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está sendo defendido aqui um posicionamento contrário ao processo de avaliação de


desempenho dos docentes, pois essa é uma política educacional que pode contribuir com a
melhoria da qualidade da educação.
Nesse sentido, a Resolução CNE/CEB nº 2/09 (CONSELHO NACIONAL DE
EDUCAÇÃO, 2009b), que aponta para a estruturação de avaliações de desempenho
vinculadas a aspectos quantitativos e qualitativos, e a estratégia 19.6 do PNE 2014-2024, que
assegura a participação dos pais nos processos de avaliação de desempenho docente e de
gestores escolares, podem produzir perspectivas inovadoras e progressistas para se pensar um
processo de avaliação de desempenho numa perspectiva pedagógica, formativa e democrática.

3.3 Marcos legais para a elaboração dos planos de carreira docente

Entre as orientações para a elaboração dos planos de carreira pelos entes federados,
destaca-se a do Prasem, promovida pelo Fundo de Fortalecimento da Escola (Fundescola) do
MEC e desenvolvida com a colaboração de diversos autores e entidades, com financiamento
do Banco Mundial. Produzida na gestão do governo Fernando Henrique Cardoso, foi
publicada em 2000.
O projeto tinha o intuito de subsidiar a produção de um documento que ajudasse os
municípios a produzirem planos de carreira e remuneração do magistério público, e era
composto por um software, distribuído junto com o livro Plano de carreira e remuneração do
magistério público (DUTRA JÚNIOR et al., 2000).
O documento baseou-se num levantamento de legislações nacionais, estaduais e
municipais, a fim de comparar aspectos dos planos de carreira que se apresentavam naquele
momento. Nesse tocante, encontraram-se sobreposições entre a organização dos estatutos e
dos planos de carreira que, segundo o estudo, devem ser compreendidos da seguinte forma.

O estatuto corresponde ao conjunto de normas que regulam a relação


funcional dos servidores com a administração pública, e dispõe, por
exemplo, sobre investidura, exercício, direitos, vantagens, deveres e
responsabilidades. O plano de carreira consiste no conjunto de normas que
definem e regulam as condições e o processo de movimentação dos
integrantes em uma determinada carreira, e estabelece a progressão
funcional e a correspondente evolução da remuneração. (DUTRA JÚNIOR
et al., 2000, p. 36)

O caderno de textos do Pradime (BRASIL, 2006b), concebido dentro da gestão do


governo Luiz Inácio Lula da Silva, mostra que existem diversas concepções de estatuto na
realidade brasileira; que há casos de municípios com estatutos específicos para o magistério,
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além daqueles para os demais servidores públicos (nesse caso, o documento ressalta que não
pode haver contradição entre os estatutos), como também situações em que o estatuto é único
para todos os servidores, incluindo o magistério.
Apesar de existir esse tipo de diferenciação entre estatuto e plano de carreira, Adhemar
Ferreira Dutra Júnior e outros (2000) admitem que a diferença entre os conteúdos não é muito
nítida. Nesse sentido, verificou-se a existência de categorias híbridas que aparecem tanto nos
estatutos como nos planos de carreira, como é o caso da licença: no documento do Pradime
(BRASIL, 2006b) o termo aparece relacionado ao estatuto67, enquanto no Prasem (DUTRA
JÚNIOR et al., 2000) as licenças relativas à formação continuada apresentam-se dentro do
plano de carreira.
Do ponto de vista jurídico, existem três situações possíveis para a composição da
legislação:

- uma única lei dispondo ao mesmo tempo sobre estatuto e plano de carreira
do magistério;
- duas leis específicas versando, respectivamente, sobre estatuto e plano de
carreira do magistério;
- uma lei dispondo sobre o estatuto do conjunto dos servidores, inclusive
professores, e outra versando exclusivamente sobre a carreira do magistério,
situação que predomina nos municípios. (DUTRA JÚNIOR et al., 2000, p.
37)

No entanto, o Parecer CNE/CEB nº 3/200468 apresenta outra possibilidade, derivada


do questionamento feito pela Secretaria Municipal de Educação de Campinas (SP) ao CNE
sobre a legalidade de estatuto e plano de carreira do magistério estarem integrados a um
“estatuto único dos funcionários públicos municipais” e não a um documento específico da
carreira do magistério. O voto dado pelo relator e aprovado pela comissão foi de que havia
essa possibilidade.

É de competência de cada um dos Municípios decidir se o Estatuto do


Magistério e Plano de Carreiras se constituem num documento específico
dessa categoria ou se integram o conjunto de normas de todo o
funcionalismo municipal. De qualquer forma, a legislação vigente,
incluindo-se aí a Resolução CNE/CEB 3/97, deve ser observada.
(CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2004)

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Embora cite a licença como um item a ser incluído no estatuto, o documento não aborda as recomendações
quanto aos tipos de licenças possíveis.
68
Apesar da informação no portal do MEC constar como “Parecer ainda não homologado”, ele foi homologado
por despacho do ministro de 17 de junho de 2009, publicado em 18 de junho de 2009 no Diário Oficial da
União, Seção 1, p. 16.

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