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ÍNDICE

INTRODUÇÃO ...............................................................................................................................4

ANÁLISE DIMENSIONAL E SEMELHANÇA............................................................................5

Homogeneidade dimensional...........................................................................................................6

Adimensionalização das Equações ..................................................................................................6

Números e Variáveis adimensionais................................................................................................7

Análise dimensional e Semelhança .................................................................................................8

O Teorema dos 𝝅 de Buckingham ..................................................................................................8

Principais Adimensionais da Mecânica dos Fluidos .....................................................................11

Semelhança ou teoria dos modelos ................................................................................................13

Escalas de Semelhança ..................................................................................................................15

Relação entre escalas .....................................................................................................................16

Exemplo .........................................................................................................................................16

CONCLUSÃO ...............................................................................................................................18

BIBLIOGRAFIA CONSULTADAS .............................................................................................19


INTRODUÇÃO

Na mecânica dos fluidos é muito difícil encontrar a solução de muitos problemas por
métodos praticamente analíticos, devido ao grande número de variáveis envolvidas. No
entanto, desenvolveu-se métodos experimentais que permitem, nesses problemas, produzir-
se modelos matemáticos condizentes com a realidade. A análise dimensional, como
abordaremos neste trabalho, é basicamente um método para reduzir o número e a
complexidade das variáveis experimentais que afectam um dado fenómeno físico, pela
aplicação de um tipo de técnica de compactação. Embora sua finalidade seja reduzir as
variáveis e agrupá-las em forma adimensional, a análise dimensional tem vários benefícios
adicionais. O primeiro deles é uma grande economia de tempo e dinheiro.

A teoria da semelhança, ou teoria dos modelos, é baseada em princípios abordados pela


análise dimensional e resolve certos problemas através de análise de modelos convenientes
do fenómeno em estudo.

A técnica é um pilar importante da mecânica dos fluidos e é também amplamente utilizada


em todos os campos da engenharia e das ciências físicas, biológicas, médicas e sociais. No
desenvolver do trabalho mostraremos como a análise dimensional melhora a apresentação
dos dados e da teoria.

O objectivo não é desenvolver a teoria de forma matematicamente precisa. O que deve se


saber são as ideias desenvolvidas, de forma a adquirir técnicas para a utilização prática da
matéria.

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ANÁLISE DIMENSIONAL E SEMELHANÇA

Para abordar a análise dimensional primeiro iremos recordar os conceitos de dimensão e


unidade, e em seguida o conceito de homogeneidade dimensional.

Dimensões e Unidades

Uma dimensão é uma medida de uma quantidade física (sem valores numéricos), enquanto
unidade é uma forma de atribuir um número àquela dimensão. (Çengel & Cimbala, 2006,
pag.246).

O mesmo autor afirma que existem sete dimensões primárias (também chamadas de
dimensões fundamentais ou básicas) - massa, comprimento, tempo, temperatura, corrente
eléctrica, quantidade de luz e quantidade de matéria.

Fig. 1. As sete dimensões fundamentais ou primárias

Fonte: https://vdocuments.mx/download/anaalise-dimensional-e-similaridade

Todas as dimensões não primárias que podem ser formadas por alguma combinação das
setes dimensões primárias, são chamadas de dimensões derivadas. Por exemplo, a força
tem as mesmas dimensões da massa vezes a aceleração. Assim, em termos de dimensões
primárias teríamos:
𝑣 𝐿/𝑇
𝐹 = 𝑚𝑎 = 𝑚 =𝑀 = 𝑀𝐿𝑇 −1
𝑡 𝑇

Na mecânica dos fluidos, as quatro dimensões básicas são usualmente consideradas como
massa M, comprimento L, tempo T e temperatura 𝜃 , ou de maneira abreviada uma sistema
MLT𝜃. Alternativamente, podemos usar um sistema FLT𝜃, com a força F substituindo a
massa.

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Obs.: Para o símbolo dimensional de tempo e temperatura alguns autores utilizam t para
tempo e T para a temperatura, para não que haja confusão entre tempo e temperatura, mas
nós usaremos neste trabalho de acordo com a fig.1.

Homogeneidade dimensional

Todos nós claramente já uma vez ouvimos falar não se somam mangas com bananas. Isso,
na verdade, é uma expressão simplificada de uma lei matemática mais global e fundamental
para as equações, a lei da homogeneidade dimensional enunciada como:

“Todo termo aditivo de uma equação deve ter as mesmas dimensões.”

Para percebermos melhor esta lei consideremos, por exemplo, a equação de Bernoulli para
escoamento irrotancional de um fluido incompressível:

1
𝑃 + 𝜌𝑉2 + 𝜌g𝑧 = 𝐶
2

Devemos verificar se as dimensões primárias de cada termo aditivo da equação são iguais.
𝐹𝑜𝑟ç𝑎 𝐶𝑜𝑚𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 1
[ 𝑃] = {𝑃𝑟𝑒𝑠𝑠ã𝑜 } = { } = {𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎 } = 𝑀𝑇 −2 𝐿−1
𝑇𝑒𝑚𝑝𝑜 2 𝐶𝑜𝑚𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 2
Á𝑟𝑒𝑎

1 𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎 𝐶𝑜𝑚𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 2 𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎 × 𝑐𝑜𝑚𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡 𝑜 2


[ 𝜌𝑉2 ] = { ( ) }={ } = 𝑀𝑇 −2 𝐿−1
2 𝑉𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑇𝑒𝑚𝑝𝑜 𝐶𝑜𝑚𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 3 × 𝑇𝑒𝑚𝑝 𝑜 2

𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎 𝐶𝑜𝑚𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎 × 𝑐𝑜𝑚𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡 𝑜 2


[ 𝜌g𝑧] = { 𝐶𝑜𝑚𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜} = { } = 𝑀𝑇 −2 𝐿−1
𝑉𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑇𝑒𝑚𝑝𝑜 2 𝐶𝑜𝑚𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 3 × 𝑇𝑒𝑚𝑝 𝑜 2

Contudo, todos os termos aditivos tem mesmas dimensões, validando assim a lei da
homogeneidade dimensional.

Adimensionalização das Equações

A lei da homogeneidade dimensional garante que cada termo aditivo de uma equação tem
as mesmas dimensões. Portanto, se dividirmos cada termo da equação por uma colecção de
variáveis e constantes cujo produto tem aquelas mesmas dimensões, a equação se
transforma em uma equação adimensional.

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Fig. 2: Uma forma adimensionalizada da equação de Bernoulli

Se a os termos adimensionais da equação forem da ordem de unidade, a equação é chamada


normalizada.

Números e Variáveis adimensionais

Um número é adimensional quando independe de todas as grandezas fundamentais, isto é,


sua equação dimensional apresenta expoente zero em todas as grandezas fundamentais.
vd 𝐿
Por exemplo o número de Reynolds dado por Re = r. Onde [v] = = 𝐿𝑇 −1 ; [𝐷] = 𝐿.
v 𝑇

vd 𝐿𝑇−1 𝐿
Então o Re = = = 𝐹 0 𝐿0 𝑇 0. Vê-se, então, que Re independe das grandezas
v 𝐿2 𝑇−1

fundamentais, sendo, por definição, um numero adimensional.

Os números adimensionais costumam ser indicados pela letra grega 𝜋 (𝑃𝑖) e, pelo exposto
acima, qualquer 𝜋 resultará em:

𝜋 = 𝐹 0 𝐿0 𝑇 0 = 𝑀0 𝐿0 𝑇 0 .

Alguns dos números adimensionais são representados por símbolos especiais devido à sua
importância (por exemplo o número de Reynolds que é indicado por Re).

As variáveis adimensionais são definidas como quantidades que mudam ou variam no


problema, mas não tem dimensões. Um exemplo é o angulo de rotação, medido em graus
ou radianos, que são unidades adimensionais.

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Análise dimensional e Semelhança

Análise dimensional é um método para reduzir o número de variáveis experimentais que


afectam um dado fenómeno físico, através de uma técnica de compactação. (White, 6a ed,
pag.299)

Segundo Çengel & Cimbala (2006) a análise dimensional é uma ferramenta utilizada para
reduzir a complexidade de programas experimentais e aumentar a generalidade dos
resultados. É um meio para simplificação de um problema físico empregando a
homogeneidade dimensional para reduzir o número das variáveis de análise.

O Teorema dos 𝝅 de Buckingham

Teorema

Seja um fenómeno físico em que intervêm n variáveis 𝑥1 , 𝑥 2 , 𝑥 3 , … . , 𝑥 𝑛, interligadas por uma


função 𝑓 (𝑥 1 , 𝑥 2 , 𝑥 3, … . , 𝑥 𝑛) = 0 . Demostra-se que existe outra função Φ (, 𝜋2 , … . , 𝜋𝑚 )0,

rigorosamente equivalente à anterior para o estudo do fenómeno indicado, onde:

a) Os 𝜋𝑖 são números adimensionais independentes, construídos por combinações


adequadas das n variáveis ou grandezas que intervêm no fenómeno;
b) A quantidade de números adimensionais é 𝑚 = 𝑛 − 𝑟, onde n=número de grandezas
envolvidas no fenómeno e r = número de grandezas fundamentais contidas nas
grandezas de fenómeno (para o nosso caso sabe-se que r ≤ 3);
c) Os números adimensionais são obtidos por expressões do tipo:
𝜋1 = 𝑥 1𝛼1 . 𝑥 2𝛼2 … 𝑥 𝑟𝛼𝑟 . 𝑥 𝑟+1
𝛽 𝛽
𝜋1 = 𝑥 1 1 . 𝑥 2 2 … 𝑥 𝑟𝛽𝑟 . 𝑥 𝑟+1
… … … … … … … … … … … … ….
𝜋𝑚 = 𝑥 1𝛿1 . 𝑥 2𝛿2 … 𝑥 𝑟𝛿𝑟 . 𝑥 𝑛

Nota-se que, em todos os adimensionais de um certo fenómeno, os primeiros r factores são


os mesmos, com excepção do expoente. Esse conjunto de r factores será denomimado
‘base’ das grandezas envolvidas no fenómeno. As grandezas da base devem ser
independentes.

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Para a sua escolha, escreve-se a equação dimensional de todas as grandezas e selecciona-se
um número r delas, de forma que cada uma da anterior por pelo menos uma grandeza
fundamental. (este critério não obrigatório, entretanto, se não é adoptado, pode-se incorrer
em erros, a menos que se faça o estudo da chamada matriz dimensional, que não será
apresentada neste trabalho).

Por exemplo, num fenómeno em que existe as três grandezas fundamentais FTL, a base
pode ser constituída por:

[𝜌] = FL−4 𝑇 2

[v] = LT −1(𝑖𝑛𝑑𝑒𝑝𝑒𝑛𝑑𝑒 𝑑𝑒 𝐹 𝑞𝑢𝑒 𝑐𝑜𝑚𝑝𝑎𝑟𝑒𝑐𝑒 𝑒𝑚 𝜌)


[v] = L (𝑖𝑛𝑑𝑒𝑝𝑒𝑛𝑑𝑒 𝑑𝑒 𝑇 𝑞𝑢𝑒 𝑐𝑜𝑚𝑝𝑎𝑟𝑒𝑐𝑒 𝑒𝑚 v)

Nesta trinca, L é um comprimento característico do fenómeno, podendo ser um diâmetro,


um raio, uma altura ou qualquer grandeza cuja equação dimensional seja L. Quando essa
trinca estiver presente entre as grandezas do fenómeno, devera ser preferida, já que a
maioria dos adimensionais conhecidos tem origem nela.

O último factor de cada adimensional será constituído de cada uma das grandezas não
incluídas na base.

A determinação dos adimensionais será mais bem esclarecidas pelo exemplo que veremos a
seguir.

1. Verificou-se em laboratório que a forca de arrasto, que age numa esfera lisa que se
movimenta num fluido, é dada por uma função do tipo F = f(v, D, ρ, μ). Determine a
função de números adimensionais, equivalente à função indicada.

Solução

O problema será resolvido em etapas que deverão ser seguidas sempre que ele for deste
tipo.

1a Etapa: identificar a função das grandezas que intervêm no fenómeno:

F = f(v, D, ρ, μ) ou f1 (F, v, D, ρ, μ) = 0

2a Etapa: Mostrar a equação dimensional das grandezas que intervêm no fenómeno:

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[F] = F [𝜌] = FL−4 𝑇 2

[v] = 𝐿𝑇 −1 [μ] = FL−2 T

[D] = L

3a Etapa: calcular o número de adimensionais independentes:

m = n −r

onde: n = 5 (número de grandezas envolvidas no fenómeno) e

r = 3 (FTL) (número de grandezas fundamentais no fenómeno)

logo: m = 5 − 3 = 2

4a Etapa: Escolher a base:

Pelo que foi indicado anteriormente, a base deve ser formada de r = 3 elementos, pelo
crieterio descrito, o conjunto escolhido poderia ser: F, v, D; ρ, v, D; μ, v, D etc.

Somente não devem ser escolhidas trincas que contenham simultaneamente μ e ρ, que não
diferem por menos uma grandeza fundamental.

Será escolhida a segunda trinca. (Sempre que houver μ, ρ e um comprimento característico,


deve-se dar preferências a esse conjunto como base, como foi dito anteriormente.)

5a Etapa: Construção de adimensionais


α α α
π1 = ρ 1 . v 2 . D 3 . F

π2 = ρ β1 . v β2 . Dβr 3 . μ

Agora deve-se determinar os expoentes αi e βj . Em seguida deve-se determinar os


expoentes, começaremos com dos αi :

π1 = ρ α1 . v α2 . Dα3 . F

Substitui-se cada grandeza pela equação dimensional correspondente:

π1 = (FL−4 𝑇 2 )α1 . (𝐿𝑇 −1 )α2 . (L)α3 . (F)

Mas π1, pelo teorema, deverá ser número adimensional; logo:

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F 0 L0 T 0 = F 𝛼1 . (L−4 )𝛼1 . (T 2 )𝛼1 . L𝛼2 . T −𝛼2 . L𝛼3 . F

F 0 L0 T 0 = F 𝛼1 +1 . L−4𝛼1 +𝛼2 +𝛼3 . T 2𝛼1 −𝛼2

α1 +1=0
α1 =-1
Igualando os expoentes da mesma base temos: {-4α1 +α2 +α3 =0 <=> {α3 =-2
2α1 -α2 =0 α2 =-2

Logo temos:

F
π1 = ρ −1 . v −2 . D−2 . F ou π1 =
𝜌. v 2 . 𝐷 2
α α α
Em seguida vamos determinar os expoentes βj : π2 = (FL−4 𝑇 2 ) 1 . (𝐿𝑇 −1 ) 2 . (L) 3 . 𝐹𝐿−2 𝑇

F 0 L0 T 0 = F𝛽1 +1 . L−4𝛽1 +𝛽2 +𝛽3 −2 . T 2𝛽1 −𝛽2 +1

𝛽1 + 1 = 0 𝛽1 =-1
{−4𝛽1 + 𝛽2 + 𝛽3 − 2 = 0 <=> {𝛽2 =-1
2𝛽1 −𝛽2 + 1 = 0 𝛽3 =-1
μ
π2 = ρ −1 . v −1 . D−1 . 𝜇 ou π2 =
𝜌. v. D
F μ
Logo a função equivalente será: Φ ( , ) = 0.
ρ.v2 .D2 ρ.v.D

Principais Adimensionais da Mecânica dos Fluidos

Os adimensionais não são simplesmente números sem dimensões. Todos eles têm uma
interpretação física, que nos auxilia julgar a relação entre as forças dominantes em
determinantes em determinado escoamento.

Apresentaremos, a seguir, cinco adimensionais que costumam aparecer em problemas de


Mecânica dos Fluidos, bem como a interpretação física de cada um deles. Esses
adimensionais surgem quando uma determinada grandeza é listada juntamente com base
preferencial (completa ou incompleta) da Mecânica dos Fluidos.

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a) Número de Reynolds (Re): aparece quando a viscosidade dinâmica 𝜇, ou a
viscosidade cinemática v é listada. Esse adimensional, expressa a relação entre
forças de inercia e as forças viscosas.

ρVL 𝑉𝐿 𝑓𝑜𝑟ç𝑎𝑠 𝑑𝑒 𝑖𝑛é𝑟𝑐𝑖𝑎


Re = = ⟹
μ 𝑣 𝑓𝑜𝑟ç𝑎𝑠 𝑣𝑖𝑠𝑐𝑜𝑠𝑎𝑠

Nos escoamentos laminares, o número de Reynolds tem, naturalmente, valores baixos, pois
ρVL ≪ 𝜇, com as forças viscosas predominando sobre as forças de inercia em oposição aos
escoamentos turbulentos, onde o número de Reynolds tem valores elevados, pois ρVL ≪ 𝜇,
com as forças de inercia predominando sobre as forças viscosas.

b) Número de Euler (Eu): aparece quando uma força F (que na Mecânica dos Fluidos
é usualmente uma força originada por uma distribuição de pressões sobre um
corpo), ou uma pressão p é listada. Similarmente ao que foi feito para o número de
Reynolds, pode-se mostrar que esse adimensional expressa a relação entre a força F
que atua no corpo (ou a pressão, uma vez que p∞ F/L2 ) e as forças de inercia.
Assim, as formas em que o número de Euler é normalmente escrito são:

𝐹 𝑝 𝑓𝑜𝑟ç𝑎𝑠 𝑑𝑒 𝑝𝑟𝑒𝑠𝑠ã𝑜
Eu = = ⟹
1 2 2 1 2 𝑓𝑜𝑟ç𝑎𝑠 𝑑𝑒 𝑖𝑛é𝑟𝑐𝑖𝑎
2 ρV L 2 𝜌𝑉

O Eu comparece no estudo de escoamento em torno de perfis, em tubos, em máquinas de


fluxos, etc.

No estudo do escoamento em volta de objectos imersos, em movimento relativo com o


fluido, costuma-se usar o adimensional:
𝐹𝑎
𝐶𝑎 = 1
ρV 2 A
2

Que é proporcional ao número de Euler. Esse adimensional e chamado de coeficiente de


arrasto e 𝐹𝑎 será de arrasto ou força de resistência ao avanço de uma superfície solida que
se desloca num fluido.

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c) Número de Froude (Fr): aparece quando a gravidade g (grandeza da qual se deriva
a força gravitacional) é listada. Pode-se mostrar que esse adimensional expressa a
relação entre as forças de inércia e a força gravitacional.

V 𝑓𝑜𝑟ç𝑎 𝑑𝑒 𝑖𝑛é𝑟𝑐𝑖𝑎
Fr = ⇒
√𝑔𝐿 𝑓𝑜𝑟ç𝑎 𝑔𝑟𝑎𝑣𝑖𝑡𝑎𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙

Este adimensional é importante em escoamentos onde há superfícies livres com


possibilidades de formação de ondas.

São casos desse tipo: acção das ondas em flutuantes, escoamento em canais, escoamento
em vertedores, em orifícios etc.

d) Número de Weber (We): aparece quando a tensão superficial 𝜎 é listada. Esse


adimensional expressa a relação entre as forças de inércia e a força de tensão
superficial.
ρV2 𝐿 𝑓𝑜𝑟ç𝑎 𝑑𝑒 𝑖𝑛é𝑟𝑐𝑖𝑎
Fr = ⇒
σ 𝑓𝑜𝑟ç𝑎 𝑑𝑒 𝑡𝑒𝑛𝑠ã𝑜 𝑠𝑢𝑝𝑒𝑟𝑓𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙

Os escoamentos de filmes finos e a formação de gotas de líquidos e bolhas de gás são


exemplos de escoamento em que esse adimensional pode ser importante. Os efeitos da
tensão superficial podem se manifestar nos modelos em escala reduzida de escoamentos de
rios, com a água escoando em um filme fino, onde os efeitos da tensão superficial podem
ser significativos, o que não é o caso no escoamento de rios. Medidas experimentais devem
ser tomadas para minimizar esses efeitos no modelo, a fim de tornar a modalegem mais
realista.

e) Número de Mach (Ma): aparece quando a velocidade do som c é listada. Esse


adimensional expressa a relação entre as forças de inércia e as forças de
compressibilidade do fluido.

V 𝑓𝑜𝑟ç𝑎 𝑑𝑒 𝑖𝑛é𝑟𝑐𝑖𝑎
Ma = ⇒
c 𝑓𝑜𝑟ç𝑎 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑚𝑝𝑟𝑒𝑠𝑠𝑖𝑏𝑖𝑙𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒

Ele comparece quando os efeitos de compressibilidade do fluido são importantes. O Ma


permite classificar os escoamentos em subsonicos (Ma < 1), sônicos (Ma = 1) e
supersonicos (Ma > 1) de características diferentes qualitativas e quantitativamente.

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Semelhança ou teoria dos modelos

Devido ao grande número de variáveis envolvidas, é normalmente impossível a


determinação de todos os resultados numéricos referentes a um certo fenómeno da
Mecânica dos Fluidos, por via puramente analítica. Uma das formas de simplificar as
pesquisas é a construção de um modelo em escala reduzida que simule as condições do
fenómeno em escala real, que será chamado protótipo.

Este protótipo será submetido a testes, que fornecem informações de interesse relativas ao
desempenho da estrutura real. O processo de extrapolação de informação do modelo para o
protótipo, e vice-versa, é chamado de escalonamento.

A teoria que valida a modelagem física e que estabelece as regras de escalonamento é


chamada teoria de semelhança. Essa teoria estabelece duas condições essenciais a serem
satisfeitas em estudos que utilizam modelos físicos: uma para a construção do modelo,
outra para escalonar informações do modelo para o protótipo.

1. Para a construção do modelo

No que tange à construção do modelo, este deve ser construído em semelhança geométrica
ao protótipo, o que significa dizer que todas as dimensões do modelo devem estar
relacionadas com as respectivas dimensões do protótipo por meio da mesma escala de
semelhança de comprimento.

Na semelhança geometria há conservação se ângulos, ou seja, os ângulos do modelo serão


os mesmos do protótipo.

2. Para escalonar informações do modelo para o protótipo

No que tange ao escalonamento de informações, isso será possível de ser feito quando
houver semelhança dinâmica entre o modelo e protótipo. A semelhança dinâmica é
garantida quando o valor numérico de cada adimensional que controla o fenómeno for igual
no modelo e no protótipo.

Também entre o modelo e o protótipo deve existir semelhança cinemática, isto é, as


velocidades das partículas de fluido homólogas deverão manter uma relação constante.

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Fig. 3. Relação entre modelo e protótipo

Obs. Quando na modelagem física há semelhança geométrica e semelhança dinâmica, diz-


se, então, que, modelo e protótipo estão em semelhança completa. Isso nem sempre é
possível e depende da experiencia do pesquisador de associar ao protótipo os resultados
obtidos no modelo.

Escalas de Semelhança

Chama-se escala de semelhança a relação entre uma grandeza referente ao modelo e a


mesma grandeza referente ao protótipo.

As escalas de semelhança serão indicadas pelo símbolo K.


𝐿𝑚
Por exemplo: 𝐾𝐿 = ⇒Escala geométrica;
𝐿𝑝

v𝑚
𝐾v = ⇒ Escala das velocidades;
v𝑝

μ𝑚
𝐾μ = ⇒ Escala das viscosidades
μ𝑝

x𝑚
Genericamente: 𝐾x = ; Onde x𝑚 é uma dimensão à construção qualquer do modelo e x𝑝
x𝑝

é a respectiva dimensão do protótipo.

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Relação entre escalas

Foi visto que, para que modelo e protótipo mantenham semelhança completa, é necessária a
igualmente dos respectivos números adimensionais. Tal igualdade conduz a relações entre
escalas que deverão ser observadas para que os resultados referentes ao modelo tenham
significado para o protótipo. A seguir serão determinadas essas relações quando Re, Eu e Fr
forem adimensionais característicos do fenómeno.

a) Re𝑚 = Re𝑝

𝜌𝑚 v𝑚 L𝑚 𝜌𝑝 v𝑝 𝐿 𝑝 𝜇𝑚 𝜌𝑚 v𝑚 𝐿 𝑚
= ⇒ = ⇒ 𝐾𝜇 = 𝐾𝜌 𝐾v 𝐾𝐿
𝜇𝑚 𝜇𝑝 𝜇𝑝 𝜌𝑝 v𝑝 𝐿 𝑝

b) Eu𝑚 = Eu𝑝

2 2
𝐹𝑚 𝐹𝑝 𝐹𝑚 ρ m vm Lm
2 L2
= 2 L2
⇒ = 2 L2
⇒ K F = K ρ K 2v K 2L
𝜌𝑚 v𝑚 𝑚 ρ v
p p p 𝐹𝑝 ρ v
p p p

c) Fr𝑚 = Fr𝑝
2
v𝑚 vp2 2
vm L g
= ⇒ 2 = m m ⇒ K v2 = 𝐾𝐿 𝐾g
L m g m L p gp vp Lp g p

Exemplo:

1. Quer-se determinar a força de arrasto que age no ‘sonar’ de u, submarino por meio
de testes efectuados com um modelo na escala 1:5. Os testes são realizados em água
a 20o C, a uma velocidade de 60 km/h, e a força de arrasto medida é 30 N. Sabendo
que o protótipo será utilizado em água a 4,00 C, calcular a velocidade do submarino
em condições de semelhança completa e, nessas condições, determinar a força de
arrasto correspondente.

Solução

Como o escoamento realiza-se sobre um corpo totalmente submerso, o número de Froude


não influirá no fenómeno, conforme já foi dito anteriormente; logo sendo desprezíveis os
efeitos da gravidade mediante as forças viscosas e de arrasto, a função representativa do
fenómeno será:

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f(v, L, ρ, μ, Fa ) = 0 ⇒ Φ(Re, Eu) = 0

Tirando as propriedades da água a 20o C e 4,00 C:

𝜌𝐻2 𝑂 (20℃) = 𝜌𝑚 = 1000 𝑘𝑔/𝑚3 ≅ 𝜌𝐻2 𝑂 (4℃)

𝑁. 𝑠
𝜇𝐻2 𝑂 (20℃) = 10−3
𝑚2
𝑁. 𝑠
𝜇𝐻2 𝑂 (4℃) = 1,58.10−3
𝑚2
10 −3 1 5
Pela relação: 𝐾𝜇 = 𝐾𝜌 𝐾v 𝐾𝐿 ; logo teríamos: = 1 × 𝐾v × 5 ⇒ 𝐾v = 1,58 = 3,16
1,58 .10 −3

vm 60
Como K v = = 3,16 ⟹ vp = 3,16 = 19 km/h
vp

Logo, em condições de semelhança completa, o sonar, fixo ao submarino, deverá se


deslocar com uma velocidade de aproximadamente 19 km/h ou 5,28 m/s.

1 2
Pela relação: K F = K ρ K 2v K 2L = 1 × (3,16)2 × (5 ) = 0,4

Fm 30
KF = = 0,4 ⇒ Fp = = 75 N
Fp 0,4

A força de arrasto no sonar real será de 75N.

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CONCLUSÃO

Ao longo do trabalho observou-se que sempre que haver necessidade de antecipar os efeitos
da escala, a fim de compensa-la no próprio experimento do modelo ou nos resultados
obtidos, requer-se um bom entendimento dos fenómenos físicos envolvidos no problema e
ter experiência e engenhosidade. Também observou-se que pode-se usar os adimensionais e
modelos em muitas situações, porem há coisas que eles não fazem. Por, exemplo eles não
fornecem a forma da função que controla o fenómeno do qual os adimensionais foram
derivadas, a qual deve ser determinada, normalmente, por via experimental. Tampouco
antecipam o número de adimensionais envolvidos, o seu significado e a importância
relativa de cada um deles. E como vimos, o número de adimensionais depende do número
de grandezas listadas-quanto mais grandezas, mais adimensionais são gerados. Foram
listados adimensionais mais usados na Mecânica dos fluídos (Número de Reynolds, Euler,
Froude, Weber e Mach). Por fim agradecer a Deus pela vida e pelo seu Amor, agradecer
aos meus pais, irmãos e amigos pelo carinho e agradecer ao docente pela paciência, método
de ensino e por me dar este tema, dele aprendi bastante, porque diz-se “aprende-se ao
ensinar, ao aprender ensina-se”.

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BIBLIOGRAFIA CONSULTADAS

1. Brunetti, F. (s.d). Mecânicas dos Fluídos. (2a ed).


2. White, F. M.(2011). Mecânica dos Fluidos, 6a ed. (Fecchio M. M, Trad.).(A obra
origianal foi publicada em 2007). Porto Alegre : AMGH Editora Ltda.
3. Bistafa, S. R. (2010). Mecânica dos Fluidos: noções e aplicações. São Paulo:
Editora Blucher.
4. Çengel, Y.A. & Cimbala, J.M. (2012).Mecânica dos Fluídos: Fundamentos e
aplicações. (Katia, A. R.&Mário M.F. Trad.).(A obra original foi publicada em
2006) São Paulo: AMGH Editora Ltda.
5. Fox, R.W., Mcdonald, A. T., Pritchard, P. J., Leylegian, J.C. Introdução à Mecânica
dos fluídos, 8a ed. (Ricardo, N. N. K., Trad.)

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