Este livro foi utilizado na Teia do Saber, projeto da SEE

Para Zabala (1998, p. 141), “tradicionalmente os conteúdos foram classificados conforme o critério de pertencimento a uma disciplina, cadeira ou matéria, decorrendo disso os referenciais para a organização dos conteúdos”. Ele classifica, portanto, os conteúdos conforme sua natureza organizativa em multi-, inter-, pluri- trans- ou metadisciplinares, colocando de forma clara que: as características de cada uma das modalidades organizativas estão determinadas pelo tipo de relações que se estabelecem e o número de disciplinas que intervêm nestas relações e destaca que em nenhum caso a lógica interna de cada uma das disciplinas deixa de ser o referencial básico para a seleção e articulação dos conteúdos das diferentes unidades de intervenção, levando a organizações centradas numa disciplina apenas, forma tradicional de organização de conteúdos, e outras que estabelecem relações entre duas ou mais disciplinas
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A prática educativa: como ensinar trata das relações interativas na classe, do papel dos professores e alunos, da distribuição do tempo e da organização dos conteúdos. análise e reflexão da prática educativa, o autor propõe pautas e orientações que visam a melhorá-la.

Antoni Zabala apresenta exemplos bem práticos — e recheados de comparações com fatos do diaa-dia — para ajudar a desatar esse grande nó. "O professor deve ser um misto de nutricionista e cozinheiro", diz ele. "O primeiro preocupa-se em elaborar refeições saudáveis e o outro quer pratos apetitosos. No planejamento da aula, devemos agir como nutricionistas, pensando nas competências que o aluno deve desenvolver. Na classe, precisamos atuar como cozinheiros, propondo atividades interessantes e que possam ser executadas com prazer."

Entrevista > Antoni Zabala

Educação Infantil inspira avaliação formativa
Para o educador espanhol, as técnicas para ensinar crianças pequenas deveriam ser conhecidas de todos os professores Monitorar os alunos que trabalham em grupos, observar suas reações e evoluções durante a aprendizagem e fazer relatórios de desenvolvimento são alguns dos caminhos

educador espanhol que esteve no Brasil em setembro. Em uma sociedade como a nossa. É apenas um caminho. Isso implica em falar de valores. Os pensadores da educação defendem modelos impecáveis. Ele precisa se desfazer de toda sua história como aluno e como professor. dizem que é aí que está o futuro do país. Dificilmente conseguiremos que uma escola possa atender a todos os alunos segundo suas necessidades e possibilidades. Em quase todos os países a educação tem sido meras palavras. A formação que os professores tiveram não foi suficiente. Todos dão importância à ela. que afetam aquilo que é nuclear: a avaliação. O problema está em colocar os meios que levem essas idéias a cabo. É preciso aprender técnicas. químicos ou a gramática não estamos mudando nada. Se avaliamos somente os conceitos matemáticos. NE > Classes grandes e superlotadas prejudicam a concretização de um modelo ideal de avaliação? Zabala < Existe um problema anterior. Mas um caminho se constrói andando. Existem muitas estratégias. de colocar técnicas de trabalho em equipe e itens que avaliem o que se considera o perfil ideal da pessoa que se quer aprovar.. . É muito fácil fazer leis que atendam esses princípios.. NE > Quais seriam esses instrumentos e técnicas? Zabala < Atender a uma avaliação formativa. respeitando as características de cada aluno. alguma experimentação. nos últimos 40 anos. Nova Escola > Qual a principal dificuldade que o professor enfrenta no processo de avaliação? Zabala < A maior barreira é interna. porque uma das coisas que nós professores mais temos é criatividade para inventar atividades. Todo pensamento precisa de estímulos para mudar. Só estou dando a entender que quero formar futuros universitários. Esse é o discurso. esse valor se dá em retribuições salariais e no valor econômico e social atribuído ao profissional. Eu diria: diga-me como avalia que eu te direi que professor você é. As propostas mundiais sobre o que deve ser o ensino implicam em mudança total. Sabemos que o ideal teórico é uma utopia. básica etc. Mas pode ser feito. NE > Aconteceram várias mudanças nos conceitos do que seja a educação ideal. E aí não acontecem ações suficientes. de estratégias de aprendizagem. mas as motivações para que as mudanças ocorressem foram mais do que insuficientes. não é uma questão de tudo ou nada. e deu a seguinte entrevista para NOVA ESCOLA. O professor precisa capacitar-se. informações básicas. Essa é a opinião de Antoni Zabala. Essas estratégias estão aqui mesmo no Brasil. Na verdade. Não é preciso consultar teóricos. Pode ser feita aos poucos ou em parte. estratégias e formas profissionais de se atuar em relação a esses preceitos. O que realmente importa é a valorização profissional da educação. os professores deveriam tentar introduzir também seu pensamento de educador. Mas isso é deixado de lado. com ações. É na maneira de avaliar que aparece tudo o que é importante para o professor. se conhecermos as técnicas e as estratégias para isso. Dizemos que avaliar de forma personalizada com 30 ou 40 alunos é difícil. O professor consegue captar rapidamente esses novos parâmetros? Zabala < A sociedade é bastante farisaica em relação à educação. Isso implica em um processo de aprendizagem: precisa ter um professor.para ser fazer uma avaliação formativa. mas não é suficiente. que é fundamental.

ninguém se atreve a ir ao mestre e dizer "eu não sei fazer isso". às vezes em pares. Porque temem que ele imediatamente anote essa "falha" do aluno. assim como todas as regras que ele implica. ser considerados agentes educadores dos companheiros. dizendo que não sabem isso ou aquilo. ou é melhor não mexer. então as normas devem mudar. Tem de haver de tudo. NE > Em quais casos a retenção é necessária? Zabala < Esse problema está aparecendo em todos os países. E a vida tem quem vai ser matemático. cobrando tarefas e querendo saber por que motivo não as executaram. O professor não é aquele que tem o conhecimento e o transmite. Ou se muda tudo. O professor é aquele que veicula interações. mas também tem cozinheiros. O segredo está na participação dos alunos nos processos de ensino. As crianças são mais espontâneas e desarmadas. Contam o que sabem e o que não sabem fazer. quais as dificuldades. E não fazem sozinhas. provoca intercâmbio na aula e ajuda na busca de conhecimentos. Um olha o outro e aprende com ele. O que fazem as crianças lá? Ficam sentadas umas atrás das outras. O modelo de avaliação também está lá. E esse motorista tem de ser o melhor possível. O papel do professor é provocar ajudas. o arquiteto tem de ser o melhor possível. Se o modelo que temos é aquele em que a escola deve preparar para a universidade. O problema é que edita-se uma portaria para que as orientações de um modelo sejam aplicadas em outro. Para ela é uma . A ação do mestre deve ser buscar o que o aluno tem de melhor e tentar valorizá-lo. O dilema é: os alunos devem ser promovidos automaticamente? Depende do jogo que estamos jogando. dinamizar a classe para que se trabalhe em pequenos grupos flexíveis. ela ajuda a todos. NE > Os próprios alunos serão então companheiros de ensino e aprendizagem? Zabala < As técnicas para atender a diversidade estão na Educação Infantil. em pares ou trios. então o modelo seletivo deve prevalecer. Estão sempre com os colegas. A professora não transmite conhecimento. Isso implica uma mudança no papel do professor. As técnicas passam por montar classes dinâmicas. Ao passo que quando são maiores. não impor-lhe o conhecimento. elas fazem coisas.em muitas escolas de qualidade que estão atendendo a diversidade. Se nos convencemos que o objetivo da escola é formar pessoas que se integrem à sociedade e dê respostas aos problemas que a vida vai lhes trazer. Todas as grandes experiências que existem no mundo de atenção à diversidade não implicam em redução das classes. Mas por que devemos fazer alguém estudar algo que não lhe interessa? Quando não há interesse não há aprendizagem. Estamos ajudando a fomentar a autoestima quando obrigamos uma pessoa a deixar seu grupo de amigos e a freqüentar uma turma mais jovem? Isso é bom para seu equilíbrio? Está claro que não. motoristas. Está claro que devemos ir de um modelo seletivo para um modelo orientador. Devemos usar essa estratégia. na sua capacidade e potencialidade. Os professores não sancionam seus alunos. Muitas vezes utilizamos as notas para controlar a disciplina do aluno e para obrigá-lo a estudar. O que sabe mais ajuda o que sabe menos. onde existam relações interativas que provoquem conhecimento. A função do professor é conhecer o aluno. Buscar ele próprio. camareiros. Isso implica em buscar aquilo em que o aluno é mais potente. é preparar para a vida. Eles tentam averiguar o que eles não sabem para orientá-los. A função da escola não é preparar para a universidade. centrado no que o aluno sabe e não naquilo que ele não sabe. valorizá-lo para despertar seu interesse em buscar o conhecimento. elas devem ter uma boa auto-estima. Os alunos devem ajudar outros alunos. escutando o mestre? Não. Se queremos formar pessoas equilibradas e autônomas.

as DCNs 4 e os RCNs 5 . V..humilhação repetir de ano. Ferreira. trabalhos como os de César Coll 6 e Antoni Zabala 7 foram revisados criticamente. Esta é a versão em html do arquivo http://www. Os seguintes termos de pesquisa foram destacados: zabala educativa Estes termos aparecem somente em links que apontam para esta página: pratica Page 1 1 RESENHA * DO LIVRO “A PRÁTICA EDUCATIVA” 1 DE ANTONI ZABALA Sanches Neto.ufscar. A.. S. A. cuidado! Isso acontece por um déficit do sistema. C. N.. M.ufscar.. Silva. Para criar um link para esta página ou armazenar referência a ela. Mas.. Ora. S. E. NE > Que conselho o senhor daria para o professor que estará nesse mês de dezembro fazendo o planejamento escolar para o próximo ano quando estarão querendo mudar o seu modo de avaliar? Zabala < Se ele está tentado. Ramos. use: http://www. Existem na maioria das escolas as técnicas e estratégias necessárias para responder a essas dúvidas. É preciso estar alerta e escutar os demais. Galvão. C. Z. Portanto. . Pontes. como os PCNs 3 . é melhor que repita. mas se no curso seguinte não existe um modelo de ensino que atenda a diversidade. Rodrigues.. H. então não deve haver retenção. Rangel. Darido. esse aluno não vai acompanhar a classe. Mas se eles sabem atender a diversidade. Escutar e refletir com os companheiros. a fim de aprofundar estudos sobre a compreensão do papel da . quero felicitá-lo: está no caminho. G o o g l e cria automaticamente versões em texto de documentos à medida que vasculha a web. L. G. Educação Física Escolar INTRODUÇÃO As investigações que os membros do LETPEF vêm realizando têm referenciado algumas obras utilizadas na elaboração de documentos oficiais para o sistema educacional brasileiro.PDF.br/~defmh/spqmh/pdf/rbce.Membros do LETPEF 2 Palavras-Chave: Prática Educativa. L.br/~defmh/spqmh/pdf/rbce. I. G.google.. que não preparou esses professores para atender a diversidade. L. H.PDF+zabala+a+pratica+educativa& O Google não é associado aos autores desta página nem é responsável por seu conteúdo. Nesse sentido..com/search? q=cache:g4XZFUTl4vQJ:www.

Page 2 2 que definem as concepções pessoais sobre si e os demais. onde as fases de planejamento. a preocupação com a cidadania. N. uma constante avaliação do trabalho por parte do profissional. Por isso. Porto Alegre: Editora Artes Médicas Sul Ltda. balizadas pela proposta de Zabala. 2 Laboratório de Estudos e Trabalhos Pedagógicos em Educação Física.. 5 RCNs – Referenciais Curriculares Nacionais. Recomenda-se. http://www. Porto Alegre: Editora Artes Médicas Sul Ltda. UNESP. Também as condicionantes do contexto educativo. L.html 3 PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais. Como encaminhamento para o modelo. de acordo com pressupostos norteadores do LETPEF.) Como trabalhar os conteúdos procedimentais em aula. Pontes.unesp. Antoni (org. assumem uma posição de relevância.Educação Física no contexto escolar. A. 2002. Rodrigues. assim. que se estabelecem os vínculos e as condições * Referência: Sanches Neto. M. este modelo pode ser entendido como um conjunto de ações que efetivamente revigore e potencialize a prática educativa.. 1998. n. Para ele. . procedimentos e atitudes. A resenha que se segue reporta alguns pontos de uma dessas obras 1 . pensamos que sua principal contribuição pode ser uma tentativa de superação da exclusividade procedimental nas aulas de Educação Física. Rio Claro. entre outras. Zabala elabora um modelo que seria capaz de trazer subsídios para a análise da prática profissional.. G. L. a trajetória profissional dos professores. segundo Zabala. Assim. Campinas. H. Ramos. devem assegurar um sentido integral às variáveis metodológicas que caracterizam as unidades de intervenção pedagógica.. Na Educação Física Escolar. A partir dessa posição ideológica acerca da finalidade da educação escolarizada. 1999. utiliza-se do modelo de interpretação. sua seqüência pode ser apreendida mais adequadamente se considerarmos que foram textos avulsos sobre temas da prática docente. utiliza-se de uma perspectiva processual.2. Resenha do livro “A prática educativa”.. 6 COLL. S.br/ib/efisica/letpef/letindex1. G. Os conteúdos na reforma: ensino e aprendizagem de conceitos. V.. relações foram tecidas quanto à Educação Física Escolar. e da sociedade em que vivem. Como opção. A FUNÇÃO SOCIAL DO ENSINO E A CONCEPÇÃO SOBRE OS PROCESSOS DE APRENDIZAGEM: INSTRUMENTOS DE ANÁLISE A finalidade da escola é promover a formação integral dos alunos. A prática educativa: como ensinar. Quanto aos capítulos analisados. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. aplicação e avaliação. através das relações construídas a partir das experiências vividas..23. I. Galvão.. é conclamada a necessidade de uma reflexão profunda e permanente da condição de cidadania dos alunos. Z. 7 ZABALA. C. 2ª ed. A. César et alii. H. que se contrapõe àquele em que o professor é um aplicador de fórmulas herdadas da tradição. Rangel. Silva. é na instituição escolar.rc. Darido.195-205. fundamentando-se no pensamento prático e na capacidade reflexiva do docente. L. de Antoni ZABALA. v. Ferreira. 1 ZABALA. que critica as ênfases atribuídas ao aspecto cognitivo. como o ensino reflexivo. e a contextualização da Educação Física. S. como as pressões sociais. A PRÁTICA EDUCATIVA: UNIDADES DE ANÁLISE Buscar a competência em seu ofício é característica de qualquer bom profissional. 1998.. p. Porto Alegre: Editora Artes Médicas Sul Ltda. sua organização requereu certas digressões. Acerca das críticas em relação às dimensões do conteúdo. C. E... Antoni. 4 DCNs – Diretrizes Curriculares Nacionais.

acabam por envolver os objetivos educacionais. que requer uma interação entre as três dimensões. Atividades que representem um desafio alcançável?. chamando a atenção para as particularidades dos processos de aprendizagem de cada aluno (diversidade). salientando que o conflito mental proposto pode ser também de ordem motora – de modo integrado. caracterizando as seguintes tipologias de aprendizagem: factual e conceitual (o que se deve aprender?). bem como um aumento da complexidade e aprofundamento ao longo das unidades. entretanto. Page 3 3 O autor expõe o valor das relações que se estabelecem entre os professores. Atividades cujos conteúdos sejam propostos de forma significativa e funcional?. os alunos e os . essa caracterização dos conteúdos parece apontar avanços. definindo suas ações no âmbito concreto do ambiente de aula. Alguns critérios para análise das seqüências reportam que os conteúdos de aprendizagem agem explicitando as intenções educativas. Atividades em que possamos inferir sua adequação ao nível de desenvolvimento de cada aluno?. Sobre a concepção de aprendizagem. com ênfase na conceitual. e que o primeiro aspecto característico de um método seria o tipo de ordem em que se propõem as atividades. especialmente nas aulas de Educação Física. o autor afirma que não é possível ensinarmos sem nos determos nas referências de como os alunos aprendem. Baseada nessa concepção. operacionaliza o antigo conceito denominado afetivo (atitudinal). AS SEQÜÊNCIAS DIDÁTICAS E AS SEQÜÊNCIAS DE CONTEÚDO Zabala explicita que a ordenação articulada das atividades seria o elemento diferenciador das metodologias. procedimental (o que se deve fazer?). conceituais e procedimentais. as seqüências de conteúdo. O construtivismo é eleito como concepção metodológica em virtude da validação empírica de uma série de princípios psicopedagógicos: os esquemas de conhecimento. A seqüência considera a importância das intenções educacionais na definição dos conteúdos de aprendizagem e o papel das atividades que são propostas. Esses conteúdos assumem o papel de envolver todas as dimensões da pessoa. tradicionalmente desenvolvido em nossa área de maneira espontaneísta. ao contrário de uma conotação dual que a pergunta do autor permite supor. bem como. Sejam motivadoras em relação à aprendizagem dos novos conteúdos?. o nível de desenvolvimento e dos conhecimentos prévios. seus significados são ampliados para além da questão do que ensinar. e atitudinal (como se deve ser?). Ressalta que o parcelamento da prática educativa tem certo grau de artificialidade. explicável pela dificuldade em encontrar um sistema interpretativo adequado. convém expor sua relevância para a Educação Física Escolar no nosso entendimento. sendo cada vez mais autônomo em suas aprendizagens? Em relação às questões. na medida em que chama atenção para a dimensão conceitual. Provoquem um conflito cognitivo e promovam a atividade mental?. procedimentais. procedimentais e atitudinais. AS RELAÇÕES INTERATIVAS EM SALA DE AULA 8 : O PAPEL DOS PROFESSORES E DOS ALUNOS 8 Preferimos empregar. Estimulem a auto-estima e o auto-conceito?. o termo “ambiente de aula” para designar mais amplamente o espaço em que ocorrem tais relações interativas que caracterizam o processo ensino e aprendizagem. Deste modo. Certos questionamentos pareceram-nos relevantes: na seqüência há atividades que nos permitam determinar os conhecimentos prévios?. Ajudem o aluno a adquirir habilidades relacionadas com o aprender a aprender.Sobre os conteúdos da aprendizagem. que deveria permitir o estudo conjunto de todas as variáveis incidentes nos processos educativos. que quase invariavelmente são ministradas fora das salas. Consideramos também uma outra unidade de análise. a aprendizagem dos conteúdos apresenta características específicas para cada tipologia. e a aprendizagem significativa. ou conceituais. encontrando sentido na indagação sobre por que ensinar. podendo abranger as dimensões: conceituais. Para a Educação Física Escolar.

promover o estabelecimento de relações com o novo conteúdo apresentado. dentro da concepção construtivista. pode acabar por desenvolver uma aprendizagem inversa àquilo que apregoa. o papel dos professores e dos alunos. Page 4 4 . Percebeu que todo tipo de organização grupal dos alunos. em relação ao modelo militar vigente anteriormente já houve certos avanços consideráveis no processo das relações interativas. o que significa estabelecer uma interação direta com eles. auxiliá-los a encontrar sentido no que fazem. é preciso articular ações formativas. síntese e avaliação do trabalho. ao não refletir sobre esses aspectos. Contudo.. e exigir dos alunos análise. Tais considerações apresentam-se bastante úteis aos profissionais da educação. O professor possui uma série de funções nessas relações interativas: o planejamento e a plasticidade na aplicação desse plano. levar em conta as contribuições dos alunos no início e durante as atividades. caracterizado pela transmissão/recepção e reprodução de conhecimentos. o professor necessita perceber e criar condições adequadas às necessidades específicas de cada aluno. para a importância de se organizar o grupo de alunos de diferentes maneiras durante as aulas. por conta da sua especificidade. bem como a relação entre eles no processo. O mesmo se aplica à Educação Física que parece não ter atentado. avaliar o aluno conforme sua capacidade e esforço. estabelecer metas alcançáveis. para que eles consigam aprender os diversos conteúdos. comparar. dirigir e estar atento à diversidade dos alunos. percebendo que a organização social da classe tem relação direta com a aprendizagem. tolerância. propor desafios. levando em consideração o tipo de aprendizagem e conteúdo que esperam desenvolver nestes. Parece que na Educação Física Escolar. justiça. possibilitando a metacognição. levando-os a enxergar os processos e o que se espera deles. é preciso viver o clima de solidariedade. visto que o professor e os alunos possuem certo grau de participação nesse processo. comunicando objetivos. nos atitudinais. ou o que é veiculado pela mídia. envolvendo em primeiro lugar a contradição entre o que é trabalhado na escola e o sistema social. devem levar em consideração os tipos de aprendizagens que estão proporcionando a seus alunos e os objetivos expressos pela própria escola.conteúdos no processo ensino e aprendizagem. potencializar a autonomia. promover canais de comunicação entre professor/aluno.. respeito mútuo etc. alertou para o fato de que inconscientemente a instituição escolar. aluno/aluno. a natureza dos diferentes conteúdos. não bastando propor debates e reflexões sobre comportamento cooperativo. colocando que o professor necessita diversificar as estratégias. ainda.. tolerância. Em seguida. oferecer ajuda adequada no processo de construção do aluno. estabelecer um ambiente e relações que facilitem a autoestima e o auto-conceito. Desse modo. E trabalhar conteúdos atitudinais é muito difícil. procurando discutir as vantagens e as desvantagens de cada opção e os tipos de conteúdos que elas desenvolvem prioritariamente. Observou duas características pelas quais esses grupos são tradicionalmente organizados: a heterogeneidade e a homogeneidade. ainda faltam reflexões e discussões por parte dos professores e estudiosos da área 9 . diferente do ensino tradicional. Examina. aborda a influência dos tipos dos conteúdos procedimentais e atitudinais na estruturação das interações educativas na aula. o que permite uma adaptação às necessidades dos alunos. assim como todas as atividades a serem programadas/desenvolvidas pela escola e a própria forma de gestão que esta emprega. para que reflitam sobre a importância de se organizar o grupo de alunos.. Comenta que essas se sobrepõem às seqüências didáticas. Nos procedimentais. A ORGANIZAÇÃO SOCIAL DA CLASSE Antoni Zabala procurou analisar as diferentes formas de organização social dos alunos vivenciadas na escola e sua relação com o processo de aprendizagem. 9 Os PCNs contêm um adendo referindo-se ao uso da mídia nas aulas do componente curricular.

revistas. para os conteúdos procedimentais. o conhecimento sobre as novas formas de organização é necessário para a compreensão e reflexão destes documentos. audiovisuais. necessária para que se entenda qual deve ser o objeto e o sujeito da avaliação. Daí a importância da compreensão do significado da transversalidade. dados estatísticos. o que é mais uma justificativa para a avaliação. em uma lógica da organização curricular. seja-a do tipo mais rápido ou exaustivo. livros didático e paradidático). quadro negro. A pergunta inicial “por que temos que avaliar”. Ele defende a organização dos conteúdos nesses métodos. conceitos. execução e avaliação lhes apresentam. Os PCNs. as DCNs do Ensino Médio referenciam como princípio básico para este nível a interdisciplinaridade. ou seja. da história e da cultura.A ORGANIZAÇÃO DOS CONTEÚDOS São analisadas as relações e a forma de vincular os diferentes conteúdos de aprendizagem. temos: para os conteúdos conceituais. devendo ser analisados a sua dependência ideológica e o modelo de aula a que induzem. os conhecimentos foram alocados em disciplinas. Contudo. o autor denominou tais métodos de globalizadores 10 . demora um pouco a ser respondida. nos últimos anos é cada vez mais comum encontrarmos propostas que rompem com a organização por unidades centradas exclusivamente em disciplinas. No ensino da Educação Física. Ao longo da história. Portanto. No nosso entendimento. São meios que ajudam os professores a responder aos problemas concretos que as diferentes fases dos processos de planejamento. final e integradora. Por outro lado. nos seus documentos do Ensino Fundamental 11 . Elabora a idéia de que devemos realizar uma avaliação que seja inicial. dão um papel de destaque para os temas transversais. vídeos e textos que estimulem o debate. por entender que explica melhor as características de adaptação e adequação. o autor descreve as possibilidades dos centros de interesse de Decroly. os métodos de projetos de Kilpatrick. é capaz de acompanhar o progresso do ensino). jornais. chegando a justificar a prova escrita para fatos e conceitos. não enfatizando a dimensão conceitual e os respectivos materiais curriculares (quadro negro. na intervenção direta no processo de ensino/aprendizagem e em sua avaliação. Uma nota 10 Antoni Zabala trata mais detalhadamente deste tópico em outro livro. No tocante aos métodos globalizadores. intitulado “enfoque globalizador e pensamento . Esta divisão é empregada como necessária para se continuar fazendo o que se faz. audiovisuais e livros didáticos. constata-se o predomínio das dimensões atitudinais e procedimentais dos conteúdos. reguladora (prefere esse termo ao invés de formativa. Em o que avaliar propõe a avaliação de fatos. a temática de organização dos conteúdos de aprendizagem não poderia ser mais atual e significativa para a educação brasileira de maneira geral. ou o que se deve fazer de novo. o por quê avaliar. Todos os materiais curriculares utilizados por professores e alunos são veiculadores de mensagens e atuam como transmissores de determinadas visões da sociedade. procedimentos e atitudes. para os conteúdos atitudinais. pois os conteúdos de aprendizagem só podem ser considerados relevantes na medida em que desenvolvam nos alunos a capacidade para compreender uma realidade que se manifesta globalmente. OS MATERIAIS CURRICULARES E OUTROS RECURSOS DIDÁTICOS Materiais curriculares são os instrumentos que proporcionam referências e critérios para tomar decisões: no planejamento. textos. A AVALIAÇÃO Realiza-se uma severa crítica à forma como habitualmente é compreendida a avaliação. Na relação entre os materiais curriculares e a dimensão dos conteúdos. e os projetos de trabalhos globais. e para o encaminhamento de novas propostas de ensino. o estudo do meio. e particularmente para a Educação Física. A proposta elimina a idéia da avaliação apenas do aluno como sujeito que aprende e propõe também uma avaliação de como o professor ensina.

Por isso. 11 Brasil. Brasília: MEC. procedimentos e atitudes para a Educação Física. de caráter humanista ou redentor. Neste ponto. organização das condições de ensino e aprofundamento significativo e integral dos conteúdos nas três dimensões. Contudo. Para isto ela precisa ser vista como pertencente a um clima de cooperação e cumplicidade entre professores e alunos. propondo uma avaliação sistemática em situações naturais ou artificialmente criadas. CONSIDERAÇÕES FINAIS A prática educativa parece ter inúmeras facetas. enjôo ou estresse e. 12 Porque na escola a intencionalidade deve ser evidente. Page 5 5 importante diz respeito à observação de que os conceitos podem ser mais bem avaliados quando a expressão verbal é possível. mas a observação continua a ser a forma preferida de avaliação para atitudes e procedimentos. Essa ampliação do universo de análise ocasionou extrapolações que vão ao encontro de expectativas apontadas na área de Educação Física Escolar. Acredita que esta deva ser compartilhada e não tratada como uma filosofia do engano ou do caçador e da caça. além da dimensão pública existe uma privada e íntima que precisa ser respeitada. nem por isso deixa de diagnosticar e medicar. Secretaria de Educação Fundamental. Quanto às especificidades contextuais. pela superficialidade referente ao contexto de atuação de cada professor. pode-se fazer uma transposição dos objetivos referentes à avaliação de conceitos. Ministério da Educação e Deporto. ou. Também para esta área é mais fácil a utilização de avaliações sobre conceitos e procedimentos do que sobre as atitudes. integrando os componentes curriculares. Essa indissociação dos conteúdos parece ser o ponto central para o trabalho dos professores. pois entende que isto esbarra em uma dimensão ética. relacionado com a obra resenhada. portanto. as tendências tecnicistas contemporâneas. e não apenas a escrita.complexo. da mesma forma que vê nas pessoas a necessidade de uma expressão de gestos.. 1998. Por último. g. Utiliza a metáfora do médico que não possui instrumentos para medir dor. Esclarece que os procedimentos só podem ser avaliados enquanto um saber fazer. Page 6 6 RESUMO EM INGLÊS: . publicado pela ARTMED Editora em 2002. ainda. a superação do tratamento isolado da dimensão procedimental constitui um desafio para a intervenção docente. Duvida o autor dos efeitos estimulantes desta divulgação da forma como é feita. citando o exemplo do uso das mãos que os indivíduos fazem para explicar melhor esses conceitos. para não constituir uma meta pretensamente neutra e. pois a obra tratou de princípios. pelo fato das mesmas não poderem ser quantificadas. e. algumas contempladas por essa obra de Antoni Zabala. generalizações do trabalho docente podem incorrer em engodos. Tais inferências abrangeram: problematização das vivências. Parâmetros Curriculares Nacionais. a escola nova. uma proposta para o currículo escolar”. da forma como é atualmente. Afirma que os conteúdos atitudinais implicam na observação das atitudes em diferentes situações e levanta a possibilidade das pessoas não darem o devido valor às atitudes enquanto um conteúdo. ponderamos a prática educativa em Educação Física. a serviço de quaisquer ideologias que se façam predominantes num dado período histórico. inclusão dos alunos. mesmo que o autor tenha se reportado à prática docente genérica. a prática reflexiva e demais componentes da função docente podem ser o direcionamento 12 necessário à escola. as considerações do autor pareceram superar essa limitação. Em Educação Física. deixa dúvidas sobre se as notas ou classificações deveriam ser totalmente públicas. a pedagogia mais “educativa” (ou informal) e menos “escolar” (ou formalizada). as tendências críticas com maior ou menor atenção aos conteúdos. ou seja. Não obstante.

Rangel. G.. Darido. the concern with the citizenship. In this area.. L. Ferreira. A. Pontes. Galvão. Darido. The following summary reports some points of one of these papers.. V. Concerning the critiques in relation to the dimensions of the contents. El resumen que si sigue trata de uno de estos obras. and the Physical Education context.miembros del LETPEF Palabras-Clave: Práctica Educativa. para profundizar estudios en la comprensión del papel de la Educación Física en pertenecer al contexto de la escuela. como los PCNs. H. C. N. L. Z. E. . Galvão. la superación del tratamiento aislado de la dimensión procedural constituye un desafío para la intervención de la enseñanza y para la integración de los componentes del plan más general de estudios.. Silva. En esa area. N. A. Sur las criticas a las dimensiones del contenido.. M. S. the overcoming of the procedural dimension isolated treatment constitutes a challenge for teaching intervention. Silva. y la contextualización de la Educación Física. School Physical Education The inquiries that the LETPEF’s members have been carrying through are related to some papers used in the official document elaboration for the Brazilian educational system. Rodrigues. The analyzed chapters’ sequence can be more adequately apprehended if one notices that they were originally loose papers on issues related to teachers’ practice. G. los trabajos de Cesar Coll y Antoni Zabala habían sido criticamente revisados. C. . Rodrigues. pensamos que su contribución principal puede ser una tentativa de la superación de la exclusividad procedural en las lecciones de Educación Física. L.. I. Rangel. Educación Física de la Escuela Las preguntas que los miembros del LETPEF vienen llevando tienen referenciado algunos trabajos utilizados en la elaboración del documento oficial para el sistema educativo brasileño.Members of the LETPEF Key words: Educative Practice. S. RESUMO EM ESPANHOL: Resumen Del Libro “La Práctica Educativa: Cómo Enseñar” De Antoni Zabala Sanches Neto. the DCNs and the RCNs. de acuerdo con los presupuestos estimados del LETPEF. Cuánto a los capítulos analizados. in order to deepen studies about understanding the role of Physical Education into the school context... S. G. C. E. C.. V. A. Ramos. En esta dirección. su secuencia se puede prender más adecuadamente si considerado que habían sido textos a cerca de temas del práctico educativo. la preocupación con la ciudadanía. and also for integrating the curricular components. Ferreira. H. G. H. M. . such as reflective education.. in accordance with LETPEF’s guidelines. L. works as Cesar Coll’s and Antoni Zabala’s had been revised critically.Summary Of The Book "The Educative Practice: How to Teach" Of Antoni Zabala Sanches Neto.. L. Z. S. In this direction. como la educación reflexiva... we think that their main contribution can be an attempt of overcoming the procedural exclusiveness in Physical Education classes. L.... Ramos. as the PCNs. las DCNs y los RCNs. I. A. Pontes. H.

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