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 educação

Reflexões sobre a importância


da experimentação no ensino
da Química no ensino médio
Reflections on the Importance of Experimentation in
Chemistry Teaching in Secondary School

Edvargue Amaro da Silva Júnior


edvargueamaro@gmail.com

Gizele G. Parreira
gizele.p@terra.com.br

Resumo
A Química é uma área do conhecimento humano que trata com o mundo microscópico e macroscópico. Sendo
assim, a vivência de situações reais é de grande relevância para a compreensão e correlação dos diversos con-
teúdos por ela apresentados. Neste contexto, a utilização de atividades experimentais é uma ferramenta que
pode auxiliar na construção de conceitos. Destarte, este artigo tem o objetivo de verificar a importância da
experimentação no ensino escolar da Química no Ensino Médio para que a produção do conhecimento dentro
desta área do conhecimento aconteça de maneira mais construtiva e reflexiva. Para tanto, o trabalho tece
reflexões sobre: a história da Química, o processo ensino aprendizagem, o conceito de aprendizagem significa-
tiva, o papel do professor e a perspectiva interacionista.
Palavras-chave: Experimentação; Ensino de química; Aprendizagem significativa; Perspectiva interacionista.

Introdução
Para entender a importância da uti- conhecimento desde seus primórdios,
lização de atividades experimentais no ampliando, assim, a compreensão acer-
processo ensino-aprendizagem da área ca do objeto mencionado neste estudo.
da Química no Ensino Médio, a princí- Assim exposto, nota-se que fa-
pio, considerou-se fundamental buscar lar da evolução histórica da Química
informações sobre a referida área do não é tão simples quanto se imagina.
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Isso porque tal área do conhecimento Quando se trata do desenvolvimen-


está presente no contexto histórico do to da humanidade e também da Quími-
homem desde o início da humanidade, ca, outro marco que pode ser destacado
sempre influenciando o seu modo de é a alquimia (ocorrida durante a Idade
vida, bem como o desenvolvimento das Média) — uma prática que combina
sociedades. Mesmo que o homem não elementos da Química, Antropologia,
tivesse consciência do conhecimento Magia, Astrologia, Metalurgia, Filoso-
químico envolvido nos processos de fia, Matemática, Misticismo e Religião.
transformações da matéria, este se fa- Tal prática tinha como grande objetivo
zia presente entre as suas atividades do a descoberta da pedra filosofal, conhe-
cotidiano e na utilização dos primeiros cimento capaz de transformar qualquer
instrumentos — feitos ainda de ma- substância em ouro. Os alquimistas
deira e pedra — dos quais dispunha também buscavam encontrar a fórmu-
para atender às suas necessidades de la do elixir da longa vida, remédio que
subsistência. Igualmente, não se tem teria a capacidade de curar todas as do-
dados concretos do momento histórico enças e garantir a saúde do ser humano
em que o homem realizou a primeira por longo tempo ou torná-los imortais
transformação que pudesse ser enten- (SARDELLA, 2000).
dida como um conhecimento químico A origem da Alquimia — e da pró-
(OLIVEIRA, SILVA e OLIVEIRA, 2011). pria Química — se perde no tempo,
Mesmo assim, estudos revelam que uma vez que não se têm registros que
a descoberta dos metais, cuja história comprovem seu verdadeiro início, o que
se confunde com a história da huma- o torna desconhecido. Também não se
nidade, possibilitou ao ser humano pode assumir como certidão de nasci-
que aprimorasse a produção de uten- mento dessa ciência a publicação do
sílios básicos para caçar, pescar, culti- Traité elémentaire de chemie (essa obra
var a terra e até guerrear. Isso devido trata da ruptura entre a Alquimia e a
à substituição das ferramentas feitas Química), escrito por Antoine Laurent
de madeira e pedra por aquelas feitas de Lavoisier (1743-1794), em 1789,
de diversos tipos de metais. A desco- ainda que desde esse tratado a Quí-
berta dos metais implicou também na mica tenha passado a ser considerada
quantidade de alimentos produzidos, uma área do conhecimento científico e
visto que com os novos utensílios, tal que Lavoisier seja por muitos conside-
quantidade passou a ser superior à ne- rado o seu fundador (CHASSOT, 1995;
cessidade de sobrevivência do homem. SARDELLA, 2000).

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Mesmo diante de uma inexatidão problematizando os conhecimentos


acerca dos primórdios da Química, que de forma crítica, dinâmica e dialógica
pode ser entendida como: “a ciência (GONÇALVES e GALIAZZI, 2004).
que estuda a natureza da matéria, suas Sendo assim, o estudo apresentado
propriedades, suas transformações e neste artigo tem o objetivo de refletir
a energia envolvida nesses processos” sobre a importância da utilização de
(SARDELLA, 2000, p. 8), é importante atividades experimentais no proces-
notar que desde o início de sua prá- so ensino aprendizagem do Ensino de
tica, ela é uma área do conhecimento Química no Ensino Médio para que a
humano, a qual lida com um mundo aprendizagem dos alunos dentro desta
microscópico que apresenta dificulda- área do conhecimento seja construtiva
des e impossibilidades de visualização, e reflexiva.
além de ser uma área na qual a maio- Posto isto, para que o objeto de
ria dos conceitos é construída a partir estudo desse artigo tenha uma sus-
de modelos explicativos da realidade tentação teórica adequada à reflexão
formados por analogias, implicando por ele proposta é preciso recorrer aos
na necessidade de abstração por parte conhecimentos apresentados pela Psi-
de quem a estuda. Segundo Chassot cologia ao tratar as teorias da apren-
(1996, p. 3) os modelos são construí- dizagem humana.
dos “na busca de facilitar nossas inte-
rações com os entes modelados. É por
meio de modelos, nas mais diferentes Metodologia
situações, que podemos fazer inferên- Com o intuito de entender a pro-
cias e previsões de propriedades”. posta que sustenta o objetivo deste
Da necessidade de abstração para trabalho, que se caracteriza como uma
explicar tais conceitos decorre a pos- Pesquisa Qualitativa Descritiva, foi fei-
sibilidade do uso de atividades expe- ta uma revisão bibliográfica em várias
rimentais, as quais podem represen- publicações, entre artigos, livros, dis-
tar uma alternativa para a melhoria sertações e outros, na Área de Ensino
do processo ensino-aprendizagem da de Ciências e Química.
Química em situações de sala de aula. Foram selecionadas as metodolo-
Nesse contexto, a experimentação não gias de ensino relacionadas ao uso da
deve ser usada apenas para validar Experimentação e também acerca da
uma teoria, mas deve permitir a inte- Teoria Interacionista da Aprendizagem
ração do estudante com os modelos, a fim de auferir o conhecimento sobre a

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temática discutida e, assim, compreen- homem com o mundo físico e social que as

der como essa teoria se relaciona com características e peculiaridades desse mundo
vão sendo conhecidas. Para cada [aluno], a
o Ensino de Química, especialmente à
construção desse conhecimento exige elabo-
experimentação, e ainda refletir sobre
ração, ou seja, uma ação sobre o mundo.
a sua importância para o sucesso do
aprendizado dos alunos. Na perspectiva interacionista des-
taca-se a teoria Sócio-histórico-cul-
tural de Vygotsky e a Epistemologia
Teoria interacionista
Genética de Piaget. Ambos pensadores
da aprendizagem
percebem o homem como um ser ativo
A perspectiva interacionista da na construção do seu conhecimento.
aprendizagem reconhece o homem O primeiro — Vygotsky — considera
como um ser ativo no seu processo de que a aprendizagem se dá por meio da
aprendizagem. Considera-se que esta interação do homem com o outro (seu
perspectiva é a que melhor sustenta semelhante) e o segundo — Piaget —
o objeto apresentado neste estudo, considera que este homem aprende por
tendo em vista que ocorre no pro- meio da interação que estabelece com o
cesso de aprendizagem escolar uma objeto de conhecimento.
interação entre o homem e o meio e A ideia central da teoria Sócio-histó-
o homem e seu semelhante. Tais inte- rico-cultural de Vygotsky traz o homem
rações acontecem de forma que este como um ser histórico que é produto
homem responda às demandas do de um conjunto de relações sociais. Vy-
meio onde ele estende suas relações, gotsky dá ênfase à interação existente
analisando, organizando e construin- entre o sujeito e a sociedade, de for-
do seu conhecimento. O conhecimen- ma que o efeito de tal interação social
to é construído por intermédio de um está ligado à linguagem, à cultura e ao
processo contínuo de fazer e refazer processo de aprendizagem. Para ele, as
(VARGAS JÚNIOR, 2015). habilidades cognitivas e a maneira de
De acordo com Davis e Oliveira constituir o pensamento do sujeito não
(1994, p. 36): são determinadas por fatores congêni-
tos, mas por um resultado das ativida-
Os interacionistas destacam que o organismo
e o meio exercem ação recíproca. Um influen- des praticadas de acordo com os hábi-
cia o outro e essa interação acarreta mudan- tos sociais da cultura em que o sujeito
ças sobre a [pessoa]. É, pois, na interação do se desenvolve (VARGAS JÚNIOR, 2015).

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Vygotsky atribui ao outro um pa- sala de aula, local onde o professor não
pel fundamental na internalização dos somente cria situações específicas para
conceitos pelo homem. Segundo ele, a aprendizagem do aluno, mas onde ele
isso se dá fundamentalmente por meio tem o papel de mediador do conteúdo
da linguagem. Ou seja, é na interação a ser trabalhado, ou seja, do conheci-
com o outro, por meio dos instrumen- mento a ser compartilhado.
tos simbólicos — linguagem oral e es-
Uma técnica efetivamente usada por Vygot-
crita — que o homem apreende as ca-
sky […] foi a de introduzir obstáculos ou difi-
racterísticas humanas e vai formando culdades na tarefa de forma a quebrar os mé-
suas funções psicológicas, que para ele todos rotineiros de solução de problemas. […]
são: percepção, atenção, memória, ra- um outro método utilizado era o de oferecer

ciocínio lógico. Segundo o autor: caminhos alternativos para a solução do pro-


blema […] uma terceira técnica utilizada era a
Desde os primeiros dias do desenvolvimen- de colocar [o aluno] frente a uma tarefa que
to da criança, suas atividades adquirem um excedesse em muito seus conhecimentos e ca-
significado próprio num sistema de compor- pacidades, procurando, com isso, evidenciar o
tamento social e, sendo dirigidas a objetivos início rudimentar de novas habilidades (COLE
definidos, são refratadas através do prisma e SCRIBNER, 1998 apud ELIAS, 2005, p. 51).
do ambiente da criança. O caminho do objeto
até a criança e desta até o objeto passa atra- Já na Epistemologia Genética de
vés de outra pessoa. Essa estrutura humana Piaget, o pensamento humano e a
complexa é o produto de um processo de de- forma como ele é construído ganham
senvolvimento profundamente enraizado nas
destaque. Para este estudioso, o co-
ligações entre história individual e história
nhecimento é constituído através de
social. (VYGOTSKY, 1998, p. 40).
construções sucessivas por intermédio
Vygotsky seguiu uma linha de pen- das ações do sujeito sobre o objeto a
samento na qual ele atribuiu uma gran- ser conhecido, possibilitando o surgi-
de relevância ao papel da interação mento de novas estruturas mentais e
social no desenvolvimento do ser hu- cognitivas constantemente. Para Pia-
mano, com a tentativa de explicitar em get, o sujeito se desenvolve intelectu-
suas pesquisas como este é socialmente almente passando por fases (NEVES e
constituído, razão principal de seu in- DAMIANI, 2006).
teresse pelo estudo da aprendizagem As diferentes fases pelas quais pas-
humana. Outra questão que também sam os sujeitos não estão relacionadas
se destaca é a sua preocupação com as somente ao desenvolvimento biológico,
situações de aprendizagem dentro de mas também às interações do sujeito

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com seu objeto de conhecimento, pas- novas experiências não assimiláveis


sando pelas intervenções do professor, levam a novas acomodações e a novas
que tem o papel de organizar de manei- equilibrações (adaptações) cognitivas
ra sistemática situações provocadoras (MOREIRA, 1999).
da curiosidade do aluno e sua conse- O aluno, na perspectiva piagetiana,
quente aprendizagem, a qual pode ser não nasce com sua capacidade mental
descrita como processo de construção integralizada, ou seja, este é um proces-
dos conhecimentos, potencialização da so que se desenvolve aos poucos à me-
sua inteligência e de como o sujeito se dida que o aluno recebe a estimulação
torna autônomo (ELIAS, 2005; VARGAS adequada do ambiente e é oportuni-
JÚNIOR, 2015). zado a entrar em contato direto com o
Moreira (1999, p. 100) afirma que a objeto do seu conhecimento. Assim, de
teoria de Piaget apresenta alguns con- acordo com as constatações deste au-
ceitos-chave, tais como assimilação, tor, o aluno é sujeito ativo no seu pro-
acomodação e equilibração. cesso de construção do conhecimento a
partir da interação com o objeto a ser
Segundo Piaget, o crescimento cognitivo do
conhecido, estabelecendo novas condu-
sujeito se dá por assimilação e acomodação.
A assimilação designa o fato de que a inicia-
tas cognitivas mais complexas que são
tiva na interação do sujeito com o objeto é do armazenadas, servindo de suporte na
organismo. O sujeito constrói esquemas de resolução de novos problemas.
assimilação mentais para abordar a realidade. Em suma, os alunos são capazes de
Todo esquema de assimilação é construído e construir seus próprios conhecimentos
toda abordagem à realidade supõe um esque-
conforme sua estrutura mental, reali-
ma de assimilação. Quando o organismo (a
zando suas próprias tentativas no seu
mente) assimila, ele incorpora a realidade a
seus esquemas de ação, impondo-se ao meio.
desenvolvimento cognitivo em termos
do amadurecimento biológico, depen-
Quando os esquemas de ação do dendo, fundamentalmente, do tipo de
aluno não conseguem assimilar deter- estimulação que ele recebe do meio.
minada situação, o organismo (men-
te) desiste ou se modifica. No caso de
A Experimentação e o lúdico
modificação, acontece o que Piaget de-
nomina “acomodação”. É por meio das no ensino de química na
acomodações que ocorre o processo de perspectiva interacionista
desenvolvimento cognitivo. Em relação O ensino de Química pode ser dis-
à equilibração, esta acontece quando tinguido em dois tipos de atividades:

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a teórica e a prática. A atividade teórica a contextualização e o estímulo de


envolve explicações da matéria, em ní- questionamento de investigação”.
vel microscópico. E a atividade prática Para o sucesso das atividades expe-
ocorre com o manuseio e transforma- rimentais, entretanto, é importante
ção de substâncias em laboratório, ou destacar que o seu planejamento deve
seja, em nível macroscópico. É impor- ser bem organizado, a fim de enrique-
tante a articulação entre os dois tipos cer o conhecimento sobre a natureza
de atividades, para que os conteúdos da ciência, ressaltando o que é preciso
sejam relevantes à formação do indiví- aprender a observar e de que forma
duo (MOREIA et al., 2010). essa observação demonstra as teorias
A atividade prática muitas vezes de quem o faz (GALIAZZI e GONÇALVES,
não está presente no processo ensino- 2004; GONÇALVES e GALIAZZI, 2004).
-aprendizagem dos alunos. Os motivos O desenvolvimento de atividades
podem ser variados, como escolas que experimentais apresenta algumas ca-
não possuem espaço físico adequado racterísticas em comum com o uso de
(laboratório), ausência de materiais atividades lúdicas, pois pode ser moti-
e equipamentos. Estas condições, na vadora para os estudantes, de acordo
maioria das vezes, são justificativas com a mediação do professor; torna-se
que os professores utilizam para a falta divertida por apresentar uma proposta
de aulas experimentais (GONÇALVES e diferenciada da aula expositiva e tradi-
GALIAZZI, 2004; MOREIA et al., 2010). cional e simula situações reais que en-
É de conhecimento dos professores volvem os conceitos trabalhados, o que
que a inclusão de atividades experi- pode possibilitar a criação de modelos
mentais simples no decorrer das aulas mentais mais apropriados ao conheci-
estimula e desperta um interesse entre mento científico.
alunos de variados níveis de escolari- Nesse sentido, a manipulação e
zação (GALIAZZI e GONÇALVES, 2004; construção de modelos explicativos da
GIORDAN, 1999; VALADARES, 2001). matéria caracterizam-se tanto como
A experimentação faz com que o alu- atividades lúdicas quanto como expe-
no, correntemente, torne-se mais par- rimentação por envolver interação do
ticipativo e o estimula à interdiscipli- nível III, isto é, “construção de modelos
naridade, conforme Guimarães (2009, e protótipos que se baseiem em mode-
p. 198) afirma: “A experimentação pode los teóricos vigentes, como forma de
ser uma estratégia eficiente para a cria- manipulação palpável do conhecimen-
ção de problemas reais que permitam to teórico” (SOARES, 2008, p. 57) entre

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jogo e jogador e, por materializar um manipulação dos materiais utilizados


conceito que exige abstração para sua na realização do experimento.
compreensão. Ancorado na perspectiva interacio-
Santana e Rezende (2010) abordam nista da aprendizagem, a qual concebe
que as atividades lúdicas apresentam o homem como um ser ativo no proces-
aspectos positivos e negativos: so ensino-aprendizagem, por meio da
interação que ele estabelece com o ou-
Os aspectos positivos são as motivações que
tro, segundo Vygotsky, e também com
os alunos sentem ao jogarem, contribuindo
a interação que estabelece com o objeto
para o seu desenvolvimento como seres to-
tais, facilitando a descoberta do sujeito den-
a ser conhecido, segundo Piaget, pode-
tro de suas singularidades, auxiliando-os a -se reafirmar a importância da experi-
respeitarem, a amarem, a serem solidários, mentação no ensino da Química.
cooperativos e a terem uma melhor qualidade Ademais, é possível reafirmar tam-
de vida. As atividades lúdicas e os jogos po- bém que a experimentação no ensino
dem, também, contribuir significativamente
de Química pode contribuir para que
para o processo de construção do conheci-
o aluno potencialize sua característica
mento dos alunos, como mediadores e facili-
de ser ativo no processo de construção
tadores da aprendizagem. Os obstáculos que
se enquadram nos aspectos negativos são a
de seu conhecimento, instigando-o na
falta de tempo do professor para a confecção expansão de seu raciocínio lógico, indo
do material (jogos), as dificuldades econômi- além da simples memorização da infor-
cas, pois para a confecção dos jogos é necessá- mação, que ocorre na maioria das vezes
rio material adequado que possui certo custo. em sala de aula.
Outro obstáculo é o local de armazenamento
Partindo desse pressuposto, Elias
de materiais e confecção de jogos em quanti-
(2005, p. 114) salienta que “Quanto
dade e variedade suficientes para atender as
mais ricas e variadas forem as opor-
demandas impostas pelo número de alunos.
tunidades que o aluno experimentar
Desta maneira, embora a realização na sua constante busca pelo conheci-
de atividades experimentais nas aulas mento, maior será sua possibilidade de
de Química seja uma excelente meto- bases seguras e concretas para aprendi-
dologia para o desenvolvimento cogni- zagens posteriores”. No entanto, Bizzo
tivo do aluno, deve, ao mesmo tempo, (2002, p. 75) argumenta que:
estabelecer relação entre a teoria e a
o experimento, por si só não garante a apren-
prática a partir de questões investigati-
dizagem, pois não é suficiente para modificar
vas que tenham consonância com o seu a forma de pensar dos alunos, o que exige
dia a dia, indo além da observação e da acompanhamento constante do professor,

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que deve pesquisar quais são as explicações torna o conhecimento significativo


apresentadas pelos alunos para os resulta- e permite o sujeito agir com o pensa-
dos encontrados e propor se necessário, uma
mento reflexivo (SOARES, MUNCHEN e
nova situação de desafio.
ADAIME, 2015).
Por isso, o uso de atividades expe- Segundo as Orientações Curricula-
rimentais nas aulas de Química como res para o ensino da Química no Ensino
uma estratégia pedagógica deve ter a Médio (BRASIL, 2006, p. 118),
intenção de pôr em prática hipóteses
Os processos de construção do conhecimento
e ideias através do contato direto dos escolar supõem a inter-relação dinâmica de
aprendizes com o objeto de estudo, conceitos cotidianos e químicos, de saberes
manipulando materiais e/ou equipa- teóricos e práticos, não na perspectiva da con-
mentos sobre os fenômenos presente versão de um no outro, nem da substituição

no seu dia a dia, sendo capazes de apli- de um pelo outro, mas, sim, do diálogo capaz
de ajudar no estabelecimento de relações en-
cá-los ou relacioná-los com o cotidiano.
tre conhecimentos diversificados, pela cons-
Assim colocado, afirma-se que as
tituição de um conhecimento plural capaz de
leituras e estudos realizados revelam
potencializar a melhoria da vida.
que por mais que as atividades expe-
rimentais da Química aconteçam com Desta maneira, o desenvolvimento
pouca frequência e também por mais de atividades experimentais apresenta
que inexistam espaços destinados para como consequência algumas caracterís-
este fim em grande parte das escolas, ticas diferenciadas das aulas somente
a maioria dos professores acredita que expositivas e tradicionais, pois, para o
esta é uma ação que deve ser colocada aluno, é mais motivador aprender por
em prática, por auxiliar na tão espera- meio da mediação do professor que o
da melhoria do processo ensino-apren- oportuniza a interação com o objeto
dizagem desta área do conhecimento de estudo, tornando a aula mais viva
(SCHWAHN e OAIGEN, 2009). e próxima da realidade cotidiana, com
A conciliação da teoria com a expe- a simulação de situações reais que en-
rimentação no ensino de Química pode volvem os conceitos trabalhados e/ou a
ser compreendida como uma didática serem aprendidos, estabelecendo uma
que permite a articulação de conceitos relação de completude e possibilitan-
e fenômenos, e quando é associada à do, segundo Piaget (2007), a criação de
realidade do aluno, na tentativa de rela- modelos mentais mais apropriados ao
cionar com as experiências cotidianas, conhecimento científico.

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Ainda segundo este autor: Cabe ressaltar, entretanto, que o co-


nhecimento científico não pode ser me-
Certamente, é apenas na ocasião das ações
diado para que o aluno possa apreendê-
exercidas sobre os objetos, que se constituem
as estruturas lógicas e, por isso, temos insis- -lo apenas por intermédio da realização
tido no fato de que a fonte das operações lógi- de atividades práticas.
cas é apenas a própria ação, a qual não pode,
naturalmente, ter lugar senão quando exer- Os conceitos a serem aprendidos requerem

cida sobre os objetos (PIAGET, 2007, p. 109). dos alunos capacidade de relacionar obser-
vações, dados advindos do experimento

A citação acima, mais uma vez as- com conteúdos, ideias, enfim, com a teoria.

severa acerca da importância da ex- Trabalho esse a ser mediado pelo professor,
uma tarefa que supõe vigilância constante
perimentação na aprendizagem de
para não se cair numa perspectiva que so-
Química, uma vez que o homem tem
brevalorize o fazer, o “aprender fazendo” em
em sua natureza humana o potencial
detrimento das teorias (GOIÁS, 2010. p. 18,
para o pleno desenvolvimento de sua grifo do autor).
capacidade intelectual, precisando do
estímulo adequado para que ela seja A forma que a execução de ativi-
potencializada. dades experimentais ocorre em sala
Tal estímulo, conforme a perspectiva de aula varia de acordo com a meto-
interacionista de Piaget, diz acerca da dologia, o conhecimento científico e
ação física sobre o objeto a ser conhe- o respaldo teórico-pedagógico que o
cido, “mas, se a ação intervém assim professor possui. Sendo assim, uma
na estruturação das operações lógicas aula de Química deve ser conduzida
é claro que se necessita reservar uma de forma ilustrativa ou investigativa,
parte para o fator social na constitui- de modo a conciliar teoria, prática,
ção dessas estruturas” (PIAGET, 2007, investigação, demonstração e experi-
p. 109). Nota-se que aqui entra o papel mentação. A experimentação ilustrati-
do professor como mediador do conhe- va apresenta mais facilidade para ser
cimento, bem como da situação ade- conduzida, pois pode ser empregada
quada para que o objeto possa ser apre- para demonstrar conceitos que já fo-
endido com seu devido significado, pois ram estudados, sendo desnecessário
quando o aluno não tem sua estrutura discutir os resultados experimentais.
cognitiva instigada e estimulada a uma Já a experimentação investigativa al-
aprendizagem adequada, seu interesse meja alcançar informações que subsi-
pelo conteúdo tende a ser dissipado. diem as discussões, fazendo com que

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o aluno compreenda não somente os Conclusão


conceitos, mas diferentes formas de A construção deste artigo partiu de
pensar e interpretar, e é executada um interesse acerca da importância do
antes da discussão dos conceitos (DA ensino experimental da disciplina de
CRUZ et al, 2012; GIORDAN, 1999; Química com vias de uma aprendiza-
STANZANI et al, 2012). gem significativa dos alunos. Para isso,
Ainda que seja de caráter ilustrativo além da experiência como observador
ou investigativo, conforme Guimarães e docente da área, recorreu-se a diver-
(2009), a experimentação possibilita sos estudos e leituras específicas; entre
que o aluno, muitas vezes, torne-se as quais as teorias interacionistas da
mais participativo e o estimula na cons- aprendizagem: piagetiana e vygotskia-
trução de seu conhecimento. O referido na. Ambas sustentaram teoricamente
autor diz que: “A experimentação pode as reflexões propostas neste trabalho.
ser uma estratégia eficiente para a cria- Por meio delas foi possível constatar
ção de problemas reais que permitam a que a construção e a mediação do co-
contextualização e o estímulo de ques- nhecimento apoiam-se em duas ideias
tionamento de investigação” (p. 198). fundamentais: a de interação entre o
Todavia, para que as atividades organismo e o meio — a aquisição do
experimentais sejam realmente sig- conhecimento é entendida como um
nificativas e eficientes, é importante processo contínuo de construção do ser
destacar o seu planejamento teórico humano, em sua relação com o objeto
e metodológico, a fim de enriquecer o do conhecimento localizado no meio
conhecimento do aluno sobre a nature- em que está inserido, conforme sua
za da ciência. Ressalta-se que é preciso estrutura mental; e de estimulação que
aprender a observar e a investigar, de ele recebe do meio — por meio da in-
forma que essa observação e investi- teração estabelecida com o agente me-
gação garantam o reconhecimento das diador tanto do objeto a ser conhecido
teorias e de quem as elaborou (GALIA- quanto das imposições desse objeto (o
ZZI e GONÇALVES, 2004; GONÇALVES e professor). Assim, a perspectiva inte-
GALIAZZI, 2004), o que necessariamen- racionista da aprendizagem concebe o
te pode implicar no interesse do aluno aluno como um ser ativo no processo
não somente para apreender aquilo que ensino-aprendizagem, por meio da in-
está posto, mas, também, para impeli-lo teração que ele estabelece com o outro,
a novas descobertas. segundo Vygotsky; e também com a

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interação que estabelece com o objeto a naquilo que este traz consigo: a baga-
ser conhecido, segundo Piaget. gem histórica e cultural. Isso possibilita
Levando em consideração a intera- ao professor — mediador do conheci-
ção que o aluno estabelece com o objeto mento — partir da realidade do aluno,
de estudo, de acordo com a teoria inte- levá-lo à apresentação do objeto a ser
racionista de Piaget, a aprendizagem conhecido, que retorna a ele de forma
é um processo construtivo, ou seja, os sistematizada.
alunos constroem seu próprio enten- Durante a realização deste estudo,
dimento com base em sucessivas de- considerando as vivências como do-
sequilibrações/equilibrações advindas cente na área, percebe-se que as defici-
da interação dele com o objeto que está ências que o ensino da Química apre-
conhecendo. Este processo faz com que senta realmente acabam prejudicando
cada vez mais o aluno busque novas o processo ensino-aprendizagem que
alternativas para que um novo estado vislumbra a aprendizagem significativa
de equilíbrio seja atingido, permitindo dos alunos dentro da área de conheci-
que a aprendizagem aconteça de forma mento em questão.
mais significativa. Ao mesmo tempo, Todavia, mesmo que as carências
se faz sobremaneira importante a in- desta modalidade estejam bem expos-
tervenção do professor como agente tas atualmente, ainda é preciso que os
mediador do conhecimento que pode educadores se reiterem cada vez mais da
ser construído, e na interação advinda necessidade de melhoria das estratégias
desse processo para ele e seu aluno, e metodologias do ensino desta área do
conforme ressalta a teoria sócio-histó- conhecimento, reivindicando junto aos
rico-cultural de Vygotsky. governantes políticas específicas que
É em função disso, no caso do En- aumentem as possibilidades destinadas
sino Médio, nível de ensino em que o à efetivação desta finalidade, para que
ensino da Química se faz presente, que o aprendizado da linguagem científica,
o aluno dificilmente será conduzido e a consequente ampliação do conheci-
a uma aprendizagem significativa se mento específico em consonância com
o “esforço” depender somente dele. O sua aplicação na realidade, possam ser-
papel do professor é crucial na produ- vir para aproximar o educando do exer-
ção de um tipo de saber que oportu- cício de sua cidadania.
nize o questionamento e o aprendiza- A partir disso, outro ponto se torna
do com base no conhecimento prévio indispensável: o planejamento de au-
do educando, ou seja, fundamentado las que valorizem a aprendizagem de

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conceitos científicos com o foco no de- à falta de laboratórios bem equipados,


senvolvimento pessoal do aluno e não ao número excessivo de alunos por tur-
somente nos conteúdos repassados ma, à falta de materiais, à carga horária
— daí a importância do suporte meto- extensa para a preparação das aulas ou
dológico advindo das teorias interacio- ainda pela falta de repasse de recursos fi-
nistas da aprendizagem, mesmo diante nanceiros por parte do governo à escola.
de condições materiais inadequadas Diante de tais justificativas por um
impostas pelo [não] governo. significativo número de professores
Então, para que a aprendizagem desta área, percebe-se que essas atitu-
aconteça de forma significativa é ne- des acabam reforçando a existência de
cessário que a aula seja bem conduzida. alunos desinteressados e incapazes de
Isso exige do professor conhecimento e atuar como sujeitos ativos no processo
domínio de conteúdo específico, postu- de construção de seus conhecimentos; e
ra pedagógica, planejamento adequado o ensino de Química fica voltado apenas
e disponibilidade para perceber o aluno para a transmissão de informações, defi-
como um ser ativo na construção do co- nições, conceitos isolados sem nenhuma
nhecimento. Esses esforços conduzem o interligação com a vida do aluno.
aprendiz aos processos de compreensão, Assim notado, mediante o presente
internalização e aplicação de conceitos estudo, conclui-se que a utilização de
apreendidos na sua realidade cotidiana. atividades experimentais no ensino de
Embora seja desanimador o quadro Química é primordial, pois possibilita
em que o professor se encontra na es- ao aluno vivências de situações reais que
cola pública atual, ela deve priorizar são apresentadas nos conceitos quími-
momentos de aprendizado em am- cos, estimulando-o a uma maior parti-
bientes diferentes, com o intuito de cipação nas aulas, além de lhe permitir
promover o conhecimento científico. relacionar a teoria com a prática. Se não
No entanto, percebe-se, por meio da houver articulação entre esses dois tipos
vivência no ambiente escolar, que há de atividades, a aprendizagem acontece-
um quantitativo expressivo de pro- rá de forma fragmentada e poderá não
fessores que não elaboram aulas que ser relevante no desenvolvimento cog-
corroborem para a compreensão por nitivo do aluno e nem à sua formação.
parte dos alunos acerca dos assuntos A utilização das atividades práti-
voltados para a Química. cas no ensino de Química tem como
Além disso, alguns professores justi- propósito envolver os alunos de
ficam a ausência de aulas experimentais forma mais efetiva no processo de

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Reflexões sobre a importância da experimentação no
Revista Tecnia | v. 1 | n. 1 | 2016 ensino da Química no ensino médio

aprendizagem, constituindo, assim, experimentais, as quais puderam ser


uma aprendizagem significativa. Por comprovadas. Apesar dos embates e
isso, o aprendizado do aluno não pode desafios encontrados no ensino da Quí-
ser prejudicado por falta de investimen- mica, são as atividades experimentais
to do governo na educação e\ou na for- que despertam e estimulam os alunos a
mação inadequada do docente. É preciso tomarem para si a referência de seu co-
pensar em estratégias que fomentem de tidiano, sistematizá-la e levá-la de volta
forma investigativa o ensino de Quími- em forma de conceitos e conhecimentos
ca sendo capaz de motivar os alunos a construídos para seu dia-a-dia. Enten-
aprenderem, elaborar hipóteses, coletar de-se, assim, que uma etapa da propos-
e analisar dados e estruturarem suas ta deste estudo foi cumprida e que não
próprias conclusões a fim de aplicá-las está registrado o fim do processo. Para
na sociedade da qual ele faz parte. propiciar a ampliação e o enriquecimen-
Diante do exposto, reafirma-se to das reflexões propostas, almeja-se a
que o estudo realizado para a constru- continuidade deste estudo, visto que
ção deste artigo viabilizou reflexões ainda existem muitas barreiras a serem
acerca da importância de atividades vencidas e conquistas alcançadas.

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Abstract
Chemistry is an area of human knowledge that deals with the microscopic and macroscopic world. Thus, the
experience of real situations is of great importance for the understanding and correlation of various contents
presented within the area. In this context, the use of experimental activities is an important tool that can
assist students in the construction of concepts. Therefore, this article aims to verify the importance of experi-
mentation in Chemistry teaching in secondary school so that the students’ learning, within this area of kno-
wledge, take place in a more constructive and reflective way. In addition, the article reflects on: the history of
Chemistry, the teaching-learning process, the concept of meaningful learning, the interactionist perspective
of human learning, and the role of the teacher.
Keywords:  experimentation; chemistry education; meaningful learning; interactionist perspective of lear-
ning.

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