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FICHAMENTO

Garcia-Roza, L. A. (1974). Campo social. In L. A. Garcia-Roza, Psicologia estrutural em Kurt


Lewin (pp. 153-178). Petrópolis: Vozes, 1974.

GRUPO SOCIAL

O grupo é uma unidade à parte do indivíduo?


- Conceito de “gestalt” - Movimento gestaltista
-> Fatos psíquicos (memória, percepção etc.) são totalidades
-> Unidades orgânicas individualizadas (espaço, tempo) – percepção
-> Não estudavam grupos

Kurt Lewin transpõe para os grupos


- “O todo é diferente da soma das partes”
- Grupo é um “todo dinâmico”
-> Interdependência das partes

Atitude Tipo de conceitos Definições de grupo


Aristotélica Fenotípicos Semelhança -> classe (homogeneidade)
Galileana Genotípicos Interdependência -> grupo!

Microgrupos
- Sociogrupos: centrados na tarefa
- Psicogrupos: centrados nos próprios participantes

TAMANHO DO GRUPO

Ênfase nos grupos face-a-face


- Importância da “atmosfera social” do entorno
- Grupos homogêneos não são necessariamente mais “fortes”
-> Os integrantes não definem as características do grupo
-> Propriedades do grupo são dinâmicas

RELAÇÃO INDIVÍDUO-GRUPO

Exemplo do casamento (“A origem do conflito no casamento”)


- Cada cônjuge:
-> Dinâmica indivíduo-grupo
-> Dinâmica dos grupos de pertencimento
-> Importância relativa desses grupos para o indivíduo

Significados do grupo para o indivíduo [ler passagem]:


1. Terreno/solo de sustentação da pessoa (pertencimento)
2. Instrumento para satisfação de suas necessidades (recurso)
3. Totalidade da qual o indivíduo é parte (contexto)
4. Parte do espaço de vida (acessos x barreiras)
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Indivíduo tem certo espaço de movimento livre no grupo


- Objetivos grupais x Objetivos individuais
- Distância entre conduta pessoal e padrões do grupo
-> Depende da cultura
- Nível do grupo (atração) adquire valor para o indivíduo (valência)

Locomoção (espaço, tempo) modifica a situação para o indivíduo


- Acessos e barreiras
- Distâncias e proximidades

CAMPO SOCIAL

Grupo + ambiente
- Analogamente: campo psicológico = indivíduo + ambiente

Campo social tem certa dinâmica e certa estrutura


- Grupo = f(situação) [aqui e agora do campo social]
-> Elementos, entidades em relação (forças)

Explicação do comportamento (relações causa-efeito)


- Deve ser sistemática (não histórica)
- Requer experimentação
-> Ligação de conceitos a procedimentos concretos
[Exemplos: coesão, pressão, liderança]

No caso do grupo
- Interação entre fatores coexistentes
- Distribuição de forças
- Análise do campo

MUDANÇA SOCIAL

Grupo é processo
- Equilíbrio móvel, quase-estacionário

Mudança social
- Alterar o equilíbrio primitivo, originário
- Alterar a constelação de forças presentes na situação

Onde intervir para gerar mudança social?


1. Estruturas da situação social [grupos, instituições]
2. Estruturas das consciências que vivem nessa situação social
3. Acontecimentos que surgem nessa mesma situação social

Estudo sobre a liderança (Lippit e White)


- Climas sociais distintos podem interferir nos graus de agressividade?
- Agressividade é uma situação de equilíbrio móvel
-> Quais forças podem aumentá-la ou diminui-la?
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Desenho experimental
- Comparação entre atmosfera democrática e autoritária
- Dois grupos de meninos e meninas, entre 10 e 11 anos de idade
- Fabricação de máscaras para o Halloween
- Cada grupo se reuniu 11 vezes

Grupo democrático: se reunia 2 dias antes do autoritário


- Decisão livre; orientação se necessário; escolha dos colegas e divisão; elogio e críticas objetivas
-> Média agressividade
Grupo autoritário: fazia o que o democrático tinha escolhido (sem saber)
- Não decidia técnicas, etapas, colegas ou tarefas; elogios e críticas pessoais; impessoalidade
-> Agressividade alta ou baixa (apatia)

Resultados [após elaboração do espaço-fase]:


Autocracia agressiva Autocracia apática
- ↑ forças para mais agressão - Controle autoritário produz apatia
- ↓ forças para menos agressão (↓ agressão aberta)
- ↓ sentimento de nós - ↑ tensão interna
- Restrição do movimento livre
- Controle autoritário requer vigilância constante
- Espiral frustração-agressão
- Evitação da espiral:
-> Obediência cega ao líder como valor
-> Canalização para outros fins

E a mudança de um hábito, do equilíbrio, em um campo social?


- Romper com o equilíbrio móvel
- Resistência: campo de força adicional devido à constância histórica
- Instituições condensam interesses e valores
- Diminuir resistência: ↓ valor do padrão do grupo

EXPERIMENTAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS

Crítica dos experimentos de grupo:


- Ideologização das vantagens da democracia
- Caráter artificial do experimento

Pesquisa social lida com dois tipos de problemas


1. Leis gerais da vida dos grupos: condições -> resultados
2. Diagnóstico da situação específica
- Não poderiam ser isolados, mas habitualmente são

- Pesquisa-ação: método experimental em situações sociais


-> Provocar transformações, mudanças sociais
- Como lidar com a subjetividade envolvida na análise (ação+consciência)?

Método das três etapas


1) Análise do espaço de vida (atual) – explicitado a seguir
2) Dedução do novo espaço “evoluído”
3) Elaboração da percepção do novo para gerar a percepção do possível
- Importante considerar: objetivos, valores e padrões de grupo
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Planejamento da pesquisa-ação
1. Idéia geral de um objetivo
2. Organização de grupos sujeitos e objetos da experiência
3. Registro da dinâmica e estrutura do grupo
- Natureza da tarefa a ser realizada
- Posição de cada participante na sociedade
- Personalidade dos integrantes do grupo
- Fonte da autoridade existente
- Relação do grupo com a sociedade
- Nível de competência dos integrantes para a tarefa
- Nível de socialização dos membros
4. Plano global para atingir o objetivo
5. Decisão quanto aos primeiros passos da ação
[Exemplo: experimento da modificação de hábitos alimentares]

GRUPOS MINORITÁRIOS

Psicologia das minorias judaicas


- Diagnóstico da sua situação nos EUA (últimos textos de K. Lewin)
- Antisemitismo é problema social, não individual
- Por que a discriminação?
-> Dinâmica entre minoria e maioria

Diferenças com relação à autodeterminação do próprio destino


- Minoria discriminada
-> Rejeição por parte da maioria dominante
- Minoria privilegiada
-> Minoria isolada da maioria demográfica (ex., oligarquia)

Pretexto para o preconceito muda conforme a conveniência


- Necessidade de bode expiatório nas autocracias

Topologicamente:
- Círculos concêntricos, com camadas centrais e periféricas, e região externa maior
-> Região externa: grupo majoritário
-> Camadas centrais: grupo central - maior resistência à mudança, adesão a tradições e valores
-> Camadas periféricas: grupo periférico - maior contato externo, sucesso profissional, líderes
-> Forças centrípetas (em direção ao centro) e centrífugas (em direção ao exterior)
-> “Crise”: não fazer parte de grupo algum

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