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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

FACULDADE DE DIREITO

Lei 12.030/2009- Avanços ou retrocessos na atividade pericial criminal

Fábio Murilo Tieghi Moreira

Salvador
2010
Fábio Murilo Tieghi Moreira

Lei 12.030/2009- Avanços ou retrocessos na atividade pericial criminal

Projeto de pesquisa apresentado ao Curso de


Graduação em Direito da Faculdade de Direito
da Universidade Federal da Bahia como 2ª
avaliação da disciplina Metodologia da
Pesquisa Jurídica, sob a orientação do
Professor Daniel Pitangueira de Avelino.

Salvador
2010
RESUMO

O trabalho deverá definir esse novo papel especialmente reservado à Perícia


Criminal na Persecução Criminal Brasileira, com base na Lei 12.030 de 17 de setembro de
2009, que regulamenta a perícia oficiais de natureza criminal. O objetivo geral é analisar a
situação da pericia criminal oficial brasileira, após o advento da Lei 12.030/2009,
reconhecendo-lhe a existência de atribuições e prerrogativas próprias na dinâmica do Sistema
Acusatório, e se essas novas atribuições e prerrogativas lhe garantem efetividade na realização
da Justiça Criminal. Como objetivos específicos descrever a evolução da atividade de
Criminalística e suas implicações na realização da Justiça Criminal, com foco nas questões
relativas à autonomia funcional e independência institucional, sob a luz da Lei 12.030/2009,
definir o papel do perito criminal na dinâmica do Sistema Acusatório, analisar as implicações
da exclusão dos papiloscopistas e bioquímicos-toxicologistas do rol dos peritos criminais
oficiais, e a possível inconstitucionalidade da Lei 12.030/2009.Traz como hipótese central o
questionamento se a Lei 12.030/2009 garante à atividade pericial criminal, o status de
atividade típica judiciária, assegura a autonomia técnica, científica, funcional e administrativa
para a atividade pericial e institui um regime especial de trabalho para os peritos criminais
oficiais. A pesquisa pretendida terá como técnica uma pesquisa teórica e prática, com.
análises indiretas realizadas a partir de fontes de informações mediatas, como bibliografia
especializada sobre o tema, legislação pertinente partir das variáveis identificadas, discussões
e resultados de congressos e seminários sobre o tema e por meio de fontes de informações
imediatas, de consultas diretas aos profissionais de diversos órgãos relacionados a atividade
operacional, sobre a possível mudança na sua forma e condições de atuação, após o advento
da Lei 12.030/2009. Ao final pretende-se a publicação dos resultados, visando o controle e
validação do trabalho junto à comunidade científica.

PALAVRAS-CHAVES: Lei 12.030/2009; Pericia Criminal; Perito Oficial, autonomia


funcional.
1.TEMA ..................................................................................................................................... 5
1.1 Delimitação do objeto........................................................................................................... 5
1.2 Problema de pesquisa ........................................................................................................... 6
1.3 Justificativa da pesquisa ....................................................................................................... 7
2. OBJETIVOS ......................................................................................................................... 8
2.1 Objetivo geral ....................................................................................................................... 8
2.2 Objetivos específicos ............................................................................................................ 8
3. HIPÓTESE DE PESQUISA ................................................................................................ 9
3.1 Delimitação da hipótese ....................................................................................................... 9
3.2Variáveis da hipótese ............................................................................................................. 9
4 METODOLOGIA................................................................................................................ 10
4.1 Técnica de pesquisa ............................................................................................................ 10
4.2 Procedimentos de pesquisa ................................................................................................. 11
4.3 Fontes de pesquisa .............................................................................................................. 11
4.4 Fases da pesquisa ................................................................................................................ 12
5 REFERÊNCIAS .................................................................................................................. 13
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1.TEMA

1.1 Delimitação do objeto

O período moderno da História Ocidental ficou marcado pela tentativa de


(re)construção da verdade através da utilização racional de conhecimentos técnicos
específicos, metodologicamente elaborados e constantemente aprimorados.
Já na era pós-moderna, com a constatação da insuficiência do modelo cartesiano-
newtoniano, chegou-se à conclusão de que a realidade precisa compor um todo harmonioso,
fruto de um processo de investigação reflexiva, de caráter multidisciplinar, capaz de gerar
uma visão contextualizada de mundo e de promover o resgate da integralidade e da qualidade
de vida.
Neste novo modelo, as diversas ciências foram exigidas além dos limites da mera
promoção de desenvolvimento intelectual e econômico, para, finalmente, constituírem-se em
meio legítimo de promoção do Ideal de Justiça socialmente adotado.
Em estados nacionais constituídos sob a égide de princípios democráticos e
republicanos, conforme descrito por Häberle (1997) propõe o esgotamento do modelo lógico-
dedutivo (método sistemático), assim como do monopólio interpretativo do Estado (monismo
jurídico).
A teoria da interpretação constitucional esteve muito vinculada a um modelo de
interpretação de uma ‘sociedade fechada’. Ela reduz, ainda, seu âmbito de investigação, na
medida em que se concentra, primeiramente, na interpretação constitucional dos juízes e nos
procedimentos formalizados. (HÄBERLE, 1997, p.12)
Assim a Justiça passou a ser um valor elaborado e perseguido não mais apenas
pelos chamados operadores do direito, mas também pela sociedade civil organizada, incluindo
aí, principalmente, os integrantes da comunidade científica. Surgia, assim, um conceito novo e
de maior abrangência: o de operador da justiça.
No âmbito jurídico-processual-penal, essa realidade se manifestou na definição da
Perícia Criminal como um legítimo e eficiente meio de prova, que, para o legislador pátrio, se
faz indispensável nos crimes que deixam vestígios (art. 148, do CPPB), a ponto de sua falta
chegar a constituir causa de nulidade (art. 564, III,b, do CPPB).
Em referência a essa indispensável atuação pericial, a doutrina jurídica
especializada passou a elaborar o conceito de juízo do fato em contraposição à noção de juízo
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de direito, tornando evidente a construção de um novo papel na dinâmica da Persecução Penal


Brasileira, a ser exercido pela Perícia Criminal. TORNAGHI (1995), por exemplo, chega a
declarar que a perícia não prova somente, mas ilumina a prova. ARANHA (1994), por sua
vez, descreve a perícia como um “plus” em relação à prova e um “minus” em relação ao
“decisio”. Já para HUNGRIA (1958), a perícia é o preâmbulo da sentença.
Por outro lado, o próprio desenvolvimento tecnológico tem multiplicado as
possibilidades de identificação e processamento de vestígios nas mais variadas manifestações
criminais, mesmo naquelas em que, outrora, seria inimaginável o cabimento de uma análise
pericial.
Há muito, portanto, resta superada aquela sintética discriminação de disciplinas
criminalísticas formulada de maneira implícita e casual pelo Código de Processo Penal
Brasileiro, composta basicamente por Medicina Legal, Documentoscopia, Química, Física e
Merceologia Forense. Hoje, em face do surgimento de novos tipos penais e do aprimoramento
das práticas delitivas, muito além das disciplinas inicialmente previstas, a Criminalística
passou a se estabelecer e se qualificar pelo emprego simultâneo de conhecimentos próprios de
diversas outras ciências, a exemplo da Contabilidade, Economia, Engenharia, Antropologia,
História, Informática, Veterinária, Eletrônica e Biologia.
E mesmo à míngua de uma correspondente evolução normativa, por conta da
inigualável segurança por elas proporcionada na realização do ideal de Justiça, as ciências
criminais foram definitivamente incorporadas não só ao cotidiano das práticas forenses, como
também no inconsciente coletivo, principalmente a partir da dramaturgia produzida em
clássicos do cinema e em consagradas séries de televisão.
Desta forma, em face das teorias que envolvem o crime, as provas, as garantias e
os princípios fundamentais, o trabalho deverá definir esse novo papel especialmente reservado
à Perícia Criminal no Sistema Acusatório e, por conseguinte, na própria Persecução Criminal
Brasileira, analisando criticamente, o papel de pericia criminal, sua missão, enquadramento e
autonomia funcional, com base na Lei 12.030 de 17 de setembro de 2009, que regulamenta a
perícia oficiais de natureza criminal.

1.2 Problema de pesquisa

Apesar da importância fundamental da Perícia Criminal para a dinâmica do


Sistema Acusatório adotado no Brasil, mesmo desfrutando do reconhecimento do legislador,
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da jurisprudência e de toda a sociedade civil organizada, a atividade ressente-se ainda da


ausência de uma sistematização normativa nacional, capaz de lhe conferir meios adequados
para o cumprimento de sua indispensável atribuição, seja na apuração de crimes de
competência estadual, seja na apuração de crimes de competência federal.
Por isso, dúvidas ainda persistem sobre as seguintes questões:
a) Com base na Lei 12.030/2009, qual a atribuição específica da Perícia Criminal
na dinâmica do Sistema Acusatório Brasileiro?
b) Em face de sua atribuição específica, qual o mais adequado modelo de
constituição (estrutura funcional e forma de atuação) dos serviços de Perícia Criminal nos
Estados e na União?
c) A Lei 12.030/2009 implica num retrocesso ao excluir os papiloscopistas e os
bioquímicos-toxicologistas do rol dos peritos criminais oficiais?
d) A Lei 12.030/2009 vem se mostrando eficaz sob os aspectos formais e
materiais ou a mesma é inconstitucional?

1.3 Justificativa da pesquisa

É inegável, dentro de um sistema moderno de investigação e de se fazer justiça, a


importância que a perícia criminal representa para alavancar esses dois sistemas. Esse
reconhecimento da necessidade da perícia criminal vem crescendo, onde hoje já podemos
observar muitas autoridades administrativas e políticas se preocuparem diretamente com esse
assunto. Isso é uma evolução significativa, pois até bem pouco tempo, essa voz era uníssona
somente dos peritos. Casos de repercussão nacional, como o caso “Isabella Nardoni” onde a
atuação dos peritos foi fundamental no descortinamento da dinâmica dos fatos, vindo a
culminar com a condenação pelo tribunal do júri do casal Alexandre Nardoni e Ana Paula
Jatobá, bem como diversos seriados atualmente exibidos na televisão, vem a tornar mais claro
o trabalho da perícia criminal para a sociedade como um todo, e tendo sua importância cada
vez mais reconhecida por essa mesma sociedade.
É essencial uma perícia criminal com capacidade e disposição de meios que
permitam a realização dos mais variados exames, através da aquisição de equipamentos
próprios ao uso pericial, qualificação e aperfeiçoamento de seus servidores, objetivando a
fundamentação e valoração da prova pericial.
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No Brasil encontramos uma variação muito grande na qualidade dos serviços


periciais oficiais, em conseqüência da maior ou menor atenção que o respectivo Estado
dispensa aos Órgãos Periciais.
Nesse sentido a discussão sobre a autonomia pericial sustentada na
autodeterminação quanto a sua capacidade administrativa, para conduzir uma autogestão, ou
seja, ser um órgão gerenciado pelos próprios peritos oficiais. Sendo assim, proporcionando
condições e capacidade para que possa traçar meios de estabelecer o seu modo de ser
organizacional, a fim de que possa definir prioridades específicas da área pericial, estando,
obviamente, subordinado às limitações decorrentes das determinações emitidas pelo poder
soberano do Estado.
Esta pesquisa também se justifica por uma motivação pessoal em relação ao tema.
Como perito criminal federal pertencente aos quadros da Polícia Federal, vivencio as
dificuldades e limitações atinentes ao serviço público brasileiro, como um todo, e as
instituições policiais em especial, que tem que satisfazer de forma adequada aos anseios da
sociedade civil, buscando sempre conciliar a eficiência e produtividade administrativa, com a
busca pelo ideal da verdade, que norteia todo trabalho pericial.

2. OBJETIVOS

2.1 Objetivo geral

Analisar a situação da pericia criminal oficial brasileira, após o advento da Lei


12.030/2009, seu papel histórico e atual no sistema de persecução penal como atividade fim,
reconhecendo-lhe a existência de atribuições e prerrogativas próprias na dinâmica do Sistema
Acusatório, e se essas novas atribuições e prerrogativas lhe garantem efetividade na realização
da Justiça Criminal.

2.2 Objetivos específicos


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a) Descrever a evolução da atividade de Criminalística e suas implicações na


realização da Justiça Criminal, com foco nas questões relativas à autonomia funcional e
independência institucional, sob a luz da Lei 12.030/2009.
b) Definir o papel do perito criminal na dinâmica do Sistema Acusatório,
atribuindo-lhe a condição de operador da justiça.
c) Analisar as implicações da exclusão dos papiloscopistas e bioquímicos-
toxicologistas do rol dos peritos criminais oficiais, e a possível inconstitucionalidade da Lei
12.030/2009.
d) Analisar criticamente, no que concerne à prova pericial, o conjunto da
legislação processual penal em vigor e a proposta do novo Código de Processo Penal em
trâmite no Congresso Nacional, propondo uma reformulação do sistema normativo referente à
matéria.
e) Sugerir a adequação do modelo de constituição (estrutura administrativa e
funcional, além de forma de atuação) dos serviços de Criminalística Estaduais e Federal.

3. HIPÓTESE DE PESQUISA

3.1 Delimitação da hipótese

Em vista do problema apresentado, o presente projeto constitui um estudo de caso


que pretende testar a validade da seguinte hipótese:
A Lei 12.030/2009 garante à atividade pericial criminal, o status de atividade
típica judiciária, assegura a autonomia técnica, científica, funcional e administrativa para a
atividade pericial e institui um regime especial de trabalho para os peritos criminais oficiais.

3.2Variáveis da hipótese

A hipótese de pesquisa apresentada crítica a Lei nº 12.030/2009, mais


especificamente no referente à exclusão dos papiloscopistas e bioquímicos-toxicologistas,
alegando que tal ação secciona o quadro das instituições periciais, privilegiando grupos de
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peritos em detrimento de outros, trazendo conseqüências nefastas, como o possível


inocentamento de criminosos condenados com base nos laudos emitidos por esses
profissionais.
Diante desse quadro de possível incerteza jurídica trazida pela Lei 12.030/2009
foi ajuizada a ação direta de inconstitucionalidade nº 4354, no sentido de promover a nulidade
da norma legal supracitada.
Para obtenção da resposta em relação às hipóteses levantadas é necessária a
análise sistemática das normas periciais, tanto as orgânicas dos diversos órgãos periciais em
nível Estadual e Federal, analisando pormenorizadamente as atribuições e prerrogativas dos
servidores membros da Criminalística Nacional e sua casuística de atuação junto a Justiça,
quanto a incidência de princípios jurídicos próprios e de regulamentação legislativa
específica, tanto de ordem constitucional, como de ordem processual, que lhe sirva de
fundamento e lhe dê sustentação, realizando uma pesquisa acurada da legislação relativa ao
tema, em busca de explicação pode ser traduzida em termos de variáveis que serão utilizados
durante a pesquisa para confirmar ou refutar a hipótese.
A variável dependente, tem o seu conteúdo coincidindo com o resultado da
pesquisa, é a efetividade formal e material da Lei 12.030/2009 em proporcionar uma perícia
criminal independente, técnica, científica, funcional e administrativamente. Não obstante,
após aprofundar os conceitos, levantar os dados práticos e esmiuçar a legislação pertinente
(variáveis independentes), traçar-se-á a aferição de compatibilidade ou incompatibilidade da
referida lei frente à Ordem Constitucional e sua efetiva aplicação nas diversas instituições
periciais, o que se pretende apresentar no relatório da pesquisa (variável dependente).
Assim, o teste da hipótese resultará da relação entre as variáveis independentes, a
fim de se estabelecer um denominador comum que possa esclarecer a variável dependente.

4 METODOLOGIA

4.1 Técnica de pesquisa

A pesquisa pretendida terá como técnica uma pesquisa teórica e prática. A parte
teórica busca averiguar a aplicação e a efetividade da Lei 12.030/2009, em atingir os
princípios por ela positivados, por meio da interpretação sistemática da legislação no tocante
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as normas legais presentes na Constituição Federal e no Código Penal, relativas ao papel da


perícia criminal na persecução processual penal, e no aspecto material, a elevação topológica
da prova material como elemento inconteste de indicação da verdade, atendendo aos anseios e
demandas da sociedade, na busca pelo ideal de justiça que sempre deve servir como farol
iluminando à ação dos servidores públicos incumbidos das atividades policiais. A parte
prática será realizada por meio de entrevistas e informações coletadas diretamente junto aos
profissionais das diversas instituições públicas responsáveis pela realização de atividades
periciais, de forma a captar na sua casuística, a consecução ou não dos comandos positivados
na Lei 12.030/2009.

4.2 Procedimentos de pesquisa

A parte teórica inicial constará de análises indiretas realizadas a partir de fontes de


informações mediatas, como bibliografia especializada sobre o tema, legislação pertinente
partir das variáveis identificadas, discussões e resultados de congressos e seminários sobre o
tema, no sentido de qualificar o estado da arte da atividade pericial antes do advento da Lei
12.030/2009.
A segunda parte buscará por meio de fontes de informações imediatas, de
consultas diretas aos profissionais de diversos órgãos relacionados a atividade operacional,
sobre a possível mudança na sua forma e condições de atuação, após o advento da Lei
12.030/2009, com análise da efetividade formal, por meio da opinião doutrinária e
jurisprudencial acerca da lei pericial, e da efetividade material, conforme a realidade
institucional e da casuística observada pelos profissionais atuantes na área pericial.

4.3 Fontes de pesquisa

A análise bibliográfica aprofundada se dará na obras concernentes a atividade


pericial, conceituando-se e delimitando essa atividade dentro do âmbito da persecução penal,
análise pormenorizada dos aspectos funcionais e estruturais dos diversos órgãos, por meio de
seus estatutos, leis orgânicas e regulamentos internos, caracterizando suas posições e
enquadramento dentro das respectivas estruturas de justiça.
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A análise formal acerca da efetividade da Lei 12.030/2009 será feita com base na
análise normativa Constitucional e Penal acerca do tema, bem como uma análise
jurisprudencial com base nas decisões tomadas pelos tribunais superiores, notadamente o
Supremo Tribunal Federal, com o auxílio de bibliografia relevante para uma melhor
compreensão das especificidades dos casos.
A análise material da efetividade da Lei 12.030/2009, se comporá por consultas
diretas aos profissionais de diversos órgãos relacionados a atividade operacional, por meio de
questionários e entrevistas, sobre a sua possível mudança na sua forma e condições de
atuação, após o advento da Lei 12.030/2009.

4.4 Fases da pesquisa

A pesquisa consta de três fases principais, que apesar de distintas para fins de
organização do trabalho, são inter-relacionadas no que tange os resultados obtidos, podendo
uma fase influenciar diretamente na forma de condução e na interpretação a cerca dos
resultados obtidos em outra fase.
Uma primeira fase se constituiria pela coleta de informações e dados. A análise
bibliográfica, estrutural dos órgãos periciais e a análise doutrinária jurisprudencial comporiam
esta fase, seguidos pela análise das informações coletadas diretamente junto aos profissionais
e órgãos envolvidos com o trabalho pericial. A segunda fase seria uma fase de análise
comparativa e interpretativa dos dados obtidos, na fase seguinte. Nesta fase há a verificação
de compatibilidade ou não com as hipóteses elencadas no trabalho. Se a Lei 12.030/2009,
efetivamente proporcionou a autonomia técnica, científica, funcional e administrativa aos
órgãos periciais, favorecendo e elevando ao status topológico superior a prova material, ou
conduziu a um retrocesso administrativo, enfraquecimento organizacional e insegurança
jurídica. Após a pesquisa em si, o trabalho passará por uma fase de controle de resultados.
Esse controle ou validação será feito pela publicidade dos dados, pela publicação do trabalho
junto a comunidade científica, submetendo-o a revisão pelos seus pares, proporcionando a
ocorrência de eventuais críticas, a identificação de possíveis erros, propostas de
aperfeiçoamento, que resultarão em um aprimoramento sobre o tema.
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5 REFERÊNCIAS

ARANHA, Adalberto José Q. T. de Camargo. Da Prova no Processo Penal. 3ª ed. atual. e


ampl., São Paulo: Saraiva, 1994..

BRASIL Lei nº 12.030, de 17 de setembro de 2009. Dispõe sobre as perícias oficiais e dá


outras providências. Legislação Federal. sítio eletrônico internet - planalto.gov.br

HÄBERLE, Peter. Hermenêutica Constitucional – a Sociedade Aberta dos Intérpretes da


Constituição: Constituição para e Procedimental da Constituição. Tradução de Gilmar
Ferreira Mendes. Porto Alegre: Sérgio Antônio Fabris editor, 1997, pág. 12.

HUNGRIA, Nélson. Comentários ao código penal, v.5. Rio de Janeiro: Forense, 1958.

TORNAGHI, Hélio. Curso de Processo Penal. 9ª ed. atual., São Paulo: Saraiva, 1995.