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Concepção e Projecto de Edifícios 

Concepção e Projecto de Edifícios


com Estrutura em Betão Armado
João Vinagre
João Vinagre

Dimensionamento de Estruturas – 2008/2009
Concepção e Projecto de Edifícios com 
Estrutura em Betão Armado

Objectivos:
• Generalidades sobre concepção de estruturas
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• Tipos de sistemas estruturais
Tipos de sistemas estruturais
• Pré‐dimensionamento de elementos estruturais
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Astérix e Cleópatra – Uderzo e Goscinny


Estruturas de Betão
Estruturas de Betão
Principais objectivos a atingir num projecto:
 Segurança
g ç de pessoas e bens;
p ;
 Qualidade do funcionamento em serviço;
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 Durabilidade (relativa ao período de vida útil);


Durabilidade (relativa ao período de vida útil);
 Economia (de execução e de manutenção);
 Funcionalidade;
 Estética;;
 …
Segurança de pessoas e bens
Segurança de pessoas e bens
Margem de segurança em relação a situações 
q p
que possam criar danos severos na estrutura:
• Rotura ou deformação excessiva de secções ou 
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elementos;
• Instabilidade;
• Perda de equilíbrio.
P d d ilíb i
Segurança de pessoas e bens
Segurança de pessoas e bens
A ruína local
A í l l ou global
l b l das estruturas de betão 
d t t d b tã
armado pode ter origem em:
• acções com níveis, características ou efeitos diferentes dos 
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considerados no projecto;
• acções não previstas em projecto (choques, incêndios, 
etc.);
• acções na fase de construção, não consideradas no 
projecto;
• uso indevido das construções;
• assentamento ou rotura de fundações;
• erro humano (de projecto, de execução, de uso).
Funcionamento em serviço
Funcionamento em serviço
A qualidade do funcionamento em serviço é função da:
• Concepção e cálculo da estrutura 
hipóteses de cálculo e modelo adoptados
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pormenorização
• Execução
qualidade dos materiais e sua execução
controlo de qualidade (respeito das decisões de projecto e correcta 
adequação às condições reais da obra);
sistemas de drenagem, apoios, juntas e impermeabilizações
g , p ,j p ç

• Exploração
inspecção e manutenção 
inspecção e manutenção
utilização conforme especificado em projecto
Durabilidade
Durabilidade é a aptidão de uma estrutura para 
desempenhar, durante o seu tempo de vida útil, as 
funções para que haja sido concebida sem que para tal 
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seja necessário despender de custos de manutenção e 
reparação imprevistos. Estes custos estão, regra geral, 
associados à deterioração dos materiais:
• Fissuração e degradação do betão;
• Corrosão e defeitos nas armaduras;
• Degradação de outros elementos ou materiais;
• Agravamentos não previstos.
Agravamentos não previstos
Economia

A economia
A economia é um factor de grande impacto que 
é um factor de grande impacto que
obriga à análise de custos tendo em conta os 
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benefícios a curto e médio prazo resultantes das


benefícios a curto e médio prazo resultantes das 
opções tomadas (que para além dos custos 
directos deverá incluir as despesas de 
á l
manutenção e conservação, os consumos de 
energia associados à execução e ao uso, etc.).
Funcionalidade

ÉÉ fundamental que os intervenientes no 
fundamental que os intervenientes no
projecto (Arquitectos, Engenheiros e 
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Empreiteiros) tenham em consideração que o


Empreiteiros) tenham em consideração que o 
principal objectivo das estruturas é o de 
servirem com eficácia o fim a que se destinam.
f á f
Estética
Embora assumindo um carácter subjectivo, a 
b i d á bj i
estética terá que ser sempre tida em conta no 
projecto, através, nomeadamente da:
j t t é d t d
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• Simplicidade
• Beleza
• Unidade
• Harmonia
• Ergonomia
• Novidade
• …
Concepção de Edifícios
Concepção de Edifícios
F t
Factores condicionantes:
di i t
• Localização
Acções (sismos, vento, neve)
A õ (i t )
Fundações
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Agressividade do meio (durabilidade) 
Riscos de incêndio ou de acidente

• Finalidade
Sobrecargas
Adequação da solução estrutural  (vãos, pé‐direito, etc.)
d ã d l ã l ( ã é di i )
Nível de segurança (importância social do edifício) 

• Economia e Estética (Arquitectura)
( q )
• Comportamento da Estrutura
Modelo de análise realista (boa simulação do comportamento real da estrutura)
S
Segurança em relação à ocorrência de danos
l ã à ê i d d
Concepção de Edifícios
Concepção de Edifícios
Deverão ainda ser atendidos, na concepção de edifícios, alguns 
aspectos particulares:
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• Concepção anti‐sísmica (em regiões de risco sísmico elevado);

• Concepção de edifícios com elevado risco de incêndio;

• Concepção para elevada durabilidade.
Tipos de Soluções Estruturais
de Edifícios

Estrutura  Estrutura 
Estrutura 
Estrutura
reticulada  com laje 
Laminar
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(pórticos) fungiforme

Lajes  Lajes 
ç
maciças ç
maciças

Lajes 
Lajes Lajes 
Lajes
aligeiradas aligeiradas
Tipos de Soluções Estruturais
de Edifícios
Vantagens
Estrutura  Estrutura 
Estrutura 
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reticulada  com laje 
Laminar
(pórticos) fungiforme
Menor altura 
Economia
Facilidade de  global
projecto

Flexibilidade  de  Rapidez de 
compartimentação execução
Bom comporta‐
mento sísmico 
Rapidez de 
(ductilidade) Racionalização
execução
ã
Tipos de Soluções Estruturais
de Edifícios
Desvantagens
Estrutura  Estrutura 
Estrutura 
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reticulada  com laje 
Laminar
(pórticos) fungiforme
Deficiente  Grande rigidez e 
Exigência de maior 
comportamento  pouca ductilidade
pé‐direito
p
sísmico
Limitações 
arquitectónicas
Tectos recortados  Ocorrência de 
(vigas) punçoamento
Pouca liberdade 
para alterações
Limitação da  Grande 
Desconforto 
di
dimensão dos vãos
ã d ã d f
deformabilidade
bilid d
térmico e acústico
Pré dimensionamento
Pré‐dimensionamento
Escolhida a solução estrutural pretendida, é necessário 
proceder ao pré‐dimensionamento dos diferentes 
elementos estruturais. O pré‐dimensionamento con‐
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siste na escolha, a partir de regras simples e de bom 
senso, das dimensões dos elementos estruturais. A 
posterior execução de cálculos (e consequente 
dimensionamento) conduzirá ao seu eventual ajuste.
Nota: é conveniente que o pré‐dimensionamento efectuado num
estudo prévio não seja radicalmente alterado aquando do projecto de 
execução (implicações graves com a arquitectura e/ou outras 
especialidades impacto orçamental )
especialidades, impacto orçamental…)
Pré dimensionamento
Pré‐dimensionamento
Seguidamente procede‐se a um resumo dos principais 
aspectos a atender no pré‐dimensionamento dos 
principais tipos de elementos das estruturas de betão 
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armado:
• lajes
gas
• vigas
• pilares
• sapatas
Pré dimensionamento de Lajes
Pré‐dimensionamento de Lajes
No pré‐dimensionamento de lajes é necessário atender, 
fundamentalmente a:
• geometria (condicionalismos arquitectónicos, 
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vãos, aberturas, etc.))
• acções (tipo, intensidade, alternância)
• funcionamento (deformabilidade, isolamento)
(deformabilidade isolamento)
• economia
Pré dimensionamento de Lajes
Pré‐dimensionamento de Lajes

Preferência de 
Definição da 
Definição da vãos semelhantes
vãos semelhantes 
Preferência pela 
continuidade nos 
em ambas as 
geometria apoios
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direcções

Definição  Escolha das 
acções a 
Quantificação das 
acções (RSA/EC1)
das acções
das acções considerar

EEscolha da 
lh d ffactores 
t
económicos e de 
resistência e 
ductilidade (‐)
espessura utilização (+)
Pré dimensionamento de Lajes
Pré‐dimensionamento de Lajes
d b é k / 2 (solução económica até 
Lajes vigadas sujeitas a sobrecargas até 5,0 kN/m ( l ó é
vãos de 6.0m). Regras para pré‐dimensionamento:

Armadas numa direcção Armadas em duas direcções
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L≤2,5m h = 10 cm

2,5<L≤4,0m h = 12 cm

4 0<L≤6 0m
4,0<L≤6,0m h = 15 cm
h = 15 cm
Pré dimensionamento de Lajes
Pré‐dimensionamento de Lajes
f f b é k / 2 (solução económica 
Lajes fungiformes sujeitas a sobrecargas até 5,0 kN/m ( l ó
para vãos a partir de 6.0m). Regras para pré‐dimensionamento:

Maciças Aligeiradas
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maciça
h = 15 cm
L≤5,0m

Maciça
h = 15 a 20 cm
h = 15 a 20 cm
5,0<L≤7,0m

Aligeirada
h = 30 cm
L<7,0m

Aligeirada
h = 30 a 50 cm
7,0<L≤12,0m
Pré dimensionamento de Lajes
Pré‐dimensionamento de Lajes

max<0,18
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Flexão = Msd / (b d2 fcd)


≈ 0,05
Lajes vigadas
EEsforço 
f  ≈ 0,15
 0 15
VSd < 0.6 (1.6 − d )τ 1 d
transverso

max<0,27
,
Flexão = Msd / (b d2 fcd)
Lajes  ≈ 0,15
Fungiformes  ≈ 0,25
Punçoamento VSd < (1.6 − d )τ 
< (1 6 d )τ 1 d
Relação espessura vão para Lajes
Relação espessura‐vão para Lajes

h (cm)
60.0
2.0 < SC < 5.0 KN/m2
50.0
23/39

40 0
40.0 Fung.
g Aligeirada
g
Fung. Maciça
30.0
Vigada (1 dir)
20.0 Vigada (2 dir)
10.0

0.0
0.0 5.0 10.0 15.0 L (m)
Pré dimensionamento de Lajes
Pré‐dimensionamento de Lajes
Limites de Esbelteza
Limites de Esbelteza
Modelo de Cálculo REBAP - L/h (A400) EC2 - L/d (=0.5%)
 

30 25
24/39

43 25

60 35

— 30

12 5
12.5 10
Pré dimensionamento de Vigas
Pré‐dimensionamento de Vigas
No pré‐dimensionamento de Vigas é necessário 
atender, fundamentalmente a:
• geometria (condicionalismos arquitectónicos, 
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vãos, pé‐direito,
vãos, pé direito, atravessamentos, etc.)
atravessamentos, etc.)
• acções 
• funcionamento (continuidade)
Pré dimensionamento de Vigas
Pré‐dimensionamento de Vigas
Geometria
A definição da geometria é feita em simultâneo com as lajes
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Acções
peso próprio, reacção das lajes, paredes exteriores, palas, pré‐esforço, 
peso próprio reacção das lajes paredes exteriores palas pré‐esforço
cargas concentradas, sismo/vento

Dimensões
Largura: b  0.20 m (condicionada pela Arquitectura) 
Altura:  hmin  0.30 a 0.40 m
betão armado ‐ pré‐esforçadas ‐
Pré dimensionamento de Vigas
Pré‐dimensionamento de Vigas

Verificação do pré‐dimensionamento
Verificação do pré dimensionamento
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Recurso a modelos de cálculo simplificados (viga apoiada, apoiada‐
‐encastrada ou bi‐encastrada) e ao conceito de áreas de influência, 
devendo obter‐se:
Pré dimensionamento de Vigas
Pré‐dimensionamento de Vigas
Limites de Esbelteza
M d l d
Modelo de Cál
Cálculo
l REBAP - L/h (A400) EC2 - L/d (=0.5%)
( 0 5%)
28/39

20 18

25 23

33 25

8.5 7
Pré dimensionamento de Pilares
Pré‐dimensionamento de Pilares
No pré‐dimensionamento de Pilares é necessário 
atender, fundamentalmente a:
• geometria (condicionalismos arquitectónicos, 
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etc.)
• acções 
• funcionamento (distribuição da rigidez em planta 
(distribuição da rigidez em planta
e em altura)
Pré dimensionamento de Pilares
Pré‐dimensionamento de Pilares
Geometria
A geometria do pilar (rectangular, L, T, circular, etc.) e o seu posicionamento 
são muito condicionados pela Arquitectura
p q
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Acções
peso próprio, reacção das vigas e/ou das lajes, sismo/vento
peso próprio, reacção das vigas e/ou das lajes, sismo/vento
Dimensões
O pré‐dimensionamento é efectuado a partir do esforço axial estimado 
p p ç
com base em áreas de influência (dimensões mínimas b e h: 0.20 a 0.25m)

Acções verticais: Acção sísmica:
Pré dimensionamento de Pilares
Pré‐dimensionamento de Pilares

Verificação do pré‐dimensionamento
Verificação do pré dimensionamento
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Os valores podem ser determinados com base em modelos simplificados 
de análise para forças horizontais:

A percentagem de armadura, para a combinação condicionante, 
deverá estar compreendida entre
deverá estar compreendida entre 
Pré dimensionamento de Pilares
Pré‐dimensionamento de Pilares
• Determinação aproximada dos esforços axiais (acções verticais), 
( )
tendo em consideração a posição dos pilares em planta
D
32/39

C B

A L inf L inf

R1 R2 R3
L1 L2

Nota: esta avaliação pretensamente rigorosa, em pré‐dimensionamento é, no entanto, discutível. 


A consideração dos limites das áreas de influência coincidentes com os meios vãos
A consideração dos limites das áreas de influência coincidentes com os meios vãos 
constitui uma aproximação razoável.
Pré dimensionamento de Pilares
Pré‐dimensionamento de Pilares
• Os momentos flectores nos pilares para as acções verticais 
não são fundamentais ao equilíbrio
p p
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N1 N2 N3 N '1 N '2 N '3

Distribuição de  Distribuição de 
esforços elástica esforços equilibrada
Pré dimensionamento de Fundações
Pré‐dimensionamento de Fundações
No pré‐dimensionamento de Fundações é necessário 
atender, fundamentalmente a:
• acções (intensidade das cargas que há que 
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transmitir ao solo))
• condições de fundação (resistência do solo, 
deformabilidade, nível freático)
deformabilidade, nível freático)
Pré dimensionamento de Fundações
Pré‐dimensionamento de Fundações
• Directas (SAPATAS)
Di t (SAPATAS)
Regra geral são rectangulares e centradas nos pilares. Excepções: 
sapatas de bordo e/ou canto, sapatas conjuntas (de dois ou mais 
p / , p j (
pilares), sapatas de pilares de juntas de dilatação, etc.
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A tensão de segurança é usualmente obtida a partir de ensaios
SPT (σ = 150 a 400 kN/m2)

• Indirectas (ESTACAS)
Geometria: secção circular
A dimensão (φ) é estimada procurando garantir que a tensão nas 
estacas (betão), para Nraro se situe entre os 4 a 5 MPa.
Tensões admissíveis em terrenos
(para estudos preliminares)
G
Grupo Ti
Tipo d
de T
Terreno  adm (Kg/cm2)
1. Rochas maciças em estado são com resistência alta a muito alta, 100
ígneas e metamórficas (granito, diorito, basalto, gneiss).
Rochas
2. Rochas metamórficas foliadas em estado são, com resistência média 30
a alta (xisto, ardósia).
3. Rochas sedimentares em estado são com resistência média a alta 10 – 40
36/39

(argilitos, siltitos, arenitos, calcáreos não-cavernosos.


4. Argilitos
g tos xistosos
stosos e outoutras
as rochas
oc as aargilosas
g osas co
com resistência
es stê c a ba
baixa
a a 5
média.
5. Rochas fragmentadas de qualquer espécie (excepto rochas argilosas) 10
com espaçamento entre juntas menor que 0.3m.
6. Cascalhos e areias compactas p >6
7. Cascalhos e areias de compacidade média 2–6
8. Cascalhos e areias soltas 2
Solos
9. Areia compacta >3
Incoerentes 10. Areia de compacidade
p média 1–3
11. Areia solta <1
Solos 12. Argilas rijas e muito duras 3–6
13. Argilas duras 1.5 – 3
Coerentes 14. Argilas
g médias 0.75 – 1.5
15. Argilas moles < 0.75
Sondagem de Terreno
Sondagem de Terreno
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Características de Resistência ao Corte e de Deformabilidade
de Areias e Argilas em Função dos Resultados de S.P.T.
38/39
Bibliografia
Vinagre, J. — Parte 1: Sistemas estruturais, Pré‐
dimensionamento e Concepção Anti‐sísmica — Acetatos 
da Disciplina de Estruturas de Edifícios de Betão 
39/39

Armado, Instituto Superior Técnico, Universidade 
Técnica de Lisboa, Dezembro, 1999.
Camara, J. N.; Correia, A. G.— Notas sobre fundações 
de edifícios — folhas da Disciplina de Betão Armado e 
Pré‐esforçado II, Instituto Superior Técnico, 
Universidade Técnica de Lisboa, Dezembro, 1995

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