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líNGVAElITERATUM

lit o r a á t ic a l

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flio Branco - Rua RioG rande ao Sul. 331 - CEP 69 90 0
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Carlos Emílio Faraco
Licenciado em Letras pela Universidade de Sáo Paulo
Professor da Escola Nossa Senhora das Graças

Francisco Marto de Moura


Licenciado em Letras pela Universidade de São Paulo
Professor da Escola Nossa Senhora das Graças

Lmgua
eriteratura
Volume SEGUNDO
GRAU

r UVDODO'

V enaa P ro ih iü a

11.^ edição
Apresentação

\ D e início, agradecemos a todos os A gramática, totalmente reformulada,


colegas que, tendo utilizado nossa parte sempre de textos completos, curtos,
coleção em suas aulas, nos enviaram de natureza diversa, não se limitando
sugestões, críticas, elogios. aos textos literários.
Essas observações forneceram A redação desenvolve-se em três
subsídios para a reformulação do Língua partes: teoria, exercícios e proposta de
e literatura, agora em edição tema. Ao longo dos três volumes são
não-consumível. estudadas a narração, a descrição, a
Editor: Sandra Almeida 0 princípio que norteou a elaboração dissertação, além da crônica e do conto.
Preparação dos originais: Emílio Satoshl Hamaya
da obra permanece: dispensar um
Pesquisa iconográfica: Chico Homem de Melo Permanecem os testes de vestibulares,
Rogério Ramos tratamento sério, consistente e, ao para fam iliarizar o aluno com o
Produção das imagens: FIHM Produções Gráficas mesmo tempo, agradável ao material que conteúdo básico exigido nos exames de
Capa [dssign]'. Chico Homem de Melo
Imagem-, Panorama do Rio de Janeiro,
serve como ponto de partida para o seleção das principais faculdades do
de Wllllam John Burchell, estudo de língua e literatura no Segundo país.
Edição de arte: Milton Takeda e Adelfo M. Suzuki Grau.
Aríe: Nanei Y.NIchI Finalmente, o livro recebeu um
Marlene Takemoto No que diz respeito à história da
considerável acréscimo na iconografia, a
DIuIna Rocha Corte literatura, partimos do conceito de estilo
Solange de Oliveira fim de ampliar o apoio visual aos
de época para estudar cada movimento
Composição: Diarte Ed. e Comercial de Livros conteúdos estudados.
literário no contexto em que
predominou, relacionando-o sempre com Aos colegas que nos têm prestigiado
as demais artes. 0 estudo dos desde a primeira edição do Lingua e
movimentos literários do século X ll ao literatura reiteramos nossos
século X IX é introduzido com textos agradecimentos. Continuamos abertos a
ISBN 85 08 03483 0
contemporâneos que apresentam alguma críticas e sugestões, elementos
semelhança temática ou estrutural com indispensáveis ao aprimoramento de
aqueles estilos de época. 4ualquer obra.
1931
Editora Ática S.A . Os autores
Rua Barão de Iguape, 110 - CEP 0 1 5 0 7
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Todos os direitos reservados
UNIDADE 8 - A prosa no Romantismo brasileiro (IJ
JO A Q U IM M A N U EL DE M A CE D O
m p i€ E I. TEXTO: A Moreninha,
119
II. LITERATURA: A prosa no Romantismo brasileiro (I), 122
III. GRA M Á T ICA : Pronome (III), 124
UNIDADE 1 - 0 Romantismo IV. RED AÇÃO : Os detalhes, 128
I. TEXTO: A primeira namorada — Fernando Sabino, 8

UNIDADE 9 - A prosa no Romantismo brasileiro (II)


II. LITERATURA: O romantismo, 10
III. G RA M Á T ICA : Classes gramaticais, 20
IV. RED A Ç Ã O : Lingua falada e língua escrita, 22 BERN A RD O GU IM A RÃ ES
I. TEXTO: O seminarista,131
UNIDADE 2 - 0 Romantismo em Portugal VISCONDE DE TAUNAY
I. TEXTO: Am or de perdição— Camilo Castelo Branco, 25 I. TEXTO; Inocência,134
II. LITERATURA: O Romantismo em Portugal (1825-1865), 27 II. LITERATURA; A prosa no Romantismo brasileiro (II): O regionalismo, 137
Almeida Garrett, 29; Alexandre Herculano, 30; Camilo III. G RA M Á T ICA : Artigo, 139; Numeral, 141
Castelo Branco, 32 IV. RED A ÇÃ O ; O diálogo na caracterização das personagens, 146
III. G RA M Á T ICA : Substantivo (I), 33
IV. R ED A Ç Ã O : A ordem na narrativa, 37 UNIDADE 10 - A prosa no Romantismo brasileiro (III)
UNIDADE 3 - 0 Romantismo no Brasil: aspectos gerais JOSÉ DE A LEN CA R
I. TEXTO: Iracema — José de Alencar, 41
I. TEXTOS; O guarani,
149; Senhora,
153-
II. LITERATURA: A prosa no Romantismo brasileiro (III); A obra de José de
II. LITERATURA: O Romantismo no Brasil (1836-1881), 44
Alencar, 155
III. G R A M Á T IC A : Substantivo (II), 51
III. REVISÃO; Questões de vestibular — Literatura, 158; Gramática, 161;
IV. R E D A Ç Ã O : A ordem na descrição (I), 55
Redação, 162
UNIDADE 4 - A poesia no Romantismo brasileiro (D
GONÇALVES DIAS UNIDADE 11 - A prosa no Romantismo brasileiro dV)
I. TEXTOS: I-Juca Pirama,60; Canção do exílio,
62; Se se morre de amor,
63 M ANUEL A N T ÔN IO DE A L M E ID A
II. LITERATURA: A poesia no Romantismo brasileiro (I): Primeira fase, 64 I. TEXTO: Memórias de um sargento de milícias,
164
III. G RA M Á T ICA : Adjetivo, 65 II. LITERATURA; A prosa no Romantismo brasileiro (IV): Prosa de transição, 168
IV. R ED A Ç Ã O : A ordem na descrição (II), 71 IIL' G RA M Á T ICA : Verbo (I), 169
IV. RED A ÇÃ O : A clareza no texto, 173
UNIDADE 5 - A poesia no Romantismo brasileiro (H)
ÁLVARES DE A ZEV EDO
I. TEXTOS: Lembrança de morrer,
75; Idéias íntimas,
77 UNIDADE 1 2 - 0 Realismo/Naturalismo: características gerais
C A SIM IR O DE ABREU I. TEXTOS; Carlota — José de Alencar, 177;Virgília— Machado de Assis, 177
I. TEXTOS: M inh’alma é triste,
79; Meus oito anos,
80 II. LITERATURA; O Realismo/Naturalismo: características gerais, 178
JU N Q U E IR A FREIRE !!I, G RA M Á T ICA : Verbo (II), 186 '
II. LITERATURA: A poesia no Romantismo brasileiro (II): Segunda fase, 82 IV. RED AÇÃO ; O desenvolvimento da dissertação (I), 188
III. REVISÃO: Questões de vestibular — Literatura, 84; Gramática, 87; Redação, 88

UNIDADE B - A poesia no Romantismo brasileiro (110 UNIDADE 1 3 - 0 Realismo/Naturalismo em Portugal


FAGUNDES VA RELA
I. TEXTO: O crime do padre Amaro — Eça de Queirós, 192
I. TEXTO: Cântico do Calvário, 90
II. LITERATURA: O Realismo/Naturalismo em Portugal (1865-1890), 194
Antero de Quental, 197; Eça de Queirós, 198
SOUSÃNDRADE
III. G RA M Á T ICA : Verbo (III), 199
II. LITERATURA: A poesia no Romantismo brasileiro (III); Segunda fase, 94
IV. RED A ÇÃ O : O desenvolvimento da dissertação (II), 202
III. G RA M Á T ICA : Pronome (I), 96
IV. RED A Ç Ã O : A ordem na dissertação: indução, 103
UNIDADE 1 4 - 0 Realismo/Naturalismo no Brasil (D
UNIDADE 7 - A poesia no Romantismo brasileiro (IV) I. TEXTOS: Memórias póstumas de Brás Cubas — Machado de Assis, 204;
CASTRO ALVES O cortiço — Aluísio Azevedo, 207
I. TEXTOS: O navio negreiro, 106; Primeira sombra,
110 II. LITERATURA; O Realismo/Naturalisrno no Brasil (1881-1393), 203
II. LITERATURA: A poesia no Romantismo brasileiro (IV): Terceira fase, 111 III. G RA M ÁTICA : Verbo (IV), 213
III. GR A M Á T IC A : Pronome (II), 112 IV. RED AÇÃO : A descrição técnica, 217
IV. RED A ÇÃ O ; A ordem na dissertação: dedução, 116
¿ 'i i t í c io ''e /
UNIDADE 1 5 - 0 Realismo/Naturalismo no Brasil ÍH)

O Romantismo
M A C H A D O DE ASSIS
I. TEXTOS: QuincasBorba, 220; O í cãei (Memórias póstumas de Brás Cubas), 222;
Olhos de ressaca (Dom Casmurro), 223
II. LITERATURA: O Realismo/Naturalismo no Brasil (II): Características gerais
da obra machadiana, 224
III. REVISÃO: Questões de vestibular — Literatura, 228; Gramática, 231;
Redação, 232 o que é o Romantismo? Uma escola, uma
tendência, uma forma, um fenômeno
histórico, um estado de espírito?
UNIDADE 16 - 0 Reaíismo/Naturalismo no BrasH (lllj Possivelmente tudo isto junto e cada item
R AU L P O M P É IA separado.
I. TEXTO: O Ateneu, 235
II. LITERATURA: O Realismo/Naturalismo no Brasil (III): O estilo de (J. Guinsburg -crítico de arte)
Raul Pompéia, 237
III. GR A M Á T IC A : Advérbio, 239
IV. R ED A Ç Ã O : A narração técnica, 244
SR:

UNIDADE 17: 0 Realismo/Naturalismo no BrasH (IV)


A LUÍSIO A ZEV EDO
I. TEXTOS: O cortiço, O mulato,
247; 249
II. LITERATURA: O Realismo/Naturalismo no Brasil (IV), 251
III. GR A M Á T IC A : Preposição, 252
IV. R ED A Ç Ã O : A crônica (I), 256

UNIDADE 18 - 0 Parnasianismo
I. TEXTO: Rio abaixo — Olavo Bilac, 258
II. LITERATURA: O Parnasianismo no Brasil (1882-1893), 259
Olavo Bilac, 264; Raimundo Correia, 265; Alberto de
Oliveira, 266
III. GR A M Á T IC A : Conjunção (I), 269
IV. R ED A Ç Ã O : A crônica (II), 272

UNIDADE 1 9 - 0 Simbolismo (características gerais) e o Simbolismo em Portugal


I. TEXTO: Um sonho — Eugênio de Castro, 276
II. LITERATURA: O Simbolismo: características gerais, 278
O Simbolismo em Portugal (1890-1915), 284
Eugênio de Castro, 285; Antônio Nobre, 285; Camilo
Pessanha, 286
III. G RA M Á T ICA : Conjunção (II), 287; Interjeição, 287
IV. R ED A Ç Ã O ; O conto, 289

UNIDADE 2 0 - 0 Simbolismo no BrasH


C RUZ E SOUSA
I. TEXTO: Violões que choram,293
ALPHONSUS DE G U IM A RA EN S
I. TEXTO; Ismália, 296 0 amor romântico está presente desde a mitologia grega, como no mito de
II. LITERATURA: O Simbolismo no Brasil (1893-1902), 297
Cupido e Psiquê.
III, REVISÃO: Questões de vestibular — Literatura, 299; Gramática, 301; F o nte : H A R T, H a ro ld . H a rt P ic tu re A rc h iv e s - A C o m p e n d iu m . N e w Y o rk , H a rt, 1 9 7 6 . p. 8 8 . v. 1
Redação, 303
B IB LIO G R A FIA , 304
I. TEXTO tiquada, móveis velhos e gastos — era preciso reformar os móveis, reformar
a casa, reformar o mundo, para merecer a presença de Leda.

Sabino, Fernando. A primeira namorada, In: O

A primeira namorada
encontro marcado. 7. ed. Rio de laneiro. Editora
do autor, 1956. p, 17-8,

Leda. Estavam namorando? Ele não saberia dizer: emprestou-lhe um li­


vro chamado 'Travessuras de Juca e Chico". Muito engraçado. Leda leu,
achou muito engraçado, devolveu com uma manchinha de manteiga. ESTUDO DO TEXTO
— Desculpe.
5 — Não tem importância, é para manchar mesmo. 1. Estamos diante de um texto narrado em primeira ou em terceira pessoa? Justifi-
— Por que você não põe capa? Eu encapo todos os meus livros. QUC s u a r e s p o s ta , o texto é narrado em terceira pessoa. Verbos e pronomes empregados justificam a res­
posta.
— Eu não. 2. Quais são as personagens centrais da narrativa? Eduardo e Leda.
— Pois eu sim. Sou a primeira das meninas. Você não é nem o quinto ou
o sexto dos meninos. 3. Qual foi a mudança de comportamento que impressionou a mãe de Eduardo? Eie
começou a estudar mais do que costumava.
10 Ser o primeiro. Ficava em casa estudando, fazendo exercício. Dona Es- 4. Qual foi a causa de tal mudança? O “ miiagre do amor” .
tefânia, estranhando, maravilhada:
— Não sei o que deu nesse menino. Agora é isso toda noite. Eu não di­ 5. Releia o trecho compreendido entre as linhas 23 e 27. Como Eduardo “ desliga-
-Se” da realidade exterior? Através da imaginação.
zia? Eu não dizia?
— Dizia o quê, mulher? — resmungava seu Marciano. 6. Transcreva, do mesmo trecho, uma frase que comprove a seguinte afirmativa: a
15 — Que ele endireitava? Verdadeiro milagre. fuga pela imaginação é uma das características marcantes da personalidade de
E d u a r d o . “ Inlcíava-se naquilo que iria ser, vida afora, o motivo de suas horas mais alegres e mais miserá­
Milagre do amor. Amava Leda, mas não ousava sequer pensar em bei­ veis
já-la. Beijo não era bom assim feito diziam. Amando em silêncio. As vezes se 7. Que trecho da narrativa mostra que Eduardo idealizava a figura de Leda? o trecho
declarava: compreendido entre as linhas 26 e 27, e especialmente a última linha do último parágrafo.
8. Copie o que for verdadeiro em relação ao texto lido:
— Leda, eu gosto muito da sua letra.
a) A personagem foge da realidade através da imaginação, x
20 — Leda, eu gosto muito do seu estojo.
b) O comportamento da personagem baseia-se sobretudo na emoção, x
— Leda, eu gosto muito.
c) As atitudes da personagem baseiam-se na razão.
De noite, dormia abraçado com ela, era bem melhor. Leda cariciosa. d) Ocorre a idealização da mulher, x
Leda travesseiro. Iniciava-se naquilo que iria ser, vida afora, o motivo de
e) A personagem central evade-se também no espaço, x
suas horas mais alegres e mais miseráveis: imaginava tudo — passeios, con-
f) O amor é supervalorizado por Eduardo, x
25 versas, piqueniques, banho na piscina. Um dia, salvou-a de morrer afogada.
Leda tinha piscina em casa. Leda era toda queimada de sol, devia ser bran- Eduardo, a personagem central da narrativa lida, apresenta, fundamentalmen­
quinha debaixo do vestido — imaginava tudo. Um dia imaginou um presépio. te, as seguintes características psicológicas:
— Papai, quero fazer um presépio. — seu comportamento é baseado sobretudo na emoção;
Era Natal. O pai ajudou Eduardo a fazer o presépio — seu Marciano mes- — evade-se da realidade através da imaginação;
30 mo ajeitou o papel fingindo de montanha, serrou a madeira, colocou o espe­ — supervaloriza o amor.
lho, fingindo de lago, com dois patinhos de celulóide, trouxe da cidade as fi­ Essas são características do estado de alma romântico. Trata-se de um modo
guras. Eduardo compareceu com dois soldadinhos de chumbo, espingarda de sentir e interpretar a realidade e de um modo de agir. Esse romantismo (modo de
ao ombro, para montar guarda ã manjedoura, Mas a finalidade última — cha­ sentir a realidade, estado de espírito) difere de Romantismo (estilo de época). Como
mar Leda para vir ver — não foi atingida. O menino não teve coragem e foi estado de espírito, modo de sensibilidade, tipo de comportamento, o romantismo
35 melhor assim. Na casa dela havia de ter um presépio muito mais bonito. E caracteriza-se por uma atitude profundamente emotiva diante da vida, e pode surgir
achava a sua casa velha demais para ela: tinha um vidro partido na janela da em qualquer momento histórico, não estando sujeito a datas. Por isso, pode refletir-
sala, a pintura do lado de fora descascando — a sala de jantar mesmo era an­ -se na produção artística de qualquer época. Na literatura, por exemplo, o compor­
tamento romântico aparece registrado desde a Antiguidade até os nossos dias.
o progresso político, econômico e
social da burguesia, portanto, preparou
terreno para que surgisse urp fenômeno ilíi
cultural baseado na liberdade de cria­
ção e expressão e na supremacia do in­
deLlNDUSTRlE
divíduo, que não mais obedece a pa­
drões preestabelecidos. Foi nesse con­
texto que surgiu o Romantismo.

MuÊer com turbante,


do piritGr romântico ■
português Daminps
Antônio Sequeira.

Já o Romantismo entendido como estilo de época diz respeito à tendência ge­ Les proáges de fíném irie, cartaz de uma
ral da vida e da arte que predominou na Europa durante a primeira metade do sécu­ exposiçio sobre a indústria em Paris, em 1 8 4 4 ,
lo X IX . Nesse caso, o nome Romantismo designa um estilo artístico delimitado no F o nte ; G A LLO , M a x, The P o s ta r ¡n H is to ry . M iddlesex,. U .K ,,
H a m lyn , 1 9 7 4 . p. 2 5 .
tempo. Esse é o estilo de época que estudaremos nas onze primeiras unidades deste
livro.
Tudo isso significa, na arte, uma ruptura com os padrões clássicos e
Feita a distinção, fica claro que é possível ocorrerem manifestações da sensibi­
lidade romântica até em obras de nosso século, como vimos pelo texto lido — publi­
neoclássicos até então em moda. Víctor Hugo, escritor francés do século
cado pela primeira vez em 1956. X IX , convidava: “ Metamos o martelo ñas teorías, ñas poéticas*, nos siste­
mas. (...) Nada de regras nem de modelos” .

O batanço, de J.-H. Fragonard, 1 7 8 2 . '/eltio no baknco, de F. Goya, 18 24-2

IL UTERATURA

O Romantismo
Contexto histórico
O Romantismo está ligado a dois acontecimentos: a Revolução France­
sa e a Revolução Industrial, responsáveis pela formação da sociedade bur­
guesa. Depois da Revolução Francesa (1787-1789), seguiu-se uma época de
rápidas e profundas mudanças no mundo europeu. A sociedade tornou-se
muito mais complexa.
A Revolução Industrial gerou novos inventos que buscavam solucionar
os problemas técnicos decorrentes do aumento de produção. Sua conseqüên­
cia mais evidente foi a divisão de trabalho e o inicio da especialização da
F o nte : BÉG UiN, A n d ré e t a!ii. P rínts: H is to ry O f A n A rt. F o nte ; id ., ib id . p. 9 3 .
mão-de-obra. G eneva, S kira, 1 9 8 8 . p. 9 2 .

Após a Revolução Francesa, o absolutismo entrou em crise, cedendo lu­ Observe a ruptura dos padrões neoclássicos presentes na obra de Fragonard efetuada pelo Goya
gar ao liberalismo (doutrina fundamentada na crença da capacidade indivi­ romántico: sobrou apenas o balanço.
dual do homem). A economia da época estimula a livre iniciativa, a livre em­
presa. O individualismo tomou-se um valor básico da sociedade da época. * poética: arte de fazer versos; teoria de versificaçâo

10
Se considerado como um movimento cultural ampio, o Romantismo re­
presenta uma oposição ao pensamento iluminista (movimento filosófico do
século X V III que se caracteriza pela confiança no progresso e na razão).

Manifestações artísticas

Pintura e arquitetura

A exemplo do que já acontecera em outros campos artísticos, a pintura


romántica mostra o abandono das regras que guiavam os artistas da fase an­
terior.
A liberdade de criação e o individualismo tornam-se responsáveis por
uma maneira muito emotiva de enxergar e representar a realidade, como se
Fachada da Catedral de Ciermont-Ferrand.
pode observar no quadro reproduzido abaixo. F o nte ; C H R IS T, Y van . G ra m á tica d o s e s tilo s ; A rte d o sé cu lo XI X.
São P aulo, M a rtin s Fo nte s, 1 9 8 6 , p. 1 7 , v. 2.

Música
As fórmulas clássicas de composição eram muito rígidas, e o autor de­
via obedecer a elas. A música romântica demonstra o abandono dessas fór­
mulas e passa a ser, sobretudo, expressão dos estados de alma, dos sentimen­
tos, das paixões individuais. Portanto, predomina nela o caráter subjetivista.
São músicos representativos da tendência romântica: Chopin, Schubert

ÍB IK it®
e Beethoven.

à UoerdaúB guiandú
de E. Delacroix.

Esse quadro foi inspirado nos acontecimentos políticos de 1830, na


França, quando o rei Carlos X assinou decretos que visavam trazer de volta
os poderes absolutistas. A reação burguesa foi violenta. O pintor Delacroix
retrata essa reação de maneira dramática nessa obra, uma das mais represen­
tativas da pintura do Romantismo.
A escultura e a arquitetura registram pouca novidade. O que se observa, Um retrato romântico de Chopin feito por seu Retrato de Beethoven, caligrafia realizada por
de modo geral, é a permanência do estilo neoclássico. Eventualmente, reto- amigo E. Delacroix. Bayrle a partir de um fragmento de sonata.
mou-se o estilo gótico medieval, que deu origem ao estilo neogótico, o qual Fonte; G A L W A Y , J a m e s. A m ú s ic a n o te m p o . S ão Paulo, F o nte : PEIG NO T, J é rô m e . D a tr a it de p lu m e aux

pode ser observado na reprodução seguinte: M a rtin s F o n te s, 1 9 8 7 . p. 1 82 , c o n tre -é c ritu re s . Paris, J a cq u e s D am ase, 1 9 8 3 . p. 167,

13
Literatura c) Mal'do-séeulo
O romântico acredita que o es­
pírito humano busca sempre a perfei­
ção, a totalidade, o absoluto, o infi­
nito. No entanto, t> homem é incapaz
de atingir esse estado, por ser uma
criatura imperfeita. A constatação
dessa impossibilidade produz insatis­
fação, angústia e até uma obsessiva
atração pela morte, encarada como
saída definitiva para resolver tal in-
M l
saciedade.

Os rochedos cakárm s de Rügen, de K. D.


O Romantismo literário surgiu na Alemanha, por volta de 1800, con­ Friedrich. 0 quadro resume o sentimento de
quistou a Inglaterra, a França e, posteriormente, todas as literaturas euro­ insaciedade pelo infinito que caracterizou o
péias e americanas. rft0¥iment0 ramâritico.
F o nte ; Q A L W A Y , Ja m e s, A m ú s ic a n o te m p o . São P aulo,
Como nas demais artes, as características da literatura romântica decor­ M a rtin s F o nte s, 1 9 8 ? . p. 1 7 9 .

rem de uma visão de mundo centrada no indivíduo. Essa subjetividade ex­


pressa-se sobretudo em; Ansiando por uma plenitude impossível, o romântico sente-se desajus­
tado no mundo. Ele vê o homem de sua época como um ser fragmentado, re­
a) Liberdade de criação duzido a uma simples peça da engrenagem social.
Você já sabe que o artista recria á realidade. No Classicismo, essa re­ Dessa análise da realidade resulta uma sensação de perda da individuali­
criação do mundo obedecia, sobretudo, a uma convenção: expressar aquilo dade.
que fosse geral, universal. Para tanto, a norma era imitar a arte greco-roma- Tal desajustamento conduz ao chamado mal-do-século, definido como
na, considerada como arte universal. a aflição, a angústia, a dor decorrentes da falta de sintonia com a sua época.
Desse desajuste resultam:
No Romantismo, a recriação da realidade não obedece mais a esquemas
— pessimismo;
preestabelecidos. Não se aceitam mais as fontes grega e romana como mode­ — gosto pela melancolia e pelo sofrimento;
los de criação literária. Aliás, a proposta romântica é não aceitar nenhum
— busca da solidão.
modelo. O romântico expressa-se através de uma atitude pessoal, individual
e única. O que passa a valer é aquilo que cada um tem de característico, seus Procurando saídas para esse desequilíbrio, o romântico desenvolve me­
elementos pessoais, únicos e intransferíveis. Para o romântico, expressar-se canismos de evasão da realidade.
significa exprimir sua personalidade, independentemente de quaisquer re­
d) Evasão
gras, obedecendo apenas às suas determinações interiores. O não-conformís-
mo aos valores estabelecidos é a marca registrada do romântico. O mecanismo de evasão, resultante do conflito analisado no item ante­
rior, processa-se em três níveis: evasão no tempo, evasão no espaço, evasão
Por isso, a poesia adquire uma nova feição durante o Romantismo, e na morte.
torna-se comum a mistura de gêneros literários, para citar apenas duas ocor­ A evasão no tempo conduz a imaginação do escritor e da personagem
rências que exemplificam essa liberdade de criação. romântica ao passado histórico (história) ou individual (infância) em busca
de situações consideradas ideais.
b) Sentimentalismo
No passado histórico, o romântico vai redescobrir a Idade Média, que
O romântico analisa e expressa a realidade por meio dos sentimentos.
lhe parece uma época de grande estabilidade política e social. Além disso, a
Isso equivale a dizer que a razão fica em segundo plano. O romântico acredi­
Idade Média apresenta outros elementos que satisfazem o gosto romântico
ta que só sentimentalmente se consegue traduzir aquilo que ocorre no inte­
pelas coisas pitorescas, lendárias e misteriosas. Alguns tipos da sociedade
rior do indivíduo. Por isso, é o sentimento de cada um que define a impor­
medieval (como o cavaleiro das Cruzadas) reaparecem nas obras do Roman­
tância ou não das coisas. tismo como personagens que simbolizam essa época.

15
É importante lembrar que o romântico encontra na Idade Média as ori­ e) Eleição de heróis grandiosos
gens de cada nação, pois a cultura medieval passou a ser considerada a ex­ Na ânsia de glória, de infinito, o herói criado pelo escritor romântico
pressão típica de cada país. Nesse aspecto, a Idade Média forneceu resposta não se contenta com o mundo em que vive. Por isso, ele o desafia, numa ati­
ao romântico que buscava encontrar os elementos específicos da personali­ tude rebelde que se volta contra a sociedade, contra o destino e até contra
dade cultural de seu povo. Deus. Assim, o destino do herói romântico é feito de revolta e solidão, pois
A valorização da cultura medieval provocou o estudo aprofundado e o ele se julga diferente dos outros homens. Essa visão de heroísmo explica al­
enaltecimento das tradições populares de cada país. A história passou a for­ guns traços comuns nos textos românticos:
necer assunto para muitas obras literárias da época. — exaltação de personagens históricas que foram incompreendidas na sua
época;
Todo esse processo pode ser resumido numa expressão: busca das raízes
da nacionalidade. Essa busca conduz ao nacionalismo — uma das mais im­
portantes características do Romantismo.
Ainda como conseqüência de todo esse processo, recupera-se a religiosi­
dade, especialmente o Cristianismo medieval. A religião é vista como uma
saída que conduz o homem à integração com as coisas absolutas, perfeitas.
Resumidamente, da volta ao passado histórico resultam as seguintes ca­
racterísticas da literatura romântica:
— recuperação da cultura medieval (no Romantismo europeu);
~ exaltação da nacionalidade (nacionalismo);
— religiosidade.
Cavalaria artilheira mudando
No plano individual, o romântico “ volta” à infância, que é valorizada
de posição, litografia de T.
como o período mais seguro e cheio de pureza. '■áricauit, 1 8 1 9 : os heróis
Essa valorização da infância relaciona-se com a idéia do “ bom selva­ nânticos também faziam a
gem” , expressão criada pelo filósofo francês Rousseau. Segundo a teoria ;rra.
desse filósofo, o homem nasce bom e depois é corrompido pela sociedade. ite : BEG UIN, Arvdré e t a iii, P n n ts;
__ to ry O f A n A rt. G eneva, S kira,
Por isso, a criança e o selvagem são vistos como modelos de inocência e pure­ 1 9 8 8 . p. 9 8 ,
za, pois ainda não foram corrompidos pelo meio.
Dessa evasão no tempo individual decorrem duas características co­ — eleição de piratas, proscritos e bandidos como heróis de narrativas, uma
muns nos textos românticos: vez que esses tipos são figuras marginalizadas na sociedade;
— saudade e supervalorização da infância; — fascínio por lendas ou ocorrências verídicas da vida de poetas que tiveram
— supervalorização do homem em estado selvagem. destino trágico e infeliz. Camões, por exemplo, constituiu o assunto do
poema que introduziu o Romantismo em Portugal.
A evasão no espaço leva o romântico a procurar paisagens novas, estra­
nhas e primitivas. Por isso o Oriente, região de paisagens, tradições e costu­ f) Senso de mistério
mes exóticos, acabou tornando-se uma fonte de atração e inspiração para os Na compreensão do mundo, o ro­
românticos. mântico deixa a razão em segundo plano.
Outro aspecto que o Romantismo privilegia é a natureza, vista como Por isso, está disponível para aceitar as
coisas misteriosas, inexplicáveis, fantásti­
um lugar ainda não corrompido pelo homem. Por isso, a natureza é sempre
cas, sobrenaturais, elementos que valoriza
um espetáculo grandioso e, sobretudo, um lugar de refúgio para o solitário.
Dessa maneira de enxergar o meio natural decorrem duas características: e incorpora em suas obras.
— exaltação da natureza;
— valorização da natureza como refúgio seguro.
Outra maneira de evadir-se do tempo e do espaço em que o romântico "Através das sombras do navio, o personagem via as
vive é o sonho, considerado também como manifestação dos estados primiti­ serpentes-marinhas", passagem do poema Ancient
vos e “ selvagens” da alma. Marinar do poeta romântico inglês Coleridge, ilustrada

evasão na morte é a solução radical e definitiva para o


por Gustave Doré.
Finalmente, a F o nte ; Q UENNELL, Peter & ZE TTE R H O LM , T o re . A n IH u stra te d
mal-do-século. C o m p a n io n To W o rld L ite ra tu re . L o n d o n , O rbis, 1 9 8 6 . p, 1 5 3 .

16
g) Supervalorização do am or 4. O fragmento seguinte foi extraído do romance 0//iai os lírios do campo,
publicado em 1938. A personagem central dessa obra apresenta características
O am or é considerado a coisa mais im portante da vida e, com o tal, românticas de comportamento. Identifique as que ocorrem no trecho transcrito.
constitui o tem a mais freqüente do R om antism o. A perda do am or leva a três Eugênio pensava ainda em Margaret. Aquele amor secreto era a melhor coisa de sua vida.
conseqüências básicas: a loucura, a m orte ou o suicidio. Tinha um gosto de romance, um romance secreto que ele escrevia com a imaginação, com o desejo,
A m ulher que aparece com o objeto do am or rom ântico é quase sempre já que a vida se recusava a dar-lhe um romance de verdade. No silêncio de certa noite, em que o
d ivinizada, pura, envolta em m istério. luar lhe entrava pela janela do quarto, pensou em Margaret, estendido na cama, de olhos fechados.
Imaginou mais um encontro noturno, debaixo das árvores do jardim. (Érico Veríssimo) Supervaiori-
zaçâo do amor, imaginação predominando sobre a razão, evasSo da realidade.

5. O texto seguinte trata das origens do romance e da permanência do romantismo.


Leia-o com atenção:
A fotonovela e a novela de televisão desempenham, no século XX, papel semelhante ao que
0 romance desempenhava no século XIX.
1. Nas frases seguintes, ocorrem as palavras romântico e romantismo. Identifique 0 romance, tal como o conhecemos hoje, surgiu no final do século XVIII, quando ainda era
se elas se referem ao romantismo enquanto comportamento ou ao Romantismo considerado um tipo “inferior” de literatura, consumido por um público menos intelectualizado,
enquanto estilo de época. menos exigente que a aristocracia. Esse público era a burguesia, que se consolidou com a Revolu­
ção Francesa. Sem preparo intelectual, o burguês não conhecia as convenções da literatura clássica,
a) Ela adora Fernando Sabino e se confessa romântica. “Gosto da paquera discreta, do namoro
como a mitologia, a antiguidade histórica, as regras dos gêneros literários. Eram leitores que apre­
que vai chegando devagarinho entre idas ao cinema, com direito a saquinhos de pipoca etudo” ,
ciavam sobretudo a literatura que despertava emoção, em detrimento daquela que apelasse para a
diz. {Afinal, fev. 1987.) comportamento
razão. Além disso, preferiam as coisas locais e regionais, em lugar do universalismo da literatura
b) No último Carnaval, nem o romantismo do pierrô e da colombina nem a animação dos sambas clássica. Foi para atender esse público que surgiu o romance.
(...) fizeram mais furor entre os foliões do que um novo ritmo lançado por um compositor até
0 romance é, portanto, um gênero de forma e in­
então desconhecido. 0 ritmo é o fricote. (Veja, nov. 1986.) comportamento
tenção burguesas, sem antepassados ilustres na literatura
c) Em seu estudo sobre a moda no século XIX (...) Gilda Mello e Souza mostra que a moda era o greco-latina. Não seguia, pois, modelos preestabelecidos.
único meio licito de expressão da mulher romântica... (Afinal, jul. 1986.) estilo de época
Entre o final do século XVIII e as primeiras déca­
2. Leia os trechos seguintes e identifique a(s) caracteristica(s) romântica(s) que das do século XIX, 0 público do romance alarga-se des­
ocorre(m) em cada um, dentre as indicadas a seguir: medidamente, e para satisfazer à sua necessidade de leitu­
ra escreveram-se e editaram-se numerosos romances, o
a) subjetivismo; b) sentimentalismo; c) exaltação da natureza; d) natureza vista
que resultou na profissionalização do escritor. 0 século
como refúgio: e) religiosidade; f) senso de mistério; g) valorização do selvagem;
XIX constitui 0 período áureo da história do romance.
h) valorização da infância; i) idealização da mulher; j) pessimismo; 1) valorização
do passado; m) nacionalismo.
a) 0 vale de Santarém é um destes lugares privilegiados pela Natureza, sitios amenos e deleitosos,
em que as plantas, o ar, a situação, tudo está numa harmonia suavíssima e perfeita (...) As pai­
xões más, os pensamentos mesquinhos, os pesares e as vilezas da vida não podem senão fugir
para longe. Imagina-se por aqui o Éden que o primeiro homem habitou com a sua inocência e Vendedor de folhetins do século XIX, que traziam os
com a virgindade do seu coração. (Almeida Garrett) c, d capítulos das ' ; i■ ' tória; i ‘ ------- irniar
b) Feliz a inteligência vulgar e rude, que segue os caminhos da vida com os olhos fitos na luz e na ’ 3, ta hais/
esperança postas pela religião além da morte, sem que um momento vacile, sem que um mo­ F o nte : DRUE L =GOIRE ^ ' Z ‘C I ( , Paris.
188.
mento a luz se apague ou a esperança se desvaneça! (Alexandre Herculano) g
c) Que paz tranqüila!... mas eis longe, ao longe Sugestão de trabalho: Professor, solicitar aos alunos que façam trabalho em grupo, pesquisando a permanência de traços
Funérea campa com fragor rangeu; românticos nas diversas manifestações culturais contemporâneas; música popular, literatura, cinema, propaganda, mo­
da, televisão etc.
Branco fantasma semelhante a um monge,
Dentre os sepulcros a cabeça ergueu. (Soares de Passos) f Texto complementar
d) É mais puro o perfume das montanhas
Da tarde no cair: Pra você
Quando o vento da noite ruge morro de amores
É doce 0 teu luzir! (Álvares de Azevedo) c e mordo diamantes
e dos cacos dos meus dentes sangrando,
3. “ O Romantismo é, antes de tudo, um movimento de oposição ao Classicismo e à
faço um cordão pra
época do Iluminismo, ou seja, àquele período do século X V III que tinha sido
enfeitar sua fantasia.
bastante racionalista.” (Anatol Rosenfeld — adaptado)
(Chacai — poeta brasileiro contemporâneo)
Que característica romântica se opõe ao racionalismo iluminista? o predomínio da
emoção sobre a razâo.
19
m . GRAMÁTICA 3. Adjetivo — palavra que caracteriza os seres: flexível, reprogramável,
multifuncional etc.

Classes gramaticais 4. Artigo — palavra que acompanha o substantivo, determinando ou


indeterminando-o: o Japão, as comparações, uma definição etc.
5. Pronome — palavra que representa ou acompanha o substantivo,
Leia o texto seguinte: considerando-o apenas como pessoa do discurso: Os robôs apresentam di­
versos braços e pernas mecânicos. Eles são capazes de ver através de paredes
0 QUE É UM ROBÔ não-metálicas. (Eles representa o substantivo robôs e indica a 3f pessoa do
plural.) Esses robôs estão longe do antropomorfismo. (Esses acompanha o
Não existe uma definição única para o termo robô. As comparações numéricas entre o Ja­ substantivo robôs e indica a 2.® pessoa do plural.)
pão e os Estados Unidos, quanto ao total de robôs, são sempre relativas, pois, para os japone­ 6. Numeral — palavra que indica quantidade ou ordem dos seres: A
ses, a palavra tem um sentido mais amplo, pressupondo apenas que seja “um sistema mecânico
primeira geração de robôs surgiu em 1962.
com funções de movimento flexíveis semelhantes às de um organismo vivo” . Já a classificação
elaborada pelo Robot Institute of America exige que o robô tenha um controle próprio: “Robô é 7. Advérbio — palavra que indica circunstância. Pode acompanhar um
um manipulador reprogramável, multifuncional, projetado para mover materiais, ferramentas verbo, um adjetivo ou mesmo um advérbio: Não existe uma definição única
ou equipamentos especializados, para o desempenho de uma grande variedade de tarefas”. para o termo robô. As comparações são sempre relativas.
Esses robôs estão longe do antropomorfismo, isto é, da semelhança com o ser humano. 8. Preposição — palavra que serve para ligar dois termos de uma mes­
Em alguns casos, os robôs inclusive rompem com limitações do corpo humano. Alguns deles, ma oração: A maioria dos novos robôs são operados à distância, conectados
por exemplo, apresentam diversos braços e pernas mecânicos e, através de visão de microondas, por cabo à estação de controle.
são capazes de ver através de paredes não-metálicas e no escuro. A maioria dos novos robôs —
9. C onjunção — palavra que serve para relacionar duas orações ou
em uso no espaço, no mar ena indústria nuclear — são operados à distância, conectados por ca­
bo à estação de controle. 0 cabo transmite eletricidade e serve como meio de comunicação entre
dois termos semelhantes de uma mesma oração: O cabo transmite eletricida­
0 controle e o robô. de e serve como meio de comunicação entre o controle e o robô. A classifica­
ção americana exige que o robô tenha controle próprio.
A primeira geração de robôs surgiu em 1962, com os robôs eletromecânicos, que só con­
seguiam fazer movimentos simples, com uma flexibilidade bastante limitada. A segunda geração, 10. Interjeição — palavra que expressa sentimento ou emoção: Ah! Ui!
do início dos anos 70, trouxe os robôs equipa­ Ai! Viva!
dos com comandos eletrônicos, capazes de mais
movimentos e que podem ser reprogramados.
Substantivo. AnúncíQ
Anunciada em 85, a terceira geração é represen­ publicado na revista Q Verbo. Anúncio publicado na Interjeição. Anúncio publicado na
tada pelos chamados robôs “inteligentes” , que revista Msnchste IRJ), em I S 88. revista Q Crumiro (RJ), em 1 9 SS.
C m eiro (RJ), em 1S 32.
se locomovem e têm visão. (Folha de S. Paulo, ■
14 out. 1987.)

Exemplo úe robôs anfropomérficos, personagens do


fim e Bfede fíumier, de Ridief Scott, 1 S 82.
F o nlo: O esign Q u a te r!y M a g a zin e , n, eap. " R o b o ts " . C am b rid ge ,
’W a ike f A r t C a nte r & W a a sa ch u se tts in s titu te o f T e ch n o lo g y,
1 9 8 3 . p. 9-

Todas as palavras do texto acim a têm finalidades específicas: um as dão


nom e aos seres, outras indicam as áções desses seres, outras apenas estabele­ fisS'í
cem ligações entre termos de um a frase etc. De acordo com essas finalidades,
as palavras da língua portuguesa divídem-se nas seguintes classes gram ati­
cais: F o nte : 1 0 0 a n o s de p ro p a g a n d a . F onte; id ., ib id , p. 6 6 . F o nte : !d,, ib id . p. 1 26 .
São Paulo, A b ril C u ltu ra !, 1 9 8 0 .
1. Substantivo — palavra que d á nom e aos seres: ro b ô, Jap ão , d efini­ ü. p. 65-

ção etc.
Usar palavras em vez de frases nas "chamadas" dos anúncios é um recurso largamente empregado
2. Verbo — palavra que indica ação, estado ou fenôm eno: m over, exis­ pela propaganda, desde seu começo. Repare na eficiência das palavras escolhidas {substantivo, verbo,
tir, fazer etc. interjeição! como definidoras ou aproximadoras do produto.

20 21
Essas dez classes gramaticais dividem-se em dois grupos: Quando nos limitamos a “ passar para o papel” as frases do mesmo mo­
1. Variáveis: palavras que apresentam mudança de forma. São elas: do que as falamos, o texto geralmente fica muito pobre. Esse fenômeno apa­
substantivo, verbo, adjetivo, artigo, numeral e pronome. rece com muita clareza principalmente através de duas ocorrências:
2. Invariáveis: palavras que não apresentam mudança de forma. São a) a repetição de termos, o que geralmente ocorre na língua falada;
elas: advérbio, preposição, conjunção e interjeição.
b) as palavras que utilizamos para ligar orações quando falamos.
O trecho que transcrevemos a seguir, retirado de uma entrevista, ilustra
essas ocorrências. O assunto da entrevista são as brigas de galo.

1. Identifique a classe gramatical a que pertence cada uma das palavras em destaque
na frase que segue:
Robô é um manipulador reprogramável m ultifuncional, projetado
para mover materiais, ferramentas ou equipamentos especializados, para o
desempenho de uma grande variedade de tarefas, substantivo, preposição, verbo, substantivo,
artigo, preposição, adjetivo e substantivo
2. Indique a classe gramatical da palavra escuro nas frases abaixo:
a) Alguns robôs são capazes de ver no escuro, substantivo
b) O castigo que recebíamos era sempre o mesmo: o quarto escuro, adjetivo A transcrição literal
da fala e do
3. Identifique a classe gramatical das palavras destacadas e indique também se gesto para a palavra
elas são variáveis ou invariáveis: e 0 desenho produz inexatidão
Os primeiros robôs surgiram em 1962 e só conseguiam fazer movimentos na mensagem. Provavelmente,
simples, com uma flexibilidade bastante limitada, numerai - variável; conjunção — invariá- a pessoa procurará a
vel; preposição — invariável; substantivo — variável; advérbio — invariável; adjetivo — variável manicure durante muito tempo...
4. Transcreva todos os substantivos do texto que segue: F o nte : P rin t M a g azin e .
sp. n. "B ra s il D e s ig n s ”
Está na cara quando um sorriso é falso ou sincero — ou melhor, está nos músculos da face. N e w Y o rk , RC P u b iica tio n s,

Foi 0 que descobriram psicólogos americanos ao desenvolver uma técnica para analisar a ação de n o v ./d e c . 1 9 8 7 . p. 1 2 0 .

mais de cem músculos faciais a cada mudança de expressão. Eles catalogaram nada menos de de­
zessete tipos de sorriso. Mas, em geral, pode-se afirmar que, quando um sorriso é espontâneo, os Sempre que eu chegava numa rinha para emparelhar meu galo ele rinha: briga de gaios; lugar oiide
se promovem brigas de galos
músculos da testa ficam relaxados e as sobrancelhas conseqüentemente caem um pouco; o músculo chegava junto, querendo emparelhar o dele com o meu. Mas na realidade
orbicular, ao redor dos olhos, se contrai formando pequenas rugas; finalmente, o músculo zigomá- não dava para fazer a briga porque o dele era 200 gramas mais pesado que
tico da boca também se contrai, repuxando os lábios para cima. Já no chamado sorriso amarelo da 0 meu. Ele começou a me perturbar, falando que eu não tinha galo de briga
falsidade ou do constrangimento, apenas o lábio superior é puxado para cima, dificilmente for- e tal... Eu falei: — Então está certo, vamos fazer a briga.
mam-se rugas nos olhos e o cenho fica levemente franzido, devido à contração dos músculos da tes­ E fizemos a briga. Ai, né, o galo meu era um fenômeno. Ele disse
ta. {Superiníeressonte, jun. 1988.) cara, sorriso, músculos, face, psicólogos, técnica, ação, mudança, expres- que 0 galo dele era bom, mas eu não conhecia. Aí soltamos a briga e, dez
são, tipos, testa, sobrancelhas, músculo, redor, olhos, rugas, boca, lábios, falsidade, constrangimento, lábio, cenho, contração
minutos depois, o dele já estava no chão. Aí, quando ele pegou o galo dele
5. Identifique na frase que segue as palavras que estabelecem relação entre orações: no chão 0 juiz mandou figurar o galo. Ele soltou o galo. 0 meu chegou e,
É duro confessar isto, mas é preciso forrar o coração de dureza, porque não sabemos setudo pá, matou o bicho. Mirim pegou o galo e começou a chorar. (...) Eu fiquei
isso é 0 fím de uma era ou o começo de uma nova era mais desolada e difícil de suportar. (Rubem muito contente porque o Mirim era um cara que queria me desmoralizar...
Braga) mas, porque, se, ou Então aconteceu isso. {Afinal, 31 mar. 1987.)

A linguagem do texto apresenta-se muito próxima da linguagem falada.


Observe:
IV. REDAÇÃO 1. Ocorre a repetição excessiva da palavra galo.

Língua falada e língua escrita 2. As palavras então, aí, né funcionam como palavras-curinga, pois substi­
tuem outras que seriam mais adequadas na língua escrita.

Você já sabe que escrever não é simplesmente transpor para o papel 3. São empregadas as expressões e tal, pá, cara, típicas da língua falada.
aquilo que se fala. A língua escrita tem regras especificas de construção que Quando você for redigir, deve prestar atenção a esses fatores que po­
diferem bastante da língua falada. dem empobrecer seu texto.

22 23
Quanto à repetição excessiva de termos, é necessário considerar dois as­
pectos:
¿ f i/c /íjc /e 3
O Romantismo em
a) Ela pode ser um defeito, como verificamos no texto examinado.
b) Pode funcionar como uma forma de caracterizar personagens: se o autor

tortuga.
cria umapersonagem que tem o vício lingüístico de repetirsempreuma
mesmapalavra ou expressão, ele pode incorporar essarepetição para ca­
racterizar melhor a personagem.
Pode acontecer, ainda, que a repetição tenha uma finalidade expressi­
va, como no poema seguinte, em que a expressão de repente foi empregada
seis vezes para reforçar a dramaticidade da situação apresentada: É urgente o amor.
E urgente um barco no mar.
E urgente destruir certas palavras,
SONETO DE SEPARAÇÃO
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
De repente do riso fez-se o pranto
muitas espadas.
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma (Eugênio de Andrade -poeta
E das mãos espalmadas fez-se o espanto. português moderno)
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente,
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
(Vinícius de Moraes)

Proposta de redação
Escreva um texto utilizando as frases propostas, ligando-as através das Sops de arroios, do pintor romântico portugués Domingos Antônio Sequeira. Depois ds terceira
expressões sugeridas. Você pode acrescentar quantas frases quiser! invasão napoleónica, vencida pela Inglaterra, as populações do interior refugiaram-se em Lisboa, onde
recebiam a sopa distribuída pelo governo.
Frases:
1. Pode-se afirmar que a impotência diante dos ladrões ou agressores destrói
as fantasias infantis.
2. As crianças estão acostumadas a ver filmes onde o bem triunfa sobre o
mal.
I. TEXTO
3. Na vida real, elas se confrontam com situações em que não devem reagir
aos ataques do mal. Vamos ler um trecho de uma das mais conhecidas obras do Romantismo português.
Trata-se da história de dois adolescentes que se amam. São eles Simão e Teresa. Movidos por ri­
4. Se reagirem, sofrem agressão maior. xas antigas, os familiares de ambos fazem tudo para separá-los. Os dois não conseguem vencer
5. Se não reagirem, sentem-se mal. esse impedimento e consumar sua união. No trecho que vamos ler, selecionado do início do ro­
6. A impressão que fica é a de que o bandido triunfou sobre o mocinho. mance, 0 narrador nos conta um episódio da vida de Simão: por ter-se metido em encrencas, ele
rompe com o pai — que era corregedor — e vai para Coimbra. Na volta a Viseu, sua cidade na­
Palavras de ligação: por isso, logo, portanto, e, no entanto, pois, con­
tal, conhece Teresa, por quem se apaixona à primeira vista.
tudo, porém.
25
24
Amor de perdição ESTUDO DO TEXTO
1. Releia o primeiro período do primeiro parágrafo e coloque-o na ordem direta.
Perdido o ario letíN^o, Simão foi para Viseu.

Perdido o ano letivo, foi para Viseu Simão. O corregedor repeliu-o da sua 2. Qual foi o castigo que o pai aplicou em Simão? Quem serviu de intermediário pa­
presença com ameaças de o expulsar de casa. A mãe, mais levada do dever ra que tal castigo fosse suspenso? o pai proibiu-o de sentar-se à mesa junto com a família. A mãe in­
tercedeu .nara a suspensão do castigo.
que do coração, intercedeu pelo filho e conseguiu sentá-lo à mesa comum.
3. O segundo parágrafo deixa subentendida uma informação a respeito de como era
No espaço de três meses fez-se maravilhosa mudança, nos costumes de o comportamento de Simão antes de ele ir para Coimbra.
5 Simão. As companhias da ralé, desprezou-as. Safa de casa raras vezes, ou só, a) De que informação se trata? o .jovem andava em companhia da laié.
ou com a irmã mais nova, sua predileta. O campo, as árvores e os sítios mais
b) Como os pais de Simão reagiram diante de sua mudança de comportamento?
sombrios e ermos eram o seu recreio. Nas doces noites de Estio demorava- A inâe ficou pasma; o pai passou a tratá-lo mais brandamente.
-se por fora até ao repontar da alva. Aqueles que assim o viam admiravam- 4. Qual foi a causa da mudança que se operou em Simão? seu amor por leresa.
-!he o ar cismador e o recolhimento que o seqüestrava da vida vulgar. Em
10 casa encerrava-se no seu quarto, e saía quando o chamavam para a mesa. 5. “ Saía de casa raras vezes, ou só, ou com a irmã mais nova, sua predileta. O cam­
D. Rita pasmava da transfiguração, e o marido, bem convencido dela, po, as árvores e os sítios mais sombrios e ermos eram o seu recreio.” Os termos
destacados revelam três traços românticos do comportamento de Simão. Identi-
ao fim de cinco meses, consentiu que seu filho lhe dirigisse a palavra. fique-OS. Gosto pela solidão; identificação com a infância; refúgio na natureza.
Simão Botelho amava. Aí está uma palavra única, explicando o que pa­
recia absurda reforma aos dezessete anos. 6. A evasão da realidade é uma das características do Romantismo. Identifique as
15 Amava Simão uma sua vizinha, menina de quinze anos, rica herdeira, linhas do texto em que se revela esse comportamento em Simão. linhas 5 a 10
regularmente bonita e bem-nascida. Da janela do seu quarto é que ele a vira 7. Que fator parece ser determinante das atitudes de Simão? supervaiorizaçâo do amor.
a primeira vez, para amá-la sempre. Não ficara ela incólume da ferida que fi­
zera no coração do vizinho: amou-o também, e com mais seriedade que a No final da história, Teresa morre de desgosto no convento para onde tinha sido enviada
usual nos seus anos. pelos pais. Simão, acusado de um crime, é degredado para a índia. Junto com ele vai Mariana,
CASTELO B ranco, Camilo. Amor de perdição. 5. ed. dedicada moça que por ele se apaixonara, apesar de não ser correspondida.
São Paulo, Ática. 1977. p. 23-5.

V ocabulário: II» U T EEU T IIM


do (linhas 2 e 3): pelo
interceder (v.t.L): intervir: pedir, rogar, suplicar
(por outrem)
ermo (adj.): desabitado, deserto
O Romantismo em Portugal (1825-1865)
Estio (s.m.): verão
repontar (v.i.): despontar: raiar: amanhecer
alva (s.f.): o primeiro brilho da manhã
cismador (adj.): pensativo, meditativo
pasmar (v.t.i.): causar pasmo ou admiração
incólume (adj.): são e salvo

Ilustração da obra F rith h fs saga, de 1 8 2 3 , cio


maior poeta romântico sueco, Esaias Tegnér. A
ilustração fsz parte de uma ediçio do século
XIX.
F o nte : QUENÍMELL, P. & ZE TTE R H O LM , T . A n Ü iu stra te d
C o m p an io n To W o rld U te ra tu re . L o n d o n , O rb is, 1 9 8 6 .
1825 — Publicação do poema Camões,
de Almeida Garret.
p. 1 7 3 . 1865 — Questão Coimbrã, que marca o fim do Romantismo português.

26 27
Contexto histórico 2? Escritores plenamente românticos
P ortugal não se isola dos outros países europeus no que diz respeito às M
O Soares de Passos Poesias (1855)
transform ações sócio-político-econômicas que se seguiram à Revolução (1826-1860)
Francesa. Merecem destaque na vida portuguesa do período os seguintes M
E
acontecim entos: Camilo Castelo Branco A m or de perdição (1862)
N
T (1825-1890) A m or de salvação (1864)
a) ascensão da burguesia e, conseqüentemente, substituição da m onarquia
O A doida do Candal (1867)
absolutista pelo liberalism o;
b) vinda da fam ília real para o Brasil (1808);
3? Escritores de um romantismo mais
c) Independência do Brasil, que fez a burguesia portuguesa perder um im ­
M contido
portante mercado de exportação;
O
d) C onstituição de 1822, de caráter liberal. M João de Deus Campo de flores (1893)
E (1830-1896)
Nesse contexto têm lugar as prim eiras manifestações do R om antism o N
português. D idaticam ente, assinala-se o início desse período com a publica­ T Júlio Dinis As pupilas do Sr. Reitor (1867)
O (1839-1871) A m orgadinha dos canaviais (1868)
ção do poem a Cam ões, de A lm eida G arrett, em 1825.
Uma fam ília inglesa (1868)
Cam ões, poeta que m orreu na m iséria, aproxima-se do m odelo de herói Os fidalgos da casa mourisca (1871)
rom ântico. Por isso, a história de sua vida inspirou na época, além do poem a
de G arrett, um a com posição m usical e um quadro que se perdeu.

O rom ance e o dram a histórico são os gêneros mais marcantes da nova Autores o obras
m oda literária em P ortugal.

A lm eida Garrett e Alexandre H erculano, os prim eiros rom ânticos, fa­ Almeida Garrett (1799-1854)
zem sucesso im ediato, sinal de que o novo estilo correspondia a u m a necessi­
dade do público da época. Professor: As referências biobibliogrâfícas seguintes devem ser utilizadas co­ ☆ Porto
mo fonte de consulta. É desaconselhável que se exija dos alunos a memorização de nomes e datas.
+ Lisboa
Segundo o professor M assaud M oisés, o R om antism o português desen­
volveu-se em três m om entos, mais ou menos distintos:
Seu verdadeiro nome era João Batista da
Silva Leitão de Almeida Garrett. Estudou Direi­
Principais autores Principais obras to na Universidade de Coimbra. Suas idéias li­
berais levaram-no ao exílio na Inglaterra quan­
Escritores com características ainda do um golpe aboliu a Constituição de 1822. De­
neoclássícas pois de um segundo exílio, no mesmo país,
exerceu os cargos de diplomata e deputado.
1? Almeida Garrett Camões (1825)
(1799-1854) D ona Branca (1826)
M Viagens na m inha terra (1846) Obra:
Folhas caídas (1853) Poesia: Camões (1825); Dona Branca (1826);
O
M Folhas caídas (1853), Almeida Garrett.

E Alexandre Herculano ^ O bobo (1843) Teatro: Frei Luís de Sousa (1844). F o nte ; S A R A IV A , A , J. H is tó ria ilu s tra d a d a s g ra n d e s
lite ra tu ra s', L ite ra tu ra p o rtu g u e sa . 2 v. Lisbo a , E stú d io s

N (1810-1877) Eurico, o presbítero (1844) Prosa: Viagens na minha terra (1846). C or, 1 9 6 6 - p. 1 4 4 'A , v. i .

T O monge de Cister (1848)


O Lendas e narrativas (1851)
Garrett é considerado o iniciador do teatro nacional português.
Antônio Feliciano de Castilho A noite do castelo (1836) Sua produção tipicam ente rom ântica concentra-se em F olhas caídas, li­
(1800-1875) Os ciúmes do bardo (1836) vro de poemas inspirado no seu rum oroso caso de am or com a Viscondessa
da L u z. Desse livro extraiu-se o poem a seguinte:

28 29
Amo-te sobre o altar, onde, entre incensos,
ESTE INFERNO DE AMAR As preces te rodeiam;
Amo-te quando em prestito festivo préstito: cortejo, procissão

Este inferno de amar — como eu amo! — As multidões te hasteiam;


Quem mo pôs aqui n’alma... quem foi? Amo-te erguida no cruzeiro antigo, cruzeiro: a parte da igreja com­

Esta chama que alenta e consome, No adro do presbitério, preendida entre a capela-mor e a
nave central
Que é a vida — e que a vida destrói — Ou quando o morto, impressa no ataúde, adro: terreno que circunda uma
Como é que se veio a atear, Guias ao cemitério: igreja, às vezes utilizado como ce­
mitério
Quando — ai quando se há de ela apagar? Amo-te, oh cruz, até, quando no vale
presbitério: residência paroquial
Eu não sei, não me lembra: o passado Negrejas triste e só, ataúde: caixão

A outra vida que dantes vivi Núncia do crime, a que deveu a terra núncia: anunciadora, mensagera:
Do assassinado o pó: precursora
Era um sonho talvez... — foi um sonho —
Em que paz tão serena a dormi! Porém quando mais te amo.
Oh! que doce era aquele sonhar... Oh cruz do meu Senhor,
Quem me veio, ai de mim! despertar? É, se te encontro à tarde,
Só me lembra que um dia formoso Antes de o sol se pôr,
Eu passei... dava o Sol tanta luz! Na clareira da serra,
E os meus olhos, que vagos giravam. Que 0 arvoredo assombra,
Em seus olhos ardentes os pus. Quando à luz que fenece
Que fez ela? eu que fiz? — Não no sei; Se estira a tua sombra,
Mas nessa hora a viver comecei... E 0 dia últimos raios
Professor: Se achar conveniente, analisar oralmente as características românticas do texto. Com 0 luar mistura,
E 0 seu hino da tarde
0 pinheira! murmura.
Alexandre Herculano (1810-1877)
Anaiisar com os alunos a caraclerísiica fund am e ntal do noeina: relieiosidade.

☆ Lisboa
+ Val-de-Lobos

Seu nome completo era Alexandre Her­ Te:


culano de Carvalho e Araújo. São fatos impor­
tantes de sua vida o exílio na Inglaterra e uma Eurico, para recuperar-se do impossível amor por Hermengarda, re­
polêmica que travou com o clero, ambos moti­ solve ser sacerdote. Abandona mais tarde o hábito, transformando-se no
vados pela sua participação nas lutas liberais. Cavaleiro Negro, misteriosa figura que se torna um herói na luta ocorrida
Desgostoso com os rumos da política em Portu­ entre godos e árabes. No final da narrativa, Eurico reencontra sua amada.
gal, retirou-se para uma quinta*, onde morreu. Mas não ficam juntos. Ele morre e Hermengarda enlouquece.
Era considerado pelos seus contemporâneos um
dos grandes intelectuais de Portugal. Como tomba o abeto solitário da encosta ao passar do furacão, abeto: árvore semelhante ao pi­
nheiro
Alexandre Herculano. assim 0 guerreiro misterioso do Críssus* caía para não mais se erguer!...
Obra; Fonte: Id., íbid. p. 152-B. v. 1. Nessa noite, quando Pelágio voltou à caverna, Hermengarda, deita­
Poesia: A harpa de crente (1838). da sobre o seu leito, parecia dormir. Cansado do combate e vendo-a tran­
Romance: 0 bobo (1843); Eurico, o presbítero (1844); 0 monge de Cister (1848). qüila, 0 mancebo adormeceu também perto dela, sobre o duro pavimento
da gruta. Ao romper da manhã, acordou ao som de canto suavíssimo. Era
Conto: Lendas e narrativas (1851).
sua irmã que cantava um dos hinos sagrados que ele muitas vezes ouvira en­
toar na catedral de Tárraco. Dizia-se que seu autor fora um presbítero (...)
tm ú Q K chamado Eurico.
Quando Hermengarda acabou de cantar, ficou um momento pensan­
A CRUZ MUTILADA
do. Depois repentinamente soltou uma destas risadas que fazem eriçar os
cabelos, tão tristes, soturnas e dolorosas que são elas: tão completamente
Amo-te, oh cruz, no vértice firmada
campa: sepultura; pedra que co­
exprimem irremediável alienação do espírito.
De esplêndidas igrejas;
Amo-te quando à noite, sobre a campa.
bre a sepultura A desgraçada tinha, de feito, enlouquecido.
cipreste: tipo de árvore; em senti­
Junto ao cipreste alvejas; do figurado, morte, luto, dor
Refere-se a Eurico.

' qninta: grande propriedade rústica, com moradia


31
30
Camilo Castelo Branco (1825-1890) 111. GRAMÁTICA

Substantivo (I)
☆ Lisboa
+ São Miguel de Seide

Teve uma vida sentimental extremamente


atribulada, que culminou com um processo e o Leia o texto seguinte:
julgamento por adultério, por estar vivendo com
Ana Plácido, que parece ter sido sua grande
LIÇÃO DE CASA
paixão. Ele e Ana foram absolvidos, mas os
conflitos não cessaram até o seu suicídio. — 0 senhor não explicou ainda o que é distensão.
De sua vastíssima obra, destacam-se:
— Já disse que é um substantivo.
Amor de perdição (1862), Amor de salvação Camilo Castelo Branco.
(1864) e A doida do Candal (1867). — E daí, pai. 0 senhor nem falou se é concreto ou abstrato.
F o nte : id ., ib id . p, 1 9 2 -B . v. 1.
— Pode ser os dois, filho. Pegue na estante o Ferreira da Cunha. Pegue a gramática; está
aqui, filho — Concreto é o substantivo que designa o ser propriamente dito. Exemplo: Brasília,
bloco, pena.
Camilo é o representante mais típico do ultra-romantismo português.
— E abstrato?
Suas obras mais conhecidas são as novelas acima citadas. A novela passional
era um gênero muito ao gosto do público da época, e Camilo foi o seu grande
— Abstrato é o substantivo que designa ações, estados e qualidades.Exemplos; reflexão,
sabedoria, bravura, julgamento, verdade, severidade, censura... Deu pra entender, filho?
realizador.
Se em Amor de perdição
as personagens principais morrem pela perda
— Não, pai.

do amor, veja como em Amor de salvação


a felicidade e a tranqüilidade es­
— Meu Deus do céu, mas você quer me jogar mesmo no buraco da onça! Distensão é um
substantivo esportivo. Pronto! Falei. (Lourenço Diaféria)
tão diretamente ligadas à realização amorosa:
V eja algum as palavras extraídas do texto: distensão, filh o , Deus, refle­
Dizem que a convivência de anos entre esposos, que muito se amam, traz consigo de seu xão etc. Todas essas palavras são substantivos.
natural uns silêncios significativos do esfriamento das almas. Eu não sei o que seja esse arrefecer.
0 céu e a terra estão continuamente abertos ante meus olhos; de cada vez que os contemplo, a
cada alvorecer, e fim da tarde (...) falamos de Deus e dos filhos; contemplamos o boi que nos
encara soberbo; a avezinha gemente que pipila; a fonte que suspira, e a catadupa do ribeiro que
ruge. A natureza é a terceira voz dos nossos coloquios, umas vezes amor, outras vezes ciência, e 0 substantivo
sempre admiração e perfumes ao Eterno, que nos encheu de delícias, e enflorou o caminho da é a palavra que dá nome aos seres.
velhice.
Pertencem à classe dos substantivos
os nomes de pessoas, lugares, animais,
objetos, ações, sentimentos,
estados.

1. Identifique o autor e a obra que introduziram oficialmente o Romantismo em


Portugal. Garrett, com o poema Camões.

2. A obra que você citou é uma biografia sentimental de um famoso poeta Classificação
renascentista português. Explique por que ele foi escolhido como tema. camões
viveu uma vida que se aproximava muito- daquilo que os românticos consideravam como um “ destino de herói” .

3. Identifique, no fragmento seguinte, a característica romântica que o autor O substantivo pode ser:
evidencia:
1. Comum: quando se aplica a um grupo de seres de uma espécie.
0 que é preciso é estudar as nossas primitivas fontes poéticas, os romances em verso e as le­ Exemplos: pai, filho, cidade.
gendas em prosa, as fábulas e crenças velhas... as superstições antigas... 0 tom e o espírito verda­
2. Próprio: quando se refere a determinado indivíduo da espécie.
deiro português, esse é forçoso estudá-lo no grande livro nacional que é o povo, e as suas tradições
e as suas virtudes, e os seus vícios e os seus erros. (Garrett) busca das raízes da nacionalidade
Exemplos; Lourenço, Palmeiras, Brasília.

33
32
3. Concreto: designa o ser propria­ f) São invariáveis os substantivos i) Substantivos que se empregam ape­
mente dito, com existencia própria ou in­ terminados em x nas no plural
dependente de outros seres. Esses seres o tórax — os tórax fezes pêsames
podem ter existência real ou imaginaria. núpcias cãs
Exemplos: Deus, anjo, diabo, bloco, ca­ g) Substantivos terminados em al, alvíssaras víveres
derno. el, ol, ul: 1— >-is
j) Plural metafônico
canal — canais
4. Abstrato: designa ação, estado Alguns substantivos alteram, no
motel — motéis
ou qualidade dos seres. Exemplos: cen­ plural, o o tônico fechado para o
anzol — anzóis
sura, julgamento, tristeza, ódio, beleza. tônico aberto
paul — pauis
ovo — ovos
h) Substantivos terminados em 11: caroço — caroços
Diabo é um substantivo concreto. Aqui, ele atravessa corpo — corpos
0 céu noturno, numa ilustração de Delacroix para o
• oxítonos: 1— ►s corvo — corvos
concerto à danação de Fausto, de Beriioz, baseado cantil — cantis posto — postos
no Fausto, de Goethe. Os três artistas são • paroxítonos: il— ►eis esforço — esforços
representantes ilustres do Romantismo. fóssil — fósseis tijolo — tijolos
F o n te : G A L W A Y , Ja m e s. A m ú s ic a n o te m p o . S ão P aulo, M a rtin s
F o n te s, 1 9 8 7 . p. 2 1 2 .

5. Simples: é aquele formado por apenas um elemento. Exemplos: chu­ Gênero


va, sol, bandeira.
6. Composto: é aquele formado por dois ou mais elementos. Exem­
Masculino e Feminino • o substantivo embaixador tem
plos: guarda-chuva, girassol, porta-bandeira. dois femininos: embaixatriz (es­
7. Prim itivo: é aquele que não deriva de nenhuma outra palavra dentro 1) Regra geral posa do embaixador) e embaixa­
Troca-se a terminação o por a dora (representante diplomática)
da própria língua. Exemplos: dente, livro, terror.
aluno — aluna
8. Derivado: é aquele que se origina de outra palavra. Exemplos: den­ f) Feminino em -esa, -essa, -isa
2) Regras especiais
tista, livreiro, terrorista. barão — baronesa
a) Acrescenta-se a no masculino abade — abadessa
9. Coletivo: é o substantivo comum que, no singular, designa um con­
freguês — freguesa conde — condessa
junto de seres. Exemplos: enxame, arquipélago, turma. inglês — inglesa sacerdote — sacerdotisa
b) â o ------- ►oa
g) Feminino trocando o e por a
patrão — patroa
Flexão elefante — elefanta
c) ã o ------- »ã presidente — presidenta
Número campeão — campeã mestre — mestra
d) ão- ►ona parente — parenta
solteirão — solteirona
• Exceções h) Formam o feminino com palavras
Singular e Plural d) Acréscimo de es a substantivos de radicais diferentes
terminados em r, z, n barão — baronesa
ladrão — ladra bode — cabra
açúcar — açúcares carneiro — ovelha
1) Regra geral lebrão —'lebre
vez — vezes frei — sóror
Acréscimo de s no singular sultão — sultana
abdômen — abdômenes zangão — abelha
pássaro — pássaros
e) Substantivos terminados em s: e) Substantivos terminados em or:
2) Regras especiais • acrescenta-se es quando oxí­ • acréscimo de a i) Formam o feminino de maneira es­
a) ão ----- »• ões tonos leitor — leitora pecial
ação — ações francês — franceses • or — eira cônsul — consulesa
b) ão----- ► ães • são invariáveis quando paro­ cantador — cantadeira cônego — canonisa
pão — pães xítonos • alguns formam o feminino em czar — czarina
c) ão----- ► ãos o pires — os pires triz maestro — maestrina
mão — mãos o atlas — os atlas ator — atriz frade — freira

34 35
Grau 3. Indique o gênero, o número e o grau dos substantivos destacados nas frases que
seguem:
a) Estupefatos, todos viram quando o homenzarrão se inclinou, carrancudo,
Aumentativo Diminutivo para ouvir melhor o que o pequenino lhe dizia quase num sussurro.
1) forma analítica casa grande 1) forma analítica casa pequena (Fernando Sabino) masculino, singular, aumentativo; masculino, singular, diminutivo
nariz grande nariz pequeno b) Achava-me um rapagão bonito. (Machado de Assis) masculino, singular, aumentativo
2) forma sintética casarão 2) forma sintética casinha c) Estas historinhas foram contadas por um de nossos escritores regionalistas.
narigão narizinho feminino, plural, diminutivo

4 . Escreva os substantivos correspondentes aos seguintes verbos:


Observações: a) imergir imersão e) conceber concepção
1. Os graus dim inutivo e aum entativo podem ser empregados tam bém para b) permitir permissão f) conseguir consecução
indicar desprezo, ironia: c) resolver resoluçâo g) permanecer permanência
Esse doutorzinho não acerta um diagnóstico sequer! d) ceder cessão h) abandonar abandono
A q u i só se encontra essa gentalha in ú til e desclassificada.
5. Leia o diálogo que segue, extraído de um texto de Luís Fernando Veríssimo:
2. A lguns dim inutivos podem exprim ir carinho, ternura:
Essa m enininha tem um je ito gracioso. — Mais um feijãozinho?
— Um pouquinho.
— E uma farofmha?
— Ao lado do arrozinho?
— Isso.
— E quem sabe mais uma cervejinha?
1. Reescreva as frases abaixo, pluralizando os substantivos em destaque e fazendo — Obrigadinho.
as adaptações necessárias:
a) Uma falha no sistema de refrigeração e a formação de uma bolfea de hidrogênio no interior da O que podem denotar os diminutivos acima? Afetívidade ou ironia.
usina de Three Mile Island causaram um vazamento de material radioativo, ameaçando os ha­
bitantes da cidade. i}stoé,
14 OUÍ. 1987.) falhas; formações de bolhas; materiais radioativos
b) Falha no controle de uma cápsula de Césio-137 desativada de uma clínica privada em Goiânia,
roubada e vendida no ferro-velho de um bairro da cidade, causou a contaminação de mais de
quarenta pessoas. {¡Stoé, 14 out. 1987.) Falhas; causaram IV. REDAÇÃO
c) 0 que atrapalha o mau envelhecedor é a desmesurada projeção que fez de si mesmo. (Alfonso
Romano de Sant’Anna) os maus envelhecedores sâo as desmesuradas projeções que fizeram de si mesmos
d) Fóssil africano pode mudar seqüência evolutiva humana, (fofta de S. Paulo, 10 out. 1987.)
A ordem na narrativa
Fósseis africanos podem
Entende-se por ordem o registro de um fato ou detalhe de cada vez.
e) A maioria dos curandeiros transmite segurança aos doentes. Muitos não dependem do curan-
deirismo para viver e consideram sua atividade uma obrigação. Não falta, porém, o chariatão,
Vamos examinar um exemplo bem simples: o título de uma noticia de
explorador da fé alheia. (Jornal da Tarde, 15 out. 1987.) faitam; OS charlatães (charlatões), jornal.
exploradores

2. Reescreva as frases abaixo, passando para o feminino as palavras em destaque e Chega a policia.
fazendo as adaptações necessárias: E os invasores saem.
a) Seu Honorino ainda não fotografou nenhum rei, mas capitão, soldado e A polícia se vai.
Isdrão, já . {Veja, ju l. 1976.) nenhuma rainha; capitã; ladra Os invasores voltam. {Jornal da Tarde, 14 abr. 1987.)
b) O ju iz vai nos casar lá em casa mesmo, a juíza
Nessa pequena narrativa, o jornalista registrou os fatos na ordem em
c) O desempenho dos atores deixava muito a desejar, das atrizes
que eles realmente aconteceram, ou seja, em seqüência cronológica: inicial­
d) Ainda reivindico meus direitos, dizia indignado aquele autor, indignada aqueia autora mente narra-se o que aconteceu primeiro, posteriormente narra-se o que
e) Quem é o grande herói do romance machadiano? a grande heroína aconteceu depois.
f) Czar era o antigo título que se dava ao imperador da Rússia, czarina; à imperatriz Essa é a ordem linear, cronológica, que segue o esquema começo
g) Morreu, após longo período de agonia, o frei da paróquia, a sóror ^ m e io -^fim .
h) O embaixador do Brasil nos Estados Unidos já assinou o acordo com o É a ordem preferida quando a finalidade do texto é simplesmente infor­
FM I. A embaixadora mativa.

36 37
No texto literario, em que o autor trabalha artisticamente a língua com
a finalidade de provocar emoções no leitor, podem ocorrer ordenações dife­
rentes da simples seqüência linear (começo — meio — fim).
Vejamos alguns exemplos:
1. O narrador antecipa o final da narrativa:
Quarta-feira, 6 de maio João saiu do hospital para morrer em casa — e gritou três meses antes de morrer.
de 1 9 5 3 . (Dalton Trevisan)
Na primeira linha do texto, o narrador já conta o que aconteceu à perso­
nagem.
2. O narrador faz referência a um fato anterior, que o leitor não conhece,
procurando criar suspense. Leia a primeira linha de um conto:
Então a mosca voltou a atacar. Ninpém dava nada por ela. Se no mundo dos inse­
tos já seria presa fácil, o que dirá na longa noite dos brontossauros. (Chacal)
Sexta-feira, 20 de Fazendo referência a um fato que o leitor desconhece, o narrador desper­
novembro de 1S 58. ta a curiosidade de saber como e por que a tal mosca atacava e voltou a
atacar.
3. Antes de começar a contar a história propriamente dita, o narrador inicia
o texto com uma fala da personagem, mostrando que ela está em desequi­
líbrio com o meio:
— Que peixe é esse? Perguntou a moça com afetada admiração.
Foi na cidade de Cururupu, no Maranhão. A moça nascera ali mesmo, crescera ali
mesmo mas voltara semana passada de uma temporada de um ano, na capital do Estado.
Domingo, 17 de atsril de Ela agora é moça de cidade, não conhece mais peixe, nem bicho do mato, nem farinha-de-
1S 66.
-pau. Evoluiu.
— Que peixe é esse?
— Os homens e as mulheres não responderam nada. Olharam-se uns aos outros
com ar de enfado. (Ferreira Gullar)
'¿ í Essas são apenas algumas possibilida­
des de fugir à ordem hnear da narrativa.
Quando você for escrever um texto literário,
Segynda-feira, 14 de ^ ^ M Sni procure utilizar uma ordenação de fatos que
julho de 1 9 6 8 , - J - ' " ^ S l-fl '• prenda a atenção do leitor.

A superposição de cenas, a simultaneidade visual de vários


focos narrativos, o dose (detalhe isolado) de uma imagem
dentro de outra maior, são recursos hoje empregados na
linguagem das histórias em quadrinhos,
que buscaram inspiração no cinema e no vídeo.
F o nte : M iLLER , F ra n k. 0 ca va le iro d a s tre vas.
n, 1. São P auio, A b ril C u ltu ra !, 1 9 8 7 . p. 4 3 .
Terça-feira, 3 de outubro
de 1 8 7 2 .

Seleção de cinco iroagens da obra do suíço Jõrg Mülier. Ela eos mosíra, s> ue
Proposta de redação
aconteceu à vila de Güilen d e 1 B 5 3 a l S 7 2 .
F o níe : M U LLER , J o rg . R o nde a nn ue lle des m a rte s u X 'p jq u e u rs o u la m u ta tio n d 'u n p a y s s g e , A a ra u , S au e rla nd e r A G , 1 9 7 3 Reescreva resumidamente a narrativa que você leu na página 8, mudan­
do a ordem. Comece com uma fala de Leda ou de Eduardo.
38
39
L TEXTO

O Romantismo no Brasil: 0 texto que vamos ler é o início do romance Iracema, de José de Alencar.
Publicado em 1865, é conhecido como “lenda do Ceará” e apresenta uma visão poética

aspectos gerais
das origens desse Estado brasileiro.
0 autor inspirou-se na história dos primeiros colonizadores portugueses ao criar algumas
personagens. 0 guerreiro branco — Martim —, por exemplo, é inspirado em Martim Soares
Moreno, considerado o verdadeiro fundador do Ceará.

Além, muito além da serra


Oue lá azula no horizonte,
Inventou a donzela insonte*.
Símbolo da nossa terra,
E escreveu o que é mais poema
Oue romance, e poema menos racema
■Oue um mito, melhor que Vênus:
A doce, a meiqa Iracema. Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu
E o mito ainda está tão jovem Iracema.
O ual quando o criou Alencar. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros
Debalde sobre ele chovem que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira.
Os anos, sem o alterar. 5 O favo da jati não era doce como seu sorriso: nem a baunilha recendia
(Manuel Bandeira — poeta brasileiro no bosque como seu hálito perfumado.
modernista) Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as
matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara.
O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a ter-
10 ra com as primeiras águas.
Um dia, ao pino do sol, ela repousava num claro da floresta. Banhava-
-lhe o corpo a sombra da oiticlca, mais fresca do que o orvalho da noite. Os

I 15
ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úm.idos cabelos. Escon­
didos na folhagem, os pássaros amelgavam o canto.
Iracema saiu do banho; o aljófar d'água ainda a roreja, como á doce
mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das
penas do gará as flechas de seu arco: e concerta com o sablá-da-mata, pou­
sado no galho próximo, o canto agreste.
A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes
20 sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome: outras, remexe
o uru de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios
do crautá, as agulhas da juçara com que tece a renda, e as tintas de que mati­
za o algodão.
Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os
25 olhos, que o sol não deslumbra: sua vista perturba-se.
■■

■■■
■■

, ■■
■ ■
. ■ : ;v;;v Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é
guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das
M inina M m aprendendo a 6_______
areias que bordam o mar, nos olhos o azul triste das águas profundas. Igno­
F o n te : S C H U LTH E S S , Emií. A m a z o n a s . Z ü ric h , A rte m is , 1 3 6 2 . p. 1 0 0 .
tas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.
‘ insonte: inocente 30 Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no ar­
co partiu. Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido.
40
De primeiro ímpeto, a mão lesta caiu sobre a cruz da espada: mas logo
sorriu. O moço guerreiro aprendeu na religião de sua mãe, onde a mulher é 3. Que gesto demonstra o caráter nobre de Iracema? es
símbolo de ternura e amor. Sofreu mais d'alma que da ferida.
35 O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não sei eu. Porém a vir­ 4. Pode-p afirmar que Iracema é uma figura idealizada? Justifique sua resposta.
gem lançou de si o arco e a uiraçaba, e correu para o guerreiro, sentida da
5. Ao descrever a personagem central do romance, Alencar recorre à natureza como
mágoa que causara. A mão que rápida ferira, estancou mais rápida e com-
ponto de referência. Essa relação do ser humano com o meio natural evidencia
passiva o sangue que gotejava. Depois Iracema quebrou a flecha homicida: uma característica do Romantismo. Qual? va íA^acao dc sei aseti! ^«o on niiiv >^aíi í;; »
deu a haste ao desconhecido, guardando consigo a ponta farpada.
40 O guerreiro falou:
— Quebras comigo a flecha da paz?
— Quem te ensinou, guerreiro branco, a linguagem de meus irmãos? 0 objetivo de Alencar
Donde vieste a estas matas, que nunca viram outro guerreiro como tu? foi criar a imagem de uma raça heróica
— Venho de bem longe, filha das florestas. Venho das terras que teus que representasse as origens do brasileiro.
45 irmãos já possuíram, e hoje têm os meus. Para tanto, recorre à idealização física
— Bem-vindo seja o estrangeiro aos campos dos tabajaras, senhores e psicológica do indígena.
das aldeias, e à cabana de Araquém, pai de Iracema.

ALENCAR, losé de. Iracema. I I . ed. S ão Paulo.


Âtica, 1980. p. 14-6.
6. Os trechos seguintes demonstreun a harmonia entre personagem e cenário:
a) “ Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos.”
b) “ ... concerta com o sabiá-da-mata, pousado no galho próximo, o canto agres­
te.”
V ocabulário:
c) “A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela.”
azular (v.i.); apresentar-se em sua cor azul ou aljófar (s.m.): gotas de água: orvalho da manha Que fato quebra a harmonia dessa integração? a d egad* do g. r
azulada rorejar (v.i.): molhar com pequenas gotas, como
graúna (s.f.): pássaro de coloração preta com se fosse orvalho
brilho violáceo e bico preto
talhe (s.m.): feitio ou feição de um corpo ou
gará (s.m.): espécie de ave
ará (s.f.): arara Alencar idealiza também
objeto uru (s.m.): cesto de palha 0 espaço tal como ele era antes da chegada
jati (s.f.): tipo de abelha crautã (s.m.): planta que fornece uma fibra do europeu, assim como a integração da
grácil (adj.): delgado, delicado, fino própria para tapetes, cordoaria etc.
ignoto (adj.): desconhecido
personagem a esse espaço.
oiticica (s.f.): árvore de cuja semente se tira um
óleo muito útil lesto (adj.): ágil, ligeiro, lépido
esparzir (v.t.d.): espalhar, derramar uiraçaba (s.f.): espécie de ave

ESTUDO DO TEXTO
1. o indígena que aparece nos romances românticos não era o contemporâneo dos
escritores, mas aquele que viveu aqui no início da colonização. Que frase do iní­ Mata virgem perto de
cio do texto mostra que Alencar situa sua narrativa num passado distante? “Aiém, Mangaratiba, de Rugendas.
muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.” A sugestão paradisíaca do
2. A descrição de Iracema se faz através de comparações com elementos da nature­ conjunto possui o mesmo
za. Identifique o segundo termo da comparação em cada um dos seguintes casos: toque romântico das
pranchas de Debret.
a) cor dos cabelos asas da graúna d) perfume do hálito b a u n ilh a
b) comprimento dos cabelos laiiie de paimeirae) agilidade de Iracema ema selvagem F o nte : DEBRET, J .-B . F auna e
flo ra . 1 0 V. S ão P au lo , D ifu sã o
c) doçura do sorriso favo da ja ti f) voz de Iracema safaiá-da-mata N a cio na l d o ü V ro , s .d . p. 1 4.
V . 4 . (Coí. D o c u m e n to s
H is tó ric o s .)

42
43
7. Muitos vocábulos do texto são de origem tupi-guarani. Transcreva aqueles que
correspondem aos seguintes significados;
Panorama do Rio de
a) arara ará Janeiro, de William
b) cesto de palha uru . John Burche!!, um
c) planta que fornece fibra para tecidos crautá dos muitos artistas
que vieram para o
Brasil no começo do
século XIX.
Fonte: FERRE2, G ilb e rto .
A linguagem também O B ra s il do P rim eiro
R einado v is to peío
fo i um dos elementos importantes para fixar b o tâ n ic o W Hliam J o h n
B u rche !! ~ 1 8 2 5 /1 8 2 9 .
0 nacionalismo literário. Alencar Rio de Ja n e iro , Fundação
Jo ã o M o re ira S aiies/
incorporou palavras de origem indígena Fundação N a cio na l
P ré -M e m ó ria , 1 9 8 1 .
à língua herdada do europeu. p. 4 1.

O surto do café, por sua vez, provocou o deslocamento da atividade


econômica para São Paulo. Minas Gerais, que era antiga metrópole cultural
e econômica, cedeu lugar ao Rio de Janeiro e a São Paulo.
Durante todo o período de permanência da corte portuguesa no Brasil
(1808-1821), o país progrediu muito. A independência econômica do país es­
II. LITERATURA tá enraizada nesses fatos. Aos poucos, o sentimento anticolonialista do povo
brasileiro começa a se fazer perceber, gerando a independência política, em
1822.

O Romantismo no Brasil (1836-1881) Manifestações artísticas

Contexto histórico Pintura e música


Nesse contexto de país recém-libertado, surge nas artes em geral uma
O pais assistiu, no início do século X IX , ao fato que desencadeou sua nova temática, de fundo nacionalista. A pintura registra nossa paisagem, as­
independência política e social: a vinda da família real para o Brasil. sim como fatos históricos e personagens brasileiras. São dessa época as obras
de Pedro Américo, Debret e Vítor Meireles.
Logo após a chegada da corte de D. João VI ao Rio de Janeiro, ocorreu
uma série de transformações sociais e econômicas que visavam possibilitar o
funcionamento da administração do reino português aqui no Brasil. Eis al­
gumas das medidas adotadas:
— abertura dos portos; ...... .....
— fundação do Banco do Brasil;
— criação dos tribunais das Finanças e Justiça;
— permissão para o livre exercício de toda espécie de indústria;
— implantação da imprensa, que rapidamente se tornou um veiculo de difu­ 0 Nobre do Museo Pauiisis
são da cultura. da Universidade de São Paulo,
0 conhecido Museu do Ipiranga,
Ocorreram ainda as fundações da Academia Militar e da Academia de 0 quadro Independência ou
Cirurgia, além da inauguração da Biblioteca Real, com sessenta mil volumes. morte, de Pedro Américo.
F o nte : M A R Q U E S DE P A IV A , O ., org, O
Tudo isso contribuiu para a criação de uma nova metrópole: o Rio de M u s e u P a u lista da U n iv e rs id a d e d e São
P aulo. São P aulo, B anco S a fra , 1 9 8 4 ,
Janeiro. p- 1 1.

44 45
o mesmo nacionalismo que se observa O Romantismo é tardio no continente americano, devido à dependência
na pintura, marcado pela exaltação da nature­ Carlos Gomes cultural em relação à Europa. No Brasil, o período romântico deve ser com­
za e da pátria, levou muitos compositores a preendido paralelamente ao processo de independência política.
criarem canções, hinos, modinhas e até uma É fundamental levar em conta dois fatores que orientaram o escritor da
ópera incorporando elementos da cultura bra­ O época:

Gua r any
sileira. O objetivo comum era despertar no a) o desejo consciente de enfatizar o nacionalismo, o orgulho patriótico;
povo o interesse pelas nossas coisas e unir to­
b) a intenção de criar uma literatura independente e diferente da portuguesa.
dos em torno do novo sistema de governo
Essa literatura independente eqüivaleria, no plano cultural, à indepen­
inaugurado a partir da independência.
Opera em 4 actos
dência política.
Merecem destaque, nesse sentido, as
O Romantismo brasileiro repete muitas características do Romantismo
obras de Carlos Gomes, Brasílio Itiberê, Ale­
europeu. No entanto, conforme já vimos, nossos escritores tinham consciên­
xandre Levy e Alberto Nepomuceno.
cia do papel que lhes cabia; criar uma literatura que traduzisse a realidade
brasileira.
Dessa consciência de brasilidade decorrem as características específicas
do Romantismo que aqui se desenvolveu:

a) Ênfase na cor local


Corresponde à utilização poética de nossa paisagem tropical, com sua
variedade de aspectos, muito diferente da européia.
No caso do Brasil, a descrição idealizada do ambiente natural transfor­
mou-se numa das características mais marcantes da literatura romântica.
Capa de «m libreto paraense da ópera de Carlos
Gomes, em publicação de 1 1 8 8 . b) Indianismo
F o nte : H is tó ria da tip o g ra fia n o B ra sil. Sâo P aulo, M u se u de A rte
de S io Pâulo, 1 9 7 9 . p. 2 0 0 .
P a r á — BRASIL Foi a forma mais representativa do nosso nacionalismo literário. Cor­
Editores — Alfredo Silva & C. responde, no Brasil, à busca de um legítimo antepassado nacional, já que
não possuíamos Idade Média com heróis típicos, como ocorrera na Europa.
MDCCCXCVI A figura do índio foi idealizada pelos escritores românticos com a finahdade
Literatura de nivelar esse nosso antepassado aos heróis europeus. O índio que aparece
na literatura é sempre bom, nobre, corajoso, belo; e, com essas característi­
cas, passou a ser o símbolo da nossa independência espiritual, social, política
e literária.
?rG-fes£ar; O quadro seguinte serve apenas como fonie de consulia e desíina-se a dar uma visão panorâmica da produção
.■'Oinâiiiica no Brasil.

Panorama da produção romântica no Brasil:


autores e obras mais importantes

Poesia
1) Gonçalves de Magalhães
• 1836 — O poeta Gonçalves de Magalhães publica Suspiros poéticos e sau­ Suspiros poéticos e saudades (1836). Foi a obra que introduziu o Roman­
dades,
obra que é considerada o marco inicial do Romantismo tismo no Brasil.
brasileiro. 2) Gonçalves Dias
• 1881 — Public£un-se dois romances, e O mulato Memórias póstumas de Primeiros cantos (1846) Ultimos cantos (1851)
Brás Cubas,
que inauguram um novo estilo de época: o Realismo/ Segundos cantos (1848) Os timbiras (1857) — obra não
Naturalismo. Esse fato marca o fim do Romantismo no Brasil. Sextilhas de frei Antão (1848) concluída.

46 47
3) Álvares de Azevedo Teatro
Lira dos vinte anos (1853)
4) Junqueira Freire 1) Martins Pena
Inspirações do claustro (1855) ■ O Juiz de paz na roça (1832)
5) Casimiro de Abreu A família e a festa da roça (1842)
Primaveras(1859) O Judas em Sábado de Aleluia (1846)
Quem casa quer casa (1847)
6) Fagundes Varela
Vozes da América (1864) O noviço (1853)
Cantos meridionais (1869) 2) Gonçalves Dias
Leonor de Mendonça (1847)
Evangelho nas selvas (1875)
Cantos religiosos (1878) 3) José de Alencar
7) Castro Alves O demônio familiar (1857)
Espumas flutuantes (1870) Mãe (1862)
A cachoeira de Paulo Afonso (1876)
Os escravos (1883)
8) Joaquim de Sousa Andrade (Sousândrade)
Harpas selvagens
(1857)
Guesa
(1866)
1. Identifique as características românticas predominantes nos trechos seguintes,
dentre as indicadas abaixo:
Prosa indianismo evasão no tempo (volta ao passado)
mal-do-século exaltação da paisagem local
1) Joaquim Manuel de Macedo idealização da mulher integração do homem selvagem ao seu meio
A Moreninha
(1844) valorização da natureza nacionalismo
O Moço Loiro
(1845) a) A vegetação nessas paragens ostentava outrora todo o luxo e vigor; florestas virgens se esten­
A luneta mágica
(1869) diam ao longo das margens do rio que corria no meio de arcarias de verduras. (...)
Tudo era grande e pomposo no cenário que a natureza, sublime artista, tinha decorado para os
2) Manuel Antônio de Almeida dramas majestosos dos elementos, em que o homem é apenas um simples comparsa. (José de
Memórias de um sargento de milícias (1854-55) Alencar) valorização da natureza, evasão no tempo, integração do homem selvagem ao seu meio
3) José de Alencar b) Em pé, no meio do espaço que formava a grande abóbada de árvores, encostado a um velho
Cinco minutos (1856) A pata da gazela (1870) tronco caído, decepado pelo raio, via-se um índio na flor da idade.
O guarani (1857) O tronco do ipê (1871) Uma simples túnica de algodão, a que os índios chamavam aimará, apertada à cintura, por
A viuvinha (1860) Sonhos d ’ouro (1872) uma faixa de penas escarlates, caía-lhe dos ombros até ao meio da perna, e desenhava o talhe
As minas de prata (1862) TU (1872) delgado e esbelto como um junco selvagem.
Lucióla
(1862) Ubirajara (1874) (...)

Diva
(1864) Senhora (1875) A boca forte mas bem moldada e guarnecida de dentes alvos dava ao rosto pouco oval a beleza
Iracema(1865) O sertanejo (1875) inculta da graça, da força e da inteligência, (idem) indianismo
O gaúcho (1870) Encarnação (1877) c) Pensamento gentil de paz eterna,
Amiga morte, vem, Tu és o termo
4) Bernardo Guimarães De dois fantasmas que a existência formam,
O ermitão de Muquém (1869) — Dessa alma vã e desse corpo enfermo. (Junqueira Freire) mai-do-sécuio
O seminarista (1872) d) Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
A escrava Isaura (1875) Cantar o sabiá!
5) Visconde de Taunay 0 país estrangeiro mais belezas
Inocência
(1872)
Do que a pátria não tem... (Casimiro de Abreu) nacionalismo, exaltação da paisagem locai
e) Era a virgem do mar, na escuma fria
6) Franklin Távora Pela maré das águas embalada!
O Cabeleira
(1872) Era um anjo entre nuvens d’alvorada... (Álvares de Azevedo) idealização da muiher

48 49
2. “ O negro não podia ser tomado como assunto e muito menos como herói (...)
porque representava a última camada social, aquela que só podia oferecer o
m . GRAMÁTICA
trabalho (...) Numa sociedade escravocrata, honrar o negro, valorizar o negro,
teria representado uma heresia.” (Nelson Werneck Sodré)
Diante disso, que opção se apresentava aos românticos na busca das raízes da
nacionalidade? A cieiçâo do mdiü como herói da raça.
Substantivo (II)
Plural dos substantivos compostos
PASSAREDO
Texto complementar
Bico calado, toma cuidado
A figura do índio, que aparece com tanto destaque na literatura romântica, não é uma novidade
Que 0 homem vem aí.
absoluta na literatura brasileira e não se esgota no Romantismo.
0 homem vem ai
Já na Carta de Caminha registra-se aquilo que o português pensou da exótica figura do índio, o 0 homem vem aí
que ocorre também nos escritos de outros cronistas como Gandavo e Pero Lopes de Sousa. 4
Em Anchieta, a língua tupi aparece com freqüência, além de o índio ser personagem de um de Ei, quero-quero
seus autos. Oi, tico-tico
No Romantismo, conforme vimos, o
índio torna-se o símbolo da raça nacional. Foi Anum, pardal, chapim
um tema tratado por praticamente todos os Xô, cotovia
poetas românticos. Xô, a?e-maria
Já no final do século XIX, o tema apa­ Xô, pescador-martím
rece com pouca freqüência. Some, rolinha
A partir de 1922, o indianismo retorna Anda, andorinha
através da obra de Oswald de Andrade, Mário Te esconde, bem-te-vi
de Andrade e outros escritores do nosso Mo­
dernismo. Além disso, o indianismo surgiu Voa, bicudo
nos manifestos da Anta e no Manifesto Antro­ Voa, sanhaço
pófago, assuntos que vamos estudar no próxi­ Vai, juriti
mo volume. Bico calado, muito cuidado
Que 0 homem vem aí. Obra do artista italiano radicado no
0 homem vem aí Brasil Fúlvio Pennacchi intitulada
Indios num festim antropofágico, retratados 0 homem vem aí 'Pássaros II.
por Hans Staden no século XVI. F o nte : C a tá lo g o P e n n a c c h i - S e sse n ta a n o s de

F o n te : STADENv H ans. P rim eiro via ja n te . 1 0 v . São


(Francis Hime e Chico Buarque) p in tu ra . São Pauío, GaSeria de A rte A n d ré , 1 9 8 7 .

P aulo, D ifu s ã o N a cio na ! d o L ivro , s.d . p. 3 7 . v . 1. ÍCoL


D o c u m e n to s H is tó ric o s .)

Um exemplo de poema que ilustra a retomada desse assunto em nossos dias: Regra geral
O que m e intriga Variam sempre os substantivos, adjetivos, numerais e pronomes adjeti­
é descobrir vos, quando não houver preposição entre eles:
q u e fim levaram os 1 i índios m eninos
(cada um d e um a tribo) q u e Nassau em b arco u consigo,
carta-bilhete: cartas-bilhetes
q u a n d o d eix ou vencido o Recife. subst. subst.
— Teriam fenecido n o mar pescador-martim: pescadores-martins
de enjôo , escorbuto e pranto? subst. subst.
— O que faziam n o frio d os palácios
puro-sangue: puros-sangues
co m sua nud ez ingênua? adj. subst.
— Casaram, che g and o à H olanda? amor-perfeito; amores-perfeitos
— Foram b on s pais de família? subst. adj.
— O u viraram ho m e n s d e negócio... meio-termo: meios-termos
(Affonso R o m a n o d e S a n fA n n a num. subst.
po e ta brasileiro contem porâneo) padre-nosso: padres-nossos
subst. pron. adj.

50 51
Observação: 2. Podem ser masculinos ou femininos os substantivos:
Ficam no singular os verbos e as palavras invariáveis: o diabetes (ou a diabetes) a personagem (ou o personagem)
guarda-chuva: guarda-chuvas a aluvião (ou o aluvião) o preá (ou a preá)
verbo subst.
a laringe (ou o laringe) o tapa (ou a tapa)
abaixo-assinado: abaixo-assinados a íris (ou 0 íris) o usucapião (ou a usucapião)
adv. adj.

o bota-fora: os bota-fora
verbo adv,
3. São masculinos os substantivos:
O leva-e-traz: os leva-e-traz
verbo verbo o clã o estigma
ave-maria; ave-marias o champanhe (champanha) o guaraná
palavra invariável subst.
o dó o milhar
o eclipse o telefonema
Regras especiais o lança-perfume o trema

1. Só o primeiro elemento vai para o plural, quando o segundo termo 4. São femininos os substantivos:
da composição é um substantivo que funciona como determinante especí­ a omoplata a elipse
fico: a bólide a dinamite
salário-familia: salários-família cavalo-vapor: cavalos-vapor a cal a faringe
banana-maçã: bananas-maçã escola-modelo: escolas-modelo a comichão
2. Quando os elementos se ligam por preposição, só o primeiro é flexionado:
pé-de-moleque: pés-de-moleque pôr-do-sol: pores-do-sol 5. Alguns substantivos não se alteram ao formar o feminino. São chamados
pão-de-ló: pães-de-ló mal-de-fígado: males-de-fígado de substantivos uniformes. Podem ser:
3. Só o último elemento vai para o plural, se o substantivo é formado por a) comuns de dois gêneros: apresentam só artigos diferentes,
palavras repetidas ou onomatopaicas: ^ o pianista (a pianista) o imigrante (a imigrante)
quero-quero: quero-queros bem-te-vi: bem-te-vis o colega (a colega) o jovem (a jovem)
tico-tico: tico-ticos tique-taque: tique-taques o herege (a herege) o indígena (a indígena)
reco-reco; reco-recos
Exceção: b) sobrecomuns: apresentam um só gênero para designar o masculino e o
Se os dois elementos são formados por verbos, ambos podem ir para o feminino.
plural: o algoz a criatura
corre-corre: corres-corres pisca-pisca: piscas-piscas o cônjuge a pessoa
quero-quero: queros-queros o indivíduo a vítima
a criança

Gênero dos substantivos (particularidades) c) epicenos: são nomes de animais que apresentam uma só forma para
designar os dois sexos. Quando há necessidade de especificar o sexo,
1. H á substantivos cujo sentido varia de acordo com o gênero: anexam-se as palavras macho ou fêmea.
o cabeça (chefe) a cabeça (parte do corpo) a baleia o gavião
o capital (dinheiro) a capital (cidade onde se aloja o governo) a cobra o tatu
o caixa (pessoa) a caixa (objeto) a borboleta o sabiá
o cisma (separação) a cisma (desconfiança) a mosca a águia
o cura (padre) a cura (restabelecimento) a onça a girafa
o guia (pessoa que orienta) a guia (formulário) a minhoca o jacaré
o grama (unidade de massa) a grama (relva) a pulga a tainha
o lente (professor) a lente (instrumento óptico) a sardinha a barata
o moral (coragem) a moral (ética) o crocodilo a andorinha

52 53
3. Substitua os quadradinhos das frases seguintes por um termo adequado:
a) Caiu de um jeito que esmigalhou □ omoplata, a, sua
b) □ libido do ser humano teve em Freud um de seus grandes estudiosos, a
e) Não sei se peço □ guaraná ou uma Coca-Cola. um
1. Reescreva as frases abaixo, passando para o plural os substantivos em destaque
d) Em argamassas ou nas indústrias farmacêuticas, utiliza-se muito □ cal. a
e fazendo as adaptações necessárias:
e) Esse teu estado depressivo me causa □ dó muito grande, um
a) Dali a pouco iam acender a fogueira e seriam distribuídos quentão e f) □ champanhe recebe esse nome porque se originou na região de Champagne,
batata-doce. (Rogério C. Cerqueira Leite) qii.cíuõcs- ba'aí-.3<UíCcr na França, o
b) Por mais que se esforce nas aulas de auto-escola, o novo motorista percebe
que tem muito para aprender. a«to o ccfe

c) A Força Aérea Americana acaba de projetar um novo tipo de avião: o


avião-íantasma, que consegue atravessar os sistemas de defesa inimigos
IV. REPIIÇlO
sem ser visto, os ny¡6ai'mntns,nns: consegiiur:: s-re,v 'nsí;.'

d) Um pára-brisa sujo pode causar acidente. Limpe-o sempre, páf?-ünsan poaeiTi; A ordem na descrição (I)
e) Usado em toda parte como arma eficiente para acabar com distúrbios de rua,
o jato-d’água poderá ter uma nova e insuspeitada aplicação: ferramenta de A descrição é um verdadeiro “ retrato” feito com palavras. Na descri­
corte. {Superiníeressante, nov. 1987.) usado <x buj d ági? poderu ção literária, o escritor procura ordenar as frases de modo a obter um texto
f) O sabiá-laranjeira freqüenta as fazendas e outras habitações do interior do que prenda a atenção do leitor.
Brasil, alimentando-se de insetos, vermes e frutas de um modo geral. Os textos descritivos dificilmente aparecem isolados, conforme você já
(Dicionário Aurélio) Os sabiás4aranje¡ra freqüeniav.. sabe. Geralmente, eles fazem parte de um texto maior, do tipo narrativo. Por
isso, a descrição deve ser considerada em dois níveis, quanto à sua monta­
gem;

2. Classifique os substantivos grifados em comum de dois gêneros, sobrecomum, 1. Articulação externa


epiceno.
É a posição do texto descritivo em relação ao texto maior do qual faz
a) Sempre sem olhar para a vítima, deu-lhe uma torcida rápida e leve, com dois parte. Nesse caso, o autor do texto pode optar por diferentes localizações da
dedos, no pescoço. {Jornal da Tarde,
11 ago. 1987.) sob ecornur. descrição dentro do texto maior.
b) Admirávamos especialmente, nos grandes circos, os acrobatas do trapézio
volante e os domadores de fera. Os contorcionistas nos causavam mal-estar.
a) Colocando-a no início da narrativa:
(ÉricO Veríssimo) comum do dois gêneros; . “ Ana Maria era uma viúva simpática, que morava perto de
c) o astronauta se olha no espelho e volta-se para a mulher a seu lado. nossa casa. Enviuvara aos'70 anos e no ano passado completara 80.
(Sérgio Andrade) comum dc dois gêiieroo
0 marido morreu num centro de tratamento intensivo de uma clínica
d) Projetava o beiço de cima como um focinho de anta e depois o de baixo.
(Guimarães Rosa) epiceno particular de Botafogo.” {Fatos, fev. 1986.)
e) A conversa aconteceu num castelo e a princesa casou com um vaqueiro, b) Inserindo a descrição da personagem no final da narrativa:
com o aplauso das crianças e de gente grande. (Carlos Drummond de
Andrade) sobrccornum “ Num trecho alagado da floresta amazônica, onde se encon­

f) O sistema nervoso da jararaca entra em posição de alerta quando pressente tram os rios Japurá e Amazonas, pouco acima da cidade de Tefé, a
alguma coisa. ¡pKcn 660 quilômetros de Manaus, saltita um macaco que não consta dos
g) O avestruz descende de uma ave que era menor, voava e pertencia a uma livros de zoologia. É um gracioso e frágil animal — pesa, em média,
fam ília de pequenos dinossauros
{Istoé,
descrição
1 quilo, e seu comprimento não excede a 80 centímetros.”
h) Não são os cientistas que perseguem a verdade, ela é que persegue a eles.
28 nov. 1984.)
(Karl Schlechta) c om um de dois gênero;
55
54
2. Do geral para o particular (G -- ► ?)

‘ ‘A saleta era escura, atulhada de móveis velhos, desparelhados.


geral
No sofá de palhinha furada no assento, duas etlmofadas que
particular particular
pareciam ter sido feitas com os restos de um antigo vestido, os
Kas historias em
c|yadriiihos, bordados salpicados com vidrilho.” (Lygia Fagundes Telles)
visualizamos o particular

mecanismo dos
processos descritivo e
narrativo, ie s te
exemple, três
quadrinhos dsscritives
fdetaihes de Valentina
abrindo os oíhos)
interrompem a
seqüência n3rrati¥8.
F o n te : C R E P A X , G uido.
V a le n tin a . P o rto A le g re ,
L & P M , 1 9 8 3 . p. 6 5 .

2. Articulação interna
Trata-se da montagem das frases que compõem a descrição em si. Nesse
caso, há várias maneiras de montar a descrição, dependendo da posição
(ponto de vista) do observador em relação àquilo que está sendo observado.
Nesta unidade, vamos analisar as duas mais importantes possibilidades
de organização interna da descrição. As demais geralmente derivam dessas
duas.

1. D o particular para o geral (P ■ - G )


Repare a passagem do gerai para o particular nestes quadrinhos japoneses: a primeira cena mostra
“ O nariz fino e queimado destacava-se dum rosto magro, todo um plano geral com rua e pessoas, depois particulariza-se a cena com personagem, objeto e mão.
particular geral
F o nte ; K O iKE , K. & KOJÜVIA, G. L o b o s o litá rio , n. 5. C a m p in as, C e dibra, se t. 1 9 8 8 . p. 1 3 e 14.
acolchoado com um dedo de barba preta e espessa.” (Dyonelio M a­
chado) ELA NOS 04 ' TUDO.'
£ SO' SABCÍ?TKANS,AR.
Proposta de redação
Após traçar um plano, baseado nos dois que foram analisados, descre­
va a personagem que possa ser inserida na seguinte narração. Siga os passos
propostos:
1. Descreva a personagem (articulação interna).
Toda imagem - ou grupo de imagens - pode ser 2. Indique a parte do texto em que sua descrição deve entrar (articula­
descrita por meio de palavras. Nestes quadrinhos ção externa).
O X R m R , PRf\ALG0m9
de Paulo Caruso, parte-se do particular para o PgSOAg ñ JNCíOA¡4^
gerai. Nos três primeiros, temos um dose nas Um ladrão, vestindo um garboso uniforme vermelho, conseguiu somar mais um colorido
personagens, e não compreendemos bem o que se episódio ao folclore de Papai Noel. Ele entrou pela chaminé da lareira de uma casa do bairro
passa. Só no último quadrinho, que nos dá o Auxiliadora, em Porto Alegre, mas acabou ficando entalado na chaminé, tendo de gritar por so­
contexto geral da cena, as falas das personagens corro. Uma empregada ouviu os gritos e o ladrão ainda tentou engabelá-la entoando uma can­
ganham sentido. ção natalina, mas a moça não acreditava mesmo em Papai Noel e chamou a polícia. (Visão,
F o n te : C A R U S O , P auio. A s m/7 e u m a no/Tes. São P aulo, C irco jan. 1983.)
E d ito ria l, 1 9 8 5 . p, 14, professor: Solicitar a alguns alunos que leiam o texto todo, incluindo a descrição por eles elaborada.

57
56
Gonçalves Dias (1823-1864)
☆ Caxias (MA)

A poesia no Romantismo
+ Naufrágio do “Ville de Boulogne”

Filho de um comerciante portupês e de

brasileiro (I)
uma mestiça, seu nome completo era Antô­
nio Gonçalves Dias. Estudou Direito em
Coimbra, mas não concluiu o curso, regres­
sando ao Brasil em 1854. Foi professor,
exerceu o jornalismo e participou de várias
missões de estudo no Brasil e na Europa.
Conselho dos velhos sábios astecas Em 1862, regressou à Europa para trata­
A terra é lugar de alegria penosa, mento de saúde. Ao voltar para o Brasil,
de alegria que fere. morreu num naufrágio, nas costas do Mara­
Mas ainda que assim fosse, nhão.
Retrato de Gonçalves Dias, feito por Belmiro de
ainda que fosse verdade que só se sofre, Almeida.
ainda que fossem assim as coisas na terra, F o nte : C O S T A PERREiRA, 0 . da. Im a g e m e le tra ) In tro d u ç ã o c
haverá que estar sempre com medo? b ib lio g ra fia b ra sile ira : a im a g e m g ra vad a. São Paulo,
Obra; M e lh o ra m e n to s /E D U S P /S e c re ta ria da C u ltu ra , C iê n cia e
haverá que estar sempre tremendo?
Poesia; Primeiros cantos (1846); Segundos T e c n o lo g ia , 1 9 7 7 . p. 1 1 8 .
haverá que viver sempre chorando?
Para que não andemos sempre gemendo, cantos (1848)j Sextilhas defrei An-
para que nunca nos sature a tristeza, tão (1848); Últimos cantos (1851);
o Senhor Nosso nos deu Os timbiras (1857).
o riso, o sonho, os alimentos, Teatro; Beatriz Cenci (1843); Leonor de
nossa força, Mendonça (1847).
e finalmente
o ato de amor Outros; Brasil e Oceania (1852); Dicionário
que semeia gentes. da língua tupi (1858).
(Eduardo Galeano — escritor uruguaio
contemporâneo)
A obra de Gonçalves Dias apresenta três aspectos marcantes: o indianis­
mo, o lirismo amoroso e a exaltação da pátria. Tornou-se mais conhecido pe­
la poesia indianista, mas é um excelente poeta também nos outros dois aspec­
tos. Seu lirismo amoroso mostra, quase sempre, a impossibilidade de realiza­
ção dos anseios afetivos, diante de uma mulher idealizada.

I. fElTO S
0 nome do poema — “I-Juca Pirama” — é uma expressão tupi que significa “o que há
de ser morto” . Nesse longo poema narrativo, Gonçalves Dias conta a história de um guerreiro
tupi que se toma prisioneiro dos índios timbiras. Condenado à morte, o guerreiro pede clemên­
cia, pois dele dependia a sobrevivência do velho pai, já cego. Acusado de covardia, é solto pelo
Artefato plumário dos índios chefe timbira. Ao saber do fato, o pai amaldiçoa-o. Para provar sua bravura, o índio solta um
Kayabi, de M ato Grosso, grito de guerra e resolve enfrentar toda a tribo inimiga. Consegue, assim, provar que é um guer­
confeccionado com penas de reiro ilustre, recebendo então o perdão do pai.
mutum e gavião.

59
58
No trecho transcrito, narra-se a preparação do guerreiro tupi para o sacrifício: embira (s.f.): casca ou cipó usado para amarrar afeito (adj.): acostumado, habituado
maça (s.f.): arma de ferro ou de outro material, usança (s.f.): hábito antigo e tradicional
com uma extremidade esférica provida de coma (s.f.): cabeleira abundante e crescida

A.
pontas aguçadas
enduape (s.m.): rodela de penas que os
l-]ucaPirama vaga (s.f.): multidão: grande agitação
turba (s.f.): multidão
tupinambás usam nas nádegas
cingir (v.t.d,): ornar, rodear
ledo (adj.): risonho, contente, canitar (s.m.): adorno de penas que os índios
No centro da taba se estende um terreiro, trigança (s.f.): pressa, afã usam na cabeça em solenidades.
Onde ora se aduna o concilio guerreiro
Da tribo senhora, das tribos servis:
Os velhos sentados praticam d'outrora, ' i iT Iítp;
5 E os nnoços inquietos, que a festa enamora,
Derramam-se em torno dum indio infeliz.
Quem é? — ninguém sabe: seu nome é ignoto,
Sua tribo não diz: — de um povo remoto
Descende por certo — dum povo gentil:
10 Assim lá na Grécia ao escravo insulano
Tornavam distinto do vil muçulmano
As linhas corretas do nobre perfil.
Por casos de guerra caiu prisioneiro
Nas mãos dos Timbiras: — no extenso terreiro
15 Assola-se o teto, que o teve em prisão:
Convidam-se as tribos dos seus arredores.
Cuidosos se incumbem do vaso das cores.
Dos vários aprestos da honrosa função.
Acerva-se a lenha da vasta fogueira,
20 Entesa-se a corda da embira ligeira,
Adorna-se a maça com penas gentis:
A custo, entre as vagas do povo da aldeia
Caminha o Timbira, que a turba rodeia. Dança indígena de preparação para a guerra.
Garboso ñas plumas de vário matiz. F o nte : R e vista E i P ase a nte , n. e sp. (1 1 ). " B r a s il" , M a d rid , S iru ela, 1 9 8 8 , p. 8 0 ,

25 Em tanto as mulheres com leda trigança.


Afeitas ao rito da bárbara usança,
O indio já querem cativo acabar: ESTUDO DO TEXTO
A coma Ihe cortam, os membros lhe tingem.
Brilhante enduape no corpo lhe cingem, 1. Na primeira estrofe, identifique:
30 Sombreia-lhe a fronte gentil canitar.
a) a “ tribo senhora” ; os timbiras
G o n ç a lv e s Dias. I-Juca Pirama. In: Poesia. 9. ed. b) o índio infeliz; o guerreiro tupi
Rio de laneiro. Agir, 1979. p. 26-9. (Col. Nos­
sos Clássicos.) c) os que conversam sobre fatos passados. OS velhos

2. Que adjetivos o poeta utiliza para caracterizar a tribo a que pertence o índio
prisioneiro? Remoto e gentil.
V ocabulário:
3. Transcreva as palavras que revelam a causa da prisão do índio tupi. “ Por casos de
taba (s.f.): aldeia indígena insulano (adj.): habitante ou natural de uma ilha g u erra...”
adunar (v.i.); reunir-se, congregar-se assolar (v.t.d.); arruinar, devastar 4. Ao narrar a cerimônia de preparação do sacrificio, o poeta incorpora vários ele­
praticar (v.i): falar, conversar cuidosos (adj.): o mesmo que cuidadosos mentos da cultura indígena. Identifique dois deles. Derrubar 0 teto da prisão do índio; convi­
derramar (v.t.d.) espalhar-se, dispçrsar-se apresto (s.m.): aprontamento, apronto dar as tribos vizinlias para a cerimônia; adornar a maça com penas; raspar a cabeça do prisioneiro...

Ignoto (adj.): ignorado, desconhecido acervar (v.t.d.): amontoar 5. Transcreva o verso em que o poeta nos revela que as mulheres da tribo estavam
gentil (adj.): nobre entesar (v.t.d.): retesar, esticar acostumadas ao ritual de sacrifício do inimigo. ‘‘Afeitas ao rito da bárbara usança”

60 61
Trata-se de um dos mais conhecidos poemas de Gonçalves Dias. Sua permanência se faz 4. Qual a característica romântica mais marcante desse poema? o nacionalismo, que aqui se
manifesia aíravss da exaitaçãc ds paiss.geir, d£ ierra natal em oposição ao país estrangeiro.
sentir até os nossos dias, pelas várias recriações do texto levadas a efeito por outros poetas de
épocas posteriores. Tentando responder a uma pergunta que lhe foi feita em uma reunião social (se alguém
A “Canção do exílio” data de 1843 e foi escrita em Coimbra. pode morrer de amor), Gonçalves Dias escreveu o poema do qual vamos ler um fragmento:

B. Canção do Exílio c. Se se morre de amor


Se se morre de amor! — Não, não se morre,
Minha terra tem palmeiras,
Quando é fascinação que nos surpreende
Onde canta o Sabiá;
De ruidoso sarau entre os festejos:
As aves, que aqui gorjeiam,
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Não gorjeiam como lá.
5 Assomos de prazer nos raiam n'alma,
5 Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
iU Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve, e no que vê prazer alcança!
Simpáticas feições, cintura breve.
Nossa vida mais amores. Graciosa postura, porte airoso,
Em cismar, sozinho, à noite,
10 Mais prazer encontro eu lá:
il 10 Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d'amor arrebatar-nos.
Minha terra tem palmeiras,
Mas isso amor não ê: isso ê delirio,
Onde canta o Sabiá.
Devaneio, ilusão, que se esvaece
Minha terra tem primores, 15 Ao som final da orquestra, ao derradeiro
Que tais não encontro eu cá:
15 Em cismar — sozinho, à noite — m Clarão, que as luzes no morrer despedem:

n
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,
Mais prazer encontro eu lá: D'amor igual ninguém sucumbe á perda.
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá. Amor é vida: ê ter constantemente
20 Alma, sentidos, coração — abertos
Não permita Deus que eu morra, Obra de Paulo Gomes Garcez, artista Ao grande, ao belo: é ser capaz d'extremos,
20 Sem que eu volte para lá: brasileiro radicado na Itália, Intitulada Série D'altas virtudes, té capaz de crimes!
Sem que desfrute os primores de estruturas poêtico-musicais, de 1 9 7 9 . Comprender o infinito, a imensidade,
Que não encontro por cá: 0 desenho das árvores sugere a E a natureza e Deus: gostar dos campos,
Sem qu'inda aviste as palmeiras, musicalidade da paisagem brasileira. 25 D'aves, flores, murmúrios solitários:
Onde canta o Sabiá. F o nte : M U S S A , lía lo , org. C a tá lo g o P aufo G om es Buscar tristeza, a soledade, o ermo,
G arcez; W o rk s on paper, R om a, A rt G aliery
Idem. Canção do exílio. In: Op. cit., p. 11. "C a s a d o B ta sU ", 1 9 8 0 . p. 4 4 . E ter o coração em riso e festa:
E à branda festa, ao riso da nossa alma
Fontes de pranto intercalar sem custo:
30 Conhecer o prazer e a desventura

ESTUDO DO TEXTO No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto


Q ditoso, o misérrimo dos entes:
Isso é amor, e desse amor se morre!
1. Qual o papel assumido pelo eu-lírico? o ie .¡u -
Idem. Se se morre de amor. In: Op. dt., p. 56-9.

2. Identifique os advérbios que remetem, respectivamente, ao lugar do exílio e ao


Brasil. UxUio: aqui, ::â; Brasil: !á. V ocabulário:
assomo (s.m.): indício, suspeita sucumbir (v.i.): esmorecer, morrer ermo (s.m.): deserto
3. Reveja todos os substantivos do texto. Na sua maioria, eles se referem ao univer­
airoso (adi.): elegante, gracioso soledade (s.f.): solidão ditoso (adj.): feliz, afortunado
so natural ou cultural? Qual foi a intenção do poeta ao fazer tal escolha? :;r,:vc:so
natural. O poeia procui'GU sim bolizar ^ian d eza o-o pais ati:iv6s :It: ;.'iacurc/:a ^vxuoCú•anle, sc com parada coiii a o o
jiaís do o .iü o .
63
62
ESTUDO DO TEXTO
1. Coloque na ordem direta os versos 3, 7, 16, 18 e 29. Em seguida, releia o poema. 1. Gonçalves Dias pretendia que sua obra Os tim biras fosse uma espécie de
entre os festejos de ruidoso sarau; no que oiive e no Que vê alcança prazer; clarão que as luzes despendem no morrer;
ninguém sucumbe à perda de amor igual; intercalar sem custo fontes de prazer epopéia americana. Nessa obra, a ação se passaria no Maranhão e terminaria
2. Dois conceitos aparecem em oposição no poema: o de fascinio e o de amor. Se­ ’ no Amazonas, com a dispersão dos índios timbiras, guerras entre eles e depois
gundo o eu-lirico, o que distingue um do outro? o primeiro é passageiro; 0 segundo, eterno. com os portugueses. Da obra publicaram-se apenas os quatro primeiros
cantos, em 1857, visto que o poeta morreu antes de concluí-la.
3. Releia a segunda parte do texto (a partir do verso 19) e identifique nela duas ca­ a) O fato de o poeta ter planejado a obra em sua íntegra revela uma das
racterísticas românticas, supervaloúzaçâo do amor, religiosidade, exaltação da natureza, gosto pela soli- preocupações iniciais dos nossos escritores românticos. Qual?
dão e pela tristeza Encontrar uma temática brasileira.
b) Qual o aspecto do nacionalismo que seria tematizado em Os tim biras!
4. A que conclusão chega o poeta a respeito da pergunta que lhe foi formulada? Bie O indianismo.
conclui que o verdadeiro amor, se não satisfeito, pode levar à m_orle.
2. Poeta cuja teoria a respeito de poesia não encontrou correspondência qualitativa
nos poemas escritos. No entanto, é indiscutível seu pioneirismo cronológico
sobre os demais, quando se fala em Romantismo brasileiro. Identifique o autor a
EL MTEllTlll que o texto se refere e sua obra principal. Gonçalves de Magalhães, Suspiros poéticos e saudades.

A poesia no Romantismo brasileiro (I) Texto complementar


vários poetas retomaram o tema do exílio a partir do conhecidíssimo poema de Gonçalves Dias
Primeira fase que você leu na página 62. 0 compositor Chico Buarque de Holanda, juntamente com Tom Jobim,
também fez a sua canção do exílio, de caráter bastante lírico, em que sabiá aparece no feminino:
Nesse primeiro momento de nosso Romantismo, destaca-se como traço
SABIA
marcante a preocupação dos escritores em definir e estabelecer uma temática
Vou voltar, sei que ainda vou voltar Q u e fiz tantos planos de me enganar
nacional. Essa preocupação manifesta-se de duas maneiras: Para o meu lugar, foi lá Como fiz enganos de m e e n c o n tra r
a) através de obras de valor mais doeumeníal qae literário É ainda lâ
Q ue eu hei de ouvir cantar
C o m o fiz estradas de m e perder
Fiz de tu d o e nada de te esquecer
É o caso da obra de Gonçalves de Magalhães e do grupo da revista Nite­ Uma sabiá, cantar Vou voltar, sei qu e ainda vou voltar
rói, da qual participavam também Torres Homem e Porto Alegre. U m a sabiá Para o meu lugar, foi lá

Na poesia propriamente dita desses escritores, predomina temática reli­ a V ou lá, sei que ainda vou voltar
V ou deitar á som bra
É ainda lá
Q ue eu hei de ouvir cantar
giosa, além do indianismo (por exemplo, em A confederação dos ta- De um a palm eira Uma sabiá, cantar
moios, de Magalhães). Sua obra vale sobretudo como documento do ini­ Q ue já n ão há U m a sabiá
cio do nosso Romantismo, pois nãoapresenta grande qualidade literária. Colher a flor que já n ão d á Vou voltar, sei que ainda vou voltar
E algum a m o r talvez possa espantar E é pra ficar, sei que o am or existe
b) slFsvés áe nianifestiiçôes de esráter literário propriamente dito As noites que eu n ão queria Eu n ão sou mais triste
Coube a Gonçalves Dias, com a publicação de Prim eiros cantos (1846), a Lhe anunciar um dia E q u e a nova vida já vai chegar

expressão pioneira de uma legitima poesia nacional. Conforme já vimos, V ou voltar, sei q u e ainda vou voltar E q u e a solidão vai se acabar

sua obra abrange os três grandes aspectos do Romantismo brasileiro: in­ N ão vai ser em vão E q u e a solidão vai se acabar.

dianismo, temática lírico-amorosa e exaltação da pátria.


Examinada em conjunto, a obra desses autores do primeiro momento já
anuncia quase todos os lemas que vão percorrer a poesia brasileira do Ro­ lEl. GBAMlTlCJI
mantismo:
— saudosismo, através da lembrança da pátria e da infância;
— exaltação da paisagem brasileira, uma das facetas do nacionalismo;
Adjetivo
Mas como a garotada não estava lá, ninguém ia achar que ela fosse a rainha das fadas.
— indianismo, marca principal do nacionalismo romântico;
No máximo, a seleta platéia ia olhar de banda aquela mulher retardadamente meio vesti­
— amor visto sob uma perspectiva idealizada; da de hippie, de saiona comprida e estampada, túnica larga, cabeleira solta e um imenso xale de
— religiosidade. velha siciliana, indeciso entre escorregar e enrolar os ombros. (Ana Maria Machado)

64 65
Todas as palavras destacadas
no texto são adjetivos. DISTRAÍDOS, D K A STR ADOS Número Grau
E AZARADOS.
1) Adjetivos simples 1) Comparativo:
Ficam no singular ou no plural,
O adjetivo é a palavra concordando com o substantivo a
a) de igualdade: O português é tão
inteligente quanto o brasileiro.
que expressa característica, que se referem, b) de superioridade: O português
qualidade, propriedade, defeito, vida amarga — vidas amargas é mais inteligente que o brasi­
aparência ou estado dos seres. clima ameno — climas amenos leiro.
0 adjetivo acompanha 2) Adjetivos compostos c) de inferioridade: O português é
sempre o substantivo. a) Apenas o último elemento vai menos inteligente do que o bra­
para o plural. sileiro.
problema sócio-econômico 2) Superlativo:
problemas sócio-econômicos a) absoluto sintético: Filomena é
o adjetivo pode ser: Exceções: inteligentíssima.
1. simples: verde azul-marinho — azul-marinho absoluto analítico: Filomena é
2. composto: verde-oliva surdo-mudo — surdos-mudos muito inteligente.
1 A N O DE GARANTIA C O N T R A Q U E B R A D E LENTES R ARA VO CÊS. b) Sâo invariáveis os adjetivos re­ b) relativo de superioridade: Filo­
3. prim itivo; bom OCULOS e LENTES DE CONTATO EM 10 V K S S : FÂCEtS 0 £ ACHAR. POR MAfS DtSTRAÍOOS
SEM ACRÉSCIMO, ¡ QUE VOCÈS SEJAM. ferentes a cores, quando o se­ mena é a mais inteligente da
4. derivado: bondoso ARMAÇÕES A PARTIR OE CRS 9.900,
gundo elemento do adjetivo classe.
REVISÃO GRÁTIS E CERTIFICADO DE GARANTIA

O adjetivo apresenta flexões FOTOPT1CA. composto é um substantivo, relativo de inferioridade: Filo­


50 ENDEREÇOS MUITO PERTINHO DE VOCÉS.
saias rosa-clioque mena é a menos inteligente da
vestidos azul-pavão classe.
quadro: Observe esta "chamada” de anúncio da
Fotoptica, composta apenas por adjetivos.

Flexão F o nte : IX A n u á rio d o Clube de C riaçã o de S ão Paulo.


São P auio, C iu b e de C riaçã o de São P aulo, 1 9 8 5 . p. 9 5 . O superiativo absoluto sintético apresenta algumas regras especificas de
formação:
1. Forma-se o superlativo absoluto sintético acrescentando-se o sufixo
Gênero -issimo à forma não-flexionada do adjetivo:
normal — normalissimo
Os adjetivos podem ser: Exceções:
trabalhador — trabalhadeira popular — popularissimo
1) Uniformes: têm uma só forma pa­
motor — motriz Se o adjetivo terminar em vogal, ela desaparece quando acrescenta­
ra os dois gêneros.
exercício fácil São invariáveis: hindu, cortês. mos o sufixo -issimo:
questão fácil descortés, montês, pedrés, ante­ belo — belíssimo
rior, superior, interior, multicor, forte — fortíssimo
2) Biformes: têm duas formas, uma incolor, melhor, pior etc.
para o masculino, outra para o fe­ 2. Os adjetivos terminados em -vel formam o superlativo em -bilíssimo:
minino. c) ão —»ã solúvel — solubilissimo
lindo — linda cristão — cristã confortável — confortabilíssimo
mau — má d) ão —> ona terrível — terribilíssimo
brincalhão — brincalhona
Formação do feminino: e) eu —>•éia 3. Os adjetivos terminados em -z formam o superlativo em -císsimo:
a) troca-se o o por a. europeu — européia feliz — felicíssimo
belo — bela Exceções: feroz — ferocíssimo
b) acrescenta-se a aos adjetivos ter­ judeu — judia 4. Os adjetivos terminados em -m formam o superlativo em -níssimo:
minados em u, ês e or. sandeu — sandia comum — comuníssimo
nu — nua f) éu —»oa
francês — francesa ilhéu — ilhoa Muitos adjetivos apresentam formas eruditas para o superlativo absolu­
tentador — tentadora tabaréu — tabaroa to sintético. São formas derivadas do latim, pouco utilizadas na fala colo­
quial. Observe algumas dessas formas:

66 67
Terminação -íssimo Terminação -èrrimo Em geral, a locução adjetiva é formada por uma preposição e por um
agudo — acutíssimo (ou agudíssimo) acre — acérrimo (ou acrissimo)
substantivo:
amargo — amaríssimo (ou amarguíssimo) áspero — aspérrimo (ou asperíssimo) líquido sem cheiro — líquido inodoro
amigo — amicíssimo (ou amiguíssimo) célebre — celebérrimo (ou celebríssimo) paixão sem freio — paixão desenfreada
antigo — antiqüíssimo (ou antiguíssimo) íntegro — integérrimo (ou integríssimo) material de escola — material escolar
benéfico — beneficentíssimo livre — libérrimo (ou livríssimo)
benévolo — benevolentíssimo magro — macérrimo (ou magríssimo)
H á locuções adjetivas constituídas de preposição + advérbio:
cristão — cristianíssímo mísero — misérrimo notícia de hoje
cruel — crudelíssímo (ou cruelíssimo) negro — nigérrimo (ou negríssimo) casa de antigamente
doce — dulcíssimo (ou docíssimo) pobre — paupérrimo (ou pobríssimo) conversa de sempre
fiel — fidelissimo (ou fielíssímo) salubre — salubérrimo (ou salubríssimo)
geral — generalíssimo Nem toda locução adjetiva pode ser substituída por um adjetivo corres­
maléfico — maleficentíssimo pondente:
malévolo — malevolentíssimo Terminação -limo
nobre — nobilíssimo
livro de Quím ica
ágil — agílimo (ou agilíssimo) sala de aula
pessoal — personalíssimo (ou pessoalíssimo)
difícil — dificílimo (ou dificilíssimo)
provável — probabilissimo vestido de Laura
dócil — docílimo (ou docilíssimo)
sábio — sapientíssimo
fácil — facílimo (ou facilíssimo) muro de concreto
sagrado — sacratíssimo
frágil — fragílimo (ou fragilíssimo) Na linguagem coloquial, muitos adjetivos são substituídos por locuções
são — saníssimo
humilde — humílimo (ou humildíssimo)
simples — simplicíssimo (ou simplíssimo) adjetivas. Esses adjetivos estão caindo em desuso por apresentarem radical
soberbo — superbissimo (ou soberbíssimo) de origem latina e, conseqüentemente, por serem de difícil entendimento pa­
ra a grande maioria dos falantes da língua portuguesa no Brasil.

Eis uma lista:


nariz aquilino (semelhante ao navegação lacustre
bico da águia) (relativo a lago)
anel áureo (= de ouro) limite m eridional ou austral
anel argénteo (= de prata) (relativo ao sul)
material bélico (= de guerra) via oral (relativo a boca)
queda capilar (= de cabelo) cor plúmbea (= de chumbo)
dor cefálica (= de cabeça) água pluvial (= de chuva)
frutas cítricas (relativo a frutas atitude pueril ou infantil
como o limão, a laranja etc.) (próprio de criança)
atividade discente (= de alunos) desenho rupestre (relativo a
í-íj- ' ■
' íf' atividade docente rocha)
.eíccionaaissinm
T'
(= de professores) . teor sacarino (= de açúcar)

nadíssima
s carta episcopal (= do bispo) atitude senil (relativo a velhice)
tumor esplênico (= do baço) limite setentrional (relativo ao
chuva estivai (= de verão) norte)
água fluvial (= de rio) cara simiesca (= de macaco)
Veja 0 poder de cornonicasio do superiativú abscério sintático para despeitar ‘/ontade de beber
cerveja.
era glacial (relativo a gelo) carne suína (= de porco)
mal hepático (= do fígado) água sulfurosa (relativo a
F o nte ; R e vista P la yb o y, n. 1 2 6 . São Paulo,. A b rii Cultura?, ja n , 1 9 8 6 . p. 1 3 8 e 1 45 .
noite hibernai (= de inverno) enxofre)
pedra ígnea (= de fogo) cordão um bilical (= do umbigo)

Observação: Uma mesma palavra pode pertencer a mais de uma classe gra­
Locução adjetiva matical. Só o contexto é que vai determinar. Veja o exemplo:
Com idéias próprias, os jovens conquistam novos espaços a cada dia.
Observe a expressão em destaque; linguagem dos animais. (substantivo)
A expressão em negrito é formada por mais de uma palavra e equivale a A maioria das garotas jovens afirma que a verdadeira beleza é a interior,
um adjetivo. Trata-se de uma locução adjetiva. (adjetivo)

69
4. Substitua os termos destacados por adjetivos compostos:
a) um acordo entre Portugal e Brasil um acordo luso-brasüeiro
b) um tratado entre Grécia e Espanha uni tratado greco-espanhol
1. Uma mesma palavra pode ser substantivo ou adjetivo, dependendo do contexto c) uma guerra entre França e Itália uma guerra franco-ítaUana
em que aparece. Classifique as palavras destacadas nas frases abaixo:
’ d) relações entre Japão e China relações nipo-ctunesas
a) — Que rapaz pouco cavalheiro — , afirmava aquela gentil senhora, adjetivo
e) relações entre China e Japão relações sino-japonesas
b) Àquela hora, não havia cavalheiros, pelo menos no lotação.
(Carlos Drummond de Andrade) substantivo
5. Determine o grau dos adjetivos destacados:
c) Passei a noite numa discussão com um amigo, inútil e estéril como todas as
a) Essas situações de confronto entre vocês são tão desagradáveis quanto as
discussões. (Fernando Sabino) substantivo
nossas, comparativo de igualdade
d) H á muito tempo, deixei de considerar você como uma pessoa amiga, adjetivo
e) Um homem, imbuído de alto espírito de solidariedade animal, deu Hberdade a
b) O mercado de minhocas canadenses é o maior do mundo. {Folha de S. Paulo,
12 nov. 1987.) superlativo relativo de superioridade
um passarinho. (Marcos de Vasconcellos) adjetivo
c) Eu que já corri o mundo
f) Animal encantado — melhor que nós todos! — que tinhas tu com este mundo cavalgando a terra nua
dos homens? (Cecília Meireles) substantivo
tenho o peito mais profundo
g) O matemático é um indivíduo que, geralmente, tem raciocínio lógico, substantivo e a visão maior que a sua. (Sidney Miller) comparativo de superioridade
h) Às folhas tantas d) Na manhã seguinte, senti-me muito só. superlativo absoluto analítico
do livro matemático e) Chamava-se João Teodoro,'só. O mais pacato dos homens. Honestíssimo e
um Quociente apaixonou-se lealíssimo, com um defeito apenas; não dar o mínimo valor a si próprio.
um dia Para João Teodoro, a coisa de menos importância no mundo era João
doidamente Teodoro. (Monteiro Lobato) superlativo absoluto sintético
por uma Incógnita... (M illôr Fernandes) adjetivo
6. Indique as diferenças de sentido que a simples mudança da posição do adjetivo
2. Identifique as locuções adjetivas das frases seguintes;
pode acarretar;
a) Era uma galinha de domingo. (Clarice Lispector)
a) indivíduo pobre b) lugar certo c) velho amigo
b) M il línguas dejogo devoravam as canas maduras, com uma fome canina. indivíduo sem recursos iugar determinado amigo há muito tempo
(José Lins do Rego) pobre indivíduo certo lugar amigo velho
c) E eu vejo a boca da Noite in d iv íd uo que inspira com paixão algum lugar am igo idoso

mastigando o sol 7. Escreva no plural as expressões seguintes:


como um fruto passado. (Ascenso Ferreira) a) instrumento médico-cirúrgico instrumentos médico-clrúrgícos
d) Carro é muito mais que um volante e uma pessoa atrás dele. É o passageiro b) problema sócio-econômico problemas sócio-econômlcos
do lado. São as crianças no banco de trás... {Veja,
abr. 1987.)
c) tapete verde-oliva tapetes verde-ollva
e) As vagas do oceano se quebram quando atingem litorais pouco profundos.
{Life— Biblioteca da Natureza)
d)
e)
carro amarelo-ouro carros amarelo-ouro
vestido rosa-choque vestidos rosa-choque
f) A indústria brasileira de vinho colhe uma safra extraordinária, aumenta
incrivelmente suas vendas, aprimora a qualidade — e até exporta para alguns f) acordo luso-brasileiro acordos luso-braslleiros
países da Europa {Afinal,
maio 1987.) g) blusa azul-marinho blusas azul-marinho
h) tratado anglo-americano tratados anglo americanos
3. Nas frases abaixo, substitua o adjetivo destacado por um substantivo abstrato
equivalente e efetue as mudanças necessárias:
a) Temos lutado contra a água escassa.
Temos lutado contra a escassez da água.
b) A terra árida torna difícil nossa tarefa.
A aridez da terra torna difícil nossa tarefa. 1¥. HEDMÇlO
c) A noite negra assustava os viajantes.
O negrume da riolíe assustava os viajantes.

A ordem na descrição (II)


d) Os rostos impassíveis disfarçavam a emoção do povo.
A irnpassibiüdade dos rostos disfarçava a emoção do povo.
e) O comportamento Imperturbável da viúva comoveu a todos.
A imperturbabiiidade do comportamento da viúva comoveu a todos.
f) A madeira rija dificultava o trabalho do marceneiro. Na unidade anterior estudamos algumas possibilidades de ponto de vis­
A rijeza da madeira dificultava o trabalho do marceneiro.
g) Os crimes impunes aumentavam a revolta da população. ta na descrição, ou seja, da organização interna do texto.
A impunidade dos crimes aumentava a revolta da população.

70
Veja O recurso original do escritor Alcântara Machado: o narrador des­
creve a mulher através de um espelho.

Abre a bolsa e espreita o espelhinho quebrado, que reflete a boca reluzente de carmim
primeiro, depois o nariz (.,.), depois os fiapos de sobrancelha, por último as bolas de metal
branco na ponta das orelhas descobertas.

Exercício
As descrições seguintes seguem um dos esquemas estudados. Reescreva-as
como você quiser: alterando o plano original ou utilizando aquele que sua
criatividade determinar...

1. Geral • Particular ( G -- > P)

Achou-se bonita. A negra, bravia cabeleira, agora cuidada, solta sobre os ombros, emol­
dura-lhe a face pálida, o langor dos olhos, a boca de lábios gulosos... (Jorge Amado)

2. Particular- •Geral (P -- > G)

Observe, nestes quadrinhos de Moebius, a Sujeito moço. Tinha porém um bigode um tanto denso, que saía duma reentrância que a
organização ás cena do geral para o boca e a implantação das narinas faziam, numa cara balofa, (Dyonelio Machado)
particular.
F o níe : M O tB lU S & JO D O R O W S K Y , O s o lh o s d o g o to .
S ão P auio, M a rtin s fo n te s , 1 9 8 7 . p, 9, 1 1, 13 e 15.

Proposta de redação
Alguns escritores não seguem nenhuma delas e nem por isso deixam de
conseguir excelentes resultados estilísticos.
Invente e descreva uma personagem que esteja de acordo com estes
Observe que, no texto seguinte, o autor simplesmente enumerou, sem comportamentos. Em seguida, crie uma narrativa curta inserindo nela sua
seguir qualquer ordem preestabelecida, elementos que procuram descrever personagem.
aquilo que seria a “ essência” de Minas Gerais:
Dezenas de pessoas batem diariamente à sua porta em busca de auxilio. São mendigos,
Mineiro, venha passar as festas* em casa. desempregados, doentes, gente que foi despejada porque não tinha dinheiro para pagar o alu­
Minas espera por você. guel, mães que não têm condições de sustentar seus filhos ou pessoas que querem apenas um
Com a comidinha caseira. conselho, um consolo. (Afmal, jan. 1987.)
Os doces. As quitandas.
As ladeiras que caminham para o céu.
As noites para as serestas.
As manhãs para as caminhadas sem rumo.
As rodas de truco.
0 bate-papo na venda.
A casa da infância.
Os antigos lugares.
As pessoas,
E no ar aquela saudade mineira de não sei o quê.
Força, essência, sentimento e jeito da gente que
vive nas montanhas azuis.

(Propaganda do governo de Minas — Visão, dez. 1985.)

0 anúncio refere-se às festas de fim de ano.

72
73
Álvares de Azevedo (1831-1852)

A poesia no Romantismo
☆ São Paulo (SP)
+ Rio de Janeiro (RJ)
Seu nome completo era Manuel Antônio

orasileiro (II)
Álvares de Azevedo. Criou-se no Rio, vol­
tando a São Paulo para cursar a Faculdade
de Direito. Teve uma vida boêmia e tumul­
tuada.
Obra:
Poesia: Lira dos vinte anos (1853);
No enterro de um amigo suicida, no Conde Lopo (1866).
cemitério iluminado por archotes (era noite), Conto: Noite na taverna (1855).
disse o poeta no discurso fúnebre: "Todos os Teatro: Macário (1855). t.khiu rií ki i vii a.
anos a morte escolhe, sorrindo, os melhores
dentre nós!" Álvares de Azevedo morreu muito jovem, sem ter publicado nenhuma
A Sorridente, que andava ali por perto, de suas obras em vida. Todas tiveram publicação póstuma.
anotou no caderninho o nome do orador:
Sua obra é marcada por uma forte subjetividade e pelo acentuado pessi­
Alvares de Azevedo. Profissão? Poeta.
mismo que o leva a considerar o amor e a felicidade como coisas inatingiveis.
Diagnóstico? Tumor na fossa ilíaca — coisa
rara na Escola de Morrer Cedo. A depressão, o devaneio, o sonho e a perspectiva da morte aparecem
(Lygia Fagundes Telles) com freqüência na sua obra. Seu lirismo amoroso deixa latente uma expressi­
va carga erótica.
Álvares de Azevedo é o mais típico representante do mal-do-século na
poesia brasileira.
De sua obra em prosa destacam-se os contos de todos Noite na taverna,
ambientados em cenários escuros, tétricos, tendo indivíduos marginalizados
como personagens.
Professor: Da obra em prosa tem dado excelentes resultados, em nossa prática diária, a leitura do conto "Jo iia ii” ,

1. TEXTOS
A obra Lira dos vinte anos é dividida em três partes. Este poema é o último da primeira parte:

A. Lembrança de morrer
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito eniaça ã dor vívente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.
5 E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
10 Do deserto, o poento caminheiro
f-'onte: H A B T , H a roití. H a rt p ic tu re A rc h iv e s - A C o m p en d iurn
— Como as horas de um longo pesadelo
Nevv Y o rk, H a rt. 1 9 7 6 . p. 2 9 7 . v, 1. Que se desfaz ao dobre de um sineiro:

74 75
Como o desterro de minh'alma errante,
Onde fogo insensato a consumia;
ESTUDO DO TEXTO
15 Só levo urna saudade — é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia. ,1. Que função da linguagem, além da poética, aparece com destaque no poema?
J U S tiflQ U e s u a r e s p o s t a , a função emotiva. Verbos e pronomes em 1? pessoa são predominantes.
Só levo uma saudade — é dessas sombras
Que eu sentia velar ñas noites minhas... 2. A ocorrência dessa função revela uma característica do Romantismo. Qual?
De ti, ó minha mãe! pobre coitada ■ O subjetivismo.

20 Que por minha tristeza te definhas!, 3. Releia o segundo verso da primeira estrofe. Como o eu-lírico encara o lado físico
De meu pai... de meus únicos amigos. da vida? Como algo doloroso e sofrido.
Poucos — bem poucos — e que não zombavam 4. a) Coloque na ordem direta os dois primeiros versos da terceira estrofe, eu deixo a
Quando, em noites de febre endoidecido, vida como o poento caminlieiro deixa o tédio do deserto.
Minhas pálidas crenças duvidavam. b) Nessa comparação está implícito um conceito de morte. Qual? A morte vista como
um aJívio.
25 Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda, 5. No verso 11 ocorre uma metáfora para vida. Identifique-a. “longo pesadelo”
É pela virgem que sonhei... que nunca 6. Qual a única coisa positiva que o eu-lírico encontra no mundo? a Uusão amorosa.
Aos lábios me encostou a face linda!
7. o que a mulher amada representa para a mocidade do poeta? Esperança.
Só tu à mocidade sonhadora
30 Do pálido poeta deste flores... 8. Na décima estrofe ocorrem três características românticas. Quais? Apego àsciidao, re­

Se viveu, foi por ti! e de esperança ligiosidade, evasão na natureza.

De na vida gozar de teus amores.


Beijarei a verdade santa e nua.

35
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos.
Filha do céu, eu vou amar contigo!
B. Idéias íntimas
V III
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida, o pobre leito meu desfeito ainda
À sornbra de uma cruz, e escrevam nela: A febre aponta da noturna insônia.
40 — Foi poeta — sonhou — e amou na vida. Aqui lânguido á noite debati-me
Em vãos delírios anelando um beijo...
Sombras do vale, noites da montanha,
5 E a donzela ideal nos róseos lábios,
Que minh'alma cantou e amava tanto.
No doce berço do moreno seio
Protegei o meu corpo abandonado,
Minha vida embalou estremecendo...
E no silêncio derramai-lhe um canto!
Foram sonhos contudo. A minha vida
45 Mas quando preludia ave d'aurora Se esgota em ilusões. E quando a fada
E quando á meia-noite o céu repousa. 10 Que diviniza meu pensar ardente
Arvoredos do bosque, abri os ramos... Um instante em seus braços me descansa
Deixai a lua prantear-me a lousa! E roça a medo em meus ardentes lábios
ÁLVARES DE AZEVEDO. Lembrança de morrer. In: Um beijo que de amor me turva os olhos,
Poesia. 5. ed. Rio de laneiro. Agir, 1977. p.
43-5. (Col. Nossos Clássicos.)
Me ateia o sangue, me enlanguesce a fronte,
15 Um espírito negro me desperta,
Q encanto do meu sonho se evapora
E das nuvens de nácar da ventura
V ocabulário:
Rolo tremendo á solidão da vida!
enlaçar (v.t.d.i.): prender com laços, atar, unir duvidar (v.i.): desconfiar, não acreditar
passamento (s.m.): morte preludiar (v.i.): ensaiar a voz ou um instrumento ÁLVARES DE AZEVEDO. Idéias íntimas. In: Poesias
poento (adj.): poeirento, coberto de pó antes de começar a cantar ou a tocar completas de Alvares de Azevedo. Rio de laneiro.
embelecer (v.t.d.): embelezar lousa (s.f.): laje: pedra tumular Tecnoprint. s.d. p. 46.

76 77
V ocabulário:
lânguido (adj.): sensual, voluptuoso: doentio
I. TEXTOS

A.
anelar (v.t.d.): desejar ardentemente
turvar (v.t.d.): tornar turvo, escuro
enlanguescer (v.t.d.): enfraquecer, debilitar
de nim o.
Minh'alma é triste
nácar (s.m.): substância branca, brilhante e com itifw m m m m
reflexos coloridos que se encontra no interior II
das conchas
Minh'alma é triste comõ a voz do sino
Carpindo o morto sobre a laje fria:
E doce e grave qual no templo um hino.
Ou como a prece ao desmaiar do dia.
5 Se passa um bote com as velas soltas,
Minh'alma o segue n'amplidao dos mares:
Capa da primeira edição de Poesias, de Alvares de E longas horas acompanha as voltas
Azevedo, publicada postumamente em 1 8 5 3 . Das andorinhas recortando os ares.
RIO DE UNEIRO Às vezes, louca, num cismar perdida,
TVP. A M E R IC A N A . D E J. J . DA ROCH A,
10 Minh'alma triste vai vagando à toa.

ESTUDO DO TEXTO
R u a da A ifa n d e g a n . S)0.
Bem como a folha que do sul batida
1833 . Bóia nas águas de gentil lagoa!
E como a rola que em sentida queixa
1. Coioque na ordem direta os dois primeiros versos do poema, o meu pobre leito ainda O bosque acorda desde o albor da aurora,
desfeito aponta â febre da notum a insônia.
15 Minh'alma em notas de chorosa endeixa
2. Qual o úmco elemento da realidade exterior descrito no poema? o idto desfeito.
Lamenta os sonhos que já tive outrora.
3. Transcreva quatro substantivos do poema que comprovem a seguinte afirmativa: Dizem que há gozos no correr dos anos!...
o eu-lírico disfarça o erotismo da figura feminina criando uma atmosfera de ir­
realidade no poema. febre, delírios, sonhos, ilusões
Só eu não sei em que o prazer consiste,
— Pobre ludibrio de cruéis enganos,
20 Perdi os risos — a minh'alma é triste!
Casimiro de Abreu (1839-1860) ABREU, Casimiro de. M inh'alm a é triste. A p u d
ANTONIO CANDIDO eCASTELLO, |. Aderaldo.
Presença da literatura brasileira:
do Rom antism o
ao Sim bolism o, 10, ed, São Paulo, DifeI,
☆ Barra de São João (RJ) 1984, p, 45,
-I- Barra de São João (RJ)

Seu nome completo era Casimiro José V ocabulário:


Marques de Abreu. Estudou Humanidades endeixa (s,f,|: poesia fünebre: canção nostálgica
carpir (v.t.d.): chorar
em Nova Friburgo. Viajou para Portugal, ludibrio (s,m,|: zombaria: objeto de zombaria ou
cismar (v.i,): pensar
onde iniciou sua carreira literária. desprezo
albor (s.m.): primeira luz da manhâ
Obra:
Poesia: Primaveras (1859).
Teatro: Camões e o jau* (1856).

ESTUDO DO TEXTO
Ca.simiro de Abreu.

Ê possível distinguir três traços fundamentais na poesia de Casimiro de


Abreu: o pessimismo decorrente do mal-do-século; o saudosismo, que se re­
vela na nostalgia da terra natal ou da infância; a visão idealizada do amor e 1. Quais são os adjetivos da primeira estrofe empregados na caracterização da
da mulher. Casimiro de Abreu é um dos poetas mais populares do Romantis­ alma? Triste, doce e grave.
mo brasileiro, graças à linguagem simples e ao lirismo ingênuo que percor­ 2. Destaque da primeira estrofe as palavras ou expressões que tenham relação com
rem sua obra. m o r t e , voz do sino, carpir, morto, laje fria, hino no templo

* ja o :javanés
3. Que característica romântica é possível identificar na segunda estrofe do poema?
Hvasão uo espaço c no tempo.

78 79
4. Na terceira estrofe, o eu-lírico projeta seu estado de alma sobre um elemento do
mundo exterior, resultando daí uma comparação. De que comparação se trata?
ESTUDO DO TEXTO
A lm a = folha.

5. Identifique as características românticas da quarta estrofe, valorização do sonho evoita 1. Qual o significado denotativo da palavra aurora? E seu significado conotativo no
ao passado. segundo verso do texto? Denotativo = amanhecer; conotativo = começo da vida, infância.

2. Ao utilizar o termo aurora com essa conotação, o poeta deixa implícita uma com­

B. Meus oito anos


paração. Qual? A vida comparada ao ciclo da natureza.

3. Indique a característica romântica que fica evidente no verso “ Que os anos não
trazem m ais!” . Evasão no tempo, da qual resuita a saudade do passado.
Oh! que saudades que tenho 25 Qh! dias da minha infância!
Da aurora da minha vida, Qh! meu céu de primavera! 4. Na segunda estrofe, que metáforas identificam a alma e a inocência? Aima — flor;
inocência — perfume.
Da minha infância querida Que doce a vida não era
Que os anos não trazem mais! Nessa risonha manhã!
5 Que amor, que sonhos, que flores. Em vez das mágoas de agora, o texto seguinte destina-se somente à leitura. Observe o erotismo do poema,
Naquelas tardes fagueiras 30 Eu tinha nessas delícias camuflado principalmente através de um artifício: a personagem feminina está ador­
À sombra das bananeiras. De minha mãe as carícias mecida e, portanto, desligada do que acontece ao seu redor.
Debaixo dos laranjais! E beijos de minha Irmã!
Como são belos os dias Dormia e sonhava — de manso cheguei-me
Op. cit., p, 41,
10 Do despontar da existência! Sem leve rumor;
— Respira a alma inocência Prendi-me tremendo e qual fraco vagido,
Como perfumes a flor; Qual sopro da brisa, baixando ao ouvido,
V ocabulário: Falei-lhe de amor!
Q mar é — lago sereno, Ao hálito ardente o peito palpita...
fagueiro (adj.): agradável, ameno: carinhoso
O céu — um manto azulado, Mas sem despertar;
folgar (s,m,): diversão, brincadeira
15 O mundo — um sonho dourado, E como nas ânsias dum sonho que é lindo,
A vida — um hino d'amor! A virgem na rede corando e sorrindo...
Beijou-me — a sonhar!
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
20 Naquele ingênuo folgar!
Junqueira Freire (1832-1855)
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia.
☆ Salvador (BA)
As ondas beijando a areia
+ Salvador (BA)
E a lua beijando o mar!
Seu nome completo era Luís José Jun­
queira Freire. Estudou Humanidades em
Salvador, ingressando posteriormente na or­
dem beneditina, para abandoná-la depois de
algum tempo.
Obra: Inspirações do claustro (1855).

A crítica considerá que a poesia de Junqueira Freire é conseqüência,


principalmente, do choque entre o sentimento religioso e o erotismo contido.
Paralelamente, cultivou também o sentimento de nacionalidade, sendo con­
siderado precursor de Castro Alves na poesia social, pois incorporou o pro­
F o nte : C a tá lo g o J o s é O itid c a Füha; A ru p tu ra da fo to g ra fia
no s ano s 5 0 . Rio de Ja n e iro , FUÑ ARTE, 1 9 8 3 . p, 3 8 . blema da escravidão em sua obra.

80 81
A característica mais destacada de seus poemas, no entanto, é o mal-do-
-século, como se pode observar no texto seguinte:

MORTE

Também desta vida à campa Não achei na terra amores


Não transporto uma saudade. Que merecessem os meus.
Cerro meus olhos contente Não tenho um ente no mundo
Sem um ai de ansiedade. A quem diga o meu — adeus.

E como autômato infante Não posso da vida à campa


Que inda não sabe sentir, Transportar uma saudade.
Ao pé da morte querida Cerro meus olhos contente
The Shipwreck, do pintor romântico ¡ n |is J. Turner, 1 8 0 1 .
Hei de insensato sorrir. Sem um ai de ansiedade.
O conceito de amor na obra desses poetas oscila entre a idealização da
Por minha face sinistra Por isso, ó morte, eu amo-te, e não temo: mulher e a sensualidade.
Meu pranto não correrá. Por isso, ó morte, eu quero-te comigo.
Em meus olhos moribundos Leva-me à região da paz horrenda.
Terrores ninguém lerá. Leva-me ao nada, leva-me contigo.

11. MTEBATIRA 1. Copie tudo o que tiver relação com o ultra-romantismo:


a) culto à natureza; d) indianismo;

A poesia no Romantismo brasileiro (II) b) evasão no sonho e na fantasia;e) atração pela morte.
c) patriotismo;

2. Identifique: poeta dos mais populares, graças ao seu lirismo ingênuo e ao texto
fácil. Casimiro de Abreu
Segunda fase
3. Identifique autor e obra principal: sua poesia nasce quase sempre da oposição
entre sensualidade e ideais religiosos, daí resultando o sentimento de culpa.
Junqueira Freire, Inspirações do claustro
Os três poetas estudados nesta unidade revelam o traço fundamental da 4. Em 1945, o poeta Manuel Bandeira publicou um livro em que se encontra
segunda fase do Romantismo brasileiro no que diz respeito à poesia: o ultra- o seguinte poema:
-romantismo, marcado pelo chamado mal-do-século. SEXTILHAS ROMÂNTICAS
Sou romântico? Concedo.
Na obra dos três — exceção feita a uma parte da poesia de Casimiro de Exibo, sem evasiva,
Abreu — , os temas relacionados à pátria, ao indio e à natureza são apenas A alma ruim que Deus me deu.
Decorei “Amor e medo” ,
circunstanciais. A temática de suas obras liga-se fundamentalmente à expres­
“No lar” , “Meus oito anos” ...
são da angústia, do sofrimento e da dor que caracterizaram o mal-do-século.
a) Indique a parte do poema que justifica a afirmativa de Bandeira: “ Sou ro­
mântico? Concedo.” “ Exibo, .sem evasiva, / A alma ruim que Deus me deu”
Do desequilíbrio existencial surge a fuga na fantasia, no sonho e a ob­ b) Identifique o autor dos poemas citados no texto, casimiro de Abreu
sessão pela morte. Observa-se também a atração por paisagens sombrias. É o
chamado “ lirismo da descrença” , do qual Álvares de Azevedo é o poeta 5. Faça, oralmente, uma comparação entre o texto que aparece na abertura desta
mais representativo. unidade e o poema “ Lembrança de morrer” , da página 75.

82 83
Assinale a afirmativa falsa:
□I. REVISÃO: a) O segundo parágrafo do texto expressa o individualismo da poética
QUESTÕES DE VESTIBULAR romântica.
b) O segundo parágrafo do texto reivindica a relação dinâmica entre
forma e significado do discurso poético.

Literatura c) O segundo parágrafo do texto apresenta proposições cujo conteúdo


será rupudiado no século X X , pelo Modernismo.
d) O terceiro parágrafo do texto rejeita implicitamente a poética clássica
e sua concepção da validade absoluta e universal dos critérios esté­
Responda no caderno: ticos.
e) O terceiro parágrafo do texto expressa a poética romântica e sua con­
1. (Fundação Carlos Chagas-SP) vicção da relatividade dos conceitos estéticos, sujeitos a circunstân­
“ O mundo é urna mentira, a gloria — fumo, cias de espaço e tempo.
A morte — um beijo, e esta vida um sonho
Pesado ou doce, que s’esvai na campa!”
O texto acima contém uma idéia que é comum a muitos poetas românti­
cos. Aponte a alternativa que a explicita: 4. (UFPE) A respeito de I-Juca Pirama, o poema de Gonçalves Dias, pode­
a) A vida subjetiva e o sonho é que mais se identificam com a verdade; o mos afirmar que:
mundo real “ é uma mentira” . a) trata-se de um poema lirico onde não se percebem momentos de in­
b) A vida interior, “ sonho pesado ou doce” , a mais rica de todas, per­ tensa dramaticidade;
mite iludir o medo da morte. b) não há multiplicidade de ritmos e metros, caracterizando a monoto­
X c) A morte, “ sonho (...) que s’esvai na campa” , é a solução definitiva nia formal;
para as tristezas, única herança do sonho e da vida subjetiva. c) trata-se de um poema intensamente autobiográfico;
d) Resta ao homem, atrelado sempre à consciência da morte, apegar-se d) desenvolve o forte amor platônico de Lindóia;
quanto mais possa a prazeres efêmeros (“ fumo” , “ sonho” ) que a vi­ X e) trata-se de um poema épico, onde o indianismo é exaltado.
da breve lhe proporciona.
e) A morte é o “ beijo” que continuamente ameaça e, não raro, destrói
a felicidade que lhe dá origem.
5. (UCP-PR) O desejo de morrer e a sentimentalidade doentia são caracte­
2. (Fuvest-SP) Assinale a(s) alternativa(s) correta(s):
O medievalismo, a valorização do passado pátrio, a recriação de lendas
rísticas da poesia do autor deLira dos vinte anos.
Trata-se de:
a) Gonçalves Dias
tradicionais ibéricas constituíram um aspecto importante dos programas
b) Castro Alves
estéticos de;
X a) Almeida Garrett e Alexandre Herculano; c) Gonçalves de Magalhães
b) Guerra Junqueiro e Júlio Dinis; d) Casimiro de Abreu
c) Barbosa du Bocage e Antônio Vieira; X e) Álvares de Azevedo
d) Eça de Queirós e João de Deus;
e) Antero de Quental e Cesário Verde.
6. (PUC-RS)
3. (Cesgranrio-RJ)
“ Era a virgem do mar! na escuma fria
Dei 0 nome de Primeiros cantos às poesias que agora publico, porque espero que não se­
Pela maré das águas embaladas
rão as últimas.
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Muitas delas não têm uniformidade nas estrofes, porque menosprezo regras de mera con­
venção; adotei todos os ritmos da metrificação portuguesa, e usei deles como me pareceram me­
Que em sonhos se banhava e se esquecia!”
lhor com 0 que eu pretendia exprimir. A estrofe denuncia que a mulher aparece freqüentemente na poesia de
Não têm unidade de pensamento entre si, porque foram compostas em épocas diversas — Álvares de Azevedo como figura:
debaixo de céu diverso — e sob a influência de impressões momentâneas. (Gonçalves Dias) a) sensual b) concreta c) próxima d) natural x e) inacessível

84 85
7. (UFPA) Os poemas de Álvares de Azevedo desenvolvem atmosferas va­
riadas que vão do lirismo mais ingênuo ao erotismo, com toques de iro­
Gramática
nia, tristeza, zombaria, sensualidade, tédio e humor. Estas característi­
cas demonstram:
a) a carga de brasilidade do seu autor; Responda no caderno:
b) a preocupação do autor com os destinos de seu país;
1. (Cesgranrio-RJ)
c) os aspectos neoclássicos que ainda persistem nos versos desse autor;
X d) o ultra-romantismo, marcante nesse autor; Dei 0 nome de Primeiros cantos às poesias que agora publico, porque espero que não se­
rão as últimas.
e) o aspecto social de seus versos.
Muitas delas não têm uniformidade nas estrofes, porque menosprezo regras de metrificação
portuguesa; adotei todos os ritmos da metrificação portuguesa e usei deles como me pareceram
8. (Unesp) quadrar melhor com o que eu pretendia exprimir. (Gonçalves Dias)
“ lá?
ah! Os vocábulos sublinhados (como, melhor) se classificam respectivamen­
sabiá... te como:
papá... X a) conjunção, advérbio d) preposição, advérbio
m aná... b) conjunção, adjetivo e) preposição, adjetivo
sofá... c) advérbio, adjetivo
sinhá...
cá? 2. (MACK-SP) Assinale a alternativa onde a palavra grifada não se classifi­
bah!” ca como adjetivo:
O poema acima, do poeta contemporâneo José Paulo Paes, alude paro­ a) O som acre dos metais perturbava-lhe o descanso.
dísticamente ao poema:
X b) Não enfrente a vida procurando só vantagens.
a) “ Voz do poeta” , de Fagundes Varela;
c) As crianças ficaram sm naquela fazenda.
b) “ As pombas” , de Raimundo Correia;
d) Admirado, não consegui explicar a proveniência de sua fortuna.
c) “ Círculo vicioso” , de Machado de Assis;
X d) “ Canção do exílio” , de Gonçalves Dias; 3. (Fuvest-SP) Assinale a alternativa em que está correta a formação do
e) “ Meus oito anos” , de Casimiro de Abreu. plural:
a) júnior, júniors juniores d) mal, maus males
9. (OSEC-SP) A época romântica caracteriza-se por ser: b) gavião, gaviães gaviões X e) atlas, atlas
X a) lusófoba e nacionalista; c) fuzil, fuzíveis fuzis
b) de influência inglesa;
c) atéia e influenciada pelo positivismo; 4. (Cesgranrio-RJ) Assinale o par de vocábulos que formam o plural como
d) carente de bons poetas. balão e caneta-tinteiro, respectivamente;
a) vulcão, abaixo-assinado d) irmão, salário-família
10. (FAUS-SP) O indianismo de nossos poetas românticos é: X b) questão, manga-rosa e) bênção, papel-moeda
a) uma forma de apresentar o índio em toda a sua realidade objetiva, o c) razão, guarda-chuva
índio como elemento étnico da futura raça brasileira;
b) um meio de reconstruir o grave perigo que o índio representava du­ 5. (Faculdades Objetivo-SP) Assinale a opção em que o termo grifado,
rante a instalação da capitania de São Vicente; quando posposto ao substantivo, muda de significado e passa a perten­
c) um modelo francês seguido no Brasil; uma necessidade de exotismo cer a outra classe de palavras:
que em nada difere do modelo europeu; a) complicada solução x d) certos lugares

d) um meio de eternizar líricamente a aceitação, pelo índio, da nova ci­ b) inapreciável valor e) engenhosos métodos
vilização que se instalava; c) extraordinária capacidade
X e) uma forma de apresentar o índio como motivo estético; idealização
com simpatia e piedade; exaltação da bravura, do heroísmo e de to­ 6. (FEI-SP) Dê o superlativo absoluto sintético dos adjetivos:
das as qualidades morais superiores. a) visão melhor Ótima b) calo miserável misergljílissimo

86 87
A poesia no Romantismo
7. (U.F. Uberlândia) No trecho: “ Um dia se olha no espelho: de que cor eu ^ ¿ //u " c /a c /e 6 ^
sou? Tarde demais para sair pela porta afora. E desejando, covarde e
miseravelmente desejando que ela se volte pra confessar...” , as palavras

brasileiro (III)
em destaque são respectivamente:
a) adjetivo e advérbio d) substantivo e advérbio
b) advérbio e adjetivo e) substantivo e adjetivo
X c) advérbio e advérbio

8. (ITA-SP) Em qual das alternativas os substantivos apresentados se refe­


Hipótese
rem, respectivamente, aos adjetivos “ simiesco, igneo, somático,
insular” ? E se Deus é canhoto
X a) macaco, fogo, corpo, ilha; e criou com a mão esquerda?
Isso explica, talvez, as coisas deste mundo.
b) semelhança, ignição, pedra, solidão;
(Carlos Drummond de Andrade —
c) símile, fogo, adição, arquipélago; poeta brasileiro moderno)
d) primata, pureza, constituição, isolamento;
e) similar, ignorância, soma, istmo.

9. (MACK-SP) Assinale a alternativa em que as formas do plural de todos


os substantivos se apresentam de maneira correta:
a) animalzinhos, vaivéns, salvos-condutos, vai-voltas;
b) afazeres, frutas-pão, pé-de-moleques, peixe-bois;
c) bens-amados, cidadãos, barris, cachorro-quentes;
d) alto-falantes, coraçãozinhos, espadas, viveres;
X e) vai-volta, pasteizinhos, salvo-condutos, beija-flores.

10. (MACK-SP) Assinale a alternativa em que ocorre o emprego adequado


do artigo antes dos substantivos:
a) o sósia, o elipse, a omoplata;
b) a champanha, o telefonema, a motocicleta;
X c) o anátema, o diabete, o saca-rolhas;
d) o cal, o formicida, a libido;
e) o lança-perfume, a cataplasma, a dó.

Redação
(Unicamp-SP) Escolha um dos fragmentos constantes na coletânea
abaixo e redija uma narração, isto é, um texto em que você contará uma his­ Fragmento da obra de Goya
tória, na qual se encaixe o fragmento escolhido. Elabore a sua redação dé Pmqm fu i sens/veí, m qual a
acordo com a significação representada pelo fragmento que escolheu. mulher aparece sob a ótica
Fragmento 1: “ A vizinha sai de casa todos os dias às 5 horas da tarde.” romântica: difusa, sem
contornos definidos, de oihos
Fragmento 2: “ Dizem que a vizinha sai de casa todos os dias às 5 horas
fechados e rosto crispado,
da tarde.” inatingível.
Fragmento 3: “ A vizinha? Sai de casa todos os dias às 5 da tarde...” F o nte : iV !N S JR-, W .fvl, im ag en

Fragmento 4: “ A vizinha sai de casa todos os dias às 5 horas da tarde?” im pre sa y c o n o c im ie n to . B arcelona,
G u sta vo G ilL 1 9 7 5 . p, 1 14.

Fragmento 5: “ A vizinha sai de casa todos os dias às 5 horas da tarde! ”


Fagundes Varela (1841-1875) 10 Pomba, — varou-te a flecha do destino!
Astro, — engoliu-te o temporal do norte!
☆ Rio Claro (RJ) Teto, — caíste! — Crença, já não vives!
+ Niterói (RJ) Correi, correi, oh! lágrimas saudosas.
Legado acerbo da ventura extinta,
Seu nome completo era Luís Nicolau Fa­ 15 Dúbios archotes que a tremer clareiam
gundes Varela. Iniciou o curso de Direito em A lousa fria de um sonhar que é morto!
São Paulo, transferindo-se posteriormeiite
para a Faculdade de Direito do Recife. Não
concluiu 0 curso, regressando ao Sul. Um
fato que marcou proftindamente sua vida foi São mortos para mim da noite os fachos,
a morte do primeiro filho. Apesar de pro­ IVlas Deus vos faz brilhar, lágrimas santas,
fundamente religioso, levou uma vida consi­ E à vossa luz caminharei nos ermos!
derada boêmia e desregrada. 20 Estrelas do sofrer, gotas de mágoa.
Obra: Brando orvalho do céu! Sede benditas!
Poesia:Noturnos 0 estandarte au-
(1863); Oh! filho de minh'alma! Última rosa
riverde (1863);Vozes da América Que neste solo ingrato vicejava!
(1864);Cantos meridionais (1869); Fagyndes ¥arela. Minha esperança amargamente doce!
Cantos religiosos (1878).
F a g u n d e s v a r e l a . C ântico d o Calvário. In: P oe­
s ia . 4. ed. Rio de janeiro. Agir, 1975. p. 5 i.
(Col. Nossos Clássicos.)
A obra poética de Fagundes Varela apresenta:
a) um traço conservador, correspondente à permanência de uma grande va­
riedade temática típica do Romantismo: religiosidade, lirismo amoroso e, Vocabulário:
sobretudo, o mal-do-século; pegureiro (s.m.): pastor
b) um traço renovador, que é a poesia social, em que o poeta incorpora a messe (s,f.): colheita: em sentido figurado,
aquisição, conquista
problemática da escravidão.
estio (s.m.): verão
idilio (s.m.): poema de caráter campestre ou
pastoril: amor poético e suave
porvir (s.m.): futuro
1, TEITO legado (s,m.): aquilo que alguém transmite a
outrem
acerbo (adj.): duro, difícil, árduo, cruel, doloroso
Vamos ler um fragmento do mais conhecido poema de Fagundes Varela, dedicado a seu dúbid (adj.): duvidoso, ambíguo, vacilante,
indeciso, vago
filho, que morreu com três meses de idade:
archote (s.m.): espécie de facho
lousa (s.f.): laje sobre a sepultura
facho (s.m.): tudo o que emite luz, clarão
Cântico do Calvário
A m em ória de m eu filho, üftâ (detalhe), de Pertinari.
m orto a 11 d e d e ze m b ro de 1863 ESTUDO DO TEXTO
Eras na vida a pomba predileta 1. Calvário é o nome da colina próxima a Jerusalém, onde Cristo foi crucificado.
Que sobre um mar de angústias conduzia Que conotação assume a palavra Calvário no poema lido? sofrimento.
O ramo da esperança. Eras a estrela
2. Transcreva as metáforas que o poeta utilizou para nomear poeticamente o filho
Que entre as névoas do inverno cintilava m o r t o , pomba predileta, estrela, messe, idilio, glória, inspiração, pátria, porvir, astro, teto, crença, última rosa,
5 Apontando o caminho ao pegureiro. esperança
Eras a messe de um dourado estio. 3. Transcreva as metáforas utilizadas para expressar a morte, flecha do destino, temporal do
norte
Eras o idilio de um amor sublime,
4. Transcreva as metáforas utilizadas para designar as lágrimas. legado acerbo da ventura
Eras a glória, a inspiração, a pátria, extinta, dúbios archotes, estrelas do sofrer, gotas de mágoa, brando orvalho do céu
O porvir de teu pai! — Ah! no entanto. 5. Que figura de estilo predomina no últim o verso? Antítese.

90
Os trechos seguintes ilustram aspectos da poesia de Fagundes Varela: Vocabulário:
tredo (adj.): traiçoeiro, falso

Noturno motejar (v.t.i.): troçar, escarnecer, zombar,


criticar, censurar
Inditoso (adj.): infeliz, desgraçado
composto (adj,): coniunto de várias coisas
atrò (adj.): negro, escuro, tenebroso combinadas
Minh'alma é como o rochedo mago (adj.): mágico lume (s,m,): luz, brilho, fulgor
Donde o abutre e o corvo tredo vfso (s.n:i.j: cume dorido (adj,): dolorido, magoado, triste
Motejam dos vendavais:
Cobertos de atros matizes,

ESTUDO DOS TEXTOS


5 Lavrado de cicatrizes.
Do raio, nos temporais!
Nem uma luz de esperança
Nem um sopro de bonança
Na fronte sinto passar! 1. Os fragmentos lidos apresentam algumas características românticas já estudadas
10 Os invernos me despiram, em unidades anteriores. Identifique as que ocorrem no primeiro e no segundo
texto, mal-do-sécuio no texto í, exaltação da natureza ou [irismo amoroso no fragmento 2
E as ilusões me fugiram
Nunca mais fião de voltar! 2. Qual dos três textos apresenta uma novidade temática, se considerarmos o que já
F a g u n d e s VARELA, Noturno. A p u d Poetas roraán- foi lido dos outros poetas românticos? o terceiro fragmento, que traz o negro escravo como terna.
íicos bmsikim. S ão Paulo, Liv. d o Centro,
1963, m, p, 207-8,
V,
3. É possível estabelecer alguma semelhança entre o tratamento dado ao índio na
obra de Gonçalves Dias e o tratamento dado ao escravo que aparece no terceiro
]uvenilia fragmento lido? Sim. Ambos são idealizados.

Lembras-te, Iná? Belo e mago,


Da névoa por entre o manto,
Erguia-se ao longe o canto
Sousândrade (1833-1902)
Dos pescadores do lago.
☆ Guimarães (MA)
5 Os regatos soluçavam, + São Luís (MA)
Os pinheiros murmuravam,
Seu nome verdadeiro era Joaquim de
No viso das cordilheiras,
Sousa Andrade. Viajou pela Europa e pelos
E a brisa lenta e tardia
Estados Unidos e teve grande participação
O chão relvoso cobria política na sua época. Morreu pobre e des­
10 Das flores das trepadeiras. conhecido. Sua obra só conseguiu despertar
Idem, luvenília, In: Poesia. 2, ed. Rio de ianeiro, 0 interesse da crítica no século seguinte, na
Agir, 1961. p, 43. (Col, Nossos Clássicos.)
década de 70.
Obra:
Mauro, o escravo Poesia: Harpas selvagens (1857); Guesa
(1866); Novo Éden (1893). Sousândrade.
— Escravo, aproxima-te. Ao mando potente.
Moveu-se o inditoso brandindo a corrente,
E erguendo a cabeça fitou seu juiz; Por ser um ousado renovador, a obra desse poeta não encontrou aceita­
Que traços distintos! Que nobre composto! ção do público. Na sua longa permanência nos Estados Unidos, Sousândra­
5 Que lume inspirado saltava do rosto, de entrou em contato com um mundo praticamente ignorado pelos nossos
Dos olhos doridos do escravo infeliz! demais românticos: a sociedade capitalista americana.
Oh! Mauro era belo! Da raça africana Guesa,
sua obra mais importante, baseia-se numa lenda quichua*: a de
Herdara a coragem sem par, sobre-humana, um índio adolescente que vai ser sacrificado ao deus Sol.
Que ao sopro do gênio se torna um vulcão...
Idem. Mauro, o escravo. Apud Poetas românticos
brasileiros. São Paulo, Liv. do Centro, 1963, v.
III, p. 145. * quichua: povo indígena que habitava extensa região da América do Sul

92 93
As inovações da linguagem de sua poesia permitem classificar Sousân-
drade como um precursor do Modernismo brasileiro.
Transcrevemos, para simples leitura, alguns fragmentos da obra desse 1. o trecho seguinte é de Fagundes Varela. Considerando o que você já conhece do
revolucionário poeta. poeta, identifique a fase a que pertence o poema.
Trecho do canto IV do Guesa,
em que se registra um encontro amoroso Torce-te ai na sepultura fria
onde passa rugíndo ao furacão.
entre o índio e Virjanura:
Seja-te o orvalho das manhãs negado,
soe em teu leito a voz da maldição!
Sobre seu coração abandonada O tcxlo filitt-sc ao ultra-rornantisiíio; perience, p o üa niü , ao Varela ' conservador"
Branca estátua de grande formosura.
Mirava o Guesa Errante à namorada, 2. Na segunda fase do Romantismo brasileiro, ocorre uma temática nova, que
Como quem se temesse da ventura. antecipa o Romantismo da terceira fase. Qual? Poesia social.
“Ó bela, ó bela terra de alabastro, alabastro: rocha pouco dura e
muito branca 3. Os dois trechos seguintes referem-se à história do Brasil. Pela forma de
Formidável poder da natureza! composição e pelo tom de denúncia, identifique seu autor, sousândrade
Dás paixão — qual à refulgência do astro refulgência: resplendor, brilho

Eleva-se a crepuscular tristeza. {Muxurana histórica-) (Coro dos índios-.)


— Os primeiros fizeram — Mas os tempos mudaram.
Nas mãos tinha-a, mirava-a, possuía, As escravas de nós; Já não se anda mais nu:
Quão taciturno agora! qual se os beijos Nossas filhas roubavam, Hoje 0 padre que folga,
Esse altar profanassem dos desejos — Logravam Que empolga.
Uma asa negra esvoa na alegria. E vendiam após Vem conosco ao tatu.
M uxurana: nome de índia perten­ tatu: dança selvagem; abreviatura
cente à tribo do mesmo nome de tatuturema
Neste fragmento, descreve-se o anoitecer. Compare-o com outras des­
crições da natureza já lidas em textos românticos: 4. Por que o poeta Joaquim de Sousa Andrade (Sousândrade) é considerado “ uma
voz dissonante no Romantismo brasileiro” ? Sousândrade utiüza uma linguagem mullo diversa
Densas nuvens de fumo doloroso fumo: ftimaça dos demais românticos.

Fazem-se em tiras, despregadas caem


Através do horizonte: a lua franca
Abre seus seios de donzela, e despe Texto complementar
Seus vestidos no mar, como estas ondas
Ardentía de prata espanejando. ardentia: fosforescencia marilima
espanejar: espalhar Meu menino foi se chegando, a festa ainda no meio quando ele se chegou com aquele jeito
assim de quem não estava querendo nada. Sem a menor pressa, em silêncio, encostou a cabeça
no meu ombro. Apoiou-se mais e foi levantando a perna. Não venha me dizer que você quer su­
bir no meu colo! — eu disse fingindo espanto. Mas ele não queria dizer nada, aprendera com os
11. L IT E IIT IB A grandes que às vezes o silêncio é muito mais convincente do que a palavra e o movimento. Este,
ele completou de repente subindo nos meus joelhos e se enrodilhando em seguida, transbordan­

A poesia no Romantismo brasileiro (III)


do quase (tinha crescido tanto) mas cabendo ainda no pouso ao qual estava acostumado. Mas
desse tamanho e ainda querendo colo, filho? Queria. Daquele tamanho mesmo queria uma só
coisa em meio da festa: colo. Em vão lembrei que era cedo ainda para dormir, a festa era dele,
não queria mais uma fatia de bolo? E que tal um sorvete? Ah! e o teatrinho do João Minlioca, o
Segunda fase moço já estava montando os bonecos, então ia perder o João Minhoca?! Já estava perdido por­
Os dois poetas estudados nesta unidade, apesar de pertencerem crono­ que agora ele dormia profundamente. Tranqüilo. Vai me amarrotar todo o vestido, eu me quei­
xei ajeitando-o melhor (tão grande!) e limpando a baba — fio dourado de mel — que já lhe es­
logicamente ao segundo momento do Romantismo, apresentam traços ino­
corria da boca entreaberta. Mas como ele cresceu neste último ano! pensei. Pensei ainda que
vadores. aquela bem podia ser a última vez que ele me pedia para dormir no colo, andava tão indepen­
Fagundes Varela, embora seja mais conhecido por seus poemas líricos, dente, tão consciente da sua condição de homem. Quem sabe não seria mesmo a última vez que
introduz na poesia a temática social, anunciando uma preocupação da tercei­ 0 tinha assim tão completamente meu como o tivera um dia? Assim tão junto que formávamos
ra fase romântica. ambos um só corpo. Baixei os olhos cheios de lágrimas quando senti (tão próximo) o doce chei­
Sousândrade, por sua vez, critica o sistema monárquico como um todo, ro de poeira e suor com uma vaga memória de sabonete. Senti na pele o calor da baba que me
numa poesia que emprega uma linguagem radicalmente avançada para sua varou 0 vestido. Contomei-o frouxamente com os braços como costumava contornar o ventre
época, conforme vimos pelos textos lidos. Os recursos de linguagem desse es­ quando não sabia o que fazer com as mãos. Entrelacei os dedos que se fecharam num círculo.
(Lygia Fagundes Telles)
critor fazem dele uma voz dissonante no Romantismo brasileiro.

95
94
III. ©EHMHfI€JI Oblíquos
Retos

Pronome (I) íf pessoa eu me


Átonos

mim, comigo
Tónicos

Singular 2? pessoa tu te ti, contigo


Curumim na língua tupi-guarani quer dizer criança. Quando numa tribo tem muita crian­
3? pessoa ele, ela se, lhe, o, a si, consigo, ele, ela
ça é sinal que está tudo tranqüilo, lá tem muita caça, pesca, não há conflitos. (...)
A tradição fala que cada curumim tem o seu sonho, que ele conta para o grupo através 1.^ pessoa nós nos nós, conosco
dos cantos que aprendeu com os espirites. Essa meninada de 7 a 12 anos e alguns precoces de 4 Plural 2? pessoa vós vos vós, convosco
ou 5 que saem atrás da turma são bem protegidos. Eles têm uma série de compromissos: pintam 3? pessoa eles, elas se, Ihes, os, as si, consigo, eles, elas
e se enfeitam, saem em bandos para as caçadas e pescarias. Estranham os de fora, os adultos.
Quando acabam a caça, entram em festa no meio da aldeia, cantando e dançando.
Esse bando de curumins até intervém na vida dos índios adultos. Não existe nada que eles 'l
não possam fazer e não são alvo de nenhuma proibição por parte dos pais. Podem até se intro­
meter numa conversa bem séria ou mesmo numa briga. (Shopping News, 15 nov. 1987.)

Observe as palavras extraídas do texto; tudo, cada, seu, ele, essa, eles,
esse. Algumas dessas palavras como tudo, ele, eles substituem o nome, ou­
tras como cada, seu, essa, esse acompanham o nome. Todas essas palavras
destacadas do texto são pronomes.
Pronome pessoal reto. Anúncio do show estrelado
por Marília Pêra, veiculado nos jornais de São

Pronome é a palavra Paulo nos primeiros meses de 19 8 9 . 0 título

que representa o substantivo ou que o enfatiza a presença da grande atriz através do


pronome e/a.
acompanha, determinando-lhe a extensão
do significado. Os pronomes retos funcionam geralmente como sujeito;
Ele conta para o grupo o sonho que aprendeu com os espíritos.

De acordo com essas funções básicas, o pronome pode ser substantivo


ou adjetivo.
Pronome substantivo; substitui o substantivo. Por exemplo; o pronome
ele no texto está substituindo o substantivo curumim .
Pronome adjetivo; acompanha o substantivo. Exemplos; o pronome
cada está determinando o substantivo curumim; o pronome esse está deter­
minando o substantivo bando.

Classificação
Os pronomes classificam-se em pessoais, possessivos, demonstrativos, 0 anúncio aproveita as imagens conhecidas das personagens, tratando-as apenas pelos pronomes
indefinidos, interrogativos e relativos. Nesta unidade, vamos estudar apenas retos: o "mocinho" - eu - e o "bandido" - ele.
os pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos. F o n te ; I X A n u á rio do C lube de C riaçã o de S ão P aulo. São P suio, C íube de C riaçã o de São P aulo, 1 9 8 5 . p. 136.

☆ ☆ ☆
Pronomes pessoais
Os pronomes oblíquos funcionam como objeto ou complemento;
Substituem as três pessoas gramaticais. São sempre, portanto, prono­ O curumim conta-lhes o sonho. (O pronome oblíquo lhes é objeto indi­
mes substantivos. reto do verbo contar.)

96 97
☆ ☆ ☆ O pronome você é usado como pronome pessoal, embora tenha sido
utilizado antigamente como pronome de tratamento.
Os pronomes oblíquos podem ser:
a) átonos (empregados sem preposição):
Os curumins nos contam seus sonhos.
b) tônicos (precedidos de preposição): EMPREGO DOS PRONOMES PESSOAIS
Os curumins contam seus sonhos a nós.

☆ ☆ ☆ Pronomes pessoais retos


Os pronomes oblíquos o, a, os, as podem assumir as formas:
1. Os pronomes ele(s), ela(s), nós e vós podem funcionar como objeto direto
a) lo, la, los, las depois de verbos terminados em r, s, z: quando vierem precedidos de todo(s), toda(s), só, apenas, ou quando vie­
Os índios maiores costumam protegê-los. (proteger + os = protegê-los) rem seguidos de numeral:
O curumim contou sua história. Ouvimo-la várias vezes, (ouvimos +a = Visitei-as. Visitei todas elas.
ouvimo-la) Li-os. Li só eles.
O professor pediu que fizéssemos vários exercícios escritos para a semana Convocaram-nos. Convocaram nós dois.
que vem. Fi-los hoje mesmo, (fiz -I- os = fi-los)
2. Os pronomes retos de 3? pessoa (ele, ela, eles, elas) podem contrair-se
b) no, na, nos, nas depois de verbos terminados em ditongo nasal (am, em,
com as preposições de ou em:
ão, õe):
Cada curumim tem o seu sonho. Cada curumim tem-no. de + ele: dele em + ele: nele
Cada curumim tem os seus sonhos. Cada curumim tem-nos. de + ela: dela em + ela: nela
O curumim põe toda sua energia naquilo que faz. O curumim põe-na na­ de -t- eles: deles em +eles: neles
de + elas: delas em + elas: nelas
quilo que faz.
O curumim põe todas as suas energias naquilo que faz. O curumim põe- Essa contração não ocorre quando esses pronomes exercem a função de
-nas naquilo que faz. sujeito:
É capaz de ele não conseguir exercer o cargo, ponderou o diretor.
☆ ☆ ☆

Entre os pronomes pessoais podem-se incluir os pronomes de tratamen­


to. São pronomes de 2? pessoa, apesar de serem empregados com verbo na
pessoa: Pronomes pessoais oblíquos
1. Os pronomes pessoais oblíquos tônicos vêm sempre precedidos de prepo­
Abreviatura sição:
Pronome
singular plural
Emprego São todos muito ligados a m im. (Jornal da Tarde, 12 maio 1987.)
Seu desejo seria não voltar para casa nem para dentro de si mesmo. (Car­
você v. tratamento familiar los Drummond de Andrade)
Vossa Alteza V. A. VV. AA. príncipes, princesas, duques Portanto, segundo a norma culta, o correto é: entre mim e ti.
Vossa Eminência V. Em? V. E m f cardeais Entre mim e ti não há desentendimentos.
Vossa Excelência V. Exf V. E x f altas autoridades
2. As formas conosco e convosco serão substituídas por com nós e com vós
Vossa Magnificência V. Mag! V. M agf reitores de universidades
se estas vierem seguidas de numeral ou de palavras como todos, outros,
Vossa Majestade V. M. VV. MM. reis, imperadores mesmos, próprios, ambos:
Vossa Meritíssima usado por extenso juizes de direito
Vossa Reverendissima V. Rev“" V. Rev”"' sacerdotes Não fale mais conosco. Não fale mais com nós dois.
Vossa Senhoria V. S? V. S f altas autoridades (É bastante 3. Os pronomes pessoais oblíquos átonos podem ser utilizados com sentido
freqüente também na corres­ possessivo:

s.
pondência comercial.) Violaram-me a alma. (Violaram a minha alma.)
Vossa Santidade V. Papa Roubaram-nos o carro. (Roubaram o nosso carro.)

99
98
Pronomes possessivos Pronomes demonstrativos
Os pronomes possessivos indicam aquilo que pertence a cada uma das São pronomes que situam o ser no espaço e no tempo, tomando como
pessoas gramaticais: ponto de referência as três pessoas gramaticais.

Eu gostaria de saber amar. Muito. Completamente. E sempre. Sem misturar meus pre­
conceitos, meus receios, minha insegurança, meu medo, minha mesquinhez. (Leila Diniz)
Variáveis Invariáveis

este, esta, estes, estas isto


Singular Plural esse, essa, esses, essas isso
aquele, aquela, aqueles, aquelas aquilo
1? pessoa meu, minha, meus, minhas nosso, nossa, nossos, nossas

2? pessoa teu, tua, teus, tuas vosso, vossa, vossos, vossas Este, esta, isto indicam que o ser está próximo do falante:
3? pessoa seu, sua, seus, suas seu, sua, seus, suas Este lugar è meu.
Esse, essa, isso indicam que o ser está próximo do ouvinte:
Esse lugar é seu.
Aquele, aquela, aquilo indicam que o ser está afastado do falante e do
ouvinte:
Aquele lugar é dele.
As palavras o, a, os, as, mesmo, próprio, semelhante e tal podem ser
pronomes demonstrativos:
Escrava t u !... não o és, nunca o foste e nunca o serás. (Bernardo Gui­

% SúfiüS NOS
marães)
Não sabemos o que fazer.
Nunca cometemos semelhante besteira.

fORCA E
A UNE súmos nós, nossa
força e nossa vor. sbgan
da üriiio Nacional dos
Estudantes, numa EMPREGO DOS PRONOMES DEMONSTRATIVOS
utiiiiaçio inusitada do
pronome possessivo.
F o rã s: X X X I CONGFIESSO DA
1. Além da localização espacial já vista acima, os pronomes demonstrativos
ÜNE, E n c o n tro n a B ahia 79. também podem indicar localização temporal:
BrasOia, G aiilei, 1 9 7 9 , p. 1 3.
a) este, esta, isto indicam o tempo presente em relação ao falante:
Este ano está sendo muito difícil para mim.
b) esse, essa, isso indicam o tempo passado ou o futuro pouco distantes
EMPREGO DOS PRONOMES POSSESSIVOS em relação à pessoa que fala:
Esses anos passados não foram nada produtivos em termos de criação
Esses pronomes nem sempre indicam posse. Podem ter outros empre­ artística.
gos, como: c) aquele, aquela, aquilo indicam tempo muito distante em relação ao fa­
lante:
a) indicar afatividade: Naquela época eu ainda brincava de pião.
— Não faça isso não, meu filho.
b) indicar cálculo aproximado: 2. Localização no próprio contexto lingüístico:
Ele já deve ter seus setenta anos. a) para situar o que já foi expresso anteriormente: esse, essa, isso, prefe­
rencialmente:
c) atribuir valor indefinido ao substantivo: Esse assunto que acabei de explicar é relativamente fácil de com­
Ele tem lá seus defeitos, mas gosto muito dele. preender.

100
b) para situar o que vai ser expresso, utiliza-se este, esta, isto, de prefe­ 6. Substitua cada quadradinho pelo pronome demonstrativo adequado:
rência: a) Lamentavelmente o fato é □: no Brasil, setenta mil pessoas são vítimas de
O problema básico é este: a indisciplina de vocês está me levando a dei­ picadas de cobras venenosas, conforme estatísticas que não são muito
xar as aulas. confiáveis. Ainda assim, o número é assustador, principalmente tendo em
vista que a esmagadora maioria está no interior do país, em regiões de
difícil acesso, o que dificulta o atendimento rápido que □ casos exigem.
(Superinteressante, out. 1987.) este; esses
b) □ semana mesmo foi lançada nos Estados Unidos uma coletânea de contos
e relatos dos sobreviventes de Hiroxima. {Folha de S. Paulo, 12nov. 1986.)
Esta

7. Transcreva os pronomes demonstrativos:


1. Reescreva as frases abaixo, substituindo os quadradinhos pelos pronomes eu, a) O Brasil, que se recusou a assinar um tratado de não-proliferação, o fez
tu, mim ou tí: porque deseja possuir o domínio do átomo. E o quer, declaradamente,
para fins pacíficos. {Folha de S. Paulo, 12 nov. 1987.)
a) Prepare a vara de anzol e a latinha de minhocas para □ pescar, e»
b) T d posição não é defendida pela maioria da população brasileira.
b) Devolvam já todas essas revistas para □. mim
c) A máquina anulou o homem. Todos o sabem.
c) Já é hora de □ tomares uma decisão na vida, tu
d) O curumim é o que mais toca em toda a aldeia.
d) Faz algum tempo que entreguei o material para □. ti
e) Volte para □, suplicava ela insistentemente, mim

2. Reescreva as frases, substituindo o que estiver em destaque pelo pronome


oblíquo adequado; IV. REDAÇÃO
A ordem na dissertação: indução
a) Os repórteres vão anotando as expressões dos astronautas.
(Sérgio de Andrade) Os repórteres vao anotando-as.

b) E como ontem estivesse chovendo, tive a infeliz idéia, ao sair à rua, de calçar
um velho par de galochas. (Fernando Sabino) e como ontem estivesse chovendo, tive a Assim como na descrição podemos partir do geral para o particular e
infeliz idéia, ao sair à rua, de calçá-lo.
vice-versa, a exposição de idéias na dissertação admite o mesmo caminho.
c) O asmático costuma prever as mudanças de umidade atmosférica.
(Paulo Mendes Campos — adaptado) o asmático costuma prevê-ias. Nesse caso, estaremos trabalhando com dois métodos básicos de racio­
cínio: a indução e a dedução.
3. Reescreva as frases abaixo, substituindo os quadradinhos por dele ou de ele; Chama-se indução ao raciocínio que se baseia na observação de elemen­
a) O comportamento □ comoveu a todos os presentes, deie tos conhecidos, concretos (particular), para, através deles, chegar-se a uma
b) É hora □ tomar banho e ir para o colégio, de eie conclusão ou a uma hipótese possível sobre uma determinada idéia ou fato
c) Em vez □ prosseguir a negociação, interrompeu-a inexplicavelmente, de eie (geral).
d) A honestidade □ no trato com o dinheiro alheio não convence ninguém, deie Portanto, o raciocínio indutivo segue o seguinte esquema:

4. Siga o modelo: Particular, conhecido Geral, desconhecido


í Mandaram que eu saísse.
1 Mandaram-me sair.
a) Deixaram que ela falasse. Deixaram-na falar.
b) Permitam que eu fique nesta classe. Permítam-me ficar nesta ciasse.
c) Deixei que ele voltasse para casa. oeixei-o voitar para casa.
d) Deixem que nós demos nossa opinião. Deixem-nos dar nossa opinião.

5. Reescreva as frases abaixo, utilizando o pronome oblíquo no lugar do possessivo:


a) Tremiam as suas pernas. Tremiam-lhe as pemas.
b) Roubaram os meus documentos. Roubaram-me os documentos. A partir da observação de um fato concreto - imagens de atores na cama - a personagem Guillo
c) Arfa o teu peito. Arfa-te o peito. chega à conclusão de que há uma epidemia. É um exemplo de um processo - enganoso - de indução.
d) Beijo as suas mãos. Beijo-lhe as mãos. F o nte : Q U IN O . M a fa ld a , n. 9, B arcelo n a, Lum en, 1 9 7 7 . p. 1 2.

102 103
Suponha que você tenha sido incumbido de saber se os telespectadores

A poesia no Romantismo
preferem os filmes ou as telenovelas.
É claro que você pode dar uma resposta baseada na sua impressão, ou
apenas na sua experiência pessoal. Mas essa resposta não terá muito valor,

brasileiro (IV)
pois partiu apenas da sua impressão ou experiência individual. Você não te­
ria como provar sua conclusão.
O caminho correto seria fazer uma pesquisa com um número represen­
tativo de pessoas e, a partir daí, extrair uma conclusão.
Quando seguimos esse caminho, estamos utilizando o raciocinio induti­
vo: partimos de casos concretos, conhecidos (particular) para chegar a uma
conclusão (geral).
Observe como o redator da notícia seguinte utilizou esse método para o açoite bateu
poder escrever uma notícia verdadeira: o açoite ensinou
bateu tantas vezes
que a gente cansou.
Tanto cansou, entendeu
PÚBLICO PREFERE FILMES ÀS NOVELAS DE TELEVISÃO que lutar afinal
geral
é um modo de crer
Os filmes passaram à frente das telenovelas na preferência do público é um modo de ter
razão de ser
de TV. É o que revela uma pesquisa realizada pela Folha junto a 1123 pau- (Gianfrancesco Guarnieri —
particular dramaturgo brasileiro contemporâneo)
lístanos, estratificados por zonas geográficas, nível sócio-econômico, sexo
e idade. {Folha de S. Paulo. 1 jun. 1987.)*

Geral: telespectador prefere os filmes ás novelas.


Particular: a pesquisa feita pelo jornal, baseada em fatos observados.

Mesmo assim, você já deve ter concluído que a afirmativa geral vale
apenas para São Paulo, uma vez que a pesquisa foi feita nesta cidade.
* Professor: Se necessário, informar os alunos de que o titulo de uma notícia já é uma conclusão que foi generalizada a
partir de fatos particulares. O fato de ela aparecer primeiro não altera o tipo de raciocinio.

Proposta de redação

Escreva um parágrafo que termine com uma afirmativa de caráter geral,


aproveitando os dados fornecidos. Esses dados particulares devem, natu­
ralmente, aparecer em seu parágrafo. Você pode mudar a redação deles, se
quiser:

a) A programação diária de uma emissora comercial de televisão é a soma


dos horários que precisam ser vendidos aos anunciantes.

b) Os anunciantes só pagam bem se o programa tiver bom nível de audiên­


cia.

c) Os anunciantes consideram que programas de bom nível cultural têm Escravos (detalhe), litogravura
pouca audiência. de A. Kraft e F. Hohe.

104 105
Castro Alves (1847-1871) 5 Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
☆ Curralinho, hoje Castro Alves (BA) O mar em troca acende as ardentías
+ Salvador (BA) — Constelações do líquido tesouro...

Seu nome completo era Antônio Frederi­


co de Castro Alves. Estudou Direito em Re­ 3.^
cife e depois em São Paulo. Destacou-se co­
mo poeta revolucionário e declamador mui­ Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
to eloqüente. Morreu muito jovem, após 10 Desce mais, inda mais... não pode o olhar humano
uma vivência bastante boêmia. Como o teu mergulhar no brigue voador.
Obra: Castro Alves. Mas que vejo eu ali... que quadro de amarguras!
Poesia: Espumas flutuantes (1870); A cachoeira de Paulo Afonso (1876); Os escravos (1883). É canto funeral!... Que tétricas figuras!...
Teatro: Gonzaga ou a Revolução de Minas (1875) — drama histórico. Que cena infame e vil!... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!

Castro Alves é o poeta da liberdade, por denunciar desigualdades so­ 4?


ciais, lutando sempre a favor dos oprimidos. Nos seus poemas, mostra a
África chorando seus filhos escravizados na Europa e na América. 15 Era um sonho dantesco... O tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho,
A maioria dos poetas românticos explica a inadaptação ao mundo co­
Em sangue a se banhar.
mo resultado de conflitos interiores. Castro Alves, ao contrário, busca as
Tinir de ferros... estalar do açoite...
causas dessa problemática no desajuste do homem ao meio e na eterna luta
Legiões de homens negros como a noite,
entre opressores e oprimidos.
20 Horrendos a dançar...
A sua denúncia dos males da escravidão fez com que fosse denominado
“ o poeta dos escravos” . Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Além da poesia de caráter social, integram a obra do poeta baiano poe­
Rega o sangue das mães:
mas lírico-amorosos em que a visão do amor e da mulher é mais sensual. As
Qutras, moças... mas nuas, espantadas,
mulheres da poesia de Castro Alves, embora sempre belas e perfeitas, fogem
25 No turbilhão de espectros arrastadas,
ao padrão romântico de idealização, pois são mais concretas, mais materiali­
zadas. Em ânsia e mágoa vãs.
E ri-se a orquestra, irónica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
1. TEXTOS Faz doudas espirais...
30 Se o velho arqueja... se no chão resvala.
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
Seguem fragmentos de um dos mais conhecidos poemas de Castro Alves. Neste poema, o
autor denuncia os sofrimentos a que eram submetidos os escravos ao serem transportados para o E voam mais e mais...
Brasil. 0 poema divide-se em seis partes, das quais selecionamos algumas passagens: Presa nos elos de urna só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
35 E chora e dança ali!

A. O navio negreiro Um de raiva delira, outro enlouquece...


Outro, que de martirios embrutece,
Tragédia no mar Cantando, geme e ri!
No entanto o capitão manda a naanobra
1.^
40 E após, fitando o céu que se desdobra
'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço Tão puro sobre o mar.
Brinca o luar — doirada borboleta — Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
E as vagas após ele correm... cansam "Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Como turba de infantes inquieta. Fazei-os mais dançar!..."

106 107
r
45 E ri-se a orquestra irônica, estridente... Senhor Deus dos desgraçados!
E da roda fantástica a serpente Dizei-me vós. Senhor Deus!
Faz doudas espirais! Se eu deliro... ou se é verdade
Qual num sonho dantesco as sombras voam. Tanto horror perante os céus...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam! 95 Ó mar, por que não apagas
50 E ri-se Satanás!... Co'a esponja de tuas vagas
5.^ De teu manto este borrão?...
Astros! noite! tempestades!
Senhor Deus dos desgraçados! Rolai das imensidades!
Dizei-me vós. Senhor Deus! 100 Varrei os mares, tufão!...
Se é loucura... se é verdade
C a s t r o a lv e s , A n tô n io de. O navio negreiro.
Tanto horror perante os céus... In:Poesia. 4. ed. Rio de laneiro. Agir, 1972 p.
55 Ó mar! por que não apagas 74-82, (Col, Nossos Clássicos.)

Co'a esponja de tuas vagas


De teu manto este borrão?...
Astros! noite! tempestades!
Rolai das imensidades! Vocabulário:
60 Varrei os mares, tufão!...
vaga (s.f.): elevações da superfície do mar, que se
Quem são estes desgraçados, propagam em sucessão umas ãs outras
turba (s.f,): multidão em desordem
Que não encontram em vós.
infante (s,m.l: criança
Mais que o rir calmo da turba
firmamento (s,m,): céu
Que excita a fúria do algoz? ardentia (s.f,): fosforescência marítima
65 Quem são?... Se a estrela se cala, brigue (s.m.): antigo navio a vela
Se a vaga ã pressa resvala dantesco (adj.): que lembra as cenas horríveis
Como um cúmplice fugaz. descritas por Dante Alighieri no "Inferno '
Perante a noite confusa... de sua obra Divina comédia
tombadilho (s.m.): parte do navio destinada a
Dize-o tu, severa musa, alojamentos
70 Musa libérrima, audaz! luzerna (s,f.): grande luz: clarão
São os filhos do deserto algoz (s.m.): carrasco
fugaz (adj.): passageiro
Onde a terra esposa a luz.
libérrimo (adj,): superlativo absoluto sintético de
Onde voa em campo aberto livre
A tribo dos homens nus... mosqueado (adj.): que tem malhas escuras
75 São os guerreiros ousados, lúgubre (adj.): fúnebre
Que com os tigres mosqueados coorte (s,f,): parte de uma legião: multidão
Combatem na solidão... irrisão (s,f,): zombaria, escárnio
Homens simples, fortes, bravos...
Hoje míseros escravos Os negros amontoawam-se nos porões dos navios^
80 Sem ar, sem luz, sem razão... toíiga travessia da África para o Brasil D^etalhe de /Vei
Ontem plena liberdade, no porão de um navio, imagem clássica de Rugenaas.
A vontade por poder...
Hoje... cúm’lo de maldade
Nem são livres p'ra... morrer...
85 Prende-os a mesma corrente ESTUDO DO TEXTO F o nte ; A n e n o BrasH. 2 v, São Pauio, A b ri! C ultura!,
1 9 7 9 . p. 4 9 2 , V. 2.

— Férrea, lúgubre serpente —


Nas roscas da escravidão. 1. Nas duas primeiras estrofes, o poeta descreve um cenário. Que elementos da na­
E assim roubados à morte. tureza compõem esse cenário? M ar, luar, vagas, firmamento, astros.
Dança a lúgubre coorte 2. Que artifício o poeta utiliza para incluir o leitor no espaço físico onde ocorrerá o
90 Ao som do açoite... Irrisãoi... fato? Releia a primeira estrofe antes de responder, o poeta utiliza um verbo na primeira pes­
soa do plural — "stamos.
108 109
3. O cenário, equilibrado e harmonioso, sofre uma modificação a partir da terceira ESTUDO DO TEXTO
estrofe. Qual o elemento responsável por tal mudança? o navio negreiro.
1. Castro Alves foi um poeta renovador também no que diz respeito à maneira de
4. Na quarta parte, o eu-lirico recusa-se a admitir que aquilo que vê possa ser real. descrever a figura feminina. Releia as duas primeiras estrofes do texto e identifi-
Transcreva a expressão que conota essa recusa, “ sonho dantesco” ’ que o traço inovador nesse poema, a mulher é vista de maneira mais sensual, concreta.

5. Quem são as figuras humanas que compõem o sonho dantesco? Os escravos. 2. No poema faz-se referência a uma história de amor conhecida universalmente.
a) Que história de amor é essa? Romeu e Julieta, ae Shakespeare.
6. Identifique as figuras de estilo que ocorrem nos seguintes trechos:
b) Que adjetivo do primeiro terceto se relaciona com essa história? fwUvos. Lembrar
a) “ O tombadilho (...) em sangue a se banhar.” hipérbole ao aluno que Romeu e Julieta encontravam-se furtivamente, devido à oposição familiar que impedia sua união.
b) “ Legiões de homens negros como a noite” comparação
c) “ (...) a orquestra, irônica, estridente...” metáfora para gritos

7. Releia a primeira estrofe da quinta parte.


a) Transcreva os vocativos que aparecem nesse trecho. “ Senhor Deus dos desgraçados!”
n . UTERATUBA
“ Senhor Deus!” , “ Ó m a r!” , “ Astros!” , “ noite!” , “ tempestades!” , “ tu fão !”
b) Com que finalidade o poeta evoca esses elementos?
viagem.
8. Qual a figura de estilo que predomina na terceira estrofe da quinta parte? Por
Para que impeçam a continuação da

A poesia no Romantismo brasileiro (IV)


que o poeta a utiliza? Antítese, que realça a oposição entre liberdade e escravidão.
Terceira fase

B.
A terceira geração romântica produziu uma poesia marcada pela preo­
Primeira somara cupação de denunciar os problemas sociais. Nos textos desses poetas, o eu-
-lirico não se fecha em sua individualidade; projeta-se para o mundo exte­
M arieta ESPUMAS FLÜCTUANTIS. rior, descobrindo o sofrimento alheio, gerado por desequilíbrios de ordem
Como o gênio da noite, que desata nitidamente social. É a chamada poesia de caráter social que chega ao Ro­
O véu de rendas sobre a espádua nua, mantismo brasileiro.
Ela solta os cabelos... Bate a lua Vivendo num momento marcado pela decadência da monarquia, pela
Nas alvas dobras de um lençol de prata. luta abolicionista e pela campanha republicana, foi natural que esses poetas
DE CASTRO ALVES. tenham produzido obras que retratassem criticamente sua época. Dos diver­
5 O seio virginal, que a mão recata,
sos nomes que integram esse período, sobressai apenas o de Castro Alves. Os
Embalde o prende a mão... cresce, flutua... outros — Pedro Luís, Pedro Calasãs, Matias de Carvalho — não alcançaram
Sonha a moça ao relento... Além na rua
qualidade literária que justifique seu estudo.
Preludia um violão na serenata!...
Um resumo da poesia brasileira produzida na época do Romantismo
...Furtivos passos morrem no lajedo... aponta quatro tendências fundamentais;
10 Resvala a escada do balcão discreta 1. poesia de exaltação da pátria, da qual o in- 3. poesia do mal-do-século;
Matam lábios os beijos em segredo... dianismo é a forma mais representativa; 4. poesia social.
Afoga-me os suspiros, Marieta! 2. poesia lírico-amorosa;
Ó surpresa! ó palor! ó pranto! ó medo! B A H IA
Ai! noites de Romeu e Julieta!...
C a s t r o A lv e s , A n tô n io de. Os anjos da meia-
-noite. In: Poesia. 4 . ed. Rio de janeiro, Agir,
1972. p. 59. (Col. Nossos Clássicos.)

Capa da primeira e d iç io de 1. No fragmento abaixo evidencia-se uma das características mais marcantes da
Vocabulário: Espumas flutuantes, publicada na terceira fase romântica. Identifique-a.
espádua (s.f.): ombro Baliia^em 1 8 7 0 .
A praça! A praça é do povo Desgraçada a populaça
recatar (v.t.d.): encobrir, ocultar F o nte ; H is tó ria da tip o g ra fia n o B rasil.
São P aulo, M u se u de A rte de São Paulo, Como 0 céu é do condor Só tem a rua de seu...
embalde (adv.): em vão, inutilmente, debalde 1 9 7 9 . p. 1 61 .
É 0 antro da liberdade Ninguém vos rouba os castelos poesia de caráter social
preludiar (v.t.d.): iniciar: ensaiar antes de começar
a cantar ou a tocar Cria águias em seu calor. Tendes palácios tão belos
palor (s.m.): palidez Senhor!... pois quereis a praça? Deixai a terra ao Anteu. (Castro Alves)

10
No seio do povo rebentam as imaginações como flores de loucura, esses sambas choran­
2. Considere as seguintes características da poesía romántica brasileira. Depois,
do, esses batuques heróicos, essa invenção incessante onde se despeja toda a fantasia, toda a tris­
identifique, dentre os autores nomeados, aquele em que cada traço aparece com
maior evidência: teza, toda a opressão dos homens. (Muniz Sodré).
— compromisso com a revolução social pré-republicana castro .Mves
— mal-do-século Álvares de Azevedo Variáveis Invariáveis
— ruptura com o Classicismo, principalmente a nível teórico Gonçalves de Magalhães
— saudosismo casimiro de Abreu algum, alguma, alguns, algumas alguém
— indianismo Gonçalves Dias nenhum, nenhuma, nenhuns, nenhumas ninguém
todo, toda, todos, todas tudo
a) Casimiro de Abreu d) Gonçalves de Magalhães outrem
outro, outra, outros, outras
b) Gonçalves Dias e) Álvares de Azevedo muito, muita, muitos, muitas nada
c) Castro Alves pouco, pouca, poucos, poucas cada
certo, certa, certos, certas algo
3. A busca de paralelo entre sentimentos e descrições da natureza fica evidente em vário, vária, vários, várias
um dos trechos seguintes. Identifique-o. tanto, tanta, tantos, tantas
a) Parece que chorei... Sinto na face quanto, quanta, quantos, quantas
Uma perdida lágrima rolando... qualquer, quaisquer
Satã leva a tristeza! Olá, meu pajem,
Derrama no meu copo as gotas últimas Locuções pronominais indefinidas
Dessa garrafa negra... (Álvares de Azevedo)
b) Criatura de Deus, ó mãe saudosa, cada um, cada qual, quem quer que seja, quem for, seja qual
No silêncio da noite e no retiro for etc.
A ti voa minh’alma esperançosa
E do pálido peito o meu suspiro! (Álvares de Azevedo)
é
c) Minh’alma triste como a flor que morre
Pendida à beira do riacho ingrato... (Fagundes Varela)
trecho c
EMPREGO DOS PRONOMES INDEFINIDOS
4. Identifique, nos trechos da questão anterior, aquele em que predomina o mal-do-
-Século. trecho £7 1. algum
a) anteposto ao substantivo, tem valor positivo:
Não importa a quantia, o que importa é que eu receba algum salário.
b) posposto ao substantivo, tem valor negativo:
Homem algum precisa apenas de um pequeno salário para viver.
III. m ãM K JlC K {Folha de S. Paulo)

Pronome (II) 2. certo


a) é pronome indefinido quando antecede o substantivo:
Classificação (continuação) Este emprego não é adequado para certos indivíduos.
b) é adjetivo quando posposto a um substantivo:
Na unidade anterior, foram estudados os pronomes pessoais, possessi­ Você escolheu o indivíduo certo para este emprego.
vos e demonstrativos.
Vamos ver, agora, os pronomes indefinidos, interrogativos e relativos.
3. nada
a) normalmente tem valor negativo:
Pronomes indefinidos Nada me tira desta cidade.
Os pronomes indefinidos referem-se à 3? pessoa gramatical de maneira b) tem valor positivo (= alguma coisa) em frases interrogativo-negativas:
indeterminada, vaga: Você não vai comer nada?
Nada é fácil em Fernando de Noronha. Tudo depende do continente, importado através
c) tem valor de advérbio quando vem junto de um adjetivo:
de vôos mensais da FAB. {Folha de S. Paulo) Nada convincentes foram seus argumentos.
4. todo
O antecedente do pronome relativo pode não vir expresso:
a) seguido de artigo definido, tem o significado de inteiro, inteira:
Toda a cidade enfím se iluminou. (Chico Buarque) Quem tudo quer, tudo perde.
b) se não vier seguido de artigo definido, tem o significado de qualquer: Quem espera, nunca alcança. (Chico Buarque)
Toda cidade se ilumina em dias de festa.
Variáveis Invariáveis

Pronomes interrogativos o qual, a qual, os quais, as quais que


cujo, cuja, cujos, cujas quem
São os pronomes que, quem, qual e quanto (também indefinidos) em­ quanto, quanta, quantos, quantas onde
pregados na formulação de perguntas. Essa pergunta pode ser direta ou indi-
reta.
EMPREGO DOS PRONOMES RELATIVOS
a) direta:
O que houve com você? Aconteceu 1. o antecedente do pronome relativo pode ser o pronome demonstrativo o,
alguma coisa no baile? (Luis Fernan­ a, os, as:
do Veríssimo) Não sei ao certo o que quero fazer.
b) indireta: Bem-aventurados os que fazem o carnaval. (Rubem Braga)
Gostaria de saber o que houve com
você. 2. O pronome relativo que pode ser substituído por o qual, a qual, os quais,
as quais, quando seu antecedente for um substantivo:
Este foi o fato que presenciei. (= o qual)
Esta foi a cena que presenciei. (= a qual)
A repstifio do pronome intarrogativo qmm p ro u a Estes foram os fatos que presenciei. (= os quais)
ciássica sxpressio qmm é ijuem. ie s ta capa, Estas foram as cenas que presenciei. (= as quais)
misturando as tetras O com o sinal de porcsntapm ,
a rai'ista reforça airiíJa mais a curiosidade em torno 3. O pronome cujo tem valor possessivo e equivale a do qual, de quem, de
das pissoas de destaque do mundo financeircf. que:
F onte; R e vista Visão. n. esp. " Q u e m é q u e m na e con om ia Não consigo entender esse autor cujo texto é muito complexo.
b ra s íle irs ", São P aulo, V isã o , ago. 1 9 8 3 . / q
Q im ii O Q im n m i O pronome concorda em gênero e número com a coisa possuída:

Pfonomes relativos 1 Não consigo entender


Não consigo entender
Não consigo entender
esse autor cujosjratos são muito complexos.
esse autor cuja obra é muito complexa.
esse autor cujas obras são muito complexas.
Referem-se a termos já expressos e introduzem urna oração subordina­
da adjetiva: 4. Podem ser utilizadas como pronomes relativos as palavras:
Trata-se de um edificio que não se pode destruir. a) como (= pelo qual)
oração subordinada Não gostei do modo como você falou comigo.
O pronome relativo que refere-se a edificio e introduz uma oração su­ b) quando (= em que)
bordinada a essa palavra. Boa era a época quando não havia essas invenções.
Diz-se que a palavra edificio é antecedente do pronome relativo que.

Outros exemplos:
Einstein, o homem que modestamente mudou o mundo. {Superinteres-
santé) 1. Classifique os pronomes em destaque nos textos seguintes:

São pessoas com as quais simpatizo. a) Galápagos ~ Uma viagem encantada às ilhas onde Darwin encontrou as evidências que susten­
Eu quero urna casa no campo onde eu possa cantar muitos “ rocks-ru- tariam sua teoria da evolução. Em pleno Oceano Pacífico, na altura do Equador, algumas es­
pécies que parecem recém-saídas da pré-história ocupam uma paisagem lunar de clima quente e
rais” . (Zé Rodrix)
águas frias. (Superínteressanté) onde = pronome relativo; algumas = pronome indefinido
114
b) Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta.Todo dia ela passava pela fronteira 2. Fazemos uma relação de fatos e provas (elementos concretos, conhecidos,
montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoalda Alfândega — ludo observáveis): o particular. Entrevistamos duzentas pessoas de religiões di­
malandro velho — começou a desconfiar da velhinha. (Stanislaw Ponte Preta) Todo, tudo = pro­ ferentes e todas elas acreditam na imortahdade da alma, na existência de
nomes indefinidos
um ser superior que criou o universo. Entrevistamos um número x de sa­
c) Vá perguntar ao seu fregués do lado qual foi o resultado do futebol. (Noel Rosa) qual = pronome
interrogativo cerdotes, e todos eles afirmaram que enfatizam em suas pregações a imor­
talidade da alma e a existência de um ser superior (o Criador).
2. Transforme os dois períodos simples num composto, conforme o modelo.
3. Se as coisas ocorrerem assim, a hipótese abstrata, geral, confirma-se.
Preste atenção para o emprego do pronome relativo.
Transforma-se numa verdade.
I Desconheço os falos. Você se referiu aos fatos.
1 Desconheço os fatos a que você se referiu. Se as entrevistas e pesquisas ocorrem de forma diferente, a hipótese ge­
ral é descartada, pois não foi comprovada pelos fatos particulares.
a) Você me apresentou as propostas. Discordo totalmente dessas propostas, você
me apresentou as propostas de que (das quais) discordo totalmente.
b) Acabo de receber uma carta. A carta não tem assinatura. Acabo de receber um a carta
que não tem assinatura.

c) São indivWuos muito pretensiosos. Não confio nesses indivíduos. São indivíduos
muito pretensiosos em quem (nos quais) não confio.
d) Eis os últimos dados da inflação. Precisamos desses dados urgentemente, eís os
Últimos dados da inflação de que (dos quais) precisamos urgentemente. Proposta de redação
e) L a e s ta . a p e s s o a . N ã o s i m p a t i z o c o m e s s a p e s s o a . L á está a pessoa com quem (com a qual)
não simpatizo.
f) Porta de entrada entre a Europa e a Ásia, está a velha cidade luso-chínesa de Nós fornecemos a frase inicial, que expressa a hipótese, o abstrato
Macau. Nunca estive em Macau. {Folha de S. Paulo) ... luso-chinesa de Macau onde (geral). Você desenvolve o tema. Se quiser, utilize as informações concretas
nunca estive.
(particular) que listamos.
g) São estes os recursos. O Brasil dispõe destes recursos. São estes os recursos de que (dos
quais) o Brasil dispõe. Ao redigir o texto, comece com a frase que fornecemos inicialmente, se
você concordar com ela, naturalmente. Caso contrário, a hipótese deixa de
3. Transforme os períodos simples abaixo num só período composto, empregando ter validade. Então, escreva o texto rejeitando-a.
o pronome relativo cujo;
a) Morreu o escritor Carlos Drummond de Andrade. Suas obras sempre me
Frase inicial:
impressionaram. Morreu o escritor Carlos Drumm ond de Andrade cujas obras sempre me impressio­
naram. As sociedades indígenas são extremamente simples do ponto de vista de
b) A prefeitura mandou cortar as velhas árvores da minha rua. As raizes dessas sua tecnologia. No entanto, são extremamente avançadas em termos de justi­
árvores eram imensas, a prefeitura mandou cortar as velhas árvores da minha rua cujas raízes eram ça social. (Aracy Lopes da Silva — adaptado)
imensas.

c) Foi à falência a empresa. Em sua contabilidade foram detectados vários


problemas. Foi à falência a empresa em cuja contabilidade foram detectados vários problemas. Informações particulares, concretas:
a) Nas sociedades indígenas, o meio essencial de produção — que é a terra
— pertence à coletividade.
b) As tarefas ligadas à produção de alimentos são definidas em função do se­
1¥. REDAÇÃO xo. H á tarefas masculinas e femininas, mas isso não chega a criar uma de­
sigualdade entre homens e mulheres.

A ordem na dissertação: dedução c) Quando há festas ou rituais, os preparativos incluem muito trabalho extra
para produzir excedentes que serão consumidos nos dias de festa.
d) Não existe dinheiro e não há compra e venda: tudo se faz na base de tro­
o tipo de raciocínio conhecido como dedução segue o caminho inverso cas recíprocas.
ao da indução. Portanto, no raciocínio dedutivo partimos do geral para o e) Por terem igual acesso às riquezas de suas terras, as pessoas não estão
particular, do desconhecido para o conhecido: preocupadas em lucrar, acumular, juntar riquezas.
Geral ----------------- ► Particular f) Conhecendo detalhadamente seu ambiente, o índio explora-o racional­
Desconhecido ----------- ► Conhecido mente, de modo a impedir a destruição do equilíbrio ecológico.
Siga os passos de aplicação de um raciocínio dedutivo: g) Todas as pessoas da tribo conhecem todo o processo de produção dos
1. Formulamos uma hipótese abstrata, de caráter geral: as religiões, todas bens que julgam essenciais à sua vida.
elas, têm sempre dois aspectos e falam basicamente das mesmas coisas. (Trechos adaptados de SILVA, Aracy Lopes da, org. A questão indígena na sala de aula. São Paulo, Brasiliense, 1987.)
116 .17
Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882)

A prosa no Romantismo
/ / l ã / t f i / c '^
☆ Itaboraí (RJ)
+ Rio de Janeiro (RJ)

orasileiro (I)
Formou-se em Medicina pela Faculdade
do Rio de Janeiro. Junto com Araújo Porto
Alegre e Gonçalves Dias, fundou a revista
Guanabara. Foi também professor do Colé­
gio Pedro II, cargo que ocupou até a morte.
Obra:
Além da Terra, além do Céu, Romance: A Moreninha (1844); 0 Moço
no trampolim do sem-fim das estrelas, Loiro (1845); Dois amores
no rastro dos astros, (1848); A luneta mágica (1869).
na magnólia das nebulosas. Teatro: 0 cego (1849) — drama; 0 fantas­
Além, muito além do sistema solar, ma branco (1856); 0 primo da Ca­
até onde alcançam o pensamento e o coração, lifórnia (1858). Joaquim ia n u e ! de Macedo.
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política
o verbo sempreamar,
1. TEXTO
o verbo pluriamar,
0 romance A Moreninha foi publicado em 1844. 0 enredo é o seguinte: três estudantes
razão de ser e de viver.
— Augusto, Leopoldo e Fabrício — passam o Dia de Sant’Anna na casa da avó de Felipe, ami­
(Carlos Drummond de Andrade — go dos três. Augusto apostou que, se ficasse apaixonado por uma mulher durante mais de quinze
poeta brasileiro modernista) dias, escreveria um romance contando como foi tal paixão. Acaba conhecendo dona Carolina (a
Moreninha), por quem se apaixona. 0 obstáculo à união dos dois era uma promessa de fidelida­
de feita por Augusto a uma menina que conhecera há algum tempo e cujo paradeiro e identidade
desconhecia. No final, dá-se a coincidência que resolve o conflito: a tal menina era a própria
Moreninha.

A Moreninha
Uma vez Augusto e Carolina, que iam adiante, ficaram distantes do par
que os seguia.
Estes ieques do
século XIX sio A mão da bela Moreninha tremia convulsamente no braço de Augusto
confeccionados com e este apertava às vezes contra seu peito, como involuntariamente, essa deli-
varetas de marfim e 5 cada mão: alguns suspiros vinham também perturbá-los mais e havia dez mi­
niadrepéroía branca, nutos eles se não tinham dito uma palavra.
entalhadas e com Em uma das ruas do jardim duas rolinhas mariscavam; mas ao sentirem
incrustações de passos, voaram e pousando não longe, em um arbusto, começaram a beijar-
metai dourado, Um 'Se com ternura; e esta cena se passava aos olhos de Augusto e Carolina!...
deles é feito com
plumas brancas de
10 Igual pensamento, talvez, brilhou em ambas aquelas almas, porque os
avestruz. olhares da menina e do moço se encontraram ao mesmo tempo e os olhos
da virgem modestamente se abaixaram e em suas faces se acendeu um fogo, 55 — Senhor!...
que era o do pejo. E o mancebo, apontando para ambos, disse: — Um só nome lhe peço!...
— Eles se amam! — É impossível!... eu não posso...
15 E a menina murmurou apenas: — Se eu perguntasse?
— São felizes! — Oh!... não!...
— Pois acredita que em amor possa haver felicidade? 60 — Serei eu?...
— Às vezes. A virgem trem.eu toda e não pôde responder. Augusto lhe perguntou
— Acaso já tem a senhora amado? ainda, com fogo e ternura:
20 — Eu?!... e o senhor? — Serei eu?...
— Comecei a amar há poucos dias. A interessante Moreninha quis falar... não pôde, mas, sem o pensar, le-
65 vou o braço do mancebo até ao peito e lhe fez sentir como o seu coração
A virgem guardou silêncio e o mancebo, depois de alguns instantes,
palpitava.
perguntou tremendo:
— E a senhora já ama também? — Serei eu?... perguntou uma terceira vez Augusto, com requintada ter­
nura.
25 Novo silêncio; ela pareceu não ouvir, mas suspirou. Ele falou menos
A jovenzinha murmurou uma palavra que pareceu mais um gemido do
baixo:
70 que uma resposta, porém que fez transbordar a glória e o entusiasmo da al­
— lá ama também?... ma do seu amante: ela tinha dito somente:
Ela baixou ainda mais os olhos e com voz quase extinta disse:
— Talvez.
— Não sei... talvez. M acedo, loaquim Manue! de. A Moreninha. 9. ed.
30 — E a quem?... São Paulo, Ática, 1979. p. 108-10.

— Eu não perguntei a quem o senhor amava.

MO
— Quer que lho diga?... Vocabulário:
— Eu não pergunto. mariscar (v.i.): catar ou ciscar insetos

GENT0UnADE
pelo chão
— Posso eu fazê-lo?
pejo (s.m.): pudor, timidez, vergonha
35 — Não... não lho impeço.

AMgREIÜA
— É a senhora.

D, Carolina fez-se cor-de-rosa e só depois de alguns instantes pôde per­


guntar, forcejando um sorriso:
— Por quantos dias?
40 — Oh! para sempre'!... respondeu Augusto, apertando-lhe vivamente o
braço. ‘Depois ainda continuou:
— E a senhora não me revela o nome feliz?...
— Eu não... não posso...
— Mas por que não pode?
45 — Por que não devo.
— E nunca o dirá?!
— Talvez um dia.
— E quando?...
— Quando estiver certa que ele não me ilude.
50 — Então... ele é volúvel?...
A atriz Marília Pêra no papel de Caroiina,
— Ostenta sê-lo...
em 1S 8 8, num musicai baseado no
— Oh!... pelo céu!... acabe de matar-me!... basta o nome pronunciado romance,
bem em segredo, bem no meu ouvido, para que ninguém o possa ouvir, nem F o nte : M a n c h e te . Rio de Ja n e iro , B !och, 2 6 ju n .
a brisa o leve... pelo céu!... 1 9 6 9 - p. 4 9 .

120
ESTUDO DO TEXTO
1. Que fato desencadeou o diálogo entre o casal? Duas rolinhas que mariscavam no jardim.

2. Num outro trecho do romance, ocorre a seguinte afirmativa: “ O maior inimigo


do amor é a civilidade...” Você acha que no trecho lido reaparece essa idéia?
Justifique sua resposta. Sim, pois a cena se passa num jajdim c o casal está isolado das demais pessoas.

3. Qual a condição imposta por Carolina para revelar o nome do amado? A certeza de
que ele não a iludia.
4. Releia as expressões que o narrador utiliza para nomear Carolina (linhas 3, 11,
12, 15, 22, 61, 64, 69). A que conclusão você chega? o aluno deverá consiaiai q u e apersona- Depois dã fssta, óleo de
gem é idealizada. Almeida Jr. que mostra
5. Transcreva duas reações que demonstrem a timidez da personagem feminina, “a moça de ares românticos
mão (...) tremia convulsamente no braço de Augusto” (linha 3); “ Ela baixou ainda mais os oihos’ ' (iinha 28); ' ‘D. ao toucador.
Carolina fez-se cor-de-rosa” (linha 37).
F o nte ; M AR C O N D ES , M .A ., org.
G randes a rtis ta s b ra sile iro s:
A lm e id a J r. São P aulo, A rt
E ditora, 1 9 8 5 .

II. LITERATURA
Macedo é considerado o criador do romance urbano ou de costumes,

A prosa no Romantismo brasileiro (I) gênero muito cultivado posteriormente por outros escritores românticos.

É muito comum confundir romance com Romantismo. O romance é


um tipo de narrativa que já existia antes do Romantismo.
Na Europa, os escritores românticos utilizaram-se do romance para di­
fundir as novas tendências literárias do século X IX . Com a chegada do Ro­ 2
’' - ze^€ ¿c¿oá'
mantismo, o romance europeu, que já existia desde o século X V III, sofreu
1■ o que representa o Romantismo para a história do romance brasileiro? O romance
alterações importantes em suas características básicas. foi introduzido no Brasil na época do Romantismo.

No Brasil, o Romantismo exerceu influência ainda maior, visto que esse


2. O primeiro contato entre Carolina e Augusto, em A M oreninha, teve lugar em
estilo de época coincidiu com o surgimento do romance brasileiro. Antes do
um baile. O baile é uma ocorrência muito freqüente nos romances urbanos do
Romantismo, foram raros os textos em prosa que sequer se aproximavam Romantismo. Como você justifica essa ocorrência? ÁS mulheres viviam mais ou menos reclu­
desse tipo de narrativa. Isso significa que, no Brasil, o romance nasceu ro­ sas no ambiente doméstico, sob vigiíância dos pais. Sem bailes, dificilmente poderia haver namoro e casamento,
(iáriio Broca)
mântico.
O primeiro romance brasileiro foi A filha do pescador
(1843), de Teixei­
3. Leia a descrição da Moreninha tal como ela apareceu no baile em que conheceu
Augusto:
ra e Sousa. Foi com Joaquim Manuel de Macedo, entretanto,
que surgiu o
verdadeiro romance brasileiro. A Moreninha
garante-lhe o pioneirismo de
Hábil menina é ela! Nunca seu amor-próprio produziu com tanto
estudo seu toucador e, contudo, dir-se-ia que o gênio da simplicidade a toucador: espécie de cômoda enci-
fato nesse gênero literário. Sua obra fixa os costumes da sociedade carioca penteara e vestira. Enquanto as outras moças haviam esgotado a pa­ mada por um espelho
do tempo, atendendo à expectativa do leitor burguês, que lia com prazer as ciência de seus cabeleireiros, posto em tributo toda a habilidade das mo­
histórias que transcorriam nos cenários que lhe eram conhecidos e onde se distas da rua do Ouvidor e coberto seus colos com as mais ricas e pre­ Ouvidor: nome de uma rua no
via retratado como personagem. ciosas jóias, D. Carolina dividiu seus cabelos em duas tranças, que dei­ Rio de Janeiro

O fragmento seguinte, de A Moreninha,


ilustra essa característica: xou cair pelas costas; não quis ornar o pescoço com seu adereço de bri­
lhantes nem com seu lindo colar de esmeraldas; vestiu um fim'ssimo mas
adereço: ornamento, enfeite

simples vestido de garça, que até pecava contra a moda reinante, por garça: tipo de tecido muito ralo
E 0 mais é que nós estamos num sarau: inúmeros batéis conduziram saran: festa notnrna, em casa par­
ticular, clube ou teatro não ser sobejamente comprido. Vindo assim aparecer na sala, arreba­ sobejameníe; demasiadamente,
da corte para a ilha de (...) senhoras e senhores, recomendáveis por caráter baíel: pequeno barco tou todas as vistas e atenções. excessivamente
e qualidade: alegre, numerosa e escolhida sociedade enche a grande casa,
que brilha e mostra em toda a parte borbulhar o prazer e o bom-gosto. a) Que princípio romântico presidiu a elaboração dessa P Ê rS O tlâ - ^ C in ? a íd.eaiiz.ação
da figura feminina.
Entre todas essas elegantes e agradáveis moças, que com aturado aturado: constante, persistente
empenho se esforçam por ver qual delas vence em graças, encantos e b) Qual é, segundo o trecho, a característica de Carolina que a diferencia das
donaires, certo que sobrepuja a travessa Moreninha, princesa daquela festa. donaire: elegância demais jovens? a simplicidade.

122 123
Pronomes indefinidos
iiL G m m ã m tK Tudo me irrita nesta classe.
Alguém lhe deu a resposta.
c) nas orações iniciadas por pronomes ou advérbios interrogativos:
Pronome (III) Quem te falou semelhante asneira? (pronome interrogativo)
Por que o torturaram? (advérbio interrogativo)

Colocação dos pronomes oblíquos átonos d) nas orações iniciadas por palavras exclamativas e nas optativas (orações
que exprimem desejo):
Como me recordo da minha infância! (oração exclamativa)
Deus te ajude! (oração optativa)
e) nas orações subordinadas:
... os homens, embora
se façam de fortes,
se façam de grandes,
no fundo carecem
de aurora e de infância... (Thiago de Mello)
JIM 17Avrt&
Aguardo que me respondam com sinceridade.
Orson, tira de Jim Davis. F o nte : /-o//)a de S. P aulo, 1 6 set. 1 3 8 7 .
f) com o gerundio precedido de preposição em:
Observe que o pronome oblíquo me está colocado depois do verbo Em se tratando de assuntos econômicos, dirija-se ao nosso contador.
(colha-me). Ele também pode ser colocado antes do verbo (espero que me co­ g) nas orações coordenadas sindéticas alternativas:
lha) ou no
meio do verbo (colher-me-á). Ou se estuda, ou se trabalha.
Todos os pronomes oblíquos átonos (me, te, se, lhe, o, a, nos, vos, os,
as, lhes) podem ocupar três posições com relação aos verbos. Essas três colo­ h) nas orações introduzidas por pronomes relativos:
cações dos pronomes chamam-se respectivamente: Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a car­
ta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento.
a) próclise (antes do verbo);
(Rubem Braga)
b) mesóchse (no meio do verbo);
c) ênclise (depois do verbo).
Na língua falada e escrita no Brasil hoje, não se têm regras fixas e rígi­
das de colocação pronominal. No entanto, segundo a gramática normativa, Mesóclise
herdada de Portugal, as principais regras de colocação são as seguintes:
Emprega-se a mesóclise quando o verbo estiver no futuro do presente
ou no futuro do pretérito, desde que não haja nenhuma palavra que exija a
Próclise próclise:
Colher-se-á a rosa.
Geralmente ocorre a próclise: Colher-se-ia a rosa.
a) em orações que contenham uma palavra ou expressão de valor negativo
(não, nunca, nada, ninguém etc.):
Os elefantes não se
queixam do peso dos anos. (Affonso Romano de
Ênclise
Sant’Anna)
Nada nos deterá. Em geral, emprega-se a êncHse:
b) nas orações em que haja advérbios ou pronomes indefinidos, sem que
a) com verbos no inicio do período:
exista pausa:
Advérbios
Debrucei-me na grade de madeira carcomida. (Lygia Fagundes Telles)
Ela jamais me disse o que pensa a meu respeito. Observação: No português falado e escrito no Brasil, é comum iniciar ora­
Assim se transformam os homens. ção com pronome oblíquo átono:

124 125
Me disseram, porém, b) Com palavra que exija a próciise
que eu viesse aqui O pronome, nesse caso, pode ser colocado antes ou depois da locução:
pra pedir em romaria e prece Não me deixaram entrar na sala de aula. (antes da locução)
a paz nos desavenios... Esse fato não deveria provocá-los? (depois da locução)
(Renato Teixeira)
Observação: É freqüente no português do Brasil colocar o pronome no meio
da locução, ligado ou não por hífen:
Posso te contar uma anedota, mãe? (Lygia Fagundes Telles)
O chocolate foi-se transformando numa massa viscosa e amarga. (Lygia
Fagundes Telles)
o X il^ f R O P » E : S Ã O J O Ã O
Não quero te dizer a verdade.
E' 0 B SiH i p iia l is s í, Bm chíies i CMSlipi{Ses.

■nvu AKecian do Ptiu) < d> G«r(«nia


res»’st;f«r«K:
du aa mtinmnutnn e im mJuuii 14 f\ilmaci
.. . - _
ÊncUse. Anúncio publicado m fím s ta da Semana, em >*c;4nmcti BÍ«t iSe Oiqueluche'^pilSt^
(•raiOei<uiduu D>m>«udi>P^liu. VERBO PRINCIPAL NO PARTICIPIO
l i 0 0 . ia q y ila época, ijsawa-se a in c lis e na teoria e na
I«m uf Ajb t.TO 7« jio ,C it-
prática. Quando o verbo principal estiver no participio, o pronome obliquo áto­
F o n te : 1 0 0 a n o s á e p ro p a g a n d a . São P aulo, Â b rií C u itu ra i. 1 9 8 0 . p. 16. no não poderá vir depois dele. Exemplo:
Os índios tinham-se rebelado.
b) com verbos no modo imperativo afirmativo;
A locução verbal pode vir ou nãç precedida de palavra que exija a pró­
Diga, diga-me o que está sentindo.
ciise.
c) com verbos no gerundio, desde que não venham precedidos da preposição
a) Cora palavra que exija a próciise
em:
O pronome deverá ser colocado antes da locução:
— Acho bom sair daqui já — disse atropeladamente, estendendo-lhe a Ainda não me haviam comunicado o fato.
mão.
b) Sem palavra que exija a próciise
d) com verbos no infinitivo impessoal: O pronome deverá ser colocado no meio da locução:
O ato de perfumar-se é um dos mais duradouros costumes do ser huma­ Sua saúde tem-me preocupado muito.
no. {Jornal da Tarde)
Observação: Se houver pausa depois do advérbio, emprega-se a ênclise. Se o
verbo estiver no futuro, emprega-se a mesóclise:
Aqui, trabalha-se. 1. Indique nas frases que seguem se ocorre a próciise, mesóclise ou ênclise;
Amanhã, trabalhar-se-á. a) Conhecemo-nos apenas no último ano da escola. (Clarice Lispector) êncUse
b) Ouviu-se um grito agudo. (Érico Veríssimo) ênclise
c) Ninguém te obriga ir aonde não queres. (Érico Veríssimo) próciise
Colocação dos pronomes oblíquos átonos d) Suplicar-lhe-ei que aceite a minha riqueza. (José de Alencar) mesóclise
em locuções verbais e) Já se foi o tempo em que não deixar impressões digitais era meio caminho
andado para um criminoso ficar impune. {Superinteressante 3) próciise
As locuções verbais podem ter o verbo principal no infinitivo, no gerun­
dio ou no participio. 2. Passe as frases abaixo para a forma negativa;
a) Procuram-se talentos. {Folha de S. Paulo) Não se procuram ialemos.
b) Encontraram-no caído no chão. Não o encontraram caído no châo.
VERBO PRINCIPAL NO INFINITIVO OU NO GERÚNDIO c) Queixamo-nos da atuação do presidente. Não nos queixamos da atuaçao do presídeme.

d) C o m u n i c a r a m - l h e s o o c o r r i d o . Não Ihes comunicaram 0 ocorrido.

a) Sem palavra que exija a próciise 3. Reescreva as frases, colocando junto ao verbo em destaque o pronome indicado
Nesse caso, em geral, o pronome ,é empregado depois da locução: entre parênteses;
Pensei em falar-lhe assim que entrei na barca. (Lygia Fagundes Telles) a) Contendo para não dar um forte pontapé na poltrona da frente, ele enrolou
Aqueles moleques estavam importunando-me continuamente. o pulôver como uma bola e sentou em cima. (Lygia Fagundes Telles) (se, se)
C ontendo-se... sentou-se...

126 127
b) O velho, um bêbado esfarrapado, deitara de comprido no banco, dirigira então o risco de produzir um texto muito genérico ou, no outro extremo,
palavras amenas a um vizinho invisível e agora dormia. (Lygia Fagundes com excesso de detalhes.
Telles) (se) .. de¡tara-se... A seleção de detalhes ou pormenores vai depender de diversos fatores: a
que tipo de leitor se destina o texto, o objetivo de quem escreve, os aspectos
c) Foi chegando devagarinho, devagarinho. (Antônio de Alcântara Machado)
que o autor do texto quer enfatizar etc.
(se) Foi-se chegando...

d) O pavor estrangulava os homens, reduzindo ao silêncio. (Érico Veríssimo)


(os) ••. redu2indo-os...
SoMoiH^iR
OSçmm
e) Essa menina nunca deu um copo d’água.(Dalton Trevisan) (me) ... me deu... ScQUfMt cof^ TRoPáGAM»!
Í5UE3
^ ou'ijuAcspíL
S)E Viôfi GAAlíi
f) Vou embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei. (Manuel Bandeira) (me) vou-me em bora...

g) A moléstia não chegou sorrateiramente. (Manuel Bandeira) (me) ... nso me


chegou...
h) Tudo diluíra com aquele pavor queenchia o coração. (José Lins do Rego) F oníe; HHNFiL. Fra d im . 1 2 v. Rio de Ja n e iro , C o de cri, s,d . p. 3 7 , v. 9, íCot, Fradim .)

(se, lhe) se diluíra... que lhe enchia...

i) Estraguei a minha vida, estraguei estupidamente. (Graciliano Ramos) (a)


... estraguei-a...

4. Reescreva as frases abaixo, empregando a mesóclise: Também no cartum


alguns desenhistas preferem
a) Caberia mais tarde tudo o que Miranda possuía. (Aluísio Azevedo) (lhe) 3 riqueza de detalhes para
Caber-lhe-ia... transmitir sua mensagem,
b) ... o exército tornaria como que um novo poder moderador... (Cruz Costa) enquanto outros
(se) ■■■tornar-se-ia... usam apenas poucos traços.
0 primeiro - Juárez Machado
c) Ao menos, se for sombra antes, lembrarás de mim depois. (Ricardo Reis)
é meticuloso;
(te) lembrar-te-âs...
0 segundo - Henfil -

d) Aplaudiremos se assim proceder, (o) Apiaudi-io-emos... tem um traço menos


•detalhado.
e) Restaria ao menos esse consolo, (lhe) Restar-ihe-ía...

5. Reescreva o texto seguinte, colocando o pronome indicado junto ao verbo em F o nte : A D A IL e t aiii.
A n to lo g ia b ra sile ira de h u m o r. 2 v.
destaque: P o rto  ie g re , L & P M ,

Levanto, procuro uma vela, que a luz vai apagar. Não tenho sono. Deitar, 1 9 7 6 . D. 1 1 . V. 2,

rolar no colchão até a madrugada, é uma tortura. Prefiro ficar sentado,


concluindo isto. Amanhã não terei com que entreter. (Graciliano Ramos) Proposta de redação
(me, se, me, me) Levanto-me... vai apagar-se. Deitar-me.. me entreter.
Leia o trecho seguinte:

José aceitou a sugestão: entrou num táxi e mandou tocar para a Rua do Riachuelo. Quan­
do chegou em frente ao edifício que procurava, caía uma chuva fina, que lhe aumentava a frus­
1¥. B E M Ç lO tração. A porta estava fechada. Indiferente à chuva que lhe molhava o cabelo, no meio da roa,
José percorria com os olhos a fachada do prédio. Nem sabia qual era o apartamento de Cigana.

Os detalhes
No terceiro andar, havia uma luz acesa. (Otto Lara Resende)

Agora, você escolhe uma das propostas:


Nesta unidade vamos analisar outro aspecto da redação: a questão dos a) Reescreva o texto, inserindo nele detalhes sobre o edifício, além de
criar um final para a narrativa.
detalhes ou pormenores na descrição e na narração.
b) Continue o texto descrevendo Cigana e inventando um final para a
Muitas vezes, ao escrever, não conseguimos selecionar satisfatoriamen­ narrativa.
te os detalhes que são efetivamente importantes, fundamentais. Corremos
129
128
Bernardo Guimarães (1825-1884)

A prosa no Romantismo ☆ Ouro Preto (MG)


+ Ouro Preto (MG)

orasileiro (II) Bernardo Guimarães,

Seu nome completo era Bernardo Joaquim da Silva Guimarães. Estudou Direito em São
Paulo, onde se uniu ao grupo boêmio da Faculdade. Foi juiz de direito e professor secundário
Passeio no bosque em Ouro Preto e Queluz. Além de romancista, notabilizou-se também como humorista. É consi­
o canivete na mão não deixa
derado um dos criadores do romance sertanejo e regional, dedicando-se especialmente a Minas
marcas no tronco da goiabeira Gerais e Goiás.
cicatrizes não se transferem Obra:
(Cacaso — poeta brasileiro contemporâneo) Romance: 0 emitão de Muquém (1865); 0 seminarista (1872); A escrava Isaura (1875).

Suas obras mais conhecidas são A escrava Isaura O seminarista.


e Nesta
última, o autor trata do problema do celibato clerical, que impede a realiza­
ção amorosa de Eugênio, a personagem principal, que se vê obrigado a ser
padre por vontade dos pais, renunciando ao amor que desde criança sentia
por Margarida. Quando resolve desistir do seminário, os pais fazem chegar
até ele a falsa notícia do casamento de Margarida. Conformado, Eugênio
acaba por ordenar-se sacerdote. Quando volta à sua cidade, é chamado para
socorrer espiritualmente uma doente, que é a própria Margarida. Sabendo
da verdade, eles acabam por consumar o antigo amor. Margarida morre e
Eugênio enlouquece.
O trecho que vamos ler trata do encontro que vai induzir Eugênio a ten­
tar abandonar o seminário.

1. TEXTO

o seminarista
Sem que tivesse precedido ajuste algum, os passos dos dois adolescen­
tes se encaminharam instintivamente para o sítio favorito de seus brinque­
dos de outrora e dirigiram-se através do vargedo para a ponte das paineiras.
Chegados ali, Eugênio encostou-se ao tronco de uma das paineiras, e de
5 braços cruzados ali ficou por alguns instantes silencioso e pensativo. A lem­
brança das horas de puro e inocente prazer, que ali outrora havia fruido em
companhia de Margarida, se elevava como um perfume do íntimo do cora­
Pouce a pouco, o Romantismo brasileiro interioriza-se, apresentando um ção, e remontando ao espírito o envolvia como em um ambiente de odor e
Brasil desconhecido ao público das grandes cidades, como se pode m r nsstâ suavidade.
A Estrada, de Almeida Jr. 10 — Que está aí a cismar? — disse Margarida, sacudindo-lhe o braço. —
F o nte : M A R C O N D E S ,
1985.
org. G randes a rtis ta s brasileiros-, A lm e id a Jr- São P su!o, A r t E dito ra ,
Volte-se e veja o que é que está aí na casca dessa paineira e daquela tam­
bém.
130
Eugenio reparou para o tronco das duas paineiras, e viu neles entalha­ — Por quê?...
dos em um a letra E, e no outro a letra M.
— Ora por quê?... por quê? pois você não adivinha?
15 — Eugenio e Margarida! — exclamou ele. — Aposto queé istoque que-
— Nunca fui adivinhadeira...
rem dizer estas letras.
60 ’ - Pois está bem claro. Para ser padre é preciso que eu não olhe mais
— É isso mesmo; adivinhou. Fui eu que fiz essas letrasaicom a ponta
para você, que não te queira mais bem, e que nem me lembre de você... e
de um canivete.
isso é coisa que eu não posso, é teimar à toa, não posso fazer.
— Que bonita lembrança você teve! eu também no seminário às vezes
— E o mais é que é verdade, Eugênio; você tem razão. Eu também —
20 tive essa idéia.
para que hei de mentir?... -, eu também, cá comigo, não tinha lá grande von-
65 tade de que você fosse padre, não; para sempre é uma coisa que mete res­
— ... o que sei é que esta árvore sou eu, e essa lá é você. Assim como peito, e até faz medo. Oh! meu Deus! e como é que eu havia de me acostu­
elas nasceram aqui juntas e juntas hão de morrer, assim desejo que aconteça mar a ter respeito a você?... Para isso era preciso deixar de te querer bem, e
a nós dois, que também nascemos perto um do outro e fomos criados jun­ isso eu não posso mesmo, e de mais a mais não quero ser mula-sem-cabeça,
tos. Nós também havemos de viver juntos como estas duas árvores, entran- não... cruz! Deus me defenda!
,25 çando no ar os ramos uns nos outros, não é assim Eugênio? 7Q _ Ah! ah! ah! — como é isso. Margarida; mula-semi-cabeça?... — excla­
— Quem dera. Margarida!... se Deus permitisse isso era tão bom!... mou o rapaz soltando uma risada.
mas... eu sei?... — Você ri-se?... pois não sabe que toda a mulher que quer bem a um
— Há de permitir: por que não? que necessidade temos nós de nos padre vira mula-sem-cabeça?.,.
apartar um do outro? — E você ainda acredita nessas bruxarias?...
30 — Mas eu não sou senhor de niim. Margarida; hei de fazer o que o meu 75 — Sim senhor!... minha mãe já viu, e diz que na vila há uma que ela co­
pai mandar. nhece bem. Diz que é um bicho muito feio, do feitio de uma besta, que só
— Isso é agora: mas depois que ficar homem... tem três pés, dois atrás e um adiante, e não tem cabeça. Todas as noites de
sexta-feira para sábado anda rondando os becos, correndo o seu fadário e
— Ah! isso sim; depois que eu for homem, hei de fazer o que eu enten­
assornbrando a gente. Mamãe tem visto ela muitas vezes batendo a ferra­
der, e Deus nos há de ajudar, que acabados os meus estudos nunca mais nos
35 havemos'de separar, sou eu que to juro. Margarida.
se gem e abanando as orelhas pelos cemitérios.
— Ah! ah! ah! bravo! essa ainda é melhor! - continuou Eugênio sempre
Depois os dois, continuando a passear pela vargem, a cada passo evo­
a galhofar. — Pois se ela não tem cabeça como pode ter orelhas?
cavam uma lembrança de seus brincos e travessuras infantis.
— Ora... eu sei lá?... é que terá as orelhas no pescoço.
— Lembra-se do juramento que aqui me fez?... — perguntou Margarida
parando subitamente em certo lugar. — Pois bem. Margarida; não tenha susto, só para que você não seja
85 mula-sem-cabeça, eu te protesto que não hei de ser padre; e não hei de, e
40 — Eu? qual... juramento?...
— Bem que se lembra; está se fazendo esquecido. não hei de: está decidido.
G u im a r ã e s , Bernardo. O seminarista. 10. ed. São
— Palavra, que não me lembro... Paulo. Atica, i98 3. p. 51-2.

— Não creio... Pois não me jurou aqui que havia de ser eu a primeira
pessoa que havia de confessar quando fosse padre? Vocabulário:
45 Padre!... a esta palavra fatal Eugênio sentiu um arrepio e estremeceu, fadário (s.m.): destino trabalhado por poder
sítio (s.m.): lugar, local, ponto
quereria nunca mais ouvi-la em dias de sua vida, principalmente dos lábios vargedo (s.m.): vargem grande: varjão sobrenatural
de Margarida. fruir (v.t.d.): gozar: desfrutar galhofar (v.i.): gracejar, rir, zombar
brinco (s.m.): brincadeira protestar (v.t.d.): afirmar, jurar, prometer
— Qra! ora! que lembrança essa agora!... — replicou o moço com um
sorriso desapontado e procurando disfarçar a sua perturbação — como é
50 que eu hei de me lembrar mais dessas tolices de criança!
— Tolice! por quê?... pois não é tão bonito ser padre?...
— E é mesmo, e eu na verdade tinha muita vontade de o ser.
ESTUDO DO TEXTO
— Como é isso, Eugênio?... tinha? então já não tem mais?... 1. “ Padre!... a esta palavra fatal Eugênio sentiu um arrepio e estremeceu...” Por
— A falar a verdade. Margarida... — respondeu Eugênio com hesitação QUê? Porque ser padre obrigaria Eugênio a abandonar seu plano de casar-se com Margarida.

55 — não sei o que te diga... hoje em dia não me acho com muito jejto para pa­
dre, não.
2. Releia as linhas 26 e 27 e também a fala final de Eugênio. Que característica de
seu comportamento fica evidente ao compararmos os dois trechos? a hesitação do
adolescente entre obedecer aos pais ou à sua própria vontade.
132 133
3. Identifique as características románticas do comportamento das personagens e
do espaço onde ocorre a cena. Personagens: supervaJorização do amor; evasão de Eugenio no tempo 10 A ela se achegou o mineiro e pegou-lhe no braço.
(linhas 54 a 56). Espaço: paisagem idealizada e refletindo o estado de espirito das personagens.
— Mas você não tem febre?... Que é isto, rapariga de Deus?
4. Entende-se por regionalismo a tendência a registrar usos, cOstumes, tradições e
Depois, meio risonho e voltando-se para Manecão:
modo de falar específicos de nosso sertão, além da paisagem típica. Identifique
traços regionalistas no texto lido, no que se refere às tradições e à língua. Tradições: — Já sei o que é... Ficou toda fora de si... vendo o que não contava ver...
crença na transformação de mulher que ama um padre em muia-sem-cabeça. Lingua: “ ... era tão b o m !. ..” — linha Vamos, Nodncia, deixe-se de tolices.
26 (era = seria); “ ... tem visto e la ...” ~ linha 79 ( = a tem visto).
15 — Eu quero, murmurou ela, voltar para o meu quarto.
E encostando-a à parede, com passo vacilante se encaminhou para dentro.
Visconde de Taunay (1843-1899) Ficara sombrio o capataz.
☆ Rio de Janeiro (RJ) De sobrecenho carregado, recostara-se ã mesa e fora, com a vista, se­
4- Rio de Janeiro (RJ) guindo aquela a quem já chamava esposa.
20 Sentou-se defronte dele Pereira com ar de admiração,
— E que tal? exclamou por fim... Ninguém pode contar com mulheres,
icfie!
Visconde de Taunay, Nada retorquiu o outro.
por L.-A. Moreau. — Sua filha, indagou ele de repente com voz muito arrastada e parando
25 a cada palavra, viu alguém?
Seu nome completo era Alfredo D’Escragnolle Taunay, Cursou Ciências Físicas e Mate­ Descorou o mineiro e quase a balbuciar:
máticas na Escola Militar. Participou da Guerra do Paraguai e de várias outras campanhas mili­ — Não... isto é, viu... mas todos os dias... ela vê gente... Porque me per­
tares. Ingressou na vida política, sendo deputado e senador. Recebeu o título de Visconde.
gunta isso?
Obra;
— Por nada...
Romance; Â retirada da Laguna (1871) — romance escrito em francês; Inocência (1872) — sua
obra mais conhecida, traduzida para diversos idiomas.
30 — Não;... explique-se... Você faz assim uma pergunta que me deixa um
pouco... anarquizado. Este negócio é muito, muito sério. Dei-lhe palavra de
honra que minha filha havéra de ser sua mulher... a cidade já sabe e... comigo
não quero histórias... Ê o que lhe digo.
I. TEITO — Está bom, replicou ele, nada de percipitações. Toda a vida fui ansim... ]á
35 volto; vou ver onde pára o meu cavalo.
A exemplo de Bernardo Guimarães, Taunay utiliza a vida rural brasileira como cenário E saiu, deixando Pereira entregue a encontradas suposições.
para sua obra principal, o romance Inocência, cujo enredo é o seguinte: o pai de Inocência pro­ Decorreram dias, sem que os dois tocassem mais no assunto que lhes
metera-a em casamento a Manecão, um sertanejo da região. Inocência fica doente e seu pai a en­
mofa o coração. Ambos, calmos na aparência, viviam vida comum, visitavam
trega aos cuidados de um curandeiro ambulante — Cirino —, por quem ela se apaixona.
as plantações, comiam juntos, caçavam e só se separavam á hora de dormir,
0 trecho transcrito trata de um encontro entre Inocência e Manecão e da estranheza que o
40 quando o mineiro ia para dentro e Manecão para a sala dos hóspedes.
comportamento de Inocência começa a despertar no moço.
Inocência não aparecia.
Mal saía do quarto, pretextando recaída de sezões: entretanto, não era
o seu corpo o doente, não; a sua alma, sim, essa sofria morte e paixão; e
Inocência amargas lágrimas, sobretudo ã noite, lhe inundavam o rosto.
45 — Meu Deus, exclamava ela, que será de mim? Nossa Senhora da Guia
Descrever o abalo que sofreu Inocência ao dar, cara a cara, com Mane­ me socorra. Que pode uma infeliz rapariga dos sertões contra tanta desgra­
cão fora impossível. Debuxaram-se-lhe tão vivos na fisionomia o espanto e o ça? Eu vivia tão sossegada neste retiro, amparada por meu pai... que agora
terror, que o reparo, não só da parte do noivo, com o do próprio pai habi­
tanto medo me mete... Deus do céu, piedade, piedade.
tualmente tão despreocupado, foi repentino.
E de joelhos, diante de tosco oratório alumiado por esguias velas de ce-
— Que tem você? perguntou Pereira apressadamente, 50 ra, orava com fervor, balbuciando as preces que costumava recitar antes de
— Homem, a modos, observou Manecão com tristeza, que meto m edo se deitar.
a senhora dona...
Uma noite, disse ela:
Batiam de com oção os queixos da pobrezinha: nervoso estremecimen­ — Quisera uma reza que me enchesse mais o coração... que mais me ali­
to balanceava-lhe o corpo todo.
viasse o peso da agonia de hoje...
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135
55 E, como levada de inspiração, prostrou-se murmurando: 3. Como a moça procura resolver esse conflito? Rezando com fervor.

— Minha Nossa Senhora mãe da Virgem que nunca pecou, ide adiante de
Deus. Pedi-lhe que tenha pena de mim... que não me deixe assim nesta dor 4. Que características românticas apresenta Inocência? Justifique sua resposta, in­
cá de dentro tão cruel. Estendei a vossa mão sobre mim. Se é crime amar a dicando as linhas correspondentes a cada uma das características mencionadas.
, a) sofrimento por amor — linhas 43, 44, 67, 68; b) religiosidade — linhas 45 a 63; c) supervalorização do amor — li­
Cirino, mandai-me a morte. Que culpa tenho eu do que me sucede? Rezei nhas 65 e 66
60 tanto, para não gostar deste homem! Tudo... tudo... foi inútil! Por que então 5. Uma das características marcantes da obra de Taunay é o aproveitamento da lin­
este suplício de todos os momentos? Nem sequer tem alfvio no sono? Sem­ guagem do sertão. Transcreva cinco termos que exemplificam essa característica
pre ele... ele! e dê o significado de cada um. l- iche = virgem (llnha 22); 2 . anarquizado = perturbado (linha 3i);
3. havéra = haveria, teria (linha 32); 4. percipHação = precipitação, pressa (linha 34); 5. ar.sim = assim (linha 34).
Às vezes, sentia Inocência em si ímpetos de resistência; era a natureza
do pai que acordava, natureza forte, teimosa.
65 — Hei de ir, dizia então com olhos a chamejar, à igreja, mas de rastos!
No rosto do padre gritarei: Não, não!... Matem-me... mas eu não quero... II. U TEEñTüEII
Quando a lembrança de Cirino se lhe apresentava mais viva, estorcia-se

70
de desespero. A paixão punha-lhe o peito em fogo...
— Que é isto. Santo Deus? Aquele homem me teria botado um mau-
-olhado? Cirino, Cirino, volta, vem tomar-me... leva-me!... eu morro! Sou tua,
A prosa no Romantismo brasileiro (II)
só tua... de mais ninguém. O regionalismo
T au n a y , V isconde de. Inocencia. 7. ed, São Paulo,
Ática, 1978. p. 109-11.
Os dois escritores estudados nesta unidade apresentam uma característi­
ca comum: a tentativa de fixar em suas obras aquilo que consideravam o ver­
Vocabulário:
dadeiro Brasil. E que Brasil era esse? Do ponto de vista deles, era o Brasil do
debuxar (v.t.d.): delinear, esboçar, figurar sertão, que conservava ainda intactos e naturais alguns traços peculiares de
sobrecenho (s.m.): semblante severo, carrancudo nossa cultura (língua, costumes) e de nossa paisagem.
retorquir (v.i.): retrucar, responder
sezão (s.f.): febre intermitente ou periódica
Criaram, assim, o romance regionalista, que, de certa forma, é uma ou­
tosco (adj.): grosseiro, rude tra face do nacionalismo literário já explorado pelo indianismo.
chamejar (v.i.): arder: brilhar: irar-se Cronologicamente, o primeiro desses regionalistas é Bernardo Guima­
de rastos: rastejando, arrastando-se rães com o romance O ermitão de Muquém (1865). Guimarães traz para o ro­
estorcer-se (v.p.): contorcer-se mance principalmente o interior de Minas e de Goiás. Sua obra mais conheci­
da é escrava Isaura,
uma história de amor com todos os ingredientes ro­
mânticos, em que ficam implícitas as posições abolicionistas do autor.
Taunay ficou conhecido apenas por Inocência,
romance em que apro­
veita os costumes sertanejos, a exuberante natureza do Brasil central e, so­
Cartaz do film e im cên cà, com a itr iz Firnatida
bretudo, peculiaridades da fala sertaneja. Tudo isso entremeando uma histó­
Torres no p ip e i principai, fe ito era 1 S I3 . ria de amor tipicamente romântica.
Fonte: L IM Â JR ., W a lte r. dir. In o c ê n c ia . Rio do Ja n e iro , G íobo Um terceiro escritor regionalista, Franklin Távora, é considerado o
V íd e o, s.d. criador da literatura do Norte, região que, para ele, representava a face real
do Brasil. Sua obra é considerada pela crítica como literariamente insatisfa­
tória. Excetuando O Cabeleira,
nenhuma outra mereceu edições recentes.

ESTUDO DO TEXTO
1. Releia as linhas 30 a 33 e explique a causa da indignação de Pereira, o pai havia dado
sua palavra de honra de que inocência se casaria com Manecão, e a palavra empenhada valia muito.

2. “ Inocência não aparecia.” 1. Leia a descrição de Isaura, personagem central do conhecido romance de
Bernardo Guimarães:
a) Qual o pretexto da moça para justificar sua reclusão? Inocência alega ataques de febre.
Acha-se ali sozinha e sentada ao piano uma .bela e nobre flgU- »ece madeira escura; essa madeira

ra de moça. As linhas do perfil desenham-se distintamente entre o reírptâoirrabetrme-


b) Qual o verdadeiro motivo dessa reclusão? o amor por Cirino e, conseqüentemente, a falta de ébano da caixa do piano, e as bastas madeixas ainda mais negras do cha
interesse por Manecão,

136 137
que ele. São tão puras e suaves essas linhas que fascinam os olhos,
deu: ta m bé m , nunca foram levadas, c o m o tantas, para capinar na frente da cadeia. Famí­
enlevam a mente, e paralisam toda análise. A tez é como o marfim enlevar: encantar, cativar, causar êxtase
lia de respeito p o d ia passar to d a hora, n ão via nada. M acho, po rém , q u e n ã o se fizesse
do teclado, alva que não deslumbra, embaçada por uma nuança de­ tez: pele de besta... Eram d onas e autoridades no beco. O beco era delas. E tinham prestígio.
licada, que não sabereis dizer se é leve palidez, ou cor-de-rosa des­ Duança: tonalidade
Duas irmãs, m o ran d o juntas na m esm a casa. d e porta e janela aberta aos hom ens
maiada. qu e quisessem entrar: isso a Z óio d e Prata. lâ a D ondoca, tinha seu h o m e m e era pontual
a ele só.
a) Que característica romántica norteia a descrição de Isaura? a idealização.
T am bém eram conhecidas p o r As C ôm odas, na roda da m acheza. Minga era duro-
b) Transcreva do texto o período que revela a incoerência entre a caracterização na. N ão tretassem com ela. saind o sem deixar a taxa... Um que tentou a rasteira, ela al­
física e a condição social de Isaura. “ A tez é como o m a rfim ... cor-de-rosa desmaiada.” cançou já fora d o beco e d eix ou sem as calças n o m eio da rua.
c) A qual das duas razões se deve a idealização de Isaura? Tinha m e sm o um b ug alh o branco, saltado, e era vesga d o outro. Espinhenta, de
— necessidade de adequar a figura do negro escravizado e marginalizado à cabelo sarará, m u laton a encorpada, d e bacia estreita, peito masculino, de m am ilos d u ­
visão preconceituosa da época; x ros, musculosa: servindo b em no ofício, de fala curta, braço forte, m ãos grandes.
— as mesmas razões que levaram à idealização do índio. Um dia, voltava ela d o m ercado co m um frango na m ão, d eu co m a irm ã choran­
Professor: Lembrar 6s alunos de que os heróis de romances e poemas, “ quando escravos, são ordinariamente mulatos, a do. d e cara am assada e beiço partido. Tinha e n trado na peia d o a m igo — o Izé d a Bina —
fim de que o autor possa dar-lhies traços brancos e, desse modo, encaixá-los nos padrões da sensibilidade branca” , como à-toa, ruindade d e p in ga d o ordinário. — Dei'stá — disse ela — sai fora e deixa por m inha
observa Antonio Candido.
conta. Ó ia. vai d e p e n á esse frango pra nóis na casa d a vizinha e só entra q u a n d o eu cha-
2. Uma das propostas do nacionalismo literário romântico era retratar a realidade m á...
brasileira. Identifique os romancistas a que se referem os textos seguintes: D o n d o ca saiu e foi fazer o m a n d a d o . Estava ela na casa da vizinha d e p e n a n d o o
a) Tornou-se “ o precursor daqueles que buscaram o pitoresco na língua frango, q u a n d o chegou o Izé da Bina, to d o m andante, de paletó preto, gravata borbo le ­
esforçando-se por trazer ao romance a maneira coloquial de contar” . ta, calça engo m ada.
(Nelson Werneck Sodré) Taunay Entrou no quarto e gritou autoritário pela D ondoca. Q u e m apareceu foi a Z óio de
Prata, de m ang a arregaçada e porrete na m ão . Atirou-se no m u lato com vo n ta de e foi
b) “ Ele representava, na literatura então nascente, a legítima expressão do
porretada de direita e canhota. Bateu co m sustância, sovou c om fôlego, qu eb rou as car­
romance urbano...” (Bella Josef) Joaquim Manuel de Macedo
nes, m o e u b e m m o íd o. N o fim. jogou fora o cacete e entrou de corpo. N um a b o a sobar­
c) Pretendeu mostrar ao público da época “ os abomináveis e hediondos crimes b a da deu com o crioulo no chão. S entou em cim a e esm urrou à vontade. Q u e b ro u as
da escravidão e o aviltamento da pessoa humana pela distinção de classe” . ventas, partiu dois dentes, entrou no o lho... xingou nom es... desses, d e ouv ind o dizer o
(Maria N. S. Fonseca) Bernardo Guimarães A n tô n io M eiaquarta. tipo de rua, rei d os bocas-sujas d a cidade: eu sei, dois contos e q u i­
d) “ Escrevendo o manifesto da literatura do Norte, chama a atenção dos nhentos de nom es indecentes... Z óio de Prata sabe cinco contos... apanhei dela, bateu
ne m im ... tou descarado, apanhei d ela... m uié praceada... êta m uié sagais.
escritores, dos romancistas principalmente, para os recursos temáticos que
o Norte lhes poderia oferecer.” (Heron de Alencar) Frankiin Távora
Estava vingada a D on d o ca e co nso lid ada a fam a das C ôm odas.

Texto complementar
0 regionalismo vai constituir uma das mais freqüentes ocorrências da literatura brasileira,
perdurando até os dias de hoje. Desde o momento em que se tomou consciência dos valores es­
III. GRAMÁTICA
Artigo
pecíficos de nossa cultura, a literatura vem tentando fixar as particularidades de grupos sociais
estabelecidos em determinadas regiões que, por apresentarem clima, costumes, tipo de lingua­
gem etc. diferentes de outras, são distintas entre si.
Esse fato é fundamental, se levarmos em conta a extensão de nosso país e as diferenças fí­
sicas e culturais de cada região. Um fantástico computador, capaz de fazer dois bilhões de cálculos por segundo, está sen­
Tal literatura criou um tipo de herói — o herói regional — supostamente “mais brasilei­ do usado para testar os aviões hipersônicos da próxima geração, antes mesmo que eles comecem
ro” que o homem urbano. a ser construídos. (Superinteressante, nov. 1987.)
Ao longo do estudo da história da literatura brasileira, você vai ver que o regionalismo
assume diferentes feições, de acordo com o momento histórico que estivermos analisando.
Leia, por exemplo, um conto regionalista da escritora Cora Coralina, publicado em 1985. São artigos as palavras um e o em destaque no texto acima.
Observe, principalmente, o registro da linguagem regional;

Artigo é a palavra
M IN G A , Z Ó lO D E P R A T A
que se antepõe ao substantivo para
Eram elas as senhoras-donas, ali no beco d o Calabrote. defini-lo ou indefmi-lo.
Q u e m transitasse pelo beco, tivesse c uid a d o ... Passasse qu ie to e b onzinho. N ão São artigos: o, a, os, as,
se engraçasse nem fizesse cara d e pouco. E quem fosse d e entrar, em purrasse a porta
de dentro, com fala curta e dinhçiro pronto. Escândalo de mulher-dama n ão dava, nunca
um, uma, uns, umas.
138
139
o artigo um, que se refere ao Emprego do artigo definido
substantivo computador, indica um ti­
po de computador ainda não conheci­ o emprego do artigo definido é facultativo antes de:
do do leitor. Essa referencia é impreci­
a) pronomes adjetivos possessivos:
sa, vaga, que só vai ser esclarecida
mais adiante. Trata-se de um artigo Minhas raizes aprofundaram-se mais... (Rubem Braga)
indefinido. São artigos indefinidos: Quem, segundo o seu conceito, é o Senhor da Floresta? (Millôr Fernan­
um, uma, uns, urnas. des)
b) nomes de pessoa no singular:
Turíbio Todo era até simpático. (Guimarães Rosa)
O ííííiío do disco aproveita a indefinição do
O Edson me emprestou “ No mar da vida” , um livro de Paulo Chagas.
artigo ims: na capa, urna foto aníiga de Caetane (Paulo Mendes Campos)
Vetoso irrtre seus irmios confuricíe o
reconiiecimenta do mesrno. Caetano é o da Segundo alguns gramáticos, o emprego do artigo definido antes do no­
esperda, me de pessoa confere um tom de familiaridade ou afetividade.
Fonre, VELO SO , Caetasio. U ns. Rio de Ja n e iro , P oiygra m
D isco s, 1 9 8 3 ,
O artigo definido pode ter o valor de:
a) pronome demonstrativo:
O artigo os, que antecede o substantivo aviões, faz referência a um ser Temos a intenção de montar uma fábrica na região.
( = nesta)
determinado, possivelmente já conhecido do leitor. Esse artigo está definin­
b) pronome possessivo:
do o substantivo aviões; trata-se, portanto, de um artigo definido. São arti­
gos definidos: o, a, os, as. Tinha as mãos e os pés muito frios.
( = suas) {= seus)
O artigo definido pode combinar-se ou contrair-se com as preposições
a, de, em, por:
Emprego do artigo indefinido
Anteposto aos numerais, o artigo indefinido pode significar aproxima­
Preposições Artigo definido/Combinações damente:
Existem certas espécies de dinossauros que viveram há uns 140 milhões
o a os as
de anos.
a ao à aos às
de
em
do
no
da
na
dos
nos
das
nas Numeral
por (per) pelo pela pelos pelas
DIÁRIO DE UM COLEGIAL

2 de outubro. Hoje não tivemos fruta pela manhã. 0 tinteiro em que escrevo é do Duarte.
O artigo indefinido pode combinar-se com as preposições em e de: Apareceram as notas. Matemática, 30. Português, 70. Francês, 50. Inglês, 70. Geografia,
100. Ciência, 100. Desenho, 30. História, 100. Religião, 80. Entre 26, obtive o 7? lugar. Proce­
Preposições Artigo indefinido/combinações dimento: regular. (Paulo Mendes Campos)

um uma uns umas Todos os elementos destacados no texto são numerais.


em num numa nuns numas
de dum duma duns dumas
Numeral
é a palavra que indica a quantidade exata
O artigo indica o género e o número das palavras, e serve também para de seres ou o lugar que eles ocupam
substantivar qualquer palavra ou expressão:
numa série.
o porquê — o não — um não-sei-quê — o nascer — o viver

140 141
noventa nonagésimo — noventa avos
o numeral pode ser:
cem centésimo céntuplo centésimo
1. Cardinal — indica a quantidade exata de seres: duzentos ducentésimo — ducentésimo
2, 30, 40, 100 etc. trezentos trecentésimo — trecentésimo
2. Ordinal — indica a ordem dos seres numa determinada série: . quatrocentos quadringentésimo — quadringentésimo
Obtive o 7? lugar. quinhentos quingentésimo — qüingentésimo
seiscentos sexcentésimo — sexcentésimo
3. Multiplicativo — indica o aumento proporcional da quantidade, po­ septingentésimo
setecentos septingentésimo —
dendo ter valor de adjetivo ou de substantivo: octingentésimo — octingentésimo
oitocentos
o dobro, o triplo (valor de substantivo) novecentos nongentésimo — nongentésimo
tarefa dupla (valor de adjetivo) mil milésimo — milésimo
4. Fracionário — indica a diminuição proporcional de quantidade: milhão milionésimo — milionésimo
meio, metade, um terço, um quinto, um sexto etc. bilhão bilionésimo — bilionésimo
Podem ser considerados numerais: Observações: 1?) Apresentam mais de uma form aos seguintes numerais; catorze e quatorze, triUiEo e triliâo, bilhão e bi-
a) as palavras que designam um conjunto exato de seres: par, novena, deze­ liao etc..
2.*) O numeral cinqüenta apresenta forma única, embora se utilize com freqüência em cheques a forma cin-
na, década, dúzia, centena, resma, grosa, milheiro etc. (essas palavras são coenta.
chamadas de numerais coletivos e têm valor de substantivo);
b) zero (numeral cardinal);
Leitura e escrita dos numerais
c) ambos e ambas (substituem o cardinal os dois, as duas).
1. Cardinais
a) Deve-se intercalar a conjunção e entre as unidades, as dezenas e as cen­
Quadro dos principáis numerais tenas:
26: vinte e seis
Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários 345: trezentos e quarenta e cinco
b) Não se deve empregar a conjunção e entre o milhar e a centena:
um primeiro (simples) —
1989: mil novecentos e oitenta e nove
dois segundo dobro, duplo meio
Observação: Deve-se intercalar a conjunção e:
três terceiro triplo, tríplice terço
— se a centena começar por zero:
quatrõ quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto 2075: dois mil e setenta e cinco
seis sexto séxtuplo sexto — se a centena terminar por dois zeros:
sete sétimo sétuplo sétimo 4 600: quatro mil e seiscentos
oito oitavo óctuplo oitavo c) Em numerais muito extensos, deve-se empregar a conjunção e entre os
nove nono nónuplo nono elementos de uma mesma ordem de unidade e deve-se omiti-la quando
dez décimo décuplo décimo se passar de uma ordem a outra:
onze déc. primeiro — onze avos 213 568: duzentos e treze mil quinhentos e sessenta e oito
doze dèc. segundo — doze avos 34236 789: trinta e quatro milhões, duzentos e trinta e seis mil setecen-
treze déc. terceiro — treze avos
déc. quarto —
tos e oitenta e nove
catorze catorze avos
quinze déc. quinto — quinze avos Observação: Não se deve empregar a vírgula entre o milhar e a cen­
dezesseis déc. sexto — dezesseis avos tena.
dezessete déc. sétimo — dezessete avos
dezoito déc. oitavo — dezoito avos 2. Ordinais
dezenove déc. nono — dezenove avos Os ordinais superiores a dois mil (2000) podem ser lidos de duas ma­
vinte vigésimo — vinte avos
neiras:
trinta trigésimo — trinta avos
If) Lê-se o milhar como cardinal e os outros como ordinais.
quarenta quadragésimo — quarenta avos
cinqüenta qüinquagésimo — cinqüenta avos
2?) Lê-se o número todo como ordinal.
sessenta sexagésimo — sessenta avos Exemplo: 2055? lugar
setenta septuagésimo — setenta avos dois milésimo qüinquagésimo quinto lugar ou
oitenta octogésimo - oitenta avos segundo milésimo qüinquagésimo quinto lugar

143
142
Emprego dos numerais
I. ARTIGO
1. Empregam-se os ordinais até décimo e daí por diante o cardinal, sempre
que o numeral vier depois de substantivo, na designação de papas, sobe­ 1. Classifique os artigos e as combinações dos artigos destacados no seguinte
ranos, séculos e partes em que se divide uma obra: texto:
artigo definido artigo indefinido aitigo definido
Pio X II (doze)
Henrique V III (oitavo) A raiva ou hidrofobia é uma doença infecciosa que ataca o sistema nervoso central
século VI (sexto) dos mamiferos — tanto animais como homens. É transmitida pelo vírus rábico, veiculado pela
capítulo X III (treze) saliva e lágrimas dos infectados e inoculado principalmente através de mordidas. {Folha de
Ç P nuln 17 Hp7 1Q87 combinação da preposição de + o artigo definido os
Observação: Emprega-se sempre o ordinal quando o numeral antecede o O. ru u iU , II UCL. 1 7 0 /.; combinação da preposição per 1- o artigo definido o
substantivo:
2. Indique se os artigos em destaque têm valor de pronome possessivo ou
nono século
demonstrativo:
décimo terceiro capítulo
a) Ficou a semana de cama. demonstrativo
b) Parto no momento para Manaus, demonstrativo
Quinta e c) Caiu, mas conseguiu apoiar-se nos joelhos, possessivo
domingo
nas e) Coçou a barba como se isso pudesse ajudá-lo a refletir melhor, possessivo
bancas
3. Substitua os quadradinhos por artigos ou combinações de artigos com
NESTA EDICAO preposições:
TEMOS UM
□ elefantes em liberdade poderão desaparecer □ África em quatro ou cinco anos se
PRATO CHEiO '----- Os da
DE NEGÓCIOS iiâJüSTIS filliSfiâiS não forem tomadas medidas protecionistas a curto prazo. □ afirmação é □ especialista □
A do do
PARA VOCÊ
Pâiá PliÇOS I SáláiWS Laboratório de Mamíferos e Aves □ Museu de História Natural de Paris. Ele disse que são
do
eAirrOMÓVElS isíssssríKS'
mortos cerca de 100 mil elefantes por ano para atender □ procura □ marfim.
«EMPREGOS a do
« SOM. ViDEO, FOTO
«BICICLETAS
De acordo com □ especialista francês, deve ser decretada □ anistia para □ elefantes,
0 a os
«BRINQUEDOS
«IMÕVQS adotadas medidas para proibir seu extermínio. {Folha de S. Paulo)
•■
reLEFONES
• MÕVE15
• AUMENTAÇÃO
II. NUMERAL
1. Classifique os numerais destacados no texto abaixo:
0 poeta fluminense Alberto de Oliveira (1857-1937) conversava com um jornalista sobre
a quarta (e última) série de suas poesias, quando foi indagado sobre o tamanho do livro.
— Trezentas páginas, meu filho — respondeu o poeta.
Usam-se os numerais com basíaníe freqüência Veja 0 uso incomum do zero - nio existe — Trezentas páginas? — indagou o jornalista.
nos títolos de jornais. Este é um exenipio do ordinal para ele - neste título do jornal de — Não sei se você sabe, mas detesto folhetos. Um livro que não fica em pé na estante
emprego do 1 para o jornal de classificados Porto Alegre. certamente não ficará em pé na eternidade — respondeu o poeta. {Folha de S. Paulo, 10 jun.
Primeira Uão. Fonte: Z e ro H o ra , 18 abr, l£ . p, 1. 1987.) ordinal; cardinal; cardinal
F o nte : P rim eira itíá o , 2 abr. 1 3 8 9 . p. 1.
2. Escreva por extenso os seguintes numerais:
a) 21 546 vinte e um mil quinhentos e quarenta e f) Paulo VI Paulo sexto
2. Emprega-se o ordinal até nove e o cardinal de dez em diante, na numera­
ção de artigos, leis, portarias e outros textos legais: b) 4 258 482 quatro milhões, duzentos e cin­ g) quarto 25 quarto vinte e cinco
artigo 5? (quinto) qüenta e oito mil quatrocentos e oitenta e dois

lei 67 (sessenta e sete) c) Luís XV Luís quinze h) século X século décimo

decreto 15 (quinze) i) capítulo X X V III


d) capítulo VI capitulo sexte capitulo vinte e oito
3. Emprega-se o cardinal na numeração de páginas, casas, apartamentos,
quartos de hotel etc. e) artigo 16 artigo dezesseis

144 145
ST

!¥ . m m B K ç m O diálogo, portanto, funciona como um recurso a mais que o escritor


tem à sua disposição para nos revelar traços das personagens.

o diálogo na caracterização A LÜA 6 roM AM T ICA.


O S O l WAO,
eSTRBLAS -5AO t? 0 M A l^ flC A 6 .
LU ZêS WAO.
cnuvA e 's o m m c A .

das personagens
HSM AecAS NAO.
/-

Muitas vezes o texto apresenta-se quase todo em forma de diálogo, com


pouca ou nenhuma descrição ou narração. Mesmo assim, podemos deduzir
fatos ocorridos e características de personagens unicamente através daquilo
que elas falam. Ou seja: a fala das personagens revela a sua maneira de ser, 'f í ’e j^ is S A O ROMAMTICOS. &U 6 0 U ROMANTICO. MÁO VOU COM A SUA C^PA.
AViO&S N'AO. VOCÊ NAO.
de pensar, de agir. /

A NOITE DA REVOLTA

— Minha velha, está na hora de tomar o comprimido para dormir.


— Mas eu não quero dormir. Tem um filme na televisão que eu queria ver.
— Acho melhor você não ficar acordada. Pode não gostar do filme e depois passa a noite
Neste cartum, o monólogo do rapaz transforma-se em diálogo, com as respostas mudas da moça,
em claro. implícitas na "conversa” .
— Não. Você tome o seu comprimido e eu prefiro ficar acordada.
F o nte : FEIFFER, Ju le s . 0 m e lh o r de F e íffe r. P orto A le g re , L & P M . 1 9 8 8 . p. 12.
— Mas eu não sei tomar o meu comprimido sem você tomar o seu. Acho que não vou
dormir se tomar o comprimido sozinho.
— Experimente, Artur. Só esta noite. Proposta de redação
— Estamos tão acostumados que se os dois comprimidos não forem tomados juntos,
acho que um não faz efeito. O texto seguinte tem apenas quatro linhas de narrativa. Todo o resto é
— Ah, Artur, você é a cruz da minha vida. Será possível que eu não possa nem ao menos constituído de diálogos. Você vai recontar a história, revelando traços psico­
rever um filme de Cary Grant*? lógicos das personagens, sem usar diálogo.
— Estou te estranhando, Lindaura. Nunca pensei qué você tivesse paixão por esse Cary
Grant. 0 HOMEM IMORTAL
— Muito bonito, cena de ciúmes a essa altura da vida. 38 anos de fidelidade, e você me
vem com uma coisa dessas. Você se esquece que quando a Ginger Rogers* passou o carnaval no (...) vou falar de outro chofer de táxi? Termino casando com um, para não ter que ouvir
Rio, 0 seu assanhamento não teve limites. Não sossegou enquanto não pediu a ela um autógrafo as histórias de tantos. Esse começou assim:
e Deus sabe o que mais. — Vou vender tudo o que eu tenho e morar nos Estados Unidos.
— Nunca tive nada com Ginger Rogers. Juro! Silêncio meu.
— Não teve porque ela não deu bola. Quer saber de uma coisa, Artur? Você diz que o — Porque aqui tem muita burocracia.
seu comprimido sozinho não faz efeito. Então, tome também o meu. Tome os dois, tome cinco
Silêncio meu.
ou dez, e me deixe em paz curtindo o meu Cary Grant! (Carios Drummond de Andrade)
— Não é verdade, é porque eu quero ser congelado.
Através dos diálogos, podemos perceber: — Como!?
a) que a vida das personagens é rotineira; — Lá, quando as pessoas morrem, eles congelam elas e depois descongelam. E eu tenho
pavor de morrer. A senhora tem?
b) o significado do título do conto;
— Não, respondi, pois estava era com certo pavor dele.
c) que o marido é um ardoroso fã de uma artista de cinema;
— E quando descongelarem o senhor?
d) que a mulher é uma entusiasta fã de um astro de cinema; — Eu vivo de novo.
e) que ambos tomam comprimidos para dormir e que há uma relação de de­ — Mas vai morrer de novo.
pendência do marido em relação à mulher. — Aí me congelam de novo.
— Então 0 senhor nunca vai morrer?
* Cary Grant e Ginger Rogers: atores famosos do cinema americano nas décadas de 40 e 50.
— Não. (Clarice Lispector)

146
147
r José de Alencar (1829-1877)

A prosa no Romantismo ☆ Mecejana (CE)


+ Rio de Janeiro (RJ)

orasileiro (III) Seu nome completo era José Martiniano


de Alencar. Fez os estudos secundários no
Rio de Janeiro e ingressou na Faculdade de
Direito de São Paulo, onde iniciou sua ativi­
dade literária. Foi redator-chefe do Diário
José de Alencar.
Engraçados, esses "brancos".., Primeiro, do Rio de Janeiro. Elegeu-se deputado pelo
Ceará e foi Ministro da Justiça. Tendo seu A obra de Alencar permite a seguinte di­
descobrem o Brasil, tomam conta da terra,
nome indicado para senador, não foi acolhi­ visão:
tentam escravizar e mudar o jeito de ser dos
índios. Porque são diferentes de si próprios, do pelo Imperador, o que o fez retirar-se da 1. Romance urbano ou social: Cinco minu­
os "brancos" os chamam de selvagens, carreira política. Foi para a Europa em 1877 tos (1856); A viuvinha (1860); Lucioia
primitivos, atrasados e outros adjetivos em busca de cura para uma tuberculose que (1862); Diva (1864); A pata da gazeia
discriminatórios e preconceituosos. Os índios se manifestara desde a mocidade. Regressou Ò870); Soniios d’ouro (1872); Senhora
são vistos como gente que "precisa ser ao Rio de Janeiro e, pouco depois, morreu. (1875); Encarnação (1893).
civilizada", num desrespeito sem par ao
conhecimento que os povos indígenas têm 2. Romance regionalista: 0 gaúcho (1870); 0 tronco do ipê (1871); Til (1872); 0 sertanejo
sobre a natureza e sobre os homens. (1875).
(Aracy Lopes da Silva) 3. Romance histórico: As minas de prata (1865); A guerra dos mascates (1873).
4. Romance indíanisía: 0 guarani (1857); Iracema (1865); Ubirajara (1874).
5. Teatro: Demôniofamiliar (1857); Verso e reverso (1857); As asas de um anjo (1860); Mãe
(1862); 0 jesuíta (1875).
6. Não-fícção: A confederação dos tamoios; Ao imperador: cartas políticas de Erasmo-, Ao
imperador: novas cartaspolíticas de Erasmo; Ao povo: cartas políticas de Erasmo; 0 juízo
de Deus; Visão de Jó; 0 sistema representativo; Como epor que sou romancista (autobio­
grafia).
7. Poesia: Osfilhos de Tupã.

Alencar é o mais importante escritor do Romantismo brasileiro. Sua


obra abrange iodos os grandes temas da nossa literatura da época: o indianis­
mo, o romance histórico, o regionalismo, o romance urbano. Os textos que
estudaremos mostram dois desses aspectos:

frlonymento em I. TEXTOS
homenaggm a

A. o
Iracema, erguido
em Fortaleza,
no Ceará, Estado guarani
natal cie
José de Alencar. Ali, por entre a folhagem, distinguiam-se as ondulações felinas de um
F onte; C a le nd á rio . dorso negro, brilhante, marchetado de pardo: às vezes viam-se brilhar na
C ro m o s Tintas
G rá fic a s ~ Brasií. som bra dois raios vítreos e pálidos, que semelhavam os reflexos de alguma
Rio de Ja n e iro ,
C o lo ra m a P ropa ga n da , 1 9 7 6 .
cristalização de rocha, ferida pela luz d o sol.

148 149
Quando o animal, quase asfixiado pela estrangulação, já não fazia se-
5 Era uma onça enorme; de garras apoiadas sobre um grosso ramo de ár­ 50 não uma fraca resistência, o selvagem, segurando sempre a forquilha, meteu
vore, e pés suspensos no galho superior, encolhia o corpo, preparando 0 sal- a mão debaixo da túnicá e tirou uma corda de ticum que tinha enrolada à
to gigantesco. cintura em muitas voltas.
Batia os flancos com a larga cauda, e movia a cabeça monstruosa, como Nas pontas desta corda havia dois laços que ele abriu com os dentes e
procurando uma aberta entre a folhagem para arremessar o pulo: uma espé- passou nas patas dianteiras, ligando-as fortemente uma á outra; depois fez o
10 cie de riso sardónico e feroz contraía-lhe as negras mandíbulas, e mostrava a 55 mesmo às pernas, e acabou por amarrar as duas mandíbulas, de modo que a
linha de dentes amarelos; as ventas dilatadas aspiravam fortemente e pare­ onça não pudesse abrir a boca.
ciam deleitar-se já com o odor do sangue da vítima. Feito isto, correu a um pequeno arroio que passava perto; e enchendo
O índio, sorrindo e indolentemente encostado ao tronco seco, não per­ de água uma folha de cajueiro-bravo, que tornou cova, veio borrifar a cabeça
dia um só destes movimentos, e esperava o inimigo com a calma e serenida- da fera. Pouco a pouco o animal ia tornando a si; e o seu vencedor aprovei-
15 de do homem que contempla uma cena agradável: apenas a fixidade do 60 tava este tempo para reforçar os laços que o prendiam, e contra os quais to­
olhar revelava um pensamento de defesa. da a força e agilidade do tigre seriam impotentes.
Neste momento uma cutia tímida e arisca apareceu na lezira da mata, e
Assim, durante um curto instante, a fera e o selvagem mediram-se mu­
adiantando o focinho, escondeu-se arrepiando o seu pêlo vermelho e afo-
tuamente, com os olhos nos olhos um do outro...
gueado.
65 O índio saltou sobre o arco e abateu-a daí a alguns passos no meio da
carreira: depois, apanhando o corpo do animal que ainda palpitava, arran­
Era uma luta de morte a que ia se travar: o índio o sabia, e esperou tran- cou a flecha e veio deixar cair nos dentes da onça as gotas do sangue quente
20 qüilamente, como da primeira vez; a inquietação que sentira um momento e fumegante.
de que a presa lhe escapasse, desaparecera: estava satisfeito. Apenas o tigre moribundo sentiu o odor da carniça, e o sabor do san-
Assim, estes dois selvagens das matas do Brasil, cada um com as suas 70 gue que filtrando entre as presas caíra na boca, fez uma contorção violenta,
armas, cada um com a consciência de sua força e de sua coragem, considera­ e quis soltar um urro que apenas exalou-se num gemido surdo e abafado.
vam-se mutuamente como vítimas que iam ser imoladas. O índio sorria, vendo os esforços da fera para arrebentar as cordas que
25 O tigre desta vez não se demorou: apenas se achou a coisa de quinze a atavam de maneira que não podia fazer um movimento a não serem essas
passos do inimigo, retraiu-se com uma força de elasticidade extraordinária e retorções do corpo, em que debalde se agitava. Por cautela tinha-lhe ligado
atirou-se como um estilhaço de rocha, cortada pelo raio. 75 até os dedos uns aos outros para privar-lhe que pudesse usar das unhas lon­
Foi cair sobre o índio, apoiado nas largas patas de detrás, com o corpo gas e retorcidas, que são a sua arma mais terrível.
direito, as garras estendidas para degolar a sua vítima, e os dentes prontos a Quando o índio satisfez o prazer de contemplar o seu cativo, quebrou
30 cortar-lhe a jugular, na mata dois galhos secos de biribá, e roçando rapidamente um contra o ou­
tro, tirou fogo pelo atrito e tratou de preparar a sua caça para jantar.
A velocidade deste salto monstruoso foi tal que, no mesmo instante em
que viram brilhar entre as folhas os reflexos negros de sua pele azevichada, 80 Em pouco tempo tinha acabado a selvagem refeição, que ele acompa­
já a fera tocava o chão com as patas. nhou com alguns favos de mel de uma pequena abelha que fabrica as suas
colmeias no chão. Foi ao regato, bebeu alguns goles d'água, lavou as mãos,
Mas tinha em frente um inimigo digno dela, pela força e agilidade.
o rosto e os pés, e cuidou em pór-se a caminho.
35 Como a princípio, o índio havia dobrado um pouco os joelhos, e segurava
Passando pelas patas do tigre o seu longo arco que suspendeu ao om-
na esquerda a longa forquilha, sua única defesa: os olhos sempre fixos magne-
85 bro, envergando ao peso do animal que se debatia em contorções, tomou a
tizavam o animal. No momento em que o tigre se lançara, curvou-se ainda
picada...
mais, e fugindo com o corpo apresentou o gancho. A fera, caindo com a força ALENCAR, losé de. O gu a ra n i. 9. ed. Sao
do peso e a ligeireza do pulo, sentiu o forcado cerrar-lhe o colo, e vacilou. Paulo, Ática. 1981, p. 21-4.

40 Então, o selvagem distendeu-se com a flexibilidade da cascavel ao lan­


çar o bote: fincando os pés e as costas no tronco, arremessou-se e foi cair so­
bre o ventre da onça, que, subjugada, prostrada de costas, com a cabeça
presa ao chão pelo gancho, debatia-se contra o seu vencedor, procurando
Vocabulário:
debalde alcançá-lo com as garras.
marchetado (adj.): matizado azevichado (adj.); da cor do azevicfie (tipo de
45 Esta luta durou minutos; o índio, com os pés apoiados fortemente nas carvão)
sardónico (adj.): diz-se do riso forçado
pernas da onça, e o corpo inclinado sobre a forquilha, mantinha assim imó­ e sarcástico forcado (s.m.): instrumento que tem duas ou três
vel a fera, que há pouco corria a mata não encontrando obstáculos ã sua pas­ Imolado (adj.): sacrificado hastes de pau ou de ferro; garfo
sagem.
151
150
debalde (adv.): em vão, inutilmente
ticum (s.m.|: fibra forte de urna palmeira
do mesmo nome
carniça (s.f.): animal morto para aiimentaçao
do homem
biribã (s.m.): árvore dotada de fruto amarelo, de
B. Senhora
lezira (s.f.|: térra plana e alagadiça, nas margens polpa comestível
de um rio picada (s.f,): atalfio estreito Trecho 1: Aurélia
Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela.
Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi
proclamada a rainha dos salões.
ESTUDO DO TEXTO Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos poetas e o fdolo dos noivos
5 em disponibilidade,
1. Quais são as personagens que participam da narrativa? o indio eo ügre. Notar queo autor
Utiliza OS termos onça e tigre mdisti.niamente. Era rica e formosa,
Duas opulências, que se realçam como a flor em vaso de alabastro; dois
2. Observe:
esplendores que se refletem, como o raio de sol no prisma do diamante.
“ ... dois raios vítreos e pálidos, que semelhavam os reflexos de alguma cristaliza­
Quem não se recorda da Aurélia Camargo, que atravessou o firmamen-
ção de rocha, ferida pela luz do sol.”
10 to da corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do
“ ... atirou-se como um estilhaço de rocha, cortada pelo raio.”
deslumbramento que produzira o seu fulgor?
“ ... o selvagem distendeu-se com a flexibilidade da cascavel...”
ALENCAR, )osé de. Senhora. 10. ed. S ão Paulo,
Nessas frases, o narrador caracteriza as personagens através de comparações com Ática, 1974. p. 13.

elementos da natureza. Comente esse fato, tendo em vista as características do


Romantismo brasileiro, o aluno deverá deduzir que a intenção do autor é mostrar a integração do selva­ Trecho 2: Sociedade
gem ao seu meio.
Havia nessa noite teatro lírico. Seixas, depois de um exílio de oito
3. Responda: meses, não podia faltar ao espetáculo.
a) Qual é a única arma de defesa do índio? a forquiiiia, Às oito horas em ponto, com o fino binóculo de marfim na mão esquer­
b) Qual o meio utilizado pelo índio para imobilizar o animal? uma corda de ticum. da calçada por macia luva de pelica cinzenta, e o elegante sobretudo no bra-
c) O que o índio utiliza como vasilha de água? Uma folha de cajueiro-bravo, 5 ço, subia as escadas do lado par.
id., ibid., p. 4!
d) o que lhe serve de alimento? u m a cutia,
e) Como ele obtém fogo? Roçando os galhos secos de biribá. Trecho 3; Casamento
f) O que lhe serve de sobremesa? Aiguns favos de mei.
— Representamos uma comédia, na qual ambos desempenhamos o
nosso papel com perícia consumada. Podemos ter este orgulho, que os me­
lhores atores não nos excederiam. Mas é tempo de pôr termo a esta cruel
Alencar procura mostrar mistificação, com que nos estamos escarnecendo mutuamente, senhor, En-
a autonomia do índio no seu espaço natural, 5 tremos na realidade por mais triste que ela seja; e resigne-se cada um ao que
retirando da natureza tudo o que é necessário é, eu, uma mulher traída; o senhor, um homem vendido.
para sua sobrevivência. — Vendido! exclamou Seixas ferido dentro d'alma,
— Vendido sim: não tem outro nome, Sou rica, muito rica, sou milioná­
ria; precisava de um marido, traste indispensável às mulheres honestas, O
10 senhor estava no mercado: comprei-o. Custou-me cem contos de réis, foi ba­
rato; não se fez valer.
4. O índio de Alencar assemelha-se a um super-herói moderno. Em artigo publicado
no jornal O G lobo, em 1875, o escritor Joaquim Nabuco afirma que os heróis de Id.. ibid-, p, 65.

Alencar são inverossímeis. Comente essa crítica em relação ao texto lido. respostai¡-
vre do aiuno Trecho 4: Amor

José de Alencar não se limitou a focalizar o índio e a natureza brasilei­ — Oh! ninguém o sabe melhor do que eu, que espécie de amor é esse,
ra. Vários de seus romances têm como assunto a vida na corte, com seus cos­ que se usa na sociedade e que se compra e vende por uma transação mer­
tumes, hábitos e convenções. Essas obras constituem o chamado romance cantil, chamada casamento!... O outro, aquele que eu sonhei outrora, esse
urbano ou romance romântico de costumes, cujo objetivo era retratar criti­ bem sei que não o dá todo o ouro do mundo! Por ele, por um dia, por uma
camente a sociedade carioca da época. O estudo de alguns trechos da obra 5 hora dessa bem-aventurança, sacrificaria não só riqueza, que nada vale, po­
Senhora^Qxmiúxk caracterizar essa tendência na obra de Alencar: rém minha vida, e creio que minha alma!
professor: O aluno deverá ser lembrado da necessidade que tinha o brasileiro da época em afirmar nossa nacionalidade e
independência.
153
Aurélia, no afogo destas palavras que lhe brotavam do seio agitado, re­ ESTUDO DO TEXTO
tirara a mão do braço de Seixas; ao terminar voltara-se rapidamente para es­
conder a veemência do afeto que lhe incendiara o olhar e as faces. Trecho 1
Id-, ibid., p. 123,

1. Que palavras designam costumes da corte? saioes e baUes.


Trecho 5: Final feliz
2. Copie do texto as palavras que revelam a idealização física e social da persona­
Seixas ergueu nos braços a formosa mulher, que ajoelhara a seus pés; gem, estrela, rainha, musa, ídolo, rica, formosa., brilhante nteteoro
os lábios de ambos se uniam já em férvido beijo, quando um pensamento fu­
nesto perpassou no espírito do marido. Ele afastou de si com gesto grave a Trecho 2
linda cabeça de Aurélia, iluminada por uma aurora de amor, e fitou nela o
5 olhar repassado de profunda tristeza. 1. Que relação se pode estabelecer entre o tipo de lazer citado no texto e a classe so­
— Não, Aurélia! Tua riqueza separou-nos para sempre. cial da personagem citada? o teatro lírlco é um índice de que a personagem faz parte da classe abastada
do Rio de Janeiro da época.
A moça desprendeu-se dos braços do marido, correu ao toucador, e 2. Que outro elemento descritivo do texto enfatiza a condição social da persona­
trouxe um papel lacrado que entregou a Seixas. gem? A maneira como ela se veste.
— O que é isto, Aurélia?
Trecho 3
10 — Meu testamento.
Ela despedaçou o lacre e deu a ler a Seixas o papel. Era efetivamente 1. Como Aurélia conseguiu casar-se? com prando um marido.
um testamento em que ela confessava o imenso amor que tinha ao marido e
o instituía seu universal herdeiro. 2. O casamento tal como é enfocado no texto foge à convenção romântica. Por
quê? Porque é visto como uma transação comercial.
— Eu o escrevi logo depois do nosso casamento; pensei que morresse
15 naquela noite, disse Aurélia com gesto sublime. 3. Seixas reúne características morais tipicas de um herói do Romantismo? Por
Seixas contemplava-a com os olhos rasos de lágrimas. quê? Não, pois se deixou comprar, encarando o casamento apenas como um meio de ascensão social.
— Esta riqueza causa-te horror? Pois faz-me viver, meu Fernando. É o
Trecho 4
meio de a repelires. Se não for bastante, eu a dissiparei.
** Apesar de ter “ comprado um marido” , Aurélia tem uma visão,extremamente
As cortinas cerraram-se, e as auras da noite, acariciando o seio das flo- idealizada do amor. Justifique essa afirmativa. Na verdade, AuréUa ironiza o casamento, disso­
ciando-o do amor. Além disso, a personagem supervaloriza o amor, que chega a parecer-lhe mais importante que a pró­
20 res, cantavam o hino misterioso do santo amor conjugal. pria vida.
Id„ ibid., p. 189.

Trecho 5

Vocabulário: Depois de Seixas devolver o dinheiro que recebera para tornar-se marido de
Aurélia, enfim se consuma o casamento e o equilíbrio se restabelece. O que passa a
cetro (s.m.|: poder real: primazia
escarnecer (v.t.d.): zombar: menosprezar,
representar o dinheiro no fim do romance? o dinheiro é o meio de reabilitação de Selxas com o herói
romântico, além de propiciar a consecução da segurança material.
desprezar
veemência (s.f.): impetuosidade: vigor:
intensidade
aura (s.f.): brisa, aragem
II. UTERATURA
A prosa no Romcaitismo brasileiro (III)
Sala de visitas do século XIX, exemplo A obra de José de Alencar
do cenário onde se desenrolavam as
tramas dos romances urbanos de José Alencar tinha consciência clara do papel que cabia ao escritor de sua
de Alencar: o mobiliário de estilo ia
época. Por isso, o conjunto de romances que escreveu tornou-se a obra mais
substituindo o móvel de
representativa na busca das raízes de nossa nacionalidade.
tradição colonial.

155
154
Seus romances abrangem todos os aspectos da realidade brasileira do
seu tempo.
0 romance indianista
Além disso, o escritor sempre se preocupou em empregar uma lingua
foi uma das soluções que os escritores
que se distanciasse do português utilizado em Portugal.
brasileiros encontraram para repetir aqui
Hoje, o estilo de Alencar parece-nos declamatório, mas, ao ler seus ro­
a proposta européia de volta ao passado.
mances, não podemos nos esquecer de situá-los no tempo em que foram es­
A civilização indígena representou
critos.
literariamente o aspecto mais autêntico
de nossa nacionalidade.
J . DE A LEN CA R.

CL>

guârâny.
BomnicE BB^njEun».
IRACEMA 2. Alencar continua:

LENDA. r>0 CEARA


0 segundo período é históríco: representa o consórcio do po­
vo invasor com a terra americana, que dele recebia a cultura e lhe efluvio: emanação invisível;
ma, perfume
retribuía nos eflúvios de sua natureza virgem e nas reverberações de reverberação: reflexo, brilho, res-
um solo esplêndido. plendor

a) A palavra consórcio significa associação, ligação, união. De acordo com o


texto acima, cada parte do consórcio contribui com um elemento.
RIO DE JA N E IR O
Qual foi a contribuição do povo invasor? a cultura.
RIO DE JANEIRO.
T v p . D E V u fíK A & F il h o s , rv ia d 'A juda N, 7 9 Com que contribuiu a terra americana? Com a natureza virgem e o solo esplêndido.
Capa de 0 guarsm. EHPREZA C4ACI0 NAI. DO BIaMO. b) o trecho lido caracteriza o romance histórico de Alencar. Cite duas de suas
obras que se enquadram nessa classificação, a guerra dos mnscales e A s minas de prata.
F o nte : H is tó ria da tip o g ra fia
n o B rasü. S ão Pauio, Cap3 de Iracema.
M u se u de A rte de Sao
P aulo, 1 9 7 9 . p. 9 5 F o n te : íd.. tbid. p. 1 07 .

0 romance histórico
Observe estas primeiras edições dos romances de José de Alencar: apenas a de 1 8 6 5 traz o nome
do autor na capa, fato que sugere um crescimento gradual de sua popularidade.
pretende trazer à tona figuras históricas
O estudo do romance alencariano é favorecido por um texto que ele ou até figuras lendárias, situando-as em seu
próprio escreveu como prefácio de seu livro Nesse prefácio, Sonhos d’ouro. tempo e momento reais.
o autor deixa claro o propósito de retratar os aspectos fundamentais da vida
brasileira, além de fornecer uma classificação de sua própria obra.
São trechos desse prefácio que utilizaremos nos exercícios seguintes.
3. Continuando seu prefácio, Alencar diz:
A terceira fase, a infância de nossa literatura, começada com
a independência política, ainda não terminou; espera escritores que
lhe dêem os últimos traços e formem o verdadeiro gosto nacional.
(...) Onde não se propaga com rapidez a luz da civilização, que de
1. Ao referir-se à literatura brasileira, Alencar afirma: repente cambia a cor local, encontra-se ainda em sua pureza origi­
0 período orgânico dessa literatura consta já três fases. nal, sem mescla, esse viver singelo de nossos pais, tradições, costu­
A primitiva, que se pode chamar aborígine, são as lendas e sborigíiie: naüvo; inàgena mes e linguagem, com um sainete todo brasileiro. saineíe: atrativo, :a; gosto,
sabor
mitos da terra selvagem e conquistada; são as tradições que embáa-
ram a infância do povo... a) O trecho mostra a fonte de inspiração para romances como O tronco do ipê,
O trecho lido diz respeito ao romance indianista. TU, O gaúcho O sertanejo.
e Como se classificam esses romances? Regionalistas.
a) Que aspecto da cultura brasileira serve de fonte para a temática dos romances b) Que expressão do texto demonstra a busca de uma parcela da cultura ainda
dessa primeira fase? Lendas e mitos da terra selvagem e conquistada. não influenciada pelo colonizador? “ em sua pureza originai”
b) Cite duas obras de Alencar que incorporem esses temas, o guarani, Iracema e c) Segundo o texto, que fator provoca a mudança da “ cor local” ? a luz da
Ubirajara. civilização.

156 157
Sobre esse texto não é correto afirmar que:
o romance regionalista a) mostra o traço romântico do inconformismo;
vai retratar diferentes partes do país, b) dá tratamento eloqüente à linguagem para tratar do tema da escra­
focalizando seus hábitos, costumes, vidão;
linguagem, tradições, sempre em oposição aos c) pode ser identificado com a poesia abolicionista de Castro Alves;
valores urbanos da corte. d) pelo tema que explora, classifica-se na corrente social da poesia ro­
mântica;
e) traduz o pessimismo e o egocentrismo do poeta romântico diante da
4. Na seqüência de seu prefácio, Alencar afirma: impossibilidade de mudar o mundo, x
Nos grandes focos, especialmente na corte, a sociedade tem a fisionomia indecisa, vaga e
múltipla... 2. (UCMG) Marque a opção em que todos os romances indicados, de José
a) Nesse trecho, Alencar refere-se ao cenário de alguns de seus romances. De que de Alencar, põem em relevo o gosto romântico em focalizar a sociedade
cenário se trata? Da corte. burguesa:
b) Como são chamados os romances dessa fase? urbanos ou sociais. a) A pata da gazela O guarani O tronco do ipê
— —
c) Cite três romances dessa fase, Cmco minutos, a víuvínha. Diva, A pata da gazela. Sonhos d ‘ouro.
b) Encarnação Lucíala As minas de prata
— —
Lucíala Diva Senhora
Lucióla, Senhora e Encarnação.
c) — — x
d) Sonhos d ’ouro Iracema Cinco minutos
— —
0 romance urbano e) Ubirajara A viuvinha TU
— —
procura focalizar a corte,
onde se misturam um modo de ser nacional 3. (Fuvest-SP) Sobre o romance indianista de José de Alencar, pode-se
e as influências estrangeiras. afirmar que:
Nesse tipo de romance, Alencar retrata a) analisa as reações psicológicas da personagem como um efeito das in­
a vida burguesa da época, utilizando fluências sociais;
histórias de amor como assunto b) é um composto resultante de formas originais do conto;
das narrativas. c) dá forma ao herói amalgamando-o à vida da natureza; x
d) representa contestação política ao domínio português;
e) mantém-se preso aos modelos legados pelos clássicos.

4. (FUC-SF — adaptado) A respeito do romance Inocência, de Visconde


m . REVISÃO: de Taunay, pode-se afirmar que:
QUESTÕES DE VESTIBULAR a) ambientado no interior da Bahia, constitui uma verdadeira tragédia
passional;

Literatura
b) é uma obra sem conflito, e tudo concorre para a realização do amor
das personagens;
c) as personagens que se opõem na conquista do amor de Inocência são
Cirino e Manecão; x
Responda no caderno: d) fixa aspectos da vida rural brasileira, mas a fala das personagens é
muito marcada pela norma culta urbana;
(Fatec-SP) e) é um documentário da vida sertaneja, mas de pouco valor para o re­
Ontem plena liberdade... Senhor Deus dos desgraçados! gionalismo romântico.
A vontade por poder... Dizei-me vós. Senhor Deus!
Hoje cúm’Io de maldade! Se eu deliro... ou se é verdade
5. (FUC-SF) Dentro do Romantismo brasileiro, o regionalismo foi um te­
Nem são livres pra... morrer! Tanto horror perante os céus...
ma que representou o golpe mais vigoroso desferido contra a literatura
Prende-os a mesma corrente
de modelos portugueses. Aponte a alternativa em que todos os autores
Férrea, lúgubre serpente
tiveram ligação com esse tema romântico:
Nas roscas da escravidão...
( ...) a) Visconde de Taunay — Bernardo Guimarães — José de Alencar x

159
158
b)
c)
José de Alencar — Joaquim M. de Macedo — Manoel A. de Almeida
Franklin Távora — Visconde de Taunay — Álvares de Azevedo Gramática
d) Gonçalves Dias — Bernardo Guimarães — Joaquim M. de Macedo
e) Martins Pena — Casimiro de Abreu — Fagundes Varela Responda no caderno:

6. (UFPR) Qual das informações sobre José de Alencar é correta? Nos testes de 1 a 6, que alternativa completa corretamente os quadradi­
a) Alencar inaugurou a ficção brasileira com a publicação de sua obra nhos da frase inicial?
Cinco minutos. 1. (Cescem) Quando tudo □ sombrio, onde □?
b) Alencar foi um romancista que soube conciliar um romantismo exa­
cerbado com certas reminiscências do Arcadismo, manifestas, princi­ a) parece-nos/acolhermo-nos
palmente, na linguagem clássica. X b) nos parece/nos acolhermos
c) Alencar, apesar de todo o idealismo romântico, conseguiu, nas obras c) parece-nos/acolhermos-nos
Luciólae captar e denunciar certos aspectos profundos, re­ d) parece-nos/nos acolhermos
calcados na realidade social e individual, onde podemos detectar um e) nos parece/acolhermos-nos
pré-realismo ainda inseguro, x
d) A obra de José de Alencar, objetivando atingir a história do Brasil e a 2. (Cescem) Em □ dessa matéria, □ com o que puder.
síntese de suas origens, volta-se exclusivamente para assuntos indíge­ a) tratando-se/ajudá-lo-ei d) se tratando/ajudarei-o
nas e regionalistas, sem incursões pelo romance urbano. b) tratando-se/o ajudarei e) se tratando/o ajudarei
e) O indianismo de José de Alencar baseou-se em dados reais e pesquisa X c) se tratando/ajudá-lo-ei
antropológica, apresentando, por isso, uma imagem do índio brasi­
leiro sem deformações ou idealismo. 3. (Cescem) Quanto □, se □ no pouco que □.
a) alegrar-nos-íamos/atendesseis-nos/solicitamos-vos
7. (FAAP-SP) Que obras de José de Alencar, Taunay, Bernardo Guima­ b) alegraríamo-nos/atendesseis-nos/soHcitamos-vos
rães e Franklin Távora permitem afirmar: “ Coube aos ficcionistas ro­ c) alegrar-nos-íamos/nos atendêsseis/solicitamos-vos
mânticos descobrir e idealizar o espaço rural” ? Alencar: O gaúcho, TU, O tronco do d) nos alegraríamos/atendêsseis-nos/vos solicitamos
ipê; Taunay: Inocência; B. Guimarães: O seminarista, A escrava Isaura; F. Távora: O Cabeleira.
X e) nos alegraríamos/nos atendêsseis/vos solicitamos
8. (FEI-SP) Indique, através do texto a seguir:
4. (Cescem) Quando □ as provas, □ imediatamente.
a) autor; b) obra; c) estética literária.
a) lhes entregarem/corrij am-as
Um grupo de estudantes de Medicina, formado de Augusto, Leopoldo, Fabrício e Felipe,
resolve passar um fim de semana na ilha de (...), onde mora o último deles. Como Augusto se di­ b) lhes entregarem/as corrijam
zia capaz de resistir a qualquer compromisso amoroso duradouro, Felipe aposta com ele que, se X c) lhes entragarem/corrij am-nas
‘•tiver amado a uma só mulher durante quinze dias ou mais, será obrigado a escrever um roman­ d) entregarem-lhes/corrijam-as
ce em que tal acontecimento confesse” . 0 encanto de Carolina, irmã de Felipe, fá-lo perder a
a pO S ÍE . Jo a q u im M a iiu c i cie M acedo /' / í h4oreninha / R onianiisrno
e) entregarem-lhes/as corrijam

5. (Cescem) Admirou-me a despesa porque não □ que o presente □ tão


9. (UFSC) A opção que inclui somente obras de José de Alencar é;
caro.
a) O guarani O seminarista Lourenço;
— —
a) havias dito-me/iria custar-te
b) Senhora O demônio familiar Sonhos d ’ouro\
— — x
b) havias-me dito/iria custar-te
c) Inocência Lucióla O noviço-,
— —
X c) me havias dito/iria custar-te
d) A guerra dos mascates O garimpeiro Lágrimas do coração-,
— —
d) havias-me dito/te iria custar
e) Ubirajara O ermitão de Muquém Cinco minutos.
— —
e) havias-me dito/iria te custar
10. (Fuvest-SP) Dentre as obras abaixo, qual não se filia ao regionalismo ro­ 6. (Cescem) Não se preocupem com o trabalho, □ esta semana, sem falta.
mântico? Quanto à sua parte, □ tranqüilos, pois o prazo é mais que suficiente.
a) Inocência d) O gaúcho a) fá-lo-emos/façam-a d) fá-lo-hemos/façam-na
b) O Cabeleira e) A pata da gazela
x
c) O sertanejo b) o faremos/façam-a
c) o faremos/façam-la
x e) fá-lo-emos/façam-na

160
161
7. (Cescem) Assinale a incorreção:
Nada te autoriza a destratar as pessoas com quem não simpatizas-te.

8. (Cescea) Assinale a correta:


A prosa no Romantismo
•Drasileiro (IV)
a) Se me tivessem perguntado, teria-lhes respondido.
b) Se tivessem me perguntado, lhes teria respondido.
X c) Se me tivessem perguntado, ter-lhes-ia respondido.
d) Se tivessem perguntado-me, ter-lhes-ia respondido.
e) Se tivessem me perguntado, teria respondido-lhes.
Chegamos por nossas investigações à
conclusão de que o verdadeiro amor, ou são
9. (MACK-SP) Indique a alternativa correta quanto ao emprego dos pro­ todos, ou é um só, e neste caso não é o
nomes: primeiro, é o último. O último é que é o
a) O médico decidiu permanecer na sala cirúrgica com nós e com os ou­ verdadeiro, porque é o único que não muda.
tros pacientes para que não houvesse contágio entre eu eeles. (Manuel Antônio de Almeida)
X b) O mestre veio com nós dois até a sala, fez suas advertências habituais
e se interpôs entre mim e ti, para evitar dissidências.
c) O administrador chegou conosco e, logo em seguida, pediu para mim
dirigir os trabalhos daquele dia atribulado.
d) Quero conversar consigo, mestre João, pois desapareceu a sincerida­
de que havia entre tu e eu.
e) Prudentemente, mandei-o entrar, pois seu grito de pavor chegava até
eu naquele momento.

10. (Fuvest-SP) Assinale a alternativa que completa corretamente os qua­ Detaíhe do Largo da Matriz da Boa Vista, litografia
dradinhos da frase inicial: de F. Klaus sobre desenho de Emil Bauch, que mostra
um aspecto do Rscife de 1 8 5 2 .
Era para □ falar □ ontem, mas não □ encontrei em parte alguma.
F o nte ; ÍViAFRA DE S O U Z A , A ., o rg . O M u s e u N a c io n a l de B elas A rte s .
a) mim/consigo/o d) mim/contigo/te São P aulo, B anco S afra , 1 9 8 5 . p, 1 67 .

b) eu/com ele/lhe x e) eu/com ele/o


c) mim/consigo/lhe

Redação Detalhe superior da


fachada principal do
Museu Nacional de
Dissertação: Belas Artes do Rio
(Fuvest-SP) “ Fomos criados para sermos irmãos de nossos irmãos, e de Janeiro, prédio da
mesmo assim olhe lá. Somos irmãos.de nossos irmãos e de nossos amigos, os antiga Academia Real
demais são sócios, indiferentes ou inimigos, competidores. Se eu quiser ser de Belas Artes, criada
pelo príncipe D. João.
irmão de um favelado eu acho que ele me cospe na cara.” (Carlos Drum-
F o nte ; Id., ib id . p. 7,
mond de Andrade)
Você concorda com a posição de Drummond a respeito da fraternidade Compare as duas construções: as linhas simples e populares passam a ser tematizadas nos
humana? Por quê? desenhos, acompanhando a mudança de enfoque ocorrida na prosa do período.

162 163
Manuel Antonio de Almeida (1831-1861) 1. Como o narrador caracteriza as personagens femininas, no que diz respei­
to a:
☆ Rio de Janeiro (RJ)
+ Naufrágio do vapor Hermes texto 1 texto 2
De origem pobre, conheceu de perto a — cor da pele páiida — cor da pele alva
classe média carioca. Estudou Belas-Artes e — olhar furtivo — olhos grandes e pretos
Medicina. Exerceu o jornalismo e foi diretor — braços finos e compridos — braços alvos e torneados
da Tipografia Nacional.
— cabelos cortados e mal penteados — cabelos negros e íuzidios
Os textos de Manuel Antonio de Almei­
— roupa vestido de chita
da foram publicados pela primeira vez sem o
nome do autor e, em 1854 e 1855, sairam em
livro (dois volumes), sob o titulo de Memo­ Manuel Antonio 2. Agora, compare as descrições e responda: qual dos dois escritores se en­
rias de um sargento de milicias. de Almeida. quadra perfeitamente no Romantismo, no que diz respeito à idealização
da figura feminina? Joaquim Manuel de Macedo,
A obra de Manuel Antonio de Almeida foi publicada em folhetim, no
jornal Correio Mercantil,
no período de julho de 1852 a julho de 1853. O ro­
Leia agora a descrição de Leo­ Mário é o herói de O tronco
mance de folhetim, precursor das novelas de televisão e dos filmes seriados,
foi uma herança da cultura francesa e consistiu em narrativas com enredos nardo, o herói do romance de M. do ipê, de José de Alencar:
bastante intrincados, publicadas nos jornais da época. A. de Almeida:
Nada o detinha então; arrostava o perigo
Segundo o critico Antonio Candido, o romance Memórias de um sar­ ... 0 pequeno, a quem o padrinho queria fa­ e vencia o obstáculo com agilidade e impavi­
gento de milicias,escrito na época do Romantismo, “ está meio em desacor­ zer clérigo mandando-o a Coimbra, a quem dez admiráveis. Havia nesse corpo uma su-
do com os padrões e o tom do momento” . Vamos comparar alguns trechos a madrinha queria fazer rábula, arranjando- perabundância de seiva, que precisava des­
da obra de M. A. de Almeida com outros textos románticos e descobrir até -0 em algum cartório, e a quem enfim cada perdiçar, para não ficar sufocado. Depois
que ponto essa afirmativa é verdadeira. conhecido ou amigo queria dar um destino voltava à sua habitual calma e sisudez.
que julgava mais conveniente às inclinações Embora essas alternativas fossem o efeito
que nele descobria, o pequeno, dizemos, ten­ de uma idiossincrasia moral, filha da Natu­
I. TEXTO do tantas coisas boas que escolher, escolheu
a pior possivel: nem foi para Coimbra, nem
reza e também da educação, contudo Mário
já governava seu caráter; o que prometia pa­

Memorias de um Segue-se a descrição de uma para a Conceição, nem para cartório algum; ra mais tarde o homem de boa têmpera, ca­
heroina imaginada pela persona­ não fez nenhuma destas coisas, nem também paz de grandes cometimentos.
sargento de milícias gem central de O moço loiro, ro­ outra qualquer: constituiu-se um completo

mance de Joaquim Manuel de vadio, vadio-mestre, vadio-tipo.

Luisinha é a personagem por Macedo:


quem Leonardo Pataca, o herói
do romance, se apaixona. Eis sua Eu vi uma mulher verdadeiramente bela.
descrição: Seus cabelos são negros e luzidios como
azeviche; seus olhos grandes, pretos e arden­
... tendo perdido as graças de menina, ainda tes, dardejavam vistas de fogo tão penetran­
não tinha adquirido a beleza de moça: era tes como os raios de sol.
alta, magra, pálida; andava com o queixo Sua fronte branca, elevada e Usa, é o tro­
enterrado no peito, trazia as pálpebras sem­ no do mais nobre sossego; seu rosto pálido,
pre baixas e olhava a furto; tinha os braços melancólico e doce, o assento da graça mais Vocabulário: impavidez; coragem
finos e compridos; o cabelo, cortado, dava- arrebatadora; seus lábios encarnados, virgi­ clérigo: sacerdote cristão idiossincrasia: maneira de ver, sentir, reagir, própria de
-Ihe apenas até o pescoço, e como andava nais e puros, a fonte das mais angélicas delí­ rábula: indivíduo que advoga sem possuir o diploma cada pessoa
mal penteada e trazia a cabeça sempre bai­ cias. arrostar: encarar têmpera: índole; inteireza de caráter
xa, uma grande porção caia-lhe sobre a testa Seus braços são alvos e torneados; e suas
e olhos como viseira. Trajava nesse dia um mãos delicadas e finas; seus dedos dir-se-iam 1. Que expressões resumem o caráter de Leonardo? Vadio-mestre; vadio-tipo.
vestido de chita roxa muito comprido, quase brandas hastes de cristal, cada uma das
sem roda, e de cintura müito curta; tinha ao quais fosse coroada por uma pétala de rubra
pescoço um lenço encarnado de Alcobaça. rosa. 2. Pode-se classificá-lo como herói tipicamente romântico? Por quê? Não, pois
0 herói romântico jamais era um vadio.

164 165'
3. Que expressão resume o caráter do futuro herói (Mário)? Homem de boa tempera.
O nome das personagens, ou seus apelidos, e o espaço focalizado são ín­
4. Pode-se afirmar que essa expressão é uma antítese daquela que caracteriza dices da classe social a que elas pertencem. Qual dos dois autores focaliza um
grupo social menos privilegiado? Manuel Antônio de Almeida.
Leonardo? sim.
5. A nobreza de caráter é uma característica do herói romántico. Qual das Observe a descrição de uma Faça o mesmo em relação ao
duas personagens apresenta essa característica? Mário. festa: romance A Moreninha, de Joa­
quim Manuel de Macedo:
6. Comparando as duas descrições, responda: qual dos autores não segue o Grande parte do Campo estava já cober­
esquema preconizado pelo Romantismo na criação da personagem? Por ta daqueles ranchos sentados em esteiras, Em um sarau todo mundo tem que fazer.
qué? M . A . de Almeida. Seu herói não é idealizado. ceando, conversando, cantando modinhas 0 diplomata ajusta, com o copo de champa­
ao som da guitarra e viola. Fazia gosto pas­ nha na mão, os mais intrincados negócios;
Veja como Leonardo reage Observe agora a reação de Sei­ sear por entre eles e ouvir aqui a anedota todos murmuram e não há quem deixe de ser
diante da indiferença de Luisi- xas, diante da revelação deAuré- que contava um conviva de bom gosto, ah a murmurado. (...) as moças no sarau são co­
nha, no primeiro encontro: lia de tê-lo comprado como mari­ modinha cantada naquele tom apaixonada­ mo estrelas no céu; estão no seu elemento;
do. O trecho é do romance Se­ mente poético que faz uma das nossas raras
originalidades...
aqui uma, cantando suave cavatina, eleva-se

nhora, de José de Alencar:


vaidosa nas asas dos aplausos, por entre os
... quando se viu assim tratado quase desa­ quais surde, às vezes, um bravíssimo inopi­
tou a chorar; só o conteve o receio de não nado que solta de lá da sala de jogo o par­
poder depois justificar o seu pranto com Seixas, trespassado pelo cruel insulto, ar­ ceiro que acaba de ganhar sua partida no
qualquer pretexto. A este primeiro momento remessado do êxtase da felicidade a esse écarté, mesmo na ocasião em que a moça se
sucedeu-lhe um momento de calma, e depois abismo de humilhação, a princípio ficara espicha completamente, desafinando um sus­
cresceu-lhe por dentro uma chama de raiva, atônito. Depois quando os assomos da irri­ tenido...
e esteve a ponto de chegar-se para a menina, tação vinham sublevando-lhe a alma, recal-
desenterrar-lhe o queixo do peito, e chamá- cou-os esse poderoso sentimento do respeito
-la quatro ou cinco vezes de estúrdia e feia. à mulher, que raro abandona o-homem de
Afinal cismou um pouco e murmurou um — fina educação. Vocabulário:
que me importa! — que pretendia ser des­ conviva: pessoa que toma parte, como convidada, em almoço,
prezo, e que não era senão despeito. jantar etc.
cavatina: cantiga pequena

JH L
snrdir: surgir
inopinado: imprevisto, inesperado; extraordinário, singular
écarté. jogo entre dois parceiros, com 32 cartas

Qual dos dois textos descreve uma festa nos salões da corte? Copie três
Vocabulário: substantivos que justifiquem sua resposta. o texto de Macedo. Diplomata, champanha, écarté.
eslnrdk): leviano; doido; extravagante assomo: indicio sublevar: revoltar
Observe a retomada do ro­ Veja uma situação semelhante
mance entre Luisinha e Leonar­ envolvendo Aurélia e Seixas, per­
Comparando a atitude das duas personagens, percebemos que motivos
diferentes levaram-nas a atitudes diversas. Explique o motivo da atitude de
do: sonagens de Senhora.'
cada uma diante da indiferença da mulher amada. Leonardo não reage porque seu amor- Luisinha e Leonardo haviam reatado o A moça travara das mãos de Seixas e
-próprio ficou ferido, por despeito, enfim. Seixas, porque respeita a mulher.
antigo namoro; e quem quiser ver coisa de 0 levara arrebatadamente ao mesmo lugar
Observe o nome da persona­ Observe o mesmo detalhe na andar depressa é ver namoro de viúva. onde cerca de um ano antes ela infligira
gem: obra Senhora, de Alencar: Na primeira ocasião Leonardo quis re­ ao mancebo ajoelhado a seus pés, a cruel
correr a uma nova declaração; Luisinha po­ afronta:
Foram ter com Maria-Regalada, que Uma noite, no Cassino, a lisia Soares, rém fez 0 processo sumário, aceitando a de­ — Aquela que te humilhou, aqui a tens
mesmo na véspera tinha mandado dar parte que fazia-se íntima com ela e desejava arden­ claração de há tantos anos. abatida, no mesmo lugar onde ultrajou-te,
que se mudara da Prainha, e oferecia-lhes temente vê-la casada, dirigiu-lhe um gracejo nas iras da sua paixão. Aqui a tens implo­
sua nova morada. acerca do Alfredo Moreira, rapaz elegante rando teu perdão e feliz porque te adora, co­
que chegara recentemente da Europa. mo senhor de sua alma.

166 167
E m qual dos dois textos o com portam en­
to da personagem fem inina é tipicamente ro­ MEMORIAS m . c r a m A t ic a
m ântico? Justifique. No texto de Alencar. Aurelia demons­

Verio {D
DE
tra submissão ao homem amado.

IIMSARGENTOBI MILICIAS
POÉTICA
UM BRASILEIRO.
lOMO t
De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiíeço
De noite ardo.
................... (Vinícius de Moraes)
Capa da 1 .* edição do volyme 1 das Memórias de um
sargento de milícias, 1 8 5 4 .
F o nte : H is ró ris da iip o g ra fm n o BrasU. São Paido, M u se u de A rte de São R IO JDE JAIVEIRO. Conceito
P aulo, 1 9 7 9 , p. 8 ? .
TíPO tElPBll BUMUESSE DE ÍAXHIA») COllBS RIMIRO
R u a do Sabfio ». 1 1 4 .
As palavras em destaque no texto acima exprimem ações, situando-as
no tempo. São verbos.
O verbo tam bém pode exprimir:
a) estado*: A água é amiga. (Francisco Karam )
11. MTEBATIBA b) m udança de estado: A noite virou dia.
c) fenômeno: Tempo bom pela m anh ã, mas à tarde vai chover. {Folha de S.

K prosa no Romantismo brasileiro (IV) P au lo )

Prosa de transição Classificação


O romance de M anuel A n tô n io de A lm eida, fugindo às convenções ro­
mânticas, é considerado um a obra de transição para o Realism o/N aturalis­ B — irregular
A — Regular
m o. Observa-se nele, além de recursos literários diferentes dos românticos
(como a linguagem mais popular, por exemplo), o retrato de um a classe so­ Verbo regular é aquele cujo radical é Apresenta variação no radical:
cial que ainda não tinha aparecido como personagem central no R om antis­ invariável e segue o paradigma de fazer, poder, pedir
m o: o povo remediado. O utra novidade é um a certa tendência à comicidade. sua conjugação:
cant/ar ( i f conj.) Observação: Segundo a NGB (No­
(radical)
menclatura Gramatical Brasilei­
vend/er í2f conj.) ra), quando os verbos apresen­
(radicai)
tam transformações profundas
part/ir (3? conj.) no radical, são chamados de anô­
(radical) malos:
1. Tendo sido publicada ao auge do período romântico, quando Alencar dominava ser: sou, era, fui
a cena literária, a obra de Manuel Antônio de Almeida revela-se forçosamente O que caracteriza cada uma das con­ ir: vou, irei, fora
deslocada. Por que? Porque não segue à risca as convenções do Romantismo. jugações é a vogal temática: ter: tenho, tive
a — I f conj. vir: venho, viesse
2. O livro de Manuel Antônio de Almeida começa assim: “ Era no tempo do rei” . e — 2f conj. pôr: pus, porei
Situe cronologicamente a época a que se refere a obra. Período que antecede a haver: hei, havemos
Independência, ou seja, a época de D. João VI. i — 3.® conj.
estar: estou, esteja
3. Apesar das características que examinamos, o romance termina com a
recuperação de Leonardo e o seu casamento feliz com Luisinha. Esse final
demonstra que, sendo uma obra de transição, o romance tende para o
Romantismo ou para o Realismo? o finai feiiz t uma das características do romance romântico. * estado: modo de ser ou estar

168 169
3

C — Defectivo D — Abundante Subjuntivo 3) Reflexiva: quando o sujeito é


Presente: fale agente e paciente.
É o verbo que não é conjugado em É o verbo que possui duas ou mais Pretérito imperfeito: falasse Os garotos machucavam-se.
todas as formas; formas equivalentes: Futuro; falar
falir, abolir, reaver, precaver aceitado — aceito
Formas nominais;
prendido — preso
H á ainda três formas que não ex-
acendido — aceso
expressam exatamente o tempo em
havemos — hemos
que se dá o fato expresso;
haveis — heis
impessoal: falar
Flexão a) infinitivo<^pessoal: falar eu,
falar es tu,
falar ele etc.
A — Número B — Pessoa C — Modo b) gerundio; falando
c) participio; falado
1) Singular: 1?) É aquela que fala. Indica a atitude da pessoa

Crédito direto amiãar\


estudo Corresponde aos pro­ que fala em relação ao fa­
estudas nomes pessoais eu. to que enuncia.
estuda nós; H á três modos;

ESCUTA,
2) Plural: estudo 1) Indicativo: indica um
estudamos estudamos fato certo:
estudais 2?) É aquela com quem se Ele saiu de casa.
estudam fala. Corresponde aos 2) Subjuntivo: indica um
pronomes pessoais tu, fato possível;
vós; É possível que ele saia
estudas de casa.
estudais 3) Imperativo; indica uma
3?) É aquela de quem se ordem, um conselho.
fala. Corresponde aos um pedido;
pronomes pessoais Saia já!
ele, ela, eles, elas:
estuda
estudam
Tempo verbal. Veja o recurso usado pela propaganda - mudança
enfática io tem po úo le rb o - para sugerir i raptdeí no
D — Tempo E — Voz atendim snto, neste anúncio do Banco A u iilia r.

Indica o momento em que se dá o Indica o relacionamento do sujeito .Ponte: IX A n u á rio do Cluhe de C riação de São P a u h - São F^auío, Clube de CfiüÇáo c

fato expresso pelo verbo. com o processo verbal: São P aulo, 1 9 8 5 . p. 1 4 1 .

Os três tempos básicos são o presen­ 1) Ativa: quando o sujeito é agente.


te, o pretérito e o futuro. Os garotos atiravam cascas de
banana.
Indicativo 2) Passiva: quando o sujeito é pa­
Presente: falo ciente.
a) analítica: verbo auxiliar +
a) imperf.: falava participio.
Pretérito b) perf.: falei Cascas de bananas eram atira­
c) mais-que-perf.: falara das pelos garotos.
b) sintética ou pronominal: ver­
a) do pres.: falarei bo principal -l- se.
Futuro TEATRO DE DANÇA !
b) do pret.: falaria Atiravam-se cascas de ba­
nana. TEXTO £ ROTEIRO DE HARILENAANSALDI 'NSPI^pO NO UVRO
"ESCUTA, ZÉ NINGUÉM" DE WILHELMRÉICH DIREÇÃO CELSO NUNES
Modo verbãi. Observe o yso coloqyial do imperativo em um cartaz da
[]MAPfOMOCAOOASECaílASIA[)t CULIUIAÇlÍMOASi ItCNOLOGlA00 fST«.O0 Dt S*0 PAUlO
peça Escuta, Z é !, de Marilena Ansaidi.

171
170
4. Passe as frases abaixo da voz passiva analítica para a sintética:

a) Não foram admitidas todas as respostas.


Não se admitiram todas as respostas.

b) Sejam feitas as apostas.


1. Indique a idéia expressa pelos verbos em destaque ñas frases que seguem (ação, Façam-se as apostas.
estado, mudança de estado ou fenómeno): c) Eram mantidos fechados os portões do colégio.
Mantínham-se fechados os portões do colégio.
a) O trem de ferro partia cedo. (Adonias Filho) ação d) Ainda não foram resolvidos estes pormenores.
Ainda não se resolveram estes pormenores.

b) Chorou muito, um choro solto, sem vergonha nenhuma. (Guimarães Rosa) e) Os grandes chapéus de palha eram desprezados. (Aluisio Azevedo)
ação Desprezavam-se os grandes chapéus de palha.
c) Não fique triste; a tristeza é aboio* de chamar o demônio. (Guimarães Rosa) f) Seriam resolvidos todos esses problemas.
estado; estado Resolver-se-iam todos esses problemas.

d) Tornava-se cada vez mais apegado aos costumes de sua terra, mudança de estado g) O piano não será vendido.
Não se venderá o piano.
e) Amanliecera um domingo alegre no cortiço, um bom dia de abril. h) Será efetuado o pagamento só no mês que vem.
Efetuar-se-á o pagamento só no mês que vem.
(Aluisio Azevedo) fenômeno

2. Indique o tempo e o modo dos verbos destacados nas frases que seguem:

a) A mãe contava e recontava as duas malas tentando convencer-se de que


ambas estavam no carro. (Clarice Lispector) pret. imperfeito do indicativo

b) — Não esqueci de nada... recomeçou a mãe. (Clarice Lispector)


indicativo
pret. perfeito do IV. REDAÇÃO
c) — Se você tivesse de escolher entre mim e a sua mãe, a quem é que escolhia?

A clareza no texto
(Machado de Assis) pret. imperfeito do subjuntivo

d) — Não fale em morrer, Capitu! (Machado de Assis) imperativo negativo

e) Um moço que andara remexendo nos acontecimentos de há trinta anos Sabemos que todo ato efetivo de comunicação depende da clareza. Para
escrevera umas crônicas para jornais... (Jorge Amado) pret. raais-que-perfeiío do obtê-la, é necessário levar em conta alguns fatores já analisados, como a or­
indicativo

f) A passagem da estrela pelo ponto mais próximo do Sol provocaria enorme denação das frases no texto e a seleção de detalhes.
chuva de cometas, alguns dos quais poderiam se chocar com a Terra. Outros problemas que podem ocorrer num texto são a vagueza e a am­
{Superinteressanté) futuro do pretérito do indicativo bigüidade, que geralmente são conseqüências:
g) Maria Clara me olhava séria, me pegava nas mãos, perguntando o que a gente 1. da utilização de termos muito genéricos, que não especificam corretamen­
faria ali se Antônio Silvino aparecesse. (José Lins do Rego) pret. imperf. do te seres, fatos, circunstâncias, espaço;
indicativo; gerundio; futuro do pretérito do indicativo; pret. imperfeito do subjuntivo
2. da posição inadequada das palavras na frase;
3. Indique a voz verbal: 3. da posição inadequada das frases no texto;
a) Ela me contava as histórias de suas viagens de mar. (José Lins do Rego) ativa
4. da pontuação inadequada.
Vamos analisar a ambigüidade.
b) As histórias de suas viagens de mar eram contadas a mim. -passiva analítica
A posição das palavras na frase pode causar ambigüidade e comprome­
c) Contavam-se histórias de suas viagens de mar. passiva sintética ter a informação, como ocorre nos casos seguintes:
d) O calor do sol já tinha secado seus passos na beira do lago. (José de Alencar) a) Uma biópsia do tumor retirado do pâncreas do imperador Hiroito (...)
e) O trem internava-se pouco a pouco na mata. (Adonias Filho) reflexiva
mostrou que ele não era maligno. {Folha de S. Paulo,
19 ago. 1987.)
O pronome ele tanto pode referir-se ao substantivo tumor quanto ao
f) Demitiram o Ministro do Planejamento, ativa substantivo Hiroito. (No caso, refere-se a tumor.)
g) O Ministro do Planejamento demitiu-se. reflexiva b) Todos esses pincéis são feitos com pêlo de camelo importado. {Folha de
h) O Ministro do Planejamento foi demitido. passiva analítica
S. Paulo, 2 abr. 1987.)
Eis mais um caso de ambigüidade: o adjetivo importado tanto pode refe­
* aboio: toada com que os vaqueiros guiam as boiadas ou chamam os bois dispersos rir-se ao substantivo camelo quanto ao substantivo pêlo.

172 173
O juiz ficou em dúvida quanto às seguintes possibilidades:
Para evitar a ambigüidade, observe se a relação entre cada palavra do
a) A testemunha estava dentro do barracão e viu um desmoronamento.
seu texto está correta. Uma providencia muito simples geralmente permite
b) A testemunha viu o barracão desmoronar.
eliminar o problema; a releitura do texto. Nunca deixe de reler o texto que
(Adaptado de uma questão de vestibular da FAUS-SP.)
você produziu, antes de entregá-lo para leitura ou correção.
a) Como se chama o fenômeno que deu origem às duas hipóteses levantadas
Mas nem sempre a ambigüidade é um defeito. pelo juiz? Ambigüidade.
A ambigüidade, que pode causar problemas de comunicação, é um b) Reesçreva a frase duas vezes, de modo que em cada uma seja eliminada uma
recurso propositalmente utilizado em alguns casos, como ñas anedotas. Ob­ das hipóteses.
serve:

0 soldado descobre um grupo de índios que se aproxima do forte.


— General, general! índios à vista! Proposta de redação
0 general pergunta, lá de dentro;
— E são amigos? A frase seguinte é ambígua, pois pode referir-se tanto a uma árvore co­
— Devem ser, meu general. Estão todos juntos! mo a uma pessoa. Sua tarefa é escolher uma das duas possibilidades de inter­
pretação e desenvolver uma narrativa.
Nesse caso, a ambigüidade é responsável pelo humor da piada. Essa “ Estremeci até as raízes, pensando que logo me haviam de arrancar pa­
ambigüidade está no fato de o general não ter esoecificado a palavra amigos ra ...” (Erasmo Braga)
(amigos de quem?).

Nestes cjuadrintios de Pauío


Caruso, vemos ciue a ría m a da
Eom ynicaçio ficou prejudicada
pelo axcesso de zelo do garçom.
F o nte ; C A R U S O , P aulo, Â s m ii e um e
n o ite s . São P aulo, C irco Edisorlal, 1S8B.
p. 3 6,

Exercícios
1. Reesçreva as notícias analisadas acima, de modo a desfazer a ambigüidade ou
simplesmente melhorar a redação da frase.

2. Leia o texto e responda as questões abaixo;


Num tribunal, a testemunha afirmou:
— Eu vi 0 desmoronamento do barracão.

1 74 175
^ ? //¿ ic /a c íe
Observe como esses autores, um romántico e o outro realista, retratam de maneira dife­
rente a figura feminina:

O Realismo/Naturalismo
características gerais A. Carlota
Eu sabia que era bela: mas a minha imaginação apenas tinha esboçado
o que Deus criara.
Odeio as virgens pálidas, cloróticas Ela olhava-me e sorria.
Belezas de missal que o romantismo Era um ligeiro sorriso, uma flor que desfolhava-se nos seus láblos, um
Hidrófobo apregoa em peças góticas, 5 reflexo que iluminava o seu lindo rosto.
Escritas nuns acessos de histerismo. Seus grandes olhos negros fitavam em mim um desses olhares lângui­
dos e aveludados que afagam os seios d'alma.
Um anel de cabelos negros brlncava-lhe sobre o ombro, fazendo so­
Prefiro a exuberancia dos contornos
As belezas da forma, seus adornos, bressair a alvura diáfana de seu colo gracioso.
A saúde, a matéria, a vida enfim. 10 Tudo quanto a arte tem sonhado de belo e de voluptuoso desenhava-se
naquelas formas soberbas, naqueles contornos harmoniosos que se destaca­
(Carvalho Júnior — poeta brasileiro. vam entre as ondas de cambraia de seu roupão branco.
Obra publicada em 1879.) ALENCAR, [osé de. Carlota. In: C inco m inutos. 9.
ed, S ão Paulo, Ática, 1981, p. 22,

Vocabulário:
lânguido (adj.): frouxo: sensual diáfano (adj.): transparente
afagar (v,t,d.): acariciar voluptuoso (adj.): sensual, deleitoso

Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos: era tal­
vez a mais atrevida criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais volunta­
riosa, Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas
do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realida-
5 de e fecha os olhos às sardas ou espinhas; mas também não digo que lhe
f
M uihir retratada segundo os padrões do Mulher retratada segundo os padrões do maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca, saía
Romantismo, em desenho de
Realismo, em desenho de Dante Rossetti. das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indiví­
Elizabeth Viiée-Lebrun. ¡bu, p. 302 , duo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação.
P iG N A T T !, T e risio . O ciesenho'. De AStamira a
P o n íD ;
P icasso. São P aulo, A b ril C u ltu ra l, 1 9 8 2 , p. 2 9 3 .
póstum as
M a c h a d o de Assis. Virgília, In: Memórias
de Brás C ubas. 8. e d . Sâo Paulo, Âtica, 1981,

L TEXTOS
p . 49.

Vocabulário:
Você vai 1er fragmentos de dois romances; o primeiro, de Cinco minutos, de José de voluntarioso (adj,): caprichoso, teimoso, birrento
Alencar, publicado em 1856; o segundo, extraído de Memorias postumas de Brás Cubas, de primazia (s,f,): prioridade macular (v.t.d.): sujar, manchar
Machado de Assis, publicado em 1881. sobredourar (v.t.d.): enfeitar, adornar, disfarçar precário (adj,): delicado, débil

176 177
ESTUDO DOS TEXTOS Sociedade

1. Os dois textos configuram uma narração ou uma descrição? Descrição. A aristocracia e o clero debcam, pouco a pouco, de desempenhar o pa­
pel ,de orientadores da vida política. A classe média, com costumes e aspira­
2. Qual o elemento da realidade exterior que os dois escritores captaram? Uma figura de ções muito diferentes da aristocracia, passa a ocupar o primeiro plano no ce­
mulher.
nário histórico.
3. Os textos diferem por duas razões: primeiro, porque descrevem personagens dife­
rentes; segundo, porque resultam de diferentes atitudes dos narradores diante do Num primeiro momento, classe média e operariado estiveram unidos
ser descrito. Qual dos dois narradores se caracteriza por uma atitude mais subje­ contra a aristocracia. Mais tarde, ocorre a separação entre esses dois segmen­
tiva? o primeiro. tos sociais e o proletariado começa a se organizar.
Essas condições propiciaram o aparecimento do Manifesto Comunista
4. Num dos textos, o narrador mostra-se consciente de sua objetividade. Copie o
trecho que comprova tal afirmativa. “ ... isto não é romance, em que o autor sobredoura a realida­ de 1848, em que Marx e Engels analisam a situação do proletariado e apon­
d e ...” tam soluções para os problemas detectados.
5. Qual dos dois autores emprega adjetivos que acabam por idealizar a figura femi­
nina? .losé de Alencar.

O primeiro texto prende-se às convenções românticas. O segundo exemplifica Economia


uma nova atitude narrativa que se concretizou num estilo de época denominado
Realismo/Naturalismo, que prevaleceu na segunda metade do século X IX . “ O dinheiro é a grande força que domina toda a vida pública e privada
Assim como já fizemos a distinção entre Romantismo e romantismo, é neces­ e (...) todos os direitos passam a se exprimir através dele. Tudo, para ser
sário deixar clara a diferença entre Realismo e realismo. compreendido, tem que se reduzir a um denominador comum: o dinheiro”
O realismo existe toda vez que a arte procura expressar o mundo de maneira (Arnold Hauser).
objetiva, ou seja, tentando eliminar a subjetividade e a sentimentalidade do artista. Essas palavras demonstram muito bem que nesse período assiste-se à vi­
Nesse sentido, é realista qualquer tentativa de reproduzir objetivamente os da­ tória do capitalismo industrial.
dos observados na realidade. Aqui, realismo opõe-se a fantasia, imaginação.
Nesse tipo de economia, tenta-se anular a interferência humana sobre
Como estilo de época, Realismo designa o período correspondente à segunda
os empreendimentos financeiros. A empresa passa a ser considerada como
metade do século X IX, em que a arte mostra uma tendência a eliminar de sua ex­
um órgão autônomo, que leva em conta apenas seus próprios interesses e ob­
pressão o sonho, a imaginação, a fantasia, a subjetividade. Na história da literatura,
esse período é geralmente conhecido como Realismo/Naturalismo. jetivos. As circunstâncias pessoais, individuais, têm pouca ou nenhuma im­
portância.
As classes assalariadas encontram-se em situação muito difícil, pois tra­
balham em condições miseráveis e, além disso, não participam das vantagens
do grande progresso industrial da época.

11. LITERATURA Ciência


Conheça algumas descobertas científicas que datam dessa época: a utili­

O Realismo/Naturalismo: i
zação do éter na anestesia, a assepsia, a teoria microbiana das doenças, a des­

características gerais
coberta dos microrganismos responsáveis pela sífilis, malária e tuberculose, a
descrição dos hormônios, a identificação da energia mecânica e do eletro-
magnetismo. Bastam esses exemplos para demonstrar que o progresso cientí­
fico do período foi muito intenso.
Contexto histórico Na análise dos fenômenos da realidade, contava-se, então, com um
recurso muito mais preciso: a ciência. A conseqüência é óbvia: derrota do
Quando muitos fatores se entrecruzara num determinado período, fica idealismo e vitória do ponto de vista científico na compreensão e análise do
difícil caracterizá-lo. É o que acontece em relação à segunda metade do sécu­ mundo.
lo X IX .
Darwin publica sua obra Origem das espécies, onde expõe a teoria da
Alguns aspectos do período precisam ser examinados, para que possa­ evolução das espécies pela seleção natural, questionando, portanto, a exis­
mos compreender melhor as manifestações artísticas que nele tiveram lugar: tência de Deus.

178 179
Como se vê, a segunda metade do século X IX marca-se pela crença no A respeito desse pintor, conta-se o seguinte: Napoleão III chicoteou um de seus qua­
progresso científico da civilização industrial e mecánica. O escritor francés dros, que representava urna robusta camponesa que emergía nua de um lago. Este terrível peda­
Flaubert assim se pronunciou sobre sua época: ço da verdade estava muito distante da pintura erótica em voga, mascarada de exotismo. Não
a tendência agora é manter-se dentro do era uma bailarina árabe, nem uma ninfa grega, mas uma figura popularesca, recendente a suor”
campo dos fatos e de nada mais do que dos fatos” . {Gênios da pintura. Abril Cultural, volume 2, p. 128).

As personagens representadas nas telas realistas são inspiradas nos indi­


Filosofia víduos das classes menos favorecidas. Os artistas, além de incorporarem a
rudeza, a fealdade, a vulgaridade dos tipos que pintam, também os elevam á
Já que os métodos utilizados nas ciências exatas tinham apresentado
categoria de heróis.
bons resultados, tenta-se aplicar esses mesmos métodos à filosofia. Por isso,
as concepções filosóficas da época apresentam um caráter materialista. A
análise filosófica da realidade, segundo se propunha, deveria partir da obser­
vação dos fatos. Obviamente, essa concepção filosófica adequava-se com
muita precisão a uma sociedade que produzia e valorizava, sobretudo, os
bens materiais. Literatura
A principal corrente filosófica do período é o positivismo, que conside­
ra válido apenas o conhecimento do mundo que esteja baseado em fatos e na
experiência.
A vida e a cultura desse momento histórico baseiam-se no materialismo
e na ciência.
Esse período histórico recebe o nome genérico de Realismo.

Manifestações artísticas
Pintura
A arte do Realismo procura representar o mundo sem idealismos ou
sentimentalismos. Realismo/Naturalismo é o nome com que se costuma identificar o con­
Percebe-se ainda que os artistas assumem uma posição política: a arte junto da produção literária da segunda metade do século X IX , surgida no
passa a ser um meio de denunciar uma ordem social que consideram injusta, contexto que acabamos de estudar. Essa literatura sofre influência desse con­
tornando-se uma manifestação de protesto em favor dos oprimidos. texto, ora refletindo-o, ora criticando-o.
Um estilo sempre resulta de dois fatos:
As pessoas das classes a) a atitude do artista diante da realidade;
menos favorecidas — o po­
b) aquilo que o artista entende que é função da arte.
vo — tornam-se motivo fre­
qüente da pintura realista. De acordo com a concepção materialista do período, o homem é um ser
submetido às mesmas leis que regulam o resto dos elementos do mundo.
O artista aceita que o objetivo principal de sua atividade é conhecer e
analisar o mundo com exatidão. Por isso, o artista realista-naturalista procu­
ra assumir uma atitude científica diante da realidade que deseja transportar
para sua obra.
Daí decorrem duas atitudes fundamentais:
a) Observação e análise são os instrumentos utilizados no lugar do sentimen­
to e da imaginação.
b) O artista procura nivelar sua posição à do cientista.
Britadores de pedras, de Gustave
Por isso, o que se espera da obra de arte nesse período é a reprodução
Courbsí.
fiel do que foi observado e analisado no mundo físico ou espiritual.
180
181
o artista não deve mais expressar sua subjetividade, como fizera no Ro­ Diferenças entre Realismo e Naturalismo
mantismo. Se a realidade apresenta, por exemplo, aspectos feios, asquero­
sos, não cabe ao artista idealizá-los, mas apresentá-los de maneira objetiva. Todo naturalista é realista, mas nem todo realista é naturalista.
A expressão da verdade é o que comanda a atividade artística.
Na verdade, o Naturalismo pode ser considerado um segmento do Rea­
Essa atitude gera as características principais da literatura realista-na- lismo. Podemos falar, portanto, em Naturalismo como uma tendência den­
turalista: tro do Realismo, sendo este último mais genérico.
A distinção entre os dois modos de escrever nem sempre é muito nítida,
a) Objetividade: o narrador deve ser imparcial e impessoal diante dos exceto nos textos que exageram a tendência naturalista.
fatos e seres incorporados em sua obra. Apesar dessa dificuldade, é possível apontar alguns traços de distinção
b) Semelhança das personagens com o homem comum; as personagens entre Realismo e NaturaUsmo:
criadas pelos escritores realistas-naturalistas devem aproximar-se do homem
comum, com todos os seus contrastes. Em resumo: são personagens não- a) Os naturalistas enfatizam o fato de a hereditariedade física e psicológica
-idealizadas. determinar o comportamento das personagens.
Essa característica é comum porque o naturalista admite uma visão pre­
c) Condicionamento das personagens ao meio físico e social: nos ro­
dominantemente biológica do ser humano, tal como fora proposto pela
mances realistas e naturalistas — especialmente nos últimos — , a persona­
ciência.
gem aparece condicionada a fatores naturais (temperamento, raça, clima) e a
fatores culturais (ambiente, educação). Grande parte do comportamento A personagem naturalista também está condicionada a um destino contra
dessas personagens é, por isso, determinada pelo ambiente em que vivem. o qual não pode lutar. Sua vida interior é reduzida a quase nada: seu com­
portamento aproxima-se bastante do comportamento animal, pois ela é
movida pelo instinto.
Dai decorrem as principais características das personagens naturalistas:
— condicionamento da personagem ao meio físico, social e à hereditarie­
dade;
— ênfase na satisfação de necessidades instintivas;
— comportamento muito semelhante ao comportamento animal (por isso
as inúmeras comparações entre seres humanos e animais).
O homem é visto como um “ caso” a ser cientificamente analisado ou co­
mo um ser condicionado pelas leis físicas e químicas, pela hereditariedade
Vagão de 3." c/asse, de
e pelo meio físico e social. Essa concepção explica por que muitas perso­
Daumier. Os pintores vão
buscar os temas para suas
nagens naturalistas são exemplos de patologias sociais ou físicas.
obras nos cenários
b) O romance tipicamente naturalista tem intenções combativas: pretende
característicos das camadas
funcionar como um documento ao apresentar situações que levem o leitor
populares.
a refletir sobre as condições da realidade social.
F o nte : JAÍMSON, H .W . H is tó ria da arte.
Lisboa, F u n d a ção C a íou ste G u lbe nkian , O enredo naturalista apresenta, portanto:
1S 8 4 , p. 5 8 8 .
— situações de desequilíbrio social muito graves;
— denúncia das desigualdades sociais.
d) Lei da causalidade: as atitudes das personagens sempre têm uma ex­
plicação lógica ou científica. Dificilmente nos romances desse estilo vão c) O conflito da personagem realista origina-se quase sempre da decadência
ocorrer acasos e “ milagres” . do meio social ou de desequilíbrios de ordem espiritual. A personagem
naturalista tem a origem de seus conflitos em heranças biológicas que,
e) Detalhismo: na descrição do espaço e das personagens, o escritor
num determinado momento, em determinado ambiente, vêm à tona. Por
realista-naturalista procura selecionar detalhes que retratem fielmente a rea-
isso, as personagens naturalistas são sempre muito parecidas umas com as
lidade, para aumentar a sensação de veracidade.
outras. Sua individualidade desaparece, levando quase todas a constituí­
f) Linguagem mais simples que a dos românticos: observa-se no escri­ rem meros tipos (tipo é o nome que se dá a personagens estáticas, com
tor realista-naturalista uma nítida preferência por períodos curtos. apenas uma característica marcante, que não mudam no decorrer da nar­
rativa).
g) Preferência pela narração em vez da descrição.
183
182
Obedecendo ao determinismo científico que estava em moda na época, o 2. Leia os trechos seguintes e identifique as características realistas-naturalistas que
aparecem em cada um, dentre as indicadas:
escritor naturalista simplifica demais a realidade e o ser humano.
a) ênfase no instinto; b) condicionamento da personagem ao meio;
c) condicionamento hereditário da personagem; d) preferência por ambientes
-s .
miseráveis; e) cridca à Igreja; f) personagens com comportamentos patológicos.
a) Macas de lonas suspensas em varais de ferro, umas sobre as outras,
encardidas como panos de cozinha, oscilavam à luz moribunda e
macilenta das lanternas. Imagine-se o porão do navio mercante macilento: magro e pálido; des­
carnado
carregado de miséria (...) Respirava-se um odor nauseabundo de
cárcere, um cheiro acre de suor humano diluído em urina e alca­ nauseabundo: que produz náu­
seas; repugnante
trão. (Adolfo Caminha — Bpm-Criouló)
preferência por espaços miseráveis

b) Não seria filho de Pedro Ribeiro de Morais, o devasso fazendeiro do


Igarapé-Mirim, se o seu cérebro não fosse dominado por instintos
F o nte ; A rte n o BrssH 2. v. São F onte: A O A ÍL et alii A n to lo g ia b ra sile ira de F o nte : !d-, ib id . p. 4 3 .
egoísticos, que a privação de prazeres açulava e que uma educação açuiar: estimular, provocar,
excitar
P auio, A b ril C u ltu ra l, 1 9 7 9 . p. 6 4 6 - h u m o r. 2 m . P orto A le g re , L & P M , 1 9 7 6 . p. 3 1 . V. 1, superficial não soubera subjugar. E como os senhores padres do Se­
V- 1 ,
minário haviam pretendido destruir, ou ao menos, regular e conter a
A caricatura funciona muito bem como desenho naturalista. Ao exagerar certos detalhes - o jeito ação determinante da hereditariedade psicofisiológica sobre o cére­
de olhar do malandro, a barriga do burguês, as medalhas do general - o caricaturista fixa tipos bro do seminarista? (Inglês de Sousa — 0 missionário)
condicionamento hereditário da personagem; condicionamento da personagem ao meio fisico e social; êníase no
genéricos, eliminando traços individualizantes. instinto

c) — 0 que era ela no fim? A concubina do senhor pároco. E esta idéia, posta assim descarnada­
mente, parecia-lhe terrível. (Eça de Queirós) crítica à igreja
d) O escritor naturalista dá preferência a ambientes miseráveis e desequili­
brados, pois neles os conflitos sociais aparecem mais nitidamente.
d) Magdá, em vão tentando debater-se na camisola de força, foi então conduzida para uma célula
Cumpre acrescentar ainda que tanto realistas quanto naturalistas com­ (...) Ficou lá dentro sozinha, a roncar como uma fera encarcerada. (Júlio Ribeiro) personagem
com comportamento patológico
bateram três instituições da época: a Igreja, a família e a monarquia.
São comuns nesse período romances que tratam do adultério e também 3. O escritor naturalista enfatiza em suas personagens a satisfação de necessidades
da corrupção no clero. instintivas, o que aproxima a atitude do homem a atitudes animalescas.
O quadro abaixo mostra as principais oposições entre Romantismo e Identifique o texto em que isso ocorre:
Realismo/N aturalismo: a) Alguns dias dava-lhe uma gana de satisfazer o apetite, devorando lascas de pirarucu assado,
com farinha-d’água e latas de marmelada (...) Apanhava indigestões de queijo-do-reino e de
bananas-da-íerra ingeridas às meias dúzias... (Inglês de Sousa — 0 missionário) x
Romantismo ■ Realismo/Naturalismo
b) (...) e iam entre o lugar onde se erguiam duas fachadas tristes de
subjetividade objetividade igreja e o renque comprido das casarias da praça onde brilhavam renque: aia, nieira
imaginação realidade circundante três tabuletas de casas de penhores, negrejavam quatro entradas de
sentimento inteligência, razão taberna, e desembocavam, com um tom sujo de esgoto aberto, as
verdade individual verdade universal vielas de todo um bairro de prostituição e de crime. (Eça de
fantasia, devaneio fatos observáveis Queirós)
homem = centro do mundo homem = uma peça do mundo c) Amélia, enfim, se derramava por todo ele, sem Amâncio dar por isso; invadia-o sutilmente, co­
volta ao passado crítica do presente mo um bicho que entra na carne. (Aluisio Azevedo)

4. Identifique a característica da linguagem realista-naturalista que ocorre no


fragmento seguinte:
Os bondes paravam. Senhoras vinham à janela, compondo os ca­
belos, numa ânsia de novidade. Latiam cães. Um movimento cheio de
rumores, uma balbúrdia. Circulavam boatos aterradores, notícias va­ balbúrdia: vozerio, algazarra;
gas, incompletas. Inventaram-se histórias de assassinato, de cabeça que­ confusão, desordem
1. 0 realismo, aliás, é de todo romance, em todas as suas fases, pois o romance constitui-se sobretudo brada, de sangue. Cada olhar, cada fisionomia era uma interrogação.
na medida em que aceitou, como alimento da imaginação criadora, o cotidiano e a descrição objeti­ Chegavam soldados, marinheiros, policiais. Fechavam-se portas com
va da vida social. (Antonio Candido) estrondo. (Adolfo Caminha)
Explique o sentido da palavra realismo nesse trecho. É o mesmo que Realismo? Utilização de períodos curtos
Característica de qualquer obra que tome como ponto de partida o cotidiano. Não se confunde com o Realismo, esti­
lo de época.
185
Acrescentando-se -sse, -sses, -sse, -ssemos, -sseis, -ssem ao tema do pre­
m . GRAMÁTICA térito perfeito do indicativo, temos o pretérito imperfeito do subjuntivo. Pa­
ra a formação do futuro do subjuntivo, juntam-se ao tema as terminações -r,

Verbo (ID -res, -r, -rmos, -rdes, -rem.

Tempos derivados do infinitivo


Tempos primitivos e derivados
Infinitivo impessoal: cantar
São considerados tempos primitivos: o presente do indicativo, o pretéri­
to perfeito do indicativo e o infinitivo impessoal.
Futuro do presente Futuro do pretérito
Os demais tempos são derivados desses três.
cantarei cantaria
cantarás cantarías
cantará cantaria
Tempos derivados do presente cantaremos cantaríamos
cantareis cantaríeis
cantarão cantariam
Pres. ind. ímper. afirm. Pres. subj. Imper. neg.

amo ---- -ame Para formar o futuro do presente do indicativo, acrescentam-se as ter­
amas (- s) - -ama tu ames — não ames minações -rei, -rás, -rá, -remos, -reis, -rão ao tema do verbo.
ama ame você ame -- não ame
amamos amemos nós
Para formar o futuro do pretérito do indicativo, acrescentam-se as ter­
amemos - não amemos
amais (- s) ■ -amai vós ameis — não ameis
minações -ria, -rias, -ria, -ríamos, -rieis, -riam.
amam amem vocês - amem — não amem

Da 1.®pessoa do singular do presente do indicativo forma-se o presente


do subjuntivo. A 2? pessoa do singular e a 2f
pessoa do plural do imperativo
Substitua os quadradinhos das frases seguintes pelos verbos indicados entre
afirmativo vêm do presente do indicativo menos o s.
parênteses, colocando-os no presente do subjuntivo:
As demais pessoas do imperativo afirmativo e todas as pessoas do impe­
rativo negativo originam-se do presente do subjuntivo. a) Talvez esses versos me □ particularmente. (Rubem Braga) (emocionar)
emocionem
b) Se na verdade existe muita poesia e muita carga de emoção em certos versos
sem um sentido claro, isso não quer dizer que, turvando um pouco as águas,
elas □ mais tranqüilas. (Rubem Braga) (ficar) fiquem
Tempos derivados do pretérito perfeito
c) Não há nada que me diga que eu □ contribuído para a cura do câncer.
(Victor Fiodorov) (haver) haja
Pret. perf. Pret. mais-que-perf. ind. Pret. imperf. subj. Fut. subj.
d) “ Quem sou eu no mundo?” Essa indagação perplexa é o lugar-comum de
cantei cantara cantasse cantar cada história de gente. Quantas mais vezes decifrares esta charada, tão
cantaste cantaras cantasses cantares entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não
cantou cantara cantasse cantar importa qual □ a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta.
cantamos cantáramos cantássemos cantarmos Ainda que □ mentira. (Paulo Mendes Campos) (ser, ser) seja; seja
cantastes cantáreis cantásseis cantardes
cantaram cantaram cantassem cantarem e) Você não acha possível que □ uma civilização adiantada na terra? (Carlos
Eduardo Novaes) (existir) exista
Para formar o pretérito mais-que-perfeito do indicativo, acrescentam- f) Me dá agora, já , essas coisas que
-se as terminações -ra, -ras, -ra, -ramos, -reis, -ram ao tema do pretérito per­ Prometem sempre para o dia de amanhã,
feito do indicativo. Encontra-se o tema do perfeito tirando-se a desinência da Antes que eu □ e □. (crescer, desaparecer) cresça; desapareça
2? pessoa do singular (-ste): E antes que eu □: (dizer) diga
Me dá a bolsa e a vida, cara. (Lourenço Diaféria)
canta/ste -- ►tema: canta
187
2. Reescreva as frases, substituindo cada quadradinho pelo imperativo dos verbos
colocados entre parênteses:
Observe o exemplo seguinte:
a) Não te □ quando o mundo amanhecer irreconhecível. (Paulo Mendes Quando se fala em acabar com o vestibular e promover a avaliação ao longo do processo,
Campos) (espantar) espantes durante os três anos de ensino de 2? grau, devemos refletir bastante sobre a matéria. Se todas as
’ nossas escolas de nível médio tivessem o mesmo padrão, seria fácil encontrar a solução. Mas va­
b) Não se □ quando o mundo amanhecer irreconhecível, (espantar) espante mos comparar quantidades heterogêneas. Como considerar o conceito de determinada escola,
realmente de primeira linha, e comparar com uma outra que dá as notas de qualquer maneira e
c) □! □! (Cecília Meireles) (esperar, sossegar — 2.® pessoa do plural) Esperai; mais parece um empório comercial? Os alunos de uma e de outra teriam as mesmas chances? Ou
Sossegai
d) — □ ah, disse D. Luisa mostrando o estrado, (ficar — 1.^ pessoa do plural) as universidades vão credenciar escolas de 2? grau e discriminar os alunos pela origem?
— Tenho a minha almofada perto de Inesita, respondeu Elvira voltando-se. 0 assunto é delicado. {Fatos, fev. 1986.)
— Bem, não te □!... (José de Alencar) (esquecer) Fiquemos; esqueças
O autor examina a possibilidade de eliminação dos vestibulares.
e) — D-te, estão nos olhando, balbuciou a moça. (José de Alencar) (calar) caia Você observou que o objetivo do emissor é mostrar que o assunto é deli­
f) — D-se, estão nos olhando, balbuciou a moça. (calar) caie cado e não deve ser decidido sem uma análise profunda da situação.
A exposição obedece a um plano lógico, racional, que tem como objeti­
vo chegar à conclusão desejada. Vejamos como procede o escritor:
3. Alguns autores modernos não seguem as normas prescritas pela gramática. Leia 1?) situa o problema;
este trecho de Ignácio de Loyola Brandão:
2?) propõe a reflexão;
SAGRADO DEVER 3?) expõe uma hipótese;
Menino, tira o dedo do nariz. Menino, não põe a mão na boca. Menino, não coma doce an­ 4?) expõe um fato que invalida a hipótese;
tes do almoço. Vai fazer a lição de casa. Sai dai. Vai dormir. Isto é conversa de gente grande. Não
amole os outros. Não chupe o dedo. Não suje a roupa. Não rabisque a parede. Vá tomar banho. ' 5?) faz três indagações a respeito da solução proposta;
Não fica andando com esses moleques. Não suba no muro. Não brinca n’água com esse calor... 6?) expõe a conclusão.
Para dar consistência à sua opinião, o escritor deve desenvolver conve­
a) Se nos basearmos apenas nas regras prescritas pela gramática normativa, o
nientemente as frases que contêm seus pontos de vista básicos.
texto apresenta incorreção. Qual? Não há uniformidade dc tratamento. O autor mistura a 2f
pessoa do singular (tu) com a 3f (você). Estão na 2f pessoa do singular o.s seguintes verbos: tira, põe, vai, sai, Vários são os recursos que permitem organizar as idéias com a finalida­
fica, brinca. As outras formas verbais (coma, amole, chupe, suje, rabisque, vá, suba) estão na 3f pessoa do singular.
de de desenvolver um raciocínio e fundamentar conclusões.
b) Essa incorreção foi intencional por parte do autor? Por quê? sim, Porque eie foi fiei
à linguagem coloquial, empregada pela grande maioria dos brasileiros hoje. Assim, o autor escreveu um texto Nesta unidade e na seguinte veremos exemplos de alguns desses re­
muito mais expressivo do que se ele tivesse seguido as normas da formação do imperativo.
cursos:
c) Passe as formas verbais tira, põe, vai, sai, fica, brinca para a 3.* pessoa dõ
singular do imperativo afirmativo ou negativo, conforme está no texto, tire, não
ponha, vá, saia, não fique, não brinque 1. Enumeração de razões

4. Indique a If pessoa do singular do pretérito mais-que-perfeito do indicativo, do A violência crescente em nosso meio tem sua causa primordial no crescente desnivelamen-
imperfeito do subjuntivo e do futuro do subjuntivo dos verbos querer, fazer, to social como na incompetência e desinteresse do Estado em resolver o problema de maneira
poder, ir. querer: quisera, quisesse, quiser; fazer: fizera, fizesse, fizer; poder: pudera, pudesse, puder; ir: fora, justa e eficaz. (Senhor, 17 dez. 1985.)
fosse, for

1¥. EEBãÇÂÚ

O desenvolvimento da dissertação (I) Um exempio ds recurso


enumsraçêo de raiõss nos
A dissertação, conforme você já sabe, é um tipo de texto em que predo­ quadrinhos de Âsterix,
mina a exposição de idéias. Essas idéias devem ser ordenadas de forma que F o nte ; G O SCINNY', R. S. UDERZO, A .
conduzam à conclusão lógica do texto. A s te ríx e o ca lde irão . Rio de Ja n e iro ,
R e cord, 1 9 8 6 . p, 4 3 .

188 189
2. Causa/conseqüência 2. Escreva um parágrafo utilizando a exemplificação para fundamentar a seguinte
opinião, mesmo que você discorde dela: “ A televisão é formidável. Aprende-se
Ao longo de vinte e poucos anos, amoldou-se no Brasil a imagem de que política é coisa bastante mas também se desaprende muito com ela” . (Visão, 6 ago. 1986.)
para velho. Como conseqüência, nossos jovens têm pouca vinculação partidária. {Istoé, 7 out.
1987.)
Proposta de redação
Os textos seguintes apresentam opiniões contrárias.
Analise cada um deles, forme sua opinião e depois redija um.a disserta­
ção curta sobre o assunto. Procure utilizar um dos métodos de desenvolvi­
mento estudados nesta unidade. Dê um titulo à sua dissertação.

Texto A:

No momento, predomina o gosto pela aventura como um desafio à vida.


A necessidade de pôr a si mesmo à prova, quase uma imitação do batismo de , e ago-
ra uma constante, em relação à faixa etária de 35 anos. (Fatos, 14 jul. 1986.)

Texto B:

üm exeinpío do recurso As pessoas buscam, mais que nunca, a segurança em diferentes lugares e de modo diver­
fitíS so. (...) Por isso, 0 mundo escolhe, quando pode, situações estáveis, circunstâncias conhecidas,
F o nte ; ZÉ IJC , S em s a n d s . São Paulo, Ve lugares plácidos. 0 “viver perigosamente” passou de moda há muito tempo... (Luís Carlos Lis­
boa — 0 nome das coisas, p. 109.)
3. Exemplificação

Neste final de século XX, os homens se acostumaram a ver na ciência a fonte das respos­
tas universais (...) Trata-se de uma ilusão.
Na semana passada, o mundo assistiu, perplexo, a mais uma derrota da tecnologia de
ponta: o vazamento de gás radioativo na usina soviética de Chernobyl, cujas conseqüências o
mundo ainda levará anos para poder avaliar em toda sua extensão. (Ivan Martins — Veja, 1
maio 1986.)

4. Comparação

A tortura tomou-se um meio corriqueiro de extorquir confissões, reais ou falsas. (...)


Para os escravistas, maltratar uma besta ou um escravo dava na mesma, pois o escravo
era tido por eles como mais animal que gente.
Nesse sentido, nossa sociedade ainda tem muito dos atributos da escravidão.
Afinal, quando um delegado tortura um preso para castigá-lo por alguma coisa ou para
que confesse outra, está desempenhando papel semelhante ao do feitor a serviço dos senhores de
escravos. (Osvaldo Peralva — Folha de S. Paulo. 12 set. 1987.)

Exercícios
1. Escreva um parágrafo enumerando duas razões para concordar com a seguinte
afirmativa, ou discordar dela: “ A possibilidade de se construir um país moderno
e justo depende da nossa capacidade de ampliar a prática da democracia” .
{Istoé, 23 set. 1987.)
9áucÂu/e' -ÍS O crime do padre Amaro
O Realismo/Naturalismo
Amaro achava aquelas unhas admiráveis, porque tudo que era ela ou vi­
nha dela lhe parecia perfeito: gostava da cor dos seus vestidos, do seu andar,
do modo de passar os dedos pelos cabelos, e olhava até com ternura para as

em Portuga.
saias brancas que ela punha a secar à janela do seu quarto, enfiadas numa
5 cana. Nunca estivera assim na intimidade de uma mulher. Quando percebia a
porta do quarto dela entreaberta, ia resvalar para dentro olhares gulosos, co­
mo para perspectivas de um paraíso: um saiote pendurado, uma meia esten­
dida, uma liga que ficara sobre o baú, eram revelações da sua nudez, que lhe
Outrora uma novela romântica, em lugar de faziam cerrar os dentes, todo pálido. E não se saciava de a ver falar, rir, an-
estudar o homem, inventava-o.
10 dar com as saias muito engomadas que batiam as ombreiras das portas es­
Hoje o romance estuda-o na sua realidade
treitas. Ao pé dela, muito fraco, muito langoroso, não lhe lembrava que era
social,
padre: o Sacerdócio, Deus, a Sé, o Pecado ficavam embaixo, longe: via-os
(Eça de Queirós — 1869)
muito esbatidos do alto do seu enlevo, como de um monte se vêem as casas
desaparecer no nevoeiro dos vales: e só pensava então na doçura infinita de
15 lhe dar um beijo na brancura do pescoço, ou mordicar-lhe a orelhinha.
Às vezes revoltava-se contra estes desfalecimentos, batia o pé:
— Que diabo, é necessário ter juízo! É necessário ser homem!
Descia, ia folhear o seu Breviário: mas a voz de Amélia falava em cima,
o tique-tique das suas botinas batia o soalho... Adeus! a devoção caía como
20 uma vela a que falta o vento: as boas resoluções fugiam, e lá voltavam as ten­
tações em bando a apoderar-se do seu cérebro, frementes, arrulhando,
roçando-se umas pelas outras como um bando de pombas que recolhem ao
pombal. Ficava todo subjugado, sofria. E lamentava então a sua liberdade
perdida: como desejaria não a ver, estar longe de Leiria, numa aldeia solitá-
25 ria, entre gente pacífica, com uma criada velha cheia de provérbios e de eco­
nomia, e passear pela sua horta quando as alfaces verdejam e os galos caca­
rejam ao sol! Mas Amélia, de cima, chamava-o — e o encanto recomeçava,
mais penetrante.
crime do paáre A m a ro .
Q u e iró s , Eça de. O Rio de
Janeiro. Tecnoprint, s.d. p. 77-8.

-A-Jf ...... ^ ■
- ■- Vocabulário;
à ip n s Bseritores raaíistas porííipesss; Eçs de HuBifos, Oiiveira M irtins, Antero cie Oiiental, cana (s.f.): varal de taquara ou bambu
Ramaiho Ortigio e Guerra Junqueiro (da esquerda para a direita). ombreira (s.f.): umbral, soleira da porta
F on-e' A B D A L L A JR ,, B, & P A S C H O A iJN , M ./A . H is tó r ia S o c ia ! da lit e r a t u r a p o rtu g u e s d . São PauSo, Á tic a , 1 9 8 5 . p. 2 1 7 . langoroso (adj.): lânguido, frouxo, debilitado,
fraco
esbatido (adj.): desmaiado, atenuado, suavizado
enlevo (s.m.): encanto, deleite, êxtase
I. TEXTO desfalecimento (s.m.): fraqueza, vertigem
breviário (s.m.): livro das rezas cotidianas dos
clérigos
Publicado em Í876, o romance 0 crime do padre Amaro, de Eça de Queirós, apresenta frem ente (adj.): agitado, violento
características eminentemente naturalistas.
A ação passa-se em Leiria, pequena cidade de Portugal, envolvendo o Pe. Amaro e a in­
gênua Amélia. Seduzida pelo padre, Amélia morre pouco depois do filho, fruto desse “amor O teervi a elaboração da prosa queirosiana nistas
proibido” . ^ emindas de Os Maias.
0 trecho transcrito mostra o momento em que o Pe. Amaro começa a sentir uma forte F o n te : !d,, ib id . p. 2 1 8 .
atração física por Amélia:
193
192
ESTUDO DO TEXTO
Nessa polêmica, defrontaram-se elementos conservadores e os adeptos
1. No primeiro parágrafo, há uma frase que resume a nova situação de Amaro, si­ das novas correntes de pensamento. O esciritor rom ântico A n tôn io Feliciano
tuação essa responsável pelo despertar de seu sentimento. Transcreva-a. “ Nunca es- de Castilho escreveu um posfácio à obra P oem a d a m ocidade, de Pinheiro
tivera assim na intimidade de uma mulher.”
2. “ Quando percebia a porta do quarto dela entreaberta, ia resvalar para dentro Chagas, que seguia ainda os moldes românticos. Nesse posfácio, Castilho
acusava o grupo de jovens escritores de Coim bra de exibicionismo e do culti­
olhares gulosos, como para perspectivas de um paraíso” (linhas 5 a 7).
a) Que expressão do trecho conota o desejo físico de Amaro? “oihares guiosos” vo de temas im próprios à poesia.
b) A palavra paraiso, no fragmento, aparece com uma conotação oposta à que Entre os escritores acusados estava A ntero de Quental, jovem líder do
deveria ter para um padre. Explique. Sendo ele padre, paraíso deveria relacionar-se com coisas grupo. N o folheto denom inado B om senso e bom gosto, Antero respondeu,
espirituais. No caso, o paraíso seria possuir Amélia. ridicularizando Castilho e defendendo a nova geração. Antero dirigiu-se a
3. “ — Que diabo, é necessário ter juízo! É necessário ser homem!” (linha 17). Castilho nos seguintes termos: “ A futilidade n u m velho desgosta-me tanto
O que significa “ ter juízo” e “ ser homem” para Amaro, nesse contexto? significa com o a gravidade num a criança. V. Exa. precisa menos cinqüenta anos de
dominar a paixão.
4. Copie trechos dos três primeiros parágrafos que indiquem, respectivamente, o idade, ou então mais cinqüenta de reflexão” . Estava criada a polêmica.
desejo de Amaro (comportamento instintivo) e a tentativa de sufocar esse desejo Formaram-se dois grupos — pró e contra Antero — , o que torna evidente a
(comportamento racional). No primeiro caso, os olhares gulosos, 0 pensamento de beijar o pescoço e oposição românticos x realistas.
mordicai a orellia de Amélia. No segundo caso, a fala de Amaro (linha 17).
A consolidação dos princípios defendidos pela nova geração vai ocorrer
5. Que crítica o autor deixa transparecer através do pensamento de Amaro no últi­
nas Conferências do Cassino Lisbonense, série de palestras em que os jovens
mo parágrafo? crítica ao celibato clerical e também à imposição o,ue conduziu a personagem ao sacerdócio.
expõem suas posições ideológicas. Tais conferências versavam sobre assun­
tos diversos, relacionados à vida cultural e política de Portugal na época.
O ciclo planejado não chegou ao fim . A pós a quinta conferência, as a u­
toridades proibiram a atuação do grupo, alegando que tais idéias feriam os
11. U T E llfU E ñ princípios políticos e religiosos de Portugal.

O Realismo/Naturalismo
Mas os moços de Coim bra já haviam se firm ado como a geração de 70
ou geração realista.

em Portugal (1865-1890) A literatura portuguesa do período permite a seguinte esquematização:

PORTUGAL
1189/1198 1434 1527
ESTILOS DE ÉPOCA
1580 1756 1825 1865 1890 1915
Poesia

7 1 / # / / j § f §
a) A primeira tendência mostra-nos autores preocupados em utilizar a litera­
tura como veículo de divulgação de idéias revolucionárias e reformistas.
/ J / /
1 / ^ / f f Destacam-se Guerra Junqueiro e Antero de Quental (num a parte de sua
/ / / / M / / /
obra).
BRASIL 1500 1601 1768 1836 1881 1893 1902 1922 Eis um exemplo:

/ -S o / í i /i i / J - i / i HINO A RAZÃO
3S S'5. PS /■ I
i /s / ^ / S Razão, irmã do Amor e da Justiça
' ^ / 1 /
/ 'T / Mais uma vez escuta a minha prece
/ ^^ /
É a voz dum coração que te apetece,
9 1865 — O poeta Antero de Quental publica seu livro O des m odernas, con­ Duma alma livre, só a ti submissa.
siderado o marco inicial do Realismo português. Por ti é que a poeira movediça
« 1890 — C o m a publicação de O aristos, de Eugênio de Castro, considera- De astros e sóis e mundos permanece;
E é por ti que a virtude prevalece,
-se encerrado esse período.
E a flor do heroísmo medra e viça. medrar; crescer, desenvolver-se
Nesse espaço de tempo, Portugal refletiu a mesma inquietação que per­
Por ti, na arena trágica, as nações
correu todo o resto da Europa. Todas as transformações culturais, políticas e Buscam a liberdade, entre clarões;
científicas que tiveram lugar na E uropa da segunda metade do século X I X E os que olham o futuro e cismam, mudos,
tam bém conduziram Portugal a u m a renovação ideológica e artística que se Por ti, podem sofrer e não se abatem
manifestou com veemência n um a polêm ica denom inada Questão Coimbra. Mãe dos filhos robustos, que combatem
Tendo o teu nome escrito em seus escudos! (Antero de Quental)
194
195
b) A segunda tendência, que pode ser denominada “ poesia do cotidiano” , como veículo de denúncia dos desequilíbrios da sociedade da época. Nessa
denúncia, escolhem três alvos, de preferência: a burguesia, a monarquia e o
incorpora à poesia elementos considerados até então antipoéticos. É uma
poesia que procura flagrar a realidade exterior. Cesário Verde é o autor clero.
que melhor ilustra essa tendência. As tendências realista e naturalista, que em Portugal também se mes-
Transcrevemos um fragmento de conhecido poema de Cesário Verde, em clâm, apresentam como nomes mais importantes: Eça de Queirós e Fialho de
que se descreve uma cena de rua: Almeida.
Dentre os escritores do Realismo/Naturalismo português, destacam-se
CRISTALIZAÇÕES Antero de Quental na poesia e Eça de Queirós na prosa.
Faz frio. Mas, depois duns dias de aguaceiros,
Vibra uma imensa claridade crua.
De cócoras, em linha os calceteiros, calceteíro: operário que calça as Antero de Quental (1842-1891)
ruas
Com lentidão, terrosos e grosseiros. terroso: que tem cor, aparência,
Calçam de lado a lado a longa rua. natureza ou mistura de terra ☆ Ponta Delgada (Açores)
Como as elevações secaram do relento, + Ponta Delgada (Açores)
E 0 descoberto sol abafa e cria!
A frialdade exige o movimento; Seu nome completo era Antero Tarquí-
E as poças de água como em chão vidrento, nio de Quental. Estudou Direito em Coim­

I
Refletem a molhada casaria. bra. Depois da Questão Coimbrã, foi para
Em pé e perna, dando aos rins que a marcha agita. Paris. Retomando a Portugal, exerceu ativi­
Disseminadas, gritam as peixeiras; dades políticas, ligando-se ao Partido Socia­
Luzem, aquecem na manhã bonita, lista. A morte do pai levou-o de volta à cida­
Uns barracões de gente pobrezita de natal (nos Açores), onde, após uma en­
E uns quintalórios velhos com parreiras. fermidade e muitas crises existenciais, veio a
Não se ouvem aves; nem o choro duma nora! nora: aparelho para tirar água se matar.
dos poços, rios etc.
Tomam por outra parte os viandantes; viandante: viajante
E 0 ferro e a pedra — que união sonora! Obras: Odes modernas (1865); Primaveras
Antero de Quental,
Retinem alto pelo espaço fora, românticas (1872); Raios de extinta luz
Com choques rijos, ásperos, cantantes. (1892). F o nte : S A R A iV A , A .J . H is tó ria ilu s tra d a das g ra n d e s
lite ra tu ra s ] L ite ra tu ra p o rtu g u e sa . 2 v. Lisboa, E stú d io s
C or, 1 9 6 6 . p. 2 1 6 -A , v. 1.

c) Uma terceira tendência da poesia da época opõe-se à anteriormente vista. Distinguindo-se sobretudo como sonetista, um dos maiores de Portu­
Trata-se da poesia metafísica, ou seja, a poesia que se preocupacom as gal, Antero produziu uma obra que tem como traço característico um pro­
questões filosóficas eternas e universais doserhumano. Antero deQuen- fundo pessimismo diante da vida:
tal é o poeta mais representativo dessa tendência:

Noite, irmã da Razão e irmã da Morte, 0 PALÁCIO DA VENTURA


Quantas vezes tenho eu interrogado
Teu verbo, teu oráculo sagrado, Sonho que sou um cavaleiro andante.
Confidente e intérprete da Sorte! Por desertos, por sóis, por noite escura
Paladino do amor, busco anelante paladino: cavaleiro andante; de­
Aonde vão teus sóis, como coorte coorte: multidão de pessoas fensor íenaz
0 palácio encantado da Ventura!
De almas inquietas, que conduz o Fado? fado: destino, fadário; canção po­ anelante; ofegante
E 0 homem por que vaga desolado pular portuguesa de caráter triste Mas já desmaio, exausto e vacilante,
e fatalista Quebrada a espada já, rota a armadura. roto: Que se rompeu;
E em vão busca a certeza que o conforte?
farraoado
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!
Com grandes golpes bato á porta e brado:
Eu sou 0 Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas d’ouro, ante meus ais!
Prosa
Abrem-se as portas d’ouro, com fragor... fragor: ruído muito forte, es­
trondo
Os ficcionistas desse período têm uma concepção de arte frontalmente Mas dentro encontro só, cheio de dor,
oposta à concepção romântica. Para eles, o romance deveria também servir Silêncio e escuridão — e nada mais!

196 197
2. O escritor acusou, através de um posfácio, um grupo de jovens de Coimbra de
Eça de Queirós (1845-1900) exibicionistas e de tratarem de temas inadequados à poesia.
a) Quem era esse escritor? A n tô n io Feliciano de C astilho.
☆ Póvoa de Varzim b) De que posfácio se trata? D o posfácio ao livro P o e m a d a m o c id a d e , de Pinheiro Chagas.
+ Paris
, c) Quem respondeu em nome do grupo acusado? A ntero de Quental.
Seu nome completo era José Maria Eça d) Através de que folheto? B o m s e n s o e b o m g o s to .
de Queirós. Formou-se em Direito em Coim­ e) Como se chamou a polêmica gerada dessa situação? Quesíâo Coimbra.
bra. Não participou diretamente da Questão f) Qual sua importância na história da literatura portuguesa? Serve com o m arco iniciai
Coimbra, mas foi dos mais ativos nas Confe­ do Realisnio./Naiiirali.sriiü português.
rências do Cassino. Encerrou sua carreira 3. A poesia portuguesa do período realista-naturalista apresenta basicamente três
diplomática na França, onde morreu. tendências. Qual delas aparece com maior nitidez na obra de Antero de Quental?
Poesia metafisica.
Obras: 0 mistério da estrada de Sintra
4. Considerando o que você estudou a respeito desse autor, identifique o traço
(1871 — escrito em colaboração com Rama-
Iho Ortigâo); 0 crime do padre Amaro marcante do fragmento seguinte, de um poema de Antero de Quental:
(1875 — versão definitiva em 1876); 0 pri­ Já sossega, depois de tanta luta,
mo Basilio (1878); 0 mandarim (1879); A Já me descansa em paz o coração.
relíquia (1887); Os Maias (1888); A ilustre Caí na conta, enfim, de quanto é vão
casa de Ramires (1900); A cidade e as ser­ 0 bem que ao Mundo e à Sorte se disputa. pessimismo
ras 0901); A capital (1925). Em 1980 foi
publicado um original de Eça, datado de
1887: Tragédia da rua das Flores. Escreveu Eça de Queirós.
ainda contos e crônicas. F o nta : fd., ibió. p. 2 4 0 -A .

Após um período de escritos diversos, onde se encaixa até um romance


m. GRAMÁTICA
mistério da estrada de Sintra),
policial (O Eça iniciou uma fase em que escre­
ve as obras-primas do romance realista-naturalista português:
dre Amaro, O primo Basilio Os Maias.
e Uma terceira fase, marcada pela
O crime do pa­ Verbo <m
crença nos valores espirituais, compreende romances como A cidade e as Tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo
serras — considerado uma de suas melhores obras — e A ilustre casa de Ra­
mires. Alguns verbos irregulares (ver, vir, pôr e ter), que servem de modelo pa­
ra outros derivados, apresentam dificuldades de conjugação, principalmente
Deixou ainda contos que são considera­ nos tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo. Veja o quadro
dos da melhor qualidade. abaixo:
Muitos consideram Eça de Queirós o
maior prosador português de todos os tem­ Pret. mais-que-perf. Imperf. subj. Fut. subj.
Verbo Tema do perf.
pos.
ver vi vira visse vir
vir víe viera .viesse vier
pôr puse pusera pusesse puser
A atriz Giuiia Gam como a Lufsa de 0 primo Basília, em ter tive tivera tivesse tiver
minissérie produzida pela Globo.
F o nte ; Veja- n. 1 0 6 7 . São P aulo, A bri! C u ítu ra i, 15 fe v , 1 9 8 9 . p, 7 5,
Observações: 1. Conjugam-se como o verbo ver: antever, entrever, prever e
rever.
2. Conjugam-se como o verbo vir: advir, convir, desavir, an-
tevir, intervir, provir e sobrevir.
3. Conjugam-se como o verbo pôr: repor, propor, antepor,
1. Eça de Queirós afirmou: “ (O Realismo) é a critica do homem. É a arte que nos
compor etc.
pinta a nossos próprios olhos — para nos condenar o que houver de mal na nossa 4. Conjugam-se como o verbo ter: reter, conter, ater, entreter
sociedade’ ’ . Que característica da arte realista o autor enfatiza? a denúncia de etc.
desequilíbrios sociais.

199
198
Verbos terminados em -ear

Observe: cant/o
V 1. Siga o modelo:
radical
Mantendo o preço, alugarei a casa.
O acento tónico recai no radical. Por essa razão, canto é urna forma
verbal rizotónica. Se eu mantiver o preço, alugarei a casa.

Em cantarmos, o acento tónico não recai no radical. Por isso, é urna a) Transpondo os termos, deixarei a frase mais elegante.
Se eu transpuser os termos, deixarei a frase mais elegante.
forma verbal arrizotónica.
b) Contendo meus instintos, deixá-la-ei em paz.
Veja a conjugação do verbo passear: Sc eu contiver meus instintos, deixá-la-ei em paz.

c) Prevendo os gastos, ficarei mais tranqüilo.


Se eu previr os gastos, ficarei mais tranqüilo.
Pres. ind. Imper. afirm. Pres. subj. Imper. neg.
d) Intervindo mais nos debates, poderei mudar a opinião dos meus colegas.
Se eu intervier mais nos debates, poderei mudar a opmiao dos meus colegas.
passeio passeie e) Retendo líquido, engordarei mais rápido.
passeias passeia passeies não passeies Se eu retiver liquido, engordarei mais rápido,
passeia passeie passeie não passeie f) Detendo os ladrões, poderei dormir em paz.
passeamos passeemos passeemos não passeemos Se eu detiver os ladrões, poderei dormir em paz,

passeais passeai passeeis não passeeis


passeiam passeiem passeiem não passeiem 2. Conjugue os verbos destacados em todas as pessoas:
Se eu vier amanhã e vir José, sairei rápido.
Os verbos terminados em -ear recebem um i nas formas rizotónicas. tu vieres/vires/sairás; ele vier/vir/sairá; nós viermos/virmos/sairemos; vós vierdes/virdes/saireis; eles vierem/
virem/sairão

3. Reescreva as frases, substituindo cada quadradinho pela forma verbal adequada:


a) Que fora, onde vivera? Foram perguntas que se □ mais tarde. (Eneida
Costa de Morais) (impor — pret. perf. ind.) impuseram
Verbos terminados em -iar b) Ainda não □ o terrorismo na Europa. (Folha de S. Paulo) (deter — pret.
perf. ind. 3.^* p. pl.) detiveram
Pres. ind. Pres. subj. c) Com problemas aqui e ali, o ritmo do filme se □. {Folha de S. Paulo)
(manter — pret. mais-que-perf. ind.) mantivera
anuncio anuncie d) Se □ resultados mais satisfatórios, não estariam tão infelizes, (obter — pret.
anuncias anuncies imp. subj.) obtivessem
anuncia anuncie e) Se os Estados Unidos □ na guerra, haveria protestos no mundo todo.
anunciamos anunciemos (intervir — pret. imp. subj.) interviessem
anunciais anuncieis f) Quando nós □ as aulas, estaremos em dia com a matéria, (repor — fut.
anunciam anunciem subj.) repusermos
g) Eu □ na discussão e ela também □. (intervir — pret. perf. ind.) intervim; interveio
Conclusão; Os verbos terminados em -iar são regulares, mas há alguns que se h) Resolva o problema quando □ razões ponderáveis ou quando isso lhe □.
conjugam como os verbos em -ear nas formas rizotónicas. São (ver, convir — fut. subj.) vir; convier
eles: mediar, ansiar, remediar, incendiar, odiar. i) A força não □ da capacidade física, mas da vontade férrea. (Mahatma
Exemplo: incendiar. Gandhi) (provir — pres. ind.) provém

Pres. ind. Pres. subj.


4. Reescreva as frases, substituindo os quadradinhos pela forma verbal adequada
dos verbos terminados em -ear e -iar:
incendeio incendeie
incendeias incendeies a) O presidente que □ quem ele quiser. {Folha de S. Paulo) (nomear — pres.
incendeia incendeie subj.) nomeie
incendiamos incendiemos b) Na ponte provisória, um dos homens □ o pé e meu corpo rola. (Aníbal
incendiáis incendieis Machado) (falsear — pres. ind.) faiseía
incendeiam incendeiem c) O dia □ bonito. Nunca o vira assim. (Aníbal Machado) (clarear — pret. perf.
ind.) clareou

200
201
3. Ordenação cronológica
d) Eu □ por notícias suas. (ansiar — pres. ind.) anseio
e) É fundamental que todos nós □ agora, (cear — pres. subj.) ceemos A crença na medicina indígena ou primitiva choca um pouco os que acreditam somente
f) Os flagelados da seca D-se como podem, (remediar — pres. ind.) ¡emedeiam no sistema médico ocidental.
g) É urgente que nós □ esta propaganda em outro veículo de comunicação, A partir de Cabral, a cultura médica de nossos indígenas entrou em contato com as tradi­
(anunciar — pres. subj.) anunciemos ções européias dos conquistadores e com as práticas dos negros africanos trazidos como escra­
h) O motorista □ bruscamente, (frear — pret. perf. ind.) fteou vos. {Fatos, fev. 1986.)
i) Parece que o sol □ todo o asfalto, (incendiar — pres. ind.) incendeia
4. Interrogação

I¥. EEPlÇlO
Respeito mas discordo completamente da opinião do leitor M. S., que afirma ser a pena
de morte a única solução para eliminar a criminalidade. Pergunto ao sr. M. S.: se o criminoso
fosse 0 seu filho, o seu pai ou sua mãe o senhor adotaria a mesma postura? (4/?«o/, dez. 1984.)

O desenvolvimento da dissertação (II) A f0 5 i0 q u e a


FBtíkiMO GA.RRO
é AZUL.
C O /W D P O D E \
UM CARBO EN<qA-
|\iAR,-SE -tAKTlü?

Vejamos exemplos de mais alguns procedimentos que podem ser empre­


gados no desenvolvimento da dissertação:

1. Definição

Os dicionários definem expectativa como “esperança fundada em supostos direitos, pro­


messas ou possibilidades” , e todo mundo sabe perfeitamente do que se trata, embora poucas ve­
zes se pense no assunto. Neste cartum de Quino, um exemplo do uso de interrogação, ao final do último quadrinho.

Construímos nosso relacionamento com as demais pessoas criando expectativas, e o mes­ F o nte : Q U !N O . M a fa ld a . n. 9 . B a rceio n a, Lum en, 1 9 7 7 .

mo fazemos em relação às instituições, à natureza e ao futuro. (Luís Carlos Lisboa)


5. Citação
2. Dados estatísticos
0 célebre Charies Chaplin enfatizava que “mais que de inteligência precisamos de afeição
0 assunto alcoolismo interessa ao Brasil: a cada dez brasileiros que bebem, um é alcoóla­ e ternura” . Parafraseando o notável cineasta, eu diria: mais que de ciência precisamos de princí­
tra. (Senhor, mar. 1984.) pios morais e espirituais. {Veja, out. 1986 — adaptado.)

6. Classificação (é o método empregado na linguagem cientifica ou didática)

i m m i q x je A .

T
5pi

II 0 olho humano produz três tipos diferentes de lágrimas: lágrimas continuas (que banham
a córnea com uma mistura lubrificante de muco, óleo e liquido), lágrimas reflexas (produzidas
por irritações como poeira e fumaça) e lágrimas “emocionais” ou psicogênicas. {Folha de S.
Paulo, 25 abr. 1987.)

A.0%.150
PiMB!
/ Proposta de redação
€ fRA eew S ti c
Escreva uma dissertação curta, desenvolvendo a afirmativa seguinte.
Utilize processos estudados nesta unidade e na anterior.
Neste cartum de Henfil, DeFícíTÍ. W
IMo;
WíHl UM/í “ A proliferação nuclear é a maior ameaça à sobrevida da espécie huma­
um exempio de uso de Aveimmim
Vfíim í Cfí¿O0A
dados estatísticos. A)om{ / na e ultrapassa todos os perigos potenciais a que estamos expostos. (...) a hu­
F onte: HENFiL. F ra d im . 12 v.
manidade adquiriu um novo potencial de autodestruição.” jun. {Fatos,
Rio de Ja n e iro , C o d e cri, s.d.
p. 4 0 . V. 8,
T ' 1986.)

203
202
‘'i/ilicicu/ey /■# q u ais fô ram o s am b o s (...)
N ão durou m uito a e v o c a ç ã o ; a rea lid a d e dom in ou logo: o p resen te e x ­

o Realismo/Naturalismo
peliu o p a ssa d o . T alvez eu e x p o n h a a o leitor, em algum can to d e ste livro, a
m inha teoria d a s e d iç õ e s hum anas. O q u e p o r ag o ra im porta s a b e r é q u e
lò Virgília — ch am ava-se Virgília —• entrou na alco va , firm e, com a g ra v id a d e

no Brasil (I)
q u e lhe d a va m as ro u p as e o s an os, e v e io até o m eu leito. O estran h o levan ­
tou-se e saiu. E ra um sujeito, q u e m e visitava to d o s o s d ias p ara falar d o câm ­
bio, d a co lo n iza ção e d a n e c e ssid a d e d e d e se n v o lv e r a viaçã o férrea; n ad a
m ais in teressan te p ara um m oribu n do. Saiu; Virgília d eix o u -se estar d e p é;
15 du ran te algum tem p o ficam os a olhar um p ara o outro, sem articular p alavra.
Q uem diria? De d o is gra n d es n am o rad o s, d e d u as p a ix õ e s sem freio, n ada
Não te irrites se te pagaram mal um m ais havia ali, vinte an o s d e p o is; havia a p e n a s d o is c o ra ç õ e s m urchos, d e ­
benefício: antes cair das nuvens que de um v a sta d o s p ela vid a e sa cia d o s d ela, n ão sei se em igual d o se , m as enfim s a ­
terceiro andar. ciad o s. Virgília tinha a g o ra a b e lez a d a velh ice, um ar au stero e m aternal;
(Machado de Assis) 20 e sta v a m en o s m agra d o q u e q u an d o a vi, p e la última vez, numa festa d e S ã o
lo ão , na Tijuca; e p o rq u e era d a s q u e resistem m uito, só ag o ra co m eçavam
o s c a b e lo s esc u ro s a in tercalar-se d e alguns fio s d e prata.
— A n d a visitan d o o s d efu n tos? disse-lh e eu. — Ora, defuntos! re sp o n ­
d eu V irgília com um m u x o x o . E d e p o is d e m e ap ertar as m ãos: — A n d o a v e r
2 5 se p o n h o o s v a d io s p ara a rua.
0 universo criado por Machado
de Assis em sua obra poderia ser N ão tinha a carícia lacrim osa d e ou tro tem p o ; m as a v o z era am iga e d o ­
CDmparaílo a esta figura do ce. Sen tou-se. Eu e sta v a só, em casa, com um sim p les en ferm eiro; p o d ía m o s
gravurisía Escher: um universo falar um ao outro, sem p erigo . V irgília deu -m e lon gas notícias d e fora,
que dá ¥oitas sobre si mesmo e narrando-as com graça, com um certo travo d e m á língua, q u e era o sal d a
onde a palavra cria um mundo 30 p alestra; eu, p re ste s a d e ix a r o m undo, sen tia um p razer satân ico em m ofar
com leis próprias. dele, em p ersuadir-m e q u e n ão d e ix a v a nada,
Fom e: ESCHER, M . C . & LOCHE.R, J . L . The
v.'orid o f M .C . E scher. N e w Y ofk, A b ra m s,
— Q ue id éias e ssas! interrom peu-m e Virgília um tan to zan gad a. Olhe
1 9 7 1 . p. 1 49 . q u e n ão vo lto m ais. M orrer! T o d o s n ós h a v em o s d e m orrer; b asta estarm o s
vivos.
35 E v e n d o o relógio:

L TEXTOS — Jesus! s ã o três horas. V ou -m e em b o ra.


-Já ?
— Já; virei am anhã ou d ep o is.
Considerado o marco inicial do Realismo brasileiro, Memóriaspóstumas de Brás Cubas,
— N ão sei se faz bem , retorqui; o d o e n te é um solteirão e a ca sa n ão
de Machado de Assis, foi publicado em 1880 em forma de folhetim e editado em livro no ano de
40 tem sen h o ras...
1881. 0 romance é a autobiografia de Brás Cubas, narrada após sua morte. Virgília, o grande
amor de Brás, acaba se casando com Lobo Neves. Mais tarde, Brás e Virgília tomam-se aman­ — Sua m ana?
tes. 0 trecho transcrito, de um dos capítulos iniciais, mostra o momento em que, moribundo, — Há d e vir cá p a ssa r uns dias, m as n ão p o d e se r an tes d e sáb ad o .
Brás Cubas recebe a visita de Virgília, nessa altura já uma senhora, mãe de um rapaz de 20 Virgília refletiu um instante, levan to u o s o m b ro s e d isse com g ra vid ad e:
anos;
— E stou velha! Ninguém m ais rep ara em mim. M as, p ara cortar dú vid as,

A. Memórias póstumas de Brás Cubas


45 virei com o N honhô.
N honhô era um bach arel, único filho d e seu casam en to , q ue, na id ad e
d e cin co an o s, fora cúm plice in con scien te d e n o sso s am o res. V ieram juntos,
V ejo-a asso m a r à p orta d a alco va, pálida, co m o vid a, trajada d e p reto , e d o is d ias d e p o is, e c o n fe sso que, a o vê-lo s ali, na m inha alcova, fui to m ad o
ali ficar du ran te um m inuto, sem ânim o d e entrar, ou d etid a p ela p resen ça d e d e um acan h am en to q u e nem m e perm itiu c o rre sp o n d e r logo à s p alavras
um hom em q u e estav a com igo. Da cam a, o n d e jazia, con tem p lei-a du ran te 50 afá ve is d o rapaz. Virgília adivinhou-m e e d isse a o filho:
e s s e tem po, e sq u e c id o d e lhe d izer nada ou d e fazer nenhum g esto . Havia já — N honhô, n ão re p a re s n e sse g ran d e m an h o so q u e aí está; n ão q u er fa ­
5 d o is a n o s q ue n os n ão víam o s, e eu via-a ag o ra n ão qual era, m as qual fora, lar p ara fazer crer q u e e stá à m orte.

204 205
r-

Sorriu o filho, eu creio q ue tam bém sorri, e tudo a ca b o u em pura galh o ­


fa, Virgília esta v a seren a e risonha, tinha o a sp e cto d a s vid as im acu ladas. Ne- 9. Copie o que for verdadeiro em relação ao texto:
5 5 nhum olhar su sp eito, nenhum g e sto q u e p u d e sse den unciar nada: um a igual­
a) Ocorre a idealização da personagem feminina.
d a d e d e p alavra e d e espírito, um a d om in ação so b re si m esm a, q u e p a re ­ b) O narrador mostra-se bastante irônico, x
ciam e talvez fo ssem raras. C om o to cássem o s, casu alm en te, nuns am o re s ile­ c) O narrador procura desnudar a intimidade da personagem feminina para nos
gítim os, m eio secreto s, m eio d ivu lgad os, vi-a falar com d e sd é m e um p o u co mostrar a diferença entre aparência e essência, x
d e in d ign ação d a m ulher d e q u e se tratava, aliás sua am iga. O filho sentia-se d) O narrador é extremamente subjetivo.
60 satisfeito, ou vin d o aq u ela p alavra digna e forte... e) A concepção de amor que transparece no texto é idêntica à dos românticos.
M a c h a d o d e ASSIS- M em órias póstum as de Brás C u­ f) A concepção de amor difere da concepção romântica, x
bas. &. e ó . S ã o P a u lo . Ática, 1981. p. 17-9.

Vocabulário: Nesta obra, considerada a melhor realização do Naturalismo brasileiro, Aluísio Azevedo
narra a história de João Romão, comerciante de origem portuguesa, responsável pela construção
assomar (vJ.|: aparecer travo (s.m.): amargor e manutenção do cortiço, no que é ajudado por Bertoleza, ex-escrava e sua amante. Jerónimo e
evocação (s.f.): lembrança, recordação mofar (v.t.i.|: zombar, escarnecer Piedade, portugueses, mudam-se para o cortiço. Lá conhecem Rita Baiana, sedutora mulata,
moribundo (s.m.|: que está morrendo, agonizante retorquir (v.i.): retrucar, opor argumento amante de Firmo. Jerónimo apaixona-se por Rita.
austero (adj.): severo, grave bacharel (s.m.): advogado
0 trecho selecionado mostra a dança de Rita Baiana, momento em que Jerónimo sente
muxoxo (s.m.|: estalo com a língua e o céu galhofa (s.f.): gracejo, risada’
nascer por ela uma incontrolável paixão:
da boca desdém (s.m.): desprezo, altivez, arrogância

B. O cortiço
ESTUDO DO TEXTO Ela saltou em m eio d a roda, com o s b ra ç o s na cintura, reb o la n d o a s
ilhargas e b a m b o le a n d o a c a b e ç a , o ra p ara a esq u erd a , ora para a direita, c o ­
m o num a so fre g u id ã o d e g o z o carnal num re q u e b ra d o lu xu rioso q u e a p u ­
1. Explique a frase “ o presente expeliu o passado” (linhas 7 e 8). A frase demonstra que o
curto período de recordação de Brás Cubas encerrou-se. nha o feg an te : já co rre n d o d e b arriga em p in ad a; já recu an d o d e b ra ç o s esten-
5 d id o s, a trem er to d a, co m o se s e fo s s e afu n d an d o num p razer g ro sso q u e
2. Identifique a passagem em qué o narrador conversa com o leitor, linhas 8 e9 nem azeite em q u e se n ão to m a p é e nunca se en con tra fundo. D ep ois, co m o
se v o lta sse à vida, so ltava um g e m id o p ro lo n g ad o , estalan d o o s d e d o s no ar
3. Quando fala do homem que o visitava, Brás Cubas emprega uma frase irônica. e v e rg a n d o as p ern as, d e sce n d o , su b in d o , sem nunca p ara r com o s quadris, e
Transcreva-a e justifique por que se trata de ironia, a frase é: Nada mais interessante para em seg u id a sap atea va , m iúdo e cerra d o fren eticam en te, erg u en d o e abai-
um moribundo” (linhas i3 e 14). É irônica porque os assuntos de que o liomem tratava não poderiam interessar a
alguém que estava prestes a morrer, como era o caso de Brás Cubas. 10 xa n d o o s b ra ço s, q u e d o b rava, o ra um, ora outro, so b re a nuca, en q u an to a
4. “ Quem diria?” (linha 16). Esssa frase exprime o espanto do narrador diante de carn e lhe fervia toda, fibra p o r fibra titilando.
um fato. Em torn o o en tu siasm o to cav a a o delírio: um grito d e ap lau so e x p lo d ia
a) De que fato se trata? D o fim do amor que ele e Virgília sentiam um pelo outro. d e vez em q u a n d o rub ro e q u en te c o m o d e v e se r um grito saíd o d o san gu e.
b) O amor que ai se recorda apresenta uma concepção diferente da concepção E a s p alm as insistiam cad en tes, certas, num ritm o n ervo so , numa persistên -
romântica. Por quê? Porque O amor romântico se apresentava como eterno. 15 cia d e loucura. E, arra sta d o p o r ela, pulou à are n a o Firmo, ágil, d e b orrach a,
a fazer c o isa s fan tásticas com a s p ern as, a d erreter-se to d o , a sum ir-se no
5. No quarto parágrafo, há uma frase que comprova o cinismo do narrador diante chão, a ressurgir inteiro com um pulo, o s p é s no e sp a ç o b aten d o o s calca­
da morte. Transcreva-a. “... eu, prestes a deixar o mundo, sentia um prazer satânico em mofar nhares, o s b ra ço s a q u erer fugir-lhe d o s o m b ro s, a c a b e ç a a q u erer saltar-se.
de le ,...”
E d ep o is, surgiu tam bém a Florinda, e lo go o A lb in o e até, quem diria! o gra-
6. Na segunda visita de Virgília a Brás Cubas, aparece uma personagem cuja única 20 v e e circu n sp ecto A lexan d re.
função é dissipar suspeitas. Identifique tal personagem, xrata-sede N honhô, fiiho de vir- O ch o ra d o arrastava-o s a to d o s, d esp o ticam en te, d e se sp e ra n d o a o s
gília.
q u e n ão sab iam dançar. M as, ninguém c o m o a Rita: só ela, só a q u e le d e m ô ­
7. Identifique o parágrafo em que o narrador nos mostra a capacidade de dissimu­ nio, tinha o m ágico s e g re d o d a q u e le s m ovim en tos d e co b ra am ald iço ad a:
lação da personagem feminina. Último parágrafo, especialmente as seis últimas linhas. a q u e le s re q u e b ro s q u e n ão p odiam ser sem o cheiro q u e a m ulata so ltava d e
2 5 si e sem aq u e la voz d o ce , q u eb rad a, harm on iosa, arro gan te, m eiga e supli­
8. Releia o penúltimo periodo do último parágrafo. Como você classifica o com­ cante.
portamento de Virgília? A personagem demonstra bastante hipocrisia. E Jerón im o via e escu tava, sen tin d o ir-se-lhe to d a a alm a p e lo s o lh o s
e n am o rad o s.
206
207
N aq uela m ulata e sta v a o g ran d e m istério, a sfntese d a s im p re ssõ e s q u e 4. O segundo parágrafo mostra a reação das pessoas diante da exuberância de Rita.
30 ele re c e b e u ch e g an d o aqui: ela era a luz ard en te d o m eio-dia; ela era o calor a) Que palavras se relacionam com sensações auditivas? G rito ; aplauso; explodia; palmas;
v erm elh o d a s se sta s d a fazen d a; era o aro m a q u en te d o s trevo s e d a s bauni- ritm o.

lhas, q u e o ato rd o ara nas m atas brasileiras; era a p alm eira virginal e esq u iva jb) Transcreva do primeiro período desse parágrafo uma expressão que denota
q u e se n ão torce a nenhum a outra planta; era o v en en o e era o açú car g o s to ­ um comportamento instintivo da platéia, “ grito saído do sangue”
so; era o sap oti m ais d o c e q u e o mel e era a castan h a d o caju, q u e a b re feri- 5. Copie as metáforas que identificam Rita com o mundo animal e vegetal, “ m ovim en ­
3 5 d a s com o seu azeite d e fo go ; ela era a c o b ra v e rd e e traiçoeira, a lagarta vis­ tos de cobra a m ald iço ad a ” ; “ arom a quente dos trevos e das b a un llha s” ; “ palm eira virginal e esquiva” ; “ sapotl
mais doce q u e o m d ” ; “ castanha do c a ju ” ; “ cobra verde e traiçoeira” ; “ lagarta viscosa” ; “ m.uriçoca d o id a ” ; “ lar­
co sa, a m uriçoca d oid a, q u e e s v o a ç a v a havia m uito tem p o em torn o d o co r­ v a ” ; “ nuvem de cantáridas”
p o d ele, assan h an d o-lh e o s d e se jo s, aco rd an d o-lh e as fibras em b a m b ecid a s
p ela sa u d a d e da terra, pican do-lhe as artérias, p ara lhe cu sp ir d en tro d o san ­
gu e um a cen telh a d a q u ele am o r setentrional, um a nota d a q u ela m úsica feita
4 0 d e ge m id o s d e p razer, um a larva d a q u ela nuvem d e can táridas q u e zum biam

em torn o d a Rita Baiana e esp alh avam -se p elo ar num a fo sfo re sc e n cia afro d i­
síaca.
IL UTElñTÜEñ
O Realismo/Naturalismo
Azevedo, Aiuísio. o cortiço. 2. ed. São Paulo, Áti­
ca, 1975. p. 56-7.

Vocabulário:
ilharga (s.f.): cada uma das partes laterais
no Brasil (18814893)
e inferiores do baixo-ventre
sofreguidão (s.f.); impaciência, pressa; desejo, Contexto histórico
avidez
luxurioso (adj.): sensual
já... já: ora... ora...
Profundas mudanças ocorreram na segunda metade do século X IX .
titilar (v.i.): palpitar: arder Em 1850 extinguiu-se o tráfico negreiro. Desse fato decorreram duas
despótico (adj.): tirânico, opressivo importantes conseqüências:
esquivo (adj.): arisco a) Capitais vultosos, que saíam do pais pa­
muriçoca (s.f.): mosquito ra pagar a importação dos escravos, es-
embambecido (adj.): bambo
tavam agora disponíveis. Foram, então,
cantárida (s.f.): inseto de coloração verde-dourada
com reflexos avermelhados, muito usado na
reinvestidos, geralmente em atividades
medicina antiga, em beberagens para urbanas, incrementando o progresso da
fins afrodisíacos ou diuréticos burguesia mercantil.
afrodisíaco (adj.): excitante dos apetites sexuais
b) Após a abolição da escravatura, um no­ ...........
vo tipo de mão-de-obra deu entrada no
Passistas, do pintor contemporâneo Clóvis Graciano.
A clançg aparece como tema freqüente na arte
mercado; a do imigrante assalariado. Os
brasileira.
negros, em geral, foram marginalizados '' ■í.
F o nte : A rte n o B rasü. 2 v, São Pauío, A b rii C u ltu ra l, 1 9 7 9 . p. 7 8 7 .
da sociedade, pois não tinham condição
V. 2 . de competir com o imigrante, que era
mais bem qualificado profissional­

ESTUDO DO TEXTO
-■ __

mente.

1. Releia o primeiro parágrafo. Que frase resume toda a excitação de Rita Baiana? "Declaro extinta a escravidio no Brasü", fac-símile dc
a carne fervia-lhe toda, ñ b ra por fibra titila n d o .”
documento oficial denominado Lei Aurea,
assinado pela
princesa Isabel em 13 de maio de 1888
2. Nesse mesmo parágrafo, o narrador prende-se aos aspectos exteriores da realida­
de ou preocupa-se com o mundo interior das personagens? Justifique, a prim eira ai-
lernaíiva. O narrador n ão descreve traços psicológicos das personagens. A liberdade de comerciar com o exterior ampliou ainda mais a área de
atuação da burguesia mercantil.
3. Na descrição de Rita, enfatizam-se os aspectos sensuais da personagem. Trans­ O eixo económico do país deslocou-se para a região Sul, graças ao cres­
creva três expressões do primeiro parágrafo que comprovam essa afirmativa.
“ sofreguidão de gozo carna l” ; “ requebrado lux urioso” ; “ prazer grosso” ; “ a carne lhe fervia to d a ” cimento da lavoura e do comércio cafeeiro.

208 209
Arquitetura
Toda essa modificação econômica foi amparada por um notável pro­
gresso tecnológico: melhor aparelhamento dos portos, inauguração da pri­
Como conseqüência da riqueza trazida
meira estrada de ferro, inauguração do telégrafo, emprego da luz elétrica.
pelo café, altera-se o panorama arquitetôni­
Além disso, criaram-se bancos particulares, e o novo Banco do Brasil foi ins­
co, graças ao surgimento das suntuosas resi­
talado em 1853.
dências dos barões do café, geralmente pla­
Em termos sociais, nota-se que a aristocracia rural foi perdendo terreno nejadas por arquitetos estrangeiros.
para uma classe média urbana que começava a ter alguma representatividade
política.
A classe média urbana contestava a ordem vigente; a Igreja e o governo
Fachada cio Palácio dos Campos Elíseos, mansão
estavam com as relações estremecidas devido à expulsão dos maçons das ir- construída em 1 8 9 6 para o fazendeiro de café Elias
mandades religiosas, fato que passou para a história com o nome de Questão Chaves.
Religiosa. F o nie; A rte n o B rasil. 2 v. São Pauio, A brü C u ltu ra l, 1 9 7 9 , p. 6 1 1 . v. 2,
Da mesma forma, estavam abaladas as relações entre o Exército e o Im­
perador, que havia punido alguns oficiais por terem eles discutido publica­
mente assuntos militares, num episódio que ficou conhecido como Questão
Militar.
Literatura
Todos esses fatos indicavam que a monarquia era um regime superado.
A forma republicana de governo surgia como uma alternativa, que acabou se
tornando realidade em 1889.
Esse clima sócio-político era bastante favorável à aceitação de uma no­
va maneira de analisar a realidade do país. O positivismo, corrente filosófica
de origem francesa, fornecia elementos para essa análise.
Foi intensa a influência do positivismo entre nós, sobretudo no meio
militar e na burguesia agrária.
Os maiores adeptos do positivismo eram membros da chamada Escola
de Recife, um grupo de intelectuais que, liderados por Tobías Barreto,
apoiou as novas idéias filosóficas.
Foi nesse panorama que surgiu entre nós o Realismo/Naturalismo.

o novo estilo inicia-se no Brasil com a publicação do romance natura­


Manifestações artísticas lista de Aluisio Azevedo (O mulato) e do romance realista de Machado de
Assis {Memórias póstumas de Brás Cubas), ambos de 1881.
Pintura Dentro da tendência realista-naturalista, prossegue também o regiona­
A preocupação de alguns artistas com o meio e o homem brasileiro in­ lismo a que o Romantismo dera início. Agora, sob novo enfoque, escritores
tensificou-se no final do século, com a República. como Domingos Olímpio e Manuel de Oliveira Paiva trazem para a literatura
Essa tendência refiete-se os mesmos habitantes do interior do Brasil, mas sem a idealização que era co­
na obra de Almeida Júnior e mum no Romantismo. A obra desses escritores apresenta maior objetivi­
Pedro Weingarten, principal­ dade.
mente. Além disso, merece destaque um escritor cujo estilo apresenta traços da
chamada técnica impressionista, que estudaremos mais tarde: Raul Pompéia.
A poesia do período, que será estudada na unidade 18, recebe o nome
de Parnasianismo.
A literatura realista-naturalista brasileira apresenta, de modo geral, as
mesmas características da literatura européia da época, com variações locais.
Pelas características singulares de sua obra, um escritor merece estudo
Paisagem do Rio Grande do Sul mais aprofundado: Machado de Assis.
ídetaihel, de Pedro Weingarten, 1 9 0 0 .

210
A produção literária desse período permite o seguinte resumo de auto­
Romances naturalistas:
res e obras:
O mulato (1881)
Casa de pensão (1884)
TENDÊNCIA REALISTA Q coruja (1885)
1) Machado de Assis O homem (1887)
a) Poesia
O cortiço (1890)

Crisálidas
(1864)
Escreveu ainda crônicas, peças de teatro e contos.
Falenas
(1870)
Americanas(1875)
2-z:e4c¿c¿oú^
b) Romances
Ressurreição
(1872) 1. Qual foi a corrente filosófica que maior influência exerceu na cultura brasileira
A mão e a luva(1874) romances da primeira fase
da época estudada? o positivism o, corrente filosófica de origem francesa.

Helena
(1876) — tendência ainda romântica 2. Cite o nome do autor cujo estilo é classificado como impressionista.
laiá Garcia
R a u í P om péia.
(1878)
Memórias póstumas de Brás Cubas (1 8 8 1 ) 3. Qual a diferença básica entre o regionalismo romântico e o regionalismo
Quincas Borba (1891) romances da
realista-naturalista? O segundo apresenta um estilo mais objetivo, enquanto o romântico fende à
Dom Casmurro (1900)
idealização de espaço e personagens.
segunda fase 4. Como se chama o estilo que predominou na poesia na época realista-naturalista?
Esaú e Jacó (1904) — tendência realista Parnasianismo.

Memorial de Aires (1908) 5. “ O m ulato inaugurou uma forma nova de narrar a sociedade brasileira, muito
distante daquele otimismo romântico que não enxergava senão luxuosos salões
c) Contos de baile, donzelas perfumadas ou escravas embranquecidas e cultas”
Contos fluminenses (1870) Páginas recolhidas (1899) (Antonio Dimas).
Histórias da meia-noite (1873) Relíquias de casa velha (1906) a) Que parte do texto ressalta a principal característica naturalista do romance O
Papéis avulsos (1882) Escreveu ainda crônicas e peças mulatOl distante daquele otimismo romântico . . . ” (objetividade)
Histórias sem data (1884) teatrais. b) A que personagem romântica o autor se refere no trecho destacado?
Várias histórias (1896)
A Isaura, do
romance de Bernardo Guimarães.

2) Raul Pompéia
Uma tragédia no Amazonas (1880)
O Ateneu (1888)
Ainda não editados em livro: III. mMMAYltR
Microscópios (contos) — publicados no jornal Comédia (SP)
Agonia (romance) Verho (IV)
Alma morta (meditações) — publicadas na Gazeta da Tarde
As jóias da coroa(novela) — publicada na Gazeta de Notícias Conjugação
Professor: Este quadro destina-se simplesmente a fornecer uma visão panorâmica da produção literária do período estu­
dado.
Vejamos agora outros verbos que apresentam dificuldades na conjuga-
ção.
TENDÊNCIA NATURALISTA
Aluisio Azevedo Requerer Aderir
Romances ainda ligados ao Romantismo:
Uma lágrima de mulher (1880)
Pres. ind. Pres. subj. Pres. ind. Pres. subj.
Mistérios da Tijuca ou Girándola de amores (1882) requeiro requeira adiro adira
Memórias de um condenado (A condessa Vésper) (1882) requeres requeiras aderes adiras
Filomena Borges (1884) requer/requere requeira adere adira
O esqueleto (1890) requeremos requeiramos aderimos adiramos
A mortalha de Alzira (1894) requereis requeirais aderis adirais
O livro de uma sogra (1895) requerem requeiram aderem adiram

212
213
Caber Aguar Averiguar
Pres. ind. Pres. subj. Pret. perf. ind. Pres. ind. Pres. subj. Pres. ind. Pres. subj.

caibo caiba coube águo ágüe averiguo averigüe


cabes caibas coubeste águas ágües averiguas averigües
cabe caiba coube água ágüe averigua averigüe
cabemos caibamos coubemos aguamos agüemos averiguamos averigüemos
cabéis caibais coubestes aguais agüéis averiguáis averigüéis
cabem caibam couberam águam* ágüem* averiguam averigúem

Observações: 1. Aguar serve de modelo para desaguar, enxaguar...


Valer
2. Há gramáticos que consideram o u como tônico: aguo,
aguas, agua etc.
Pres. ind. Pres. subj. ■
' r-rofessor: Se necessário, esclarecer aos aiunos que essas palavras não constituem paroxítonas terminadas em m e sim
m
paroxiionas terminadas em ditongo, o que justifica o acento gráfico. Esse pode ser entendido como um mero sinal de
valho valha nasalização.

vales valhas
vale valha
valemos valhamos
vaieis valhais
valem valham
Reaver
É um verbo defectivo, conjugado como o verbo haver nas formas em
Verbo valer. Anúncio publicado na revista Vida
que existir a letra v.
doméstica, em 1 9 5 1 .
F o nte : TOO a n o s ríe p ro p a g a n d a . São Pauio, Pres. ind. Pres. subj. Pret. perf. ind. Pret. imperf. subj. Fut. subj.
A b rii C u ltu ra !, 1 9 8 0 , p. 1 0 9

— reouve reouvesse reouver


— reouveste reouvesses reouveres
— não reouve reouvesse reouver
reavemos existe reouvemos reouvéssemos reouvermos
reaveis reouvestes reouvésseis reouverdes
— reouveram reouvesseiji reouverem

G R A N D E . BOM E B A R A T O !
*. O líRA'^iL+ .SVín-;
Prover
Conjuga-se como o verbo ver no pres. ind. e no pres. subj.
Precaver-se
Nos outros tempos é um verbo regular da 2.® conjugação. É um verbo defectivo que só existe nas formas arrizotônicas.

Pres. ind. Pres. subj. Pret. perf. ind. Pret. imperf. subj. Fut. subj. Pres. ind. Pres. subj. Pret. perf. ind. Fut. subj.
provejo proveja provi provesse prover — precavi precaver
provês provejas proveste provesses proveres — precaveste precaveres
provê proveja proveu provesse prover — não precaveu precaver
provemos provejamos provemos provêssemos provermos precavemos existe precavemos precavermos
provedes provejais provestes provêsseis proverdes precaveis precavestes precaverdes
provêem provejam proveram provessem proverem — precaveram precaverem

214 215
g) Se nós tomássemos cuidado com as calúnias, não teríamos tantos problemas.
( p r e c a v e r - s e ) nos precavêssemos coníra
'2 .z:e ^c ¿c ¿o á'
h) Se os astrólogos profetizarem mais desastres e tragédias para o próximo ano,
procurarei outro planeta para viver, (prever) previrem
1. Reescreva as frases, substituindo os quadradinhos pelos verbos indicados entre
parênteses no presente do subjuntivo:

i¥. mmçÈú
a) A firma exige que todos os seus executivos □ o passaporte ainda esta semana,
(requerer) requeiram

b) Este partido político quer que todos □ a seus projetos, (aderir) adiram

c) Talvez todas as crianças □ neste quarto, (caber)

d) Necessário se torna que seu argumento □. (valer) vaiha