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MODULAÇÕES DA LIDERANÇA NA PÓS-MODERNIDADE: A FIGURA DO LÍDER

GUSTAVO COSTA TORRES - 1


LUCIANO PALHARI DOS SANTOS - 2

RESUMO

A liderança é um ofício altamente presente nos mais diversos níveis organizacionais,


seus conceitos são estudados e aplicados ao longo dos anos visando os objetivos
específicos das corporações e seus valores. O mundo pós-moderno é caracterizado
por grandes mudanças relacionais e filosóficas, a maneira pela qual a sociedade se
relaciona com os negócios, a cultura, a política, a família estão inteiramente ligadas
à tais revoluções. As demandas corporativas exigem uma liderança sólida e capaz
de promover resultados positivos e soluções inteligentes à longo prazo. Desse
modo, os estilos de liderança aplicados são determinantes no atendimento de tais
demandas. As configurações arcaicas de liderança e o gerenciamento de pessoas
modernas é o paradoxo enfrentado pelo mundo corporativo da atualidade. Modelos
de liderança baseados em inteligência emocional têm ganhado destaque na solução
de problemáticas como: desmotivação, estresse, rupturas operacionais,
inconstâncias e perdas em geral.

Palavras-chave: Gestão de Pessoas. Estilos de Liderança. Inteligência Emocional.


Gerenciamento.

GUSTAVO COSTA TORRES. Pós-graduando em Gestão Estratégica de Pessoas pelo Centro


1

Universitário Cesumar – UniCesumar. Graduada em Administração pelas Faculdade Integradas de


Três Lagoas – FITL.

Graduado em Ciências da Computação pelo Centro Universitário de Ingá. MBA em Gestão em


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Tecnologia da Informação pela Universidade Norte do Paraná – UNOPAR.


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1 INTRODUÇÃO

Os ambientes organizacionais são constituídos por diversos fatores que


influenciam diretamente ou indiretamente a sua funcionalidade. De maneira que, a
liderança exerce um papel fundamental na dinâmica operacional a partir de ideias e
valores constituídos em razão de inúmeros objetivos (SOUZA, 2011). A liderança é
responsável por conduzir ações ou exercer influência no comportamento de um
grupo de pessoas; sendo desenvolvida de diferentes maneiras, visto que a cultura
das organizações varia ao longo dos anos (SAMPAIO, 2007). O conceito clássico
de liderança tem sido classificado em três tipos: autocrática, democrática e liberal;
sendo que as implicações de cada modelo são de suma importância na avaliação
de suas funcionalidades (KETS DE VRIES, 1996; ALVES, 2012).
Na pós-modernidade, a liderança é entendida e exercida sob diversas
perspectivas, sendo que o paradoxo comumente enfrentado pelos líderes atuais
consiste no emprego de teorias arcaicas para o gerenciamento de pessoas
modernas. Tal paradoxo acarreta situações de grande estresse, rupturas
operacionais e perdas diretas (MOREIRA; MOREIRA; SP, 2012). Sendo assim, as
modulações atuais de liderança encontram-se em grande parte orientadas aos
aspectos singulares de cada indivíduo, desdobrando-se para além da produção de
mercadorias e desenvolvendo-se para a performance humana abstrata. Por fim, a
era da revolução digital tem proporcionado inúmeros avanços no campo da gestão
de pessoas, ao passo que torna evidente as necessidades da economia atual em
relação aos trabalhadores, promovendo também a síntese de ferramentas e
competências pessoais de líderes e liderados (MAXWELL, 2007; QUEIROZ, 2012).
Portanto, o presente trabalho tem por objetivo analisar a necessidade e os
impactos do desenvolvimento da liderança nas corporações, delimitando seus
conceitos e desdobramentos; apresentar e analisar o posicionamento de líderes em
relação aos seus subordinados, sintetizando suas projeções e padrões de atuação
orientados a transformações e resultados operacionais. Logo, buscou-se definir
autores e publicações relevantes, identificar variações e evoluções de pesquisas
alusivas ao tema ao longo dos anos. Conforme Littell et al. (2008), o estudo
organiza-se em processos transparentes e replicáveis, sendo direcionado em três
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etapas: delineação da revisão, orientação da revisão e disseminação dos resultados


(TRANFIELD et al., 2003).

Figura 1. Fluxograma das etapas da pesquisa.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Na delineação da revisão considerou-se uma pesquisa de caráter


exploratório, orientada em construtos que demonstrassem clareza de pesquisa no
campo da gestão estratégica de pessoas a fim de se obter uma amostra para um
entendimento inicial do tema. Rowley e Slack (2004) consideram a seleção de
artigos de periódicos científicos por meio do uso de data bases on-line uma
importante ferramenta para apuração, então na segunda etapa, os artigos obtidos
limitaram-se aos bancos de dados como Scielo Eletronic Library Online (SciELO),
Nacional Center for Biotechnology Information (NCBI), Google Scholar e
repositórios como o SciHub, pesquisados até o ano de 2019 e os artigos publicados
antes de 1980 foram considerados de baixo conhecimento científico, os filtros
determinados excluíram assim qualquer informação resultante de literatura cinzenta
(TRANFIELD et al., 2003).
Foram selecionados artigos considerando a sua congruência com a proposta
de estudo para a delimitação dos dados, obtendo-se assim uma amostra definitiva e
com alta especificidade literária. Na última etapa, a disseminação dos resultados é
apresentada em forma de monografia, representada pelo presente trabalho
(CARVALHO et al., 2013).
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2 A LIDERANÇA PÓS-MODERNA

A grande pragmática do período pós-moderno está pautada no poder, na


geração de resultados rápidos e na eficiência produtiva. Com isso, a luta pelo
domínio de informações torna-se mais evidente e o extrativismo global constitui-se a
via satisfatória correspondente ao domínio de grandes territórios. O estrategismo
pautado de maneira subjetiva pelo poder reflete a liberdade desta relação moderna
da sociedade e seus ideais de sucesso (FERRAZ, 2015; BAUMAN, 1998). A
condução contemporânea de tal poder está associada ao exercício de governo,
materializado em diversas vias ao longo das décadas. O deslocamento dos ideais de
soberania, autoridade e liderança através dos movimentos históricos são
responsáveis pelas diversas cosmovisões sociais e corporativas aplicadas
atualmente (NEGRI; HARDT, 2014; IANNI, 2003).
As modulações de tais visões abandonam a hegemonia e a massificação,
concentrando-se no estabelecimento de figuras de governo através de mobilizações
sociais gerais. Tais figuras exercem efetivamente o papel de liderança, sendo
desenvolvidas de maneira cooperativa por meio de determinados elementos e
processos, sintetizando culturas organizacionais de impacto intencional e de estado
ideal (CHIAVENATO, 1999; PLATÃO, 1997).
A priori, a liderança na pós-modernidade ocorre fundamentalmente pela
geração de seguidores e estende-se para além dos mecanismos orgânicos. Pois, as
demandas do mundo corporativista contemporâneo tangem questões de cunho
pessoal e interpessoal, acarretando a necessidade de líderes interessados
singularmente em particularidades de seus liderados e ainda, de maneira geral
capazes de entender também o coletivo (CORTELLA; MUSSAK, 2009; MAIA, 2016).

2.1 MODULAÇÕES DA LIDERANÇA NA PÓS-MODERNIDADE E SEUS IMPACTOS

A liderança é um conceito muito estudado em diversos campos do


conhecimento, e em suma é considerada uma posição de influência
espontaneamente reconhecida e defendida pelo coletivo. No cenário das
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corporações, o líder é responsável pela tomada de decisões nos mais diversos


processos administrativos e operacionais, sendo capaz de reduzir inseguranças e
promover o bem comum de todos os liderados (NORTHOUSE, 2004; MAIA, 2016).
A fluidez de um líder no ambiente organizacional tem se tornado
imprescindível à medida que a competitividade do mercado se eleva, uma liderança
eficaz capaz de compartilhar e promover conhecimento, valores, metas e objetivos é
constantemente discutida a fim de se construir solidez, além de resultados positivos
e sustentáveis à longo prazo. Logo, o capital humano torna-se um fator determinante
para o sucesso dos negócios, pois uma liderança delimitada apenas pelo foco em
tarefas e orientação de pessoas não é capaz de produzir indicadores sólidos de
transformação ou motivação nas corporações. Dessa maneira, o líder do século XXI
deve ser dotado de capacidades interpessoais que promovam o crescimento
profissional e pessoal de seus liderados, sendo assim, tais aspectos moldam os
estilos de liderança atuais e conduzem teorias diversas a respeito dos atributos e
competências de um líder (STOREY, 2004; YAMAFUKO,2015).
Os estilos de liderança aplicados na pós-modernidade estabelecem
exigências à figura do líder, de maneira que este possua uma estrutura de
competências necessárias às demandas do mundo moderno. Os modelos de
liderança comumente desenvolvidos são aqueles que promovem transformações,
confiança, cultura organizacional, aprendizagem, cooperação e comunicação. Tais
modulações englobam fatores comuns e desdobram-se a partir de suas evoluções;
todas estas determinadas à construção de um perfil de liderança eficaz. A liderança
carismática, por exemplo, evidencia competências emocionais de aspectos pessoais
e comportamentais, como: integridade moral, domínio próprio e autoconfiança; ao
passo que busca disseminar ideais de integração relacional dos liderados. Já a
liderança transacional parte do pressuposto da junção de competências emocionais,
com foco no cumprimento de metas específicas para o alcance de resultados em
curto prazo. A liderança transformacional, por sua vez, é desenvolvida à longo
prazo; realizando orientações singulares para cada liderado a fim de garantir o
desenvolvimento da equipe de maneira autônoma (MAIA, 2016; BURNS, 1978;
FREIFELD, 2013; HRITZ, 2008). Por fim, tais modelos de liderança implicam
mudanças organizacionais, de maneira que, na ausência de liderança na corporação
não há a obtenção de resultados satisfatórios (HAO, 2015; MAIA, 2016).
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2.2 COMPETÊNCIAS DA LIDERANÇA PÓS-MODERNA

Visto que a liderança é um conceito muito abordado por diversos autores,


possuindo teorias de cunhos distintos e a percepção da figura do líder é apresentada
em diversos aspectos, para melhor compreensão das definições elaborou-se uma
tabela contendo uma síntese das diversas modulações de liderança citadas
anteriormente. Tal síntese tem por finalidade facilitar a construção do perfil de
competências da figura de liderança.

COMPETÊNCIAS DA LIDERANÇA PÓS-MODERNA


O líder deve ser dotado de carisma, ser capaz de motivar seus liderados, ser
confiável, possuir senso de responsabilidade e de proporção. Exercer a justiça com
integridade, dominar a comunicação, promover a criatividade e visão.
A liderança não deverá ser encarada apenas como um cargo, sendo o líder aquele
que está a frente dos interesses de seu grupo através de escolha coletiva. A
promoção de transformações e construção de ideais, bem como o desenvolvimento
e aplicação das mesmas são de total responsabilidade da figura de liderança.
Tabela 1. Competências da liderança pós-moderna. Fonte: Elaborado pelo autor.

2.3 LIDERANÇA RESSONANTE E LIDERANÇA DISSONANTE

A liderança é um fator determinante em qualquer negócio, sendo desenvolvida


nos mais diversos níveis da organização. Os estilos de liderança atuais configuram-
se pelo abandono do conceito clássico de liderança e abordam padrões de gestão
baseados em inteligência emocional e social; autogestão e gerenciamento de
relacionamentos. Dentro destes padrões, encontram-se dois estilos de liderança
presentes nas corporações: a liderança ressonante e a liderança dissonante
(SCHEIN, 2010; MAIA, 2016).
A liderança ressonante caracteriza-se por um análogo humano à ressonância
sonora, mais especificamente a “vibração síncrona”. O prolongamento desta
vibração ocorre por reflexão, ao passo que uma liderança ressonante ocorre pela
sincronia das relações humanas. As evidências de um líder ressonante são o
entusiasmo e otimismo de seus seguidores; onde a unidade existente entre tais
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figuras é mediada pelas suas próprias emoções. A inteligência emocional


estabelecida pelo líder é capaz de gerar um ambiente de profunda consideração
entre os indivíduos, cooperação e cuidado. Além de que tais vínculos ajudam a
manter os focos estabelecidos, a aprendizagem contínua e o principal: é
eficazmente capaz de construir e promover um ambiente de trabalho que possui um
significado intrínseco para cada um de seus integrantes (DRUCKER, 1986; SMITH,
2016; MAIA, 2016; GOLEMAN, 2002).
Por outro lado, líderes que não são capazes de estabelecer vínculos emocionais
com seus liderados obtém resultados minimamente satisfatório no ambiente
corporativo. A abordagem altamente racionalizada da figura de liderança tende a
gerar um afastamento de sua equipe, tal estilo de liderança é chamado de liderança
dissonante. Em termos gerais, a dissonância é definida pela ausência de harmonia,
ou seja, desconexão. Logo, uma liderança dissonante produz equipes
desconectadas emocionalmente, discordantes e altamente insatisfeitas; os efeitos
de integrar equipes que possuem um líder dissonante é considerado
prolongadamente tóxico (DRUCKER, 1986; SMITH, 2016; GOLEMAN, 2002).

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho observou e analisou o desenvolvimento e variações da


liderança ao longo dos anos, assim como a figura de um líder eficaz. Conclui-se, por
fim, que as implicações de determinados tipos de liderança produzem resultados
positivo e negativos, considerando sua abordagem. As demandas do mundo
moderno, ao contrário do que se entende a partir do imediatismo social é
essencialmente delimitada pelas conexões humanas e vínculos emocionais
inteligentes. Portanto, considera-se primordial a figura de um líder capaz de exercer
sua vocação de maneira comprometida e orientada ao bem comum de suas
equipes.

REFERÊNCIAS

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