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Como Educar sua Mente - O guia para ler e entender

os grandes autores
O Livro de Susan Wise Bauer, é de fato o que o sub título diz, um manual ou mais
precisamente, um guia de como ler e entender os grandes autores, portanto cumpre o que
diz. Ele é dividido em duas partes, e essas pretensiosas linhas apenas se reservaram a
avaliar a primeira, quem sabe em outro momento a segunda também seja alvo. A primeira
parte do livro trata-se de como se preparar para a educação clássica, a segunda
basicamente apresenta na prática como deve ser lido um romance, poema, uma peça ou
livro de história, além de conter uma lista primorosa de grandes livros comentados.

O prefácio é feito pelo Gabriel Perissé, que num texto bem curtinho, duas páginas, já nos
faz refletir sobre a necessidade de auto educar-se e de como isso passa necessariamente
pela questão da escolha dos grandes livros, citando Chesterton ele diz ser preciso “ir aos
velhos livros para encontrar as novas ideias”, para Gabriel, “ser clássico… nos faz
descobrir novidades esquecidas, pois a educação clássica aberta para o futuro, nos torna
pessoas mais atuais. Eternamente atuais.”

A nota introdutória da autora também é, com o perdão do trocadilho, digna de nota. Susan
diz que a forma pela qual podemos perceber a nossa ignorância é a partir da observação
da “educação de outras pessoas e também de outros povos, no nível global. Daí a razão
por que a leitura do legado de culturas diferentes da nossa seja tão enriquecedora”. O que
se percebe é que o livro é uma defesa da educação clássica como modelo eficiente,
tomando o trivium como exemplo.

Segue abaixo algumas citações:

“Nas noites em que, normalmente, eu estaria assistindo ao Arquivo X ou fazendo faxina,


passei a me dedicar, com atenção concentrada, à leitura de uma relação de livros. As
atividades domesticas ficaram a desejar e eu deixei de acompanhar a telenovela; mas me
vi criando na minha mente estruturas de sentido inteiramente novas, fazendo conexões
entre teorias e construindo minhas próprias teorias a partir dessas conexões. Passei a
escrever melhor, pensar com mais clareza e ler mais”. (p. 20)

Citando Thomas Jefferson que escreveu para o sobrinho neófito na universidade: “Ao
mesmo tempo que você participa desses cursos, pode fazer uma série de leituras históricas
regulares paralelas, por conta própria. Seria perda de tempo consultar um professor para
isso. Eles podem ser adquiridos a partir dos livros, e, se você for atrás dessas leituras por
conta própria, poderá acomodá-las a outras que já tenha feito, de modo a preencher
aqueles abismos de tempo que poderiam ser mal aproveitados”. (p. 21)

“Uma mente bem treinada é resultado da dedicação e não de um gênio inato”. (p. 23)

“A leitura contínua, profunda, está no centro do projeto de autoeducação… é o método


mais importante de autoaperfeiçoamento.” (p. 23)

“Contudo, a leitura contínua e profunda sempre foi um projeto difícil — mesmo antes do
advento da televisão. Muito tem sido escrito sobre nosso atual afastamento dos textos, em
direção a uma cultura visual, baseada na imagem: as escolas não estão ensinando a ler e
escrever de forma apropriada. A televisão, o cinema e agora a web reduziram a
importância da palavra escrita. Estamos nos movendo para uma era pós-letrada. A cultura
impressa está condenada. Que tragédia”(p. 24) {Realmente é preocupante a situação
atual, olhe que Susan escreveu num tempo(1968) que as redes sociais tal qual instagram,
facebook e whatsapp nem se quer existiam! Mas não vejo isso como o fim da cultura
impressa, ou pelo menos, ainda não}

“Na verdade, leitura é disciplina”. (p.24)

“A falta de habilidade para lidar com questões colocadas pelos ‘Grandes Livros’, sem ajuda
e sem adesão ao projeto, na verdade, não demonstram inadequação mental, apenas falta
de preparo”. (p. 25)

“Na escola clássica, a aprendizagem é em três estágios. Primeiro, [Gramática] degustar:


adquira conhecimentos básicos sobre um assunto. Segundo, [Lógica] engolir: insira o
conhecimento em sua compreensão, avaliando-o. Ele é válido? É verdadeiro? Por quê?
Terceiro, [retórica] digerir: acomode o assunto de acordo a sua compreensão. Deixe-o
mudar sua forma de pensar — ou rejeite-o como inválido. Deguste, engula, faça a
digestão.”(p. 26)

“Para obter sucesso em um curso de leitura, deve-se reorientar a mente para absorver
novas ideias, compreendendo-as primeiro, para depois avaliá-las e, finalmente formar as
próprias opiniões sobre elas”. (p. 28)

Citando Isaac Watts: “Não se empenhe na busca intelectual intensa de muitas coisas ao
mesmo tempo, principalmente se ela não tem relação umas com as outras. Isso será um
obstáculo à sua compreensão e impedirá que você atinja a perfeição em qualquer um dos
assuntos em estudo”. (p. 29)

Falando para não seguirmos o exemplo do teólogo alemão Friedrich Schleiermacher que
“mergulhou na sua primeira fase: um devorar abrangente de livros, e de tirar o fôlego,
mas assistemático, pois deixava a sua mente, como ele declarou anos mais tarde, tão
confusa quanto o caos de antes da criação do mundo”. (p. 29)

“A primeira tarefa da educação autônoma não é a de ler qualquer coisa sobre Platão, mas
de separar vinte minutos em que você possa se devotar ao pensamento, em vez de realizar
alguma outra atividade”. (p. 31)

“Como o autodidata Benjamin Franklin notoriamente sugeriu, dormir cedo e acordar


cedo é o caminho mais efetivo para a sabedoria”(p. 31)

“Respeite o período reservado para a leitura. Fazemos as coisas que nos dão retorno e as
gratificações imediatas sempre parecem mais recompensadoras do que o progresso lento
em direção a um objetivo de longo prazo. Resista a outras formas de satisfação ou deveres
que possam usurpar seu tempo de leitura”. (p. 32)

“A leitura é um processo que se estende para a vida toda. Não há pressa, nenhuma agenda
semestral a cumprir, nada de pânico de final de semestre ou exames finais. A ideia de que
a leitura rápida é a melhor leitura é uma neurose do século XX, que se origina nas selvas
de pedra cultivadas pelos fabricantes de computadores”. (p. 36)

Sobre ler cronologicamente diz: “À medida que você passa a ler os próximos livros do
mesmo gênero, acabará topando, volta e meia, como os mesmos argumentos, o mesmo
vocabulário, as mesmas preocupações”. (p. 41)

“Nós nos lembramos do que colocamos no papel. Aquilo que resumimos com nossas
próprias palavras se torna nossa propriedade”. (p.46)

“O objetivo da autoeducação clássica é este: não meramente entupir a mente com fatos,
mas compreendê-los”. (p. 48)
“A autoeducação clássica demanda que se entenda e avalie as ideias, reagindo a elas”.
(p.51)

“A leitura em profundidade exige trabalho duro.” (p. 53)

“O segredo de ler um livro difícil é simplesmente este: continue lendo”. (p.54)

“Estudar literatura significa estudar o que as pessoas pensavam, faziam, acreditavam,


sofriam e sobre o que argumentavam no passado, e isso é história”. (p. 64)

“Se você simplesmente não conseguir avançar em um livro, depois de uma tentativa boa
e concreta, deixe-o de lado e vá para o próximo livro da relação. Não abandone todo o
projeto porque não consegue encarar o Paraíso Perdido. Até mesmo os estudiosos têm
livros que não conseguiram ler do começo ao fim”. (p. 65)

“Há livro que falam conosco em determinado momento da vida e silenciam no momento
seguinte. Se um livro permanece mudo para você, deixe-o de lado e encare o próximo da
relação.”(p. 65) {Aqui não há uma carta branca para abandonar sempre um livro que
não se fizer entendido, se assim fosse, Susan estaria contradizendo-se, pois já disse que
o segredo de ler um livro difícil é continuar lendo. Sendo assim, duas coisas são
importantes nesse trecho: primeiro, o seu estado de espírito se relaciona com o livro,
imagine encarar O Capital de Marx depois de uma briga familiar? Se bem que esse é
duro de encarar mesmo nos momentos mais felizes. Segundo, se depois de uma tentativa
séria, insistente, em momentos de estado de espírito diferentes o livro continuar a negar-
nos sua voz, é melhor seguir em frente com outro mestre}

“Se um livro o cativa, demore-se nele”. (p.66)

Acredito que as citações acima são importantes para se retermos, que elas
lhe motivem a ler esse livro.