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FAC LIONS – FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE GOIÁS

CENTRO DE PÓS – GRADUAÇÃO

CAMILA NUNES MAGALHÃES

DIÁLISE PERITONEAL: A IMPORTÂNCIA DO ENFERMEIRO NA


CAPACITAÇÃO DO PACIENTE E DE SEUS CUIDADORES

BRASÍLIA - DF
2020
FAC LIONS – FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE GOIÁS
CENTRO DE PÓS – GRADUAÇÃO

CAMILA NUNES MAGALHÃES

DIÁLISE PERITONEAL: A IMPORTÂNCIA DO ENFERMEIRO NA


CAPACITAÇÃO DO PACIENTE E DE SEUS CUIDADORES

Artigo Científico apresentado como


trabalho de conclusão de curso de pós-
graduação apresentado ao Fundação
Educacional de Goiás, como requisito
parcial para a obtenção do título de
especialista em Enfermagem em
Nefrologia

Orientador: Prof. Me. Dionilson Pinheiro

BRASÍLIA - DF
2020
RESUMO

O estudo em questão procura evidenciar a importância do enfermeiro na


capacitação do autocuidado e familiar ao usuário portador de doença renal crônica
dependente da terapia substitutiva denominada diálise peritoneal. Para que a
educação em saúde seja eficaz o enfermeiro deve estar teórico-prático capacitado.
Pode-se considerar que o paciente dialítico necessita de capacitação do enfermeiro,
assim como seus familiares e/ou cuidador. Assim compreende-se o início da
capacitação, tentando inteirar-se com o paciente, avaliando seu estado de saúde,
planejando assistências e se envolvendo com a família para compreender suas
situações, crenças, valores, sentimentos e com isso oferecer um ambiente de
harmonia e uma assistência qualificada e satisfatória ao dialitico e sua família. Trata-
se de uma pesquisa integrativa, fundamentada em teóricos conhecedores do tema
proposto.

Palavras-chaves: Doença Renal Crônica; Dialise Peritoneal;Enfermeiro;


Capacitação.
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO................................................................................................................... 4
2 METODOLOGIA ................................................................................................................. 5
3. REVISÃO DA LITERATURA .............................................................................................. 5
3.1 Doença Renal Crônica ................................................................................................. 5
3.2 Terapias renais substitutivas ........................................................................................ 7
3.2.1 – Transplante renal ................................................................................................ 7
3.2.2 – Diálise renal ........................................................................................................ 8
3.3 O enfermeiro na capacitação em diálise peritoneal paciente/familiar ......................... 12
4 CONCLUSÃO ................................................................................................................... 16
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 17
4

1. INTRODUÇÃO

As doenças crônicas não transmissíveis tem aumentando progressivamente,


devido ao aumento da expectativa de vida bem como pelo envelhecimento e ao
conjunto de ações nocivas a saúde. As doenças cardiovasculares são ampliadas,
em razão dos fatores de risco tradicionais como a hipertensão e diabetes, além
destas as Doenças Renais Crônicas (DRC) tem sido retratadas como um dos
principais determinantes de risco de intercorrências cardiovasculares (BRASIL,
2014).
A DRC se refere a um conjunto de problemas que provocam à perda
progressiva da função renal. A DRC resulta de diversas doenças, tanto sistêmicas
que danificam os rins quanto intrínsecas a este órgão (MITCHEL,2009). Dentre as
principais causas encontram-se a hipertensão com 34% e diabetes com 31%,
(THOME, et al.,2019).
Os tratamentos disponíveis para um paciente renal crônico são: transplante
renal, diálise peritoneal e hemodiálise (SBN, 2020).
Dentre as terapêuticas indicadas para prolongar a sobrevida, a diálise
peritoneal (DP) é considerada como um método efetivo para tratar pacientes com
IRC, porém ainda está associada a um número significativo de complicações, sendo
utilizada em apenas 6,9% dos casos de DRC (THOME, et al.,2019). Conforme esse
dado, a diálise peritoneal é realizada por uma parcela pequena da população em
tratamento dialítico, mas que precisa ser considerada, por sua relevância, uma vez
que a doença e o tratamento trazem implicações não somente na vida diária do
indivíduo, como também na dinâmica familiar (CESAR et al., 2013).
Diante disso justifica esta pesquisa a necessidade de esclarecer os benefícios
da diálise peritoneal para os pacientes renais crônicos, como foco nos cuidados de
enfermagem, tendo como objetivo geral evidenciar os cuidados de enfermagem aos
pacientes com DP. Frente a isto, os questionamentos são: Porque a diálise
peritoneal não é utilizada frequentemente? Quais os cuidados de enfermagem
específicos a esta terapia renal? Qual a importância do enfermeiro na educação
contínua sobre DP ao paciente e aos seus familiares?
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2 METODOLOGIA
Realizou-se uma revisão integrativa de literatura descritiva e exploratória, que
inclui a análise de pesquisas relevantes que dão suporte para a tomada de decisões
e a melhoria da prática clínica, possibilitando a síntese do estado do conhecimento
de um determinado assunto, além de apontar lacunas do conhecimento que
precisam ser preenchidas com a realização de novos estudos, assim tendo a
condição de associação de diversos estudos publicados (MENDES, 2008). Esse
método tem a finalidade de reunir e sintetizar resultados de pesquisa sobre um
delimitado tema ou questão, de maneira sistemática e ordenada, contribuindo para o
aprofundamento do conhecimento do tema investigado (POMPEO, 2009).
A prospecção da informação de artigos científicos adotou como critério inicial
para seleção, a consulta ao banco de dados: Biblioteca Virtual de Saúde (BVS),
SCIELO, onde foi consultado os descritores: Doença Renal Crônica; Dialise
Peritoneal; Enfermeiro; Capacitação. A definição dos descritores foi feita através dos
Descritores em Ciência da Saúde (DEC’S). Para normatizar a amostra do estudo,
foram utilizados critérios de inclusão: apenas artigos publicados de 2012 a 2020, no
idioma português. Os métodos de exclusão foram artigos que não apresentaram os
descritores acima citados. Trabalhos publicados antes desse período foram citados
por sua relevância e impacto na literatura científica.

3. REVISÃO DA LITERATURA

3.1 Doença Renal Crônica

A Doença Renal Crônica tem como conceito estabelecido lesão renal


progressiva e irreversível ou redução da filtração renal (glomerular, tubular e
endócrina) em período igual ou maior de 3 meses. A DRC é subsdividida em
estadiamentos, fases, sendo a mais avançada fase terminal (SBN, 2020; PEDROSO
et al.; 2018; DEBONE et al.; 2017; CARDOSO et al., 2015; CÉSAR et al, 2013)

A DRC é originada geralmente em pacientes com Diabetes mellitus (DM) e à


Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), que são patologias comuns ao envelhecer,
apontando o crescente número desses pacientes idosos em tratamento dialítico.
Sendo assim, os idosos são mais susceptíveis à perda de função renal, que ocorre
de maneira lenta e progressiva, tendo seu início assintomático devido ao processo
6

adaptativo do rim a essa nova condição (Kirsztajn et al., 2014; CARVALHO et al.,
2016).

Dados da literatura indicam que portadores de hipertensao arterial, de


diabetes mellitus, ou história familiar para doença renal crônica têm maior
probabilidade de desenvolverem insuficiência renal crônica (Kirsztajn et al., 2014;
CARVALHO et al., 2016; SBN, 2020; DEBONE et al.; 2017)

De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (2020), os


estadiamentos da DRC são determinados de acordo com a taxa de filtração renal,
sendo divididos em 6 estágios. Estes são:

1 - Fase de função renal normal sem lesão renal – É o grupo de risco para a
desenvolvimento de DRC, sendo eles hipertensos, diabéticos, parentes de
hipertensos, diabéticos e portadores de DRC, entre outros. Não possui lesão renal

2- Fase de lesão com função renal normal – Grupo que possui inicio de lesão
renal, porém a taxa de filtração esta dentro dos valores esperados, acima de
90ml/min/1,73m².

3 - Fase de insuficiência renal funcional ou leve – Há perda da função renal


discreta. As excretas (uréia e creatinina) estão em nível plasmático normal. Não há
sinais e sintomas clínicos. Há baixa na filtração glomerular (60 e 89ml/min/1,73m2),
e apenas exames específicos detectam a alteração.

4 - Fase de insuficiência renal laboratorial ou moderada – Apresenta sinais de


aumento de uréia e de creatinina de maneira discreta, laboratorialmente, e
clinicamente o paciente esta estável. Os sintomas aparentes são das patologias de
base. Ritmo de filtração glomerular compreendido entre 30 e 59ml/min/1,73m2.

5 - Fase de insuficiência renal clínica ou severa – Sinais e sintomas clínicos da


disfunção renal aparecem como anemia, a hipertensão arterial, o edema, a fraqueza,
o mal-estar e os sintomas digestivos, estes são os mais precoces e comuns.
Corresponde à faixa de ritmo de filtração glomerular entre 15 a 29ml/min/1,73m2.
7

6 - Fase terminal de insuficiência renal crônica – Nesta fase os rins perdem o


controle do meio interno corporal, ficando incompatível com a vida. Todos os sinais e
sintomas aparecem. É a fase final. Compreende a um ritmo de filtração glomerular
inferior a 15ml/min/1,73m2.

Figura 1: Estadiamentos e classificação da doença renal crônica

FONTE: SBN, 2020. Disponível em> https://sbn.org.br/publico/doencas-comuns/insuficiencia-renal-


aguda/

3.2 Terapias renais substitutivas


As doenças renais crônicas tem como terapias renais substitutivas o
transplante renal, a diálise peritoneal, e a hemodiálise (SBN, 2020; THOME, et
al.,2019; BRASIL; 2014)

3.2.1 – Transplante renal

É uma opção de tratamento para os pacientes que sofrem de doença renal


crônica avançada. No transplante renal, um rim saudável de uma pessoa viva ou
falecida é doado a um paciente portador de insuficiência renal crônica avançada.
Através de uma cirurgia, esse rim é implantado no paciente e passa a exercer as
funções de filtração e eliminação de líquidos e toxinas. O transplante renal é
considerado a mais completa alternativa de substituição da função renal. Tendo
como principal vantagem a melhor qualidade de vida, pois o transplante renal
8

garante mais liberdade na rotina diária do paciente ((SBN, 2020; THOME, et


al.,2019; BRASIL; 2014; BARROS et al., 2006)

Figura 2: Transplante renal

FONTE: ADAM IMAGENS. Disponível em: http://www.adamimages.com/Kidney-transplant----


series---Aftercare-Illustration/PI6086/F4

3.2.2 – Diálise renal


Diálise é o nome genérico que se dá a qualquer procedimento que promova a
remoção das substâncias tóxicas que ficam retidas quando os rins deixam de
funcionar adequadamente. De uma maneira muito simplificada seria a filtragem do
sangue. Ela tem como princípio a retirada de líquido e toxinas como ureia e
creatinina do paciente com insuficiência renal, além de poder corrigir distúrbios no
pH, no sódio e no potássio sanguíneos, entre outros ( CARVALHO et al., 2016;
BARROS et al.; 2006; SBN, 2020; BRASIL, 2004; BRASIL, 1998).

A indicação desta terapia dar-se-á quando os dois rins, juntos, apresentam


taxa de filtração glomerular menos do que 10% de sua capacidade total, ou em
insuficiências renais agudas (SBN, 2020).

Ficam subdividas em Hemodiálise e Diálise Peritoneal:

3.2..2.1 – Hemodialise

Hemodiálise é um procedimento realizado por meio de uma máquina limpa e


filtra o sangue, ou seja, faz parte do trabalho que o rim doente não pode fazer. O
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procedimento libera o corpo dos resíduos prejudiciais à saúde, como o excesso de


sal e de líquidos. Também controla a pressão arterial e ajuda o corpo a manter o
equilíbrio de substâncias como sódio, potássio, uréia e creatinina (SBN, 2020;
CESARINO; CASAGRANDE, 1998; DAUGIRDAS; BLAKE; ING, 2008; BARROS et
al., 2006; MALDANER et al., 2008).

Basicamente, na hemodiálise a máquina recebe o sangue do paciente por um


acesso vascular, que pode ser um cateter (tubo) ou uma fístula arteriovenosa, e
depois é impulsionado por uma bomba até o filtro de diálise (dialisador). No
dialisador o sangue é exposto à solução de diálise (dialisato) através de uma
membrana semipermeável que retira o líquido e as toxinas em excesso e devolve o
sangue limpo para o paciente pelo acesso vascular (SBN, 2020; DAUGIRDAS;
BLAKE; ING, 2008; BARROS et al., 2006)

Figura 3 – Passo a passo da hemodiálise

FONTE: Manual Merk. Disponível em: http://www.manualmerck.net/?id=149&cn=2106

São sinais a serem observados durante a hemodialise queda da pressão


arterial, câimbras ou dor de cabeça (CESARINO; CASAGRANDE, 1998; Kirsztajn et
al., 2014; SBN, 2020). Por estes motivos, a sessão de hemodiálise é sempre
realizada na presença de um médico e uma equipe de enfermagem, devendo ser
realizada em clínicas e hospitais especializados.
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3.2.2.2 – Diálise peritoneal


Diálise Peritoneal de terapia renal substitutiva em que o processo acontece no
interior corpo do paciente, com auxílio do peritônio, um filtro natural com
equivalência a função renal (SBN, 2020). Esse filtro é denominado peritônio,
membrana localizado na região abdominal. É uma membrana porosa e
semipermeável, que reveste os principais órgãos abdominais. O espaço entre esses
órgãos é a cavidade peritoneal (SBN, 2020;. BARROS et al., 2006; TAVARES et al.;
2016; TAVARES et al.; 2015) A solução de diálise é infundida e permanece por um
determinado tempo na cavidade peritoneal, a solução entra em contato com o
sangue e isso permite que as substâncias que estão acumuladas no sangue como
ureia, creatinina e potássio sejam removidas, bem como o excesso de líquido que
não está sendo eliminado pelo rim e depois drenada, através de um cateter (tubo
flexível biocompatível) (SBN, 2020; PEDROSO et al.; 2018; DAUGIRDAS; BLAKE;
ING, 2008).

Existem duas modalidades desta diálise, sendo a Diálise Peritoneal


Ambulatorial Contínua (DPAC) e a Diálise Peritoneal Automatizada (DPA). Ambas
podem e ser realizadas de forma domiciliar pela equipe de enfermagem, ou em
maioria das vezes pelos familiares ou pelo próprio paciente ( PEDROSA et al.; 2018;
TORREÃO; SOUZA; AGUIAR, 2011; CESAR et al., 2013; SBN, 2020).

Figura 4 - Diálise peritoneal

FONTE: Manual Merck, 2020. Disponível em: http://www.manualmerck.net/images/p_628.gif


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A DPAC é feita de manual pelo paciente e/ou familiar. Podem ser realizadas 4
trocas/dia (manhã, almoço, tarde, noite), por um período aproximado de 30 minutos,
após a terapia o usuário fica livre das bolsas (SBN, 2020; Pecoits-Filho et al., 1998).
Figura 5 – Diálise peritoneal Ambulatorial Contínua

Fonte: Cartilha dos Pacientes Renais, 2011. Disponível em:


http://www.ccns.com.br/cartilha/?cat=3

Na DPA é realizada diariamente, normalmente no período noturno, em domicílio,


fazendo uso de uma máquina cicladora, que infunde e drena o líquido, fazendo as trocas
do líquido, extraindo as toxinas.Tem duração aproximada de 8h. O paciente e/ou familiar
conectam a maquina cicladora ao paciente, e a mesma executa automaticamente,
conforme a prescrição médica (SBN, 2020).

Figura 6 – Dialise Peritoneal Automatizada

Fonte: MedLab, 2016. Disponível em: http://www.medlabprudente.com.br/noticias/dialise-em-casa-e-


durante-o-sono-devolvendo-qualidade-de-vida-ao-paciente-renal/
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Apesar de todas essas vantagens, a DP pode representar riscos para o


paciente caso não sejam respeitados alguns requisitos indispensáveis ao sucesso
da mesma, como condições minimamente adequadas de moradia, antissepsia do
ambiente reservado à DP, motivação e domínio da técnica por parte dos familiares
que são responsáveis ou ajudam no processo, dentre outros (PEDROSO et al.;
2018; TORREÃO; SOUZA; AGUIAR, 2011; TAVARES; LISBOA, 2015; TAVARES et
al.; 2016).
O enfermeiro, considerando sua formação para o cuidado, é um dos
elementos que atuam de modo mais constante e mais próximo dos pacientes é este
profissional, que através da assistência, deve planejar intervenções educativas junto
aos pacientes e familiares, de acordo com avaliação que realiza, numa tentativa de
ajudá-los a reaprender a viver nessa realidade que se encontra (CESARIANO;
CASAGRANDE, 1998; CARDOSO et al., 2015; PEDROSO et al., 2018)

3.3 O enfermeiro na capacitação em diálise peritoneal paciente/familiar

Para realizar a diálise peritoneal no domicilio é necessário que familiares e, se


possível o paciente façam uma capacitação, ministrada por enfermeiros. A
capacitação consiste em aulas teóricas e práticas, que tem como objetivo qualificar o
paciente e seus familiares para realizarem o procedimento técnico no domicilio com
segurança (CENSODEMOGRAFICO, 2010).
Há um perfil básico do paciente com maior probabilidade de sucesso em DP,
no qual se inclui a capacidade de compreender os conceitos básicos da técnica,
disciplina para executar tarefas em horários rígidos e de maneira automatizada,
executar as trocas de bolsas pessoalmente, família participativa, condições
domiciliares mínimas facilidade de comunicação e locomoção para a unidade (TIMM
et al.; 2015).

O enfermeiro desempenha um papel fundamental nesse processo,


considerando que ele é responsável por receber o usuário e familiares, por fornecer
a base de cuidados para que o usuário possa para continuar a terapia em casa.
Além disso, a enfermeira também planeja e desenvolve ações voltadas ao
autocuidado, resolvendo possíveis complicações relacionadas ao PD (TORREÃO;
SOUZA; AGUIAR, 2011).
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A educação do paciente renal é um compromisso do enfermeiro (RIBEIRO;


ANDRADE, 2018).

Nesse contexto, o enfermeiro desempenha uma função de extrema


importância no processo de cuidar desse usuário, principalmente durante o
treinamento, e quando necessário, também treinando o membro da família. Estudos
indicam que esse treinamento precisa ser planejado mesmo no ambulatorial da
doença renal crônica que, de acordo com para eles, contribui para a redução da
peritonite, que é maior agravamento dessa terapia (ABREU et al., 2011; SANTOS;
VALADARES, 2011).

Entre as ações que precedem as atividades de treinamento de usuário e


família, é ideal para o enfermeiro construir um roteiro que contemple os aspectos
clínicos, sociais, psicológicos aspectos espirituais e do usuário, suas relações
familiares, condições socioeconômicas e habitacionais, que auxiliam na a coleta de
informações para conhecer as dificuldades e potencialidades resultantes desse
tratamento (TORREÃO; SOUZA; AGUIAR, 2011).

Nesse sentido, a importância dos detalhes teóricos do treinamento promovido


pelo enfermeiro ao usuário ou família cuidador, com o uso de materiais explicativos,
atividades e retorna para avaliar a técnica correta realizada pelo familiar ou usuário.
(RIBEIRO;ANDRADE, 2018). Diante desse contexto, uma pesquisa enfatiza que a
criação de vínculos do enfermeiro com o usuário e família, visam compreender as
dificuldades no conhecimento e adesão ao tratamento. Mas eles também apontam
que estes são fundamentais no combate à alta prevalência de peritonite
(PENNAFORT; QUEIROZ, 2011).

Corroborando com essa ideia, um estudo realizado com 09 usuários em


diálise peritoneal em um hospital universitário da cidade do Rio de Janeiro mostra
que a realização de grupos ajuda a lidar com o compartilhamento de experiências e
experiências entre os usuários e o enfermeiro (TAVARES; LISBOA, 2015). Assim,
é entendeu que esse convívio é capaz de contribuir para a redução da incidência de
peritonite e os conflitos prática em casa, pois há troca de experiências entre os
usuários (PEDROSO et al,. 2018).
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Seguindo a mesma lógica, diferentes estudos enfatizam a necessidade de os


enfermeiros realizarem uma avaliação da autocuidado, para identificar as condições
de moradia através de visitas domiciliares e a formulação de um roteiro, bem como
uma família análise com aspectos de interação, integridade e enfrentamento, dado
que as relações familiares aqui avaliadas têm um impacto na realização e eficácia
da terapia (TORREÃO, SOUZA, AGUIAR, 2011; SANTOS; VALADARES, 2011;
CENSODEMOGRAFICO2010, 2013).

Os cuidados de enfermagem para os pacientes em tratamento dialítico


domiciliar iniciam com a visita e avaliação do ambiente da casa pelo enfermeiro,
onde sugere as modificações necessárias para acomodar o equipamento e as
instalações exigidas para realizar efetivamente a diálise. A visita domiciliar em diálise
peritoneal continua é uma exigência da portaria do Ministério da saúde (MS),
portaria 3.998/98, em que os profissionais de saúde vão avaliar a possibilidade de
liberação desse tipo de tratamento no âmbito domiciliar (RIBEIRO; ANDRADE, 2018;
ROSO et al., 2013).

Na relação entre o enfermeiro e o cuidador familiar é imprescindível um


espaço de educação instrumentalizado por saberes e técnicas, onde permeia a
proximidade física, a criatividade e o respeito pelos costumes e culturas da família
para assumir os cuidados da diálise no domicilio (SCATOLIN et al., 2012) .
Cabe ao profissional de saúde esclarecer e orientar a família sobre o
tratamento e a necessidade de um responsável pela realização da diálise peritoneal,
quando o paciente não tem condições de assumir essa função. Assim, é necessário
que o responsável receba capacitação para aplicação da técnica de diálise
peritoneal de forma segura e sem riscos para o paciente. Além disso, o momento da
capacitação é importante para fortalecer o vínculo do paciente e da família com o
serviço e a equipe de saúde envolvida (TAVARES; LISBOA, 2015).
As ações da enfermeira em relação ao treinamento dos membros da família e
dos usuários em diálise peritoneal Definida como modalidade terapêutica, a DP foi
realizada em casa exige que o usuário e os membros da família possam realizar os
cuidados necessários à prática terapêutica. Enfatiza que, durante o período de
treinamento, o enfermeiro desenvolve ações como a abordagem do usuário ao
tratamento renal serviço de terapia de reposição através de uma visita guiada ao
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unidade, a avaliação das habilidades cognitivas dos pacientes crônicos paciente


renal ou seu membro da família, a oferta de treinamento para realizar terapia
domiciliar e simulação de intercorrências, acompanhamento do usuário até o centro
cirúrgico para a implantação do cateter abdominal e periodicidade visitas
domiciliares para acompanhamento do paciente (TORREÃO; SOUZA; AGUIAR,
2011; SANTOS; VALADARES, 2011).
Ao usar essa linha de pensamento, é importante lembrar que, além de realizar
ações de assistência educacional, para serem observados em casa, os enfermeiros
precisam fornecer uma acolhedor. Nesse sentido, os resultados de um estudo
realizado por 8 pacientes em diálise peritoneal em um hospital universitário da
cidade do Rio de Janeiro mostrou a necessidade de recepção e treinamento para o
usuário e a família a serem realizados em um maneira dinâmica, interativa e
integrada (SANTOS; VALADARES, 2015).
A família também participa do cuidado ao cliente renal, por isso é necessário
que o enfermeiro avalie a família, os aspectos de interação, integridade, saúde,
enfrentamento e desenvolvimento, pois podem afetar a saúde do indivíduo e os
resultados de intervenções. Os membros da família estão em interação contínua e
influenciam as decisões em relação ao cuidado. O estudo da família propicia um
exame mais detalhado da relação entre pessoa doente e pessoa sadia, o que pode
ser considerado ponto crucial no controle e supervisão da doença crônica
(PEDROSO et al., 2019; RIBEIRO; ANDRADE, 2018) .
A análise dos artigos deste trabalho permite identificando a possibilidade de
usar, durante o treinamento ações, a estratégia dos grupos de suporte ao usuário
durante o período peritoneal diálise. Essa interação com pessoas que têm o mesmo
problemas e as mesmas restrições podem facilitar o processo adesão ao
treinamento oferecido pelo enfermeiro para que o o usuário pode realizar a terapia
renal substitutiva em casa (SANTOS VALADARES, 2012; RIBEIRO; ANDRADE,
2018).
Com base no exposto, pode-se inferir que as ações de treinamento quando
exercido de forma inter-relacionada, interativa dinâmica e dinâmica pelos
enfermeiros com os usuários e seus familiares, representam a possibilidade de
promover autonomia do usuário, práticas de cuidado mais produtivas e seguras e
maior eficácia na manutenção do tratamento em casa ambiente, bem como alcançar
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maior aderência por parte do tratamento de diálise substitutivo (PEDROSO et al.;


2018).
No momento do diagnóstico da DRC, o enfermeiro auxilia na escolhendo o
método e liderando o cliente em uma visita guiada para a unidade, a fim de se
familiarizar com os diferentes modalidades terapêuticas (TORREÃO; SOUZA;
AGUIAR, 2011).
Posteriormente esse profissional avalia o potencial do usuário e da família
para o sucesso do método escolhido. Ao optar pela peritoneal diálise, o usuário
receberá do enfermeiro o treinamento sessões para realizar a terapia em casa, onde
o hospital a alta ocorre apenas quando o usuário é capaz de executar ações de
autocuidado em relação ao DP. Entre os resultados encontrados, a negação é um
importante obstáculo ao processo terapêutico do cliente com doença crônica
doenca renal. Dessa forma, a contribuição do enfermeiro na a continuidade da
terapia dialítica começa pelo acolhimento, depois fornecendo suporte durante o
período de reconhecimento e aceitação da doença e tratamento. Corroborando
Nessa ideia, diferentes autores afirmam que algumas atitudes de esse profissional
pode contribuir para o fortalecimento da indivíduo no momento delicado em que
recebe o diagnóstico e indicação da diálise peritoneal (SANTOS; VALADARES,
2015; TAVARES; LISBOA, 2015).
É essencial que a linguagem seja acessíveis, bem como as atividades
técnicas e de assistência que promovem tratamento dialítico eficiente, são
contribuições do enfermeiro na manutenção da terapia, que promove a melhoria da
qualidade de vida do usuário (PEDROSO et al., 2018).

4 CONCLUSÃO
Infere-se que a função educativa do enfermeiro tem um papel indispensável
significado no cuidado humanizado e de maneira sistemática para o usuário em
diálise peritoneal. Esse profissional é importante neste processo, porque ele pode
acompanhar e influenciar a aspectos físicos, biológicos e emocionais vivenciados
por indivíduo durante o período de tratamento.
As contribuições do enfermeiro para o paciente submetido à diálise peritoneal
precisam ir além das técnicas de assistência. Envolve apoio, compreensão e
17

encorajamento, para apreender esse indivíduo em sua totalidade, ajudando-o a


adaptar e lidar com o novo modo de vida.
Vale ressaltar que as contribuições do enfermeiro vão além do paciente
inserem-se em sua família, a qualidade de vida e melhora do bem estar geral
Conclui-se que o enfermeiro pode contribuir com intervenções preventivas e
educativas, ao ponto de sensibilizar os pacientes sobre a importância da
conscientização referente ao autocuidado, e aos seus familiares e cuidados, no que
tange a adesão ao tratamento de forma adequada e ainda, aderir um as estratégias
abordadas durantes as rodas de conversas que serão realizadas. Conclui-se ainda,
que a educação em saúde pode despertar no paciente de DRC o interesse em
partilhar suas experiências referente a patologia em questão, o que poderá
influenciar na melhora do enfrentamento cotidiano e ainda contribuir no processo de
enfrentamento de outros pacientes que vivenciam o mesmo cenário patológico e
assim, obterão sucesso no autocuidado.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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