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O Romantismo surgiu em Portugal num período de efervescência política – alguns anos após a revolução de 1820, que

levou os liberais portugueses ao poder.


Participaram dessa revolução vários setores da burguesia portuguesa: magistrados, comerciantes, militares, professores.
Influenciados pelos ideais da Revolução Francesa, esses liberais lutavam pela modernização de Portugal.
Em Portugal a luta entre liberais e conservadores durou vários anos, provocando durante esse período o exílio de
políticos, intelectuais e artistas. Quando exilados, muitos desses artistas acabavam indo para a Inglaterra e França onde tiveram
contato com as influências românticas de cada um. Esse fator contribuiu com o surgimento de obras inovadoras, entre elas
Camões de Almeida Garrett, que marcou o início do Romantismo em Portugal.
Assim, o Romantismo português nasceu marcado pelo liberalismo burguês e com o espírito de lutas e revolução que
envolveu a sociedade portuguesa no século XIX.

Primeira Geração Romântica


Essa geração e marcada pelo empenho de seus artistas em implantar o Romantismo em Portugal. Isso, pelo emprego de certos
procedimentos clássicos, como o nacionalismo e pelas preocupações históricas e políticas. Outras características presentes mas
que não são exclusivas dessa geração são: o subjetivismo, medievalismo, idealização da mulher, do amor, da natureza.

Almeida Garrett – em busca das raízes nacionais


Quando Almeida Garrett foi exilado, ele já era relativamente conhecido no país. Ele esteve na França, na Inglaterra e na
Alemanha – países nos quais o Romantismo surgira – onde absorveu as influências que o levaram a lançar-se na nova estética.
Suas obras apresentam semelhanças da tradição clássica, como o formalismo, vocabulário culto, racionalismo, contenção das
emoções (traços Árcades). Sua obra Camões, apesar de marcar o início do Romantismo português, apresenta essas tendências. A
inovação por qual é responsável esta maias relacionada aos temas abordados, do que na renovação da linguagem. Preocupado
com os rumos políticos, sociais e culturais de seu país, Garrett ocupou cargos púbicos e empenhou escrever obras que
resgatassem o espírito de nacionalidade do povo lusitano. O Romanceiro é um exemplo de suas obras que como várias outras
apresentam versos, prosa e retratam o Portugal histórico, satisfazendo o gosto nacionalista romântico.
Sua Poesia
Partindo de poemas político-ideológicos comprometidos com o liberalismo e de obras ainda mais marcadas pela tradição
clássica (Camões), o poeta só atingiu a maturidade romântica no gênero lírico quando contava com aproximadamente 50 anos.
Ele depois de uma nova e profunda paixão retomou a poesia lírica e criou, então, suas melhores obras poéticas. Essas são
marcadas por características românticas como a emoção, os sentimentos, o amor perfeito, o amor idealizado.
Sua Prosa
Na prosa de ficção ele escreveu as novelas Arco de Santana, que é histórica, e Viagens na minha terra, que é contemporânea.
Essa ultima concilia o relato de viagens com comentários dos mais diversos temas, entre eles reflexões político-filosóficas, e
uma trama sentimental. Ao mesmo tempo em que traça um rico retrato da vida social portuguesa à época do miguelismo. Ela
também apresenta o procedimento de digressão – situações em que o narrador foge ao tema central do texto e insere assuntos
estranhos a ele – dá ao autor a oportunidade de abordar os mais variados temas: filosóficos, socais, artísticos e religiosos.
Seu teatro
No gênero dramático ele produziu varias peças, sendo que Frei Luís de Sousa (1844), é considerada a obra prima do teatro
português. Nela ele aborda um tema histórico muito discutido na vida cultural portuguesa: o desaparecimento e a volta de D.
Pedro, um nobre, da guerra em Alcácer – Quibir. O drama foi inspirado em um acontecimento real, vivido no final do séc. XVI,
por Madalena e D. Manuel de Sousa Coutinho, que passou a história com o nome de Frei Luís. Quando D. João, marido de
Madalena, desaparece em batalha na África, ela se casa com D. Manuel. Os anos se passam e certo dia surge um romeiro, vindo
de Jerusalém que diz trazer uma mensagem de D. João. Segundo ele, o D. João se encontrava vivo e prisioneiro. Diante da
notícia, Madalena e D. Manuel se desesperam e ambos se encerram em um convento. Eles não esperam para saber o que na
verdade aconteceu, mas ao leitor é revelada a identidade do romeiro, que era ninguém menos que D. João.

Alexandre Herculano e o romance histórico


Alexandre foi um escritor português que se interessou por temas históricos, principalmente aqueles cujo cenário é a idade
média, mundo de fantasias em que cavaleiros heróicos lutam e buscam salvar donzelas em perigo. Embora tenha cultivado
também a poesia, foi na prosa de ficção que ele deixou sua maior contribuição. Nela o autor fez grande uso de seu largo
conhecimento da história de Portugal, particularmente a relativa à Idade Média, introduzindo o romance histórico no país. Esse
gênero renovou a prosa de ficção portuguesa. Nessas obras, misturando-se a fatos históricos devidamente documentados, a
matéria literária é as vezes utilizada pelo autor apenas como uma esculpa para colocar as suas idéias filosóficas, sociais,
religiosas e nacionalistas.

Eurico, o presbítero
Esse é o principal romance do autor e retrata o amor impossível entre Eurico e Emengarda em meio a invasão árabe na
Península Ibérica. Eurico se tornou padre após ser negada a mão de sua amada Emengarda, em virtude de seu pai não concordar
com a baixa posição social do pretendente. Quando ocorre a invasão árabe, Eurico vai lutar nos combates, e acaba aliando-se a
um grupo de resistência, cujo líder era o irmão de Emengarda. Em meio às lutas o cavaleiro se encontra com sua amada, e em
sonho ela lhe revela seu amor por ele. No entanto, a união entre os dois é impossível, pois ele é padre. Mais tarde em uma bem
sucedida emboscada contra os invasores, Eurico se deixa matar por eles, pondo fim ao seu sofrimento amoroso.

A segunda Geração Romântica


Essa representa a maturidade do movimento romântico, ao mesmo tempo em que faz uma previsão de sua superação, tendo em
vista as características realistas que suas obras apresentam. Alguns dos representantes dessa época apresentam comportamento
fortemente marcado pelo pessimismo, pelo negativismo existencial, pelo mórbido e pelo sentimento de excessivo.

Camilo Castelo Branco: o mestre da novela passional


Esse foi um dos mais fecundos escritores da literatura portuguesa. Ele se aproveitou de muitas de suas experiências para
escrever novelas, entre elas seu amor com Ana Plácido mulher casada com quem mais tarde se casa após a morte de seu marido.
Ele viveu de seus livros, e foi o escritor mais lido da época. Ele se suicidou por dificuldades financeiras e problemas familiares.
A Obra
Suas narrativas normalmente se ambientavam em lugares que fizeram parte de sua vida. Povoam esses ambientes tipos
campesinos, que vão desde fidalgos e padres a mulheres de todas as classes sociais. O principal tema de seus enredos é o amor,
geralmente o contrariado pelas convenções sociais ou o amor gerador de raptos e riscos, de ódio entre as famílias.
Como narrador ele foi extraordinário, variando entre o lirismo e o sarcasmo. Sua linguagem caracteriza-se pelo
vocabulário rico e pelo grande uso de recursos. Concisão e força caracterizam seu estilo. A qualidade de suas obras é irregular,
uma vez que o autor sobrevivendo de suas obras chegou a produzir 200 delas.
Em sua vasta produção destacam-se: o romance-folhetim Mistérios de Lisboa, em que as narrativas são de mistério ou terror; a
novela passional, gênero no qual o autor atinge sua maturidade em Amor de perdição, que tematizam o amor trágico; a novela
satírica de costumes, em que a exploração do humorismo permite a caracterização irônica e satírica geralmente do burguês rico;
e a novela histórica.

A Novela Passional
Esse gênero foi o que o autor mais se destacou, alem de ele ter sido o seu definidor e o seu maior representante em Portugal.
Esse gênero nasceu durante a Baixa Idade Média, na forma de Novelas de Cavalaria. Em suma, a novela é uma narrativa mais
curta que o romance, com menos personagens e uma única ação central. Nas novelas do autor o protagonista é normalmente um
jovem de vida desregrada que se deixa corromper pela vida social urbana. Ele se envolve com uma moça, e a partir daí dois
finais podem acontecer: ele a abandona ou quer se casar com ela e se regenerar, mas o pai da moça não aceita por causa da
situação social dele. O triangulo amoroso é outro traço utilizado por Camilo, e esse normalmente conta com a presença de duas
mulheres de tipos diferentes. Essa contraposição era quase sempre feita com a finalidade de satirizar a falsa vida conjugal feliz.
Amor de perdição
Nessa obra Camilo incorporou muitas de suas experiências na prisão e de seu amor proibido. Essa é a história do amor
impossível entre Simão e Teresa, jovens pertencentes a famílias nobres e inimigas, que tentam afastar os apaixonados. Teresa
deveria casar com Balthazar, mas o recusa e vai parar em um convento. Simão bravo, mata Balthazar e mais tarde é exilado.
Doente ele avista o convento onde Tereza esta, mas acaba morrendo durante a viagem. Mariana, moça que o conhecera no
passado e que o amava muito, se atira ao mar e use-se a ele. Teresa que estava muito doente também acaba morrendo.

Júlio Dinis: o ultimo sopro romântico


Ele é pseudônimo literário de Joaquim G. G. Coelho. Um burguês dedicou parte de seu tempo a ler obras dos principais
românticos ingleses, dos quais foi influenciado. Com exceção de Uma família Inglesa, todos os seus demais romances tem como
ambiente o campo e como personagens pequenos proprietários e lavradores. Como plano de fundo ele mostra as transformações
políticas e econômicas por que passava o país com o regime liberal.
Ele é o ultimo prosador significativo do Romantismo português, e suas obras ainda apresentam várias características românticas,
tais como a vitoria do amor sobre as diferenças sócias, o predomínio dos sentimentos sobre a razão, a idealização da vida
natural, e o uso de uma linguagem simples e direta. Contudo ele já apresentava traços do Realismo, como a preocupação de
descrever com precisão a natureza e os comportamentos sociais, a objetividade ao fixar tipos sociais, a caracterização
psicológica de personagens, o tom moralizante que tem como objetivo divertir e ensinar ao mesmo tempo. Por esses aspectos ele
entre outros representam o momento de transição para o Realismo.

As pupilas do senhor reitor é sua obra mais conhecida. Narra à história de Pedro, Daniel, Clara e Margarida. Eles viviam no
campo, mas Daniel foi mandado pelo seu pai a conselho do padre para a cidade para poder estudar. Ele volta para o casamento
de seu irmão com Clara, mas acaba se envolvendo sentimentalmente com a noiva. Num típico final feliz, Pedro casa-se com
Clara e Daniel com Margarida. Nisso há a idéia de que o amor verdadeiro é capaz de resolver todas as confusões.