Você está na página 1de 10

Índice

I.Introdução......................................................................................................................................2
I.I.Objectivos...............................................................................................................................3
I.II.Estrutura.................................................................................................................................3
1.ASPECTOS ANTROPOLÓGICOS, TEÓLOGOS E ÉTICOS DA VIDA E DA
PROCRIAÇÃO HUMANA........................................................................................................4
2.NOVOS PROBLEMAS EM MATÉRIA DE PROCRIAÇÃO................................................4
2.1.As técnicas de ajuda à fertilidade......................................................................................4
2.2.Fecundação in vitro e eliminação voluntária de embriões.................................................5
2.3.A Intra Cytoplasmic Sperm Injection (ICSI).....................................................................5
2.4.O congelamento dos embriões...........................................................................................5
2.5.O congelamento de ovócitos..............................................................................................6
2.6.A redução embrional e o diagnóstico pré-implantatório...................................................6
2.7.Novas formas de intercepção e contra-gestação................................................................6
3.NOVAS PROPOSTAS TERAPÊUTICAS QUE COMPORTAM A......................................6
MANIPULAÇÃO DO EMBRIÃO  OU DO PATRIMÓNIO GENÉTICO HUMANO.............6
3.1.A terapia genética..............................................................................................................6
3.2.A clonagem humana..........................................................................................................7
3.3.O uso terapêutico das células estaminais...........................................................................7
3.4.Tentativas de hibridação....................................................................................................7
3.5.O uso de “material biológico” humano de origem ilícita..................................................7
II.Conclusão.....................................................................................................................................8
III.Glossário.....................................................................................................................................9
IV.Referencias bibliográficas........................................................................................................10
I.Introdução

A Instrução inicia com as palavras Dignitas personae a dignidade da pessoa, que é reconhecida a
cada ser humano, desde a concepção até à morte natural. Este princípio fundamental exprime um
grande “sim” à vida humana, que deve ser colocado no centro da reflexão ética sobre a
investigação biomédica (n. 1). Trata-se de uma Instrução de natureza doutrinal (n. 1), emanada
da Congregação para a Doutrina da Fé e aprovada expressamente pelo Santo Padre Bento XVI.

A Instrução dirige-se aos fiéis e a todos os que procuram a verdade(n. 3). Ao propor princípios e
avaliações morais para a investigação biomédica sobre a vida humana, a Igreja recorre à luz da
razão e da fé, contribuindo para a elaboração de uma visão integral do homem e da sua vocação,
capaz de acolher tudo o que de bom emerge das obras dos homens e das várias tradições
culturais e religiosas, que não raras vezes mostram uma grande reverência pela vida (n. 3).

2
I.I.Objectivos

Nos últimos anos as ciências biomédicas conseguiram progressos enormes, que abrem novas
perspectivas terapêuticas, mas suscitam também sérias interrogações não explicitamente
enfrentadas pela Instrução Donum vitae, pretende propor respostas para algumas novas questões
de bioética, que provocam expectativas e perplexidades em vastos sectores da sociedade. De tal
modo procura-se promover a formação das consciências (n. 10) e encorajar uma pesquisa
biomédica que respeite a dignidade de cada ser humano e da procriação.

Há diversos anos que a Congregação para a Doutrina da Fé estuda as novas questões biomédicas
em ordem à actualização da Instrução Donum vitae. Ao proceder ao exame de tais questões,
procura-se ter sempre presentes os aspectos científicos, servindo-se, na análise, da Pontifícia
Academia para a Vida e de um grande número de peritos, para os confrontar com os princípios
da antropologia cristã. As encíclicas Veritatis Splendor e Evangelium vitae de João Paulo II e
outras intervenções do Magistério oferecem claras indicações de método e de conteúdo em
ordem ao exame dos problemas em questão (n. 2).

I.II.Estrutura

A Instrução consta de três partes: a primeira recorda alguns aspectos antropológicos, teológicos e
éticos de importância capital; a segunda enfrenta novos problemas em matéria de procriação; a
terceira examina algumas novas propostas terapêuticas que comportam a manipulação do
embrião ou do património genético humano» (n. 3).

3
PRIMEIRA PARTE:

1.ASPECTOS ANTROPOLÓGICOS, TEÓLOGOS E ÉTICOS DA VIDA E DA


PROCRIAÇÃO HUMANA

1.1.Os dois princípios fundamentai, a Fé e dignidade humana, a Fé e vida matrimonial e o


Magistério eclesiástico e autonomia da ciência

O ser humano deve ser respeitado e tratado como pessoa desde a sua concepção e, por isso, a
partir da sua nascença deve ser-lhe dado o direito inviolável da vida» (n. 4). «A origem da vida
humana tem o seu contexto autêntico no matrimónio e na família, significando que uma
procriação verdadeira deve ser gerada através do matrimónio (n. 6).

Deus criou cada homem à sua imagem e no seu Filho incarnado revelou plenamente o mistério
do homem. A partir do conjunto destas duas dimensões, a humana e a divina, compreende-se
melhor o porquê do valor inviolável do homem» (n. 8). As dimensões natural e a sobrenatural,
permitem também compreender melhor que o Espírito Santo infundido na celebração
sacramental oferece aos esposos cristãos o dom de uma comunidade nova, de amor, que é a
imagem viva e real daquela unidade singularíssima, que torna a Igreja o indivisível Corpo
Místico do Senhor (n. 9).

A Igreja, ao pronunciar-se sobre a validade ética de alguns resultados das recentes investigações
da medicina, relativas ao homem e às suas origens, não intervém no âmbito próprio da ciência
médica como tal, mas chama todos os interessados à responsabilidade ética e social do seu
operar. (n. 10).

SEGUNDA PARTE:

2.NOVOS PROBLEMAS EM MATÉRIA DE PROCRIAÇÃO


2.1.As técnicas de ajuda à fertilidade

Actualmente, entre as técnicas para ultrapassar a infertilidade são utilizadas: «técnicas de


fecundação artificial heteróloga (n. 12): «com o objectivo de obter um concepção actravez de um
dos cônjuges (nota 22); técnicas de fecundação artificial homóloga» (n. 12): destinadas a obter
artificialmente uma concepção humana a partir dos gâmetas de dois esposos unidos em
matrimónio (nota 23); técnicas que se configuram como uma ajuda ao acto conjugal e à sua
fecundidade (n. 12); intervenções que visam remover os obstáculos que se opõem à fertilidade
natural (n. 13) e «o procedimento da adopção (n. 13).

A tal respeito, são lícitas todas as técnicas que respeitam o direito à vida e à integridade física de
cada ser humano (n. 12). Por isso, são admissíveis as técnicas que se configuram como uma
ajuda ao acto conjugal e à sua fecundidade.(n. 12).

4
2.2.Fecundação in vitro e eliminação voluntária de embriões

A experiência dos últimos anos demonstrou que no contexto das técnicas de fecundação in vitro
o número de embriões sacrificados é muito alto (n. 14): nos maiores centros de fecundação
artificial, o número de embriões sacrificados é superior a 80% (cf. nota 27). Os embriões
produzidos in vitro que apresentam defeitos são directamente eliminados»; Muitos casais
recorrem às técnicas de procriação artificial com o único objectivo de poder realizar uma
selecção genética dos seus filhos, a técnica da transferência múltipla comporta, de facto, um
tratamento puramente instrumental dos embriões (n. 15).

A aceitação pacífica da altíssima taxa abortiva das técnicas de fecundação in vitro demonstra
eloquentemente que a substituição do acto conjugal por um procedimento técnico, contribui para
enfraquecer a consciência do respeito devido a cada ser humano, há que repetir que, o amor de
Deus não faz diferenças entre o neo-concebido ainda no seio da sua mãe, a criança, o jovem, o
homem maduro e o idoso, porque em cada um deles vê a marca da própria imagem e
semelhança. Por isso, o Magistério da Igreja proclamou sempre o carácter sagrado e inviolável
de cada vida humana, desde a sua concepção até ao seu fim natural (n. 16).

2.3.A  Intra Cytoplasmic Sperm Injection (ICSI)

A (ICSI) é uma variante da fecundação in vitro, em que a fecundação é feita mediante a injecção
no citoplasma do ovócito de um espermatozóide individual previamente seleccionado na linha
germinal masculina (nota 32). Tal técnica é moralmente ilícita: porque realiza uma completa
dissociação entre a procriação e o acto conjugal (n. 17).

2.4.O congelamento dos embriões

É um processo de congelamento a baixíssimas temperaturas para se consentir uma sua longa


conservação (nota 35).Para não repetir as extracções dos ovócitos na mulher, procede-se a uma
única extracção múltipla de óvocitos, seguida da crioconservação de uma parte importante dos
embriões obtidos in vitro, em previsão de um segundo ciclo de tratamento, no caso de insucesso
do primeiro (n. 18).

A crioconservação é incompatível com o respeito devido aos embriões humanos e pressupõe a


sua produção in vitro, expõe-nos a graves riscos de morte ou de dano para a sua integridade
física e põe-nos numa situação susceptível de ofensas e manipulações (n. 18).

Pergunta-se quanto ao grande número de embriões congelados já existentes, Que fazer deles? e
todas as propostas colocam problemas de vária ordem. Por isso, João Paulo II lançou um apelo à
consciência dos responsáveis do mundo científico e, de modo especial, aos médicos, para que se
trave a produção de embriões humanos (n. 19).

2.5.O congelamento de ovócitos

5
Para evitar os graves problemas éticos postos pela crioconservação dos embriões, avançou-se, no
âmbito das técnicas de fecundação in vitro, com a proposta de congelar os ovócitos (n. 20).

2.6.A redução embrional e o diagnóstico pré-implantatório

A chamada redução embrionária, consiste numa intervenção para reduzir o número de embriões
ou fetos presentes no seio materno, mediante a sua supressão directa (n. 21). Do ponto de vista
ético, a redução embrionária é um aborto intencional selectivo. (n. 21). Realiza-se com o
objectivo de ter a certeza de transferir para a mãe só embriões sem defeitos ou de um
determinado sexo ou com determinadas qualidades particulares (n. 22)

O diagnóstico pré-implantatório, visa, na realidade, uma selecção qualitativa com a consequente


destruição dos embriões, que se configura como uma prática abortiva precoce.Tratando o
embrião humano como simples “material de laboratório”, Tal discriminação é imoral e, por isso,
deveria ser considerada juridicamente inaceitável (n. 22).

2.7.Novas formas de intercepção e contra-gestação.

Existem outros meios técnicos que actuam depois da fecundação, quando o embrião já está
constituído. Estas técnicas são interceptivas, se interceptam o embrião antes da sua implantação
no útero materno (n. 23), por exemplo através da espiral . e a chamada “pílula do dia seguinte”
(nota 42). Estas são contra-gestativas, se provocam a eliminação do embrião apenas implantado
(n. 23), por exemplo através da pílula RU 486 la pillola RU 486 (nota 43).

O uso dos meios de intercepção e de contra-gestação reentra no pecado de aborto, sendo


gravemente imoral (n. 23).

TERCEIRA PARTE:

3.NOVAS PROPOSTAS TERAPÊUTICAS QUE COMPORTAM A MANIPULAÇÃO DO


EMBRIÃO  OU DO PATRIMÓNIO GENÉTICO HUMANO
3.1.A terapia genética

Entende-se a aplicação de técnicas de engenharia genética com o objectivo de curar doenças de


origem genética (n. 25). Sendo a terapia genética somática propõe-se eliminar ou reduzir defeitos
genéticos presentes a nível das células somáticas (n. 25). E a terapia genética germinal que visa
corrigir defeitos genéticos presentes em células da linha germinal, para transmitir os efeitos
terapêuticos obtidos sobre o sujeito à sua eventual descendência (n. 25).

Do ponto de vista ético estes procedimentos com objectivos terapêuticos são moralmente lícitas,
e é preciso observar também o princípio deontológico geral, segundo o qual, para realizar uma
intervenção terapêutica, é necessário assegurar previamente que o sujeito tratado não seja
exposto a riscos para a sua saúde ou para a integridade física (n. 26).

6
Quanto à hipotese de aplicar a engenharia para praticar manipulações com pretensos fins de
melhoramento e potenciamento da dotação genética, deve observar-se que tais manipulações
favorecem uma mentalidade eugenética portanto deve-se, por fim, sublinhar que, na tentativa de
criar um novo tipo de homem, entrevê-se uma dimensão ideológica, segundo a qual o homem
pretende substituir-se ao Criador (n. 27).

3.2.A clonagem humana

Entende-se por reprodução assexual e agâmica do inteiro organismo humano, com o objectivo de
produzir uma ou mais “cópias” do ponto de vista genético substancialmente idênticas ao único
progenitor (n. 28).

As técnicas são a fixação gemelar e a transferência de núcleo com o fim de obter, de modo
artificial, embriões idênticos (nota 47). A clonagem é proposta com dois fins fundamentais:
reprodutivo, e terapêutico ou de investigação. A clonagem é intrinsecamente ilícita, porque,
pretende dar origem a um novo ser humano sem, sem nenhuma ligação com a sexualidade. Tal
circunstância dá lugar a abusos e a manipulações gravemente lesivas da dignidade humana (n.
28).

3.3.O uso terapêutico das células estaminais

As células estaminais são células indiferenciadas, que possuem duas características fundamentais
como a capacidade prolongada de se multiplicar sem se diferenciar. Consideram-se lícitas as
metodologias que não danificam gravemente o sujeito, de que se extraem as células estaminais.
(n. 32).

3.4.Tentativas de hibridação

Recentemente, foram utilizados ovócitos animais para a reprogramação de núcleos de células


somáticas humanas geralmente chamada clonagem híbrida, com o fim de extrair células
estaminais embrionárias dos embriões resultantes, sem ter de recorrer ao uso de ovócitos
humanos (n. 33). Do ponto de vista ético, tais práticas representam uma ofensa à dignidade do
ser humano, pela mistura de elementos genéticos humanos e animais, capazes de alterar a
identidade específica do homem (n. 33).

3.5.O uso de “material biológico” humano de origem ilícita

Na investigação científica e na produção de vários outros produtos, utilizam-se, por vezes,


embriões ou linhas celulares que são o o resultado de uma intervenção ilícita contra a vida ou
contra a integridade física do ser humano. Quanto ao uso de embriões ou de fetos humanos como
objecto de experimentação, constitui um crime contra a sua dignidade. Estas formas de
experimentação constituem sempre uma desordem moral grave» (n. 34).

7
II.Conclusão

Finalmente existem responsabilidades diferenciadas em ralação a estes temas meramente


científicos que podemos considerar experimentos de criação humana, porque conclui-se que
enquanto a ciência investiga e tenta criar uma pessoa perfeita com características intencionais, e
padrões comuns, a igreja mostra-se aconselhadora aos perigos de transgressão a ética e moral e
aos princípios da vida humana, alertando então aos perigos dessas criações. Entende-se também
que todas tentativas de criar um ser diferenciado e dotado através de manipulações fere
gravemente a dignidade humana.

8
III.Glossário
Artificial - não natural.
Biomédica- biomedicina, ciência que estuda as aplicações das ciências naturais.
Cotra-gestativa – evita a fecundação.
Crio conservação – conservação de células em temperaturas extremamente baixas.
Deontológico – estudo dos princípios, fundamentos e sistemas da moral.
Dissociação – divisão
Donum Vitae – instrução
Doutrinal – princípios que servem de base a um sistema religioso.
Eclesiástico – pertencente a igreja eclesial
Embriões – ovos, organismos em via de desenvolvimento.
Encíclicas - cartas circulares pontificiais.
Eugenetica - que é directa e indefinidamente fecundo.
Germinal – células reprodutivas
Hibridação – cruzamento fecundo entre indivíduos diferentes na variedade ou na espécie.
Ilícita – contrario a moral
In vitro – processo biológico que ocore fora do organismo vivo.
Intrinsecamente – dentro de alguma coisa.
Lícitas – que são justas e permitidas, legal perante a lei.
Ovócito – de Oócito – Celula precursora do óvulo.
Somática – Referente ao corpo.
Terapêutico – curativo ou medicinal.

Fonte: Dicionário Aurélio

9
IV.Referencias bibliográficas
Congregação Para a Doutrina da Fé (2008). Instrução Dignitas Personae,Sobre algumas
questões de Bioética. Acedido a 19 de Agosto de 2018, de
http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_200812
08_dignitas-personae_po.html

http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_do
c_20081212_sintesi-dignitas-personae_po.html

10

Você também pode gostar