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A GUERRA FRIA RETRATADA PELOS SUPER HERÓIS AMERICANOS

CAMOCIM/CE
2019
Francisco Evair Silva das Chagas.
Márcia Valéria Fontele Rocha.
Viviane de Oliveira de Carvalho.

A GUERRA FRIA RETRATADA PELOS SUPER HERÓIS AMERICANOS

Trabalho apresentado à Disciplina de Cultura


Inglesa do Curso de Letras – Português e Inglês-
IFCE, Campus Camocim, 6º semestre, como
requisito parcial para obtenção de nota da etapa 2
(N2).
Professor Márcio Fonseca.

CAMOCIM/CE
2019
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO..................................................................................................................05
2. DESENVOLVIMENTO.....................................................................................................06
2.1. OS SUPER HERÓIS E A HISTÓRIA AMERICANA.......................................06
2.2. A GUERRA FRIA RETRATADA PELOS SUPER HERÓIS AMERICANOS........09
3. CONCLUSÃO....................................................................................................................
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...............................................................................
A GUERRA FRIA RETRATADA PELOS SUPER HERÓIS AMERICANOS

Francisco Evair Silva das Chagas1


Márcia Valéria Fontele Rocha2
Viviane de Oliveira de Carvalho3

RESUMO

PALAVRAS CHAVE:

1
Graduando do Curso de Licenciatura em Letras – Português e Inglês, no Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE)
2
Graduanda do Curso de Licenciatura em Letras – Português e Inglês, no Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE)
3
Graduanda do Curso de Licenciatura em Letras – Português e Inglês, no Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE)
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1. INTRODUÇÃO

A Guerra Fria foi um confronto de duas superpotências, no caso, entre a União


Soviética (URSS) e os Estados Unidos (EUA), esse conflito indireto ocorreu entre os anos
de 1945 a 1991, e é um período marcado por intensas disputas ideológicas e políticas dos
capitalistas contra os socialistas. Nesse contexto, o presente ensaio busca o objetivo de
refletir como os Estados Unidos utilizaram os super-heróis durante a Guerra Fria como
uma ferramenta de manipulação ideológica.
É valido salientar que durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos e a
União Soviética foram aliados na luta contra a Alemanha (Nazista). Logo após o inimigo
ser derrotado, os antigos aliados se transformaram em adversários. Depois do ocorrido
Hobsbawm (1995, p. 178) diz que:
A URSS controlava uma parte do globo, ou sobre ela exercia predominante
influência- a Zona Ocupada pelo Exército vermelho e/ou outras Forças Armadas
comunistas no término da guerra- e não tentava ampliá-la com o uso de força
militar. Os EUA exerciam controle e predominância sobre o resto do mundo
capitalista, além do hemisfério norte e oceanos, assumindo o que restava da
velha hegemonia imperial das antigas potências coloniais. Em troca, não
intervinha na zona aceita de hegemonia soviética.

No entanto essa divisão não impediu e acontecer uma guerra indireta feita por
ameaças, pois a corrida armamentista pela construção de um grande arsenal de armas
nucleares foi um dos maiores objetivos traçados durante a primeira metade da Guerra Fria,
as rivalidades entre as duas nações fizeram competir até mesmo em uma corrida
Aeroespacial, tudo afim de ostentar em para a outra seu status de supremacia. Também em
cada em cada um dos lados dessa batalha capitalista versus socialista houve estratégias
semelhantes de guerra, tal como, no capitalismo o setor econômico a criação do plano
Marshall, em setor militar a Organização Tratado do Atlântico Norte- OTAN, no setor de
Vigilância a Central Intelligence Agency- CIA, já os socialistas criarão no setor econômico
COMENCON, no setor militar Pacto de Varsóvia, no setor de vigilância a KGB.
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2. DESENVOLVIMENTO
2.1 OS SUPER HERÓIS E A HISTÓRIA AMERICANA.
A arte imita e reproduz os grandes acontecimentos históricos. Em detrimento disso,
podemos constatar que os acontecimentos marcantes da história influenciam nos mais
variados campos da sociedade, sejam eles, econômicos, políticos, sociais, literatura,
cinema e arte como um todo. Dito isso, começaremos a traçar um breve apanhado geral de
como a indústria dos Super-heróis, seja ela impressa (quadrinhos) ou animada foi se
reinventando e se moldando a alguns acontecimentos marcantes da história da maior
potência mundial, os Estados Unidos da América.
Começaremos por aquele que foi um dos maiores e mais traumáticos problemas
econômicos que os EUA enfrentaram. Como todos sabemos, os Estados Unidos ocupam o
posto de maior economia do mundo a muito tempo. Porém, no dia 28 de outubro do ano de
1929 estourou nos EUA uma grande crise, a famosa grande depressão, ou como eles
chamam, The Crack. Devido a grandes extravagancias na área econômica nos anos
anteriores, os Estados Unidos entravam agora em um grande problema econômico, em
outras palavras a economia do país despencou, quebrou. Esse evento desastroso fez com
que milhares de pessoas perdessem o seu patrimônio, e ocasionou também uma grande
baixa no índice de desemprego, levou os empréstimos internacionais a cessaram e a
produção como um todo caiu drasticamente.
A crise perdura por mais de uma década, mas com muita luta por parte dos
governantes, o país vai se recuperando economicamente. O então presidente Roosevelt
implementa um novo programa chamado New Deal, que buscava reestabelecer o país
economicamente, tal programa teve sua parcela de contribuição na recuperação do país,
porém, a recuperação só viria anos mais tarde, no início da 2º Guerra Mundial.
É nesse cenário que os quadrinistas Joe Shuster e Jerry Siegel criam o mais icônico
dos super-heróis, o Superman, um símbolo de esperança, aquele que representaria a
motivação americana. Como vimos, o país estava se recuperando financeiramente,
entretanto, o espirito americano estava em baixa, não se tinha mais orgulho de ser
americano. Dessa forma o homem de aço surge como um símbolo, algo em que os
americanos iriam olhar e relembrar o espirito vencedor e poderoso característicos deles.
O último dos Kryptonianos (Superman), é a mais pura e perfeita personificação do
espirito americano. O herói carrega em seu uniforme as cores da bandeira americana. O
símbolo estampado em seu peito possui uma mensagem forte e de grande significação, pois
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o “S” estampado significa esperança na língua de Krypton (planeta natal do herói), e tem
como fundo a cor amarela, representando o ouro, a riqueza estadunidense, em outras
palavras, a mensagem que o herói passa para o povo americano era justamente o que eles
precisavam, a esperança de que a economia do país iria voltar com toda a força, voltar ao
glamour de outrora.
Outro aspecto relacionado ao herói é a sua invulnerabilidade, nada poderia
machuca-lo, ele é praticamente invencível. Isso só reforça a ideia de poderio americano,
claramente eles estavam dizendo: “estamos aqui, mais fortes do que nunca.” Dessa
maneira, em dos momentos mais críticos dos EUA, surgiu um símbolo de esperança,
embora que fictício, porém, onde mais pode-se encontrar um refúgio de uma realidade tão
cruel como aquela? Se você respondeu na ficção, sua resposta está certíssima.
A crise estava se findando, no entanto, a criminalidade estava em alta. Então um
ano após o surgimento do Superman, surge o maior justiceiro que o mundo dos quadrinhos
americanos conhece, The Batman, o herói que dedica a vida a combater o crime de rua. O
herói em questão, é um contraste ao homem de aço, enquanto que o Kryptoniano carrega
em seu uniforme as cores da bandeira americana, o homem morcego não. Ele em nada
representa o orgulho do povo americano. Claro, isso tem uma razão de ser, pois sabemos
que os super-heróis surgem em resposta a algo que está acontecendo na sociedade, e não
seria diferente com o Batman.
Em 1920, ou seja, anos antes da crise de 29, entrava em vigor nos estados unidos o
Ato Volstead ou Ato de Proibição Nacional. Esse ato proibia qualquer bebida com mais de
0,5% de teor alcoólico de ser comercializado, em outras palavras, a venda, a distribuição e
o consumo passariam a ser ilegais e terminantemente proibidos. Entretanto, a lei não
conseguiu frear o desejo do povo pelo álcool, o que acabou ocasionando o surgimento de
vários bares clandestinos.
Devido a esse fato, os gangsters começam a ganhar espaço em meio a ilegalidade.
O que aumentou o contrabando e o índice de criminalidade no país. É dentro desse
crescimento da criminalidade que surge o homem morcego. Bruce Wayne era é um jovem,
filho de bilionários, que teve seus pais mortos por um assaltante na saída do cinema, fato
esse que já mostra o sentimento de insegurança que pairava nos EUA. Bruce partindo
desse fato traumático passa a combater a criminalidade de Gotham City, que é claramente
uma referência a Nova York e todas as suas mazelas.
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Passemos agora a analisar outro acontecimento histórico marcante para os Estados


Unidos, a 2º Guerra Mundial. Em 1941 o Japão efetua o ataque a base americana de Pearl
Harbour. É após esse ataque que os EUA entram oficialmente na guerra. Contudo, nos
quadrinhos, os super-heróis já estavam engajados no conflito. Eles estampavam
indiretamente em suas histórias mensagens antinazistas, e é claro que mais patriota dos
heróis americanos, o Capitão América não ficaria para trás. O herói estampava na capa de
sua primeira edição dos quadrinhos, uma imagem dele socando o rosto do líder nazista,
Hitler.
Criado pela dupla de desenhistas Jack Kirby e Joe Simon, o herói é um dos mais
importantes símbolos americanos. Ele representa todo o sentimento de orgulho americano,
seu patriotismo, honra, lealdade, altruísmo etc. Em suma, o herói foi criado com a intenção
de mostrar ao mundo a força e honra do exército americano.
Para exemplificar melhor o que relatamos anteriormente, eis aqui um breve resumo
da origem do herói. Steve Rogers era um jovem franzino, que possuía um grande desejo de
servir o exército americano e assim ajudar na luta contra os nazistas. Devido ao seu físico o
jovem não consegue, porém, aceita participar de um experimento para se tornar um super
soldado, uma arma viva a serviço do exército americano. O experimento foi um sucesso, e
o franzino Steve torna-se o “Capitão América”, um símbolo americano, passando a ideia
de que os Estados Unidos é um país de super soldados, não podendo ser derrotado pelos
seus inimigos.
A simbologia por trás do Capitão vai muito além do que já foi falado, o herói não
usa armas, somente um escudo, ou seja, ele só ataca para se defender, o que vai de
encontro com o estopim que fez o país entrar na guerra. Seguindo a mesma linha de
raciocínio, o maior vilão do herói é o Caveira Vermelha, um super vilão que fazia parte das
tropas nazistas de Hitler e, que acaba criando uma organização chamada Hidra, cujo
objetivo é tomar o controle do mundo, alegando a supremacia de sua raça. Ou seja, o maior
herói americano, tinha como maior vilão um homem cujo os objetivos eram similares ao
líder nazista.
Vale ressaltar que a população americana não era a favor do envolvimento do país
na guerra, sendo assim, os quadrinhos do Capitão foram utilizados como forte meio de
propaganda, seja para o alistamento no exército, ou mesmo para o envolvimento na guerra.
Outra curiosidade a respeito dos quadrinhos do Capitão é que eles foram usados nas
trincheiras, com o intuito de motivar os soldados.
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Nos dias de hoje as histórias do Capitão continuam com o mesmo engajamento,


suas tramas continuam a girar em torno do contexto social da época, dos conflitos
ideológicos. Uma das últimas sagas do herói, mostra ele como sendo um soldado da Hidra,
a organização que ele combatia com todas as forças. Muitos dos fãs ficaram desapontados,
e criticaram a atitude dos roteiristas. Eles alegavam que isso era uma traição aos princípios
que o Capitão defendia.
E realmente foi uma traição, entretanto, isso se deu devido ao reflexo da sociedade
americana atual. As últimas eleições americanas ficaram marcadas pela eleição do
empresário Donald Trump, um homem cujo os ideais são totalmente contrários aos que os
americanos pregavam. Dessa forma, ao colocar o Capitão como um traidor da pátria, os
roteiristas estavam criticando a atitude dos americanos em eleger Trump, eles estavam
dizendo: “Vocês traíram os seus ideais, os ideais da sua pátria.”
Portanto, conclui-se com esse breve aparato histórico, que os super-heróis são
sempre reflexos da sociedade, eles servem como um apoio mental para que a sociedade
lide com os elementos da vida real através da fantasia, eles servem como um ponto de
equilíbrio, um refúgio para os homens. Acima de tudo, são uma forma de expressar ideias,
de externar críticas a sociedade da época, a maneira como as coisas são levadas, são
carregados de ideologias.

2.2 A GUERRA FRIA RETRATADA PELOS SUPER HERÓIS AMERICANOS


Como vimos na introdução deste ensaio, a Guerra Fria foi um período conturbado
da história que se sucedeu logo após a Segunda Guerra Mundial, onde os Estados Unidos
capitalista e a União Soviética socialista travaram uma guerra pela hegemonia política e
econômica. Ambos queriam provar-se superior ao outro, o que levou os países a
disputarem em diversas áreas, que vão desde a corrida espacial a questões relacionadas a
armas nucleares. Em suma, pode-se categorizar esse conflito como sendo uma guerra de
ameaças, no qual, não tinha a possibilidade de haver uma guerra, porém, não se tinha a
mínima possibilidade de se ter paz.
Esse conflito entre EUA e URSS, atingiu todas as esferas da sociedade americana e
mundial. Era uma época onde o medo imperava, visto que, o terror nuclear estava em alta,
isso por causa do lançamento das bombas nucleares por parte dos americanos nas
províncias de Hiroshima e Nagasaki, no Japão. Dessa forma, as atenções mundiais estavam
voltadas para essas duas superpotências.
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É durante esse período que surge uma nova onda de super-heróis, tais como:
Homem Aranha, Quarteto Fantástico, X-Men e o Incrível Hulk. Nesse tópico abordaremos
a relação existente entre o surgimento desses heróis e a Guerra Fria. Pois como sabemos, a
história dos super-heróis está intrinsicamente ligada aos grandes acontecimentos históricos
americanos. E não seria diferente com a famosa Guerra de Ameaças (Guerra Fria).
Uma das fases mais marcantes desse conflito foi a corrida espacial, isso mesmo, o
conflito entre os países extrapolou os limites do planeta terra, as duas superpotências
travaram uma queda de braço para ver quem chegaria ao espaço primeiro. Os Soviéticos
largaram na frente nessa corrida, e em 1959 lançaram a primeira sonda espacial a atingir a
lua, Luna. Já no ano de 1961, o Soviético Yuri Gagarin se tornou o primeiro homem a
orbitar a terra.
Poucos meses após esse acontecido, meses depois do cosmonauta soviético orbitar
a terra, é lançado nos Estados Unidos o primeiro Gibi do Quarteto Fantástico. O Quarteto
Fantástico exemplifica de forma clara o que era a paranoia da corrida espacial, uma vez
que reúne em sua história uma equipe de astronautas que embarcam em uma missão
espacial. Outro fato curioso e interessante se analisar, é a questão de que pouco antes dos
heróis partirem para a missão, a narração do próprio quadrinho relata que o país se
encontra-se em uma corrida espacial com uma nação estrangeira, porém, sem citar nomes.
Logo após, a equipe parte para o espaço, entretanto, a nave em que eles embarcam não
tinha sido testada antes e acaba sendo atingida por raios cósmicos, o que acaba
transformando drasticamente seus tripulantes.
A origem da super equipe transmite a ideia de que o programa espacial soviético
tinha sido apressado e sem planejamento nenhum. Entretanto, as relações que existem
entre os heróis e a Guerra Fria vão muito além da corrida espacial. O principal inimigo do
quarteto

3. CONCLUSÃO

Conclui-se que a Guerra da Secessão promoveu uma cicatriz tão profunda que
mesmo após todo esse tempo ainda podemos encontrar lembranças dolorosas para todos os
americanos. As questões sociais ligadas à raça geraram mazelas ainda atemporais. Como
citado no início desse ensaio, as causas da guerra foram diversas, e teve como estopim a
questão da escravatura. É preciso que entendamos de modo definitivo que seja qual for a
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dimensão do conflito, os geradores dos mesmos serão de cunho político e ideológico


frisamos tal afirmativa para deixar claro que não se tratava de uma luta de abolicionistas
amantes da liberdade contra defensores do trabalho escravo.
As pesquisas realizadas até hoje proporcionam diversos posicionamentos acerca da
construção da pátria americana e de como isso reflete nos dias atuais. Infelizmente a
exclusão das leis que distinguiam brancos de negros não excluiu a visível separação
existente entre eles. O que vemos é que a sociedade americana possui uma palpável divisão
econômica. Lincoln, unionists, confederates e Johnson passaram, mas nada impede que a
história se repita, pois modifica-se os personagens, porém, uma nova espécie de
segregação está a acontecer. Dessa vez vemos os latinos, que estão sendo separados
brutalmente de suas famílias, o que levou defensorias latinas a pedirem o fim dessa
separação junto a CIDH (Comissão Internacional de Direitos Humanos).

4. REFRÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AFP. Defensorias latinas pedem à CIDH fim de separação de famílias nos EUA.
EXAME. Publicado em: 19 de junho de 2018. Disponível em:
<https://exame.abril.com.br/mundo/defensorias-latinas-pedem-a-cidh-fim-de-separacao-
de-familias-nos-eua/>. Acesso em: 14/06/2019.

AMEUR, Farid. Guerra da Secessão/ Farid Ameur; tradução: Denise Bottmann. - Porto
Alegre, RS:L&PM, 2013.
KARNAL, Leandro [et al.]. História dos Estados Unidos: das origens ao século XXI.
São Paulo: Contexto, 2007.