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19/09/2019 Análise do perfil acadêmico do profissional de handebol no Estado do Ceará

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Análise do perfil acadêmico do profissional


de handebol no Estado do Ceará
Análisis del perfil académico profesional del profesional de balonmano en el Estado de Ceará
Eduardo de Lima Melo*
*Docente da pós-graduação FVJ, CE
eduardomelo.ef@hotmail.com
**Discente da pós-graduação FVJ, CE
(Brasil) Gerardo Marcílio Pinto Lima**
lima.gerardomarcilio@yahoo.com

Resumo
O objetivo do presente estudo foi o de definir o perfil acadêmico dos técnicos de Handebol do Estado do Ceará. Com o propósito de estabelecer o
conhecimento acadêmico e empírico no que concerne ao processo de ensino e aprendizagem de Handebol, foram entrevistados trinta treinadores. A pesquisa foi
baseada no nível de educação formal, filiação a Conselhos de Educação Física, desenvolvimento acadêmico através de atividades extracurriculares, razões pelas
quais se tornaram técnicos de Handebol, tipo de instituição para a qual trabalham, planejamento de treinos, entre outras características relevantes. Os resultados
dessa pesquisa revelam que a maioria dos profissionais atuantes no estado não possui a qualificação mínima para serem efetivos técnicos de Handebol. A partir
deste contexto, é evidente que estes profissionais necessitam melhorar seu conhecimento científico sobre a Educação Física como um todo e assim, aperfeiçoar sua
performance enquanto professores de handebol.
Unitermos: Educação Física. Handebol. Perfil acadêmico.

Recepção: 12/05/2014 - Aceitação: 10/08/2014.

EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 19, Nº 198, Noviembre de 2014. http://www.efdeportes.com/

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1. Introdução

Tendo chagado ao Brasil no início da década de 30, o Handebol acaba de completar 80 anos e é uma modalidade
praticada em todos os estados da Federação por crianças, jovens e adultos de todas as idades e das mais diversas
formas. Muito praticado nas escolas brasileiras, o handebol é também exercitado em Clubes, Prefeituras e Ligas em
todo o território nacional e já se transformou numa das nossas forças olímpicas.

No Estado do Ceará, a modalidade já completou 35 anos de história oficial e, ao longo de sua trajetória, já rendeu
vários frutos nos níveis regionais e até nacional através do trabalho de professores nas escolas, nos clubes e em
seleções nos naipes feminino e masculino.

Seja como esporte de competição, como forma de reabilitação, como ferramenta de ensino ou simplesmente por
pura diversão, ele atrai inúmeros praticantes pela integração e socialização que proporciona, bem como pelas
múltiplas possibilidades motoras e desafios que instigam a todos que o praticam. O Handebol é um esporte que
adquiriu relevância social, principalmente durante as aulas de Educação Física, nas quais é amplamente utilizado como
conteúdo.

O Handebol é uma importante ferramenta pedagógica, pois consiste em um jogo de equipe que possui valores
psicológicos, sociológicos e educativos. Segundo Caldas (2003), é ainda um esporte que ensina a lutar tenazmente
com firmeza e audácia em busca da vitória, desenvolvendo a atuação em solidariedade, promovendo a camaradagem,
evitando tomar decisões rápidas, fomentando o sentido de responsabilidade.

Ainda sobre o Handebol, Simões (2002) afirma que “o Handebol é um desporto de associação com o adversário,
com todas as características inerentes a este grupo de desportos e, aliás, com uma série de condicionantes que o
diferencia de outros que marcam suas possibilidades de desenvolvimento.” Estando inserido num contexto onde o

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fazer pedagógico é um grande desafio, especialmente se essa prática remete a reflexões sobre a elaboração dos
conhecimentos, para se obter ensino através do Handebol, é necessário discutir e criticar as metodologias no
desenvolvimento dos conteúdos.

Dada a sua importância social, a modalidade necessita de profissionais com uma vasta gama de conhecimentos e
experiências que proporcionem o contexto adequado à aprendizagem dos conteúdos e procedimentos de forma
harmoniosa e gradual, respeitando todas as fases de desenvolvimento do ser humano. É o professor quem direciona
através de ações planejadas o desenvolvimento gradual de seus atletas.

De acordo com Krech (1979), “a liderança é a influência que o professor exerce sobre seus alunos durante as
atividades do grupo. Onde a liderança é um fenômeno interpessoal e onde o educador influencia seus educandos.”
Portanto, o profissional de Educação Física que atua através do Handebol tem em suas mãos um grande desafio: o de
proporcionar aos seus alunos um ambiente lúdico, no qual eles possam se desenvolver e se formar de maneira
integral, autônoma e harmônica, confiando em sua liderança.

A composição deste trabalho tem duas partes. Na primeira, o objetivo foi o de identificar e avaliar o as
discrepâncias entre os perfis acadêmicos dos profissionais que atuam na modalidade no Estado do Ceará. Na segunda,
realizamos uma reflexão sobre suas práticas e métodos e suas possíveis relações com o contexto do aprendizado
consciente da modalidade pelos alunos.

1.1. O perfil do profissional do handebol

Falar sobre o perfil do Profissional de Educação Física e mais precisamente sobre o professor de
Handebol é discorrer sobre formação docente e sobre a reflexão da prática educacional voltada para o
desenvolvimento integral da autonomia do ser humano, através das diversas formas de atividade física.
É necessário entender que formar é muito mais que treinar o aluno ou atleta no desempenho de
destrezas.

Ensinar é buscar caminhos que favoreçam o desenvolvimento integral dos alunos, através de ações
críticas e planejadas. É preciso entender que não basta transmitir conhecimentos, é necessário ensinar a
pensar correto. Os alunos têm de ser desafiados a participar ativamente do processo pedagógico.

Dentro deste contexto em que está inserida a figura do professor, não se pode conceber o processo
pedagógico sem o educador. Então qual o seu papel? Devemos investigar seu fazer, suas características
e procedimentos. Segundo Freire (1996), encontramos no perfil deste profissional seis características.

O educador deve possuir rigorosidade metódica, não podendo negar seu dever de, na prática
docente, reforçar a capacidade crítica do educando. Percebemos então que a importância do educador
está na certeza de que sua tarefa docente não está apenas no ato de transferir conhecimentos, mas
também no ensinar a refletir sobre suas ações.

Ensinar pressupõe pesquisa, pois não há ensino sem conhecimento e não há conhecimento sem
pesquisa. Há que se entender que o desenvolvimento perpassa por algo a mais que o senso comum.
Pensar certo é ao mesmo tempo respeito ao senso comum no sentido de superá-lo, como também
valorizar o estímulo à capacidade de criar novos conhecimentos.

O professor deve ter respeito pelos conhecimentos dos alunos. Assim, ao professor bem como a
escola cabe a obrigação não apenas de entender os saberes como resultado das práticas comunitárias
dos alunos, mas também a de discutir com eles o porquê desses saberes e suas relações com o ensino
dos conteúdos para que, desta forma, eles possam agir como sujeitos ativos do ato pedagógico.

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No perfil do educador, encontramos criticidade, característica que auxilia na superação dos


paradigmas e entraves que se apresentam no dia-a-dia do fazer pedagógico. Para Freire (1996), “é a
curiosidade que, embora associada ao senso comum, é também característica do encontro com o
conhecimento científico.” Assim, a criticidade é uma faceta imprescindível ao perfil do educador que
busca alcançar superação no ato de ensinar.

Educar exige ética. Transformar o ato de ensinar em puro treinamento técnico é apequenar o que há
de basicamente humano no educar: o seu caráter formador. Quando se respeita o ser humano, não se
podem transmitir conteúdos distantes e alheios ao desenvolvimento moral do indivíduo. O pensar
correto só pode existir dentro de parâmetros éticos.

Ensinar exige exemplo. Freire (1996) explica que “o professor que realmente ensina nega a fórmula
do faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Pois quem pensa corretamente sabe que as palavras
sem o exemplo pouco ou nada valem.” Desta forma, somente pelo exemplo, o professor pode exercer
eticamente o procedimento baseado na pesquisa metódica.

O professor ou técnico de Handebol deve ser um líder de seus alunos. Deve estabelecer metas e
objetivos a serem alcançados, construir um ambiente social e psicológico favorável, instruir e
desenvolver valores, motivar seus liderados para o alcance dos objetivos e metas através da
comunicação eficiente. Para Samulski (1969) “a liderança é a influência que o professor exerce sobre
seus alunos durante as atividades de grupo.” Do que se depreende a importância intrínseca do professor
para seus atletas.

Para exercer esta posição de liderança de forma eficiente, o professor deve dominar conceitos sobre
psicologia, fisiologia, anatomia entre outras disciplinas que o auxiliarão e embasarão suas ações. Para
tanto, é essencial que o profissional de Handebol possua conhecimentos teóricos que lhe dêem suporte.

2. Metodologia

2.1. Tipo de estudo

É um estudo do tipo levantamento caracterizou-se pela pesquisa direta de modo exploratório, cuja
opinião se queria conhecer, apresentando o conhecimento direto da realidade com economia e rapidez.

2.2. Local da pesquisa

A pesquisa foi realizada nas escolas e clubes esportivos do Estado, onde os profissionais de handebol
atuam. As visitas foram realizadas após a identificação do local de trabalho dos profissionais que se
encaixavam no perfil investigado.

2.3. Amostra

De posse deste questionário, foram entrevistados 30 profissionais que atuam na modalidade em


diversas instituições em todo o Estado. A amostra corresponde a 66% do universo de profissionais de
acordo com os dados da Liga Cearense de Handebol, órgão regulador da modalidade no Ceará.

2.4. Critérios de inclusão e exclusão

Foram incluídos na pesquisa os profissionais registrados na Liga Cearense de Handebol. Os


profissionais aceitaram participar do estudo como voluntários assinando o Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido e não possuíam qualquer problema que os incapacitassem de participar da pesquisa

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conforme os critérios de exclusão. Foram excluídos da pesquisa os que não estavam registrados na Liga
Cearense de Handebol.

2.5. Coleta de dados

Para este presente estudo, foram avaliados os perfis dos professores que trabalham na modalidade
handebol no Estado do Ceará. Após o estabelecimento do foco do presente estudo, procedeu-se a
confecção de um questionário contendo 15 perguntas. Foram considerados entre outros os seguintes
tópicos: a média no grau de instrução dos profissionais, posse do registro no Conselho Regional de
Educação Física, tempo de atuação na profissão, busca pelo desenvolvimento acadêmico através de
atividades extracurriculares complementares, motivo de ingresso na profissão, tipo de instituição em que
é realizado o Handebol, o tipo de planejamento realizado.

2.6. Análise dos dados

As variáveis relacionadas às respostas do questionário foram analisadas depois da aplicação do


questionário. Os dados das questões foram analisados através de estatísticas descritivas com avaliação
percentual. A apresentação foi realizada por meio de gráficos e quadros produzidos no programa Excel
2003 da Microsoft for Windows®.

2.7. Procedimentos éticos

Foram observados os preceitos de ética estabelecidos pela resolução de n° 196/96 do Conselho


Nacional de Saúde sobre pesquisa envolvendo seres humanos, incorporando sobre a ótica do indivíduo e
das coletividades, os quatros referenciais básicos da bioética: autonomia, não-maleficência,
benevolência e justiça.

Como forma de obter uma postura ética durante o estudo, foi elaborada dois Termos de
Consentimentos Livrem e Esclarecido, um para o responsável pela criança e outro para o menor. Foi
assegurado aos entrevistados o recebimento de informações sobre o estudo, riscos, e a possibilidade de
se retirarem do mesmo, caso o desejassem.

Para construção deste trabalho serão apresentados os principais resultados que sintetizam o perfil
acadêmico do Handebol no Estado do Ceará.

3. Resultados e discussão

Gráfico 01. Número de profissionais que possuem graduação em Educação Física

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Fonte: pesquisa in loco

O gráfico 01 nos mostra que apenas 11 dos 30 profissionais entrevistados são graduados em Educação Física. Dos
19 restantes, ainda podemos notar que 5 deles não ingressaram na faculdade, fato que, nos mostra um grupo de
16% dos profissionais do Estado atuando sem conhecimento acadêmico.

Tais números mostram que a maioria dos profissionais atua sem um conhecimento teórico encorpado, contrastando
com a premissa de que os professores necessitam de conhecimento acadêmico para embasar sua prática docente, o
que evidencia que o aspecto da rigorosidade metódica ainda não é a prática mais utilizada na realidade do Handebol
cearense.

Atualmente, falta aos educadores uma teoria sobre a formação do indivíduo. Para Duckur (2004), essa carência
representa uma lacuna que, não raro, se traduz num divórcio entre teoria e prática. Sabe-se que não há um conjunto
de pensamentos que possa guiar a prática pedagógica, mais precisamente uma teoria que aborde o processo de
formação do indivíduo global.

Não há hoje na Educação Física, muito menos no Handebol, práticas pedagógicas consistentes que contemplem a
formação moral, social e intelectual de seus praticantes. No tocante a este fato, é fundamental a discussão, a pesquisa
e a construção de novas abordagens que endossem novas abordagens pedagógicas. Se pensarmos que uma equipe
pode situar problemas no âmbito dos fenômenos organizacionais, funcionais, sociais e psicológicos e que a eficácia e
funcionalidade devem ter caráter prioritário na formação dos alunos, Simões (2002), a busca pelo conhecimento
científico através de cursos, simpósios, encontros e conferências são caminhos que os docentes devem percorrer para
buscar e construir esse conhecimento.

Gráfico 02. Cursos de desenvolvimento na área de Handebol

Fonte: pesquisa in loco

No gráfico 2, observamos o número de profissionais que se preocupam com a aquisição e construção desses
conteúdos na busca de um exercício docente mais amplo.

De acordo com os dados acima expostos, percebemos que 56% dos profissionais têm em seus currículos apenas 1
ou 2 cursos e que apenas 13% possuem mais que 7 cursos. Por fim, apenas 10% têm mais que 11 cursos.
Observamos ainda que, 2 professores não possuem cursos. Conclui-se, então, que a maioria dos profissionais não
buscou ou não teve oportunidades de desenvolver seu conhecimento através de atividades extra-acadêmicas, fato que
pode sinalizar uma manutenção e reprodução de abordagens de ensino antigas e muitas vezes obsoletas que de

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pouco ou nada servirão para um verdadeiro desenvolvimento dos alunos da modalidade quando levamos em conta o
contexto atual.

Segundo Taffarel (1985), se o Brasil quiser se libertar da cópia pura e simplesmente do exemplo unilateral que vem
da Europa e dos Esatdos Unidos, e desenvolver, depois dos tempos de dependência, uma Educação Física Brasileira
(não mais somente uma Educação Física no Brasil!), deverá considerar o contexto nacional, suas particularidades
culturais, regionais e climáticas, sua política social e situação sócio-econômica como fatores decisivos para sua
reforma.

Diante deste fato, os Conselhos Regionais e o Conselho Nacional de Educação Física, que são os órgãos
constituídos para gerir a atividade, têm papel decisivo na organização e metodização dos procedimentos que deverão
nortear os caminhos de uma Educação Física brasileira. Assim, é pertinente verificar o número de profissionais que
estão credenciados junto aos seus conselhos independente de bandeiras políticas.

O Gráfico 02 nos dá um panorama a respeito do engajamento dos profissionais junto ao sistema de conselhos
regionais e nacional de Educação Física.

Gráfico 03. Profisionais registrados no sistema CONFEF / CREF’s

Fonte: pesquisa in loco

Os dados do Gráfico 3 nos mostram que 43% dos profissionais que atuam no Handebol do estado não estão
registrados no sistema CONFEF / CREF’s. Tendo em vista que estes órgãos norteiam as atividades físicas em todo o
país, bem como diversas competições oficiais em nosso estado, este dado demonstra que os profissionais do handebol
no estado atuam à margem do conhecimento sistematizado e também não têm experiências oficiais, já que uma vez
não registrados não podem participar dos eventos geridos pelos CREF’s.

Outro aspecto interessante a ser analisado é o de que naipes de atletas são trabalhados com mais freqüência pelos
professores. É interessante pensar sobre o assunto uma vez que, ao se trabalhar nos dois naipes e normalmente em
mais de uma instituição, o tempo demandado para o planejamento e implementação das atividades das equipes assim
como nas avaliações se torna reduzido. Esta problemática resultará em menor disponibilidade para estudos e
pesquisas, trazendo como conseqüência trabalhos menos eficientes.

Gráfico 04. Quais os naipes mais trabalhados no handebol

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Fonte: pesquisa in loco

O tratamento dos dados do gráfico acima nos mostra que 77% dos profissionais entrevistados atuam nos dois
naipes, 20% atuam trabalhando apenas no masculino e 3% atuam com atletas femininas. É interessante notar que,
atualmente, os resultados de nossas equipes femininas em todas as categorias a nível regional e nacional estão
aquém dos resultados das equipes masculinas.

Outro viés notável é que apenas 2 dos 23 profissionais que trabalham nos dois naipes têm resultados positivos no
contexto cearense atual enquanto que 4 dos 7 profissionais que atuam em um só naipe são campeões em suas
respectivas categorias.

Segundo Freire (1996) é necessário direcionar as intervenções para que os resultados sejam mais positivos. Desta
forma, os resultados do Gráfico 3 lançam a perspectiva de que aqueles que focam em apenas um naipe podem obter
melhores resultados, fato a ser verificado em um estudo posterior. Percebemos ainda que existe um grande mercado
a ser explorado no naipe feminino e que tal naipe necessita de especialistas.

Sabe-se que, ao jogar, o aluno reproduz o mundo que o cerca, simulando situações e comportamentos,
apropriando-se da realidade e simbolizando-a através do jogo, Duckur (2004). Sendo uma atividade tão importante na
formação dos alunos, o tratamento dispensado ao jogo só pode ser o de uma profunda seriedade e planejamento para
que os resultados sejam os mais apropriados. O gráfico 05 nos mostra a realidade dos profissionais que utilizam o
planejamento sistemático no trabalho com o handebol.

Gráfico 05. Número de profissionais que utilizam o planejamento nas aulas

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Fonte: pesquisa in loco

De acordo com o gráfico acima a maioria dos professores planeja regularmente suas aulas (67%). Porém,
percebemos que uma boa parte dos docentes (33%) ainda não organiza seu trabalho através de planos.

4. Considerações finais

Levando-se em consideração os objetivos deste estudo e conforme os resultados obtidos, inicialmente se conclui
que, de acordo com dados da LCHb, órgão gestor da modalidade no Estado, os profissionais que obtêm de forma mais
constante resultados positivos são aqueles que buscam com maior denodo formação acadêmica, conhecimentos extra
curriculares nos cursos e encontros e que, organizam seus trabalhos através de planejamento metódico.

Considerando-se a peculiaridade deste estudo, pode-se inferir que a maioria dos docentes que atuam na área não
possui graduação em Educação Física, trabalhando de forma empírica e sem embasamento teórico, o que constitui um
empecilho ao desenvolvimento da modalidade no estado.

Levando-se em conta estas premissas, acredita-se que para melhorar o nível do ensino do handebol no estado há
que se haver uma grande mudança no perfil acadêmico dos multiplicadores. Buscando-se de forma mais consistente a
construção de conhecimentos que embasem o trabalho prático que atualmente vigora no Ceará.

Atualmente, com o grande desenvolvimento de pesquisas e produção de conhecimentos a cerca da educação física,
pode-se afirmar que o crescimento tanto do handebol quanto de qualquer modalidade perpassa pela apropriação dos
profissionais atuantes junto a essas novas informações científicas da prática esportiva. No século do conhecimento e
da ciência surgindo, não se admite mais uma educação física empírica e sem conteúdo científico e didático.

De certo, temos muito que ressaltar as contribuições das quais os profissionais do handebol fizeram pela
modalidade, porém o intuito da pesquisa realizada é mostrar para os novos profissionais a importância da preparação
para a construção de gerações futuras da modalidade.

Referências

CALDAS, Iberê. Handebol como conteúdo para as aulas de Educação Física. Pernambuco, Editora Universidade
de Pernambuco, 2003.

DUCKUR, Lusirene Costa Bezerra. Em busca da formação de individuos autônomos nas aulas de Educação
física. São paulo, Editora Autores Associados, 2004.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à prática Educativa. São Paulo, Paz e Terra,
1996.

SAMULSKI, Dietmar Martin. Psicologia do esporte, teoria e aplicação prática. Minas Gerais, Imprensa
universitária/UFMG, 1992.

SIMÕES, Antônio Carlos. Handebol Defensivo, Conceitos Técnicos e Táticos. São Paulo, Phorte Editora, 2002.
TAFFAREL, Celi Nelza Zulke. Criatividade nas aulas de Educação Física. Rio de Janeiro, Ao livro técnico S.A.,
1985.

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