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PROGRAMA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UESC - PROIC - ICV

FORMULÁRIO 3
Projeto de Pesquisa do Orientador e Plano de Trabalho do Discente
(Máximo de 10 páginas)

Projeto de Pesquisa

INFORMAÇÕES GERAIS DO PROJETO

Título do Projeto: Estudo das condições de incorporação do material pozolânico nas


propriedades mecânicas de um compósito cimentício leve reforçado com fibras vegetais.

Envolverá pesquisa com Humanos, Animais ou OGMs (Organismos Geneticamente Modificados)?

( ) sim (x) não

N° do protocolo ou do processo no respectivo Comitê:

Dados do(s) discente(s) candidato(s) à bolsa

1. Nome: Victor do Nascimento Nogueira Matrícula: 201520315

Curso: Engenharia de Produção Ingresso por ações afirmativas: (x) sim ( ) não

RESUMO

A cadeia produtiva da construção civil além de ser uma das maiores consumidoras de
recursos naturais é responsável também por diversos impactos que estão presentes ao
longo desta cadeia. O estudo sobre o reaproveitamento dos resíduos de outras indústrias,
como o EVA, e o incremento de fibras vegetais nos compósitos cimentícios colaboram para
diminuir estes impactos. O objetivo deste projeto de pesquisa é avaliar a incorporação do
material pozolânico nas propriedades mecânicas e na degradação do compósito leve com
reforço de fibras vegetais. Ao final da pesquisa espera-se determinar aspectos de
durabilidade do compósito a partir da resistência à tração na flexão e avaliação da
degradação das fibras no interior dos corpos de prova.

Palavras Chave (máximo 4): Compósito cimentício; Fibra de piaçava; Pozolana; Durabilidade.

DADOS COMPLEMENTARES DO PROJETO

Justificativa: Situar o assunto e justificar a relevância do problema abordado, evidenciando como os


resultados previstos pelo projeto justificam sua execução.
A indústria da construção civil é uma das maiores consumidoras de recursos naturais, além
de ser uma das principais geradoras de resíduos sólidos. Os impactos ambientais estão
presentes em toda a cadeia produtiva da construção civil, desde a produção de cimento e a
extração da areia, até o descarte dos resíduos de construção e demolição. A pressão
causada pelo governo e a sociedade civil, vem forçando o setor a buscar o
desenvolvimento de tecnologias, materiais e processos construtivos de modo a minimizar o
impacto causado ao meio ambiente.
Nos últimos anos, alguns pesquisadores do laboratório de materiais e meio ambiente
(LAMMA) da UESC têm realizado estudos com compósitos cimentícios, avaliando a
influência dos resíduos de EVA e das fibras de piaçava e de sisal nestes compósitos, sendo
um dos principais materiais utilizados para garantir a integridade das fibras no interior dessa
matriz cimentícia o metacaulim (SANTOS et al., 2016; MARINHO, 2017). Essa adição
mineral geralmente é adquirida a partir de fornecedores específicos e utilizada como um
substituto parcial do cimento, mas existem alguns tipos de cimentos que possuem efeitos
equivalentes devido aos compostos incorporados em sua composição original. Entretanto,
ainda são limitados os estudos que utilizam esse tipo de cimento com a finalidade de
proteção das fibras vegetais.

OBJETIVO GERAL: Sintetizar a finalidade geral do projeto.

Avaliar a diferença nas condições (tipo de pozolana e porcentagem de adição) de


incorporação do material pozolânico nas propriedades mecânicas e na degradação de um
compósito cimentício leve reforçado com fibras vegetais.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Desdobrar o objetivo geral em finalidades de caráter mais específico.

Identificar o efeito da inserção do material pozolânico incorporado ao cimento Portland (CP


IV) e adicionado separadamente (CP V + metacaulim) nas propriedades mecânicas
(compressão e tração na flexão) do compósito cimentício aos 28 dias de cura.

Determinar aspectos de degradação do compósito a partir da resistência à tração na flexão


após submeter as amostras ao envelhecimento acelerado através ciclos de molhagem e
secagem.

Avaliação das condições das fibras no interior dos corpos de prova pós ruptura.

REVISÃO DE LITERATURA (OU MODELO TEÓRICO)

As fibras vegetais são uma alternativa às fibras sintéticas, sendo de baixo custo, alta
disponibilidade, renovável e biodegradável. Elas podem ser utilizadas visando reforçar o
caráter frágil da matriz cimentícia, aumentando a sua deformação antes da ruptura. As
fibras quando adicionadas à mistura concede maior resistência à tração, tenacidade e
ductilidade, isto ocorre, pois as fibras adicionadas à mistura controlam a propagação das
fissuras (IZQUIERDO, 2011; DE SOUZA OLIVEIRA, DE ARAÚJO GOUVEIA, TEIXEIRA,
2015). Entretanto, as fibras vegetais apresentam baixa durabilidade no interior da matriz
cimentícia, sendo um dos principais motivos a migração dos produtos de hidratação para o
seu interior, resultando no enfraquecimento e deterioração da mesma (TOLEDO FILHO,
1997). As fibras apresentam diminuição de resistência quando expostas em meio alcalino,
causando uma diminuição das propriedades mecânicas do compósito, consequentemente
tornando menos durável o compósito (NITA, 2006).
Dentre as possíveis formas de intervenções, uma das mais eficientes é a incorporação de
algum material pozolânico, de modo que o mesmo consuma a maior parte dos produtos de
hidratação do cimento, formando uma matriz livre de hidróxido de cálcio (LIMA; TOLEDO
FILHO, 2008). O acréscimo da pozolana é uma alternativa, pois o acréscimo desta diminui
a alcalinidade e aumenta a resistência mecânica da argamassa, gerando matrizes mais
resistentes (NITA, 2006). Esse material pozolânico pode ser inserido separadamente, com
as adições minerais como o metacaulim, cinzas volantes, sílica ativa, entre outros.
Entretanto, alguns tipos de cimento já possuem esse material pozolânico incorporado a sua
composição, como o CP II e o CP IV.

METODOLOGIA: Descrever detalhadamente a metodologia a ser utilizada no desenvolvimento do projeto

Serão fixados os valores dos materiais que compõe a matriz cimentícia em estudo a partir
dos melhores resultados obtidos por , onde serão incorporados na argamassa o EVA com
16 mesh e a fibra de piaçava com 4 cm, com um teor de 6% e 2% em massa,
respectivamente, em relação ao consumo total. Também será utilizado o pó de pedra em
substituição total da areia convencional. O traço adotado será de (1:0,5), que representa
um traço mais agressivo para as fibras devido à formação de uma maior quantidade de
hidróxido de cálcio durante a reação de hidratação do cimento.
Inicialmente, após a obtenção de cada material a partir das estimativas de consumo, serão
feitas as preparações dos materiais. O EVA será triturado, passando inicialmente em dois
moinhos de facas distintos, visando uma maior redução no tamanho dos grãos, para então
ser levado ao agitador mecânico com uma série de peneiras conectadas, sendo utilizado
apenas o material retido na peneira de 16 mesh. As fibras de piaçava serão cortadas
manualmente em um tamanho de 4 cm, logo em seguida será realizado um tratamento de
alcalino nas fibras com uma solução de 10% de NaOH conforme o procedimento descrito
em Marinho (2017).
Serão moldados 6 corpos de prova para cada variação, na qual serão moldados 24 corpos
de prova cilíndricos (5x10) cm, conforme a NBR 7215 (ABNT, 1996), para o ensaio de
resistência à compressão aos 28 dias. Também serão confeccionados 48 corpos de prova
prismáticos (4x4x16) cm, de acordo com a NBR 13279 (ABNT, 2005), onde metade serão
ensaiados aos 28 dias para obter a resistência à tração na flexão, e na outra metade será
realizado os ciclos de molhagem e secagem e em seguida serão realizados o ensaio de
tração na flexão.
Para a caracterização química, será avaliada a presença do hidróxido de cálcio, Ca(OH) 2, a
partir da análise termogravimétrica (ATG) em cada um dos traços utilizados na pesquisa. A
caracterização morfológica das fibras será realizada com a microscopia eletrônica de
varredura (MEV), onde será realizado uma avaliação qualitativa do grau de degradação das
fibras de cada um dos traços.
INFRA-ESTRUTURA DISPONÍVEL: Especificar a infra-estrutura para execução do projeto

Todos os ensaios necessários para o desenvolvimento da pesquisa podem ser realizados


nos laboratórios da UESC, como o Laboratório de Ensaios Mecânicos e de Resistência dos
Materiais (LEMER) e o Laboratório de Materiais e Meio Ambiente (LAMMA). Os materiais
para confecção dos corpos de prova possuem alta disponibilidade e baixo custo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Máximo de 10 referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7215: Cimento Portland -


Determinação da resistência à compressão. Rio de Janeiro, 1996. 8 p.

______. NBR 13279: Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos -


Determinação da resistência à tração na flexão e à compressão. Rio de Janeiro, 2005. 9 p.

DE SOUZA OLIVEIRA, C.A; DE ARAÚJO GOUVEIA, L.L; TEIXEIRA, R. L. P. Concreto


estrutural com adição de fibras vegetais. Construindo, v. 7, n. 2, 2015.
IZQUIERDO, I. S. Uso da fibra de sisal em blocos de concreto para alvenaria
estrutural. 2011. 128f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Estruturas) –
Universidade de São Paulo, São Carlos, 2011.
LIMA, P. R. L.; TOLEDO FILHO, R. D. Uso de metacaulinita para incremento da
durabilidade de compósitos à base de cimento reforçados com fibras de sisal. Ambiente
Construído, Porto Alegre, v.8, n.4, p.7-19, 2008.
MARINHO, F. J. E. Estudo da durabilidade de compósitos cimentícios leves com
resíduos de etileno acetato de vinila e fibras vegetais para aplicação na construção
civil. 2017. 90f. Dissertação (Mestrado em Ciência, Inovação e Modelagem em Materiais) –
Universidade Estadual de Santa Cruz, Ilhéus, 2017.
NITA, C. Utilização de pozolanas em compósitos de cimento reforçados com fibras de
celulose e PVA. 2006. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo.
SANTOS, F. M. R. Estudo de compósitos cimentíceos leves com resíduos de EVA e
fibras vegetais para aplicação na construção civil. 2015. 149f. Dissertação (Mestrado
em Ciência, Inovação e Modelagem em Materiais) – Universidade Estadual de Santa Cruz,
Ilhéus, 2015.
SANTOS, F. M. R.; SOUZA, T. F.; BARQUETE, D. M.; AMADO, F. D. R. Comparative
analysis of the sisal and piassava fibers as reinforcements in lightweight cementitious
composites with EVA waste. Construction and Building Materials, v.128, p.315-323,
2016.
SOUZA, T. F. Avaliação da resistência de compósitos de argamassas leves de EVA
reforçadas com fibras de piaçava. 2012. 148f. Dissertação (Mestrado em Ciência,
Inovação e Modelagem em Materiais) – Universidade Estadual de Santa Cruz, Ilhéus, 2012.
TOLEDO FILHO, R. D. Materiais compósitos reforçados com fibras naturais:
caracterização experimental. 1997. v.1, 303f. Tese (Doutorado em Ciências) – Pontifícia
Universidade Católica, Rio de Janeiro, 1997.

CRONOGRAMA DE ATIVIDADES DO PROJETO (insira quantas linhas forem necessárias)

MESES – 12 meses
1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 1 12
Metas 0 1
Revisão bibliográfica x x x x x x x x x x x x
Obtenção e preparação dos materiais x x x
Moldagem dos corpos de prova x x x
Ensaios mecânicos x x x x
Caracterização química e morfológica x x
Elaboração do relatório final x x x
Publicação dos resultados em eventos x

Plano de Trabalho do Discente


(Máximo de 02 páginas)

TÍTULO DO PLANO DE TRABALHO

Estudo das condições de incorporação do material pozolânico nas propriedades mecânicas


de um compósito cimentício leve reforçado com fibras vegetais.

1. OBJETIVO ESPECÍFICO DO PLANO DO DISCENTE

- Determinar a resistência à compressão e à tração na flexão aos 28 dias dos compósitos


cimentícios produzidos com o CP IV, CP V ARI e CP V ARI + Metacaulim.
- Determinar a resistência à tração na flexão dos compósitos cimentícios produzidos com o
CP IV, CP V ARI e CP V ARI + Metacaulim, após 25 ciclos de molhagem e secagem.
- Avaliar a degradação das fibras nos corpos de prova pós-ruptura através da Microscopia
Eletrônica de Varredura (MEV).
- Avaliar a presença de hidróxido de cálcio na matriz cimentícia a partir da Análise
Termogravimétrica (TGA).

2. RESULTADOS ESPECÍFICOS DO PLANO E ORIENTAÇÃO DO DISCENTE


(Resultados específicos do plano e a capacitação a ser atingida pelo estudante ao final da bolsa)

Desenvolver um compósito cimentício com o material pozolânico incorporado à composição


do cimento de modo que apresente uma eficiência equivalente a utilização de adições
minerais separadamente em relação as propriedades mecânicas e ao consumo do produto
de hidratação (NaOH) prejudicial as fibras vegetais.

Espera-se também ao final deste projeto que o discente tenha aprimorado suas
capacidades de pesquisa, análise de dados e síntese de resultados.

3. METODOLOGIA (Material e métodos empregados)

Serão avaliados neste projeto os corpos de provas produzidos a partir de três traços com
variações apenas na matriz cimentícia, onde o primeiro será produzido com o Cimento
Portland Pozolânico (CP IV), o segundo com Cimento Portland de Alta Resistência Inicial
(CP V ARI), e o terceiro com Cimento Portland de Alta Resistência Inicial com substituição
parcial por Metacaulim. Para todos os traços, serão avaliadas a resistência à compressão
aos 28 dias, conforme a NBR 7215 (ABNT, 1996), a resistência à tração na flexão aos 28
dias e após 25 ciclos de molhagem de secagem, de acordo com a NBR 13279 (ABNT,
2005).
Após os ensaios mecânicos, será realizado o ensaio termogravimétrico para cada um dos
traços para identificação da presença de Ca(OH) 2, além da microscopia eletrônica de
varredura nas fibras utilizadas em cada traço para uma verificação do grau de degradação
das mesmas.

CRONOGRAMA DE ATIVIDADES PARA O CANDIDATO (insira quantas linhas forem necessárias)

MESES – 12 meses
Metas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
Revisão bibliográfica x x x x x x x x x x x x
Obtenção e preparação dos materiais x x x
Moldagem dos corpos de prova x x x
Ensaios mecânicos x x x x
Caracterização química e morfológica x x
Elaboração do relatório final x x x
Publicação dos resultados em eventos x