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CONTABILIDADE INTRODUTÓRIA

Conselho Editorial EAD


Dóris Cristina Gedrat
Thomas Heimman
Mara Salazar Machado
Andréa de Azevedo Eick
Astomiro Romais

Obra organizada pela Universidade Luterana do Brasil.


Informamos que é de inteira responsabilidade dos autores a
emissão de conceitos.
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por
qualquer meio ou forma sem a prévia autorização da Editora
da ULBRA.
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e punido pelo Artigo 184 do Código Penal.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

F676c Fonseca, Gabriela de Bem.


Contabilidade introdutória / Gabriela de Bem Fonseca. – Canoas: Ed.
ULBRA, 2014.
100p.

1. Contabilidade. 2. Avaliação patrimonial. 3. Demonstração contábil.


I. Título.

CDU: 657

Setor de Processamento Técnico da Biblioteca Martinho Lutero - ULBRA/Canoas

ISBN 978-85-7528-?????

Editoração: Roseli Menzen

Dados técnicos do livro


Fontes: Palatino Linotype, Franklin Gothic Demi Cond
Papel: o set 75g (miolo) e supremo 240g (capa)
Medidas: 15x22cm
APRESENTAÇÃO

Este livro tem como objetivo apresentar a você alguns princípios sobre contanilidade
considerando uma abordagem inicial com fundamentos, conceitos, princípios e todo
conteúdo necessário para compreender a dimensão do tema e sua importância no
contexto empresarial, foi um trabalho árduo desenvolvido com o apoio importante
do contador Hildo Jardim Alegria FIlho. O Capítulo 1 aborda o conceito, objeto e
objetivos sobre contabilidade identificando o que são Bens, Direitos e Obrigações.
No Capítulo 2, serão abordadas as mutações do patrimônio e seus impactos na
situação líquida. Relembramos a importância da utilização de ferramentas básicas
para o desenvolvimento da avaliação patrimonial como escolha do inventário
permanente ou anual, assim como a definição do melhor método para avaliação
do estoque se CMP, PEPS ou UEPS e qual a diferença de cada método.
O Capítulo 4 trata da criação do plano de contas, a classificação de débitos e créditos
e, como isso, se integra ao plano de contas, já o Capítulo 5 retrata as variações
patrimoniais, definindo a diferença entre atos e fatos administrativos e instigando
a entender a diferença entre análise horizontal e análise vertical e, como isso,
influencia a tomada de decisão empresarial. O Capítulo 6 trata de depreciação,
amortização e exaustão, conceitos, diferenças, aplicações, legislação e tudo que
envolve esses conceitos.
Continuando, a partir do Capítulo 7, será retratado a quesão dos princípios e
regimes contábeis, oconceito de cada um deles, suas diferenças entre si e o impacto
deles no dia a dia da empresa. O Capítulo 8 vai abordar os livros contábeis e
fiscais, quais o tipos, prazos, aplicações e utilização dos mesmos junto a tudo que
estudamos anteriormente; e no 9 é abordado a forma de escrituração contábil seja
pelo método de partidas simples ou pelo método de partidas dobradas.
Por fim, o Capítulo 10 trata da demonstração, todas as formas de demonstrações
utilizadas, conceituado e ensinando sobre o DRE – Demonstracão do Resultado do
Exercício, BP – Balanço Patrimonial, DFC – Demonstração do Fluxo de Caixa, entre
outras demonstrações de suma importância no contexto contábil. Desenvolvemos
esse trabalho com objetivo principal de proporcionar a você uma visão geral sobre
contabilidade de uma forma simples e objetiva que permita ao leitor aplicar de
forma prática os conceitos aqui desenvolvidos.
SOBRE O AUTOR

Gabriela de Bem Fonseca

É especialista em Gestão Contábil, contadora, técnica em plásticos. Atua como


professora na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), ministra as disciplinas
de Administração de capital de Giro, Orçamento e Fluxo de Caixa, Estoques e
Compras, Gestão de Custos, Gestão Orçamentária e Gestão Tributária (curso
de Administração e Ciências Contábeis), Finanças e Contabilidade, Finanças e
Controles, Processos Financeiros (EAD). É professora nos cursos de pós-graduação
em Custos de Produção. É orientadora de trabalho de conclusão de curso em todas
as modalidades Graduação, EAD e Pós.
SUMÁRIO

1 CONTABILIDADE: CONCEITOS, OBJETOS E OBJETIVOS ................................................11


Introdução .............................................................................................................11
1.1 Conceitos Iniciais .............................................................................................11
1.2 Objetivo ............................................................................................................12
1.3 O Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC .................................................14
Exercícios de Fixação ..............................................................................................15
2 ESTUDOS DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO ..............................................................17
Introdução .............................................................................................................17
2.1 O Gráfico T .......................................................................................................17
2.2 Situação Líquida ...............................................................................................18
Exercícios de fixação ..............................................................................................24
3 AVALIAÇÃO PATRIMONIAL ........................................................................................27
Introdução .............................................................................................................27
3.1 Método Primeiro a Entrar Primeiro a Sair (PEPS) ................................................29
3.2 Último que entra primeiro que sai (UEPS) ...........................................................30
3.3 Custo médio ponderado .....................................................................................31
3.4 Comparação entre os métodos de inventário ......................................................31
3.5 Considerações Adicionais sobre o Inventário ......................................................32
Exercícios de fixação ..............................................................................................33
4 PLANO DE CONTAS ..................................................................................................35
Introdução .............................................................................................................35
4.1 Contas .............................................................................................................35
4.2 Noções de Débito e Crédito ................................................................................37
4.3 Plano de Contas ................................................................................................38
4.4 Contas Patrimoniais ..........................................................................................41
Exercícios de Fixação ..............................................................................................42
5 VARIAÇÕES PATRIMONIAIS ......................................................................................45
Introdução .............................................................................................................45
5.1 Atos Administrativos ..........................................................................................45
5.2 Fatos Administrativos ........................................................................................46
5.3 Fatos Administrativos Permutativos ....................................................................46
5.4 Análise Horizontal .............................................................................................52
5.5 Análise Vertical ................................................................................................53
Exercícios de Fixação ..............................................................................................54
6 DEPRECIAÇÃO, AMORTIZAÇÃO E EXAUSTÃO .............................................................57
Introdução .............................................................................................................57
6.1 Depreciação......................................................................................................57
6.2 Amortização .....................................................................................................62
6.3 Exaustão ..........................................................................................................63
Exercícios de Fixação ..............................................................................................65
7 PRINCÍPIOS E REGIMES CONTÁBEIS .........................................................................67
Introdução .............................................................................................................67
7.1 O Princípio da Entidade ......................................................................................68
7.2 O Princípio da Continuidade ...............................................................................68
7.3 O Princípio da Oportunidade ...............................................................................68
7.4 O Registro pelo Valor Original .............................................................................68
7.5 Princípio da Competência ..................................................................................70
7.6 Princípio da Prudência ......................................................................................70
7.7 Regimes Contábeis ............................................................................................71
Exerícios de fixação ................................................................................................71
8 LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS ..................................................................................73
Introdução .............................................................................................................73
8.1 Livros Contábeis ................................................................................................73
Exercícios de fixação ...............................................................................................76
9 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL .......................................................................................79
Introdução .............................................................................................................79
9.1 Método das Partidas Simples: ...........................................................................79
9.2 Método das Partidas Dobradas ..........................................................................80
Exercícios de fixação ...............................................................................................82
10 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS .................................................................................85
Introdução .............................................................................................................85
10.1 Balanço Patrimonial ........................................................................................85
10.2 Demonstração de Lucro ou Prejuízos Acumulados .............................................88
10.4 Demonstração do Fluxo de Caixa ......................................................................92
10.5 Demonstração do Valor Adicionado...................................................................95
Exercícios de fixação ...............................................................................................96
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .....................................................................................99
1 CONTABILIDADE: CONCEITOS, OBJETOS
E OBJETIVOS

Introdução
Ao iniciar um estudo sobre contabilidade, é de fundamental importância, nos
debruçar em conceitos básicos, pois eles são a chave para um entendimento global
da ciência contábil, e serão norteadores da vida profissional dos diversos usuários
em relação aos processos e produtos oriundos da contabilidade.
No Brasil, a contabilidade passou recentemente por um processo de harmonização
das normas nacionais com as Normas Internacionais de Contabilidade, e tal
processo é respeitado e foi levado em consideração, durante a construção desse
material.
Acompanhe-nos em conceitos iniciais dessa jornada e aplique os conhecimento
porventura aqui obtidos de forma prática, qualquer dúvida estamos à disposição.
Bons Estudos!

1.1 Conceitos Iniciais


A Contabilidade é a ciência aplicada que possui metodologia especialmente
concebida para registrar, mensurar, resumir e interpretar os fenômenos que afetam
as situações patrimoniais, financeiras e econômicas de qualquer ente, seja pessoa
física ou jurídica. O conceito é de Iudícibus, no livro Contabilidade Introdutória
(1998).

Importante: vamos relembrar que ciência é uma palavra que deriva do termo latino
“scientia” cujo significado era conhecimento ou saber. Atualmente, se designa
por ciência todo o conhecimento adquirido por meio do estudo ou da prática,
baseado em princípios certos.
12

A escolha desse conceito para abrir essa seção não foi por acaso, dentro dele, há
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um resumo, de uma série de outras palavras chaves que veremos a seguir.


Devemos entender, ainda, antes dos termos técnicos que permeiam o conceito de
contabilidade, quais as características do ambiente em que a contabilidade está
inserida.
No conceito, é frisado que, sejam para pessoas físicas ou jurídicas, a contabilidade
é imprescindível; então, dentro dessa necessidade, a contabilidade se adapta a
algumas circunstâncias, que aprofundaremos mais adiante.
• Ambiente Competitivo: típico das pessoas jurídicas, em especial, depois da
abertura dos mercados brasileiros no início da década de 90, empresas se
instalaram e se desenvolveram no Brasil, soma-se a isso uma exigência de nível
global, de gerenciamentos de produção, planejamentos tributários, e pressão
de acionistas por resultados.
• Finalidade: aqui se caracteriza as peculiaridades de alguns dos usuários da
contabilidade, empresas nacionais, multinacionais, com e sem fins lucrativos,
empresários, pessoas físicas, autônomos, governos, enfim uma série de diversos
interesses que se valem da contabilidade.
• Sistemas de Informações Contábeis: como são vários os usuários, a
contabilidade se vale de sistemas de informações diferentes para registros da
vida econômica.

1.2 Objetivo
De acordo com Zappa Hoog, verifica-se que a contabilidade é multi facetada e tem,
como objetivo, o registro da movimentação e distribuição da riqueza, (expressão
utilizada para denominar um conjunto de bens) fazendo com que os mesmos
estejam demonstrados e valorizados dentro de práticas contábeis adotadas no
Brasil (2010).
Há também autores que preferem sintetizar o objetivo como o controle do
patrimônio e suas variações; cabe destacar que, independentemente do conceito
a ser definido com objetivo da contabilidade, temos alguns conceitos chave, são
eles, controle (que no primeiro conceito também é pormenorizado em registro da
movimentação) e patrimônio (no primeiro conceito, riqueza).

1.2.1 Objeto
Se revisarmos o conceito de contabilidade, do objetivo da contabilidade, chegaremos
a uma palavra em comum muito citada nesse texto. Patrimônio. A contabilidade
13

gira em função dele, logo o objeto da contabilidade é o patrimônio” (Ribeiro,

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2013, p. 08 2010).
E aqui é que entram outros conceitos chave ainda de acordo com Ribeiro (2010),
o patrimônio é composto de BENS, DIREITOS e OBRIGAÇÕES e tem dois
aspectos, o QUANTITATIVO e o QUALITATIVO, veremos cada um desses
conceitos detalhadamente:
• Bens: Lopes de Sá (1995, p. 55), define assim: “o elemento que dispõe uma
empresa ou entidade para obtenção de seus fins”. Ribeiro (2010) ainda
complementa o conceito afirmando que, a característica da mensurabilidade
em moeda e classificando-os em Bens Tangíveis ou Materiais e Bens Intangíveis
ou Imateriais.
• Bens Tangíveis ou Materiais: ainda nos explica Ribeiro (2010), são os objetos
que a empresa tem para uso, tais como armários, prateleiras, computadores,
automóveis etc. ou ainda para consumo, estoques, almoxarifado entre outros;
Lopes de Sá (1995), complementa como a característica chave desses bens são
identificáveis materialmente.
• Bens Intangíveis ou Imateriais: correspondem a gastos efetuados pela entidade
que por sua natureza faz parte do patrimônio. O Comitê de Pronunciamentos
Contábeis tem Pronunciamento específico para o os Intangíveis (CPC 04) que
exemplifica que Ativos Intangíveis podem ser marcas adquiridas, so ware
patentes; o respectivo Comitê estabelece ainda que, para ser classificado como
Intangível, deve ser Identificável, Controlável e gerar benefício econômico
futuro.
• Direitos: Ribeiro define que os direitos são todos os valores que a empresa
tem para receber de terceiros, tal como Duplicatas a Receber, Promissórias,
Aluguéis a receber.
• Obrigações: são todos os valores que a empresa tem para pagar para terceiros,
típicos exemplos: Duplicatas a Pagar, Folha de Pagamento, Impostos a
recolher.
O Patrimônio de uma entidade, como já dito acima, é avaliado em dois eixos,
o Qualitativo e Quantitativo. O aspecto qualitativo refere-se à natureza do
componente patrimonial que está registrado, segundo sua espécie: Caixa, Saldos
Bancários, Móveis e Utensílios, Veículos.
O aspecto Quantitativo é a mensuração em valores dos componentes patrimoniais.
Veremos mais sobre mensuração dos componentes patrimoniais mais adiante.
O Patrimônio (conjunto de bens, direitos e obrigações) é representado graficamente
por meio de um T, tal como uma balança.
14

Patrimônio
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No lado esquerdo do referido gráfico, em forma de balança, estão relacionados os


elementos bens e direitos e, ao lado esquerdo, as obrigações; denomina-se o lado
esquerdo de ATIVO e o lado direito de PASSIVO.
Patrimônio
Ativo Passivo
Bens Obrigações
Direitos

Outros Aspectos Sobre a Parte Inicial do Estudo da Contabilidade. Já neste


capítulo inicial citamos a figura do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC),
entendemos como pertinente escrever algumas linhas sobre esse órgão e sua
diferenciação do órgão que é o responsável por fiscalizar o exercício da profissão
contábil, o Conselho Federal de Contabilidade, bem como mostrar alguns usuários
das informações que são geradas pela contabilidade.

1.3 O Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC


Explica-nos Iudícibus (2010) que, devido a uma ampla gama de usuários das
informações contábeis, se criou o hábito nefasto de que qualquer autarquia
poderia normatizar regras contábeis para seus fiscalizados, tais como: o Banco
Central do Brasil para instituições financeiras, a Comissão de Valores Mobiliários
no tocante às sociedades por ações, a Superintendência de Seguros Privados na
área dos seguros, a Receita Federal do Brasil nas demais entidades; todas tinham
suas regras contábeis, durante 20 anos, o setor contábil das entidades tinham uma
série de normatizadores.
Até que se uniram aquelas entidades, somadas aos auditores (representados pelo
Instituto Brasileiro dos Auditores Independentes – IBRACON) e criaram o Comitê
de Pronunciamentos Contábeis que tem como missão a discussão de normas
contábeis unificadas entre as normas nacionais, as internacionais e as necessidades
internas após a emissão de um Comunicado Técnico que, posteriormente, será
aprovado por todos os membros, criando assim uma harmonização contábil.
O primeiro dos Pronunciamentos Técnicos emitidos pelo CPC é o CPC 00 –
Estrutura Conceitual para Elaboração de Relatório Contábil e Financeiro, esse
CPC tem algumas informações relevantes que cabem destaque nesse ponto de
15

nossos estudos, eles exemplificam a utilidade da contabilidade e para quem são

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importantes essas informações.
Segundo o CPC 00, o objetivo dos relatórios contábeis é fornecer informações
contábil-financeiras, acerca da entidade que reporta essa informação, que sejam
úteis a investidores existentes e em potencial, a credores por empréstimos e a
outros credores e órgãos governamentais, quando da tomada decisão ligada ao
fornecimento de recursos para a entidade. Essas decisões envolvem comprar, vender
ou manter participações em instrumentos patrimoniais e em instrumentos de
dívida, e a oferecer ou disponibilizar empréstimos ou outras formas de crédito.
Usuários primários individuais têm diferentes, e possivelmente conflitantes,
desejos e necessidades de informação. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis,
ao levar à frente o processo de produção de suas normas, irá procurar proporcionar
um conjunto de informações que atenda às necessidades do número máximo
de usuários primários. Contudo, a concentração em necessidades comuns de
informação não impede que a entidade que reporta a informação preste informações
adicionais.

Leitura Recomendada:
Recomendo fortemente o acesso ao site do CPC para que você vá se familiarizando
com os termos e expressões contábeis. www.cpc.org.br

Exercícios de fixação
1) Dentro do contexto visto anteriormente, aprendemos muitos conceitos e termos
novos, entre eles descobrimos que o Objeto da Contabilidade é:
a) O Balanço Patrimonial
b) A Escrituração
c) O Patrimônio
d) Registrar os Fatos Administrativos

2) (TTN-RJ/92) É função da Contabilidade:


a) Apurar lucro ou prejuízo
b) Controlar o Patrimônio
c) Evitar fraudes
d) Efetuar os registros dos fatos contábeis
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3) O patrimônio, a riqueza das organizações, pode ser definido conceitualmente


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de maneira mais correta como o:


a) Conjunto de Bens e direitos
b) Conjunto de Bens e Obrigações
c) Conjunto de Bens Direitos e Obrigações
d) Conjunto de Direitos e Obrigações

4) O Aspecto Quantitativo refere-se a:


a) Quantidade física dos bens e dos direitos
b) Quantidade dos componentes patrimoniais em valores
c) Quantidade dos estoques existentes
d) Total dos Valores em caixa

5) (TTN-94) “O Patrimônio que a contabilidade estuda e controla registrando


todas as ocorrências nele verificadas”.
“é a ciência aplicada que possui metodologia especialmente concebida para
registrar, mensurar, resumir e interpretar os fenômenos que afetam as situações
patrimoniais, financeiras e econômicas de qualquer ente, seja pessoa física ou
jurídica”.
As proposições indicam:
a) O Conceito e a finalidade da contabilidade
b) O Objeto e o conceito de contabilidade
c) O Campo de Aplicação e o Conceito de Contabilidade
d) O Campo de Aplicação e a finalidade da contabilidade

Gabarito:
1) c; 2) b; 3) c; 4) b; 5) b.
2 ESTUDOS DAS MUTAÇÕES
DO PATRIMÔNIO

Introdução
Já que entendemos qual é o objeto de estudos da contabilidade, temos que entender
alguns comportamentos básicos da estática patrimonial, e para isso vamos adquirir
alguns conhecimentos do comportamento do patrimônio, bem como o lugar em
que é registrado.

2.1 O Gráfico T
O gráfico em T, quando é utilizado para representar a situação patrimonial de
uma empresa, é chamado de Balanço Patrimonial, o nome, é claro, faz menção
ao objeto balança.
Agora, imagine que essa balança tenha os dois pratos em equilíbrios, para que isso
ocorra, é necessário que os dois pratos tenham o mesmo peso, e essa é a logica do
Balanço Patrimonial, os dois lados (Ativo e Passivo) devem estar em igualdade,
ou seja, devem ter o mesmo peso.
Veja essa ilustração representada na Figura 1:

Figura 1: Ativo e Passivo.

Ativo Passivo

(Bens e Direitos) (Obrigações)

Fonte: Adaptado de Ribeiro, 2013.


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Ocorre que, nos estudos das mutações do patrimônio, é extremamente improvável


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que os Bens e Direitos (Ativo) sejam absolutamente iguais às Obrigações


(Passivo).
Ocorre que, quando há diferenças entre Ativo e Passivo, elas são chamadas de
Situação Líquida.

2.2 Situação Líquida


Tal como uma balança, a diferença entre um lado e outro será sempre colocada do
lado esquerdo (lado do Passivo) transformando nossa equação patrimonial que
fica desse modo.

Ativo (Bens e Direitos) = Passivo (Obrigações) +/- Situação Líquida

Como vimos, Situação Líquida é a diferença entre ativo e passivo, que também
pode ser chamada de Patrimônio Líquido.
SL = A – P
Onde:
SL = Situação Líquida
A = Ativo
P = Passivo
Também sabemos que os direitos, bens e obrigações que compõem o patrimônio
devem ser avaliados em moeda (recordam-se do aspecto quantitativo?).
Agora, chegou a hora de vermos na prática como funcionam as Situações
Líquidas:

Balanço Patrimonial

Ativo Passivo

Bens Obrigações

Caixa...........................R$ 18.000,00 Fornecedores a Pagar.....R$ 8.000,00

Móveis.........................R$ 27.000,00 Impostos a Recolher.......R$ 1.000,00

Direitos Aluguéis a Pagar.............R$ 2.000,00

Clientes.......................R$ 20.000,00 Salários a Pagar.............R$ 4.000,00

Total...........................R$ 65.000,00 Total...........................R$ 15.000,00

Situação Líquida = 65.000,00 - 15.000,00 = 50.000,00


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Os elementos patrimoniais devidamente equacionados poderão apresentar três

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situações líquidas patrimoniais diferentes. Que podem ser:

2.2.1 Ativo Maior que Passivo


Balanço Patrimonial

Ativo Passivo

Bens............................................90 Obrigações..................................100

Direitos........................................60 Situação Líquida............................50

Total..........................................150 Total.............................................150

Percebe-se que a diferença entre Ativo (150) e Obrigações (100) é a Situação Líquida
(50) e está à esquerda, “dando equilíbrio” para a balança. Essa situação patrimonial
é também referida da seguinte maneira:
• Situação Líquida Positiva
• Situação Líquida Ativa
• Situação Líquida Superavitária
• A = P + SL
• P = A – SL
• SL = A – P

2.2.2 Ativo Menor que Passivo


Balanço Patrimonial

Ativo Passivo

Bens............................................90 Obrigações..................................170

Direitos........................................60 (-) Situação Líquida......................-20

Total..........................................150 Total.............................................150

Dessa vez, temos uma situação líquida negativa que está representada com o (-) e
número grifado com sinal de negativo.
20

Também se refere a essa situação das seguintes maneiras:


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• Situação Líquida Negativa


• Situação Líquida Passiva
• Situação Líquida Deficitária
• Passivo a descoberto
• A = P – SL
• P = A + SL
• SL = P – A

2.2.3 Ativo Igual a Passivo


Balanço Patrimonial

Ativo Passivo

Bens............................................90 Obrigações..................................150

Direitos........................................60 Situação Líquida...........................0,0

Total..........................................150 Total.............................................150

É umas das situações mais difíceis de se encontrar na prática, é também conhecida


como:
• Situação Líquida Nula
• Situação Líquida Inexistente
• A= P
• SL = Zero

2.2.4 Passivo = ZERO


Balanço Patrimonial

Ativo Passivo

Bens............................................90 Obrigações...................................0,0

Direitos........................................60 Situação Líquida..........................150

Total..........................................150 Total.............................................150

Tal Situação se dá apenas na constituição de uma empresa.


21

2.2.5 Ativo = ZERO

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Balanço Patrimonial

Ativo Passivo

Bens.................................................0 Obrigações...................................150

Direitos.............................................0 (-) Situação Líquida.....................-150

Total.................................................0 Total.................................................0

Tal Situação se dá apenas no encerramento de uma empresa.

Cabe aqui um destaque, observe que Ativo e Passivo Poderão ser igual ou maior
que zero, entretanto a Situação Líquida poder ser menor, igual ou maior que zero.

Apesar de que, para fins didáticos, Situação Líquida ser sinônimo de Patrimônio
Líquido, na elaboração de um Balanço Patrimonial, de acordo com a Lei 6.404/76,
o termo correto é Patrimônio Líquido.
A equação fundamental do patrimônio é a que evidencia o patrimônio em situação
normal, ou seja, em Situação Líquida Positiva.

Ativo = Passivo + Situação Líquida

Vamos agora acompanhar a formação do patrimônio de uma entidade, passo a


passo, e alguns exemplos de movimentação e seu reflexo a Situação Patrimonial.
1– Sebastião inicia suas atividades comerciais com um capital de R$ 80.000,00
em dinheiro conforme demonstrado no Balanço Patrimonial simplificado a
seguir:

Balanço Patrimonial

Ativo Passivo

Caixa......................................80.000,00 Capital..............................80.000,00
22

2– Comprou à vista (em dinheiro) Móveis e Utensílios R$ 3.000,00, Automóvel R$


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25.000,00 e Mercadoria R$ 20.0000,00; vejamos como fica essa representação


no BP – Balanço Patrimonial, se alterou o Ativo e o Passivo ou se manteve
constante.

Balanço Patrimonial

Ativo Passivo
Caixa.................................32.000,00 Capital................................80.000,00
Estoque ............................20.000,00
Móveis.................................3.000,00
Veículos............................25.000,00
TOTAL..............................80.000,00 TOTAL..............................80.000,00

3– Nesse outro exemplo, comprou mercadorias a prazo mediante duplicatas no


valor de R$ 30.000,00; com isso, houve registro no Ativo, aumentando o valor
do Estoque e no Passivo registrando as Duplicatas a Pagar:

Balanço Patrimonial
Ativo Passivo
Caixa.................................32.000,00 Duplicatas a Pagar............30.000,00
Estoque.............................50.000,00 Capital................................80.000,00
Móveis.................................3.000,00
Veículos............................25.000,00
TOTAL.............................110.000,00 TOTAL.............................110.000,00

4– Comprou a prazo uma casa no valor de R$ 100.000,00 mediante emissão de


notas promissórias; sendo assim, as notas foram lançadas no passivo e, em
contra partida, no Ativo o seu registro se dá em Imóveis.

Balanço Patrimonial
Ativo Passivo
Caixa.................................32.000,00 Duplicatas a Pagar............30.000,00
Estoque.............................50.000,00 Notas Promissórias.........100.0000,00
Móveis.................................3.000,00 Capital................................80.000,00
Veículos............................25.000,00
Imóveis............................100.000,00
TOTAL.............................210.000,00 TOTAL.............................210.000,00
23

5– Vendeu mercadorias no valor de R$ 10.000,00 à vista e a prazo no montante

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de R$ 8.000,00. Esses lançamentos devem ser registrados na conta caixa e na
conta clientes a receber, baixando o valor do estoque.
Balanço Patrimonial
Ativo Passivo
Caixa................................. 42.000,00 Duplicatas a Pagar............ 30.000,00
Clientes a Receber............ 8.000,00 Notas Promissórias.........100.0000,00
Estoque..............................32.000,00 Capital................................ 80.000,00
Móveis................................. 3.000,00
Veículos............................ 25.000,00
Imóveis............................ 100.000,00
TOTAL............................. 210.000,00 TOTAL.............................210.000,00

6– Pagou uma duplicata em dinheiro no valor de R$ 10.000,00; com isso, o valor


deve ser lançado no caixa, Ativo, e nas duplicas a receber, Passivo.
Balanço Patrimonial
Ativo Passivo
Caixa.................................32.000,00 Duplicatas a Pagar............20.000,00
Clientes a Receber............32.000,00 Notas Promissórias.........100.0000,00
Estoque.............................50.000,00 Capital................................80.000,00
Móveis.................................3.000,00
Veículos............................25.000,00
Imóveis............................100.000,00
TOTAL.............................200.000,00 TOTAL.............................200.000,00
24

7– Recebeu uma duplicata em dinheiro no valor de R$ 2.000,00 que entrou direto


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no Caixa e saiu dos Clientes a Receber.


Balanço Patrimonial
Ativo Passivo
Caixa.................................34.000,00 Duplicatas a Pagar............ 20.000,00
Clientes a Receber............30.000,00 Notas Promissórias.........100.0000,00
Estoque.............................50.000,00 Capital................................ 80.000,00
Móveis.................................3.000,00
Veículos............................25.000,00
Imóveis............................100.000,00
TOTAL.............................200.000,00 TOTAL.............................200.000,00

Exercícios de fixação
1) O gráfico em T, utilizado para representar a situação patrimonial, denomina-se:
a) Balança
b) Balanço
c) Ativo e Passivo
d) Balanço Patrimonial

2) O ativo e passivo foram representados na Figura 1, e, após entendermos


seu conceito, é possível identificar que a diferença entre o Ativo e o Passivo
denomina-se:
a) Balanço Patrimonial
b) Situação Líquida
c) Situação Líquida Positiva
d) Situação Líquida Negativa

3) Situação Líquida Ativa é o mesmo que:


a) Positiva ou Deficitária
b) Passiva ou Negativa
c) Positiva ou Superavitária
d) Passivo a Descoberto
25

4) Situação Líquida é Negativa quando:

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a) Ativo Maior que passivo

b) Ativo maior que passivo circulante

c) Ativo Igual a Passivo

d) Ativo Menor que Passivo

5) Leia atentamente as definições: B = Bens; D = Direitos; O = Obrigações e SL =


Situação Líquida.
Assinale a alternativa INCORRETA que utiliza as variáveis citadas
anteriormente.
a) Se B+D=O, a Situação Líquida é Compensada

b) Se B+ D<O, a empresa encontra-se me situação Deficitária

c) Se B+D>O, a situação líquida é positiva

d) Se B+D>O, a empresa encontra-se em situação de passivo a


descoberto

Gabarito:
1) d; 2) b; 3) c; 4) d; 5) d.
3 AVALIAÇÃO PATRIMONIAL

Introdução
Nessa parte, vamos apresentar alguns conceitos básicos, que são de extrema
importância, já que, dentro do patrimônio da entidade, para os direitos que a
entidade possui, existem controles contábeis e extracontábeis que garantem a correta
manutenção dos mesmos e, consequentemente, a sua correta contabilização.
Entretanto, existem alguns bens que toda empresa possui, que seu controle e
entendimento pela contabilidade requerem que sejam apresentados alguns outros
conceitos.
Tal como os estoques que requerem dois tipos de controles para suas avaliações e
mensurações pela contabilidade.
Reeve (2009), afirma que o controle de estoque deve ser efetuado tão logo quanto
recebido, o uso de um sistema de estoque para as mercadorias também fornece
um eficiente controle sobre o estoque. O valor de cada tipo de mercadoria também
deve estar prontamente disponível em um livro razão de estoque, este podendo
auxiliar na manutenção das quantidades em níveis apropriados.
Visando garantir a precisão do valor do estoque registrado no balanço patrimonial,
uma empresa deve realizar uma contagem física, um inventário, que, segundo
Lopes de Sá (1995), é um levantamento ordenado dos itens patrimoniais, e este
normalmente realizado ao final do exercício.
Iudícibus (2005), explica que há dois tipos de inventário, sendo eles:
• Inventário Periódico: quando efetuamos as vendas sem um controle
concomitante de nosso estoque e, portanto, sem controlar o Custo das
28

Mercadorias Vendidas. Quando necessitamos verificar se tivemos Lucro ou


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Prejuízo com aquelas mercadorias vendidas, realizamos um levantamento


físico (contagem) para avaliação do estoque naquela data e pela diferença entre
o início e o final do período, entre as que foram vendidas e as que não foram
vendidas.
• Inventário Permanente: é quando controlamos de forma contínua os
estoques, registrando a baixa em cada venda pelo custo dessas mercadorias
(CMV); esse controle permanente é efetuado sobre todas as mercadorias que
estiverem à disposição para venda, ou seja, esse controle é efetuado sobre as
Mercadorias Vendidas e aquelas que não foram vendidas.

No inventário permanente, que será estudado mais a fundo nesse capítulo, pode-se
utilizar uma ficha de controle para se conhecer o saldo em Estoque; no inventário
periódico só é possível obter tal saldo com a contagem física.
Vejamos um exemplo de controle de estoque na seguinte situação hipotética.
1/06/2013 – Estoque Inicial de Ventiladores R$10.000,00 (10 unidades a R$
1.000,00)
2/06/2013 – Venda de 6 ventiladores por R$ 8.000,00
3/06/2013 – Compra de 4 ventiladores por R$ 1.000,00
3/06/2013 – Venda de 6 ventiladores por R$ 8.500,00

Exemplo de Ficha de Controle de Estoque

Iudícibus (2005) explica que, nessa ficha, é registrado o Custo da mercadoria


vendida pela soma das saídas de estoque, a empresa que está controlando esse
suposto estoque tem a possibilidade de fazer um só lançamento pelo total de CMV
– Custo da Mercadoria Vendida no período, mas desta só dará baixa das vendas
no dia da apuração do custo; não que isso seja um problema, mas a questão é que
deixa a contabilidade um tanto carente de informações e tira a função de controle
e apoio para tomada de decisões.
29

Para isso, existem 3 outros tipos de avaliações de estoques que ajudam na gestão

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do estoque e, consequentemente, acarretam em uma contabilidade mais eficaz e
eficiente.
Em um sistema de estoque permanente, todos os aumentos e diminuições são
registrados de um modo similar ao registro dos aumentos e diminuições de caixa.
A conta de estoque de mercadorias no início de um período indica as mercadorias
em estoques naquela data. Conforme explica Reeve (2009).
Vamos apresentar os 3 métodos e, logo após, vamos fazer um comparativo a fim
de ilustrar as consequências práticas deles, cabe destacar que tais métodos valem
para itens iguais.
Novamente, para exemplificar tais situações, vamos nos basear em uma planilha
de atividades.

Item: 127B

Data Ocorrência Unidade Custo Un.

1/01/2013 Saldo Inicial 100 20

4/01/2013 Venda 70

10/01/2013 Compra 80 21

22/01/2013 Venda 40

28/01/2013 Venda 20

30/01/2013 Compra 100 22

3.1 Método Primeiro a Entrar Primeiro a Sair (PEPS)


A maioria das empresas dispõe os produtos na ordem em que foram comprados.
Isso se dá principalmente com bens perecíveis e produtos que variam de estilo ou
de modelo constantemente; o método PEPS é, em geral, compatível com o fluxo
físico com a movimentação das mercadorias, o método PEPS gera resultados
semelhantes àqueles obtidos pela identificação dos custos específicos de cada item
vendido e em estoque.
30

Nesse método, os custos estão incluídos no custo das mercadorias vendidas na


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ordem que foram incorridos:

Observe que o Custo das mercadorias vendidas é R$ 2.630,00, e que, no fim de


janeiro, existiam 150 peças no estoque a um valor de R$ 3.250,00.

3.2 Último que entra primeiro que sai (UEPS)


O custo das unidades vendidas é o custo das compras mais recentes nesse método.
Vejam como fica a situação.

Ao comparar as contas de fichas de registro entre PEPS e UEPS, você certamente


perceberá que as contas são as mesmas até 10/01. Usando o UEPS, todavia, o custo
das 40 unidades vendidas em 22/01/13 é o custo das unidades desde a compra de
10/01 (R$ 21,00 a unidade), o custo das 70 unidades em estoque após a venda de
22/01 é o custo das 30 unidades restantes desde o estoque inicial.
31

Ribeiro (2010) acrescenta ainda um ponto importante ao método UEPS, a prática de

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atribuir preços mais recentes para as mercadorias vendidas, e preços mais antigos
para os estoques remanescentes resultam em lucros menores e, consequentemente,
menos impostos são recolhidos para o governo, razão que justifica a não aceitação
desse método pela Receita Federal do Brasil.

3.3 Custo médio ponderado


Nesse sistema, é calculado um custo unitário médio para cada tipo de item, sempre
que se efetua uma nova aquisição, e é esse valor médio atribuído ao estoque que
é usado para se determinar a venda até que seja efetuada uma nova compra,
calculando-se assim uma nova média. Se não, vejamos:

Para calcular a média do custo ponderado do estoque: soma-se a quantidade em


estoques com a quantidade recém-adquirida (30 + 80 = 110) e, em seguida, soma-se
o custo total do estoque com o custo total da compra (600 + 1680 = 2280) e, logo em
seguida, divide-se pelos itens em estoque (2280/110 = 20,73).
Esse é o sistema mais utilizado atualmente no Brasil, em razão do passado recente
da economia, e altas taxas de inflação.

3.4 Comparação entre os métodos de inventário


32

Iudícibus (1998) nos explica que, quando usamos o PEPS, estamos dando baixa
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da primeira unidade do estoque (mesmo que a quantidade vendida seja a última


comprada; lembramos que o fluxo é de custo e não de estoque), nesse caso, o
valor de estoque estará sempre avaliado pelas últimas compras e, portanto, mais
próximos de seu valor real, em caso de aumento dos preços, o custo das mercadorias
vendidas será feito pelos preços mais antigos, logo, o resultado será maior do que
o atual.
Percebam que o método UEPS é o que apresenta o Lucro menor, causando, assim,
menos lucro, e consequentemente menos impostos; o que apresenta melhor
indicação, de acordo com Ribeiro (2010), é o custo médio, pois atualiza os custos
a cada nova entrada e espelha melhor a realidade das mercadorias vendidas e
consequentemente o resultado.

3.5 Considerações Adicionais sobre o Inventário


Iudícibus (1998) ainda nos explica um pouco mais sobre outros aspectos sobre o
inventário, que deve abranger todas as mercadorias de propriedade da entidade,
quer esteja em seu poder, quer sob a custodia de terceiros, a inclusão deve basear-
se no critério da propriedade e não da posse.

Inventário Periódico
Fora o inventário permanente que já falamos acima, também existe a possibilidade
da entidade realizar, de acordo com Iudícibus (2005), o inventário periódico, que
ocorre quando não ocorre o inventário contínuo e tampouco do CMV, e para isso
é necessário fazer uma dedução.
CMV = Total das Mercadorias Disponíveis para Venda – Estoque Final
Podemos depurar essa fórmula com algumas inclusões nesse conceito.
CMV = EI + C – EF
Onde:
CMV = Custo da Mercadoria Vendida
EI = Estoque Inicial
C = Compras
EF = Estoque Final
33

Podemos utilizar os dados base do método PEPS (pois precisamos de um valor de

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estoque final) para calcular o CMV da seguinte forma:

CMV 2.630,00

EI 2.000,00

C 3880

EF 3.250,00

Exercícios de fixação
1) Ao atribuir as mercadorias estocadas aos custos mais recentes, a empresa estará
adotando o critério de:
a) UEPS
b) Custo Médio
c) PEPS
d) Preço específico

2) Atribuindo as mercadorias em estoques aos custos mais antigos, a empresa


estará adotando o critério:
a) Custo Médio
b) Preço Específico
c) PEPS
d) UEPS

3) O método não permitido pela Receita Federal do Brasil, de acordo com Ribeiro
(2005), é:
a) Custo Médio
b) Preço Específico
c) PEPS
d) UEPS
34

4) Dentre os conceitos vistos anteriormente, para inclusão do inventário, deve-se


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basear obrigatoriamente:
a) na propriedade
b) na posse
c) na ficha de estoque
d) no preço médio

5) Existem ao todo três tipos de inventários, sendo que ambos são importantes no
conceito de controle de estoques, mas cada um é utilizado para uma finalidade
diferente. Pensando nisso, o tipo de inventário realizado somente no final do
exercício é o:
a) Inventário permanente
b) PEPS
c) UEPS
d) Inventário Periódico

Gabarito:
1) a; 2) d; 3) d; 4) a; 5) d.
4 PLANO DE CONTAS

Introdução
Neste capítulo, veremos mais um conceito básico na contabilidade, e ao mesmo
tempo um conceito muito importante, o conceito de conta para que nosso objetivo
seja atingido, e entendermos o que é, como funciona e para que serve um plano
de contas.

4.1 Contas
Vamos pensar de maneira cotidiana e corriqueira o que significa a palavra. Você
poderá responder das seguintes maneiras:
• Uma operação de matemática
• Aquelas contas de água, de telefone, de cartão de crédito
• A conta corrente do banco
E todas estão corretas!
Agora, no meio contábil, conta, segundo Ribeiro (2010), é o nome técnico
que identifica um componente patrimonial (Bens, Direitos, Obrigação, ou
Patrimônio Líquido e receitas e despesas). No Capítulo 2, acompanhamos
a formação do patrimônio após cada operação, e, logo em seguida, para fins
didáticos, levantamos um balanço; na prática, devido a muitos lançamentos e
muitas operações, é impossível tal situação. Então é por meio das contas que a
contabilidade consegue desempenhar seu papel de registrar e controlar todos os
acontecimentos responsáveis pela gestão do patrimônio.
Lopes de Sá (1998) nos explica ainda que, para exprimir de forma clara e sintética, o
OBJETO de uma conta, ou seja, a natureza dos fenômenos que ela reúne, adota-se
um título, que é, portanto, a palavra ou designação que da nome a uma conta.
36

Exemplo:
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• Caixa (Dinheiro)
• Conta Corrente (Bancos)
• Aplicações (Bancos)
• Estoques do Produto A
• Seguros a Pagar
• Impostos a Pagar
As contas, segue explicando o autor, devem sempre evidenciar as relações entre
os fatos porque elas são sempre examinadas e estudas em função de outros
acontecimentos; como exemplo, o pagamento de uma nota fiscal de compra de
mercadoria pode ser explicado da seguinte forma:
Causa: (o que possibilitou o acontecimento, ou seja, a origem) dinheiro que a
empresa possuía em seus cofres.
Efeito: (o que resultou da operação, ou ainda, a consequência do fato) a compra
ou a estocagem.
As contas são classificadas em dois tipos, as contas patrimoniais e contas de
resultados. Vejamos as características de cada um desses tipos.
Contas Patrimoniais: Ribeiro (2010) explica que são as contas que representam
os componentes do patrimônio (representantes dos bens e direitos), dividem-se
em ativas (Bens e direitos) e passivas (obrigações e patrimônio líquido). Vejamos
o diagrama descrito no Quadro 1:

Quadro 1: Diagrama Patrimonial.

Balanço Patrimonial

Ativo Passivo

Bens Obrigações

Caixa Fornecedores

Veículos Fornecedores a Pagar

Imóveis Patrimônio Líquido

Direitos Capital

Clientes a Receber

Promissórias a Receber Total do Passivo


Fonte: Adaptado de Ribeiro (2010).
37

Contas de Resultado: o autor explica que as contas de resultado dividem-se em

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contas, contas de receitas e despesas e não integram o Balanço Patrimonial, e sim
uma outra demonstração que veremos mais adiante, chamada Demonstração do
Resultado do Exercício.
Contas de Resultado-Despesas: as despesas decorrem do consumo de bens e da
utilização de serviços, normalmente têm como títulos o tipo de despesa que cada
um corresponde.
• Água e Esgoto
• Fretes e transportes
• Impostos
• Material de Expediente
Contas de Resultado Receitas: Ribeiro (2010) nos explica que estas são decorrentes
da venda e da prestação de serviços, como, por exemplo:
• Aluguéis Ativos
• Descontos Obtidos
• Juros recebidos
• Venda de Mercadoria
• Receitas de Serviços
Com as contas, a contabilidade atinge sua principal finalidade, suprir os usuários
de informações sobre o patrimônio e suas variações.

4.2 Noções de Débito e Crédito


Como nosso propósito é compreender os principais conceitos contábeis e já
estudamos o conceito de conta, agora vamos entender os mecanismos para as
contas funcionarem, que são o débito e o crédito. Voltemos à representação do
gráfico em forma de T:

CONTAS

DÉBITO CRÉDITO

Segundo Ribeiro (2009), em toda representação em T, convenciona-se que o lado


esquerdo será sempre o lado do débito, e o lado direito sempre o lado do crédito
conforme acima.
38

Agora, vamos colocar em prática os conceitos de contas, patrimônio e débito e


ULBRA – Educação a Distância

crédito.

Contas Patrimoniais

Ativo = DÉBITO Passivo = CRÉDITO

Bens (+) Obrigações (-)

Direitos (-) Patrimônio Líquido (+ ou -)

Contas de Resultado

DÉBITO CRÉDITO

Despesas (-) Receitas (+)

Após a análise dos gráficos T acima, conclui-se que:


• As contas do Ativo têm natureza devedora
• As contas do Passivo têm natureza credora
• As contas de Despesa têm natureza devedora
• As contas de Receitas têm natureza credora

4.3 Plano de Contas


O plano de contas é uma peça na técnica contábil que estabelece previamente a
conduta a ser adota na escrituração por meio da exposição das contas em seus títulos,
funções, funcionamento, grupamentos análise e derivações (LOPES de SÁ, 1998).
É um conjunto de normas e intitulações de contas previamente estabelecido
destinado a orientar os trabalhos da escrituração contábil. Cada empresa deve
elaborar seu Plano de Contas, sempre obedecendo aos seus interesses, fluxos
operacionais e legislação pertinente.
É um engano muito comum para alguns profissionais entenderem que um Plano de
Contas se caracteriza apenas pelo elenco e pela numeração das contas, o elenco é sim
a espinha dorsal de um plano de contas, e ao foco de nossos estudos, entretanto, é
muito importante a consciência que um plano de contas é composto dos seguintes
itens (LOPES de SÁ, 1998).
• Apresenta o título das contas
• Apresenta a classificação das contas
• Apresenta a função das contas
• Explica o funcionamento das contas
39

• Regula o registro das contas

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• Apresenta a codificação das contas
Ribeiro (2009) ainda salienta um importante viés, lembra que o plano de contas
deve ser alinhado com o que rege a Lei 6404/76.
Lopes de Sá ainda segue explicando que um plano de contas deve ter tantas
contas quantas forem necessárias para expressar com clareza os fatos ocorridos
no patrimônio, e ainda vai além, o autor ainda nos mostra sete aspectos de um
bom plano de contas.
1. Seja adaptável ao fluxo da empresa
2. Tenha unidade técnica de nomenclatura e de funcionamento
3. Seja Claro, acessível
4. Seja flexível permitindo ampliações e reduções
5. Seja preciso e exato
6. Siga os princípios contábeis, e as normas
7. Enseje informações que possam possibilitar a imagem do patrimônio
Agora, montamos um ELENCO de contas simplificados segregados por contas:
Código Nome
1 ATIVO

1.1 ATIVO CIRCULANTE


1.1.01 Caixa
1.1.02 Bancos Conta Movimento
1.1.03 Clientes
1.1.04 Duplicatas a Receber
1.1.05 Promissórias a Receber
1.1.06 Estoque de Matéria Prima
1.1.07 Estoque de Material Expediente

1.2 ATIVO NÃO CIRCULANTE


1.2.01 Duplicatas a Receber
1.2.02 Promissórias a Receber
1.2.03 Computadores
1.2.04 Imóveis
1.2.05 Veículos
40
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Código Nome
2 PASSIVO
2.1 PASSIVO CIRCULANTE
2.1.01 Fornecedores
2.1.02 Duplicatas a Pagar
2.1.03 FGTS a Recolher
2.1.04 Salários a Pagar

2.2 PASSIVO NÃO CIRCULANTE


2.2.01 Duplicatas a Pagar
2.2.02 Promissórias a Pagar

2.3 PATRIMÔNIO LÍQUIDO


2.3.01 Capital
2.3.02 Reserva Legal

Código Nome
3 RECEITAS
3.1 RECEITAS OPERACIONAIS
3.1.01 Aluguéis Ativos
3.1.02 Descontos Obtidos
3.1.03 Juros Ativos
3.1.04 Receitas de Serviços
3.1.05 Receitas Eventuais

4 DESPESAS
4.1 DESPESAS OPERACIONAIS
4.1.01 Água e Esgoto
4.1.02 Aluguéis
4.1.03 Combustíveis
4.1.04 Descontos Concedidos
4.1.05 Contribuições Previdenciárias
41

Verifiquem que existe uma ordem para os códigos das contas.

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1- Contas do Ativo
2- Conta do Passivo
3- Receitas
4- Despesas
Esse foi o critério adotado por nós. Entretanto, cabe destacar que, como a
contabilidade é realizada por meio digital, essa numeração facilita a vida e é de
responsabilidade de cada contador.

4.4 Contas Patrimoniais


A ordem de disposição das contas Patrimoniais (Ativo e Passivo) é registrada de
acordo com a Lei 6.404/76 por ordem decrescente de liquidez e por ordem crescente
de grau de exigibilidade, respectivamente.
Ativo Circulante: de acordo com o art 179 da Lei 6406/76, disponibilidades, os
direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente e as aplicações de
recursos em despesas do exercício seguinte. O Pronunciamento 26 do Comitê
de Pronunciamentos Contábeis ainda explicita mais ainda o conceito de Ativo
Circulante.
O Ativo deve ser classificado como circulante quando satisfizer qualquer dos
seguintes critérios:
(a) espera-se que seja realizado, ou pretende-se que seja vendido ou consumido
no decurso normal do ciclo operacional da entidade;
(b) está mantido essencialmente com o propósito de ser negociado;
(c) espera-se que seja realizado até doze meses após a data do balanço; ou é caixa
ou equivalente de caixa.
O mesmo pronunciamento ainda explicita sobre Ativo Não Circulante, afirmando
que todos os itens que não se encaixarem acima são classificados no Ativo Não
Circulante.
O passivo, de acordo com o CPC 26 deve ser classificado como circulante quando
satisfizer qualquer dos seguintes critérios:
(a) espera-se que seja liquidado durante o ciclo operacional normal da
entidade;
(b) está mantido essencialmente para a finalidade de ser negociado;
42

(c) deve ser liquidado no período de até doze meses após a data do balanço;
ULBRA – Educação a Distância

ou
(d) a entidade não tem direito incondicional de diferir a liquidação do passivo
durante pelo menos doze meses após a data do balanço.
Tal como no ativo, o pronunciamento também afirma sobre o que não se encaixar
nessas definições será classificado como Passivo Não circulante.

Exercícios de fixação
1) Dentro do conceito de Contabilidade, aprendemos sobre débitos e créditos
entre outras nomenclaturas importantes, uma que é base para nosso estudo é
a “conta” que pode ser conceituada como:
a) o nome técnico que identifica um ou mais componentes
patrimoniais;
b) o nome técnico que identifica um componente do patrimônio líquido,
uma despesa, uma receita;
c) o nome técnico que identifica um componente patrimonial (bem, direito,
obrigação, patrimônio líquido) ou um componente de resultado (receita
ou despesa);
d) NDA.

2) Todas as contas utilizadas pela contabilidade podem ser classificadas como:


a) patrimonial e de resultado;
b) patrimonial e do patrimônio líquido;
c) patrimonial e de despesa;
d) de receita e patrimonial;

3) Qual das afirmativas abaixo representa o que são as contas patrimoniais:


a) são as que representam os elementos componentes do patrimônio e
dividem-se em receitas e despesas;
b) são as que representam os elementos componentes do resultado e
dividem-se em despesas e receitas;
c) são as que representam os elementos componentes do patrimônio e
dividem-se ativas e passivas;
d) são as que representam os elementos do patrimônio.
43

4) Assinale a Alternativa Incorreta dentro dos conceitos que compõe o plano de

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contas:
a) a função da conta é sua razão de ser;
b) o funcionamento refere-se à situação em que a conta será debitada ou
creditada;
c) A natureza da conta indica se o seu saldo é devedor ou credor;
d) Classificação, código e grau da conta significam a mesma coisa.

5) Leia as nomenclaturas identificadas e numeradas abaixo atentamente:


I. Adiantamento de Clientes
II. Bancos I
III. Caixa
IV. Duplicatas a Receber
V. Edifícios de Luxo
VI. Fornecedores
VII. Máquinas Fabris
VIII. Mercadorias
IX. Notas Promissórias a Pagar
X. Receitas de Vendas
XI. Salários a Pagar
XII. Terrenos
Dentre essas opções, quais as que constam só contas do ativo?
a) I, IV, VII, X

b) II, V, VIII, XII

c) III, VI, IX, XII

d) IV, VII, X, XII

Gabarito:
1) c; 2) a; 3) c; 4) d; 5) b.
5 VARIAÇÕES PATRIMONIAIS

Introdução
Percebam que esse livro é uma soma de conceitos e que estes têm sempre uma
interligação entre um capítulo e outro, fazendo assim uma legítima construção
contábil.
Após conhecermos as contas, e o plano de contas. É hora de entendermos as
variações que ocorrem no patrimônio, vamos falar de Atos e Fatos Administrativos
e Análise Vertical e Horizontal, quatro ferramentas que instrumentalizam o
entendimento contábil e a análise contábil.

5.1 Atos Administrativos


Ribeiro (2009) nos conta que são os acontecimentos que ocorrem na empresa e que
não provocam alterações no patrimônio; podemos citar, como exemplo, admissão
de funcionários, assinatura de contratos, vendas de seguro etc.
Alguns atos administrativos poderão, no futuro, provocar alterações no patrimônio
da empresa, eles são sim considerados relevantes, motivo pelo qual devem ser
registrados, se não pela contabilidade (em contas de compensação, que estão em
desuso), pela administração. Existem alguns atos administrativos relevantes.
Avais de títulos, quando a empresa avaliza títulos para terceiro. Esse ato coloca
em risco seu patrimônio, pois a empresa se compromete a pagar a dívida em caso
de inadimplência.
Fianças em favor de terceiros: a empresa torna-se fiadora de um terceiro, isso é
comum em contratos de locação, tal como o aval, a empresa pode vir a pagar o
título em caso de inadimplência.
46

Contratação de seguros, a empresa contrata com uma seguradora cobertura


ULBRA – Educação a Distância

contra riscos contra incêndio roubo etc., trata-se de se ter relevância, pois uma vez
ocorrendo o sinistro, a empresa será ressarcida.

5.2 Fatos Administrativos


Ainda, Ribeiro (2009) nos explica que os fatos administrativos são os acontecimentos
que provocam variações nos valores patrimoniais, que podem se refletir ou não
no Patrimônio Líquido, e, por modificarem o patrimônio, esses fatos devem
ser contabilizados por meio das contas patrimoniais e são classificados em três
grupos:
a) Fatos Administrativos Permutativos
b) Fatos Administrativos Modificativos
c) Fatos Administrativos Mistos

Vamos exemplificar bem cada um dos fatos administrativos partindo de uma


determinada situação da empresa Conquilha S/A demonstrada abaixo:

Balanço Patrimonial de Conquilha S/A

Ativo Passivo

Caixa.................................1.000,00 Salários a Pagar................. 300,00

Imóveis.............................2.800,00 Patrimônio Líquido

Duplicatas a Receber.........500,00 Capital................................ 3.200,00

Lucros Acumulados.............. 800,00

TOTAL.............................4.300,00 TOTAL............................. 4.300,00

5.3 Fatos Administrativos Permutativos


São aqueles que provocam permutações entre os elementos que compõem o Ativo/
Passivo sem modificar o Patrimônio Líquido, em outras literaturas também se
denominam fatos qualitativos.
Podem ocorrer troca entre elementos do Ativo, entre elementos do Passivo ou
ainda entre Ativo e Passivo.
47

5.3.1 Fatos Administrativos Permutativos entre elementos do Ativo

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Partindo do Balanço da Conquilha S/A apresentado anteriormente:

Fato “A”: recebimento de R$ 500,00 em dinheiro referente a uma duplicata.

Esse fato terá como consequências o aumento da conta caixa em R$ 500,00 pela
entrada do dinheiro e diminuirá a conta Duplicatas a Receber em também R$ 500,00,
tendo em vista que o cliente quitou sua dívida com a empresa.
O Direito (Duplicatas a Receber) deixa de existir, provocando um aumento e
diminuição de igual valor entre elementos do Ativo, o Balanço Patrimonial fica
assim após o Fato ”A”.
Balanço Patrimonial de Conquilha S/A
Ativo Passivo
Caixa.................................1.500,00 Salários a Pagar............. 300,00
Imóveis.............................2.800,00 Patrimônio Líquido
Capital................................3.200,00
Lucros Acumulados..............800,00
TOTAL.............................4.300,00 TOTAL............................. 4.300,00

Percebam que, como o fato foi permutativo entre elementos do ativo, não há razão
para alterar o valor do Patrimônio Líquido.

5.3.2 Fatos Administrativos Permutativos entre elementos do Passivo


Fato “B”: na conta salários a pagar no valor R$ 300,00, registrado no passivo, está
contida dentro desse valor a importância de R$ 30,00 equivalente ao imposto de
renda, faça a segregação dessas contas.

Vejamos quais as consequências dessa abertura de conta no passivo.


Balanço Patrimonial de Conquilha S/A
Ativo Passivo
Caixa.................................1.500,00 Salários a Pagar..................270,00
Imóveis.............................2.800,00 Impostos a Recolher............ 30,00
Patrimônio Líquido
Capital................................3.200,00
Lucros Acumulados..............800,00
TOTAL.............................4.300,00 TOTAL.............................4.300,00
48

Percebam que tanto em uma como em outra conta a referida importância também
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representa uma obrigação, ocorrendo uma permutação entre elementos do passivo,


e não alterando o valor do patrimônio líquido.

5.3.3 Fatos Administrativos Permutativos entre Ativos e Passivos


Fato “C”: compra de Móveis e Utensílios a prazo por R$ 700,00.

Vamos ver os reflexos desse fato em nosso balanço patrimonial:


Balanço Patrimonial de Conquilha S/A
Ativo Passivo
Caixa.................................1.500,00 Salários a Pagar..................270,00
Imóveis.............................2.800,00 Impostos a Recolher............ 30,00
Móveis e Utensílios...............700,00 Duplicatas a Pagar...............700,00
Patrimônio Líquido
Capital................................3.200,00
Lucros Acumulados..............800,00
TOTAL..............................5.000,00 TOTAL.............................5.000,00

Vejam que o ativo aumentou R$ 700,00 indo de R$ 4.300,00 para R$ 5.000,00 com a
inclusão da conta Móveis e Utensílios; tendo em vista que a compra foi efetuada a prazo,
o Passivo também aumentou em R$ 700,00 pela inclusão da conta Duplicatas a Pagar.

5.3.4 Fatos Administrativos Diminutivos


Fato “D”: a Conquilha S/A efetuou o pagamento em dinheiro de uma duplicata no
valor de R$ 500,00.

O fato D tem os seguintes reflexos no Balanço Patrimonial:


Balanço Patrimonial de Conquilha S/A
Ativo Passivo
Caixa.................................1.000,00 Salários a Pagar..................270,00
Imóveis.............................2.800,00 Impostos a Recolher............ 30,00
Móveis e Utensílios...............700,00 Duplicatas a Pagar...............200,00
Patrimônio Líquido
Capital................................3.200,00
Lucros Acumulados..............800,00
TOTAL..............................4.500,00 TOTAL.............................4.500,00
49

Vejam que houve diminuição tanto no Ativo quanto no Passivo. Entretanto, não

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houve impacto no Patrimônio Líquido. Apenas uma diminuição de R$ 500,00 na
conta caixa e igual valor na conta Duplicatas a Pagar.

5.3.5 Fatos Modificativos


Ribeiro (2009) nos fala que os fatos modificativos são aqueles que acarretam
mudanças no Patrimônio Líquido, nos fatos permutativos apenas as contas de
ativo e passivo são alteradas, porém, nos fatos modificativos, envolvem contas de
receita e despesa e, consequentemente, alteram o patrimônio líquido.

5.3.6 Fatos Modificativos Diminutivos


Fato “E”: a Conquilha S/A efetuou o pagamento de R$ 100,00 dinheiro por despesas
de uso de telefone.

Vejamos os impactos desse fato em nosso Balanço Patrimonial.

Balanço Patrimonial de Conquilha S/A


Ativo Passivo
Caixa...................................900,00 Salários a Pagar..................270,00
Imóveis.............................2.800,00 Impostos a Recolher............ 30,00
Móveis e Utensílios...............700,00 Duplicatas a Pagar...............200,00
Patrimônio Líquido
Capital................................3.200,00
Lucros Acumulados..............700,00
TOTAL..............................4.400,00 TOTAL.............................4.400,00

Vejamos que houve uma diminuição no caixa pelo pagamento da despesa telefônica
que sai de R$ 1.000,00 para R$ 900,00. A despesa com o uso telefônico provocou
uma diminuição no Patrimônio Líquido, no mesmo valor que saiu de R$ 800,00
para R$ 700,00.
Toda a despesa provoca redução nos lucros, enquanto toda receita causa aumento
nos lucros, é dessa forma que as despesas e receitas provocam variações no
Patrimônio Líquido.
50

5.3.7 Fatos Modificativos Aumentativos


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Agora, suponhamos a seguinte situação.


Fato “F”: a Conquilha S/A recebe R$ 200,00 em dinheiro referente à receita de
alugueis de imóveis.

Esse fato aumenta o ativo pela entrada de dinheiro, e aumentará o Patrimônio


Líquido pela receita auferida. Vejamos:
Balanço Patrimonial de Conquilha S/A
Ativo Passivo
Caixa..................................1.100,00 Salários a Pagar..................270,00
Imóveis.............................2.800,00 Impostos a Recolher............ 30,00
Móveis e Utensílios...............700,00 Duplicatas a Pagar...............200,00
Patrimônio Líquido
Capital................................3.200,00
Lucros Acumulados..............900,00
TOTAL..............................4.600,00 TOTAL.............................4.600,00

5.3.8 Fatos Mistos


Agora é hora de misturar os conceitos, os Fatos Mistos, de acordo com Ribeiro
(2009), envolvem ao mesmo um fato permutativo e um modificativo, podem,
portanto, causar alteração no Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido, ou em qualquer
combinação desses três.

5.3.9 Fatos Mistos Aumentativos


Fato “G”: os móveis e utensílios que custaram R$ 700,00 foram vendidos por R$ 750,00.

Primeiro, vejamos o Balanço impactado pela situação G.


Balanço Patrimonial de Conquilha S/A
Ativo Passivo
Caixa..................................1.850,00 Salários a Pagar..................270,00
Imóveis.............................2.800,00 Impostos a Recolher............ 30,00
Móveis e Utensílios...............0,00 Duplicatas a Pagar...............200,00
Patrimônio Líquido
Capital................................3.200,00
Lucros Acumulados..............950,00
TOTAL..............................4.650,00 TOTAL.............................4.650,00
51

O Ativo sofreu uma permutação: diminuiu R$ 700,00 pela baixa do imobilizado

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e aumentou R$ 750,00 pela entrada do dinheiro em caixa, percebe-se que houve
também um aumento de R$ 50,00, pois foi vendido acima do seu custo.
O aumento de R$ 50,00 ocorrido no ativo foi compensado pelo aumento, no
mesmo valor, no patrimônio líquido. Então tivemos, ao mesmo tempo, um fato
modificativo, e um modificativo.

5.3.10 Fatos Mistos Diminutivos


Suponhamos a seguinte ocorrência:

Fato “H”: a empresa Conquilha S/A efetuou o pagamento de uma duplicata no


valor de R$ 200,00 em dinheiro tendo pago R$ 20,00 de juros pelo atraso, pagando,
portando, R$ 220,00.

Esse fato acarretará na diminuição do ativo pela saída de R$ 220,00 do caixa,


também acontecerá diminuição no passivo pela extinção da conta duplicatas a
pagar no valor de R$ 200,00 e diminuição do Patrimônio Líquido pelo pagamento
de despesas com juros no valor de R$ 20,00.
Vejamos a situação do Balanço Patrimonial

Balanço Patrimonial de Conquilha S/A


Ativo Passivo
Caixa..................................1.630,00 Salários a Pagar..................270,00
Imóveis.............................2.800,00 Impostos a Recolher............ 30,00
Móveis e Utensílios...............0,00 Duplicatas a Pagar...............0,00
Patrimônio Líquido
Capital................................3.200,00
Lucros Acumulados..............930,00
TOTAL..............................4.430,00 TOTAL.............................4.430,00

Para facilitar a fixação dos tipos de fatos administrativos, veja o seguinte


esquema.
• Fatos Permutativos: apenas contas patrimoniais.
• Fatos Modificativos: apenas uma conta patrimonial (bem, direito, obrigação)
e uma ou mais contas de resultado ou Patrimônio Líquido.
• Fatos Mistos: mais de uma conta patrimonial e uma ou mais conta de resultados
ou de Patrimônio Líquido.
52

5.4 Análise Horizontal


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Uma vez que os balanços e demonstrações de resultados estejam expressos em


moeda de poder aquisitivo da mesma data, a análise horizontal assume certa
significância e pode acusar imediatamente áreas de maior interesse para análise
(IUDÍCIBUS, 2005).
A Análise Horizontal dedica-se a elucidar como está ocorrendo a evolução de cada
item ou conjunto de itens constantes das demonstrações no decorrer dos tempos.
É chamada de horizontal por duas razões:
1) estabelece o primeiro ano ou ano-base para a análise e, a partir deste, verifica-
se qual foi a evolução nos anos seguintes;
2) preocupa-se com o crescimento ou decrescimento de itens ou conjunto de itens
específicos, ou seja, não compara um item com outro no mesmo período e sim
o mesmo item a cada período.
É, portanto, fundamental para o estudo de tendências. Ainda que esse tipo de análise,
assim como a vertical, possua uma utilização bastante restrita, principalmente em
função do trabalho na montagem do grande número de quocientes.
Vejamos um exemplo de análise horizontal:

Balanço Patrimonial Querência S/A


Ativo 2012 A.H (%) 2013 A.H (%)

Caixa 500 100 750 50,00


Bancos 50.000,00 100 65.000,00 30,00
Imobilizado 100.000,00 100 90.000,00 -10,00
Clientes 15.000,00 100 17.000,00 13,33
TOTAL DO ATIVO 165.500,00 100 172.750,00 4,38

Balanço Patrimonial Querência S/A


Passivo 2012 A.H (%) 2013 A.H (%)

Fornecedores 50.500,00 100 60.000,00 18,81


Impostos a Pagar 15.000,00 100 10.000,00 -33,33
100
Patrimônio Líquido 100.000,00 100 102.750,00 2,75
TOTAL DO PASSIVO 165.500,00 100 172.750,00 4,38
53

Dessa forma, podemos observar a evolução patrimonial em determinado período

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de tempo, bem como o comportamento de cada conta da demonstração.
Vejam que o ativo cresceu 4,38% de 2012 para 2013, entretanto o Imobilizado teve
uma queda de 10%, já, no passivo, os impostos a pagar tiveram uma queda de
33,33%
A partir dessas informações, poderemos observar a movimentação desses recursos
dentro da empresa, e possíveis reflexos na situação financeira.

5.5 Análise Vertical


Uma das grandes utilidades da Análise Vertical concentra-se na verificação da
estrutura de composição dos itens das demonstrações e a sua evolução, com enfoque
especial ao estudo das tendências.
A ideia dessa análise consiste em: estabelecer um item como base e, partir daí,
verificar quanto cada um dos demais itens representa em relação ao item escolhido
como base, buscando evidenciar as participações dos elementos.
Vejamos um exemplo de análise vertical no Balanço da Querência S/A

Balanço Patrimonial Querência S/A

Ativo 2012 A.V (%) 2013 A.V (%)

Caixa 500 0,30 750 0,43

Bancos 50.000,00 30,21 65.000,00 37,63


Imobilizado 100.000,00 60,42 90.000,00 52,10

Clientes 15.000,00 9,06 17.000,00 9,84


TOTAL DO ATIVO 165.500,00 100,00 172.750,00 100,00

Balanço Patrimonial Querência S/A

Passivo 2012 A.V (%) 2013 A.V (%)

Fornecedores 50.500,00 30,51 60.000,00 34,73


Impostos a Pagar 15.000,00 9,06 10.000,00 5,79

Patrimônio Líquido 100.000,00 60,42 102.750,00 59,48


TOTAL DO PASSIVO 165.500,00 100,00 172.750,00 100,00
54

Pela análise vertical, entendemos que os valores depositados em bancos tiveram


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uma representatividade maior no ativo em 2013 do que em 2012; em compensação,


os Impostos a Pagar tiveram uma queda de 9,06% para 5,79 no total do passivo.
Há que se destacar que a grande utilidade na análise vertical não está em tão
somente verificar acréscimos e decréscimos, mas em evidenciar quais as verdadeiras
causas, e eventuais correções que se fazem necessárias dentro de situações
patrimoniais e de resultado diferentes.
Para sintetizar:
• Análise Horizontal: mostrar a evolução de cada conta das demonstrações
financeiras e pela comparação entre si evidenciar causas da evolução da
entidade.
• Análise Vertical: destacar a importância de cada conta em relação à
demonstração contábil que pertence e, por meio da comparação com padrões
do mercado ou da própria entidade, permitir mostrar comportamentos fora
de padrões.

Exercícios de fixação
1) Os eventos que ocorrem no dia a dia das entidades e que não provocam
modificações no patrimônio são chamados de:
a) Atos Administrativos
b) Fatos Administrativos
c) Fatos Permutativos
d) Fatos Modificativos

2) Os eventos que provocam modificações entre elementos do ativo e do passivo


e entre ambos ao mesmo tempo, sem provocar modificações no Patrimônio
Líquido, denominam-se:
a) Atos Administrativos
b) Fatos permutativos, qualitativos ou compensativos
c) Fatos modificativos
d) Fatos mistos
55

3) Os eventos que ocorrem no dia a dia das empresas e que provocam modificações

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no patrimônio são:
a) Atos administrativos
b) Atos contábeis
c) Fatos Administrativos
d) Fatos Administrativos que não devem ser contabilizados

4) Os eventos que ocorrem no dia a dia das empresas e que provocam modificações
para mais ou para menos no Patrimônio Líquido são denominados.
a) Atos Administrativos
b) Fatos permutativos, qualitativos ou compensativos
c) Fatos Modificativos
d) Fatos Mistos

5) Os Eventos que ocorrem no dia a dia das entidades provocando alterações entre
elementos do Ativo e do Passivo ou entre ambos ao mesmo tempo, interferindo
no Patrimônio Líquido, denominam-se:
a) Atos Administrativos
b) Fatos Permutativos
c) Fatos Modificativos
d) Fatos Mistos

Gabarito:
1) a; 2) c; 3) c; 4) d; 5) d.
6 DEPRECIAÇÃO, AMORTIZAÇÃO
E EXAUSTÃO

Introdução
Com exceção de terrenos e de alguns outros itens, os elementos que integram o
Ativo Imobilizado tem um período de vida útil limitado, dessa forma, o custo de
tais ativos devem ser apropriados, ao resultado, durante os anos beneficiados pelo
uso desse bem.
É sobre a perda desse valor do Ativo Imobilizado que esse capítulo vai tratar,
bem como sua importância econômica e suas características na gestão contábil
dos bens.

6.1 Depreciação
O artigo 183 da Lei 6.404/76 diz que depreciação corresponde à perda do valor dos
direitos que tem por objetos bens físicos sujeitos a desgastes ou perda de utilidade
por uso, ação da natureza ou obsolescência.
Ribeiro (2010) nos fala que depreciar, consiste em considerar despesa ou custo do
período uma parte do valor gasto na compra dos bens de uso da empresa.
Quando a empresa adquire bens de consumos duráveis, que serão utilizados pela
empresa para desenvolver suas atividades operacionais, tais bens serão depreciados
ao longo dos anos de vida útil estimado para esse bem, permitindo assim que o
valor gasto na sua compra seja distribuído proporcionalmente, compondo o custo
ou o valor das despesas dos exercícios durante os quais esse bem foi utilizado.
Até 2008, as regras para depreciação eram definidas pela Receita Federal do Brasil,
agora o que prevalece para determinar as quotas de depreciação é o prazo de vida
útil econômica do bem.
58

Como já dito no artigo 183 da Lei 6404/76, as causas da depreciação são Desgaste
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pelo Uso, Ação da Natureza, ou Obsolescência. Vamos estudar uma a uma com a
ajuda de Ribeiro (2010):
• Desgaste pelo Uso: após entrar em operação, os bens adquiridos se desgastam,
comprometendo e enfraquecendo a capacidade operativa. Podemos citar, como
exemplo, um carro, quando utilizado diariamente, no final de 5 anos, não terá
o mesmo rendimento quando era novo.
• Ação da Natureza: todo bem exposto às variações climáticas (frio, vento, calor,
chuva...) sofrem desgastes e também enfraquecendo a capacidade produtiva,
novamente o exemplo de um automóvel que, quando usado em uma praia,
tem mais problemas decorrentes de maresias.
• Obsolescência: consequência da evolução tecnológica, os bens tornam-se
ultrapassados e caem em desuso para dar lugar aos novos, de modelos mais
recentes.
O Pronunciamento 27 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis agrega ainda
a esses conceitos iniciais o seguinte, “cada componente de um item do ativo
imobilizado com custo significativo em relação ao custo total do item deve ser
depreciado separadamente (2009, p. 12)”. Ou seja, o que o CPC quer nos dizer é
que o controle dos bens a serem depreciados podem ser por classes e, em alguns
casos, individualizados por bens.
O item 48 do CPC 27, também nos alerta ao destino da depreciação, que deve ser
reconhecido no resultado ou, em alguns casos mais específicos, no valor contábil
de outro ativo.
Retornando ao artigo 183 da lei 6404/76, há o inciso 3, que afirma que os valores
registrados no ativo imobilizado devem ser revisados periodicamente a fim de que
sejam ajustados os critérios utilizados para determinação da vida útil econômica
estimada do bem e para cálculo da depreciação; tal recomendação legal também
é reforçada pelo item 51 do CPC 27, e aqui se abre uma discussão entre as práticas
societárias e as práticas fiscais, que até o momento são divergentes, exigindo uma
postura para o ativo da administração da entidade ao escolher um critério contábil
a adotar.

6.1.1 Legislação Fiscal


Se por um lado a Lei 6404/76 e o Comitê de Pronunciamentos Contábeis afirmam
que taxa da depreciação estabelece-se de acordo com a vida útil econômica, o
Regulamento do Imposto de Renda, o RIR, em seus artigos 305 a 323, estabelece
os critérios básicos de depreciação, para fins fiscais.
59

As taxas anuais de depreciação por parte da Secretaria da Receita Federal são:

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Classe de Ativos Taxa Anual Anos de Vida Útil

Edifícios 4% 25

Máquinas e Equipamentos 10% 10

Instalações 10% 10

Móveis e Utensílios 10% 10

Veículos 20% 5

Sistema de Processamento de Dados 20% 5

Complementarmente a essa tabela, constante no RIR, a Secretaria da Receita


Federal, por meio da Instrução Normativa SRF no 162 de 31/12/1998, aprovou
uma extensa e pormenorizada lista de bens com os respectivos prazos de vida
útil e taxas anuais.
Entretanto, o fisco admite ainda que as empresas adotem taxas maiores de
depreciação, quando suportadas por laudos periciais de entidades oficiais de
pesquisas científicas ou tecnológicas.
Logo, há uma clara diferença entre os critérios societários e os critérios fiscais, mas,
entre os dois, qual adotar? Iudícibus (2010) nos afirma que, contabilmente, não
se pode aceitar parâmetros previamente estabelecidos pela Secretaria da Receita
Federal, devendo a entidade realizar um estudo dos bens que formam o seu
imobilizado e estimar a vida útil econômica, o valor depreciável e o valor residual,
como base para registro da depreciação na contabilidade, e, em caso de diferença
entre a depreciação societária e fiscal, esta deve der lançada como ajuste no Livro
de Apuração do Lucro Real.

6.1.2 Valor Depreciável e Valor Residual


Iudícibus (2010) ensina que o valor depreciável de um ativo imobilizado é
determinado pela diferença entre o custo pelo qual está reconhecido, deduzido
do valor residual.
O valor residual é o valor que bem estará registrado na contabilidade ao final de
sua vida útil econômica, e deve ser determinado pela administração da entidade,
e revisado periodicamente; o item 53 do CPC 27 nos adverte que, “Na prática, o
valor residual de um ativo não é significativo, e imaterial para o cálculo do valor
depreciável”
60

A técnica contábil estipula que o valor residual do bem deve ser computado como
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dedução de seu valor total para determinar o valor base de cálculo da depreciação.
Iudícibus (2010) alerta que, na prática, esse procedimento não tem sido muito
adotado, pois é difícil estimar o valor residual; entretanto, a entidade deve estimar
esse valor tendo por base toda a informação contábil disponível no momento da
estimação.

6.1.3 Métodos de Depreciação


Existem vários métodos para cálculo de depreciação, vamos analisar os mais
comuns:
Método Linear:
Ribeiro (2010) cita que, devido à praticidade, esse é o método mais utilizado no
Brasil, também conhecido como Quotas Constantes e é representado pela seguinte
forma:

Depreciação = (Valor do Custo – Valor Residual)/vida útil.


Exemplo:
Custo do Bem: R$ 6.000,00
Vida Útil Estimada: 5 anos (60 meses)
Valor Residual: R$ 100,00
Depreciação = R$ 6.000 -100,00/60
Depreciação = 98,33/Mês

Método da soma dos algarismos dos anos


Esse método, que, em essência, também é linear. De acordo com Iudícibus (2010),
vejamos no exemplo como ele se comporta. Suponhamos que o tempo de vida útil de
um bem tenha sido estimado em 4 anos. Veja como será calculada a depreciação.
Em primeiro lugar, somam-se os algarismos que compõem o número de anos de
vida útil do bem, em nosso exemplo, eram quatro anos, então:
1 + 2 + 3 + 4 = 10
Esse número 10 será considerado o denominador da fração que determinará a taxa
de depreciação de cada ano, podendo-se utilizar taxas crescentes ou decrescentes,
pois existem bens que, nos primeiros anos, apresentam uma produtividade mais
alta; outros demoram mais a entrar no seu nível pleno de produtividade, então
poderemos ter:
Taxas Crescentes
1o Ano = 1/10
2o Ano = 2/10
61

3o Ano = 3/10

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4o Ano = 4/10

Taxas Decrescentes
1o Ano = 4/10
2o Ano = 3/10
3o Ano = 2/10
4o Ano = 1/10
Vejamos no exemplo prático abaixo:

Valor do Bem: R$ 6.000,00


Valor Residual R$ 100,00
Vida útil: 4 anos
Cálculo Taxas Crescentes
Valor Depreciável: R$ 5.900,00

Resolução:
Depreciação Anual Ano 1 = (1/10)*5.900 = 590,00
Depreciação Anual Ano 2 = (2/10)*5.900 = 1.180,00

E a tabela completa fica assim:

Ano Valor Depreciável Depreciação Anual

1 5.900,00 590,00

2 5.900,00 1.180,00

3 5.900,00 1.770,00

4 5.900,00 2.360,00

Total 5.900,00

Para se saber o valor ao mês, basta dividir o valor anual por 12.

Método das horas de trabalho


Ribeiro (2010) nos conta que esse método consiste em estipular a taxa de depreciação
com base no número de horas trabalhadas, para isso, estima-se em horas o tempo
de vida útil do bem, a taxa de depreciação será calculada proporcionalmente em
decorrência do número de horas trabalhadas no respectivo período.
62

Suponhamos que o tempo de vida útil de uma determinada máquina industrial


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seja 1.920 horas, considerando que, no primeiro ano, a máquina tenha trabalho
219 horas, aplica-se uma regra de três simples:
1920 horas = 100%
219 horas = X
219 *100/1920 = 11,4%

Método das Unidades Produzidas


Basicamente, é estipular a taxa de depreciação com base no número de unidades
produzidas pelo bem em um determinado bem do ativo imobilizado.
Como exemplo, temos uma máquina que tem sua capacidade produtiva estimada
em 50.000,00 no primeiro ano de utilização a mesma produziu 200 unidades.
Vejamos como seria considerada a depreciação:
50.000 Unidades = 100%
200 Unidades = X
200*100/50.000 = 0,04%

6.1.4 Considerações Gerais Sobre a Depreciação


Cabe destacar aqui, conforme lembra Ribeiro (2010), que a depreciação começa
no mês que o bem for instalado e começar a funcionar, e não a partir da compra,
o autor ainda lembra, quando um bem começa a funcionar no último dia de um
mês, aplica-se a depreciação do mês integral.
Não se depreciam os terrenos, prédios destinados a aluguéis, mas ainda não
alugados, bens que aumentam de valor, tais como obras de arte e bens cuja vida
útil seja superior a um ano.
O lançamento contábil da depreciação é:
Debita-se pela despesa de depreciação; e
Credita-se pela conta Depreciação Acumulada, conta redutora do ativo
imobilizado.

6.2 Amortização
A Amortização, segundo Ribeiro (2010), é a diminuição do valor do capital aplicado
na aquisição de direitos cuja a utilização tenha o prazo legal contratualmente
definido.
63

Contabilmente, a amortização é semelhante à depreciação, porém aplicado aos bens

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imateriais tais como concessões, direitos de uso, ativos intangíveis entre outros; o
artigo 327 do RIR estabelece que a taxa de amortização é fixada baseada em:
• O número de anos restantes de existência do direito
• O número de períodos de apuração em que deverão ser usufruídos benefícios
econômicos futuros
A quota de amortização é determinada pela aplicação da taxa anual sobre o valor
original do capital aplicado, que também pode ser alocada ao resultado mensal
ou anualmente. Vamos ver um exemplo:
Calcule e contabilize a quota de amortização da conta Marcas e Patentes pela taxa
de 10%, sendo que o saldo da conta é R$ 10.000,00:
10% de R$ 10.000,00 = 1.000,00

6.3 Exaustão
A exaustão, tal como a depreciação e a amortização, também é a perda do valor e
a devida distribuição de custos durante o período utilizado, só que específico para
recursos minerais, florestais e resultantes de exploração. A exaustão está respaldada
nos artigos 330 a 334 do Regulamento do Imposto de Renda.
Vamos ver alguns casos específicos de exaustão, a fins de ilustração.

6.3.1 Exaustão de recursos Minerais


O valor total da quota anual de exaustão de recursos minerais de cada ano será
determinado com mesmos princípios já explicados da depreciação, com base no
custo, já a taxa pode ser das seguintes maneiras:
1. Em função do prazo de concessão:
O Cálculo da quota é feito sobre o valor dos gastos realizados para obter a concessão;
por exemplo, suponhamos que o prazo de concessão de uma determinada mina
de carvão seja de 8 anos, nesse caso, a taxa de exaustão deverá ser calculada sobre
os gastos efetuados pela obtenção do direito de exploração.
100%/8 anos = 12,5% a.a. (ao ano)
2. Relação de Produção e Reserva Potencial da Mina.
Suponhamos que a capacidade estimada de uma determinada jazida seja de 1.000
toneladas e que, no período correspondente, tenha sido extraído 70 toneladas, a
taxa de exaustão será conhecida pelo seguinte cálculo.
70x100/1.000 = 7% a.a.
64

Vamos agora a um exemplo contábil prático:


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Valor Contábil de uma jazida de carvão = R$ 200.000


Reserva Potencial da Mina = 1.000 toneladas
Foram extraídas, no período, 150 toneladas
Prazo de Concessão 20 anos

Cálculo da quota de exaustão por base de concessão


100%/20 anos = 5% a.a.
Aplicando-se 5% sobre os R$ 200.000 para obter o valor da quota de exaustão no
ano que é de 10.000,00.

Cálculo por Relação de Produção e Potencial da Mina


150X100/1.000 = 15%
Novamente, aplicando o percentual achado sobre os R$ 200.000 para obter o valor
da quota de exaustão, chega-se no valor de R$ 30.000,00 de exaustão anual.

6.3.2 Exaustão de Recursos Florestais


Ribeiro (2010) nos explica que a Exaustão de Recursos Florestais tem como base o
valor das florestas, para isso é observado o seguinte critério.
• É apurado o percentual e o volume dos recursos florestais utilizados ou a
quantidade de árvores extraídas durante o período, relacionando extração/
volume total da floresta.
• O percentual encontrado será aplicado sobre o valor contábil da floresta.
Sintetizando

Depreciação = Bens Materiais, veículos, móveis, máquinas.


Amortização = Bens intangíveis, capitais aplicados, marcas e patentes.
Exaustão = Recursos Minerais e Florestais.
65

Exercícios de fixação

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1) Escolha a alternativa correta, com base nas nomenclaturas citadas:
Móveis e Utensílios, Mina de Carvão, Fundo de Comércio, Computadores,
Participação em Coligadas, Obras de Arte, Instalações, Marcas e Patentes.
a) Três estão sujeitos à depreciação, os demais à amortização.
b) Três estão sujeitos à depreciação, um sujeito à exaustão, e quatro não
sujeitos aos fenômenos em questão.
c) Oito sujeitos à Depreciação.
d) Três sujeitos à depreciação, um está sujeito à exaustão, dois estão sujeitos
à amortização e dois não estão sujeitos aos fenômenos em questão.

2) Observe os itens: Motocicletas, Ferramentas em Geral, Computadores, Imóveis,


Móveis e Utensílios.
Fiscalmente, o tempo de vida útil de cada um desses itens do ativo imobilizado é de:
a) 25, 10, 20, 4 e 10 anos
b) 5,10, 5, 25 e 10 anos
c) 5, 20, 20, 25 e 10 anos
d) 10, 5, 20, 25 e 20 anos

3) No ativo circulante de uma empresa, encontra-se os seguintes bens:


a) Terrenos sem benfeitorias
b) Apartamentos desocupados, sem uso
c) Jazidas de Pedras
d) Obras de Arte

4) Da relação acima, quais estão sujeitos a depreciação?


a) 4 deles;
b) 3 deles;
c) 2 deles;
d) Nenhuma das Alternativas.
66

5) A depreciação de um bem não é alocada na despesa quando:


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a) O bem é usado na produção


b) O Bem é financeiro
c) O bem é arrendado
d) Nenhuma das Alternativas

6) Valor Residual caracteriza-se como:


a) Valor de Custo – Valor Depreciável
b) Valor de Custo + Valor Depreciável
c) Valor Depreciável x Valor de Custo
d) Valor Depreciável / Valor de Custo

Gabarito:
1) d; 2) c; 3) d; 4) a; 5) a.
7 PRINCÍPIOS E REGIMES CONTÁBEIS

Introdução
Os princípios contábeis são as premissas básicas acerca dos fenômenos contemplados
pela contabilidade; como as pessoas jurídicas são as maiores utilizadoras da
contabilidade, e os negócios vêm em uma linha evolutiva muito grande, é
fundamental que se estabeleça pontos pétreos, premissas fundamentais.
Os princípios fundamentais de contabilidade estão pautados pela Resolução do
Conselho Federal de Contabilidade 750/93, vejamos o que diz o artigo 2 da referida
resolução.

Os Princípios de Contabilidade representam a essência das doutrinas e teorias


relativas à Ciência da Contabilidade, consoante o entendimento predominante nos
universos científico e profissional de nosso País. Concernem, pois, à Contabilidade
no seu sentido mais amplo de ciência social, cujo objeto é o patrimônio das entidades.
(CFC, 1993, p. 2)

São os seguintes os princípios de contabilidade


I Entidade
II Continuidade
III Oportunidade
IV Registro do Valor Original
V Competência
VI Prudência
68

7.1 O Princípio da Entidade


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Pressupõe-se que a contabilidade é mantida para as entidades como pessoas


completamente distintas das pessoas físicas que são seus sócios.
Podemos afirmar que, para a contabilidade, qualquer indivíduo, empresa, grupo
de empresas, que efetue atividade econômica que seja tão importante, a critério dos
donos do capital, que justifique um relatório separado e a individualização de receita
e despesas, pode tornar uma entidade contábil, como nos explica Iudícibus (1997).
Por exemplo, quando uma firma individual, que o princípio da entidade também
considera como uma entidade distinta de seu dono, paga uma despesa, é o caixa
da firma que está pagando, e não o dono da empresa. A Resolução do Conselho
Federal de Contabilidade (1993) nos fala que o patrimônio pertence à entidade,
mas o contrário não é verdadeiro, a soma contábil de diversos patrimônios não
cria uma nova entidade, mas sim uma unidade de natureza, tal situação ocorre
nos casos de empresas que têm outras como controladas, a junção dos balanços
não faz outra entidade.

7.2 O Princípio da Continuidade


O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no
futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio
levam em conta essa circunstância.
Esse princípio, como explica Iudícibus (1997), entende que a entidade é vista como
um mecanimo voltado para adicionar valor aos recursos que utiliza, e seu sucesso
é mensurado pelo valor das vendas ou serviços menos os custos em um esforço
para produzir receita. Acredita-se que, em princípio, seja muito importante, pois
a contabilidade cada vez mais se ocupa em registrar e avaliar o retorno dos gastos
incorridos nos ativos da entidade.
Esse princípio, que tem grande validade, apresenta importantes consequências
para a contabilidade, pois se aceitarmos a hipótese de que a duração da empresa
é indeterminada, avaliação dos bens é diferente daquele que ocorre quando a
empresa está em liquidação.
Se, por acaso, houver evidências que a entidade deixará de operar o contador,
deve informar não só os sócios, mas a sociedade, por meio de notas explicativas e
mudar as bases avaliativas dos ativos e passivos da entidade.

7.3 O Princípio da Oportunidade


A Resolução do Conselho Federal de Contabilidade 750/93 especifica que os
efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se
69

referem, independentemente do recebimento ou pagamento; também pressupõe

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a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas.
O ponto principal desse princípio é o reconhecimento das transações que afetam
o patrimônio no momento em que ocorrem, o Princípio da Oportunidade não
se confunde com o Princípio da Competência. O princípio da Oportunidade é
referente às contas patrimoniais.
Essa tempestividade, de que trata o princípio da Oportunidade, implica necessidade
de adoção pela Contabilidade de estimativas que produzam informações
confiáveis. Essas informações que são base de reconhecimento e de elaboração das
demonstrações contábeis mais completas e úteis para seus usuários.

7.4 O Registro pelo Valor Original


O Conselho Federal de Contabilidade explica que, o Patrimônio de uma entidade
deve ser registrado em moeda nacional e fala ainda sobre quais bases utilizar para
essa mensuração.
a) Custo Histórico: os bens e direitos serão registrados pelos valores pagos ou a
serem pagos em caixa ou equivalentes de caixa ou pelo valor justo dos recursos
que são entregues para adquiri-los. Os passivos são registrados pelos valores
dos recursos que foram recebidos em troca da obrigação ou, em algumas
circunstâncias, pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, os quais serão
necessários para liquidar o passivo no curso normal das operações.
Uma vez integrados, os componentes patrimoniais (bens direitos e obrigações)
podem sofrer alterações, tais como:
a) Custo Histórico: ativos são registrados pelo preço como se tivessem sido
comprados no dia do levantamento das Demonstrações financeiras.
b) Valor Justo: é o valor pelo qual um ativo pode ser trocado, ou um passivo
liquidado, entre partes conhecedoras dispostas a isso em uma transação sem
favorecimentos.
c) Os efeitos da alteração do poder aquisitivo da moeda nacional devem ser
reconhecidos nos registros contábeis mediante o ajustamento da expressão
formal dos valores dos componentes patrimoniais.
A utilização do critério de se avaliar elementos patrimoniais pelo valor original
é, talvez, um dos princípios internacionalmente mais aceitos; em quase todos os
países essa aceitação generalizada se deve aos seguinte fatores (Niyama, 2009).
1. O valor original é um dado economicamente interessante que marca no tempo
algumas condições de inflação e de condições da empresa.
70

2. Facilidade de verificação, por parte dos auditores e contadores.


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3. Facilidade de adoção, ao contrário do valor de mercado.


Também cabe destacar a exigência de registro das operações em moeda corrente
nacional, o que permite mensurar de forma homogênea as alterações patrimoniais,
aqui a preocupação foi em relação às transações feitas em moedas estrangeiras que
devem ser convertidas em moeda nacional.

7.5 Princípio da Competência


Por esse princípio, entende-se que as receitas e as despesas devem ser consideradas
para a apuração do resultado do período a que se referirem e no momento de sua
ocorrência.
Não importa o momento em que a receita foi recebida ou o momento em que a
despesa foi paga. Para a determinação do resultado do período, a realização da
receita deve ser reconhecida quando bens ou serviços são transferidos a terceiros.
As despesas, da mesma forma, devem ser registradas dentro do período e quando
são consumidas.
Esse princípio é consegrado internacionalmente como um conceito voltado para
apuração do lucro mediante confronto de despesas e receitas, é importante ressaltar
que a competência desvincula a contabilidade das entradas e saídas de caixa, ou
seja, o conceito que muitas vezes é confundido por leigos que lucro de uma entidade
é o dinheiro que sobra no caixa ao final de cada exercício social.

7.6 Princípio da Prudência


O Conselho Federal de Contabilidade fala que o princípio da Pudência exige
a adoção do menor valor para os componentes do ATIVO e do maior para os
do PASSIVO, sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas para a
quantificação das mutações patrimoniais que alterem o patrimônio líquido.
O conservadorismo é a marca forte desse princípio contábil, e por isso esse princípio
é alvo de algumas críticas por alguns profissionais, e alguns profissionais entendem
que ele impede Demonstrações Contábeis mais justas.

Importante:
Essência sobre a forma.
Sempre que possível, a contabilidade, ao contemplar o registro de uma transação,
deverá observar sua forma legal e essência econômica. Entretanto, se a forma, de
alguma maneira dissimular ou não representar claramente a essência econômica
da transação, esta última deverá ser a base de registro para a Contabilidade.
71

Por exemplo, uma empresa vende um ativo, uma máquina, por exemplo, e

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assume o compromisso de recomprá-la por um valor e data já determinados. Essa
formalidade deve ensejar a contabilização de uma operação de financiamento
(essência) e não de compra e venda (forma jurídica).
Outra situação comum, um contrato pode, juridicamente, estar atribuindo a forma
de arrendamento mercantil (leasing), mas a análise da operação evidencia tratar-
se, na prática, de um operação de compra e venda financiada. Assim, consciente
do conflito essência/forma, a Contabilidade registra como financiamento.

7.7 Regimes Contábeis


Já é conhecido que, para conheçer o resultado de um exercício social, é preciso
confrontar o total das despesas com o total das receitas.
Durante o ano, a entidade pode pagar as despesas incorridas no exercício anterior,
pagar as despesas incorridas no exercício atual, ou ainda pagar antecipadamente;
o mesmo também vale para as receitas, podendo receber as receitas referente ao
ano anterior, atual, ou receber antecipadamente as receitas futuras.
É o regime contábil que determina quais despesas e receitas integrarão ou não o
resultado:
a) Regime de Caixa: baseia-se em reconhecer (registrar) as receitas, custos e
despesas no ato do efetivo recebimento (receitas) ou pagamento (despesas e
custos). Seu reflexo está diretamente relacionado ao caixa. É facultado às micro
e pequenas empresas optantes pelo SIMPLES.
b) Regime de Competência: reconhece as receitas e despesas por ocasião do
fato gerador. Assim, receitas e despesas são reconhecidas no momento em
que foram geradas ou incorridas, independentemente se foram recebidas ou
pagas. É o regime adotado e aceito pela legislação do imposto de renda com
base no lucro real.

Exerícios de fixação
1) Uma empresa deixou de registrar uma despesa no exercício em que de fato
ocorreu, registrando somente no exercício do seu efetivo pagamento. Nesse
caso, deixou de observer qual princípio?
a) Prudência
b) Continuidade
c) Competência
d) Registro Pelo Valor Original
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2) Marque a alternativa que NÃO apresenta um princípio fundamental de


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contabilidade:
a) Princípio da entidade
b) Princípio da legalidade
c) Princípio da Continuidade
d) Princípo da prudência

3) O Regime de Caixa é um regime oposto ao:


a) Regime de Materialidade
b) Entidade
c) Competência
d) Essencia sobre a forma

4) Segundo o princípio da Competência, está relacionado ao registro de todas as


receitas e despeas quando:
a) da ocorrência do fato
b) do recebimento efetivo das receitas
c) do pagamento das despesas
d) NDA

5) Qual princípio contábil se refere ao processo de mensuração e apresentação


dos componentes patrimoniais?
a) Oportunidade
b) Prudência
c) Competência
d) Registro pelo Valor Original

Gabarito:
1) c; 2) b; 3) c; 4) a; 5) d.
8 LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS

Introdução
Os livros dentro da contabilidade têm papéis muito importantes, os contábeis são
os que guardam a memória da evolução patrimonial e servem como base para o
levantamento das demonstrações financeiras; para o fiel cumprimento desse papel,
eles possuem formalidades específicas que vamos estudar; quanto aos livros fiscais,
servem como base para apuração dos impostos, bem como memória de cálculo
para esses impostos.

8.1 Livros Contábeis


Os livros se dividem quando a sua utilidade pondendo ser:
a) Principais: utilizado para o registro de todos os eventos do dia a dia da
entidade, sendo eles o Livro Diário e Razão.
b) Auxiliares: utilizados para o registro de eventos específicos como contas
correntes, registro de duplicatas, aqui também se inserem os livros fiscais.
Além de principais e acessórios, os livros contábeis e fiscais também se segregam
quanto a sua natureza:
• Cronógicos: são aqueles que os registros são efetuados obedecendo a ordem
cronológica dos fatos, (dia, mês e ano). De acordo com o artigo 1.183 de Código
Civil, todos os livros contábeis devem ser cronológicos.
• Sistemáticos: são os livros destinados ao registro de eventos de mesma natureza,
tais como o Livro Caixa, que registra apenas a modificação.
74

Existem os livros que são Obrigatórios, ou seja, aqueles exigidos pelo Código
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Civil, pela legislaçãoo comercial, Fiscal e pelas Normas Contábeis, que podemos
citar, como exemplos:
a) Livro Diário: é exigido pela legislação civil, comercial, trabalhista, societária
e também pelo Conselho Federal de Contabiliade. Nele, são lançados como
individualizados com clareza, e indicação do documento de suporte, de forma
cronológica. Por ser obrigatório, o Livro Diário está sujeito a formalidades que
veremos mais a frente.
b) Livro Registro de Duplicatas: obrigatório pela Legislação Comercial.
c) Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR): Livro Fiscal, Obrigatório pelo
Decreto Lei 1.598/77.
d) Livro Razão: exigido pela Lei 8.218/91. É um livro contábil que registra a
movimentação Cronológica conta por conta (de Caixa a até as despesas),
também é um livro que deve seguir as formalidades.
e) Livro Caixa: somente para as microempresas e para as empresas optantes pelo
simples, é o livro no qual são registradas todas as operações que envolvam
bens numerários. É portanto um livro de ordem sistemática, muito embora as
operações financeiras venham a ser registradas em ordem cronológica. O livro
Caixa é um livro facultativo, apesar da sua grande utilidade nas empresas,
sendo considerado mesmo indispensável nos grandes empreendimentos. A
escrituração do livro em análise divide-se em duas partes: a) uma para o débito,
em que são lançadas todas as entradas de dinheiro; e b) uma para o crédito,
em que são lançadas todas as saídas de dinheiro.
Além dos livros supracitados, existem também aqueles livros fiscais que são
obrigatórios pelas leis estaduais, como o Livro de Apuração de ICMS, Livros de
Registros de Notas Fiscais e Faturas.
Existem também os livros Facultativos, aqueles que as entidades se utilizam sem
que haja a exigência legal, e que podem servir de suporte para os lançamentos do
Livro Diário, são eles: Livro de Contas Correntes, Livro de Contas a Pagar etc.

8.1.1 Livro Diário e Razão – Informações Extras


O Diário é destinado ao registro dos eventos que ocorrem no dia a dia, é o livro mais
importante sobre o ponto de vista legal, já o Livro Razão permite o controle separado
de cada conta, é o livro mais importante sobre o ponto de vista contábil.
Quanto às Formalidades, os Livros Contábeis (Diário e Razão) podem ser de dois
tipos, as Extrínsecas e intrínsecas, vamos falar sobre elas.
75

Formalidades Extrínsecas:

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É a respeito da parte externa, de apresentação do livro. O livro diário deve ser
encadernado, com folhas numeradas, sequenciais e de forma tipográfica.
Quem fizer a contabilidade de forma computadorizada, poderá substituir
o livro diário e razão por folhas soltas que também deverão ser numeradas
tipograficamente. Devem ainda conter os termos de abertura e de encerramento,
e especificamente o livro diário deve ser registrado no Registro do Comércio.

Formalidades Intrínsecas:
Estão relacionadas à escrituração propriamente dita, que será completa, em
idioma e moeda corrente e em forma contábil (partidas dobradas) sem intervalos
em brancos, nem entrelinhas, nem borrões, rasuras, emendas ou transportes para
as margens.
Hoje em dia, a totalidade das empresas processam as informações em sistema
eletrônico de dados, a legislação tributária disciplina o uso de contabilidade em
sistema eletrônico de dados, entretanto cabe registrar que mesmo a entidade
utilizando esse meio o Livro Diário não está dispensado das formalidades
extrínsecas e intrínsecas previstas nas normas contábeis. Quadro Resumo dos
Livros.
Aqui, realizamos uma consolidação dos livros explicados quanto à utilidade,
natureza e finalidade; tal quadro fornece uma base para estudo e compreensão da
classificão dos livros fiscais e contábeis.

Quanto à Quanto à
Livro Quanto à Natureza
Utilidade Finalidade

Livro Diário Principal Cronológico Obrigatório

Livro Razão Principal Cronológico / Sistemático Obrigatório

Livro Caixa Auxiliar Cronológico / Sistemático Facultativo

Livro Contas Correntes Auxiliar Cronológico / Sistemático Facultativo

Registro de Duplicatas Auxiliar Cronológico / Sistemático Facultativo

Lalur Auxiliar Cronológico / Sistemático Facultativo


76

Exercícios de fixação
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1) Indique se a afirmativa é falsa ou verdadeira:


( ) O Livro caixa destina-se ao controle da movimentação das contas
representativa de direitos e obrigações.
( ) O Livro Caixa destina-se ao registro das operações que envolvem
entradas e saídas de dinheiro.
( ) O Livro de Contas Correntes é Auxiliar do Livro Razão.
( ) O Livro de Contas Correntes é facultativo.
A opção correta é:
a) F,V,F,V
b) V,F,V,F
c) V,V,F,F
d) V,V,V,F

2) O livro Caixa é:
a) Auxiliar, sistemático e facultativo
b) Auxiliar, sistemático e obrigatório
c) Auxiliar cronológico e facultativo
d) As alternativas A e D estão corretas

3) O Livro diário é:
a) Principal, sistemático e facultativo
b) Principal, cronológico e facultativo
c) Principal, cronológico e obrigatório
d) NDA
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4) São falhas das formalidade extrínsecas:

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a) Borrões, rasuras, estorno de lançamento, falta de termos de abertura.
b) Erros de algarismos, troca de uma conta por outra, inversão de contas,
omissão de lançamento, repetição de lançamento.
c) Erro de algarismo lançado a mais, lançamento retificativo, erro de
algarismo lançado a menor, troca de uma conta por outra, inversão de
contas.
d) Omissão de lançamento, repetição de lançamento, inversão de lançamento,
troca de uma conta por outra, lançamento complementar.

5) É um livro fiscal obrigatório para empresas tributadas com base no Lucro


Real.
a) Diário
b) Registro de ações nominativas
c) Caixa
d) Registro de saídas
e) LALUR

Gabarito:
1) a; 2) d; 3) c; 4) a; 5) e.
9 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL

Introdução
Quando a contabilidade é bem planejada, a escrituração torna-se um processo fácil,
a escrituração sempre acarretará em revisão do planejamento contábil de ajustes
no plano de contas, de lançamentos contábeis estruturados, logo, quanto mais
planejada a contabilidade, mais tranquilo é fazer esses ajustes.
Todos os relatórios contábeis são produtos da escrituração contábil, todos os
livros contábeis são os locais em que a escrituração contábil aconteçe, logo é facil
entender a importância da escrituração contábil. Existem métodos de realizar essa
escrituração.
A Escrituração contábil está normatizada pela Resolução 1.330/2011 do Conselho
Federal de Contabilidade.

Método de escrituração é o modo de registro dos atos e fatos administrativos.

Existem dois métodos de escrituração contábil.

9.1 Método das Partidas Simples:


É baseado no registro de operações específicas, envolvendo o controle de um
só elemento patrimonial. O livro caixa, por exemplo, é um exemplo de uma
escrituração baseada no Método das Partidas Simples, pois visa apenas o controle
do dinheiro, não há a preocupação com outros elementos patrimoniais nem,
tampouco, a preocupação se houve lucro ou prejuízo.
Esse método é ineficiente, incompleto e não aceito pelas normas brasileiras,
entretanto, como no exemplo do livro caixa, as entidades o utilizam como forma
de controle auxiliar.
80

9.2 Método das Partidas Dobradas


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O conhecimento global da contabilidade, o envolvimento econômico, só se dá


mediante a utilização de um método de escrituração mais completo, que é o Método
das Partidas Dobradas.
Tal método é de uso universal na contabilidade, e foi apresentado pela primeira
vez pelo frade franciscano Lucca Paccioli, sua adoção fornece um controle de todos
os compnentes patrimoniais, bem como as variações do Patrimônio Líquido, que
resultarão em lucro ou prejuízo.
Esse método tem o conceito chave de que não existe devedor sem credor,
correspondendo a cada débido um crédito de igual valor.
Por esse métdo, os eventos são registrados nos Livros Diário e Razão. Esse registro
é chamado de Lançamento.

Lançamento: é o meio pelo qual se processa a escrituração, é a forma contábil do


registro dos fatos contábeis.

Um lançamento tem alguns elementos essencais e indispensáveis.


• Local e Data
• Conta a ser Debitada
• Conta a ser Creditada
• Histórico
• Valor
A Resolução 1.330/2011 do Conselho Federal de Contabilidade, ainda informa mais
sobre o nível de informação necessária, o nível de detalhamento da escrituração
contábil deve estar alinhado às necessidades de informação de seus usuários.
Nesse sentido, a resolução 1.330/2011 não estabelece o nível de detalhe ou mesmo
sugere um plano de contas a ser observado. O detalhamento dos registros
contábeis é diretamente proporcional à complexidade das operações da entidade
e dos requisitos de informação a ela aplicáveis e, exceto nos casos em que uma
autoridade reguladora assim o requeira, não devem necessariamente observar um
padrão pré-definido.
Vamos realizer uma análise dos elementos indispensáveis para um lançamento
no seguinte exemplo:
Exemplo: compra de um automóvel marca TEN ano 20X1 conforme NF 2006 da
Comercial Mute Ltda no valor de R$ 100.000,00 pagos em dinheiro. Para se fazer
esse lançamento, precisamos seguir algumas etapas, sendo elas:
81

Primeira etapa – Identificar o local, data do fato.

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O local é a cidade em que a empresa está estabelecida e a data é a constante na
Nota Fiscal.

Segunda etapa – Verificar que documento foi emitido para comprovar o fato.
Nesse exemplo, é a NF 2006, não se esqueça que a contabilidade tem que basear
em documentos idôneos e legalmente habilitados.

Terceira etapa – Identificar, no fato, os elementos patrimoniais envolvidos.


Houve uma troca de dinheiro por um carro, logo, houve uma baixa na conta de caixa
e um aumento na conta de veículos, essas são as contas patrimonais envolvidas.

Quarto etapa – Identificar que contas serão debitadas e Creditadas.


Se, pelo método das partidas dobradas, a cada débito se refere a um crédito,
precisamos identificar qual conta debita e qual credita.
Debita-se a conta de veículos pela compra e Credita-se a conta caixa pela Saída,
ambas no valor de R$ 100.000,00.

Quinta etapa – Preparar o histórico de lançamento.


O histórico do lançamento consiste na narração do fato. Cada pessoa pode elaborar
históricos próprios, devendo conter, pelo menos:
a) Número e espécie do documento comprobatório.
b) Nome da Pessoa ou entidade com quem se transaciona.
c) Identificação do objeto transacionado.
Com esses passos, o lançamento será da seguinte forma:
D – Veículos
C – Caixa……………………………………………………………100.000,00
Histórico Compra de um automóvel da marca TEN da Comercial Mute LTDA por
meio de NF 2006.

Fórmulas de Lançamento
No exemplo acima, foi simples, pois em uma nota fiscal compramos um ativo só,
mas há compras que são mais complexas, em uma única nota fiscal, compramos
mais de um tipo de ativos. Aí entra em uso as formulas de lançamento para facilitar
nossa vida.
82

• Lançamentos Contábeis de Primeira Fórmula


ULBRA – Educação a Distância

É composto de uma conta de débito e uma conta de crédito, como no exemplo


dado acima.

• Lançamentos Contábeis de Segunda Fórmula


É composto de uma conta de débito e mais de uma conta de crédito. Por exemplo
(ou vice e versa):
D Veículos…………………………………………..…………100.000,00
C Caixa…………………………………………….…………....50.000,00
C Duplicatas a Pagar…………………………………………..50.000,00
O lançamento acima significa que o carro foi comprado por 100.000,00 sendo que
50.000,00 foram em dinheiro e 50.000,00 em duplicatas a pagar.

• Lançamentos Contábeis de Terceira Fórmula


Aparece, quando há mais de um débito para um ou mais créditos.
D – Motocicletas ……………………………….......………………...50.000,00
D – Automóveis…………………………………........……………..100.000,00
C – Caixa………………………………………….....………………..50.000,00
C – Duplicatas a Pagar……………………………………………100.0000,00

Exercícios de fixação
1) A técnica contábil usada no registro dos fatos contábeis e no controle do
patrimônio, e das variações desse patrimônio, por meio de lançamentos
destinados ao registro das operações que o afetam, é:
a) Avaliação
b) Classificação
c) Demonstração
d) Escrituração
83

2) A respeito de escrituração, em Contabilidade Geral, analise as seguintes

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informações:
• data da operação
• conta a ser debitada
• conta a ser creditada
• histórico da operação
• valor da operação, em moeda
Tais informações dizem respeito ao:
a) aspectos do lançamento
b) componentes de plano de contas
c) elementos da conta
d) fundamentos dos razonetes

3) Método das partidas Dobradas significa:


a) Há dois débitos e dois créditos em cada lançamento
b) O débito + crédito serão iguais
c) Não há débito(s) sem crédito(s) correspondente(s)
d) Haverá sempre um débito e um crédito de valores diferentes

4) Os fatos contábeis provocam modificações na estrutura de patrimônio e o seu


registro deverá ser feito de maneira cronológica, selecionando-os em grupos
homogêneos e evidenciando seus aspectos qualitativos e quantitativos. Isso
caracteriza a Técnica Contábil de:
a) Controle
b) Escrituração
c) Auditoria
d) Perícia
84

5) Em relação ao texto abaixo, assinale a afirmativa falsa.


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O princípio basilar do Método das Partidas Dobradas – não há débito sem


crédito correspondente – permite que se chegue às seguintes conclusões:
a) a soma dos débitos é sempre igual à soma dos créditos;
b) a soma dos saldos devedores é sempre igual à soma dos saldos
credores;
c) a soma das despesas é sempre igual à soma das receitas;
d) a um débito ou a mais de um débito, em uma ou mais contas, deve
corresponder um crédito equivalente em uma ou mais contas;
e) o total do Ativo será sempre igual à soma do Passivo Exigível com o
Patrimônio Líquido.

Gabarito:
1) d; 2) a; 3) c; 4) b; 5) c.
10 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

Introdução
As demonstrações contábeis são relatórios elaborados com base na escrituração
contábil mantida pela empresa com a finalidade de apresentar informações aos
diversos usuários, principalmente de natureza econômica e financeira, relativas à
gestão do patrimônio ocorrida durante um exercício social.
De acordo com a Lei 6.404/1976, alterada pela Lei 11.638/07, as seguintes
demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do
patrimônio:
a) Balanço Patrimônio (BP)
b) Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA)
c) Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)
d) Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC)
e) Demonstração do Valor Adicionado (DVA)
Vamos estudar cada uma das Demonstrações Contábeis.

10.1 Balanço Patrimonial


É uma demonstração contábil que demonstra, resumidamente, o patrimônio da
empresa em um dado momento, ou seja, a situação financeira e patrimonial de uma
entidade em uma determinada data. O Balanço apresenta os Ativos (bens e direitos)
e Passivos (exigibilidades e obrigações) e o Patrimônio Líquido, que é resultante
86

da diferença entre o total de ativos e passivos. O balanço patrimonial é uma das


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peças extraídas dos livros contábeis, que faz parte do conjunto das demonstrações
financeiras, e é elaborado segundo os princípios contábeis geralmente aceitos.
Segundo Matarazzo (2003, p. 43), o balanço patrimonial é a demonstração que
apresenta todos os bens e direitos da empresa (Ativo), assim como as obrigações
(Passivo Exigível) em determinada data. A diferença entre Ativo e Passivo é
chamada Patrimônio Líquido e representa o capital investido pelos proprietários
da empresa, quer por meio de recursos trazidos de fora da empresa, quer gerados
por esta em suas operações e retidos internamente.

10.1.1 Ativo
No ativo, as contas devem ser dispostas em ordem decrescente de liquidez, ou seja,
de acordo com a facilidade de conversão em dinheiro, assim, os itens patrimoniais
de maior liquidez (caixa, bancos, contas a receber, mercadorias) são classificados em
primeiro plano. Os de menor liquidez (valores a receber no longo prazo, máquinas
e equipamentos, veículos, terrenos etc.) aparecem em um segundo plano – é só
pensar que até vender e receber é mais demorado.
Os elementos registrados estão estruturados nos seguintes subgrupos (de acordo
com o parágrafo 1° do artigo 178 da Lei 6.404/76 alterado pelas Leis 11.638/07 e
11.941/09):
a) Ativo Circulante.
b) Ativo Não Circulante: compreende Ativo Realizável em longo Prazo,
Investimentos, Imobilizado e Intangível.

Ativo Circulante
O Ativo Circulante engloba contas que constantemente estão em giro, em
movimento (daí a expressão circulante). Constitui o capital de giro da empresa, em
que estão dispostas as contas Caixa, Bancos e outros itens que serão transformados
em dinheiro, consumidos ou vendidos em curto prazo, ou seja, dentro de um ano
(contas a receber, bens de consumo, investimentos temporários, mercadorias para
revenda etc.).

Ativo Não Circulante


a) Realizável em longo Prazo: nesse subgrupo, são registrados os direitos realizáveis
após o encerramento do Exercício Seguinte (mais de 360 dias após o encerramento
do Balanço Patrimonial): Duplicatas a Receber, Adiantamentos ou Empréstimos
87

a Fornecedores ou a Sociedade Coligada ou Controlada, Adiantamentos ou

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Empréstimos a Diretores.
Também são registradas as despesas apropriáveis após o encerramento do Exercício
Seguinte referentes a encargos financeiros exigíveis após o exercício seguinte ao
do encerramento do Balanço.

b) Investimentos – em que pode ser registrado:


• as participações permanentes em outras sociedades;
• as importâncias aplicadas na aquisição de imóveis, desde que não sejam para
revenda ou destinadas à manutenção das atividades da empresa (ex.: imóveis
para aluguel);

c) Imobilizado: registram-se nesse subgrupo, os bens e os direitos que tenham por


objeto bens destinados para a manutenção das atividades da empresa ou exercidos
com essa finalidade. Exemplos: máquinas, equipamentos, construções, veículos,
móveis e utensílios etc.

d) Intangível: registra-se, nesse grupo, os direitos correspondentes à propriedade


industrial e comercial da empresa, as patentes de invenção, as marcas, fórmulas e
processos de fabricação, valor do ponto comercial e outros de idêntica natureza.

10.1.2 Passivo
Em ordem decrescente de exigibilidade (vencimento), as contas do passivo são
estruturadas nos seguintes grupos:
a) Passivo Circulante: são registradas as obrigações da empresa que serão pagas
no prazo de um ano (curto prazo). As principais contas do passivo circulante são,
por exemplo:
Fornecedores: originam-se das operações de compra a prazo, no mercado
nacional ou exterior, de matérias-primas destinadas ao processo produtivo,
mercadorias com a finalidade de revenda ou outros materiais ou insumos.
Salários e Encargos Sociais: compõe-se das obrigações da empresa para com
seus empregados e aos agentes arrecadadores de contribuições sociais, bem
como as obrigações conhecidas como previsíveis e calculáveis na data do
balanço.
88

Empréstimos e Financiamentos de Instituições Financeiras: compreende os


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recursos obtidos pela empresa junto a instituições financeiras do país com a


finalidade de financiar imobilizações ou o próprio giro do negócio.

b) Passivo Não Circulante: compreende o Passivo Exigível em longo Prazo no


qual registram-se as contas que representam as obrigações vencíveis após o prazo
de um ano (encerramento do exercício seguinte). Classificam-se, nesse grupo, as
seguintes contas:
- Financiamentos
- Parcelamentos de Débitos Fiscais e Sociais

c) Patrimônio Líquido: Conforme já estudamos, o patrimônio líquido é a diferença


entre o Ativo e o Passivo. Representa os investimentos dos proprietários (Capital
Social), mais os lucros reinvestidos (reservas)

10.2 Demonstração de Lucro ou Prejuízos Acumulados


As Demonstrações de Lucros ou Prejuízos Acumulados servem para indicar o
destino dos provenientes lucros. Serve para indicar ao gestor onde ou o que fazer
quando houver lucro na empresa. Sendo assim, parte desse lucro pode ser destinada
aos donos da empresa, pois serve como remuneração pelo capital investido na
composição da empresa. Nesse caso, essa parcela chama-se dividendo. A outra
parcela restante do lucro pode ser reaplicada na organização, chamando-se assim
de lucro retido.
A Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados serve de ponte entre a DRE
e o Balanço patrimonial. Tal afirmação se dá pelo simples fato de que se devem
conhecer todas as origens de recursos dentro da atividade contábil. Os lucros são
previstos pela DRE, sendo assim, como visto acima, tais necessitam de um destino,
podendo retornar aos sócios como remuneração ou retornando a empresa como
aplicação. Quando há o retorno, a empresa deve ter uma destinação específica,
sendo assim, pode servir para ampliação de estoque, aquisição de equipamentos,
entre outros.
89

Esquematiza-se a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados da seguinte

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forma:

Saldo no início do período


Ajuste de exercícios anteriores
(+) Retificação de erros
Lucro Líquido do Exercício
Saldo Disponível

Proposta da Administração para destinação do Lucro


Res. Legal
Res. Estatutária
Res. Orçamentária
Res. P/ Contingências
Res. Lucros a Realizar
Dividendos a Distribuir

Saldo no final do período

10.3 Demonstração do Resultado do Exercício


A cada exercício social (normalmente um ano) a empresa apura o resultado de seus
negócios (lucro ou prejuízo). Para saber se obteve lucro ou prejuízo, a contabilidade
confronta as receitas com as despesas. Se o total da receita for maior que a despesa,
a empresa obteve lucro, se a receita for menor que a despesa, ela teve prejuízo.
A apuração do resultado do exercício é evidenciada pela Demonstração do
Resultado do Exercício – DRE. Esta se apresenta como um resumo das receitas e
despesas do período, facilitando a avaliação da gestão patrimonial.
Antes de estudarmos a DRE propriamente dita, estudaremos os seguintes
tópicos:
• Receitas e Despesas
• Despesas e Custos
• Demonstração do Resultado do Exercício
• Distribuição do Lucro
90

10.3.1 Receitas e Despesas


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As receitas são valores que a empresa gera como fonte de recursos financeiros, para
atender a seus gastos e manter as suas atividades. Constituem ingressos (entradas)
de recursos correspondendo, em geral, a vendas de mercadorias ou prestação de
serviços. A receita sempre aumenta o Ativo. Ex.:
- Vendas à vista
- Vendas a prazo
- Receitas de Serviços
As despesas constituem saídas de recursos e se refletem no Balanço Patrimonial
por meio da redução do saldo de caixa (ou banco conta corrente) quando é paga
no ato (à vista), ou mediante o aumento de uma obrigação, quando é contraída no
presente para ser paga no futuro (a prazo).
São exemplos de despesas: água e esgoto, material de expediente, aluguéis passivos,
juros passivos, café e lanches, luz, descontos concedidos, salários, despesas
bancárias, encargos sociais, fretes, prêmios de seguros, impostos, telefone.

10.3.2 Despesas e Custos


Precisamos diferenciar despesa e custo. Quando a matéria-prima é adquirida
(comprada), constitui um gasto, ou seja, um desembolso (saída de dinheiro,
pagamento) para a aquisição de um bem, sendo “estocada” no Ativo. No
instante em que essa matéria-prima entra em produção, ela é reconhecida
como custo.
Já os gastos referentes ao escritório e à administração são classificados em despesas.
Pela Lei das Sociedades Anônimas, identificamos três tipos de despesas: de vendas,
administrativas e financeiras.
Demonstração do Resultado do Exercício: a DRE é um resumo ordenado das receitas
e das despesas da empresa em determinado período (12 meses). É apresentada
de forma dedutiva (vertical), ou seja, das receitas subtraem-se as despesas e, em
seguida, indica-se o resultado (lucro ou prejuízo).
RECEITA
(-) DESPESA
= Lucro ou Prejuízo
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Modelo de Demonstração do Resultado do Exercício Completo

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Receita Bruta

(-) Tributos, Devoluções e Descontos

(=) Receita Líquida

(-) Custo da Mercadoria Vendida/do Serviço Prestado

(=) Resultado Bruto

(-) Despesas Administrativas

(=) Resultado Operacional

(+) Outras Receitas Operacionais

(-) Outras Despesas Opracionais

(=) Resultado Antes dos Impostos

(-) Contribuição Social e Imposto de Renda

(=) Resultado Depois dos Impostos

(-) Provisões para Acionistas

(=) Resultado Líquido do Exercício

Receita Bruta – Inclui o total geral das vendas, sem nenhuma dedução.

Receita Líquida – Resulta da receita bruta deduzida dos tributos incidentes


sobre vendas – e, se for o caso, de eventuais vendas canceladas (devoluções) e
abatimentos (descontos). Esses tributos são os impostos e as taxas decorrentes da
venda/prestação de serviços.

Resultado ou Lucro Bruto – É o valor que resulta da dedução dos custos no período
sobre a Receita Líquida. Os custos incluem somente os gastos da fábrica (gastos de
produção), incluindo matéria-prima, mão de obra, depreciação de bens da fábrica,
aluguel da fábrica, energia elétrica da fábrica etc.

Resultado ou Lucro Operacional – Ao resultado bruto são somadas Outras


Receitas Operacionais e, desse montante, são diminuídas as Despesas Operacionais,
encontrando-se o Resultado Operacional. Quando ele é positivo, denomina-se
Lucro Operacional.
92

Resultado antes do imposto de renda – O imposto de renda incide sobre o lucro


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da empresa. Quando se apura o exercício social, declaram-se e recolhem-se aos


cofres públicos 15% sobre o lucro apurado ou presumido. Portanto, calcula-se o
valor do IR a pagar e deduz-se do Lucro Antes do Imposto de Renda.

Resultado depois do imposto de renda – refere-se ao resultado antes do IR


deduzido do valor do Imposto de Renda calculado.

Resultado ou lucro líquido do exercício – Consiste na sobra pertencente aos


proprietários ou à entidade. Após a dedução do IR devido, fazem-se as deduções
das participações previstas nos estatutos: de empregados, de administradores etc.
A sobra líquida é a parcela à disposição dos sócios ou acionistas.

10.4 Demonstração do Fluxo de Caixa


O objetivo principal da Demonstração do Fluxo de Caixa é fornecer informações
relevantes sobre as entradas e saídas de caixa de uma entidade para um determinado
período de tempo, e esta normatizada pela Resolução 1.296.
As informações contidas na Demonstração do Fluxo de Caixa são úteis quando
utilizadas com as informações de outras demonstrações contábeis e na medida
em que estejam refletindo as transações de caixa das atividades operacionais,
de investimento e de financiamento, auxiliando os usuários na avaliação da
capacidade da entidade de gerar fluxos de caixa líquidos positivos decorrentes de
suas atividades, visando atender às suas obrigações bem como pagar dividendos
aos seus acionistas.
Existem dois métodos de confecção e apresentação da Demonstração dos Fluxos
de Caixa, o método Direto e o Método Indireto

10.4.1 Método Direto


A opção para esse método deve apresentar, pelo menos, os seguintes tipos de
pagamentos e recebimentos relacionados às operações:
• recebimentos de clientes;
• juros e dividendos recebidos;
• pagamentos de fornecedores e empregados;
• juros pagos;
• imposto de renda pago;
• outros recebimentos e pagamentos.
93

O modelo simplificado de Demonstração do Fluxo de Caixa, pelo método direto

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mostrado abaixo, faz uma segregação dos tipos de atividades e foi baseado no
modelo do CFC.

Fluxos de caixa das atividades operacionais


Recebimentos de clientes
Pagamentos a fornecedores e empregados
Caixa gerado pelas operações
Juros pagos
Imposto de renda e contribuição social pagos
Imposto de renda na fonte sobre dividendos recebidos

Caixa líquido gerado pelas atividades operacionais

Fluxos de caixa das atividades de investimento


Aquisição da controlada X
Compra de ativo imobilizado
Recebimento pela venda de equipamento
Juros recebidos
Dividendos recebidos

Caixa líquido consumido pelas atividades de investimento

Fluxos de caixa das atividades de financiamento


Recebimento pela emissão de ações
Recebimento por empréstimo em longo prazo
Pagamento de passivo por arrendamento
Dividendos pagos

Caixa líquido consumido pelas atividades de financiamento

Aumento líquido de caixa e equivalentes de caixa

Caixa e equivalentes de caixa no início do período


Caixa e equivalentes de caixa no fim do período

10.4.2 Método Indireto


No método indireto, parte-se do lucro líquido para, após os ajustes necessários,
chegar-se ao valor das disponibilidades produzidas no período pelas operações
registradas na Demonstração do Resultado do Exercício. Esses ajustes consistem em
itens, tais como depreciação, amortização, exaustão e provisões que não modificam
o caixa da empresa.
94

Abaixo, um exemplo retirado da Resolução do CFC:


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Fluxos de caixa das atividades operacionais


Lucro líquido antes do IR e CSLL
Ajustes por:
Depreciação
Perda cambial
Resultado de equivalência patrimonial
Despesas de juros

Aumento nas contas a receber de clientes e outros


Diminuição nos estoques
Diminuição nas contas a pagar – fornecedores
Caixa gerado pelas operações
Juros pagos
Imposto de renda e contribuição social pagos
Imposto de renda na fonte sobre dividendos recebidos

Caixa líquido gerado pelas atividades operacionais

Fluxos de caixa das atividades de investimento


Aquisição da controlada X
Compra de ativo imobilizado
Recebimento pela venda de equipamento
Juros recebidos
Dividendos recebidos

Caixa líquido consumido pelas atividades de investimento

Fluxos de caixa das atividades de financiamento


Recebimento pela emissão de ações
Recebimento por empréstimos em longo prazo
Pagamento de passivo por arrendamento
Dividendos pagos

Caixa líquido consumido pelas atividades de financiamento

Aumento líquido de caixa e equivalentes de caixa


Caixa e equivalentes de caixa no início do período
Caixa e equivalentes de caixa no fim do período
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10.5 Demonstração do Valor Adicionado

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A Demonstração do Valor Adicionado é elaborada a partir dos dados contidos na
Demonstração do Resultado do Exercício. Nessa demonstração, que é obrigatório
apenas para as sociedades de capital aberto, é destacado valor adicionado pela
empresa e a distribuição desse valor, indicando a contribuição da empresa para a
formação do lucro e para outros itens tais como impostos, taxas e contribuições,
pessoal e encargos, juros e aluguéis, juros s/ capital próprio e dividendos.
Na Demonstração do Resultado do Exercício, são computados como Custo dos
Produtos Vendidos todos os gastos referentes à produção dos bens vendidos.
Inclui-se, portanto, nesse montante, mão de obra, matéria-prima e gastos gerais
de fabricação. Na DVA, esses custos deverão estar perfeitamente discriminados,
uma vez que parte deles é considerado como insumos adquiridos de terceiros.
A depreciação deverá ser perfeitamente identificada. Os gastos com pessoal e os
encargos são considerados como distribuição do valor adicionado.

DESCRIÇÃO

1- RECEITAS

1.1) Vendas de mercadorias, produtos e serviços

1.2) Provisão p/ devedores duvidosos – Reversão (Constituição)

1.3) Não Operacionais

2- INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS

(inclui os valores dos impostos – ICMS e IPI)

2.1) Matérias-primas consumidas

2.2) Custo das mercadorias e serviços vendidos

2.3) Materiais, energia, serviços de terceiros e outros

2.4) Perda/Recuperação de valores ativos

3- VALOR ADICIONADO BRUTO (1-2)

4- RETENÇÕES

4.1) Depreciação, amortização e exaustão

5- VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (3-4)

6- VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA

6.1) Resultado de equivalência patrimonial

6.2) Receitas financeiras


96
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DESCRIÇÃO

7- VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5+6) (RIQUEZA CRIADA PELA


EMPRESA)

8- DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO

8.1) Pessoal e encargos

8.2) Impostos, taxas e contribuições

8.3) Juros e aluguéis

8.4) Juros s/ capital próprio e dividendos

8.5) Lucros retidos/prejuízos do exercício

Exercícios de fixação
1) Ao fim de cada exercício social, a Diretoria da LILA S/A fará elaborar, com
base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações
financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da
companhia e as mutações ocorridas no exercício: com base nas informações
acima, indique a proposição que responde corretamente ao indicado pela Lei
das Sociedades por ações:
a) Balanço patrimonial, demonstração de lucros ou prejuízos acumulados,
demonstração do resultado do exercício, demonstrações dos fluxos de
caixa, demonstração do valor adicionado.
b) Demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados e demonstração do
resultado do exercício.
c) Demonstração do resultado do exercício e demonstração das origens
e aplicações de recursos.
d) Nenhuma das alternativas anteriores.

2) Os grupos de contas que compõem o Ativo no Balanço Patrimonial são:


a) Circulante, Exigível em longo Prazo e Permanente.
b) Circulante, Exigível em longo Prazo, Resultado de Exercícios Futuros
e Permanente.
c) Circulante, Realizável em longo Prazo e Permanente.
d) Circulante, Não Circulante.
97

3) Por meio da Demonstração dos Resultados do Exercício, é possível

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identificar:
a) a distribuição do lucro do período e a movimentação ocorrida no saldo
dos Lucros Acumulados;
b) a situação financeira da empresa;
c) o montante do lucro Líquido;
d) a movimentação ocorrida durante o exercício nas diversas contas
componentes do Patrimônio Líquido.

4) A Lei no 11.638/2007, ao modificar a redação de alguns artigos da Lei no


6.404/1976, introduziu a obrigatoriedade da elaboração de duas demonstrações
contábeis adicionais para as sociedades por ações. São elas:
a) Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados e Demonstração
do Valor Adicionado.
b) Demonstração dos Fluxos de Caixa e Demonstração das Mutações do
Patrimônio Líquido.
c) Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos e Demonstração
das Mutações do Patrimônio Líquido.
d) Demonstração do Valor Adicionado e Demonstração dos Fluxos de
Caixa.

5) Atualmente, de acordo com o tipo de sociedade por ações, é obrigatória a


demonstração:
a) das origens e aplicações de recursos, para as grandes companhias;
b) do valor adicionado, para as companhias abertas;
c) dos lucros ou prejuízos acumulados, no caso das companhias fechadas,
apenas se o patrimônio líquido for superior a R$ 2 milhões;
d) dos fluxos de caixa, apenas para as companhias abertas.

Gabarito:
1) a; 2) d; 3) c; 4) 5) b.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE – CFC, Resoluções CFC,

h p://www2.cfc.org.br/sisweb/sre/Default.aspx

RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Fundamental. São Paulo Ed. Saraiva, 2009.

RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Geral Fácil 7. Ed São Paulo Ed. Saraiva, 2010.

IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade, 5 ed. São Paulo Ed. Atlas 1997.

IUDÍCIBUS, Sérgio de et al. Contabilidade Introdutória.São Paulo Ed. Atlas, 1998.

IUDÍCIBUS, Sérgio de et al. Manual de Socidades Por Açoes.São Paulo Ed. Atlas, 2010.

NIYAMA, Jorge Katsumi. Teoria da Contabilidade 1 ed. São Paulo. 2009.

PLANALTO, h p://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404compilada.htm

PLANALTO, h p://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm

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