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David Hamilton afirma que nos dias atuais algumas pessoas acreditam que a

escolaridade atual está morrendo e deveria ser substituído por uma forma de ensino que
se intitula Aprendizado em Linha, formando assim, a Sociedade da Aprendizagem.

Para o autor é importante voltarmos ao passado para analisarmos o presente e


projetarmos o futuro da educação em nossa sociedade. Hamilton, afirma que a
organização da educação moderna se estruturou em práticas e ideias, dessa forma,
surgindo um modo de educação baseado na tecnologia instrucional. Antes a educação se
focalizava o que e como as crianças deveriam aprender, depois, passou a dar mais
atenção ao que e como os alunos deveriam aprender.

Dois textos mostram como os Jesuítas desenvolviam seu modelo de educação


por meio do pensamento instrucional, Execitia spiritualia e o Ratio studiorum. O
Exercitia spiritualia como um manual de autoinstrução e autodisciplina e o Ratio
studiorum procura organizar práticas existentes.

Com o passar dos tempos, o autor afirma que quatrocentos anos mais tarde, as
diferenças entre aprendizagem e instrução têm voltado à tona como forma de discutir
uma nova reestruturação educacional, dentro de uma sociedade de aprendizagem que
vem substituindo a sociedade industrial, considerando um renascimento educacional.
Portanto, o capital humano é elevado ao mesmo patamar do capital financeiro e essa
nova visão de aprendizado, coletivamente, irá se relacionar com as economias do futuro,
movidas a conhecimento. Nesse contexto, o que se destaca nessa sociedade é
conhecimento e habilidade.

Para poder entender o texto melhor, Hamilton explica que aprendizagem em


linha, ou aprendizagem eletrônica, tende a ocorrer mais por iniciativa do aluno do que
pelo professor, assim, apontaria para a morte do professor, sendo substituídas pela
relação alunos – conexões Internet, desse modo, desenvolvendo currículos sem
professor onde o currículo seria um planejamento para aprendizagem e não para o
ensino.

Sendo assim, se valoriza os processos e não o conhecimento. Nessa sociedade a


noção de aprender a aprender se valoriza em detrimento ao conhecimento como
doutrina, priorizando o meta-conhecimentos a meta-cognição, pressupondo que serão
capazes de julgar quando um curso de ação deve ser abandonado. Nesse sistema, outro
ponto a ser revisto foi à forma de avaliação, pois nesse momento, os alunos acreditam
estar conduzindo a própria aprendizagem.

Um ponto em que o autor deixa claro é para um possível fim da escolaridade


moderna com o advento da aprendizagem em linha, dessa forma, Hamilton adverte que
as justificativas, da Sociedade de aprendizagem, para uma nova forma de educação seria
a afirmação de ser algo novo, original e futurista; que seria uma reengenharia em massa
da escolaridade “tradicional”; e que seria a construção de um novo começo, substituindo
as práticas obsoletas da escola instrucional.
Apesar disso, para Hamilton, a Sociedade da Aprendizagem é um amálgama
enganador de retórica e lógica em que a falta de lógica é compensada pela retórica. Para
o autor, essa sociedade é uma fantasia tipo Guerras nas Estrelas, baseado no pressuposto
utópico de que o que pode ser imaginado pode ser transmitido. O autor ainda faz críticas
referentes ao relacionar a Sociedade de aprendizagem a contextos sociais vinculadas ao
consumo, onde se configura um grande negócio, profundamente implicada em produção
global e marketing, abarcando um mundo segmentado, dividido e desigual. Os
engenheiros de software e web designers são os pedagogos da aprendizagem em linha.

Por fim, para Hamilton a educação é um processo de empoderamento e está


perdendo espaço para a retórica da sociedade da aprendizagem em um contexto onde ela
prega empoderamento, mas o que de fato podemos observar é que isso não acontece e o
que surge é a relação de uma educação em seu desenvolvimento, para cada pessoa,
depende do poder que ela detêm na sociedade.