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PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOLOGIA

DISCIPLINA FILOLOGIA ROMÂNICA

PROFESSOR: Bruno Fregni Bassetto

ALUNA: Ana Elias

RESUMO & COMENTÁRIO

BASSETO, Bruno Fregni. Elementos de Filologia Românica: História Externa das Línguas, v.1. 2ªed.- São
Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2005. (PP.37-41; 177-181)

CONCEITO DE ROMÂNICO E ROMÂNIA

PARTE I

“Românico” é um derivado parassintético de “romano”. Os habitantes de Roma eram chamados de


“Romani”, em oposição aos “Latini” e, posteriormente, a outros povos do Império Romano. Os latinos eram
os habitantes da planície do Latium.

A partir do século III a.C., Roma se impôs sobre os demais povos, tornando mais distintos os
conceitos “latino” e “romano”. Com o edito de Caracala, de 212 d.C., que concedeu a cidadania romana a
todos os habitantes livres do Império, todos passaram a ser chamados romanos;o termo assumiu um
conteúdo coletivo.

Do ponto de vista lingüístico, todos que falavam latim eram chamados “Romani” em qualquer parte
do Império. Desse fato surgiu o derivado România para designar o conjunto dos territórios onde se falou
latim e, posteriormente, os territórios onde se fala a língua românica.

Com a queda do Império Romano no século VI, “Romanus” e “Romania” fiaram semanticamente
restritos ao campo lingüístico e cultural; “Romani” designava os que falavam uma língua derivada do latim.

Na Idade Média, o termo “romance” passou a designar as obras literárias escritas em qualquer uma
das línguas românicas. O latim se tornara a língua só dos cultos.

O gênero “romance”, como sinônimo de narrativa dos novos tempos, escritos na língua do povo
amplia a semântica do termo proporcionando uma conotação pejorativa.

A denominação continuou sendo usada em regiões do antigo Império Romano. Na Península


Balcânica a língua se chama limba romana; ao sul de Danúbio são chamados aromâni; e ao norte da
Península Ístria se denominam rumeri; os habitantes da antiga Récia também atribuíram a si mesmos o
nome de “romani” por oposição aos “barbari”.

Roma e Romano deram origem a um número considerável de derivados o que mostra a grande
influência que Roma exerceu e vem exercendo. Esse é o mundo com o qual a Filologia Românica se
relaciona, estudando suas línguas e seu universo cultural.

Quanto a România, se trata de um termo usual na língua falada, designando todo o império romano
ou mundo romano.
No Oriente, encontram-se várias atestações de România, empregado como sinônimo de Império
Romano tanto Ocidental como Oriental. Santo Atanásio considera Roma a “capital da România”.

Posteriormente, România passa a designar os territórios onde se mantinha a cultura romana,


sobretudo onde se falava uma língua românica.

O moderno conceito de România, porém, somente foi fixado com o advento da Filologia Românica.
Friedrich Diez consagrou o termo ao dividir a România em Ocidental e Oriental e Gastton Paris uscou definir
România como o conjunto dos territórios onde se falou latim ou onde fala atualmente uma língua românica.

Distinguem-se três fases na história da România: România Antiga (Nos primeiros decênios do século
II d.C.[Roma] atingiu sua extensão máxima, com um total de 301 províncias.), România Medieval
(Representa a fase territorialmente menos extensa, mas foi nela que as línguas românicas se formaram.) e
România Moderna (Começa no fim do século XV, quando os portugueses e espanhóis, levados pelo êxito
da reconquista da Península Ibérica, atacaram o norte da África; a expansão dos povos e a coletividade de
língua românica mostra que a România Moderna é a mais ampla das três, as línguas românicas são faladas
em todos os continentes.).

PARTE II

O conceito dos termos România e Românico está intimamente ligado a história de Roma; o início,
apogeu, declínio e a expansão do Império Romano dão tons distintos aos termos que vai desde o sentido
étnico e político até o sentido apenas cultural e lingüístico.

No começo os termos eram usados para denominar apenas os habitantes da cidade de Roma e mais
tarde passa a ser usado para denominar todos os habitantes do Império Romano e, ainda, para os falantes
das línguas que derivaram do latim.

A princípio usava-se o termo em contraposição a barbaria que se referia aos povos estrangeiros.

Assim, tem-se que no início da história de Roma o termo romanus era usado no sentido mais étnico
e político, e os habitantes de Roma eram denominados Romani; com o decorrer do tempo o termo passou a
ser usado para todos habitantes do Império Romano.

No século V, por Paulo Orósio, tem-se o aparecimento pela primeira vez da palavra România,
derivada do termo Romani.

Ao passar da história os termos Romanus e România perdem o significado político permanecendo


apenas no sentido lingüístico e cultural.

O número de léxicos que se constituíram a partir dos termos Roma e România foram muitos e um
deles é Românico, representando semanticamente o falar românico que engloba todas as línguas derivadas
do latim.

O estudo desses termos propicia uma visão bem clara do que foi o Império Romano, do poder que
exerceu e da importância que o idioma desse povo teve durante um período considerável da história da
humanidade, pois as línguas que vieram do latim, as neolatinas, foram espalhadas em todos os continentes.