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MANUAL DO CURSO DE LICENCIATURA EM

CONTABILIDADE E AUDITORIA

2º Ano

Disciplina: CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

Código: ISCED21-ECOCFE013

Total Horas/1o Semestre: 125


Créditos (SNATCA): 5
Número de Temas: 8

INSTITUTO SUPER

INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA- ISCED


ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Direitos de autor (copyright)

Este manual é propriedade do Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED), e


contém reservado todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução parcial ou total
deste manual, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico,
gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa de entidade editora (Instituto
Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED).

A não observância do acima estipulado o infractor é passível a aplicação de processos judiciais


em vigor no País.

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Agradecimentos

O Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) é o autor do presente manual


agradece a colaboração dos seguintes indivíduos e instituições na elaboração deste manual:

Pela Coordenação Direcção Académica do ISCED

Pelo design Direcção de Qualidade e Avaliação do ISCED

Financiamento e Logística Instituto Africano de Promoção da Educação


a Distancia (IAPED)

Filipe Francisco Savela, Licenciado em


Pela Revisão
Contabilidade e Auditoria pela UCM.

Elaborado Por: Paulo Dias Samuel, Mestrado em Contabilidade, Auditoria e Gestão

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Índice de tabelas

TABELA 1: RELAÇÃO DE SALDOS DAS EMPRESAS .............................................................................................................. 12


TABELA 2: INDICAÇÃO DAS ACÇÕES QUE A CADA SOCIEDADE DETÉM NO DIREITO DE VOTO....................................................... 66
TABELA 3: MÉTODOS DE CONTABILIZAÇÃO DOS INVESTIMENTOS FINANCEIROS ..................................................................... 70
TABELA 4: REVOLUÇÃO DO EXERCÍCIO DE EXPLICAÇÃO – DIA 05/02/N .............................................................................. 76
TABELA 5: EVOLUÇÃO DA SITUAÇÃO LÍQUIDA DA SOCIEDADE A .......................................................................................... 79
TABELA 6: RESOLUÇÃO DO DIA 01/01/N ...................................................................................................................... 79
TABELA 7: RESOLUÇÃO DO DIA 31/12/N ...................................................................................................................... 80
TABELA 8: RESOLUÇÃO DO 15/05/N+1 ....................................................................................................................... 80
TABELA 9: RESOLUÇÃO DO DIA 31/12/N+1 .................................................................................................................. 81
TABELA 10: RESOLUÇÃO, ANO N - AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO ...................................................................................... 82
TABELA 11: RESOLUÇÃO, ANO N+1 – RECEBIMENTO DE DIVIDENDOS ................................................................................ 82
TABELA 12: REGISTO NA CONTABILIDADE DA XY, ANO 01/01/N ...................................................................................... 85
TABELA 13: RESOLUÇÃO DO ANO 31/12/N - QUOTA-PARTE DOS RESULTADOS DA ABC ....................................................... 85
TABELA 14: RESOLUÇÃO DO ANO N+1 – RECEBIMENTOS DOS DIVIDENDOS ......................................................................... 85
TABELA 15: RESOLUÇÃO DO ANO 31/12/N+1 – QUOTA-PARTE DOS RESULTADOS DA ABC .................................................. 85
TABELA 16: RESOLUÇÃO DO ANO N+1 – RECEBIMENTO DO DIVIDENDO ............................................................................. 86
TABELA 17: RESOLUÇÃO DO ANO N+1 – REVALORIZAÇÃO DE ACTIVO FIXO TANGÍVEL NA INVESTIDA ........................................ 86
TABELA 18: RESOLUÇÃO DO ANO 01/01/N – AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES EM X ............................................................. 87
TABELA 19: RESOLUÇÃO DO ANO 31/12/N .................................................................................................................. 87
TABELA 20: RESOLUÇÃO DO ANO N+1 – RECEBIMENTO DO DIVIDENDO ............................................................................. 87
TABELA 21: RESOLUÇÃO DO ANO 31/12/N+1 .............................................................................................................. 88
TABELA 22: REGISTO DA PERDA POR IMPARIDADE .......................................................................................................... 89
TABELA 23: MOVIMENTO CONTABILÍSTICO DA PERDA DE INFLUÊNCIA SIGNIFICATIVA ............................................................. 89
TABELA 24: RESOLUÇÃO, EM 01/01/N – SUBSCRIÇÃO E REALIZAÇÃO ................................................................................ 91
TABELA 25: RESOLUÇÃO, EM 31/12/N – QUOTA-PARTE NOS RESULTADOS ........................................................................ 91
TABELA 26: RESOLUÇÃO, EM 31/12/N – PASSIVOS POR IMPOSTOS DIFERIDOS ................................................................... 91
TABELA 27: RESOLUÇÃO DO ANO N+1 – RECEBIMENTO DE DIVIDENDOS ............................................................................ 91
TABELA 28: RESOLUÇÃO DO ANO N+1 – REGULARIZAÇÃO DOS IMPOSTOS DIFERIDOS ........................................................... 92
TABELA 29: ANO N+1 – INFORMAÇÕES SOBRE RESULTADOS NÃO DISTRIBUÍDOS (RETIDOS) NA PARTICIPADA ............................ 92
TABELA 30: EM 31/12/N+1 – IMPOSTOS DIFERIDOS (ACTIVOS) – A EMPRESA PARTICIPADA APRESENTA PREJUÍZOS DE 150,00
37,5 = 25% X 150,00 ...................................................................................................................................... 92
TABELA 31: RESOLUÇÃO DO 31/12/N+1 – ACTIVOS POR IMPOSTOS DIFERIDOS .................................................................. 92
TABELA 32: RESOLUÇÃO DO N-1 – SUBSCRIÇÃO E REALIZAÇÃO PELO MÉTODO DE CUSTO ....................................................... 93
TABELA 33: RESOLUÇÃO DO N – TRANSIÇÃO PARA O MEP .............................................................................................. 93
TABELA 34: CLASSIFICAÇÃO DAS EMPRESAS PARTICIPADAS................................................................................................ 99
TABELA 35: BALANÇO INDIVIDUAL 1 DA COMPANHIA A ................................................................................................. 137
TABELA 36: BALANÇO DA COMPANHIA B ..................................................................................................................... 137
TABELA 37:BALANÇO CONSOLIDADO 1 DA COMPANHIA A .............................................................................................. 138
TABELA 38: BALANÇO INDIVIDUAL 2 DA COMPANHIA A................................................................................................. 138
TABELA 39: BALANÇO CONSOLIDADO 2 DA COMPANHIA A............................................................................................. 139
TABELA 40: BALANÇO INDIVIDUAL 3 DA COMPANHIA A................................................................................................. 139
TABELA 41: BALANÇO CONSOLIDADO 3 DA COMPANHIA A............................................................................................. 140

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TABELA 42: BALANÇO CONSOLIDADO 2 DA COMPANHIA A, COM PARTICIPAÇÃO MINORITÁRIA A VALOR JUSTO ....................... 141
TABELA 43: BALANÇO CONSOLIDADO 3 DA COMPANHIA A, COM PARTICIPAÇÃO MINORITÁRIA A VALOR JUSTO ....................... 142
TABELA 44: BALANÇO SEPARADO 1 DA COMPANHIA A .................................................................................................. 142
TABELA 45: BALANÇO SEPARADO 2 DA COMPANHIA A .................................................................................................. 143
TABELA 46: BALANÇO SEPARADO 3 DA COMPANHIA A .................................................................................................. 143
TABELA 47: BALANÇO DAS SOCIEDADES A E B PARA EFEITOS DE FUSÃO............................................................................. 146
TABELA 48: DIFERENÇA DE AVALIAÇÃO PATRIMONIAL CORPÓREO DE B EXCEPTO GOODWILL ................................................. 147
TABELA 49: RESUMO DO BALANÇO CONSOLIDADO – ACTIVO.......................................................................................... 156
TABELA 50: RESUMO DO BALANÇO CONSOLIDADO – FUNDOS PRÓPRIOS/CAPITAL PRÓPRIO E PASSIVO .................................... 157
TABELA 51: DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS CONSOLIDADA – PROVEITOS...................................................................... 157
TABELA 52: DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS CONSOLIDADA – CUSTOS .......................................................................... 158
TABELA 53: TAREFAS E OPERAÇÕES A DECORREREM NUM ANO RESPEITANTE AO ANO ANTERIOR ............................................ 164

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Índice

ÍNDICE DE TABELAS ......................................................................................................................................... III

VISÃO GERAL .................................................................................................................................................... 1

BEM-VINDO À DISCIPLINA/MÓDULO DE CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS................................................ 1


OBJECTIVOS DO MÓDULO ......................................................................................................................................... 1
QUEM DEVERIA ESTUDAR ESTE MÓDULO ...................................................................................................................... 2
COMO ESTÁ ESTRUTURADO ESTE MÓDULO .................................................................................................................... 2
ÍCONES DE ACTIVIDADE ............................................................................................................................................. 3
HABILIDADES DE ESTUDO ........................................................................................................................................... 4
PRECISA DE APOIO?.................................................................................................................................................. 5
TAREFAS (AVALIAÇÃO E AUTO-AVALIAÇÃO) ................................................................................................................... 6
AVALIAÇÃO ............................................................................................................................................................ 7

TEMA – I: CONSIDERAÇÕES GERAIS. ................................................................................................................. 9

UNIDADE TEMÁTICA 1.1.INTRODUÇÃO, CONSIDERAÇÕES GERAIS À DISCIPLINA: NATUREZA, OBJECTIVOS, EMPRESAS QUE ESTÃO
OBRIGADAS A EFECTUAR A CONSOLIDAÇÃO, NORMAS DA COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS, DIFERENÇA NA DATA DE
ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO, COMO EFECTUAR A CONSOLIDAÇÃO, UNIFORMIDADE DE CRITÉRIOS CONTABILÍSTICOS E
PARTICIPAÇÃO DE MINORITÁRIOS. ............................................................................................................................... 9
INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................................... 9
SUMÁRIO ............................................................................................................................................................. 13
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO – 1: .................................................................................................................. 14
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO ................................................................................................................................... 14
UNIDADE TEMÁTICA 1.2. VALORES A SEREM ELIMINADOS NA CONSOLIDAÇÃO................................................................. 15
SUMÁRIO ............................................................................................................................................................. 19
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO – 1: .................................................................................................................. 19
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO ................................................................................................................................... 20
UNIDADE TEMÁTICA 1.3. EXERCÍCIOS DESTE TEMA. ................................................................................................ 20
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO – 2: ............................................................................................................................ 20

TEMA – II: CONCENTRAÇÕES EMPRESARIAIS E CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS ......... 21

UNIDADE TEMÁTICA 2.1. CAUSAS E IMPORTÂNCIA DA CONCENTRAÇÃO EMPRESARIAL, OS GRUPOS DE SOCIEDADES, CONCEITO DE
GRUPO, TIPOS DE DEPENDÊNCIA E TIPOS DE GRUPOS. .................................................................................................... 21
SUMÁRIO ............................................................................................................................................................. 29
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO – 1: .................................................................................................................. 30
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO ................................................................................................................................... 31
UNIDADE TEMÁTICA 2.2. FORMAS DE DOMÍNIO, TIPOS DE CONTROLO, PERCENTAGEM DE INTERESSE E DE CONTROLO E RELAÇÕES
JURÍDICAS ENTRE EMPRESAS (C.S.C.) ......................................................................................................................... 31
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO – 1: .................................................................................................................. 53
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO ................................................................................................................................... 54
UNIDADE TEMÁTICA 2.3. A CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS: CONCEITO; OBJECTIVOS; VANTAGENS;
LIMITAÇÕES; CONCEITOS DE CONJUNTO CONSOLIDÁVEL E PERÍMETRO DE CONSOLIDAÇÃO. .................................................... 54

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EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO – 1: .................................................................................................................. 66


EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO ................................................................................................................................... 67
UNIDADE TEMÁTICA 2.4. EXERCÍCIOS DESTE TEMA. ................................................................................................ 68
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO – 2: ............................................................................................................................ 68

TEMA – III: MÉTODOS DE CONTABILIZAÇÃO DOS INVESTIMENTOS FINANCEIROS .......................................... 69

UNIDADE TEMÁTICA 3.1. INVESTIMENTOS FINANCEIROS, INVESTIMENTOS EM ASSOCIADAS E INVESTIMENTOS EM ENTIDADES


CONJUNTAMENTE CONTROLADAS. ............................................................................................................................. 69
SUMÁRIO ............................................................................................................................................................. 77
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO – 1: .................................................................................................................. 77
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO ................................................................................................................................... 78
UNIDADE TEMÁTICA 3.2. INVESTIMENTOS EM SUBSIDIÁRIAS E APLICAÇÃO DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. ...... 78
SUMÁRIO ............................................................................................................................................................. 93
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO – 1: .................................................................................................................. 94
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO ................................................................................................................................... 94
UNIDADE TEMÁTICA 3.3. EXERCÍCIOS DESTE TEMA. ................................................................................................ 95
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO – 2: ............................................................................................................................ 95

TEMA – IV: MÉTODOS E PROCEDIMENTOS DE CONSOLIDAÇÃO ..................................................................... 97

UNIDADE TEMÁTICA 4.1. DETERMINAÇÃO DO PERÍMETRO DE CONSOLIDAÇÃO SEGUNDO O SNC, ORGANIGRAMA DE


CONSOLIDAÇÃO, SOCIEDADES OBRIGADAS A ELABORAR CONTAS CONSOLIDADAS, DISPENSAS E EXCLUSÕES DE CONSOLIDAÇÃO E
OPERAÇÕES PRÉVIAS À CONSOLIDAÇÃO. ..................................................................................................................... 97
SUMÁRIO ........................................................................................................................................................... 111
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO – 1: ................................................................................................................ 111
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO ................................................................................................................................. 112
UNIDADE TEMÁTICA 4.2. HOMOGENEIZAÇÃO TEMPORAL, HOMOGENEIZAÇÃO VALORATIVA, OUTRAS HOMOGENEIZAÇÕES,
PROCEDIMENTOS DE CONSOLIDAÇÃO, AGREGAÇÃO DAS CONTAS, ELIMINAÇÕES: ELIMINAÇÃO DO INVESTIMENTO FINANCEIRO,
ELIMINAÇÃO DE SALDOS RECÍPROCOS E ELIMINAÇÃO DE RESULTADOS INTERNOS............................................................... 113
SUMÁRIO ........................................................................................................................................................... 118
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO – 1: ................................................................................................................ 118
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO ................................................................................................................................. 119
UNIDADE TEMÁTICA 4.3. ELABORAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS, MÉTODOS DE CONSOLIDAÇÃO,
MÉTODOS DE CONSOLIDAÇÃO INTEGRAL, MÉTODO DE CONSOLIDAÇÃO PROPORCIONAL, TEORIAS OU ÓPTICAS DE CONSOLIDAÇÃO,
ÓPTICAS DO PROPRIETÁRIO, ÓPTICA FINANCEIRA, ÓPTICA ECONÓMICA E ÓPTICA MISTA..................................................... 119
SUMÁRIO ........................................................................................................................................................... 132
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO – 1: ................................................................................................................ 133
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO ................................................................................................................................. 133
UNIDADE TEMÁTICA 4.4. EXERCÍCIOS DESTE TEMA. .............................................................................................. 134
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO – 2: .......................................................................................................................... 134

TEMA – V: CASOS PARTICULARES NA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE CONSOLIDAÇÃO INTEGRAL ................... 134

UNIDADE TEMÁTICA 5.1. VARIAÇÃO DA PERCENTAGEM DE PARTICIPAÇÃO E DE CONTROLO, DOMÍNIO INDIRECTO, TÉCNICA DE
CONSOLIDAÇÃO DIRECTA, TÉCNICA DE CONSOLIDAÇÃO EM CASCATA, O TRATAMENTO DAS PARTICIPAÇÕES RECÍPROCAS NA
CONSOLIDAÇÃO. .................................................................................................................................................. 135
SUMÁRIO ........................................................................................................................................................... 149
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO – 1: ................................................................................................................ 150
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO ................................................................................................................................. 150
UNIDADE TEMÁTICA 5.2. EXERCÍCIOS DESTE TEMA. .............................................................................................. 150

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EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO – 2: .......................................................................................................................... 150

TEMA – VI: TRANSPOSIÇÃO DE DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS EM MOEDA ESTRANGEIRA ....................... 151

UNIDADE TEMÁTICA 6.1. CONCEITOS E REGAS PREVISTAS EM MOÇAMBIQUE, MÉTODOS DE TRANSPOSIÇÃO DAS
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS EM MOEDA ESTRANGEIRA............................................................................................ 151
SUMÁRIO ........................................................................................................................................................... 154
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO – 1: ................................................................................................................ 154
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO ................................................................................................................................. 155
UNIDADE TEMÁTICA 6.2. EXERCÍCIOS DESTE TEMA. .............................................................................................. 155
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO – 2: .......................................................................................................................... 155

TEMA – VII: DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRA CONSOLIDADAS ...................................................................... 155

UNIDADE TEMÁTICA 7.1. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS A ELABORAR E APRESENTAR NO ÂMBITO DA INFORMAÇÃO


CONSOLIDADA, ELABORAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DO BALANÇO CONSOLIDADO, ELABORAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DE DEMONSTRAÇÃO
CONSOLIDADA DOS RESULTADOS POR NATUREZA, DOCUMENTOS INTEGRANTES DO PROCESSO DE CONSOLIDAÇÃO, MANUAL DE
CONSOLIDAÇÃO E DOSSIER DE CONSOLIDAÇÃO........................................................................................................... 156
SUMÁRIO ........................................................................................................................................................... 165
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO – 1: ................................................................................................................ 165
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO ................................................................................................................................. 166
UNIDADE TEMÁTICA 7.2. EXERCÍCIOS DESTE TEMA. .............................................................................................. 166
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO – 2: .......................................................................................................................... 166

TEMA – VIII: CONSOLIDAÇÃO PARA EFEITOS FISCAIS ................................................................................... 166

UNIDADE TEMÁTICA 8.1. ENQUADRAMENTO LEGAL DO REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO DOS GRUPOS DE SOCIEDADES (RETGS),
ÂMBITO, REQUISITOS E EXCLUSÕES, PRAZOS A CONSIDERAR E DECLARAÇÕES PERIÓDICAS A APRESENTAR, MATÉRIA COLECTÁVEL
CONSOLIDADA SEGUNDO O RETGS, IMPLICAÇÕES CONTABILÍSTICAS DA APLICAÇÃO DO RETGS: QUEM BENEFICIA DA POUPANÇA DE
IMPOSTO E QUEM SUPORTA O IMPOSTO. .................................................................................................................. 167
SUMÁRIO ........................................................................................................................................................... 176
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO – 1: ................................................................................................................ 176
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO ................................................................................................................................. 177
UNIDADE TEMÁTICA 8.2. EXERCÍCIOS DESTE TEMA. .............................................................................................. 177
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO – 2: .......................................................................................................................... 177
UNIDADE TEMÁTICA 8.3. EXERCÍCIOS DO MÓDULO. ............................................................................................ 177
EXERCÍCIOS DE AVALIAÇÃO – 3: .......................................................................................................................... 177

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ........................................................................................................................ 179

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Visão geral

Bem-vindo à Disciplina/Módulo de Consolidação das


Demonstrações Financeiras

Objectivos do Módulo

Ao terminar o estudo deste módulo de Contabilidade Geral deverá


ser capaz de: fazer a apresentação e estudo dos problemas
contabilísticos específicos dos grupos económicos, os quais são
uma inerência das necessidades de informação particulares dos
mesmos. Pretende-se apresentar a filosofia, conceitos e
metodologias da consolidação próprios para os grupos de
sociedades, apoiados nas Normas Contabilísticas e de Relato
Financeiro (NCRF) do Sistema de Normalização Contabilística (SNC)
e que os alunos dominem os aspectos essenciais da elaboração e
interpretação das principais demonstrações financeiras
consolidadas.

 Conhecer os processos associados à concentração empresarial e


à formação de grupos, compreendendo a sua razão de ser e
conceitos relacionados;

 Distinguir entre informação financeira individual e consolidada,


Objectivos compreendendo a utilidade desta última;
Específicos
 Compreender as teorias subjacentes à elaboração de informação
consolidada; Saber distinguir os tipos de ligações entre
sociedades;

 Saber determinar perímetros de consolidação, identificando


situações de obrigatoriedade, dispensa e exclusão de
consolidação;

 Conhecer a metodologia a seguir no processo de consolidação


contabilística;

 Saber aplicar os métodos e procedimentos de consolidação


segundo a relação com a sociedade consolidante;

 Saber como efectuar a transposição de demonstrações


financeiras apresentadas em moeda diferente da de
consolidação;

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 Ser capaz de produzir e interpretar um balanço e demonstração


dos resultados consolidados;

 Saber distinguir entre consolidação para efeitos contabilísticos e


consolidação para efeitos fiscais.

Quem deveria estudar este módulo

Este Módulo foi concebido para estudantes do 2º ano do curso de


licenciatura em Contabilidade e Auditoria do ISCED e outros. Poderá
ocorrer, contudo, que haja leitores que queiram se actualizar e
consolidar seus conhecimentos nessa disciplina, esses serão bem-
vindos, não sendo necessário para tal se inscrever. Mas poderá
adquirir o manual.

Como está estruturado este módulo

Este módulo de Consolidação das Demonstrações Financeiras, para


estudantes do 2º ano do curso de licenciatura em Contabilidade e
Auditoria, à semelhança dos restantes do ISCED, está estruturado
como se segue:
Páginas introdutórias

 Um índice completo.
 Uma visão geral detalhada dos conteúdos do módulo,
resumindo os aspectos-chave que você precisa conhecer para
melhor estudar. Recomendamos vivamente que leia esta secção
com atenção antes de começar o seu estudo, como componente
de habilidades de estudos.
Conteúdo desta Disciplina / módulo

Este módulo está estruturado em Temas. Cada tema, por sua vez
comporta certo número de unidades temáticas ou simplesmente
unidades. Cada unidade temática se caracteriza por conter os
conteúdos.
No final de cada unidade temática ou do próprio tema, são
incorporados antes o sumário, exercícios de auto-avaliação, só
depois é que aparecem os exercícios de avaliação.
Os exercícios de avaliação têm as seguintes características: Puros
exercícios teóricos/Práticos, Problemas não resolvidos e
actividades práticas algumas incluído estudo de caso.

2
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Outros recursos

A equipa dos académico a e pedagogos do ISCED, pensando em si,


num cantinho, recôndito deste nosso vasto Moçambique e cheio de
dúvidas e limitações no seu processo de aprendizagem, apresenta
uma lista de recursos didácticos adicionais ao seu módulo para você
explorar. Para tal o ISCED disponibiliza na biblioteca do seu centro
de recursos mais material de estudos relacionado com o seu curso
como: Livros e/ou módulos, CD, CD-ROOM, DVD. Para além deste
material físico ou electrónico disponível na biblioteca, pode ter
acesso a Plataforma digital mobile para alargar mais ainda as
possibilidades dos seus estudos.
Auto-avaliação e Tarefas de avaliação

Tarefas de auto-avaliação para este módulo encontram-se no final


de cada unidade temática e de cada tema. As tarefas dos exercícios
de auto-avaliação apresentam duas características: primeiro
apresentam exercícios resolvidos com detalhes. Segundo,
exercícios que mostram apenas respostas.
Tarefas de avaliação devem ser semelhantes às de auto-avaliação
mas sem mostrar os passos e devem obedecer o grau crescente de
dificuldades do processo de aprendizagem, umas a seguir a outras.
Parte das tarefas de avaliação será objecto dos trabalhos de campo
a serem entregues aos tutores/docentes para efeitos de correcção
e subsequentemente nota. Também constará do exame do fim do
módulo. Pelo que, caro estudante, fazer todos os exercícios de
avaliação é uma grande vantagem.
Comentários e sugestões

Use este espaço para dar sugestões valiosas, sobre determinados


aspectos, quer de natureza científica, quer de natureza diadáctico-
Pedagógica, etc, sobre como deveriam ser ou estar apresentadas.
Pode ser que graças as suas observações que, em gozo de
confiança, classificamo-las de úteis, o próximo módulo venha a ser
melhorado.

Ícones de actividade

Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas


margens das folhas. Estes ícones servem para identificar diferentes
partes do processo de aprendizagem. Podem indicar uma parcela
específica de texto, uma nova actividade ou tarefa, uma mudança
de actividade, etc.

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ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Habilidades de estudo

O principal objectivo deste campo é o de ensinar aprender a


aprender. Aprender aprende-se.

Durante a formação e desenvolvimento de competências, para


facilitar a aprendizagem e alcançar melhores resultados, implicará
empenho, dedicação e disciplina no estudo. Isto é, os bons
resultados apenas se conseguem com estratégias eficientes e
eficazes. Por isso é importante saber como, onde e quando estudar.
Apresentamos algumas sugestões com as quais esperamos que caro
estudante possa rentabilizar o tempo dedicado aos estudos,
procedendo como se segue:

1º Praticar a leitura. Aprender a Distância exige alto domínio de


leitura.

2º Fazer leitura diagonal aos conteúdos (leitura corrida).

3º Voltar a fazer leitura, desta vez para a compreensão e assimilação


crítica dos conteúdos (ESTUDAR).

4º Fazer seminário (debate em grupos), para comprovar se a sua


aprendizagem confere ou não com a dos colegas e com o padrão.

5º Fazer TC (Trabalho de Campo), algumas actividades práticas ou as


de estudo de caso se, existirem.

IMPORTANTE: Em observância ao triângulo modo-espaço-tempo,


respectivamente como, onde e quando... estudar, como foi referido
no início deste item, antes de organizar os seus momentos de estudo
reflicta sobre o ambiente de estudo que seria ideal para si: Estudo
melhor em casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo melhor à
noite/de manhã/de tarde/fins de semanas/ao longo da semana?
Estudo melhor com música/num sítio sossegado/num sítio
barulhento!? Preciso de intervalo em cada 30 minutos, em cada
hora, etc.

É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido estudado
durante um determinado período de tempo; Deve estudar cada
ponto da matéria em profundidade e passar só ao seguinte quando
achar que já domina bem o anterior.

Privilegia-se saber bem (com profundidade) o pouco que puder ler e


estudar, que saber tudo superficialmente! Mas a melhor opção é
juntar o útil ao agradável: Saber com profundidade todos conteúdos
de cada tema, no módulo.

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Dica importante: não recomendamos estudar seguidamente por


tempo superior a uma hora. Estudar por tempo de uma hora
intercalado por 10 (dez) a 15 (quinze) minutos de descanso (chama-
se descanso à mudança de actividades). Ou seja que durante o
intervalo não se continuar a tratar dos mesmos assuntos das
actividades obrigatórias.

Uma longa exposição aos estudos ou ao trabalho intelectual


obrigatório, pode conduzir ao efeito contrário: baixar o rendimento
da aprendizagem. Por que o estudante acumula um elevado volume
de trabalho, em termos de estudos, em pouco tempo, criando
interferência entre os conhecimento, perde sequência lógica, por
fim ao perceber que estuda tanto mas não aprende, cai em
insegurança, depressão e desespero, por se achar injustamente
incapaz!

Não estude na última da hora; quando se trate de fazer alguma


avaliação. Aprenda a ser estudante de facto (aquele que estuda
sistematicamente), não estudar apenas para responder a questões
de alguma avaliação, mas sim estude para a vida, sobre tudo, estude
pensando na sua utilidade como futuro profissional, na área em que
está a se formar.

Organize na sua agenda um horário onde define a que horas e que


matérias deve estudar durante a semana; Face ao tempo livre que
resta, deve decidir como o utilizar produtivamente, decidindo
quanto tempo será dedicado ao estudo e a outras actividades.

É importante identificar as ideias principais de um texto, pois será


uma necessidade para o estudo das diversas matérias que
compõem o curso: A colocação de notas nas margens pode ajudar
a estruturar a matéria de modo que seja mais fácil identificar as
partes que está a estudar e pode escrever conclusões, exemplos,
vantagens, definições, datas, nomes, pode também utilizar a
margem para colocar comentários seus relacionados com o que
está a ler; a melhor altura para sublinhar é imediatamente a seguir
à compreensão do texto e não depois de uma primeira leitura;
Utilizar o dicionário sempre que surja um conceito cujo significado
não conhece ou não lhe é familiar;

Precisa de apoio?

Caro estudante, temos a certeza que por uma ou por outra razão, o
material de estudos impresso, lhe pode suscitar algumas dúvidas
como falta de clareza, alguns erros de concordância, prováveis erros
ortográficos, falta de clareza, fraca visibilidade, páginas trocadas ou
invertidas, etc). Nestes casos, contacte os serviços de atendimento

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ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

e apoio ao estudante do seu Centro de Recursos (CR), via telefone,


SMS, E-mail, se tiver tempo, escreva mesmo uma carta participando
a preocupação.
Uma das atribuições dos Gestores dos CR e seus assistentes
(Pedagógico e Administrativo), é a de monitorar e garantir a sua
aprendizagem com qualidade e sucesso. Dai a relevância da
comunicação no Ensino a Distância (EAD), onde o recurso as TIC se
torna incontornável: entre estudantes, estudante – Tutor, estudante
– CR, etc.
As sessões presenciais são um momento em que você caro
estudante, tem a oportunidade de interagir fisicamente com staff do
seu CR, com tutores ou com parte da equipa central do ISCED
indigitada para acompanhar as sua sessões presenciais. Neste
período pode apresentar dúvidas, tratar assuntos de natureza
pedagógica e/ou administrativa.
O estudo em grupo, que está estimado para ocupar cerca de 30%
do tempo de estudos a distância, é muita importância, na medida
em que permite lhe situar, em termos do grau de aprendizagem
com relação aos outros colegas. Desta maneira ficará a saber se
precisa de apoio ou precisa de apoiar aos colegas. Desenvolver
hábito de debater assuntos relacionados com os conteúdos
programáticos, constantes nos diferentes temas e unidade
temática, no módulo.

Tarefas (avaliação e auto-avaliação)

O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e


autoavaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é
importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues
duas semanas antes das sessões presenciais seguintes.
Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não
cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do
estudante. Tenha sempre presente que a nota dos trabalhos de
campo conta e é decisiva para ser admitido ao exame final da
disciplina/módulo.
Os trabalhos devem ser entregues ao Centro de Recursos (CR) e os
mesmos devem ser dirigidos ao tutor/docente.
Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa,
contudo os mesmos devem ser devidamente referenciados,
respeitando os direitos do autor.

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ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

O plágio1 é uma violação do direito intelectual do(s) autor(es).Uma


transcrição à letra de mais de 8 (oito) palavras do testo de um autor,
sem o citar é considerado plágio. A honestidade, humildade
científica e o respeito pelos direitos autorais devem caracterizar a
realização dos trabalhos e seu autor (estudante do ISCED).

Avaliação

Muitos perguntam: Como é possível avaliar estudantes à distância,


estando eles fisicamente separados e muito distantes do
docente/tutor!? Nós dissemos: Sim é muito possível, talvez seja uma
avaliação mais fiável e consistente.
Você será avaliado durante os estudos à distância que contam com
um mínimo de 90% do total de tempo que precisa de estudar os
conteúdos do seu módulo. Quando o tempo de contacto presencial
conta com um máximo de 10%) do total de tempo do módulo. A
avaliação do estudante consta detalhada do regulamento da de
avaliação.
Os trabalhos de campo por si realizados, durante estudos e
aprendizagem no campo, pesam 25% e servem para a nota de
frequência para ir aos exames.
Os exames são realizados no final da cadeira disciplina ou modulo e
decorrem durante as sessões presenciais. Os exames pesam no
mínimo 75%, o que adicionado aos 25% da média de frequência,
determinam a nota final com a qual o estudante conclui a cadeira.
A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da cadeira.
Nesta cadeira o estudante deverá realizar pelo menos 2 (dois)
trabalhos e 1 (um) (exame).
Algumas actividades práticas, relatórios e reflexões serão utilizados
como ferramentas de avaliação formativa.
Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter em
consideração a apresentação, a coerência textual, o grau de
cientificidade, a forma de conclusão dos assuntos, as
recomendações, a identificação das referências bibliográficas
utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, entre outros.
Os objectivos e critérios de avaliação constam do Regulamento de
Avaliação.

1
Plágio - copiar ou assinar parcial ou totalmente uma obra literária, propriedade
intelectual de outras pessoas, sem prévia autorização.

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ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

TEMA – I: CONSIDERAÇÕES GERAIS.

UNIDADE Temática 1.1.Introdução, Considerações Gerais à Disciplina:


natureza, objectivos, empresas que estão obrigadas a efectuar a
consolidação, normas da comissão de valores mobiliários, diferença na
data de encerramento do exercício, como efectuar a consolidação,
uniformidade de critérios contabilísticos e participação de minoritários.
UNIDADE Temática 1.2. Valores a serem eliminados na consolidação.
UNIDADE Temática 1.3. EXERCÍCIOS deste tema

UNIDADE Temática 1.1.Introdução, Considerações Gerais à Disciplina: natureza,


objectivos, empresas que estão obrigadas a efectuar a consolidação, normas da
comissão de valores mobiliários, diferença na data de encerramento do exercício,
como efectuar a consolidação, uniformidade de critérios contabilísticos e
participação de minoritários.

Introdução

A consolidação de balanços é adoptada em muitos países há muitos


anos, particularmente naqueles em que o sistema de captação de
recursos, por meio da emissão de acções ao público através das Bolsas
de Valores, é importante para as empresas.

As demonstrações financeiras consolidadas nos permitem conhecer a


real situação de um grupo de empresas que actuem no mercado sob um
controlo comum.

Para sabermos quais as empresas devem ser incluídas nas


demonstrações consolidadas utilizamos os conceitos de controlo
accionário e o conceito de exercício de controlo da decisão em relação
a políticas a serem seguidas pelas empresas, conhecido como
"influência sobre a administração".

Devemos lembrar que as diversas empresas de um mesmo grupo


formam um conjunto de actividades económicas que, muitas vezes, são
complementares umas das outras.

Os analistas das demonstrações consolidadas devem, em suas análises,


considerar que as demonstrações financeiras consolidadas
representam o reflexo de um conjunto de actividades económicas de
um grupo empresarial.

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ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Apresentar aos interessados nas informações contabilísticas os resultados das


operações e a posição financeira da sociedade controladora e de suas
controladas, como se o grupo fosse uma única empresa que tivesse uma ou
mais filiais ou divisões;
Objectivos
Específicos  Saber que todas as transacções realizadas entre empresas pertencentes a um
mesmo grupo económico necessitam de ser eliminadas das demonstrações
consolidadas, obtendo-se, assim, apenas os valores apurados em função de
operações efectuadas com terceiros alheios ao grupo;

 Compreender que o grande mérito da consolidação é "ver" as operações de


um grupo, eliminando os efeitos das operações que representam
transferências de valores e bens de uma empresa para outra, sem representar
qualquer acréscimo ao património dos proprietários do grupo.

Empresas que estão obrigadas a efectuar a consolidação

De acordo com a Lei das Sociedades Anónimas (S.A.) devem elaborar e


divulgar, juntamente com suas demonstrações financeiras,
demonstrações consolidadas:

a) Companhias abertas que tiverem mais de 30% do seu património


líquido representado por investimentos em controladas;

Nota: Considera-se controlada a sociedade na qual a controladora,


directamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de
sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas
deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores.

b) Grupos empresariais que se constituírem formalmente em grupos de


sociedades, independentemente de serem ou não companhias abertas.
Será aplicável mesmo que a sociedade de comando não seja Sociedades
Anónimas (S.A)., tal como no caso de uma Limitada.

Os Investimentos em controladas são representados pela soma


algébrica dos seguintes valores contabilísticos na controladora: valor da

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ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

equivalência patrimonial no balanço, juros não amortizados, saldos


líquidos também dos desvios e provisões para perdas permanentes.

Normas da comissão de valores mobiliários

Para elaboração de demonstrações financeiras consolidadas de uma


companhia aberta e de sociedade de comando de grupo de sociedade
que inclua companhia aberta, devem ser observadas as normas
previstas para o efeito.

A legislação determina que as demonstrações consolidadas devem


continuar sendo publicadas mesmo quando o percentual dos
investimentos tornar-se inferior a 30% do património líquido da
controladora, caso essa redução seja considerada temporária.

Para o cálculo do percentual de 30% devem ser adicionados aos valores


contabilísticos dos investimentos de créditos de qualquer natureza que
a controladora tenha junto às suas controladas.

Não deverão fazer parte das demonstrações consolidadas as


controladas que:

a) O controlo seja temporário;

b) Estão em processo de concordata ou convenção, falência ou em


reorganização total;

c) Sejam de sectores económicos tão diferenciados que a consolidação


produza demonstrações dificilmente compreensíveis, como no caso de
um banco e de uma indústria.

Diferença na data de encerramento do exercício

Muitas vezes pode ocorrer que a controladora encerre seu balanço em


determinada data, e que uma ou mais de suas controladas encerrem
seus balanços em datas diferentes.

Quando os balanços forem encerrados no período de sessenta dias que


antecederem o balanço da controladora podemos efectuar a
consolidação com base nestes balanços.

A legislação das Sociedades Anónimas, determina que as sociedades


controladas, cujo exercício social termine mais de sessenta dias antes
da data do encerramento do exercício da controladora deverão
elaborar demonstrações financeiras extraordinárias para fins de
consolidação.

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ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Quando as controladas encerrarem balanços em data diferente da


controladora deve-se tomar alguns cuidados na consolidação:

a) Se o exercício social ou económico da controladora for de 12 meses,


as demonstrações da controlada também devem ser de 12 meses;

b) A utilização de balanços com datas de encerramento diferentes deve


ser esclarecida por meio de notas explicativas;

c) Os eventos significativos que ocorrerem entre a data de


encerramento do balanço da controlada e da controladora devem ser
reflectidos na consolidação e esclarecidos nas notas explicativas.

Eventos significativos são aqueles que irão produzir grandes alterações


no património reflectido nas demonstrações financeiras da controlada.

Como efectuar a consolidação

A consolidação representa a soma dos valores das operações


contabilísticas das empresas controladas e da controladora, ajustada
pela eliminação dos valores decorrentes de operações realizadas entre
as empresas sem participação de terceiros alheios ao grupo das
empresas que estiverem sendo consolidadas e dos resultados não
realizados contidos nos activos das empresas incluídas na consolidação.

A consolidação deve apresentar as demonstrações financeiras da


controladora e suas controladas como se o grupo fosse uma única
empresa.

Assim, tendo em mãos as demonstrações financeiras das empresas que


serão consolidadas, a técnica básica será, primeiramente, adicionar ou
juntar os saldos das contas.

Considerando-se quatro empresas que tenham os seguintes valores


como disponibilidades, como se ilustra na tabela 1 abaixo:

Tabela 1: Relação de saldos das empresas


Nº de
Empresa Valor
ordem
1 A MZM 30,000.00
2 B MZM 15,000.00
3 C MZM 40,000.00
4 D MZM 55,000.00
Soma MZM 140,000.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Neste caso, o saldo consolidado de disponível é o somatório do


disponível das quatro empresas (A, B, C e D) que é de 140.000,00Mt.

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ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

O mesmo procedimento se aplica para as demais contas do balanço,


como duplicadas a receber, stocks, imobilizado, contas a pagar, entre
outras.

Uniformidade de critérios contabilísticos

Para que a consolidação possa ser um retrato fiel as empresas devem


adoptar critérios contabilísticos uniformes entre si, ou seja, devem
manter a uniformidade na classificação dos activos, passivos, receitas e
despesas, para que os saldos consolidados representem valores da
mesma natureza.

Devemos ter especial cuidado quando a consolidada incluir empresas


situadas em países diferentes, os efeitos decorrentes da utilização de
critérios de avaliação dos activos e passivos e de reconhecimento de
receitas e despesas diferentes dos critérios adoptados pela
controladora deverão ser eliminados para que o consolidado apresente
apenas um critério.

Participação de minoritários

Na consolidação do balanço, a parcela do capital dos accionistas


minoritários deve ser destacada do património líquido consolidado,
uma vez que o património consolidado deve representar a parte que
realmente pertence aos accionistas da empresa controladora. Caso não
se faça essa segregação, o património consolidado estaria a mais, pela
parcela das empresas controladas pertencentes a esses terceiros
minoritários.

Sumário

Nesta Unidade temática 1.1 estudamos e discutimos


fundamentalmente oito itens em termos de considerações gerais á
disciplina de Consolidação das Demonstrações Financeiras:
1. Natureza;
2. Objectivos;
3. Empresas que estão obrigadas a efectuar a consolidação;
4. Normas da comissão de valores mobiliários;
5. Diferença na data de encerramento do exercício;
6. Como efectuar a consolidação;
7. Uniformidade de critérios contabilísticos;
8. Participação de minoritários
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ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO – 1:

GRUPO – 1 (Com respostas detalhadas)

1. O que permitem as demonstrações financeiras?


2. O que os analistas devem considerar nas suas análises?
3. Quais são as empresas que estão obrigadas a efectuar a
consolidação?
4. Quais as controladas que não devem fazer parte das
demonstrações financeiras?
5. Quando as controladas encerram os seus balanços em datas
diferentes da controladora, quais os cuidados que devem ser
tomados?
6. Como se efectua a consolidação?
7. Como devem ser representadas as demonstrações financeiras
duma controladora?
8. Como se obtém o saldo consolidado disponível?

Respostas:
1. Rever o 2º parágrafo da página 9 (Introdução desta Unidade):
2. Rever o 5º parágrafo (Introdução desta Unidade);
3. Rever a parte final da página 10;
4. Rever a parte final da página 11;
5. Rever parte inicial da página 12;
6. Rever parte final da página 12;
7. Rever parte final da página 12;
8. Rever parte inicial da página 13.

Exercícios de AVALIAÇÃO

GRUPO – 2
1 – Enuncie os objectivos específicos da Consolidação das Demonstrações
Financeiras.
2 – Considerando-se a existência de cinco empresas com os seguintes
valores como suas disponibilidade para a consolidação:
A – 300.00,00Mt; B – 150.000,00Mt; C – 400.000,00Mt; D – 550.000,00Mt e
E – 450.000,00Mt.
a) Qual é o saldo consolidado disponível? Demonstre os cálculos da sua
obtenção.
3 – O que as empresas devem fazer para que a consolidação seja um relato
fiel?
4 – Que procedimento deve ser feito na consolidação do balanço sobre a
parcela dos accionistas minoritários? Justifique-se.

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ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

UNIDADE Temática 1.2. Valores a serem eliminados na consolidação.

A consolidação não é simplesmente a soma dos saldos de cada conta


das diversas empresas. Há necessidade, também, de eliminar os saldos
existentes ou transacções realizadas entre as empresas do grupo.

Os saldos de balanço devem ser controlados e destacados para facilitar


a consolidação, devendo ser conciliados, comparando-se os saldos
duma empresa com os que acusam as outras empresas.

Na consolidação, as eventuais pendências de conciliação devem ser


eliminadas por meio de sua contabilização pelas empresas, ou de
ajustes no consolidado, mesmo nos casos de itens em trânsito, para que
os saldos entre as empresas fechem ou reconciliam entre si.

De acordo com a legislação, das demonstrações financeiras


consolidadas serão excluídas:

 As participações de uma sociedade em outra;

 Os saldos de quaisquer contas entre as sociedades;

 As parcelas dos resultados do exercício, dos lucros ou prejuízos


acumulados e do custo das existências ou stocks ou do activo
permanente que corresponderem a resultados, ainda não
realizados, de negócios entre as sociedades.

A participação dos accionistas não controladores no património líquido


e no lucro do exercício será destacada, respectivamente, no balanço
patrimonial e na demonstração do resultado do exercício.

A parcela do custo de aquisição do investimento em controlada, que


não for absorvida na consolidação, deverá ser mantida no activo
permanente, com dedução da provisão adequada para perdas já
comprovadas, e será objecto de nota explicativa.

A título de exemplos

Como exemplos dessas eliminações temos os seguintes:

1 – Clientes – quando as empresas do grupo realizam vendas umas para


as outras. No balanço os valores não pagos aparecerão no saldo de
Clientes das empresas que venderam e no saldo de Fornecedores das
empresas que compraram.
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ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

O lançamento de eliminação será:

Débito: Fornecedores (empresa que comprou)

Crédito: Clientes (empresa que vendeu)

2 – Contas Correntes – ocorrem algumas operações entre empresas do


grupo que são debitadas ou creditadas em conta corrente. Nos
balanços, haverá um saldo devedor em uma empresa (a que forneceu o
recurso) e um saldo credor em outra (a que tomou o recurso); ambos
deverão ser eliminados na consolidação.

O lançamento de eliminação será o seguinte:

Débito: Contas Correntes (Passivo)

Crédito: Contas Correntes (Activo)

3 – Investimentos – a participação accionista, representada pela conta


de Investimentos que uma empresa tiver na outra.

Os investimentos relevantes devem ser contabilizados pelo método da


equivalência patrimonial. Portanto, o saldo da conta de investimento na
empresa controladora corresponde a um valor proporcional ao valor do
património líquido da coligada ou controlada.

A eliminação dos investimentos deve ser feita contra as contas do


património da controlada na mesma proporção da participação que a
controladora possuir no capital de cada controlada.

Débito (D) – Capital (Empresa B)

Credito (C) – Investimentos (Empresa A)

É como se a conta de investimentos no activo da controladora


representasse um valor a receber da controlada, e uma parte das contas
do património líquido da controlada representasse um valor a pagar à
controladora.

4 – Saldos das demonstrações dos resultados do exercício

As vendas duma empresa para outra do mesmo grupo devem ser


eliminadas juntamente com o custo dos produtos vendidos.

D - Vendas (Empresa A)

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ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

C - Custo dos Produtos Vendidos (Empresa B)

As comissões sobre vendas, juros e outros – cobrados de outras


empresas do grupo.

D – Receitas (Empresa A)

C – Despesas (Empresa B)

5 – Resultados não realizados

O resultado não realizado que deverá ser eliminado na consolidação é


do valor correspondente ao lucro obtido nas operações entre as
empresas controladas e a controladora.

O eventual prejuízo existente nessas operações não deverá ser


eliminado e portanto será reconhecido na consolidação.

Nas realizações das vendas de bens de uma empresa para outra, em que
o preço de venda é igual ao preço de custo, não existe lucro não
realizado a eliminar do património da coligada ou controlada.

Os resultados não realizados aparecem geralmente nas operações


destinadas aos stocks ou existências ou ao activo permanente da
empresa compradora.

No caso de vendas de mercadorias destinadas ao stock podem ocorrer


duas situações seguintes:

a) A empresa que comprou as mercadorias já as vendeu para terceiros;

b) A empresa que comprou as mercadorias tem saldo daquelas


mercadorias no balanço.

Quando as mercadorias foram totalmente vendidas a terceiros não


haverá eliminação de resultado não realizado.

No caso em que há saldo de mercadorias compradas da controlada


ainda em armazém ou stock na data do balanço, deve ser eliminado o
lucro nos stocks, pois não representa um lucro efectivamente realizado
de operações com terceiros.

Para apurar o valor do lucro a eliminar podemos aplicar sobre o saldo


existente de stock dessas mercadorias, na data do balanço, na
investidora, o percentual da margem de lucro na coligada ou controlada
que o vendeu.

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ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Quando a identificação das mercadorias compradas de empresas do


grupo for difícil poderemos fazer a separação entre as compradas de
coligada ou controlada e as compradas de terceiros, com base nas
últimas compras de ambas as empresas, até chegar ao saldo total das
existências, utilizando o critério de que o saldo do stock é composto
pelas compras mais recentes.

Poderemos, também, calcular o valor do stock das mercadorias


compradas de empresas do grupo aplicando sobre o saldo total do stock
o percentual correspondente a relação entre as compras de cada
controlada e o valor total das compras efectuadas pela empresa.

Na empresa industrial em que as compras de mercadorias de outra


empresa do grupo são utilizadas como matérias-primas, devemos
apurar o valor de tais mercadorias, que estão na conta de matérias-
primas, Produtos em Processo e em Produtos Acabados.

Para apurarmos o lucro não realizado das mercadorias contidas no


enfoque das matérias-primas usamos um processo semelhante ao
descrito para a conta de mercadorias.

Para o apuramento do valor contido nos stocks de produtos em


processo e de produtos acabados deveremos conhecer o sistema de
custos da empresa para obtermos o valor da matéria-prima contida
nesses produtos.

Sabemos que o custo de um produto nos stocks inclui diversos gastos


que são a ele apropriados, nomeadamente:

- Matérias-primas;

- Materiais auxiliares;

- Mão-de-obra;

- Gastos gerais de fabricação;

- Mão-de-obra indirecta, etc.

Dentro das matérias-primas adquiridas no grupo está incluso o lucro ou


prejuízo interno.

Após o apuramento do valor das matérias-primas, devemos apurar o


valor do resultado não realizado a ser eliminado na consolidação.

O valor da eliminação é apurado por meio da aplicação do percentual

18
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

da margem de lucro adoptado pela empresa que vendeu, sobre o valor


da matéria-prima contido nos stocks de produtos acabados e em
processo.

Sumário

Nesta Unidade temática 1.2 estudamos e discutimos


fundamentalmente um item na continuidade das considerações gerais
á disciplina de Consolidação das Demonstrações Financeiras:

1. Valores a serem eliminados na consolidação.

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO – 1:

GRUPO – 1 (Com respostas detalhadas)


1 – A consolidação é uma simples soma dos saldos? Porquê?
2 – O que devem ser feito com os saldos do balanço?
3 – De acordo com a legislação das Demonstrações Financeiras, o que é
excluído neles?
4 – A participação dos accionistas não controladores no património líquido
e no lucro do exercício será destacada? Se sim aonde?
5 – Os investimentos relevantes em que métodos devem ser
contabilizados?
6 – Quais as situações que podem ocorrer no caso de vendas de
mercadorias destinadas ao stock?
7 – O que deve ser feito no caso de haver saldo das mercadorias da
controlada ainda em stock até a data do balanço?
8 – Como se procede na empresa industrial em que as compras de
mercadorias doutra empresa do grupo são utilizadas como matérias-
primas?
9 – O que devemos conhecer para o apuramento do lucro não realizado
das mercadorias contidas no enfoque das matérias-primas?
10 – O custo dum produto em armazém inclui diversos gastos que são a
eles apropriados, quais são estes gastos?

Respostas

1 – Rever na página 15;


2 – Idem;
3 – Idem;
4 – Idem;
5 – Rever na página 16;
6 – Rever na parte final da página 17 e princípios da página 18;
7 – Rever na página 18;

19
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

8 – Idem;
9 – Idem;
10 – Rever no final da página 18 e princípio da página 19.

Exercícios de AVALIAÇÃO

GRUPO – 2
1 – O que devemos apurar no apuramento do valor das matérias-
primas?
2 – Define o valor da eliminação.
3 – Nos saldos das demonstrações financeiras, sobretudo nas vendas
duma empresa A para outra B do mesmo grupo devem ser eliminadas
juntamente com o gasto do produto vendido. Demonstre o seu
lançamento contabilístico.
4 – Nas comissões sobre vendas, juros e outros da empresa A –
cobrados de outras empresas B do grupo. Demonstre o seu lançamento
contabilístico.
5 – O que deverá ser eliminado na consolidação no resultado não
realizado?

UNIDADE Temática 1.3. EXERCÍCIOS deste tema.

Exercícios de AVALIAÇÃO – 2:

1 – Enuncie os objectivos específicos da Consolidação das


Demonstrações Financeiras.
2 – Considerando-se a existência de cinco empresas com os
seguintes valores como suas disponibilidade para a consolidação:
A – 300.00,00Mt; B – 150.000,00Mt; C – 400.000,00Mt; D –
550.000,00Mt e E – 450.000,00Mt.
a) Qual é o saldo consolidado disponível? Demonstre os cálculos da
sua obtenção.
3 – Define o valor da eliminação.

20
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

4 – Nos saldos das demonstrações financeiras, sobretudo nas


vendas duma empresa A para outra B do mesmo grupo devem ser
eliminadas juntamente com o gasto do produto vendido.
Demonstre o seu lançamento contabilístico.
5 – Nas comissões sobre vendas, juros e outros da empresa A –
cobrados de outras empresas B do grupo. Demonstre o seu
lançamento contabilístico.

TEMA – II: CONCENTRAÇÕES EMPRESARIAIS E CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES


FINANCEIRAS

UNIDADE Temática 2.1. Causas e importância da concentração


empresarial, os grupos de sociedades, conceito de grupo, tipos de
dependência e tipos de grupos.
UNIDADE Temática 2.2. Formas de domínio, tipos de controlo,
percentagem de interesse e de controlo e relações jurídicas entre
empresas (C.S.C.).
UNIDADE Temática 2.3. A consolidação das demonstrações financeiras:
conceito; objectivos; vantagens; limitações; conceitos de conjunto
consolidável e perímetro de consolidação

UNIDADE Temática 2.4. EXERCÍCIOS deste tema

UNIDADE Temática 2.1. Causas e importância da concentração empresarial, os


grupos de sociedades, conceito de grupo, tipos de dependência e tipos de grupos.

Causas e importância da concentração empresarial

O abuso do poder económico transporta uma dominação de mercados


e aumento injusto dos lucros. A função da defesa da concorrência é a
protecção do mercado, ou seja, a busca da livre concorrência e,
enquanto bem juridicamente protegido, cujo titular é a colectividade,
assegurar o exercício pleno dos interesses divulgados
constitucionalmente assegurados.
Os actos de concentração, que se verificam especialmente nas fusões e
incorporações, a despeito de serem realizados com o amparo no
princípio de livre concorrência, podem ter por finalidade a recuperação
económica de duas empresas deficitárias, o fortalecimento da cadeia
produtiva, o mercado distribuidor e o acesso aos insumos.

21
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Os acordos entre as empresas podem, de outro lado, manifestar-se


como prática concentracionária, pois dois agentes, concorrentes ou
não, ao se unirem, passam a deter vantagem económica sobre os
demais.

Assim, o interesse do Estado em tutelar essas operações surge apenas


na hipótese desses actos terem potencial maléfico no que concerne às
relações com terceiros ou à colectividade. O efeito negativo da
concentração empresarial caracteriza-se pela ocorrência do
denominado “trust”, que consiste na concentração de empresas
visando a dominação do mercado através da eliminação da
concorrência, e, consequentemente, pela imposição de preços
arbitrários. Ainda, esse abuso do poder económico acarreta dominação
de mercados e aumento arbitrário dos lucros.
Não obstante, o termo concentração geralmente vem empregado no
campo do antitruste para identificar as situações em que ao menos
alguns deles perdem sua autonomia2, ou constituem uma nova
sociedade ou grupo económico cujo poder de controlo será
compartilhado. Pode, ainda, haver concentração quando uma empresa
adquire activos ou parcela do património de outra. Segundo Nuno T. P.
Carvalho: “Concentração duma empresa é todo o ato de associação
empresarial, seja por meio da compra parcial ou total dos títulos
representativos de capital social (com direito a voto ou não) seja através
da aquisição de direitos e activos, que provoque a substituição de
órgãos decisórios independentes por um sistema unificado de controlo
empresarial.”
O fenómeno que envolve a concentração de empresas, no direito
antitruste, geralmente envolve situações em que no mínimo um dos
agentes perde sua autonomia (cita-se a título de exemplo, nas fusões e
incorporações), ou constituem novo grupo económico, ou ainda,
quando uma empresa adquire o activo ou parcela do património da
outra.
Várias são as razões da concentração, a nomeadamente: tentativa de
neutralização da concorrência entre os agentes económicos;
viabilização de economias de escala e melhor aproveitamento dos
recursos; preservação da actividade empresarial, opção de

2
O que ocorre em operações de fusão, incorporação etc.

22
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

investimento de capital; aumento de mão-de-obra qualificada, atracção


de crédito no mercado etc3.
Ainda, tem-se que a união das empresas pode provocar um avanço
tecnológico do país, fortalecendo a economia, especialmente no que
concerne à concorrência internacional.
Verifica-se, assim, que há um paradoxo: a concentração de capitais é
essencial ao progresso e à eficiência do sistema produtivo e acarreta
instabilidade desse próprio sistema4.
De qualquer maneira, para avaliar-se se uma operação de
concentração, deve-se verificar o impacto que tal ligação produz no
mercado. Insta delimitar-se, inicialmente, o mercado relevante. Assim
sendo, a medida destas concentrações neste mercado determina-se
pelo sistema denominado concorrência-meio, ou seja, o relevante será
a repercussão geral da união, e não o ato em si.

É importante acrescentar que vários objectivos são os visados pelas


concentrações empresariais5, como por exemplo, a neutralização da
concorrência entre os agentes económicos, viabilização de economias
de escala e o melhor aproveitamento dos recursos disponíveis,
recuperação económica de empresas deficitárias, o fortalecimento da

3 Cf. Forgioni, Paula, Fundamentos do Antitruste, páginas 470 a 472.


4 Idem, página 479: Remete-se ao breve estudo sobre concentração industrial que foi efectuado

por Sérgio Buarque de Holanda Filho (Estrutura industrial no Brasil: concentração e


diversificação, p. 10-20). Analisando o resumo que faz este autor das principais escolas
económicas sobre a concentração, percebe-se que, no fundo, o debate se restringe a,

de uma parte, fazer salientar os benefícios que são trazidos a ela concentração
económica (a exemplo de Schumpeter) e, de outra, os prejuízos decorrentes da
excessiva concentração de capital.
5
Paula A. Forgioni ensina que “as concentrações são classificadas em horizontais,
verticais e conglomeradas. Assim como os acordos horizontais, as concentrações
desse tipo envolvem agentes económicos que actuam no mesmo mercado relevante,
estando, portanto, em directa relação de concorrência. Ao invés, é vertical se os
partícipes desenvolvem sua actividades em mercados relevantes ‘a montante’ ou ‘a
jusante’, ou seja, concatenados no processo produtivo ou de distribuição do produto.
As concentrações conglomeradas dizem respeito, por sua vez, a empresas que actuam
em mercados relevantes completamente apartados, sendo subdivididas, conforme
seu escopo ou efeito em: (i) de expansão de mercado; (ii) de expansão de produto; e
(iii) de diversificação. De forma residual, são entendidas como conglomeradas as
concentrações que não são verticais ou horizontais.” (FORGIONI, 2005, p. 467-468.).

23
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

cadeia produtiva de ambas ou de uma delas, o melhor acesso ao


mercado distribuidor, o melhor acesso a insumos, dentre tantas outras
motivações.

Os grupos de sociedades
Segundo Paula Forgioni, as concentrações podem ser classificadas de
várias maneiras. Expõe que a classificação deverá ser realizada da
seguinte maneira: horizontais, verticais e conglomeradas. “As
concentrações são classificadas em horizontais, verticais e
conglomeradas. Assim como nos acordos horizontais, as concentrações
desse tipo envolvem agentes económicos que actuam no mesmo
mercado relevante, estando, portanto, em directa relação de
concorrência. Ao invés, é vertical se os participes desenvolvem suas
actividades em mercados relevantes, a “montante” ou a “jusante”, ou
seja, concentrados no processo produtivo ou de distribuição do
produto”.
No que concerne à concentração entre agentes económicos que
actuam em diferentes níveis na cadeia produtiva de um mesmo
segmento, há concentração vertical. Em operações desta natureza,
intenciona-se, muitas vezes, dificultar o acesso do concorrente a um
produto ou matéria-prima. Assim, essa verticalização pode acarretar
limitação da concorrência de forma indirecta, uma vez que essa
operação não retira um concorrente do mercado, ou seja, fornece
apenas mecanismos operacionais para que ocorra a eliminação ou a
barreira de novo concorrente.
De outra parte, a concentração horizontal é a forma mais tradicional de
eliminação da concorrência, pois trata de operação entre duas
sociedades do mesmo nível da cadeia produtiva, ou seja, entre
concorrentes directos. Esses actos atingem o concorrente directo, pois
inviabiliza a competitividade do produto ou a entrada dele no mercado.
As concentrações conglomeradas são aquelas uniões entre empresas
cujos produtos não possuem qualquer relação de concorrência ou
complementariedade.
Verifica-se, assim, que a concentração também poderá limitar a
concorrência se houver aquisição de um agente económico por outro
concorrente que desenvolva suas actividades em um mercado
relevante diverso.
Uma das leis mais conhecidas é a da oferta e procura. Assim, se a
procura do mercado (consumidores) por um bem que está sendo
ofertado por empresas for maior, o preço tenderá a subir, se ocorrer o
contrário, o preço poderá baixar. Veja o esquema:

 Se a procura dum produto for maior que a oferta, o


preço poderá subir ou ser maior;

24
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

 Se a procura dum produto for menor que a oferta, o preço


poderá decair ou ser maior.

Após esta delimitação, passa-se a uma avaliação do número de quotas


detidas no mercado, pelos agentes, antes e depois do ato
concentracionista. Consequentemente, o impacto provocado pela
concentração no mercado será devidamente constatado se houver
criação de barreiras à entrada de novos concorrentes e se os actos
gerarem controlo de parcela do mercado suficientemente alta.

Portanto, todos os actos restritivos da concorrência, ou seja, todos os


actos que impliquem prejuízo à livre iniciativa ou à livre concorrência,
ou domínio de mercado, devem ser submetidos aos Governos, sejam
eles acordos entre empresas ou concentrações económicas. No que
concerne aos actos de concentração, especificamente, como fusões,
aquisições ou constituição de empresas, há presunção legal de restrição
da concorrência sempre que envolver mais de 20% (vinte por cento) do
mercado relevante, e, sendo assim, sua apreciação pelo Governo local
é de rigor.
Como técnica de análise dos actos de concentração, utiliza-se as
directrizes estipuladas pelas Guidelines norte-americana, tais como:
definição do mercado relevante, identificação dos agentes deste
mercado, cálculo e avaliação das participações de mercado e o grau de
concentração, análise dos possíveis efeitos anticoncorrenciais da
operação, possibilidade de entrada neste mercado e análise das
eficiências.
Ressalte-se que tais critérios não têm aplicabilidade absoluta, tratando-
se duma mera indicação, uma vez que em alguns casos específicos, será
inevitável a ocorrência de concentração de mercado por causa de
factores como alto grau tecnológico da actividade, fontes de insumo,
para além da restrição do próprio mercado consumidor.
Deverão ser feitas analises, pautando-se por critérios legais e
económicos, se a união entre dois agentes, concorrentes directos ou
não, ainda que ambos mantenham sua autonomia, consentirá uma
vantagem competitiva sobre os demais, e se essa operação de
concentração provocará maior poder económico aos associados.
Conceitos de grupo
Para esta subunidade temática poderemos verificar que existem varias
formas de conceituar grupo como são os caso de:

25
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Grupo é um conjunto de indivíduos que reunidos formam um todo.


O grupo implica, assim, uma unidade de decisão estratégica centrada
numa identidade económica, que assegura a sua gestão e o interesse
comum do todo, ainda que carecendo de personalidade jurídica, dado
que esta é exclusiva das entidades que formam o grupo. Nesta linha,
Condor López (1988: 56) considera o grupo como um conjunto de
sociedades juridicamente distintas, que constituem uma unidade
económica unitária, distinta das partes que o constituem, e que formam
uma unidade de decisão estratégica. Segundo este autor, as relações de
grupo podem ser enquadradas do seguinte modo: empresa-mãe, filiais,
associadas e outras empresas.

Para Tua Pereda (1982: 13), “o grupo é, antes de tudo, uma realidade
de facto, qualquer que seja a forma que assuma, na qual duas ou mais
empresas se reúnem debaixo de uma direcção única, numa situação de
dependência ou de coordenação”. Enquanto, para Rivero Torres et al.
(1998: 131) o grupo de sociedades configura uma unidade económica
sobre a base de uma pluralidade jurídica.

Grupo – Todo o princípio da consolidação está no grupo. O conjunto


constituído pelas empresas ligadas financeira e economicamente
dependentes da empresa mãe constituem o grupo. O grupo não tem
existência jurídica, define-se por critérios de natureza económica. Desta
forma podemos constatar que a unidade económica é uma
característica essencial para a definição do grupo

Grupo um conjunto de pessoas que apresentam o mesmo


comportamento e a mesma atitude com um objectivo comum que
condiciona a coesão de seus membros. Exemplo: uma orquestra, um
grupo de trabalho, um grupo religioso etc. Mas dentro da palavra grupo,
ainda encontramos várias outras definições, como a titulo de exemplo
o grupo de pessoas que se juntam apenas para discutir e realizar coisas
em comum, como são os casos de: adolescentes numa danceteria,
grupo de alunos etc.

Conceito de grupo indivíduos em interacção e interdependência,


compartilhando informações com responsabilidade individual e
habilidades variadas para juntos atingir objectivos. Os grupos podem
ser formais ou informais.

Formais, são definidos pela estrutura da organização, neles o


comportamento das pessoas é dirigido em função das metas.
Informais, são grupos formados naturalmente dentro da organização
surgindo conforme a necessidade de
26
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

contacto social. As pessoas podem se juntar para atingir um objectivo,


sendo ou não membros de um grupo. Os grupos normalmente se
formam porque seus membros possuem algumas características em
comum…

Conceito de equipa indivíduos capazes de melhorarem o desempenho


quando a tarefa requer múltiplas habilidades, julgamentos e
experiências, quando se tem o propósito de competição mais eficaz e
eficientemente. As equipas tendem a ser mais flexíveis e reagem
melhor as mudanças, rapidamente são montadas, desdobradas, e
desmontadas. Uma equipa gera uma sinergia positiva por meio do
esforço coordenado individual resultando em um nível de desempenho
maior.

Tipos de dependência
Diz-se que tipo de dependência é contratual quando a sociedade-mãe
assegura através de acordos com outras sociedades ou alguns dos seus
accionistas (sócios), o exercício de um poder de decisão uno. A noção
de dependência directiva poder-se-á estender a situações em que a
sociedade no vértice da hierarquia assegura o direito de designar e
destituir a maioria dos membros dos órgãos de gestão e fiscalização. As
três últimas formas de dependência materializam-se na existência de
um poder de facto, mais do que num poder de direito, já que podem
coexistir ou não, com maiores ou menores ou até inexistência de
participações no capital das sociedades dominadas. Contudo, a
natureza das relações conduz à existência de um centro de decisão
ainda que a relação de dependência possa ser assegurada através de
variadas formas mais ou menos complexas. Segundo Carreira (1992:
24), este esquema de concentração permite assegurar a
descentralização funcional sob rigorosa unidade de direcção
económica, com obediência ao mesmo poder de controlo.

Tipos de grupos

O grupo assume-se, na realidade, como um ente de grande


complexidade, já que juridicamente existem várias sociedades, mas
economicamente há apenas uma sociedade no vértice da hierarquia,
que dita as decisões que devem ser aceites pelas outras entidades como
consequência da sua pertença a uma realidade de dimensão económica
superior.

Poder-se-á afirmar que o grupo assume-se como a técnica de


concentração mais importante e mais significativa para afrontar e

27
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

vencer os desafios cada vez mais globais que caracterizam a economia


mundial, enquanto “aldeia global” dos nossos dias.

Fruto da diversidade de situações que podem coexistir debaixo dessa


definição lata de grupo e numa perspectiva económica, em que releva
o modo como se articula a actividade das empresas concentradas,
distinguem-se dois grupos principais: vertical e horizontal.

Em termos simples poder-se-á referir que um grupo vertical (ou de


subordinação) é constituído por uma empresa-mãe (sociedade
dominante) e todas as suas filiais (sociedades dependentes). Estas
últimas encontram-se colocadas sob direcção única por parte da
empresa dominante, ou seja submetidas ao controlo por força da posse,
directa ou indirecta, duma percentagem de capital (participação
financeira), conjugada ou não com outros mecanismos previstos na lei.
Esta forma de agrupamento assume uma natureza jurídica – financeiro.

Grupo vertical – é quando as entidades que fazem parte de grupo


económico desenvolvem actividades que constituem as distintas fases
das etapas produtivas;

Grupo horizontal – é quando as entidades que constituem um grupo


desenvolvem actividades de natureza diferente em que o propósito da
aquisição consiste na diversificação das actividades e diminuição do
risco de negócio.

No que respeita aos grupos horizontais (ou paritários) estes são


constituídos por empresas não vinculadas como dependentes por
relações de domínio, mas que têm uma direcção única, por os seus
órgãos sociais serem compostos maioritariamente pelas mesmas
pessoas ou por força de um contrato ou de cláusulas estatutárias.
Assim, o que os distingue dos grupos verticais é a forma de ligação
estabelecida entre as sociedades constituintes: são constituídos por
sociedades não ligadas por uma relação de dependência financeira
entre si, embora se encontrem submetidas a um único centro de
decisão. Esse poder de decisão não é assegurado pela detenção do
domínio financeiro de uma delas, mas através de outro tipo de
dependências, nomeadamente de natureza económica, contratual ou
directiva. Desta forma, o grupo horizontal assume, por regra, uma
natureza económica produtiva.

Dentro da ampla diversidade de situações que pode abarcar o conceito


de grupo de sociedades, vamos centrar-nos nos grupos verticais, cuja
relação de dependência se concretiza pela via da tomada de
participações no capital de empresas pré-existentes. Do ponto de vista
jurídico, o grupo vertical sobreleva o enquadramento legal das
empresas concentradas e salvaguarda os direitos e obrigações dos

28
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

intervenientes no processo de concentração e da comunidade em geral.


Neste âmbito a sociedade objecto de aquisição mantém a sua
personalidade jurídica e legal, mas em termos económicos e de gestão
passa a ser controlada por uma outra (sociedade-mãe ou dominante)
que pode deter ou não a maioria do seu capital, mas possui a maioria
dos direitos de voto, implicando assim uma relação mãe (detentora ou
dominante) − filial (dominada). Por outro lado, a sociedade-mãe passa
a exercer uma influência dominante sobre as políticas operacionais e
financeiras e sobre os resultados da filial, que assim perde ou reduz
significativamente a autonomia económica, já que está
economicamente subordinada à sociedade-mãe, situação que pode ser
assegurada através da exclusiva titularidade de partes de capital, ou
associando a titularidade de capital a outros direitos que garantam à
empresa dominante o exercício de domínio ou controlo sobre essas
outras sociedades.

Os grupos caracterizam-se pela sua unicidade económica baseada na


existência de uma direcção unificada para um conjunto de sociedades.
Estas podem ser vinculadas através da detenção em exclusivo de
participações de capital ou através de outras formas mais ou menos
elaboradas, mas que permitem assegurar o controlo da sociedade-mãe
sobre essas sociedades, conduzindo, por vezes, à existência de relações
mais ou menos complexas, que fazem prever a presença de
participações recíprocas ou cruzadas.

Como já foi referido, no grupo vertical há uma direcção única para um


conjunto de sociedades, o que implica unidade de decisão assente na
subordinação financeira e económica destas à sociedade-mãe. A
dependência assume aspecto financeiro quando resulta da detenção de
partes de capital que lhe asseguram a maioria dos direitos de voto,
através de participações directas ou indirectas no capital. Gera assim
um poder de direito (controlo de direito). A dependência sobrevinda da
existência de um centro de decisão pode ser de natureza diversa da
tradicionalmente referida como financeira, designadamente
económica, contratual ou directiva. Reveste uma natureza económica
quando resulta duma situação de quase monopólio das actividades pelo
grupo, assegurada através de acordos de subcontratação ou outro tipo
de acordos com o mesmo fim, ainda que no caso português se exija
sempre a participação no capital dessa entidade.

Sumário

Nesta Unidade temática 2.1 estudamos e discutimos


fundamentalmente cinco itens na continuidade das considerações
gerais á disciplina de Consolidação das Demonstrações Financeiras:

29
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

1. Causas e importância da concentração empresarial


2. Os grupos de sociedades
3. Conceitos de grupo
4. Tipos de dependência
5. Tipos de grupos

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO – 1:

GRUPO – 1 (Com respostas detalhadas)


1 – O que é “trust”?

2 – O que é concentração duma empresa?

3 – Quais são as razões da concentração?

4 – Qual é a finalidade das concentrações vertical e horizontal?

5 – O que são concentrações conglomerados?

6 – Qual é a técnica de análise dos actos de concentração?

7 – Dê o conceito de grupo?

8 – Quantos tipos de dependências conhece? E quais são?

9 – Qual é o conceito de grupo?

10 – Diferencie o grupo vertical do grupo horizontal.

Respostas:

1 – Rever no início da página 23

2 – Rever 2º parágrafo da página 23

3 – Rever na página 23

4 – Rever 1º e 2º parágrafos da página 25

5 – Rever na Página 25

6 – Rever na página 26

7 – Rever na página 27

8 – Rever 1º parágrafo, da página 28

9 – Rever na página 28

10 – Rever 1º e 2º parágrafos da página 29

30
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Exercícios de AVALIAÇÃO

GRUPO – 2
1 – O grupo horizontal é constituído por que grupos de empresas?
2 – O que distingue os grupos verticais?
3 – Como são caracterizados os grupos?
4 – Quantas direcções existem no grupo vertical?
5 – Quando é que a dependência reveste uma natureza económica?

UNIDADE Temática 2.2. Formas de domínio, tipos de controlo, percentagem de


interesse e de controlo e relações jurídicas entre empresas (C.S.C.)

Formas de domínio

Quando houver a chamada livre concorrência ou livre mercado, os


preços dos bens são determinados exclusivamente por sua oferta6 e por
sua procura ou demanda7. Mas é muito difícil encontrar essa situação
descrita acima, pois há vários interesses de produção e comercialização
de bens, isto porque as empresas se associam de várias formas com o
objectivo de exercer influência no mercado e, consequentemente,
controlar mais seus preços. Basicamente, existem três formas de
concentração ou domínio:

Domínio Horizontal

Quando duas ou mais empresas do mesmo ramo se associam,


formando uma nova empresa ou sendo absorvida pela mais forte do
grupo. Tais processos são conhecidos como fusão e incorporação.
Exemplo:

6
Por parte dos produtores e vendedores;
7
Por parte dos compradores;

31
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Empresa A + Empresa B = Empresa C

Domínio Vertical

É a reunião, em uma só empresa, de estabelecimentos ou empresas


pertencentes a um mesmo ramo, mas que ocupam posições ou estágios
diferentes. Veja o esquema:

Domínio da Integração Diagonal

Quando empresas de diversos ramos, áreas ou actividades económicas


são absorvidas por uma empresa, afim de articular ou vincular serviços
auxiliares com a sua actividade principal. Cita-se a título de exemplo:

Há ainda outras formas de domínio ou concentração, algumas


conhecidas, outras um tanto ilegais, que iremos analisar a seguir.

Monopólio

É quando apenas uma empresa ou organização controla a venda de um


produto ou de alguns produtos; assim, controlam os preços, impedem
a entrada de novos concorrentes (muitas vezes conseguem baixar
preços que a concorrência não acompanha), coloca taxas de lucros
maiores do que se fosse no mercado de livre concorrência etc. como
por exemplo: empresas fornecedoras de energia eléctrica (Electricidade
de Moçambique e Hidroeléctrica de Cahora Bassa); FIPAG com a

32
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

excepção da Província e Cidade de Maputo e as Linhas Aéreas de


Moçambique.

Oligopólio

É praticamente igual ao monopólio, o que muda neste caso é que um


grupo reduzido de empresas controla a venda, e não apenas uma.

Monopsónio

É quando uma empresa tem o poder de comprar toda a produção de


um dado bem ou serviço no mercado. É usado para evitar que
concorrentes tenham acesso aos insumos e matérias-primas.

Oligopsónio

É praticamente igual ao monopsónio, o que muda neste caso é que um


grupo reduzido de empresas tem o poder de comprar toda a produção,
e não apenas uma. Esta forma é mais comum. Exemplo: indústria
automobilística.

Truste

É uma das formas mais agressivas de controlo oligopolístico. Consiste


num acordo entre diversas empresas, que passam a ser administradas
e controladas por uma nova empresa ou grupo financeiro diferente de
qualquer uma delas; tais empresas perdem independência e
autonomia. Assim, o truste passa a ser o único produtor e vendedor de
um determinado bem no mercado, eliminando os demais concorrentes,
podendo absorvê-los ou incorporá-los, controlando ainda os preços dos
bens. É uma prática ilegal de mercado.

Cartel

33
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

É uma forma de associação oligopolista. A diferença em relação ao


truste é que o cartel representa uma concentração horizontal. Assim,
diversas empresas produtoras de um mesmo ramo fazem um acordo,
sem perderem autonomia. Cada empresa continua fabricando ou
comercializando seus produtos, mas seguem uma única orientação em
relação à política de preços, características e qualidade do produto,
bem como o volume de produção. A intenção não é concorrerem entre
si, mas unirem forças para derrubar concorrentes de fora do cartel. É
uma prática ilegal, porém é mais difícil de ser identificada (empresas
mantém autonomia) do que o truste. Temos como exemplo: postos de
combustíveis.

Holding company ou controlo accionista

Esta forma de domínio de mercados dá se através da posse de acções;


portanto, nas sociedades anónimas (SA). Ocorre quando uma empresa
adquire a maioria de acções de diversas empresas dum mesmo ramo ou
não, obtendo controlo accionista sobre essas empresas. Tais empresas
controladas seguem os interesses do holding que as controla. Na
verdade, é uma forma de truste disfarçada, pois caracteriza-se pelo
agrupamento de empresas que perdem parte de sua autonomia e
independência8, mas dá se pela forma de aquisição das acções,
tornando a holding “sócio” maioritário das empresas, o que impede, de
certa forma, a sua ilegalidade.

Tipos de controlo

1 – Controlo preventivo dos actos de concentração empresarial na Lei


nº 8.884/94
O controlo preventivo dos actos de concentração empresarial é previsto
no artigo 54 da Lei nº 8.884/94. De acordo com este dispositivo, os actos
que possam limitar ou prejudicar a livre concorrência, ou resultar no
domínio de mercados relevantes de bens ou serviços, deverão ser
submetidos à apreciação do Cade. O §3º do artigo 54 determina que os
actos que objectivam qualquer forma de concentração económica, seja
por meio de fusão ou incorporação de empresas, constituição de

8
Apesar disso ser assegurado no acordo.

34
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

sociedade para exercer o controlo de empresas ou agrupamento


societário, que implique participação de empresário ou grupo de
empresários resultante em 20% de um mercado relevante, ou em que
qualquer dos participantes tenha registado facturação bruto anual no
último balanço equivalente a 400 milhões de reais, devem ser
submetidos à aprovação do Cade.
Quando presentes os requisitos previstos na lei, torna-se obrigatória a
apreciação do ato de concentração pelo Cade, cuja aprovação é
condição para o seu aperfeiçoamento. De acordo com o §4º, artigo 54,
da Lei nº 8.884/94, o ato deverá ser apresentado para análise
previamente ou no prazo máximo de 15 dias úteis contados de sua
realização, mediante encaminhamento da respectiva documentação
em três vias à SDE, que enviará, imediatamente, uma via ao Cade e
outra à Secretaria de Acompanhamento Económico (SEAE).
De acordo com o previsto na lei antitruste (§4º, artigo 54), não é
necessário que o ato seja submetido à análise da autarquia previamente
à assinatura dos respectivos instrumentos. Conforme exposto, as partes
possuem o prazo de quinze dias úteis seguintes à realização da
operação para submeterem o ato à apreciação do Cade (a AmBev foi
constituída em 1º de Julho de 1999 e o pedido de análise protocolado
no dia 2 de Julho de 1999), podendo, assim, concretizarem o negócio
jurídico antes do pronunciamento da autarquia. Se o ato for rejeitado
pelo Cade, o § 9° do artigo 54 determina a sua desconstituição, total ou
parcial.
A inobservância do prazo de apresentação, segundo o §5º do artigo 54,
será punida com multa pecuniária de valor não inferior a sessenta mil
UFIRs nem superior a seis milhões de UFIRs a ser aplicada pelo Cade,
sem prejuízo de abertura de processo administrativo. Já foi decidido no
Cade (Ato de Concentração nº 119/97, de 22 de Outubro de 1997) que
a data da realização da operação tratada pelo §4º do artigo 54 da Lei nº
8.884/94 é aquela a partir da qual se efectivam as obrigações entre as
partes contratantes e o prazo não é suspenso pelo recesso do Cade, que
não alcança a SDE, onde a documentação é protocolada (Franceschini,
1998, p.713).
A apreciação do ato de concentração pelo Cade é informada por
manifestações técnicas de dois órgãos da administração federal: a
Secretaria de Acompanhamento Económico do Ministério da Fazenda
(SEAE) e a Secretaria de Direito Económico do Ministério da Justiça
(SDE), sendo que cada uma possui o prazo de 30 dias para se manifestar.
Entretanto, a decisão da autarquia não se encontra vinculada aos
pareceres emitidos por esses órgãos, podendo o Cade decidir de forma
contrária aos entendimentos manifestados.
Na sua decisão, o Cade orienta-se de acordo com os dispositivos legais,
podendo autorizar o ato se entender que esse atende as seguintes
condições previstas no §1°, artigo 54
35
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

da Lei nº 8.884/94: aumentar a produtividade, melhorar a qualidade de


bens ou serviços ou propiciar a eficiência e o desenvolvimento
tecnológico ou económico (inciso I); os benefícios decorrentes sejam
distribuídos equitativamente entre os seus participantes e os
consumidores ou usuários finais (inciso II); não impliquem eliminação
da concorrência de parte substancial de mercado relevante de bens e
serviços (inciso III); sejam observados os limites estritamente
necessários para atingir os objectivos visados (inciso IV). Todas essas
condições referem-se à defesa e não ao estímulo da concorrência, o que
afasta das decisões do Cade a incidência de teorias como a da
concorrência potencial, que são aplicadas para estimular e não
defender a concorrência.
Segundo o § 2° do artigo 54, são considerados legítimos os actos de
concentração económica desde que atendidas pelo menos três das
condições previstas nos incisos do §1º, quando necessários por motivos
preponderantes da economia nacional e do bem comum, e desde que
não impliquem prejuízo ao consumidor ou usuário final. Assim, de
acordo com o referido § 2°, o Cade não poderá impugnar os actos de
concentração se três das quatro condições do § 1° estiverem presentes,
desde que, vale ressaltar, demonstrada a necessidade da concentração
por motivos preponderantes da economia nacional e do bem comum,
além da ausência de prejuízo ao consumidor ou usuário final.
Nessa hipótese, a actuação do Cade na apreciação do ato de
concentração deve considerar os factores que o inspiraram (motivos
preponderantes da economia nacional e do bem comum). A avaliação
desses factores, de competência exclusiva do Poder Executivo, trata-se
de um poder exercido dentro de certos limites estabelecidos por lei,
que uma vez ultrapassados podem caracterizar desvio de poder. Esses
limites encontram-se estabelecidos no § 2° do artigo 54, pelo qual o ato
de concentração é admitido e legítimo, mesmo que possa ser prejudicial
à livre concorrência ou resultar no domínio de mercado relevante de
bem ou serviço se estiverem presentes pelo menos três das quatro
condições previstas no § 1° do artigo 54.
Se apenas uma ou duas das condições previstas forem atendidas, o
Cade não poderá considerar regular o ato submetido à sua apreciação,
ainda que invoque motivo preponderante da economia nacional e do
bem comum, pois não se encontram presentes os pressupostos legais
para a sua admissão. Por outro lado, o Cade não pode rejeitar o ato de
concentração se três das quatro condições forem preenchidas e existir
motivo preponderante da economia nacional e do bem comum, desde
que não haja prejuízo ao consumidor.
A lei não esclarece se compete exclusivamente ao Cade decidir sobre a
existência de motivo preponderante da economia nacional e do bem
comum para justificar determinados actos, ou se referida competência
estende-se a outros órgãos do Estado.

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ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Diante da lacuna, tem-se afastado o monopólio da autarquia como a


única com a incumbência para a definição desses factores. Nesse
aspecto deve-se destacar o pedido realizado pela conselheira do Cade
e relatora do processo da AmBev, Hebe Romano, à Secretaria de Política
Industrial, requerendo um parecer sobre o motivo de preponderante
interesse da economia nacional e do bem comum alegado pelas
requerentes em seu pedido de aprovação do ato.
Na hipótese do Cade aprovar o ato submetido a sua apreciação na
forma do artigo 54, definirá os termos do compromisso de desempenho
a ser firmado pelos interessados, de forma a assegurar o cumprimento
das condições estabelecidas no §1° do artigo 54. No compromisso de
desempenho são estabelecidas metas qualitativas ou quantitativas em
prazos pré-definidos, sendo o cumprimento dessas metas
acompanhado pela SDE e pelo Cade. O §3º do artigo 58 prevê que o
descumprimento injustificado do compromisso de desempenho
implicará a revogação da aprovação do Cade e a abertura de processo
administrativo para adopção das medidas cabíveis.
Quanto à previsão de multa pelo descumprimento dos termos firmados
no compromisso de desempenho, cumpre destacar que a Lei nº
8.884/94 não apresenta disposição específica a respeito, o que afasta a
possibilidade de sua imposição, com base no princípio da legalidade.
Entretanto, o Cade tem previsto multa diária no valor mínimo de 5.000
UFIRs, pelo descumprimento dos termos de compromisso de
desempenho, com fundamento no art. 25 da lei antitruste brasileira,
que não autoriza expressamente essa possibilidade, senão vejamos:
Artigo 25. “Pela continuidade de actos ou situações que configurem
infracção da ordem económica, após decisão do Plenário do Cade
determinando sua cessação, ou pelo descumprimento de medida
preventiva ou compromisso de cessação previstos nesta Lei, o
responsável fica sujeito a multa diário de valor não inferior a 5.000
(cinco mil) Unidades Fiscais de Referência – UFIR, ou padrão
superveniente, podendo ser aumentada em até 20 (vinte) vezes se
necessário para garantir sua eficácia em razão da situação económica
do infractor”.
2 – A delimitação do mercado relevante e a actuação do Cade
A expressão mercado relevante foi introduzida no direito antitruste
brasileiro pela Lei nº 8.884/94. Mercado relevante é aquele em que se
travam as relações de concorrência ou actua o agente económico cujo
comportamento está sendo analisado. A delimitação do mercado
relevante é fundamental para a actuação do Cade tanto no julgamento
dos processos administrativos referentes às infracções à ordem
económica como na análise dos actos de concentração. A partir da
delimitação do mercado relevante é possível verificar se a conduta
causa, ou pode causar, a eliminação da concorrência, o domínio de

37
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

mercados e o aumento arbitrário dos lucros.


Os percentuais de participação no mercado de cada empresário
possuem relevância e ganham expressão na medida em que são
conferidos em função dos segmentos específicos em que actuam. Essas
participações se reduziriam e diluiriam, se a referência fosse ampliada
para maiores parcelas ou mesmo para toda a economia do país. Assim,
a definição de mercado relevante é feita em dois níveis: o geográfico e
o material.
Mercado relevante geográfico é a área em que ocorre a concorrência
relacionada à prática que está sendo considerada como restritiva. O
mercado relevante geográfico considerado pode ser uma região, um
estado, todo o território nacional e até mesmo o internacional, na
hipótese de ausência de barreiras alfandegárias. No caso AmBev o
mercado relevante geográfico considerado foi o nacional, dividido em 5
regiões, apresentando cada uma percentual de concentração diferente.
O mercado relevante material (ou mercado do produto) é aquele em
que o agente económico enfrenta a concorrência, considerado o bem
ou serviço que fornece. A delimitação do mercado relevante material é
feita a partir da perspectiva do consumidor, se este pode substituir um
produto ou serviço por outro igual ou semelhante, ambos pertencem
ao mesmo mercado relevante material. Assim, a fungibilidade dos
produtos para o consumidor faz com que integrem mercado relevante
material idêntico. Se a mercadoria ou o serviço podem ser
perfeitamente substituídos conforme a avaliação do consumidor
médio, por outros de igual qualidade, oferecidos na mesma localidade
ou região, então o mercado relevante compreenderá também todos os
outros produtos ou serviços potencialmente substitutos.
Paula Forgioni destaca que produtos aparentemente semelhantes,
normalmente, não fazem parte de um mesmo mercado relevante: uma
caneta de plástico e outra de metal precioso, certamente, não
satisfazem idêntica necessidade do consumidor e não se encontram em
relação de concorrência. A intercambialidade do produto não é fácil de
ser constatada. Assim, deve-se valer da presunção de que dois ou mais
produtos são fungíveis quando o aumento no preço de um deles conduz
ao aumento da procura do outro, o que os coloca no mesmo mercado
relevante material (Forgioni, 1998, p.207).
A ampliação dos limites do mercado relevante material é estratégia
comum nas defesas antitruste e segundo Forgioni (1998), seguramente
será bastante utilizada pelos agentes económicos brasileiros para
desvencilhar-se da necessidade de autorização do Cade para práticas
concentracionistas (Forgioni, 1998, p.209). No caso Ambev o mercado
relevante material proposto foi o das bebidas em geral, sendo que o
Cade, adoptando a tendência mundial de cada vez mais limitar a
extensão da delimitação dos mercados relevantes, considerou três

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ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

mercados relevantes materiais, o das águas engarrafadas, dos


refrigerantes carbonados e das cervejas.
Sobre a delimitação do mercado relevante material, Luiz Fernando
Schuartz (Schuartz, 1995, p.67) destaca que a definição do mercado
relevante de forma restrita e a exclusão de determinados produtos
permitem super estimar a capacidade do empresário de interferir nos
preços, ao passo que a maior abrangência da delimitação do mercado
relevante e a inclusão de produtos não substitutos subestimam o poder
de mercado do empresário, já que alguns dos produtos incluídos terão
um impacto insignificante sobre o poder do empresário na fixação dos
seus preços.
Encontrado o mercado relevante, é necessário verificar se o fornecedor,
intermediário, adquirente ou financiador do produto ou serviço
controla o respectivo segmento da actividade económica, ou seja, se as
operações e negócios que desenvolve repercutem consideravelmente
nas decisões adoptadas pelos demais agentes económicos, que operam
no mesmo mercado. Existe a presunção desse controle quando a
participação do empresário no mercado relevante é de 20% (§3°, artigo
20, Lei nº 8884/94).
3 – O caso AmBev
Recentemente foi submetida à apreciação do Cade a fusão, operação
pela qual duas ou mais sociedades se unem para formar uma nova
sociedade que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações – art.
228, Lei nº 6.404/76 (Juris Síntese, 1999, nº 19), da Antárctica e da
Brahma, que originou a AmBev. O pedido de análise do ato de
concentração, protocolado em 02 de Julho de 1999, foi aprovado pelo
Cade em 30 de Março de 2.000, após nove meses de análise. A SEAE
demorou 132 dias analisando o ato, a SDE gastou 84 dias e o Cade,
dentro do prazo previsto na lei antitruste, aprovou o ato de
concentração após 55 dias de análise.
A criação da AmBev foi submetida à apreciação do Cade porque o ato
de concentração representou mais de 20% do mercado relevante de
bebidas. A união da Brahma e da Artárctica representa 72% do mercado
de cerveja no Brasil e 40% do mercado de bebidas em geral. Referente
ao caso, o SEAE emitiu parecer em Novembro de 1.999 propondo a
venda da Skol, parte integrante da Brahma. No seu parecer, elaborado
posteriormente, a SDE, entendeu que para evitar prejuízos aos
consumidores, a AmBev deveria vender os activos de uma das três
cervejarias (Brahma, Skol ou Artárctica).
Na 161ª Sessão Ordinária de 29 de Março de 2.000, o Cade aprovou,
após 14 horas de julgamento, sem restrições, a fusão da AmBev no ato
referente aos mercados relevantes águas engarrafadas e refrigerantes
carbonados e outras bebidas não alcoólicas. No mercado de cerveja, o
ato foi aprovado com uma série de

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ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

condições: viabilização de novo concorrente mediante a alienação da


marca Bavaria, assim como a transferência dos contratos de
fornecimento e distribuição relacionados a marca e a alienação de uma
unidade fabril para a produção da cerveja, localizada em cada uma das
5 regiões do mercado relevante geográfico (Sul, Sudeste, Centro-Oeste,
Nordeste e Norte); acesso a distribuição para o mercado (a Ambev
deverá compartilhar sua rede de distribuição com o comprador, em
todas as regiões do país, pelo prazo de 4 anos, prorrogável por mais 2);
a Ambev deverá providenciar a oferta pública das unidades fabris de
cerveja que pretender desactivar nos próximos 4 anos (não pode fechar
fábrica sem oferecer ao mercado antes); deve promover programa de
retreinamento e recolocação de trabalhadores que perderam emprego
em razão da fusão nos próximos 4 anos; desobrigação da exclusividade
no ponto de venda; entre outras. A alienação da marca Bavaria deve ser
realizada para empresário independente, nacional ou estrangeiro, sem
qualquer vínculo com a AmBev, que não detenha, na data da decisão,
mais de 5% da participação do mercado relevante brasileiro de cerveja.
O termo de compromisso terá a duração de 5 anos e o descumprimento
de quaisquer de suas disposições implicará na imediata aplicação de
multa mínima de 5.000 UFIRs diárias, que poderá ser aumentada em até
20 vezes, sem prejuízo das demais providências cabíveis. Vale lembrar
que a imposição de multa pelo descumprimento dos termos do
compromisso de desempenho não se encontra expressamente prevista
na Lei nº 8.884/94.
4 – O caso Kolynos
Outro ato de concentração analisado pelo Cade de grande repercussão
no país foi a aquisição realizada no exterior de parte dos negócios
mundiais de saúde bucal da American Home Products pela Colgate. O
ato de concentração foi apreciado pelo Cade em 1996 a pedido da
Colgate-Palmolive Company e da Kolynos do Brasil S.A (Conselho…,
1996, p.45).
A operação apresentou efeitos nos quatro produtos relevantes da área
de higiene bucal: creme dental, escova dental, fio dental e enxaguante
bucal. Apenas no mercado relevante de creme dental é que se
entendeu haver ameaça substantiva à concorrência, em razão da fatia
de mercado (market share) de 78,1% (Colgate 25,6% e Kolynos 52,5%).
O mercado relevante geográfico foi o nacional, diante do constatado
baixo grau de contestabilidade das importações.
A principal barreira à entrada detectada se refere à diferenciação do
produto a partir da marca, decorrente, principalmente, da forte
lealdade do consumidor. Seriam necessários substanciais gastos de
publicidade para introduzir uma nova marca no mercado. Assim, a
relatoria entendeu que qualquer medida de intervenção no mercado
deveria referir-se à própria marca. Foram oferecidas 3 alternativas:
suspensão temporária do uso da marca
40
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Kolynos; licenciamento exclusivo para terceiros da marca Kolynos;


alienação da marca Kolynos.
Em qualquer uma das opções o objectivo foi permitir a entrada de um
novo concorrente, atenuando, temporariamente, a barreira
representada pela marca. A opção adoptada pela Colgate foi a
suspensão, pelo período de 4 anos, do uso da marca Kolynos, criando a
marca Sorriso, que, deve-se ressaltar, desde o seu surgimento foi
associada pelos consumidores à marca Kolynos. A Colgate também
assumiu a obrigação de oferecer publicamente aos empresários
concorrentes contratos de produção de creme dental no segmento
ocupado pela marca Kolynos Super Branco, por encomenda, e dar
assistência necessária para varejistas/distribuidores de grande porte
lançarem suas próprias marcas no mercado. O termo de compromisso
de desempenho foi assinado em 19 de Março de 1997.
Percentagem de interesse e de controlo

Controlo – é o poder de gerir as políticas financeiras e operacionais


duma entidade a fim de obter benefícios da mesma.

Percentagem de participação – exprime uma fracção de capital detida


directa ou indirectamente na sociedade dependente. Na prática
representa a percentagem do património da sociedade detida que é
pertença da empresa-mãe.

Participação de forma directa – as % de participação, de controlo e de


participação efectiva é igual;

Participações de forma indirecta – são divergentes. Para a qualificação


duma empresa como subsidiária ou associada, o que é relevante é a
percentagem de controlo e não a percentagem de participação efectiva.
Exemplificando: A participa em 60% na sociedade B; B participa em 80%
na sociedade C.

A participação indirecta de A em C é de 48%, no entanto, A controla C,


uma vez que controla B, a qual controla C.

Assim, apesar da participação indirecta (efectiva) ser de apenas 48%,


verifica-se uma percentagem de controlo (80%), logo C deve ser
considerada uma subsidiária de A.

Percentagem de interesse – corresponde à fracção de capital detida,


directa ou indirectamente, pela empresa-mãe em cada sociedade
dependente;
Obtém-se multiplicando as percentagens de participação nas
sociedades que constituem a cadeira de controlo;

41
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Não serve para determinar o perímetro de consolidação, mas é utilizada


na consolidação a fim de determinar a parte do grupo nos activos
líquidos da sociedade participada.

Percentagem de controlo – determina a natureza da ligação da


dependência entre uma sociedade e a sua participada. É utilizada na
determinação do perímetro de consolidação, não sendo o único critério
a ter em conta ou exprime o grau de dependência das sociedades
participadas relativamente à empresa-mãe. Representa a percentagem
de capital que a empresa participante (empresa-mãe) consegue
controlar (directa ou indirectamente);

É o grau de dependência representado pela % de direitos de voto da


empresa participada que a participante consegue controlar, em
consequência das suas participações;

Obtém-se adicionando as percentagens de controlo de todas as filiais


do grupo que possuem uma participação.

Um ato de concentração estará sujeito a controlo quando houver


subsunção ao dispositivo legal.

Todos os actos, sob qualquer forma manifestados, que possam limitar


ou de qualquer forma prejudicar a livre concorrência, ou resultar na
dominação de mercados relevantes de bens ou serviços, deverão ser
submetidos à apreciação do organismo apropriado de controlo, onde
serão ali citados os efeitos alternativos, bastando a presença dum deles
para originar a necessidade de submeter o ato à análise antitruste.

O primeiro efeito – limitar ou prejudicar a livre concorrência – pode ser


originado tanto por meio de uma concentração como por um ato de
cooperação económica, tais como contratos de distribuição exclusiva,
práticas de venda casada, ou os acordos de cooperação, pesquisa e
desenvolvimento.

O segundo efeito – resultar na dominação de mercados relevantes de


bens ou serviços –, por sua vez, está ligado à noção de posição
dominante, abrangendo tanto a sua aquisição como a intensificação de
posição já existente9.

O § 3º do artigo 54, especializa a norma do caput, trazendo dois critérios


que se prestam a identificar a concentração económica sujeita ao
controle pelo CADE. São eles: (i) participação de empresa ou grupo de

9
ANDRADE, Maria Cecília, O Controle de Concentração de Empresa – Estudo da
experiência comunitária e a aplicação do artigo 54 da Lei 8.884/94, p.320-321

42
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

empresas em 20% (vinte por cento) do mercado relevante; e (ii)


qualquer dos participantes tenha registado facturação bruto anual no
último balanço no montante de 400 milhões de reais.

Assim, para que a concentração económica seja submetida à análise do


CADE, basta que ela cause alguns dos efeitos previstos no caput do
artigo 54 da Lei de Defesa da Concorrência, e/ou atenda a um dos
requisitos do aludido parágrafo, pois tais indicativos criam uma
presunção de que aquele ato poderá trazer alguma espécie de prejuízo
ao ambiente concorrencial.

José Inácio FRANCESCHINI tece críticas à metodologia de análise de


actos de concentração adoptada pela legislação brasileira. Afirma o
jurista que é passível de questionamentos a sujeição da aprovação de
uma operação de concentração a condições baseadas em meras
presunções ou projecções abstractas de potencialidade lesiva ao
mercado, posto que a presunção constitucional é de que os chamados
actos de concentração em princípio geram bem-estar social e não
condutas abusivas10.
Também há quem critique a adopção do percentual de 20%, ao
argumento de que é aleatório e provém de um legislador idealista que
pretende punir grandes grupos empresariais. Esse é o entendimento de
Pedro DUTRA 30, que detecta ainda uma impropriedade na fixação
desse valor por não corresponder à realidade e por se tratar de uma
presunção de ilicitude do ato sem valor ou fundamento.

Entretanto, parece-nos razoável a posição de SALOMÃO FILHO 31, que


considera inútil a discussão da (in) conveniência do valor fixado pelo
legislador:

(...) o problema é que a discussão sobre o valor numérico da


participação, meramente opinativa é necessariamente inconclusiva,
mascara os reais problemas a serem resolvidos para a determinação do
poder de mercado relevante. O primeiro deles refere-se ao objectivo da
norma que requer a definição do poder no mercado. O segundo é a
forma de revelação desse poder, ou seja, os diferentes tipos de
estruturas em que ele se manifesta. Nenhuma das duas questões foi
suficientemente resolvida na legislação nacional.

10
FRANCESCHINI, José Inácio Gonzaga. Condições impostas pelo CADE à aprovação
de actos de concentração: um erro de paradigma. In Revista de Direito da
Concorrência, n.2, abr./jun. 2004, p.79. O autor assevera que, por isso, a actuação do
SBDC - no sentido de presumir um certo grau de ilicitude das operações de
concentração - afronta o texto constitucional, pois considera toda concentração
potencialmente danosa ao mercado. (p.79).

43
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

SALOMÃO FILHO entende que esse percentual constitui um elemento


de identificação de uma concentração económica, e não um critério de
aferição da (i) licitude do ato para consequente sanção, a qual será
identificada posteriormente mediante outros elementos colectados
pela autoridade antitruste, e não simplesmente com a verificação do
percentual de participação no mercado11.

Sobre o tema, Gesner OLIVEIRA e João Grandino RODAS lembram que


o grau de concentração resultante e a participação de mercado ao longo
do tempo dos agentes não envolvidos na operação servem como mais
um elemento, entre outros, na tomada de decisão12.

Comprovando esse posicionamento, veja-se o Ato de Concentração n.


08012.000664/2000-50, que tratou da fusão das empresas holding York
Merger e Young & Rubicam na incorporação de todas as empresas
pertencentes ao grupo Young & Rubicam, pela WPP, grupo da York
Merger. Nesse caso, a WPP era líder com participação de 26,14% e, após
a operação agregou a participação da Young & Rubicam de 3,43%,
passando a deter 29,57%.

Mesmo se tratando de uma operação que resultou em participação


superior a 20%, a decisão do CADE se deu no sentido de aprovar a
ligação sem restrições, pois concluiu que há baixo custo de entrada no
mercado e que não há barreiras significativas à entrada de novos
competidores, não havendo, por consequência, geração de efeitos
anticoncorrenciais.

Vê-se, com isto, que a detenção de percentual do mercado relevante


superior a 20% não significa que uma operação determinará,
necessariamente, efeitos negativos no mercado, não se havendo falar
que esse montante implica em presunção de ilicitude. Pode-se, isso sim,
pronunciar em presunção de que o ato poderá produzir efeitos
anticoncorrenciais.

Como já visto anteriormente, a análise de um ato de concentração é


realizada mediante inúmeros elementos, os quais variam de acordo
com as empresas envolvidas e o mercado em que se desenvolve. Veja-
se, por exemplo, as causas justificadoras da concentração, como a
existência de barreiras à entrada.

O caso mencionado acima foi aprovado em razão de não ter a


possibilidade de trazer efeitos maléficos ao ambiente concorrencial,

11
SALOMÃO FILHO, Calixto, Direito Concorrencial – as estruturas, p.139.
12
OLIVEIRA, Gesner; RODAS, João Grandino. Direito e Economia da Concorrência. São
Paulo: Renovar, 2004, p. 120.

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ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

ainda que possua uma participação relevante no mercado. Isso retrata


a complexidade da análise de um ato de concentração, cujo estudo
económico realizado pela SEAE deve levar em conta todo o conjunto de
características que compõe a realidade da operação.

O inverso também é válido: mesmo que a concentração não alcance


concretamente os índices jurisdicionais do § 3º do artigo 54 deverá ser
submetida ao CADE sempre que puder limitar ou de qualquer forma
prejudicar a livre concorrência, ou ainda poder dominar mercado,
subsumindo-se à letra do caput do artigo 54.

A utilização desses critérios demonstra a especificação das operações


que deverão passar pelo crivo do Sistema de Defesa da Concorrência, o
que reflecte que a concentração de empresas, por si só, não representa
um abuso de poder económico, ou o automático prejuízo à
concorrência. Pode, antes, representar um ganho substancial para a
sociedade.

O artigo 54, em seu caput, estabelece a premissa geral, isto é, explicita


os tipos de actos que caem no seu âmbito de exame e, uma vez
preenchidos aqueles requisitos, parece ser evidente que a operação ou
o ato de concentração deverão ser necessariamente submetidos à
apreciação do CADE. O fato de o § 3º do artigo 54 determinar os índices
considerados mínimos para que um ato precise ser comunicado não tem
por si só o condão de excluir os que não alcancem aquele patamar
mínimo, e que igualmente provoquem os mesmos efeitos nefastos à
estrutura concorrencial13.

Por fim, para o cálculo do índice de jurisdição relativo ao facturação


bruto anual, o artigo 2º, § 2º da lei de defesa da concorrência 35 indica
que o facturação da empresa-mãe estrangeira, quando houver, deve
ser incluído na análise. Esse critério é bastante importante na análise
dos actos de concentração conglomerada que, consiste na operação
que envolve empresas que actuam em mercados relevantes distintos e
não mantém relação vertical.

Nos quatro casos de concentração mencionados no artigo 54, § 3º da


lei antitruste brasileira, quando atingidos os índices ali mencionados, é
notória a obrigatoriedade de submissão à aprovação do CADE. Isso
porque se trata de uma presunção legal de potencial risco à livre
concorrência baseado em critérios objectivos apontados no mesmo
dispositivo, quais sejam a participação da empresa ou grupo de
empresas resultante em 20% de um mercado relevante, ou facturação
bruto anual de quaisquer dos participantes no último balanço
equivalente a quatrocentos milhões de reais.

13
ANDRADE, Maria Cecília, O Controle de Concentração de Empresa – Estudo da
experiência comunitária e a aplicação do artigo 54 da Lei 8.884/94, p 327.

45
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Não sendo o caso de concentração económica (mas de cooperação


económica), nota-se que a notificação do caso ao CADE será obrigatória
se houver a possibilidade efectiva de resultar em danos à livre
concorrência ou resultar na dominação de mercados relevantes – artigo
54, caput -, ou seja, trata-se de um critério subjectivo que será analisado
casuisticamente.

Com isso se vê que, a fim de determinar a necessidade de submeter um


ato à apreciação do CADE, não é necessário que ele seja caracterizado
como uma concentração económica (§ 3º, artigo 54), pois também as
operações que não alcançam os índices jurisdicionais impostos, mas
que geram posição dominante no mercado (nessas se incluem as de
cooperação), deverão ser analisadas pela autoridade antitruste.

Relações jurídicas entre empresas (CSC)

A definição de grupo deve ser suficientemente lata de modo a absorver


o maior número possível de situações existentes na prática, com vista a
uma mais adequada protecção dos interesses que podem ver-se
afectados pela existência deste fenómeno empresarial,
nomeadamente, os efeitos potencialmente negativos que as
concentrações empresariais, em geral, e os grupos em particular,
podem vir a fazer sentir no emprego e na utilização dos outros recursos
que são por natureza escassos, bem como a protecção dos accionistas
minoritários e dos credores e outros agentes que estabelecem relações
com este macro-agrupamento.

Já no início da década de cinquenta, Moonitz (1951: 2 e 3) referia as


dificuldades de natureza híbrida (jurídica versus contabilística) e
complexa dessa invenção organizativa do século XX, salientando que a
utilização extensiva de uma série de sociedades ligadas por meio da
posse de acções trouxe como consequência alguns problemas
contabilísticos e legais. No que respeita à contabilidade, o problema
adveio da agregação das demonstrações reflectindo a unidade
económica da entidade, sem especial atenção à sua forma legal; o
problema legal, por outro lado, tornou difícil a reconciliação entre os
conflitos doutrinais criados para operações unitárias através de
entidades legalmente separadas.

Por isso torna-se necessário delimitar esta nova macro-entidade


económica, de tal forma que possamos dispor de uma visão do conjunto
do grupo − englobando cada uma das múltiplas entidades jurídicas
consideradas independentes, mas constituindo uma unidade de acção
económica assegurada pela existência de uma direcção unitária − e ao
mesmo tempo, se assuma com uma
46
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

natureza suficientemente clara do ponto de vista contabilístico, que


permita ultrapassar a dupla e ambígua natureza deste fenómeno
concentracionário.

Neste sentido, discutimos agora a acepção jurídico-societária de grupo,


nomeadamente no CSC e na 7ª Directiva versus a acepção económica.

Em termos substantivos, os grupos de sociedades foram regulados de


modo sistemático e desenvolvido, pela primeira vez em Portugal em
1986, sob o título de sociedades coligadas, fruto das alterações que se
fizeram sentir, devido à adesão à CEE, que forçou a legislação societária
portuguesa a adaptar-se às Directivas Comunitárias.

As disposições aplicáveis aos grupos de sociedades passaram a ser


reguladas nos artigos 481º a 508º do CSC, sob a epígrafe "Sociedades
Coligadas”, embora limitando-os aos casos em que as sociedades
intervenientes no grupo assumam uma das formas legais permitidas, ou
seja: sociedade anónima, sociedade por quotas ou sociedade em
comandita por acções (conforme artigo 481º, nº 1 do CSC), desde que
essas sociedades tenham sede em Portugal (conforme artigo 481º, nº 2
do CSC). Exclui, por exemplo, os grupos de cooperativas, de empresas
em nome individual, de sociedades em nome colectivo ou de
agrupamentos complementares de empresas.

No que respeita à noção e modalidades de grupos, apesar do CSC não


apresentar qualquer definição explícita de grupo de sociedades,
doutrinalmente não faltam definições. Segundo a doutrina tradicional
assente na óptica jurídica, a constituição de um grupo de sociedades
não é considerada concentração, mas uma manifestação paralela a esta
de um fenómeno mais vasto de crescimento das sociedades. Isto
sucede porque as sociedades envolvidas não perdem a sua autonomia,
construindo apenas uma estrutura de coordenação integrada da
gestão. Como o grupo vem a constituir uma nova organização
económica, caracterizada por unidade de direcção, apesar das
diferentes formas jurídicas, não obsta a que possa ser considerado
concentração num sentido mais vasto do termo.

Para Antunes (1993: 3), o grupo de sociedades “constitui um daqueles


fenómenos da modernidade onde se cruzam passado e futuro da
regulação jurídica de um actor económico, social e político da maior
importância: a empresa. Técnica revolucionária de organização da
empresa moderna − alternativa aos tradicionais modelos da empresa
individual e da empresa societária (...)”.

Apesar de ser quase universalmente aceite a relevância prática deste


fenómeno empresarial, ainda subsistem muito entraves ao seu
reconhecimento pleno no campo jurídico. Com efeito, o conceito de

47
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

grupo económico não coincide com o conceito de grupo em sentido


jurídico previsto nos artigos 488º a 493º do CSC, já que, como foi
referido, uma das principais características dos grupos de sociedades é
a inexistência de uma unidade jurídica, dado que o grupo inclui um
conjunto de unidades jurídicas independentes, mas subordinadas em
termos económicos e financeiros a uma unidade de decisão
independente das partes que constituem esse conjunto. Antunes (1993:
23) salienta esta dualidade ao confrontar duas realidades distintas: o
grupo enquanto entidade económica e enquanto ente jurídico. Afirma
este autor que “o grupo societário constitui uma dessas realidades de
dobradiça entre o mundo jurídico e o mundo económico actual para a
qual a doutrina não encontrou ainda uma definição pacífica e uniforme
(...)”.

O grupo representa, assim, uma realidade em permanente mutação


condicionada por duas linhas orientadores: unidade de acção
económica assegurada através de uma direcção única e comum, que
convive com uma pluralidade de entidades juridicamente autónomas.
Essa unidade de decisão é o factor determinante da existência de grupo,
independentemente da forma como esta se obtém: controlo ou
domínio, assegurado pela posse de uma participação de capital que
assegura a maioria dos direitos de voto (conceito estrito de grupo), ou
por outros meios distintos da detenção de capital que lhe assegura
esses direitos (conceito lato de grupo). O grupo assume-se, portanto,
como uma realidade de facto, que transvasa a realidade jurídica
actualmente em vigor, pois a consideração do conceito de sociedades
juridicamente autónomas pretende ajudar também a distinguir esta
forma de concentração de outras modalidades (por exemplo a fusão),
dado que uma sociedade dominada conserva todos os seus atributos
jurídicos de independência, ainda que esta seja controlada
economicamente pela sociedade no vértice da hierarquia. Essa
influência dominante resulta do poder de decisão de uma sociedade
sobre a outra.

O conceito de grupo de sociedades é muito restrito no enquadramento


jurídico-societário português, plasmado no CSC, dado que só integra
quatro tipos de relação de coligação inter-societárias a que
correspondem outras tantas realidades jurídicas:

• Sociedades em relação de simples participação 36 (sociedades


participantes e participadas, artigos 483º e 484º do CSC);

• Sociedades em relação de participações recíprocas (sociedades


participantes e participadas, artigo 485º do CSC);

• Sociedades em relação de domínio (sociedades dominantes e


dependentes: artigos 486º e 497º do CSC);

48
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

• Sociedades em relação de grupo (sociedades directoras e


subordinadas, totalmente dominantes e dominadas, artigos 488º e
seguintes. do CSC).

O CSC considera que duas sociedades estão em relação de grupo


quando uma delas (dominante) pode exercer sobre a outra
(dependente), uma influência dominante, directa ou indirectamente.

Nos grupos compreendidos no nosso enquadramento jurídico-


societário (CSC) poder-se-á falar da criação de grupos de sociedades
tendo por base três instrumentos jurídicos que conferem a presença de
uma relação de grupo:

• A existência de domínio total: inicial ou superveniente (artigos 488º e


489º do CSC), em que o grupo tem como elemento essencial a
detenção da participação social, não emergindo a direcção unitária
para a qualificação da relação de grupo;

• O contrato de grupo paritário (artigo 492º do CSC) onde a relação de


grupo de sociedades é assegurada por contrato, onde as partes
acordam submeter-se a uma direcção unitária e comum, não sendo
as sociedades dependentes nem entre si nem de outras sociedades;

• O contrato de subordinação (artigo 493º do CSC) em que uma ou


várias sociedades subordinam a sua actividade e direcção a outra
sociedade através de um contrato, quer esta última seja dominante
ou não.

A existência desses instrumentos jurídicos assegura às partes


envolvidas direitos e deveres recíprocos, legitimados pelo poder da
direcção da sociedade-mãe sobre as sociedades filiais e da
subordinação dos seus interesses sociais individuais ao interesse geral
do grupo. No entanto, esse interesse colectivo encontra-se
condicionado à necessária protecção dos sócios minoritários (artigos
497º a 500º do CSC) e dos credores sociais das filiais (artigo 501º do
CSC).

A 7ª Directiva não apresenta, também, uma definição de grupo, facto


sintomático das dificuldades que a formulação de um conceito geral e
abstracto acarreta para abarcar a multiplicidade de situações
complexas procedentes dessa realidade económica-empresarial. Para
poder delimitar o conceito de grupo aglutinador estatuado nesta
regulamentação torna se necessário atender aos seus artigos 2º a 6º.
Para além disto, o conceito de grupo estabelecido é amplo, já que a
Directiva regula tanto os grupos de subordinação (ou verticais) como os
de coordenação (ou horizontais). Por outro lado, não há exigência

49
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

simultânea de dependência e direcção unificada para a definição do


conceito de grupo, sendo que a existência de uma delas é suficiente
para presumir a existência de grupo. Se a dependência for o critério
eleito, presume-se que os critérios a ponderar são a participação dos
direitos de voto e a capacidade para nomear ou destituir a maioria dos
membros dos órgãos de administração, de direcção, de gerência ou de
fiscalização.

De acordo com a generalidade da doutrina contabilística e em grande


parte dos normativos contabilísticos, o conceito de direcção única é o
determinante essencial para a existência de um grupo de sociedades,
sendo a dependência um critério subsidiário do primeiro. Contudo, em
alguns ordenamentos contabilísticos, como é o caso do português,
assume-se a posse de uma participação no capital como um critério
obrigatório para o reconhecimento legal-contabilístico (formal) de um
grupo de sociedades, para efeitos de elaboração e divulgação de
informação consolidada. Ainda que o controlo dos direitos de voto
possa não ser garantido em exclusivo pela posse de partes de capital,
essa posse será sempre uma condição necessária, podendo, no entanto,
não ser suficiente para assegurar essa posição de controlo.

Apesar da dificuldade inerente à definição geral e abstracta de grupo,


não foi até hoje aprovada na União Europeia nenhuma Directiva
específica sobre grupos de sociedades, ainda que exista desde 1974
uma tentativa neste sentido, com a elaboração de uma proposta de
directiva (Projecto de 9ª Directiva comunitária sobre os grupos de
sociedades), que, embora tenha sofrido já algumas alterações, ainda
não deu lugar a nenhuma publicação definitiva.

Na versão inicial do projecto, a ideia chave era assentar a disciplina


jurídica dos grupos numa definição geral e abstracta de grupo. Todavia,
esse requisito acabou por ser retirado numa alteração ao projecto em
1984, provando-se a dificuldade de conseguir consensos técnicos e,
essencialmente políticos, em torno de questões centrais no actual
contexto económico.

Assim sendo, apesar dos avanços realizados em outros domínios, a


União Europeia ainda não dispõe de legislação específica para regular
este “ente económico”, que assume proporções tentaculares, que se
estendem por todo o mundo. Por esta razão poder-se-á afirmar que tem
havido uma clara opção por um reconhecimento dos factos ou
manifestações a partir dos quais se pode deduzir a existência de grupos,
mais do que uma definição que atenda ao seu conceito, ou seja, o grupo
é reconhecido considerando a forma que o mesmo pode assumir e não
a sua essência mais profunda.

50
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Também no direito comunitário, o grupo é considerado, pela aplicação


dos artigos 85º e 86º do Tratado de Roma, como uma entidade
económica única: a “empresa” constituída por sociedades
independentes. A unidade de organização do grupo, que assenta nos
laços de controlo, traduz-se pela identidade de interesses comuns das
partes (interesse do grupo), a qual implica que estas abdiquem, num
contexto de predomínio económico, das suas personalidades jurídicas
distintas, que são englobadas e dominadas sob a presença de uma
personalidade económica dominante − o grupo da qual fazem parte.

A inexistência de personalidade jurídica não induz a uma regulação do


direito dos grupos de sociedades, não salvaguardando assim os
interesses de terceiros, já que a sociedade-mãe não é juridicamente
responsável pelas dívidas das filiais. No entanto, tendo como finalidade
assegurar as condições necessárias que protejam em particular os
interesses tanto dos accionistas (sócios) minoritários como de terceiros,
tornam-se necessários toda uma série de requisitos no que se refere à
informação divulgada pelos grupos de sociedades.
No que respeita à acepção económica, a qual extravasa a natureza
jurídica, o grupo é, como já foi referido, não uma unidade jurídica, mas
um conjunto de entidades juridicamente independentes, subordinadas
a uma direcção unitária, formando uma unidade económica de decisão,
independentemente da forma como esta se alcance. No entanto, há
situações de facto que garantem a existência de direcção unificada
(várias sociedades submetidas a um mesmo poder económico).

Do ponto de vista económico, em nossa opinião, esta unidade de


decisão é o aspecto mais relevante, pois a sua verificação conduz à
existência do grupo enquanto centro de decisões estratégicas unas,
responsável pela gestão de um conjunto variado de recursos,
independentemente da posse jurídica desses recursos estar na mão de
uma ou várias unidades empresariais.

Condor López (in Blasco Burriel, 1997) refere a este respeito que os
grupos caracterizam-se pela sua identidade económica baseada na
existência de critérios de decisão (estratégica) unificados para um
determinado conjunto de empresas, que actuam de forma coordenada,
não obstante carecerem de personalidade jurídica. Esta é a principal
característica diferencial entre estas unidades e outras formas de
concentração empresarial, como são as fusões de empresas.

Logo, qualquer que seja a arquitectura do grupo, entre ligações jurídicas


puras e ligações de dependência económica, um elemento caracteriza
o grupo sobre todas as suas formas: unidade na tomada de decisões.
Este elemento afigura-se como central por permitir ao grupo seguir a
sua estratégia, construída em torno de relações de poder entre as
diferentes entidades do grupo. Apesar da pseudo-autonomia jurídica,

51
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

todas as entidades que constituem o grupo encontram-se submetidas a


regras de actuação comuns previamente definidas pela respectiva
direcção, sendo o coração da concepção económica do grupo a
maximização do resultado global e a optimização dos recursos
colocados em comum.

Já Cañibano Calvo (1977) considera o grupo de sociedades como uma


unidade de decisão, um verdadeiro sujeito económico actuante. E
Montier (1995) identifica o grupo como o sistema mais acabado de
relações de dependência económica sobre o qual se exerce um poder
centralizado.

Conjugando as ideias anteriores, entendemos o grupo enquanto


entidade informativa que se identifica como uma unidade económica,
com impacte significativo no contexto económico global, derivado do
seu grande poder económico e financeiro, que se estende às diversas
actividades que realiza e à pluralidade territorial que condiciona essa
super estrutura empresarial.

O critério de direcção unitária na noção económica de grupo assume


como presunção mais geral a detenção de uma percentagem de votos
superior a 50%, correspondendo normalmente a percentagens de
capital maioritárias. Todavia, importa não esquecer, que a percentagem
de participação não é o único critério para diferenciar sociedades em
relação de grupo, situação que pode verificar-se com menores
percentagens de capital detidas.

Condor López (1988: 51 e ss; 1993: 28 e ss) optando por um conceito


amplo de grupo no sentido de determinar objectivamente a existência
de unidade de decisão, socorre-se de um esquema de presunções para
abarcar todas as situações de facto subjacentes à ideia de grupo.
Subdivide-as em três tipos de presunções. As primeiras são presunções
de natureza institucional (ou financeira), baseadas na relação de
domínio − dependência14. As segundas são presunções contratuais, que
realçam a existência de determinados tipos de contratos ou acordos
entre as sociedades envolvidas, cujo fim pode ser ou não explicitamente
o domínio de uma sociedade sobre a outra. Por último, considera as
presunções artificiais (tácitas, ou ainda pessoais), caracterizadas por

14
Esta relação de domínio pode ser aferida pelas três características seguintes:
• a participação maioritária no capital social (> 50%);
• os direitos de voto detidos;
• a participação no capital, os direitos de voto e a possibilidade de eleger ou
destituir a maioria dos órgãos de administração, de direcção, de gerência ou de
fiscalização.

52
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

situações de facto, como por exemplo o órgão de direcção ser


composto pelas mesmas pessoas em distintas sociedades.

Este conjunto de presunções é importante, na medida em que a


existência de direcção económica unitária assume a máxima expressão
comprovativa da inexistência de um conceito jurídico suficientemente
rigoroso para definir o ente economicamente complexo que é o grupo.

Nesta Unidade temática 2.2 estudamos e discutimos


fundamentalmente quatro itens na continuidade das considerações
gerais á disciplina de Consolidação das Demonstrações Financeiras:

1. Formas de domínio
2. Tipos de controlo
3. Percentagem de interesse e de controlo
4. Relações jurídicas entre empresas (CSC)

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO – 1:

GRUPO – 1 (Com respostas detalhadas)


1 – Basicamente quantas formas existem e quais são?
2 – O que é domínio vertical?
3 – O que é monopólio? Dê exemplo de algumas empresas que
conheces neste domínio?
4 – Diferencie oligopólio de monoposónio.
5 – Quantos tipos de controlos e quais são?
6 – O que é controlo?
7 – O que é percentagem de participação?
8 – Dê conceito de participação de forma directa.
9 – Diferencie a participação de forma directa e de forma indirecta.
10 – Quais os quatro tipos de relações de coligação inter societária que
compreendem outras tantas realidades jurídicas?

Respostas:
1 – Rever no início da página 32
2 – Rever na página 32
3 – Rever na página 33
4 – Rever na página 33
5 – Rever nas páginas 35 a 41
6 – Rever nos finais da página 41
7 – Rever no final da página 41
8 – Rever no 1º parágrafo da página 42
9 – Rever nos 1º e 2º parágrafos da página 42
10 – Rever 1º parágrafo da página 49

53
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

10 – Rever 1º 2º parágrafos da página 29

Exercícios de AVALIAÇÃO

GRUPO – 2
1 – Quais os três instrumentos jurídicos que conferem a presença duma
relação de grupos?
2 – Qual é a principal característica diferencial entre estas unidades e
outras formas de concentração empresarial?
3 – O que assume o critério de direcção unitária na noção económica de
grupo?
4 – Em quantos tipos de presunções se divide `ideia de grupo?
5 – Qual é o tipo de presunção é importante? porquê?

UNIDADE Temática 2.3. A consolidação das demonstrações financeiras: conceito;


objectivos; vantagens; limitações; conceitos de conjunto consolidável e perímetro
de consolidação.

Conceitos

Consiste em agrupar as demonstrações contabilísticas das empresas


controladas às demonstrações da controladora;

Consiste em agregar as contas duma empresa-mãe com as suas


subsidiárias, de modo a que as contas representem a situação
financeira e os resultados das operações do grupo como se duma única
entidade se tratasse, pretendendo apresentar apenas os resultados das
operações que as empresas do grupo tiverem com terceiros.

É o processo complexo que se desenvolve extra contabilisticamente e


que permite agregar as demonstrações financeiras de uma empresa-
mãe com as suas subsidiárias, de modo a que as contas resultantes
representem a situação financeira e os resultados das operações do
grupo como se de uma única entidade se tratasse, segundo Sílvia
Moura;

É ainda um instrumento de informação interna que facilita a gestão das


sociedades do grupo e facilita a decisão das grandes opções.

Objectivos

O objectivo da consolidação é apresentar aos leitores, principalmente


accionistas e credores, os resultados das operações e a posição

54
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

financeira da sociedade controladora e suas controladas, como se o


grupo fosse uma única empresa que tivesse uma ou mais filiais ou
divisões. Isso permite uma visão mais genérico, abrangente e melhor
compreensão do que inúmeros balanços isolados de cada empresa;

Permite aos credores conhecerem os riscos envolvidos face às


entidades em causa, aos accionistas terem um melhor conhecimento
do património e dos resultados do grupo na sua globalidade, possibilita
que os analistas financeiros afiram com maior realidade os indicadores
económico e financeiros. Em resumo, permite entender com maior
realismo o potencial económico-financeiro do grupo;

Proporcionar informação adequada para ser utilizada em qualquer


modelo para decisões de utilizadores específicos.

Vantagens

A necessidade da consolidação de contas decorre do aparecimento e


crescimento dos grupos económicos, tendo em vista que, como foi
referido, a expressão do seu património e da sua rendibilidade não pode
ser adequadamente reflectida pelas contas individuais de cada uma das
empresas componentes, nem tão pouco pelo seu simples somatório.
Sempre que existe uma empresa-mãe que lidera um conjunto maior ou
menor de empresas, a consolidação é criadora de informações úteis, na
medida em que as contas consolidadas são em alguns casos
complementares à informação individual, divulgando informações que
não seriam obtidas através das contas da sociedade-mãe.

A elaboração e divulgação de contas consolidadas são de carácter


imperativo para algumas das sociedades que se organizam na forma de
grupo. Com a sua elaboração visa-se, por um lado, a protecção dos
interesses tanto dos accionistas (sócios) como de terceiros, e, por outro,
a comparabilidade da informação entre diferentes grupos perante uma
realidade organizacional que se afigura, desde inícios do século XX,
como uma das mais complexas do sistema económico mundial. Assim,
as informações elaboradas nessa base agregada revelam-se úteis como
ferramenta de informação para terceiros e também enquanto
instrumentos de gestão para os dirigentes das diferentes sociedades do
grupo.

Deste modo, o sistema contabilístico viu-se confrontado com a


necessidade de dar resposta a novas necessidades informativas
sentidas pelos interessados nesses macro-impérios. Esta informação
acabou por ser apelidada de informação consolidada; o seu objectivo
tem sido representar a posição financeira, o desempenho e as
alterações na posição financeira de um grupo de sociedades

55
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

juridicamente autónomas como se de uma única entidade se tratasse,


prevalecendo a substância económica do grupo sobre a sua forma legal.

Boisselier e Oliviero (1995) afirmam que, em matéria de contabilidade


financeira, a pluralidade de classes de actores no grupo impõe
compromissos no estabelecimento de um sistema de representação
como é a contabilidade. No actual estado do conhecimento
contabilístico, esses compromissos são fonte de conflitos entre os
utilizadores da informação contabilística, que não identificam as
representações propostas pelo modelo contabilístico com o seu modelo
de referência de empresa-grupo. Para além disto, o grupo de
sociedades enquanto reunião de múltiplos partenaires com
necessidades informativas diferentes e por vezes incompatíveis, cria as
condições ideais para o surgimento de conflitos. No sentido de
minimizar esses potenciais riscos, surgiu a técnica da consolidação
como necessária para a passagem da entidade individual (sociedade) à
entidade colectiva (grupo), constituindo assim as contas consolidadas
uma resposta à necessidade crescente de informação financeira
agregada, dentro da perspectiva de que a contabilidade deve assumir-
se como o principal veículo de informação financeira também dos
grupos.

Silva e Pereira (1994: 439) afirmam que “a consolidação é, portanto,


uma técnica que permite o estabelecimento de contas únicas
representativas da actividade global e da situação de um conjunto de
sociedades ligadas por interesses comuns (vínculo de dependência) ou
sujeitas a um centro de decisão comum (direcção única), embora
gozando cada uma de personalidade jurídica própria. Deste modo, as
contas consolidadas, correspondendo à expressão contabilística da
unidade económica do grupo, têm por fim apresentar a situação
financeira e os resultados daquele conjunto de sociedades, como se
fosse uma única entidade (grupo)”.

Durante muitos anos as contas consolidadas foram consideradas o


melhor meio para dar a conhecer a situação financeira e a performance
do grupo de sociedades como se de uma entidade se tratasse. Moonitz
(1951: 15) refere que de um ponto de vista mais lato
“um relato consolidado é sem dúvida superior a um (...) de uma
empresa dominante considerada sozinha.”. Mais, afirma que
“demonstrações financeiras consolidadas não existem num vácuo social
e económico. Elas foram desenvolvidas para satisfazer uma necessidade
real emergente de condições históricas específicas; são reflexões no
nível contabilístico de padrões diferentes assumidos (...) pelo
movimento de combinação” (Moonitz, 1951: 1).

Há autores que atribuem um relevo muito significativo às contas


consolidadas. Por exemplo, Tho (1995: 474) prova através de um estudo

56
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

empírico que as contas consolidadas apresentam um carácter


prospectivo, no sentido em que, por um lado, veiculam informações
que permitem aos investidores rever a cotações das acções e, por outro
lado, modificam a escala do valor do sistema de informação existente.
Adianta ainda o mesmo autor que o facto de investidores privilegiarem
as informações consolidadas relativamente às informações sociais (ou
individuais), permite concluir da superioridade informativa das
primeiras sobre as segundas quanto à sua utilidade económica,
particularmente do ponto de vista daqueles, permitindo que a
informação consolidada constitua para o mercado uma boa base de
referência para as decisões de investimento.

Ansón Lapeña et al. (1997a: 927 e 928) realizaram um estudo empírico


em que comprovam que, relativamente aos resultados, a informação
constante das demonstrações financeiras individuais da sociedade
dominante carece de relevância. Afirmavam estes autores que essa
informação não é considerada pelo mercado na hora de fixar o preço
das acções, ou seja, o mercado não raciocina com base na informação
individual. Logo, as demonstrações financeiras individuais constituem
um meio de informação insuficiente para avaliar a rendibilidade das
acções da sociedade dominante, devendo ser complementadas com os
dados proporcionados pelas demonstrações financeiras consolidadas.
Desta forma, pode considerar-se que o mercado avalia na formação do
preço das acções dessas sociedades a situação patrimonial (activos e
passivos), financeira e os rendimentos do grupo através da informação
contida nas suas contas consolidadas.

Walker e Mack (1998), entre muitos outros autores, apresentam duas


concepções básicas subjacentes à elaboração dos relatos financeiros
consolidados, que são condicionadas pela óptica de consolidação
adoptada, por sua vez fortemente determinada pelos potenciais
utilizadores da informação a satisfazer com essa informação. Numa
delas, as Demonstrações Financeiras Consolidadas são entendidas
como uma extensão das Demonstrações Financeiras Individuais da
sociedade-mãe e pretendem fornecer informações adicionais aos
accionistas dessa sociedade. Logo, a apresentação das contas
consolidadas não representa mais do que um complemento das
Demonstrações Financeiras Individuais, não se substituindo, portanto,
às contas individuais das empresas integrantes do perímetro de
consolidação. Traduzem, antes, um complemento ou uma extensão, no
sentido de tornar mais perceptíveis as operações e a posição financeira
e económica do grupo, cujos relatos individuais não traduzem os
recursos, a capacidade e o poder económico do conjunto. Esta
perspectiva é designada de Parent Company Extension Concept ou
teoria financeira. Na outra, as Demonstrações Financeiras Consolidadas
são repositórios de informação de uma entidade grupo, que tem
existência económica e contabilística distinta das diferentes entidades

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ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

juridicamente independentes que o constituem (sociedade-mãe e suas


filiais). São, por isso, documentos financeiros separados e
independentes das Demonstrações Financeiras Individuais da empresa-
mãe e respectivas filiais e têm como função prestar informação a todos
os participantes do grupo e a outros potenciais utilizadores. A
designação comum desta óptica é Entity Concept ou teoria económica.

Desde há muito se assume, todavia, que a informação financeira não


deve ser divulgada para responder à necessidade de um particular tipo
de utilizadores. Hendriksen (1974: 118) afirmava a propósito do papel a
desempenhar pelas demonstrações financeiras consolidadas e seus
utilizadores:

a) As demonstrações financeiras preparam-se para utilizadores


indeterminados que têm objectivos múltiplos;

b) O objectivo da elaboração das demonstrações financeiras é


proporcionar informação adequada para ser utilizada em qualquer
modelo para decisões de utilizadores específicos.

Também Tua Pereda (1989: 272) refere que a assunção do conceito de


responsabilidade social da empresa conduziu também à substituição
dum direito subjectivo à informação de que são titulares os
interessados, por um dever objectivo de informar, mudança que, sem
dúvida, também explica o referido incremento da informação.

No que respeita às vantagens que, normalmente se apontam na


literatura para as contas consolidadas relativamente às contas
individuais apresentadas por cada uma das entidades que constituem o
grupo, pode referir-se em primeiro lugar, que as contas consolidadas
fornecem uma melhor informação que as contas individuais, pois
permitem recolher informações sobre a totalidade dos recursos
(económicos e financeiros) controlados pelos grupos resultante da
existência de direcção única, embora juridicamente pertençam a
entidades distintas. Com efeito, fornecem informações sobre as
transacções exteriores ao grupo, permitindo eliminar todas as
eventuais transacções artificiais dentro do grupo. Nesta perspectiva de
gestão comum de recursos, interessa apenas conhecer as transacções
exteriores ao grupo, sob risco de se considerarem verdadeiras
duplicações das operações. De esta forma, as contas consolidadas
permitem eliminar todas essas duplicações e as eventuais transacções
artificiais dentro do grupo, permitindo também visualizar os
investimentos do grupo, pondo em destaque as participações circulares
e cruzadas entre empresas. Na medida em que beneficia de uma
legislação contabilística contida nas contas consolidadas revela-se
assim um instrumento útil de gestão e de análise para os seus
utilizadores.

58
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Em segundo lugar, as contas consolidadas permitem apreender melhor


o peso económico real do grupo integrando as filiais directas e
indirectas, bem como a empresas-mãe. Para além disto, a flexibilidade
da legislação, caracterizada por um leque alargado de opções
contabilísticas, permite aos dirigentes fornecer uma informação
contabilística consolidada de forma mais fiel15. Finalmente, a natureza
sintética das contas consolidadas permite que estas se assumam como
um vector privilegiado de informação financeira do sector em que o
grupo desenvolve, por excelência, as suas actividades, garantindo uma
maior utilidade da informação, mesmo que inevitavelmente haja uma
perda implícita de detalhes que resultam do processo de agregação. Em
resumo, poder-se-a avançar que as contas consolidadas serão um
vector de informação contabilística quase geralmente aceite, dada a sua
concepção eminentemente económica, permitindo oferecer uma
imagem mais realista do grupo que as contas individuais de cada uma
das suas entidades.

Na década de noventa realizaram-se diversos trabalhos empíricos


importantes para demonstrar a maior relevância da informação
consolidada relativamente à informação individual. Alguns desses
merecem um destaque.

Pellens e Linnhoff (1993), num estudo empírico que visava a


comparação de contas individuais da sociedade dominante versus as
contas consolidadas do grupo, concluíram pela utilidade das últimas
como base para a tomada de decisões relacionadas com a sociedade
dominante. No entanto, confirmando os resultados de outros estudos
empíricos, provaram também que as contas consolidadas conduzem ao
reconhecimento de um maior nível de endividamento e de uma
diminuição de rendibilidade.

Por sua vez, Blasco Burriel (1997) conclui com a realização de um estudo
empírico sobre a utilidade da análise das contas anuais consolidadas,
afirmando que estas são uma fonte necessária de informação em que
se deve apoiar qualquer análise efectuada tendo em vista conhecer a
situação económica e evolução futura duma empresa que se apresente
como dominante dum grupo consolidável, apesar de todas as
imperfeições que esta informação pode envolver.

Niskanen et al. (1998: 31 e seguintes.) provaram que no caso das


empresas finlandesas cotadas em bolsa os ganhos consolidados são
uma variável explicativa incremental significativa para o retorno das

15
Sobre a imagem fiel nas demonstrações financeiras (individuais e consolidadas) ver
Pasqualini (1992);

59
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

acções, enquanto que os ganhos da sociedade-mãe por si só não o são.


Estas conclusões sugerem que a consolidação melhora o conteúdo
informativo dos resultados, e as exigências de divulgação dos resultados
da sociedade-mãe deveriam estar baseados em outros factores que não
fossem relevantes só para os accionistas, pois a política de dividendos
da empresa-mãe está ligada com os ganhos consolidados do grupo. Os
resultados mostram que o mercado de acções não encontra informação
nos relatórios e contas da empresa-mãe, mas encontra informação
(incremental) significativa nas DFC. As conclusões do estudo indicam,
portanto, que a consolidação é um processo que melhora o conteúdo
informativo dos resultados16.

Larrán Jorge (1996) provou que a rendibilidade e o endividamento, e


entre outras variáveis financeiras, são significativamente distintas
quando são avaliadas através da informação da sociedade dominante a
título individual e, mediante as contas do grupo (contas consolidadas),
entendendo-se estas como um prolongamento das Demonstrações
Financeiras da sociedade-mãe, verificando-se um aumento do
endividamento e uma diminuição da rendibilidade financeira quando a
análise se processa através das contas consolidadas. No entanto, as
diferenças também são significativas em variáveis como vendas,
capitais próprios, activo e resultados. Segundo este autor as razões que
justificam a existência e publicação das DFC residem na insuficiência das
contas anuais individuais para reflectir o conceito da imagem fiel, nos
casos em que a sociedade possui participações directas ou indirectas
em outras empresas.
Abad Navarro et al. (1997b: 84) provam, também, que a informação
consolidada apresenta maior relevância que a informação individual,
pelo menos quando se trata de valorizar a sociedade dominante. Os
mesmos autores em um outro trabalho (1997a) concluíram que quando
se trata de avaliar a situação económico-financeira, as contas anuais
consolidadas apresentam-se mais úteis no caso duma empresa-mãe
com uma ou entidades isoladamente, existindo assim diferenças
significativas entre os dois tipos de contas. Este acréscimo de
informação é, particularmente, importante quando se trata de avaliar a
rendibilidade e o risco de um grupo. No entanto, para uma análise mais
global os agentes económicos necessitam também de dispor da
informação individual como meio de avaliação em que medida essa
informação se encontra ou não distorcida pelas operações realizadas no
seio do grupo.

Möller e Hüfner (1998: 5) afirmam: “estamos convencidos que as DFC


estão mais aptas a reflectir as necessidades dos investidores em capital

16
Harris et al. (1997) provaram que o mesmo se verifica para o caso alemão;

60
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

próprio (accionistas) do que o relato legal (individual) da entidade (não


consolidado) ”.

Em um outro trabalho, Harris et al. (1997: 25) afirmam, com base num
estudo empírico realizado: “a maioria dos nossos resultados apoiam a
hipótese de que as DFC são mais relevantes do que as demonstrações
não consolidadas e que o poder explicativo depende da qualidade dos
princípios contabilísticos geralmente aceites para as demonstrações
consolidadas”.

Limitações

Estas vantagens e as provas apresentadas ao longo dos anos através da


realização dum conjunto muito significativo de estudos empíricos não
permitem todavia descurar um conjunto de limitações na informação
consolidada. Caberá, portanto, perguntar que valor ou importância
poderão ter as contas consolidadas como modo de conduzir à imagem
verdadeira e apropriada do conjunto de sociedades, entendido como
uma única entidade, tendo em atenção que as contas do grupo são um
mix e não um conjunto coerente de valores.

Os fundamentos teóricos dos principais objectivos da informação


financeira consolidada assentam, de acordo com Tho (1995) em duas
questões. Por um lado, interessa saber se a informação contabilística
consolidada é útil aos investidores, ou de outra forma, se as
Demonstrações Financeiras Consolidadas transmitem ao mercado
bolsista elementos que permitam fixar de forma mais correcta o justo
valor dos títulos (utilidade da informação contabilística). Por outro lado,
importa avaliar se a escolha entre diferentes métodos contabilísticos
pelos dirigentes afecta o valor bolsista dos títulos, ou seja, se o mercado
não é míope perante a diversidade de métodos contabilísticos utilizados
para uma mesma realidade económica (eficiência do mercado), isto é,
interessa saber se é possível que o mercado financeiro seja induzido em
erro pelas manipulações contabilísticas.

Desde há algumas décadas, cada vez um maior número de autores17


têm vindo a questionar a utilidade das DFC, apresentando uma
descrença ou incerteza generalizada na superioridade da informação
consolidada relativamente à informação individual. De entre muitos,
cabe destacar Chambers (1968), que apresentava como uma solução
alternativa às contas consolidadas as contas individuais desde que estas
fossem complementadas com informação sobre todas as dependentes.
O resultado final seria mais compreensível, realista e mais útil do que a

17
De entre muitos outros autores destacam-se: Gonzalo Angulo (1994), Pourtier
(1993), Blasco Burriel (1997) e Archel Domench (1998).

61
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

informação obtida via elaboração das contas consolidadas, já que uma


sociedade-mãe e as suas filiais em conjunto não são uma entidade legal
que possa possuir bens e incorrer em obrigações, mas e apenas cada
uma delas isoladamente, logo questionava um dos princípios base
subjacente à elaboração das contas consolidadas: a eliminação das
operações internas. Chambers afirmava que a prática da consolidação
era meramente um exercício aritmético. Também, Walker (1976 e
1978) afirmava que os relatos consolidados não eram sempre
superiores aos relatos individuais.
Poucos estudos empíricos têm vindo a ser realizados para comprovar a
maior relevância informativa das contas individuais relativamente às
contas consolidadas, contrariamente ao elevado número de
comprovações conseguidas no sentido contrário, apresentados
anteriormente. Destaca-se, tão-somente, o estudo desenvolvido por
Pourtier (1993) que demonstra, tendo por base a teoria da informação,
que não existe superioridade das contas consolidadas sobre as contas
individuais, nomeadamente em termos de conteúdo e de pertinência
da informação divulgada.

Apresentam-se, agora, sumariamente algumas razões mais


frequentemente avançadas para esta descrença na qualidade da
informação financeira divulgada nas DFC.

Uma das principais limitações prende-se desde logo com o facto de, até
hoje, não se ter ainda chegado a um acordo sobre a própria teoria
subjacente à elaboração das contas consolidadas. A ausência de uma
filosofia única na elaboração da informação consolidada, conduz a que
o enfoque que preside à sua elaboração seja em si duvidoso ou dúbio,
repartindo-se entre as duas principais correntes teóricas, de alguma
forma conflituosas entre si, referidas muito sumariamente até aqui: o
conceito de extensão da sociedade-mãe versus conceito de entidade
económica. Para além disto, os diferentes enfoques conduzem a
diferentes critérios na formulação de contas consolidadas, que
conduzem necessariamente a distintos resultados, implicando que as
práticas seguidas não sejam muitas vezes suportadas pela teoria
contabilística.

Outra das razões apresentadas relaciona-se com a falta de uma clara


definição da entidade contabilística a considerar, nomeadamente as
opções relacionadas com as exclusões ou isenções contempladas na
generalidade das normas contabilísticas de referência, que conduzem a
uma discricionariedade significativa, permitindo que as empresas à
cabeça do grupo escolham a entidade informativa que mais lhe convém
apresentar para efeitos de consolidação. Estas circunstâncias
representam impedimentos significativos, conduzindo a que as
Demonstrações Financeiras Consolidadas não possam traduzir de forma
verdadeira e apropriada a realidade económica e financeira que é o

62
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

grupo. Também as dificuldades de interpretação que resultam da


multiplicidade de actividades, mercados e estruturas económicas e
financeiras que coabitam no seio do grupo são consideradas inibidoras
da qualidade da informação financeira consolidada.

A coexistência de distintos procedimentos relacionados com a


eliminação das transacções intra-grupo e a avaliação dos ganhos não
realizados também contribuem para a falta de consistência, relevância
e comparabilidade da informação consolidada, agravadas pelo processo
de agregação que a técnica de consolidação exige, podendo desta
forma ocultar-se informação importante (nomeadamente sobre
algumas filiais) ou mesmo situações extremamente desequilibradas.

Uma outra limitação apontada é a falta de constância de métodos e


procedimentos de consolidação ao longo dos exercícios, agravada pela
extrema volatilidade que pode apresentar a estrutura orgânica do
grupo, pois a variabilidade do perímetro de consolidação é uma variável
estratégica e substancialmente perturbadora do objectivo de
comparabilidade, que deve ser assegurado na elaboração das
Demonstrações Financeiras Consolidadas, além das dificuldades da
comparação entre os distintos grupos, dada a complexidade que
caracteriza estas estruturas.

Por último, as Demonstrações Financeiras Consolidadas podem não ser


suficientemente informativas, dada a dupla (e híbrida) natureza
envolvida num grupo de sociedades: por um lado, a independência
jurídica de cada um dos entes envolvidos, inerente à própria
organização empresarial do grupo; por outro lado, esta independência
sobrevive com uma maior ou menor dependência económica. Desta
duplicidade resultam situações complexas, como sejam: os activos
duma dependente não podem ser utilizados para pagar as obrigações
da outra das dependentes sem gerar uma obrigação na última
sociedade; os direitos dos accionistas da sociedade-mãe estão
condicionados pela percentagem de participação que esta detém nas
várias dependentes; os credores da empresa-mãe podem ter direitos
sobre os activos desta e os das suas dependentes, mas os credores de
uma dependente só têm direitos sobre os activos desta, e não sobre os
de outra dependente ou da sociedade-mãe, podendo então dar uma
falsa imagem do conjunto. Consequentemente, o grupo aparece como
uma organização consideravelmente atractiva do ponto de vista de
divisão dos riscos de exploração e financeiros, já que cada sociedade
agrupada, em princípio, apenas responderá no limite do seu próprio
património pelas respectivas dívidas. Logo, há como que uma
externalização dos riscos para terceiros (credores sociais e sócios
minoritários), proveniente da conservação da autonomia jurídica das
sociedades agrupadas, que subsiste como uma vantagem inegável
resultante do controlo dessa sociedade pela mãe, permitindo-lhe

63
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

enquanto accionista (sócio) maioritário beneficiar dos recursos e dos


resultados da filial, sem ter de assumir o ónus ou encargos de eventuais
perdas. A inexistência duma regulação do direito dos grupos de
sociedades, fazendo com que a sociedade-mãe não tenha quaisquer
responsabilidades jurídicas perante as dívidas da filial, conduz à dupla
situação de unicidade e pluralidade, traduzida na subordinação dum
conjunto das empresas unisocietárias, juridicamente diferentes, a um
centro de direcção económica comum. Assim, a utilização das contas
anuais consolidadas perdem relevância para um conjunto de
utilizadores: os credores actuais e potenciais da empresa. Como afirma
Taylor (1996: 105) “a utilidade das contas consolidadas quer para os
credores quer para os interesses minoritários é de alguma forma
ambígua ou duvidosa.”

Em síntese e apesar de todas as limitações que se podem apontar às


contas consolidadas, reconhece-se que estas contêm alguma riqueza
informativa relativamente às contas individuais no caso das empresas
que operam em sistemas imbricados de participações em escada, em
linha, cruzadas, ou de qualquer outro tipo. Pensamos, todavia, que a
utilidade das contas consolidada só se poderá afirmar se esta permitir
aos utilizadores informação contabilística adicional, mais relevante,
fiável e comparável, contribuindo para uma tomada de decisões mais
fundamentada18.

Conceito de conjunto consolidável

É um conjunto das sociedades que são geridas por uma sociedade dum
grupo conjuntamente com outras sociedades exteriores ao grupo ou
não compreendidas na consolidação. Neste caso, estas empresas
podem ser incluídas nas contas consolidadas proporcionalmente aos
direitos detidos pela empresa-mãe, directa ou indirectamente.

Conceito de perímetro de consolidação

Conjunto de todas as empresas que vão ser englobadas na


consolidação, bem como a identificação dos correspondentes métodos
de integração;

É uma identificação concreta de quais as empresas a incluir na


Consolidação. Para cumprir este passo, é essencial a elaboração de um
organograma do grupo, onde devem ser identificadas as subsidiárias,

18
Tanto quanto é do nosso conhecimento, no caso moçambicano ou português não há
nenhum estudo no sentido de procurar saber se a informação consolidada apresenta,
ou não, para os investidores maior relevância do que a informação individual.

64
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

joint venture e associadas abrangidas pela consolidação e calculadas as


respectivas percentagens de participação19, que deve ter em conta não
só as participações directas como as participações indirectas;

É um conjunto consolidado, as empresas sobre as quais a empresa-mãe,


exerce exclusivamente ou unicamente uma influência forte e
desempenha, portanto, um papel na sua gestão.

Alguns exemplos:

Exemplo-1: 60% 25%


B

20%
A D

70% 20%
C

Percentagem de participação de A em D
 Directa 20%
 Por intermédio de B (60%x25%) 15%
 Por intermédio de C (70%x20%) 14% 49%

Percentagem de controlo de A em D
 Directa 20%
 Por intermédio de B 25%
 Por intermédio de C 20% 65%

Exemplo-2:

B C
30% 40%
20%
70% 10%
A Y Z

40% 60%
30%
X D

19
Para a definição do perímetro de consolidação a Norma de Normalização
Contabilística prevê que tenhamos em conta as percentagens de participação e não
as percentagens de controlo (que devem ser utilizadas para a qualificação de uma
empresa como subsidiária ou associada).

65
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

NB.: As acções de X detidas por D detêm um direito de voto duplo


Sociedade % participação em X % controlo de X
Tabela 2: Indicação das acções que a cada sociedade detém no direito de voto
Sociedade % da Participação em X % de controlo X
A 70% x 40% = 28% 40% / 130% = 31%
B 20% + 30% x 40% = 32% 20% / 130% = 15%
C 40% x 10% = 4%
D 30% + 60% x 10% = 36% (2 x 30% + 10%) / 130% = 54%
Total 100% 100%
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Em suma referir que:

 A determinação da percentagem de controlo deveria efectuar-se


tendo em conta o grau de dispersão de acções e do grau de presença,
de coesão e de participação dos pequenos accionistas;

 No entanto, por uma questão de prudência (que não deve ser


aplicada sistematicamente) os cálculos são efectuados supondo que
as acções não detidas pela empresa-mãe se encontram todas
reunidas numa “só mão”;

 A escolha do método de consolidação a adoptar vai depender do tipo


de controlo que se exerce sobre as entidades consolidadas.

Nesta Unidade temática 2.3 estudamos e discutimos


fundamentalmente seis itens na continuidade das considerações gerais
á disciplina de Consolidação das Demonstrações Financeiras:

1. Conceitos
2. Objectivos
3. Vantagens
4. Limitações
5. Conceito de conjunto consolidável
6. Conceito de perímetro de consolidação

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO – 1:

GRUPO – 1 (Com respostas detalhadas)


1 – Conceitue a consolidação das demonstrações financeiras.
2 – Diferencie os conceitos de consolidação das demonstrações
financeiras, segundo os seus autores.
3 – Quais são os objectivos das demonstrações financeiras?

66
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

4 – Quais são as vantagens da consolidação das demonstrações


financeiras?
5 – Fale da referência do ponto de vista de Moonitz (1951:15) sobre as
contas consolidadas.
6 – Quem são os autores dos vários que atribuíram um relevo muito
significativo às contas consolidadas?
7 – Quem refere que as demonstrações financeiras consolidadas são
uma extensão das demonstrações financeiras individuais da sociedade-
mãe?
8 – Que função têm as demonstrações financeiras individuais da
empresa-mãe e respectivas filiais?
9 – Segundo Hendriksen (1974:118), qual o papel a ser desempenhado
pelas demonstrações financeiras consolidadas e seus utilizadores?
10 – Quem são os autores dos trabalhos empíricos que foram realizados
na década de noventa e que mereceram um destaque?

Respostas:
1 – Rever no final da página 54 e princípio da página 55
2 – Rever na página 55
3 – Rever nas páginas 55 e 56
4 – Rever na página 55
5 – Rever do início da página 57
6 – Rever na página 57
7 – Rever no final da página 57
8 – Rever na página 58
9 – Rever na página 58
10 – Rever nas páginas 59 - 61

Exercícios de AVALIAÇÃO

GRUPO – 2
1 – Quais são as limitações das demonstrações financeiras consolidas?
2 – Conceito de conjunto consolidável.
3 – Conceito de perímetro de consolidação.
4 – Esquematize a percentagem de participação e de controlo das
seguintes controladas.

Percentagem de participação de A em D:
- Directa 20%
- Por intermédio de B (60% x 25%) 15%
- Por intermédio de C (70% x 20%) 14% 49%

67
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Percentagem de controlo de A em D:
- Directo 20%
- Por intermédio de B 25%
- Por intermédio de C 20% 65%
5 – De que depende a escolha do método de consolidação?

UNIDADE Temática 2.4. EXERCÍCIOS deste tema.

Exercícios de AVALIAÇÃO – 2:

1 – O que é concentração duma empresa?


2 - Como são caracterizados os grupos?
3 – O que é monopólio? Dê exemplo de algumas empresas que
conheces neste domínio?
4 – Quais os três instrumentos jurídicos que conferem a presença
duma relação de grupos?
5 – Quais são as limitações das demonstrações financeiras
consolidas?

68
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

TEMA – III: MÉTODOS DE CONTABILIZAÇÃO DOS INVESTIMENTOS FINANCEIROS

UNIDADE Temática 3.1. Investimentos financeiros, Investimentos em


associadas e em entidades conjuntamente controladas.
UNIDADE Temática 3.2. Investimentos em subsidiárias e Aplicação do
Método de Equivalência Patrimonial.
UNIDADE Temática 3.3. EXERCÍCIOS deste tema

UNIDADE Temática 3.1. Investimentos financeiros, Investimentos em associadas


e Investimentos em entidades conjuntamente controladas.

Investimentos Financeiros

A conta 31 – Investimentos Financeiros serve para registar as


participações de capital e empréstimos concedidos em subsidiárias,
associadas, entidades conjuntamente controladas e noutras empresas.
Inclui ainda outros investimentos financeiros, tais como obrigações,
títulos do tesouro, fundos de investimento, e outros.

Esta conta evidência as quantias dos investimentos financeiros, bem


como as respectivas perdas por imparidade acumuladas.

Esta conta é apresentada no balanço, sob a classificação de activo não


corrente, podendo estar incluída ou na rubrica de Participações
financeiras e na rubrica de Outros activos financeiros.

Se as participações financeiras forem mensuradas ao método de


equivalência patrimonial (MEP), incluídas nas contas 311, 312, 313 e
respectivas imparidades registadas na conta 391, ou mensuradas por
outros métodos, incluídas nas contas 311, 312, 313 e 314 e respectivas
imparidades registadas na conta 391, então estas serão apresentadas
nas rubricas de participações financeiras.

As subcontas 311, 312, 313, 314, 316 e respectivas imparidades


registadas na conta 391, e as contas 34 (na parte respeitante aos
adiantamentos por conta de investimentos financeiros) e respectivas
imparidades registadas na conta 39 serão incluídas na rubrica de outros
activos financeiros.

Contudo, tendo em conta que as entidades poderão optar por aplicar a


IAS 39, (de acordo com o estipulado na NCRF 25 – Instrumentos
Financeiros) se uma entidade classificar activos financeiros como
disponíveis para venda, as suas
69
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

alterações de valor serão imputadas a capital próprio e estes poderão


ser distribuídos pelas diversas contas da classe 3. Quando à sua
mensuração, os investimentos financeiros que representem
participações de capital são mensurados de acordo com os seguintes
métodos constantes da tabela 3 a seguir:

Tabela 3: Métodos de contabilização dos investimentos financeiros


Participações Nas contas individuais Nas contas consolidadas
Por regra método da equivalência Método da consolidação
Em subsidiárias
patrimonial integral
Por regra método da equivalência Método da equivalência
Em associadas
patrimonial patrimonial
Em empreendimentos
Método da consolidação
conjuntos(entidades Método da consolidação
proporcional ou método de
conjuntamentes proporcional
equivalência patrimonial
controladas)
Método do custo ou método do justo Método do custo ou
Noutras entidades
valor (conta 14) método do justo valor
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

As participações financeiras em subsidiárias, associadas e em entidades


conjuntamente controladas são mensuradas, nas suas contas
individuais, pelo método da equivalência patrimonial (sendo que no
caso das entidades conjuntamente controladas existe ainda a opção do
método de consolidação proporcional).

Quanto à aplicação do método da equivalência patrimonial, o custo de


aquisição de uma participação deverá ser acrescido ou reduzido:

a) Da quantia correspondente à proporção nos resultados líquidos da


entidade participada;

b) Da quantia correspondente à proporção noutras variações nos


capitais próprios da entidade participada;

c) Da quantia dos lucros distribuídos à participação;

d) Da quantia da cobertura de prejuízos que tenha sido deliberada.

De acordo com o estipulado nas Notas de enquadramento do SNC, na


primeira aplicação do método da equivalência patrimonial, devem ser
atribuídas às partes de capital as quantias correspondentes à fracção
dos capitais próprios que elas representavam no início do período, por
contrapartida da conta 581 – Ajustamentos em activos financeiros –
Relacionados com o método da equivalência patrimonial –
Ajustamentos de transição.

70
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

A concessão de crédito é um dos tipos de operações de crédito


exclusivas das instituições de crédito e, particularmente, dos bancos. É
uma operação que se realiza no âmbito de actividades cujo período, a
título profissional, depende de autorização a conceder, caso a caso.

Investimentos em associadas

Um investimento numa associada deve ser contabilizado usando o


método da equivalência patrimonial, excepto se existirem restrições
severas e duradouras que prejudiquem significativamente a capacidade
de transferência de fundos para a empresa detentora, caso em que
deve ser usado o método do custo.

Quando um investimento numa associada anteriormente classificado


como detido para venda, e contabilizado nos termos da NCRF 22 —
Activos Não correntes Detidos para Venda e Unidades Operacionais
Descontinuadas, deixar de satisfazer os critérios dessa classificação, ele
deve ser contabilizado usando o método da equivalência patrimonial a
partir da data da sua classificação como detido para venda. Para efeitos
comparativos as demonstrações financeiras relativas aos períodos
desde a classificação da associada como detida para venda devem ser
expressas em conformidade.

Um investidor deve descontinuar o uso do método de equivalência


patrimonial a partir da data em que perder a influência significativa
sobre uma associada. Nessa circunstância, o custo a considerar para
efeitos de mensuração inicial como activo financeiro deve corresponder
ao da quantia escriturada desse investimento à data em que deixou de
ser uma associada.

A parte dum grupo numa associada é o agregado das partes detidas


nessa associada pela empresa-mãe e suas subsidiárias. As partes
detidas por associadas ou por empreendimentos conjuntos do grupo
são ignoradas para esta finalidade. Quando uma associada tiver
subsidiárias, associadas ou empreendimentos conjuntos, os resultados
e activos líquidos tidos em consideração na aplicação do método de
equivalência patrimonial são os reconhecidos nas demonstrações
financeiras (consolidadas ou individuais, consoante exista, ou não a
obrigação de preparar contas consolidadas) da associada (incluindo a
parte da associada nos resultados e activos líquidos das suas associadas
e empreendimentos conjuntos), depois dos ajustamentos necessários
para garantir a uniformidade das políticas contabilísticas20.

20
As demonstrações financeiras do investidor, devem ser preparadas usando políticas
contabilísticas uniformes para transacções e acontecimentos idênticos em

71
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Os resultados provenientes de transacções “ascendentes” e


“descendentes” entre um investidor (incluindo as suas subsidiárias
consolidadas) e uma associada são reconhecidos nas demonstrações
financeiras do investidor somente na medida em que correspondam
aos interesses de outros investidores na associada, não relacionados
com o investidor. Transacções “ascendentes” são, por exemplo, vendas
de activos duma associada ao investidor. Transacções “descendentes”
são, por exemplo, vendas de activos de investidor a uma associada.
Assim, a parte do investidor nos resultados da associada resultantes
destas transacções é eliminada.

Um investimento numa associada é contabilizado usando o método da


equivalência patrimonial a partir da data em que se torne uma
associada. Na aquisição do investimento, qualquer diferença entre o
custo do investimento e a parte do investidor no justo valor líquido dos
activos, passivos e passivos contingentes identificáveis da associada é
contabilizada de acordo com a NCRF 21 — Concentrações de
Actividades Empresariais. Logo:

a) O goodwill relacionado com uma associada é incluído na quantia


escriturada do investimento. Contudo, a amortização desse goodwill
não é permitida e não é portanto incluída na determinação da parte
do investidor nos resultados da associada;

b) Qualquer excesso da parte do investidor no justo valor líquido dos


activos, passivos e passivos contingentes identificáveis da associada
acima do custo do investimento é excluído da quantia escriturada do
investimento e é incluído como rendimento na determinação da
parte do investidor nos resultados da associada do período em que
o investimento é adquirido.

Serão feitos ajustamentos apropriados na parte do investidor nos


resultados da associada, após a aquisição, para contabilizar, a título de
exemplo, a depreciação dos activos depreciáveis baseada nos seus
justos valores à data da aquisição. De forma semelhante, serão feitos
ajustamentos apropriados na parte do investidor nos resultados da
associada, após a aquisição, para ter em conta perdas por imparidade

circunstâncias semelhantes e Se uma investida usar políticas contabilísticas diferentes


das do investidor para transacções e acontecimentos idênticos em circunstâncias
semelhantes, devem ser feitos ajustamentos para conformar as políticas
contabilísticas da investida às do investidor quando as demonstrações financeiras da
investida forem usadas pelo investidor na aplicação do método da equivalência
patrimonial.

72
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

reconhecidas pela associada em itens tais como o goodwill ou activos


fixos tangíveis.

Se uma associada tiver acções preferenciais cumulativas em circulação,


classificadas como capital próprio, que sejam detidas por outros que
não o investidor, este calcula a sua parte nos resultados depois de os
ajustar face aos dividendos de tais acções, independentemente de
terem ou não sido declarados.

Se a parte de um investidor nas perdas duma associada igualar ou


exceder o seu interesse na associada, o investidor descontinua o
reconhecimento da sua parte de perdas adicionais. O interesse numa
associada é a quantia escriturada do investimento na associada de
acordo com o método da equivalência patrimonial juntamente com
quaisquer interesses de longo prazo que, em substância, façam parte
do investimento líquido do investidor na associada. Considera-se o
seguinte exemplo, um item cuja liquidação não esteja planeada nem
seja provável que ocorra no futuro previsível é, em substância, uma
extensão do investimento da entidade nessa associada. Tais itens
podem incluir acções preferenciais e contas a receber ou empréstimos
a longo prazo, mas não incluem contas a receber comerciais, contas a
pagar comerciais ou quaisquer contas a receber de longo prazo para as
quais existam garantias adequadas. As perdas reconhecidas segundo o
método da equivalência patrimonial que excedam o investimento do
investidor em acções ordinárias são aplicadas a outros componentes do
interesse do investidor numa associada pela ordem inversa da sua
antiguidade (isto é, prioridade na liquidação).

Depois do interesse do investidor ser reduzido a zero, as perdas


adicionais são tidas em conta mediante o reconhecido de um passivo,
só na medida em que o investidor tenha incorrido em obrigações legais
ou construtivas ou tenha feito pagamentos a favor da associada. Caso
posteriormente a associada relatar lucros, o investidor retoma o
reconhecimento da sua parte nesses lucros somente após a sua parte
nos lucros igualar a parte das perdas não reconhecidas.

Um investidor deve fazer as seguintes divulgações:

a) O justo valor de investimentos em associadas para os quais sejam


publicadas cotações de preços;

b) Informação financeira resumida das associadas, incluindo as


quantias agregadas dos activos, passivos, rendimentos e resultados;

c) As razões pelas quais se concluiu, existir influência significativa


quando o contrário era presumível pelo facto de um investidor deter,

73
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

directa ou indirectamente através de subsidiárias, menos de 20 %


dos votos ou do potencial poder de voto da investida;

d) As razões das quais se concluiu, que não existir influência


significativa quando o contrário era presumível pelo facto de um
investidor deter, directa ou indirectamente através de subsidiárias,
20 % ou mais dos votos ou do potencial poder de voto da investida;

e) A data de relato das demonstrações financeiras duma associada,


quando estas demonstrações financeiras forem usadas na aplicação
do método da equivalência patrimonial e forem de uma data de
relato ou de um período que seja diferente da data de relato ou
período do investidor, e forem a razão para o uso de uma data de
relato ou de um período diferente;

f) A natureza e a extensão de quaisquer restrições significativas (por


exemplo, resultantes de acordos de empréstimo ou requisitos
regulamentares) sobre a capacidade das associadas para transferir
fundos para o investidor sob a forma de dividendos em dinheiro ou
de reembolsos de empréstimos ou adiantamentos;

g) A parte não reconhecida nas perdas de uma associada, tanto para o


período como cumulativamente, se um investidor descontinuou o
reconhecimento da sua parte nas perdas de uma associada;

h) O facto de uma associada não ter sido contabilizada usando o


método da equivalência patrimonial;

i) Informação financeira resumida das associadas, quer


individualmente quer em grupo, que não tenham sido contabilizadas
usando o método da equivalência patrimonial, incluindo as quantias
dos activos totais, passivos totais, rendimentos e resultados.

Os investimentos em associadas contabilizados usando o método da


equivalência patrimonial devem ser classificados como activos não
correntes. A parte do investidor nos resultados dessas associadas, e a
quantia escriturada desses investimentos, devem ser divulgadas
separadamente.

A parte do investidor em quaisquer unidades operacionais


descontinuadas dessas associadas também deve ser divulgada
separadamente.
De acordo com a NCRF 24 — Provisões, Passivos Contingentes e Activos
Contingentes, o investidor divulgará:

a) A sua parte nos passivos contingentes duma associada incorrida


juntamente com outros investidores;

74
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

b) Os passivos contingentes que surjam pelo facto de o investidor ser


solidariamente responsável pela totalidade ou parte dos passivos da
associada.

Investimentos em entidades conjuntamente controladas

Nesta conta reconhecemos a quantia dos investimentos financeiros em


entidades conjuntamente controladas. Segundo a NCRF 20, uma
entidade conjuntamente controlada é um empreendimento conjunto
que envolve o estabelecimento de uma sociedade, de uma parceria ou
de outra entidade em que cada empreendedor tenha um interesse. A
entidade opera da mesma maneira que outras entidades, excepto que
um acordo contratual entre os empreendedores estabelece o controlo
conjunto sobre a actividade económica da entidade.

Segundo as notas de enquadramento do SNC, “A participação numa


entidade conjuntamente controlada poderá ser mesurada21 ou pelo
método de consolidação proporcional ou pelo método de equivalência
patrimonial se o empreendedor não tiver de elaborar contas
consolidadas. Se o empreendedor elaborar contas consolidadas, então
terá de, nas suas contas individuais, mensurar a participação na
entidade conjuntamente controlada pelo método de equivalência
patrimonial”.

A conta Investimento em entidades conjuntamente controladas é


movimentada da seguinte forma:

Debita-se:

- Pela aquisição da participação financeira (ao custo);

- Pela primeira aplicação do MEP – variação positiva;

- Pela proporção dos lucros da participada;

- Pela proporção em variações positivas nos capitais próprios da


participada.

21
Paragrafo 29 da NCRF 13 – Um empreendedor pode reconhecer o seu interesse
numa entidade conjuntamente controlada usando: a) um dos dois formatos de relatos
para a consolidacao proporcional descritos no paragrafo 55 ou b) A equivalencia
patrimonial descrita no parágrafo 57.

75
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Credita-se:

- Pela primeira aplicação do MEP – variação negativa;

- Pela proporção dos prejuízos da participada;

- Pela proporção em variações negativas nos capitais próprios da


participada;

- Pela alienação da participação financeira.

Esta conta apresenta a seguinte decomposição:

3131 – Participações de capital – método de equivalência patrimonial.

Registam-se nesta conta os investimentos em entidades conjuntamente


controladas mensurados pelo método de equivalência patrimonial;

3132 – Participações de capital – outros métodos

Registam-se nesta conta os investimentos em entidades conjuntamente


controladas mensurados por outros métodos que não sejam o método
de equivalência patrimonial.

3133 – Empréstimos concedidos

Registam-se nesta conta os investimentos em entidades conjuntamente


controladas, utilizando o método de custo ou custo amortizado menos
perda por imparidade, se satisfazer todas as condições previstas no
parágrafo 8, conforme previsto na alínea e) do parágrafo 9 da NCRF 25.

Exemplos de aplicação:

Empréstimo concedido

A empresa A concedeu um empréstimo à Sociedade C, no dia 05/02/N,


no montante de 10.000,00Mt, com a qual tem estabelecido uma
parceria.

Resolução:
Tabela 4: Revolução do exercício de explicação – Dia 05/02/N
Nº de
Descritivo Conta Descrição Débito Crédito
controlo
14 Empréstimo concedido 313X Empréstimo concedido MZM 10,000.00
121 Depósito à ordem MZM 10,000.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

76
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Sumário

Nesta Unidade temática 3.1 estudamos e discutimos


fundamentalmente três itens na continuidade das considerações gerais
a disciplina de Consolidação das Demonstrações Financeiras:

1. Investimentos Financeiros
2. Investimentos em associadas
3. Investimentos em entidades conjuntamente controladas

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO – 1:

GRUPO – 1 (Com respostas detalhadas)


1 – Para que serve a conta 31 – Investimentos Financeiros?
2 – O que evidencia esta conta?
3 – Esta conta á apresentada no balanço? Como é apresentada?
4 – Quando é que as participações financeiras são apresentadas nas
rubricas de participações financeiras?
5 – Quais são os métodos de mensuração de investimentos financeiros
que representam participações de capital?
6 – Como são mensuradas as participações financeiras em subsidiárias,
associadas e em entidades conjuntamente controladas?
7 – Onde deve ser contabilizado um investimento numa associada?
8 – Quando é que um investidor deve descontinuar o uso do método de
equivalência patrimonial?
9 – Os resultados provenientes de transacções “ascendentes” e
“descendentes” entre um investidor e uma associada são reconhecidos
nas demonstrações financeiras do investidor? Caso afirmativo, quando?
10 – Quais as divulgações que um investidor deve fazer?

Respostas:
1 – Rever 1º parágrafo da página 69
2 – Rever 2º parágrafo da página 69
3 – Rever na página 69
4 – Rever na página 69
5 – Rever na página 70, tabela 3
6 – Rever na página 70
7 – Rever 2º parágrafo da página 71
8 – Rever na página 71
9 – Rever 1º parágrafo da página 72
10 – Rever na página 73

77
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Exercícios de AVALIAÇÃO

GRUPO – 2
1 – De conformidade com a Norma Contabilística e Relato Financeiro
24, o que o investidor deverá divulgar?
2 – Como é movimentada a conta Investimento em entidades
conjuntamente controladas?
3 – Qual é a decomposição que a conta investimento em entidades
conjuntamente controlada?
4 – Refira-se como são efectuados os registos desta decomposição,
sendo a primeira pelo método de equivalência patrimonial e a segunda
por outros métodos.
5 – Uma empresa “Beta” concedeu um empréstimo à sociedade A, no
dia 05 de Fevereiro do ano N, no montante de 150.000,00Mt, com o
qual tem estabelecido parceria.
a) Contabilize este empréstimo concedido.

UNIDADE Temática 3.2. Investimentos em subsidiárias e Aplicação do Método de


Equivalência Patrimonial.

Investimentos em subsidiárias

Nesta conta reconhece-se a quantia dos investimentos financeiros em


subsidiárias.

Segundo o parágrafo 4, da NCRF 20, uma subsidiária é uma entidade


(aqui se inclui as entidades que não sejam constituídas em formas de
sociedades, como por exemplo as parcerias) que é controlada por uma
entidade (designada por empresa-mãe).

A Conta Investimentos em subsidiária é movimentada da seguinte


maneira:

Debita-se:

- Pela aquisição da participação financeira (ao custo);

- Pela primeira aplicação do MEP – variação positiva;

- Pela proporção dos lucros da participada;

- Pela proporção em variações positivas nos capitais próprios da


participada.

Credita-se:

78
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

- Pela primeira aplicação do MEP – variação negativa;

- Pela proporção nos prejuízos da participada;

- Pela proporção em variações negativas nos capitais próprios da


participada;

- Pela alienação da participação financeira.

Esta conta apresenta a seguinte decomposição:

311 – Participações de capital – método de equivalência patrimonial;

Exemplos da aplicação:

Transição do método do custo para o método de equivalência


patrimonial

Em 02/01/N-3, a empresa M, subscreveu e realizou uma participação


de 40% no capital da sociedade A, cuja situação líquida (de A) apresenta
a seguinte evolução, conforme tabela 5 seguinte:

Tabela 5: Evolução da situação líquida da sociedade A


01/01/N-3 31/812/N 31/12/N+1
Capital MZM 1,000.00 MZM 1,000.00 MZM 1,000.00
Reservas MZM - MZM 500.00 MZM 900.00
Resultado Líquido MZM - MZM 700.00 MZM (150.00)
Total MZM 1,000.00 MZM 2,200.00 MZM 1,750.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)
Pedido:

Registe no diário:

a) Transição do método de custo para o método de equivalência


patrimonial;

b) Quota-parte dos resultados do ano N referentes à participação na


Sociedade A;

c) Quota-parte dos resultados do ano N+1 referentes à participação na


Sociedade A.

Resolução:
Tabela 6: Resolução do dia 01/01/N

79
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Nº de
Descritivo Conta Descrição Débito Crédito
controlo
8 Pela transferência 3121 Investimento em associadas - MEP MZM 400.00
Investimento em associadas -
Para MEP 3122
Outros métodos MZM 400.00
Cálculos auxiliares (40% x 1000,00 = 400,00MZM)
Nº de
Descritivo Conta Descrição Débito Crédito
controlo
9 Pelo ajustamento 3121 Investimento em associadas - MEP MZM 200.00
Transição 58X Ajustamentos de transição - MEP MZM 200.00
Cálculos auxiliares (40% x 500,00 = 200,00MZM)
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Tabela 7: Resolução do dia 31/12/N


Nº de
Descritivo Conta Descrição Débito Crédito
controlo
10 Quota-parte dos 3121 Investimento em associadas - MEP MZM 280.00
Rendimentos e Ganhos - aplicação
Resultados 78X MZM 280.00
do MEP
Cálculos auxiliares (40% x 700,00 = 280,00MZM)
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Tabela 8: Resolução do 15/05/N+1


Nº de
Descritivo Conta Descrição Débito Crédito
controlo
11 Pelo recebimento dos 121 Depósito à ordem MZM 120.00
Dividendos 3121 Investimento em associadas - MEP MZM 120.00

Cálculos auxiliares [40% x (700,00-(900-500)] = 120,00MZM)


Nº de
Descritivo Conta Descrição Débito Crédito
controlo
12 Pelo recebimento 59 Resultados transitados MZM 160.00
Do lucro não distribuido 57X Lucro não distribuido MZM 160.00
Cálculos auxiliares (280,00-120,00 = 160,00MZM)
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

80
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Tabela 9: Resolução do dia 31/12/N+1


Nº de
Descritivo Conta Descrição Débito Crédito
controlo
13 Pelo registo quota-parte 68X Gastos e perdas - aplicação do MEP MZM 60.00
Dos resultados do ano N 3121 Investimentos em associadas - MEP MZM 60.00
Cálculos auxiliares (40% x 150,00 = 60,00MZM)
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Métodos de contabilização dos investimentos financeiros – aspectos


genéricos

Existem vários métodos de reconhecer e mensurar um investimento


financeiro.

Método de custo

No caso de investimento de simples participação (inferior a 20%) é


método de custo.

O método de custo é o método alternativo ao método de equivalência


patrimonial. A sua aplicação é obrigatória quando se pretende
contabilizar um investimento dito de simples participação.

De conformidade com a NCRF 20, parágrafo 36, “um investimento numa


associada deve ser contabilizado utilizando o método de equivalência
patrimonial, excepto se existirem restrições severas e duradouras que
prejudiquem significativamente a capacidade de transferência de
fundos para a empresa detentora, caso em que deve ser usado o
método de custo”.

O método de custo a participação é reconhecida inicialmente pelo custo


de aquisição menos qualquer perda por imparidade subsequentemente
ou alienação ocorrida.

A quota-parte do investidor nos resultados da investida só é


reconhecida quando os dividendos são recebidos. No caso de
resultados negativos e dado não haver lugar a dividendos, nada é
reconhecido.

Trata-se de um método que torna difícil a sua aplicação, dado que o SNC
não proporciona qualquer orientação para sua correcta aplicação.
Apenas reconhece os dividendos distribuídos e não os imputados,
sendo, portanto, esquecida a periodização dos acontecimentos, por um
lado. Por outro lado, não conhece o que efectivamente passa na
empresa.

Cita-se a título de exemplo:

81
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

A empresa L adquiriu uma participação de 5% na empresa H. dado que


existe qualquer acordo com outros participantes no capital, logo a
empresa H não exerce qualquer influência significativa. O valor da
aquisição foi de 1.000,00Mt.
Tabela 10: Resolução, Ano N - Aquisição da participação
Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
Investimentos financeiros - outros
3141X investimentos financeiros - método de MZM 1,000.00
custo
121X Depósito à ordem MZM 1,000.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)
N.B.: a empresa deve registar o seu investimento pelo valor da aquisição, uma vez que
regista os lucros distribuídos e não os lucros imputados.

Suponhamos que houve uma distribuição de dividendos em N+1 de


50,00Mt (não é considerado aqui o aspecto fiscal):

Tabela 11: Resolução, Ano N+1 – Recebimento de dividendos


Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
121X Depósito à ordem MZM 50.00
Dividendos recebidos - associadas e
78X MZM 50.00
subsidiárias
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Método de consolidação integral

O método de consolidação integral baseia-se no conceito de empresa-


mãe, segundo o qual as contas consolidadas do grupo são uma extensão
das contas da empresa-mãe, a qual, mesmo sem o domínio total,
controla efectivamente todo o património das empresas consolidadas.

Assim, este método consiste na integração das demonstrações


financeiras (balanço e demonstração de resultados) das empresas
consolidantes dos elementos respectivos do balanço e das
demonstrações de resultados das empresas consolidadas. Os direitos
de terceiros são evidenciados através dos “interesses minoritários”.

Os elementos dos activos, passivos e dos capitais próprios das empresas


consolidadas devem ser integrados na
82
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

totalidade no balanço consolidado. Os accionistas minoritários devem


ser considerados como estranhos.

Este é o método básico de consolidação, aplicável sempre que a


empresa-mãe exerce uma influência dominante. Os outros métodos
(proporcional e equivalência patrimonial) constituem meras
alternativas.

Método de consolidação proporcional

Baseia-se no conceito de proprietário, segundo o qual nas contas


consolidadas apenas devem constar os elementos do património do
proprietário. Assim sendo, esse método consiste na integração nas
demonstrações financeiras (balanço e demonstrações de resultados) da
consolidante da parte que proporcionalmente lhe corresponder nos
balanços e demonstrações de resultados das empresas consolidadas.

Desta forma, a integração não se fará pelos valores totais, mas apenas
pela percentagem correspondente à participação da empresa-mãe em
cada uma consolidada, não existindo interesses minoritários.

Este método adequa-se quando se está presente em situações de


controlo conjunto (empresas multigrupo).

Este método é baseado na soma linha a linha de elementos


semelhantes nas demonstrações financeiras do empreendedor e da
entidade conjuntamente controlada, tendo por base a proporção
estabelecida no acordo contratual.

Segundo a NCRF 20, parágrafo 66, existem dois formatos diferentes de


relatos financeiros para levar a cabo a consolidação proporcional. “No
primeiro formato, o empreendedor pode combinar a sua parte em cada
um dos activos, passivos, rendimentos e ganhos, gastos e perdas da
entidade ou itens semelhantes linha a linha, nas demonstrações
financeiras”.isto significa que se, por exemplo no contrato for
estipulado o controlo conjunto entre os três empreendedores com a
mesma percentagem de controlo, cada um dos empreendedores irá
adicionar 33,33% de cada item das demonstrações financeiras da
entidade empreendida ao item correspondente nas suas
demonstrações financeiras. Como alternativa a este formato, a NCRF
20, permite que o “empreendedor pode incluir nas suas demonstrações
financeiras linhas de itens separas relativas à sua parte nos activos,
passivos rendimentos e ganhos e gastos e perdas da entidade
conjuntamente controlada”. A título exemplificativo: dentro da rubrica
“324 – Activos Fixos Tangíveis – Equipamentos de Transporte”, haverá
por exemplo duas linhas de itens “3241 – Equipamento de Transporte –
sociedade empreendedora” e “3242 – Equipamento de Transporte –
sociedade empreendida”.

83
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Aplicação do Método de Equivalência Patrimonial

O método da equivalência patrimonial consiste na substituição no


balanço da empresa consolidante do valor contabilístico das partes de
capital por ela detidas pelo valor que proporcionalmente lhe
corresponde nos capitais próprios da empresa participada.

De acordo com o parágrafo 4, da NCRF 20, “o método de equivalência


patrimonial é um método de contabilização pelo qual o investimento ou
interesse é inicialmente reconhecido pelo custo e posteriormente
ajustado em função das alterações verificadas após a aquisição na
quota-parte do investidor ou do empreendedor nos activos líquidos da
investida ou entidade conjuntamente controlada.

Os resultados do investidor ou empreendedor incluem a parte que lhe


corresponde nos resultados da investida ou da entidade conjuntamente
controlada”.

Os procedimentos usados na contabilização da aquisição de


participações em associadas e subsidiárias são semelhantes, pelo que,
a partir do momento em que se torna associada ou subsidiária, deve ser
utilizado o método de equivalência patrimonial.

A única excepção já atrás referida – NCRF 20, é quando “existem


restrições severas e duradouras que prejudiquem seriamente a
transferência de fundos para empresa directora, caso em que é
utilizado o método do custo”.

Deste modo, o investimento nestas entidades é reconhecido pelo custo


da conta “31 – Investimentos Financeiros” e “ a quantia escriturada é
aumentada ou diminuída para reconhecer a parte do investidor nos
resultados do investidor nos resultados da investida depois da data da
aquisição. A parte do investidor nos resultados da investida é
reconhecida nos resultados do investidor. As distribuições recebidas
duma investida reduzem a quantia escriturada do investimento. Podem
também ser necessários ajustamentos na quantia escriturada para
alterações no interesse proporcional do investidor na investida
resultantes das alterações no capital próprio da investida que não
tenham sido reconhecidas nos resultados da investida. Tais alterações
incluem as resultantes da valorização de activos fixos tangíveis e das
diferenças de transposição da moeda estrangeira. A parte do investidor
nessas alterações é reconhecida directamente no capital próprio”
(NCRF 20).

O método de equivalência patrimonial permite que o valor pelo qual o


investimento está registado acompanhe a evolução dos capitais
próprios da empresa participada.

A título de exemplo da quota-parte dos resultados da investida (sem


considerar o efeito fiscal).
84
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Em 01/01/N, a empresa XY subscreveu e realizou uma participação de


25% no capital social da sociedade ABC que foi constituída com um
capital de 1.000,00Mt.

Em 31/12/N, a ABC registou um resultado negativo de 100,00Mt.

Registos na contabilidade da XY
Tabela 12: Registo na contabilidade da XY, Ano 01/01/N

Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
Investimento Financeiro em
3121X MZM 250.00
associadas - MEP
121X Depósito à ordem MZM 250.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Tabela 13: Resolução do Ano 31/12/N - Quota-parte dos resultados da ABC


Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
Investimento Financeiro em
3121X MZM 100.00
associadas - MEP
Rendimentos em subsidiárias
78X MZM 100.00
e associadas
Cálculos auxiliares (25% x 400,00 = 100,00MZM)
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Tabela 14: Resolução do Ano N+1 – Recebimentos dos dividendos


Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
121X Depósito à ordem MZM 50.00
Investimento Financeiro em
4121X MZM 50.00
associadas - MEP
Cálculos auxiliares (25% x 200,00 = 50,00MZM)
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Tabela 15: Resolução do Ano 31/12/N+1 – Quota-parte dos resultados da


ABC
Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
Gastos e perdas em subsidiárias
68X MZM 25.00
e associdas
Investimento Financeiro em
3121X MZM 25.00
associadas - MEP
Cálculos auxiliares (25% x (-100,00) = 25,00MZM)
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)
Se utilizássemos o método de custo, o único movimento (além do custo
de aquisição) seria o relativo ao recebimento dos dividendos.

85
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Tabela 16: Resolução do Ano N+1 – Recebimento do dividendo


Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
121X Depósito à ordem MZM 50.00
Dividendos recebidos -
78X MZM 50.00
Subisidiárias e associadas
Cálculos auxiliares (25% x 200,00 = 50,00MZM)
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Outras situações poderão ocorrer na esfera da investida que impliquem


reconhecimento como um ajustamento da participação financeira, por
contrapartida do capital próprio da investidora, tais como: aumento de
capital social, revalorizações dos activos fixos tangíveis, doações e etc.

Um exemplo: revalorização dum equipamento básico na investida para


o seu valor de mercado. O valor contabilístico inicial era de 500,00Mt e
o seu valor de mercado passou para 1.500,00Mt, o mesmo que dizer
teve um excedente de 1.000,00Mt.

Esta situação altera o capital próprio inicial da investida que deve ser
reflectido nas contas da investidora.

Tabela 17: Resolução do Ano N+1 – Revalorização de activo fixo tangível na


investida
Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
Investimento Financeiro em
3121X MZM 250.00
associadas - MEP
Ajustamentos em activos -
57X MZM 250.00
relacionados com o MEP
Cálculos auxiliares (25% x 1000,00 = 250,00MZM)
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)
Na eventualidade de um investimento financeiro ser diminuído pelo
efeito dos resultados negativos e atingir o valor zero, o método de
equivalência patrimonial deve ser descontinuado (NCRF 20), devendo
ser retomado quando passarem a existir lucros na investida, a partir do
momento em que parte do investidor nestes lucros iguale as perdas não
reconhecidas (NCRF 20).

Diferenças de aquisição

É habitual que, aquando da aquisição das participações, o custo do


investimento não corresponda à parte no justo valor líquido dos activos,
passivos e passivos contingentes identificáveis da investida, isto é, o
valor pago pelo investidor pode definir a sua percentagem nos capitais
próprios. Essa diferença denomina-se “diferença de aquisição”

86
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

(diferença entre o preço de aquisição e a quota-parte do valor


contabilístico).

Registos contabilísticos na XY
Tabela 18: Resolução do Ano 01/01/N – Aquisição de participações em X
Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
Investimento Financeiro em
3121X MZM 2,000.00
associadas - MEP
121X Depósito à ordem MZM 2,000.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Quota-parte dos resultados líquidos da X: 30 (30% x 100)

Depreciação da diferença de avaliação : -15 (30% x 500/10)

Quota-parte final nos resultados: 15

Tabela 19: Resolução do Ano 31/12/N


Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
Investimento Financeiro em
3121X MZM 15.00
associadas - MEP
Rendimentos em subsidiárias
78X MZM 15.00
e associadas

Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Tabela 20: Resolução do Ano N+1 – Recebimento do dividendo


Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
121X Depósito à ordem MZM 18.00
Investimento Financeiro em
3121X MZM 18.00
associadas - MEP
Cálculos auxiliares (18 = 30% x 60)
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Quota-parte dos resultados líquidos da X: 6 (30% x 20)

87
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Depreciação da diferença de avaliação : -15 (30% x 500/10)

Quota-parte final nos resultados: -9


Tabela 21: Resolução do Ano 31/12/N+1
Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
Gastos e perdas em subsidiárias
6962X MZM 9.00
e associdas
Investimento Financeiro em
3121X MZM 9.00
associadas - MEP
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)
Em termos globais, a conta 4121 – Investimentos Financeiros em
associadas – MEP apresentava o seguinte:

3121 – Investimentos Financeiros – MEP

aquisição 2.000,00 18,00 dividendos

rendimentos 15,00 9,00 gastos

Total 2.015,00 27,00

Saldo devedor 1.988,00

Perdas por imparidade

No caso de haver perdas por imparidade na sociedade investida e no


caso de se ter aplicado o método de equivalência patrimonial, “ o
investidor deve determinar se é necessário reconhecer qualquer perda
por imparidade adicional com o respeito ao conjunto de interesse na
associada” (NCRF 20).

De acordo com o parágrafo 6 da NCRF 18, (Imparidade de activos), o


goodwill inclui na quantia escriturada do investimento deve ser testado
anualmente para apurar possíveis perdas por imparidade.

No âmbito da NCRF 18, cada investimento será olhado como uma


unidade geradora de caixa. Deste modo, determina a NCRF 18,
parágrafo 47, “quando o goodwill se relaciona com uma unidade
gestora de caixa, mas não tenha sido imputado essa unidade gestora, a
unidade deve ser testada quanto à imparidade, sempre que exista uma
indicação de que essa unidade possa estar na imparidade, comparando
a quantia escriturada da unidade, excluindo qualquer goodwill, com a
sua quantia recuperável”. A quantia recuperável será o maior valor
entre o montante de uso e o justo valor deduzido dos custos para
vender. Por sua vez a NCRF 20, determina que o valor de uso será “a sua
parte no valor presente dos futuros fluxos de caixa estimados que se
espera que venham a ser gerados pela associada, incluindo os fluxos de
caixas das operações da associada e os proveitos da alienação final do
investimento, ou o valor presente dos futuros fluxos de caixa estimados

88
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

que se espera que surjam dos dividendos a serem recebidos e da sua


alienação final”.

No caso referido anteriormente, em que a quantia escriturada se


situava em 1.988,00Mt e se, porventura, o valor recuperável fosse de
1.500,00Mt ter-se-ia uma perda por imparidade de 488,00Mt. Nesta
situação, deve se registar uma perda por imparidade, por contrapartida
duma diminuição do montante escriturado do investimento.

Tabela 22: Registo da Perda por imparidade


Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
Perdas por imparidade -
642X MZM 488.00
investimentos financeiros
Investimento Financeiro em
3121X MZM 488.00
associadas - MEP
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Refira-se que uma perda por imparidade reconhecida para o goodwill,


não deve ser revertida num período posterior (NCRF 18, parágrafo 59).

Descontinuação do MEP

De conformidade com a NCRF 20, parágrafo 34, “um investidor deve


descontinuar o uso do método de equivalência patrimonial a partir da
data em que perder a influência sobre uma associada. Nesta
circunstância, o custo a considerar para efeitos de mensuração inicial
como activo financeiro deve corresponder ao da quantia escriturada
desse investimento à data em que deixou de ser uma associada”.

Essa situação ocorre normalmente quando a participação passa para


níveis inferiores a 20%. Cita-se a título de exemplo, pode acontecer que,
aquando do aumento do capital social da investida, o investidor não
acompanhe o aumento, ou quando aliene parte da sua participação.

Supondo que um investidor passa a deter 15% do capital da investida e


que o investimento apresentava uma quantia escriturada de 500,00Mt,
então, o movimento contabilístico seria o seguinte:
Tabela 23: Movimento contabilístico da Perda de influência significativa
Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
Investimentos Financeiros -
3121X noutras empresas - método de MZM 500.00
custo
Investimentos Financeiros em
3121X MZM 500.00
associadas - MEP
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

89
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

A problemática dos impostos diferidos

Os gastos e rendimentos contabilizados no âmbito do MEP não relevam


para efeitos fiscais, pelo que terão de ser acrescidos (gastos) ou
deduzidos (rendimentos) nos termos do CIRPC (Código do Imposto
Sobre os Rendimentos das pessoas Colectivas). Para efeitos fiscais,
apenas o método de custo é aceite.

Desta feita, os rendimentos relativos a participações financeiras,


apenas serão tributados quando são recebidos (dividendos).

De acordo com a NCRF 12, parágrafo 9, “as diferenças temporárias são


diferenças entre a quantia escriturada de um activo ou passivo no
balanço e na sua base de tributação. As diferenças temporárias podem
ser:

a) Diferenças temporárias tributáveis, que são diferenças temporárias


de que resultam quantias tributáveis na determinação do lucro
tributável (perda fiscal) de períodos futuros quando a quantia
escriturada do activo ou passivo seja recuperada ou liquidada;

b) Diferenças temporárias dedutíveis, que são diferenças temporárias


de que resultam quantias que são dedutíveis na determinação do
lucro tributável (perda fiscal) de períodos futuros quando a quantia
escriturada do activo ou passivo seja recuperada ou liquidada”.

Portanto, há que atender a NCRF 12, em que a aplicação do MEP


apenas origina a contabilização de impostos diferidos, desde que a
diferença temporária dedutível reverta no futuro previsível. Assim uma
entidade “só deve reconhecer activos por impostos diferidos somente
quando for provável que lucros tributáveis estarão disponíveis contra
os quais as diferenças temporárias dedutíveis possam ser utilizadas”.

A título de exemplo de impostos diferidos.

a) Em 01/01/N, a empresa J subscreveu e realizou uma participação de


25% no capital de empresa F, que foi constituída com um capital de
1.000,00Mt.
b) Em 31/12/N, a empresa F teve um resultado positivo de 400,00Mt
dos quais foram distribuídos sob a forma de dividendos, em N+1,
300,00Mt.
c) Em 31/12/N+1, a empresa F teve um resultado negativo de
150,00Mt.

A taxa de IRPC é de 20%.

90
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Tabela 24: Resolução, em 01/01/N – Subscrição e realização


Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
Investimento Financeiro em
3121X MZM 250.00
associadas - MEP
12X Depósito à ordem MZM 500.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Tabela 25: Resolução, em 31/12/N – Quota-parte nos resultados


Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
Investimento Financeiro em
3121X MZM 100.00
associadas - MEP
Rendimentos em subsidiária
78X MZM 100.00
e associadas
Cálculos auxiliares: (100 = 25% x 400)
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Tabela 26: Resolução, em 31/12/N – Passivos por impostos diferidos


Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
852X Imposto diferifo MZM 20.00
Outras contas a receber e a pagar -
4462X MZM 20.00
passivos por impostos diferidos
Cálculos auxiliares: (20 = 20% x 100)
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Tabela 27: Resolução do Ano N+1 – Recebimento de dividendos


Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
121X Depósito à ordem MZM 75.00
Investimento Financeiro em
3121X MZM 75.00
associadas - MEP
Cálculos auxiliares (75 = 25% x 300)
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

91
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Tabela 28: Resolução do Ano N+1 – Regularização dos impostos diferidos


Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta

Outras contas a receber e a pagar -


4462X MZM 20.00
passivos por impostos diferidos

852X Imposto diferido: 15 = 20% x 75 MZM 15.00


59X Resultados transitados: 5 = 20-15 MZM 5.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

NB.: a conta de resultados transitados aparece para anular o passivo por imposto
diferido. Trata-se duma solução que pode não ser consensual. Eventualmente, poder-
se-ia manter a conta de passivos por impostos diferidos pelo remanescente, isto é,
por 5.

Igualmente pode não ser consensual a informação sobre a constituição


duma reserva de ajustamento sobre a componente que foi retida, isto
é, 100,00 = 400,00 - 300,00Mt.

Tabela 29: Ano N+1 – Informações sobre resultados não distribuídos


(retidos) na participada
Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
59X Resultados transitados MZM 100.00
Ajustamentos em activos financeiros -
57X MZM 100.00
resultados não distribuidos
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Tabela 30: Em 31/12/N+1 – Impostos diferidos (activos) – a empresa


participada apresenta prejuízos de 150,00 37,5 = 25% x 150,00
Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
69X Gastos e perdas em subsidiárias e associadas
MZM 37.50
Investimentos financeiros em
3121X MZM 37.50
associadas - MEP
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

E partindo do pressuposto de que é possível reverter esta situação na


associada.
Tabela 31: Resolução do 31/12/N+1 – Activos por impostos diferidos
Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
461 Activos por impostos diferidos MZM 7.50
852X Imposto diferido MZM 7.50
Cálculos auxiliares: (7,5 = 20% x 37,5)
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

92
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Transição do método de custo para o Método de Equivalência


Patrimonial

A transição do método de custo para o MEP implica que o investidor


proceda a ajustamento de transição, que surgem da diferença entre o
valor da quota-parte nos capitais próprios da investida, no início do
período, e a quantia escriturada de investimento.

Os ajustamentos relativos à transição afectam o capital próprio do


investidor, o que implica a movimentação da conta “57 – Ajustamentos
em investimentos – Ajustes de transição”.

Exemplificando:

A empresa B subscreveu e realizou em N-1 uma participação de 20% por


400,00Mt, de um capital de 2.000,00Mt. À data, considerou que
existiam restrições, pelo que utilizou o método de custo. Entretanto em
N, considerou que essas restrições já não existiam, pelo que passou a
utilizar o MEP. O capital próprio, nesta data, assumia o montante de
3.000,00Mt.
Tabela 32: Resolução do N-1 – Subscrição e realização pelo método de custo
Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
Investimento Financeiro - noutras
3121X MZM 400.00
empresas - método de custo
121X Depósito à ordem MZM 400.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Tabela 33: Resolução do N – Transição para o MEP


Nº de
Descritivo Débito Crédito
conta
Investimento Financeiro em
3121X MZM 600.00
associadas - MEP
Investimento Financeiro - noutras
3121X MZM 400.00
empresas - método de custo
57X Ajustamentos de transição MZM 200.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Sumário

Nesta Unidade temática 3.2 estudamos e discutimos


fundamentalmente dois itens na continuidade das considerações gerais
á disciplina de Consolidação das Demonstrações Financeiras:

1. Investimentos em subsidiárias
2. Aplicação do Método de Equivalência Patrimonial

93
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO – 1:

GRUPO – 1 (Com respostas detalhadas)


1 – Que quantias são reconhecidas na conta de Investimento em
subsidiárias?
2 – Como é movimentada a conta Investimentos em subsidiárias?
3 – Quais as decomposições que apresenta esta conta?
4 – Quando é aplicado o método de consolidação integral?
5 – Em quê é baseado o método de consolidação integral?
6 – Em que consiste este método?
7 – Como devem ser integrados no balanço os elementos do activo,
passivo e dos capitais próprios das empresas consolidadas?
8 – Em que consiste o método de equivalência patrimonial?
9 – A partir de que momento deve ser utilizado o método de
equivalência patrimonial?
10 – Quais são as outras situações que poderão ocorrer na esfera da
investida que implicarão o reconhecimento como um ajustamento da
participação financeira?

Respostas:
1 – Rever 1º parágrafo da página 78
2 – Rever 3º parágrafo da página 78
3 – Rever 1º parágrafo da página 79
4 – Rever na página 80
5 – Rever na página 82
6 – Rever na página 82
7 – Rever na página 82
8 – Rever na página 83
9 – Rever na página 83
10 – Rever na página 85

Exercícios de AVALIAÇÃO

GRUPO – 2
1 – Em 02/01/N-3, a empresa M, subscreveu e realizou uma
participação de 40% no capital da sociedade A, cuja situação líquida (de
A) apresenta a seguinte evolução.

01/01/N-3 31/812/N 31/12/N+1


Capital MZM 10,000.00 MZM 10,000.00 MZM 10,000.00
Reservas MZM - MZM 5,000.00 MZM 9,000.00
Resultado Líquido MZM - MZM 7,000.00 MZM (1,500.00)
Total MZM 10,000.00 MZM 22,000.00 MZM 17,500.00

Pedido:

94
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Registe no diário:

a) Transição do método de custo para o método de equivalência


patrimonial;
b) Quota-parte dos resultados do ano N referentes à participação na
Sociedade A;
c) Quota-parte dos resultados do ano N+1 referentes à participação na
Sociedade A.

2 – Supondo que um investidor passa a deter 15% do capital da


investida e que o investimento apresentava uma quantia escriturada de
5.000,00Mt, qual seria o movimento contabilístico?

3 – A empresa B subscreveu e realizou em N-1 uma participação de 20%


por 4.000,00Mt, de um capital de 20.000,00Mt. À data, considerou que
existiam restrições, pelo que utilizou o método de custo. Entretanto em
N, considerou que essas restrições já não existiam, pelo que passou a
utilizar o MEP. O capital próprio, nesta data, assumia o montante de
30.000,00Mt.

UNIDADE Temática 3.3. EXERCÍCIOS deste tema.

Exercícios de AVALIAÇÃO – 2:

1 – Qual é a decomposição que a conta investimento em entidades


conjuntamente controlada?
2 – Uma empresa “Beta” concedeu um empréstimo à sociedade A,
no dia 05 de Fevereiro do ano N, no montante de 150.000,00Mt,
com o qual tem estabelecido parceria.
a) Contabilize este empréstimo concedido
3 – Em 02/01/N-3, a empresa M, subscreveu e realizou uma
participação de 40% no capital da sociedade A, cuja situação líquida
(de A) apresenta a seguinte evolução.
01/01/N-3 31/812/N 31/12/N+1
Capital MZM 10,000.00 MZM 10,000.00 MZM 10,000.00
Reservas MZM - MZM 5,000.00 MZM 9,000.00
Resultado Líquido MZM - MZM 7,000.00 MZM (1,500.00)
Total MZM 10,000.00 MZM 22,000.00 MZM 17,500.00

Pedido:

Registe no diário:

a) Transição do método de custo para o método de equivalência


patrimonial;

95
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

b) Quota-parte dos resultados do ano N referentes à participação na


Sociedade A;
c) Quota-parte dos resultados do ano N+1 referentes à participação na
Sociedade A.

4 – Supondo que um investidor passa a deter 15% do capital da


investida e que o investimento apresentava uma quantia escriturada de
5.000,00Mt, qual seria o movimento contabilístico?

5 – A empresa B subscreveu e realizou em N-1 uma participação de 20%


por 4.000,00Mt, de um capital de 20.000,00Mt. À data, considerou que
existiam restrições, pelo que utilizou o método de custo. Entretanto em
N, considerou que essas restrições já não existiam, pelo que passou a
utilizar o MEP. O capital próprio, nesta data, assumia o montante de
30.000,00Mt.

96
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

TEMA – IV: MÉTODOS E PROCEDIMENTOS DE CONSOLIDAÇÃO

UNIDADE Temática 4.1. Determinação do perímetro de consolidação


segundo o SNC, Organigrama de consolidação, Sociedades obrigadas a
elaborar contas consolidadas, Dispensas e exclusões de consolidação e
Operações prévias à consolidação.
UNIDADE Temática 4.2. Homogeneização temporal, Homogeneização
valorativa, Outras homogeneizações, Procedimentos de consolidação,
agregação das contas, Eliminações: Eliminação do investimento
financeiro, Eliminação de saldos recíprocos e Eliminação de resultados
internos.
UNIDADE Temática 4.3. Elaboração das demonstrações financeiras
consolidadas, Métodos de consolidação, Método de consolidação integral,
Método de consolidação proporcional, Teorias ou Ópticas de consolidação,
Ópticas do proprietário, Óptica financeira, óptica económica e Óptica mista.

UNIDADE Temática 4.4. EXERCÍCIOS deste tema

UNIDADE Temática 4.1. Determinação do perímetro de consolidação segundo o


SNC, Organigrama de consolidação, Sociedades obrigadas a elaborar contas
consolidadas, Dispensas e exclusões de consolidação e Operações prévias à
consolidação.

Determinação do perímetro de consolidação segundo o SNC

Perímetro de consolidação – é um conjunto de sociedades legalmente


obrigadas a consolidar que incluem apenas as sociedades-mãe e suas
filiais;

É a inclusão das sociedades legalmente obrigadas a consolidar contas


que foram demonstradas individualmente pelas empresas-mãe, filiais e
associadas;

É um conjunto de sociedades que têm as suas acções cotadas na bolsa


de valores mobiliários legalmente estabelecida;

Um conjunto de sociedades que apresentam demonstrações


financeiras individuais para serem consolidadas, independentemente
das respectivas percentagens de participação financeiras.

A definição do perímetro de consolidação é uma das primeiras tarefas


a ser efectuada no âmbito do processo de consolidação de contas.

97
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Para Rodrigues (2009, p.625), entende-se por perímetro de


consolidação o conjunto de todas as empresas que serão englobadas na
consolidação, e também a identificação dos correspondentes métodos
de integração.

Para Lopes (2010, p.67), perímetro de consolidação é a identificação


concreta de quais as empresas a incluir na consolidação.

Neste sentido deve ser elaborado um organograma do grupo, onde


devem ser identificadas as empresas a serem consolidadas, assim como
as respectivas percentagens de participação. O conjunto das empresas
a consolidar compreende: subsidiárias, entidades conjuntamente
controladas e associadas.
Organigrama do perímetro de consolidação

Um dos primeiros passos no processo de consolidação é conhecer


especificamente que as entidades ou empresas devem ser incluídas nas
demonstrações financeiras consolidadas. Para o efeito dever-se-á
elaborar um organigrama do perímetro de consolidação onde serão
incluídas todas as empresas.

A decisão de incluir ou não uma empresa no perímetro da consolidação


depende da percentagem do controlo detida pela empresa-mãe nas
suas participadas. Refira-se que o conceito da percentagem de
participação e controlo estão intimamente ligados com conceitos de
controlo jurídico e controlo económico.

A percentagem de participação exprime a parte de capital detida pela


empresa-mãe, directa ou indirectamente, numa empresa dependente
ou subsidiária.

Por seu turno, a percentagem do controlo, derivada dos direitos de


voto, exprime o elo de dependência directa ou indirectamente entre a
empresa-mãe e uma dependente ou subsidiária.

Nos casos de domínio directo, as duas percentagens são iguais. Nos


casos de domínio indirecto, estando em causa três ou mais empresas, a
percentagem de participação determinar-se-á pelo produto das
percentagens de capital detido, enquanto a percentagem de controlo
determinar-se-á pela soma do capital detido pela empresa-mãe e pelas
subsidiárias na empresa considerada.

Exemplo de domínio directo e indirecto:

70% 60%
A B C

98
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Domínio directo de A em B:

Percentagem de participação de A em B: 70%

Percentagem de controlo de A em B: 70%

Domínio indirecto de A em C:

Percentagem de participação de A em C: 42% (70% x 60%)

Percentagem de controlo de A em C: 60%

Exemplos de perímetro de consolidação:

Exemplo-1:

M – empresa-mãe
60%
70% 40% 33,3%

AA BB CC DD

70% 30% 30%


acordo
AAA BBB CCC contratual
33,3%
Cada empresa
E F

Tabela 34: Classificação das empresas participadas


Empresa % de participação % de controlo Método Tipo de entidade
AA 60% 60% Consolidação integral Subsidiária
BB 70% 70% Consolidação integral Subsidiária
Método de Equivalência
CC 40% 40% Associada
patrimonial (MEP)
AAA 42% = (60% x 70%) 70% Consolidação integral Subsidiária
Método de Equivalência
BBB 21% = (70% x 30%) 30% Associada
patrimonial (MEP)
CCC 12% = (40% x 30%) Sem influência Cotação / custo Outra
DD 33,3% 33,3% Controlo conjunto Empreendimento conjunto
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

99
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Exemplo-2:

N.B: O grupo de empresas a consolidar é constituído pela empresa-mãe


e empresas em que esta detém o controlo, ou seja as subsidiárias (filiais
e sub-filiais);

 A empresa P é uma entidade conjuntamente controlada, portanto é


consolidada pelo método da consolidação proporcional;

 A empresa A é uma associada, e não faz parte do grupo M1, pelo que
está fora do perímetro de consolidação.

Sociedades obrigadas a elaborar contas consolidadas

A publicação do Decreto-Lei nº 238/91, de 2 de Julho, que resultou da


transposição na 7ª Directiva para o direito nacional, inclui um conjunto
de orientações que regulam aspectos específicos sobre a elaboração da
informação consolidada. Neste diploma delimita-se o âmbito da
consolidação, que inclui as condições necessárias que obrigam à
publicação de informação consolidada e situações de dispensa e
exclusões à obrigatoriedade geral de elaborar contas consolidadas.
Define-se, também, todos os aspectos técnicos relevantes no âmbito da
elaboração, fiscalização e divulgação da informação consolidada, bem
como do relatório consolidado de gestão, de forma a assegurar a
comparabilidade e equivalência da informação financeira consolidada,
tendo em conta que o grande objectivo a atingir com a elaboração deste
tipo de informação.

100
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Portanto, este diploma implicou uma profunda reformatação do direito


contabilístico, conduzindo à integração de dois novos capítulos no Plano
Oficial de Contabilidade: Capítulo 13 − Normas de consolidação de
contas e o Capítulo 14 − Demonstrações Financeiras Consolidadas.

Como princípio geral, o enquadramento jurídico-contabilístico obriga à


consolidação de contas para todos os grupos controlados por uma
sociedade-mãe. Estende a obrigatoriedade da elaboração das
Demonstrações Financeiras Consolidadas, qualquer que seja o local da
sede das empresas filiais, desde que a sociedade que encabeça o grupo
seja sediada em Portugal. Logo, a obrigação da consolidação de contas,
em termos contabilísticos, estabelece-se numa base mundial, ao
obrigar à inclusão no perímetro de consolidação de todas as filiais
sediadas ou não em território nacional.

O âmbito desta obrigatoriedade, previsto no artigo 2º do Decreto-Lei nº


239/91, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei nº 127/95, de
1 de Julho, estende-se às empresas-mãe que estejam constituídas sobre
a forma de sociedades anónimas, sociedades em comandita por acções,
e sociedades por quotas. Inclui também, depois desta última alteração
legislativa, as sociedades-mãe em nome colectivo ou sociedades em
comandita simples, desde que todos os sócios de responsabilidade
ilimitada sejam sociedades sob uma das formas anteriormente
contempladas22 (quotas, anónimas e em comandita por acções), ou
sociedades não sujeitas à legislação dum Estado-membro, mas cuja
forma jurídica seja comparável às referidas na Directiva nº 68/151/CEE,
do Conselho, de 9 de Março.

Assim, poder-se-á afirmar que a legislação contabilística assume que a


obrigatoriedade de elaborar contas consolidadas se estende às
sociedades-mãe e a todas as suas filiais, bem como às filiais destas,
independentemente da localização dessas sociedades filiais.

Essa obrigatoriedade impõe a elaboração das demonstrações


financeiras consolidadas e o relatório consolidado da gestão para a
empresa-mãe (empresa consolidante), que esteja sujeita ao direito
nacional e preencha as condições previstas no nº 1 desse diploma:

I. Possua a maioria dos direitos de voto dos titulares do capital da


empresa dependente (empresa filial);

22
Pelo facto de estas sociedades apenas oferecerem como única garantia a terceiros
o seu património social.

101
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

II. Tenha o direito de designar ou destituir a maioria dos membros dos


órgãos sociais da sociedade filial e seja, simultaneamente, titular do
capital desta empresa;
III. Possua o direito de exercer uma influência dominante (ou controlo)
sobre a empresa dependente da qual é um dos titulares do capital,
por força de um contrato realizado entre ambas ou de cláusula
estatutária;

IV. Sendo titular do capital duma sociedade, detenha pelo menos 20%
dos direitos de voto e a maioria dos membros dos órgãos sociais da
empresa filial que exercerem funções durante o exercício a que se
reportam as contas consolidadas, bem como, no exercício
precedente e até ao momento em que estas sejam elaboradas,
tenham sido exclusivamente designados como consequência do
exercício dos seus direitos de voto;

V. Detenha partes de capital duma empresa filial e a controlo, por si só,


ou por força dum acordo com outros titulares do seu capital, a
maioria dos direitos de voto dos titulares do capital da mesma.

Desta forma, o exercício do controlo ou influência significativa sobre


uma outra sociedade pode ser obtido através dos direitos de voto ou
através de contratos ou acordos, mas tendo sempre por base a
detenção de uma percentagem de capital. Consequentemente, conclui-
se que as normas prevêem a adopção de um conceito de grupo baseado
nos conceitos de jure e de facto, dado que define as relações entre a
empresa-mãe e as suas filiais tendo por base o seu poder de dominar
ou controlar as ditas sociedades. Há uma opção clara, no
enquadramento contabilístico português, por uma solução de
compromisso, na medida em que o mesmo considera o conceito legal
de controlo (controlo de direito), mas contempla, ao mesmo tempo, o
conceito económico (controlo de facto). Assim, a participação
financeira é o elemento determinante mas não único para a existência
do grupo enquanto unidade económica e financeira. Abarca situações
em que a percentagem do capital detida se situa muito abaixo daquela
que se pode considerar como indispensável para o exercício de
influência dominante na sociedade adquirida (50% ou mais do capital),
todavia esse controlo pode ser assegurado por outros mecanismos que
não a mera percentagem de capital detida. Pode, por isso, exigir-se uma
unidade financeira relativamente fraca, desde que a unidade
económica do grupo seja considerada muito intensa, pressupondo,
obviamente, a capacidade de exercer uma posição de controlo sobre
essa entidade.

No entanto, o legislador português não vai tão longe quanto o que é


permitido pela 7ª Directiva, dado que não se prevêem situações de
controlo, sem que a sociedade consolidante disponha de qualquer

102
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

parcela de capital na sociedade controlada. No caso português,


prevêem-se situações de controlo apenas para as sociedades em que
haja participações de capital, ainda que esta percentagem só por si não
assegure o controlo23, que pode ser obtido por outras vias distintas da
participação de capital.

Assim, por imposição legal, apenas os grupos verticais estão sujeitos à


obrigatoriedade de elaborar contas consolidadas, dada a exigência
explícita de titularidade de capital por parte da sociedade consolidante
na sociedade a consolidar. As disposições constantes do Plano Oficial de
Contabilidade admitem, contudo, a hipótese do controlo de facto24
como condição necessária para integrar a empresa no perímetro de
consolidação, ainda que esta não seja condição suficiente, dada a
necessária condição da detenção duma participação de capital.

O Plano Oficial de Contabilidade no seu ponto 2.7, explicita quais as


sociedades que integram o grupo, incluindo nesse conjunto a
sociedade-mãe e as suas filiais. Exclui, por isso, as sociedades associadas
e as outras participações. Tal como na 7ª Directiva, o Decreto-Lei nº
238/91 não apresenta qualquer definição clara de grupo, limitando-se
a enumerar as situações em que uma empresa-mãe tem que elaborar e
divulgar Demonstrações Financeiras Consolidadas. Obriga o referido
diploma que qualquer sociedade que se encontre nas condições
anteriormente referidas e que constam do artigo 1º do referido
preceito legal, deva formular contas consolidadas, nas quais incluirá,
necessariamente, todas as sociedades por si dominadas, directa ou
indirectamente. No fundo, trata-se de observar uma série de
presunções para determinar as entidades que têm a obrigação de
estabelecer contas consolidadas, sendo desta forma possível deduzir,
mais do que definir, o entendimento de grupo de sociedades, já que
define grupo de sociedades unicamente para efeitos da consolidação
de contas e não enquanto sujeito jurídico-económico.

No entendimento amplo da obrigatoriedade da elaboração das contas


consolidadas, poder-se-á acentuar como característica relevante dessa
obrigatoriedade a delimitação da existência de grupo − a unidade de
direcção − ainda que exija a dependência duma sociedade sobre a outra
com um requisito imprescindível. Contudo, segundo as disposições da
7ª Directiva, a obrigatoriedade de estabelecer contas consolidadas
estende-se tanto aos grupos de coordenação25, como aos grupos de

23
A percentagem de capital não assegura por si só o controlo de 50% dos direitos de
voto;
24
De natureza diversa, seja financeiro, económico, contratual ou directivo;
25
Não vinculados por relações de dependência;

103
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

subordinação26. No entanto, a obrigatoriedade de estabelecer contas


consolidadas para os grupos de coordenação é deixada ao livre arbítrio
dos vários Estados-membros.
Dispensas e exclusões de consolidação

À obrigatoriedade geral prevista para os grupos de preparar contas


consolidadas foram introduzidas duas excepções − a dispensa e a
exclusão na apresentação de informação consolidada.

A dispensa de consolidação aplica-se à empresa-mãe, bem como ao


conjunto consolidável, permitindo que em certas circunstâncias não se
elaborem as contas consolidadas de um grupo. Todavia, as situações de
exclusão respeitam às filiais (e associadas) que fruto de determinadas
condições especiais não devem ser consideradas no perímetro de
consolidação subjacente ao conjunto que se encontra obrigado à
formulação das contas consolidadas.

Relativamente às situações de dispensa da obrigação de elaborar as


contas consolidadas, em harmonia com o previsto nos artigos 6º a 12º
da 7ª Directiva, e que foi vertido no artigo 3º do Decreto-Lei nº 238/91,
cabe assinalar que estas isentam a sociedade-mãe de um grupo da
obrigatoriedade de elaborar e publicar informação financeira
consolidada.

A primeira toma em consideração a dimensão económica do conjunto


das empresas, avaliada esta em função da verificação de dois dos três
limites quantitativos indicados, na condição de que qualquer das
empresas não tenham valores mobiliários admitidos à cotação oficial de
uma bolsa de valores dum qualquer Estado-membro. Joga aqui um
papel importante o princípio da importância relativa quando se trata de
expressar a imagem fiel do grupo, pelo que a não consideração de
participações materialmente irrelevantes não tem efeitos significativos
na qualidade da informação a prestar pelo grupo aos seus destinatários.
Trata-se de reduzir as obrigações informativas dos grupos, que pelo seu
tamanho não têm uma importância económica relativamente
significativa face ao tecido empresarial envolvente.

Segundo o nº 1, do artigo 3º, do Decreto-Lei nº 238/91, o conjunto de


empresas susceptíveis de serem consolidadas e que são dispensadas de
o fazerem, com base nas suas últimas contas anuais aprovadas,
permitindo-se a dispensa quando o conjunto das empresas a consolidar
não ultrapasse, durante dois exercícios consecutivos, dois dos seguintes
três limites:

26
Vinculados por relações de dependência e direcção unitária;

104
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

a) Total do balanço: 1,5 milhões de contos;

b) Vendas líquidas e outros proveitos: 3 milhões de contos;

c) Número de trabalhadores utilizados, em média, durante o exercício:


250.

Para a aplicação ou não da dispensa, os limites têm de ser ultrapassados


ou deixar de serem ultrapassados, durante dois exercícios consecutivos.
No diploma é, no entanto, omisso sobre a forma de cálculo destes
valores de referência. Não estatui se se trata dos valores agregados de
todas as empresas pertencentes ao conjunto a consolidar, depois dos
ajustamentos e eliminações típicas da consolidação, ou se se agregam
todos os valores das contas individuais do conjunto, antes desses
ajustamentos, para atingir esses limites. Pensa-se, contudo, que esses
valores resultam directamente do somatório pura e simples de todos os
valores individuais, já que o artigo 3º do Decreto-Lei nº 238/91 se refere
nos seguintes termos a esta questão: “(...) o conjunto das empresas a
consolidar, com bases nas suas últimas contas anuais aprovadas, não
ultrapasse dois dos três limites (...). Portanto, as contas anuais
aprovadas reflectem necessariamente as operações intra-grupo,
considerando-se para a definição dos limites da dispensa de elaboração
das demonstrações financeiras consolidadas as operações realizadas
dentro do próprio grupo.

Este aspecto do sistema contabilístico poderia resultar particularmente


penalizante para os pequenos grupos societários, especialmente
naqueles agrupamentos cuja estrutura de controlo se baseia numa
fraca rede de relações, e em que o grupo como unidade económica, não
assume relevância particular.

O segundo tipo de isenção prevê a dispensa de consolidação duma


empresa que seja, ao mesmo tempo, empresa-mãe e filial de um grupo
cujo vértice organizativo esteja sediado e sujeito à legislação de um
Estado-membro, ficando, no entanto, salvaguardada a protecção dos
sócios e terceiros pela observância estrita de certos requisitos na
elaboração, revisão e publicidade das demonstrações financeiras do
conjunto mais vasto.

Na transposição para o direito contabilístico português, ambas as


alternativas de dispensa têm a mesma força, pois nos dois casos prevê-
se que a empresa-mãe fique dispensada da obrigação de elaborar
contas consolidadas, não impedindo, contudo, que esta opte por
elaborar este tipo de informação. A Directiva refere que “(...) os
Estados-membros dispensarão da obrigação (de consolidação)
qualquer empresa-mãe que esteja sujeita ao respectivo direito nacional
(...)”, conforme artigo 7º do dito preceito.

105
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Os casos em que tal pode acontecer são:

– As empresas-mãe são titulares de todas as partes do capital da


empresa dispensada;

– Ou, se a empresa-mãe detiver 90% ou mais das partes de capital da


empresa dispensada 216, e os restantes titulares do capital desta
empresa tenham aprovado expressamente a dispensa, renunciando
à formulação das contas consolidadas.

Esta dispensa não se aplica igualmente às sociedades cujos valores


mobiliários tenham sido admitidos à cotação oficial de uma bolsa de
valores, estabelecida num qualquer Estado-membro, e fica dependente
da verificação das condições referidas no nº 5 do artigo 3º do citado
diploma (Decreto-Lei nº 238/91), que podem ser assim resumidas:

• Consolidem em um conjunto mais vasto de empresas;

• A auditoria e publicidade, no registo comercial correspondente à sede


da sociedade portuguesa dispensada;

• Referência obrigatória no ABDRC da empresa dispensada, sobre o


grupo a que pertence e outras informações relevantes do conjunto,
como sejam o total de balanço, as vendas líquidas e outros proveitos,
resultado do exercício e total dos capitais próprios e o número médio
de trabalhadores utilizados durante o exercício.

Parece-nos que esta dispensa conduz a alguns efeitos perniciosos ou


danosos no campo da informação consolidada, ao tratar da forma
desigual as empresas-mãe à cabeça de subgrupos portugueses, face às
sociedades-mães de outros sub-grupos, que dependem, em última
análise, de uma outra sociedade sediada no espaço comunitário.

A 7ª Directiva permitia, ainda, uma maior flexibilidade na aplicação


desta isenção à obrigatoriedade de consolidar contas dos sub-grupos,
permitindo que beneficiassem desta isenção todas as sociedades-mãe
participadas em mais de 50% por outra sociedade pertencente ao
espaço comunitário, e desde que não se encontrassem cotadas numa
qualquer bolsa de valores, da União Europeia, e sempre que os
accionistas minoritários não tivessem expressamente exigido a
formulação dessa informação consolidada. No entanto, a 7ª Directiva
possibilita a aplicação desta isenção qualquer que seja a sede da
sociedade-mãe, desde que a empresa-mãe no vértice do grupo, ainda
que não sediada na comunidade, elabore as suas contas consolidadas
de forma equivalente ao estabelecido por esta Directiva, e inclua nas

106
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

suas contas consolidadas o subgrupo encabeçado pela sociedade-mãe


que se encontra isenta da obrigação.

Relativamente às situações de exclusão, em consonância com o previsto


no artigo 4º do Decreto-Lei nº 238/91 (artigos 13º a 15º da Directiva),
são de dois tipos: facultativas e obrigatórias e assumem natureza
diversa dentro de cada um deles.

A primeira das situações de exclusão de carácter facultativo é


estabelecida em função do interesse significativo da filial a consolidar,
designada de relevância material de uma empresa no conjunto das
empresas incluídas na consolidação (conforme artigo 4º, nº 1 e 2º).
Refira-se, porém, que esta exclusão não se aplica quando duas ou mais
empresas não forem materialmente relevantes per si, mas que no seu
conjunto o sejam.

Esta opção está naturalmente subordinada ao objectivo de fazer com


que as contas consolidadas dêem uma imagem verdadeira e
apropriada27, implicando, por isso, a sua utilização de modo consistente
dum exercício para outro, sendo, por isso, de excluir do processo de
consolidação a empresa ou empresas cuja integração apresente, em
conjunto, um interesse insignificante para esse objectivo, dada a sua
reduzida importância (absoluta ou relativa).

Contudo, e mais uma vez, o Plano Oficial de Contabilidade mostra-se


omisso sobre os valores de referência para a relevância material, pois
não quantifica o que se entende por reduzida importância absoluta ou
relativa, abrindo-se campo a situações que podem assumir uma
natureza dúbia ou duvidosa face à realidade em questão.

Numa modesta opinião, devia existir uma clara identificação na lei


contabilística dos limites de relevância ou irrelevância, para além de se
definir os elementos a considerar para esse efeito. Essa inexistência
permite que sejam os grupos, que usando o seu livre arbítrio ou juízo,
definam o patamar a considerar para a inclusão ou não de algumas
filiais no perímetro de consolidação, na mira de evidenciar uma imagem
fiel e verdadeira da sua situação financeira e dos resultados da sua
actividade. Contudo, permite-nos duvidar da aplicabilidade razoável
desta cláusula de exclusão. Quantas vezes não será esta usada com uma
certa dose de oportunismo, de forma a não incluir na consolidação as
filiais ou associadas que por algumas circunstâncias especiais não
interessam particularmente para o desempenho do grupo?

27
Nº 3, do artigo 16º, da 7ª Directiva e no ponto 13.2.2 das normas de consolidação
de contas do Plano Oficial da Contabilidade;

107
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Defendemos que, à semelhança do que é definido para isentar os


pequenos grupos, também neste contexto se deveriam apontar alguns
critérios objectivos que permitissem excluir as sociedades, sem que as
atitudes dos responsáveis pudessem influir na escolha das empresas a
incluir no perímetro de consolidação, à semelhança do que já é prática
em outros países europeus, como é o caso da França.

Ainda que assumido uma natureza facultativa, dado que abre a


possibilidade de exclusão do perímetro de consolidação, esta
alternativa prevista no artigo 13º, da 7ª Directiva, condiciona a
qualidade e a comparabilidade da informação financeira consolidada,
pelo que defende-se que estes limites ou critérios específicos deviam
ser quantificados, já que podem existir situações que correspondem a
valores bastantes negligenciáveis em termos absolutos ou mesmo em
termos relativos, em função do peso desta sociedade no grupo, mas que
podem corresponder a investimentos verdadeiramente significativos
para o grupo.

A segunda situação de exclusão de carácter facultativo é estabelecida


em função da situação específica de algumas filiais (nº 3 do artigo 4º),
nomeadamente no caso de filiais que se apresentem com restrições
severas e duradouras (alínea a), do nº 3 do artigo 4º), que possam
prejudicar substancialmente o exercício pela empresa-mãe dos seus
direitos sobre o património ou a gestão dessa empresa.

Esta exclusão compreende, normalmente, as filiais sediadas em países


com situações políticas complexas ou em situação de gestão controlada
judicialmente, onde a sociedade-mãe não pode de facto exercer o seu
direito de controlo. Estas situações restringem e comprometem a
existência de efectiva direcção unificada, o que significa que a super
estrutura não tem condições para impor a sua vontade, qualquer que
seja a percentagem de participação que disponha.

O terceiro tipo de exclusão considerada prende-se com situações de


controlo temporário, onde as partes de capital possuídas pela empresa-
mãe sejam detidas exclusivamente tendo em vista a sua alienação
posterior (alínea b), do nº 3 do artigo 4º).

A 7ª Directiva prevê ainda duas outras exclusões de carácter facultativo


(conforme alínea b), do artigo 14º), que não foram incorporadas na
legislação portuguesa. Uma delas prende-se com a disponibilidade das
informações necessárias para elaborar as contas consolidadas, pois
sempre que estas não possam ser obtidas sem custos
desproporcionados (princípio da economicidade), ou sem demora
injustificada (princípio da oportunidade). A outra relaciona-se com o
exercício da direcção única duma empresa, pois sempre que esta seja
assegurado na maioria pelas mesmas pessoas em função durante o

108
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

exercício, e até à elaboração das contas consolidadas, sem que exista


participação no capital (conforme alínea bb), do artigo 14º), essa filial
pode ser excluída da consolidação.

Como na legislação portuguesa apenas se contempla situações de


grupo que conduzem à obrigatoriedade de elaborar informação
consolidada, quando a empresa-mãe disponha duma percentagem de
capital, ainda que o controlo possa não ser assegurado em exclusivo
pela percentagem de capital detida, mas em conjugação com outros
meios, esta exclusão não faria sentido no actual enquadramento
contabilístico português.

O segundo tipo de exclusões assume natureza diferente das anteriores,


apresentando carácter obrigatório, conforme nº 4 do artigo 4º: de entre
esta categoria de exclusões salienta-se a existência de actividades
diferenciadas. Algumas filiais devem ser excluídas da consolidação se
exercerem actividades de tal modo diferentes, que a sua inclusão na
consolidação conduziria a uma deformação da imagem verdadeira e
apropriada que as contas anuais consolidadas devem proporcionar
sobre a realidade económica do conjunto. Contudo, a mesma norma
obriga à inclusão dessas sociedades nas contas consolidadas tendo
como referência o método da equivalência patrimonial, enquanto as
situações de exclusão anteriormente referenciadas, conduz à exclusão
dessas sociedades do perímetro técnico de consolidação, sendo
obrigatório prestar apenas alguns esclarecimentos no anexo acerca da
sua existência.

Trata-se duma situação cujas fronteiras não se encontram


perfeitamente delimitadas na letra da lei28, criando naturais
dificuldades de interpretação. A lei contabilística apenas adianta que
não revela, para este tipo de exclusão, o facto de as empresas a incluir
na consolidação serem parcialmente agrícolas, parcialmente
industriais, parcialmente comerciais e parcialmente de prestações de
serviços, ou de estas empresas exercerem actividades agrícolas,
industriais ou comerciais, relativas a produtos distintos, ou efectuarem
prestações de serviços diferentes (nº 5 do artigo 4º). Contudo, o
normativo português deveria ter referenciado os casos em que se
aplicava esta exclusão. Do preceituado anteriormente parece só dever
considerar-se actividades distintas, as desenvolvidas por entidades de
natureza financeira ou de seguros.

O exercício de direito ou da obrigação da exclusão implica, por parte da


empresa consolidante uma série de exigências de divulgação de

28
Conforme nºs 4, 5 e 6, do artigo 4º, do Decreto-Lei nº 238/91;

109
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

informação relativamente à participada excluída, conforme nº 6, do


artigo 4º (ponto 14.4.I.2 do Capítulo 14 do POC).

É um dos preceitos legais da consolidação que tem levantado fortes


críticas dos pesquisadores desta área, porque esta exclusão obriga à
apresentação da participação financeira da filial nas contas
consolidadas pelo MEP, solução que não se tem revelado pacífica.
Apesar das sérias resistências que esta questão tem conduzido, este
tipo de exclusão prevalece, ainda hoje, como motivo de exclusão
obrigatória na generalidade dos países comunitários, já que esta
orientação assume carácter vinculativo na 7ª Directiva.

Internacionalmente este tipo de exclusão tem vindo a ser eliminada


como forma de garantir que as contas consolidadas apresentem uma
imagem global da situação patrimonial (dos activos e passivos) da
unidade económica, grupo, permitindo uma melhor comparabilidade
entre grupos com actividades e estruturas semelhantes.

Conclui-se que os fundamentos das exclusões nem sempre se apoiam


em argumentos teóricos suficientemente válidos, podendo ser
utilizados com alguma arbitrariedade por parte dos grupos, induzindo a
uma redução da fiabilidade e relevância da informação financeira
consolidada divulgada pelos grupos. Assim como Archel Domench e
Robleda Cabezas (1995), defendemos que as normas deveriam tipificar
com maior detalhe os motivos de exclusão, estabelecendo um
ordenamento hierárquico que permitisse avaliar a maior ou menor
transcendência para o grupo das empresas a excluir nas contas
consolidadas, permitindo tratar de forma diferenciada, uma sociedade
materialmente irrelevante duma outra sociedade que se encontra
sobre intervenção judicial, ou mesmo de uma outra que é excluída por
actividades diferenciadas.

Operações prévias à consolidação

O processo de consolidação de contas envolve normalmente muitas


pessoas e empresas, pelo que deve ser previamente bem organizado.
Neste sentido deve-se: elaborar um manual de consolidação;
seleccionar o método de consolidação a aplicar a cada empresa;
conciliar as contas inter-grupo; rever os principais critérios
valorimétricos utilizados, sua homogeneização e consistência.

Preparação do processo

 Definição do perímetro de consolidação – quais as empresas a incluir


e excluir da consolidação;

110
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

 Identificação dos métodos de consolidação aplicáveis – integração


global, proporcional, equivalência patrimonial;

 Hominização dos exercícios – as empresas consolidantes e


consolidadas devem ter exercícios com igual data de início e
duração;

 Definição dos princípios e critérios contabilísticos – políticas de


provisões, amortizações, capitalização de gastos, etc, aplicar em
todas as empresas do grupo;

 Estabelecimento de plano de contas do grupo;

 Constituição da equipa pela consolidação;

 Fixação de normas de centralização de informações – formatos dos


sistemas ou mapas de recolha, circuitos de informação, e etc;

 Calendarização das operações;

 Reconciliação de saldos inter-grupo – os saldos entre as diferentes


empresas do grupo devem conciliar entre si.

Sumário

Nesta Unidade temática 4.1 estudamos e discutimos


fundamentalmente cinco itens na continuidade das considerações
gerais á disciplina de Consolidação das Demonstrações Financeiras:

1. Determinação do perímetro de consolidação segundo o SNC


2. Organigrama do perímetro de consolidação
3. Sociedades obrigadas a elaborar contas consolidadas
4. Dispensas e exclusões de consolidação
5. Operações prévias à consolidação

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO – 1:

GRUPO – 1 (Com respostas detalhadas)


1 – Define o perímetro de consolidação.
2 – Diferencie os diversos conceitos do perímetro de consolidação de
acordo com os autores.
3 – Quando deve se elaborar um organigrama do perímetro de
consolidação?
4 – De que depende a decisão de incluir ou não um empresa no
perímetro de consolidação?

111
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

5 – De que deriva a percentagem de controlo?


6 – Quais são as condições previstas no nº1, do diploma que obriga a
elaboração das demonstrações financeiras consolidadas e relatório
consolidado de gestão para as empresas-mãe?
7 – Como se obtém o exercício do controlo ou influencia significativa
sobre uma outra sociedade?
8 – Quais são as sociedades excluídas pelo Plano Oficial de
Contabilidade das sociedades que integram o grupo?
9 – Quais as duas excepções que foram introduzidas na obrigatoriedade
geral prevista para os grupos prepararem contas consolidadas?
10 – Quais foram os três limites permitidos na dispensa quando o
conjunto das empresas a consolidar não ultrapassasse durante dois
exercícios económicos consecutivos?

Respostas:
1 – Rever na página 96
2 – Rever nas páginas 96 e 97
3 – Rever na página 97
4 – Rever na página 97
5 – Rever na página 97
6 – Rever nas páginas 100 e 101
7 – Rever na página 101
8 – Rever na página 102
9 – Rever na página 103
10 – Rever na página 103

Exercícios de AVALIAÇÃO

GRUPO – 2
1 – Quantos tipos de exclusões existem?

2 – Explica a cada um deles.

3 – Os fundamentos teóricos das exclusões são suficientemente


validos?

4 – Fale das operações prévias à consolidação.

5 – Como é feita a preparação deste processo?

112
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

UNIDADE Temática 4.2. Homogeneização temporal, Homogeneização valorativa,


Outras homogeneizações, Procedimentos de consolidação, agregação das contas,
Eliminações: Eliminação do investimento financeiro, Eliminação de saldos
recíprocos e Eliminação de resultados internos.

Homogeneização temporal

As contas das entidades a consolidar deverão reportar-se ao mesmo


período temporal.
Se, durante o exercício económico, uma entidade deixar de fazer parte
integrante do perímetro de consolidação, as suas demonstrações
financeiras não deverão ser incluídas no processo de consolidação
anual, com referência a 31 de Dezembro, devendo este facto e o seu
efeito serem explicitados no anexo às demonstrações financeiras
consolidadas.
Homogeneização valorativa

As entidades incluídas no perímetro de consolidação devem converter


os seus próprios critérios de valorimetria em critérios uniformes ao
grupo público, de forma a garantir a homogeneização da informação
previamente à aplicação de qualquer dos métodos da consolidação.

Se algum elemento materialmente relevante do activo, do passivo de


fundos próprios ou capitais próprios, for mensurado, por método que
não cumpra o requisito de uniformidade estabelecido, esse elemento
deverá ser objecto de uma reclassificação ou remensuração de acordo
com as normas definidas, sendo os ajustamentos necessários
considerados unicamente para efeitos da elaboração das
demonstrações financeiras consolidadas.

Outras homogeneizações

Homogeneização de operações internas – entende-se por operação


interna qualquer operação cujos intervenientes sejam entidades que
integram o perímetro de consolidação.

Quando da realização de operações internas resultem, por inexactidões


ou omissões, registos não coincidentes nas contas das entidades
intervenientes nestas operações, deverão se realizar os ajustamentos
necessários para que se possa posteriormente proceder às respectivas
eliminações.

Homogeneização para realizar a agregação – sempre que a estrutura


das demonstrações financeiras anuais duma entidade a consolidar não
coincida com a das demonstrações
113
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

financeiras consolidadas deverão se efectuar as necessárias


reclassificações às contas anuais individuais.

Procedimentos de consolidação

A consolidação é uma técnica contabilística que tem por objectivo


preparar as demonstrações financeiras dum grupo de empresas, como
se de uma única entidade se tratasse. As demonstrações financeiras
consolidadas constituem um complemento e não um substituto das
demonstrações financeiras individuais das empresas integradas num
grupo e têm como objectivo dar uma imagem fidedigna da posição
financeira, dos resultados das operações, das alterações no capital
próprio e dos fluxos de caixa do conjunto formado por essas empresas.
As empresas que constituem o grupo podem estar ligadas por força da
detenção de participações financeiras directas ou indirectas ou podem
estar sujeitas a um centro de decisão comum, embora gozando cada
uma de personalidade jurídica própria.

Procedimentos a serem adoptados

a) Verificar se todos os balanços (investidora e investidas) foram


devidamente auditados e ajustados;
b) Excluir os valores que forem comuns entre investidora e investida;
c) Excluir o valor dos stocks ainda não realizados pela empresa
adquirente;
d) Criar o DRE utilizando-se da proporcionalidade das participações em
cada uma das investidas.
Adopção dos procedimentos
a) A verificação da autenticidade dos balanços deve seguir os princípios
fundamentais de contabilidade atendendo todas as exigências
contabilísticas e fiscais como por exemplo a Provisão para devedores
duvidosos, Ajuste dos investimentos pelo método da equivalência
patrimonial e todos os demais controles internos que se fizerem
necessários;
b) Excluir valores comuns como por exemplo:
- Excluir a participação societária da Investidora e o valor
correspondente no Capital social de Investida;
- Excluir, na proporção da participação, os empréstimos existentes
entre as coligadas.
- Excluir, na proporção da participação, os saldos existentes em
aberto de compras e vendas realizados entre a investidora e as
investidas;

114
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

- Excluir do stock da compradora o valor do lucro utilizado pela


vendedora de valores ainda constantes do stock excluindo do
stock de compradora e do Lucro acumulado da vendedora.

c) O Demonstrativo de Resultados do Exercício deverá ser


confeccionado somando-se o DRE (Demonstrativo de Resultados de
Exercício) da Investidora mais a participação de cada uma das
investidas;
d) Após a consolidação devemos proceder o ajuste do balanço
patrimonial, em seus valores não monetários, a valor presente
retirando dos valores a receber e a pagar toda a inflação do período,
acontecida e projectada, demonstrando analiticamente cada
operação.
Agregação das contas

A preparação das demonstrações financeiras consolidadas realizar-se-á


pela agregação dos diferentes elementos, segundo a sua natureza, das
demonstrações financeiras anuais individuais homogeneizadas, sem
prejuízo das eliminações que se vierem a verificar tais como:
eliminações recíprocas e eliminação dos resultados de operações
internas.

Eliminação do investimento financeiro

Responde à compensação do valor contável da participação directa ou


indirecta da dominante no capital da dependente com a parte
proporcional dos fundos próprios do dependente que corresponda-lhe.
Há que distinguir duas situações:

a) Eliminação em primeira consolidação.

 Conceitos:
 Diferença de primeira consolidação é a diferença positiva ou
negativa, existente entre o valor contável da participação directa ou
indirecta da dominante no capital da dependente e a parte
proporcional dos fundos próprios do dependente que corresponda-
lhe;
 Fundo de comércio de consolidação é à diferença da primeira
consolidação quando é positiva. Figurasse no activo do balanço
consolidado. Deve ser amortizado da forma sistemática num máximo
de 10 anos. Quando supere os 5 anos deve ser indicado na memória;

115
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

 Diferença negativa de consolidação é à diferença da primeira


consolidação quando é negativa. Aparecerá no passivo do balanço;
 Participação de sócios externos é a parte proporcional dos fundos
próprios que corresponda a terceiros alheios ao grupo se recolherá
como interesses dos sócios externos. Aparece no passivo do balanço
Imputação contável das diferenças de consolidação
Quando a diferença de consolidação seja positiva se procederá na
seguinte forma:
 Imputasse-se directamente aos elementos patrimoniais da
sociedade dependente;
 Aumenta-se o valor dos activos ou reduzirá o dos passivos até o
limite que seja atribuível à sociedade dominante;
 Dito limite virá deter pela diferença entre o valor contável do
elemento patrimonial de que se trate e seu valor de modo na data
de primeira consolidação;
 O limite se deter em função da percentagem da participação no
capital social da sociedade dependente.
Quando a diferença de consolidação seja negativa se procederá na
seguinte forma:
 Imputasse-se directamente aos elementos patrimoniais da
sociedade dependente;
 Aumenta-se o valor dos passivos ou reduzirá o dos activos até o
limite que seja atribuível à sociedade dominante;
 Dito limite virá deter pela diferença entre o valor contável do
elemento patrimonial de que trate-se e seu valor de modo na data
da primeira consolidação;
 O limite se deter em função da percentagem da participação no
capital social da sociedade dependente.
b) Eliminações em consolidações posteriores

 Realiza-se nas mesmas condicionantes que a primeira consolidação;


 As reservas geradas pela sociedade dependente desde a primeira
consolidação figurassem como reservas em sociedades
consolidadas;
 Do custo das reservas geradas deve ser deduzida a parte
correspondente aos sócios externos, que se incluirá no apartado
correspondente aos mesmos do passivo;

116
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

 As reservas geradas obtêm-se por variação dos fundos próprios,


excluídos o resultado do exercício29;
 Quando existam investimentos adicionais e acréscimos na
percentagem da participação se procede como se fosse primeira
consolidação;
 Quando existam reduções na percentagem de domínio e do
investimento:
 Se reduzirão o fundo de comércio de consolidação ou a
diferença negativa de consolidação segundo proceda;
 Se reduzirão as reservas em sociedades consolidadas;
 A redução realiza-se na proporção no que se reduza o valor
contável da participação na sociedade dependente.
Eliminação de saldos recíprocos

Créditos e débitos – para a elaboração do balanço consolidado, devem


eliminar-se os créditos e débitos entre as entidades que integram o
perímetro de consolidação;

Custos e proveitos – para a elaboração de demonstração consolidada


dos resultados devem eliminar-se os custos e proveitos relativos às
operações efectuadas entre as entidades que integram o perímetro de
consolidação;

Despesas e receitas orçamentais – para a elaboração dos mapas de


execução orçamental consolidada devem eliminar-se as despesas e
receitas orçamentais relativas às operações efectuadas entre as
entidades que integram o perímetro de consolidação;

Eliminação de resultados internos

No caso de as operações intragrupo terem sido efectuadas em


condições substancialmente diferentes das condições de mercado e de
as importâncias envolvidas serem materialmente relevantes, o
resultado não realizado das operações internas deverá diferir-se até à
data da sua realização, o que se presume que ocorre com a alienação
externa ao grupo público ou com o uso dos correspondentes activos.

Participações indirectas:
 A eliminação efectuar-se por etapas;

29
Sempre que não tenha investimentos adicionais ou variações na percentagem da
participação;

117
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

 Inicia-se pelo dependente que não tenha participação directa em


nenhuma dependente;
 Se seguirá na ordem que estabeleçam as participações;
Participações no capital da dominante
 Figura-se no activo do balanço consolidado como acções da
sociedade dominante por seu valor contável;
 Participações recíprocas entre sociedades dependentes;
 Calcula-se a diferença da primeira consolidação, sem que a
participação recíproca afecta ao calculo dos fundos próprios.

Sumário

Nesta Unidade temática 4.2 estudamos e discutimos


fundamentalmente oito itens na continuidade das considerações gerais
á disciplina de Consolidação das Demonstrações Financeiras:

1. Homogeneização temporal
2. Homogeneização valorativa
3. Outras homogeneizações
4. Procedimentos de consolidação
5. Agregação das contas
6. Eliminação do investimento financeiro
7. Eliminação de saldos recíprocos
8. Eliminação de resultados internos

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO – 1:

GRUPO – 1 (Com respostas detalhadas)


1 – O que é homogeneização temporal?
2 – Quando é que as demonstrações financeiras deixam de fazer parte
integrante do perímetro de consolidação?
3 – O que entende por homogeneização valorativa?
4 – O que entende por homogeneização de operações internas?
5 – O que entende por homogeneização para realizar a agregação?
6 – O que é a consolidação?
7 – Quais são os procedimentos a serem adoptados no procedimento
de consolidação?
8 – Como são agregadas as contas na preparação das demonstrações
financeiras consolidadas?
9 – Quais são as duas situações a serem distinguidas na eliminação do
investimento financeiro?
10 – Explique como se procede na eliminação de saldos recíprocos?

118
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Respostas:
1 – Rever na página 111
2 – Idem
3 – Rever na página 112
4 – Idem
5 – Idem
6 – Idem
7 – Rever na página 113
8 – Rever na página 114
9 – Rever na página 114 - 115
10 – Rever na página 116

Exercícios de AVALIAÇÃO

GRUPO – 2
1 – Explique como ocorre a eliminação dos resultados internos.

2 – Como se efectua a eliminação de participações indirectas e no


capital da dominante?

3 – Conceitua a diferença da primeira consolidação.

4 – O que entende pelo fundo de comércio de consolidação?

5 – O que entende pelas participações de sócios externos?

UNIDADE Temática 4.3. Elaboração das demonstrações financeiras consolidadas,


Métodos de consolidação, Métodos de consolidação integral, Método de
consolidação proporcional, Teorias ou Ópticas de consolidação, Ópticas do
proprietário, Óptica financeira, óptica económica e Óptica mista.

Elaboração das demonstrações financeiras consolidadas

Regras gerais
a) As contas consolidadas constituem um todo e compreendem:
- O balanço consolidado;
- A demonstração de resultados consolidada;
- O anexo ao balanço e à demonstração de resultados consolidados.
Recomenda-se também a inclusão da demonstração consolidada de
origem e aplicação de fundos.
b) Estes documentos devem satisfazer também as demais normas do
POC (Plano Oficial de Contabilidade), com as necessárias adaptações;

119
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

c) Os métodos e procedimentos de consolidação devem ser aplicados


de forma consistente de um exercício para o outro.
Objectivo
a) As demonstrações financeiras consolidadas devem dar uma imagem
verdadeira e apropriada da situação financeira e dos resultados do
conjunto das empresas compreendidas na consolidação;

b) Se, em casos excepcionais, a aplicação duma disposição destas


normas de consolidação for incompatível com aquele objectivo, a
disposição em causa não deverá ser aplicada, divulgando-se o facto
no anexo ao balanço e à demonstração de resultados.
Data de elaboração
a) As demonstrações financeiras consolidadas devem ser elaboradas
com referência à mesma data das demonstrações financeiras anuais
da empresa-mãe;
b) Contudo, podem ser elaboradas com referência a uma data
diferente, a fim de serem tomadas em consideração as datas do
balanço do maior número de empresas, ou das mais importantes,
incluídas na consolidação;
c) Quando a data do balanço de uma empresa proceder a do balanço
consolidado em mais de três meses, essa empresa deve ser
consolidada com base em demonstrações financeiras intercalares
elaboradas à data do balanço consolidado.
Alterações na composição do conjunto
Se a composição do conjunto das empresas incluídas na consolidação
se alterar significativamente no decurso do exercício, as demonstrações
financeiras consolidadas devem fornecer informações que permitam a
comparabilidade de conjuntos sucessivos de demonstrações financeiras
consolidadas. Esta obrigação pode ser cumprida ou pela elaboração de
demonstrações financeiras ajustadas à data do início do exercício a que
se referem ou por informações a prestar no anexo ao balanço e à
demonstração de resultados consolidados.
Métodos de consolidação

a) O método de simples agregação aplica-se quando, na ausência de


qualquer participação no capital das entidades consolidadas, se
verifica um efectivo controlo administrativo por parte da entidade
consolidante. Este método traduz-se na soma algébrica dos
balanços, das demonstrações dos resultados e dos mapas de
execução orçamental das entidades pertencentes ao grupo público,
sendo obrigatória a eliminação, designadamente, dos saldos, das
transacções, das transferências e subsídios e dos resultados

120
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

incorporados em activos relativos a operações efectuadas entre


essas entidades.

b) O método de consolidação integral aplica-se quando a entidade


consolidante detém uma participação superior a 50 % dos direitos de
voto dos titulares do capital da entidade controlada e consiste na
integração no balanço, na demonstração dos resultados e nos mapas
de execução orçamental da entidade consolidante dos elementos
respectivos dos balanços, das demonstrações dos resultados e dos
mapas de execução orçamental das entidades consolidadas,
evidenciando os direitos de terceiros, designados para este efeito
como interesses minoritários.

Para efeitos de aplicação do método de consolidação integral, adoptar-


se-á o previsto na Norma Contabilística e de Relato Financeiro 15,
“Investimentos em subsidiárias e consolidação”, publicada no aviso nº
15 655/2009, de 7 de Setembro, com as necessárias adaptações à
realidade de cada subsector.

c) O método de equivalência patrimonial aplica-se quando uma


entidade pertencente ao grupo público exerça influência significativa
sobre a gestão operacional e financeira duma entidade não incluída
no grupo público ou quando não seja aplicável qualquer dos
métodos referidos nas alíneas anteriores. Este método consiste na
substituição no balanço da entidade consolidante do valor
contabilístico das partes de capital por ela detida pelo valor que
proporcionalmente lhe corresponde nos capitais próprios da
entidade participada.

Para efeitos de aplicação do método de equivalência patrimonial,


adoptar-se-á o previsto na Norma Contabilística e de Relato Financeiro
13, publicada no Aviso nº 15 655/2009, de 7 de Setembro, com as
necessárias adaptações à realidade de cada subsector.

d) Método de consolidação proporcional, que consiste na integração no


balanço e na demonstração de resultados da empresa consolidante
da parte que proporcionalmente lhe corresponder nos elementos
respectivos dos balanços e das demonstrações de resultados das
empresas consolidadas.

Método de consolidação integral

O Método de consolidação integral é o método básico da consolidação,


sendo de aplicação geral nos casos em que a empresa-mãe exerce uma
influência dominante sobre as empresas consolidadas. Os restantes
métodos são meras alternativas previstas para casos especiais, em que

121
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

a sua aplicação corresponde da forma mais adequada aos objectivos a


alcançar com a elaboração das contas consolidadas.

O método de consolidação integral permite dar ancoragem às duas


concepções teóricas subjacentes à elaboração das contas consolidadas.
Na teoria financeira ou extensão da sociedade-mãe, este método
baseia-se no conceito da empresa-mãe, segundo o qual as contas
consolidadas do grupo são uma extensão das suas contas, a qual,
mesmo sem o domínio total, tem as condições necessárias para
controlar efectivamente todo o património das sociedades
consolidadas. Na teoria económica ou da entidade, o método de
consolidação integral baseia-se no conceito de entidade, segundo o
qual as contas consolidadas do grupo são as contas duma entidade
distinta das partes que o constituem, a qual tem condições para
controlar efectivamente todo o património dessa entidade. Considera-
se, assim, os interesses maioritários e minoritários como accionistas do
conjunto: o grupo. Contudo, as contas consolidadas parecem adequar-
se, por excelência, à concepção económica da entidade, pois traduzem
a informação contabilística consolidada dum conjunto das sociedades
juridicamente diferentes, mas colocadas sobre um controlo comum
como se se tratasse de uma única e mesma empresa.

No essencial, poder-se-á afirmar que o método de consolidação integral


consiste na elaboração de balanço e da demonstração dos resultados
consolidados através de simples agregação de todos os elementos
homónimos do balanço e demonstração dos resultados, de todas as
empresas do grupo propriamente ditas (sociedade-mãe e respectivas
filiais). Essa agregação permite reflectir os interesses de terceiros
nessas entidades, já que o agrupo não é proprietário senão de uma
parte do património, apesar da posse dos votos da sociedade adquirida
lhe poder garantir o controlo sobre esse património e sobre a actividade
da empresa consolidada. Esses direitos de terceiros aparecem
designados na literatura por interesses minoritários. Este foi, também,
o entendimento do nosso legislador contabilístico.

Como tal, os elementos do activo, do passivo e dos capitais próprios das


empresas incluídas na consolidação, devem ser integrados, na sua
totalidade, no balanço consolidado, considerando os accionistas
minoritários como estranhos, pelo que os seus direitos são
evidenciados separadamente como responsabilidades do grupo para
com terceiros na concepção financeira e como accionistas do grupo na
concepção económica.

O método de consolidação integral é o método básico proposto no


âmbito da 7ª Directiva comunitária sobre contas consolidadas (artigo
18º) e também adoptado no enquadramento contabilístico através do
Decreto-Lei nº 238/91, de 2 de Julho, para o caso das filiais incluídas na

122
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

consolidação. O conceito de grupo contabilisticamente relevante para


este efeito é apreendido através dos artigos 1º a 4º deste diploma,
apesar de o legislador português, à semelhança do previsto na 7ª
Directiva, ter optado por não definir o conceito de grupo de forma clara.
O método de consolidação integral é considerado de aplicação geral, e
relaciona-se com o conceito de empresa-mãe na consolidação, sendo
similar ao método da compra, nas concentrações de actividades
empresariais. Neste contexto, as demonstrações financeiras devem
incluir a totalidade dos activos e passivos da filial (subsidiária), pois
interessa o controlo e não a propriedade. Efectivamente, a adquirente
tem poder para condicionar e comandar o uso de todos os activos e
passivos e não apenas a parte correspondente à percentagem
adquirida. No fundo, a questão é reconhecer nas contas consolidadas o
montante de recursos sobre os quais a empresa-mãe tem o controlo
assegurado.

Ao elaborar as contas consolidadas, o saldo (ou parte do saldo) da conta


de “Investimentos financeiros − partes de capital em empresas do
grupo” vai ser compensado pela proporção que representam nos
capitais próprios das empresas incluídas na consolidação, integrando
nas demonstrações financeiros os activos e os passivos subjacentes com
base no valor à data em que sejam incluídos pela primeira vez na
consolidação, podendo originar uma diferença que deve ser
considerada como goodwill, e que nas contas consolidadas é
evidenciada numa rubrica autónoma designada por diferenças de
consolidação30.

No entanto, parte dessa diferença de aquisição inicial pode ser atribuída


a activos ou passivos subavaliados ou sobreavaliados que pertençam à
sociedade filial, e o restante, se for positivo, será então o valor a
considerar na conta de “diferenças de consolidação/goodwill”,
considerada como um activo fixo incorpóreo31, que será amortizado
pelo método das quotas constantes durante um período de vida de
cinco anos. Se o período de vida útil exceder esse prazo, esse facto deve
ser justificado no ABDRC, conforme nº 17 do ponto 14.4 do Plano Oficial
de Contabilidade.

Método de consolidação proporcional

Teoricamente, poder-se-á considerar-se que o método de consolidação


proporcional corresponde, em termos da concepção prevista para a
elaboração das contas consolidadas, à teoria do proprietário, cujo

30
Conforme alíneas c) e d), do ponto 13.4.1 do Capítulo 13, do Plano Oficial de
Contabilidade;
31
Conforme alíneas e) e g1), do ponto 13.4.1 do Plano Oficial de Contabilidade.

123
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

conceito básico é o de que as contas consolidadas devem abarcar


apenas os elementos do património do proprietário − o grupo. Também
aqui se trata a combinação empresarial do ponto de vista dos
detentores de capital da sociedade adquirente.

É uma concepção mais restritiva do que a prevista na teoria financeira,


em que o controlo garante o acesso à totalidade dos bens através da
existência duma direcção unificada. Atende-se à propriedade dos bens
em detrimento do seu controlo, implicando que as contas consolidadas
apenas contemplem os bens que são próprios da entidade
consolidante.

Doutrinalmente, esta posição afigura-se-nos complexa, já que


pressupõe o abandono do princípio da gestão continuada para
privilegiar a posse do património que só é atingida em situações de
liquidação da sociedade participada. Nem mesmo nesta situação limite
há a garantia de que a sociedade consolidante obtenha a percentagem
do património que lhe pertence por direito, relativamente à
percentagem de capital detida.

A situação torna-se ainda mais complexa se a influência exercida pela


sociedade-mãe resultar duma participação de capital inferior à
percentagem de votos detidos e que lhe assegura um poder conjunto
sobre a entidade adquirida, sendo que parte desses votos podem ter
sido obtidos através de acordos ou contratos estabelecidos com os
detentores do capital desta sociedade. Neste caso, coloca-se a questão:
qual a percentagem de activos e detidos a considerar nas contas
consolidadas? Será a percentagem definida com base no poder dentro
da empresa adquirida (número de votos) ou, pura e simplesmente, a
percentagem do património que é pertença (e só em caso de
liquidação) da sociedade consolidante?

As sociedades integradas nas contas consolidadas pelo método de


consolidação proporcional são denominadas, normalmente, por
sociedades multigrupo, multidependentes, filiais comuns, joint
ventures ou empreendimentos conjuntos, constituindo uma forma de
concentração e relacionamento empresarial bastante peculiar baseado,
por norma, num acordo de gestão conjunta. O vínculo da sociedade-
mãe com a sociedade multigrupo consiste na detenção de uma
participação financeira, que não assegura, por norma, o controlo e o
poder de decisão, ostentando, porém, uma influência significativa em si
mesma. O controlo é partilhado entre um número limitado de
accionistas e as decisões devem ser tomadas de comum acordo entre
eles. Ainda hoje é relativamente pouco conhecido o processo de
controlo utilizado, ou mesmo se desconhece a forma de medir
adequada ao desempenho do conjunto. Condor López (1988) define-as

124
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

como sociedades dirigidas colegialmente por duas ou mais empresas do


grupo.

Desde há muitos anos que há fortes opositores do método de


consolidação proporcional (Pro-rata Consolidation), cita-se a título de
exemplo Dieter e Wyatt (1978), pois segundo estes autores "it combines
(a portion of) assets that are not under the direct control of the primary
reporting entity with those that are." Contudo, isto pode ser visto como
uma limitação do método, mas a ênfase deve ser colocada na sequência
das actividades da sociedade consolidante.

Reklau (1977: 98) realça que a inclusão de activos não controlados "não
é nem nova nem limitada à questão da consolidação pró-rata” e que
está presente na prática em situações onde "os activos incluídos nas
demonstrações financeiras consolidadas não estão sempre
imediatamente disponíveis à empresa-mãe para propósitos
empresariais diversos e, portanto, não estão realmente sob o controlo
directo da mãe”.

Poder-se-á adiantar que, em modesta opinião, a aplicação deste


método implica uma clara preferência por uma concepção contratual
assente sobre as percentagens do capital detidas, mais do que na
concepção utilitária da informação consolidada, que se fundamenta
mais na noção do controlo ou da influência significativa do que na parte
de capital possuída, sendo os activos, passivos, custos e proveitos,
calculados em função da fracção correspondente à percentagem de
interesse da sociedade do grupo detentora dos títulos.

De entre os autores que se assumem como defensores deste método,


destaca-se o caso de Bierman (1992), que considera que o método de
consolidação mais apropriado é o método de consolidação
proporcional, qualquer que seja o tipo de vínculos que liga as
sociedades entre si (controlo exclusivo, conjunto ou influência
significativa).

Também Tho (1995: 100) afirma que “este método justifica-se em nome
da imagem fiel do património, de situação financeira e do resultado que
deve ser apresentado nas contas consolidadas.” Utiliza ainda outros
motivos de ordem económica ou comercial para justificar esta prática,
já que os investidores podem associar-se com outros para atingir
determinados desempenhos, sendo que essa faculdade de
investimento não apresenta nem no plano económico, nem no plano
financeiro, qualquer diferença relativamente à alternativa que podia ter
sido a realização do investimento separado.

As normas contabilísticas aplicáveis para a elaboração das contas anuais


consolidadas permitem que o âmbito do conjunto consolidável se

125
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

alargue, ao considerar consolidáveis as sociedades que sejam geridas


por uma sociedade do grupo conjuntamente com outras sociedades
exteriores ao grupo ou não compreendidas na consolidação. Neste
caso, estas empresas podem ser incluídas nas contas consolidadas
proporcionalmente aos direitos detidos pela empresa-mãe, directa ou
indirectamente.

Robleda Cabezas (1991: 46 e 47) assinala que as práticas contabilísticas


aconselham o seguinte como principais pressupostos para a aplicação
do método de consolidação proporcional:

 As actividades da sociedade multigrupo são um prolongamento das


actividades das participantes;

 Uma parte significativa das actividades do investidor na sociedade


multigrupo efectua-se por meio dessa sociedade;

 As operações da sociedade multigrupo distribuem-se


proporcionalmente à proporção no seu capital das diferentes
entidades que participam na gestão.

Consequentemente, a integração das sociedades multigrupo nas contas


consolidadas é outro assunto polémico, que não recebe unanimidade
na literatura contabilística, não existindo um critério único em relação
ao método de consolidação aplicável às mesmas.

Não obstante, e do ponto de vista técnico, o método de consolidação


proporcional propugna operações de consolidação em tudo idênticas às
realizadas segundo o método de consolidação integral. No entanto, a
agregação dos elementos das contas da sociedade-mãe e das
respectivas sociedades multigrupo faz-se com base apenas na
proporção da participação detida pela sociedade à cabeça do grupo.
Logo, aplica-se mutatis matundis as mesmas regras do método de
consolidação integral.

Para reflectir nas contas consolidadas a informação contabilística


correspondente a esta modalidade de vinculação empresarial utiliza-se
o método de consolidação proporcional. Na generalidade dos
normativos que o contemplam, este assume-se, todavia, como um
método meramente facultativo aplicável às filiais comuns, dominadas
paritária e simultaneamente por sociedades do grupo e alheias ao
grupo.

O método de consolidação proporcional tem recebido escassa atenção


nas normas contabilísticas internacionais. O IASB, só em 1990, emite a
primeira ED sobre a contabilização dos investimentos financeiros nas
empresas multigrupo. Nesse

126
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

documento são referidas como notas distintivas desta forma societária,


a existência dum acordo contratual de gestão referido ao controlo
conjunto da actividade económica, e o carácter secundário da
actividade económica em relação à da empresa-mãe.

O IASB acabou por publicar a NIC 31 − Relato Financeiro de Interesses


em Empreendimentos Conjuntos − em Dezembro de 1990, que foi alvo
duma revisão em 1998, para fazer face a uma variedade de questões
relacionadas com os relatos financeiros pelas empresas multinacionais
envolvidas em processos de concentração empresariais que assumiam
a figura de joint ventures. Uma joint-venture é definida como ”um
acordo contratual onde duas ou mais partes assumem uma actividade
sujeita ao controlo conjunto”. Este envolve “uma partilha de controlo
contratualmente acordada em relação a uma actividade económica”. O
tratamento preferencial é o uso do método de consolidação
proporcional. O tratamento alternativo é o método de equivalência
patrimonial. Assim, segundo a NIC 28 (1998) − Contabilização de
Investimentos em Associadas − parágrafo 8 e os parágrafos 25 e 32 do
NIC 31, exigem a adopção do método de equivalência patrimonial no
tratamento contabilístico das associadas e prevêem a possibilidade de
se utilizar um qualquer destes métodos no tratamento das joint
ventures (método de consolidação proporcional ou método de
equivalência patrimonial).

O FASB não prevê a utilização do método de consolidação proporcional


(conforme, parágrafo 16 e 17, APB 18), mas apenas o método de
equivalência patrimonial para o tratamento das associadas e das joint
ventures, dado que não considera adequado somar o valor total de
activos e passivos com uma parte do valor de outros elementos.
Considera, assim, que o método de equivalência patrimonial é o que
melhor permite aos investidores em joint ventures reflectir sobre a
natureza subjacente aos seus investimentos.

Também o ASB, FRS 9 − Associates and Joint Ventures, de 1997 −


conforme parágrafos 20 e 26, exige a adopção método de equivalência
patrimonial no tratamento das associadas e requerem a utilização
exclusiva do MCP para as joint ventures. Todavia, a aplicação do MCP
não é exactamente equivalente à utilizada no caso português, pois
prevê a divulgação dos activos e passivos correspondentes às joint
ventures separadamente dos restantes.

A 7ª Directiva estabelece, no seu artigo 32º, a possibilidade de os


Estados-membros poderem optar pela aplicação deste método de
consolidação para o caso específico duma empresa compreendida na
consolidação dirigir, conjuntamente com uma ou várias empresas não
compreendidas na consolidação, uma outra empresa. Essa outra
empresa poderá ser incluída nas contas consolidadas

127
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

proporcionalmente aos direitos detidos, no respectivo capital, pela


empresa compreendida na consolidação.

O método de consolidação proporcional aparece vertido na


regulamentação nacional para o caso específico de sociedades que, não
estando abrangidas pelo perímetro do grupo, sejam controladas
simultaneamente por uma sociedade incluída na consolidação e por
outra, ou outras, sociedades estranhas ao grupo, conforme alínea a), do
ponto 13.5, do Capítulo 13, do POC (Plano Oficial de Contabilidade). No
mesmo ponto deste diploma, refere-se apenas que “quando uma
empresa incluída na consolidação dirigir outra empresa juntamente
com uma ou mais empresas não incluídas na consolidação, essa outra
empresa poderá ser incluída nas demonstrações financeiras
consolidadas na proporção dos direitos no seu capital detidos pela
empresa incluída na consolidação.”

No ponto 13.3, do POC (Plano Oficial de Contabilidade) refere-se que o


método de consolidação proporcional “consiste na integração no
balanço e na demonstração dos resultados da empresa consolidante da
parte que proporcionalmente lhe corresponder nos elementos
respectivos dos balanços e das demonstrações dos resultados das
empresas consolidadas." Portanto, a integração não se realiza pelos
valores totais, mas apenas pela percentagem correspondente à
participação da empresa-mãe em cada empresa consolidada.

Como consequência, as contas consolidadas reflectem o património


que pertence apenas ao grupo, pelo que não há reconhecimento dos
interesses de terceiros (IM), pois a inclusão só é feita na proporção dos
direitos detidos pela empresa consolidante. As disparidades de
consolidação (positivas ou negativas) são calculadas usando as mesmas
regras que para o método de consolidação integral (alínea b), do ponto
13.5 do Plano Oficial de Contabilidade). Consequentemente, a
informação requerida para a aplicação do método de consolidação
integral é igualmente requerida para o método de consolidação
proporcional, e dada a natureza opcional na aplicação deste último
método, na prática, a maioria dos grupos portugueses utiliza o método
de equivalência patrimonial.

Em resumo, a utilização deste método na consolidação de contas das


empresas multigrupo justifica-se por traduzir, da forma mais adequada,
a realidade económica e financeira do grupo, pelo menos na opinião de
alguns autores. No entanto, parecem existir fortes reservas à divisão
proporcional do património, já que o que importa nas contas
consolidadas é o património gerido pelo conjunto, como se duma
entidade se tratasse. Quando se trata de avaliar o desempenho do
conjunto relativamente aos meios utilizados para atingir esses
objectivos, a percentagem de capital da empresa detentora da

128
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

participação (x% do capital) não faz sentido em termos económicos,


pois no caso de actividades continuadas ou se controla ou se influência
significativamente a gestão e a política financeira duma empresa. A
percentagem de capital detida interessa, particularmente, para o caso
da partilha do património. Gerir colegialmente uma entidade pressupõe
a partilha da gestão e da política financeira com outras entidades;
influenciar significativamente a actividade de uma sociedade traduz, em
termos económicos, exactamente a mesma realidade, pois a entidade
que detém o número de votos que lhe permita exercer essa influência
terá necessariamente que partilhar com outras entidades a política
operacional e financeira dessa empresa.

Defende-se, numa lógica de simplicidade, que o método de


consolidação proporcional e o método de equivalência patrimonial não
faz sentido enquanto métodos alternativos de integração dos
empreendimentos conjuntos, adivinhando-se uma solução como a mais
desejável, ou a adopção plena do método de consolidação proporcional
em detrimento do método de equivalência patrimonial, tanto para as
sociedades multigrupo como para o caso das associadas,
ou o oposto. A coexistência dos dois métodos parece-nos, no mínimo,
complexo e alvo de dificuldades acrescidas, nomeadamente na
comparabilidade das demonstrações financeiras de um grupo de
sociedades tanto a nível nacional como internacional.

Teorias ou ópticas de consolidação

Na preparação das demonstrações financeiras consolidadas colocam-se


questões pertinentes a que é preciso dar resposta, como sejam:

- Devem ou não reflectir-se nas demonstrações financeiras


consolidadas os interesses minoritários. Em caso afirmativo, em que
rubricas e quais os montantes correspondentes;

- Como devem ser tratadas as relações entre as empresas,


nomeadamente, as contas activas e passivas, as transacções e os
resultados das mesmas realizadas pelas empresas mas não
realizados pelo grupo. Sendo de eliminar, por que montantes.

Com a preocupação de responder a estas questões foram desenvolvidas


quatro ópticas que espelham distintas perspectivas dos utilizadores das
demonstrações financeiras consolidadas, que são:

 Óptica do proprietário (“property concept”);


 Óptica económica (“entity concept”);

 Óptica financeira (“parent company concept”);

129
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

 Óptica mista ou económico-financeira (“parent company


extension concept”).

Ópticas do proprietário

Nesta óptica, o objectivo fundamental das demonstrações financeiras


consolidadas é evidenciar aos proprietários da empresa-mãe o valor dos
seus activos e dos seus passivos bem como os resultados das
transacções realizadas. As principais consequências da adopção desta
óptica, ao nível das existências e dos resultados, são as seguintes:

 Os activos e os passivos incluem os da empresa-mãe e as


correspondentes quotas-partes nos activos e nos passivos,
mensurados ao justo valor, das empresas filiais consolidáveis;

 Os proveitos e ganhos e os custos e perdas incluem os da empresa-


mãe e as correspondentes quotas-partes nos proveitos e ganhos e
nos custos e perdas das empresas filiais consolidáveis;

 As transacções entre a empresa-mãe e as empresas filiais


consolidáveis são eliminadas pelos valores correspondentes às
percentagens de participação da empresa-mãe;

 Os resultados não realizados que tenham origem em transacções


entre a empresa-mãe e as empresas filiais consolidáveis são
eliminados pelos valores correspondentes às percentagens de
participação da empresa-mãe.

Óptica financeira

Nesta óptica, o objectivo fundamental das demonstrações financeiras


consolidadas é responder às necessidades de informação dos interesses
maioritários. As principais consequências da adopção desta óptica, ao
nível das existências e dos resultados, são as seguintes:

 Os activos e os passivos incluem, quer os da empresa-mãe, quer os


das empresas filiais consolidáveis. Os activos e os passivos das
empresas filiais consolidáveis são mensurados ao justo valor de
acordo com a percentagem de participação da empresa-mãe em
cada uma das empresas filiais consolidáveis e ao valor contabilístico
de acordo com a percentagem de participação dos interesses
minoritários em cada uma das empresas filiais consolidáveis;

 Os proveitos e ganhos e os custos e perdas incluem, quer os da


empresa-mãe, quer os das empresas filiais consolidáveis;

130
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

 As transacções entre a empresa-mãe e as empresas filiais


consolidáveis são eliminadas pelos valores correspondentes às
percentagens de participação da empresa-mãe;

 Os resultados não realizados que tenham origem em transacções


entre a empresa-mãe e as empresas filiais consolidáveis são
eliminados pelos valores correspondentes às percentagens de
participação da empresa-mãe.

Óptica económica

Na óptica económica, o objectivo fundamental das demonstrações


financeiras consolidadas é responder às necessidades de informação
das duas categorias de interessados: maioritários e minoritários. O
grupo é considerado como uma única entidade, dando-se o mesmo
tratamento às duas categorias de participações. As principais
consequências de adopção dessa óptica, ao nível das existências e dos
resultados, são as seguintes:

 Os activos e os passivos incluem, quer os da empresa-mãe, quer os


das empresas filiais consolidáveis mensurados ao justo valor;

 Os proveitos e ganhos e os custos e perdas incluem, quer os da


empresa-mãe, quer os das empresas filiais consolidáveis;

 As transacções entre a empresa-mãe e as empresas filiais


consolidáveis são eliminadas pela totalidade;

 Os resultados não realizados que tenham origem em transacções


entre a empresa-mãe e as empresas filiais consolidáveis são
tratados da seguinte forma:

- Os resultados não realizados decorrentes de transacções


“descendentes” são eliminados na totalidade e imputados à
empresa-mãe;

- Os resultados não realizados decorrentes de transacções


“ascendentes” são eliminados na totalidade e repartidos entre a
empresa-mãe e os interesses minoritários, de acordo com as
respectivas percentagens de participação na empresa filial
consolidável que transmitiu os activos;

- Os resultados não realizados decorrentes de transacções entre


empresas filiais consolidáveis são eliminados na totalidade e
repartidos entre a empresa-mãe e os interesses minoritários, de
acordo com as respectivas percentagens de participação na
empresa filial consolidável que transmitiu os activos.

131
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Óptica mista

Na óptica económico-financeira, o objectivo fundamental das


demonstrações financeiras consolidadas é proporcionar aos
proprietários da empresa-mãe o conhecimento do valor contabilístico
das suas participações no seio duma entidade económica que
contempla duas categorias de interesses: maioritários e minoritários. As
principais consequências da adopção desta óptica, ao nível das
existências e resultados, são as seguintes:

 Os activos e os passivos incluem, quer os da empresa-mãe, quer os


das empresas filiais consolidáveis mensurados ao justo valor;

 Os proveitos e ganhos e os custos e perdas incluem, quer os da


empresa-mãe, quer os das empresas filiais consolidáveis;

 As transacções entre a empresa-mãe e as empresas filiais


consolidáveis são eliminadas pela totalidade;

 Os resultados não realizados que tenham origem em transacções


entre a empresa-mãe e as empresas filiais consolidáveis são
tratados da seguinte forma:

- Os resultados não realizados decorrentes de transacções


“descendentes” são eliminados na totalidade e imputados à
empresa-mãe;

- Os resultados não realizados decorrentes de transacções


“ascendentes” são eliminados na totalidade e repartidos entre a
empresa-mãe e os interesses minoritários, de acordo com as
respectivas percentagens de participação na empresa filial
consolidável que transmitiu os activos;

- Os resultados não realizados decorrentes de transacções entre


empresas filiais consolidáveis são eliminados na totalidade e
repartidos entre a empresa-mãe e os interesses minoritários, de
acordo com as respectivas percentagens de participação na
empresa filial consolidável que transmitiu os activos.

Sumário

Nesta Unidade temática 4.3 estudamos e discutimos


fundamentalmente nove itens na continuidade das considerações
gerais á disciplina de Consolidação das Demonstrações Financeiras:

1. Elaboração das demonstrações financeiras consolidadas

132
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

2. Métodos de consolidação
3. Método de consolidação integral
4. Método de consolidação proporcional
5. Teorias ou ópticas de consolidação
6. Ópticas do proprietário
7. Óptica financeira
8. Óptica económica
9. Óptica mista

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO – 1:

GRUPO – 1 (Com respostas detalhadas)


1 – Quais são as regras gerais para a elaboração das demonstrações
financeiras consolidadas?
2 – Enumere os objectivos da elaboração das demonstrações
financeiras consolidadas.
3 – Como devem ser elaboradas as demonstrações financeiras
consolidadas, em termos da sua data de elaboração?
4 – Quando é que são aplicados os métodos de consolidação?
5 – Define o método de consolidação integral.
6 – Fale da teria económica do método de consolidação integral.
7 – Como são designados na literatura os direitos de terceiros na
consolidação integral?
8 – O que é o método de consolidação proporcional?
9 – Quais são as práticas contabilísticas aconselhadas pelo Robleda
Cabezas (1991: 46 - 47) como principais pressupostos para aplicação do
método de consolidação proporcional?
10 – Quais são as questões pertinentes na preparação das
demonstrações financeiras consolidadas que é preciso dar resposta?

Respostas:
1 – Rever na página 118
2 – Rever nas páginas 118 e 119
3 – Rever na página 119
4 – Rever nas páginas 119 e 120
5 – Rever nas páginas 120 e 121
6 – Rever na página 121
7 – Rever na página 121
8 – Rever na página 122
9 – Rever na página 125
10 – Rever na página 128

Exercícios de AVALIAÇÃO

GRUPO – 2

133
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

1 – Quais são as quatro ópticas que foram desenvolvidas para responder


as questões na preparação das demonstrações financeiras
consolidadas?

2 – Quais são as principais consequências da adopção da óptica do


proprietário ao nível das existências e dos resultados?

3 – Digas as principais consequências da adopção da óptica financeira


ao nível das existências e dos resultados?

4 – Enumere as principais consequências da adopção da óptica


económica ao nível das existências e dos resultados?

5 – Fale das principais consequências da adopção da óptica mista ao


nível das existências e dos resultados?

UNIDADE Temática 4.4. EXERCÍCIOS deste tema.

Exercícios de AVALIAÇÃO – 2:

1 – Quando deve se elaborar um organigrama do perímetro de


consolidação?
2 – Quando é que as demonstrações financeiras deixam de fazer
parte integrante do perímetro de consolidação?
3 – Explique como ocorre a eliminação dos resultados internos.
4 – Quais são as quatro ópticas que foram desenvolvidas para
responder as questões na preparação das demonstrações
financeiras consolidadas?
5 – Enumere as principais consequências da adopção da óptica
económica ao nível das existências e dos resultados?

TEMA – V: CASOS PARTICULARES NA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE CONSOLIDAÇÃO INTEGRAL

UNIDADE Temática 5.1. Variação da percentagem de participação e de


controlo, Domínio indirecto, Técnica de consolidação directa, Técnica
de consolidação em cascata, O tratamento das participações recíprocas
na consolidação.
UNIDADE Temática 5.2. EXERCÍCIOS deste tema

134
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

UNIDADE Temática 5.1. Variação da percentagem de participação e de controlo,


Domínio indirecto, Técnica de consolidação directa, Técnica de consolidação em
cascata, O tratamento das participações recíprocas na consolidação.

Variação da percentagem de participação e de controlo

Percentagem de participação (de interesse ou financeira) – fracção do


capital ou da quota-parte do património, detida, directa ou
indirectamente, na sociedade dependente, determina-se pelo produto
das percentagens de capital detido pelas sociedades que constituem a
cadeia de controlo até à sociedade considerada.

Percentagem de Controlo – grau de dependência das sociedades


participadas relativamente à participante.

É representada pela percentagem de direitos de voto da empresa


participada que a participante consegue controlar, em consequência
das suas participações quer directas, quer indirectas. Determina-se pela
soma de percentagens do capital detido pela empresa mãe e pelas
empresas subsidiárias, quebrando-se a cadeia de controlo quando
perante uma posição minoritária.

Depois de adquirido o controlo duma entidade, ambas passam a fazer


parte do mesmo grupo económico e esta entidade económica é
obrigada, pelo Pronunciamento Técnico CPC 36 – Demonstrações
Consolidadas, bem como pelas normas internacionais de
contabilidade, a ter que elaborar e apresentar demonstrações
consolidadas como se fossem uma única entidade. Deve haver a devida
evidenciação da parcela do património e do resultado pertencente aos
que são sócios apenas nas controladas e não na controladora
(chamados de sócios não controladores), mas por esse mesmo
Pronunciamento CPC 36 e por essas mesmas normas internacionais de
contabilidade, o património líquido deve ser considerado pelo seu todo
e o resultado líquido também.
A participação dos não controladores é parcela integrante do
património líquido da entidade consolidada, logo, transaccionar com
os sócios não controladores é transaccionar com sócios deste mesmo
património líquido.

Como corrência do item anterior, as negociações subsequentes em que


a controladora adquire, dos sócios não controladores desse mesmo
património, novos instrumentos patrimoniais (acções ou cotas, por
exemplo) duma controlada, passam a se caracterizar como sendo
transacções entre a entidade e seus sócios, a não ser que seja uma
alienação de uma investidora que caracterize a perda de controlo da
sua controlada. Ou seja, trata-se de
135
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

operações que se assemelham àquela em que a entidade adquire


acções ou cotas de seus próprios sócios.

Por isso o Pronunciamento Técnico CPC 36 – Demonstrações


Consolidadas requer, em seus itens 30 e 31, que as mudanças na
participação relativa da controladora sobre uma controlada que não
resultem em perda de controlo devem ser contabilizadas como
transacções de capital32 nas demonstrações consolidadas. Em tais
circunstâncias, o valor contabilístico da participação da controladora e
o valor contabilístico da participação dos não – controladores devem
ser ajustados para reflectir as mudanças nas participações relativas das
partes na controlada. Qualquer diferença entre o montante pelo qual a
participação dos não – controladores tiver sido ajustada e o valor justo
da quantia recebida ou paga deve ser reconhecida directamente no
património líquido atribuível aos proprietários da controladora, e não
como resultado.

Logo, se a controladora adquirir mais acções ou outros instrumentos


patrimoniais de uma entidade que já controla, deverá considerar esse
valor como redução do seu património líquido (individual e
consolidado). igualmente, a título de exemplo, a uma compra das
acções próprias (em tesouraria), inclusive com a característica de que
eventual lucro ou proveito (goodwill) nesta aquisição também deverá
ser considerado como parte da redução do património líquido. No caso
de alienação, a não ser que por meio dela seja perdido o controlo sobre
a controlada, o resultado também deverá ser alocado directamente ao
património líquido, e não ao resultado.

Nas demonstrações contabilísticas individuais da controladora, as


transacções de capital mencionadas no parágrafo 3, desta unidade
devem reflectir a situação dessa controladora individual, mas sem
perder de vista que ele está vinculado ao conceito de entidade
económica como um todo, e nesse conceito estão envolvidos os
patrimónios da controladora e da controlada. Este é inclusive o
objectivo da aplicação do método da equivalência patrimonial. Neste
balanço individual não se tem a reprodução pura e simples e totalmente
isolada da controladora, o que só deve ser apresentado nas
demonstrações separadas.

Nas demonstrações separadas da controladora, se forem apresentadas,


as transacções de capital mencionadas no parágrafo 3, desta unidade
devem ser consideradas como alterações de seus Investimentos, quer
quando avaliados pelo método do valor justo quer quando pelo método
do custo. Nestas demonstrações, a ideia subjacente é exactamente a de

32
Ou seja, transacções com sócios, na qualidade de proprietários;

136
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

não integração entre investidora e controladas (e coligadas ou


controladas em conjunto, se for o caso) e sim a de caracterização dos
investimentos como negócios da controladora. Neste caso, a aquisição
de, ou a venda para, sócios não – controladores das suas controladas se
caracterizam, para a controladora, como transacções com terceiros, e
não com sócios do mesmo grupo económico. Consequentemente, os
ajustes derivados destas transacções, se existentes, devem ser
registados no seu resultado, e não no seu património líquido.

Cita-se a título de exemplo:

A Companhia A adquire, por 1.300,00Mt 80% das acções da Companhia


B que tem património líquido contabilístico igual (por simplificação) a
seus valores justos, no montante de 1.250,00Mt. Com isso, paga
percentagem por expectativa de rentabilidade futura no valor de
300,00Mt. Assim, o balanço patrimonial (classificações
desconsideradas) da Companhia A ficará representado da seguinte
maneira:

Tabela 35: Balanço individual 1 da Companhia A


Activos diversos MZM 1,000.00 Capital MZM 1,500.00
Investimentos na controlada B (80% das acções ) *
Valor justo nos activos líquidos MZM 1,000.00
Goodwill MZM 300.00 MZM 1,300.00 Reserva MZM 800.00
Total MZM 2,300.00 MZM 2,300.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

* Note-se que o Investimento na controlada B está composto por duas


parcelas em subcontas que não estão evidenciadas no balanço, mas que
precisam ser evidenciadas em nota explicativa: uma referente ao valor
justo dos activos líquidos da controlada B, no montante de 1.000,00Mt,
e outra referente ao lucro pago na compra do controlo da B, no
montante de 300,00Mt. Esta evidenciação não deve ser feita no
balanço, e sim apenas em nota explicativa; esta evidenciação foi feita
nesse exemplo e será feita nos demais exemplos apenas para melhor
entendimento.

Admita-se o balanço da Companhia B como sendo:

Tabela 36: Balanço da companhia B


Activos diversos MZM 1,250.00 Capital MZM 1,250.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

O balanço consolidado da Companhia A e sua controlada, nesta data,


ficará assim representado:

137
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Tabela 37:Balanço consolidado 1 da Companhia A


Activos diversos MZM 2,250.00
Goodwill * MZM 300.00 Capital MZM 1,500.00
Reservas MZM 800.00
Paeticipação minoritário MZM 250.00
Total MZM 2,550.00 Total MZM 2,550.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

* Note-se que o ágio (goodwill) está registado, no balanço consolidado,


no Activo Intangível, em nível de conta, e não de subconta como no
balanço individual.

Admite-se, agora, uma operação aparentemente desvinculada da


matéria, mas introduzida apenas para mostrar a relação entre aquisição
de acções próprias e aquisição de acções de não controladores, que a
Companhia A adquira 5% de acções do seu próprio capital social por
200,00Mt; se seu próprio balanço também estiver a valores justos, isso
implica em estar comprando 5% de 2.300,00Mt (115,00Mt) por
200,00Mt, pagando implicitamente o lucro de 85,00Mt. Mas este lucro
não deve ser evidenciado, ficando seu balanço individual assim
representado:

Tabela 38: Balanço Individual 2 da Companhia A


Activos diversos MZM 800.00 Capital MZM 1,500.00
Investimentos na controlada B (80% das acções ) *
Valor justo nos activos líquidos MZM 1,000.00
Goodwill MZM 300.00 MZM 1,300.00 Reserva MZM 800.00
Acções em tesouraria ** MZM (200.00)
Total MZM 2,100.00 Total MZM 2,100.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

* Abertura somente para melhor visualização;

** Note-se que essas acções em tesouraria compõem-se de: valor justo,


115,00Mt, e lucro, 85,00Mt, mas nunca devem ser evidenciadas ou
mesmo tratadas com esta divisão. Este lucro deve ficar inserido no
custo total contabilizado como redução de seu património líquido, e
não no Activo Intangível, inclusive conforme legislação e práticas
contabilísticas brasileiras anteriores e também conforme as normas
internacionais de contabilidade.
No balanço consolidado da Companhia A ter-se-á, supondo também
nenhuma alteração no balanço da Companhia B, o seguinte:

138
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Tabela 39: Balanço Consolidado 2 da Companhia A


Activos diversos MZM 2,050.00
Goodwill MZM 300.00 Capital MZM 1,500.00
Reservas MZM 800.00
Acções em tesouraria MZM (200.00)
Participação minoritário MZM 250.00
Total MZM 2,350.00 Total MZM 2,350.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Admite-se agora que a Companhia A adquira, dos sócios não


controladores da Companhia B, mais 10% do capital desta sua
controlada Companhia B por 150,00Mt. Supondo nenhuma mudança
no balanço da Companhia B, 10% do património líquido da Companhia
B a valores contabilísticos e a valores justos correspondem a 125,00Mt,
verificando-se o pagamento tácito de um lucro por expectativa de
rentabilidade futura desta controlada por 25,00Mt.

Segundo a determinação do Pronunciamento Técnico CPC 36 citada, a


contabilização destes 25,00Mt será como redução do património
líquido consolidado. Como coerência, e para que o balanço individual
tenha o mesmo património líquido que o consolidado, também terá que
haver uma redução do património líquido do balanço individual da
Companhia A. Esta redução, explicada após se ver, à frente, o balanço
consolidado, será a relativa ao lucro (goodwill) adicional nesta
aquisição, que não será tratada como acréscimo ao Activo Intangível.
Assim, os 125,00Mt relativos ao valor justo dos activos líquidos
adquiridos ficarão, no balanço individual, registados como acréscimo do
Investimento na controlada B (no consolidado ele obviamente será
eliminado contra o património líquido da Companhia B) e os 25,00Mt
ficarão como redução do património líquido da controladora tanto na
demonstração individual como na consolidada. Ficará então o balanço
individual da Companhia A assim representado:

Tabela 40: Balanço Individual 3 da Companhia A


Activos diversos MZM 650.00 Capital MZM 1,500.00
Investimentos na controlada B (90% das acções ) *
Valor justo nos activos líquidos MZM 1,125.00
Goodwill MZM 300.00 MZM 1,425.00 Reserva MZM 800.00
Acções em tesouraria ** MZM (200.00)
Lucro em transacções de capital *** MZM (25.00)
Total MZM 2,075.00 Total MZM 2,075.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

* Abertura somente para melhor visualização;

** Contém lucro pago a terceiros sobre seu próprio património líquido


de 85,00Mt, como já visto;

139
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

*** Lucro sobre património líquido da sua controlada que, por ser sua
controlada, é lucro sobre seu próprio património líquido também.
Assim, os dois lucros são redutores do património líquido. A
equivalência patrimonial sobre o valor do património líquido contido
nas acções em tesouraria ficará registada também como redutora do
património líquido, mas o valor sobre o património líquido da
controlada B permanecerá no activo, inclusive para eliminação na
consolidação dos dois balanços.

O item 31 do Pronunciamento Técnico CPC 36 – Demonstrações


Consolidadas requer que “Alguma diferença entre o montante pelo qual
a participação dos não controladores foi ajustada e o valor justo da
quantia recebida ou paga deve ser reconhecida directamente no
património líquido atribuível aos proprietários da controladora.” Ou
seja, a diferença entre o valor da participação dos não controladores a
ser diminuída pela operação, no caso de 125,00Mt (era 250,00Mt antes,
com 20% do património líquido de 1.250,00Mt da Companhia B, e agora
muda para 125,00Mt, por passar a ser 10% deste mesmo património
líquido; assim, a redução é de 125,00Mt) e o valor do pagamento por
ela, 150,00Mt, no montante de 25,00Mt, deve ser reconhecida
directamente no património líquido na parte atribuível aos
proprietários da controladora.

A contabilização neste balanço individual fica melhor entendida a partir


do balanço consolidado. Este ficará assim representado:

Tabela 41: Balanço Consolidado 3 da Companhia A


Activos diversos MZM 1,900.00
Goodwill MZM 300.00 Capital MZM 1,500.00
Reservas MZM 800.00
Acções em tesouraria MZM (200.00)
Lucro em transacções de capital * MZM (25.00)
Participação minoritário MZM 125.00
Total MZM 2,200.00 Total MZM 2,200.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

* Na verdade, os dois lucros nas compras das acções de empresas do


mesmo grupo económico ficam reconhecidos como redutores do
património líquido. Só que o relativo às acções em tesouraria está
implicitamente dentro da rubrica “acções em tesouraria”. O valor
patrimonial justo das acções em tesouraria fica como redutor directo
do património líquido, como sempre.

140
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Vê-se que, no balanço consolidado, o património líquido total de


2.200,00Mt está dividido em duas partes: 125,00Mt pertencentes aos
não controladores, e 2.075,00Mt pertencentes aos sócios da
Companhia A. Fica agora mais claro, porque o património líquido
individual da Companhia A, que precisa aparecer por 2.075,00Mt,
precisa também considerar o lucro na aquisição de acções dos não
controladores como redutor do património líquido da controladora A
(balanço individual 3 da Companhia A acima). Se se considerar, neste
balanço individual da Companhia A, o lucro (goodwill) nesta aquisição
junto aos não controladores de 25,00Mt como acréscimo ao lucro pago
originalmente na aquisição da Companhia B de 300,00Mt, o património
líquido da Companhia A aparecerá diferente do consolidado. Quando o
investimento em controlada é avaliado pela equivalência patrimonial, o
que se procura é exactamente a igualdade entre lucro líquido e
património líquido entre este balanço individual e o consolidado (na
parte do património líquido pertencente aos sócios todos da
controladora, ou seja, à parte da parcela pertencente aos sócios não
controladores). Esta é a filosofia básica do método da equivalência
patrimonial quando for aplicado no balanço individual da controladora.

Caso a participação minoritária estivesse sendo avaliada a valor justo, e


não com base no valor justo dos activos e passivos da controlada, e
admitindo-se que os 20% da participação minoritária antes da segunda
aquisição das acções por parte da controladora valessem 300,00Mt, o
balanço consolidado 2 da Companhia A ficaria assim representado:

Tabela 42: Balanço Consolidado 2 da Companhia A, com participação


minoritária a valor justo
Activos diversos MZM 2,050.00
Goodwill MZM 350.00 Capital MZM 1,500.00
Reservas MZM 800.00
Acções em tesouraria MZM (200.00)
Participação minoritário MZM 300.00
Total MZM 2,400.00 Total MZM 2,400.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Neste caso, a aquisição dos 10% pela controladora por 150,00Mt


provocaria um registo contabilístico no balanço consolidado
subsequente: a participação minoritária, a valor justo, cairia para
150,00Mt, e com isso não haveria o registo do goodwill incluído nesta
aquisição contra o património líquido dos sócios controladores da
Companhia A, mas sim contra a própria participação minoritária. O
balanço, após esta aquisição, ficaria assim representado:

141
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Tabela 43: Balanço Consolidado 3 da Companhia A, com participação


minoritária a valor justo
Activos diversos MZM 1,900.00
Goodwill MZM 350.00 Capital MZM 1,500.00
Reservas MZM 800.00
Acções em tesouraria MZM (200.00)
Lucros em transacções de capital * MZM -
Participação minoritário MZM 150.00
Total MZM 2,250.00 Total MZM 2,250.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

A visão dos reflexos destas operações no balanço individual da


controladora numa forma distinta, ou seja, sem a visão neste balanço
individual da entidade económica como um todo, ou desta
representação simplificada provida pelo método da equivalência
patrimonial, nunca é dada pelo balanço individual com a avaliação dos
investimentos em controlada por equivalência patrimonial. Para isso
existem as demonstrações separadas, com os investimentos avaliados
ao valor justo ou até mesmo pelo custo; a seguir expande-se o exemplo
anterior com esta suposição.

Continuação da citação de exemplos com a utilização das


demonstrações separadas:

Admite-se que a Companhia A conclua que as demonstrações


separadas também devam ser preparadas e divulgadas, com os
investimentos societários avaliados a valor justo, por considerar que
seu investimento na controlada B é de natureza tal que o balanço
consolidado, considerando ambas como uma entidade económica, não
seja a melhor representação da sua realidade.

No primeiro balanço separado não haverá o que mudar se tiver acabado


de adquirir os 80% das acções da Companhia B, e o valor de aquisição
representará o valor justo neste momento. (Se a aquisição houvesse
ocorrido anteriormente, a disparidade estaria registada em reservas de
lucros ou em prejuízos acumulados no património líquido).

Tabela 44: Balanço Separado 1 da Companhia A


Activos diversos MZM 1,000.00 Capital MZM 1,500.00
Investimentos na controlada B (80% das acções ) * MZM 1,300.00 Reservas MZM 800.00
Total MZM 2,300.00 Total MZM 2,300.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)
* Avaliado a valor justo

Quando da aquisição de suas próprias acções, nada mudará no valor


justo de sua controlada B, e se terá:

142
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Tabela 45: Balanço Separado 2 da Companhia A


Activos diversos MZM 800.00 Capital MZM 1,500.00
Investimentos na controlada B (80% das acções ) * MZM 1,300.00 Reservas MZM 800.00
Acções em tesouraria * MZM (200.00)
Total MZM 2,100.00 Total MZM 2,100.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)
* Avaliado a valor justo

Admite-se que, imediatamente antes da aquisição de mais 10% das


acções da Companhia B por 150,00Mt, o valor justo dos 80% das acções
anteriormente adquiridas seja de 1.400,00Mt (proporcionalmente este
valor é mais do que o valor da segunda aquisição, dado o facto de o
lote anterior incluir o valor relativo ao prémio de controlo). E admite-
se que o valor total, então, dos 90% de acções da Companhia B agora
de propriedade da Companhia A, tenha o valor justo de 1.550,00Mt. A
divergência entre o valor justo anterior dos 80% (1.300,00Mt) e o novo
(1.400,00Mt) terá impacto no resultado e o património líquido da
Companhia A, cujas reservas passarão de 800,00Mt para 900,00Mt.

O relevante agora é verificar que este lote adicional de 10% de acções


da Companhia B, adquiridos por 150,00Mt, tem este valor justo de
150,00Mt neste momento e, do ponto de vista absolutamente
individual da Companhia A, mas sem considerar o investimento na
Companhia B como reflectindo uma extensão da entidade económica
Companhia A, e sim um mero investimento societário, com valor justo
total de 1.550,00Mt. Para esta situação não há que se falar em
semelhança às acções em tesouraria, porque, para a Companhia A, os
demais sócios na Companhia B não são seus sócios, e sim investidores
na forma de terceiros, já que a Companhia A está, nas demonstrações
separadas, propiciando exactamente esta visão.

Seu balanço separado ficará agora assim representado:

Tabela 46: Balanço Separado 3 da Companhia A


Activos diversos MZM 650.00 Capital MZM 1,500.00
Investimentos na controlada B (90% das acções ) * MZM 1,550.00 Reservas MZM 900.00
Acções em tesouraria * MZM (200.00)
Total MZM 2,200.00 Total MZM 2,200.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)
* Avaliado a valor justo

Não foi aqui considerado o valor justo das acções em tesouraria, que
são acções da própria Companhia A, que poderiam ter mudado de
valor. Só que, como no caso de alienação destas acções, sua mutação
do valor é contra as reservas que a suportam. Assim, o património
líquido da Companhia A continuaria exactamente com os mesmos
2.200,00Mt.
143
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

No caso de aquisição de mais instrumentos patrimoniais da controlada


com ganho por compra vantajosa, ajuste semelhante será feito, agora
com conta de saldo positivo no património líquido. Efeitos semelhantes
nas vendas de instrumentos patrimoniais serão também assim
registados, a não ser quando uma venda produza perda de controlo da
entidade investida, quando deverão ser observados os procedimentos
requeridos pelo Pronunciamento Técnico CPC 36 – Demonstrações
Consolidadas.

Domínio indirecto

Quando uma empresa subsidiária, por sua vez, domina outra empresa
mediante uma participação no seu capital, diz-se que a empresa-mãe
exerce um domínio indirecto sobre esta última (simples ou radial) de 1º
grau, 2º grau, e etc., consoante o número de sucessivos escalões de
participação.

Simples: A B C

Radial

B C D

E F G H I

Técnicas de consolidação directa

Consolidação directa – todas as empresas são consolidadas


directamente na empresa mãe, considerando as percentagens de
controlo em vez das percentagens de participação, o que permite
reduzir a estrutura do grupo a um só nível.

Esta é a técnica que normalmente se utiliza, na medida em que é


efectuado uma única vez o processo de consolidação, estando este
centralizado na empresa-mãe, evitando assim possíveis erros
decorrentes da existência de vários processos de consolidação, sendo
por isso também um processo mais rápido. No exemplo a seguir a

144
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

técnica utilizada é a consolidação directa, A consolidaria directamente


com B, onde tem o controlo de 90% e com C, onde tem o controlo de
72%, originando o seguinte organigrama:

B (90%) C (72%)

Técnicas de consolidação em cascata

Consolidação em cascata ou por patamares – cada sociedade é


consolidada na empresa que a domina:

 Primeiro, consolidam-se as empresas de cada subgrupo de nível


inferior na estrutura do grupo;

 Depois, consolida-se cada um destes subgrupos com as empresas do


respectivo subgrupo de nível imediatamente superior e assim
sucessivamente;

 Finalmente, consolidam-se os subgrupos de nível superior na


empresa - mãe.

Para se compreender mais facilmente, vamos supor uma entidade A


que detém uma participação na empresa B de 90%, tendo por sua vez
uma participação de 80% na empresa C, em esquema vem:

A 90% B 80% C

A única vantagem neste processo é obtenção de informação


segmentada dos vários subgrupos, que poderá ser uma importante
ferramenta ao nível da gestão.

O exemplo acima mencionado, numa primeira fase B consolidaria com


C e depois essas contas consolidadas seriam integradas com as de A.

O tratamento das participações recíprocas na consolidação

A existência de participações financeiras recíprocas é fortemente


limitada pelo Código das Sociedades Comerciais, já que estas assumem
natureza de quotas ou acções próprias que, como se sabe, contrariam
a convenção da “manutenção do capital financeiro”, pois a empresa
está a adquirir uma “coisa própria”, o que poderá contribuir para a sua
“descapitalização”.

145
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Nos casos de fusões de empresas em que existem participações


recíprocas, a sociedade incorporante ou adquirente não recebe partes,
acções ou quotas de si própria em troca de partes, acções ou quotas na
sociedade incorporada, de que sejam titulares aquela ou esta sociedade
ou ainda pessoas que actuem em nome próprio, mas por conta duma
ou doutra destas sociedades.

Por sua vez, as partes de capital que as subsidiárias detêm na sociedade


incorporante ou adquirente, são eliminadas por contrapartida de
capital próprio.

De referir que, devido à existência de participações recíprocas, as


percentagens de participação e a situação líquida real das sociedades
alterou-se, pelo que terão que se determinar os respectivos valores
reais, para efeitos de atribuição de partes de capital da sociedade
incorporante ou da nova sociedade a constituir, às incorporadas,
conforme se exemplifica no caso prático seguinte.

A sociedade A vai fundir-se com a sociedade B, por incorporação de B


em A, verificando-se que a sociedade A detém uma participação de 80%
na sociedade B que, por sua vez, detém uma participação de 10% em A.

No quadro seguinte apresenta-se o balanço das duas empresas para


efeitos de fusão:
Tabela 47: Balanço das Sociedades A e B para efeitos de fusão
Código Activo Sociedade A Sociedade B
32 Imobilizações corpóreas MZM 100,000.00 MZM 40,000.00
382 Amort. Acum. Imob.s corpóreas MZM (60,000.00) MZM (24,000.00)
MZM 40,000.00 MZM 16,000.00
311 Investimentos financeiros MZM 14,400.00 MZM 3,900.00
22 Mercadorias MZM 13,000.00 MZM 6,000.00
41 Clientes MZM 12,000.00 MZM 9,000.00
121 Depósitos à ordem MZM 1,000.00 MZM 1,000.00
Total do activo MZM 80,400.00 MZM 35,900.00
Código Capital Próprio Sociedade A Sociedade B
5 Capital Próprio
51 Capital MZM 20,000.00 MZM 8,000.00
55 Reservas MZM 10,000.00 MZM 7,000.00
Total do capital próprio MZM 30,000.00 MZM 15,000.00

Passivo
42 Fornecedores MZM 18,000.00 MZM 12,000.00
43 Empréstimos bancários MZM 31,400.00 MZM 8,400.00
44 Estado e outros ente públicos MZM 1,000.00 MZM 500.00
Total do Passivo MZM 50,400.00 MZM 20,900.00
Total Capital Próprio e Passivo MZM 80,400.00 MZM 35,900.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

146
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

No quadro seguinte apresenta-se a discriminação das diferenças de


avaliação dos elementos patrimoniais corpóreos de B (excepto
goodwill).

Tabela 48: Diferença de avaliação patrimonial corpóreo de B excepto


goodwill
Sociedade A Valor Sociedade B Valor
Rubrica Diferenças
contabilístico justo
Imobilizações corpóreas líquido MZM 16,000.00 MZM 17,000.00 MZM 1,000.00
Total MZM 16,000.00 MZM 17,000.00 MZM 1,000.00
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

A sociedade B foi avaliada em 18.000 e a A em 35.000, e as participações


financeiras registadas nos balanços respeitam unicamente às
participações entre as empresas.

O capital social de A estava representado por 20.000 acções de valor


nominal 1, e o de B por 8.000 acções de valor nominal 1.
A sociedade B será incorporada em A, recebendo os accionistas de B
acções de A, que para o efeito aumentará o seu capital social.

Pretende-se: elaboração do balanço consolidado para efeitos de fusão


de empresas A e de consolidação de contas B.

Resolução do caso prático – como existem participações recíprocas, as


percentagens de participação alteraram-se.

A percentagem de participação do grupo passou a ser inferior à


unidade. Seguidamente, apresenta-se o cálculo das percentagens de
participação corrigidas.

G = percentagem de participação do grupo


A = percentagem de participação do grupo em A
B = percentagem de participação do grupo em B

A = 0,1B + 0,9
B = 0,8ª

Resolvendo o sistema, virá:

A = 0,9782608696
B = 0,7826086957

Cálculo do goodwill de B na base de 100%

Justo valor B 18.000


(-) Valor situação líquida 15.000

147
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Diferença aquisição 3.000


1.000,00 (Diferença de avaliação)
Diferença de aquisição
(3.000) Goodwill (2.000,00)

Com base na percentagem de participação (80%) o goodwill é igual a


2.000,00 X 0,7826 = 1 565,22.

Cálculo do aumento de capital a efectuar em A para efeitos de


atribuição de acções aos accionistas de B.

Face à existência de participações recíprocas iremos calcular o valor


corrigido da situação líquida das empresas.

Para o cálculo da situação líquida corrigida vamos recorrer a um sistema


de equações.

A = SL(A) + aB - X
B = SL(B) + bA - Y
Em que:

A = situação líquida corrigida da empresa A


B = situação líquida corrigida da empresa B

a = percentagem de participação de A em B
b = percentagem de participação de B em A

X = valor de balanço da participação de A em B


Y = valor de balanço da participação de B em A

A = 35.000 + 0,8B – 14 400 A = 34.652,17


B = 18.000 + 0,1A – 3 900 B = 17.565,22

Aumento capital de A
= [17.565,22 X (1 – 0,7826)] / 1,7326 = 2.204,02
(1,7326 = justo valor acção A)
(34.652,17/ 20.000)

Goodwill valorizado de na base de 100 %

JV = SL + Difas Av. + GW
JV = 15 000 + 1 000 + 2 000 = 18.000

JV = justo valor
Difas Av. = diferença de avaliação
GW = goodwill

148
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Prémio de emissão de acções (Pr.)


Pr. = JV – ( Δ capital + VPF)
Pr. = 18.000 – (2.204,02 + 14.400) = 1.395,98
VPF = valor da participação financeira

Goodwill valorizado na base de 80 %

JV = SL + Difas Av. + GW
JV = 15 000 + 1 000 + 1 565,22 = 17 565,22

JV = justo valor
Difas Av. = diferenças de avaliação
GW = goodwill

Prémio de emissão de acções (Pr.)


Pr. = JV – ( Δ capital + VPF)
Pr. = 17.565,22 – (2.204,02 + 14.400) = 961,20
VPF = valor da participação financeira

Em resumo:
Por que valor devem ser reconhecidas as diferenças de avaliação e o
goodwill? De acordo com a percentagem de participação ou na base de
100%?

Na consolidação de contas, e de acordo com as Normas Internacionais


de Contabilidade, a prática corrente tem sido contabilizar as diferenças
de avaliação em activos e passivos na base de 100 por cento e o goodwill
com base na percentagem de participação da empresa-mãe na
subsidiária.

Nas fusões/concentrações de empresas os procedimentos são


idênticos. No entanto coloca-se o problema de como proceder nos
casos em que existem participações entre as empresas. Será correcto
reconhecer o goodwill das subsidiárias com base na percentagem de
participação? Então, a empresa não participou integralmente na
concentração?

Sumário

Nesta Unidade temática 5.1 estudamos e discutimos


fundamentalmente cinco itens na continuidade das considerações
gerais á disciplina de Consolidação das Demonstrações Financeiras:

1. Variação da percentagem de participação e de controlo


2. Domínio indirecto
3. Técnicas de consolidação directa
149
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

4. Técnicas de consolidação em cascata


5. O tratamento das participações recíprocas na consolidação

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO – 1:

GRUPO – 1 (Com respostas detalhadas)


1 – Dê a definição da avaliação da percentagem de participação e de
controlo?
2 – O que entende por percentagem de controlo?
3 – O que é domínio indirecto?
4 – Diga o que é consolidação directa?
5 – Quando é que se utiliza a técnica de consolidação directa?
6 – Quando é que se chama técnica de consolidação em castaca?
7 – Qual é a vantagem de uso de técnica de consolidação em cascata?
8 – Por que valor devem ser reconhecidas as diferenças de avaliação e
o goodwill? De acordo com a percentagem de participação ou na base
de 100%?

Respostas:
1 – Rever na página 133
2 – Rever na página 133
3 – Rever na página 142
4 – Rever na página 143
5 – Rever na página 143
6 – Rever na página 143
7 – Rever na página 144
8 – Rever nas páginas 147 e 148

Exercícios de AVALIAÇÃO

GRUPO – 2
1 – Resolver todos os exercícios que serviram de exemplo ao longo da
unidade.

UNIDADE Temática 5.2. EXERCÍCIOS deste tema.

Exercícios de AVALIAÇÃO – 2:

1 – Dê a definição da avaliação da percentagem de participação e


de controlo?
2 – Diga o que é consolidação directa?
3 – Quando é que se utiliza a técnica de consolidação directa?
4 - Qual é a vantagem de uso de técnica de consolidação em
cascata?
150
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

5 – Resolver todos os exercícios que serviram de exemplo ao longo


da unidade.

TEMA – VI: TRANSPOSIÇÃO DE DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS EM MOEDA ESTRANGEIRA

UNIDADE Temática 6.1. Conceitos e regas previstas em Moçambique,


Métodos de transposição das demonstrações financeiras em moeda
estrangeira.
UNIDADE Temática 6.2. EXERCÍCIOS deste tema

UNIDADE Temática 6.1. Conceitos e regas previstas em Moçambique, Métodos de


transposição das demonstrações financeiras em moeda estrangeira.

Conceitos e regras previstas em Moçambique

Conceitos

É um processo de expressar as demonstrações financeiras elaboradas


numa moeda estrangeira em outra moeda, que e a moeda de relato da
empresa detentora duma participação. Entendendo-se por moeda de
relato, a moeda usada pela empresa que relata para preparar e
apresentar as demonstrações financeiras individuais e consolidadas.
Por moeda estrangeira, entende-se qualquer outra moeda que não a
moeda de relato.

A transposição das demonstrações financeiras é mais global ou seja, é


um conjunto de demonstrações financeiras numa moeda distinta da
funcional mesmo que não tenha feito qualquer negócio em moeda
estrangeira. Os itens monetários e não monetários são tratados da
mesma forma e as diferenças de câmbios são reconhecidas no outro
rendimento integral.

Regras previstas em Moçambique

As seguintes regras de valorização: custo histórico de aquisição ou de


produção, ou ao preço de mercado; custo histórico de aquisição ou de
produção (prevê o custo padrão); custo histórico, à taxa de câmbio da
data da avaliação; custo histórico de aquisição ou, na sua ausência, ao
câmbio à data do balanço.

As demonstrações financeiras anuais são apresentadas em meticais


(MT), que é a moeda funcional e de apresentação em Moçambique. As
operações em moeda estrangeira são
151
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

convertidas à taxa de câmbio em vigor à data da correspondente


operação. Os activos e passivos denominados em moeda estrangeira
são convertidos em meticais à taxa de fecho em vigor nessa data do
balanço, sendo todas as diferenças cambiais reconhecidas na
componente de lucro ou prejuízo no período a que as mesmas dizem
respeito.

Activos e passivos não monetários denominados em moeda estrangeira


que sejam determinados pelo seu custo histórico, são transformáveis à
taxa de câmbio em vigor na data da transacção.

Métodos de transposição das demonstrações financeiras em moeda


estrangeira

Existem basicamente quatro métodos, nomeadamente:

 O Método da Taxa Corrente/Não Corrente ou do Fundo de Maneio;

 O Método da Taxa Corrente ou Fecho ou do Investimento Líquido;

 O Método Monetário/Não Monetário;

 O Método Temporal.

Método da Taxa Corrente/Não Corrente

Este método utiliza a classificação contabilística entre rubricas


correntes e de longo prazo.

Assim todos os activos e passivos de curto prazo são convertidos à taxa


de câmbio corrente (de fecho) e os de médio e longo prazo são
convertidos à taxa histórica.

A exposição contabilística da subsidiária num determinado momento é


dada pela diferença entre activos e passivos expostos, isto é, neste caso
pelo seu fundo de maneio.

Aplicando este método, uma subsidiária estrangeira com activos


correntes superiores aos passivos correntes, terá um ganho ou perda
de transposição se verificar apreciação ou depreciação da moeda local.

De acordo com este método as existências estão expostas ao risco


cambial, enquanto os débitos de médio e longo prazo não.

Método da Taxa Corrente

Neste método todos os activos e passivos da operação estrangeira são


convertidos à taxa de câmbio de fecho.

152
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

A exposição contabilística é determinada simplesmente pelos activos


líquidos ou fundos dos accionistas (a situação líquida).

Este método é hoje o principal método de transposição utilizado a nível


mundial.

Método Monetário/Não Monetário

Neste método, os activos e passivos monetários são transpostos à taxa


de fecho, enquanto os activos e passivos não monetários são
transpostos à taxa em vigor à data em que foram adquiridos ou
incorridos (taxa histórica). A exposição contabilística é assim dada pelos
activos monetário líquidos.

Comparativamente ao método da taxa corrente/não corrente, este


método difere no que se refere a contas como inventários, créditos e
débitos de longo prazo.

Método Temporal

O método temporal de transposição utiliza a taxa de fecho para todos


os itens valorizados ao custo de substituição, valor de realização, valor
de mercado ou valor esperado futuro, e utiliza a taxa histórica para os
itens valorizados à taxa histórica.

A lógica racional deste método é que a taxa de transposição usada deve


preservar os princípios contabilísticos utilizados para valorizar os
activos e passivos nas demonstrações financeiras originais.

A principal diferença face ao método monetário/não monetário surge


nalgumas rubricas das existências. Quando o stock está valorizado nas
demonstrações financeiras originais ao valor de mercado, isto é, é
inferior ao custo histórico) o método temporal deverá transpor à taxa
corrente enquanto o monetário/não monetário deverá utilizar a taxa
histórica.

A transposição das demonstrações financeiras da moeda funcional, que


não seja duma economia hiperinflaccionária, para uma moeda de
apresentação (ou consolidação) deve obedecer os seguintes princípios:

Activos e passivos – são transpostos usando a taxa de fecho, ou seja, a


taxa de câmbio na data da transposição;

Rendimentos e gastos – são transpostos usando a taxa histórica na data


das transacções, permitindo-se o uso duma taxa média se a volatilidade
for reduzida;

Diferenças de câmbios resultantes da transposição – são reportadas


como uma componente doutro rendimento integral.

153
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Sumário

Nesta Unidade temática 6.1 estudamos e discutimos


fundamentalmente dois itens na continuidade das considerações gerais
á disciplina de Consolidação das Demonstrações Financeiras:

1. Conceitos e regras previstas em Moçambique


2. Métodos de transposição das demonstrações financeiras em
moeda estrangeira

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO – 1:

GRUPO – 1 (Com respostas detalhadas)


1 – O que é a transposição das demonstrações financeiras em moeda
estrangeira?
2 – Quais são as regras previstas em Moçambique na transposição das
Demonstrações financeiras em moeda estrangeira?
3 – Que tratamento é dado aos activos e passivos não monetários em
moeda estrangeira que foram determinados pelo seu custo histórico?
4 – Quantos métodos de transposição das demonstrações financeiras
em moeda estrangeira existem?
5 – Descreve os métodos de transposição das demonstrações
financeiras em moeda estrangeira.
6 – Quais são os princípios a serem observados na transposição das
demonstrações financeiras em moeda funcional que seja duma
economia hiperinflaccionária?
7 – Descreve estes princípios da transposição.
8 – Como são reportadas as diferenças de câmbio resultantes da
transposição?

Respostas:
1 – Rever nos 1º e 2º parágrafo da página 150
2 – Rever na página 150
3 – Rever na página 151
4 – Rever nas páginas 151
5 – Rever nas páginas 151 e 152
6 – Rever na página 152
7 – Rever na página 152
8 – Rever na página 152

154
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Exercícios de AVALIAÇÃO

GRUPO – 2
1 – Efectuar um resumo mais sucinto sobre a primeira subunidade
(Conceitos e regras previstas em Moçambique).

2 – Resumir duma forma mais curta possível a segunda subunidade


(Métodos de transposição das demonstrações financeiras em moeda
estrangeira).

UNIDADE Temática 6.2. EXERCÍCIOS deste tema.

Exercícios de AVALIAÇÃO – 2:

1 – Quais são as regras previstas em Moçambique na transposição das


Demonstrações financeiras em moeda estrangeira?
2 – Que tratamento é dado aos activos e passivos não monetários em
moeda estrangeira que foram determinados pelo seu custo histórico?
3 – Quantos métodos de transposição das demonstrações financeiras
em moeda estrangeira existem?
4 – Descreve os métodos de transposição das demonstrações
financeiras em moeda estrangeira.
5 – Quais são os princípios a serem observados na transposição das
demonstrações financeiras em moeda funcional que seja duma
economia hiperinflaccionária?

TEMA – VII: DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRA CONSOLIDADAS

UNIDADE Temática 7.1. Demonstrações financeiras a elaborar e


apresentar no âmbito da informação consolidada, Elaboração e
interpretação do balanço consolidado, Elaboração e interpretação de
demonstração consolidada dos resultados por natureza, Documentos
integrantes do processo de consolidação, Manual de consolidação e
Dossier de consolidação.
UNIDADE Temática 7.2. EXERCÍCIOS deste tema

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ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

UNIDADE Temática 7.1. Demonstrações financeiras a elaborar e apresentar no


âmbito da informação consolidada, Elaboração e interpretação do balanço
consolidado, Elaboração e interpretação de demonstração consolidada dos
resultados por natureza, Documentos integrantes do processo de consolidação,
Manual de consolidação e Dossier de consolidação.

Demonstrações financeiras a elaborar e apresentar no âmbito da


informação consolidada

Ao fim de cada exercício económico, demonstrações contabilísticas


consolidadas devem ser elaboradas por:

1. Companhia aberta que possuir investimento em sociedades


controladas, incluindo as sociedades controladas em conjunto;

2. Sociedade de comando de grupo de sociedades que inclua


companhia aberta.

As demonstrações contabilísticas consolidadas compreendem o


balanço patrimonial consolidado, a demonstração consolidada do
resultado do exercício e a demonstração consolidada das origens e
aplicações de recursos, complementadas por notas explicativas e outros
quadros analíticos necessários para esclarecimento da situação
patrimonial e dos resultados consolidados.

Elaboração e interpretação do balanço consolidado

Tabela 49: Resumo do Balanço Consolidado – Activo


Total consolidado Total conspolidado
Activo % %
2015 2014
Imobilizado MZM 44,177,565.79 0.9470 MZM 42,774,900.88 0.9400
Existências MZM 195,128.64 0.0042 MZM 141,416.36 0.0031
Dívidas de terceiros - curto prazo MZM 182,155.40 0.0039 MZM 403,142.28 0.0089
Depósitos bancários e caixa MZM 494,664.29 0.0106 MZM 499,768.46 0.0110
Acréscimos e diferimentos MZM 1,599,789.53 0.0343 MZM 1,687,690.06 0.0371
Total do activo MZM 46,649,303.65 1.0000 MZM 45,506,918.04 1.0000
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

A nível global da empresa-mãe, o imobilizado continua a ser a rubrica


mais importante, representando 94,70% do activo, seguindo-se os
acréscimos e diferimentos e as disponibilidades, com 3,34% e 1,06%,
respectivamente.

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Tabela 50: Resumo do Balanço Consolidado – Fundos Próprios/Capital


Próprio e Passivo
Total consolidado Total conspolidado
Fundos Próprios/ Capital Próprio e Passivo % %
2015 2014
Total dos Fundos Próprios MZM 11,863,569.43 0.1411 MZM 12,144,040.69 0.1473
Empréstimos de Médio e Longo Prazo MZM 10,341,482.85 0.1230 MZM 10,742,763.25 0.1303
Dividas a Terceiros - Curto Prazo MZM 12,704,730.96 0.1511 MZM 11,049,310.31 0.1340
Acréscimos e Diferimentos MZM 13,064,149.01 0.1554 MZM 13,314,132.90 0.1615
Total do Passivo MZM 36,110,362.82 0.4295 MZM 35,192,586.46 0.4269
Total dos Fundos Próprios/Capital Próprio +Passivo MZM 84,084,295.07 1.0000 MZM 82,442,833.61 1.0000
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

No que respeita ao segundo membro do balanço, de realçar o peso dos


fundos próprios 14,11% do activo liquido.

O exigível a médio e longo prazo representa 12,30% e o exigível a curto


prazo 15,11%, sendo os restantes 15,54% referentes a acréscimos e
diferimentos, que representam subsídios ao investimento que estão a
ser diluídos nos resultados do exercício de acordo com a vida útil dos
bens para os quais se obtiveram esses subsídios.

Elaboração e interpretação de demonstração consolidada dos


resultados por natureza

Tabela 51: Demonstração de Resultados Consolidada – Proveitos


Demonstração de Demonstração de
Descrição resultados consolidado % resultados consolidado %
2015 2014
Vendas e Prestação de Serviços MZM 950,905.15 0.0943 MZM 701,179.71 0.0714
Impostos e Taxas MZM 895,652.70 0.0888 MZM 976,590.14 0.0994
Trabalhos para a Própria Entidade MZM 746,562.30 0.0740 MZM 662,709.43 0.0675
Proveitos Suplementares MZM 41,271.84 0.0041 MZM 245,473.14 0.0250
Transferência e Subsídios Obtidos MZM 6,868,668.67 0.6809 MZM 6,289,735.09 0.6403
Proveitos e Ganhos Financeiros MZM 1,739.57 0.0002 MZM 271,740.00 0.0277
Outros Proveitos e Ganhos Operacionais MZM 4,508.39 0.00045 MZM 13,014.55 0.00132
Proveitos e Ganhos Extraordinários MZM 577,798.20 0.05728 MZM 662,203.84 0.06742
Total dos Proveitos MZM 10,087,106.82 1.0000 MZM 9,822,645.90 1.0000
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Verifica-se que os proveitos da empresa-mãe ou consolidante são


determinantes na estrutura global de proveitos da consolidante, com
destaque para as transferências e subsídios obtidos, com 68,09%.

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Tabela 52: Demonstração de Resultados Consolidada – Custos


Demonstração de Demonstração de
Descrição resultados consolidado % resultados consolidado %
2015 2014
Custo das Mercadorias Vendidas e Matérias Consumidas MZM 209,003.99 0.0202 MZM 441,930.62 0.0467
Fornecimentos e Serviços Externos MZM 2,585,996.71 0.2497 MZM 2,263,231.84 0.2394
Transferências e Subsídios e Prestações Sociais MZM 391,356.03 0.0378 MZM 210,571.18 0.0223
Impostos MZM 10,554.47 0.0010 MZM 8,533.84 0.0009
Custo com o Pessoal MZM 4,654,264.97 0.4495 MZM 4,179,071.54 0.4420
Custos e Perdas Operacionais MZM 29,269.39 0.0028 MZM 29,063.30 0.0031
Amortizações do Exercício MZM 1,400,246.09 0.13522 MZM 1,390,753.20 0.14708
Custos e Perdas Financeiros MZM 601,111.15 0.05805 MZM 879,346.37 0.093
Custos e Perdas Extraordinárias MZM 473,437.66 0.04572 MZM 53,122.74 0.00562
Total dos custos MZM 10,355,240.46 1.0000 MZM 9,455,624.63 1.0000
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

De referir, por exemplo, o peso dos custos com o pessoal que no


conjunto da consolidante ou empresa-mãe representam 44,95% dos
proveitos, enquanto que, o peso dos impostos do conjunto representa
0,10%.

Documentos integrantes do processo de consolidação

Os documentos de prestação de contas consolidadas compreendem:

a) Relatório de Gestão Consolidado;

b) Demonstrações financeiras consolidadas:

i. Balanço consolidado;

ii. Demonstração de resultados consolidada, por natureza;

iii. Mapa de Fluxos de Caixa Consolidado de Operações


Orçamentais;

iv. Anexo às demonstrações financeiras consolidadas, com a


divulgação das notas especificas relativas à consolidação de
contas, incluindo os saldos e fluxos financeiros entre as
entidades alvo da consolidação e o mapa de endividamento
consolidado de médio e longo prazos e mapa da divida bruta
consolidada, desagregado por maturidade e natureza.

Manual de consolidação

É um documento que integra todos os procedimentos, o plano de


contas, o calendário das operações, as regras relativas à definição do
perímetro de consolidação, o

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organigrama do grupo, os métodos de consolidação aplicáveis, os


procedimentos de homogeneização e agregação de dados e de
eliminação das operações internas, bem como as instruções para a
elaboração do dossier de consolidação.

Regras de Consolidação

Princípios

A preparação e a apresentação das demonstrações financeiras


consolidadas devem pautar-se, em especial, pelo conjunto de princípios
aplicados pela empresa-mãe, observando as suas normas previstas no
seu funcionamento, aos quais acrescem os princípios estabelecidos,
designadamente:

 Relevância e materialidade

A informação é tanto mais relevante quanto maior for a sua utilidade


para a tomada da decisão. A relevância da informação é, assim, aferida
pela capacidade que tem de influenciar as decisões dos seus utentes. A
natureza e a materialidade da informação são factores que determinam
a sua relevância. Há casos em que a natureza é, por si só, suficiente para
determinar a relevância da informação, há outros em que a relevância
depende da combinação daqueles factores. Quando a
omissão ou inexactidão da informação influenciar as decisões dos
utentes, encontrando-se estas suportadas pelas demonstrações
financeiras consolidadas, a informação é materialmente relevante. A
materialidade depende da dimensão da omissão ou da inexactidão,
avaliadas em face das circunstâncias particulares em que ocorrem.

 Fiabilidade

As demonstrações financeiras consolidadas devem conter a informação


isenta de erros e, assim, proporcionar aos seus utentes uma
representação confiável do que se espera que estas representem.

 Neutralidade

Pretende-se que as demonstrações financeiras consolidadas


contenham informação imparcial, ou seja, esteja isenta de
preconceitos. Significa que a informação não deve, por via da sua
apresentação ou da sua selecção, induzir os utentes na tomada de
decisão ou na constituição de juízos de valor em benefício de objectivos
predefinidos.

 Plenitude

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A informação constante das demonstrações financeiras consolidadas


deve ser completa, dentro dos limites da materialidade e do custo da
sua apresentação. A plenitude constitui, assim, um princípio
fundamental para que a informação se possa considerar fiável, no
sentido em que uma omissão poderia entortar a respectiva leitura,
tornando-a falsa ou enganadora.

 Comparabilidade

A informação deve ser devidamente estruturada, respeitando as


normas aplicáveis, de forma a permitir a comparação, quer com as
demonstrações financeiras consolidadas de períodos anteriores do
grupo, devendo por isso apresentar a informação correspondente dos
períodos precedentes, quer com as demonstrações financeiras
consolidadas de outros grupos nacionais e internacionais. O aperfeiçoar
da comparabilidade de informação inter períodos ajuda os utentes a
tomar decisões, sobretudo porque lhes permite avaliar as tendências
na informação financeira dum grupo para finalidades de previsão.
Assim, os utentes devem estar informados das políticas contabilísticas
utilizadas na preparação das demonstrações financeiras consolidadas,
das quaisquer alterações nestas políticas e dos efeitos destas
alterações.

 Representação fidedigna

A informação contabilística constante das demonstrações financeiras


consolidadas do grupo deve representar fidedignamente os factos
ocorridos no período a que respeita. No caso de existirem dificuldades
intrínsecas ao processo de identificação e valorização dos factos
patrimoniais pode ser relevante divulgar o risco de erro inerente.
Plano de contas

O Plano de Contas utilizado na consolidação de contas da empresa-mãe


é baseado no POCAL, sendo este obrigatoriamente utilizado por todas
as entidades que integram o perímetro de consolidação, de modo a
garantir-se a homogeneização, por esta via, nas contas consolidadas,
para além da identificação de conteúdo e regras de movimentação.

Procedimentos de homogeneização da informação

A homogeneização da informação e a eliminação das operações


internas das entidades que integram o grupo é fundamental para
assegurar a concretização dos objectivos inerentes à consolidação.

Por isso, todas as entidades do perímetro de consolidação devem


proceder à preparação da informação para a consolidação de

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conformidade com os mesmos princípios, regras, procedimentos e


critérios contabilísticos.

As entidades integrantes do perímetro de consolidação que aplicam o


Sistema de Normalização Contabilística (SNC), designadamente, as
empresas filiais e subsidiárias, devem assegurar a conveniente
conversão das suas contas.

Se algum elemento materialmente relevante do activo, do passivo e dos


fundos ou capitais próprios, for mensurado, por um método que não
cumpra o requisito de uniformidade estabelecido, esse elemento
deverá ser objecto duma reclassificação ou remensuração de acordo
com as normas definidas, sendo os ajustamentos necessários
considerados unicamente para efeitos de elaboração das
demonstrações financeiras consolidadas.

Critérios de valorimetria

Imobilizado

O activo imobilizado deverá ser valorizado ao custo de aquisição (soma


do respectivo preço de compra com os gastos suportados directa ou
indirectamente para o colocar no seu estado actual), ou ao custo de
produção (soma dos custos das matérias-primas e outros materiais
directos consumidos, da mão-de-obra directa e de outros gastos gerais
de fabrico necessariamente suportados para produzir determinado
bem).

Quando os respectivos elementos tiverem uma vida útil limitada ficam


sujeitos a uma amortização sistemática durante este período (Método
de Amortização de Quotas Constantes). As taxas a praticar no cálculo
das amortizações são as permitidas pela Portaria n.º 671/2000 (2ª
série), que aprovou o CIBE-CADASTRO E INVENTÁRIO DOS BENS DO
ESTADO.

Existências

São valorizadas ao custo de aquisição ou ao custo de produção, em que


ambos os custos deverão ser determinados de harmonia com as
definições adoptadas para o imobilizado.

O método de custeio de saída de armazém a adoptar será o custo médio


ponderado.

Dívidas activas e passivas

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Serão expressas pelas importâncias constantes dos documentos que as


titulam.

Disponibilidades

As disponibilidades de caixa e em depósitos bancários exprimem os


montantes dos meios de pagamento e dos saldos de todas as contas de
depósito.

Especialização do exercício

Os seus custos e proveitos são registados de conformidade com o


princípio de especialização de exercícios pelo qual as receitas e
despesas são reconhecidas à medida que são geradas,
independentemente do momento em que são reconhecidas ou pagas.
As diferenças entre os montantes recebidos e pagos e as
correspondentes receitas e despesas geradas são registadas na rubrica.

Agregação de dados

A preparação das demonstrações financeiras consolidadas realizar-se-á


pela agregação dos distintos elementos, segundo a sua natureza, das
demonstrações financeiras anuais individuais homogeneizadas, sem
prejuízo das eliminações que se vierem a verificar e que se descrevem
a seguir.

Eliminações das operações internas

As demonstrações financeiras consolidadas devem apresentar os


activos, os passivos, os fundos próprios ou capital próprio, os resultados
e, sendo caso disto, as receitas e despesas de natureza orçamental das
entidades incluídas na consolidação como se se tratasse duma única
entidade, devendo ser eliminados, as operações internas.

Eliminações recíprocas

I. Os créditos ou dívidas entre as entidades incluídas no perímetro de


consolidação;

II. Os custos e perdas, bem como os proveitos e ganhos relativos às


operações efectuadas entre as entidades incluídas no perímetro de
consolidação;

III. As operações de transferências e subsídios entre as entidades


incluídas no perímetro de consolidação;

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IV. Os resultados provenientes de operações efectuadas entre as


entidades compreendidas na consolidação quando estejam incluídos
nos valores contabilísticos dos activos;

Quando uma operação tenha sido concluída de acordo com as


condições normais de mercado e a eliminação dos respectivos
resultados acarrete custos desproporcionados, pode-se,
excepcionalmente, não proceder às eliminações referidas;

V. No caso da elaboração do mapa de Fluxos de Caixa Consolidados de


Operações Orçamentais também as despesas e receitas orçamentais
relativas a operações efectuadas entre as entidades que integram o
perímetro de consolidação.

Eliminação dos resultados de operações internas

No caso das operações intragrupo terem sido efectuadas em condições


substancialmente diferentes das condições do mercado e das
importâncias envolvidas serem materialmente relevantes, a totalidade
do resultado económico resultante dessa operação interna deverá
eliminar-se e diferir-se até que o mesmo se realize perante terceiros, o
que se presume que ocorre com a alienação externa ao grupo ou com
o uso dos correspondentes activos.

Periodicidade da informação

As demonstrações financeiras consolidadas devem ser elaboradas


anualmente, com referência á data de 31 de Dezembro de cada ano
económico.

Divulgação

O relatório e conta consolidada referente a certo ano serão publicados


no sítio da Internet, até 10 de Julho do ano seguinte.

Calendário de tarefas e operações do processo de consolidação de


contas

As tarefas e operações a decorrer num ano referentes ao ano anterior


podem ser representadas pelas seguintes fases e respectivas
actividades:

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Tabela 53: Tarefas e operações a decorrerem num ano respeitante ao ano


anterior
Fases Descrição Actividades Início Fim
Obtenção da informação Rcepção e validação da
I necessária ao processo de 1 informação recebida das 01 de Abril 08 de Abril
consolidação entidades consolidadas
Efectuar as operações de
1
consolidação
Obtenção de elementos e
Preparação dos documentos de
II 2 esclarecimentos adicionais, que 08 de Abril 30 de Abril
prestação de contas consolidadas
se revelem necessários
Ajustamentos finais às
3
demonstrações financeiras
III Proposta de relatório e contas 1 Preparação de relatório e contas 01 de Maio 30 de Maio

Aprovação do relatórios e contas


1
consolidado pelo executivo
Junho Junho
Apreciação do relatório e contas
IV Divulgação dos relatórios e contas 2 consolidado pelo órgão
deliberativo
Pulicação do relatório e contas
3 consolidado, no site da empresa- Julho Julho
mãe
Fonte: Adaptado pelo autor (Janeiro, 2016)

Dossier de consolidação

As entidades consolidadas deverão disponibilizar à entidade


consolidante os seguintes documentos:

- Balanço;
- Demonstração de Resultados;
- Balancete Analítico;
- Relatório de Gestão;
- Balancete Analítico com reclassificação de contas;
- Anexo às demonstrações Financeiras;
- Mapa do número médio de trabalhadores ao serviço;
- Mapa da eliminação dos investimentos financeiros e eliminações
recíprocas;
- Mapa de endividamento de médio e longo prazo;
- Mapa das dívidas a terceiros de médio e longo prazo;
- Mapa resumo dos fluxos de caixa;
- Mapa de saldos e fluxos financeiros entre as entidades do grupo;
- Mapa das garantias prestadas;
- Mapa do Activo Bruto;
- Mapa das amortizações/ajustamentos;

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- Mapa das garantias reais;


- Mapa das vendas e prestações de serviços;
- Mapa das remunerações;
- Demonstração de resultados financeiros;
- Demonstração de resultados extraordinários;
- Mapa das provisões;
- Mapa dos bens em regime de locação financeira;
- Outras informações que se mostrem relevantes.

Sumário

Nesta Unidade temática 7.1 estudamos e discutimos


fundamentalmente seis itens na continuidade das considerações gerais
á disciplina de Consolidação das Demonstrações Financeiras:

1. Demonstrações financeiras a elaborar e apresentar no âmbito


da informação consolidada
2. Elaboração e interpretação do balanço consolidado
3. Elaboração e interpretação de demonstração consolidada dos
resultados por natureza
4. Documentos integrantes do processo de consolidação
5. Manual de consolidação
6. Dossier de consolidação

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO – 1:

GRUPO – 1 (Com respostas detalhadas)


1 – Quando devem ser elaboradas as demonstrações financeiras
consolidadas?
2 – Quem devem ser elaboradas as demonstrações financeiras
consolidadas?
3 – O que compreende as demonstrações financeiras consolidadas?
4 – Quantos documentos que compreendem a prestação de contas
consolidadas?
5 – Mencione todos os documentos usados para a prestação de contas
consolidadas.
6 – O que entende por manual de consolidação?
7 – Quantos princípios que foram estabelecidos para a preparação e
apresentação das demonstrações financeiras consolidadas?
8 – Enumere os princípios que devem se pautar por eles para a
preparação e apresentação das demonstrações financeiras
consolidadas.
9 – Descreve dois princípios a sua escolha.
10 – Quais são os critérios de valorimetria?

Respostas:

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1 – Rever na página 155


2 – Rever na página 155
3 – Rever na página 155
4 – Rever nas páginas 157
5 – Rever nas páginas 157 e 158
6 – Rever na página 158
7 – Rever na página 158
8 – Rever nas páginas 158 a 160
9 – Rever nas páginas 158 a 160
10 – Rever na página 161

Exercícios de AVALIAÇÃO

GRUPO – 2
1 – Fale das existências como um dos critérios de valorimetria.
2 – Explique a especialização do exercício.
3 – Pronuncie-se sobre a agregação de dados.
4 – Comente sobre as eliminações das operações internas.
5 – Explique resumidamente o dossier de consolidação

UNIDADE Temática 7.2. EXERCÍCIOS deste tema.

Exercícios de AVALIAÇÃO – 2:

1 – Quando devem ser elaboradas as demonstrações financeiras


consolidadas?
2 – Quantos documentos que compreendem a prestação de contas
consolidadas?
3 – Quantos princípios que foram estabelecidos para a preparação e
apresentação das demonstrações financeiras consolidadas?
4 – Enumere os princípios que devem se pautar por eles para a
preparação e apresentação das demonstrações financeiras
consolidadas.
5 – Explique resumidamente o dossier de consolidação.

TEMA – VIII: CONSOLIDAÇÃO PARA EFEITOS FISCAIS

UNIDADE Temática 8.1. Enquadramento legal do regime especial de


tributação dos grupos de sociedades (RETGS), Âmbito, requisitos e
exclusões, Prazos a considerar e declarações periódicas a apresentar,
Matéria colectável consolidada segundo o RETGS, Implicações
contabilísticas da aplicação do RETGS: quem beneficia da poupança de
imposto e quem suporta o imposto.

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UNIDADE Temática 8.2. EXERCÍCIOS deste tema

UNIDADE Temática 8.3. EXERCÍCIOS do módulo

UNIDADE Temática 8.1. Enquadramento legal do regime especial de tributação


dos grupos de sociedades (RETGS), Âmbito, requisitos e exclusões, Prazos a
considerar e declarações periódicas a apresentar, Matéria colectável consolidada
segundo o RETGS, Implicações contabilísticas da aplicação do RETGS: quem
beneficia da poupança de imposto e quem suporta o imposto.

Enquadramento legal do regime especial de tributação dos grupos de


sociedades (RETGS)

Constituindo o RETGS um regime especial de tributação face à


tributação de cada sociedade individualmente, cumpre agora
debruçarmo-nos sobre as suas diversas características na sua actual
redacção.

Princípios

Como todo o sistema jurídico, também o RETGS tem alguns princípios


subjacentes. Da análise da doutrina podemos retirar quatro princípios
essenciais, o da capacidade contributiva, da neutralidade, da liberdade
de organização empresarial e da territorialidade.

O princípio da capacidade contributiva é um corolário do princípio da


igualdade no domínio jurídico-fiscal. Decorrente dos artigos 104º, nº 2
e 13º, da CRP e 5º, nº 2 da LGT, a tributação das empresas incidirá sobre
o seu rendimento real. No caso dos grupos, como eles constituem uma
unidade económica, a sua capacidade efectiva assenta no grupo e não
em cada uma das sociedades individualmente.

Outro princípio é o da neutralidade na tributação dos rendimentos da


actividade empresarial. Parafraseando a jurisprudência, “O principal
fundamento que justifica e recomenda a opção pela tributação
conjunta do grupo de sociedades em sede de imposto sobre o
rendimento resulta do princípio da neutralidade na tributação dos
rendimentos da actividade empresarial. Segundo esse princípio, o
sistema fiscal deve tributar o rendimento da mesma forma,
independentemente da estrutura organizativa e da forma escolhida
pelo seu autor para estruturar a sua empresa e exercer determinada
actividade.” Nabais entende que este princípio é o correspondente ao
da liberdade de organização empresarial, mas enquanto este é visto na
óptica do Estado, aquele é visto da perspectiva dos grupos.

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Relativamente ao princípio da liberdade de organização empresarial,


postulado nos artigos 80º, al. c), da CRP e 49º e 54º, do TFUE, defende
Nunes que o legislador não deve restringir o livre exercício da liberdade
de empresa, mas adoptar medidas de promoção ao seu exercício.
Nomeadamente, não deve criar obstáculos ao direito de organizar a
actividade empresarial através dum grupo de sociedades.

Um último princípio é o da territorialidade. Os Estados exercem a sua


jurisdição fiscal sobre os bens, pessoas e transacções conectados com o
seu território, sendo que, no caso das pessoas colectivas o elemento de
conexão é a residência da sociedade. Significa isto que, apenas as
sociedades residentes estarão sujeitas à tributação do seu rendimento,
pelo que só estas poderão integrar o grupo fiscal.

Em suma, os princípios da capacidade contributiva, da neutralidade na


tributação dos rendimentos da actividade empresarial, da liberdade de
organização empresarial e da territorialidade, servirão como balizas
para conformar todo o regime que se apresentará de seguida.

Âmbito, requisitos e exclusões

Estabelecido o que é um grupo para efeitos fiscais, a detenção de pelo


menos 75% das participações sociais duma sociedade e corresponder-
lhes pelo menos 50% dos direitos de voto, cabe agora definir o seu
âmbito pessoal, isto é, identificar as condições de acesso ao RETGS.
Encontraremos dois pressupostos aplicáveis a qualquer das sociedades
do grupo e três relativos apenas à sociedade dominante (artigo 69º, nº
3).

Decorrente do princípio da territorialidade, todas as sociedades do


grupo têm de ter a sua sede e direcção efectiva em território português,
significando que, apenas as sociedades que estão sujeitas à tributação
pelo Estado Português podem ser incluídas no grupo fiscal (al. a), 1ª
parte).

Quanto à residência da dominante podem suceder-se três situações.


Desde logo, podemos ter o caso duma sociedade não residente
controlar uma residente, que por seu turno controla outras residentes.
Poder-se-ia questionar qual é a sociedade que se considera dominante
para efeitos do RETGS. A solução não deixa dúvidas. Se a lei determina
que só as sociedades residentes podem integrar o grupo, neste caso a
dominante seria a residente que controla as outras residentes, mas que
é controlada pela não residente.

Uma outra das situações possível seria uma sociedade não residente
controlar várias sociedades residentes. Será que podemos afirmar ser
um grupo fiscal, composto pelas sociedades residentes, apesar de não

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haver um controlo de nenhuma delas sobre as outras? Certas


jurisdições permitem que se escolha uma das sociedades residentes
para ser nomeada como dominante e assim considerar um grupo fiscal
composto por todas as residentes. No entanto, o nosso sistema fiscal
rejeita esta possibilidade, não considerando um grupo fiscal composto
por sociedades residentes sem nenhuma delas ser a dominante.

Por fim, suponhamos que uma residente controla uma não residente e
esta, por seu turno, controla uma outra residente, ou seja, existe um
controlo indirecto da primeira sobre a última, ambas residentes, mas
em que a intermediária é não residente. A nossa lei fiscal permite que
uma sociedade cujas participações sociais sejam detidas
indirectamente através de uma sociedade não residentes, se inclua no
grupo fiscal. No entanto, esta possibilidade apenas existe para
sociedades que forem residentes na UE ou no Espaço Económico
Europeu (EEE). Em relação às residentes na UE, estas têm de ser detidas
em pelo menos 75% por uma sociedade residente incluída na esfera do
grupo. Quanto às residentes no EEE, no seu país é necessário existir uma
obrigação de cooperação administrativa no domínio da fiscalidade
equivalente à estabelecida no âmbito da UE, as sociedades têm de ser
detidas em 75% por uma sociedade residente incluída no grupo fiscal
ou por uma sociedade da UE, também esta detida em 75% por uma
residente incluída no grupo.

Exige-se ainda que a totalidade dos rendimentos de todas as sociedades


do grupo estejam sujeitas ao regime geral de tributação em IRC, à taxa
normal mais elevada (al. a), 2ª parte).

Passando agora às exigências referentes apenas à dominante, exige-se


a esta que detenha as participações há mais dum ano, com referência à
data de início de aplicação do regime (al. b)). De certa forma
semelhante, nos trabalhos preparatórios da MCCCIS chegou-se a
equacionar a exigência de os pressupostos terem de se encontrar
reunidos há pelo menos 6 meses, para se poder integrar qualquer
sociedade no grupo, com vista a evitar abusos. Este limite temporal fica
entretanto dispensado nos casos em que a sociedade foi constituída
pela dominante ou outra dominada que integre o grupo há menos de
um ano, desde que o mínimo percentual exigido seja detido desde a
data da sua constituição (artigo 69º, nº 13).

Exige-se ainda à dominante a sua independência, isto é, torna-se


necessário que não seja considerada como dominada por outra
sociedade que se pudesse aplicar o regime (al. c)). Isto significa que a
dominante pode ser dominada duma sociedade com transparência
fiscal, isenta, não residente ou com uma tributação sujeita a outra taxa,
que não à taxa normal mais elevada. Não obstante, se a dominante for
dominada por uma que reúna os requisitos para aplicação do regime,

169
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esta pode optar pela continuidade do RETGS, passando a figurar como


nova dominante, desde que comunique esse facto à Autoridade
Tributária e Aduaneira (ATA) nos 30 dias seguintes (artigo 69º, nº 10).

Acresce que se exige à dominada que não tenha renunciado ao regime


nos últimos três anos, com referência à data do início de aplicação do
regime (al. d)).

Além destes requisitos iniciais, como veremos de seguida, o artigo 69º,


nº 4, consagra uma lista de situações que servem para excluir uma
sociedade do RETGS a partir do momento em que se verifiquem ou para
não permitir a sua integração inicial.

Não obstante a tributação dos grupos ser um regime especial, também


restringe o tipo societário que se pode incluir. Desde logo, ficam
excluídas do grupo fiscal as sociedades que não sejam constituídas sob
a forma de sociedades por Quotas, Anónimas ou Comandita por Acções
(al. g)) e como Sociedade Pública Empresarial, esta última apenas para
a posição da dominante (art. 69.º11). Ficam deste modo excluídos os
Estabelecimentos Estáveis e outras formas de organização empresarial
como por exemplo as Sociedades Civis Sob Forma Comercial, as
Sociedades em Comandita Simples, as Cooperativas e as Sociedades em
Nome Colectivo, que se incluem na MCCCIS.

Um requisito de ordem prática e preventiva, é a exigência das


dominadas adoptarem o mesmo período de tributação que o da
dominante (al. e)). Se assim não fosse, as sociedades poderiam utilizar
o período diferente para diferirem o momento de pagamento do
imposto.

Uma outra exigência é que as sociedades que estejam sujeitas a uma


taxa de IRC inferior à taxa normal mais elevada renunciem à sua
aplicação para poderem integrar o grupo fiscal (al. d)).

Não se integram no grupo aquelas sociedades que estejam inactivas há


mais de um ano ou que estejam dissolvidas (al. a)).

Ainda se excluem as sociedades que estejam envolvidas num Plano


Especial de Revitalização (PER) ou Insolvência e, respectivamente tenha
sido proferido despacho a nomear administrador judicial provisório ou
proferida sentença de declaração de insolvência (al. b)).

A última situação de exclusão prende-se com as sociedades que


registem prejuízos nos últimos três exercícios ao início de aplicação do
regime, salvo se for uma dominada detida há mais de dois anos. Resulta
da jurisprudência que esta detenção há mais de dois anos tem de ser
acompanhada, desde então, duma detenção que cumpra o duplo

170
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critério33. Considera-se que esta é uma norma anti-abuso, no sentido


de evitar a aquisição de sociedades com prejuízos transitados para
incluí-las no grupo e beneficiar assim da compensação de resultados, o
que faria com que o lucro tributável diminuísse.
Como verificamos, a definição grupo fiscal não se fica apenas pela
exigência da dominante deter pelo menos 75% das participações sociais
da dominada e pelo menos 50% dos direitos de voto. A lei apresenta
ainda um vasto leque de requisitos que as sociedades a integrar no
grupo fiscal necessitam de ter. Definido quando estamos perante um
grupo fiscal e os requisitos de admissão duma sociedade ao RETGS.

Prazos a considerar e declarações periódicas a apresentar

Nos termos do nº 5 do artigo 96º do Código do IRC, a sociedade


dominante deverá entregar conjuntamente com a declaração periódica
consolidada as declarações periódicas de rendimentos de todas as
sociedades do grupo com o apuramento do imposto que seria devido
no caso de não ser aplicável o regime de tributação pelo lucro
consolidado.

As declarações periódicas individuais deverão ser acompanhadas de


todos os mapas e documentos que delas fazem parte integrante nos
termos do nº 2 do artigo 94º do Código do IRC, devendo, nos mapas de
amortizações e reintegrações, os elementos adquiridos a sociedades do
grupo ser inscritos separadamente.

A declaração periódica consolidada deve ser acompanhada dos


seguintes mapas, relativos ao conjunto das sociedades que integram o
grupo:

- Mapas de Amortizações e Reintegrações

- Mapa de Provisões

- Mapa de Mais-Valias e Menos-Valias fiscais

- Mapa de controlo da dedução dos Prejuízos segundo o modelo anexo


à presente circular.

Nos termos dos nºs 6 e 7, do artigo 96º, do Código do IRC, os resultados


apurados nos termos da alínea b), do nº 8, do artigo 59º,
designadamente no caso de caducidade da autorização para a
tributação deverão ser incluídos na declaração periódica de

33
Detenção de pelo menos 75% das participações sociais e pelo menos 50% dos
direitos de voto;

171
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rendimentos relativa ao exercício anterior àquele em que se verificou o


facto que determinou o apuramento.

A mencionada declaração poderá ser apresentada no prazo de 60 dias


a contar da data daquele facto, se este tiver ocorrido nos últimos 60
dias do prazo para a apresentação da declaração periódica de
rendimentos. Se a declaração tiver sido apresentada antes da data da
ocorrência daquele facto, a sociedade dominante deverá apresentar
uma declaração de substituição, no prazo de 60 dias a contar daquela
data.

Matéria colectável consolidada segundo o RETGS

Com vista à realização dum verdadeiro funcionamento do mercado


interno, a 16 de Março de 2011, a Comissão Europeia, através da COM
(2011) apresentou uma proposta para a criação duma Directiva relativa
a uma Matéria Colectável Comum Consolidada do Imposto sobre as
Sociedades. Sem querer aprofundar muito o tema, iremos apenas
realçar os aspectos mais importantes desta iniciativa.

A MCCCIS consiste num conjunto unitário de regras, dirigido aos grupos


de sociedades que desenvolvem natividades no interior da União,
imprimindo um novo alcance à compensação de resultados. O modelo
de consolidação apresentado corresponde a uma consolidação pura, tal
como supra explicitado, aliando-se a soma dos resultados fiscais de
todas as sociedades do grupo espalhadas pelos diferentes EM da UE
(artigo 57º, nº 1, da MCCCIS) à eliminação das transacções internas
(artigo 59º, da MCCCIS).

A Comissão deixou bem explícito que tal Directiva, a ser implementada,


não vincula os seus potenciais destinatários. A adesão é deixada à livre
disponibilidade das sociedades (artigo 6º, da MCCCIS), mas que, tal
como em Portugal, uma vez aderindo, todas as sociedades do grupo
ficam abrangidas (“all-in all-out”) (artigo 104º, da MCCCIS). Em caso de
adesão, são obrigadas a permanecer no regime no mínimo cinco anos
(artigo 105º, da MCCCIS). As sociedades, passam a ter duas opções
válidas para calcular a sua matéria colectável: ou através do MCCCIS,
com a consequente consolidação de resultados do grupo à escala
europeia, ou, alternativamente, por via da determinação individual do
lucro das sociedades que compõem o grupo, no respeito pelas regras
de tributação do respectivo EM de localização.

Compete à dominante proceder à comunicação da adesão e à


apresentação de uma só declaração fiscal (one-stop-shop),
representativa da matéria colectável unitária do grupo residentes na
UE, em detrimento da obrigação tradicional de apresentação de
declarações fiscais individuais nos Estados-Membros (EM) do exercício

172
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da actividade, sujeitas, naturalmente, a regras tributárias diferentes.


Esta mudança de fundo simplifica, sobremaneira, o cumprimento das
obrigações acessórias, reduz os custos de contexto e, nesta medida,
contribui decisivamente para o incremento da eficiência da actividade
empresarial exercida no seio da UE.

No que respeita às utilizações de prejuízos, em relação aos gerados


anteriormente à entrada para o grupo, tal como em Portugal, poderão
ser deduzidos em função do lucro que contribuírem para o grupo. Os
gerados durante a sua aplicação, poderão ser deduzidos ilimitadamente
para o futuro (artigos 43º e 57º, nº 2, da MCCCIS). Quanto ao momento
posterior, os prejuízos gerados pelo grupo podem ser aproveitados pela
sociedade que contribui para eles, no caso de cessão da tributação
conjunta do grupo. Mas se ocorrer apenas a saída de uma sociedade da
tributação pela MCCCIS, os prejuízos permanecem no grupo, deixando
de poder ser utilizados pela sociedade que contribui para a sua
produção.

Esta proposta da Directiva abrange todas as sociedades que exerçam a


sua actividade em mais do que um EM da UE, incluindo-se as sucursais
ou filiais de não residentes na UE.

Para serem admitidas como um grupo, a Comissão adoptou dois


critérios cumulativos, um pouco à semelhança do sistema actual
português. Primeiramente a dominante necessita de possuir mais de
75% do capital ou mais de 75% dos direitos à distribuição dos lucros
sobre qualquer dominada e a esta participação corresponder a mais de
50% dos direitos de voto sobre as mesmas (artigo 54º, da MCCCIS).

Implicações contabilísticas da aplicação do RETGS: quem beneficia da


poupança de imposto e quem suporta o imposto

O grupo de sociedades ABC é composto por uma sociedade dominante,


sociedade Z, e quatro sociedades dominadas, as sociedades I, II, III e IV.
A sociedade Z detém 80% do capital das sociedades dominadas, sendo
que essa participação corresponde a 55% dos direitos de voto.

Os lucros tributáveis e prejuízos fiscais apurados nas declarações


periódicas individuais das sociedades I, II, III e IV foram de 50,00Mt, -
25,00Mt, 40,00Mt e – 55,00Mt, respectivamente.

Esquematicamente:
Sociedade Z
80% do capital das sociedades
dominandas
55% dos direitos de voto

173
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I II III IV
Lucro Lucro Lucro Lucro
tributável = tributável = tributável tributável =
50,00Mt (25,00Mt) = 40,00Mt (55,00Mt)

No caso da aplicação do RETGS, o lucro tributável do grupo corresponde


à soma algébrica dos lucros tributáveis e dos prejuízos fiscais individuais
de cada uma das sociedades que integram o grupo. Assim, no caso em
análise o lucro tributável do grupo é igual à soma de 50,00Mt, -25,00Mt,
40,00Mt e -55,00Mt, o que perfaz um total de 10,00Mt. De seguida
devemos multiplicar o referido valor pela taxa de IRC, no período de
tributação de 2015, a título de exemplo, no caso 21%, apurando-se um
valor total de 2,10Mt.

No caso da tributação deste grupo de sociedades ser efectuada pelo


regime normal, cada sociedade do grupo deve multiplicar o respectivo
lucro tributável apurado pela taxa de IRC de 21%. Assim, devemos
multiplicar 50,00Mt por 21% e 40,00Mt por 21%. O resultado da
primeira operação é igual a 10,50Mt e o da segunda é igual a 8,40Mt.
Se somarmos os dois resultados obtidos temos um total de 18,90Mt.

Neste sentido, verificamos que a opção pela tributação do grupo de


sociedades com aplicação do RETGS se traduz numa grande poupança
fiscal para o grupo. A opção pelo regime normal implica um total de
mais 16,80Mt.

Vantagens e inconvenientes

O RETGS permite evitar ou eliminar a dupla tributação económica e


constituiu uma forma de combate à evasão fiscal.

A dupla tributação económica, ao contrário da dupla tributação jurídica


que pressupõe a identidade do sujeito, ocorre no caso de o mesmo
rendimento estar sujeito a tributação na esfera de diferentes sujeitos
passivos.

Importa salientar que o problema da dupla tributação económica se


agrava perante a existência de grupos de sociedades, nos quais ocorre
um antagonismo entre a realidade económica, onde se considera o
grupo como unidade, e a realidade jurídica, onde cada sociedade é tida
como uma entidade autónoma, provida de personalidade jurídica
própria.

174
ISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo: Consolidação das Demonstrações Financeiras

Em relação à evasão fiscal, esta corresponde a condutas extra legem,


nas quais o sujeito passivo respeita a letra da lei, na medida em que o
meio utilizado é em si mesmo lícito, mas contraria o seu espírito. Neste
domínio, cumpre referir que o RETGS possibilita uma boa gestão fiscal,
pautada por valores de segurança e previsibilidade. O RETGS constitui
uma forma de planeamento fiscal, na medida em que corresponde a
uma conduta intra legem que permite aos sujeitos passivos a obtenção
de benefícios fiscais previstos pelo legislador.

Acresce que nos termos da alínea e), do nº 1, do artigo 97º do CIRC há


dispensa de retenção na fonte em sede de IRC, quando se esteja
perante um imposto com carácter de imposto por conta, caso seja
devedora uma sociedade pertencente a um grupo de sociedades e os
rendimentos auferidos pelas sociedades tributadas de acordo com o
RETGS se reportem a períodos de tributação em que o referido regime
seja aplicado.

Importa salientar que o regime em análise permite a comunicabilidade


de prejuízos fiscais entre as sociedades do grupo, possibilitando uma
grande poupança fiscal para o grupo.

O RETGS representa um importante estímulo à actividade empresarial


e um apoio à reestruturação e crescimento das empresas, permitindo
que estas tenham sucesso num mercado cada vez mais competitivo e
global. Assim, se evitando a saída de sociedades para países, territórios
ou regiões com um regime de tributação mais favorável.

Por fim, este regime é vantajoso para AT, na medida em que reforça a
garantia patrimonial de cobrança do imposto, facilita o controlo e a
fiscalização das sociedades que integram o grupo e potência a
efectividade do princípio da verdade material nas declarações fiscais
das sociedades intervenientes.

Em relação aos inconvenientes associados ao RETGS, cumpre referir


que nos termos do artigo 115º, do CIRC se estabelece o regime da
solidariedade passiva entre as sociedades dominante e dominadas pelo
pagamento do IRC, sem prejuízo do subsequente direito de regresso.

Acresce que o regime em análise implica um aumento dos custos


administrativos com o cumprimento de obrigações declarativas e
dificuldades inerentes à coordenação entre a contabilidade e a
fiscalidade.

As sociedades que optem pela aplicação do RETGS têm a obrigação de


entregar o seu processo de documentação fiscal juntamente com a
declaração anual de informação contabilística e fiscal prevista na alínea
c), do nº 1, do artigo 117º, (nº 3, do artigo 130º, do CIRC).

175
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Por fim, importa ainda referir que quando ocorre a saída duma ou mais
sociedades do grupo cessa o direito à dedução da quota-parte dos
prejuízos relativos a essas sociedades. Além disso, as sociedades isentas
de IRC, sujeitas a uma taxa reduzida ou a regimes especiais estão
excluídas do perímetro do grupo submetido ao RETGS.

Sumário

Nesta Unidade temática 8.1 estudamos e discutimos fundamentalmente


seis itens na continuidade das considerações gerais á disciplina de
Consolidação das Demonstrações Financeiras:

1. Enquadramento legal do regime especial de tributação dos grupos


de sociedades (RETGS)
2. Âmbito, requisitos e exclusões
3. Prazos a considerar e declarações periódicas a apresentar
4. Matéria colectável consolidada segundo o RETGS
5. Implicações contabilísticas da aplicação do RETGS: quem beneficia
da poupança de imposto e quem suporta o imposto

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO – 1:

GRUPO – 1 (Com respostas detalhadas)


1 – Quantos são os princípios do enquadramento legal do regime especial
de tributação dos grupos de sociedades?
2 – Quais são os princípios do enquadramento legal do regime especial de
tributação dos grupos de sociedades?
3 – Descreva resumidamente todos os princípios do enquadramento legal
do regime especial de tributação dos grupos de sociedades?
4 – Quantos pressupostos aplicáveis a qualquer das sociedades do grupo e
os relativos apenas à sociedade dominante?
5 – Quantas situações que podem suceder quanto à residência da
dominante?
6 – Quais as exigências referentes apenas à dominante?
7 – Qual o grupo fiscal que fica excluído das sociedades do RETGS?
8 – Quais são os requisitos ou exigências que são efectuadas às sociedades
do RETGS?
9 – Fale da última situação de exclusão.
10 – De que deverão ser acompanhadas as declarações individuais?

Respostas:
1 – Rever na página 166
2 – Rever na página 166
3 – Rever nas páginas 166 a 167
4 – Rever nas páginas 167
5 – Rever na página 168
6 – Rever nas páginas 168 a 169
176
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7 – Rever na página 169


8 – Rever nas páginas 168 a 169
9 – Rever na página 170
10 – Rever na página 170

Exercícios de AVALIAÇÃO

GRUPO – 2
1 – De que deve ser acompanhada a declaração consolidada?
2 – Qual é o prazo em que deverá ser apresentada a declaração?
3 – Os lucros tributáveis e prejuízos fiscais apurados nas declarações
periódicas individuais das sociedades A, B, C e D, foram 5.000,00Mt,
(2.500,00Mt), 4.000,00Mts e (5.000,00Mt), respectivamente. Efectue a
tributação deste grupo de sociedade efectuada pelo regime normal,
sabendo que este regime usa 21%.
4 – Faça a interpretação do resultado tendo em conta a opção pela
tributação do grupo de sociedade com aplicação do RETGS.
5 – Pela opção pelo regime normal o que implicou em termos monetários?

UNIDADE Temática 8.2. EXERCÍCIOS deste tema.

Exercícios de AVALIAÇÃO – 2:

1 – Quais são os princípios do enquadramento legal do regime especial de


tributação dos grupos de sociedades?
2 – Descreva resumidamente todos os princípios do enquadramento legal
do regime especial de tributação dos grupos de sociedades?
3 – Qual o grupo fiscal que fica excluído das sociedades do RETGS?
4 – Os lucros tributáveis e prejuízos fiscais apurados nas declarações
periódicas individuais das sociedades A, B, C e D, foram 5.000,00Mt,
(2.500,00Mt), 4.000,00Mts e (5.000,00Mt), respectivamente. Efectue a
tributação deste grupo de sociedade efectuada pelo regime normal,
sabendo que este regime usa 21%.
5 – Faça a interpretação do resultado tendo em conta a opção pela
tributação do grupo de sociedade com aplicação do RETGS.

UNIDADE Temática 8.3. EXERCÍCIOS do Módulo.

Exercícios de AVALIAÇÃO – 3:

1 – Quando as controladas encerram os seus balanços em datas


diferentes da controladora, quais os cuidados que devem ser tomados?
2 – Considerando-se a existência de cinco empresas com os seguintes valores
como suas disponibilidade para a consolidação:
A – 300.00,00Mt; B – 150.000,00Mt; C – 400.000,00Mt; D –
550.000,00Mt e E – 450.000,00Mt.
177
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a) Qual é o saldo consolidado disponível? Demonstre os cálculos da sua


obtenção.
3 – Nos saldos das demonstrações financeiras, sobretudo nas vendas
duma empresa A para outra B do mesmo grupo devem ser eliminadas
juntamente com o gasto do produto vendido. Demonstre o seu
lançamento contabilístico.
4 – Qual é a principal característica diferencial entre estas unidades e
outras formas de concentração empresarial?
5 – Uma empresa “Beta” concedeu um empréstimo à sociedade A, no
dia 05 de Fevereiro do ano N, no montante de 150.000,00Mt, com o
qual tem estabelecido parceria.
a) Contabilize este empréstimo concedido.
6 – Em 02/01/N-3, a empresa M, subscreveu e realizou uma
participação de 40% no capital da sociedade A, cuja situação líquida (de
A) apresenta a seguinte evolução.
01/01/N-3 31/812/N 31/12/N+1
Capi tal MZM 10,000.00 MZM 10,000.00 MZM 10,000.00
Res ervas MZM - MZM 5,000.00 MZM 9,000.00
Res ul tado Líqui do MZM - MZM 7,000.00 MZM (1,500.00)
Total MZM 10,000.00 MZM 22,000.00 MZM 17,500.00

Pedido:

Registe no diário:

a) Transição do método de custo para o método de equivalência


patrimonial;
b) Quota-parte dos resultados do ano N referentes à participação na
Sociedade A;
c) Quota-parte dos resultados do ano N+1 referentes à participação na
Sociedade A.

7 – Supondo que um investidor passa a deter 15% do capital da


investida e que o investimento apresentava uma quantia escriturada de
5.000,00Mt, qual seria o movimento contabilístico?

8 – A empresa B subscreveu e realizou em N-1 uma participação de 20%


por 4.000,00Mt, de um capital de 20.000,00Mt. À data, considerou que
existiam restrições, pelo que utilizou o método de custo. Entretanto em
N, considerou que essas restrições já não existiam, pelo que passou a
utilizar o MEP. O capital próprio, nesta data, assumia o montante de
30.000,00Mt.
9 – Os lucros tributáveis e prejuízos fiscais apurados nas declarações
periódicas individuais das sociedades A, B, C e D, foram 5.000,00Mt,
(2.500,00Mt), 4.000,00Mts e (5.000,00Mt), respectivamente. Efectue a
tributação deste grupo de sociedade efectuada pelo regime normal,
sabendo que este regime usa 21%.

178
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10 – Faça a interpretação do resultado tendo em conta a opção pela


tributação do grupo de sociedade com aplicação do RETGS.

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