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Os Dons Espirituais

Pr Roberto C S Matos
 
O tema que vamos estudar agora é um dos mais importantes da Bíblia. A diferença
entre um cristão deslocado, desmotivado e apático e um cristão vibrante e frutífero
está no conhecimento, uso e desenvolvimento dos Dons Espirituais.
Paulo nos conclama: "a respeito dos dons espirituais, não quero irmãos, que sejais
ignorantes (1 Co 12:1). John MacArthur faz coro: “nenhuma congregação local será o
que deveria ser, aquilo que Jesus orou que fosse, ou aquela que o Esp írito Santo dotou
e a preparou, enquanto ela não compreender os dons espirituais.”
 
Definição dos Dons Espirituais
Eles são a dotação de habilidades especiais ou poder dados pelo Espírito Santo a cada
crente para que possa realizar os ministérios a ele confiados por Deus para cumprir
sua parte na missão.
 
ETIMOLOGIA
Ernest Käsmann que sustenta que etimologicamente a palavra dom (charisma no
grego) é composta do termo charis, que significa graça e do sufixo ma, que
“geralmente significa o resultado de uma ação”. Então, deduz Schwartz: “assim, um
charis-ma é o resultado de um charis em ação”. Portanto, um Carisma ou Dom é a
graça em ação ofertada ao cristão, é uma ferramenta.1
 
NATUREZA DOS DONS
Como se dá a habilitação? Deus disse a Moisés: Nm 11:17 - "tirarei do Espírito que
está sobre ti e o porei sobre eles…” -  este texto demonstra a soberania divina em
conceder Dons aos Homens. Não seria uma prerrogativa de Moisés a concessão de
Dons aos setenta. Deus diz “tirarei”. Assim sendo, na bênção patriarcal e na unção
dos profetas, temos apenas o instrumento humano reconhecendo a doação divina.
A mesma verdade é verificada na comunidade cristã: "disse o Espírito Santo: separai-
me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando, e
orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram.”At 13:2 e 3. Foi o Espírito
Santo quem “separou" e a igreja reconhecendo a divina eleição os ordenou pela
imposição de mãos. Os Dons que estamos estudando são Espirituais , porque não
podem ser outorgados por votos institucionais, ação humana, nem tão pouco
conquistados pela cobiça pessoal (At 8:18 e 19). Eis a dinâmica da habilitação
espiritual:
• Deus é a fonte: "Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do
Pai das luzes…”, Tg 1:17.
• Jesus é o mediador - "E Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador”; "E a
graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo. Por
isso, diz: Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos
homens.” Ef 4:7 e 8.
• O Espírito é o comunicador dos Dons - “Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é
o mesmo… Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as,
como lhe apraz, a cada um, individualmente.” 1 Co 12:4 e 11.
 
DONS ESPIRITUAIS E TALENTOS
Para entender a natureza dos Dons, é necessário estabelecer duas importantes
diferenciações:
A primeira preconiza que dom é diferente de talentos. Talentos ou dons naturais são
habilidades e inclinações que nos são transmitidas desde o nascimento, como a
facilidade para falar em público, escrever, compor ou cantar e tocar música, pintar,
etc. Até ateus e satanistas têm talentos, mas não os usam para a glória de Deus, nem
se permitem ser movidos pelo Espírito Santo. A diferença não se encontra na origem,
pois “toda boa dádiva e todo dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai das luzes...”
Tg 1: 17. A diferença está na unção. Paulo começa o estudos do tema, em 1 Co 12:1,
chamando os dons apenas de pneumatikon (aquilo que pertence ao espírito)2. No
contexto imediato o termo reclama a diferença entre o que movia os corintos antes da
conversão (versos 2 e 3) e quem devem movê-los, como devem agir sob a direção do
Espírito Santo (versos 4 a 6). Fica assim estabelecida a linha demarcatória entre os
talentos e motivações anteriores à conversão e o que é posterior à consagração: a
Missão mediante o arrependimento e batismo ao se receber “o dom do Espírito
Santo”. At 2:38.
Minha experiência pessoal e pastoral tem constatado que determinadas
manifestações do Espirito são vistas na vida de pessoas após o batismo que não eram
percebidas antes de sua conversão. O Espírito os habilitou para fazerem coisas que
nunca tinham feito antes, pondo em ação recursos que lhes eram totalmente
estranhos. Temos visto também talentos naturais que foram “ungidos” pelo Espírito. A
motivação para usá-los e os efeitos de sua manifestação são inteiramente diferentes
do emprego mundano(acho que secular é mais adequado)
O grande violinista Paganini, ao passar por um pedinte que arranhava as cordas de
seu velho violino tentando toca-lo, compadeceu-se e pedindo o instrumento, extraiu
uma linda melodia que maravilhou a todos e sensibilizou a muitos a esmolar ao idoso.
Ele arrancou aplausos e generosidade. Talento!!! Deus usou o Maestro Paulo Torres
com o seu belo violino para acordar uma jovem do coma, num leito hospitalar. Dom!!!
 
DONS E FRUTO
Outra segunda diferenciação é entre Fruto e Dom. Em Gálatas 5:22 temos a expressão
“fruto do espírito”. O termo fruto (karpós, no grego - aquilo que é produzido pelo
esclarecimento)3 representa o conjunto de atributos do caráter de Deus que nos são
comunicados pelo Espírito Santo. Paulo não diz “os frutos do Espírito são:…”. Ele diz “o
fruto”, no singular! A razão é bem simples. Não podemos escolher qual virtude
queremos experienciar e qual virtude podemos relegar ou renegar. Temos que
manifestar todas elas. Só seremos pessoalmente semelhantes a Cristo, vivenciando
todas elas. Então, fruto é o coletivo das virtudes cristãs manifestas harmonicamente
em nosso caráter. Você não tem a opção de dizer: “Gosto muito da alegria, mas este
negócio de domínio próprio não é comigo! Mexeu comigo tem troco!” Temos que
manifestar todas as virtudes de Cristo em nosso caráter. Isso é ser semelhante a
Jesus! Fruto é a motivação e atitude com que põe os nossos Dons em ação
para Deus e nossos semelhantes. Dom são habilidades para realizarmos
ministérios. Fruto tem a ver com o por quê fazemos e Dom com a capacidade
de realizar. Dons, você recebe alguns, fruto você tem que aceitar e assimila-
los como um todo.
 
DONS E SANTIDADE
Não poucas pessoas confundem dom desenvolvido com santificação. Pregar bem ou
cantar bem tem mais a ver com o esforço, preparo, que com santificação. Os dons
podem ser mal utilizados. 1 Co 12 a 14 mostram repreensões de Paulo ao
exibicionismo. Santidade é a presença do fruto do Espírito movendo o cristão a utilizar
os dons com amor e por amor (1 Co 13:1-3 Rm 12:6-8). "Atos de benevolência
assumem uma nobre forma, e as ações de adoração religiosa, espalham muito
preciosa fragrância, quando praticadas de maneira despretensiosa, em penitência e
humildade(talvez seja melhor “em penitente humildade”. O motivo puro santifica o
ato.”4
 
PROPÓSITO
O propósito dos dons não é a promoção pessoal mas a edificação da Igreja. É coletivo
e não individual. “...visando um fim proveitoso” 1 Co 12:7. “Tendo em vista o
aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do
corpo de Cristo”(Ef 4: 12).
 
A ORIGEM DA MANIFESTAÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS
Muitos estudiosos fixam a inauguração da Mediação de Cristo no Céu como a origem
do derramamento dos dons, apoiando-se em textos como Mr 16:17 e 18; Ef 4:7 e 8; At
1:8 e 2:3 e 4. No entanto, alguns dos Dons Espirituais já tinham sido concedidos aos
discípulos durante o ministério terrestre de Jesus, como relata Mt 10 e Lc 10:1, 17-20,
quando os doze e os setenta foram investidos de autoridade para desempenhar a
evangelização e libertação de pessoas.
O que de fato foi prometido com a vinda da dispensação do Espírito, foi o
revestimento de poder para ministrar com ampla eficiência o evangelho. Claro que
isso implicava o exercício de Dons até então não manifestados no ministério dos
discípulos de Cristo, nem relatado no ministério profético do Antigo Testamento.
A origem da manifestação dos Dons entre os servos de Deus antecede às cenas do
Novo Testamento. Desde que o pecado entrou no mundo, o Espírito age na mente e
coração do homem buscando conter a corrente da imoralidade e apelar à razão (Gn
3:15 e 6:3). Assim sendo, desde que o primeiro ser humano pecador teve que falar
sobre fatos espirituais a outro pecador, este foi assistido pelo Espírito Santo, que
impressionou a mente e coração de ambos. Em Adão, Noé e Enoque, por exemplo,
dons como Profecia, Ensino, Encorajamento, manifestaram-se amplamente. Em Noé,
Abraão e José evidenciou-se o Dom de Administração. Em Moisés e Josué, Dons de
Administração e Liderança. Em Salomão, o Dom de Sabedoria. Em Davi, Música dentre
outros. Em Bezalel, Aoliabe e equipe, dons de Criatividade Artística (Ex 31:1-6). Os
Dons Espirituais, portanto, são atávicos e acompanham a gênesis da Missio Dei
(Missão de Deus) entre os pecadores, para desenvolver neles habilidades para
participarem de ministérios na salvação de outros.

DONS E AS CHUVAS TEMPORÃ E SERÔDIA


Posto que a manifestação dos Dons antecede o Pentecostes - derramamento da chuva
temporã  At 2:16 e 17 - precisamos entender que a habilidade para realizar tarefas foi
necessária antes do  que chamamos, “derramamento do Espirito Santo”. A chamada
Dispensação do Espírito representa o comando direto do Espírito Santo sobre o povo
de Deus. Nos tempos do Antigo Testamento, Ele era um visitante transitório que
atuava intermitentemente sobre alguns homens especialmente designados para
algumas tarefas especiais.5 Ele agia entre e pelo povo, mas pouquíssimos o permitiam
serem permanentemente guiados e controlados por Ele. Sansão é o exemplo clássico
desta intermitência Jz 14:6. Após o Pentecostes o Espírito está “sobre toda carne” Joel
2:28, no coração de todos os crentes. Na chuva Serôdia nossos dons alcançarão o
desenvolvimento máximo e influencia máxima sobre os que ouvirão a proclamação da
tríplice mensagem angélica. Esta potencialização é apresentada em Ap 18:1 "Depois
destas coisas, vi descer do céu outro anjo, que tinha grande autoridade, e a terra se
iluminou com a sua glória.” A ênfase da dispensação do Espírito esta, pois, na
diversidade dos serviços(ministérios)1 Co 12:5 e na diversidade nas realizações. É o
alcance da influência pelo poder que o desenvolve e o torna eficaz(1 Co 12:6),
demostrados pelo Corpo de Cristo.
 
INVENTÁRIO BÍBLICO DOS DONS ESPIRITUAIS
A Bíblia lista ou apresenta a manifestação de cerca de 30 Dons Espirituais. Paulo fez
três listas: Rm 12: 6-8; I Co 12: 8-10, 28-30 e Ef 4: 11. Há, no entanto, outras menções
que serão citadas nas definições dos Dons
 
A CLASSIFICAÇÃO DOS DONS QUANTO A SUA FUNÇÃO
Uma das maravilhas do tema está na diversidade dos Dons. Primeiramente, os dons
são diversos(1 C 12:4). São diferentes em natureza e função dentro da Igreja e da
Missão. Secundariamente, o Espírito distribui diferentes dons a diferentes pessoas,
“como Lhe apraz, a cada um individualmente” 1 Co 12:11. E, terceiramente, cada um
de nós temos nosso conjunto de Dons. Eles são o DNA de nossa identidade e
personalidade missionária. Jesus foi o único homem sobre a terra a manifestar todos
os Dons Espirituais (Hb 1:3; Cl 2:3 e 9); . Para a reprodução adequada da Imagem de
Cristo quanto aos Dons, ninguém é suficiente. É a coletividade da Igreja cheia do
poder do Espírito Santo que reproduzirá a Sua imagem pela manifestação coletiva de
todos os Dons Espirituais.
Gosto da classificação de James Zackrison 6, que os subdividiu em: Dons de Apoio;
Dons de Ensino; Dons Administrativos; Dons Evangelísticos e Dons Maravilhosos.
 
DEFINIÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS EM SEUS GRUPOS
A definição apresentada baseia-se em Wagner, Schwarz e Miranda 7.
O Grupo dos Dons de Apoio
Estes dons estabelecem e solidificam os relacionamentos dos membros da Igreja. São
eles:
• Socorro (I Co 12: 28; Lc 10: 38-42). Definição: é a habilidade especial que Deus dá a
algumas pessoas de investir seus talentos na vida e ministério de outros membros.
Manifestação: A pessoa apoiada por quem exercita este dom tem seu ministério
aumentado em eficácia. Exemplos de pessoas que o utilizaram: Eliseu, Barnabé,
André, etc.
• Misericórdia (Rm 12: 8). Definição: é a especial habilidade dada por Deus a
algumas pessoas mais que a outras para sentirem empatia e compaixão pelos que
estejam sofrendo algum tipo de problemas emocionais, físicos ou mental.
Manifestação: simpatia e compreensão para com pessoas marginalizadas e
recalcadas, de difícil relacionamento. Exemplos: Barnabé, Davi, o Bom Samaritano
• Exortação (Rm 12: 8) Definição: é a habilidade especial que Deus dá a algumas
pessoas na igreja para, melhor do que a outras, dar palavras de conforto, consolo,
encorajamento e conselhos, de tal forma que essas pessoas se sintam ajudadas e
curadas. Manifestação: ajuda as pessoas a verem o lado positivo da vida, a
melhorarem a auto estima. Exemplos: Paulo, Timóteo
• Contribuição (Rm 12: 8) Definição: o dom de dar é uma especial habilidade que
Deus concede a alguns membros da igreja para que possam contribuir, com
liberalidade e alegria, em maior proporção do que a outros, com recursos materiais
para Causa de Deus. Manifestação: Doam muito do que têm para causas missionárias,
humanitárias, possibilitando o avanço da causa divina. Exemplos: José de Arimatéia,
Nicodemos, A viúva da oferta de uma moeda.
• Hospitalidade (I Pd 4:9; Rm 12:13; I Tm 5:10; Hb 13: 2) Definição: o dom da
hospitalidade é a habilidade especial dada por Deus a alguns membros do corpo de
Cristo mais do que a outros para abrirem os braços, abrirem seus lares e receberem
calorosamente os que necessitam de amizade, aceitação, alimento e abrigo.
Manifestação: amam estar entre pessoas e receber pessoas em seus lares ou em
eventos sócio-religiosos. Exemplos: Marta, Priscila.
• Serviço (Rm 12:7; I Pd 4:10) Definição: o dom do serviço é a habilidade especial
concedida por Deus a alguns membros do corpo de Cristo pela qual eles conseguem
identificar necessidades menos perceptíveis. A pessoa que possui esse dom faz uso
dos recursos disponíveis para atender essas necessidades e ajudar a alcançar os
objetivos propostos. Manifestação: elas se dispõem a realizar com alegria e eficácia
tarefas desagradáveis ou desprezadas por muitos. Exemplos: Marta, Maria, Joana,
Suzana, Dorcas.
 
O Grupo dos Dons do Ensino.
Os depositários deste dom tem a responsabilidade de transmitir o conhecimento claro
e preciso do Senhor e do plano de salvação para as gerações posteriores.  Isto tem a
ver com a educação religiosa em todos os níveis da igreja. Listam-se quatro:
• Conhecimento (Rm 15:14; I Co 8:1, 2; 12:8; 13:2, 8-10; II Co 3:14-19; Ef 3:14-19)
Definição: habilidade especial dada a alguns membros do corpo de Cristo mais do que
a outros para descobrir, acumular, analisar e ampliar as informações e idéias que são
importantes para o crescimento espiritual da igreja e o bem-estar dos membros.
Manifestação: Sentem-se à vontade no mundo das idéias (acadêmico). Amam as
agonias e o isolamento que sofrem para produzir conhecimento. Exemplos: Salomão,
Paulo, Apolo.
• Sabedoria (I Co 12: 8)Definição: o dom da sabedoria é a especial habilidade dada a
alguns membros do corpo de Cristo do que a outros para conhecer a mente do Espírito
Santo de forma que essas pessoas tenham idéias de como melhor aplicar o
conhecimento para atender a necessidades específicas do corpo de Cristo.
Manifestação: Usa o conhecimento para o bem estar das pessoas com as quais se
relaciona e resolve problemas com facilidade. Exemplos: José, Salomão, Tiago, Paulo.
• Ensino (I Co 12:8) Definição: o dom do ensino é a especial habilidade que Deus dá a
alguns membros do corpo de Cristo mais do que a outros para comunicar informações,
atitudes e idéias relevantes para o bem-estar e ministério desse corpo e de seus
membros, de tal forma que outros também possam aprender. Manifestação: facilita o
aprendizado dos temas espirituais aos membros do corpo de Cristo . Exemplos:
Moisés, João, Pedro, Paulo
• Pastorado (Ef 4:11)Definição: o dom do pastorado é uma habilidade especial dada
a algumas pessoas mais do que a outras, dentro do corpo de Cristo, para assumirem a
responsabilidade pessoal pelo bem-estar espiritual de um grupo de crentes.
Manifestação: cuida de pessoas auxiliando-as no seu desenvolvimento espiritual e
sociabilidade cristã. Exemplos: João, André, Timóteo e Tito.
 
O Grupo dos Dons de Administração.
Estes dons tratam do planejamento organizacional e estratégico da igreja. São
fundamentais aos que atuam em sua estrutura administrativa e executiva. Criam um
ambiente de influência para o progresso da organização. Listam-se:
• Liderança (I Co 12: 28; I Tm 3: 1-7). Definição: o dom de liderança é uma habilidade
especial concedida por Deus a certos membros do corpo de Cristo que os capacita a
estabelecer objetivos sintonizados com os propósitos de Deus para o futuro da igreja,
e transmitir esses objetivos aos demais, de tal forma que trabalhem voluntária e
harmoniosamente para alcançar esses objetivos para a glória de Deus. Manifestação:
inspiram e conduzem o povo de Deus. Exemplos: Moisés, Josué e Paulo.
• Apostolado (I Co 12: 28) Definição: (1)posição especialmente concedida aos 12
seguidores diretamente comissionados por Cristo; (2)é a habilidade especial dada por
Deus a determinados membros do corpo de Cristo para fundar e organizar novas
igrejas, supervisionar seu crescimento. Manifestação: sua habilidade e autoridade
sobre grande número de congregações, é naturalmente reconhecidas tanto por ser
fundador e/ou por supervisioná-las. Exemplos: Paulo e Barnabé - At 14: 14; Timóteo e
Silvano – I Ts 1:1, 2: 7;
• Administração (I Co 12:30) Definição: o dom da administração(ou governo) é
especial habilidade  dada por Deus a alguns membros do corpo de Cristo para
entender claramente o alcance dos objetivos mais amplos e formular planos com
vistas a alcançar tais objetivos. Manifestação:  formulam planos macros para serem
realizados pelos lideres e grupos. Exemplos: Paulo, Pedro, João, etc.
• Fé (1 Co 12:9) Definição: o dom de fé é uma especial habilidade que Deus concede
a alguns membros do corpo de Cristo mais do que a outros para discernir e aceitar
com extraordinária confiança a vontade e propósito de Deus em relação à Sua obra.
Manifestação: Vislumbram estágios superiores e grandes soluções para entraves da
obra. Exemplos: a mulher sirofenícia; Elias, Elizeu, Davi, etc.
 
O Grupo dos Dons Maravilhosos.
Por eles Deus realiza ações impressionantes que despertam a atenção de incrédulos e
refreiam as ações do mal. Sua manifestação mais intensa se deu em curtos períodos
da história: no êxodo, na reforma da fé judaica com Elias e Elizeu e na inauguração da
era cristã por Jesus e Apóstolos. Satanás frequentemente opera uma contrafação. Por
isso toda manifestação deve ser provada à luz da Bíblia (1 Jo 3:4). Deus manifesta Seu
poder e misericórdia através desses dons, em ocasiões especiais, quando Ele acha
que é conveniente fazê-lo. São eles:
• Profecia (I Ts 5:19-21). Definição: é a essencial habilidade que Deus concede a
alguns membros do corpo de Cristo para receberem a comunicação de uma
mensagem imediata de Deus a Seu povo através de uma forma divinamente
escolhida. Manifestação: Orientam as ações do povo de Deus; predizem o futuro.
Exemplos: Profetas bíblicos; filhas de Filipe e em tempos modernos na conselheira e
escritora Ellen G White.
• Milagres (I Co 12: 9 e 19). Definição: é a especial habilidade que Deus concede a
alguns membros do corpo de Cristo para servirem como intermediários humanos
através dos quais Deus realiza atos poderosos no sentido de alterar o curso comum da
natureza. Manifestação: intervenções no mundo físico para evidenciar que Deus opera
por intermédio de um ser humano. Exemplos: Moisés e Elias.
• Curas (I Co 12:9 e 10) Definição: é a especial habilidade concedida por Deus a
certos membros do corpo de Cristo para servir como intermediários humanos através
dos quais Ele cura enfermidades e restaura a saúde, independente do uso de recursos
naturais. Manifestação: restabelecimento instantâneo da saúde de pessoas a quem o
Senhor apraz curar. Exemplos: Eliseu, Pedro, Paulo, etc.
• Libertação (Mt 12:22-32; Lc 10:17-20; At 8:5-8; 16:16-18). Este dom fica implícito,
não é mencionado nas listas do NT. Definição: autoridade especialmente concedida
por Deus a alguns membros do corpo de Cristo mais do que a outros para expulsar
demônios e maus espíritos. Manifestação: mediante comunhão com Deus alguns são
eficazes em repreender e expelir demônios. Satanás se incomoda com suas
presenças, cânticos de louvor e oração. Exemplos: Davi, Paulo, etc.
• Intercessão Tg 5:14-16; I Tm 2:1 e 2; Cl 4:12 e 13. Também não é diretamente
citado no NT. Definição: é a especial habilidade que Deus concede a certos membros
do corpo de Cristo para orar durante longos períodos de tempo ou de maneira
sistemática e observar frequentes respostas a suas orações; isso num grau muito
intenso do que ocorre com outros cristãos em geral. Manifestação: muitas respostas
positivas às orações. Também  respostas imediatas às súplicas. Exemplos: Gideão,
Elias, Paulo, etc.
• Martírio (I Co 13:3) Definição: é a especial habilidade concedida por Deus a alguns
membros do corpo de Cristo para suportar o sofrimento por causa da fé, até a morte
se necessário, mantendo uma atitude vigorosa e alegre que glorifica a Deus.
Manifestação: coragem diante da intimidação e ameaça dos inimigos da verdade e
fidelidade mesmo em face da morte. Exemplos: Estêvão, Paulo, etc.
• Pobreza Voluntária (I Co 13:3) Definição: é a especial habilidade concedida por
Deus a alguns membros do corpo de Cristo para renunciar o conforto material e adotar
um estilo de vida equivalente ao das pessoas realmente pobres, com finalidade de
servir melhor a Deus. Manifestação: o desprendimento de posses materiais em
benefício do avanço do evangelho. Exemplos: Nicodemos - “usou sua riqueza em
ajudar a manter a igreja em Jerusalém, e no avanço da obra do evangelho. ...ele
tornou-se pobre em bens deste mundo, mas não esmoreceu na defesa de sua fé.” AA,
105.
• Celibato (Mt 19:10-12; I Co 7: 7 e 8, 32-35). Definição: é a especial habilidade que
Deus concede a alguns membros do corpo de Cristo para permanecerem solteiros e
apreciarem esse estado, sem sofrer por causa de tentações sexuais. Manifestação:
vivem solteiros e mantêm bom relacionamento com o sexo oposto sem quebrarem a
castidade. Exemplo: Paulo que foi um apóstolo solteiro.
 
O Grupo dos Dons Evangelísticos.
São os dons da linha de frente da igreja. Facilitam a conversão de pessoas a Cristo.
Incrementam o crescimento espiritual e numérico da Igreja e expansão do Reino. São
imprescindíveis à Grande Comissão, razão da existência da Igreja. São eles:
• Música (1 Sm 16:14-23). Definição: capacidade de cantar, tocar instrumentos
musicais, compor, arranjar, reger em adoração a Deus, operando impacto espiritual
positivo na vida dos que ouvem o louvor. Manifestação: leva os adoradores a uma
comunhão mais íntima com Deus. Exemplos: Moisés, Davi, Asafe, etc.
• Criatividade Artística (Êxodo 31:1-11; 2 Samuel 6:12-16; 1 Reis 7:14) é a habilidade
especial que Deus dá a alguns membros do corpo de Cristo para realizar trabalhos
artísticos voltados para o ensino, adoração e evangelismo. Manifestação: as diferentes
expressões artísticas tais como escultura, pintura, bordado, tricô, artes cênicas, layout
de apresentações, vídeos e web designs são ungidas para incrementar ministérios.
Exemplos: Bezalel e Aoliabe,
• Línguas (Mr 16:17; At 2:5-13; 1Co 12:10, 28). Definição: capacidade de se
comunicar com pessoas que falam outro idioma. Manifestação: Aprendem com
assombrosa facilidade outros idiomas para comunicar o evangelho em outros
ambientes linguísticos. Exemplos: Paulo, Pedro, João e muitos na Igreja Primitiva. A
regulamentação de seu uso estabeleceu-se em 1 Co 12:29 e 30; 13:1 e 14:1-28.
• Interpretação de Línguas (1Co 12:10, 30). Definição: traduzir oral ou por escrito
discurso ou livro. Manifestação: traduzem com facilidade as ideias e expressões
idiomáticas  de um idioma para outro. Exemplos: Arão, Daniel, Pedro, Paulo. Das 6 909
línguas diferentes faladas ao redor do mundo, a Bíblia só foi traduzida para 2.935..
Além do português e libras (linguagem dos sinais), e dos idiomas das colônias de
imigrantes temos 274 idiomas indígenas, segundo o senso de 2010. Precisamos de
tradutores para levar a palavra falada e a Bíblia para estes grupos linguísticos ainda
não alcançados.
• Evangelismo (Ef 4:11; At 8:26-40). Definição: é a especial habilidade que Deus
concede a alguns membros do corpo de Cristo em maior proporção do que outros para
partilhar o evangelho com os descrentes, de maneira que homens e mulheres se
tornem discípulos de Cristo. Manifestação: Sente paixão pelas almas e tem facilidade
de testemunhar de Cristo para os não crentes aproveitando-se de cada oportunidade
para levá-los a Jesus. Vincula os fatos do dia a dia ao evangelho. Exemplos: Pedro,
Filipe, Paulo e Barnabé, Apolo...
• Discernimento de Espíritos (1 Co 12:10; 1 Jo 4:1) Definição: é a essencial
habilidade concedida por Deus a alguns membros do corpo de Cristo para perceber
com segurança se certos comportamentos ou ideias, apresentados como vindos de
Deus, são mesmos divinos, humanos ou satânicos. Manifestação: a pessoa que possui
esse dom apresenta as seguintes características: (1) uma especial habilidade para
perceber incoerências; (2) a tendência de notar o que está errado em uma ideia ou
ensino e sugerir sua correção; (3) uma profunda convicção que leva a pessoa a não
descansar, enquanto percebe que há pessoas que estão recebendo meias-verdades
ou falsos ensinos. Exemplos: Neemias, Paulo, Pedro, etc.
• Missões (Rm 5:1; 1 Co 9:19-23). Definição: é a habilidade especial que Deus dá a
alguns membros do corpo de Cristo para exercitar, no meio de uma segunda cultura,
todos os demais dons espirituais recebidos. Manifestação: Há diferentes tipos de
evangelismo e missões, geralmente classificados em função do grupo a ser atingido.
Podem ser dirigidos a: (1) crescimento interno e espiritual de uma congregação já
existente; (2) busca de novos conversos em uma comunidade para introduzi-los na
congregação existente; (3) implantar novas igrejas; (4) alcançar diferentes etnias,
culturas ou línguas. Exemplos: Pedro, Paulo, Áquila e Priscila, etc.
 
PASSOS PARA DESCOBRIR SEU CONJUNTO DE DONS
Os dons são o DNA do Cristão. Descobrí-los é saber quem você é e em que deve se
empenhar na obra do Senhor. Então:
• Coloque-se diante de Deus em oração;
• Esteja disposto a colocar seus dons em prática;
• Informe-se a respeito dos dons; 4- Descubra o que lhe dá satisfação;
• Experimente o máximo que puder;
• Verifique de maneira honesta a sua eficiência;
• Procure a opinião de pessoas espiritualmente maduras.
 
 
Considerações finais
Na igreja temos o conjunto de Dons necessário para cumprir a missão local: “Sempre
dou graças ao meu Deus por vós... Porque em tudo fostes enriquecidos nele... De
maneira que nenhum dom vos falta...” (1 Coríntios 1:4-7). "A igreja de Deus é o
recinto de vida santa, plena de variados dons e dotada com o Espírito Santo.” Atos dos
Apóstolos, p. 7.
Embora exista dons que "atraem os holofotes”, que são mais valorizado pelas pessoas
do que outros, Deus os vê de forma diferente: "Sempre existiu e sempre existirá
diversidade de dons. Não são apenas os grandes dons que Deus pede e aceita, mas
Ele apela por talentos menores, e os aceitará se homens e mulheres os usarem para a
Sua glória." (RH, 14/3/1878). “É a cuidadosa atenção dispensada ao que o mundo
chama coisas pequeninas, que faz a grande beleza e o êxito da vida. Pequenos atos
de caridade, pequenas palavras de bondade, pequenas ações de abnegação, o sábio
aproveitamento das pequeninas oportunidades, o diligente cultivo dos pequenos
talentos, fazem grandes homens à vista de Deus.” (The Youth’s Instructor, 21 de abril
de 1898). "O Senhor usa vários dons em Sua obra. Não pense nenhum obreiro que
seus dons são superiores aos de outro obreiro. Deixai que Deus seja o juiz. Ele
examina e aprova Seus obreiros, e faz uma avaliação justa de suas qualificações.
Colocou na igreja uma variedade de dons, a fim de suprir as diversas necessidades
das numerosas mentalidades com que Seus obreiros são postos em contato."(RP
210.3).
Não devemos deixar de desenvolver nossos dons: ”Por esta razão, pois, te admoesto
que reavives o dom de Deus que há em ti…" (2 Tm 1:6.7). Também não podemos
atrofiá-los pelos desuso “Não seja negligente com o dom que há em ti” (1Tm 4:14).

Perguntas para estudo


1- Que é um Dom Espiritual?
2- Como saber quais os Dons Espirituais eu tenho?
3- Como eu posso desenvolver meus Dons Espirituais?

Notas
1. Schwarz, Christian A. Mudança de paradigma na igreja. Curitiba: Editora
Evangélica Esperança, 2001, p. 175 e 176.
2. Fritz Rienecker; Clean Rogers. Chave linguistica do novo testamento grego, p.
316.
3. Idem, p, 383.
4. Ellen G White. Santificação. Tatuí:CPB, 2006, p. 9.
5. LeRoy E. Froom. A vinda do Consolador. CPB, 1991, p, 28.
6. James W. Zackrison Dones espirituales practicos. Argentina: Asociacion Casa
Editora Sudamericana, 1996.
7. C. Peter Wagner. Descubra seus dons espirituais. 4. ed. São Paulo: Abba, 2004;
Christian A. Schwarz. O Teste dos Dons. 2ª Ed. Curitiba: Editora Evangélica
Esperança, 1999; Jair Miranda Júnior. Meu Talento, meu ministério: cumpra a
missão do jeito que você sabe. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2017.