

BARASH, I.; MANULIS-SASSON, S. Virulence mechanisms and host specificity of gall-


forming Pantoea agglomerans TRENDS in Microbiology, v. 15, n. 12, p. 538-545. 2007.

BAUER, A. N.; KIRBY, M. N.; SHERRIS, J. C. et al. Antibiotics susceptibility test by a


standardized single disk methods. American Journal of Clinical Pathology, v. 45, p. 493-
494, 1966.

BENT, S.; KO, R. Commonly Used Herbal Medicine in the United States: A Review. The
American of Journal of Medicine. v.116, 2004.

BIANCO, M. I.; LÚQUEZ, C.; JONG, L. I. T.; FERNÁNDEZ, R. A. Presence of Clostridium


botulinum spores in Matricaria chamomilla (chamomile) and its relationship with infant
botulism. International Journal of Food Microbiology. v. 121, p. 357–360, 2008.

BICUDO, E. L.; MACEDO, V. O.; CARRARA, M. A.; CASTRO, F. F. S.; RAGE, R. I.


Nosocomial Outbreak of Pantoea agglomerans in a Pediatric Urgent Care Center. The
Brazilian Journal of Infectious Diseases, v. 11, n. 2, p. 281-284, 2007.

BOEHME, S.; WERNER, G.; KLARE, I.; REISSBRODT, R.; WITTE, W. Occurrence of
antibiotic-resistant enterobacteria in agricultural foodstuffs. Mol. Nutr. Food Res., v. 48, p.
522 – 531, 2004.
BOER, E.; ZWARTKRUIS-NAHUIS, J. T. M.; WIT, B.; HUIJSDENS, X. W.; NEELING, A.
J.; BOSCH, T.; Van OOSTEROM, R. A. A.; VILA, A.; HEUVELINK, A. E. Prevalence of
methicillin-resistant Staphylococcus aureus in meat. International Journal of Food
Microbiology, 2009.

BORBA, A. M.; MACEDO, M. Plantas medicinais usadas para a saúde bucal pela comunidade
do bairro Santa Cruz, Chapada dos Guimarães, MT, Brasil. Acta bot. bras. v.20, n.4, p.771-
782, 2006.

BOTTCHER, H.; GUNTHER, I.; FRANKE, R.; WARNSTORFF, K. Physiological


postharvest responses of Matricaria (Matricaria recutita L.) flowers. Postharvest Biology
and Technology, v. 22, p. 39–51, 2001.

BRADY, C.; CLEENWERCK, I.; VENTER, S.; VANCANNEYT, M.; SWINGS, J.;
COUTINHO, T. Phylogeny and identification of Pantoea species associated with plants,
humans and the natural environment based on multilocus sequence analysis (MLSA).
Systematic and Applied Microbiology, v. 31, p. 447–460, 2008.

BRANCO, A. C. S. C.; MELO, A. F. M.; ALMEIDA, Y. S.; DINIZ, M. F. M. Avaliação da


qualidade das plantas medicinais em sachês mais encontradas nos supermercados de João
Pessoa – PB. Revista de Ciências da Saúde Nova Esperança, v. 2, n. 2, p. 39-51, 2004.

BRANDÃO, M. G. L.; FREIRE, N.; VIANNA-SOARES, C. D. Vigilância de fitoterápicos em


Minas Gerais. Verificação da qualidade de diferentes amostras comerciais de camomila. Cad.
Saúde Pública., v. 14, n. 3, 1998.

BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Decreto n.º 72.718,
de 29 de agosto de 1973, publicada no Diário Oficial da União de 30 de agosto de 1973.
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Diretoria Colegiada.
Resolução n. 227 de 22 de setembro de 2005. Disponível em:
<http://www.abic.com.br/arquivos/leg_resolucao277_anvisa_set05.pdf>. Acesso em: 12 dez.
2007.

BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução- RDC da


ANVISA n. 21 de 26 de janeiro de 2001. Regulamento técnico para irradiação de alimentos.
Diário Oficial da União, Brasília, DF, 29 jan. 2001.

BRUHN, C. M. Consumer acceptance of irradiated food: theory and reality. Radiat. Phys.
Chem. v. 52, n. 16, p. 129-133, 1998.

BUCKENHÜSKES, H. J.; RENDLEN, M. Hygienic problems of phytogenic raw materials for


food production with special emphasis to herbs and spices. Food Science and Biotechnology,
v. 13, p. 262-268, 2004.

BUGAY, A.; KOLESNIK, S.; MEHTA, K.; NAGY, V.; DESROSIERS, M. Temperature
stabilization of alanine dosimeters used for food processing and sterilization Applied
Radiation and Isotopes, v. 52, p. 1371-1373, 2000.

BUGNO, A.; BUZZO, A. A.; NAKAMURA, C. T.; PEREIRA, T. C.; MATOS, D.;
ANDREOLI PINTO, T. J. Avaliação da contaminação microbiana em drogas vegetais. Revista
Brasileira de Ciências Farmacêuticas. v. 41, n. 4, p. 491-497, 2005.

BYUN, M. W.; KIM, J. H.; KIM, D. H.; KIM, H. J.; JO, C. Effects of irradiation and sodium
hypochlorite on the micro-organisms attached to a commercial food container. Food
Microbiology, v. 24, p. 544–548, 2007.
CABRINI, K. T., SIVIERO, A. R.; HONORIO, E. F.; OLIVEIRA, L. F. C.; VENÂNCIO , P.
C. Pesquisa de Coliformes Totais e Escherichia coli em Alfaces (Lactuca sativa)
comercializadas na cidade de Limeira, São Paulo, Brasil. Revista Higiene Alimentar, v. 16, n.
95, 2002.

CALIXTO, J. B. Efficacy, safety, quality control, marketing and regulatory guidelines for
herbal medicines (phytotherapeutic agents). Braz. J. Méd. Biol. Res., v. 33, n. 2, p. 179-189,
2000.

CAMOMILA - Matricaria recutita. Disponível em:


<http://www.jardineiro.net/br/banco/matricaria_recutita.php>. Acesso em: 02 de setembro de
2007.

CAÑIGUERAL, S.; DELLACASSA, E.; BANDONI, A.L. Plantas Medicinales y Fitoterapia: ¿


indicadores de dependência o factores de desarrollo? Acta Farmacéutica Bonaerense, v. 22,
n. 3, p. 265-278, 2003.

CARDOSO, M. F. A. Prevenção e Controle das Seqüelas Orais em Pacientes Irradiados em


Região de Cabeça e Pescoço. Dissertação de Mestrado – Universidade Federal de São Paulo,
fev., 2003.

CHRISTISON, C. A.; LINDSAY, D.; Von HOLY, A. Microbiological survey of ready-to-eat


foods and associated preparation surfaces in retail delicatessens, Johannesburg, South Africa.
Food Control, v. 19, p. 727–733, 2008.

Codex Alimentarius. Food Labelling - Complete Texts (2007) - GENERAL STANDARD


FOR THE LABELLING OF PREPACKAGED FOODS. Disponível em:
http://www.codexalimentarius.net/web/publications.jsp?lang=en. Acesso em: 14 de outubro de
2008.
COOREVITS, A.; JONGHE, V.; VANDROEMME, J.; REEKMANS, R.; HEYRMAN, J.;
MESSENS, W.; DE VOS, P.; HEYNDRICKX, M. Comparative analysis of the diversity of
aerobic spore-forming bacteria in raw milk from organic and conventional dairy farms.
Systematic and Applied Microbiology, v. 31, p. 126–140, 2008.

CRAIG, W. J. Chamomile . Vibrant Life, v. 17, n. 2, 2001.

CRESPI, C. L.; MILLER, V. P.; PENMAN, B. W. Microtiter Plate Assays for Inhibition of
Human, Drug-Metabolizing Cytochromes P450. Analytical Biochemistry, v. 248, n. 1, p.
188-190, 1997.

CRUZ, A. T.; CAZACU, A. C.; ALLEN, C. H. Pantoea agglomerans, a Plant Pathogen


Causing Human Disease. Journal of Clinical Microbiology, v. 45, n. 6, p. 1989–1992, 2007.

DARBAS, H.; JEAN-PIERRE, H.; PAILLISSON, J. Case Report and Review of Septicemia
Due to Serratia ficaria. Journal of Clinical Microbiology, v. 32, n. 9, p. 2285-2288, 1994.

DEL MASTRO, N. L. Development of Food Irradiation in Brazil. Progress in Nuclear


Energy, v. 35, n. 3-4, p. 229-248, 1999.

DIDELOT, X.; BARKER, M.; FALUSH, D.; PRIEST, F. G. Evolution of pathogenicity in the
Bacillus cereus group. Systematic and Applied Microbiology, v. 32, p. 81–90, 2009.

DIEHL, J. F. Food irradiation: past, present and future. Radiation Physics and Chemistry, v.
63, p. 211–215, 2002.

DONALISIO, M. G. R. Determinações preliminares do teor de óleo essencial em camomila


cultivada no Brasil. Bragantia, v. 44, n. 1, p. 407-410, 1985.
DUARTE, M. R.; LIMA, M. P. Análise Farmacopéica de Amostras de Camomila –Matricaria
recutita L., Asteraceae. Visão Acadêmica, v. 4, n. 2, p. 89-92, 2003.

DURANTE, R. W. Food processors requirements met by radiation processing. Radiation


Physics and Chemistry, v. 63, p. 289–294, 2002.

DUSSAULT, D.; CAILLET, S.; LE TIEN, C.; LACROIX, M. Effect of γ-irradiation on


membrane fatty acids and peptidoglycan's muropeptides of Pantoea agglomerans, a plant
pathogen. Journal of Applied Microbiology, v. 106, n.3, p. 1033-1040, 2009.

EHLERMANN, D. A. E. Four decades in food irradiation. Editorial. Radiation Physics and


Chemistry. v. 73, p. 346–347, 2005.

EHLERMANN, D. A. E. The RADURA-terminology and food irradiation. Food Control,


Short Communication, 2008.

ENGELKE, F. Fitoterápicos e Legislação. Jornal Brasileiro de Fitomedicina, v. 1, n.1, p.10-


15, 2003.

ERNST, E. Herbal remedies for depression and anxiety. Advances in Psychiatric Treatment,
v.13, p.312–316, 2007.

ERNST, E.; WHITE, A. R. The BBC survey of complementary medicine use in the UK.
Complementary Therapies in Medicine, v. 8, p. 32–36, 2000.

FARIA, C.; VAZ-MOREIRA, I.; SERAPICOS, E.; NUNES, O. C.; MANAIA, C. M.


Antibiotic resistance in coagulase negative staphylococci isolated from wastewater and
drinking water. Science of the Total Environment, v. 407, p. 3876–3882, 2009.
FARIAS, M. R. 2001. Avaliação da qualidade de matérias-primas vegetais. Pp. 197-220. In:
C.M.O. Simões (ed.) Farmacognosia: da planta ao medicamento. Florianópolis,
Universidade Federal de Santa Catarina.

FARKAS, J. Irradiation for better foods. Trends in Food Science & Technology. v. 17, p.
148–152, 2006.

FARKAS, J. Irradiation as a method for decontaminating food. A review. International


Journal of Food Microbiology. v. 44, p. 189–204, 1998.

FELLOWS, P. J. Tecnologia do processamento de alimentos: princípios e prática. 2.ed.


Porto Alegre. Artmed, 2006, 602 p.

FISCHER, D. C. H.; OHARA, M. T.; SAITO, T. Padrão microbiano em medicamentos não


estéreis de uso oral. Enquadramento de produtos fitoterápicos. Revista brasileira de
farmacognosia, v. 1, p. 29-54, 1996.

FRAUNFELDER, F. W. Ocular Side Effects From Herbal Medicines and Nutritional


Supplements. Am J Ophthalmol. v. 138, p. 639–647, 2004.

GANZERA, M.; SCHNEIDER, P. Inhibitory effects of the essential oil of chamomile


(Matricaria recutita L.) and its major constituents on human cytochrome P450 enzymes. Life
Sciences, v. 78, p. 856-861, 2006.

GARRARD, J.; HARMS, S.; EBERLY, L. E., et al. Variations in product choices of frequently
purchased herbs. Archives of Internal Medicine, v. 163, p. 2290–2295, 2003.
GAVINI, F.; MERGAERT, J.; BEJ, A.; MIELCAREK, C.; IZARD, D.; KERSTERS, K.; DE
LEY, J. Transfer of Enterobacter agglomerans (Beijerinck 1888) Ewing and Fife 1972 to
Pantoea gen. nov. as Pantoea agglomerans comb. nov. and description of Pantoea dispersa
sp. nov. International Journal of Systematic Bacteriolog, v. 39, n. 3, p. 337-345, 1989.

GILL, V. J.; FARMER, J. J.; GRIMONT, P. A. D.; ASBURY, M. A.; McINTOSH, D. C. L.


Serratia ficaria Isolated from a Human Clinical Specimen. Journal of Clinical
Microbiology, v. 14, n. 2, p. 234-236, 1981.

GILLESPIE, B. E.; HEADRICK, S. I.; BOONYAYATRA, S.; OLIVER, S. P. Prevalence and


persistence of coagulase-negative Staphylococcus species in three dairy research herds.
Veterinary Microbiology, v. 134, p. 65–72, 2009.

GOMAA, A.; HASHEM, T.; MOHAMED, M.; ASHRY, E. Matricaria chamomilla extract
both inhibits development of morphine dependence and expression of abstinence syndrome in
rats. Journal of Pharmacological Sciences, v. 92, n. 1, p. 50– 55, 2003.

GOMES, E. C.; ELPO, E. R. S.; NEGRELLE, R. R. B. Armazenagem de chás no setor


supermercadista. Ciênc. Tecnol. Aliment., v. 27, n. 4, 2007.

GOMES, E. C.; RÜCKER, N. G. A.; NEGRELLE, R. R. B. Estudo Prospectivo da Cadeia


Produtiva do Capim-limão - Estado do Paraná. RER, v. 42, n. 4, p. 709-731, 2004.

GUMUS, T.; DEMIRCI, A. S.; VELIOGLU, H. M.; VELIOGLU, S. D.; YILMAZ, I.;
SAGDIC, O. Application of gamma irradiation for inactivation of three pathogenic bacteria
inoculated into meatballs. Radiation Physics and Chemistry, v. 77, p. 1093– 1096, 2008.
GYLLENHAAL, C.; MERRITT, S. L.; PETERSON, S. D.; BLOCK, K. I.; GOCHENOUR T.
Efficacy and safety of herbal stimulants and sedatives in sleep disorders. Sleep Medicine
Reviews, v. 4, n. 3, p. 229–251, 2000.

HECK, A. M.; DeWITT, B. A.; LUKES, A. L. Potential interactions between alternative


therapies and warfarin. American Journal of Health-System Pharmacy, v. 57, p. 1221–
1227, 2000.

HERNÁNDEZ-CERUELOS, A; SÁNCHEZ-GUTIÉRREZ, M.; MOJICA-VILLEGAS,


A.;CHAMORRO-CEVALLOS, G. Chemoprotection of fertility by chamomile essential oil
over the toxic effect of. Toxicology Letters. v. 172, p. 185-186, 2007.

KAVOK, N. S.; KRASILNIKOVA, O. A.; BABENKO, N. A. Increase in diacylglycerol


production by liver and liver cell nuclei at old age. Exp. Gerontol., v. 38, p. 441–447, 2003.

KHAMNA, S.; YOKOTA, A., LUMYONG, S. Actinomycetes isolated from medicinal plant
rhizosphere soils: diversity and screening of antifungal compounds, indole-3-acetic acid and
siderophore production. World J Microbiol Biotechnol, v. 25, p. 649–655, 2009.

KIM, K-Y.; KIM, H.-T.; KIM, D.; NAKAJIMA, J.; HIGUCHI, T. Distribution characteristics
of airborne bacteria and fungi in the feedstuff-manufacturing factories. Journal of Hazardous
Materials, v. 169, p. 1054–1060, 2009.

KOBAYASHI, Y.; TAKAHASHI, R.; OGINO, F. Antipruritic effect of the single oral
administration of German chamomile flower extract and its combined effect with antiallergic
agents in ddY mice. Journal of Ethnopharmacology, v. 101, p. 308–312, 2005.
KONEMAN, E. W.; ALLEN, S. D.; WINN JR., W.C.; JANDA, W. M.; PROCOP, G. W.;
SCHRECKENBERGER, P C.; WOODS, G.L. Diagnóstico Microbiológico. 6a Edição ,Rio de
Janeiro. : Ed.Guanabara Koogan., 2008. 1565p.

KUMEA, T.; FURUTA, M.; TODORIKI, S.; UENOYAMA, N.; KOBAYASHI, Y. Status of
food irradiation in the world. Radiat. Phys. Chem., 2008.

LACROIX, M.; QUATTARA, B. Combined industrial processes with irradiation to assure


innocuity and preservation of food products – a review. Food Research International, v.33,
p.719–724, 2000.

LAMINACK, J.; DAINELLO, F.; DEGENHART, S. H.; VESTAL, T. A.; WINGENBACH,


G. Increasing Positive Perceptions of Food Irradiation: Appealing to One's Affective Domain.
Journal of extension, v. 46, n. 4, 2008.

LEE, J. W.; KIM, J. K.; SRINIVASAN, P.; CHOI, J-il.; KIM, J. H.; HAN, S. B.; KIM, D-J.;
BYUN, M. W. Effect of gamma irradiation on microbial analysis, antioxidant activity, sugar
content and color of ready-to-use tamarind juice during storage. LWT - Food Science and
Technology, v.42, p. 101–105, 2009.

LIGHTLE, S.A.; OAKLEY, J.I.; NIKOLOVA-KARAKASHIAN, M.N. Activation of


sphingolipid turnover and chronic generation of ceramide and sphingosine in liver during
aging. Mech. Ageing Dev., v. 120, p. 111–125, 2000.

LOPES, H. V. CA-MRSA: um novo problema para o infectologista. Rev Panam Infectol, v.


7, n. 3, p. 34-36, 2005.

LOURIA, D. B. Counterpoint on Food Irradiation. International Journal of Infectious


Diseases. Editorial, v. 4, n. 2, p. 67-69, [entre 1999 e 2001].
MACHADO JUNIOR, J. C.; FLORÃO, A.; MATTANA, F. V. R.; ROCHA, F. H.; SANTOS,
C. A. M.; WEFFORT-SANTOS, A. M. A citometria de fluxo como instrumento de avaliação
da atividade imunomodulatória de extratos e substâncias isoladas de plantas medicinais. Rev.
bras. farmacogn., v.16, 2006.

MAPELI, N. C.; VIEIRA, M. C.; ZÁRATE, N. A. H.; SIQUEIRA, J. M. Produção de


biomassa e de óleo essencial dos capítulos florais da camomila em função de nitrogênio e
fósforo. Hortic. Bras., v. 23, n. 1, 2005.

MARCHESE, J. A.; BROETTO, F.; MING, L. C.; GOTO, R.; STEFANINI, M. B.; GALINA,
A.; TEDESCO, A. C.; CONTE, C.; MINIUK, C. M.; SCHURT, D. A.; SANGALETTI, E.;
SILVA, G. O.; GOMES, G.; BERTAGNOLLI, J. A.; FRANCHESCHI, L.; COSSA, M. L.;
MORAES, M. R. D; LIMA, P. M.; LIRA, R.; COSTA, S. Perfil dos consumidores de plantas
medicinais e condimentares do município de Pato Branco (PR). Hortic. Bras. v.22, n.2, 2004.

MARTINS, C. G.; ARAGON-ALEGRO, L. C.; BEHRENS, J. H.; SOUZA, K. L. O.; VIZEU,


D. M.; HUTZLER, B. W.; DESTRO, M. T.; LANDGRAF, M. Acceptability of minimally
processed and irradiated pineapple and watermelon among Brazilian consumers. Radiation
Physics and Chemistry, v.77, p.825–829, 2008.

MARTINS, H. M.; MARTINS, M. L.; DIAS, M. I.; BERNARDO, F. Evaluation of


microbiological quality of medicinal plants used in natural infusions. International Journal of
Food Microbiology. v. 68, p. 149–153, 2001.

MASCHI, O.; CERO, E. D.; GALLI, G. V.; CARUSO, D.; BOSISIO, E.; DELL’AGLI, M.
Inhibition of Human cAMP-Phosphodiesterase as a Mechanism of the Spasmolytic Effect of
Matricaria recutita L. J. Agric. Food Chem., v. 56, p. 5015–5020, 2008.
MATOS, F.J. A. Farmácias vivas. 4. ed. rev. Fortaleza, UFC/SEBRAE, 2002.

MATOS, F. J. A. Plantas da medicina popular do Nordeste. UFC edições. Fortaleza, 1999.


17 p.

MATSUBARA, S.; RODRIGUEZ-AMAYA, D. B. Conteúdo de Miricetina, Quercetina e


Kaempferol em Chás Comercializados no Brasil. Ciênc. Tecnol. Aliment., v. 26, n. 2, p. 380-
385, 2006.

MAZOKOPAKIS, E. E.; VRENTZOS, G. E.; PAPADAKIS, J. A.; BABALIS, D. E.;


GANOTAKIS, E. S. Wild chamomile (Matricaria recutita L.) mouthwashes in methotrexate-
induced oral mucositis. Phytomedicine, v. 12, p. 25–27, 2005.

McKEE, L.H. Microbial contamination of spices and herbs: a review. LWT - Food Science
and Technology, v. 28, p. 1–11, 1995.

MELO, J. G.; MARTINS, J. D. G. R.; AMORIM, E. L. C.; ALBUQUERQUE, U. P.


Qualidade de produtos a base de plantas medicinais comercializados no Brasil: castanha-da-
índia (Aesculus hippocastanum L.), capim-limão (Cymbopogon citratus (DC.) Stapf ) e centela
(Centella asiatica (L.) Urban). Acta bot. bras. v.21, n.1, p.27-36, 2007.

MELO, J. G.; NASCIMENTO, V. T.; AMORIM, E. L. C.; LIMA, C. S. A.;


ALBUQUERQUE, U. P. Avaliação da qualidade de amostras comerciais de boldo (Peumus
boldus Molina), pata-de-vaca (Bauhinia spp.) e ginco (Ginkgo biloba L.). Revista Brasileira
de Farmacognosia, v.14, n.2, p.111-120, 2004.

MELLO, L. C. Alimentos irradiados. Disponível em:<


www.nutriweb.org.br/n0202/irradiados.htm>. Acesso em: 31 de maio de 2008.
MENEGOTTO, F. R.; PICOLI, S. U. Staphylococcus aureus oxacilina resistente (MRSA):
incidência de cepas adquiridas na comunidade (CA-MRSA) e importância da pesquisa e
descolonização em hospital. RBAC, v. 39, n.2, p. 147-150, 2007.

MISHRA, S.; UPADHYAYA, P. Food safety issues in the irradiation of foods. International
Journal of Low Radiation, v. 4, n. 3, p. 248-262, 2007.

MOURA, R. S.; MÜLLER, C. C.; SYMANSKI, C. S.; ATENCIO, G. W. G.; FERLA, L.;
AZEVEDO, M.; SALAMONI, S. P.; SAND, S. T. V. D. Avaliação da diversidade da
população de actinomicetos presente em leira de compostagem de resíduo orgânico.
Disponível em:
http://www.fepam.rs.gov.br/biblioteca/JIC/I/arquivos/Renata_Silva_De_Moura.pdf
Acesso em: 05 de julho de 2009.

MULLER, H. E.; BRENNER, D. J.; FANNING, G. R.; GRIMONT, P. A. D.; UMPFER, P.


Emended Description of Buttiaxella agrestis with Recognition of Six New Species of
Buttiaxella and Two New Species of Kluyvera: Buttiaxella ferragutiae sp. nov., Buttiaxella
gaviniae sp. nov., Buttiaxella brennerae sp. nov., Buttiaxella izardii sp. nov., Buttiaxella
noackiae sp. nov., Buttiaxella warmboldiae sp. nov., Kluyvera cochleae sp. nov., and
Kluyvera georgiana sp. nov. Internation journal of systematic bacteriology, v. 46, n. 1, p.
50-63, 1996.

NASCIMENTO, V. T.; LACERDA, E. U.; MELO, J. G.; LIMA, C. S. A.; AMORIM, E. L. C.;
ALBUQUERQUE, U. P. Controle de qualidade de produtos à base de plantas medicinais
comercializados na cidade do Recife-PE: erva-doce (Pimpinella anisum L.), quebra-pedra
(Phyllanthus spp.), espinheira santa (Maytenus ilicifolia Mart.) e camomila (Matricaria
recutita L.). Disponível em: <www.ibb.unesp.br/servicos/publicacoes/rbpm/pdf/resumo8.pdf>
Acesso em: 27 de junho de 2007.

NIJVELDT, R.J.; Van NOOD, E.; Van HOORN, D.E.; BOELENS, P.G.; Van NORREN, K.;
Van LEEUWEN, P.A. Flavonoids: a review of probable mechanisms of action and potential
applications. Am. J. Clin. Nutr., v. 74, p. 418–425, 2001.

O CHÁ é bebido há séculos e sua origem remonta à China. Disponível em:


<http://www.aroma.ind.br/historiachaOrigem01.php>. Acesso em: 02 fev. 2008.

OH, MI-H.; COX, J. M. Development and application of a centrifugation-plating method to


study the biodiversity of Bacillus species in rice products. Food Control, v. 21, p. 7–12, 2009.

OLIVEIRA, L. C. Present situation of food irradiation in South America and the regulatory
perspectives for Brazil. Radiation Physics and Chemistry. v.57, p.249-252, 2000.

OLIVEIRA, I. B; SABATO, S. F. Dissemination of the food irradiation process on different


opportunities in Brazil. Radiation Physics and Chemistry. v. 71, p. 493–497, 2004.

OKUNO, E. Radiação: Efeitos, Riscos e Benefícios. São Paulo. Editora Harbra ltda., 1988,
79p.

PASZKIEWICZ, M.; ORLITA, A.; DZIABAS, A.; GOŁEBIOWSKI, M.; ŁOJKOWSKA, E.;
SZAFRANEK, J.; MALINSKI, E.; STEPNOWSKI, P. Simplex Optimized LC Analysis of
Plant Coumarins and Furanocoumarins. Chromatographia, v. 67, p. 653–657, 2008.

PEREIRA, N. P.; CUNICO, M. M.; MIGUEL, O. G.; MIGUEL, M. D. Promising New Oil
Derived from Seeds of Chamomilla recutita (L.) Rauschert Produced in Southern Brazil. J
Am Oil Chem Soc, v.85, p.493–494, 2008.
PEREIRA, R. P.; FACHINETTO, R.; PRESTES, A. S.; PUNTEL, R. L.; SILVA, G. N. S.;
HEINZMANN, B. M.; BOSCHETTI, T. K.; ATHAYDE, M. L.; BU¨RGER, M. E.; MOREL,
A. F.; MORSCH, V. M.; ROCHA, J. B. T. Antioxidant Effects of Different Extracts from
Melissa officinalis, Matricaria recutita and Cymbopogon citratus. Neurochem Res, 2008.

PERES, W.; TUNON, M.J.; COLLADO, P.S.; HERRMANN, S.; MARRONI, N.;
GONZALEZ-GALLEGO, J. The flavonoid quercetin ameliorates liver damage in rats with
biliary obstruction. J. Hepatol., v. 33, n. 5, p. 742–750, 2000.

PIETTE, A.; VERSCHRAEGEN, G. Role of coagulase-negative staphylococci in human


disease. Veterinary Microbiology, v. 134, p. 45–54, 2009.

PRAKAMHANG, J.; MINAMISAWA, K.; TEAMTAISONG, K.; BOONKERD, N.;


TEAUMROONG, N. The communities of endophytic diazotrophic bacteria in cultivated rice
(Oryza sativa L.). Applied Soil Ecology, v. 42, p. 141–149, 2009.

PRESIBELLA, M. M.; VILLAS-BÔAS, L. B.; BELLETTI, K. M. S.; SANTOS, C. A. M.;


WEFFORT-SANTOS, A. M. Comparison of chemical constituents of Chamomilla recutita
(L.) rauschert essential oil and its anti-chemotactic activity. Braz. arch. Boil technol., v.
49, n. 5, 2006.

RAMOS, M. B. M.; VIEIRA, M. C.; ZÁRATE, N. A. H.; SIQUEIRA, J. M.; ZIMINIANI, M.


G. Produção de capítulos florais da camomila em função de populações de plantas e da
incorporação ao solo de cama-de-aviário. Hortic. Bras., v. 22, n. 3, 2004.

Resolução - RDC nº 12, de 2 de janeiro de 2001. Disponível em:


http://abic.com.br/arquivos/leg_resolucao12_01_anvisa.pdf. Acesso: 27 de janeiro de 2008.
ROMANO, J. C.; QUELHAS, M. C. F. Esterilização por Óxido de Etileno.1997.Disponível
em: < http://www.hospvirt.org.br/enfermagem/port/oxetil.html>. Acesso em: 28 de maio de
2008.

ROZWALKA, L. C.; LIMA, M. L. R. Z. C.; MIO, L. L. M.; NAKASHIMA, T. Extratos,


decoctos e óleos essenciais de plantas medicinais e aromáticas na inibição de Glomerella
cingulata e Colletotrichum gloeosporioides de frutos de goiaba. Cienc. Rural, v. 38, n. 2,
2008.

SAGOO, S. K.; LITTLE, C. L.; GREENWOOD, M.; MITHANI, V.; GRANT, K. A.;
McLAUCHLIN, J.; PINNA, E.; THRELFALL, E .J. Assessment of the microbiological safety
of dried spices and herbs from production and retail premises in the United Kingdom. Food
Microbiology, v. 26, p. 39–43, 2009.

SANTOS FILHO, LAURO. Manual de Microbiologia Clínica. 3a edição, João Pessoa:


Editora Universitária, 2003. 341p.

SATO, C. A. Chá. Agosto 2006. Disponível em: <


http://www.culturajaponesa.com.br/htm/cha.html>. Acesso em: 10 fev. 2008.

SATOMI, L. C.; SORIANI, R. R.; PINTO, T. J. A. Descontaminação de drogas vegetais


empregando irradiação gama e óxido de etileno: aspectos microbianos e químicos. Revista
Brasileira de Ciências Farmacêuticas. v. 41, n. 4, p. 445-450, 2005.

SCHROEDER, O. B. O chá no Ocidente e no Oriente. Florianópolis, EDUFSC, 1995, 109p.

SCHULZ, V.; HANSEL, R.; TYLER, V. E. Fitoterapia racional: um guia de fitoterapia


para as ciências da saúde. 4 ed. Barueri – SP, Manole, 2002, 138p.
SCHWEIGGERT, U.; CARLE, R.; SCHIEBER, A. Conventional and alternative processes for
spice production e a review. Trends in Food Science & Technology, v. 18, p. 260-268, 2007.

SILVA, G. O.; GOMES, G.; BERTAGNOLLI, J. A.; FRANCHESCHI, L.; COSSA, M. L.;
MORAES, M. R. D; LIMA, P. M.; LIRA, R.; COSTA, S. Perfil dos consumidores de plantas
medicinais e condimentares do município de Pato Branco (PR). Hortic. Bras. v.22, n.2, 2004.

SILVA, M. S.; ANTONIOLLI, A. R.; BATISTA, J. S.; MOTA, C. N. Plantas medicinais


usadas nos distúrbios do trato gastrintestinal no povoado Colônia Treze, Lagarto, SE, Brasil.
Acta Bot. Bras. v.20, n.4, 2006.

SIQUEIRA, K. F. Avaliação das condições higiênico-sanitárias de hortaliças minimamente


processadas comercializadas na feira livre da CEASA, Recife – PE. Monografia de
conclusão de curso apresentada à coordenação de Biomedicina – UFPE, 2007.

SKOVGAARD, N.; KNUDSENSVEJ, J. Book review. International Journal of Food


Microbiology. v. 118, p. 228, 2007.

SOFUOGLU, S. C.; KAVCAR, P. An exposure and risk assessment for fluoride and trace
metals in black tea. Journal of Hazardous Materials, v.158, p.392–400, 2008.

SOMMERS, C. H.; BOYD, G. Variations in the radiation sensitivity of foodborne pathogens


associated with complex ready-to-eat food products. Radiation Physics and Chemistry, v.
75, p. 773–778, 2006.

SORIANI, RENATA RABELO. Irradiação de drogas vegetais: aspectos microbiológicos e


químicos. 2004. 129f. Dissertação Mestrado. Universidade de São Paulo.
SOUZA, J. R. P.; ROCHA, J. N.; MELO, J. M.; NIXDORF, S. L. Ação do estresse térmico na
sobrevivência de mudas e produção de camomila originadas de sementes importadas e
nacionais. Hortic. Bras., v. 24, n. 2, 2006.

SOUZA, J. R. P.; TAKAHASHI, L. S. A.; YOSHIDA, A. E.; GUIRAUD, M. C.; ROCHA, J.


N. Tempo de armazenamento e temperatura na porcentagem e velocidade de germinação das
sementes de camomila. Cienc. Rural , v. 37, n. 4, 2007.

STANDEN, M.D.; CONNELLAN, P.A.; LEACH, D.N. Natural killer cell activity and
lymphocyte activation: Investigating the effects of a selection of essential oils and components
in vitro. The International Journal of Aromatherapy. v. 16, p. 133–139, 2006.

STEELE, J. H. Food Irradiation: A Public Health Opportunity. International Journal of


Infectious Diseases. v.4, n.2, 1999.

STEFLITSCH, W.; STEFLITSCH, M. Clinical aromatherapy. JMH, v. 5, n. 1, p. 74–85,


2008.

STONE, N. D.; O’HARA, C. M.; WILLIAMS, P. P.; MCGOWAN JR, J. E.; TENOVER, F.
C. Comparison of Disk Diffusion, VITEK 2, and Broth Microdilution Antimicrobial
Susceptibility Test Results for Unusual Species of Enterobacteriaceae. Journal of Clinical
Microbiology, v. 45, n. 2, p. 340–346, 2007.

STREMEL, D. P. Qualidade microbiológica das plantas medicinais produzidas no Estado do


Paraná. Rev. Bras. Farmacogn., v.14, n.1, 2004.

Subcommittee on Research and Development and Radiation of the Joint Committee on Atomic
Energy. Statement on the wholesomeness of irradiated foods by the Surgeon General,
Department of the Army in “radiation processing of foods. Washington, DC: Congress of
the United States, June 9-10, 1965.

SUBIZA, J.; SUBIZA, J. L.; HINOJOSA, M.; GARCIA, R.; JEREZ, M.; VALDIVIESO R.;
SUBIZA, E. Anaphylactic reaction after ingestion of chamomile tea: a study of cross-
reactivity with other composite pollens. Journal of Allergy and Clinical Immunology, v. 84,
n. 3, p. 353–358, 1989.

SUOMINEN, I.; ANDERSSON, M. A.; ANDERSSON, M. C.; HALLAKSELA, ANNA-M.;


KÄMPFER, P.; RAINEY, F. A.; SALKINOJA-SALONEN, M. Toxic Bacillus pumilus from
Indoor Air, Recycled Paper Pulp, Norway Spruce, Food Poisoning Outbreaks and Clinical
Samples. System. Appl. Microbiol., v. 24, p. 267–276, 2001.

TAKISAWA, M.; COLWELL, R. R.; HILL, R. T. Isolation and diversity of actinomycetes in


the Chesapeake Bay. Appl Environ Microbiol., v.59, n. 4, p. 997–1002, 1993.

THOMAS, J.; SENTHILKUMAR, R. S.; RAJ KUMAR, R.; MANDAL, A .K .A.;


MURALEEDHARAN, N. Induction of γ irradiation for decontamination and to increase the
storage stability of black teas. Food Chemistry, v. 106, p. 180–184, 2008.

TINÊO, Mariana. Estudos ressaltam propriedade antiinflamatória tópica da camomila.


Phytomedica, n.04, 2003.

TUROLLA, M. S. R.; NASCIMENTO, E. S. Informações toxicológicas de alguns


fitoterápicos utilizados no Brasil. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, v.42, n.2,
2006.

VAZ, A. P. A.; AMICI, J. M. H. Série Plantas Medicinais,Condimentares e Aromáticas:


Camomila. Corumbá/MS, EMBRAPA, Nov. 2006.
VICALVI, M. C. V. Determinação da susceptibilidade de bactérias isoladas de frutas
minimamente processadas comercializadas na feira-livre da CEASA, Recife – PE. Monografia
de conclusão de curso apresentada à coordenação de Biomedicina – UFPE. 2007, 50p.

VIEIRA, R. A. Validação científica de plantas medicinais como fator catalisador no


desenvolvimento da indústria farmacêutica nacional. Revista Saúde e Ambiente. v.2, n.1,
p.57- 64, 2001.

WAJE, C. K.; KIM, H-K.; KIM, K-S.; TODORIKI, S.; KWON, J-H. Physicochemical and
Microbiological Qualities of Steamed and Irradiated Ground Black Pepper (Piper nigrum L.).
J. Agric. Food Chem, v. 56, n. 12, p. 4592-4596, 2008.

WEN, H.-W.; CHUNG, H.-P.; CHOU, F.-I.; LIN, I.; HSIEH, P.-C. Effect of gamma irradiation
on microbial decontamination, and chemical and sensory characteristic of lycium fruit.
Radiation Physics and Chemistry. v.75, n.5, p.596-603, 2006.

WEN, H-W.; CHUNG, H-P.; WANG, Y-T.; HSIEH, P-C.; LIN, I-H.; CHOU, F-I. Efficacy of
gamma irradiation for protection against postharvest insect damage and microbial
contamination of adlay. Postharvest Biology and Technology, v.50, p.208–215, 2008.

WILSON, C.; DETTENKOFER, M.; JONAS, D.; DASCHNER, F. D. Pathogen growth in


herbal teas used in clinical settings: A possible source of nosocomial infection? Am J Infect
Control, v. 32, p. 117-9, 2004.

WISEMAN, A. Elimination of major side effects due to ROS of therapeuticals through


biotransformation control of the 57 cytochromes P450 isoenzymes. Medical Hypotheses, v.
64, n. 4, p. 802-805, 2005.
World Health Organization - Food and Agriculture Organization Study Group. High doses
of irradiation. Geneva: WHO/FAO, 1997.

World Health Organization. WHO guidelines on safety monitoring of herbal medicines in


pharmacovigilance systems. Geneva, 2004.

YOO, K. M.; LEE, C. H.; LEE, H; MOON, B. K.; LEE, C. Y. Relative antioxidant and
cytoprotective activities of common herbs. Food Chemistry, v. 106, p. 929–936, 2008.

YUNES, R. A.; PEDROSA, R. C.; CECHINEL FILHO, V. Fármacos e fitoterápicos: a


necessidade do desenvolvimento da indústria de fitoterápicos e fitofármacos no Brasil. Quim.
Nova. v. 24, n. 1, p. 147-152, 2001.

ZARONI, M.; PONTAROLO, R.; ABRAHÃO, W. S. M.; FÁVERO, M. L. D; CORREA


JÚNIOR, C.; STREMEL, D. P. Qualidade microbiológica das plantas medicinais produzidas
no Estado do Paraná. Revista Brasileira de Farmacognosia, v.14, n.1, p.29-39, 2004.
APÊNDICES
APÊNDICE 1: Fotos do irradiador com fonte de cobalto-60 Gammacell 220 Excel – MDS
Nordion.
APÊNDICE 2: Perfil de resistência dos microrganismos isolados e identificados.

Cloranfenicol

Cefalotina

Oxacilina

Gentamicina

Penicilna

Eritromicina

Tetraciclina

Ampicilina

Cefalotina

Cefepime

Cefotaxima

Cefoxitina
ANTIBIOTICO

MICRORGANISMO

S. aureus
A1 S S R S R S S NT NT NT NT NT
A2 R R R S R R S NT NT NT NT NT
A3 S S S S R S S NT NT NT NT NT
A4 S S S S R R R NT NT NT NT NT
A5 S S R S R R S NT NT NT NT NT
A6 R S S S R R S NT NT NT NT NT
Staphylococcus
coagulase negativa
S. saprophyticus S S R S R R S NT NT NT NT NT
SCN1 S S R S S S S NT NT NT NT NT
SCN2 S R R S R R S NT NT NT NT NT
SCN3 S S S S S S S NT NT NT NT NT
Bacillus spp
B1 S S S S R S S NT NT NT NT NT
B2 S S S S R S S NT NT NT NT NT
B3 R S S S S S S NT NT NT NT NT
B4 R S S S S S S NT NT NT NT NT
B5 R S S S S S S NT NT NT NT NT
B6 S S S S R S S NT NT NT NT NT
B7 S S S S R S S NT NT NT NT NT
Enterobacteriacea
Pantoea NT NT NT S NT NT S R S S S S
aglomerans
Enterobacter NT NT NT S NT NT S R R S S R
cloacae
Serratia ficaria NT NT NT S NT NT S R S S S S
Buttiauxella NT NT NT S NT NT S S S S S S
noackiae
ANEXOS
ANEXO 1: Composição e procedimento de preparação dos meios de cultura utilizados na
metodologia.

MEIO DE CULTURA COMPOSIÇÃO EM g/L PROCEDIMENTO DE


PREPARAÇÃO
Digestão Péptica de tecido Dissolver 37.5 gramas em
animal - 10.0 1000ml de água destilada.
Fosfato Dipotássico - 2.0 Ferver para dissolver o meio
Lactose - 10.0 completamente. Esterilizar
autoclavando a 15lbs de
ÁGAR EOSINA AZUL Eosina Amarelada - 0.40
Azul de Metileno - 0.065 pressão a 121ºC por 15
DE METILENO Agar - 15.0 minutos. EVITAR
(EMB) pH Final (a 25ºC): 7.1 ± 0.2 SUPERAQUECIMENTO.
Esfriar a 50ºC e agitar o meio
para oxidar azul de metileno e
para suspender o precipitado,
que é parte essencial do meio.
Extrato de carne - 5.0 Suspender 60g em 1 litro de
Proteose Peptona - 5.0 água destilada. Ferver para
Lactose - 10.0 dissolver o meio
ÁGAR Bile sal No. 3 - 8.5 completamente. Não
Citrato de sódio - 8.5 autoclavar.
SALMONELLA-
Tiosulfato de sódio - 8.5
SHIGELLA (SS) Citrato ferrico - 1.0
Agar - 13.5
Verde brilhante 0.33 x 10-3
Vermelho neutro 25.0 x 10-3
Protease peptona – 12.0 Dissolver 76.67 gramas em
Extracto de levedura – 3.0 1000 mL de água destilada.
Sais biliares - 9.0 Ferver para dissolver o meio
Lactose – 12.0 completamente. Não
Sacarose – 12.0 autoclavar.
Salicina – 2.0
ÁGAR ENTÉRICO DE Cloreto de sódio – 5.0
HEKTOEN (HE) Tiosulfato de sódio – 5.0
Citrato de amónia férrico – 1.5
Azul de bromotimol – 0.064
Fucsina ácida – 0.1
Agar – 13.5
Infusão de Bife: 300.0
Caseína Acida Hidrolisada:
AGAR MÜLLER 17.50
HINTON Amido: 1.50
Agar: 17.00
pH FINAL: 7.3 ± 0.2
Ágar Mueller Hinton adicionado Esterilizar em autoclave.
de Sangue desfibrinado de Esfriar a base à +/- 50ºC.
carneiro ou coelho - 5 mL para Adicionar 5 mL de sangue
AGAR SANGUE cada 100 ml de meio base. desfibrinado de carneiro para
pH: 6,8 +/- 0,2 cada 100 ml de base.
Homogeneizar delicadamente
para não formar bolhas.

Protease peptona – 10.0 Dissolver 111 gramas em


Extrato de carne bovina – 1.0 1000 mL de água destilada.
AGAR MANITOL Cloreto de sódio – 75.0 Ferver para dissolver o meio
SALGADO D-Manitol – 10.0 completamente. Esterilizar
Vermelho de fenol – 0.025 autoclavando a 15lbs de
Agar – 15.0 pressão por 15 minutos.
Extrato de carne – 3 Distribuir em tubos.
Extrato de levedura – 3 Esterelizar em autoclave.
Peptona – 15 Retirar os tubos da autoclave
ÁGAR TRÍPLICE Proteose peptona – 5 e incliná-los ainda quentes
Lactose – 10 para que solidifiquem com a
ACÚCAR-FERRO
Sacarose – 10 superfície em forma de bico
(TSI)
Glicose- 1 de flauta (ângulo de 45°).
Sulfato ferroso – 0.2 Deixar solidificar em
Cloreto de sódio – 5 temperatura ambiente.
Tiossulfato de sódio – 5
Agar – 12
Vermelho fenol – 0.024
Água destilada – 1 litro
pH final: 7.4
Digestão Péptica de tecido Dissolver 30 gramas de pó
animal – 6.1 em um litro de água destilada.
SULFETO-INDOL- Digestão pancreática de caseína Aquecer sob agitação, até
MOTILIDADE (SIM) – 20.0 fundir o meio. Distribuir em
Sulfato ferroso de amônio – 0.2 tubos. Esterelizar em
Tiossulfato de sódio – 0.2 autoclave. Deixar solidificar
Agar – 3.5 em temperatura ambiente na
posição vertical.

Citrato de sódio - 2,0 Fundir e colocar em tubos.


MgSO4 . 7H2O - 0,2 Autoclavar a 120oC por 15
NH4H2PO4 - 1,0 min.
CITRATO DE NaCL - 5,0
Azul de bromotimol - 0,08
SIMMONS
Agar (em pó) - 10,0
Água destilada - 1,0 L
Fosfato Monopotássico: 9.10 Dissolver 18.7 gramas em
Fosfato Dipotássico: 9.50 950ml de água destilada.
Extrato de Levedura: 0.10 Esterilizar autoclavando a
CALDO UREIA DE Vermelho Fenol: 0.01 15lbs de pressão a 121ºC por
Uréia: 20.00 15 minutos. Esfriar a 55ºC.
STUART
pH Final (a 25ºC): 6.8 ± 0.2 Assepticamente adicionar
50ml da solução uréia 40%
estéril (FD048). Misturar bem
e distribuir em tubos estéreis.
Citrato de Amônio Férrico: 0.50 Dissolver 34.56 gramas em
Digestão péptica de tecido 1000ml de água destilada.
animal: 5.00 Ferver para dissolver o meio
AGAR LISINA Extrato de levedura: 3.00 completamente. Dispensar
Tiosulfato de sódio: 0.04 dentro de tubos e esterilizar
FERRO (LIA)
Bromocresol púrpura: 0.02 autoclavando a 15lbs de
L-Lisina: 10.00 pressão a 121ºC por 15
Agar: 15.00 minutos. Esfriar os tubos na
Dextrose: 1.00 posição inclinada.
Caseína enzimática hidrolisada: Dissolver 31 gramas em
10.00 1000ml de água destilada.
Digestão péptica de tecido Ferver para dissolver o meio
animal: 10.00 completamente. Dispensar em
MEIO ORNITINA Extrato de levedura: 3.00 tubos de teste em alíquotas de
INDOL MOTILIDADE Hidrocloreto de L-Ornitina: 5.00 5 mL. Esterilizar
(MIO) Dextrose: 1.00 autoclavando a 12 lbs de
Bromocresol Púrpura: 0.02 pressão a 118ºC por 15
Agar: 2.00 minutos. Esfrie o tubo na
posição vertical.
Digestão Péptica de Tecido Dissolver 15 gramas em
Animal: 5.00 1000ml de água destilada.
CALDO GLICOSE Dextrose: 5.00 Distribua em tubos de teste
TAMPONADO (MEIO Fosfato Dipotássico: 5.00 em quantidades de 3ml ou
como desejado e esterilizar
MR VP)
autoclavando a 15lbs de
pressão a 121ºC por 15
minutos.
Solução A
α - Naftol - 5 g
REAGENTE PARA A Álcool absoluto - 100 ml
PROVA DE VOGER- Solução B
PROSKAUER KOH - 40 g
Água destilada - 100 ml
REAGENTE Vermelho de metila - 0,1 g
INDICADOR DE Álcool absoluto - 300 ml
VERMELHO DE Água destilada - 200 ml
METILA
Solução A
Ácido sulfanílico - 0,8 g
Ácido acético 5N - 100 ml
NITRATO
Solução B
N,N-dimetil-l-naftilamina - 0,6 g
Ácido acético 5N - 100 ml

Meio Base:
extrato de levedura - 0,2
sulfato de magnésio hidratado
(MgSO4.7H2O)
hipofosfito de amônio [(NH4)2
HPO4] - 1,0
PROVA DE PRODUÇÃO Cloreto de potássio (KCl)- 0,2
DE ÁCIDO POR FONTE Solução de púrpura de
DE CARBONO bromocresol 0,6% - 1mL
Açúcares: glicose, xilose,
arabinose, manitol, lactose,
sacarose, myo-inositol, meso-
inositol, galactose, rafinose,
ramnose, sorbitol, salicilina -
5,0
pH do meio: 6,8

Caseína Enzimática Hidrolisada: Suspender 39 gramas em


15.00 1000 mL de agua destilada.
Digestão Papaica de Farinha de Ferva para dissolver o meio
AGAR DNAse Soja: 5.00 completamente. Esterilizar
Ácido Desoxirribonucleíco
autoclavando a 15lbs de
(DNA): 2.00
Cloreto de Sódio: 5.00 pressão a 121ºC por 15
Agar: 15.00 minutos.
pH final: 7.3 ± 0.2

Caseína enzimática hidrolisada: Dissolver 61 gramas em


10.0 1000ml de água destilada.
Extrato de levedura: 5.0 Aqueçer para dissolver o
AGAR VOGEL- Manitol: 10.0 meio completamente.
Fosfato Dipotássico: 5.0 Esterilizar autoclavando a
JOHNSON BASE
Cloreto de lítio: 5.0 15lbs de pressão a 121ºC por
(AGAR V.J.) Glicina: 10.0 15 minutos. Resfriar a 45ºC e
Vermelho de fenol: 0.025 adicione 20ml de solução de
Agar: 16.0 Telurito de Potássio 1%
pH Final (a 25ºC): 7.2 ± 0.2 (FD052). Misturar
lentamente.
ANEXO 2

Tabela 1: Padronização dos halos de inibição para os antibióticos utilizados nos


antibiogramas dos microrganismos-teste Enterobacteriacea, de acordo com o CLSI (Clinical
and Laboratory Standards Institute) M100 – S18.

PERFIL RESISTENTE INTERMEDIÁRIO SENSÍVEL


ANTIBIOTICO Diâmetro do halo Diâmetro do halo Diâmetro do halo
de inibição em mm de inibição em mm de inibição em mm
Ampicilina ≤ 13 14 – 16 ≥ 17
Cefalotina ≤ 14 15 – 17 ≥ 18
Cefepime ≤ 14 15 – 17 ≥ 18
Cefotaxima ≤ 14 15 – 22 ≥ 23
Cefoxitina ≤ 14 15 – 17 ≥ 18
Gentamicina ≤ 12 13 – 14 ≥ 15
Tetraciclina ≤ 11 12 – 14 ≥ 15

Tabela 2: Padronização dos halos de inibição para os antibióticos utilizados nos


antibiogramas dos microrganismos-teste S. aureus, Staphylococcus coagulase negativa,
Bacillus spp, de acordo com o CLSI (Clinical and Laboratory Standards Institute) M100 –
S18.

PERFIL RESISTENTE INTERMEDIÁRIO SENSÍVEL


ANTIBIOTICO Diâmetro do halo Diâmetro do halo Diâmetro do halo
de inibição em mm de inibição em mm de inibição em mm
Penicilina ≤ 28 – ≥ 29
Oxacilina ≤ 10 11 – 12 ≥ 13
Cefalotina ≤ 14 15 – 17 ≥ 18
Eritromicina ≤ 13 14 – 22 ≥ 23
Cloranfenicol ≤ 12 13 – 17 ≥ 18
Gentamicina ≤ 12 13 – 14 ≥ 15
Tetraciclina ≤ 12 13 – 17 ≥ 18