Você está na página 1de 7

Universidade Lúrio

Faculdade de Engenharia

Licenciatura em Engenharia Mecânica

2o Ano

Ciência e Tecnologia dos Materiais

Resolução de exercícios

2o Grupo

Nomes:

Ali dos Santos Artur Francisco

Carlos Paulo Sassique Andrassone

Faque Bacar Faque

Rafael José Molide Júnior

Docente:

Ossifo Mário

Pemba, Abril de 2020


1. Elementos de liga influem pouco no módulo de elasticidade. Entretanto, as resistências
mecânicas são significativamente afectadas. Porquê?
Resposta
Sabendo que a deformação e rompimento de materiais se deve ao deslizamento de planos
cristalinos, que é facilitado pelo movimento de discordâncias, uma vez que os elementos de liga
geralmente ocupam posições substitucionais e intersticiais é possível concluir que representam
uma barreira para o movimento das discordâncias, aumentando propriedades mecânicas dos
materiais. O módulo de elasticidade também é influenciado por este fenómeno, mas em menor
proporção uma vez que a principal determinante do módulo de elasticidade é a relação com a
matriz dos materiais de formação da liga e suas características e comportamentos.

2. Porque as ligas de metais têm maior resistência mecânica do que os metais puros?
Resposta
Devido a inclusão de elementos em posição substitucional ou intersticial que representam uma
barreira ao movimento de discordâncias, compensando defeitos e gerando a necessidade de uma
maior energia para o movimento destas discordâncias, resultando em aumento em sua
resistência.

3. Qual a dificuldade de se empregar deformação plástica para obter-se um aumento de


resistência mecânica para metais como chumbo, zinco e estanho?
Resposta
Em função de sua temperatura de recristalização ser muito baixa, o material sofre facilmente o
processo de recristalização, reduzindo as tensões internas e suas discordâncias e por
consequência suas propriedades mecânicas.

4. Qual o efeito da temperatura sobre o módulo de elasticidade e sobre a resistência mecânica de


um metal?
Resposta
O aumento da temperatura influência o módulo de elasticidade dos materiais provocando uma
redução do mesmo em função da energia aplicada, reduzindo a tensão necessária para levar o
material ao estado elástico ou plástico.
Já as características mecânicas são influenciadas directamente pela temperatura, tanto em sua
solidificação, propiciando variação de tensão e/ou discordâncias quanto no comportamento do
material solidificado quando submetido a determinada temperatura, podendo causar
modificações na organização do material, a exemplo do processo de recozimento.

5. Qual a diferença entre tensão de cisalhamento crítica e tensão de cisalhamento efectiva?


Resposta
A tensão de cisalhamento crítica é a tensão mínima necessária para iniciar o escorregamento dos
planos dentro de um monocristal, que tem seu início de escorregamento para a direcção de
orientação que está mais favorável, as tensões de cisalhamento efectivas são as tensões paralelas
e perpendiculares à direcção de uma tensão por tração ou compressão, as tensões de
cisalhamento efectivas não dependem apenas das tensões aplicadas, mas também da orientação
do plano de escorregamento e a direcção dentro do mesmo plano.

6. Porque metais com tamanho de grão pequeno possuem a temperatura ambiente maior
resistência mecânica do que se possuíssem grãos maiores?
Resposta
Devido ao contorno de grão. Quanto menor o tamanho do grão, maior o número de barreiras de
travamento para movimentação das discordâncias e escorregamento dos planos atómicos,
gerando uma maior resistência e uma menor deformação em relação a metais com tamanhos de
grão maiores.

7. Porque metais com tamanho de grão grande possuem a elevadas temperaturas maior
resistência mecânica do que se possuíssem grãos pequenos?
Resposta
Em função do mesmo mecanismo visto no exercício anterior. Grãos menores possuem maior
número de barreiras de travamento para movimentação das discordâncias e escorregamento dos
planos atómicos, sendo assim, quando submetidos a temperaturas elevadas sofrem com maior
facilidade a reorganização de sua estrutura e eliminação das discordâncias, enquanto grãos
maiores possuem menor ocorrência de discordâncias e necessitam de maior energia para a
movimentação das mesmas, gerando uma maior resistência.
8. Os grãos aumentam seu tamanho médio a altas temperaturas? Porque não diminuem a baixas
temperaturas?
Resposta
Sim, quando submetidos a altas temperaturas os grãos apresentam redução de deformações,
quando existentes, e aumento do tamanho de grão. Em baixas temperaturas o tamanho médio não
diminui pois o material já está recristalizado.

9. Explique como um átomo de um elemento liga bloqueia uma discordância em movimento.


Resposta
A presença de um elemento intersticial ou substitucional compensa a região tracionada ou
comprimida nas discordâncias e atua restringindo o movimento dessa discordância e tornando
necessário o uso de maior energia para esse movimento, ‘bloqueando-a’.

10. Explique os diferentes estágios de fluência.


Resposta
Fluência é a variação de comprimento em um corpo de prova ao longo do tempo em função da
deformação quando submetido a uma carga ou tensão constantes.
A curva de fluência possui três estágios:

 Alongamento inicial instantâneo do corpo de prova (taca de fluência diminui ao longo do


tempo);

 Inclinação da curva de fluência (taxa de fluência) é constante nessa fase;

 Taxa de fluência aumenta rapidamente com o tempo até a ruptura.

11. O que é recuperação, recristalização e crescimento de grão? Descreva esses fenómenos.


Resposta
 Recuperação é o processo de alívio de tensões internas armazenadas durante a
deformação devido ao movimento de discordâncias;
 Recristalização é o processo de reacomodação ou rearranjo dos átomos em grãos menos
deformados, em temperaturas elevadas, reduzindo as discordâncias e retornando o
material às suas propriedades mecânicas originais;
 Crescimento de grão é o processo de crescimento dos grãos de um material em
temperatura elevada após a recristalização do mesmo.

12. Qual a distinção entre trabalho a frio e trabalho a quente para um metal. Para o tungstênio,
por exemplo, qual seria a temperatura limite entre um e outro?
Resposta
A distinção entre trabalho a frio e trabalho à quente para um metal é dada pelo limite da
temperatura de recristalização, define-se a temperatura de recristalização como a temperatura na
qual a recristalização atinge o seu término em exactamente 1 hora, para o tungsténio a
temperatura de recristalização é 1200°C, acima desta temperatura ocorre o trabalho a quente,
abaixo desta temperatura ocorre o trabalho à frio.

13. Descreva a fractura dúctil e a fractura frágil.


Resposta
Em fracturas dúcteis há um aviso do material antes do rompimento. A fractura dúctil pode ser:
transgranular (crescimento plástico fractura em taça ou cone), intergranular (presença de vazios
nos contornos de grão), cisalhamento ou pela formação de um pescoço (deformação plástica). Já
a fractura frágil ocorre de maneira abrupta, geralmente a temperaturas baixas e pode ser do tipo
clivagem ou intergranular.

14. Qual a importância da temperatura de transição. Que estruturas estão mais susceptíveis à
transformação dúctil-frágil?
Resposta
A transição de dúctil para frágil possui relação com os mecanismos de absorção da energia de
impacto em relação à temperatura. Em temperaturas elevadas a fratura é procedida de uma
deformação que consome energia, já em baixas temperaturas a trinca se propaga mais
velozmente que os mecanismos de deformação plástica, absorvendo pouca energia.
Este comportamento é encontrado tipicamente em aços com baixa resistência que possuem uma
estrutura cristalina CCC, para estes aços a temperatura de transição é sensível tanto a
composição da liga como a sua microestrutura.

15. Explique porquê um metal monocristalino é mais macio e dúctil que um metal policristalino?
Resposta
Devido às diferentes orientações cristalinas presentes, resultantes do grande número de contorno
de grãos, as direcções de escorregamento das discordâncias variam de grão para grão,
restringindo o movimento dessas discordância e tornando necessário o uso de maior energia para
esse movimento.

16. Qual a possível relação entre resistência mecânica à tração de um metal e o resultado de
dureza Brinell? Porquê?
Resposta
Tanto o limite de resistência à tração como a dureza são indicadores da resistência à deformações
de um metal, de modo que o aumento de uma das propriedades resulta no aumento proporcional
da outra.

17. Qual a possível relação entre resistência mecânica e limite à fadiga de um metal? Porquê?
Resposta
Sabendo que fadiga é a falha que ocorre em estruturas submetidas a tensões dinâmicas e
flutuantes e que factores como poros e irregularidades podem agir como concentradores de
tensões, facilitando a falha, é possível relacionar o aumento de resistência mecânica de materiais
provocados pelo aumento das discordâncias com o redução do limite à fadiga da peça. Sendo
assim, conclui-se que materiais com propriedades mecânicas (dureza) superiores possuem menor
limite a fadiga.

18. Em que etapas pode-se dividir o processo de fadiga de um material metálico?


Resposta
É possível dividir o processo de fadiga em três etapas:
 Propagação Fase I: após aplicação de um determinado número de ciclos de carregamento,
formam-se extrusões e intrusões, onde é intensa a concentração de tensões;
 Propagação Fase II: ocorre a propagação de uma trinca bem definida com velocidade
elevada, surgindo estrias com o avanço da trinca.
 Fractura Final (Catastrófica): a trinca percorreu uma área suficiente e o material não
consegue suportar a carga aplicada, resultando na fractura da peça.

19. A presença de discordância contribui positivamente ou negativamente para a deformação


plástica de um metal?
Resposta
Negativamente, aumentando as barreiras ao deslizamento de planos e consequentemente a dureza
do material, o que contribui para a redução da deformação plástica do mesmo, tornando-o mais
quebradiço.

20 As condutividades eléctricas da maioria dos metais decrescem gradualmente com a


temperatura, mas a condutividade intrínseca dos semicondutores sempre cresce rapidamente com
a temperatura. Justifique a diferença.
Resposta
A diferença se dá pois em metais a agitação térmica reduz o livre percurso médio dos electrões, a
mobilidade dos mesmos e como consequência a condutividade. Já em semicondutores, o
aumento da temperatura fornece energia que liberta transportadores de cargas adicionais

21 Por que o efeito da temperatura na condutividade eléctrica e, em geral, mais acentuado em um


semicondutor do que em um isolante?
Resposta
Pois a banda proibida de materiais isolantes é muito grande (maior do que dos semicondutores) e
difícil de ser suplantada, mesmo com o efeito da temperatura.