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Índice

CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO ............................................................................................. 2


1.1. Contextualização ............................................................................................................ 3
1.2. Justificativa .................................................................................................................... 3
1.3. Problematização ............................................................................................................. 4
1.4. Objectivos ...................................................................................................................... 5
1.4.1. Objectivo Geral ........................................................................................................... 6
1.4.2. Objectivos Específicos ................................................................................................ 6
1.5. Hipóteses........................................................................................................................ 6
1.6. Delimitação da Pesquisa ................................................................................................. 6
1.7. Relevância da Pesquisa ................................................................................................... 6
1.7.1. Relevância Social ........................................................................................................ 7
1.7.2. Relevância Científica ................................................................................................... 7
1.8. Enquadramento da Pesquisa ........................................................................................... 7
CAPÍTULO II: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................ 7
2.1. Conceitos ....................................................................................................................... 8
2.1.1. Juros ............................................................................................................................ 8
2.1.2. Taxas de Juros ............................................................................................................. 8
2.1.3. Inflação ....................................................................................................................... 8
2.2. Funções da Taxa de juros ............................................................................................... 9
2.3. Tipos de Taxas de Juros.................................................................................................. 9
2.4. Riscos da Taxa de Juros................................................................................................ 10
2.5. Investimento ................................................................................................................. 11
2.5.1. Investimento Directo ................................................................................................. 11
2.5.2. Investimento Directo em Moçambique ...................................................................... 11
2.6. Economia Moçambicana .............................................................................................. 12
2.7. Megaprojectos em Moçambique ................................................................................... 12
CAPÍTULO III: METODOLOGIA DA PESQUISA ........................................................... 14
3.1. Metodologia ................................................................................................................. 14
3.2. Tipos de Pesquisa ......................................................................................................... 14
3.2.1. Pesquisa Exploratória ................................................................................................ 14
3.3. Métodos de Pesquisa .................................................................................................... 14
3.3.1. Método de Abordagem .............................................................................................. 14
3.3.2. Método de Procedimento ........................................................................................... 15
3.3.2.1. Método Bibliográfico.............................................................................................. 15
3.3.2.2. Observação Directa................................................................................................. 15
3.3.3. Técnicas de Pesquisa ................................................................................................. 15
3.3.1. Entrevista .................................................................................................................. 15
3.3.2. Inquérito .................................................................................................................... 16
3.3.3. Análise de Regressão ................................................................................................. 16
3.3.4. Teste de Significância ................................................................................................ 16
3.4. Universo (população) e Amostra da Pesquisa ............................................................... 16
Anexo I: Cronograma de Execução Física ........................................................................... 17
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................. 18

CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO

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1.1. Contextualização
O presente Projecto de pesquisa tem como tema “Análise de Relação entre a Taxa de Juros
e o Investimento Directo Estrangeiro em Moçambique no período de 2013 – 2015, Estudo de
caso: Banco de Moçambique – Cidade da Beira”

A disciplina de Matemática Financeira é um ramo que estuda as alterações do valor do


dinheiro com o passar do tempo, assim como apresenta diversos mecanismos que permitem
avaliar como essas alterações ocorrem com o passar do tempo. Possui linguagem própria, que
possibilita a leitura e interpretação pelo olhar das finanças. Deste modo, alguns conceitos são
fundamentais para esta leitura na óptica das finanças. Entender Matemática Financeira é entender
como funciona o mundo do dinheiro, as transacções de compra e venda, empréstimos,
prestações, juros, dívidas e todas as operações que envolvem dinheiro. As taxas de juros
constituem uma das variáveis macroeconómicas mais fundamentais para o bom funcionamento
da economia. Calibrar bem a taxa de juros é tarefa primordial, pois, os juros têm o papel
fundamental na determinação do nível de actividade, do emprego, da taxa de câmbio e de outras
variáveis económicas. Por outro lado, o mercado de acção que desempenha um papel de extrema
importância na avaliação da situação económica de qualquer país.

Os dados do Banco de Moçambique (2015) mostram que o fluxo de Investimento Directo


Estrangeiro para o país evoluiu de US$ 347,3 milhões para US$ 4,9 bilhões entre 2002 e 2014. O
Governo Moçambicano tem vislumbrado o IDE com papel estratégico para manter as taxas de
crescimento económico, aumentar o nível de empregos, proporcionar o desenvolvimento e
actualizar a economia moçambicana em termos de transferência de tecnologias. No entanto sabe-
se que essas “boas” consequências dos fluxos de IDE não acontecem automaticamente, é
necessário que se criem políticas que façam que os retornos do IDE gerem riqueza para o país
receptor. Esta investigação tem como objectivo estudar a relação existente entre as variações das
taxas de juro e o Investimento Directo em Moçambique.

1.2. Justificativa

3
O tema de estudo “Análise da Relação entre a Taxa de Juros e o Investimento Directo
Estrangeiro em Moçambique” surge pelo facto de se ter constado que em Moçambique nos
últimos anos tem vindo a sofrer oscilações da moeda devido à variação das taxas de juros no que
diz respeito aos investimentos e as taxas de juro são uma das mais importantes variáveis
macroeconómicas, assumindo um papel fundamental na determinação do preço dos activos e no
crescimento económico de um país.

Também verificou-se que as alterações ocorridas nas taxas de juro influenciam o valor das
acções de uma empresa. Quando se verifica uma subida das taxas de juro, o risco e a taxa de
rendibilidade exigida de um determinado investimento sobem e os lucros da empresa tendem a
diminuir, o que pode levar a que o valor das suas acções desça.
O mercado de acções e as taxas de juro são dois factores de enorme importância no
crescimento económico de um país. O impacto das taxas de juro tem implicações ao nível da
prática de gestão de risco, na avaliação de títulos financeiros, nas taxas de câmbio e na política
governamental para os mercados financeiros.

Fama (1981), constatou que os preços das acções são condicionados por diversas variáveis,
como a inflação, as taxas de câmbio, as taxas de juro e a actividade industrial.
A taxa de juro é o preço que é pago pelo uso do dinheiro durante um determinado período
de tempo e uma subida das taxas de juro leva os investidores a colocarem o seu capital em
depósitos bancários em vez de investirem no mercado de acções. Consequentemente, levará a
uma menor rendibilidade das empresas e o preço das acções descem. Assim, os investidores têm
em consideração a política monetária de forma a melhor poderem decidir os seus investimentos.

1.3. Problematização

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Moçambique é um país que devido ao seu clima político – militar, passou nos últimos anos
na instabilidade desde a luta armada pela independência, a guerra civil até o Acordo Geral de Paz
(AGP) - a deterioração da economia, a destruição das estruturas socioeconómicas e da
administração pública, devido à guerra e à falta de capacidade económica, administrativa e
técnica, tiveram efeitos devastadores para a situação política e económica de Moçambique e vem
beneficiando da assistência do Banco Mundial desde 1985, grande parte da qual através da
International Development Association, que é o braço concessional deste banco, para projectos
de investimento, cujos aspectos restritivos á sua melhor implementação bem como a sua
contribuição efectiva e esperada para o crescimento e desenvolvimento do país são apresentados
e discutidos.

A história e a evolução do Banco de Moçambique está indelevelmente ligada à evolução


do país e das suas políticas económicas e sociais, particularmente na 1ª década após a
Independência. Uma das grandes tarefas do BM foi a substituição, em 16 de Junho de 1980, da
moeda colonial (o escudo) pelo metical, uma operação que foi levada a cabo com grande sucesso
e em curto espaço de tempo. O Banco de Moçambique tem a sua sede em Maputo, capital de
Moçambique, e delegações nas capitais provinciais.

No período de 2013 à 2015 o Investimento Directo registou um fraco crescimento em


Moçambique, ou seja, o fluxo de Investimento Directo tendeu a reduzir. Enquanto isso, ao longo
do mesmo período, as taxas de juros se mantiveram relativamente estável. Nos finais de 2016, o
Banco Central introduziu uma medida que obriga os bancos comerciais a reportar três vezes ao
dia as suas taxas de câmbio. É assim que acompanhamos o que os bancos fazem no mercado
cambial, ao longo do dia. Com esta informação, estaremos em condições de usar a média das
taxas de operações dos bancos com os seus clientes para definir uma taxa única de câmbio do
Banco de Moçambique.

Contudo, dada a relação macroeconómica funcional entre a Taxa de Juros e o Investimento


Directo, eis que surge a seguinte questão:
“Será que o impacto da Taxa de juros sobre o Investimento Directo Estrangeiro em
Moçambique ao longo do período de 2013 – 2015 afectou a economia Moçambicana?”

1.4. Objectivos

5
1.4.1. Objectivo Geral
 Analisar a relação entre a Taxa de juros e o Investimento Directo Estrangeiro em
Moçambique na Cidade da Beira, concretamente no Banco de Moçambique no período
de 2013 – 2015.

1.4.2. Objectivos Específicos


 Descrever a evolução da Taxa de juros e do Investimento Directo Estrangeiro em
Moçambique;
 Explicar a relação entre a Taxa de juros e o Investimento Directo Estrangeiro em
Moçambique por meio da análise de Regressão e Teste de significância;
 Propor formas ao Governo através do Banco Central a adoptar uma política monetária
que ajude a reduzir as taxas de juros nos sectores Públicos e Privados.

1.5. Hipóteses

A Taxa de juros tem um impacto significativo sobre o comportamento do Investimento


Directo Estrangeiro em Moçambique.

A Taxa de juros não tem um impacto significativo sobre o comportamento do


Investimento Directo Estrangeiro em Moçambique.

1.6. Delimitação da Pesquisa


A pesquisa será realizada na Cidade da Beira, na Província de Sofala concretamente no Banco de
Moçambique. Sendo que a mesma irá abarcar num horizonte temporal de 2013 - 2015 e ainda a
mesma irá debruçar-se sobre a Análise de relação entre a Taxa de juros e o Investimento Directo
Estrangeiro em Moçambique.

1.7. Relevância da Pesquisa

6
1.7.1. Relevância Social
O presente tema tem Relevância Social, visto que, Moçambique tem relações com o Banco
Mundial que remontam desde 1984, altura em que iniciaram as primeiras conversações para a
adesão do país àquela instituição, e desde 1986 o Banco Mundial tem vindo a apoiar os esforços
de recuperação económica do Estado moçambicano. Contudo, é importante avaliar a eficácia dos
projectos financiados pelo Banco Mundial, o que passa por estudar os pontos críticos de sucesso,
até porque acima de tudo, os recursos obtidos desta instituição são na grande maioria
empréstimos que representam parte significativa do endividamento externo do país.

1.7.2. Relevância Científica


O tema de pesquisa tem Relevância Científica que, para além de constituir um exercício
académico de pesquisa, pretende também ser um contributo na criação de fontes de informações
disponíveis para o público e manter as questões sobre o desenvolvimento. É convicção de que
este trabalho irá despertar interesse para futuras investigações sobre este tema ou outros
relacionados com o desenvolvimento e eficácia da ajuda nos países menos avançados, como é o
caso de Moçambique.

1.8. Enquadramento da Pesquisa


O projecto em causa enquadra-se nas linhas de pesquisa do Curso de Ciências Actuariais,
administrado pela Universidade Zambeze – Faculdade de Ciências e Tecnologia, Campus de
Matacuane na Cidade da Beira, concretamente nas cadeiras de Economia e Matemática
Financeira.

CAPÍTULO II: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

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2.1. Conceitos

2.1.1. Juros
MATHIAS e GOMES (2013) definem Juro como o custo do crédito ou a remuneração de
uma aplicação; é o pagamento pela utilização do poder aquisitivo durante um período de tempo.
Logo, quem toma dinheiro emprestado pagará juros e quem empresta receberá juros. Esses
autores acrescentam ainda que as pessoas têm preferência temporal em consumir ao invés de
poupar.
Assim a fórmula para calcular os juros é:

2.1.2. Taxas de Juros


Segundo MATHIAS e GOMES (2013), a Taxa de Juros é determinada por meio de um
coeficiente referido a um intervalo de tempo. Este coeficiente corresponde à remuneração do
capital empregado por um prazo igual àquele da taxa. A taxa de juros é a relação entre o capital
emprestado e o juro devido. Portanto, conclui-se que taxa de juros é a razão entre os juros (J) e o
principal (P) ou capital (C).
Simbolicamente, representamos o juro pela letra

onde .

2.1.3. Inflação
Segundo SILVA (2008), é a deterioração do poder aquisitivo da moeda. Com o passar do
tempo, o capital vai perdendo poder aquisitivo. Apenas consideramos inflação quando os valores
crescem gradativamente em dado período de tempo. Porém, as elevações de preços sazonais,
como ocorre com os produtos agrícolas que dependem das safras (queda) e na entressafra (alta),
não são consideradas inflacionárias.

A inflação pode influenciar nossa análise financeira e criar o que os economistas chamam
de "ilusão monetária", que significa que as operações podem não ser tão lucrativas ou vantajosas
quanto parecem.

8
2.2. Funções da Taxa de juros1
A Taxa de juros desempenha as seguintes funções: (i) Mecanismo de ajustamento/
equilíbrio entre oferta de fundos e procura de fundos; (ii) Mecanismo de afectação de recursos e
(iii) Instrumento de Política Económica.

2.3. Tipos de Taxas de Juros


Os textos sobre as taxas de juros são inúmeros e, na sua maioria contemplam o assunto
com outros conteúdos, portando contextualizados.

Quanto à sua multiplicidade2: (i) Taxas de juro bancárias sobre depósitos, sobre
empréstimos às famílias e sobre empréstimos às empresas; (ii) Taxas de juro dos títulos de dívida
pública, dívida das empresas e dívida das instituições financeiras; (iii) Taxas de juro de curto
prazo, médio prazo e longo prazo.

VERAS (1991, p. 72 e 73), faz abordagem sobre:


 Taxa de Juros Proporcional: duas taxas são proporcionais quando existe uma
proporção entre as grandezas aplicadas sucessivamente no cálculo de juros simples de um
mesmo capital, durante exactamente o mesmo tempo. Logo, se são taxas proporcionais e
são, respectivamente, os números de períodos que contemplam o prazo de aplicações,
obtém-se:

Conforme ASSAF NETO (2012) a compreensão destas taxas exige o reconhecimento de


que toda operação envolve dois prazos a saber: (a) o prazo a que se refere a taxa de juros; e (b) o
prazo de capitalização de ocorrência dos juros.
Considere duas taxas de juros distintas e relacionadas a dois períodos também
distintos e . Dizemos que essas taxas são proporcionais se o quociente das taxas e o
quociente dos períodos forem iguais:

 Taxa de Juros Equivalente: são as taxas aplicadas a capitais iguais em tempos que
produzirão juros também iguais e, consequentemente, montantes iguais.

1
http://www.fep.up.pt/disciplinas/Lec201/Textos/Cap3_3.2.pdf
2
http://www.fep.up.pt/disciplinas/Lec201/Textos/Cap3_3.2.pdf
9
SAMANEZ (1999, P. 29), também destaca aspectos interessantes sobre:
 Taxa de Juros Nominal: é a taxa nominada na operação financeira, ou seja, é aquela que
está no contrato ou que foi informada ao cliente. É sempre apresentada pela instituição
que realiza a operação financeira, seja uma operação activa (empréstimos) seja uma
operação passiva (aplicação).
 Taxa de Juros Efectiva: é aquela que é resultante de todos os custos ao cliente.

Segundo LIMA (1998), é a taxa realmente cobrada no período em que foi fornecida,
independentemente do período de capitalização. Então, quando queremos ajustar uma taxa ao
período de capitalização, utilizamos a equivalência de capitais. É o processo de formação de
juros pelo regime de juros compostos ao longo dos períodos de capitalização. É obtida pela
seguinte expressão:
Taxa efectiva
onde
representa o número de períodos de capitalização dos juros.

PARENTE (1953), ressalta as taxas de juros:


 Taxa de Juros Aparentes: é aquela que se obtém sem que seja levada em conta a
inflação do período;
 Taxa de Juros Reais: é aquela que se obtém após excluída a inflação.

2.4. Riscos da Taxa de Juros


O risco da taxa de juro é o risco que resulta de uma variação desfavorável das taxas de juro
para uma carteira de investimentos ou para uma empresa.

Segundo FERREIRA (2006), o risco associado às variações nas taxas de juro pode dever-
se essencialmente a três situações: (i) movimentos ocorridos nas taxas de juro de forma
generalizada, na sequência de um desequilíbrio entre a oferta e a procura ou por decisões dos
agentes responsáveis, levando a que ocorram custos financeiros mais elevados ou a rendimentos
financeiros mais baixos; (ii) movimentos relativos nas taxas de juros, quando existe uma
desigualdade nas variações das taxas em instrumentos financeiros idênticos, que terão impactos
nas posições assumidas; e (iii) movimentos na estrutura temporal das taxas de juro, levando a
diferentes variações entre os instrumentos com prazos diferentes.

10
2.5. Investimento
Investimento pode ser designado como uma proposta de aplicação de recursos escassos
que possuem aplicações alternativas a um negócio, como também um sacrifício feito no
momento para obtenção de um benefício futuro (REMER; NIETO, 1995).

2.5.1. Investimento Directo


Consideram-se parte do Investimento Directo os valores financiados com recurso aos
suprimentos e/ou prestações suplementares de capital disponibilizados pelos investidores e cuja
remuneração não assuma a forma de cobrança de juros sobre o empreendimento em que forem
aplicados.

2.5.2. Investimento Directo em Moçambique


De acordo com os dados do Banco de Moçambique, o fluxo de IDE realizado em 2014
neste país ascendeu ao valor de US$ 4.901,8 milhões, o que representa um crescimento de mais
de 1000% se comparado com aquele realizado no ano 2002. Os megaprojectos foram os
determinantes desse crescimento dos fluxos de IDE para Moçambique e entre 2013 à 14 houve
uma retracção dos fluxos de IDE para Moçambique.
Os megaprojectos, como são conhecidos em Moçambique, são actividades de investimento
e produção com características especiais. A primeira delas de acordo com Castelo -Branco
(2008) é a sua dimensão definida pelos montantes de investimento (acima de US$ 500 milhões)
além do facto de que o impacto na produção e comércio, é enorme. Esses megaprojectos são
muito importantes para a economia moçambicana.

Nesse sentido CASTELO-BRANCO (2008) destacou que apenas três desses projectos (a
fundição de alumínio de Beluluane, Mozal; a mina de areias pesadas de Moma; e o projecto do
gás natural da Sazol, em Inhambane) mostraram as seguintes características: (i) o custo de
investimento inicial de cada um destes projectos é superior a US$ 1 bilhão; (ii) a soma do
investimento realizado por estes três projectos é aproximadamente igual a 60% do PIB de
Moçambique; (iii) o investimento nestes três projectos é superior a 55% do investimento privado
total realizado nos últimos 10 anos; (iv) a produção conjunta destes projectos aproxima-se de
70% da produção industrial bruta de Moçambique. O valor da produção bruta da Mozal (cerca de
US$ 2 bilhões em 2006) era maior que o Orçamento do Estado de Moçambique; e (v) as
exportações totais destes projectos aproximam-se de três quartos das exportações nacionais de
bens (CASTELO -BRANCO, 2008 p. 1).

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2.6. Economia moçambicana
Moçambique continua a sofrer os efeitos da crise da dívida oculta de 2016. É um dos
países mais pobres do mundo de acordo com dados do World Bank. Depois da independência em
1975, o país sofreu com uma devastadora guerra civil que destruiu grande parte de suas infra-
estruturas e abalou a economia nacional, o que fez com que o país passasse as últimas duas
décadas em reconstrução, para se recuperar dessa destruição.

De acordo com o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI, 2014) desde 1992, ano
da assinatura do Acordo Geral de Paz até 2002 o governo de Moçambique colocou em prática
uma série de reformas políticas e económicas que estabeleceram bases para uma economia de
mercado. Estas políticas foram apoiadas por uma conjuntura externa favorável, por doadores e,
mais recentemente, pela descoberta e exploração de recursos naturais não renováveis. Nos anos
subsequentes a meta passou a ser a manutenção de elevadas taxas de crescimento económico
(FMI, 2014).
A agricultura sempre foi a base da economia moçambicana. Esse sector começou a
diminuir a sua participação no PIB quando os primeiros megaprojectos começaram a ser
construídos.

Houve a descoberta de dívidas contraídas por empresas privadas com garantia do Estado
sem o conhecimento do Banco de Moçambique (Banco Central) e nenhuma outra instituição
financeira nacional. Essa dívida só foi conhecida depois que o FMI e o World Bank suspenderam
o financiamento ao país devido a essas dívidas desconhecidas e foi esse sentido que a Inglaterra
também suspendeu o financiamento ao orçamento do Estado.

2.7. Megaprojectos em Moçambique


Megaprojecto (MP) trata-se de grandes projectos com financiamento estrangeiro, quase
sempre no sector de extracção de recursos naturais, de capital intensivo e orientado para a
exportação. Estes projectos investem com frequência em infra-estruturas propositadamente
construídas para servir às suas necessidades específicas. Estes projectos deram uma contribuição
importante para o crescimento económico, mas geraram um emprego limitado (FMI, 2014 p. 2).

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Os megaprojectos são actividades de investimento e produção que apresentam as seguintes
características especiais: (i) a sua dimensão, definida pelos montantes de investimento (acima de
US$ 500 milhões) e o impacto na produção e no comércio, é enorme; (ii) os megaprojectos são
geralmente intensivos em capital e, portanto, não geram emprego directo proporcional ao seu
peso no investimento, produção e comércio; (iii) são geralmente concentrados em torno de
actividades mineiras e energéticas; (iv) são estruturantes das dinâmicas fundamentais de
acumulação e reprodução económica em Moçambique por causa do seu peso no investimento
privado, na produção e no comércio; (v) são área quase exclusiva de intervenção de grandes
empresas multinacionais por causa dos elevadíssimos custos, das qualificações e especialização
requeridas, da magnitude, das condições competitivas e especialização dos mercados
fornecedores e consumidores, geralmente dominados por oligopólios e monopólios; (vi) os
custos de irrecuperáveis (ou sunkcosts) são altíssimos por causa da dimensão e complexidade
destes investimentos (CASTEL-BRANCO, 2008).

De acordo com CASTEL-BRANCO (2002) o governo moçambicano vê os megaprojectos


como uma solução para resolver os problemas do desenvolvimento porque permitem: (i) Acesso
ao capital, via investimento directo estrangeiro, sem por pressões sobre os alvos do programa de
estabilidade macroeconómica de Moçambique; (ii) Acesso à tecnologia, capacidade de gestão e
força de trabalho qualificada; (iii) Acesso a “boas” práticas de organização da produção e de
gestão competitivas ao nível dos standards (padrões) internacionais mais altos; (iv) Acesso a
mercados; (v) Ligações com a economia nacional; (vi) Imagem (marketing) de Moçambique no
panorama dos fluxos internacionais de capitais.

13
CAPÍTULO III: METODOLOGIA DA PEQUISA

3.1. Metodologia
Para FONSECA (2002), methodos significa organização, e logos, estudo sistemático,
pesquisa, investigação; ou seja, metodologia é o estudo da organização, dos caminhos a serem
percorridos, para se realizar uma pesquisa ou um estudo, ou para se fazer ciência.
Etimologicamente, significa o estudo dos caminhos, dos instrumentos utilizados para fazer uma
pesquisa científica. É importante salientar a diferença entre metodologia e métodos. A
metodologia se interessa pela validade do caminho escolhido para se chegar ao fim proposto pela
pesquisa; portanto, não deve ser confundida com o conteúdo (teoria) nem com os procedimentos
(métodos e técnicas).

3.2. Tipos de Pesquisa


 Pesquisa Descritiva
 Pesquisa Explicativa
 Pesquisa Exploratória

Do ponto de vista de seus objectivos é Pesquisa Exploratória

3.2.1. Pesquisa Exploratória


Segundo GIL (1991) Pesquisa Exploratória visa proporcionar maior familiaridade com o
problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. Envolve levantamento
bibliográfico; entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema
pesquisado; análise de exemplos que estimulem a compreensão. Assume, em geral, as formas de
Pesquisas Bibliográficas e Estudos de Caso.

3.3. Métodos de Pesquisa

3.3.1. Método de Abordagem


Segundo LAKATOS e MARCONI (2007:133) o método indutivo aparece de forma cada
vez mais frequente, pois integra dados qualitativos e quantitativos em um único estudo,
permitindo que cada método ofereça o que tem de melhor e evitando as limitações de cada
abordagem.

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Na abordagem da pesquisa será usado o método indutivo para estabelecer uma
aproximação dos fenómenos (causa do estudo) partindo de generalizações indo das constatações
mais particulares as leis e teorias. No raciocínio indutivo a generalização deriva de observações
de casos da realidade concreta, isto é, no Banco de Moçambique.

3.3.2. Métodos de Procedimento


3.3.2.1. Método Bibliográfico
O método bibliográfico consiste na leitura de livros, teses, revistas, dissertações e outras
publicações classificadas como mérito dentro das ciências (SEVERINO, 2003:34). O uso deste
método consistirá em consulta de diversas obras que versam matéria ligada a Taxas de juros,
bem como ao Investimento Directo em Moçambique.
Para criar um suporte científico da presente pesquisa, serão usadas literaturas relacionadas com
as finanças de modo a situar de forma concreta o estudo.

3.3.2.2. Observação Directa


Segundo SEVERINO (2003:36) a observação directa é aquele em que o pesquisador
procura observar no terreno para melhor compreender as causas do fenómeno ou problema de
estudo, abstendo-se de anotações e possíveis conclusões.
Neste contexto, a aplicação deste método será através de uma ficha de observações no
Banco de Moçambique para relacionar as Taxas de juros e o Investimento Directo Estrangeiro
em Moçambique.

3.3.3. Técnicas de Pesquisa


3.3.1. Entrevista
GIL (1999, p. 117) conceitua a entrevista como “uma forma de interacção social. Mais
especificamente, é uma forma de diálogo assimétrico, em que uma das partes busca colectar
dados e a outra se apresenta como fonte de informação”

Para AMARAL (2001:128) a entrevista é uma técnica de colecta de dados em que o


pesquisador faz perguntas previamente preparadas para manter contacto directo com indivíduos
ou grupo pesquisado sobre um determinado assunto.
Nesta pesquisa a técnica consistirá no contacto directo com cinco (5) gestores do Banco de
Moçambique situada na Cidade da Beira para colectar informações sobre a Análise de relação
entre a Taxa de juros e o Investimento Directo Estrangeiro em Moçambique.

15
3.3.2. Inquérito
Segundo TUCKMAN (2000, p. 517) é uma das técnicas mais utilizadas, pois permite obter
informação sobre determinado fenómeno através da formulação de questões que reflectem
atitudes, opiniões, percepções, interesses e comportamentos de um conjunto de indivíduos.

Esta técnica servirá para colher informações de dez (10) colaboradores do Banco de
Moçambique na Cidade da Beira. O inquérito servirá para obter informações sobre as Taxas de
juros para o desenvolvimento dos investimentos de modo o Banco a tornar a instituição
consolidada e sustentável no mercado empresarial.

3.3.3. Análise de Regressão


É uma técnica que permite explorar e inferir a relação de uma variável dependente
(variável de resposta) com variáveis independentes (variáveis explicatórias). Ou por outra, é uma
maneira de classificar matematicamente qual variáveis realmente tem um impacto.

3.3.4. Teste de Significância


É um procedimento estatístico que permite tomar uma decisão (aceitar ou rejeitar a
hipótese nula entre duas ou mais hipóteses (hipótese ou hipótese alternativa ,
utilizando os dados observados de um determinado experimento.

3.4. Universo (população) e Amostra da Pesquisa


Para GIL (2008, p. 89) “Universo ou população. É um conjunto definido de elementos que
possuem determinadas características. Amostra. Subconjunto do universo ou da população, por
meio do qual se estabelecem ou se estimam as características desse universo ou população.”

Para a pesquisa será usada uma amostra de dez (10) funcionários do Banco de
Moçambique, através de escolha aleatória baseada em informação ou características escolhidas
pelo pesquisador como relevantes para o estudo.

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Anexo I: Cronograma de Execução Física

2018 2019
Descrição das
Actividades Meses Meses
Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez. Jan. Fev. Mar.
Elaboração do Projecto
Submissão do Projecto
Colecta de Dados
Selecção de Dados
Análise e Discussão de dados
Elaboração da Monografia
Entrega da Monografia
Defesa da Monografia

Anexo II: Recursos e Orçamento

Item Descrição de Recursos Quantidade Preço Unitário Total

01 Laptop DELL 1 4.0000,00 40.000,00


02 Resma de Folhas A4 3 300,00 900,00
03 Lápis GEL – HB 2 25,00 50,00
04 Modem D-Com 3.5G 1 1.000,00 1.000,00
05 Pen Drive (dispositivo de 1 900,00 900,00
armazenamento em massa – 8GB médio)
06 Caneta GEL PEN 5 50,00 250,00
07 Impressões ______ ______ 5.500,00
08 Encadernação 10 50,00 500,00
09 Internet 1 2.000,00 2.000,00
10 Cópias 10 140,00 1.400,00
11 Outras despesas ______ ______ 7.500,00
Total 60.000,00

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5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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