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José Francis de Oliveira

Matheus Azevedo Barbosa

Vitaminas e Minerais

I. VITAMINAS
Vitaminas são substâncias essenciais não produzidas pelo nosso organismo que são
importantes para o correto funcionamento do corpo. Elas atuam como como coenzimas nas
diversas reações que acontecem, mas não, necessariamente, têm estruturas químicas
semelhantes. Seu nome vem da junção das palavras Vital (Vida) e Amina, pois a primeira vitamina
descoberta foi a vitamina A, uma amina. São obtidas através da alimentação ou da síntese das
mesmas por bactérias presentes na flora intestinal. Elas não são fontes energéticas para o corpo,
visto que não podem ser quebradas para produção de ATP, como ocorre com lipídios e
carboidratos. Elas ainda podem ser precursoras de compostos ativos que precisam passar por
metabolização no organismo para poderem atuar nas reações enzimáticas. De acordo com suas
características de solubilidade, podem ser de dois tipos: hidrossolúveis ou solúveis em água e
lipossolúveis ou solúveis em meios gordurosos.

A importância do consumo de vitaminas já era sabida mesmo antes de termos o


conhecimento da existência das mesmas. Uma mostra clara disso é durante o período das
navegações, no qual os barcos que não levavam alimentos cítricos eram assolados por uma praga
misteriosa que levava à sangramentos na gengiva e baixa da imunidade dos indivíduos. Mais
tarde, a causa da doença, o escorbuto, foi descoberta, a simples falta da vitamina C na dieta dos
marinheiros. Levando para o meio cientifico, pesquisas feitas com camundongos mostrou que
quando eles eram alimentados somente com caseína, manteiga e lactose (proteína, gordura e
carboidratos do leite), os animais não cresciam de maneira saudável, enquanto que os animais
que eram alimentados com leite integral não apresentavam problemas no desenvolvimento,
mostrando que algo no leite além das substâncias básicas já conhecidas era necessário para o
correto desenvolvimento.

As vitaminas lipossolúveis são classificadas nas famílias A, D, E e K, enquanto que as


hidrossolúveis são B, C e P. Esse capítulo abordará algumas da vitaminas que nosso corpo
necessita.

 Vitamina A
A vitamina A é encontrada na natureza principalmente na forma de caroteno,
presente nos vegetais amarelos. Ela é absorvida no intestino junto com o quilomicron, visto a sua

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lipossolubilidade. Depois da sua absorção, ela se liga às proteínas de transporte no sangue para
depois ser armazenada no fígado e tecido adiposo. O fato de serem armazenadas merece
atenção, pois devido a isso, a sua falta no organismo só será notada quando ela for exaurida dos
tecidos, o que não ocorre com as hidrossolúveis, que a falta é notada com sintomas logo que seu
consumo é reduzido ou inexistente.

 Visão
A vitamina A tem sua importância na formação da rodopsina, um pigmento existente na
retina que, ao ser degradado pela luz, estimula as células e envia o sinal elétrico em direção ao
córtex visual, onde os estímulos são convertidos em imagens. A vitamina A se liga a uma opsina,
formando a rodopsina.

 Tecido epitelial
Além disso, também age na regulação do tecido epitelial, que pode se tornar colunar e,
possivelmente, secretor na sua presença, ou queratinizado na sua ausência. Consequentemente,
a deficiência da Vitamina A leva a queratinização da retina, prejudicando a visão ou da parede do
trato gastrointestinal, atrapalhando a correta absorção, funcionamento e secreção de substâncias.

 Crescimento celular e desenvolvimento ósseo


A Vitamina A atua ainda na regulação da síntese de proteínas no período de divisão celular,
o que faz com que sua deficiência leve a problemas no crescimento e desenvolvimento. Enquanto
que, nos ossos, essa vitamina atua na manutenção do funcionamento dos osteoclástos, o que
propicia a renovação do tecido ósseo e correto crescimento e manutenção da morfologia da região.

 Vitamina D
Por mais que hoje em dia se discute se a Vitamina D (calciferol) deve ser classificada como
vitamina ou hormônio, devido a sua importância, é fundamental que seja colocada nesse capítulo.
O fator que traz à tona a discussão da sua classificação é que o princípio ativo da Vitamina D é o
hormônio 1,25-diidroxicolecalciferol (1,25-DHCC), sintetizado no rim a partir da vitamina.

 Déficit e Excesso de Vitamina D


A falta de Vitamina D no organismo em crianças e é conhecida como raquitismo, enquanto
que em adultos é chamada de osteomalacia. Ocorre com a dificuldade na absorção de Cálcio pelo
organismo, o que compromete a estrutura óssea, principalmente em indivíduos em fase de
crescimento, no qual a deficiência de cálcio leva a problemas sérios. Enquanto que em adultos,
pode acarretar perda de densidade óssea e osteoporose.

Em contrapartida, o excesso de vitamina D na circulação sanguínea leva a hipervitaminose


D, que tem efeitos semelhantes ao hiperparatireoidismo, causando vômitos, diarreia, anorexia e

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sonolência, além de haver deposito de cálcio nos grandes vasos e coração, depósito de cálcio
alveolar e ainda cálculos pulpares.

Todas os sintomas acima mostram a importância da vitamina D na absorção e distribuição


de cálcio no organismo.

 Necessidade e Fontes de Vitamina D


A Vitamina D pode ser produzida pela pele, então a sua necessidade de consumo varia de
pessoa para pessoa, porém, recomenda-se uma média de 400UI para crianças, adolescentes,
gestantes e lactantes. Essa vitamina D é convertida no fígado e rim no 1,25-DHCC, como já
mencionado anteriormente, e que é um hormônio com outros efeitos que não serão abordados
nesse tema.

 Vitamina E
A vitamina E, na verdade, trata-se de um complexo de 8 moléculas que atuam como
antioxidantes no organismo. Essas moléculas atuam diminuindo a produção de Radicais Livres,
que são os agentes oxidantes do organismo. A vitamina reduz a atividade da enzima xantino-
oxidase e ainda sequestra os radicais superóxido e hidroxila. Como consequência disso, diminui
a geração dos pigmentos característicos do envelhecimento e de moléculas que levam a rigidez
da matriz extracelular. Portanto, é seguro considerar a Vitamina E como um fator que protege o
corpo do envelhecimento, ou seja, antigerontogênico.

A Vitamina E está presente nos óleos, como de soja, milho e algodão, e alimentos ricos em
gordura, como as manteigas, e a necessidade diária de Vitamina E para um envelhecimento
saudável é de 15mg/dia.

 Vitamina K
A vitamina K tem um papel simples, porém importante no organismo. Seu nome vem de
Koagulation, coagulação em Alemão, logo, já é de se imaginar que exerça papel na coagulação
do sangue em casos de injúria do organismo.

Ela é absorvida nos intestinos junto com os lipídeos e exerce ação de coenzima na
produção dos fatores II, VII, IX e X da cascata de coagulação, mais especificamente, nos
ribossomos hepáticos, onde ocorre a produção dessas proteínas.

 Complexo B
Ao invés de haver uma Vitamina classificada como B, o que existe é um complexo
vitamínico composto por 12 a 15 vitaminas que agem em prol da homeostase do organismo. Sendo
que sua falta pode acarretar inflamação dos nervos, perda de controle muscular, perda de apetite.

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Todas são encontradas principalmente na levedura da cerveja, no trigo e no fígado, porém cada
uma contém sua particularidade de onde ser encontrada. Os componentes do Complexo B são:

 Vitamina B1
 Vitamina B2
 Ácido Nicotínico
 Vitamina B6
 Vitamina B7
 Ácido Fólico
 Vitamina B12
 Ácido Pantotênico
 Vitamina B15
 lnositol
 Colina
 Betaína
 Ácido paraamino-benzóico (PABA)

 Vitamina B1
A primeira vitamina a ser discorrida é a Vitamina B1 ou tiamina. Ela é absorvida no intestino
e não é armazenada no organismo. Ela age como co-enzima, permitindo o correto funcionamento
das reações enzimáticas, principalmente na síntese de neurotransmissores como a dopamina e a
serotonina.

A tiamina é encontrada principalmente nas carnes (especialmente suína), vísceras,


farinhas de trigo e no feijão.

 Vitamina B2
A Vitamina B2, ou Riboflavina, como a B1, é absorvida no intestino e pouco armazenada no
organismo. Ela atua como componente das proteínas (FAD e FMN) responsáveis pelo
carregamento dos elétrons na cadeia de fornecimento de energia, revelando um papel
fundamental para o organismo. Ela é encontrada no fígado, rim, leite e vegetais de folhas verdes.

 Ácido Nicotínico
Como as anteriores, ela é absorvida no intestino e apresenta pouco armazenamento no
organismo. Ela age como coenzima na cadeia de reações da obtenção de energia (NAD e NADP)
por meio da transferência de íons H+, sendo responsável pela síntese de lipídios e proteínas. O
Ácido Nicotínico é produzido no organismo, mas pode ser consumido já formado ou pode ser

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consumido na forma de seu predecessor, o triptofano, que pode ser encontrado em ovos, leite,
vísceras, manteiga de amendoim e derivados do trigo.

 Vitamina B6
A Vitamina B6, na verdade, é composta por 3 substâncias: piridoxal, piridoxina e
piridoxamina. São três substâncias que podem ser convertidas entre si, sendo o piridoxal o mais
importante e precursor da Vitamina B6. Ela age como cofator para a síntese de
neurotransmissores, como a serotonina e o GABA, também na síntese da hemoglobina. É
encontrada em carnes, peixes e ovos.

 Vitamina B9
Conhecida também como Ácido Fólico ou Vitamina M, a Vitamina B9 é absorvida no
intestino e tem a função de coenzima M, atuando na metilação na síntese das purinas e
pirimidinas, os componentes dos ácidos nucleicos, que se tornam DNA, e na formação de
aminoácidos. Devido a isso, a sua falta é sentida nas mucosas, principalmente intestinal e bucal,
pela incapacidade de produzir novas células por falta de síntese de DNA. O ácido fólico é
encontrado, principalmente, nos vegetais folhosos, carnes e vísceras.

 Vitamina B12
Esta vitamina, como as anteriores, é absorvida no intestino delgado, porém, pode ser
armazenada no fígado. Ela é coenzima na síntese de ácidos nucleicos e também atua na síntese
de lipídios no sistema nervoso. A Vitamina B12 é a única que não é encontrada em alimentos de
origem vegetal, portanto sua obtenção deve vir de uma alimentação composta por carnes, peixes
e ovos ou deve ser suplementada com injeções contendo a vitamina, porém, em alguns casos ela
pode ser produzida pelas bactérias intestinais e por ventura vir a suprir a necessidade do
organismo.

 Vitamina P
A Vitamina P, na verdade, é outro conjunto de moléculas essenciais para o organismo, são
eles: rutina, hesperidina, citrina, flavones, flavonais. São compostos coloridos presentes em
diversas frutas como o limão, uva, cereja e muitas outras. Esses compostos atuam como
complementarem aos efeitos da Vitamina C, pois agem facilitando sua absorção e utilização.

 Vitamina C
Uma vitamina com papel muito importante é a vitamina C, ou ácido ascórbico. Em muitas
espécies ele pode ser produzido durante a metabolização da glicose, porém isso não ocorre na
espécie humana, o que torna sua ausência prejudicial à saúde. Entre as funções da vitamina C no
organismo, a mais elucidada é a de cofator na produção de colágeno, porém ela também tem ação

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antioxidante, atua na síntese de neurotransmissores, na ativação da imunidade mediada por
células, entre tantos outros papéis no organismo.

 Colágeno
Na síntese do colágeno a vitamina C atua em 2 momentos chave nas reações enzimáticas,
um deles é como coenzima da prolina-hidroxilase, enzima que hidroxila a prolina e forma a
hidroxiprolina, aminoácido essencial para a formação do colágeno. O outro momento no qual a
vitamina C é fundamental é reduzindo a essa mesma enzima, que perde sua capacidade
enzimática quando o Ferro contido em sua estrutura se oxida. O ácido ascórbico ainda tem a
função de estimular a produção do RNAm do procolágeno tipo I, fazendo com que a redução da
vitamina diminua a síntese do colágeno desde a etapa nuclear da cadeia de produção.

O colágeno é fundamental para a restauração dos tecidos quando passam por lesão que
necessita cicatrização. Quando uma injúria ocorre no tecido, os fibrócitos são reativados e
revertidos a fibroblastos, as células responsáveis pela produção e secreção do colágeno. Que vai
formar a matriz extracelular do tecido conjuntivo que tomará o lugar do tecido lesado. Esse
conjuntivo ainda possui elastina, porém ele não necessita do colágeno para a sua produção. Os
glicosaminoglicanos presentes no tecido conjuntivo também são influenciados pela Vitamina C,
que estimula sua síntese e inibe sua degradação, por isso que a sua ausência prejudica os tecidos
conectivos e, consequentemente, tem impacto tão abrangente no organismo, como por exemplo
nos vasos sanguíneos, onde a falta de colágeno leva a comprometimento da estrutura das paredes
dos vasos e consequentes hemorragias no corpo.

 Desenvolvimento, Crescimento e Envelhecimento


A sua função durante o desenvolvimento do organismo já está presente, porém, não é raro
o aparecimento dos sintomas em lactentes que recebem somente leite materno e não têm a dieta
suplementada com sucos e frutas, visto que o leite materno é deficiente em Vitamina C. Enquanto
que na idade adulta é comum a queda na concentração plasmática de Ácido Ascórbico pois ocorre
um aumento na sua necessidade, provavelmente devido ao aumento na síntese dos hormônios
esteroidais, que, como diz a tabela abaixo, necessita da vitamina para ocorrer.

 Sistema Imunológico
Como dito anteriormente, a vitamina C é necessária para ativação da imunidade mediada
por células, porém, também aumenta a concentração dos anticorpos do tipo IgA, IgM e da fração
C3 do complemento.

 Outros locais de ação do ácido ascórbico

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Metabolismo de Proteínas Síntese de aminoácidos com fenilalanina e
tirosina.

Respiração celular Regula o ciclo respiratório mitocondrial.


Síntese de Hormônios Sua concentração é aumentada quando a síntese
Esteroidais de corticosteroides no córtex supra-renal.

Síntese de Cofator de enzimas sintetizadoras de


Neurotransmissores noradrenalina e dopamina.

Estruturas Dentárias São afetadas pela falta do ácido ascórbico.

 Necessidade e Fontes de Ácido Ascórbico


Um adulto necessita de uma dose diária de 45mg/dia da vitamina, que pode aumentar para
60mg/dia ou 80mg/dia durante a gestação e lactação, respectivamente. Como a Vitamina C não
é armazenada no organismo, é importante que sua ingestão seja diária. Como já mencionado, as
frutas cítricas são uma importante fonte de Vitamina C, porém, não são as maiores. Ocupando as
primeiras posições estão a acerola e o tomate.

II. MINERAIS

Minerais são componentes não orgânicos da dieta que, como as vitaminas, não estão
envolvidos diretamente no fornecimento de energia, entre os mais conhecidos estão o Ferro,
Cálcio, Sódio e Iodo. Quase todos os elementos inorgânicos foram encontrados no organismo,
porém esses são os que necessitam de maior concentração no organismo para ter efeito
metabólico. Por tanto, uma dieta balanceada deve apresentar, além das macromoléculas básicas
e vitaminas, minerais para o correto funcionamento do organismo. Esse capítulo irá discorrer sobre
minerais importantes e com grande papel no correto funcionamento do organismo.

 Cálcio e Fósforo
O Cálcio e o Fósforo são minerais importantes estruturalmente para o organismo, se
depositam nos tecidos mineralizados como os dentes e ossos, porém também se encontram nos
tecidos moles, pois possuem papel fundamental para o correto funcionamento celular.

Esse mineral atua na contração muscular, possibilitando o deslizamento dos filamentos de


actina sobre os de miosina, habilitando o movimento. Ao mesmo tempo, esse elemento também
está presente no meio extracelular das terminações pré-sinápticas, o seu influxo faz com que as
vesículas contendo neurotransmissores sejam fundidas à membrana pré-sináptica e a liberação

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dos neurotransmissores ocorra. Também atua como segundo mensageiro na transdução
intracelular de sinal. E além de tudo, é responsável pela estruturação óssea do organismo.

É possível encontrar cálcio na dieta não só no leite e em seus derivados, como o queijo,
mas essas são a principal fonte. Também está presente em vegetais verdes como repolho e
brócolis. Porém, a diferença de disponibilidade dos vegetais para os derivados do leite faz com
que o recomendado seja uma ingestão mínima de 500mL de leite por dia aos indivíduos em fase
de crescimento ou gestantes e lactantes.

A deficiência de cálcio se dá principalmente devido à falta de ingestão ou absorção, nesses casos,


pode acontecer o quadro de raquitismo em caso de má absorção por falta de vitamina D ou
desmineralização óssea e alteração da estrutura dentária.

O Fósforo se apresenta em menor quantidade do que o Cálcio no organismo, porém, se


concentra mais nos tecidos moles, o que faz com que ele seja mais excretado e tenha um ciclo de
renovação no organismo mais curto. Isso resulta numa necessidade semelhante de ingestão,
mesmo com as quantidades presentes no organismo diferentes. Esse mineral tem um importante
papel na fosforilação das proteínas do organismo, o que faz com que elas sejam ativadas ou
inativadas, tornando-o um excelente regulador das reações do organismo. Seu grande papel
intracelular faz com que sua concentração seja menor do que a do cálcio no plasma.

Ambos os minerais têm sua concentração plasmática regulada, principalmente, via


hormônios. A calcitonina atua na diminuição da concentração plasmática de Cálcio, inibindo sua
absorção no intestino e reabsorção renal, ao mesmo tempo que aumenta a fixação do Cálcio e
Fósforo plasmáticos nos ossos. Por outro lado, o Paratormônio (PTH) atua nos ossos, causando
a reabsorção óssea, e consequente descalcificação e aumentando o Cálcio circulante na corrente
sanguínea, aumenta, também, a absorção de Cálcio e Fósforo nos intestinos, a reabsorção de
Cálcio, enquanto diminui a reabsorção do Fósforo nos rins.

 Magnésio
O magnésio é um mineral presente em diversas partes do organismo com papeis
igualmente diversos, indo de componente dos ossos até parte do processo de excitabilidade da
membrana dos neurônios, passando por participação em reações enzimáticas. A sua falta leva a
comprometimento do crescimento das estruturas duras. Ele é muito abundante nos alimentos,
então sua deficiência devido a alimentação é muito rara, porém, podemos encontrar magnésio em
grande quantidade em amêndoas, cacau ou castanha-do-pará.

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 Selênio
Selênio é um mineral traço, ou seja, necessário em quantidades baixíssimas. Possui efeito
associado à Vitamina E por ter ação anti-inflamatória e ajudar a combater o envelhecimento. Esse
mineral é encontrado no solo e é agregado às plantas cultivadas nesse solo, e é também
encontrado em animais que se alimentam dessas plantas. Por ser necessário somente em baixa
quantidade, podem ocorrer casos de intoxicação pelo mineral, que é manifestada por queda de
cabelo, unhas e dentes, febre, diarreia e até morte.

 Ferro
Muito conhecido é o mineral Ferro, ligado diretamente a diversos casos de anemia. Ele é
componente da hemoglobina, a molécula presente no interior das hemácias e responsável pela
circulação do oxigênio no sangue, e várias outras moléculas, incluindo enzimas, fundamentais
para o correto funcionamento do organismo. O ferro é absorvido com ajuda da vitamina C na
mucosa intestinal de maneira inversamente proporcional à quantidade de Ferro disponível no
organismo, quanto mais ferro disponível para o corpo, menos será absorvido, enquanto que a
recíproca é verdadeira. Esse mineral pode ser encontrado principalmente em alimentos de origem
animal, como vísceras, ovos e carnes, porém também é encontrado no feijão e nozes.

 Zinco
O zinco é um mineral presente em todos os tecidos, porém em menor concentração do que
o ferro. Tem essa presença significativa, pois, como o anterior, está presente em diversas enzimas
e proteínas, como a anidrase carbônica, responsável pela manutenção do pH sanguíneo e a
insulina, hormônio importante no aproveitamento da glicose pelo organismo e relacionado aos
distúrbios diabéticos. Sua falta pode acarretar em debilidade de crescimento e hipogonadismo, a
atrofia das gônadas (ovários e testículos). O zinco está presente em alimentos marinhos como as
ostras, mas também é encontrado no leite, ovos, carnes e nozes. Porém, no caso das nozes e
outros vegetais, o zinco é menos aproveitado pois a sua absorção é comprometida pela reação
do mesmo com moléculas presentes nos vegetais.

 Iodo
Outro mineral com importante papel no organismo é o Iodo, que, ao ter uma diminuição na
sua ingestão, pode levar a sérias enfermidades. Sua principal função é na produção dos hormônios
tireoidais T3 (Triiodotironina) e T4 (Tetraiodotironina), responsáveis por regular diversas funções
corpóreas, como o crescimento e desenvolvimento, metabolismo, temperatura corpórea e
frequência cardíaca.

O Iodo tem sua absorção no intestino delgado e, como mencionado, é importante para a
regulação da produção dos hormônios tireoidais, sua deficiência leva ao desenvolvimento do bócio

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endêmico, que nada mais é do que o acúmulo dos outros reagentes da síntese do T 3 e T4 e
aumento do volume da tireóide. A não produção dos hormônios é incapaz de realizar a
retroalimentação do organismo que sinaliza a suficiência destes hormônios, e, com isso, o TSH,
hormônio responsável por estimular a tireóide a produzir seus hormônios, continua sendo liberado
no organismo e tentando aumentar a produção dos hormônios tireoidais.

Sua presença na alimentação ocorre por meio da ingestão de alimentos cultivados em solo
rico em Iodo, porém, também é encontrado em grande quantidade em alimentos marinhos,
principalmente algas. Por consequência disso, países que culturalmente comem mais alimentos
marinhos como o Japão e o Chile apresentam índices quase nulos de bócio endêmico. Essa
necessidade especial faz com que existam leis que exigem o enriquecimento do sal de cozinha
com Iodo, visto que praticamente toda a culinária se utiliza de sal e, por mais que sua importância
seja extrema, a necessidade diária de Iodo é de apenas 1mg/dia/kg, ou seja, um adulto de 70kg
necessita de somente 70mg de Iodo por dia para não desenvolver bócio endêmico e ter o correto
funcionamento da glândula tireoide.

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REFERÊNCIAS E MATERIAL COMPLEMENTAR

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