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Introdução aos estudos históricos

INTRODUÇÃO
AOS ESTUDOS
HISTÓRICOS

FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD


Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017
SUMÁRIO 1
Introdução aos estudos históricos

GRUPO A Faculdade Multivix está presente de norte a sul


do Estado do Espírito Santo, com unidades em
MULTIVIX Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova
Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória.
Desde 1999 atua no mercado capixaba, des-
tacando-se pela oferta de cursos de gradua-
ção, técnico, pós-graduação e extensão, com
qualidade nas quatro áreas do conhecimen-
to: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, sem-
pre primando pela qualidade de seu ensino
e pela formação de profissionais com cons-
ciência cidadã para o mercado de trabalho.

Atualmente, a Multivix está entre o seleto


grupo de Instituições de Ensino Superior que
possuem conceito de excelência junto ao
Ministério da Educação (MEC). Das 2109 institui-
ções avaliadas no Brasil, apenas 15% conquistaram
notas 4 e 5, que são consideradas conceitos
de excelência em ensino.

Estes resultados acadêmicos colocam


todas as unidades da Multivix entre as
melhores do Estado do Espírito Santo e
entre as 50 melhores do país.

MISSÃO

Formar profissionais com consciência cida-


dã para o mercado de trabalho, com ele-
vado padrão de qualidade, sempre mantendo a
credibilidade, segurança e modernidade, visando
à satisfação dos clientes e colaboradores.

VISÃO

Ser uma Instituição de Ensino Superior reconheci-


da nacionalmente como referência em qualidade
educacional.

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2 SUMÁRIO
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EDITORIAL

FACULDADE CAPIXABA DA SERRA • MULTIVIX

Diretor Executivo Revisão de Língua Portuguesa


Tadeu Antônio de Oliveira Penina Leandro Siqueira Lima

Diretora Acadêmica Revisão Técnica


Eliene Maria Gava Ferrão Penina Alexandra Oliveira
Alessandro Ventorin
Diretor Administrativo Financeiro Graziela Vieira Carneiro
Fernando Bom Costalonga
Design Editorial e Controle de Produção de Conteúdo
Diretor Geral Carina Sabadim Veloso
Helber Barcellos da Costa Maico Pagani Roncatto
Ednilson José Roncatto
Diretor da Educação a Distância Aline Ximenes Fragoso
Pedro Cunha Genivaldo Felix Soares

Conselho Editorial Multivix Educação à Distância


Eliene Maria Gava Ferrão Penina (presidente do Gestão Acadêmica - Coord. Didático Pedagógico
Conselho Editorial) Gestão Acadêmica - Coord. Didático Semipresencial
Kessya Penitente Fabiano Costalonga Gestão de Materiais Pedagógicos e Metodologia
Carina Sabadim Veloso Direção EaD
Patrícia de Oliveira Penina Coordenação Acadêmica EAD
Roberta Caldas Simões

BIBLIOTECA MULTIVIX (Dados de publicação na fonte)

Santos, Alexandre Carvalho Meirelles.


Introdução aos Estudos Históricos / Alexandre Carvalho Meirelles Santos, Juliane Escola (revisora). –
Serra : Multivix, 2017.

Catalogação: Biblioteca Central Anisio Teixeira – Multivix Serra


2017 • Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão processados na forma da lei.

As imagens e ilustrações utilizadas nesta apostila foram obtidas no site: http://br.freepik.com

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APRESENTAÇÃO Aluno (a) Multivix,

DA DIREÇÃO Estamos muito felizes por você agora fazer parte


do maior grupo educacional de Ensino Superior do

EXECUTIVA Espírito Santo e principalmente por ter escolhido a


Multivix para fazer parte da sua trajetória profissional.

A Faculdade Multivix possui unidades em Cachoei-


ro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia,
São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória. Desde 1999,
no mercado capixaba, destaca-se pela oferta de
cursos de graduação, pós-graduação e extensão
de qualidade nas quatro áreas do conhecimento:
Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, tanto na mo-
dalidade presencial quanto a distância.

Além da qualidade de ensino já comprova-


da pelo MEC, que coloca todas as unidades do
Grupo Multivix como parte do seleto grupo das
Instituições de Ensino Superior de excelência no
Brasil, contando com sete unidades do Grupo en-
tre as 100 melhores do País, a Multivix preocupa-
-se bastante com o contexto da realidade local e
com o desenvolvimento do país. E para isso, pro-
cura fazer a sua parte, investindo em projetos so-
ciais, ambientais e na promoção de oportunida-
des para os que sonham em fazer uma faculdade
de qualidade mas que precisam superar alguns
obstáculos.
Prof. Tadeu Antônio de Oliveira Penina
Diretor Executivo do Grupo Multivix Buscamos a cada dia cumprir nossa missão que é:
“Formar profissionais com consciência cidadã para o
mercado de trabalho, com elevado padrão de quali-
dade, sempre mantendo a credibilidade, segurança
e modernidade, visando à satisfação dos clientes e
colaboradores.”

Entendemos que a educação de qualidade sempre


foi a melhor resposta para um país crescer. Para a
Multivix, educar é mais que ensinar. É transformar o
mundo à sua volta.

Seja bem-vindo!

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Olá, bem-vindos à introdução aos Estudos históricos, em que abordaremos o proces-


so histórico do homem e da sociedade ao longo do tempo. Aprofundaremos o tema
por meio da contextualização histórica, das características e das transformações dos
tempos históricos. Buscaremos abordar e compreender a multipluralidade em volta
do que chamamos de “Ciências históricas”.

Quando nos deparamos com um mundo em constante transformação ao longo do


tempo, e que obviamente influenciou gerações posteriores, precisamos ter clareza
no entendimento desses processos. O homem – ator e coadjuvante de suas próprias
transformações e trajetória – criou, destruiu, transformou, ampliou e manteve resquí-
cios e relações entre sociedades, instituições e civilizações ao longo dos processos
históricos. Tais fatos apenas reafirmam que a História é sim uma ciência viva, única e
que se transforma conforme o achado de novas fontes, abordagens e visões diversas,
que nos mostram que o passado também se encontra em constante transformação,
assim como o presente e é tão dinâmico quanto.

O próprio conceito de História veio se modificando, assim como o historiador, desde


a antiguidade na Grécia até os dias atuais.

As transformações ocorrem em cada local ocupado pelo homem na face da terra,


em suas interações, na paisagem onde habita, no sistema social e econômico, nas
moedas, nas cidades construídas. Assim, a investigação histórica se faz essencial para
a compreensão das sociedades, dos valores de cada época, bem como do funciona-
mento das atividades relacionadas à educação, à economia, às normas sociais, às leis,
à religião, às guerras, à população entre outros que marcam um período histórico.

Além disso, temos que nos valer dos diversos focos, métodos científicos e abordagens
para que assim saibamos contextualizar e compreender conceitos de tal época e
inclusive suas implicações que até hoje se fazem presente e influente. E necessário
também sabermos contextualizar e diferenciar o olhar presente do olhar do passado.

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SUMÁRIO

UNIDADE 1 1 METODOLOGIA DA HISTÓRIA 10


1.1 O ENSINO DE HISTÓRIA – NARRATIVA, EXPERIÊNCIA, INTERPRETAÇÃO 10

UNIDADE 2 2 INTRODUÇÃO DA HISTÓRIA DA CULTURA MATERIAL 14


2.1 CULTURA MATERIAL 14

UNIDADE 3 3 HISTÓRIA IBÉRICA 17


3.1 UNIFICAÇÃO POLÍTICA PORTUGAL E ESPANHA 17

UNIDADE 4 4 AMÉRICA PORTUGUESA (BRASIL COLÔNIA) 21


4.1 A AMÉRICA PORTUGUESA 21
4.1.1 CAPITANIAS HEREDITÁRIAS 22
4.1.2 CARTA DE DOAÇÃO 22
4.1.3 FORAL 23
4.1.4 SESMARIAS 23
4.2 SOCIEDADE DA CANA 24

UNIDADE 5 5 HISTÓRIA MEDIEVAL 27


5.1 IDADE MÉDIA 27

UNIDADE 6 6 IDADE MODERNA 32


6.1 EUROPA FEUDAL 32
6.2 RENASCIMENTO 33
6.2.1 AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS 33
6.3 ESTADOS NACIONAIS 34
6.3.1 ABSOLUTISMO 35
6.3.2 MERCANTILISMO 35
6.4 REFORMA PROTESTANTE 35

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6.4.1 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS 36


6.4.2 CONSEQUÊNCIAS DA REFORMA 37

REFERÊNCIAS 38

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SUMÁRIO 7
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ICONOGRAFIA

ATENÇÃO ATIVIDADES DE
APRENDIZAGEM
PARA SABER

SAIBA MAIS
ONDE PESQUISAR CURIOSIDADES

LEITURA COMPLEMENTAR
DICAS

GLOSSÁRIO QUESTÕES

MÍDIAS
ÁUDIOS
INTEGRADAS

ANOTAÇÕES CITAÇÕES

EXEMPLOS DOWNLOADS

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8 SUMÁRIO
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UNIDADE 1
Introdução aos estudos históricos

OBJETIVO
Ao final desta
unidade,
esperamos
que possa:

> iniciar o estudo sobre a


compreensão do estudo
histórico como campo
de saber, discutir sobre
historicidade e entendê-la.
Introdução aos estudos históricos

1 METODOLOGIA DA
HISTÓRIA
Nesta unidade iremos conhecer e compreender o estudo histórico como campo de
saber. Além disso, discutiremos os métodos e modelos de ensino atuais, buscando
trazer uma reflexão acerca da construção do saber histórico.

1.1 O ENSINO DE HISTÓRIA – NARRATIVA,


EXPERIÊNCIA, INTERPRETAÇÃO

Reflexão sobre o atual ensino de história em instituições educacionais e culturais:


escolas, meios de comunicação, mercado editorial, internet. Estudo das relações his-
toriográficas e ensino a partir das tensões das estratégias, das narrativas e dos pro-
cedimentos de interpretação dos fenômenos históricos, de análises de textos com
práticas textuais que objetivam:

1. Identificar os desafios em torno da crise da educação e do ensino de história,


tendo em vista a problemática contemporânea.

2. Analisar potencialidades do uso de estratégias narrativas entre o saber acadê-


mico e escolar, os saberes vividos e as práticas sociais.

3. Compreender as conexões entre a educação e cultura.

Atualmente é necessário pensar, analisar e discutir para que possamos dar aos alunos
a capacidade de desenvolverem uma formação crítica. Desta maneira, formaremos
cidadãos críticos, não iremos somente capacitar, mas ampliar, observar, descrever,
identificar semelhanças e diferenças na contextualização de períodos atuais e mais
longínquos, que consigam estabelecer padrões entre o passado e o presente de for-
ma crítica.

No entanto, ainda nos deparamos com a educação tradicional, que se limita ao qua-
dro negro e às aulas expositivas. Com esse método de ensino, é muito provável que
tais alunos se tornem apenas reprodutores de conteúdos, sem análise crítica, pois
além de não ser um método interessante e que chame a atenção dos discentes, é

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muito distante da realidade em que eles vivem.

A questão em si não é abolir a forma tradicional, e sim agregá-la a novos paradigmas,


à utilização de novos mecanismos para que a atividade realizada se torne prazerosa
e desperte no aluno o interesse pelo estudo, pela busca de informação, a fim de que
ele se torne um ser pensante e crítico.

Hoje em dia a tecnologia chega para agregar valores na construção do saber, porém
ainda é pouco ou mal utilizada. No entanto, também deve se ressaltar que muitas
escolas ou não têm acesso a essas tecnologias, ou não têm professores capacitados
para manuseá-las.

Assim, o conhecimento se torna um fim em si mesmo, o chamado conteudismo, o


aluno repassa o que lhe foi passado e por meio disso é avaliado, tornando-se apto
ou não. O grande problema do conteudismo, é que ele se expressa de uma maneira
factual, cronológica, porém sem ligação entre informações episódicas, com fatos frios,
sem referências, sem contextualização.

A tecnologia, cada vez mais sofisticada, permite que conexão, comunicação e infor-
mação se tornem instantâneas e acessíveis a todos por meio de celulares, TV, com-
putador e claro a internet. Ainda existe uma discussão sobre essa informação instan-
tânea e acessível, como uma fonte digamos inesgotável nos mais variados assuntos,
ainda não ter sido realmente assimilada, adaptada e muito menos as implicações
que tudo isso pode gerar.

Numa análise detalhada, um ser humano para ser considerado incluso no mundo,
precisa conhecer informações concebidas por ele como importantes. Segundo vários
autores, o conhecimento, é aquilo que dá significado e sentido ao mundo que o ro-
deia.

Diante dessas informações, é notório que o modelo tradicional não atende mais a
demanda educacional. Assim, para a melhor construção de um saber histórico, o
professor deve se embasar em fontes diversas: documentos escritos, literatura, cine-
ma, músicas, fotografia, registros orais, iconografia, quadrinhos, museus, o campo é
amplo.

Os livros didáticos ainda se encontram em defasagem, outros livros acadêmicos estão


restritos aos meios catedráticos. A tecnologia, por outro lado, é dinâmica, rapidamen-

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te aquilo que era moderno, se torna obsoleto, tais questões merecem uma melhor
discussão, pois a educação e as práticas pedagógicas não acompanham essa evolu-
ção.

A educação necessita de uma melhor revisão e análise a fim de alcançar uma maior
aproximação com a tecnologia e com a realidade do aluno, com o intuito de transfor-
mar o aluno em um cidadão crítico para ele que possa se inserir com maior qualida-
de no mercado de trabalho que se encontra em constante transformação.

Desta forma, fica evidente a urgência da necessidade de se adotar novas estraté-


gias. Ao mesmo tempo é necessário estar aberto às novidades, se tornar mais flexível,
sempre lembrando que atualmente as ferramentas evoluem rapidamente. Porém,
na educação ainda se tem a visão de que passar o conteúdo de forma organizada,
esquematizada, sistematizada nas várias áreas do conhecimento é suficiente.

É preciso criar uma nova forma educacional, a fim de evitar a formação de mais alu-
nos com defasagens; um ambiente propício para a prática do ensino, em que a inte-
ração facilite o aprendizado. Hoje em dia, o estudo a distância também passa a aten-
der uma gama de alunos de várias localidades, oferta aulas em teleconferência com
o intuito de tirar dúvidas. Nessa modalidade de ensino os alunos assistem às aulas,
estudam e tiram suas dúvidas num simples acessar de um computador.

Assim, cabe aos que trabalham com a educação dialogar com o mundo moderno e
como as novas formas de ensino oferecidas nele.

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UNIDADE 2
Introdução aos estudos históricos

OBJETIVO
Ao final desta
unidade,
esperamos
que possa:

> Pretende-se apresentar alguns paradigmas.;

> Apresentar paradigmas teóricos e


metodológicos que orientam, nas ciências
humanas, a reflexão sobre o lugar da
materialidade nas relações sociais, porém
se faz necessário o aumento das fontes
materiais, através das discussões, evitando
análises superficiais, periféricas e ilustrativas
ainda recorrentes. Espera-se oferecer um
quadro amplo, porém seletivo para que o
aluno se sinta capacitado e estimulado a
empreender sua própria pesquisa, através da
morfologia e assim, possa levar uma melhor
articulação as novas questões das evidências
imediatas da documentação no contexto
historicamente definido.
Introdução aos estudos históricos

2 INTRODUÇÃO DA HISTÓRIA
DA CULTURA MATERIAL
Nesta unidade, iremos conhecer tanto os paradigmas teóricos e metodológicos,
quanto o lugar dos objetos nas relações sociais. Através dos objetos podemos fazer a
contextualização de um período político social e do imaginário social que eles criam.
Também veremos a ligação entre as diversas disciplinas.

2.1 CULTURA MATERIAL

A interação do homem com a materialidade que provém sua existência e bem-estar


através da História da cultura material, onde entram o habitat e os objetos.

Dentre critérios históricos uma divisão em partes, pois a História da cultura material
se assemelha à História da cultura, da política e das mentalidades. Se a história políti-
ca aborda as relações de poder e a cultura e a história cultural, o imaginário, a história
da cultura material traz a própria vida material dos homens que vivem em sociedade,
incluindo objetos que constituem a base material gerida, organizada em sociedades
que vão de utensílios e habitação até alimentos.

É válido salientar que o estudo não se encontra nos objetos, e sim no seu uso, no valor
econômico e na própria cultura.

Aos olhos do historiador não esta, por exemplo, o estudo não está no tecido em si,
mas no vestuário, na moda da época, e até mesmo na política que pode interferir
quanto ao estilo de vestimenta que pode ser usado por uma classe e não por outra,
nos mostrando a diferença social numa comunidade, bem como sua tendência po-
lítica.

O mesmo se dá com o alimento, o modo de consumo, o tipo de alimentação. Por


meio deles, se esclarece a variedade dos grupos sociais e profissionais, assim como as
habitações e o comportamento no público e no privado. Através da moradia é possí-
vel definir as classes sociais, além do imaginário associado ao espaço, à habitação, à

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alimentação, aos bens, aos móveis e também aos grupos sociais que se estuda.

Desta forma, o historiador a partir destas informações pode ter condições de fazer
análises necessárias ao seu estudo.

Tomemos como exemplo que ao se estudar cidades muradas, muito comuns na ida-
de média e início da idade moderna, o historiador pode ter a compreensão desta so-
ciedade, como é viver em cidades muradas, seus medos, suas rotinas, qual segurança
é passada aos moradores frente aos riscos. Nos casos de cidades que são abertas,
existirão características muito diferentes.

Desta forma, móveis, objetos, ferramentas, matérias-primas que se transformam em


manufaturas, o transporte em que levavam os produtos, o comércio gerado, os con-
sumidores, a moeda circulante, tudo isso faz parte da história material.

É válido salientar que o cotidiano também agrega em muito no estudo da história


material. O estudo da cultura material está muito associado à Arqueologia.

É notória a importância da interdisciplinaridade. A arqueologia, que não é consi-


derada um ramo da história, bebe na fonte da história, são áreas que andam juntas,
pois também pode se dizer que a história material também bebe da fonte da Ar-
queologia. Ambas andam de mãos dadas com a história do imaginário, pois, matéria
e imagem andam juntas. Para deixar tal afirmativa clara, ao se observar um objeto,
podemos analisar o objeto em si, como foi feito, sua função, quem o utiliza e o que
representa no contexto social.

Um exemplo claro é a espada. Um material bélico, mas que demonstra um ordena-


mento social, já que não era qualquer um que poderia utilizá-la, também representa
um enfrentamento a um inimigo, força e justiça.

Ao beber da história econômica, a história material irá focar nas ferramentas, no ma-
quinário, na matéria-prima, nos meios e instrumentos de produção e na moeda.

Por fim, a possibilidade de se beber de várias fontes é ampla e necessária.

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UNIDADE 3
Introdução aos estudos históricos

OBJETIVO
Ao final desta
unidade,
esperamos
que possa:

> discute a formação do estado


moderno na península ibérica e
o papel da realeza, analisando a
imagem do poder monárquico
na região, bem como a cultura
expressa na relação do poder
dos monarcas entre as culturas
letradas e populares, elementos
constitutivos do processo-
tensão entre centralismo e
particularismo nos reinos ibéricos
e das coroas; a organização e
prática dos impérios, hierarquias e
dinâmicas da sociedade, religião,
relação entre fé e estado, cultura
políticas e as representações das
realezas ibéricas.
Introdução aos estudos históricos

3 HISTÓRIA IBÉRICA
Nesta unidade, veremos a formação da Península Ibérica, os povos que se constituí-
ram, as invasões e dominações que ajudaram a forjar a região, a formação dos Esta-
dos Nacionais, o papel primordial da realeza e as grandes expansões marítimas.

3.1 UNIFICAÇÃO POLÍTICA PORTUGAL E ESPANHA

A unificação política de Portugal e Espanha, diferente da formação de outros países,


não está ligada ao crescimento comercial ou mesmo ao crescimento de uma classe
burguesa.

A unificação se dá pelo fato da necessidade dos nobres de se unirem contra a invasão


muçulmana e assim os expulsarem, esse período é chamado de Guerra da Recon-
quista.

Para entendermos como chegamos à Guerra da Reconquista, é necessário sabermos


que anteriormente a península fora dominada por vários povos, porém o Império Ro-
mano trouxe grandes transformações e uma delas foi a fé Cristã.

No entanto, com a queda do IMPÉRIO Romano, vários povos bárbaros invadiram a


região, mas se converteram ao Cristianismo.

Contudo, a partir de 711 foram “empurrando” os nativos ao norte. No entanto, em


914, um terço das terras havia sido reconquistado. Nesse mesmo período, também
se dá início às Cruzadas.

A Reconquista se dá numa Europa medieval, que se tornara um barril de pólvora: no-


bres lutando contra nobres por poder, grande desigualdade, grande exploração dos
camponeses e inclusive enfrentamento ao Papa.

Contudo, com a queda do império Romano, a Igreja Católica foi o elo que restou, a
partir daí o crescimento de poder e riqueza aumentou vertiginosamente.

A Igreja também tem interesse e grande participação na Guerra da Reconquista, pois

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SUMÁRIO 17
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os muçulmanos haviam dominado a região a partir de 711, e já em 914 já havia sido


conquistado um terço das terras, lembrando que apenas o primogênito da nobreza
herdava as terras, assim a Igreja arrebanhou nobres e plebeus para a luta sob a jus-
tificativa de divindade e riquezas, desta forma muitos almejavam terras, riquezas e
títulos.

O nascimento do Estado Português se dá com a Reconquista, já havia sido território


onde hoje é a Espanha, sendo Portugal o primeiro Estado Nacional do mundo.

Porém, isso não trouxe calmaria quanto aos territórios e reinos na região destinada,
onde hoje é a Espanha. Inicialmente tal fato se deu, pois até então Portugal era su-
bordinado aos reinos de Leão e Castela, onde D. Afonso era um mero conde portuca-
lense.

Porém, em 1137 D. Afonso decreta independência em Portugal, dois anos depois se


declara Rei de Portugal. E após recuperar o território, Portugal enfrentou outras bata-
lhas com Castela e venceu, instaura-se Absolutismo Português.

Já a consolidação da Espanha foi diferente, apesar de ter similaridade com Portu-


gal, surgiram vários reinos (Castela, Aragão,Leão e Navarra), que apesar de Cristãos,
tiveram raros momentos de estabilidade. Além de terem demorado a derrotar os
mouros.

Mas quando houve união dos reis, se tornando o Reino da Espanha, a estabilidade
tomou conta região. Desta forma, Portugal e Espanha se tornam os primeiros Estados
Nacionais.

Com união entre realeza e burguesia aliada ao conhecimento do obtido pelos muçul-
manos, puderam sair através do Atlântico, fazendo a chamada Grandes Navegações.

A formação de um território unificado tem o Rei como chefe absoluto, onde ele era
a lei e se baseava na teoria do direito divino. A língua e a moeda unificada trouxeram
certa soberania entre os súditos como as outras nações.

O Absolutismo traz ao imaginário um Rei quase inalcançável e de origem divina, a


ordem de classes manteve a nobreza do mesmo modo em que estavam na Idade
Média, onde apenas o povo trabalhava e pagava impostos. A unificação do poder
eliminara o poder que os senhores feudais tinham e a fragmentação dele através dos

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feudos, que continuaram a existir, mas todos eram vassalos do Rei. Em muitos casos,
certos reis eram tidos como milagreiros devido ao cargo divino.

Outro fator que contribuía para o poder do rei era ter uma economia exercida pela
burguesia, que trazia maior circulação de moedas através do comércio. Foi baseado
nessa ideia que começaram a buscar produtos em locais longínquos a fim de encon-
trar produtos e metais preciosos através da navegação.

Desta forma, do século XV ao XVIII, as Monarquias reais governaram a Europa e colo-


nizavam territórios além mar.

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UNIDADE 4
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OBJETIVO
Ao final desta
unidade,
esperamos
que possa:

> compreender o processo


da conquista do território;
contextualizar o período e motivos
da colonização portuguesa nos
Séculos XVI e XVII, as relações entre
Metrópole e Colônia; realizar análise
e contextualização histórica e atual
sobre interpretações com base na
historiografia das relações sociais
econômicas do Brasil colonial, da
discussão dos saberes acadêmicos e
não acadêmicos acerca do tema.
Introdução aos estudos históricos

4 AMÉRICA PORTUGUESA
(BRASIL COLÔNIA)
Nesta unidade, vamos conhecer o processo da conquista do território brasileiro, con-
textualizar o período e os motivos da colonização portuguesa nos Séculos XVI e XVII,
além de analisar as relações entre Metrópole e Colônia e as relações sociais e econô-
micas do Brasil Colonial.

4.1 A AMÉRICA PORTUGUESA

O conhecido Brasil Colônia se trata de um território que Portugal passou a dominar e


a explorar. Os objetivos envolviam: expansão comercial, territorial e religiosa.

Apesar do domínio das costas africanas, da “rota da seda”, a Espanha havia chegado
antes nas Américas e tomado a maior parte da região, além da descoberta do ouro
e da prata.

Porém, é válido salientar que Portugal e Espanha, pioneiros na expansão marítima,


não haviam feito nenhum tipo de tratado sobre domínios territoriais, além de outras
nações também passarem a requerer direitos de posses.

Com isso, dois tratados surgem:

Bula Papal inter coetera 1492 – Além das posses obtidas por Portugal e Espanha
não terem limites próprios estabelecidos, e países como França e Inglaterra também
exigirem direitos, havia um risco iminente de possíveis embates entre os países ibé-
ricos e a possibilidade de posses de franceses e ingleses. O Papa intervém e além de
impor limites territoriais, justifica: ”Sem uma boa catequização não pode haver uma
boa colonização”. O intuito era evitar o embate de dois países católicos, que ao invés
de lutarem deveriam se espalhar nas conquistas, disseminar a fé cristã, evitando que
países Protestantes tivessem domínios territoriais.

Tratado de Tordesilhas 1494 – Apenas reitera as posses de Portugal ao leste com a


costa da África e a “rota da seda”, uma parte da América ao oeste e ao sul, e a Espanha

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com a maioria das Américas e algumas ilhas ao leste.

Portugal evitava arriscar grandes empreitadas sem garantia de retorno financeiro.


Desta forma, teremos um período conhecido como Pré-colonial (1500-1500) em que
o interesse era somente extração de pau-brasil e o reconhecimento do território e,
posteriormente, com a colonização, a realeza evita gastos ao conceder o uso de terras
no novo mundo.

Os portugueses, desde os primeiros contatos, não se espantaram com o modo de


vida dos nativos. Tinham convivido com árabes na dominação de Portugal e com
tribos etíopes, que também andavam nus, ou seja, a diferença não chocava os portu-
gueses, exceto a antropofagia. Além do mais, sempre impuseram sua cultura, e assim
chamavam o território de uma região sem “Fé, Lei e Rei”.

O máximo que faziam inicialmente no território eram expedições de defesa de “es-


trangeiros” e feitorias, onde armazenavam os produtos pra levarem para Portugal. A
relação entre índios e portugueses, de certa forma, se deu pacificamente, chegando
os portugueses a adaptarem certos elementos da cultura indígena, o início da misci-
genação.

A colonização efetiva ocorreu devido à queda do comércio na “rota da sua”, à ne-


cessidade de se explorar novas riquezas, à expulsão dos “estrangeiros” franceses e às
guerras contra tribos aliadas aos franceses.

4.1.1 CAPITANIAS HEREDITÁRIAS

A realeza nunca quis desembolsar nada para colonizar o novo mundo, a melhor ma-
neira era convencer pequenos nobres, judeus que se tornaram cristãos novos e perse-
guidos a investirem no novo mundo, com a promessa de uma vida melhor.

Semelhante, mas não igual ao Feudalismo, terras eram cortadas virtualmente do in-
terior ao litoral, onde o poder era exercido pelo Capitão donatário a fim de controlar
custos, colonizar, povoar e gerar produção.

4.1.2 CARTA DE DOAÇÃO

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Introdução aos estudos históricos

Documento real declarando direitos sobre as terras.

4.1.3 FORAL

Obrigações para com a terra e com o Rei.

4.1.4 SESMARIAS

Concessão de terras às pessoas a fim de ajudarem na produção.

A economia rural era baseada no “plantation” que é a produção de um único produ-


to em grandes quantidades de terra, visando à exportação e no litoral nordestino a
produção de açúcar.

A mão de obra era baseada na escravidão, inicialmente nativa, posteriormente negra


africana.

Tanto a cultura negra como a nativa contribuiu na inserção de sua cultura na região,
além de miscigenarem através de relações que geravam filhos. A partir do século XVI,
a chegada africana se deu na casa dos milhões.

A Religião Católica teve grande papel no controle da Sicília catequizando os índios.

O objetivo em se ter uma colônia é que esta possa trazer lucros à metrópole por meio
da extensão do reino no além-mar. Com isso, Portugal se utiliza do Pacto colonial que
visa proibir a liberdade comercial com outras regiões, podendo apenas comercializar
com a Metrópole. Desta forma, a metrópole compra matéria-prima da colônia de
forma bem mais barata que a venda da produção da manufatura para a colônia. Para
fazer a colônia dependente da metrópole, é proibido que a colônia se torne autossu-
ficiente.

Ainda nos dias atuais, o Brasil vive e depende das suas exportações de matérias-pri-
mas, o uso do plantation e a compra da sua matéria-prima em formas de maquinofa-
tura. Essas práticas estão interligaras no processo político econômico do Absolutismo
e Mercantilismo.

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SUMÁRIO 23
Introdução aos estudos históricos

Diferente da Espanha, Portugal não encontra metais preciosos em suas áreas de do-
mínio, e sim produtos e especiarias que não são existentes na Europa.

4.2 SOCIEDADE DA CANA

A produção da cana-de-açúcar se dá pelo clima e pelas terras propícias para a prática


da agricultura da cana, além do sucesso desse comércio na Europa.

Uma sociedade patrimonialista e paternalista onde a comunidade é engessada, as


classes sociais são fingidas e imutáveis. Os senhores de terras são os grandes man-
datários, os livres e pobres são dependentes e vivem sob as ordens dos senhores, os
escravos são objetos feitos para exercerem a produção no campo, chamados de “es-
cravos da lida”.

Num sistema escravista, o racismo é aberto e usado pra justificar a exploração destes
como sósias e não como pessoas e assim, são tidos como seres inferiores, sem alma.
Na verdade não é o racismo que cria a escravidão e sim o contrário.

O estabelecimento de uma organização colonial através das capitanias hereditárias


(15 no total), uma base econômica e uma mão de obra estabelecida contribuem
para o bom funcionamento dos objetivos exercidos para a Metrópole. Juntamente
com uma experiência anterior em ilhas atlânticas e o apoio e aliança econômica da
Holanda.

O surgimento de poderes paralelos, exercidos pelos senhores de terras era até uma
coisa natural, devido à distância da Metrópole para exercer uma total vigilância, a
própria realeza fazia vista grossa, pois, de certa forma, estes donos de terras além de
produzirem, exerciam a ordem em seus domínios.

Ainda em dias atuais, os grandes proprietários de terras exercem este mesmo poder.
Nesse momento colonial a região nordeste se destaca, por exemplo, a Bahia e Per-
nambuco, Salvador inclusive é a capital da colônia.

Outro fator a destacar é o não conhecimento total da colônia ainda sendo desbra-
vada. No início da colonização do Brasil, chegou-se a ter uma ideia de que a região
poderia ser o Éden, devido à colorida e diversificada fauna e flora, além da pureza dos

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24 SUMÁRIO
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Introdução aos estudos históricos

nativos, chamados de gentios (vistos como quase animais e desconhecedores da fé


cristã europeia e da cultura dita civilizada).

Porém, a inserção da cultura nativa e africana transformou a cultura na região, tendo


reflexo até nos dias atuais, assim como existem fatores negativos que são de origem
histórica da formação cultural do Brasil.

Desta maneira, neste primeiro momento, o Império luso além-mar segue proporcio-
nando altos lucros através do monopólio do açúcar.

Na Europa, o açúcar era procurado desde a antiguidade, por isso, sempre teve valor
elevado, agora, em grande quantidade, é acessível a mais pessoas, mas ainda é um
produto da elite, utilizado durante reuniões consideradas especiais, como remédio e
como bem em testamentos. Ter dentes podres era sinônimo de status sociais, pois se
o açúcar estraga os dentes e nem todos têm acesso, denotava poder e riqueza.

Outro ponto importante é que existia uma necessidade de povoar o novo mundo e
tendo em vista que Portugal é menor do que vários Estados brasileiros, o povoamen-
to se dava pela mestiçagem e também por degredos muitas vezes exercidos pela
Inquisição e uma frase era muito comum: ”Deus me livre do Brasil.”.

Além disso, os membros do clero pediam ao Rei por meio de cartas que mandasse
mulheres brancas e cristãs, pois os costumes nativos eram muito mais liberais que a
cultura cristã europeia. Havia relação sem casamento, amancebamentos e filhos fora
do casamento ou sem a prática deste, o que fez se eternizar outra frase: ”Não existe
pecado abaixo da linha do Equador”, sendo até frase de música no Século XX.

Nesse primeiro momento a colônia portuguesa atendia necessidades, interesses e


objetivos do Trono, da Burguesia e da Igreja.

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SUMÁRIO 25
UNIDADE 5
Introdução aos estudos históricos

OBJETIVO
Ao final desta
unidade,
esperamos
que possa:

> Estudar as sociedades da Europa


Medieval, no período do Século V
até o XV, compreendendo a visão do
imaginário, da política, da economia
e das relações sociais..
Introdução aos estudos históricos

5 HISTÓRIA MEDIEVAL
Nesta unidade, iremos estudar e compreender o processo de formação do período
denominado como Medieval ou Feudalismo, o processo histórico e a visão desta de-
terminada época de forma criticável contextualizada.

5.1 IDADE MÉDIA

É necessário lembrar que somos filhos de nosso tempo, e que as pessoas da Era Me-
dieval, eram como nós vivendo de acordo com seu período e também se considera-
vam modernos. Portanto o que seria essa Idade Média?

Bem, se voltarmos há mais de 1500 anos, na Europa, a paisagem era inversa aos dias
atuais, as cidades eram pequenas exceções em um “mar vegetal”, portanto a relação
do homem com a natureza era extremamente interligada a cultura, a economia, a
religião e a própria sobrevivência.

Diferentemente do mundo antigo, onde se buscava o diálogo e os conhecimentos,


as pessoas que viviam nesse período estavam ligadas somente as vidas da sua comu-
nidade, restritos de amplos conhecimentos, baseavam sua vida, a cultura e as leis no
seu cotidiano, a religião tinha grande influência na visão de mundo, as terras eram si-
nônimo de poder e riqueza, já que a relação entre homem e natureza era forte, quem
tinha as terras eram considerados com alto status social, pois determinava a forma de
sobrevivência e os grosseiros instrumentos de agricultura.

O processo histórico é dinâmico, pessoas e sociedades chegam, se transformam,


morrem e assim sucessivamente, os fatos e processos da História também são desta
forma, as transformações ao longo do tempo acontecem de forma natural.

O Império Romano do Ocidente teve como uma das principais causas de sua queda
as invasões bárbaras protagonizadas pelos povos germânicos que habitavam a região
a leste das fronteiras do Império. Ao lado da decadência da economia escravista e
da desestruturação militar, as invasões bárbaras foram apontadas por historiadores
como um dos principais processos que levaram ao fim do maior império da Antigui-

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SUMÁRIO 27
Introdução aos estudos históricos

dade, em 476 d.C.

A estrutura estamental da hierarquia da nobreza aliada ao sedentarismo e a fixação


social dos romanos, tendo o domínio dos povos germânicos, juntamente com a frag-
mentação das terras, surge um novo período, a Alta Idade Média (Séculos V -X). Este
período causou: fome, guerra, peste, fazendo com que as pessoas saíssem dos gran-
des centros e se refugiassem em terras seguras.

Surge o Feudalismo: “um sistema econômico, social e político baseado no vínculo


homem a homem, onde uma classe de guerreiros especializados e donos de terras,
subordinados uns aos outros pela hierarquia, tem vínculos de dependência e domi-
nam uma massa campesina que trabalham em suas terras, produzindo os víveres”
(Jaques Le Goff). O sinônimo de Feudo é benefício, concedido em troca de fidelidade
e obrigações, essa é a base dos laços feudais. Quem recebe a terra é chamado de
Vassalo e quem concede é o Suserano.

Outro laço muito forte deste período é a religião, no caso o Cristianismo, esse vínculo,
faz da Igreja Católica a Instituição mais poderosa do Sistema Feudal.

As artes medievais eram uma forma de propaganda religiosa de como ser um bom
cristão. O conhecimento era restrito a alta casta do clero, as demais pessoas eram
literalmente analfabetas, a única informação que tinham vinha da Igreja de onde se
baseavam as leis, os costumes cotidianos e os rituais.

A descentralização do poder dava aos Senhores Feudais autoridade, e assim quanto


maior a extensão de terras maior o comando, e neste caso a Igreja era a maior deten-
tora de terras, chegando a ter um terço de todos os Feudos na Europa.

Desta forma, a hierarquia social tinha uma justificativa religiosa e a definição social
era rígida e imutável.

Clero - Aqueles que rezam para salvarem as almas.

Nobres - Aqueles que lutam contra os hereges.

Servos /Camponeses - Aqueles que trabalham para manter as três classes.

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Introdução aos estudos históricos

A higiene era pouco recomendada pela própria igreja, chegando de um a dois ba-
nhos por ano, a mulher era vista como a pior tentação e era pouco respeitada por
ser descendente de Eva, a Igreja financiava prostíbulos com o intuito de preservar as
mulheres ditas de bem, para que não caíssem no pecado, já que o sexo era o pecado
mais mortal de todos e por isso todos já nasciam pecadores.

Morar num feudo era sinônimo de proteção contra a fome, guerra e peste, e geral-
mente mal se saiam de lá, era considerado um grande perigo. Outro fato, é que não
existia a ideia de indivíduo, todos eram fiéis à Igreja, ou servo e vassalo de um Senhor
e ao Rei.

Havia, portanto pouca circulação monetária, já que a economia era de subsistência e


os produtos eram baseados em troca, assim o valor dado era o da necessidade.

O funcionamento do trabalho era simples, quem tinha terra ou pertencesse a famílias


de senhores feudais ou da Igreja, não trabalhavam e os que não pertenciam trabalha-
vam, além das várias obrigações embutidas a essa classe como:

Talha - Metade da produção do servo que era destinada ao senhor.

Corveia - Trabalho feito nas terras onde morava o senhor feudal durante 3 a 4 dias.

Banalidades - Imposto pago pelo uso de qualquer ferramenta nas instalações do


Feudo.

Um Feudo era dividido em três partes:

Manso senhorial - Parte do Feudo onde habitava o senhor.

Manso comunal - Parte do Feudo onde era comum o encontro da nobreza que iam
caçar cavalgar e os servos trabalharem.

Manso laborial - Local onde os servos moravam, trabalhavam e faziam suas trocas de
produtos com outros servos.

O surgimento e crescimento do Sistema Feudal continuou sendo chamado de Alta


Idade Média, e assim um período de estabilidade com diminuição das guerras, fome
e pestes, contribuíram para um aumento populacional e produtivo, para o uso de no-
vas tecnologias no arado e para a volta da circulação da moeda, visto que o excesso

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SUMÁRIO 29
Introdução aos estudos históricos

produtivo não tinha como finalidade a troca mas sim a venda, já que o necessário já
estava garantido.

O auge do Feudalismo trouxe prosperidade, mas também mudanças e proporcionou


sua derrocada, essas mudanças possibilitaram não apenas a derrocada do Feudalis-
mo, como o início embrionário do Capitalismo.

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UNIDADE 6
Introdução aos estudos históricos

OBJETIVO
Ao final desta
unidade,
esperamos
que possa:

> partindo dos pressupostos


fundamentais postos pelo processo
de transformações territoriais na
Europa decorrente da Reforma
e pela nova visão de mundo que
resulta na Revolução Científica do
séc. XVII, o curso visa entender a
formação dos Estados modernos
por meio dos processos (culturais),
dos instrumentos institucionais
(religiosos) e da característica
ideia de progresso (científico),
que se constituem enquanto
fundamentos dos peculiares
aparelhos de poder (político), eles
se tornam a base da constituição,
antes, e da compreensão, depois da
inédita centralização que permitirá
a constituição dos modernos
Estados Nacionais.
Introdução aos estudos históricos

6 IDADE MODERNA
Nesta unidade vamos compreender a formação dos estados nacionais na Europa, a
partir dos processos culturais e religiosos. Além disso, vamos conhecer as principais
razões da Reforma Protestante.

6.1 EUROPA FEUDAL

A centralização dos novos Estados Nacionais, no entanto, não pode ser compreendida
sem levar em consideração, também, a discussão sobre a humanidade americana e
seus consequentes resultados políticos que repercutirá profundamente no contexto
da disputa colonial e no ideário político da Europa ocidental durante a formação dos
Estados europeus. Entre Espanha e França (onde se travou a primeira grande disputa
pela hegemonia europeia no momento de formação dos Estados modernos), antes;
no florescimento da refinada civilização holandesa do Seiscentos (fundamentada na
predominância comercial) e nas revolucionárias mudanças econômicas, políticas e
sociais da Inglaterra entre os séculos XVII e XVIII (aviamento de uma inédita revolução
industrial), depois; a América manterá uma função interlocutória fundamental para
a elaboração de um novo ideário político que devia transformar profundamente a
história europeia e que, ao mesmo tempo, resultará na “europeização” do mundo e
na “mundialização” da história. Nessa perspectiva e a partir de sua contextualização
histórica serão analisados, por consequência, os temas historiográficos do Antigo Re-
gime, do Iluminismo e da Revolução. Tratará, portanto, de estudar o processo de de-
sagregação e transformação que atingiu o mundo ocidental na segunda metade do
século XVIII e que redimensionou ou alterou profundamente a política, a economia,
a sociedade, as idéias e a mentalidade do homem moderno. No entanto, essas trans-
formações já vinham acontecendo e acabando por se vingar e posteriormente, com
as transformações no Sistema Feudal, além das transformações que ainda viriam a
prosperar na Europa, levou à queda do Sistema Feudal.

Inicialmente, a Europa Feudal teve um aumento da população, da produção, da cir-


culação monetária, do ressurgimento comercial e urbano, surgimento da classe dos
burgueses. Com isso, passaria a ter um excelente e lucrativo comércio com pivôs de
diferentes etnias, locais e ideias, tendo como grandes polos comerciais europeus, Gê-

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Introdução aos estudos históricos

nova e Veneza, através do mar Mediterrâneo.

Se antes as pessoas enclausuradas em feudos detinham apenas as informações pas-


sadas pela Igreja, agora as ideias passavam a circular entre a Europa novamente, o
que gerou críticas ao Sistema Feudal e à postura da Igreja. O acesso às informações,
às tecnologias e ao dinheiro muda de vez o cenário Medieval.

As terras começavam a ficar superpovoadas, a produção de alimentos não atendia as


necessidades de todos, servos passavam ou a fugir ou a serem expulsos dos feudos,
crianças eram abandonadas nas estradas. Tal cenário faz voltar a Guerra, a fome, a
peste. Assim, teremos a Guerra dos Cem anos entre França e Inglaterra, revoltas cam-
ponesas e o surgimento cultural inspirado nos gregos e romanos que buscavam o
conhecimento e passaram a criticar as ideias e posturas sociais e religiosas da Idade
Média e do Renascimento.

O crescimento econômico da Burguesia desagradava tanto a Igreja, quanto os senho-


res feudais. Para piorar a situação, a peste negra dizima 1/3 de toda a Europa.

6.2 RENASCIMENTO

Os valores da antiguidade clássica são retomamos por artistas e escritores que con-
cordavam que tais valores eram superiores ao de seu período.

Assim, acreditavam que tudo tinha uma explicação lógica e científica, sendo tais
ideais propícios para o desenvolvimento da experiência científica e do pensamento
racional e lógico, batendo de frente com os ideais pregados pela Igreja.

6.2.1 AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

• Antropocentrismo: o homem é a medida de todas as coisas, sendo a máquina


mais perfeita criada por Deus.

• Naturalismo: a busca pelo conhecimento do mundo que nos cerca e da na-


tureza.

• Experimentação: a base da ciência, após vários testes e se obtendo o mesmo

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SUMÁRIO 33
Introdução aos estudos históricos

resultado de uma minuciosa observação, era possível conhecer as leis que


governam o mundo e ter teorias comprovadas.

• Humanismo: o estudo de vários sábios e filósofos, que dissertavam sobre vá-


rios pactos da humanidade, valorizando o espírito humano, suas capacida-
des, potencialidades e diversidades humanas.

• Hedonismo: A valorização dos prazeres sensoriais, carnais e materiais, indo


contra a ideia Medieval de aceitação e sofrimento.

Esse período do Século XIV é conhecido como a Baixa Idade Média. A Igreja sendo
criticada e perdendo seu poder hegemônico obtido como o Feudalismo, as diversas
mudanças também contribuíram para a perda de força dos senhores feudais, mas,
duas classes se sentem insatisfeitas: a realeza (por querer mais poderes) e os burgue-
ses (que almejavam maior expansão comercial travada pelo Sistema Feudal) que fa-
zem uma união de interesses, o Rei apoiaria os burgueses contra os senhores feudais
que os queria como servos, e os burgueses financiariam o poder Real em troca de
comércios lucrativos, assim se dá o processo dos Estados Modernos.

6.3 ESTADOS NACIONAIS

Antes deste período, existiram Cidades-Estados, Impérios, Reinos, porém não havia a
concepção de Estado no formato como concebemos hoje.

Alguns conceitos se fazem necessário para entendermos a formação de países:

• Estado: é um conjunto de instituições públicas que administra um território,


essas instituições são escolas, hospitais, departamento de política entre ou-
tros.

• Nação: é a união entre um povo que provocou um sentimento de perten-


cimento, de união, tendo mais ou menos culturas, práticas sociais, idiomas.
Assim, nem sempre uma nação se equivale a um Estado, um exemplo disso
é o território Curdo.

Após estas definições, podemos perceber a importância de outras características for-


madoras dos Estados Nacionais:

• Definição das fronteiras do território.

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• Unificação da língua, da lei, da moeda.

• Criação de um exército nacional.

Para que se tornasse possível a formação dos Estados Nacionais, era necessário ter
uma política e uma economia definida.

6.3.1 ABSOLUTISMO

• Poder absoluto nas mãos do Rei. Apesar da ainda existência dos feudos, to-
dos são vassalos do Rei. Por isso, os países surgidos são também chamados
de Monarquias Nacionais.

• Interferências em todo e qualquer assunto de seu país, seja na economia ou


em assuntos religiosos.

• Parasitarismo do Rei e de sua corte, através do trabalho e impostos das clas-


ses trabalhadoras.

6.3.2 MERCANTILISMO

• Acúmulo de metais preciosos.

• Protecionismo econômico.

• Balança comercial favorável.

• Incentivo ao trabalho, ao comércio e à natalidade.

• Incentivo às navegações e às colonizações.

• Interferência estatal na economia.

• Criação do Pacto Colonial nas colônias.

• Monopólio comercial.

6.4 REFORMA PROTESTANTE

Durante o período de predomínio da Igreja Católica como monopólio religioso, vários


excessos passaram a ser exercidos.

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SUMÁRIO 35
Introdução aos estudos históricos

• Vendas de indulgências.

• Simonia.

• Venda de falsas relíquias sagradas.

• Luxo, luxúrias, vícios.

• Despreparo de boa parte do clero.

Desta maneira, parte do Clero insatisfeito, pedia uma reforma religiosa, prontamente
negada, pois a igreja não acompanhava os novos tempos.

Vários outros grupos e pensadores já vinham questionando a postura da Igreja, por


exemplo, os Cátaros, John Wycliffe, Jan Huss, além de cientistas como Nicolau Copér-
nico com a teoria do heliocentrismo, Francis Bacon, com seu método científico Eva
física de Isaac Newton.

Assim, após algumas propostas de reforma negada, muitos clérigos saíram Protes-
tando, ganhando a alcunha de protestantes. Dois clérigos se destacam, Martinho Lu-
tero e João Calvino. É válido lembrar que quem contrariasse a Igreja era tido como
herege e poderia ser punido pela Inquisição.

Assim, Lutero afixa um cartaz com 95 teses em contrariedade com a postura da Igre-
ja. Ele acaba se refugiando em território alemão, onde foi protegido por um nobre, a
nobreza alemã via com bons olhos, pois adquiririam os territórios pertencidos à Igreja.

6.4.1 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

• Salvação pela fé e não por boas ações.

• Presença da verdade somente através da Bíblia.

• Livre interpretação da Bíblia.

• Não aceitação do Papa como autoridade.

• Fim da crença em imagens.

• Fins de ordens religiosas.

• Fim do celibato.

• Extinção dos Ritos Católicos, exceto para o casamento e o batismo.

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Introdução aos estudos históricos

• Teoria da Predestinação.

• Incentivo ao lucro como aproximação de Deus.

João Calvino também contribui com suas ideias, inicialmente na França e depois foge
para Suíça, seu país de origem. As ideias atraíram grandes burgueses e Monarquias.

6.4.1.1 ANGLICANISMO

A Inglaterra, durante o processo da Reforma Protestante, se manteve ao lado da Igre-


ja Católica e inclusive perseguia os reformadores. A virada se deu com Henrique VIII,
para acabar com o controle religioso no país. O agravamento se dá quando o Papa
nega ao Rei a separação da Rainha Catarina de Aragão, que era uma nobre espanho-
la e tinha laços estreitos com a Igreja. Preocupado com a linha sucessória, precisava
ter um herdeiro e dos cinco filhos apenas uma menina sobrevive.

Seu desejo era casar-se com Ana Bolena, com o objetivo de ter um filho homem.
Assim, ignora a negativa da Igreja, rompe laços e cria o Anglicanismo, que na verdade
era uma mistura de protestantismo e catolicismo, em que o Rei era o chefe da Igreja,
além de retirar as terras da Igreja Católica e repassá-las aos nobres.

6.4.2 CONSEQUÊNCIAS DA REFORMA

• A perda de poder da Igreja Católica na Europa tanto religiosamente, quanto


politicamente.
• Fortalecimento dos princípios e interesses da Burguesia.
• Reação da Igreja Católica de refrear o avanço Protestante, preparando melhor
seus membros, contém os excessos cometidos pelos clérigos como a criação
do Index (livros proibidos que na visão Católica afrontavam a fé), criação do
Tribunal da Santa Inquisição.
• Embates entre Católicos e Protestantes, tendo o mais famoso caso o “Massa-
cre do dia de São Bartolomeu”.
• Adoção da Bíblia na língua nativa de cada país.
• Criação da Companhia de Jesus a fim de espalhar a fé Católica entre outros
locais fora da Europa.

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