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Universidade Católica de Moçambique

Faculdade de Ciências Sociais e Políticas

Tema:
Os sistemas Normativos de Resolução de Conflitos em Vigor na Ordem Jurídica
Moçambicana

Curso: Direito 1 o ano


Disciplina: Sociologia Jurídica
Período: laboral

Docente: Rui Mulieca

Discente: Laura Francisco Madeira

Quelimane aos 23 Abril de 2020


Índice
1.0 Introdução....................................................................................................................3

2.0 Objetivos...........................................................................................................................4

2.1 Objetivos Gerais............................................................................................................4

2.2. Objetivos Específicos...................................................................................................4

3.0 Os sistemas Normativos de Resolução de Conflitos em Vigor na Ordem Jurídica


Moçambicana........................................................................................................................5

3.1 Governação do sistema judicial.....................................................................................5

3.1.1 Caracterização do sistema jurídico resolução de conflitos no país.....................5

3.2 O poder ou a autoridade dos tribunais na Constituição.................................................5

3.3 Garantia da independência dos tribunais e dos juízes...................................................5

4.0 Tribunais comunitários.....................................................................................................6

4.1 Os tribunais comunitários e os secretários de bairro....................................................6

4.2 O relacionamento entre as instituições de resolução de conflitos........................7

5.0 Conclusão..........................................................................................................................8

6.0 Bibliografia.......................................................................................................................9
1.0 Introdução

O presente trabalho de Sociologia Jurídica propõe- se falar de um assunto amplamente


discutido no meio jurídico e social. O acesso à justiça na resolução de conflitos em vigor no
nosso ordenamento jurídico moçambicano.

A necessidade de um aprimoramento da ordem jurídica para que de forma justa, célere e


eficiente de modo que todo o cidadão tenha a possibilidade de ter ingresso aos tribunais
seja ele do sistema jurídico judicial ou do sistema jurídico extrajudicial, tendo como base
de estado de livre Acesso à Justiça.

Salientar que no nosso ordenamento jurídico temos duas normas de resolução de conflitos
que são nomeadamente sistema jurídico judicial e o sistema jurídico extrajudicial.

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2.0 Objetivos
2.1 Objetivos Gerais
Conhecer os sistemas normativos de resolução de conflitos em vigor na ordem jurídica
moçambicana

2.2. Objetivos Específicos


Saber sobre sistemas normativos resolução de conflitos.
Dar a conhecer o Papel das autoridades dos tribunais
Mencionar os sistemas jurídico resolução de conflitos no país

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3.0 Os sistemas Normativos de Resolução de Conflitos em Vigor na Ordem
Jurídica Moçambicana
3.1 Governação do sistema judicial
1. Em Moçambique existem os tribunais judiciais e os tribunais administrativos.

A função judicial é exercida pelos seguintes tribunais:

 Tribunal Supremo
 Tribunais Superiores de Recurso
 Tribunais Judiciais de Província
 Tribunais Judiciais de Distrito (de 1ª e 2ª classes)
2. O Tribunal administrativo é o órgão superior dos tribunais administrativos, fiscais,
marítimo, aduaneiros, arbitrais e comunitários.

3.1.1 Caracterização do sistema jurídico resolução de conflitos no país


A lei fundamental de Moçambique é a Constituição da República de Moçambique,
aprovado pela Assembleia da República em 16 de novembro de 2004

3.2 O poder ou a autoridade dos tribunais na Constituição


Artigo 211 da CRM
1. “os tribunais têm como objetivo garantir e reforçar a legalidade como fator da
estabilidade jurídica, garantir o respeito pelas leis, assegurar os direitos e liberdades dos
cidadãos, assim como os interesses jurídicos dos diferentes órgãos e entidades com
existência legal.

2. Os tribunais penalizam as violações da legalidade e decidem pleitos e acordo com o


estabelecido na lei.” Art. 214º da CRM “As decisões dos tribunais são de cumprimento
obrigatório para todos os cidadãos e demais pessoas jurídicas e prevalecem sobre as de
outras autoridades.”

3.3 Garantia da independência dos tribunais e dos juízes


Art. 216º da CRM

1. “No exercício das suas funções, os juízes são independentes e apenas devem obediência
à lei.

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2. Os juízes têm igualmente as garantias de imparcialidade e irresponsabilidade.

3. Os juízes são inamovíveis, não podendo ser transferidos, suspensos, aposentados ou


demitidos, senão nos casos previstos na lei.”

A função jurídica extrajudicial é exercida pelos seguintes tribunais:

4.0 Tribunais comunitários.


Tribunais comunitários- os tribunais comunitários são os que mais estabelecidos estão em
Moçambique. Têm origem nos antigos tribunais populares que, no início da década de
1990, foram reconstituídos ao nível local como tribunais comunitários.

4.1. Os tribunais comunitários e os secretários de bairro


Os tribunais comunitários, encontram-se regulados pela Lei nº 10/92 de 6 de Maio, cujo
artigo 15 estabelece a sua condição de herdeiros do período revolucionário pós-
independência: “com a entrada em vigor da presente lei passam a aplicar-se
imediatamente aos tribunais de localidade e de bairro as regras nela definidas para os
comunitários; os atuais juízes dos tribunais de localidade e de bairro serão membros dos
tribunais comunitários, até que se mostrem concluídas as primeiras eleições para as quais
eles podem candidatar-se”. Como não se produziu outra qualquer regulamentação
específica para esta instância, as disposições criadas em 1992 continuam em vigor.

Com efeito, o artigo 1 nº 2 estipula que “os tribunais comunitários funcionam nas sedes
de posto administrativo ou de localidade, nos bairros ou nas aldeias” sendo que, segundo
o artigo 12, “a instalação dos tribunais comunitários constituirá responsabilidade direta
dos governos provinciais”; o artigo 3 estatui que estes tribunais deliberem sobre
“pequenos conflitos de natureza civil, conflitos que resultem de uniões constituídas
segundo os usos e costumes e delitos de pequena gravidade, que não sejam passíveis de
penas de prisão e se ajustem a medidas definidas na lei” e o artigo 2 que procurem, em
primeiro lugar, a reconciliação das partes e, em caso de insucesso, julguem de acordo
com “a equidade, o bom senso e a justiça”.

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Os secretários de bairro surgiram no imediato pós-independência como estruturas de
base do Partido com a função de enquadrar e organizar a população de acordo com a
nova ideologia do Estado. Sobreviveram até à atualidade, mesmo após o reconhecimento
oficial das autoridades tradicionais, as quais haviam sido formalmente suplantadas pelos
secretários de bairro a partir de 1975. À luz do Decreto 15/2000 e do Diploma
Ministerial 80/2004, os secretários passam a ser classificados como autoridades
comunitárias. As suas principais funções passam pelo controlo e monitorização da
população residente no bairro através do registo do número de moradores e de casas, dos
donos dos talhões e da resolução de pequenos conflitos entre moradores. Com efeito,
através do relato de um dos secretários é possível aferir que tipo de problemas são mais
frequentes e também que a sua resolução passa pela coordenação com a PRM.

4.2 O relacionamento entre as instituições de resolução de conflitos


Os tipos de relações que se estabelecem entre todas estas instâncias de resolução de
conflitos dos distritos poderão ser, de diversa índole: articulação e colaboração,
constituição mútua, ou conflito e concorrência. Tentando seguir a mesma ordem pela
qual acima se apresentaram essas instâncias, procurar-se-á agora dar conta das diversas
relações estabelecidas entre elas.
De acordo com o artigo 86 nº 1 alínea a) da lei 24/2007 de 20 de Agosto, os Tribunais
Judiciais de distrito de 1ª ou 2ª classe em 2ª instância têm competência para “julgar os
recursos interpostos das decisões proferidas pelos tribunais comunitários”.
Com efeito, no que diz respeito aos tribunais comunitários, o Procurador Distrital
sustenta que são instituições que cumprem as suas funções: “Trabalham. Têm estado a
resolver bem os problemas. Nos casos em que não entendem certas matérias já aconteceu
que um juiz comunitário pode consultar.
A lei prevê a existência de tribunais comunitários ao nível local, em bairros e vilas, com
jurisdição para lidar com conflitos cíveis e criminais menores. Na prática, os casos julgados
são maioritariamente conflitos cíveis (incluindo pequenas dívidas e problemas ligados à
habitação), questões 74 Lei no. 18/92. ‘Os tribunais comunitários funcionarão nas sedes de
posto administrativo ou de localidade, nos bairros ou nas aldeias.’

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5.0 Conclusão
durante o trabalho da cadeira em questão pude perceber que o acesso à justiça na resolução
de conflitos é um sistema que tem por finalidade solucionar litígios e/ou permitir às pessoas
reivindicarem seus direitos, mas, muitas vezes, ou quase sempre, elas não têm acesso ao
sistema.
Contudo, a fragmentação da arena judicial local, com a pulverização de diversos
provedores de justiça, cujas jurisdições e competências acabam por ser muito
semelhantes, contribui para que se verifiquem situações de competição entre eles. Quando
os procedimentos são levados a cabo de acordo com as regras estabelecidas, por exemplo
quando um caso é apresentado na PRM, depois entregue ao Ministério Público e dali para
o Tribunal Judicial, pode afirmar-se que esta colaboração representa mesmo uma situação
de constituição mútua: a ação de cada uma das instâncias dá sentido à existência da
instância que se lhe segue.

De um modo geral os conflitos e a competição entre as diferentes legalidades ainda


existem no nosso País, o que significa que, apesar de o panorama jurídico do distrito não
ser muito turbulento, ainda há um longo caminho de negociações e aprendizagens a
percorrer até que cada um respeite os seus próprios limites e os dos outros.

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6.0 Bibliografia
Legislação de Moçambique

Constituição da República Popular de Moçambique de 2004

Lei nº 222/2004 de 16 de Novembro-Lei da Organização Judiciária Constituição da


República de Moçambique (revisão de 2004) Lei nº 4/92 de 6 de Maio – Lei dos Tribunais
Comunitários

Diploma Ministerial nº 80/2004 (de  14 de Maio) - Regulamento da Articulação dos


Órgãos das Autarquias Locais com as Autoridades Comunitárias