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PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO PÚBLICO

TURMA 01 - (QUA) 29.05.2019


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Resumo Aula 7

Prof. Ricardo Andreucci

PRINCÍPIOS BÁSICOS DO DIREITO PENAL

- Princípio da legalidade e seus desdobramentos em 4 subprincípios:


1) Lege praevia – Anterioridade;
2) Lege scripta – Reserva legal;
3) Lege stricta – Proibição de analogia;
4) Lege certa – Taxatividade (ou mandato de certeza).

RESERVA LEGAL
Só a União pode legislar em matéria de direito penal.
Só lei Federal pode dispor sobre Direito Penal.
Art. 22, I, da CF – União.
Art. 59 da CF – espécies normativas.
Somente lei ordinária e lei complementar.
Lei delegada – vedação do art. 68, § 1º, 3ª figura, CF – direitos individuais.
Medida provisória sobre matéria penal – vedação - art. 62, § 1º, I, “b”, CF.
Medida provisória não pode dispor sobre direito penal.
EXCEPCIONALIDADE Med. Prov. Benéficas em matéria penal: STF - RE 254818/PR – DJ 19.12.2002 –
RTJ 184/301.

O Princípio da Legalidade também se aplica às contravenções penais e às medidas de segurança.

* Infração penal é gênero, com duas espécies: crime e contravenção

- Princípio da aplicação da lei mais favorável


Princípio que tem como essência outros dois princípios penais que o compõem: o princípio da
irretroatividade da lei mais severa e o princípio da retroatividade da lei mais benéfica.

- Princípio da taxatividade (“lege stricta”)


Decorre do princípio da legalidade, exigindo que a lei seja certa, acessível a todos, devendo o legislador,
quando redige a norma, esclarecer de maneira precisa, taxativamente, o que é penalmente admitido.
Devem ser evitados, portanto, os tipos penais abertos, que são aqueles cujas condutas proibidas somente
são identificadas em função de elementos exteriores ao tipo penal.

- Princípio da ofensividade (princípio do fato ou princípio da exclusiva proteção do bem jurídico)


Segundo esse princípio, não há crime quando a conduta não tiver oferecido, ao menos, um perigo
concreto, efetivo, comprovado, ao bem jurídico.

“Nulum crimen sine injuria”

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- Princípio da alteridade (princípio da transcendentalidade)


De acordo com esse princípio, não devem ser criminalizadas atitudes meramente internas do agente,
incapazes de atingir o direito de outro (“altero”), faltando, nesse caso, a lesividade que pode legitimar a
intervenção penal.

- Princípio da adequação social


Desconsidera crime o comportamento que não afronta o sentimento social de justiça, de modo que
condutas aceitas socialmente não podem ser consideradas crime, não obstante sua eventual tipificação.
Ex.: jogo do bicho, “pirataria”, lenocínio (exploração da prostituição), escrito ou objeto obsceno (art. 234,
CP).

- Princípio da intervenção mínima (Direito Penal mínimo)


Prega que não se justifica a intervenção penal quando o ilícito puder ser eficazmente combatido por
outros ramos do Direito (Civil, Administrativo, Trabalhista etc.).
Sustentando a necessidade de ser o Direito Penal subsidiário, somente atuando quando os demais ramos
do Direito falharem (“ultima ratio”).

- Princípio da fragmentariedade
Do princípio da intervenção mínima deriva o princípio da fragmentariedade, segundo o qual deve o Direito
Penal proteger apenas os bens jurídicos de maior relevância para a sociedade, não devendo ele servir para
a tutela de todos os bens jurídicos.

- Princípio da insignificância (bagatela)


Esse princípio deita suas raízes no Direito Romano, onde se aplicava a máxima civilista de “minimis non
curat praetor”, sustentando a desnecessidade de se tutelar lesões insignificantes aos bens jurídicos.
Não se aplica apenas aos crimes patrimoniais, mas a qualquer crime que se considere de lesão mínima.

Acolhido o princípio da insignificância, está excluída a própria tipicidade, desde que satisfeitos quatro
requisitos:
a) mínima ofensividade da conduta do agente;
b) ausência de total periculosidade social da ação;
c) ínfimo grau de reprovabilidade do comportamento;
d) inexpressividade da lesão jurídica ocasionada.

- Princípio da proporcionalidade da pena


De cunho eminentemente constitucional, o princípio em análise preconiza a observância, no sistema
penal, de proporcionalidade entre o crime e a sanção.

- Princípio da individualização da pena


De raízes constitucionais (art. 5.º, XLVI), se assenta na premissa de que o ilícito penal é fruto da conduta
humana, individualmente considerada, devendo a sanção penal recair apenas sobre quem seja o autor do
crime, na medida de suas características particulares, físicas e psíquicas.

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- Princípio da humanidade
O princípio da humanidade é decorrência lógica dos princípios da proporcionalidade e da individualização
da pena. Segundo ele, a pena e seu cumprimento devem se revestir de caráter humanitário, em respeito
e proteção à pessoa do preso.
Este princípio vem consagrado na Constituição Federal (art. 5.º, III), que veda a tortura e o tratamento
desumano ou degradante a qualquer pessoa, e também na vedação de determinadas penas, como a de
morte, de prisão perpétua, de trabalhos forçados, de banimento e outras penas cruéis (art. 5.º, XLVII).

A LEI PENAL NO TEMPO

Conflito de leis penais no tempo – solução

- Princípio da irretroatividade da lei mais severa: a lei penal mais severa nunca retroage para prejudicar o
réu;
- Princípio da retroatividade da lei mais benigna: a lei penal mais benigna sempre retroage para beneficiar
o réu.

a) abolitio criminis, que ocorre quando a nova lei suprime normas incriminadoras anteriormente
existentes, ou seja, o fato deixa de ser considerado crime;
b) novatio legis incriminadora, que ocorre quando a nova lei incrimina fatos antes considerados lícitos, ou
seja, o fato passa a ser considerado crime;
c) novatio legis in pejus, que ocorre quando a lei nova modifica o regime penal anterior, agravando a
situação do sujeito;
d) novatio legis in mellius, que ocorre quando a lei nova modifica o regime anterior, beneficiando o sujeito.

Ultra-atividade
É a aplicação de uma lei mais benéfica que tem eficácia mesmo depois de cessada a sua vigência. Ocorre
quando a lei nova, que revoga a anterior, passa a reger o fato de forma mais severa.

A ultra-atividade e a retroatividade são qualidades que a lei mais benigna possui, qualidades estas que
são denominadas extra-atividade.

Eficácia das leis penais temporárias e excepcionais


Art. 3.º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as
circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência.

Leis penais temporárias são aquelas que possuem vigência previamente fixada pelo legislador. Este
determina que a lei terá vigência até certa data.
Leis penais excepcionais são aquelas promulgadas em casos de calamidade pública, guerras, revoluções,
cataclismos, epidemias etc. Vigem enquanto durar a situação de anormalidade.

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O TEMPO DO CRIME
A prática do crime é o momento da ação ou da omissão.
O nosso Código Penal adotou a teoria da atividade no art. 4.º, que diz:

Art. 4.º Considera-se praticado o crime no momento da ação


ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.

EFICÁCIA DA LEI PENAL NO ESPAÇO

Art. 5.º Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de


convenções, tratados e regras de direito internacional, ao
crime cometido no território nacional.

Atenção: Não se deve confundir eficácia da lei penal no espaço com competência territorial. Esta última,
considerando o crime praticado no território nacional, tem seu regramento estabelecido por normas
processuais, nos termos dos arts. 69 e seguintes do CPP.

PRINCÍPIOS ADOTADOS PELO BRASIL

O Brasil adotou o princípio da territorialidade como regra e os demais princípios como exceção. Vide art.
7º do CP – Extraterritorialidade

Assim sendo, o princípio adotado pelo Brasil denomina-se princípio da territorialidade temperada, uma
vez que a regra da territorialidade prevista no art. 5.º do Código Penal não é absoluta, comportando
exceções nos casos previstos em lei e em convenções, tratados e regras de direito internacional.

TERRITORIALIDADE E CONTRAVENÇÃO
PENAL: Art. 2º da LCP: “A lei brasileira só é aplicável à contravenção praticada no território nacional.”

Lugar do crime
O Brasil adotou a teoria mista ou da ubiquidade, conforme o disposto no art. 6.º do Código Penal:

Art. 6.º Considera-se praticado o crime no lugar em que


ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem
como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado

Obs: Acompanhar as aulas e estudos com doutrina.


Sugestão do Professor: Manual de Dir. Penal/ Editora Saraiva/ Ricardo Antonio Andreucci

ATÉ A PROXIMA AULA

BONS ESTUDOS!!!

Profª. Aline Soares da Mota__

Bons estudos!!

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