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EMANUELY O. LUZ
FRANCIANA POTON
GUILHERME TORRES
NATHÁLIA N. DIAS

A CONTROVÉRSIA ENTRE OS MOTIVOS DO GOLPE E DO


CICLO AUTORITÁRIO DOS ANOS 60 E 70 DA AMÉRICA DO
SUL

GUARAPARI/ES-2009
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FACULDADE PITÁGORAS – CAMPUS GUARAPARI

EMANUELY O. LUZ
FRANCIANA POTON
GUILHERME TORRES
NATHÁLIA N. DIAS

A CONTROVÉRSIA ENTRE OS MOTIVOS DO GOLPE E DO


CICLO AUTORITÁRIO DOS ANOS 60 E 70 DA AMÉRICA DO
SUL

Trabalho de Graduação da
matéria de Política Econômica do
Brasil no Período Pós-Guerra,
com objetivo de obtenção de nota
mensal.

Guarapari-ES
Nov./2009
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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO..........................................................................................3

1. A CRISE POLÍTICA DE 1954 E A SUA RELAÇÃO COM O GOLPE


MILITAR DE 1964.....................................................................................4

2. O GOLPE E A PARALISIA DECISÓRIA DO SISTEMA POLÍTICO......6

3. O CICLO MILITAR NA AMÉRICA DO SUL..........................................7

CONCLUSÃO ..........................................................................................9

REFERÊNCIAS .....................................................................................10
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INTRODUÇÃO

O golpe articulado pelos militares entre 31 de março e 1º de abril de 1964 acertou


em cheio a democracia brasileira. Sabe-se que a participação ativa das Forças
Armadas na política ocorria desde o Império. Porém, o golpe de 1964 daria início a
mais longa e dura ditadura militar do país, marcada por perseguições, censura,
torturas e assassinatos. Nos 21 anos em que os militares detiveram o poder, as
instituições democráticas e os direitos civis e constitucionais foram ignorados em
diversos momentos. O golpe não foi algo repentino, ele foi amadurecendo aos
poucos, porém suas origens são muito controversas.

Uma das teorias sugere que a “Revolução de 64” começava a tomar formas durante
a crise política que ocorreu no Brasil durante o ano de 1954, e que culminou com o
suicídio de Getúlio Vargas.

Através dos autores Guilhermo O’Donnel e Wanderley Guilherme dos Santos; entre
outras obras, será possível compreender melhor como se deu o processo que
culminou no golpe militar de 1964 no Brasil, sendo mais tarde inspiração para vários
países da América do Sul.
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1. A CRISE POLÍTICA DE 1954 E A SUA RELAÇÃO COM O


GOLPE MILITAR DE 1964

As raízes do golpe de 1964 são muito antigas, e estão presentes no país desde o
final do século XIX. Segundo alguns historiadores, o golpe militar teria seus motivos
em 1954 (ou até antes) quando a situação de Vargas estava insustentável devido
aos constantes escândalos que ocorriam durante seu governo, além das sabotagens
de grupos interessados em desestabilizar o Brasil política e economicamente.

O ambiente político que Getúlio encontrou no início dos anos 1950 era bem mais
difícil do que o dominado por ele durante a década de 1930, já que, no segundo
caso, atuaria em um sistema político aberto e sem o apoio da maioria no Congresso.
A política trabalhista e o desenvolvimento econômico nacionalista que tentaria
implantar nesse segundo governo encontraria forte oposição no Parlamento e nas
Forças Armadas.

Esta crise acaba levando Vargas ao suicídio na madrugada de 23 para 24 de agosto


de 1954, logo depois de sua última reunião ministerial, onde fora aconselhado, por
ministros, a se licenciar da presidência. A frase "Saio da vida para entrar na história",
encontrada junto ao seu corpo, entre outros escritos, ficou famosa pelo cunho
dramático e polítco.

As manifestações que se sucederam ao suicídio do presidente foram imediatas. No


dia seguinte, quando uma de suas cartas testamento chegou ao conhecimento do
povo através das rádios, manifestações de indignação e revolta contra os
adversários do "pai dos pobres" tomaram as ruas do Brasil, atacando embaixadas e
consulados norte-americanos, e as redações de jornais que se opuseram a Vargas.
Carlos Lacerda, um dos grandes inimigos políticos de Vargas, fugiu do país com
receio da ira popular.

Alguns estudiosos defendem que o suicídio de Vargas apenas adiou um golpe militar
que já estaria planejado para afastá-lo do poder. O pretendido golpe de estado
tornou-se, então, desnecessário, já que assumiria o poder um político conservador,
Café Filho.
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Porém, o golpe militar viria a acontecer em 1964. Golpe de Estado que os partidários
chamam de Revolução de 1964, Realizado essencialmente, no lado militar, por ex-
tenentes de 1930.

Em 1961, com a renúncia do presidente Jânio Quadros, assume o governo do Brasil


o vice João Goulart, o Jango. Os ministros militares já não aceitaram a posse de
Jango, um político que descendia diretamente do getulismo, mais próximo de
movimentos populares e sindicalistas emergentes àquela época. Porém, houve ali
uma negociação política entre Congresso, cúpula militar e tropas legalistas,
possibilitando a posse (Jango ficaria no poder de 1961 até 64).

No entanto, um movimento chamado antipopulista uniu o descontentamento das


Forças Armadas e o apoio de alguns de nossos governos civis, reagindo
abertamente contra medidas consideradas de caráter nacionalista anunciadas pelo
presidente Jango. Entre estas medidas, as chamadas "reformas de base": reforma
administrativa, fiscal, agrária, bancária.

No dia 1 de abril de 1964, Jango foi deposto e Ranieri Mazzili, o presidente da


Câmara dos Deputados, assumiu a presidência, no dia seguinte. Líderes civis como
Ulysses Guimarães e Amaral Peixoto (do Partido Democrático Social, PDS), Bilac
Pinto e Pedro Aleixo (da União Democrática Nacional, UDN) protagonizaram, da
parte do Congresso, tentativas de dar direção política àquela situação. Porém, à
frente de fato do governo estava uma junta militar: general Costa e Silva (Exército),
brigadeiro Correia de Melo (Aeronáutica) e vice-almirante Rademaker (Marinha).
Vários mandatos parlamentares foram cassados e, 15 dias depois, assumiu a
presidência, através do Ato Institucional Número Um, o primeiro dos presidentes
militares, Humberto de Alencar Castelo Branco.

Os militares tomaram o poder e, através de Atos Institucionais, iniciaram uma


perseguição a todos que fossem considerados como ameaça ao regime.
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2. O GOLPE E A PARALISIA DECISÓRIA DO SISTEMA


POLÍTICO

A paralisia decisória foi como passou a ser chamado o fato de que deputados e
senadores reuniam-se apenas para o veto, nunca para aprovar nada de concreto.

"a crise brasileira de 1964 foi uma crise de paralisia decisória,


ou seja, um colapso do sistema político, resultante de sua
incapacidade de funcionar (isto é, de tomar decisões sobre
questões conflitantes) e não a conseqüência de algum
programa governamental específico, consistentemente
implementado" (Santos. 1986).

As evidências de paralisia decisória são apresentadas por Santos (1986) que


comprova sua afirmação a partir de um conjunto de dados que revelam: a queda da
taxa de aprovação de projetos de lei; a menor estabilidade ministerial, medida por
uma fórmula que leva em conta a duração do governo, o número de ministérios e o
número de ministros; e a fragmentação na distribuição de cadeiras entre os partidos.

Wanderley Guilherme dos Santos afirma que uma crise de paralisia decisória ocorre
“quando os recursos de poder se dispersam entre atores radicalizados em suas
posições”, podendo se dar, então, “um colapso do sistema político, resultante de sua
cadente capacidade operacional (isto é, de tomar decisões sobre questões
conflitantes)” (p.22). Como se vê, o modelo não propõe uma explicação para golpes
militares, mas busca esclarecer os processos de “crescente paralisia política,
seguida de alguma forma de violência”, uma “mácula na ordem jurídica” (p.19).

Assim, a crise brasileira de 1964 foi uma crise de paralisia decisória e o golpe teria
sido fundamentalmente o resultado do emperramento do sistema político, antes que
uma reação a iniciativas governamentais: “o golpe militar resultou mais da
imobilidade do governo Goulart do que de qualquer política coerente por este
patrocinada e executada” (p.202).
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3. O CICLO MILITAR NA AMÉRICA DO SUL

O Ato Institucional que deu poderes ilimitados ao governo militares no Brasil, acabou
servindo de "exemplo" para os golpes militares em outros países da América do Sul.

Entre 1954 e 1976, quase toda a América do Sul viveu sob regimes militares,
comandados por Alfredo Stroessner no Paraguai, Augusto Pinochet no Chile, Hugo
Bánzer na Bolívia, Leopoldo Galtieri na Argentina, e pelos cinco marechais e
generais brasileiros (Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo).
Vários destes governos colaboraram na Operação Condor1.

Os militares tinham em comum a visão totalitária que incluía o controle da


sociedade, dos meios de comunicação, dos poderes Legislativos e Judiciários.

Guillermo Holzmann, diretor do Departamento de Ciências Políticas e Públicas da


Universidade do Chile, diz que a base ideológica (dos militares) era a doutrina de
segurança nacional, que o Brasil reavaliou (a partir do AI-5) como um processo de
maior autonomia, com uma proposta que ia além de neutralizar a ameaça
comunista.

O cientista político Ricardo Israel diz ainda que o Brasil também foi exemplo na hora
de "eliminar os insurgentes", com apoio dos Estados Unidos:

No Brasil, adotaram-se praticas militares para eliminar os


opositores. O mesmo modelo foi adotado nos outros países da
região, A diferença, ressalvou, é que aquelas perseguições
foram ainda mais intensas e ferozes nos países que "copiaram"
o Brasil, como Argentina e Chile.

Os governos militares da região atuaram em sincronia, como na "Operação Condor",


porque muitos de seus líderes e responsáveis pelas áreas de segurança e
inteligência, tinham se conhecido durante cursos no Panamá e nos Estados Unidos.
Explicando-se até que as medidas coordenadas que adotaram, talvez ocorressem
não por decisões em conjunto, mas porque todos tinham os mesmos pensamentos e
ideologias, adquiridos nestes eventos.

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A Operação Condor foi uma aliança político-militar entre os vários regimes militares da América do Sul —
Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai — criada com o objetivo de coordenar a repressão a
opositores dessas ditaduras instalados nos seis países do Cone Sul.
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Os regimes militares de Brasil e Chile, por exemplo, deixaram algumas marcas


daquelas gestões (industrial e econômica, por exemplo), mas em outros países,
como na Argentina, aquele sistema acabou em "tremendo fracasso".
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CONCLUSÃO

Com base nas informações obtidas através dos autores consultados, pode-se
chegar à conclusão de que o golpe militar ocorrido no Brasil em 1964 não foi um fato
isolado na história do Brasil.

A tomada do poder pelos militares já era uma possibilidade pelo menos 10 anos
antes, durante o governo de Getúlio Vargas. A insatisfação da elite, unida com os
ministros militares, só não provocou uma revolução àquela altura devido ao suicídio
de Vargas, que teve como sucessor Café Filho, de perfil mais aceito.

Em 1964, João Goulart sofre um boicote dos parlamentares, a chamada “paralisia


decisória”, que, junto com a sua ligação com as políticas Getulistas fez com que
aumentasse a insatisfação da cúpula militar, que organizou e executou a tomada do
poder, chamada por eles de “Revolução de 64”.

O período que se sucedeu, foi marcado por inúmeros Atos Institucionais, que
ignoravam a Constituição Federal, criando novas leis, com o intuito de dominar
quem se opunha ao poder. Este regime de poder autoritário, acabou sendo copiado
e implantado na maioria dos países da América do Sul, que viveram sob ditaduras
até meados dos anos 80.
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REFERÊNCIAS

GLOBO.COM. Globalização financeira foi 'propulsora' de desigualdade de


renda. Disponível em: < http://g1.globo.com >. Acesso em: 05/11/09.

GONÇALVES, Reinaldo. A nova economia internacional: uma perspectiva


brasileira. Rio de Janeiro, Campus, 1998.

GUIMARÃES, Samuel Pinheiro. Quinhentos anos de periferia. Porto Alegre/Rio de


Janeiro: Editora da Universidade/UFRGS, 1999.

HALLIDAY, Fred. Repensando as relações internacionais. Porto Alegre: Editora


da Universidade/UFRGS, 1999.

Jus Brasil. A.I. 5 Influenciou a ditadura na América do Sul. Disponível em:


<http://www.jusbrasil.com.br>. Acesso em: 05/11/09.

O´DONNELL, G., F. C. Schmitter & L. Whitehead. Transições do Regime


Autoritário: América Latina. São Paulo: Vértice, 1988.

OLIVEIRA, Odete Maria. Relações internacionais e globalização – grandes


desafios. Ijuí: Unijuí, 1998.

Paraná online. Globalização financeira. Disponível em: <http://www.parana-


online.com.br>. Acesso em: 05/11/09.

SANTOS, Wanderley Guilherme. Sessenta e quatro: anatomia da crise. Rio de


Janeiro: Vértice, 1986.