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A Turquia e a União Europeia

A Turquia solicitou, em 1959, o estatuto de membro associado da então


Comunidade Económica Europeia (CEE). Em 1973, o Acordo de Ancara
(1963) e os respectivos protocolos adicionais permitem à Turquia poder
integrar a União Aduaneira. Em 1978/79 a Comunidade sugere que a
Turquia se candidate à adesão conjuntamente com a Grécia, sugestão então
declinada.

Na sequência do golpe de estado de Setembro 1980, as relações CEE-


Turquia são congeladas. Em 1987 e, no decorrer do Conselho Associação
Turquia-CEE de 1986, a Turquia candidata-se à adesão à CEE. Volvidos 2
anos, em 1989, a Comissão Europeia reconhece a elegibilidade da Turquia
para membro da UE mas questiona a avaliação da candidatura.

• Critérios de adesão
O acordo sobre a União Aduaneira concluído pelo Conselho de Associação
Turquia-UE, entra em vigor a 1 de Janeiro de 1996. A candidatura turca
ganha novo vigor e em 1999 foi-lhe atribuído o estatuto de candidato.

O Conselho de Ministros adopta a parceria de adesão UE-Turquia em 2001.


Sequencialmente, o governo turco adopta um programa nacional para a
adopção do acervo legislativo da UE. O parlamento turco aprova mais de 30
emendas à Constituição de modo a cumprir o critério político de adesão e
procede a reformas no sentido de cumprir o critério dos direitos humanos.
Em 2004, a Turquia assina um protocolo abolindo a pena de morte em
quaisquer circunstâncias.

Dos 35 capítulos para a adesão que a Turquia começou a negociar em


Outubro de 2005, um primeiro foi fechado em Junho de 2006, um segundo
aberto em Março passado mas, de um conjunto de outros três, a abrir no
passado dia 25, o referente à Política Económica e Monetária foi vetado pela
França.
A Turquia não pertence à Europa

Uma mera questão geográfica de fácil constatação (basta olhar para um mapa para
ver que só cerca de um terço da Turquia se encontra em solo europeu), mas que é
apresentado como o primeiro argumento de todos aqueles que não estão dispostos a ver
a Turquia na família europeia.
Muitos acreditam que a Europa deve crescer primeiro dentro do seu espaço geográfico,
especialmente expandindo-se para Leste, em vez de albergar um estado que é mais
asiático que europeu. Na verdade, se o núcleo do estado turco se encontra na Anatólia,
península asiática, incluindo a sua capital Ancara, também é verdade que desde o século
XV que a Turquia sempre representou um papel importante no xadrez europeu. Só que,
para os turco-cépticos, a Europa deve pertencer aos “europeus”. Para os turcos ficaria
uma “parceria privilegiada”.

Problemas:
O Islão

Esta é a principal razão, especialmente para o cidadão comum, do veto à


entrada da Turquia no espaço Europeu. A Europa é um país
maioritariamente cristão e que desde o século VIII vê o Islão com
desconfiança. Para muitos europeus, é impossível conciliar os valores
e ideais judaico-cristãos, o sustentáculo moral do continente, com uma
mentalidade conservadora e arcaica como o Islão. E se as minorias
muçulmanas na Europa não conseguem dar o melhor exemplo de
integração (os guetos de Marselha e a polémica do véu em França
são os casos mais gritantes), mais razões clamam os defensores do
“Clube Cristão” para trazer um problema ainda maior para o seio
da Europa. E se é verdade que muitos líderes europeus queriam
incluir o legado e a herança cristãos na fundação da Europa (algo
que não chegou a ser concretizado), então é mais verdade ainda
que os cidadãos da Europa não estão com vontade de partilhar o
seu mundo com setenta milhões de pessoas com as quais não
possuem quaisquer semelhanças. E criar um conflito religioso
dentro das muralhas europeias, para quem quer criar uma Europa
de valores, seria a estocada final no sonho europeu.

A economia turca

Esta é a preocupação de muitos chefes de Estado (a Áustria lidera o pelotão) e


principalmente dos líderes de países pequenos, cuja economia ainda não arrancou de
forma clara. Segundo estudos levados a cabo pela própria União Europeia, a adesão da
Turquia custaria aos cofres da União entre 19 e 27 milhões de euros por ano. Ou
seja, o preço a pagar pela entrada da Turquia na UE custaria anualmente 0.17%
do PIB europeu.
Tudo isto porque a Turquia ainda é um país com uma economia bastante atrasada.
A agricultura é particularmente arcaica (o que se reflectiria perigosamente na
Politica Agrícola Comum) e a indústria e comércio não estão suficientemente
desenvolvidos para competirem com os parceiros europeus. E deixar entrar um país
membro com 70 milhões de habitantes para este salta para a cauda Europa era como ter
uma âncora no navio europeu a impedir a Europa de ir mais além. Ancara já prometeu
tentar fazer tudo para diminuir o atraso mas os países mais pequenos que vivem dos
fundos europeus não vão querer perder a sua fatia do bolo para a Turquia.

Os direitos humanos

O caso Leyla Zana é o espelho da política turca em relação aos direitos humanos. A antiga
deputada e militante dos direitos da minoria curda, premiada com o Prémio Sakharov –
que só agora recebeu - esteve detida durante dez anos por lutar pelos direitos dos curdos.
Só este ano, e graças a fortes pressões de Bruxelas, é que Zana foi libertada, juntamente
com três companheiros, pelo governo de Ancara.
O facto de ainda existirem presos políticos na Turquia, da liberdade de
expressão não ser ainda um direito garantido e de que todos os dias existam
mulheres a serem desrespeitadas impunemente é um dos grandes senãos da
adesão turca. Bruxelas já deixou bem claro que se Ancara quer entrar no espaço europeu
tem de eliminar definitivamente estes focos de desrespeito pelos direitos do Homem. A
própria comissão que recomendou o início do processo de negociações foi contundente ao
afirmar que o processo deve ser interrompido se se verificar que a Turquia continua sem se
apresentar como um pais onde as liberdades estejam garantidas para todos os seus
cidadãos, sejam eles da minoria curda, mulheres, crianças ou membros da oposição. É um
dos temas que desperta mais apreensão no seio dos líderes europeus e segundo os
especialistas da própria UE, com grande razão.

Chipre

Outro problema grave e de difícil solução. Aliás, cuja solução é necessária para
o processo ter lugar. A Turquia ocupa a parte norte da ilha do Chipre, tendo aí
instalado uma República reconhecida apenas por Ancara. No sul da ilha está a
Republica do Chipre, que em Maio passado se tornou oficialmente membro da União
Europeia. Ora, como Jack Straw, ministro dos negócios estrangeiros britânico apontou, é
impossível um membro não reconhecer um outro dentro da União. E assim a Turquia tem
apenas uma solução. Retirar as tropas do norte da ilha, desfazer a divisão que existe ainda e
reconhecer a Republica do Chipre como estado legítimo. Só que o processo tem conhecido
complicações. Já este ano um referendo sobre a reunificação da ilha falhou por completo,
para notório desagrado de Bruxelas. A própria população turca sempre reclamou o Chipre
como seu por direito e não verá com bons olhos a desistência do governo nas pretensões à
ilha. E o governo cipriota já ameaçou que vetará o início das negociações no próximo dia 17
se a Turquia não reconhecer oficialmente a Republica do Chipre.

O peso no Conselho Europeu

Talvez a razão que está por detrás do anunciado veto francês. Sem o admitirem, a verdade é
que muitos são os países europeus que estão assustados com o facto de a Turquia passar a
ser – caso venha a ser aceite como membro – o segundo maior estado da Europa. E como a
nova Constituição Europeia – aprovada mas ainda não ratificada – explicita que, para a
maior parte das políticas comuns será necessária uma maioria de dois terços dos europeus,
então o papel que a Turquia poderá representar no futuro da Europa salta à vista. Muitos
dos países de pequena e média dimensão (os mesmos que em Nice se bateram
contra a união franco-alemã) acham que é perigoso abrir as portas para um
consulado dos grandes países (Alemanha, França, Turquia, Reino Unido). Já os
grandes países não estão dispostos a perder a sua influência com a entrada de um membro
igualmente poderoso e que, aliado com vários outros estados (Polónia, Espanha, Itália)
pode ditar as regras do jogo europeu.
Os mais perspicazes atentam mesmo que a regra da maioria de dois terços qualificados foi
uma exigência pessoal de Valery Giscard D´Estaign, um notório oponente da entrada da
Turquia, de forma a criar nos europeus a ideia de que uma Turquia na EU será sempre uma
Turquia poderosa demais. E há quem já tenha feito as contas de cabeça apontando que uma
Turquia de 100 milhões de habitantes nos próximos 30 anos pode controlar muitas das
decisões mais importantes do Conselho Europeu aliando-se a países sem expressão politica
na comunidade. Um risco que muitos não estão dispostos a correr.

Rede Natura 2000


A Rede Natura 2000 é uma rede ecológica coerente cujo objectivo é a conservação da
diversidade biológica e ecológica dos Estados Membros da Comunidade Europeia
atendendo às exigências económicas, sociais e culturais das diferentes regiões que a
constituem.

Objectivos e Medidas

A ENCNB, para vigorar até ao ano 2010, assume três objectivos gerais:

- Conservar a Natureza e a diversidade biológica, incluindo os elementos


notáveis da geologia, geomorfologia e paleontologia;

- Promover a utilização sustentável dos recursos biológicos;

- Contribuir para a prossecução dos objectivos visados pelos processos de


cooperação internacional na área da conservação da Natureza em que
Portugal está envolvido.

Para a concretização destes objectivos, a ENCNB formula 10 opções


estratégicas:

1) Promover a investigação científica e o conhecimento sobre o


património natural, bem como a monitorização de espécies, habitats e
ecossistemas;
2) Constituir a Rede Fundamental de Conservação da Natureza e o
Sistema Nacional de Áreas Classificadas, integrando neste a Rede Nacional
de Áreas Protegidas;
3) Promover a valorização das áreas protegidas e assegurar a
conservação do seu património natural, cultural e social;
4) Assegurar a conservação e a valorização do património natural
dos sítios e das zonas de protecção especial integrados no processo da
Rede Natura 2000;
5) Desenvolver em todo o território nacional acções específicas de
conservação e gestão de espécies e habitats, bem como de salvaguarda e
valorização do património paisagístico e dos elementos notáveis do
património geológico, geomorfológico e paleontológico;
6) Promover a integração da política de conservação da Natureza e
do princípio da utilização sustentável dos recursos biológicos na política de
ordenamento do território e nas diferentes políticas sectoriais;
7) Aperfeiçoar a articulação e a cooperação entre a administração
central, regional e local;
8) Promover a educação e a formação em matéria de conservação
da Natureza e da biodiversidade;
9) Assegurar a informação, sensibilização e participação do público,
bem como mobilizar e incentivar a sociedade civil;
10) Intensificar a cooperação internacional

Curdistão
Mais de 35.000 mortos, cerca de 2,5 a 3 milhões expulsos das suas casas e deslocados
só no sudeste da Turquia, milhares de refugiados, dez mil aldeias kurdas destruídas,
instituição de um sistema de aldeias vigiadas, interdição do uso da língua, proibição de
escolas próprias, não reconhecimento da sua existência como nação, eis um balanço
sumário da guerra de extermínio que o regime turco lançou e tem em curso contra o
povo kurdo. É assim na Turquia. Mas também é assim no norte do Iraque.

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