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CENTRO UNIVERSITÁRIO – CATÓLICA DE SANTA CATARINA

CURSO DE DIREITO
PESQUISA EM CIÊNCIA JURÍDICA – TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
RENATO DA SILVA FONSECA FRITSCHE

DA NATUREZA DA RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO, NOS CASOS DE


ACIDENTES CAUSADOS POR VIATURAS DOS BOMBEIROS MILITARES,
SEGUNDO A JURISPRUDÊNCIA DOS TRIBUNAIS DE JUSTIÇA DE SANTA
CATARINA, PARANÁ E RIO GRANDE DO SUL

JARAGUÁ DO SUL
2017
RENATO DA SILVA FONSECA FRITSCHE

DA NATUREZA DA RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO, NOS CASOS DE


ACIDENTES CAUSADOS POR VIATURAS DOS BOMBEIROS MILITARES,
SEGUNDO A JURISPRUDÊNCIA DOS TRIBUNAIS DE JUSTIÇA DE SANTA
CATARINA, PARANÁ E RIO GRANDE DO SUL.

Projeto de pesquisa apresentado à


disciplina Pesquisa em Ciência Jurídica
(Monografia I – Projeto), como requisito
parcial para a aprovação no respectivo
componente curricular, e realização do
Trabalho de Conclusão de Curso do curso
de Direito do Centro Universitário –
Católica de Santa Catarina em Jaraguá
do Sul (SC).
Orientador: Prof.º.: Msc. Darwinn Harnack

JARAGUÁ DO SUL
2017
RENATO DA SILVA FONSECA FRITSCHE

DA NATUREZA DA RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO, NOS CASOS DE


ACIDENTES CAUSADOS POR VIATURAS DOS BOMBEIROS MILITARES,
SEGUNDO A JURISPRUDÊNCIA DOS TRIBUNAIS DE JUSTIÇA DE SANTA
CATARINA, PARANÁ E RIO GRANDE DO SUL.

Trabalho de conclusão de curso


apresentado á disciplina Pesquisa em
Ciência Jurídica (Monografia II – TCC),
COMO Requisito parcial para aprovação
no respectivo componente curricular –
Católica de Santa Catarina em Jaraguá
do Sul (SC).

COMISSÃO EXAMINADORA

_____________________________________________
Prof. Msc. Luiza Landerdahl Christmann
Centro Universitário - Católica de Santa
Catarina

_____________________________________________
Prof. Msc. Darwinn Harnack
Centro Universitário - Católica de Santa
Catarina

_____________________________________________
Prof.º Daniel de Mello Massimino
Centro Universitário - Católica de Santa
Catarina

Jaraguá do Sul, 08 de dezembro de 2017.


AGRADECIMENTOS

Esta é mais uma etapa da minha vida que passa a ser superada, ao iniciar
pela terceira vez uma graduação, não se acreditava que chegaria tão longe, e
finalmente iria completar esse objetivo.
Inicialmente agradeço a Deus por me dar força de vontade e me fazer
acreditar que esta seria uma boa opção, teve momentos da graduação que acredito
que se não houvesse um ser superior, não seria capaz juntar forças e continuar
caminhando.
Agradecer a minha futura esposa Thais que acreditou nessa minha decisão e
seguiu firme e forme, mesmo diante das dificuldades. Agradeço também a filha linda
que juntos tivemos durante esse período, Eloá é um pequeno anjo que chegou
dentro dos nossos objetivos e abrilhantou nossas vidas de forma incrível.
Aos meus pais que são tudo na minha vida, e sempre me apoiaram nas
minhas decisões.
Não posso deixar passar em branco o incentivo e apoio dos meus grandes
amigos Marcos Zanghelini, Francislei Fagundes e Rodrigo Carlo Klein, esses foram
os inspiradores que me fizeram ter admiração pelo Direito.
A minha líder Isabelle, sempre compreensiva e que mesmo quando
demonstrava que estava desanimado com essa rotina me aconselhava e me dava
incentivos para continuar.
A meu querido primo e irmão Jeison Dinael Fritsche, que infelizmente não
poderá me dar um abraço e curtir a festa de formatura comigo, este também
apostava todas suas fichas na minha pessoa e tenho certeza que ele ficaria muito
feliz de me ver nesta fase da minha vida.
Aos meus amigos Everaldo, Jackson, Leandro, Steve, pela parceria
hombridade nesses 5 anos dentro e fora da faculdade. Tenho certeza que é uma
amizade para vida toda.
De forma especial agradeço ao meu orientador, Dr. Darwin Harnack, pela
confiança, oportunidade e principalmente pela compreensão no decorrer do curso.
Este sempre de forma rápida atendeu e respondeu minhas solicitações, me
aconselhou e me encaminhou para concluir mais esta etapa.
RESUMO

Esta monografia versa sobre a Natureza da Responsabilidade Civil do Estado, nos


casos de acidentes causados por Viaturas dos Bombeiros Militares, segundo a
Jurisprudência dos Tribunais de Justiça dos estados de Santa Catarina, Paraná e
Rio Grande Do Sul. Com o crescente aumento na frota dos veículos nas cidades
brasileiras, o risco de acidente cresce para o motorista comum, e, diante disso, o
que dizer dos riscos aos quais os condutores de veículos de emergência estão
sujeitos? Diante desse cenário, indaga-se: em que medida recai a responsabilidade
civil do Estado objetiva ou subjetiva, pelos danos ocasionados por Bombeiro Militar
na condução de veículo oficial durante atendimento a um chamado de emergência,
segundo entendimento do Tribunal de Justiça do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa
Catarina? A Responsabilidade Civil do Estado por acidentes causados por viaturas
conduzidas por bombeiros militares será objetiva, tendo em vista o comando
constitucional estatuído no artigo 37 §6º da Constituição Federal de 1988, que se
sobrepõe a todo e qualquer outro ordenamento infraconstitucional ou entendimento
doutrinário. A Responsabilidade Civil do Estado por acidentes causados por viaturas
conduzidas por bombeiros militares será subjetiva, constituindo exceção à regra
geral da responsabilidade civil objetiva estatal, por construção doutrinária e da
jurisprudência dos Tribunais de Justiça pesquisados. Nesta senda, o marco teórico
utilizado para desenvolvimento da presente pesquisa foi: BARCELOS, Marcos
Aurélio. A responsabilidade civil do Estado nas ações dos bombeiros
comunitários e voluntários. Universidade do Sul de Santa Catarina, Tubarão,
2004.; CAVALIERI FILHO, Sergio, Programa de Responsabilidade Civil. 10 ed.
São Paulo, Atlas, 2012; DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella, Direito administrativo. 27
ed. São Paulo, Atlas, 2014. No que tange à metodologia utilizada, enfatiza-se que foi
definido o Método Hipotético dedutivo como mais adequado ao estudo, sendo que
os procedimentos técnicos utilizados consistiram na pesquisa bibliográfica e
jurisprudencial do Tribunal de Justiça dos Estados do Paraná, Rio Grande do Sul e
Santa Catarina. O trabalho foi apresentado em três capítulos de acordo com os
objetivos específicos traçados. O primeiro capítulo aborda sobre a evolução da
responsabilidade civil na história, conceitua o instituto e assim expor sobre os
elementos da responsabilidade civil: ação, omissão, dolo, elemento acidental da
Responsabilidade Civil, nexo de causalidade dano. Diferencia Responsabilidade
Civil Objetiva da Subjetiva e passa a discorrer sobre a Responsabilidade Civil do
Estado, iniciando por sua evolução histórica, passando para a responsabilidade
objetiva do Estado, concluindo com as condutas ensejadoras de exclusão da
responsabilidade civil do estado. Num segundo momento, desenvolve os aspectos
históricos e legais dos Corpos de Bombeiros, diferenciando as modalidades de
bombeiros existentes e sua atuação. A presente monografia encerra com o
aprofundamento no tema proposto, embasando a responsabilidade civil do Estado
no Direito positivo brasileiro, sobre a reparação do dano e a concluindo sobre a
responsabilidade civil do Estado nos acidentes causados por suas viaturas.

Palavras-chave: Responsabilidade Civil do Estado. Bombeiros Militares. Viaturas.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.................................................................................................. 08
2.1 RESPONSABILIDADE CIVIL......................................................................... 09
2.1 CONCEITO E BREVE HISTÓRICO DO INSTITUTO DA
RESPONSABIILIDADE CIVIL NO BRASIL..........................................................
09
2.2 ELEMENTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL........................................... 12
2.2.1 Ação ou Omissão...................................................................................... 12
2.2.2 Elemento Acidental da Culpa................................................................... 13
2.2.3 Nexo de Causalidade................................................................................ 15
2.2.4 Dano........................................................................................................... 17
2.3 RESPONSABILIDADE SUBJETIVA.............................................................. 17
2.4 RESPONSABILIDADE OBJETIVA................................................................. 18
2.5 EXCLUDENTES DA RESPONSABILIDADE CIVIL....................................... 20
2.6 RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO................................................... 22
2.6.1 Evolução Histórica da Responsabilidade Civil do Estado.................... 22
2.6.2 Teoria da Irresponsabilidade do Estado................................................. 23
2.6.3 Responsabilidade com Culpa Civil Comum do Estado......................... 24
2.6.4 Teoria da Culpa Administrativa............................................................... 24
2.6.5 Teoria do Risco Administrativo............................................................... 25
2.6.6 Teoria do Risco Integral........................................................................... 26
2.6.7 Responsabilidade Objetiva do Estado Segundo a Constituição
Federal de 1988..................................................................................................
27
3 EVOLUÇÃO HISTÓRICA E ASPECTOS LEGAIS DOS BOMBEIROS
MILITARES..........................................................................................................
30
3.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA............................................................................... 31
3.1.1 Aspecto legal dos Corpos de Bombeiros Militares dos Estados de
Santa Catarina Paraná e Rio Grande do Sul....................................................
35
3.2 VEÍCULO DE EMERGÊNCIA NO CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO... 39
3.3 REQUISITOS PARA CONDUZIR DE VEÍCULO DE EMERGÊNCIA............ 41
3.4 ATIVIDADES LEGAIS DE COMPETÊNCIA DO CORPO DE BOMBEIROS
MILITAR..............................................................................................................
43
4 A RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO EM FACE DA ATIVIDADE
DOS BOMBEIROS MILITARES...........................................................................
45
4.1 ANÁLISE JURISPRUDENCIAIS ACERCA DA RESPONSABILIDADE
CIVIL DO ESTADO NOS ACIDENTES COMETIDOS POR VIATURAS DO
BOMBEIROS MILITAR........................................................................................ 46
4.1.2 Tribunal de Justiça do Paraná................................................................. 47
4.1.3 Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.............................................. 49
4.1.4 Tribunal de Justiça de Santa Catarina.................................................... 51
5 CONSIDERAÇÕES........................................................................................... 54
REFERÊNCIAS.................................................................................................... 56
APÊNDICES........................................................................................................ 59
APÊNDICE A PESQUISA DE JULGADOS DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO
PARANÁ..............................................................................................................
59
APÊNDICE B PESQUISA DE JULGADOS DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO
RIO GRANDE DO SUL........................................................................................ 61
APÊNDICE C PESQUISA DE JULGADOS DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE
SANTA CATARINA............................................................................................. 67
8

1 INTRODUÇÃO

A atividade desenvolvida pelos bombeiros está intrinsecamente ligada a


riscos decorrentes do exercício de suas tarefas cotidianas. Dentre esses
profissionais destaca-se o condutor de veículo de emergência, o qual tem a
responsabilidade de conduzir o veículo em diversas circunstâncias e, embora seja
profissional altamente qualificado, está exposto a diversas situações, tal a pressão
para cumprimento de seu dever frente à sociedade.
A possibilidade do envolvimento em um acidente de trânsito com uma viatura
do Corpo de Bombeiros Militar é iminente, e pode ensejar uma busca por
indenização e responsabilização em face do Estado.
A pesquisa se justifica, porque em levantamento inicial de dados foi localizado
um 1julgado do Tribunal de Justiça Federal do Distrito Federal, tratando de acidente
envolvendo viatura do Corpo de Bombeiros Militar, no qual foi abordada a ideia de
presunção de culpa, bem como analisada a conduta do agente público ao trafegar
com o veículo. Para compreender melhor como os tribunais selecionados estão
analisando a temática atualmente e verificar possíveis divergências, promoveu-se o
recorte temático para avançar-se nesta investigação.
Desta forma, objetivou-se o presente estudo, indagar, em que medida recai a
responsabilidade civil do Estado, se objetiva ou subjetiva, pelos danos ocasionados
por Bombeiro Militar na condução de veículo oficial durante atendimento a um
chamado de emergência, segundo entendimento do Tribunal de Justiça dos estados
do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina com lapso temporal de pesquisa em
5 anos.
Diante das hipóteses que foram levantadas acerca da temática de pesquisa, a
primeira corresponde sobre a Responsabilidade Civil do Estado por acidentes
causados com viaturas conduzidas por bombeiros militares será objetiva, tendo em
vista o comando constitucional estatuído no artigo 37, § 6º da Constituição Federal
de 1988, que se sobrepõe a todo e qualquer ordenamento infraconstitucional ou
entendimento doutrinário.
A segunda hipótese recai sobre a responsabilidade subjetiva, que necessita
de dolo ou culpa na conduta do agente público, constituindo imprescindível a

1
https://tj-df.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/176167058/apelacao-civel-apc-20130110018937-df-
0000091-1620138070018
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comprovação do dano suportado pela vítima além do respectivo nexo de


causalidade.
Nesta senda, será utilizado o marco teórico para desenvolvimento da
presente pesquisa foi: BARCELOS, Marcos Aurélio. A responsabilidade civil do
Estado nas ações dos bombeiros comunitários e voluntários. Universidade do
Sul de Santa Catarina, Tubarão, 2004.; CAVALIERI FILHO, Sergio, Programa de
Responsabilidade Civil. 10 ed. São Paulo, Atlas, 2012; DI PIETRO, Maria Sylvia
Zanella, Direito administrativo. 27 ed. São Paulo, Atlas, 2014.
No que tange à metodologia utilizada, enfatiza-se que foi definido o Método
Hipotético dedutivo como mais adequado ao estudo, e que os procedimentos
técnicos utilizados consistiram na pesquisa bibliográfica e jurisprudencial. O trabalho
foi apresentado em três capítulos de acordo com os objetivos específicos traçados.
No primeiro capítulo, realizou-se o estudo sobre a evolução da
responsabilidade civil na história, seus elementos, de modo a clarear a atuação da
responsabilidade civil comum, tanto na responsabilidade objetiva quanto a subjetiva.
Ainda, passará a discorrer sobre a evolução histórica da responsabilidade civil do
Estado, diferenciação da Responsabilidade Civil Objetiva da Subjetiva do Estado,
concluindo com as condutas ensejadoras de exclusão da responsabilidade civil do
Estado.
Assim, no segundo capitulo, versará sobre a evolução histórica do corpo de
Bombeiros Militar, quais os aspectos legais inerentes Bombeiros Militares, dos
Estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a definição de veículo de
emergência segundo o Código de Trânsito Brasileiro e requisitos para condução de
veículo de emergência e atividades de sua competência.
Por fim, o último capítulo foi dedicado especificamente a problemática da
Responsabilidade Civil do Estado em face dos acidentes de trânsito envolvendo
viaturas do Corpo de Bombeiros Militar, com análise de julgados, do Tribunal de
Justiça dos Estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
10

2 RESPONSABILIDADE CIVIL

A responsabilidade civil segundo Gagliano e Pamplona Filho (2014), trata-se


da situação em que o agente comete um ato ilícito e tem a obrigação de reparar o
dano seja ele patrimonial ou moral, ao qual busca restaurar o status quo ante, ainda
se este dano não for passível de reparação, poderá ser convertida em pagamento
de uma indenização.
Com o objetivo de esclarecer este instituto, assim se discorrerá neste capitulo
a responsabilidade civil.

2.1 CONCEITO E BREVE HISTÓRICO DO INSTITUTO DA RESPONSABILIDADE


CIVIL NO BRASIL

A palavra responsabilidade, segundo Gonçalves (2014) tem sua origem na


raiz latina “spondeo”, pela qual se vinculava o devedor, solenemente, nos contratos
verbais do direito romano. Dentre as várias acepções existentes, algumas fundadas
na doutrina do livre-arbítrio, outras em motivações psicológicas, destaca-se a noção
de responsabilidade como aspecto da realidade social. (GONÇALVES, 2014).
Assim, destaca Gonçalves (2014) que responsabilidade exprime ideia de
restauração de equilíbrio, de contraprestação, de reparação de dano. Onde múltiplas
as atividades humanas, inúmeras são também as espécies de responsabilidade, que
abrangem todos os ramos do direito e extravasam os limites da vida jurídica, para se
ligar a todos os domínios da vida social.
Inicialmente segundo Barcelos (2004), a responsabilidade civil fundava-se na
vingança coletiva e tinha como característica a reação conjunta do grupo contra o
agressor, pela ofensa a um de seus componentes, evoluindo até a reação individual,
passando de vingança coletiva para vingança privada.
Ainda, ressalta Barcelos:

A justiça era feita pelo próprio homem, ou seja, justiça pelas próprias mãos.
Tal preceito foi à base fundamental para o surgimento da Lei de Talião. Foi
difundida através do tempo pela expressão "olho por olho, dente por dente".
A prática dos princípios desta lei fez com que o poder público viesse a
intervir somente nos casos em que o ofendido poderia ter o direito de
retaliação, imputando ao agressor dano idêntico ao que foi produzido.
(BARCELOS, 2004, p. 9).
11

Soares complementa, e assim descreve a evolução histórica da


responsabilidade civil:

Esse período histórico, como se sabe, constitui a denominada vingança


privada, que evoluiu no sentido da vingança divina (ou sacral, realizada em
nome de Deus) e, finalmente, cristalizou-se na vingança pública (em nome
do Estado), nos tempos modernos. Nesse contexto, o princípio da
responsabilização do autor da injúria, da injustiça, lesão, ofensa ou dano,
aparece nos mais antigos textos legais, dentro os babilônicos, gregos,
romanos, germanos e astecas. O Código de Hamurabi, por exemplo, assim
denominado em homenagem ao monarca da Babilônia, que o mandou
elaborar, e que viveu, calcula-se no período de 2003 a 1961 a.C.,
estabeleceu várias disposições reparatórias do dano ou prejuízo causado
pelo agente do fato (SOARES,1996, p.1).

Com a introdução da Lei Aquília, nos tempos da República Romana (250


a.C.), iniciou-se a sedimentação da reparação pecuniária, que se dava em razão do
valor da coisa (DIAS, 1995).
Outrora, Sergio Cavalieri Filho (2003), entende a responsabilidade por dever
jurídico a conduta externa de uma pessoa, imposta pelo Direito Positivo por
exigência da convivência social. Não se trata de simples conselho, advertência ou
recomendação, mas de uma ordem ou comando dirigido à inteligência e à vontade
dos indivíduos, de sorte que impor deveres jurídicos importa criar obrigações.
Coloca-se o responsável na situação de quem, por ter violado determinada
norma, vê-se exposto às consequências não desejadas decorrentes de sua conduta
danosa, podendo ser compelido a restaurar o status quo ante. (GONÇALVES,
2014).
Desta forma ao compreender a origem da palavra responsabilidade e seu
conceito, se faz necessário tratar da evolução histórica da responsabilidade civil.
No Brasil, o instituto da responsabilidade civil evoluiu em três fases distintas.
A primeira fase fundamentava-se nas ordenações do reino e tinha como base de
sustentação o direito romano. A segunda fase iniciou-se com a entrada em vigor do
Código Criminal de 1830. Esta legislação difundiu a ideia de ressarcimento do dano,
o que é usado até hoje. Por fim, a terceira fase veio a distinguir a responsabilidade
civil da penal, passando a tratar da matéria de reparação de danos na legislação civil
(GANDINI SALOMÃO, 2003).
Assim segundo Cavalieri Filho (2003), leciona que o Código Civil de 1916 era
subjetivista com tanto rigor que não abria espaço para outra responsabilidade que
12

não fosse esta, conforme previa o texto do artigo 159 do referido código, quando a
responsabilidade era subjetiva deveria ser com culpa provada.
A responsabilidade civil objetiva no Brasil, se estabeleceu no ordenamento
jurídico por conta da regulamentação das estradas ferroviárias que segundo
Gonçalves (2014), surge no Brasil com o Decreto n. 2.681, de 7 de dezembro de
1912.

Tal diploma, considerado avançado para a época em que foi promulgado,


destinava-se a regular tão somente a responsabilidade civil das ferrovias.
Entretanto, por uma ampliação jurisprudencial, teve sua aplicação estendida
a qualquer outro tipo de transporte: ônibus, táxis, lotações, automóveis etc.
(GONÇALVES, 2014, p. 148).

O Código Civil de 1916 acabou por mostrar-se insuficiente para a resolução


dos problemas decorrentes da responsabilidade civil, pois a sociedade avançava
muito e as escassas regras existentes acabaram se tornando obsoletas. A doutrina
pátria e a jurisprudência, por outro lado, compensaram a insuficiência de regras
estabelecidas. Surgiram vários diplomas legais que deram impulso ao instituto, como
o Código Aeronáutico e a Lei de Imprensa. A Constituição Federal de 1988
reconheceu a importância do instituto. Disciplinou várias situações nos incisos V, X,
XXIV e LXXV, do artigo 5º, bem como no artigo 37, § 6º. O Código de Defesa do
Consumidor, tratou da responsabilidade civil de forma a garantir o ressarcimento de
danos advindos de defeitos nos produtos e serviços (DIAS, 1995).
O Código Civil de 2002 fez profunda modificação na disciplina da
responsabilidade civil estabelecida no Código anterior, na medida em que incorporou
ao seu texto todos os avanços anteriormente alcançados. Fato este se tornou
necessário, para que não entrasse em vigor completamente desatualizado.
Segundo Cavalieri Filho:

Podemos afirmar que, se o Código de 1916 era subjetivista, o Código atual


prestigia a responsabilidade objetiva. Mas isso não significa dizer que a
responsabilidade subjetiva tenha sido inteiramente afastada.
Responsabilidade subjetiva teremos sempre, mesmo não havendo lei
prevendo-a, até porque essa responsabilidade faz parte da própria essência
do Direito, da sua ética, da sua moral- enfim, do sentido natural de justiça.
(CAVALIERI FILHO, 2012, p. 23-24).

Decorre daquele princípio superior de direito de que ninguém pode causar


dano a outrem.
13

Então vale repetir, que temos no Código atual um sistema de


responsabilidade prevalentemente objetivo, porque esse é o sistema
montado ao longo do século XX por meio de leis especiais; sem exclusão,
todavia, da responsabilidade subjetiva, que terá seu espaço sempre que
não tivermos disposição legal expressa consagrando a responsabilidade
objetiva. (CAVALIERI FILHO, 2012, p. 24).

Diante desta evolução histórica da responsabilidade civil, aprofundando o


conhecimento, caberá versar sobre os elementos da responsabilidade civil.

2.2 ELEMENTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL

Os elementos da responsabilidade civil como estabelece o Código Civil


brasileiro em seu artigo 186, que fala sobre responsabilidade civil, tem como
pressupostos a ação ou omissão do agente, devendo ser considerado a relação de
causalidade, esta relação ligada entre o dano e a ação do agente causador.
Cabe então ressaltar são elementos essenciais da responsabilidade civil:
ação ou omissão, nexo de causalidade e dano.

2.2.1 Ação ou Omissão

Um dos requisitos essências da responsabilidade civil segundo Sampaio


(2002), estabelecido pelo legislador, é a de que o prejuízo causado deve advir de
conduta humana podendo ser ela omissiva ou comissiva, essa pode ser oriunda da
violação de um dever contratual, legal ou social. (SAMPAIO, 2002).
Portanto tal obrigação vincula-se ao comportamento humano positivo
correspondente a (ação), ou negativo correspondendo a (omissão), surgindo desta
ideia a noção de ato ilícito, esse inserido nas espécies de gênero ato jurídico.
Enfim, Sampaio (2002), esclarece que deve reparar o dano aquele que, por
meio de um comportamento humano, viola um dever contratual que consiste no
descumprimento de uma obrigação contratualmente prevista, legal aquela conduta
diretamente contraria a mandamento legal, ou social, hipótese em que o
comportamento, sem infringir a lei, foge à finalidade social a que ele se destina.
14

Entende-se dessa forma segundo Sampaio (2002), que pode o agente


causador por ação ou omissão, infringir a norma propriamente dita, restando a este
por sua conduta ser responsabilizado.
Assim como assevera Diniz:

A ação, elemento constitutivo da responsabilidade, vem a ser o ato humano,


comissivo ou omissivo, ilícito ou lícito, voluntário e objetivamente imputável,
do próprio agente ou de terceiros, ou fato de animal ou coisa inanimada,
que cause danos a outrem, gerando o dever de satisfazer os direitos do
lesado. (DINIZ, 2002, p. 28).

Já a omissão, é caraterizada por uma conduta de natureza negativa, aquela


em que o resultado de uma ação não realizada que provocou o um dano pelo não
cumprimento de sua obrigação. Sendo assim assevera Stoco, “a omissão é uma
conduta negativa. Surge porque alguém não realizou nenhuma ação. A sua essência
esta propriamente em não ter agido de determinada forma”. (STOCO, 1999, p.65).
Gandini e Salomão complementam que:

Pode-se dizer que conduta é um comportamento humano, comissivo ou


omissivo, voluntário e imputável. Por ser uma atitude humana exclui os
eventos da natureza; voluntário no sentido de ser controlável pela vontade
do agente, quando de sua conduta, excluindo-se, aí, os atos inconscientes
ou sob coação absoluta; imputável por poder ser-lhe atribuída a prática do
ato, possuindo o agente discernimento e vontade e ser ele livre para
determinar-se. (BARCELOS, 2004, p.14 apud GANDINI; SALOMÃO, 2004).

A conduta é um comportamento humano que repercute em um ato, seja este


comissivo ou omissivo, voluntário e imputável. Nem sempre uma ação se dá pela
vontade própria do agente, ou ainda, poderá ser responsabilizada por uma ação
voluntária, que seja independente do seu ato, sendo assim compreende-se que
imputável é a responsabilização presumindo pleno discernimento, vontade e a
liberdade do agente, podendo esta conduta pode ser classificada como dolo.

2.2.2 Elemento Acidental da Culpa

A culpa é a inobservância de uma conduta razoavelmente exigível para o


caso concreto, tendo em vista padrões medianos. (CASTRO apud PEREIRA, 2012,
p. 310).
15

A ação é voluntária, no que diz respeito à materialidade do ato gerador das


consequências danosas. Mas o agente não procura o dano como objetivo
de sua conduta, nem procede com a consciência da infração. Daquela ação
derivam consequências prejudiciais, que não podem ficar livres da
reparação. (PEREIRA, 2012, p. 310).

Há, assim, um encadeamento de fatos e consequências:

Uma atuação voluntária, ainda que sem a consciência da transgressão; um


dano a alguém; uma obrigação de repará-lo, porque a conduta foi
contraveniente à imposição de uma norma. Analisada originariamente esta
série de fatos e consequências, ressalta que o fundamento da
responsabilidade por culpa está na infração mesma de um dever, seja este
legal, seja contratual, que o agente devia ter evitado, conduzindo-se de
maneira a não faltar a ele. Nela articulam-se dois fatores: o dever violado e
a imputabilidade do agente. (PEREIRA, 2012, p.311).

O primeiro, presente na atuação da vontade consciente para a ação em


contrariedade a uma predeterminação (elemento objetivo), e a segunda na
verificação de não ter ele prevenido ou evitado os efeitos, podendo fazê-lo.
(AGOSTINHO apud PEREIRA, 2012, p. 311).

Desde que o agente transgrediu a norma, seja ela instituída pela lei geral,
seja criada pela convenção que é lei particular entre as partes, e com isto
causou danos a outrem, responde pelas consequências e sujeita-se à
reparação. Mas acha-se fora de sua etiologia a vontade de causar o mal, ou
a consciência mesma da violação. (PEREIRA, 2012, p. 311).

Sendo assim segundo Caio Mario (2012), a culpa pode ser considerada um
dos temas mais debatidos do Direito Civil, devido a dezenas de definições relativo a
esta. Ao analisar este fenômeno, verifica-se que as noções formuladas apresentam
semelhança resultante de algumas constantes. Contudo inexistiria a culpa na
inexistência de uma norma anterior. Assim a ideia de culpa antes de ser jurídica é
moral, e juridicamente, há de haver uma predeterminação de culpa. (PEREIRA,
2012).
Partindo deste pressuposto:

A ideia de que a sua conduta é predeterminada pela lei ou pela convenção,


o primeiro pressuposto ressalta e fica estabelecido. O segundo é a ação
voluntária do agente em contravenção a essa conduta e em contradição
com aquela norma. Ele desviou-se da normação, transgrediu a regra
predeterminante. Cometeu, assim, um erro de conduta. Devendo seguir um
rumo condicente com a norma, afastou-se dela, ainda que sem a
consciência de violentá-la. Cometeu um desvio ou erro de conduta, por
negligência, por desatenção, por imprudência, por omissão da observância
16

de regras - não importa a causa. Podendo evitar ou prevenir, desviou-se da


conduta imposta pela norma. (PEREIRA, 2012, p. 311).

Contudo, segundo Barcelos (2004), há situações em que a vontade do agente


não está determinada ao alcance do resultado, pelo qual se objetiva algo diverso e
assumindo o risco de causar o dano a outrem. Acerca do chamado dolo eventual,
conforme está mencionada no parágrafo anterior e designado dolo direto.
Desta forma, assevera Noronha:

“Age dolosamente não apenas o que quer livre e conscientemente o


resultado, mas também quem, embora não o querendo de modo principal,
aceita-o ou a ele anui. Na primeira hipótese, diz direto o dolo; na segunda,
eventual”. (NORONHA,1991, p. 131).

Todavia, a classificação da culpa acaba perdendo o sentido prático, conforme


leciona Rodrigues:

A distinção entre dolo e culpa, bem como os graus de culpa, de um certo


modo perde a oportunidade. Isto porque, quer haja dolo, quer haja culpa
grave, leve ou levíssima, o dever de reparar se manifesta com igual
veemência, pois o legislador parece ter adotado a norma romana segundo a
qual in lex Aquilia et levíssima culpa venit, ou seja, dentro da
responsabilidade aquiliana, ainda que seja levíssima a culpa do agente
causador do dano, cumpre-lhe indenizar a vítima. Ora, como a indenização
deve ser a mais completa possível, posto que indenizar significa tornar
indene a vítima, o agente causador do dano, em tese, tem a obrigação de
rapará-lo integralmente, quer tenha agido com dolo, quer com culpa
levíssima (RODRIGUES, 1998 p. 163).

Contudo a culpa estaria presente somente nas responsabilizações civis


decorrentes de atos ilícitos, segundo a orientação adotada pelo Código Civil pátrio,
uma vez que as responsabilidades provenientes de atos lícitos não exigem tal
pressuposto.

2.2.3 Nexo de Causalidade

O nexo de causalidade consiste na investigação do nexo que liga o resultado


danoso do agente infrator, sendo este fator indispensável para a conclusão da
responsabilidade jurídica. (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2014).
Para explicar o nexo de causalidade há de ser consideradas três teorias que
expõem a melhor forma de compreendê-las:
17

A primeira versa sobre a teoria da equivalência e condições:


Segundo De Page (apud PEREIRA, 2002, p. 78), observa que esta teoria:

Em sua essência, sustenta que, em havendo culpa, todas as condições de


um dano são equivalentes, isto é, todos os elementos que, ‘de uma certa
maneira concorreram para a sua realização, consideram-se como causas,
sem a necessidade de determinar, no encadeamento dos fatos que
antecederam o evento danoso, qual deles pode ser apontado como sendo o
que de modo imediato provocou a efetivação do prejuízo. (PEREIRA, 2002,
p. 78).

Esta teoria não distingue os antecedentes do resultado danoso desta forma,


tudo que concorrer para o evento é considerado causa. A equivalência de condições
está diretamente ligada a todos os fatores casuais que se equivalerem e tenham
relação com resultado.
Por seguinte a segunda teoria da causalidade adequada.
Esta teoria consiste na probabilidade, de apenas o antecedente
abstratamente idôneo para a produção do efeito danoso. Assim, assevera Varela
(apud GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2014, p.150), quem exemplifica:

Se alguém retém ilicitamente uma pessoa que se apressava para tomar


certo avião, e teve, afinal, de pegar um outro, que caiu e provocou a morte
de todos os passageiros, enquanto o primeiro chegou sem incidente ao
aeroporto de destino, não se poderá considerar a retenção ilícita do
indivíduo como causa (jurídica) do dano ocorrido, porque, em abstrato, não
era adequada a produzir tal efeito, embora se possa asseverar que este
(nas condições em que se verificou) não se teria dado se não fora o ilícito. A
ideia fundamental da doutrina é a de que só há uma relação de causalidade
adequada entre o fato e o dano quando o ato ilícito praticado pelo agente
seja de molde a provocar o dano sofrido pela vítima, segundo o curso
normal das coisas e a experiência comum da vida. (GAGLIANO;
PAMPLONA FILHO, 2014, p. 150).

Por fim, a terceira teoria trata de um fato ocorrido gera outro evento,
podendo este outro evento virar outro evento danoso, com resultado pior ao primeiro
fato. Neste o vínculo de necessidade ao resultado danoso, determina este como
uma consequência sua direta e imediata.
Assim, sobre esta corrente discorre professor Agostinho:

A Escola que melhor explica a teoria do dano direto e imediato é a que se


reporta à necessariedade da causa. Efetivamente, é ela que está mais de
acordo com as fontes históricas da teoria do dano, como se verá. E em
outro trecho de sua obra: “Suposto certo dano, considera-se causa dele a
que lhe é próxima ou remota, mas, com relação a esta última, é mister que
18

ela se ligue ao dano, diretamente. Assim, é indenizável todo dano que se


filia a uma causa, ainda que remota, desde que ela lhe seja causa
necessária, por não existir outra que explique o mesmo dano. Quer a lei que
o dano seja o efeito direto e imediato da execução. (AGOSTINHO apud
GAGLIANO, PAMPLONA FILHO, 2014, p. 151).

Sendo assim entende-se que o nexo de causalidade é a relação entre a ação


praticada e o dano, devendo esta ser comprovada pela vítima. Porém não é uma
tarefa fácil, pois dependendo da situação se não comprovada esta relação pode a
vítima padecer sem ter seu direito de indenização devido a sua não comprovação.

2.2.4 Dano

O dano trata-se da existência de um prejuízo ao qual indiferente à espécie de


responsabilidade gera ao agente causador ou inadimplente a configuração da
responsabilidade civil, e consequentemente o dever de indenizar.
Desta forma, assim aduz Sergio Cavalieri Filho:

O dano é, sem dúvida, o grande vilão da responsabilidade civil. Não haveria


que se falar em indenização, nem em ressarcimento, se não houvesse o
dano. Pode haver responsabilidade sem culpa, mas não pode haver
responsabilidade sem dano. A obrigação de indenizar só ocorre quando
alguém pratica ato ilícito e causa dano a outrem. O dano encontra-se no
centro da regra de responsabilidade civil. O dever de reparar pressupõe o
dano e sem ele não há indenização devida. Não basta o risco de dano, não
basta a conduta ilícita. Sem uma consequência concreta, lesiva ao
patrimônio econômico ou moral, não se impõe o dever de reparar. O art.
927 do Código Civil é expresso nesse sentido: aquele que, por ato ilícito
(arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. O art.
186, por sua vez, fala em violar direito e causar dano. Da mesma forma o
parágrafo único do art. 927: "Haverá obrigação de reparar o dano,
independentemente de culpa, [ ... ] quando a atividade normalmente
desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os
direitos de outrem." Mesmo na responsabilidade objetiva, qualquer que seja
a modalidade do risco que lhe sirva de fundamento risco profissional, risco
proveito, risco criado etc. O dano constitui o seu elemento preponderante.
Em suma, sem dano, não haverá o que reparar, ainda que a conduta tenha
sido culposa ou até dolosa. Se o motorista, apesar de ter avançado o sinal,
não atropela ninguém, nem bate em outro veículo; se o prédio desmorona
por falta de conservação pelo proprietário, mas não atinge nenhuma pessoa
ou outros bens, não haverá o que indenizar. (CAVALIERI FILHO, 2012,
p.76-77).

Cumpre ressaltar que o dano e resultado de uma ação do agente causador


que gera a obrigação de reparação deste.
19

2.3 RESPONSABILIDADE SUBJETIVA

“A responsabilidade subjetiva é aquela decorrente do dano causado em


função de um ato doloso ou culposo”. (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2015, p.
55).
Desta forma, Pereira ressalta que:

A essência da responsabilidade civil subjetiva vai assentar,


fundamentalmente na pesquisa ou indagação de como o comportamento
contribui para o prejuízo sofrido pela vítima. Assim procedendo, não
considera apto a gerar efeito ressarcitório um fato humano qualquer.
Somente será gerador daquele feito determinada conduta, que a ordem
jurídica reveste de certos requisitos ou de certas características. (PEREIRA,
1998. p.75).

Assim estabelece o Código Civil brasileiro:

O art. 186 do Código Civil Brasileiro: estabelece os pressupostos da


responsabilidade subjetiva, quais sejam “aquele que por ação ou omissão
voluntária, negligência ou imprudência, violar direito de outrem, fica
obrigado a reparar o dano. (BRASIL, 2002).

Com base nestas informações, verifica-se que o caput do art. 186 do Código
Civil Brasileiro estabelece os pressupostos da responsabilidade subjetiva.
Assim, aduz Silva:

Por força do dispositivo legal acima citado, aquele que, mediante conduta
culposa violar direito de outrem, causando-lhe um dano, está assim
praticando um ato ilícito, ficando, destarte, obrigado a reparar os danos
decorrentes da violação do direito, que podem ser de natureza material,
pessoal ou moral. (SILVA, 1999, p.12).

Entende-se então que a responsabilidade subjetiva é atribuída a aquele que


de forma culposa viola direito de outra pessoa, causando a este um dano, podendo
este ser de natureza material, pessoal ou moral, sendo que em qualquer uma delas
o agente causador e obrigado a reparar os danos.

2.4 RESPONSABILIDADE OBJETIVA

A responsabilidade objetiva trata-se da espécie de responsabilidade onde não


há necessidade de discutir culpa ou dolo do agente causador, sendo necessários
20

somente que haja o nexo de causalidade entre a conduta do mesmo e o dano


causado.

Entretanto, hipóteses há em que não é necessário sequer ser caracterizada


a culpa. Nesses casos, estaremos diante do que se convencionou chamar
de “responsabilidade civil objetiva”. Segunda tal espécie de
responsabilidade, o dolo ou culpa na conduta do agente causador do dano é
irrelevante juridicamente, haja vista que somente será necessária a
existência do elo de causalidade entre o dano e a conduta do agente
responsável para que surja o dever de indenizar. (GAGLIANO; PAMPLONA,
2014, p. 56).

Neste sentido Gonçalves (2010) destaca a “não possibilidade de acusar quem


não tenha dado causa ao evento”.

A classificação corrente e tradicional, porém, denomina objetiva a


responsabilidade que independe de culpa. Esta pode ou não existir, mas
será sempre irrelevante para a configuração do dever de indenizar.
Indispensável será a relação de causalidade, uma vez que, mesmo no caso
de responsabilidade objetiva, não se pode acusar quem não tenha dado
causa ao evento. (GONÇALVES, 2010, p. 49).

Desta forma versando sobre o nexo de causal, pode-se dizer que é o


elemento objetivo que dá causa ao dano, seja ela por ação ou omissão, implicando
na reparação por danos materiais ou morais.
Conceituando o nexo causal entende-se:

O vínculo entre o prejuízo e a ação designa-se “nexo causal”, de modo que


o fato lesivo deverá ser oriundo da ação, diretamente ou como sua
consequência previsível. Tal nexo representa, portanto, uma relação...
necessária entre o evento danoso e a ação que o produziu. (DINIZ, 2006,
p.110).

Cabe então a comprovação de que determinada conduta ou a omissão da


pessoa foi a que deu ensejo ao dano.
Conforme o Código Civil de 2002, a regra da responsabilidade objetiva está
expressa no dispositivo do artigo 927, parágrafo único.

Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem,
fica obrigado a repará-lo.
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente
de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade
normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza,
risco para os direitos de outrem. (BRASIL, 2002).
21

Entende-se que a responsabilidade objetiva está ligada à pessoa mesmo se


esta não teve a intenção de dar causa a um evento danoso, restando ao indivíduo o
dever de repará-lo.

2.5 EXCLUDENTES DA RESPONSABILIDADE CIVIL

São aquelas situações pelas quais cujas consequências acabam por diluir o
nexo de causalidade de forma a rompê-lo, prejudicando na obrigação de indenizar o
dano sofrido.
Essas excludentes são definidas como: o estado de necessidade, a legitima
defesa, caso fortuito ou força maior, o estrito cumprimento do dever legal e culpa
exclusiva da vítima.
O estado de necessidade está assim descrito no artigo 188 do código civil de
2002:

Art. 188. Não constituem atos ilícitos:


I - Os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito
reconhecido;
II - A deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim
de remover perigo iminente.
Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando
as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os
limites do indispensável para a remoção do perigo. (BRASIL, 2002).

Desta forma, completa Gagliano e Pamplona filho:

Com isso, quer-se dizer que o agente, atuando em estado de necessidade,


não está isento do dever de atuar nos estritos limites de sua necessidade,
para a remoção da situação de perigo. Será responsabilizado, pois, por
qualquer excesso que venha a cometer. (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO,
2014, p. 167).

Diferentemente do ato praticado em estado de necessidade ao qual o autor é


obrigado a reparar o dano causado, não acontece com a prática de um dano em
legitima defesa, no exercício regular de um direito e no estrito cumprimento do dever
legal.
A excludente de legitima defesa pressupõe a reação justa e proporcional a
uma injusta agressão, desde que utilizando moderadamente dos meios de defesa
cabíveis.
22

Nesse sentido Greco (2013) destaca:

A natureza do instituto da legitima defesa é constituída pela possibilidade de


reação direta do agredido em defesa de um interesse, dada a
impossibilidade da intervenção tempestiva do Estado, o qual tem igualmente
por fim que interesses dignos de tutela não sejam lesados. (GRECO, 2013,
p. 335).

A configuração destas excludentes de responsabilidade civil se dá desde que


sejam respeitados os limites para repelir de forma moderada o dano que lhe for
causado. Se este for usado de forma exagerada será caracterizado ato antijurídico e
assim se concretizará o dever de reparação.

Assim como a legitima defesa, também não são passiveis de indenização C.


Na mesma dicção, deve estar subentendida outra excludente de índole
criminal, o estrito cumprimento do dever legal, porque atua no exercício
regular de um direito reconhecido quem pratica ato no estrito cumprimento
do dever legal. (VENOSA, 2004, p. 54).

O caso fortuito ou força maior vão além da vontade das partes envolvidas,
nesta situação o dano ocorre de forma que este não poderia ser evitado. Nesse
sentido, assim assevera Gonçalves:

O caso fortuito geralmente decorre de fato ou ato alheio à vontade das


partes: greve, motim, guerra. Força maior é derivada de acontecimentos
naturais: raio, inundação, terremoto. Ambos [...] constituem excludentes da
responsabilidade porque afetam a relação de causalidade, rompendo-a,
entre o ato do agente e o dano sofrido pela vítima. (GONÇALVES, 2003, p.
473).

A culpa exclusiva da vítima é a exclusão do nexo causal, pois o agente


causador do dano foi mero instrumento do evento danoso, não necessariamente ele
deu causa ao dano.
Sendo assim discorre Aguiar Dias:

“Admite-se como causa de isenção de responsabilidade o que se chama de


culpa exclusiva da vítima. Com isso, na realidade, se alude a ato ou fato
exclusivo da vítima, pelo qual fica eliminada a causalidade em relação ao
terceiro interveniente no ato danoso”. (AGUIAR DIAS, 1997, p. 694).
23

Ressalta ainda Gagliano, Pamplona Filho (2014):

Somente se houver atuação exclusiva da vítima haverá quebra do nexo


causal. Como vimos linhas acima, havendo concorrência de culpas (ou
causas) a indenização deverá, como regra geral, ser mitigada, na proporção
da atuação de cada sujeito. (GAGLIANO, PAMPLONA FILHO, 2014, p.
178).

Entende-se que as excludentes de responsabilidade civil, possibilidade de ser


eliminada a responsabilidade de indenizar o dano causado desde que atendidas as
disposições legais expressas no Código Civil de 2002.

2.6 RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

A responsabilidade civil do Estado segundo Meirelles (2014), trata-se da


responsabilização do Estado por atos dos seus agentes, que ensejarem indenização
seja ela material ou moral.

2.6.1 Evolução Histórica da Responsabilidade Civil do Estado

Acerca do histórico da Responsabilidade Civil do Estado, ressalta Silva


(2012), que este conceito passou pela teoria da irresponsabilidade, onde em
meados do século XIX, acreditava-se que o Estado não deveria ser responsabilizado
de maneira alguma pelos atos praticados por seus agentes.
Nesse sentido, este período segundo Silva (2012), em que se formava Estado
liberal, se consubstanciava um ente público distante dos particulares, não tão
atuante na sociedade e por essa razão, irresponsável no sentido literal da palavra.
Dessa forma aduz Di Pietro (2014), em que:

A regra adotada, por muito tempo, foi a da irresponsabilidade; caminhou-se,


depois, para a responsabilidade subjetiva, vinculada à culpa, ainda hoje
aceita em várias hipóteses; evoluiu-se, posteriormente, para a teoria da
responsabilidade objetiva, aplicável, no entanto, diante de requisitos
variáveis de um sistema para outro, de acordo com normas impostas pelo
direito positivo. (DI PIETRO, 2014, p. 716).

A responsabilidade civil, segundo Alexandrino; Paulo (2011), também é


denominada responsabilidade extracontratual, tendo sua origem do Direito Civil.
Consubstancia-se na obrigação de indenizar um dano patrimonial ou moral sendo
24

este decorrente de um fato humano. Diante desta modalidade de obrigação


extracontratual e, no direito privado, via de regra, exigem a presença de tais
requisitos:

Uma atuação lesiva culposa ou dolosa do agente; a regra geral no direito


privado é a exigência de caraterização de culpa em sentido amplo a
abrange o dolo (intenção) e a culpa em sentido estrito (negligência,
imprudência ou imperícia). A ocorrência de um dano patrimonial ou moral; e
o nexo de causalidade entre o dano havido e a conduta do agente, o que
significa ser necessário que o dano efetivamente haja ocorrido da ação do
agente (ou de omissão ilícita, se fosse o caso de o agente ter o dever de
agir). (ALEXANDRINO; PAULO, 2011, p. 751).

Sendo assim a reponsabilidade civil no direito brasileiro é orientada pelo


princípio da causalidade adequada.
Onde:

Também denominado princípio do dano direto e imediato, onde ninguém


pode ser responsabilizado por aquilo a que não tiver dado causa, sendo
somente considerada causa o evento que produziu direta e concretamente
o resultado danoso. (ALEXANDRINO; PAULO, 2011, p. 751).

Contudo só origina responsabilidade civil, portanto, o nexo causal direto e


imediato, isto é, deve haver ligação logica direta entre a conduta, seja ela comissiva
ou omissiva e o dano efetivo.

Assim na responsabilidade civil do Estado, evidencia-se na obrigação que


tem o Estado de indenizar os danos patrimoniais ou morais de seus
agentes, mesmo atuando em seu nome, ou seja, na qualidade de agente
público, causem à esfera juridicamente tutelada dos particulares. O que
gera a obrigação de reparar economicamente danos patrimoniais, e com tal
reparação se exaure. (ALEXANDRINO; PAULO, 2011, p. 752).

Por fim, a evolução da responsabilidade do Estado, passou pelas seguintes


fases pelas quais serão abordadas adiante.

2.6.2 Teoria da Irresponsabilidade do Estado

Esta teoria era fundada na não responsabilização do Estado segundo


Alexandrino, Paulo (2011), “ante os atos dos seus agentes que fossem lesivos aos
particulares assumiu sua maior notoriedade sob os regimes absolutistas”.
25

Nesta condição não era possível que o Estado fosse personificado pela figura
do rei, lesar seus súditos, “uma vez que o rei não cometia erro”. (ALEXANDRINO;
PAULO, 2011, p.752).
Acerca dessa teoria explica Di Pietro:

A teoria da irresponsabilidade foi adotada na época dos Estados absolutos


e repousava fundamentalmente na ideia da soberania: o Estado dispõe de
autoridade incontestável perante o súdito; ele exerce a tutela do direito, não
podendo, por isso, agir contra ele; daí os princípios de que o rei não pode
errar (the king can do no wrong; le roi ne peut mal faire) e o de que “aquilo
que agrada ao príncipe tem força de lei” (quod principi placuit habet legis
vigorem). Qualquer responsabilidade atribuída ao Estado significaria colocá-
lo no mesmo nível que o súdito, em desrespeito a sua soberania. (DI
PIETRO, 2014, p.717).

Desta forma, acreditava-se os representantes do próprio rei não poderiam ser


condenados ou responsabilizados por seus atos, uma vez que estes na qualidade de
atos do rei, não poderiam ser considerados lesivos aos seus súditos.

2.6.3 Responsabilidade com Culpa Civil Comum do Estado

Esta teoria, segundo Alexandrino, foi influenciada pelo individualismo


característico do liberalismo, de forma a equiparar o Estado ao indivíduo, sendo
obrigado a indenizar os danos causados a particulares da mesma forma em que era
cobrado dos cidadãos, havendo uma reciprocidade dos atos tanto do Estado quando
causar um dano a outrem. (ALEXANDRINO; PAULO, 2011, p. 752-753).

Assim, como o Estado atua por meio de seus agentes, somente existia a
obrigação de indenizar quando estes, os agentes, tivessem agido com culpa
ou dolo, cabendo, evidentemente, ao particular prejudicado o ônus de
demonstrar a existência desses elementos subjetivos. (ALEXANDRINO;
PAULO, 2011, p. 753).

Sendo assim, esta teoria demonstra a desvantagem ao indivíduo que


esperasse comprovar o dolo ou culpa do agente administrativo.

2.6.4 Teoria da Culpa Administrativa

Esta teoria marca a primeira transição entre a doutrina subjetiva da culpa civil
e a responsabilidade objetiva esta que atualmente vem sendo adotada. Nela o dever
26

do Estado em indenizar somente existe caso seja comprovada a falta do serviço


prestado. Não consiste em investigar a culpa subjetiva do agente, mas sim da
ocorrência do serviço que restou faltante. Nesse caso, pode ser considerada a
objetividade pela falta da prestação.
Desta maneira acrescenta Alexandrino, Paulo (2011):

A tese é que somente o dano decorrente de irregularidade na execução da


atividade administrativa ensejaria indenização ao particular, ou seja, exige-
se também uma espécie de culpa, mas não culpa subjetiva do agente, e sim
uma culpa especial da administração à qual convencionou-se chamar de
culpa administrativa ou culpa anônima. (ALEXANDRINO; PAULO, 2011, p.
753).

Assim compreende-se que esta teoria pode decorrer de uma das suas três
possíveis formas de falta de serviço: da inexistência do serviço, do mau
funcionamento do serviço ou retardamento do serviço. Desta forma, caberá ao
particular que foi prejudicado comprovar a ocorrência de uma dessas hipóteses para
fazer jus a indenização. (ALEXANDRINO; PAULO, 2011, p. 753).

2.6.5 Teoria do Risco Administrativo

Nesta teoria surge a obrigação do Estado em reparar o dano sofrido


injustamente pelo particular independentemente da existência de falta do serviço, ou
muito menos a de culpa do agente público. Assim, existindo o dano, e não
concorrendo o particular com este ato, caberá ao Estado o dever de indenizar.

Existindo o fato do serviço e o nexo direto de causalidade entre o fato e o


dano ocorrido, presume-se a culpa da administração. Compete a esta, para
eximir-se da obrigação de indenizar, comprovar, se for o caso, existência de
culpa exclusiva do particular, ou, se comprovar culpa concorrente, terá
atenuada sua obrigação. O que importa, em qualquer caso, é que o ônus da
prova de culpa do particular se existente, cabe sempre a administração.
(ALEXANDRINO; PAULO, 2011, p. 753).

Cumpre ressaltar que essa teoria exclui a obrigatoriedade do particular em


comprovar a existência de culpa pelo dano sofrido de forma que esta se faz
presumida. Percebe-se aí um avanço para o particular em ter seu direito
indenizatório garantido, porém o Estado pode comprovar a culpa da vítima, a fim de
atenuar se recíproca, ou, excluir integralmente do particular a indenização.
27

2.6.6 Teoria do Risco Integral

Na teoria do risco integral há uma exacerbação da responsabilidade civil da


administração, onde segundo Alexandrino e Paulo bastam à existência do evento
danoso e do nexo causal para que surja a obrigação de indenizar para a
administração.
Assim, aduz Hely Lopes Meirelles:

A teoria do risco integral jamais foi adotada em nosso ordenamento jurídico.


Opinião semelhante é manifestada pelo prof. José dos Santo Carvalho
Filho, para quem a teoria do risco integral é “injusta, absurda e inadmissível
no direito moderno”. (MEIRELLES, 2014, p. 765).

Assim segundo Alexandrino e Paulo citando administrativistas Hely Lopes


Meirelles e Maria Sylvia Di Pietro, esta teoria dificilmente vingaria em nosso atual
ordenamento.
Onde segundo ALEXANDRINO e PAULO:

A maior parte da doutrina não faz distinção, considerando as duas


expressões – risco integral e risco administrativo – como sinônimos. Mesmo
os autores que falam em teoria do risco integral admitem as causas
excludentes de responsabilidade. É evidente, acrescentamos, que admitir
as causas excludentes de responsabilidade na teoria do risco integral
significa equipara-la, em todos os aspectos, à teoria do risco administrativo,
ou melhor, resulta na absoluta inexistência de distinção entre duas teorias
de responsabilização do Estado. (ALEXANDRINO; PAULO, 2011, p. 754).

De acordo com esta teoria, a Administração estaria obrigada a indenizar


mesmo nos casos de culpa exclusiva da vítima, caso fortuito, força maior ou fato de
terceiro, ou seja, não haveria excludente de sua responsabilidade. Se admitida a
teoria do risco integral o Estado estaria obrigado a indenizar qualquer dano
suportado por particular, independentemente de ter ocorrido em razão de atos de
sua atividade.
28

2.6.7 Responsabilidade Objetiva e Subjetiva do Estado Segundo a Constituição


Federal de 1988.

A responsabilidade objetiva do Estado encontra-se no ordenamento jurídico


brasileiro, e tal dispositivo pode ser encontrado no Artigo 37, parágrafo sexto da
constituição federal de 1988.
Tal dispositivo legal que reza:

Art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado


prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus
agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de
regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. (BRASIL, 1988).

Segundo Alexandrino e Paulo, este dispositivo regula a responsabilidade


objetiva da administração, na modalidade do risco administrativo, pelos danos
causados por atuação de seus agentes, logicamente dentro de sua abrangência.
Diante da sua abrangência destaca-se:

Ela se aplica a todas as pessoas jurídicas de direito público, o que inclui a


Administração Direta, as autarquias e as fundações públicas de direito
público, independentemente de suas atividades. Alcança, também, todas as
pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos, o que
inclui as empresas públicas e as sociedades de economia mista prestadoras
de serviços públicos, fundações públicas de direito privado que prestem
serviços públicos, e também as pessoas privadas delegatárias de serviços
públicos, não integrantes da administração pública (as concessionárias
permissionárias e autorizadas de serviços públicos). (ALEXANDRINO;
PAULO, 2011, p. 756).

Ao discorrer sobre a não abrangência da responsabilidade objetiva do Estado


vale ressaltar que, as empresas públicas de economia mista exploradoras de
atividade econômica. No caso dessas respondem pelos danos que seus agentes
causarem a terceiros na mesma forma que as demais pessoas privadas, visto que
são regidas pelo direito civil ou pelo direito comercial.
Desta forma:

É imprescindível para configurar a responsabilidade civil da administração


pública é que o ato danoso seja praticado pelo agente público como
decorrência de sua condição de agente público, ou das atribuições de sua
função pública, ainda que, na realidade, o agente esteja atuando
ilicitamente, extrapolando sua esfera legal de competências; o que importa
é a qualidade de agente público ostentada na atuação do agente, a
circunstância de sua condição de agente público ser determinante para a
29

pratica do ato; é irrelevante perquirir se o agente público causador do dano


estava agindo dentro, fora ou além de sua competência lega: basta que, ao
praticar o ato, licito ou ilícito, o agente público esteja atuando “na qualidade
de agente público”. (ALEXANDRINO; PAULO, 2011, p. 758).

Compreende-se então que para ser configurada a responsabilidade objetiva


do Estado, basta que ela seja causada a terceiro por agente público, que venha
exercê-la de oficio ou função, indiferente do ato praticado presume-se tal
responsabilidade.
Por sua vez, a responsabilidade subjetiva do Estado, segundo Alexandrino e
Paulo (2011), é definida através de entendimento construído por respaldo da
doutrina administrativista, como a responsabilidade extracontratual do Estado nos
casos de danos ensejados pela omissão do Poder Público. Ainda nessas hipóteses
segundo a jurisprudência, o “Estado responde na base da teoria da culpa
administrativa. Se tratando, portanto, de modalidade de responsabilidade civil
subjetiva”. (ALEXANDRINO; PAULO, 2011, p. 760).
Porem cabe à pessoa que sofreu o dano provar, que houve a falta de
prestação de um serviço oriundo do Estado, provando, também, que existe o nexo
causal entre o dano e está omissão estatal.
Desta forma aduz Alexandrino e Paulo:

Essa modalidade de responsabilidade extracontratual do Estado


usualmente se relaciona a situações em que há dano a um particular em
decorrência de atos de terceiros (por exemplo, delinquentes ou multidões)
ou fenômenos da natureza (por exemplo, uma enchente ou um vendável) –
inclusive aqueles que forem classificados como eventos de força maior.
Caberá ao particular que sofreu o dano decorrente de ato de terceiro (não
agente público), ou de evento da natureza, provar que a atuação normal,
ordinária, regular da administração pública teria sido suficiente para evitar o
dano por ele sofrido. (ALEXANDRINO; PAULO, 2011, p. 761).

Assim cumpre ressaltar que:

Para ensejar a responsabilização, a pessoa que sofreu o dano deve provar


que houve no serviço que o Estado deveria ter prestado (nas modalidades
omissivas inexistência do serviço, deficiência do serviço, ou atraso na
prestação do serviço). (ALEXANDRINO; PAULO, 2011, p. 761).

Contudo, “nessas hipóteses de danos decorrentes de atos de terceiros ou


fenômenos da natureza para que concorreu para o resultado danoso determinada
30

omissão culposa da administração pública”. (ALEXANDRINO, PAULO, 2011, p.


761).

É necessário, também, que a pessoa que sofreu o dano demonstre existir


nexo causal entre a falta ou deficiência na prestação do serviço e o dano
por ela sofrido. O ônus da prova de todos esses elementos é da pessoa que
sofreu o dano. (ALEXANDRINO; PAULO, 2011, p. 761).

Compreende-se então, que para configurar responsabilidade objetiva do


estado, caberá ao indivíduo lesado, comprovar a omissão ou falta de prestação por
parte do Estado, devendo comprovar o nexo de causalidade entre o dano e omissão
estatal.
31

3 EVOLUÇÃO HISTÓRICA E ASPECTOS LEGAIS DOS BOMBEIROS


MILITARES

Os bombeiros militares consistem em profissionais treinados e qualificados


para prestarem atendimentos à população nas áreas de atendimento pré-hospitalar,
combate a incêndio, busca e salvamento entre outras.

3.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA

Na pré-história, Segundo Barcelos (2004), uma das diversas descobertas do


homem ao longo de sua evolução, foram os efeitos da combustão. O fogo se
mostrou de tamanha importância na vida humana, e acabou se tornando o maior
aliado do ser humano. Por isso, inicialmente o homem o reconheceu como um ser
superior, comparando-o, muitas vezes, como Deus, como manifestação de
admiração de seu poder sagrado. Estudos apontam que muitos mitos, conservados
pela tradição oral de muitos povos, evidenciam a sua importância religiosa e seu
relacionamento com os acontecimentos mais fantásticos da natureza.
Assim, segundo Barcelos (2004), que denominada a tecnologia de sua
produção, o fogo teria sido o mais importante e permanente instrumento do processo
civilizador. Este participando de toda evolução cultural da humanidade, contribuindo
nos mais diferentes momentos de sua trajetória, desde o primitivo aquecimento de
suas cavernas, à produção de armas que permitissem ao homem ampliar suas
provisões alimentares, promovendo, simultaneamente sua defesa. Portanto, a
influência do fogo na expansão e no progresso do homem, é sem dúvida, um dos
fatos mais notáveis da civilização.
Contudo, segundo Zeferino (apud BARCELOS, 2004), perde-se na memória
do tempo, a origem do combate ao fogo. Das mais remotas lembranças, sabe-se
que no ano de 27 antes de Cristo, em Roma, já existiam grupos organizados com
objetivo de extinguir incêndios.
Em Roma, segundo Gevaerd (apud BARCELOS, 2004), durante do reinado
de Júlio Cesar Octavio, no período entre 63 a.C. e 14 d.C., foram criadas as
brigadas de vigilância, denominadas Cohortes Vigilium, que possuíam sete mil
homens, e tinham a responsabilidade de proteger seus catorze bairros.
32

Na China, segundo Barcelos (2004), os bombeiros sufocavam os incêndios,


não com uso de água. Eles demoliam construções próximas, fazendo com se
formasse uma barricada de destroços, o que fazia com que as chamas queimem a
casa até se extinguir o foco de incêndio, impedindo a sua propagação.

Na Grécia antiga, os bombeiros usavam as quadrigas para alcançar o local


do incêndio com maior rapidez. Os mais experientes combatentes sabiam
de memória os locais de Atenas em que podiam encontrar água com
facilidade. A técnica utilizada para a extinção do fogo consistia em deslocar
baldes de água de mão em mão, num processo de revezamento, o que
exigia a mobilização de um grande número de escravos. (BARCELOS,
2004, p. 31).

Essa técnica continuou sendo utilizada pelo homem em quase todas as partes
do mundo, até o fim da Idade Média.

Com a evolução da economia, nos fins da Idade Média, a burguesia foi se


instalando em pequenos burgos, iniciando um processo de vida urbana.
Com ele, por volta do início do século XVII, começaram a surgir os primeiros
bombeiros da era moderna. Na França, isto ocorreu com os Corpos de
Bombeiros (Corps des Pompiers) do Rei Luiz XIV, que já utilizavam bombas
a vapor no combate a incêndios (1699). Na Inglaterra, pouco depois,
surgem os fireman, ou seja, os homens do fogo. Nos Estados Unidos da
América, coube a Benjamin Franklin, em 1736, a criação do primeiro corpo
de bombeiros voluntário. Na Alemanha, desde 1841, já existiam corpos de
bombeiros voluntários. (ZEFERINO, 2001, p. 14).

Assim esclarece Gevaerd:

Durante a Idade Média se tinha no incêndio um conceito relativo,


consideravam um dano inevitável. A partir do século XVI os artesãos se
espalham por toda Europa numa modesta industrialização. Os incêndios
são mais frequentes e se tem necessidade de combatê-los de forma prática.
Mais tarde, na metade do século XVII o material disponível para combate a
incêndio se reduzia a machados, enxadões, baldes, e outras ferramentas.
Os países mais avançados contavam com rudimentares máquinas
hidráulicas, que eram conectadas a poços de vizinhos que enchiam baldes
que por sua vez eram passados de mão em mão, até a linha do fogo. No
século XVIII Van Der Heyden inventa “a bomba de incêndio”, abrindo uma
nova era na luta contra o fogo. O mesmo Van Der Heyden também ganha
notoriedade ao inventar a “mangueira” de combate a incêndios. Estas
primeiras mangueiras foram fabricadas em couro, e tinham quinze metros
de comprimento com uniões de bronze nas extremidades. O novo sistema
põe fim a época dos baldes e marca o começo de uma nova era no “ataque”
aos incêndios, com o lançamento de jatos de água em várias direções, o
que não era possível no sistema antigo. A aparição destas bombas de
incêndio fez com que se organizasse em Paris (França) uma companhia de
“sessenta guarda bombas”, uniformizados e pagos que estavam sujeitos à
disciplina militar. Este foi um dos primeiros Corpos de Bombeiros
organizados, nos moldes dos sistemas atuais, que se tem notícias. Em
pouco tempo todas as grandes cidades do mundo ocidental já possuíam,
33

seja por disposição legal ou por iniciativa das companhias de seguro, (como
por exemplo na Escócia e Inglaterra) serviços de bombeiros pagos.
(GEVAERD, 2001, p.12).

Com essa evolução cada vez mais acelerada das cidades, foram surgindo
novas corporações de bombeiros pelo mundo.
Assim segundo Barcelos (2004), efetivamente a tecnologia de combate a
incêndios começou a ser aplicada no século XIX, a partir da Revolução Industrial,
nos países do Oeste Europeu e nos Estados Unidos. Outro advento que impulsionou
esta evolução, foi a criação dos motores a explosão e com isso o surgimento dos
veículos auto-bomba, auto-tanque entre outros equipamentos especializados.
No Brasil, segundo Barcelos (2004), o primeiro Corpo de Bombeiros foi criado
por D. Pedro II, em 1856, através do decreto nº 1.775 e sua sede era no Rio de
Janeiro, a primeira capital do Império. Este foi nomeado de Corpo Provisório de
Bombeiros da Corte. Conforme consta nos relatos históricos, desde 1763, os
incêndios já eram combatidos pelo pessoal do Arsenal da Marinha, estes de forma
provisória, conforme descreve Silva:

Em 12 de agosto de 1797, o Alvará Régio determinava que o Arsenal de


Marinha passasse a ser o órgão público responsável pela extinção de
incêndio. Esta escolha se deu em razão da experiência que os marinheiros
possuíam na extinção de fogo em embarcações, utilizando-se de homens
treinados e equipamentos de extinção.
Foi criado em 1808 o cargo de Inspetor de Arsenal, cabendo a este dirigir
pessoalmente a extinção dos incêndios na cidade, para isso levando as
bombas, marujos e escravos da sua repartição e água.
Os incêndios continuavam a ocorrer e os sucessivos acontecimentos
culminaram com a decisão do Ministério da Justiça de organizar a
realização da atividade de combate a incêndios. (SILVA, 2004, p. 49).

Em Santa Catarina, segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina


(2017), originou-se na antiga Força Pública, no final da década de 1910, em
Florianópolis. Época em que a Capital se firmava como referência política e
econômica no cenário estadual e registrava um progresso de significativo
desenvolvimento urbano.
Sendo assim:

A frente de outros municípios no Estado, Florianópolis entrou o século XX


beneficiada por um ciclo de prosperidade proporcionado por investimentos
públicos em obras urbanas, com as instalações das redes básicas de
energia elétrica, abastecimento de água e esgoto na área central insular da
34

Ilha de Santa Catarina. (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DE SANTA


CATARINA, 2017).

A edição do periódico “A Patrulha” de número 10, publicada em 1950, resgata


o panorama daquela época:

No decurso dos anos de 1915 e 1919 haviam sido destruídos pelo fogo os
prédios e existências de grandes firmas comerciais da metrópole
catarinense. Nos dias que se seguiam à ocorrência era “prato do dia” falar-
se sobre a criação de um Corpo de Bombeiros e os jornais da época
descreviam as catástrofes em editoriais cheios de sugestões e apelo neste
sentido. (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DE SANTA CATARINA, 2017).

Desta forma, assim o Corpo de Bombeiros Militares de Santa Catarina


descreve:

O clímax da mobilização popular em prol da criação do grupo de bombeiros,


ainda conforme o registro da publicação da década de 1950, ocorreu após o
registro de um incêndio em um sobrado na esquina das ruas Trajano e
Conselheiro Mafra em 1919. As chamas se propagaram para prédios
vizinhos causando grandes prejuízos. O episódio aconteceu justamente nos
dias em que a população católica rendia seus cultos da Semana Santa, o
que potencializou a insatisfação popular. (CORPO DE BOMBEIROS
MILITAR DE SANTA CATARINA, 2017).

Por força desses movimentos, o governador do Estado de Santa Catarina,


Hercílio Luz, assinou em 16 de setembro de 1919 a Lei Estadual número 1.288, que
criou a Seção de Bombeiros da Força Pública.

Tinha-se naquele momento o primeiro desafio institucional: operacionalizar


o serviço de combate a incêndios, ainda restrito à vila de Florianópolis, com
integrantes da tropa que até então era empenhada e capacitada para atuar
somente nas atividades de segurança pública (manter a ordem pública e
atender às requisições de autoridades judiciárias e policiais). (CORPO DE
BOMBEIROS MILITAR DE SANTA CATARINA, 2017).

A solução encontrada segundo Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina


(2017), à época foi trazer para Santa Catarina a expertise de militares de outras
instituições que poderiam compartilhar as técnicas aplicadas naquele tempo para a
extinção de incêndios. Aportaram em Florianópolis para atender a esta demanda o
2º Tenente Domingos Maisonette acompanhado do auxiliar 2º Sargento Antônio
Rodrigues de Farias, provenientes do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal
- na época situado na cidade do Rio de Janeiro.
35

A vinda destes proporcionou a capacitação do efetivo de bombeiros da


Força Pública e a compra dos primeiros conjuntos de equipamentos
necessários para a ativação do serviço, o que culminou na inauguração em
26 de setembro de 1926 da Seção de Bombeiros da Força Pública.
(CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DE SANTA CATARINA, 2017).

A sua tropa era composta por 27 homens comandados pelo 2º Tenente do


Bombeiro Militar Waldomiro Ferraz de Jesus. Tiveram seu primeiro chamado seis
dias após o início dos trabalhos da corporação conforme registro em livro redigido
pelo comandante de Bombeiros. (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DE SANTA
CATARINA, 2017).
Assim, segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (2017), duas
décadas após sua ativação, em 1957, a seção de Bombeiros passou a ser
denominada constitucionalmente de Corpo de Bombeiros Militar e o primeiro veículo
empregado para seus atendimentos era um “auto bomba” da marca Ward La France
com tanque de três mil litros de água.
Quanto à emancipação do Corpo de Bombeiros Militar, aconteceu por meio
de aprovação de Emenda Constitucional 033/2003. Com o advento da referida
emenda o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina deixou de ser parte
integrante da estrutura organizacional da Policia Militar de Santa Catarina.
Adquirindo então o status de corporação autônoma, buscando melhores condições
para aplicação de uma política específica de expansão pelo território catarinense.
Outro avanço ao longo da história do Corpo de Bombeiros Militar foi o poder
de polícia administrativa:

Em 11 de novembro de 2013 o CBMSC, através da Lei número 16.157 de


07 de novembro do mesmo ano, teve regulamentado o poder de polícia
administrativa previsto no inciso III do Artigo 108 da Constituição do Estado
de Santa Catarina, que estabelece a imposição de sanções administrativas
para assegurar o adequado cumprimento das normas de prevenção,
combate a incêndio e pânico vigentes no Estado. Tal decisão passou a
permitir atuação mais efetiva dos integrantes da Corporação em defesa da
Sociedade na prevenção de sinistros. (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR
DE SANTA CATARINA, 2017).

Assim, de forma a justificar a opção em tratar somente do histórico do Corpo


de Bombeiros Militar de Santa Catarina, se faz necessário por ser o Estado no qual
esta instituição de ensino esta geograficamente inserida. Por conseguinte, o tema a
36

ser abordado na sequencia tratará sobre o aspecto legal das corporações de


Bombeiros Militar.

3.1.1 Aspecto legal dos Corpos de Bombeiros Militares dos estados de Santa
Catarina Paraná e Rio Grande do Sul

O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (2017), órgão da


administração direta do Governo do Estado de Santa Catarina, é uma instituição
prestadora de serviços públicos na área da segurança pública, tendo como
jurisdição o território catarinense. Instituição estatal de direito público, têm objetivos
definidos em leis que orientam e se constituem na sua razão de ser.
Constitucionalmente estruturada como Força Auxiliar e Reserva do Exército
Brasileiro é organizada – a exemplo das Forças Armadas - com base na disciplina e
hierarquia e composta por militares estaduais.
Desta forma a Constituição Federal estabelece:

Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade


de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da
incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
V - Polícias militares e corpos de bombeiros militares.
§ 6º As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e
reserva do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos
Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios.
§ 7º A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos
responsáveis pela segurança pública, de maneira a garantir a eficiência de
suas atividades. (BRASIL, 1988).

Assim na constituição do Estado de Santa Catarina de 1989, ao qual


estabelece a competência e a legalidade da existência do Corpo de Bombeiros
Militar:

Art. 108. O Corpo de Bombeiros Militar, órgão permanente, força auxiliar,


reserva do Exército, organizado com base na hierarquia e disciplina,
subordinado ao Governador do Estado, cabe, nos limites de sua
competência, além de outras atribuições estabelecidas em Lei:
I – Realizar os serviços de prevenção de sinistros ou catástrofes, de
combate a incêndio e de busca e salvamento de pessoas e bens e o
atendimento pré-hospitalar;
II – Estabelecer normas relativas à segurança das pessoas e de seus bens
contra incêndio, catástrofe ou produtos perigosos;
III – Analisar, previamente, os projetos de segurança contra incêndio em
edificações, contra sinistros em áreas de risco e de armazenagem,
manipulação e transporte de produtos perigosos, acompanhar e fiscalizar
sua execução, e impor sanções administrativas estabelecidas em Lei;
37

IV – Realizar perícias de incêndio e de áreas sinistradas no limite de sua


competência;
V – Colaborar com os órgãos da defesa civil;
VI – Exercer a polícia judiciária militar, nos termos de lei federal;
VII – Estabelecer a prevenção balneária por salva-vidas; e
VIII – Prevenir acidentes e incêndios na orla marítima e fluvial.
Além dos supracitados, outros instrumentos legais de âmbito federal e
estadual fazem referência à missão e competência legal do CBMSC, entre
os quais o Decreto Lei Federal número 667, de 02 de Junho de 1969, que
reorganiza as Polícias Militares e Corpos de Bombeiros dos Estados,
Territórios e do Distrito Federal. (SANTA CATARINA, 1989).

A aprovação do Decreto Federal nº 88.777, de setembro de 1983, em seu


capitulo IX, Das Prescrições Diversas, que regulamenta as atividades para as Policia
Militares e Corpo de Bombeiros Militares R-200.
Este decreto que define o que faz o Corpo de Bombeiros e a que deve se
submeter:

Art. 44 - Os Corpos de Bombeiros, à semelhança das Polícias Militares,


para que passam ter a condição de "militar" e assim serem considerados
forças auxiliares, reserva do Exército, têm que satisfazer às seguintes
condições:
1) serem controlados e coordenados pelo Ministério do Exército na forma do
Decreto-lei nº 667, de 02 de julho de 1969, modificado pelo Decreto-lei nº
2.010, de 12 de janeiro de 1983, e deste Regulamento;
2) serem componentes das Forças Policiais-Militares, ou independentes
destas, desde que lhes sejam proporcionadas pelas Unidades da
Federação condições de vida autônoma reconhecidas pelo Estado-Maior do
Exército;
3) serem estruturados à base da hierarquia e da disciplina militar;
4) possuírem uniformes e subordinarem-se aos preceitos gerais do
Regulamento Interno e dos Serviços Gerais e do Regulamento Disciplinar,
ambos do Exército, e da legislação específica sobre precedência entre
militares das Forças Armadas e os integrantes das Forças Auxiliares;
5) ficarem sujeitos ao Código Penal Militar;
6) exercerem suas atividades profissionais em regime de trabalho de tempo
integral.
§ 1º - Caberá ao Ministério do Exército, obedecidas as normas deste
Regulamento, propor ao Presidente da República a concessão da condição
de "militar" aos Corpos de Bombeiros.
§ 2º - Dentro do Território da respectiva Unidade da Federação, caberá aos
Corpos de Bombeiros Militares a orientação técnica e o interesse pela
eficiência operacional de seus congêneres municipais ou particulares. Estes
são organizações civis, não podendo os seus integrantes usar designações
hierárquicas, uniformes, emblemas, insígnias ou distintivos que ofereçam
semelhança com os usados pelos Bombeiros Militares e que possam com
eles ser confundidos. (BRASIL, 1983).

Art. 45 - A competência das Polícias Militares estabelecida no artigo 3º,


alíneas a, b e c, do Decreto-lei nº 667, de 02 de julho de 1969, na redação
modificada pelo
Decreto-lei nº 2.010, de 12 de janeiro de 1983, e na forma deste
Regulamento, é intransferível, não podendo ser delegada ou objeto de
acordo ou convênio. (BRASIL, 1983).
38

Quanto a competência no âmbito estadual, do Corpo de Bombeiros Militar de


Santa Catarina, é determinada pela Lei nº 6.217, de 10 de fevereiro de 1983 e
regulamentada pelo Decreto nº 19.237, de 14 de março de 1983. Lei nº 6.217/83
que assim dispõe:

Art. 2º Compete à Polícia Militar:


V – Realizar o serviço de extinção de incêndio, simultaneamente com o de
proteção e salvamento de vidas e materiais;
VI – Efetuar o serviço de busca e salvamento, prestando socorros em casos
de afogamento, inundação, desabamento, acidentes em geral e em caso de
catástrofes ou de calamidades públicas. (SANTA CATARINA, 1983).

O capitulo IV trata Dos Órgão de Execução:

Art. 29. O Comando do Corpo de Bombeiros é o órgão responsável pela


extinção de incêndios e proteção e salvamento de vidas e materiais em
caso de sinistros, a quem compete planejar, programar, organizar e
controlar a execução de todas as missões que lhe são peculiares,
desenvolvidas pelas unidades operacionais subordinadas.
Parágrafo único O Comando do corpo de Bombeiros contará com um
Estado-Maior e um Centro de Atividades Técnicas. (SANTA CATARINA,
1983).

Referente ao centro de atividades técnicas assim estabelece:

Art. 30. Ao Centro de Atividades Técnicas compete:


I – Executar e supervisionar o cumprimento das disposições legais relativas
ás medidas de prevenção e proteção contra incêndios;
II – Proceder o exame de plantas e de projetos de construção;
III- Realizar vistorias e emitir pareceres;
IV – Realizar testes de incombustibilidade;
V – Supervisionar a instalação da rede de hidrantes; públicos e privados;
VI – Realizar perícia de incêndios. (SANTA CATARINA, 1983).

O decreto nº 19.237, de 14 de março de 1983, descreve outros serviços de


competência dos Bombeiros Militares de Santa Catarina:

Art. 3º - Compete a Polícia Militar:


VI - Efetuar o serviço de busca e salvamento, prestando socorro nos casos
de afogamentos, inundações, desabamentos, acidentes em geral e em
casos de catástrofes e calamidades públicas.
VII - Assessorar e cooperar com a administração pública estadual e
municipal no que tange a prevenção dos incêndios. (SANTA CATARINA,
1983).

No Paraná, segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (2017), criado


em 1853 o primeiro Corpo de Bombeiros Militar este é amparado legalmente por
39

força do artigo 46, parágrafo único da Constituição do Estado do Paraná, que assim
estabelece:

Art. 46. A segurança Pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de


todos é exercida, para a preservação da ordem pública e incolumidade das
pessoas e do patrimônio, pelos seguintes órgãos:
Parágrafo único: O Corpo de Bombeiros é integrante da Polícia Militar.
(PARANÁ, 1989).

Assim quanto as atividades a serem exercidas pelo Corpo de Bombeiros


militar do Paraná, o artigo 48 da Constituição do Estado do Paraná que estabelece:

Art. 48. À Polícia Militar, força estadual, instituição permanente e regular,


organizada com base na hierarquia e disciplina militares, cabe a polícia
ostensiva, a preservação da ordem pública, a execução de atividades de
defesa civil, prevenção e combate a incêndio, buscas, salvamentos e
socorros públicos, o policiamento de trânsito urbano e rodoviário, de
florestas e de mananciais, além de outras formas e funções definidas em lei.
(PARANÀ, 1989).

No Rio Grande do Sul, segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande


do Sul (2017), criado em 1895 primeiro Corpo de Bombeiros, assim incorporado à
Brigada Militar do Rio Grande do Sul, com advento de Lei complementar incluído
pela emenda Constitucional nº 67 de 2014 em seu artigo primeiro que assim
estabelece:

EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 67 DE 2014.


Art. 1º Esta Emenda Constitucional dispõe sobre a instituição do Corpo de
Bombeiros Militar no Estado do Rio Grande do Sul por meio de seu
desmembramento da Brigada Militar, na forma definida em lei
complementar. (RIO GRANDE DO SUL, 2014).

Desta forma incluída pela mesma Emenda Constitucional, acima citada, o


artigo 124, inciso IV, da Constituição do Estado do Rio Grande do Sul, que assim
estabelece:

Art. 124. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade


de todos, é exercida para a preservação da ordem pública, das
prerrogativas da cidadania, da incolumidade das pessoas e do patrimônio,
através dos seguintes órgãos:
IV – Corpo de Bombeiros Militar. (RIO GRANDE DO SUL, 1989).
40

Quanto as atribuições e serviços prestados pelo Corpo de Bombeiros Militar


do Estado do Rio Grande do Sul, cumpre ressaltar o artigo 130 e 164 da
Constituição acima citada:

Art.130. Ao Corpo de Bombeiros Militar, dirigido pelo (a) Comandante-Geral,


Oficial (a) da ativa do quando de Bombeiro Militar, do último posto da
carreira, de livre escolha, nomeação e exoneração pelo (a) Governador do
Estado, competem a prevenção e o combate de incêndios, as buscas e
salvamentos, as ações de defesa civil e a polícia judiciaria militar, na forma
definida em lei complementar.
Art. 164. O Estado manterá programas de prevenção e socorro nos casos
de calamidade pública em que a população tenha ameaçados os seus
recursos, meios de abastecimento ou de sobrevivência. (RIO GRANDE DO
SUL, 1989).

Estes são os dispositivos legais que norteiam as Corporações de Bombeiros


Militar no Brasil e em destaque as de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul,
aos quais incumbem deveres para instituições e suas áreas de atuação. Cumpre
justificar que a fundamentação legal dos três Estados acima citados, pois fazem
parte de analise jurisprudencial delimitadas apenas para estes Estados da
Federação.

3.2 VEÍCULO DE EMERGÊNCIA NO CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO

Quanto aos veículos, segundo o Código de Trânsito Brasileiro de 1997,


estabelece que:
Art. 96. Os veículos classificam-se em:
I - quanto à tração: a) automotor; b) elétrico; c) de propulsão humana; d) de
tração animal; e) reboque ou semi-reboque; II - quanto à espécie: a) de
passageiros: 1 - bicicleta; 2 - ciclomotor; 3 - motoneta; 4 - motocicleta; 5 -
triciclo; 6 - quadriciclo; 7 - automóvel; 8 – micro-ônibus; 9 - ônibus; 10 -
bonde; 11 - reboque ou semi-reboque; 12 - charrete; b) de carga: 1 –
motoneta; 2 – motocicleta; 3 - triciclo; 4 - quadriciclo; 5 - caminhonete; 6 -
caminhão;7 - reboque ou semi-reboque; 8 - carroça;9 - carro-de-mão; c)
misto:1 - camioneta; 2 - utilitário; 3 - outros; d) de competição; e) de
tração: 1 - caminhão-trator; 2 - trator de rodas; 3 - trator de esteiras; 4 -
trator misto; f) especial; g) de coleção; III - quanto à categoria: a) oficial; b)
de representação diplomática, de repartições consulares de carreira ou
organismos internacionais acreditados junto ao Governo brasileiro; c)
particular; d) de aluguel; e) de aprendizagem. (BRASIL, 1997).

Contudo, segundo Brandão (2012) o código não deixou claro, quanto a


especificação ou caracterização dos veículos de emergência. Desta forma, há por
parte da legislação especifica uma omissão neste sentido, pode-se buscar a
41

caracterização do que seria um veículo de emergência conforme o que dispõe o Art.


29 inciso VII desse mesmo Código, que apesar de não trazer em sua redação a
denominação veículo de emergência, acarreta a questão dos veículos destinados a
socorro de incêndios e salvamentos, de polícia, de fiscalização e operação de
trânsito e as ambulâncias, levando a interpretação que esses seriam os veículos
ditos de emergência.

Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação


obedecerá às seguintes normas: VII - os veículos destinados a socorro de
incêndio e salvamento, os de polícia, os de fiscalização e operação de
trânsito e as ambulâncias, além de prioridade de trânsito, gozam de livre
circulação, estacionamento e parada, quando em serviço de urgência e
devidamente identificados por dispositivos regulamentares de alarme
sonoro e iluminação vermelha intermitente, observadas as seguintes
disposições:
a) quando os dispositivos estiverem acionados, indicando a proximidade
dos veículos, todos os condutores deverão deixar livre a passagem pela
faixa da esquerda, indo para a direita da via e parando, se necessário;
b) os pedestres, ao ouvir o alarme sonoro, deverão aguardar no passeio, só
atravessando a via quando o veículo já tiver passado pelo local;
c) o uso de dispositivos de alarme sonoro e de iluminação vermelha
intermitente só poderá ocorrer quando da efetiva prestação de serviço de
urgência;
d) a prioridade de passagem na via e no cruzamento deverá se dar com
velocidade reduzida e com os devidos cuidados de segurança, obedecidas
as demais normas deste Código; (BRASIL, 1997).

Cumpre ressaltar que, segundo Brandão (2012), o artigo referenciado acima


esclarece que:

Para ser considerado um veículo de emergência, além de atuar nas


situações já descritas, o mesmo, necessariamente precisa estar identificado
por alarme sonoro e luz vermelha intermitente, excluindo assim desta
categoria os veículos administrativos da corporação e até mesmo os de
socorro que não possuem tais sistemas. (BRANDÃO, 2012, p. 12).

Sendo assim das diversas viaturas, para atendimentos de urgência e


emergência que podem compor a frota de veículos de uma corporação, ressalta a
UR (unidade de resgate):

Veículo destinado ao atendimento de vítimas de acidentes que requerem


atendimento emergencial na fase pré-hospitalar. É dotado de equipamentos
que permitem à tripulação de bombeiros prestar os socorros de suporte
básico da vida, de forma a estabilizar, imobilizar e transportar
adequadamente a vítima ao centro médico mais apropriado para a situação.
Transporta até quatro militares. (CORPO DE BOMBEIROS MILITARES DO
MATO GROSSO DO SUL, 2017).
42

Para cumprir com sua missão e suas atribuições segundo Oliveira (2011), o
corpo de bombeiros necessita de alguns equipamentos básicos para a realização
das tarefas, e sem dúvida um dos mais importantes materiais utilizados são as
viaturas. Elas são de diversos tipos, e em sua grande maioria são equipadas
especialmente para atender as necessidades da população e do CBMSC, permitindo
assim que se possa oferecer um serviço cada vez mais ágil e eficaz.
Conforme o Corpo de Bombeiros Militar, segue abaixo a relação das
principais viaturas: AEM Auto Escada Mecânica, ABTR Auto Bomba Tanque
Resgate, ABS Auto Busca de Salvamento, AT Auto Tanque, AAR Auto Ataque
Rápido, AR Auto Resgate, ASU Auto Socorro de Urgência, ATP Auto Transporte de
Pessoal, ATM Auto Transporte de Material, AMO Auto Moto Operacional.
Compreende-se que veículo de emergência, trata-se de uma viatura
destinada a atendimentos de ocorrências pelo Corpo de Bombeiros Militar,
devidamente caraterizada com iluminação e sinal sonoro, além disso esta viatura
dispõe de equipamentos para dar suporte a vida e garantir a sobrevivência de uma
vítima.

3.3 REQUISITOS PARA CONDUZIR DE VEÍCULO DE EMERGÊNCIA

“O código de trânsito brasileiro é responsável por estabelecer as regras para


condução de qualquer tipo de veículo em todo território nacional. Desta forma o
código trará os requisitos necessários que caracterizar um veículo de emergência”.
(BRANDÃO, 2012, p. 14).

Art. 1º O trânsito de qualquer natureza nas vias terrestres do território


nacional, abertas à circulação, rege-se por este Código.
§ 1º Considera-se trânsito a utilização das vias por pessoas, veículos e
animais, isolados ou em grupos, conduzidos ou não, para fins de circulação,
parada, estacionamento e operação de carga ou descarga.
Art. 3º As disposições deste Código são aplicáveis a qualquer veículo, bem
como aos proprietários, condutores dos veículos nacionais ou estrangeiros
e às pessoas nele expressamente mencionadas. (BRASIL, 1997).

A habilitação, segundo Brandão (2012), no Código de Trânsito Brasileiro, é


encontrada no artigo 143 deste código, que estabelece quais tipos de categorias os
43

candidatos a condutores de veículos poderão habilitar-se e quais requisitos deverão


atender, sendo estes assim divididos:

Art. 143. Os candidatos poderão habilitar-se nas categorias de A a E,


obedecida a seguinte gradação:
I - Categoria A - condutor de veículo motorizado de duas ou três rodas, com
ou sem carro lateral;
II - Categoria B - condutor de veículo motorizado, não abrangido pela
categoria A cujo peso bruto total não exceda a três mil e quinhentos
quilogramas e cuja lotação não exceda a oito lugares, excluído o do
motorista;
III - Categoria C - condutor de veículo motorizado utilizado em transporte de
carga, cujo peso bruto total exceda a três mil e quinhentos quilogramas;
IV - Categoria D - condutor de veículo motorizado utilizado no transporte de
passageiros, cuja lotação exceda a oito lugares, excluído o do motorista;
V - Categoria E - condutor de combinação de veículos em que a unidade
tratora se enquadre nas categorias B, C ou D e cuja unidade acoplada,
reboque, semirreboque, trailer ou articulada tenha 6.000 kg (seis mil
quilogramas) ou mais de peso bruto total, ou cuja lotação exceda a 8 (oito)
lugares. (Redação dada pela Lei nº 12.452, de 2011).
§ 1º Para habilitar-se na categoria C, o condutor deverá estar habilitado no
mínimo há um ano na categoria B e não ter cometido nenhuma infração
grave ou gravíssima, ou ser reincidente em infrações médias, durante os
últimos doze meses.
§ 2º São os condutores da categoria B autorizados a conduzir veículo
automotor da espécie motor-casa, definida nos termos do Anexo I deste
Código, cujo peso não exceda a 6.000 kg (seis mil quilogramas), ou cuja
lotação não exceda a 8 (oito) lugares, excluído o do motorista.
§ 3º Aplica-se o disposto no inciso V ao condutor da combinação de
veículos com mais de uma unidade tracionada, independentemente da
capacidade de tração ou do peso bruto total. (BRASIL, 1997).

O requisito principal que o Código de Trânsito Brasileiro exige para condução


de qualquer tipo de veículo como já citado, é a habilitação, sendo esta especifica,
conforme o tipo de veículo a ser conduzido.
Assim o artigo 145 da Lei 9.503 de 23 de setembro de 1997, estabelece quais
requisitos o condutor deverá preencher para conduzir um veículo de emergência:

Art. 145. Para habilitar-se nas categorias D e E ou para conduzir veículo de


transporte coletivo de passageiros, de escolares, de emergência ou de
produto perigoso, o candidato deverá preencher os seguintes requisitos:
I - Ser maior de vinte e um anos;
II - Estar habilitado:
a) no mínimo há dois anos na categoria B, ou no mínimo há um ano na
categoria C, quando pretender habilitar-se na categoria D; e
b) no mínimo há um ano na categoria C, quando pretender habilitar-se na
categoria E;
III - não ter cometido nenhuma infração grave ou gravíssima ou ser
reincidente em infrações médias durante os últimos doze meses;
IV - Ser aprovado em curso especializado e em curso de treinamento de
prática veicular em situação de risco, nos termos da normatização do
CONTRAN.
44

Parágrafo único. A participação em curso especializado previsto no inciso


IV independe da observância do disposto no inciso III. (BRASIL, 1997).

Quanto a validade da certificação de condutor de veículo de emergência,


assim se estabelece:

Art. 145-A. Além do disposto no art. 145, para conduzir ambulâncias, o


candidato deverá comprovar treinamento especializado e reciclagem em
cursos específicos a cada 5 (cinco) anos, nos termos da normatização do
Contran. (BRASIL, 1997).

Cumpre ressaltar que segundo Brandão (2012), o inciso IV do Art. 145 do


Código de Trânsito Brasileiro estabelece que, para conduzir um veículo de
emergência em situação de urgência, além de cumprir com todos os requisitos que
este código exige para a condução de um veículo convencional, o condutor de
veículo de emergência deve possuir treinamento de prática veicular em situação de
risco ou como é conhecido no CBMSC: curso de condução de veículos de
emergência, sendo que este deverá obedecer os moldes estabelecidos pelo
Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), Resolução nº 358 de 13 de agosto de
2010.
Entende-se que a habilitação de condução de veículos é obrigatória, no caso
dos condutores de veículos de emergência conforme estabelece o artigo 145 caput,
ao qual dispõe especificamente do tipo de habilitação D ou E para condutores de
veículos de emergência.

3.4 ATIVIDADES LEGAIS DE COMPETÊNCIA DO CORPO DE BOMBEIROS


MILITAR

As atividades legais de competência do Corpo de Bombeiros Militar são


divididas em quatro áreas distintas entre outras atividades que podem ser exercidas
por uma corporação.
Desta forma, a coordenação e execução de ações de defesa civil Segundo
Maciel (2014), trata-se de ações que objetivam evitar ou minimizar as
consequências de amaça ou de fatores anormais e adversos, a fim de salvaguardar
a população, seus bens e serviços, preservar o moral social e promover o eco
desenvolvimento.
45

Ainda, a prevenção e combates de incêndios segundo Maciel (2014), consiste


em realizar cursos, palestras, treinamentos, campanhas educativas, vistorias, e
aprovação de projetos de proteção, para evitar o surgimento de incêndio e pânico. E
extinguir o incêndio quando as medidas de prevenção falham e os ocupantes de
edificação não conseguem combatê-lo.
Já, busca e salvamento segundo Maciel (2014), está relacionado a socorrer
vítimas de afogamento, desabamento, soterramento, inundações; salvar pessoas
presas em elevadores, locais de difícil acesso (alturas, montanhas, cavernas) e
ferragens (acidentes automobilísticos).
Por fim, ressalta Maciel (2014), que as normas técnicas se tratam de um
conteúdo de constante evolução e aos quais os órgãos reguladores de normas no
Brasil vem sempre inovando as normas, aos quais incumbem as Corporações de
Bombeiros Militares, o dever de estudar, analisar, planejar, normalizar, exigir e
fiscalizar todo o serviço de segurança contra incêndio e pânico no Estado.
Estas são as atividades amparadas por dispositivos legais e que competem
as Corporações de Bombeiros Militares fazerem de forma salvaguardar vidas e zelar
pelo patrimônio do próximo quando possível.
46

4 A RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO EM FACE DA ATIVIDADE DOS


BOMBEIROS MILITARES

Os Bombeiros Militares, são agentes públicos responsáveis por prestarem


serviços de combate a incêndio, atendimento pré-hospitalar, busca e salvamento,
entre outros. Assim está disposto na Constituição Federal em seu artigo 144, V § 5º.
(BRASIL, 1988).
No que diz respeito à Responsabilidade Civil do Estado, segundo Carvalho
Filho (2011), podem ser identificadas duas relações jurídicas distintas, uma
envolvendo o Estado e o particular e a outra envolvendo o Estado e o agente
público.
Essas relações jurídicas segundo Sousa Filho (2012), são distintas em sua
natureza, onde a primeira constitui uma ligação entre o Estado e o particular, o que
se denomina a responsabilidade extracontratual, pois, esta decorre dentro das
diversas atividades abrangidas por um Bombeiro Militar, e por se tratar de um
serviço exclusivo do Estado.
A segunda relação, segundo Sousa Filho (2012), é entre o Estado e o agente
público, que pode ser caracterizada por uma ligação estatutária, na qual as partes
estão ligadas conforme o que se estabelece em lei.
Conforme aduz Souza Filho (2012):

Consubstanciada no § 6º do art. 37 da Carta da República, tal forma de


responsabilização prescinde da necessidade de constatação da culpa,
sendo suficiente que o lesado comprove o nexo causal entre a ação e o
resultado, assim dispondo o citado preceito constitucional:
Art. 37, § 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado
prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus
agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de
regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. (SOUZA FILHO,
2012).

Assim, segundo Souza Filho (2012), para fundamentar a responsabilidade


civil do Estado, recorre-se à denominada Teoria do Risco Administrativo. Cumpre
ressaltar que, o Estado por possuir força política e ser autossuficiente
economicamente, estaria em vantagem em relação ao lesado, conforme esclarece
Carvalho Filho (2011):
47

Passou-se a considerar que, por ser mais poderoso, o Estado teria que
arcar com um risco natural decorrente de suas numerosas atividades: à
maior quantidade de poderes haveria de corresponder um risco maior.
Surge, então, a teoria do risco administrativo, como fundamento da
responsabilidade objetiva do Estado. (CARVALHO FILHO, 2011, p. 333).

Cumpre ressaltar que segundo Souza Filho (2011), não podem de ser
confundido as noções de risco administrativo e do risco integral, ao qual expõe a
diferença entre estes institutos.
Assim assevera Carvalho Filho:

No risco administrativo, não há responsabilidade civil genérica e


indiscriminada: se houver participação total ou parcial do lesado para o
dano, o Estado não será responsável no primeiro caso e, no segundo, terá
atenuação no que concerne a sua obrigação de indenizar. Por conseguinte,
a responsabilidade civil decorrente do risco administrativo encontra limites.
(CARVALHO FILHO, 2011, p. 333).

Diante do fenômeno da Responsabilidade Objetiva, Sousa Filho (2012),


afirma que esta, pressupõe a ocorrência de uma conduta, seja ela, comissiva ou
omissiva da administração pública, ainda a existência do dano e por fim o nexo de
causalidade entre um e outro, faz prescindir a comprovação da culpa. Isso não faz
com que a Responsabilidade Objetiva seja um segurador universal, pois se não
existir um dos três pressupostos acima citados, não há que se falar em dever do
Estado de indenizar.

4.1 ANÁLISE JURISPRUDENCIAL ACERCA DA RESPONSABILIDADE CIVIL DO


ESTADO, NOS ACIDENTES COMETIDOS POR VIATURAS DO CORPO DE
BOMBEIROS MILITAR

Como meio de pesquisa, buscou-se fazer uma sistematização da visão do


judiciário no que diz respeito às suas decisões envolvendo a Responsabilidade Civil
objetiva ou subjetiva do Estado nos acidentes de trânsito com viatura do Corpo de
Bombeiros Militar. A análise destas decisões possibilita explorar os pontos mais
relevantes e controvertidos trazidos pelos magistrados.
Nesse sentido, foram selecionados para pesquisa, o Tribunal de Justiça do
Paraná - TJPR, Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul - TJRS e Tribunal de
Justiça de Santa Catarina - TJSC.
48

Com o intuito de se descobrir o posicionamento do Tribunal de Justiça do


Estado do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, acerca da natureza da
responsabilidade civil do Estado, nos acidentes causados por condutores das
viaturas dos Bombeiros Militares, realizou-se pesquisa nos seguintes sítios,
www.tjpr.jus.br, www.tjrs.jus.br e www.tjsc.jus.br, utilizando-se dos termos
“indenização”, “viatura” e “bombeiro”, no campo de pesquisa, “com todas palavras”,
este colocado entre aspas em razão de ser uma expressão que deveria ser buscada
conjuntamente com o termo “responsabilidade civil” no campo de pesquisa “com
qualquer uma das palavras” tendo sido delimitado o lapso temporal o período de
01/01/2012 até 30/10/2017. Selecionou-se, ainda, “inteiro teor” como abrangência da
busca jurisprudencial e “acordão do Tribunal de Justiça” como local de pesquisa.

4.1.2 O Posicionamento do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná

Neste diapasão, foram encontrados 20 (vinte) decisões, de classe “apelação


cível”. Ao analisar estes julgados, tem-se que 3 (três) julgados expressam a corrente
que defende a responsabilização objetiva do Estado, nos casos de acidentes de
trânsito envolvendo viaturas do Corpo de Bombeiros Militar, com fulcro no art. 37, §
6º da Constituição Federal de 1988.
Faz-se oportuno mencionar os julgados nº 1.211.701-4, 1.134.523-6 e
1.044.684-5, abaixo colacionado desta Corte, que demonstra de forma unânime a
aplicação da responsabilidade civil objetiva, ao qual correspondem ao ano de 2013 e
2014, com relatoria Renato Braga Bettega, Ruy Cunha Sobrinho, Fernando César
Zeni. Neste sentido, desta forma julgados encontrados que mencionam a seguinte
matéria:

APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS – ACIDENTE


DE TRÂNSITO – COLISÃO TRASEIRA – RESPONSABILIDADE OBJETIVA
(ART. 37, §6º, DA CF) – CAMINHÃO DO CORPO DE BOMBEIROS QUE
DESENVOLVIA MARCHA SEM OS DEVIDOS CUIDADOS DEIXANDO DE
GUARDAR DISTÂNCIA FRONTAL DE SEGURANÇA – IMPERÍCIA E
IMPRUDÊNCIA – VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 28 E 29, II, AMBOS DO CTB
– DIREITO DE PREFERÊNCIA DE TRÁFEGO QUE NÃO AFASTA O
DEVER DE CAUTELA INERENTE A TODOS OS CONDUTORES –
PRECEDENTE – PARTE REQUERIDA QUE NÃO SE DESVENCILHOU DO
SEU ÔNUS PROBATÓRIO (ART. 333, II, DO CPC) – CULPA EXCLUSIVA
OU CONCORRENTE DO AUTOR NÃO EVIDENCIADA – DEVER DE
INDENIZAR MANTIDO – EXEGESE DOS ARTIGOS 186 E 927,
PARÁGRAFO ÚNICO, AMBOS DO CC – SENTENÇA REFORMADA DE
49

OFÍCIO NO TOCANTE AO INDICE (IPCA), TAXAS E TERMO INICIAL DE


FLUÊNCIA DOS JUROS DE MORA (SÚMULA 54 DO STJ) INCIDENTES
SOBRE OS DANOS MATERIAIS – MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA –
APELO DESPROVIDO. (PARANÁ, 2014).

APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO.


INDENIZAÇÃO. ACIDENTE DE TRÂNSITO. RESPONSABILIDADE
OBJETIVA DO ESTADO DO PARANÁ. VEÍCULO DO CORPO DE
BOMBEIROS QUE NÃO TOMOU A DEVIDA PRECAUÇÃO ANTES DE
CRUZAR VIA PREFERENCIAL. SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA PARA
ANTENDIMENTO DE INCÊNDIO QUE NÃO SIGNIFICA QUE O AGENTE
PÚBLICO É DETENTOR DE FRANQUIA PARA ATRAVESSSAR
INADVERTIDAMENTE TODOS OS SINAIS DE TRÂNSITO.
NECESSIDADE DE ADOTAR CAUTELAS PARA RESGUARDAR
TERCEIROS QUE SE ENCONTRAM REGULARMENTE EM SUA MÃO DE
DIREÇÃO. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA DO MUNICÍPIO.
COMPROVAÇÃO DE CULPA. VEGETAÇÃO QUE COMPROMETIA A
VISIBILIDADE DA VIA. ALEGAÇÃO DE CULPA CONCORRENTE E
EXCLUSIVA DA VÍTIMA. NÃO CONFIGURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO
DANO MORAL QUE ATENDEU ADEQUADAMENTE A NATUREZA DAS
LESÕES SOFRIDAS PELAS VÍTIMAS. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO
DESPROVIDO. (PARANÁ, 2013).

RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ACIDENTE DE


TRÂNSITO ENVOLVENDO CICLISTA E VEÍCULO DO CORPO DE
BOMBEIROS. TEORIA OBJETIVA DA RESPONSABILIDADE.
FALECIMENTO DO CONDUTOR DA BICICLETA. VEÍCULO OFICIAL QUE
INVADIU A VIA PREFERENCIAL. PROVA TESTEMUNHAL. CAUSA
DETERMINANTE DO ACIDENTE. VALOR DA INDENIZAÇÃO POR
DANOS MORAIS MINORADO. PLEITO DE DESCONTO DO VALOR
RECEBIDO PELO DPVAT. INOVAÇÃO RECURSAL. NÃO
CONHECIMENTO. DANOS MATERIAIS MANTIDOS. JUROS E
CORREÇÃO MONETÁRIA. ART. 1º-F, LEI 9.494/97, COM REDAÇÃO
DADA PELA LEI 11.960/09. TERMO INICIAL. SÚMULAS Nº 43, 54, E 362,
DO STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS MINORADOS. ART. 20, §§ 3º E
4 167, CPC. SENTENÇA PARCIALMENTE ALTERADA. Recurso
parcialmente conhecido e, nesta parte, parcialmente provido. Sentença
parcialmente alterada em sede de Reexame Necessário. (PARANÁ, 2013).

As ementas supramencionadas, tratam de recurso de apelação cível


interposto contra decisão do juízo a quo que condenou o apelante, a indenizar o
apelado no prejuízo sofrido.
O Tribunal de Justiça do Estado do Paraná manifestou-se por dar
desprovimento ao recurso e manter a decisão, uma vez que a interpretação a ser
conferida pela Corte ao art. 37 § 6º da Constituição Federal de 1988 que dispõe, a
administração pública direta e indireta, responderão pelos danos que seus agentes,
nessa qualidade, causarem a terceiros, e artigo 28 do Código de Trânsito Brasileiro
(1997), que assim dispõe: “o condutor deverá, a todo momento, ter domínio de seu
veículo, dirigindo-o com atenção e cuidados indispensáveis à segurança do trânsito”,
e o artigo 29, inciso II, do mesmo código, que assim dispõe:
50

Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação


obedecerá às seguintes normas [...]
II - o condutor deverá guardar distância de segurança lateral e frontal entre
o seu e os demais veículos, bem como em relação ao bordo da pista,
considerando-se, no momento, a velocidade e as condições do local, da
circulação, do veículo e as condições climáticas. (BRASIL, 1997).

Em observância ao julgado analisado, acima citado, verifica-se que sua


responsabilidade é objetiva, na forma do artigo 37, § 6º, da Constituição Federal de
1988, pelo que o dever de indenizar independe da demonstração de culpa ou dolo,
bastando a comprovação do nexo causal entre o fato lesivo imputável à
administração e o dano alegado.
Em análise aos julgados, não foi encontrada nenhuma decisão de
responsabilidade civil subjetiva do Estado, com os critérios estabelecidos neste
trabalho.

4.1.3 Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul

Neste sentido, com intuito de se descobrir o posicionamento do Tribunal de


Justiça do Estado do Rio Grande do Sul acerca da natureza da responsabilidade
civil do Estado, nos acidentes causados por condutores das viaturas dos Bombeiros
Militares, foram pesquisados 143 (cento e quarenta e três) resultados, de classe
“apelação cível”.
Assim, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, aos quais 2
(dois) julgados que sustentam a responsabilização objetiva do Estado, buscando
expor a argumentação utilizada pelo órgão de segundo grau do riograndense, no
que tange a Responsabilidade Civil do Estado em face do envolvimento dos
condutores de viaturas do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio Grande do
Sul em acidentes de trânsito.
Primeiramente se faz oportuno mencionar os julgados nº 70050443811 e nº
70072369887 desta Corte, os julgados demonstram o mesmo entendimento da
decisão ao qual, corrobora a aplicação da responsabilidade civil objetiva, datado em
26 de junho de 2014 e 30 de maio de 2017, com relatoria Ana Lucia Carvalho Pinto
Vieira Rebout e Pedro Luiz Pozza:
51

RECURSOS DE APELAÇÃO. RESPONSABILIDADE CIVIL EM ACIDENTE


DE TRÂNSITO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E
DENUNCIAÇÃO DA LIDE. COLISÃO TRASEIRA POR VIATURA DA
BRIGADA MILITAR (BOMBEIROS). PRESUNÇÃO DE CULPA. Recurso do
Estado que impugna, apenas, o valor fixado a título de honorários
advocatícios em favor do patrono do autor. Recurso do denunciado que
discute a culpa pelo acidente. Não tendo o servidor público se
desincumbido do ônus de comprovar que o acidente narrado nos autos
ocorreu por culpa exclusiva do condutor do veículo do autor, é de ser
mantida a procedência da denunciação da lide, considerando a presunção
de culpa que milita em seu desfavor. Provas coligidas aos autos não
albergam a tese defendida pelo apelante. Os juros moratórios, a partir da
entrada em vigor da Lei 11.960/09, devem observar o critério nela
disciplinado. Por outro lado, no período anterior, tal acessório deverá seguir
os parâmetros definidos pela legislação então vigente, qual seja, o Código
Civil de 2002. Precedentes desta Câmara. Honorários advocatícios (objeto
de ambos os apelos) que devem ser mantidos, sob pena de aviltamento do
trabalho realizado pelo patrono do autor. À UNANIMIDADE, NEGARAM
PROVIMENTO AO RECURSO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL E,
POR MAIORIA, DESPROVERAM O APELO DO LITISDENUNCIADO. (RIO
GRANDE DO SUL, 2014).

APELAÇÕES CIVEIS. RESPONSABILIDADE CIVIL EM ACIDENTE DE


TRÂNSITO. FAZENDA PÚBLICA. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO AGENTE
PÚBLICO. LEGITIMIDADE DO ENTE ESTATAL. CULPA. DANO MORAL.
LUCROS CESSANTES. CORREÇÃO MONETÁRIA. CUSTAS. Nas ações
em que se busca a responsabilidade do Estado com fulcro no art. 37, §6º da
CF, não tem o agente público legitimidade passiva, devendo ser demando
pelo ente público em ação de regresso. Precedentes do STF e da Câmara.
Culpa de terceiro não comprovada nos autos, restando demonstrada a
culpa exclusiva da agente pública. Não fugindo a situação dos autos ao
mero dissabor cotidiano, não há falar em danos morais. Lucros cessantes
devidos, pois devidamente comprovados nos autos. Tratando-se de
Fazenda Pública, a atualização da condenação deve obedecer ao art. 1º-F
da Lei 9.494/97 (índice oficial de remuneração básica da caderneta de
poupança), até 25.03.2015, a partir de quando haverá a incidência do IPCA,
mais juros de mora de 6% ao ano. A Fazenda Pública está isenta do
recolhimento de custas, despesas e emolumentos, conforme art. 11 do
Regimento de Custas. É vedada a compensação da verba honorária. Art.
85, §14º do CPC. Não se conhece do apelo na parte em que vai ao
encontro da sentença, por ausência de interesse recursal. APELO DA
PARTE AUTORA PARCIALMENTE CONHECIDO E PROVIDO EM PARTE.
APELO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROVIDO
PARCIALMENTE. UNÂNIME. (RIO GRANDE DO SUL, 2017).

As ementas supramencionadas tratam, de recurso de apelação cível,


interposto contra decisão do juízo a quo que condenou o apelante, a indenizar o
apelado pelo prejuízo sofrido.
O Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul manifestou-se por dar
desprovimento ao recurso e manter a decisão, uma vez que a interpretação
conferida pela Corte ao art. 37 § 6º da Constituição Federal de 1988, que dispõe, a
administração pública direta e indireta, responderão pelos danos que seus agentes,
nessa qualidade, causarem a terceiros e artigo 28 do Código de Trânsito Brasileiro
52

(1997), estabelece que: “O condutor deverá, a todo momento, ter domínio de seu
veículo, dirigindo-o com atenção e cuidados indispensáveis à segurança do trânsito”.
Torna-se límpido o entendimento do Tribunal de Justiça, nos casos de
acidentes de trânsito envolvendo viaturas do Corpo de Bombeiros Militar, que se
trata de Responsabilidade Civil Objetiva.
Em análise dos julgados encontrados, não foram encontradas decisões de
responsabilidade civil subjetiva, com os critérios estabelecidos neste trabalho, no
qual, só se pode obter o entendimento, quanto à responsabilidade civil objetiva.

4.1.4 Tribunal de Justiça de Santa Catarina

A investigação do posicionamento do Tribunal de Justiça do Estado Santa


Catarina sobre a natureza da responsabilidade civil do Estado, nos acidentes
causados por condutores das viaturas dos Bombeiros Militares, resultou 83 (oitenta
e três) julgados, de classe “apelação cível”.
Porém, analisando-se as ementas dos acórdãos pesquisados, tem-se que 1
(um) resultado no qual expressa a corrente e que defende a responsabilização
objetiva do Estado nos casos de acidentes de trânsito envolvendo viaturas do Corpo
de Bombeiros Militar.
Primeiramente, se faz oportuno mencionar o julgado abaixo colacionado, que
demonstra a aplicação da responsabilidade civil objetiva. Neste sentido, cumpre
ressaltar que foram encontradas mais decisões, contudo não tratavam
especificamente do tema em análise da presente monografia, o que justifica a
transcrição de somente um julgado referente a responsabilidade civil objetiva.
Assim se faz colacionar o julgado nº 2013.079431-0 que restou pela
responsabilidade civil do Estado objetiva, este datado em 10 de novembro de 2015,
com relatoria de Paulo Henrique Moritz Martins da Silva:

RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. AUTOMÓVEL


PARTICULAR QUE TRAFEGAVA EM VIA PREFERENCIAL E FOI
ABALROADO POR CAMINHÃO DO CORPO DE BOMBEIROS.
ACIONAMENTO DE TODOS OS AVISOS SONOROS E LUMINOSOS, QUE
TRANSFERE A PREFERÊNCIA DE PASSAGEM AO VEÍCULO OFICIAL.
EXEGESE DO ART. 29, VII, DO CTB. PROVAS QUE DEMONSTRAM QUE
O AUTOR DIRIGIA COM TOTAL DESATENÇÃO. DEVER DE INDENIZAR
NÃO CARACTERIZADO. CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA. SENTENÇA DE
IMPROCEDÊNCIA MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO. (SANTA
CATARINA, 2015).
53

A câmara, manifestou-se por dar desprovimento ao recurso e manter a


decisão de primeiro grau, uma vez que a interpretação da decisão, foi elencada ao
art. 37 § 6º da Constituição Federal de 1988 que dispõe, a administração pública
direta e indireta, responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
causarem a terceiros, assim o artigo 28 do Código de Trânsito Brasileiro (1997)
estabelece: “O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação
obedecerá às seguintes normas” e artigo 29, inciso VII, d, do mesmo código, aduz
que:

Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação


obedecerá às seguintes normas:
VII - Os veículos destinados a socorro de incêndio e salvamento, os de
polícia, os de fiscalização e operação de trânsito e as ambulâncias, além de
prioridade de trânsito, gozam de livre circulação, estacionamento e parada,
quando em serviço de urgência e devidamente identificados por dispositivos
regulamentares de alarme sonoro e iluminação vermelha intermitente,
observadas as seguintes disposições[...]
d) a prioridade de passagem na via e no cruzamento deverá se dar com
velocidade reduzida e com os devidos cuidados de segurança, obedecidas
as demais normas deste Código. (BRASIL, 1997).

Com base no contexto probatório que se tem, exsurge, claramente a


Responsabilidade Civil Objetiva do Estado comprovada, motivo pelo qual, somado
às disposições legais que regem a matéria, houve a responsabilização do ente
público pela reparação dos prejuízos suportados pelo demandante.
Ao analisar os julgados do Tribunal de Justiça dos estados do Paraná, Rio
Grande do Sul e Santa Catarina, ficou claro o entendimento que, nos casos de
acidentes de trânsito envolvendo viaturas do Corpo de Bombeiros Militar, que se
trata de Responsabilidade Civil Objetiva. Quanto a responsabilidade subjetiva não
foram encontrados julgados que justificassem tal hipótese.
54

5 CONSIDERAÇÕES

A presente pesquisa abordou o tema da responsabilidade civil do Estado, nos


casos de acidentes causados por condutores das viaturas do Corpo Bombeiros
Militar, se objetiva ou subjetiva, de forma a apontar qual é o entendimento dos
magistrados, frente ao Tribunal de Justiça dos Estados do Paraná, Rio Grande do
Sul e Santa Catarina.
Inicialmente, foram traçados objetivos específicos, o primeiro relacionado
evolução das teorias que fundamentam a Responsabilidade Civil do Estado, o
segundo relacionando ao histórico e evolução dos bombeiros, atribuições
constitucionais, atividades legais, competências, requisitos para condução de
veículo de emergência e definição de viatura, o terceiro está diretamente relacionado
à responsabilidade civil do Corpo de Bombeiros Militar por danos decorrentes de
acidentes de trânsito, por meio da análise doutrinária e jurisprudencial existente
acerca do tema.
Com relação ao primeiro objetivo específico, pode-se constatar que o tema de
responsabilidade civil do Estado é bastante antigo e evoluiu muito ao longo da
história até chegar no entendimento dos dias de hoje. Atualmente, a
responsabilidade civil do Estado deve ser compreendida sob diferentes óticas, de
acordo com o caso concreto, sendo, em regra, objetiva em relação à Administração
Pública e subjetiva em relação aos agentes públicos.
Constatou-se que, para a configuração da responsabilidade civil objetiva do
Estado, é imprescindível a existência de três elementos basilares: o fato
administrativo, o dano e o nexo causal. Deste modo, faltando algum desses
pressupostos, não há que se falar em responsabilização estatal. Uma vez
inexistente o nexo de causalidade entre a conduta do Estado (comissiva ou
omissiva) e o dano sofrido pelo particular, a responsabilidade civil restará
automaticamente afastada.
Portanto, não há dúvida de que a responsabilidade civil do Estado, em regra,
é objetiva, impondo-se ao Poder Público o dever de reparar os danos causados por
seus agentes no exercício de suas funções, independentemente de comprovação de
dolo ou culpa por parte destes.
Contudo, os agentes públicos não estão totalmente imunes à
responsabilização civil, porquanto podem vir a responder de forma subjetiva por
55

eventuais danos que causarem a terceiros. Neste caso, por ser subjetiva a
responsabilidade civil, o dolo ou a culpa devem restar claramente demonstrados e,
assim, após reparar o dano, o Estado deve ingressar em juízo com ação regressiva
em face dos agentes efetivamente causadores do evento danoso.
A atividade exercida pelo Bombeiro Militar, é uma atividade estatal, prevista
na Constituição Federal e nas constituições estaduais, cabendo aos Corpos de
Bombeiros Militares a sua prestação, dentro de seu respectivo território.
Desta forma, a pesquisa realizada visou analisar a natureza da
Responsabilidade Civil do Estado nos acidentes causados por condutores das
viaturas do Corpo de Bombeiros Militar.
Portanto, da atenta análise jurisprudencial, conclui-se que no sentido da
aplicabilidade da natureza jurídica objetiva quanto as condutas do Estado, em sede
da Responsabilidade Civil, há uma grande dificuldade em demonstrar a culpa ou
dolo do agente condutor de veículos de emergência ou que um serviço não
funcionou ou foi prestado inadequadamente. Responderá o Estado
independentemente de culpa pelo dano causado a terceiros.
Assim, duas hipóteses levantadas na elaboração da presente monografia
diante dos resultados obtidos na análise jurisprudencial, restou os seguintes
resultados 6 (seis) julgados que sustentaram a Responsabilidade Civil Objetiva do
Estado, 3 (três) do Estado do Paraná, 2 (dois) do Estado do Rio Grande do Sul e 1
(um) do Estado de Santa Catarina.
Ainda, das hipóteses que foram levantadas acerca da temática de pesquisa, a
primeira corresponde sobre a Responsabilidade Civil do Estado por acidentes
causados com viaturas conduzidas por bombeiros militares será objetiva, tendo em
vista o comando constitucional estatuído no artigo 37 § 6º da Constituição Federal
de 1988, que se sobrepõe a todo e qualquer outro ordenamento infraconstitucional
ou entendimento doutrinário.
A segunda hipótese recai sobre a responsabilidade subjetiva, que necessita
de dolo ou culpa na conduta do agente público, constituindo imprescindível a
comprovação do dano suportado pela vítima e do respectivo nexo de causalidade.
Assim, restou a primeira hipótese confirmada, onde é responsável o Estado
objetivamente pelos danos causados com viaturas conduzidas pelos seus
condutores, este é o entendimento dos magistrados do Tribunal de Justiça dos
56

Estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Já a segunda hipótese,


não foi confirmada, pois não foram encontradas decisões que a confirmassem.
Cumpre ressaltar que, com esta monografia, não se pretende esgotar o objeto
da pesquisa, razão pela qual é salutar que novos estudos e análises sejam
elaborados para aprofundar e elucidar o tema.
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APÊNDICE A

PESQUISA DE JULGADOS DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ

SÍTIO ON-LINE: https://portal.tjpr.jus.br/jurisprudencia/.


MODO DE BUSCA: Pesquisa de Acórdãos do Tribunal de Justiça do Estado de
Santa Catarina.
PESQUISA: detalhada
CAMPO DE PESQUISA: Inteiro teor.
TERMOS: indenização, viatura, bombeiro, responsabilidade civil do Estado.
CLASSE: apelação cível.
FAIXA TEMPORAL: de 01/01/2012 a 30/10/2017.
RESULTADOS: 20.
JULGADOS ÚTEIS À PESQUISA: 3.

Data de
Número do processo Relator
julgamento
1643096-3 Marcos S. Galliano Daros 08/08/2017
1654809-7 Marcos S. Galliano Daros 08/08/2017
1502466-7 Lilian Romero 23/02/2017
1620058-5 Domingos José Perfetto 16/02/2017
1573908-5 Clayton de Albuquerque Maranhão 27/10/2016
1488485-8 Denise Hammerschimidt 18/10/2016
1413574-9 Lilian Romero 02/06/2016
1426462-9 Silvio Dias 27/10/2015
1380364-0 Antônio Renato Strapasson 09/06/2015
1327285-4 Rabello Filho 02/06/2015
1032799-0 Josély Dittrich Ribas 09/12/2014
1211701-4 Renato Braga Bettega 30/09/2014
1186631-6 Renato Braga Bettega 12/08/2014
1185707-1 Carlos Mansur Arida 01/07/2014
1134523-6 Fernando César Zeni 03/12/2013
1044684-5 Ruy Cunha Sobrinho 06/08/2013
897927-7 Paulo Roberto Vasconcelos 14/08/2012
796514-4 Lauro Laertes de Oliveira 29/05/2012
853927-9 Eugenio Achille Grandinetti 20/03/2012
848601-7 João Domingos Kuster Puppi 15/03/2012
APÊNDICE B

PESQUISA DE JULGADOS DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO GRANDE DO


SUL

SÍTIO ON-LINE: https://www.tjrs.jus.br


MODO DE BUSCA: Pesquisa de Acórdãos do Tribunal de Justiça do Estado do Rio
Grande do Sul.
CAMPO DE PESQUISA: Inteiro teor.
TERMOS: indenização, viatura, bombeiro, responsabilidade civil do Estado.
CLASSE: apelação cível.
FAIXA TEMPORAL: de 01/01/2012 a 30/10/2017.
RESULTADOS: 143.
JULGADOS ÚTEIS À PESQUISA: 2.

Data de
Número do processo Relator
julgamento
70074530486 Francesco Conti 25/10/2017
70074637794 Eduardo Kraemer 25/10/2017
70075493213 João Moreno Pomar 24/10/2017
70073203440 Elisa Carpim Corrêa 06/10/2017
70074233685 José Conrado Kurtz de Souza 05/10/2017
70073259772 Guinther Spode 28/09/2017
Antônio Maria Rodrigues de Freitas
70065468290 27/09/2017
Iserhard
70067966218 João Moreno Pomar 25/09/2017
70073405508 Leonel Pires Ohlweiler 31/08/2017
70074006180 Naele Ochoa Piazzeta 30/08/2017
70073160772 Dálvio Leite Dias Teixeira 30/08/2017
70072401813 Naele Ochoa Piazzeta 30/08/2017
70069100626 Sylvio José Costa da Silva Tavares 24/08/2017
70072606692 Marcelo Cezar Muller 24/08/2017
70070470679 Túlio de Oliveira Martins 26/07/2017
70073663528 Isabel de Borba Lucas 26/07/2017
70063571038 Fabianne Breton Baisch 26/07/2017
70070505219 Ícaro Carvalho de Bem Osório 13/07/2017
70072657398 Tasso Caubi Soares Delabary 12/07/2017
70073605289 Tasso Caubi Soares Delabary 12/07/2017
70072369887 Pedro Luiz Pozza 30/05/2017
70073192825 Catarina Rita Krieger Martins 25/05/2017
70073286080 Tasso Caubi Soares Delabary 24/05/2017
70069126118 Miguel Ângelo da Silva 25/04/2017
70067937607 Ícaro Carvalho de Bem Osório 20/04/2017
70073155160 Tasso Caubi Soares Delabary 19/04/2017
70061842001 Alexandre Kreutz 13/12/2016
70059381053 Alexandre Kreutz 13/12/2016
70070941380 Pedro Luiz Pozza 24/11/2016
70069970002 Túlio de Oliveira Martins 24/11/2016
Ana Lúcia Carvalho Pinto Vieira
70068993013 10/11/2016
Rebout
70067013169 Ícaro Carvalho de Bem Osório 10/11/2016
70069791259 Tasso Caubi Soares Delabary 09/11/2016
70069531697 Eugênio Facchini Neto 19/10/2016
70069997252 Tasso Caubi Soares Delabary 14/09/2016
70066734963 Túlio de Oliveira Martins 01/09/2016
70069268068 Guinther Spode 25/08/2016
70066628827 José Aquino Flôres de Camargo 11/08/2016
Luiz Roberto Imperatore de Assis
70065643777 10/08/2016
Brasil
Luiz Roberto Imperatore de Assis
70065643314 10/08/2016
Brasil
70068678135 Bayard Ney de Freitas Barcellos 10/08/2016
70068321009 Guinther Spode 16/06/2016
70064340912 Miguel Ângelo da Silva 25/05/2016
70068787266 Lizete Andreis Sebben 11/05/2016
70062767884 Guinther Spode 28/04/2016
70064780984 Luís Augusto Coelho Braga 28/04/2016
70068608603 Katia Elenise Oliveira da Silva 27/04/2016
70067697516 Eduardo Delgado 08/04/2016
70067639898 Marcelo Cezar Muller 31/03/2016
Antônio Maria Rodrigues de Freitas
70063123962 30/03/2016
Iserhard
70064849011 Mylene Maria Michel 10/03/2016
70064849094 Mylene Maria Michel 10/03/2016
70067966218 João Moreno Pomar 10/03/2016
70067392068 Iris Helena Medeiros Nogueira 29/01/2016
70066604331 Umberto Guaspari Sudbrack 10/12/2015
70066616681 Elisa Carpim Corrêa 10/12/2015
70067531921 Miguel Ângelo da Silva 30/11/2015
70045750213 Elaine Maria Canto da Fonseca 24/11/2015
70066592999 Iris Helena Medeiros Nogueira 11/11/2015
70066787573 Iris Helena Medeiros Nogueira 11/11/2015
70066177247 Carlos Cini Marchionatti 30/09/2015
70064644503 Jorge Alberto Schreiner Pestana 24/09/2015
70064811599 André Luiz Planella Villarinho 16/09/2015
70064205057 Katia Elenise Oliveira da Silva 13/05/2015
70062256680 Túlio de Oliveira Martins 29/04/2015
70058259763 Miguel Ângelo da Silva 29/04/2015
70060226479 André Luiz Planella Villarinho 27/04/2015
Ana Lúcia Carvalho Pinto Vieira
70056705486 23/04/2015
Rebout
70063901342 Katia Elenise Oliveira da Silva 15/04/2015
70060183316 Pedro Celso Dal Pra 26/02/2015
70040430852 Maria Claudia Cachapuz 18/12/2014
70054780911 Glênio José Wasserstein Hekman 03/12/2014
70061318754 Marcelo Cezar Muller 30/10/2014
Luiz Roberto Imperatore de Assis
70060444247 29/10/2014
Brasil
70053581229 Umberto Guaspari Sudbrack 16/10/2014
70059856807 Elisa Carpim Corrêa 03/10/2014
70061888442 Mário Crespo Brum 01/10/2014
70060392677 Paulo Roberto Lessa Franz 25/09/2014
70057599284 João Batista Marques Tovo 18/09/2014
70058618299 Miguel Ângelo da Silva 27/08/2014
Ana Lúcia Carvalho Pinto Vieira
70057303828 07/08/2014
Rebout
70046921060 Sylvio José Costa da Silva Tavares 31/07/2014
Luiz Roberto Imperatore de Assis
70056133770 23/07/2014
Brasil
70059600379 Jorge Alberto Schreiner Pestana 17/07/2014
70058973736 José Conrado Kurtz de Souza 07/08/2014
70053403416 Umberto Guaspari Sudbrack 10/07/2014
70055289060 Marcelo Cezar Muller 26/06/2014
Ana Lúcia Carvalho Pinto Vieira
70050443811 26/06/2014
Rebout
Ana Lúcia Carvalho Pinto Vieira
70043444082 26/06/2014
Rebout
70057269425 Luiz Roberto Imperatore de Assis Brasi 04/06/2014
Luiz Roberto Imperatore de Assis
70056250517 30/04/2014
Brasil
70058609611 Marcelo Cezar Muller 24/04/2014
70053710711 Bayard Ney de Freitas Barcellos 09/04/2014
70056318942 José Conrado Kurtz de Souza 20/03/2014
70057117301 Mário Crespo Brum 13/03/2014
70055716542 Otávio Augusto de Freitas Barcellos 12/03/2014
Luiz Roberto Imperatore de Assis
70056372600 26/02/2014
Brasil
70056083280 Tasso Caubi Soares Delabary 18/12/2013
70055090237 Nereu José Giacomolli 17/10/2013
70053452611 João Batista Marques Tovo 17/10/2013
70055919013 Mário Crespo Brum 26/09/2013
70055919245 Mário Crespo Brum 26/09/2013
70056071608 Katia Elenise Oliveira da Silva 25/09/2013
70038427118 Victor Luiz Barcellos Lima 29/08/2013
70055183560 Mário Crespo Brum 29/08/2013
70054542162 Miguel Ângelo da Silva 28/08/2013
70046276465 Dálvio Leite Dias Teixeira 14/08/2013
70052361219 Marilene Bonzanini 26/06/2013
70036993921 Niwton Carpes da Silva 20/06/2013
70053203485 Jorge Luiz Lopes do Canto 29/05/2013
70053203352 Jorge Luiz Lopes do Canto 29/05/2013
70042700724 Umberto Guaspari Sudbrack 23/05/2013
70052894789 Túlio de Oliveira Martins 25/04/2013
Luiz Roberto Imperatore de Assis
70052064839 24/04/2013
Brasil
70051823763 Jorge Luiz Lopes do Canto 27/03/2013
70050661255 Túlio de Oliveira Martins 28/02/2013
70051982205 Tasso Caubi Soares Delabary 19/12/2012
70051184968 José Antônio Daltoe Ceza 19/12/2012
70051583243 Tasso Caubi Soares Delabary 28/11/2012
70050949940 Aymoré Roque Pottes de Mello 08/11/2012
70050446228 Mário Crespo Brum 27/09/2012
70050556083 Aymoré Roque Pottes de Mello 13/09/2012
70048510044 Almir Porto da Rocha Filho 12/09/2012
70043143593 Jorge Alberto Schreiner Pestana 30/08/2012
Luiz Roberto Imperatore de Assis
70047580071 15/08/2012
Brasil
Luiz Roberto Imperatore de Assis
70047326624 08/08/2012
Brasil
Luiz Roberto Imperatore de Assis
70047091590 08/08/2012
Brasil
70049386055 Paulo Roberto Lessa Franz 19/07/2012
70047944756 Aymoré Roque Pottes de Mello 14/06/2012
70049132830 Katia Elenise Oliveira da Silva 13/06/2012
70040456667 Matilde Chabar Maia 31/05/2012
70048544605 Leonel Pires Ohlweiler 30/05/2012
70048708085 Katia Elenise Oliveira da Silva 30/05/2012
70048708309 Katia Elenise Oliveira da Silva 30/05/2012
70046197679 Umberto Guaspari Sudbrack 03/05/2012
70047927611 Leonel Pires Ohlweiler 25/04/2012
Luiz Roberto Imperatore de Assis
70045311602 29/02/2012
Brasil
70040802100 Leonel Pires Ohlweiler 29/02/2012
70045998424 Paulo Roberto Lessa Franz 16/02/2012
Luiz Roberto Imperatore de Assis
70043988583 15/02/2012
Brasil
Luiz Roberto Imperatore de Assis
70044205839 15/02/2012
Brasil
70046539151 Mário Crespo Brum 13/02/2012
70036907673 Osnilda Pisa 31/01/2012
APÊNDICE C

PESQUISA DE JULGADOS DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SANTA CATARINA

SÍTIO ON-LINE: https://www.tjsc.jus.br/web/jurisprudencia.


MODO DE BUSCA: Pesquisa de Acórdãos do Tribunal de Justiça do Estado de
Santa Catarina.
CAMPO DE PESQUISA: Inteiro teor.
TERMOS: indenização, viatura, bombeiro, responsabilidade civil do Estado.
CLASSE: apelação cível.
FAIXA TEMPORAL: de 01/01/2012 a 30/10/2017.
RESULTADOS: 83.
JULGADOS ÚTEIS À PESQUISA: 1.

Data do
Número do processo Relator
julgamento
0008538-0.2011.8.24.0008 Cid Goulart 26/09/2017
0008917-8.2013.8.24.0011 Stanley da Silva Braga 19/09/2017
0300742 41.2014.8.24.0058 Stanley da Silva Braga 19/09/2017
0003369-40.2012.8.24.0033 Pedro Manoel Abreu 08/08/2017
0000754-46.2008.8.24.0024 Vera Lúcia Ferreira Copetti 03/08/2017
0000939-47.2010.8.24.0046 Luiz Felipe Schuch 31/07/2017
0000471-12.2011.8.24.0026 Jorge Luiz de Borba 25/07/2017
0004045-22.2012.8.24.0054 Jorge Luis Costa Beber 13/07/2017
0014743-64.2013.8.24.0018 Júlio César M. Ferreira de Melo 04/05/2017
0000104-42.2013.8.24.0050 Saul Steil 02/05/2017
0008994-79.2011.8.24.0004 Gilberto Gomes de Oliveira 20/04/2017
0001868-10.2008.8.24.0189 Carlos Adilson Silva 11/04/2017
9158266-64.2015.8.24.0000 Carlos Adilson Silva 11/04/2017
0024175-72.2011.8.24.0020 Vera Lúcia Ferreira Copetti 06/04/2017
0000939-47.2010.8.24.0046 Luiz Felipe Schuch 03/04/2017
0003490-91.2013.8.24.0014 Carlos Adilson Silva 28/03/2017
0001088-68.2008.8.24.0028 Júlio César Knol 21/03/2017
0010177-14.2009.8.24.0018 Odson Cardoso Filho 23/02/2017
Cinthia Beatriz da Silva Bittencour
0001448-19.2012.8.24.0042 02/02/2017
Schaefer
0000102-24.2012.8.24.0045 Pedro Manoel Abreu 04/10/2016
0003800-61.2008.8.24.0018 Carlos Adilson Silva 27/09/2016
0020393-77.2013.8.24.0023 Júlio César M. Ferreira de Melo 13/09/2016
0022647-41.2006.8.24.0064 Edemar Gruber 01/09/2016
0049316-73.2010.8.24.0038 Paulo Henrique Moritz Martins da Silva 30/08/2016
0001485-67.2006.8.24.0006 Paulo Henrique Moritz Martins da Silva 30/08/2016
0008114-39.2008.8.24.0054 Cid Goulart 23/08/2016
0001485-67.2006.8.24.0006 Paulo Henrique Moritz Martins da Silva 30/08/2016
0008114-39.2008.8.24.0054 Cid Goulart 23/08/2016
0001147-87.2014.8.24.0079 Paulo Henrique Moritz Martins da Silva 09/08/2016
0064197-66.2011.8.24.0023 Júlio César Knoll 02/08/2016
0001799-85.2012.8.24.0011 Cid Goulart 02/08/2016
0002278-12.2011.8.24.0012 Paulo Henrique Moritz Martins da Silva 12/07/2016
0000215-07.2008.8.24.0016 Paulo Ricardo Bruschi 07/07/2016
0011075-40.2013.8.24.0033 Carlos Adilson Silva 17/05/2016
0019870-21.2006.8.24.0020 Júlio César Knoll 10/05/2016
000167049.2010.8.24.0141 Joel Figueira Júnior 05/05/2016
0500291-93.2012.8.24.0028 Carlos Adilson Silva 26/04/2016
0021874-26.2009.8.24.0020 Luiz Fernando Boller 05/04/2016
2013.063228-5 Carlos Adilson Silva 29/03/2016
2016.003545-9 Domingos Paludo 03/03/2016
2015.003416-2 Carlos Adilson Silva 23/02/2016
2014.014762-4 Carlos Adilson Silva 23/02/2016
2014.012638-3 Paulo Ricardo Bruschi 03/12/2015
2013.079431-0 Paulo Henrique Moritz Martins da Silva 10/11/2015
2014.071616-8 Raulino Jacó Brüning 15/10/2015
2011.097859-4 Pedro Manoel Abreu 06/10/2015
2013.071072-3 Luiz Fernando Boller 29/09/2015
2011.025244-5 Júlio César Knoll 22/09/2015
2012.083398-7 Rodrigo Cunha 10/09/2015
2012.069136-5 Edemar Gruber 03/09/2015
2014.090538-7 Carlos Alberto Civinski 26/08/2015
2015.031018-9 Saul Steil 25/08/2015
2014.021010-9 Denise Volpato 18/08/2015
2014.075557-9 Henry Petry Junior 13/08/2015
2013.058898-2 Alexandre d'Ivanenko 07/07/2015
2012.043344-0 Henry Petry Junior 25/06/2015
2012.043345-7 Henry Petry Junior 25/06/2015
2012.054217-2 Edemar Gruber 18/06/2015
2013.001226-3 Jorge Luis Costa Beber 14/05/2015
2012.043008-0 Francisco Oliveira Neto 12/05/2015
2014.000386-5 Carlos Adilson Silva 12/05/2015
2014.000708-3 Ronei Danielli 28/04/2015
2013.082180-6 Paulo Henrique Moritz Martins da Silva 17/03/2015
2012.092432-9 Carlos Adilson Silva 24/02/2015
2014.055405-6 Jorge Luis Costa Beber 12/02/2015
2010.002254-0 Rodolfo C. R. S. Tridapalli 16/12/2014
2014.014227-7 Jorge Luis Costa Beber 23/10/2014
2010.026718-2 Sebastião César Evangelista 11/09/2014
2013.033655-8 Eduardo Mattos Gallo Júnior 09/09/2014
2014.032442-2 Stanley da Silva Braga 12/08/2014
2014.033748-1 Stanley da Silva Braga 15/07/2014
2013.009635-5 Rodrigo Collaço 10/07/2014
2012.039576-2 Paulo Ricardo Bruschi 01/07/2014
2014.008461-4 Saul Steil 24/06/2014
2014.016926-6 Saul Steil 03/06/2014
2014.014769-3 Jaime Ramos 29/05/2014
2012.090598-9 Jairo Fernandes Gonçalves 29/05/2014
2011.041717-5 Rubens Schulz 31/03/2014
2011.046275-4 Carlos Adilson Silva 11/03/2014
2011.040258-3 Júlio César Knoll 06/03/2014
2012.091464-1 Newton Trisotto 18/02/2014
2012.068769-6 Henry Petry Junior 06/02/2014
2013.016972-0 Marli Mosimann Vargas 04/02/2014