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IV Encontro de Iniciação Científica e Pós-Graduação

IFSP – Campus São Paulo

FORMAÇÃO TÉCNICA E PROFISSIONAL EM ANGOLA: ESTUDO A PARTIR


DO PLANO NACIONAL DE FORMAÇÃO DE QUADROS (2013-2022) 1

Marcelino Mendes Curimenha2

Orientadora: Profa. Dra. Alexandrina Monteiro3


Coorientadora: Profa. Dra. Aparecida Neri de Souza4

RESUMO

Este artigo pretende analisar o processo formativo operado pelo Plano Nacional de
Formação de Quadro de Angola (PNFQ) na qualificação técnica e profissional dos jovens
e adolescentes, assegurando-os determinadas competências que visam à potencialização
da economia nacional. Para isso, serão examinadas as ferramentas utilizadas pelo
programa, os dispositivos discursivos que produzem o sujeito de sucesso, as técnicas
para se tornarem profissionais diferenciados, os cursos (saberes) privilegiados e os
modos como os jovens e adolescentes se posicionam diante desta política educacional. O
estudo será instrumentalizado por meio da pesquisa qualitativa consubstanciado pela
análise documental.

Palavras-chave: PNFQ; Formação Técnica; Jovens e Adolescentes; Angola

ABSTRACT
This article aims to analyze the training process operated by the Angolan National Staff
Training Plan (PNFQ) in the technical and professional qualification of young people and
adolescents, ensuring them certain skills that aim at the potentialization of the national
economy. For this, we will examine the tools used by the program, the discursive devices
that produce the successful subject, the techniques to become differentiated professionals,
the privileged courses (knowledge) and the ways in which young people are positioned in
the face of this educational policy. The study will be instrumentalized through qualitative
research substantiated by document analysis.

Keywords: PNFQ; Technical Graduation; Youth and Teens; Angola.

INTRODUÇÃO

O artigo em questão estuda a formação profissional de jovens e adolescentes


através do Plano Nacional de Formação de Quadros em Angola. O sistema educativo
angolano se estrutura em três níveis: o Ensino Primário (da 1ª à 6 Classe), o Ensino
Secundário, dividido pelo 1º ciclo que vai da 7ª, 8ª e 9ª classes e o 2º ciclo, equivalente ao

1 O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.
2 Estudante do curso de Formação Pedagógica de Docentes para a Educação Profissional de Nível Médio

no IFSP - São Paulo. Doutorando em Educação pela UNICAMP.


3 Professora da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Doutorado em Educação e pós-

doutorado em Filosofia da Educação pela UNICAMP.


4 Doutora em Educação e professora de Sociologia da Educação do Programa de Pós-Graduação e da

Faculdade de Educação da UNICAMP.


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ensino médio brasileiro. Este último acontece a partir da 10ª, 11ª e 12ª classes. E, por fim,
o Ensino Superior que compreende a graduação e pós-graduação. É no 2º ciclo do ensino
secundário, tanto para a educação de jovens e adultos como para educação especial, que
este estudo lançará sua análise objetivando compreender como a política de formação
técnica tem sido pensada, estruturada, implementada e conduzida pelo PNFQ, quais
expetativas os formados têm em relação a educação e a inserção no mercado de
trabalho. Para isso, serão analisadas as políticas de educação (PAXE, 2014), a
construção do sujeito empresarial (DARDOT; LAVAL, 2004) e a gestão da vida social e
econômica por meio dos dispositivos educacionais (FOUCAULT, 2008).

OBJETIVOS

O Plano Nacional de Formação de Quadros tem como objetivo central a


organização técnica e cientifica por meio de ações destinadas a formação profissional. O
PNFQ pretende incrementar critérios de qualidade que respondam às exigências do
desenvolvimento social e económico da sociedade angolana. Sendo assim, o estudo
pretende analisar como tem sido pensado e estruturado a formação de jovens e
adolescentes angolanos, que tipo de cursos profissionalizantes são privilegiados e se
tornam objetos de desejo dos discentes, quais expetativas os ingressantes do PNFQ
sustentam em relação as ferramentas adquiridas para o mercado de trabalho.

METODOLOGIA

O artigo se instrumentaliza por intermédio da pesquisa qualitativa consubstanciada


pela análise documental. Esta possibilidade metódica permite percorrer os arquivos,
enunciados e fragmentos discursivos que emergem saberes em relação a formação
técnica profissional de jovens e adolescentes. Tais documentos podem ser na ordem de
artigos, teses, dissertações, revistas, jornais e sites compromissados a divulgarem
informações relacionadas ao ambiente científico e formativo angolano. No entanto, um
dos espaços privilegiados é a revista Qualificar que reúne um conjunto de conhecimentos
e pesquisas que se dizem acuradas e eficientes a respeito do PNFQ. Portanto, será
reservado mais atenção nesse documento oficial do PNFQ visando examinar as
entrevistas realizadas aos representantes do Plano, aos técnicos, professores e alunos,
os cursos apresentados e legitimados como os mais preferidos para o mercado de
trabalho e o sentido da qualificação profissional na cosmovisão do PNFQ e dos demais
agentes. Finalmente, se estabelecerá um diálogo com autores nacionais angolanos e
internacionais, de modo crítico, propondo certas alternativas e possibilidades.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O PNFQ surge como proposta diferencial para formação técnica de jovens


adolescentes. Para isso, planeja a revisão e atualização curricular de 72 cursos técnico-
profissionais que englobam as áreas de mecânica, agricultura, pescas e indústrias
alimentares (QUALIFICAR, 2016). Em seu programa de ação, o PNFQ objetiva formar
284.800 diplomados de nível médios-técnicos, pensado a partir da formulação da “política
nacional de promoção do emprego, capacitação e valorização dos recursos humanos
nacionais” (QUALIFICAR, 2016, p. 2). É um dispositivo que sustenta os discursos
neoliberais em que a formação técnica busca responder o desenvolvimento do capital
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humano para o mercado de trabalho acreditando que a partir deste processo a
diversificação da economia angolana seria efetivada. Além disso, para o PNFQ, o ensino
técnico é visto como o curso do futuro e os jovens e adolescentes escolhem estes cursos
pela saída imediata que o mesmo proporciona para ingresso ao mercado. Até 2016 existia
201 escolas técnicas, sendo 108 públicas e 93 privadas. Os cursos mais valorizados são
os da área de saúde, eletricidade, electrónica e telecomunicações, indústrias extrativas,
construção civil, mecânica e química. Logo, o PNFQ pode ser pensado como uma política
educacional que tenta construir mecanismo de fomentação de recursos humanos.O Plano
estabelece critérios primorosos entre as relações de cursos, disciplinas e saberes que se
coadunam com as necessidades nacional. É uma política educacional que pode ser vista
também como resultado das precarizações técnicas culminando na falta de qualidade na
prestação de serviços públicos e privados efetivados pelos profissionais de nível técnico.
Sendo assim, a formação e aprimoramento continuado se tornam necessárias para sanar
o atual quadro crítico angolano e com isso dinamizar a diversificação da economia do
país.

CONCLUSÃO

Percebe-se que o projeto de formação técnica está estritamente estruturado a


partir de três paradigmas. Primeiro, responder o quadro crítico que o país se encontra. A
ausência de profissionais especializados de nível técnico permitiu o estabelecimento de
uma política de educacional que responda a tais necessidades. Em segundo lugar, a
eliminação ou a redução da taxa de desemprego se torna possível na medida que este
plano qualifica jovens e adolescentes abrindo possibilidade de obterem o primeiro
emprego ou empreenderem mediante os conhecimentos adquiridos. Em terceiro lugar, a
diversificação econômica, quando se analisam os documentos como a revista Qualificar, o
material da Unidade Técnica de Gestão do PNFQ e do Instituto do Fomento Empresarial
(2014), é vista como sinônima de livre iniciativa privada em Angola. Logo, o Estado surge
para potencializar um avanço neoliberal que antigamente estava no controle da economia
planificada. Para isso, as reformulações e a implementação de novos cursos seguem
duas regras peremptórias: preencher as lacunas de profissionais no serviço público e
sustentar ou efetivar uma economia produtiva de acordo com as riquezas nacional.

REFERÊNCIAS

DARDOT, Pierre. LAVAL, Christian. A Nova Razão do Mundo: ensaio sobre a sociedade.
1ª edição. São Paulo: Boitempo, 2016.
FOUCAULT, Michel. Nascimento da Biopolítica: curso dado no College France (1978-
1979). São Paulo: Martins Fontes, 2008.
PAXE, Isaac Pedro Vieira. Políticas Educacionais em Angola. Desafios ao Direito a
Educação. São Paulo: USP, 2014. Dissertação (Mestrado em Educação) ‒ Universidade
de São Paulo, São Paulo, 2014.
REVISTA QUALIFICAR. Escolhe a Formação Certa. Luanda, v. 1, p. 1-28, jan./mar.
2016.
Instituto do Fomento Empresarial. Modalidades de Participação do Sector Empresarial
na Implementação do Plano Nacional de Formação de Quadros. IFE. WORKSHOP
NACIONAL. PRINCIPAIS CONCLUSÕES. 2014.
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