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Instituto Superior de Ciências e Educação à Distância

CENTRO DE RECURSOS DE CHIMOIO


2º ano 2019
1. O estudante:

Nome: Calton Cabral Bento. Cell 849010590

Curso: Direito Código do Estudante: 51180027

Ano de Frequência: 2o ANO/2019

2. O trabalho
Trabalho de: Direito Ambiental e do Urbanismo Código da Discíplina: ISCED22-CJURFE016

Tutor: Nº de Páginas: 17

Data da Entrega: 20 de Outubro de


Registo de
2019
Recepção por:

3. A correcção:

Corrigido por:

Cotação (0 – 20):

4. Feedback do Tutor:
Calton Cabral Bento

Tema: Problemas Ambientais em Moçambique

Trabalho de Pesquisa de: Direito


Ambiental e do Urbanismo

Curso de: Direito, Ano de frequência:


2º ano

Junho/2019

Instituto Superior de Ciências e Educação à Distância


Índice
2. Introdução ........................................................................................................................................... 4
Aspectos Geo-políticos ........................................................................................................................... 5
3. Principais problemas ambientes que contribuem para a degradação dos recursos Naturais ........... 6
3. Queimadas .......................................................................................................................................... 6
3.1. causas das queimadas descontroladas ............................................................................................ 6
3.2. Consequências das queimadas descontroladas............................................................................... 7
4. Poluição ............................................................................................................................................... 7
4.1. Tipos de poluição: ............................................................................................................................ 8
5. Erosão ................................................................................................................................................. 8
5.1.Tipos de erosão ................................................................................................................................. 9
5.1.2 Erosão causada pela retirada da mata ciliar nas proximidades de um rio .................................. 10
5.1.3.Formação erosiva em ravina, causada pela lavagem da terra pelas chuvas ............................... 10
6.Desflorestamento.............................................................................................................................. 10
6.1. Causas do desflorestamento......................................................................................................... 10
6.2.Consequências do Desflorestamento ............................................................................................ 11
7. Indústria ............................................................................................................................................ 12
8. Mineração ......................................................................................................................................... 14
9. Atividades industriais. ....................................................................................................................... 15
9.1. Saúde.............................................................................................................................................. 15
9.2. Saneamento ................................................................................................................................... 15
10. Conclusão ........................................................................................................................................ 16
11. Referencias Bibliográficas ............................................................................................................... 17
2. Introdução

Moçambique está situado na África Sub-Sahariana, entre as coordenadas 10º 20’ e 26º 50’ de
Latitude Sul e 35º 00 ’Longitude, ocupando uma área de 801.590 km2, dos quais 2,2% é
composta por água e 784 090 km2 por terra (Cumbane, 2004). Localizado no Sudeste da costa
do continente Africano, banhado pelo oceano índico, entre a Tanzânia e a República da África
do Sul, é limitado pelo Malaui, Zâmbia, Zimbabue e Suazilândia. O país é dividido em 11
províncias, incluindo a capital e 147 distritos (FERRINHO; OMAR, 2004).

Na maior parte do país, o clima varia entre tropical húmido e subhúmido a sub-tropical com o
período quente e chuvoso nos meses de novembro a março com temperaturas médias mensais
entre 27ºC a 29ºC e nos demais meses do ano com temperaturas médias mensais entre 18 a
20ºC (Encyclopedia of the Nations, 2008a).

O país é rico em recursos naturais renováveis, de grande importância econômica tais como
águas, fauna, florestas e pescas. A pressão sobre os recursos naturais dada a elevada
dependência das populações à utilização dos recursos naturais é um fenômeno que acontece em
Moçambique bem como em países vizinhos (CHONGUIÇA & KATERERE, 2003).

Os problemas ambientais chave incluem a migração de populações observada durante a guerra


para zonas onde o principal recurso, isto é, terra segura fosse escassa, e também durante o
período da guerra o abate indiscriminado da fauna, tráfico de marfim e exploração de outros
bens de alto valor comercial (MOYO et al., 1993).

De acordo com Moyo et al. (1993) e Cumbane (2003), os problemas ambientais em


Moçambique, embora localmente relevantes em sítios específicos, não são significativos a nível
nacional e incluem a pressão populacional sobre os recursos, cultivo excessivo em certas áreas,
sobrepastoreio, exploração excessiva de pesca, conflito entre pastores e agricultores, erosão,
seca devido à massiva degradação do solo, desmatamento, baixa qualidade de água, poluição
transfronteiriça poluição industrial.

Reconhecendo a importância da preservação do ambiente, o

Programa do Governo “Plano de Ação para a Redução da Pobreza” (PARPA, 2004) dedica um
papel proeminente ao ambiente onde a agricultura, turismo e águas são identificados como
áreas ambientais prioritárias no desenvolvimento de diversos setores.
Aspectos Geo-políticos

Durante mais de 16 anos Moçambique foi abalado por uma guerra civil que terminou em
1992. Esta situação, aliada às condições geográfico-climáticas com observância de fatores
adversos tais como secas periódicas severas no sul do país e cheias principalmente ao Norte,
mas também atingindo zonas normalmente afetadas por secas (MICOA 1998), fez com que as
Nações Unidas no seu relatório de 1992 sobre Moçambique, considerar o Ser Humano a
espécie mais ameaçada no país (Encyclopedia of the Nations, 2008b).
O exôdo rural, trouxe pressão sobre a utilização dos recursos naturais e consequências
nefastas para o ambiente (MOYO et. al. 1993; KRUGMANN & JUERGENSEN, 1997) e
sua degradação, incluindo a desertificação, poluição das águas superficiais e costeiras.
Segundo a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), os recursos naturais,
na sua totalidade em Moçambique, são propriedade do Estado, determinando as condições
do seu uso. A Lei da Terra, datada de 1979, é a principal legislação que governa o manejo
dos recursos naturais em relação à conservação da terra, solos e áreas marinhas, de modo
que o usuário se obriga a adotar medidas para sua conservação.
3. Principais problemas ambientes que contribuem para a degradação dos recursos
Naturais

3. Queimadas

Queimada é acto de usar fogo para limpar restos de cultura, área de pasto, canavial e mais, esta
pode ser controlada e descontrolada. Queimada controlada é aquela que obedece as regras e
técnicas apropriadas de controlo da propagação do fogo , dirrecçao do vento e muitas vezes
feita através de quebra-fogos ou aceiros. Queimada descontrolada é o acto que consiste em
colocar o fogo na mata por negligencia ou acidentalmente sem nenhum controlo, resultando
em grandes prejuízos económicos sociais e sobre o ambiente.

As queimadas descontroladas são um dos problemas ambientais graves no pais.

Elas devem-se a factores como a necessidade de sobrevivência, negligencia e a causas naturais.


Cerca de 90 % dos casos devem-se à accao humana. As consequências e impactos negativos
das queimadas descontroladas são preocupação nacional. São responsáveis pela degradação de
pelo menos 25 a 40 milhoes de hectares de terras anualmente; pela perda de muitos bens das
comunidades incluindo perdas de vidas humanas.

3.1. causas das queimadas descontroladas

Antropogénicas

 Limpezas de campos agrícolas;


 Abertura de caminhos;
 Caca (animais de grande e pequeno porte);
 Colheita de mel;
 Produccao do carvao;
 Controlo de pragas e doenças;
 Conflitos sociais;
 Afugentamento de animais ferozs;
 Negligencia (lançamento de beatas de cigarros, camionistas deixam lareiras na beira
das estradas).
Natutrais

 Faiscas de trovoadas;

3.2. Consequências das queimadas descontroladas

 Destruicao de infra-estruturas (residências, igrejas, esoclas, hospitais, mercados, etc.);


 Perda de vidas humanas e de animais;
 Alteração e/ou destruição do ecossistemas;
 Perda ou redução do habitat das espécies bravias;
 Perda do valor estético da paisagem e redução da cobertura de infiltração, redução da
fertilidade do solo, destruição dos solos (erosão, redução da capacidade de infiltração.

4. Poluição

Poluição é definido pelo legislador ambiental como a deposição no ambiente de substâncias ou


resíduos, independentemente da sua forma, bem como a emissão de luz, som e outras formas
de energia, de tal modo e em quantidade tal que o afecta negativamente. Artigo 1º nº 21.
Assim poluição decorre da introdução, directa ou indirecta, de substâncias poluentes no meio
ambiente que, ao atingir determinado volume de concentração, começam progressivamente a
destrui-lo ou degradá-lo.

Este é um problema de carácter fundamental, que atinge a todos, é algo que faz parte da rotina,
que incomoda e afecta, muitas vezes sem termos consciência disso. Ex. Ruído urbano; água
não potável por causa da acção humana; qualidade do ar; lixo espalhado pelas vilas e cidades.
Este é um problema global da máquina do planeta, e faz levantar a questão de como diminuir
substancialmente os efeitos da poluição junto do meio ambiente e dos seres humanos, por forma
a não comprometer a subsistência do Homem e de qualquer outra forma e vida. Claro que é
impossível ou pelo menos muito inviável reduzir a poluição ao chamado grau zero, pois quase
todas as actividades humanas pressupõem danos no meio ambiente. O que se pretende é reduzir
os índices de poluição a níveis sustentáveis ou toleráveis, capazes de permitir a auto-
regeneração dos diversos componentes ambientais. É importante implementar a educação e
sensibilização ambientais.
4.1. Tipos de poluição:

Poluição dos solos

 Poluição das águas interiores

 Poluição marítima

 Poluição atmosférica

 Poluição sonora

É necessário inverter de uma vez por todas o actual estado das coisas, devemos procurar
modificar radicalmente a nossa conduta para com o ambiente e os recursos naturais, e um dos
caminhos passa
necessariamente pela educação e sensibilização ambiental. A responsabilidade na conservação
e protecção do nosso Planeta cabe individual e colectivamente a cada um de nós. O ambiente
é um bem comum a humanidade. O esforço para diminuir os níveis de poluição em todo o
mundo depende, de cada um de nós. E esse esforço começa através da educação e pela limpeza
da nossa própria casa, nossa rua, nosso bairro, nossa cidade e nosso país. A limpeza do
ambiente em que vivemos é a garantia que as próximas gerações continuarão tendo uma casa
limpa para habitar, o planeta Terra.

A principal legislação que regula questões da poluição do ar é a Lei Ambiental, a avaliação do


Impacto Ambiental e Regulamentar de Saúde e Segurança, outras leis em preparação incluem
os Padrões Industriais e Ambientais de Emissão e o Regulamento de Auditoria e Inspeção
Ambiental (MORGADO, 2003).

5. Erosão

A Erosão é um processo de transformação dos solos oriundo das ações dos agentes externos ou
exógenos que consiste no desgaste na superfície terrestre, prosseguido pelo transporte e
deposição de sedimentos. Trata-se de um procedimento natural, entretanto, a ação humana
contribui para a sua intensificação.
O processo descontrolado de erosão traz grandes prejuízos para o meio ambiente, pois atua no
desgaste do solo, dificulta a manutenção de espécies de animais e vegetais, além de atrapalhar
as atividades humanas.

As erosões possuem vários estágios, dependendo do nível de profundidade e da gravidade de


sua ocorrência. Geralmente, elas se iniciam com o processo de lavagem superficial dos solos,
também chamado de lixiviação ou erosão laminar; depois, elas se intensificam com o processo
de ação das chuvas e dos ventos, surgindo alguns buracos e “linhas” marcadas sobre a terra, as
erosões em sulcos ou sulcos erosivos.

Quando os agentes modeladores continuam atuando na intensificação desse processo, ocorre a


formação de ravinas (erosões mais profundas) e voçorocas (quando a erosão atinge o lençol
freático ou é extremamente profunda).

Entre as ações humanas que causam a formação de processos erosivos destaca-se a retirada das
vegetações, que exercem a função de conter a força das águas e dos ventos (atuando como uma
espécie de obstáculo) e ajudam a manter a firmeza do solo, através de suas raízes.

No meio urbano, as erosões acontecem em razão da falta de planejamento, com a formação de


ruas que ocupam verticalmente toda uma vertente, por exemplo. Durante as chuvas, a
enxurrada desce a vertente com muita velocidade, formando buracos em seu percurso e
formando ravinas e voçorocas na porção inferior das vertentes, geralmente próximas a cursos
d’água.

5.1.Tipos de erosão

Existem vários tipos de erosão, que são classificadas conforme os seus princípios causadores.

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Erosão por gravidade: quando ocorre o transporte e deposição de sedimentos da superfície


em virtude da ação da gravidade, com a queda de partículas e rochas. Acontece, principalmente,
em regiões montanhosas e com alta declividade.

Erosão fluvial: erosão causada pela ação das águas dos rios sobre as superfícies dos cursos
d’água e de encostas. Atuam também no desgaste do solo durante enchentes periódicas ou
períodos de cheias. É intensificada com a retirada das matas ciliares, ou seja, as vegetações
localizadas nas margens dos rios.

5.1.2 Erosão causada pela retirada da mata ciliar nas proximidades de um rio

Erosão pluvial: ocorre em razão da ação das águas das chuvas, que desgastam a superfície e
transportam sedimentos. Esse processo atua também na lavagem dos solos e, quando as águas
da chu.va encontram um solo sem vegetação, passam a ser responsáveis pela formação de
graves tipos de erosão.

5.1.3.Formação erosiva em ravina, causada pela lavagem da terra pelas chuvas

Erosão marinha: causada pelas águas dos mares e oceanos, atua na modelagem da morfologia
litorânea, contribuindo para a formação de praia e encostas através da degradação das rochas.

Erosão eólica: ocorre em virtude da ação dos ventos sobre a superfície, atuando no transporte
dos sedimentos e partículas menores e degradando lentamente formações rochosas, conferindo
a elas formas bastante peculiares.

Erosão glacial: ocorre graças aos movimentos abruptos das geleiras (como as avalanches).
Também atuam no transporte de sedimentos, através de congelamento e movimentação.

6.Desflorestamento

O Desflorestamento é um dos mais graves problemas ambientais da atualidade, pois além de


devastar as florestas e os recursos naturais, compromete o equilíbrio do planeta em seus
diversos elementos, incluindo os ecossistemas, afetando gravemente também a economia e a
sociedade. Dessa forma, toda vez que uma área florestal é removida, temos aí uma prática de
desmatamento, que também pode ser chamado de “desflorestamento”.

6.1. Causas do desflorestamento


O desflorestamento, embora seja uma ação antrópica (humana), não é feito por acaso. Existem
alguns motivos que provocam ou intensificam a ocorrência desse problema, entre os quais,
podemos mencionar:

a) Expansão agropecuária: o avanço das áreas agricultáveis e da fronteira agrícola provoca


o avanço das atividades humanas sobre o meio natural, fazendo com que áreas inteiras de matas
sejam substituídas por pastagens, campos agrícolas ou áreas rurais à espera de valorização
financeira.

b) Atividade mineradora: a prática da mineração também é um dos grandes fatores


responsáveis pela devastação das florestas, pois áreas inteiras são devastadas para a instalação
de equipamentos e atividades de exploração de reservas dos mais diversos minérios, tais como
o ouro, a prata, a bauxita (alumínio), o ferro, o zinco e muitos outros.

c) Maior demanda por recursos naturais: há, no mundo, um aumento exagerado do


consumismo, com uma maior procura por matérias-primas e, consequentemente, por recursos
naturais. Assim, os bens oferecidos pela natureza são explorados cada vez mais intensamente,
com destaque para a madeira, o óleo de palma e demais elementos, que, quando retirados,
provocam a destruição das florestas.

d) Crescimento da urbanização: com o incremento da urbanização tanto no Brasil como no


mundo, as áreas verdes localizadas tanto nas áreas ao redor das cidades quanto dentro dos
limites urbanos são removidas para a construção de moradias, empreendimentos, prédios,
indústrias e muitos outras formas de intervenção do homem sobre o seu espaço.

e) aumento das queimadas: acidentais ou intencionais, as queimadas criminosas sobre áreas


naturais vêm se alastrando, com frequentes notícias a respeito surgindo nos jornais e revistas.
Em tempos de estiagem, a vegetação fica mais seca e o fogo alastra-se com maior facilidade,
de forma que qualquer faísca, dependendo da localidade, pode provocar uma verdadeira
catástrofe.

6.2.Consequências do Desflorestamento

São várias as consequências e impactos gerados pelo desflorestamento, haja vista que a
intervenção do homem sobre o meio natural fatalmente acarreta desequilíbrios. Dentre tais
problemas, podemos citar:
a) Perda da biodiversidade: com a destruição das florestas, o habitat natural de muitas
espécies torna-se escasso ou inexistente, contribuindo para a morte de muitos animais e até
mesmo a extinção dos tipos endêmicos, aqueles que só se encontram em localidades restritas.
Tal configuração traz problemas para a cadeia alimentar e pode impactar até atividades
econômicas, tais como a caça e a pesca.

b) Erosão dos solos: sem as árvores, o solo de muitas localidades fica desprotegido, sendo
facilmente impactado pela ação dos agentes erosivos, tais como a água das chuvas e dos rios,
além de outros elementos. Com a consequente erosão, ocorre a perda de muitas áreas.

c) Extinção de rios: a remoção das florestas provoca a destruição, em alguns casos, de


nascentes que alimentam os rios. Além disso, as áreas de encosta, nas margens dos cursos
d'água, sofrem com o aumento da erosão, o que faz com que mais terra e rochas sejam
“jogadas” no leito dos rios, o que provoca o seu enfraquecimento.

d) Efeitos climáticos: o clima e as temperaturas dependem das condições naturais. Muitas


florestas contribuem fornecendo umidade para o ambiente, de forma que a retirada dessas
implica a alteração do equilíbrio climático de muitas regiões, isso sem falar na intensificação
do efeito estufa.

e) Desertificação: além das erosões, os solos podem sofrer com a ausência da vegetação. Em
áreas áridas e semiáridas, pode ocorrer a desertificação, com a perda de nutrientes do solo,
além do processo de arenização, que ocorre em regiões de clima úmido e de solos arenosos.

f) Perda de recursos naturais: os recursos naturais, mesmo aqueles renováveis, podem entrar
em escassez com o desmatamento. É o caso da água, madeira, além de inúmeras matérias-
primas medicinais retiradas a partir do extrativismo vegetal.

7. Indústria

O grau de industrialização em Moçambique é ainda baixo podendo ser considerável


desprezível no geral, mas severa em áreas localizadas como ao redor de grandes cidades, tais
como Maputo, Beira e Matola. Nestes casos a poluição pode ser resultado do efeito combinado,
entre outros, de equipamentos obsoletos e sistemas tecnológicos e fraca regulação para
proteção da população contra resíduos perigosos em alguns casos (MOYO et. al., 1993). Estes
autores afirmam desconhecer a magnitude do problema tal como por exemplo o efeito da
fábrica de cimento o qual enfrenta dificuldades de sistemas de filtragem.

De acordo com Moyo et al. (1993) e Massinga & Hatton (1997) na área de Maputo e Matola,
ao sul do país, existem pelo menos 126 indústrias incluindo uma destiladora para produção de
cerveja, uma fábrica de pneus e fábrica de papel, algumas das fábricas mais importantes fazem
as descargas na baía do Maputo com consequência no aumento da poluição da baía.

Moçambique é caracterizado por possuir vários rios permanentes, os quais atravessam o país,
tais como os rios Rovuma e Lúrio ao norte, Zambeze e Púngue na região central e rio Save,
Limpopo e Incomáti ao sul. O país possui cerca de 100 km3 de recursos hídricos renováveis,
sendo o uso destes recursos de 9% para o consumo doméstico, 2% no setor industrial, e 89%
para a agricultura, conforme indica Encyclopedia of the Nations (2008d).

Chonguiça (1995) afirmou que a transformação do rio e suas áreas adjacentes em lago afeta
direta ou indiretamente o ser humano e os componentes físicos e biológicos do ambiente. Num
estudo visando determinar tendências dos padrões de qualidade de água e redistribuição dos
sedimentos e nutrientes pela construção da barragem dos Pequenos Libombos no sul do país,
foram observados poucos pontos de erosão das ribeiras de média a baixa intensidade devido à
intensidade baixa de uso da terra (Chonguiça, 1995). Neste estudo este autor notou que a região
a montante é propensa a níveis significativos de sedimentos e produção de nutrientes, sendo o
transporte de sedimento suspenso no período 1987-1994 em média, de 60.500 toneladas por
ano.

Sundström (1992) e Chonguiça (1995) consideraram as concentrações de metais pesados e


pesticidas tanto nos sedimentos como nos peixes desta área de estudo como baixas, com menos
de 0,4 mg/kg de DDT no peixe e 0,3 mg/kg do peso húmido em sedimentos e os maiores
registos de cadmium na água de 0,63 µg/l e cobre na ordem dos 32 µg/l. A barragem de Cahora
Bassa construída em 1966, é reportada como estando a ter como consequência a modificação,
a juzante de habitat de mangais.

As águas superficiais e costeiras têm sido afetadas por poluição em Moçambique e por outro
lado apenas 41% da população rural tem acesso à água potável (Encyclopedia of the Nations,
2008e). Especificamente, estes recursos hídricos têm sido usados na construção de barragens
para irrigação e também para produção de energia eléctrica para além de controle de cheias
(Chonguiça, 1995).
Moyo et al. (1993) observaram que a indústria e o consumo doméstico urbano têm os maiores
impactos negativos no ambiente tanto em termos de poluição da água como produção de
resíduos sólidos, quando concentrados em pequenas áreas, embora estes não sejam ainda
produzidos em quantidades grandes; um exemplo poderá ser o sistema de drenagem de águas
negras em construção na área de Maputo, com a capacidade de descarga de 50000 m3 por dia
de águas negras para o estuário do Maputo, se a água não for tratada antes e depois de descarga.
Os mesmos autores salientaram contudo que os resíduos industriais de fábricas com os seus
sólidos tóxicos e não tóxicos são mais danosos para a ecologia marinha mas em Moçambique
os seus níveis são modestos.

O ambiente marinho foi considerado como um problema sério em Moçambique no relatório


da UNEP de 1988 (MOYO et al. 1993). Conforme Bandeira et al. (no prelo) existem quatro
formas de poluição identificadas, nomeadamente a poluição bacteriológica através das águas
negras, metais pesados, hidrocarbonetos dos petróleos e aerosol. Estes autores indicaram haver
poluição bacteriológica na área da cidade do Maputo por colifórmios o mesmo não acontecendo
na zona dos banhistas, considerada negligenciável. Os mesmos autores consideraram que os
níveis detectados de metais pesados tanto nos sedimentos da baía como nas águas do mar aberto
na baía de Maputo correspondem aos padrões considerados normais.

8. Mineração

Um dos maiores recursos que o país possui inclui a abundância de energia barata proveniente
de minas de carvão. Apesar de grande potencial em recursos minerais, o país desenvolveu
pouca atividade de mineração. A exploração e utilização dessa energia é considerada
ineficiente devido ao facto de a maior parte desses recursos permanecer inexplorada, com
consequências nefastas ao ambiente (Encyclopedia of the Nations (2008e).

Os efeitos ambientais principais resultantes desta atividade incluem a poluição da água,


infertilidade da terra, desflorestação, poluição do ar em áreas populosas e mudanças no
equilíbrio de alguns ecossistemas (MOYO et al., 1993). Os maiores problemas de poluição
atmosférica resultante da mineração em Moçambique poderão ocorrer nas minas de carvão de

Moatize se medidas de protecção não forem devidamente tomadas pois poluentes como o
dióxido de enxofre, óxidos de nitrogénio e monóxido de carbono podem constituir perigo de
saúde para as populações vizinhas.
Segundo Smirnov et al. (2002) e Queface et al. (2003) o conteúdo de aerosol no leste da baía
do Maputo indica a existência de poluição pelo enxofre principalmente proveniente das minas
de carvão ao norte da África do Sul. Estes autores acrescentam que o valor da espessura do
aerosol óptico medido na Inhaca ao sul de Moçambique atingiu médias superiores a 0,26 α, o
que constitui um valor acima do normal tendo concluído que essa poluição pode depois ser
levada ao oceano com efeitos nos organismos marinhos.

9. Atividades industriais.

9.1. Saúde

O estado de saúde da população moçambicana é fortemente influenciado pelas condições


sócio-econômicas e ambientais, entre eles o analfabetismo (especialmente entre as mulheres),
má nutrição, habitação em precárias condições e difícil acesso à água potável (apenas 50% da
população tem acesso à água potável). Além disso, o elevado nível de degradação do meio
ambiente especialmente nas zonas urbanas e periurbanas, associado ao alto nível de pobreza
são determinantes para o quadro epidemiológico de doenças infecciosas e parasitárias,
atingindo os mais vulneráveis (mulheres e as crianças) com altas taxas de mortalidade infantil
e materna (WHO, 2004).

9.2. Saneamento

O acesso à água potável e ao serviço de saneamento básico constitui um dos elementos


geradores de qualidade de vida e da saúde das pessoas. A carência deste serviço é representada
pela taxa de mortalidade infantil, sendo em sua maioria causadas por malária, diarréia e cólera
(INE, 2004).

Além disso, devido a localização geográfica e a degradação ambiental, Moçambique está


vulnerável a catástrofes naturais como ciclones, secas e cheias o que aumenta o risco de
doenças com impactos negativos no bem estar social (MOYO et al. 1993).
10. Conclusão

Os problemas ambientais encontrados em Moçambique estão ligados a fatores sociais,


culturais e principalmente econômicos. Conforme verificamos, por exemplo, na migração de
população das zonas rurais para centros urbanos no pós-guerra em busca de melhores condições
de vida, como o acesso a produtos e serviços. Como consequencia do exôdo rural e a exploração
descontrolada dos recursos naturais, falta de saneamento básico e poluição do ar, o risco de
adoecer aumenta principalmente entre mulheres e crianças. Além disso, a população sofre com
as catástrofes naturais, cheias e secas, desertificação, poluição das águas que castiga ainda mais
este povo.

A Política Nacional do Ambiente (PNA) definiu estratégias e prioridades de acção, nomeadamente na


gestão costeira e marinha e na gestão do ambiente urbano.

A Lei da Terra criou um instrumento contra o fenómeno da erosão, a chamada zona de protecção parcial,
artigo 6º, 8º, 9º, 22º e 23º.

Lei de Águas, artigo 58º nº1 e 2, artigo 60º nº 1 e 2, artigo 14º nº 1 a 3.

Uma das formas mais eficazes de combater a erosão é o plantio de vegetação nas zonas afectadas, e está
previsto no artigo 27º nº 1 e 2 da LFFB.

Um outro meio de prevenção e combate a este fenómeno é através da implementação de políticas e


instrumentos de urbanismo e ordenamento do território, cujos órgãos competentes são, o Ministério
para a Coordenação da Acção ambiental;

Ministério das Obras Públicas e Habitação; Autarquias locais e Governos Distritais.


11. Referencias Bibliográficas

WHO (World Health Organization) (2004). Estratégias de Cooperação da OMS com a República de
Moçambique, 2004-2008. 68p

BANDEIRA, S.O. (2007). Concept note on priorities and options, institutional framework and
action plan towards the establishment of a transfrontier conservation area between
Mozambique and Tanzania - Tanzania point of view. Technical report For Ministério Para a
Coordenação da Acção Ambiental (MICOA). 89 p.

CUMBANE, J.J. (2004). Air pollution management in Southern African cities. Air pollution issues
in Mozambique. In: FERESU, S. et al. (org.). Proceedings of the Regional Workshop on “Better Air
Quality in the Cities of Africa 2004”. Johannesburg: Stockholm Environment Institute. p. 98-103
Encycopedia of the Nations. (2008a), Africa, Mozambique. Disponível em:
http://www.nationsencyclopedia.com/Africa/Mozambique-CLIMATE.html.
Acesso em 12 Jan. 2008.

CHONGUIÇA, E. (1995). Environmental Impact Assessment of the Pequenos Libombos Dam


Mozambique. (A Case Study) In: Environmental Impact assessment in Water Management
International Symposium. Group for Applied Ecology. Belgium.
CHONGUIÇA, E.; KATERERE, Y. (2003). Assessing the Need for a Regional Approach to
Environmental Studies of Development Investment in Southern Africa. In: CHONGUIÇA, E.;
BRETT, R.
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Impact Assessment in Southern Africa. IUCN – The World Conservation Unio. p.6-24
MOYO, S.; O’KEEFE, P.; SILL, M. (1993). The Southern African Environment. Profiles of the SADC
Countries. Earthscan Publications Ltd.: London, 364p.

MICOA_ Metodologias de Educação Ambiental.2002.


MICOA_ Estratégias nacional de Educação ambiental.2002.
Modulo ISCED Direito Ambiental e do urbanismo

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