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TRIBUNAL DE JUSTIÇA

PODER JUDICIÁRIO
São Paulo

Registro: 2016.0000078006

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação nº


9059402-49.2006.8.26.0000, da Comarca de São José do Rio Preto, em que é apelante
DERSIDIO BOTELHO SENNA, é apelado AGENCIA REGULADORA DE SERVIÇOS
PUBLICOS DELEGADOS DE TRANSPORTES DO ESTADO DE SAO PAULO
ARTESP.

ACORDAM, em 2ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de


São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Nos termos do art. 543-B do CPC, o acórdão
anteriormente prolatado deve ser parcialmente alterado.", de conformidade com o voto do
Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores CLAUDIO


AUGUSTO PEDRASSI (Presidente), VERA ANGRISANI E LUCIANA BRESCIANI.

São Paulo, 16 de fevereiro de 2016

CLAUDIO AUGUSTO PEDRASSI


RELATOR
Assinatura Eletrônica
TRIBUNAL DE JUSTIÇA
PODER JUDICIÁRIO
São Paulo

Voto nº 12484
Apelação com Revisão nº 9059402-49.2006.8.26.0000
Apelante: Dersidio Botelho Senna
Apelada: Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados
de Transportes do Estado de São Paulo - ARTESP
Vara de Origem: 6ª Vara Cível da Comarca de São José do Rio
Preto

RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Juízo de retratação. Art. 543-B,


§ 3º, do CPC. Alteração parcial do acórdão. Julgamento de mérito
do RExt nº 639.496, restando consignado que seria incompatível
com a Constituição lei municipal que impusesse sanção mais
gravosa que a prevista no CTB, por extrapolar a competência
legislativa do município. Devolução dos autos à Turma Julgadora.
Decisório mantido na sua maior parte. Caso concreto tratando de
previsão expressa em lei estadual paulista exigindo que o serviço
de transporte de pessoas, em caráter privativo, fosse autorizado
pelo órgão responsável. Matéria diversa. Alteração somente com
relação à necessidade de pagamento de despesas com remoção e
estadia para fins de liberação do veículo. Superveniência da
Súmula nº 510 do E. STJ vedando tal prática. Acórdão
parcialmente alterado.

Vistos.

Trata-se de recurso de apelação


interposto por Dersidio Botelho Senna contra a sentença de
fls. 237/239, cujo relatório se adota, que, nos autos da
ação declaratória de nulidade de ato administrativo ajuizada
em face primeiramente do Departamento de Estradas de Rodagem
D.E.R. e, posteriormente, retificado o polo passivo para a
Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de
Transportes do Estado de São Paulo ARTESP, julgou
improcedente o pedido, bem como a medida cautelar proposta,

Apelação nº 9059402-49.2006.8.26.0000 - São José do Rio Preto - VOTO Nº 12484 2/6


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condenando o autor ao pagamento de custas, despesas


processuais e honorários advocatícios de 15% do valor
atribuído à causa, observada a gratuidade concedida.

Inconformado, recorreu o autor


pugnando pela reforma do decisório para que fosse acolhido o
pedido inicial.

Esta Colenda 2ª Câmara proferiu


acordão (fls. 277/281), negando provimento ao apelo do autor
e mantendo a sentença, tendo em vista, primeiramente, que a
Lei nº 9.074/95 trataria de transporte na órbita federal,
sendo possível por expressa dicção Constitucional que os
demais entes federativos disciplinassem essa questão, sendo
que no Estado de São Paulo haveria exigência clara de que o
serviço de transporte de pessoas, em caráter privativo,
fosse autorizado pelo órgão responsável. Além disso, tanto o
Código Brasileiro de Trânsito (CTB), em seu art. 135, quanto
o Decreto nº 29.912/89, no art. 3º, exigem prévia
autorização para o serviço de transporte de passageiros,
sendo que o autor estava em situação irregular quando parado
pelos agentes públicos, correta, portanto, apreensão do
veículo nos termos do art. 40 do mesmo diploma legal, além
da aplicação de multa respectiva, com a ressalva de que a
falta de pagamento da multa não impediria a liberação do
veículo, mas o interessado teria de pagar, primeiro, as
despesas com remoção e estadia.

Foram interpostos recurso


extraordinário (fls. 284/295) e especial (fls. 297/309) pelo
autor com apresentação de contrarrazões pela parte
contrária, não tendo sido admitido em juízo preliminar pelo
Presidente da Secção de Direito Público. A parte interpôs
agravo de instrumento contra ambas a decisões denegatórias,
não tendo sido provido no E. STJ. Com relação ao Recurso

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Extraordinário perante o C. STF, em razão do julgamento de


mérito do RExt nº 639.496, Rel. Min. Cezar Peluso, restando
consignado que seria incompatível com a Constituição lei
municipal que impusesse sanção mais gravosa que a prevista
no CTB, por extrapolar a competência legislativa do
município, os autos foram devolvidos à esta C. 2ª Câmara de
Direito Público, na forma dos arts. 258 do RITJSP, 543-B, §
3º do CPC e 328-A, § 1º do RISTF, para eventual adequação da
fundamentação ou manutenção da decisão.

O autor peticionou requerendo que


fosse observada a recente edição da Súmula nº 510 do STJ,
bem como a atual edição do Tema de Repercussão Geral nº 546
pelo STF.

É o relatório.

1. O v. acórdão de fls. 277/281 deve


ser parcialmente alterado

2. Quanto a sanção aplicada, o


acórdão deve ser mantido.

Note-se que o caso em tela envolve


fiscalização feita pela ARTESP, que acabou por apreender o
veículo e aplicar multa baseada em legislação estadual (não
municipal).

O caso concreto, portanto, trata de


previsão expressa em lei estadual paulista exigindo que o
serviço de transporte de pessoas, em caráter privativo,
fosse autorizado pelo órgão responsável.

Sendo a matéria diversa, não se

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cogita de retratação neste tópico.

3. Apenas no tocante à necessidade


de pagamento das despesas com remoção e estadia como
pressuposto para liberação do veículo.

Ficou consignado a fls. 280, no


terceiro parágrafo que “Claro está que a falta de pagamento
da multa não impediria a liberação do veículo, mas o
interessado teria de pagar, primeiro, as despesas com
remoção e estadia”.

Não obstante, a matéria já está


pacificada no E. Superior Tribunal de Justiça, com a edição
da Súmula nº 510 cujo teor segue: “A liberação de veículo
retido apenas por transporte irregular de passageiros não
está condicionada ao pagamento de multas e despesas”.

Assim, indispensável o afastamento do


condicionamento à liberação de veículo com base no pagamento
de multas e despesas, aí incluídas as de remoção e estadia.

No mais, deve ser mantido o quanto


decidido no v. acórdão, visto que o caso nos autos não
tratou de lei municipal impondo sanção mais gravosa que a
prevista no CTB, mas sim de previsão expressa em lei
estadual paulista exigindo que o serviço de transporte de
pessoas, em caráter privativo, fosse autorizado pelo órgão
responsável.

Isto posto, nos termos do art. 543-B


do CPC, o acórdão anteriormente prolatado deve ser
parcialmente alterado, apenas para afastar a necessidade de
pagamento de despesas com remoção e estadia do veículo para

Apelação nº 9059402-49.2006.8.26.0000 - São José do Rio Preto - VOTO Nº 12484 5/6


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fins de liberação. Deverão ser os autos devolvidos a Eg.


Presidência da Seção.

Cláudio Augusto Pedrassi

Relator

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