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Carta aos meus Amigos Fascista da Extrema Direita

Como sei que a leitura não um ponto forte dos apoiadores do Presidente, tentarei ser o
mais breve possível. Não há dúvida de que existe em um considerável segmento da
população brasileira adulta um espírito de demonização da política. Foi nos ensinados a
odiar políticos; são todos ladrões e corruptos, eles são a origem de todos os males e se o
país não cresce é por causa desta degeneração moral inerente ao poder.

Talvez você até esteja lendo estas acusações e concordando. Verdades sendo ditas
contra uma classe política muito mais corrompida do que em outros países, então é por
isto que o Brasil não vai pra frente. Mas não seria a classe política que corrompe o
sistema, mas um sistema excludente que corrompe as pessoas? Jair Bolsonaro é cria
deste sistema: quase 30 anos de parlamentar, enriquecendo a si próprio e a seus
familiares nesta carreira, elegendo 3 filhos e preparando o quarto para a vida política.

A retórica antissistêmica não é acidental. Ela fala diretamente para uma população
indignada diante de tanta ineficiência do Estado, que se sente abandonada ou sugada por
um parasita que raramente cumpre o que promete. Pois um sistema excludente visa
favorecer a poucos, e comumente nós não fazemos parte desta conta. Ao alimentar as
chamas da insatisfação popular, munindo-se de uma mitologia messiânica disseminada
no interior de certas igrejas neopentecostais, Bolsonaro capitalizou no espírito de ódio à
política. E é aí que entra o apelo ao autoritarismo.

A democracia é confusa, exige articulação, diálogo, debates, divergências, quando não


raro “toma-lá-dá-cá” uma deficiência detectada até nas democracias mais sólidas. É um
sistema político bagunçado e muitas vezes frustrante. Para quem olha de fora, ou
mesmo de dentro. A democracia pode ser frustrante, pois não costuma apresentar saídas
rápidas e fáceis para problemas complexos.

Porem o sistema autoritário promete resoluções simplificadas? As ditaduras não são


menos corruptas que regimes democráticos, pelo contrário, geralmente são
exponencialmente mais corrompidos. Entretanto, são igualmente menos transparentes,
ou seja, a população não sabe o que se passa.

O presidente explora o sentimento de insatisfação e propaga a ilusão de que não fosse


chantageado pelo Congresso ou Supremo, ele conseguiria fazer tudo aquilo que
prometeu. Já vimos várias demonstrações de seu namorico com o golpe militar e sua
base de apoiadores vai ao delírio. Será que isto trará um cenário melhor, e isto implica
também na perseguição e extinção de qualquer oposição política (esquerda).

No entanto Bolsonaro vai mais vez às ruas e joga querosene no fogo da indignação
popular, portando-se como a única saída viável para a profunda crise que se sucederá à
pandemia. Depois, como sempre, recua e afirma que é um defensor da Constituição e da
democracia. Até Ficaremos nesta trama circular, como um pesadelo sem fim? Mas diria
o saudoso jornalista Ricardo Boechat Tocar o berrante opa, é tocar o barco.