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CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL
Rua General Hermes 80 Bom Parto 5º andar CEP 57.017-200
FONES: 3315-6190 – fax 3315-8273

ORDINÁRIA:Nº32 – 1ª CÂMARA – REALIZADA:28/08/2013


PROCESSO: 1500-024.255/2007 e CTE nº 208/2012.
ANEXOS: 1500-031.129/2007 e 1500-013.621/2012.
AUTO DE INFRAÇÃO: 020.703, de 31/08/2007.
AUTUADA: Dall - Empreendimentos e Serviços Ltda.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 24.105.396-0.
DECISÃO MONOCRÁTICA: 18.556/2012.
ASSUNTO: Recurso Ordinário.
AUTUANTE: Hernon Cassiano S Bittencourt.
RELATORA: Odete Mineiro da Paz.
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO
ASSESSORIA: LIBERACI MARIA SOUZA GALINDO
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA VASCONCELOS

ACÓRDÃO Nº 186/2013

EMENTA: ICMS – Obrigação Principal. 1)


Utilização de crédito fiscal indevido. 2)
Falta de recolhimento de imposto devido
originalmente por substituição tributária. 3)
Notas fiscais registradas sem estarem com
submissão ao visto da Fiscalização Estadual.
4) Revelia nos termos do artigo 13, § 1º, da
Lei estadual nº 6.771/06. 5) Supressão legal
da jurisdição administrativa fiscal pelos
efeitos da revelia. 6) Remessa dos autos à
Diretoria de Representação Fiscal por força
do artigo 13, §2º, da Lei nº 6.771/2006. 7)
Recurso Ordinário conhecido e improvido.

Relatório

Trata-se de auto de infração lavrado contra


Dall Empreendimentos e Serviços Ltda, já qualificada, tendo
por objeto a cobrança de crédito tributário no valor de R$
199.857,52 (cento e noventa e nove mil, oitocentos e cinqüenta
e sete reais e cinqüenta e dois centavos), por haver a empresa
autuada nos exercícios de 2005 e 2006:

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1) Deixado de recolher ICMS pela utilização


de crédito sem respaldo da legislação específica.

2) Adquirido mercadorias sujeitas ao regime


da substituição tributária sem retenção e pagamento do imposto
na fonte com o gravame da utilização do crédito fiscal.

3) Registrado notas fiscais no livro próprio


sem o visto da fiscalização estadual.

Apontados como infringidos os artigos 36; 52;


e 54, da Lei nº 5.900/96; 49, II, V, e VIII, “c”; 93; 96; 101,
XIV; 207; 250; 251; 275; 280, §2º; 419; 428; 432, I, “a” e
“e”; 436; 444, II, e III; 444-A; e 971, do RICMS/1991. Sendo
sugerida a aplicação das penalidades previstas nos artigos 84,
93, e 114, da Lei nº 5.900/1996.

A inicial está instruída com relatório de


dados cadastrais do contribuinte; demonstrativo do débito;
cópias do cartão de autógrafos; das notas fiscais e LREM.

DA DEFESA

A autuada em 27/11/2007, através do processo


1500-031.129/2007, requereu a prorrogação de prazo de defesa
sob o argumento de que a vasta documentação probatória exige
mais tempo para sua análise.

Os autos foram encaminhados ao fiscal Silvio


Tenório Gameleira (que não é o autuante) para apresentação das
contrarrazões o qual concluiu que os autos deveriam ser
encaminhados ao próprio autuante para fazer um aditamento ao
auto de infração para correção de algumas várias falhas por
ele encontradas e apontadas.

Em 15/09/2009, a Comissão de Representação


Fiscal solicitou a Diligência CRF nº 039/2009, para o autuante
ou outro agente fiscal proceder a apresentação dos documentos
requisitados as fls. 11 a 14.

DAS CONTRARRAZÕES

O autuante apresentou contrarrazões alegando


que todas as informações prestadas pelo outro fiscal deverão

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ser ignoradas, por ser ele autuante, o titular da ação fiscal,


e suas contrarrazões são as seguintes:

1) Que, a defesa é intempestiva porque foi


apresentada em 27/11/2007, e o prazo se esgotou em 26/11/2007;
a autuada solicitou prorrogação por mais 30 (trinta) dias para
apresentar defesa, porém, essa solicitação deve ser arquivada
e o débito inscrito na dívida ativa; tentou intimar a autuada
pessoalmente e não encontrou mais nada no canteiro de obras,
sendo feita a intimação por AR que retornou em 13/09/2007, com
a informação de que mudou-se, sendo publicado então o Edital
nº 019/2007, convocando a autuada e seus sócios.

2) Que, as notas fiscais apontadas pelo outro


fiscal como sendo necessário sua correção está correta sua
cobrança (artigos 77, III, “a”, “b”, “c”, “d”, “e”, e “f”, do
RICMS/1991; efetivamente não foi apresentada defesa, pois foi
solicitada a prorrogação do prazo para sua apresentação, fato
não contemplado pela legislação; revel não é somente quem não
apresenta defesa, mas também quem o faz sem provas. Por fim,
pede que a autuação seja julgada com o arquivamento da defesa
por ser intempestiva e a inscrição do débito em dívida ativa.

Em 29/03/2012, foi proferida a Decisão nº


18.556/2012, de Primeira Instância, que julgou pela Revelia da
autuada nos termos do artigo 13, §1º, da Lei Estadual nº
6.771/2007, com supressão legal da jurisdição administrativa
fiscal e envio dos autos a DIRF - Diretoria de Representação
Fiscal para efetuar a revisão do lançamento nos termos do
artigo 13, §2º, da mesma Lei, com a ementa.

EMENTA - ICMS - PROCEDIMENTO ORDINÁRIO. 1.


Lançamento de ofício de crédito tributário.
2. Descumprimento de obrigação tributária
principal. 2.1. Utilização de crédito
indevido. 2.2. Falta de recolhimento de
imposto devido originalmente por substituição
tributária. 3. Registro de notas fiscais não
submetidas ao 'visto' da Fiscalização
Estadual. 4. Revelia - Lei nº. 6.771/06, art.
13, § 1º. 5. Supressão legal da jurisdição
administrativa fiscal pelos efeitos da
revelia. 6. Envio dos autos à Diretoria de
Representação Fiscal - DIRF, por força do
artigo 13, §2º, da Lei nº 6.771/06.

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DO RECURSO ORDINÁRIO

A autuada apresentou Recurso Ordinário com


as seguintes alegações:

1) Que, o autuante ao lavrar a autuação não


considerou os valores pagos pela autuada cujos recolhimentos
ocorreram por meio de pagamento direto e de forma tempestiva,
conforme as cópias dos comprovantes autenticadas que estão
anexadas, e cobrá-los novamente seria enriquecimento ilícito,
fato que não foi observado pela decisão singular, motivo pelo
qual a mesma merece ser reformada; comprovado o pagamento fica
extinto o crédito tributário (artigo 156, I, do CTN).

2) Que, certa de que a decisão deverá ser


reformada, passa a combater o excesso da multa imposta, a qual
é extremamente excessiva, capaz de se transformar no confisco
de seus bens (artigos 5º, II; 37; e 150, IV, da CF/88), como
ensina Celso Antonio Bandeira de Mello e como tem entendido o
STF. Por fim, pede a insubsistência do lançamento com base no
artigo 156, I, do CTN e caso não se acate este argumento seja
a multa reduzida; protestando provar o alegado por todos os
meios de provas admitidos e até por perícia.

DAS CONTRARRAZÕES

A DIRF - Diretoria de Representação Fiscal


apresentou contrarrazões alegando que foi declarada a revelia
pela Primeira Instância, por não haver a autuada apresentado
defesa nos termos do artigo 13, §1º, da Lei nº 6.771/2006, vez
que o lançamento não foi impugnado; a declaração de revelia
além de não apreciar as questões de mérito, encerra o processo
administrativo tributário, conforme o artigo 17, I, da Lei nº
6.771/2006; a revelia importa em decisão final, cabendo apenas
a revisão do lançamento pela Representação Fiscal, e, depois
de analisado o Recurso Ordinário os autos sejam encaminhados a
Representação Fiscal para revisão do lançamento. Assim, chegam
os autos a este Conselho para análise do Recurso Ordinário.

É o relatório.

Voto

Trata-se de Recurso Ordinário interposto


contra a Decisão nº 18.556/2012, de Primeira Instância, que
julgou pela Revelia da autuada sem exame de mérito (nos termos

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do artigo 13, §1º, da Lei nº 6.771/2007, e com supressão legal


da jurisdição administrativa fiscal), o Lançamento constante
do auto de infração nº 020.703, de 31/08/2007.

A inicial aponta que a autuada deixou de


recolher ICMS e de submeter documentos fiscais ao visto da
SEFAZ/AL nos exercícios de 2005 e 2006. A Primeira Instância
julgou a autuação reconhecendo a revelia com a exclusão legal
da jurisdição administrativa fiscal nos termos do artigo 13, §
1º, da Lei Estadual nº 6.771/2006, pois a autuada foi intimada
da autuação em 25/10/07, EDITAL nº019/2007, e, em 27/11/2007,
através do Processo 1500-031.129/2007, apresentou requerimento
solicitando prazo de 30 (trinta) dias para apresentar defesa.

Observe-se, que o Recurso Ordinário não trata


da declaração de revelia pela decisão singular, e, observe-se,
ainda, que a referida declaração teve por fundamento o artigo
13, §1º, da Lei nº 6.771/2006, haja vista, que a autuada não
impugnou o lançamento, nem satisfez a exigência não impugnada
de recolher o crédito tributário. A Lei nº 6.771/2006, visando
evitar o encaminhamento à PGE/PFE de créditos tributários com
defeitos, inválidos ou extintos, veio determinar que malgrado
a revelia implique no reconhecimento da obrigação tributária,
o lançamento deverá ser revisto pela Representação Fiscal como
exigem os artigos 13, e 54, IX, da Lei Estadual nº 6.771/2006,
podendo resultar a revisão na manutenção ou no cancelamento do
lançamento do crédito tributário.

Observe-se, também, que a autuada não ataca à


declaração de revelia posta na decisão singular, apenas, nega
a prática da infração alegando que efetuou os recolhimentos do
imposto e pagá-los novamente seria enriquecimento ilícito. Não
resta dúvida do acerto da decisão singular, haja vista, que a
revelia não se deu pela intempestividade na apresentação da
defesa, mas, pela falta de apresentação da defesa, uma vez que
a autuada no Processo 1500-031.129/2007, não ofereceu nenhuma
defesa apenas solicitou novo prazo para sua apresentação.

Verificada a revelia nos termos do artigo 13,


§ 1º, da Lei nº 6.771/2006, somente a Representação Fiscal tem
competência para fazer a revisão do Lançamento do crédito
tributário (§ 2º, mesmo artigo), sendo inválida por vício de
competência a revisão praticada por outro órgão ou autoridade,
devendo observar-se que se desta revisão resultar incompatível
o lançamento com o Direito posto, restará sua declaração de

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invalidez (cancelamento, nos termos do artigo 13, § 2º, I, e


II, da Lei nº 6.771/2006).
“Art. 13 - Não sendo apresentada defesa ao Auto de Infração, no
prazo legal, o sujeito passivo será considerado revel,
importando a revelia no reconhecimento da obrigação tributária e
produzindo efeito de decisão final em processo administrativo
tributário.

§ 1º - Dá-se também a revelia do sujeito passivo no que pertine


à parte não impugnada do Auto de Infração, quando este deixar de
cumprir a exigência não impugnada.

§ 2º - Na hipótese de revelia poderá o lançamento ser objeto de


revisão, nos termos que dispuser a regulamentação, observado o
seguinte:

I - a revisão deverá ser feita pela representação fiscal; e

II - a retificação ou o cancelamento do lançamento deverá ser


objeto de ratificação pelo Secretário Adjunto da Receita
Estadual.
(...)”

Nesse passo, os autos devem ser encaminhados


à Diretoria de Representação Fiscal conforme artigo 13, §2º,
da Lei Estadual nº 6.771/2006, para Revisão do lançamento em
razão da revelia pela decisão singular. Após a revisão, não se
verificando a situação prevista no artigo 13, §2º, I, e II, da
mesma Lei, os autos deverão ser encaminhados a PGE/PFE para
inscrever o crédito tributário na Dívida Ativa.

Pelo exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 1ª


CAMARA DO CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade de
votos, conhecer do Recurso Ordinário, para negar-lhe
provimento. Mantida a decisão singular.

Conselho Tributário Estadual, Sala das Sessões


em Maceió, 28 de agosto de 2013.

SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO ODETE MINEIRO DA PAZ


PRESIDENTE RELATORA

SEGISMUNDO CERQUEIRA FILHO MARIA LOPES MILHOMES


JULGADOR JULGADORA

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SESSÃO ORDINÁRIA: Nº 01 – REALIZADA: 22/01/2013 – 1ª CÂMARA


PROCESSO Nº: SF-1500-36798/2004
AUTO DE INFRAÇÃO Nº: 16415, PROTOCOLADO EM 28/12/2004
RECORRENTE: ESTADO DE ALAGOAS.
RECORRIDO: GEDIVAL ALVES DE FRANÇA.
RELATOR: PAULO TARSO DA COSTA SILVA.
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA S. FILHO

ACÓRDÃO Nº 013/2013

EMENTA: AUTO DE INFRAÇÃO –


RECLASSIFICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART.
84 PARA A DO ART. 79 DA LEI ESTADUAL
5.900/96 – PRECEDENTE DO PLENO DO CTE -
REEXAME NECESSÁRIO CONHECIDO E IMPROVIDO
- DECISÃO DA CJ MANTIDA NA ÍNTEGRA –
PROCEDÊNCIA PARCIAL DO AUTO DE INFRAÇÃO.

RELATÓRIO

Trata-se de auto de infração lavrado em desfavor da


empresa GEDIVAL ALVES DE FRANÇA, no valor de R$ 315.378,85
(trezentos e quinze mil, trezentos e setenta e oito reais e
oitenta e cinco centavos), por infração à legislação
tributária estadual, referente às condutas de aquisição de
mercadorias sem documentação fiscal e falta de recolhimento do
ICMS em razão da omissão de saída de mercadorias tributáveis,
apuradas no exercício de 2004, através de controle físico de
estoque de mercadoria.

Fundamenta-se o referido auto de infração nos


seguintes artigos: 2º; art. 21, IX e art. 50, I, da lei
5.900/96, c/c o art. 15, III, e art. 49, VI e VIII do RICMSAL,
aprovado pelo Decreto n.º 35.245/91, sendo sugerida a
aplicação da sanção prevista no art. 84 da Lei Estadual
5.900/96.

Foram anexados aos autos os seguintes documentos: 1.


Relatório de dados cadastrais do contribuinte; 2. Cópia do
cartão de autografo do contribuinte; 3. Planilha Resumo do
débito do Auto de Infração; 4. Cópia da Intimação Fiscal nº
30622, solicitando livros e documentos; 5. Cópia de Procuração
Pública, em que o sujeito passivo outorga poderes a Maricélia
Costa da Silva Pinheiro; 6. Termo de Contagem das mercadorias
existentes em estoque, lavrado em 08 de setembro de 2004; 7.
Relação das notas fiscais de aquisição, emitida em 08/09/2004;

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8. “Termo de Início de Fiscalização” e “Termo de Encerramento


de Fiscalização” lavrados no livro RUDFTO; 9. Cópias do livro
Registro de Inventário relativo ao estoque em 31/12/2003; 10.
Planilhas “Controle físico de mercadoria” e “Controle
quantitativo da mercadoria” a relacionar notas fiscais de
entrada e de saída do contribuinte nos períodos fiscalizados.

O sujeito passivo, devidamente notificado em 24 de


maio de 2005, protocolou defesa administrativa perante a
repartição fazendária, impugnando o auto de infração, sob o
argumento de que:

a) A grande maioria das mercadorias por ele


adquiridas provém de outros estados e,
conseqüentemente, passam pelos postos fiscais
nas respectivas fronteiras, sendo, de imediato,
carimbadas e lançadas no sistema informatizado
da SEFAZ; e

b) teria havido um engano por parte dos membros


da fiscalização, pois não teriam levado em
consideração o fato de as mercadorias terem
sido adquiridas na forma de substituição
tributária, além de pertencerem ao grupo de
produtos da cesta básica.

Em sede de contra-razões, a fiscal autuante mantém os


termos do lançamento “in totum”, e em seguida pede pelo
prosseguimento do feito.

Assim, os autos foram encaminhados à Coordenadoria de


Julgamento da Secretaria da Fazenda do Estado de Alagoas,
ocasião em que o auto de infração foi julgado PROCEDENTE EM
PARTE, dando-se provimento a todos os fundamentos apresentados
no referido auto de infração, exceto àquele referente à multa
imposta, sob o seguinte argumento:

“Portanto, aplica este juízo ao caso em tela o


art. 79 da Lei Estadual 5.900/96, em nova
redação dada pela Lei Estadual 7.079/09, por
ser esta inovação legislativa posterior mais
benéfica ao sujeito passivo, nos termos do art.
13, II, “c”, da Lei Estadual 4.418/82. Com a
redução da penalidade de 60% (sessenta por
cento) do tributo para 50% (cinqüenta por
cento) do tributo, reduz-se o crédito
tributário inicialmente lançado para R$
291.824,73 (duzentos e noventa e um mil,
oitocentos e vinte e quatro reais e setenta e
três centavos), dos quais R$ 174.054,02 (cento

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e setenta e quatro mil, cinqüenta e quatro


reais e dois centavos), relativos ao ICMS não
recolhido.”

Nos termos do art. 48, I, da lei Estadual 6.771/06,


foram os autos remetidos a este Conselho Tributário Estadual
para a realização do reexame necessário.

É o relatório.

VOTO

Cuida-se de reexame necessário da decisão n.º


17.939/11, proveniente da Coordenadoria de Julgamento - CJ,
que julgou parcialmente procedente o Auto de Infração n.º
16415, protocolado em 28/12/2004, dando-se provimento a todos
os fundamentos apresentados no referido auto de infração,
exceto àquele referente à multa imposta, oportunidade em que
foi aplicada a multa prevista no art. 79 da Lei 5.900/96, por
ser mais favorável ao contribuinte. Vejamos a ementa do
julgamento:

EMENTA – ICMS. Aquisição de mercadorias sem a


respectiva documentação fiscal. Saída de
mercadoria desacompanhada da documentação
fiscal necessária. Omissão do recolhimento do
ICMS na saída de mercadorias tributáveis.
DECISÃO: LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE. 1) É
responsável tributário pelo recolhimento do
tributo incidente sobre as mercadorias sujeitas
à substituição tributária aquele que as adquire
sem o recolhimento do tributo devido nas etapas
anteriores ou que as detém desacompanhadas da
documentação fiscal devida, nos termos do art.
21, VI e 26, p. único da Lei Estadual 5.900/96.
2) A antecipação tributária prevista no art.
588 do RICMS e na Lei Estadual 6.474/04 não
implica encerramento da fase de tributação,
sendo devido o tributo quando das operações
subsequentes com a mesma mercadoria. 3) Por ser
a redução da base de calculo inerente aos
produtos da cesta básica condicionada à emissão

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de documentos fiscais, não se aplica a mesma às


infrações que tem como pressuposto a sua não
emissão. 4) aplicação do artigo 79 da Lei
Estadual 5.900/96, em redação dada pela Lei
Estadual 7.079/09, por ser esta sanção mais
benéfica ao sujeito passivo, nos termos do
artigo 13, II, “c” da lei Estadual 4.418/82. 5)
Remessa dos autos ao Conselho Tributário
Estadual para reexame necessário.

Inicialmente, cumpre registrar que o objeto do


presente julgamento restringe-se ao reexame necessário da
decisão da CJ que reduziu o crédito tributário, por força da
revogação da multa prevista no art. 84 da Lei n.º 5.900/96
pela Lei 7.079/09.

Neste contexto, compulsando a legislação tributária


estadual, depreende-se que a multa estabelecida no art. 84 da
Lei Estadual n.º 5.900/96 foi expressamente revogada pelo art.
4º, da Lei Estadual n.º 7.079/09. Vejamos:

Art. 4º Fica revogado o art. 84 1 da Lei nº


5.900, de 27 de dezembro de 1996,
reclassificando-se a multa deste artigo para a
do art. 79 2 da mesma Lei, relativamente aos
créditos tributários já lançados. [destaque
ausente no original]

Quanto ao tema, o Pleno deste Conselho Tributário


Estadual, por maioria de votos, entendeu que é legal a
reclassificação imposta pela Lei 7.079/09, sobretudo por ter
favorecido o contribuinte, a teor do disposto no art. 106,
inciso II, alínea “a”, do Código Tributário Nacional.

Assim, considerando que o Pleno deste CTE já decidiu,


mais de uma vez, sobre matéria, apesar das controvérsias
existentes, voto pela manutenção da citada reclassificação,
devendo incidir, in casu, a penalidade contida no art. 79 da
Lei 5.900/96.

Face ao exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 1ª CÂMARA DO


CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL – CTE, por unanimidade de votos,
conhecer do reexame necessário para, no mérito, negar-lhe

1 Art. 84 - Falta de recolhimento do imposto apurado por meio de levantamento fiscal:


MULTA - equivalente a 60% (sessenta por cento) do valor do imposto devido.
2 Art. 79. Falta de recolhimento do imposto no prazo legal, em situação não compreendida nas
hipóteses previstas nos artigos seguintes:
MULTA - Equivalente a 50% (cinquenta por cento) do valor do imposto.

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provimento, mantendo na íntegra a decisão da coordenadoria de


Julgamento, que decidiu pela procedência parcial do auto de
infração.

Sala de sessões do CTE, em Maceió/AL, 22 de janeiro de 2013.

SÉRGIO GUILHERME A. DA S. FILHO PAULO DE TARSO DA C. SILVA


PRESIDENTE RELATOR

SEGISMUNDO CERQUEIRA FILHO ODETE MINEIRO DA PAZ


JULGADOR JULGADORA

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GOVERNO DO ESTADO
SECRETARIA EXECUTIVA DA FAZENDA
CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL
2ª. CÂMARA
___________________________________________________________________

SESSÃO ORDINÁRIA Nº 001 – Realizada em 15/01/2013 – 2ª Câmara


PROCESSO: 1500-026085/2010 e CTE nº 131/2012.
ANEXOS: 1500-009205/2009(05 vol.);030564/2010 e 037377/2011.
AUTO DE INFRAÇÃO: 90.04760-001.
AUTUADA: SAN PAOLO CALÇADOS LTDA - EPP.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 241.04523-1.
DECISÃO MONOCRÁTICA: 18.258/2011.
ASSUNTO: Recurso Ordinário.
AUTUANTE(S): Jorge Ricardo de Souza.
RELATOR: Mário Sérgio Martins de Castro.
VOTO VENCEDOR: Luciano Pontes de maya Gomes
PRESIDENTE: Patrícia Melo Messias
ASSESSORIA: Liberaci Maria Souza Galindo

ACÓRDÃO 005/2013
EMENTA: ICMS. Levantamento Fiscal.
Confronto entre informações prestadas pelo
contribuinte por intermédio das declarações
fiscais e informações prestadas pelas
Administradoras de Cartão de Crédito,
Inobservância da Lei Complementar 105/2001.
Ausência de prévio processo ou procedimento
administrativo para o acesso às informações
protegidas sob sigilo. Nulidade da
Autuação. Recurso Ordinário conhecido e
provido.

RELATÓRIO
Fundamentado o auto de infração na acusação de falta de
recolhimento de ICMS pelo sujeito passivo devido à omissão de
vendas de mercadorias desacobertadas de documentação fiscal,
apuradas mediante confronto entre as vendas escrituradas em livros
fiscais próprios e os valores constantes em extratos fornecidos
por administradora de cartões de crédito e/ou débito, nos
exercícios de 2007, 2008 e janeiro a julho de 2009.

Acórdão CTE nº 005/2013 1


As provas trazidas pela fiscalização estão no processo
principal e em quatro volumes do processo anexo nº 1500-
009205/2009.

Foram apontados como transgredidos as seguintes normas: art.


1º, art. 2º, § 9º, I ao III e V; art. 31 e art. 50, §§ 2º, I, II,
§ 3º ao 7º, todos da Lei 5.900/96 c/c art. 272-B do Decreto
35.245/191 – Regulamento do ICMS. Aplicada a penalidade prevista
no artigo 97 da Lei nº 5.900/96.

Apresentadas a defesa pelo contribuinte e as Contrarrazões


pelo autuante, foi proferida a Decisão nº 18.258/2011, tendo o
julgador singular decidido pela procedência do lançamento com a
seguinte ementa:

EMENTA: ICMS. LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO


DECORRENTE DE DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO
PRINCIPAL. 1) Falta de recolhimento do imposto
decorrente da omissão de saídas de mercadorias
tributáveis em operações internas, apurada com
base em informações fornecidas pelas
administradoras de cartão de crédito e débito,
confrontadas com as operações declaradas pelo
contribuinte. 2) Presunção “juris tantum”
referente à ocorrência de operações tributadas
sem pagamento do imposto (art. 2º, § 9º, V, da
Lei Estadual nº 5.900/96), não elidida por
prova em contrário. 3) Norma procedimental de
fiscalização: possibilidade de aplicação antes
de sua entrada em vigor – afastada a violação
ao princípio da irretroatividade. 4)
Inexistência de irregularidade relativamente à
quebra de sigilo bancário do contribuinte. 5)
Comprovada a materialidade da infração. 6)
LANÇAMENTO PROCEDENTE.

Intimado da decisão supracitada, o autuado apresentou Recurso


Ordinário, requerendo a nulidade e o arquivamento do auto de
infração em tela, alegando para isso, entre citações doutrinárias
e jurisprudência, que:

1. pela importância da matéria não cabe qualquer


possibilidade de inversão do ônus da prova, e havendo
algum valor a ser cobrado, necessariamente deve estar
fundamentado em prova documental;

Acórdão CTE nº 005/2013 2


2. não foram anexadas provas suficientes e detalhadas que
tragam certeza da constituição do crédito tributário
aqui cobrado, incidindo assim o art. 7º da lei nº
6.771/2006;

3. a diferença encontrada na autuação foi por causa que as


vendas com cartões são feitas diariamente e a apuração
do ICMS realizada pela fiscalização foi mensal;

4. a informação prestada por terceiros não quer dizer


receitas, já que as administradoras de cartões cobram
percentagem pelo serviço. Ou seja, não se sabe se os
valores informados por elas “são valores líquidos ou
brutos”, só podendo responder a tal questionamento com
os “tíquetes de venda”, que não foram anexados pelo
fisco;

5. questiona onde estão os “tíquetes de venda”; se as vendas


foram a vista ou parceladas; se para pessoa física ou
jurídica; se foi com cartão empresa, corporativo ou
pessoal; se existe diferença no estoque; se existiu
vendas sem notas; e quais foram as mercadorias vendidas;

6. o juízo singular não levou em consideração à falta de


elementos probatórios, prejudicando o seu julgamento, já
que houve inúmeros questionamentos sem resposta,
acarretando uma insegurança jurídica.

Em resposta, pedindo pela improcedência dos pedidos de


nulidade do auto de infração e pela manutenção da decisão
recorrida, a Representante Fiscal argumenta que:

1. o recurso não contestou nenhum valor relativo às


operações de vendas de mercadorias omitidas apuradas no
levantamento fiscal, e que por isso, há presunção de
veracidade desses valores;

2. o procedimento de apuração mensal do ICMS obedece ao


disposto na legislação tributária, citando o art. 78 do
Regulamento do ICMS;

3. os relatórios das administradoras de cartão de


crédito/débito são individualizados em relação ao
estabelecimento da recorrente, constando a discriminação

Acórdão CTE nº 005/2013 3


dos valores de cada operação por data, bem como o número
do documento e identificação de cartão utilizado no
pagamento;

4. quanto aos questionamentos relativos os “tíquetes de


venda”, se as vendas foram à vista ou parceladas, se
para pessoa física ou jurídica, o tipo de cartão, se
existe diferença no estoque, e quais foram as
mercadorias vendidas, tais perguntas são irrelevantes
para o lançamento aqui analisado, já que a ocorrência da
infração está devidamente mostrada, pois a partir do
fato provado nos autos se tem a presunção da omissão de
saídas sem o pagamento do imposto;

5. a alegação de não ter tido acesso às provas relativas à


autuação é “absurda”, já que fora facilitado ao sujeito
passivo o acesso aos elemento probatórios, tanto que na
peça de impugnação, é citado o processo SF 1500-
009205/2009, que contém todo o conjunto probatório do
auto de infração em tela;

6. não há o que se falar em falta de fundamentação da


decisão de piso, pois a mesma está baseada nas provas
acostadas aos autos e nos precisos termos da legislação
tributária;

7. há provas documentais suficientes nos autos comprovando


que os valores de vendas informados pelas
administradoras de cartão são muito superiores aos
registrados nos livros fiscais da autuada, o que leva a
conclusão de que houve operações de saída de mercadorias
sem o registro fiscal e a falta de pagamento do imposto.
E por isso não há o que se alegar sobre inversão do ônus
da prova. Inclusive caberia à autuada afastar com
contraprovas, nesta fase processual, a acusação posta
pela fiscalização, o que não aconteceu;

8. sobre as informações prestadas pelas administradoras de


cartão não constituírem receitas, pois incluem
porcentagem de serviço, sendo necessários os tíquetes de
venda, a remessa dessas informações pelas
administradoras decorre da obrigação posta na legislação
tributária estadual, utilizando como padrão o modelo
constante de Protocolo ECF 04/01. Alem disso, a autuada

Acórdão CTE nº 005/2013 4


não indicou os supostos percentuais, nem datas e
valores, como também não anexou qualquer documento
comprovando a cobrança desses encargos de financiamento.

Assim, chegam os autos a este Conselho. É o relatório.

VOTO VISTA VENCEDOR

Conforme relato, como motivação para o ato


administrativo questionado, asseverou a autoridade fiscal haver o
contribuinte omitido receitas tributáveis, especificamente
relacionadas às suas operações com cartões de crédito, débito ou
similares.

A propugnada omissão de receitas fora firmada em


presunção. Segundo afirmação constante da peça acusatória,
presunção essa decorrente de uma suposta diferença apurada pela
fiscalização entre os valores das vendas registrados nos livros e
declarações próprias e as informações prestadas pelas
administradoras de cartões de crédito/débito.

Pois bem. Compulsando os autos do presente processo


administrativo, observa-se que as informações foram encaminhadas
pelas administradoras de cartões de crédito/débito após
regularmente intimadas para tanto pela DIPLAF – Diretoria de
Planejamento de Ação Fiscal (vide fl. ___ e ss.). Observe que
o expediente é datado de 17 de novembro de 2009.

Analisando o conteúdo dos ofícios citados, observa-


se que o procedimento em comento apresentou como fundamento o art.
6º, da LC n.º 105, de 10 de janeiro de 2001, o art. 197, II e VII,
do CTN, o art. 110, II e VIII, da Lei n.º 4.418/82, o art. 50,
§11º, da Lei n.º 5.900/96, e a IN SF n.º 34/2009. Em substância, a
ação fiscal se consubstanciou no já citado art. 6º, da LC n.º
105/2001, que atualmente disciplina a prestação de informações
sigilosas pelas instituições financeiras 1.

Acórdão CTE nº 005/2013 5


É aqui aonde observamos a impropriedade quanto ao
procedimento para a obtenção das informações junto as
administradoras de cartões de crédito/débito à partir da análise
do texto do próprio art. 6º, da LC 105, citado como motivação para
tal ação fiscal. Confira-se:

Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais


tributários da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios somente poderão examinar
documentos, livros e registros de instituições
financeiras, inclusive os referentes a contas de
depósitos e aplicações financeiras, quando houver
processo administrativo instaurado ou procedimento
fiscal em curso e tais exames sejam considerados
indispensáveis pela autoridade administrativa
competente. (grifamos)

Dá análise do destacado dispositivo de lei,


observamos que o próprio artigo que outorga as autoridades
fazendárias federal, estadual e municipal o poder de examinarem as
informações gravadas por sigilo fiscal perante as administradoras
de cartão de crédito, condiciona tal faculdade, no entanto: (i) a
existência de prévio procedimento fiscal visando a apuração
(constituição) de crédito tributário; e, (ii) que no bojo deste a
quebra do sigilo seja indispensável.

Partindo desta irrefutável premissa, salta aos olhos


o erro in procedendo da autoridade fiscal, que, somente veio
instaurar procedimento em face do
contribuinte _____________________________ (vide cópia do livro
termo de ocorrências ora anexado). Ou seja, há aproximadamente 01
(um) ano após a data do pedido de quebra de sigilo das operações
do contribuinte, invertendo, assim, a ordem cronológica dos
procedimentos ditados pela LC 105. E isto porque, ordenou,
primeiro, a quebra do sigilo da recorrente para, somente então e
muito posteriormente, iniciar o procedimento hábil a constituir o
crédito tributário.

Aliás, o próprio lançamento faz expressa referência


ao processo administrativo anterior.

Acórdão CTE nº 005/2013 6


Demonstrado o vício de procedimento, tem-se como
consectária a nulidade do auto de infração subsequente. Neste
sentido está a uníssona jurisprudência do STJ:

TRIBUTÁRIO – CPMF – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO –


PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS DISPOSTOS NO ART. 6º DA
LEI COMPLEMENTAR N. 105/2001 – REEXAME DE MATÉRIA
FÁTICA – SÚMULA 7/STJ. 1. A Lei complementar n.
105/2001, em seu art. 6º, autoriza a quebra de
sigilo bancário para apuração de ilícitos
fiscais somente quando houver processo
administrativo instaurado ou processo fiscal em
curso, e se tal procedimento for indispensável. 2.
No caso dos autos, o Tribunal de origem, conhecedor
de todo o contexto fático-probatório dos autos,
entendeu que os requisitos descritos no artigo
supostamente violado foram preenchidos. 3. Não cabe
a esta Corte desconstituir o acórdão recorrido e
reconhecer a ausência de procedimento
administrativo, por indispensável revolvimento da
matéria fática - inviável em sede de recurso
especial por óbice da Súmula 7/STJ. Agravo
regimental improvido.(STJ. 2ªT. AgRg no Ag 1213848 /
SP. Rel. Min. Humberto Martins. DJe 24/03/2010)

Por outro lado, em data recente (dezembro/2010), em


julgamento com status de repercussão geral, o Plenário do SUPREMO
TRIBUNAL FEDERAL reconheceu a inconstitucionalidade da autorização
conferida às administrações fazendárias para quebrarem o sigilo
fiscal dos contribuintes, ainda que para subsidiar procedimento
fiscal em curso, exatamente a constante do art. 6º, da LC n.º
105/2001. Segundo o STF, a segurança das relações jurídicas impõe
o prévio exame de pertinência pelo Judiciário.

Confira-se:

Por maioria de votos, o Plenário do Supremo Tribunal


Federal (STF) deu provimento a um Recurso
Extraordinário (RE 389808) em que a empresa GVA
Indústria e Comércio S/A questionava o acesso da
Receita Federal a informações fiscais da empresa,
sem fundamentação e sem autorização judicial. Por
cinco votos a quatro, os ministros entenderam que

Acórdão CTE nº 005/2013 7


não pode haver acesso a esses dados sem ordem do
Poder Judiciário.

O caso

A matéria tem origem em comunicado feito pelo Banco


Santander à empresa GVA Indústria e Comércio S/A,
informando que a Delegacia da Receita Federal do
Brasil com amparo na Lei Complementar nº 105/01
havia determinado àquela instituição financeira, em
mandado de procedimento fiscal, a entrega de
extratos e demais documentos pertinentes à
movimentação bancária da empresa relativamente ao
período de 1998 a julho de 2001. O Banco Santander
cientificou a empresa que, em virtude de tal
mandado, iria fornecer os dados bancários em
questão.

A empresa ajuizou o RE no Supremo contra acórdão


proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª
Região, que permitiu “o acesso da autoridade fiscal
a dados relativos à movimentação financeira dos
contribuintes, no bojo do procedimento fiscal
regularmente instaurado”. Para a GVA, “o poder de
devassa nos registros naturalmente sigilosos, sem a
mínima fundamentação, e ainda sem a necessária
intervenção judicial, não encontram qualquer
fundamento de validade na Constituição Federal”.
Afirma que foi obrigada por meio de Mandado de
Procedimento Fiscal a apresentar seus extratos
bancários referentes ao ano de 1998, sem qualquer
autorização judicial, com fundamento apenas nas
disposições da Lei nº 10.174/2001, da Lei
Complementar 105/2001 e do Decreto 3.724/2001, sem
qualquer respaldo constitucional.

Dignidade

O ministro Marco Aurélio (relator) votou pelo


provimento do recurso, sendo acompanhado pelos
ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Celso
de Mello e Cezar Peluso. O princípio da dignidade da
pessoa humana foi o fundamento do relator para votar
a favor da empresa. De acordo com ele, a vida em

Acórdão CTE nº 005/2013 8


sociedade pressupõe segurança e estabilidade, e não
a surpresa. E, para garantir isso, é necessário o
respeito à inviolabilidade das informações do
cidadão.

Ainda de acordo com o ministro, é necessário


assegurar a privacidade. A exceção para mitigar esta
regra só pode vir por ordem judicial, e para
instrução penal, não para outras finalidades.

“É preciso resguardar o cidadão de atos


extravagantes que possam, de alguma forma, alcançá-
lo na dignidade”, salientou o ministro.

Por fim, o ministro disse entender que a quebra do


sigilo sem autorização judicial banaliza o que a
Constituição Federal tenta proteger, a privacidade
do cidadão. Com esses argumentos o relator votou no
sentido de considerar que só é possível o
afastamento do sigilo bancário de pessoas naturais e
jurídicas a partir de ordem emanada do Poder
Judiciário.

Já o ministro Gilmar Mendes disse em seu voto que


não se trata de se negar acesso às informações, mas
de restringir, exigir que haja observância da
reserva de jurisdição. Para ele, faz-se presente, no
caso, a necessidade de reserva de jurisdição. Para o
ministro Celso de Mello, decano da Corte, o Estado
tem poder para investigar e fiscalizar, mas a
decretação da quebra de sigilo bancário só pode ser
feita mediante ordem emanada do Poder Judiciário.

Em nada compromete a competência para investigar


atribuída ao poder público, que sempre que achar
necessário, poderá pedir ao Judiciário a quebra do
sigilo.

Divergência

Os ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ayres


Britto e Ellen Gracie votaram pelo desprovimento do
RE. De acordo com o ministro Dias Toffoli, a lei que
regulamentou a transferência dos dados sigilosos das

Acórdão CTE nº 005/2013 9


instituições financeiras para a Receita Federal
respeita as garantias fundamentais presentes na
Constituição Federal. Para a ministra Cármen Lúcia,
não existe quebra de privacidade do cidadão, mas
apenas a transferência para outro órgão dos dados
protegidos.
(Disponívelem:http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNo
ticiaDetalhe.asp?idConteudo=168193&caixaB)

Convém ainda atentar para recente posicionamento do


TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, que pelo aresto
colacionado acata as duas teses ora sustentadas. Segue-se sua
ementa:
EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL AÇÃO
ORDINÁRIA - EXCLUSÃO DO “SIMPLES PAULISTA”. PROCESSO
ADMINISTRATIVO INÍCIO E FUNDAMENTO EM INFORMAÇÕES
REPASSADAS POR ADMINISTRADORA DE CARTÃO DE CRÉDITO E
DÉBITO LEI ESTADUAL ILEGALIDADE. O processo
administrativo que desenquadrou o contribuinte do
Simples Paulista, com efeitos retroativos desde 1º
de abril de 2006, baseou-se unicamente em relações
de valores sobre pagamentos com cartões de crédito e
débito realizados pela microempresa passados à
Secretaria da Fazenda do Estado com base no art. 1º,
III, da Lei Paulista 12.186, de 5 de janeiro de
2006, que introduziu dentre os requisitos de adesão
ao programa a declaração de que “autoriza a empresa
administradora de cartão de crédito ou de débito a
fornecer, à Secretaria da Fazenda, relação dos
valores referentes às suas operações e prestações de
serviços” (art. 3º, II, “e”, da Lei Estadual 10.086,
de 19 de novembro de 1998). Por sua vez, a Lei
Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, que
dispõe sobre o sigilo das operações das instituições
financeiras, determina: “Art. 6º As autoridades e os
agentes fiscais tributários da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão
examinar documentos, livros e registros de
instituições financeiras, inclusive os referentes a
contas de depósitos e aplicações financeiras, quando
houver processo administrativo instaurado ou
procedimento fiscal em curso e tais exames sejam
considerados indispensáveis pela autoridade

Acórdão CTE nº 005/2013 10


administrativa competente” (grifo nosso). A Lei
Estadual 12.186/2006 simplesmente inverteu a lógica
do levantamento do sigilo das operações financeiras:
o contribuinte renuncia obrigatoriamente, desde
logo, ao segredo de suas operações de cartão de
crédito e débito, e, então, a Fazenda busca indícios
de irregularidades Ilegalidade dessa Lei em
confronto com o art. 6º, caput, da Lei Complementar
105/2001. Ademais, o Supremo Tribunal Federal
decidiu recentemente que o Fisco não pode quebrar o
sigilo fiscal sem prévia autorização judicial.
Decisão mantida Nega-se provimento ao recurso.
(TJ/SP. Apelação nº 0130457-83.2008.8.26.0053, da
Comarca de São Paulo. 5ª Câmara de Direito Público
do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a
seguinte decisão: "Negaram provimento ao recurso.
V.U, em 14 de fevereiro de 2011).

Enfim, nesta esteira, o procedimento encampado pelo


fisco estadual, em constituir o crédito tributário a partir de
informações prestadas por administradoras de cartões de crédito
sem a autorização judicial, encontra-se eivado de vício de
nulidade.

Isto Posto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA DO CONSELHO


TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por maioria de votos, conhecer do Recurso
Ordinário para dar-lhe provimento. Auto de Infração NULO.

Sala das Sessões do CTE , em Maceió, 15 de janeiro de 2013.

PATRÍCIA MELO MESSIAS MÁRIO SÉRGIO MARTINS DE CASTRO


PRESIDENTE RELATOR

LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES


VOTO VENCEDOR

JOSÉ PEDRO DA SILVA ÁLVARO ARTHUR LOPES DE A.


FILHO
JULGADOR (VOTOU CONTRA RELATOR) JULGADOR (VOTOU CONTRA RELATOR)

Acórdão CTE nº 005/2013 11


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SESÃO ORDINÁRIA Nº 02 – 2º Câmara – Realizada em 18/01/2013


PROCESSO: 1500-006838/04 (08 VOLUMES); CTE-21/12
ANEXO: 1500-014924/06
AUTO DE INFRAÇÃO Nº 041458/04
ASSUNTO: REMESSA NECESSÁRIA
AUTUAD0: MARINHO VEÍCULOS LTDA.
AUTUANTE: FRANCISCO J.S. DE MENDONÇA – Mat. 30.772
RELATOR: JOSÉ PEDRO DA SILVA

ACÓRDÃO Nº10 /2013

EMENTA: AUTUAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE O


CONTEÚDO DOS TERMOS DA PEÇA VESTIBULAR E
O DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
EXIGIDO. DÚVIDA NO TOCANTE A INFRAÇÃO
COMETIDA PELA EMPRESA E EM CONSEQUÊNCIA,
PREJUDICADO O CONTRADITÓRIO E A AMPLA
DEFESA DA AUTUADA. REMESSA NECESSÁRIA
CONHECIDA E IMPROVIDA. DECISÃO DE
PRIMEIRA INSTÂNCIA MANTIDA.

RELATÓRIO

Versa o presente processo sobre lançamento de


crédito tributário a título de ICMS, no montante de R$
5.843,18 (Cinco Mil, Oitocentos e Quarenta e Três Reais e
Dezoito Centavos), com um acréscimo de multa no valor de R$
3.943,72(Três Mil, Novecentos e Quarenta e Três Reais e
Setenta e Dois Centavos), decorrente de diferença verificada
através da planilha de levantamento específico de sua
Movimentação de Combustíveis, no período de 01/01/03 a
30/11/03, conforme registros nos Livros de Movimentação de
Combustíveis (LMC).

Como instrução da presente autuação foram anexados


aos autos, Relatório de Dados Cadastrais do Contribuinte,
Declaração de Acompanhamento da Medição de Estoque,
Demonstrativo do Resumo de Movimentação de Combustível e
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cópias, da FAC, dos Termos de Início e Encerramento de


Fiscalização e do Livro de Movimentação de Combustíveis do
Edital.

Intimada da autuação a empresa apresentou defesa,


alegando que imotivadamente, o fiscal da SEFAZ concluiu que
havia uma diferença de 2.800 litros de AEHC, saldo este que
não possuía nota fiscal, segundo o agente autuador.

Percebendo-se, dessa maneira, que por não haver


apresentado as notas de saídas de mercadoria referentes ao
período em questão, o estabelecimento está sendo acusado de
haver sonegado ICMS relativo ao mesmo exercício.

Porém, ao lavrar o Auto de Infração ora guerreado,


o fiscal ignora completamente o fato de que nos
estabelecimentos revendedores de combustíveis, o ICMS
relativo a todos os produtos vendidos é recolhido através de
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA, o que significa dizer que quem deve
repassar ao Estado todo o valor referente a esse imposto são
os substitutos (distribuidores e refinarias) e não o
substituído (posto revendedor).

Nas contra razões da defesa o autuante insiste na


manutenção do lançamento, aduzindo que na presente Autuação
não ocorreu nenhuma “presunção” e sim, a falta de emissão de
documentos fiscais nas operações que realizou, admitindo-se a
não exigência do crédito tributário a título de ICMS,
cabendo, no entanto, a penalidade prevista no inc. II, do
Art. 110, da Lei nº. 5.900/96, segundo a qual consiste em 03
(três) UPFAL´S para cada valor inerente a 100 (cem) UPFAL´S,
resumindo-se assim o crédito tributário a R$ 226,94 (duzentos
e vinte e seis reais e noventa e quatro centavos), resultando
consequentemente em aditamento ao lançamento original,
conforme termo próprio à fl. 19 – Proc. 1500-014924/04.

Em ato contínuo fora expedida notificação do


respectivo aditamento via AR e por edital, conforme fls.
25/6; 29/31 e fl.36, sem a manifestação da empresa.

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Submetido o presente litígio fiscal a julgamento


por parte da instância monocrática, esta concluiu pela
nulidade do lançamento nos termos da seguinte ementa:

“ICMS. PROCEDIMENTO ORDINÁRIO. Lançamento de Ofício


do Crédito Tributário. 1. Diferença verificada através de
levantamento específico de estoque. 2. Indeterminação da
conduta descrita como infração tributária. 3. Ilícito não
demonstrado. 4. Procedentes as alegações da defesa. 5.
Ausência de motivo. 6. Lançamento NULO. 7. Reexame
necessário.”

Notificadas da decisão tanto a Representação Fiscal


quanto a empresa autuada, as mesmas não se manifestaram.

Em síntese é o relatório.

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VOTO

Está consignado na peça vestibular dos autos que o


presente lançamento teve como origem o seguinte fato:
“Diferença verificada através da Planilha de levantamento
específico de sua Movimentação de Combustíveis, fato
constatado conforme registro nos seus Livros de Movimentação
de Combustíveis (LMC), conforme documentação anexos.” Seguido
da discriminação dos tipos de combustíveis vendidos sem doc.
fiscal, como álcool carburante, gasolina comum, gasolina
aditivada e óleo diesel.

Da análise dos autos, notadamente dos docs. de fls.


07/09, intitulado de RESUMO DE MOVIMENTAÇÃO DE COMBUSTÍVEL,
verifica-se que ao invés de está consignado nos referidos
demonstrativos, diferença a título de saída, consta dos
mesmos diferença a título de compras, aquisições sem notas
fiscais, circunstâncias estas não compatíveis com a narrativa
constante da fl. inicial, quando está inserida na mesma que
as diferenças reportam-se as saídas (vendas) e não aquisições
(compras) sem nota fiscal, ensejando assim, dúvida acerca da
infração cometida pela empresa e por extensão acarretando
prejuízo ao contraditório e a ampla defesa.

Como se não bastasse tal discrepância na autuação,


o fiscal autuante ao apresentar as contra razões da defesa,
elabora um pseudo aditamento de fl. 19 – Proc. 1500-
014924/04, segundo o qual indica como total das operações, o
valor de R$ 23.372,70 (Vinte e Três Mil, Trezentos e Setenta
e Dois Reais e Setenta Centavos), sem identificar,
entretanto, o título, a rubrica das operações, ou melhor, se
as mesmas são relativas às entradas ou saídas.

Assim, o teor dos termos da presente autuação


apresenta-se de forma contraditória e em conseqüência
comprometendo o contraditório e a ampla defesa da autuada,
razões pelas quais a instância de piso decidiu acertadamente.

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Isto posto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2º CÂMARA DO CONSELHO


TRIBUTÁRIOESTADUAL, por unanimidade, conhecer da remessa para
negar-lhe provimento, mantendo in totum a decisão de primeira
instância.

Sala das Sessões do CTE, em Maceió, 18 de janeiro


de 2013.

PATRICIA MELO MESSIAS JOSÉ PEDRO DA SILVA


PRESIDENTE RELATOR

ÁLVARO ARTHUR L. A. FILHO LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES


JULGADORA JULGADOR

MARIO SÉRGIO MARTINS DE CASTRO


JULGADOR

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SESÃO ORDINÁRIA Nº 01 – Realizada em 22/01/2013 – 1° Câmara


PROCESSO: 1500-000.106/2010 e CTE nº 470/2011.
ANEXOS: 1500-002.017/2010 e 1500-025.982/2011.
AUTUADA: MAR AZUL DIST. INPORT. E EXPORT. LTDA.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 24.104.165-1.
AUTO DE INFRAÇÃO: 99.98386-001, de 05/01/2010.
DECISÃO MONOCRÁTICA: 18.083/2011.
ASSUNTO: Recurso Ordinário.
AUTUANTE: Edgar Sarmento Pereira Filho.
RELATORA: Odete Mineiro da Paz.
VOTO VECENDOR: PAULO DE TARSO DA COSTA SILVA
PRESIDENTE: SERGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO Nº 011/2013

EMENTA:

Relatório

Trata-se de auto de infração lavrado contra a


empresa MAR AZUL DIST. INPORT. E EXPORT. LTDA, já qualificada,
tendo por objeto o lançamento do crédito tributário no valor
de R$ 810,00 (oitocentos e dez reais), por haver a empresa
autuada apresentado informações divergentes das que constam
nos seus livros fiscais obrigatórios quando da apresentação de
suas DAC’s – Declarações de Atividades do Contribuinte nos
meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro/2004.

Apontados como infringidos os artigos 49,


inciso II, do RICMS/1991; 3°, do Decreto n° 38.469/2000; sendo
sugerida a aplicação da penalidade prevista no artigo 116-A,
inciso II, da Lei nº 5.900/1996.

Os autos estão instruídos com relatório de


dados cadastrais do contribuinte; cópia (xerox) do cartão de
autógrafo; cópia (xerox) do RUDFTO (Termos de Ocorrências);
Relatório de Cruzamento da DAC com Arrecadação do ICMS e
Débitos Fiscais (08/2004 a 12/2004); Espelhos da Declaração de
Atividades do Contribuinte – DAC’s (08/2004 a 12/2004); cópia
(xerox) do LRAICMS e extrato de arrecadação do contribuinte.
DA DEFESA

A autuada apresentou defesa, tempestiva,


alegando que houve cerceamento de defesa, pois a fiscalização
foi efetuada de forma rápida e por amostragem; agiu de boa-fé
e houve uma irregularidade na forma de apuração e transmissão

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Relatora
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das informações à SEFAZ; sendo que esse equívoco poderia ter


sido regularizado se o autuante tivesse concedido um prazo
para apresentar as retificações, as declarações e os registros
fiscais devidamente regularizados e autenticados, acostando as
cópias do LRAICMS n° 06 e das DAC retificadas; a atuação não
foi conduzida segundo padrões éticos de probidade e boa-fé, de
acordo a lei e o direito. Por fim, pede que a autuação seja
julgada como improcedente.

A Comissão de Representação Fiscal, através do


Pedido de Diligência CRF nº 027/2010, solicitou ao autuante
que fosse intimada a autuada para subscrever a defesa que fora
apresentada sem sua assinatura possibilitando assim validá-la,
e não ser considerada inepta. Tal solicitação foi atendida
conforme informação fiscal à fl. 23, do Processo de defesa.

DAS CONTRA-RAZÕES

A CRF - Comissão de Representação Fiscal


apresentou contra-razões alegando que a defesa apresentada
pela autuada não inibe a autuação, pois tais alegações estão
desprovidas de suporte fático ou documental; não houve o
cerceamento de defesa, inclusive o próprio sócio tomou ciência
do auto de infração pessoalmente e apresentou defesa em tempo
hábil; descumpriu a legislação estadual vigente, conforme
provas nos autos, não trazendo provas do que alega. Por fim,
pede a procedência da autuação.

Em 21/06/2011, foi proferida a Decisão nº


18.083/2011, de Primeira Instância, que julgou Procedente o
Lançamento com a ementa.

EMENTA: ICMS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS –


Divergência entre as informações constantes
da Declaração de Atividades do Contribuinte –
DAC e as apostas nos livros fiscais. Ilícito
fiscal comprovado. Lançamento PROCEDENTE.
Ajuste da sanção pecuniária pelo juízo
administrativo, com fulcro na legalidade e na
norma do art. 30 da Lei Estadual nº
6.771/2006 e nos termos do art. 116-A, inciso
II da Lei nº 5.900/1996, com a redação dada
pela Lei nº 6.331/2002. Exação superior à
400 (quatrocentas) UPFAL’s. Procedimento
ordinário.

DO RECURSO ORDINÁRIO

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Relatora
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A autuada apresentou Recurso Ordinário,


tempestivo, alegando:

1) Que, a decisão de Primeira Instância


aplicou a penalidade prevista no artigo 116, II, “b”, da Lei
nº 5.900/1996, estando fundamentada no artigo 56, da Lei nº
5.900/96, que prevê a criação de normas estipulando regras
para cumprir obrigações acessórias, e entre elas, editou uma
norma complementar estabelecendo regras para a entrega da DAC,
tendo o fiscal autuante errado ao vislumbrar na ação fiscal o
cometimento de várias infrações.

2) Que, o artigo 30, da Lei nº 6.771/06,


permite alterar a penalidade aplicada, o que fez o julgador
singular no intuíto de aumentar o ingresso de dinheiro aos
cofres estaduais, mesmo desconhecendo as provas que estão
anexadas a defesa, julgar procedente o auto de infração, assim
a decisão é ilegítima e frágil com inúmeras contradições de
interpretação quando da aplicação da legislação tributária, o
julgador singular numa sutil de demonstração de querer ser o
senhor da razão apressou-se em querer doutrinar, aludindo a
textos legais (Lei, Decreto, Instrução Normativa, etc), como
forma de fazer prevalecer sua interpretação como fundamento de
sua insustentável decisão.

3) Que, os artigos 56, da Lei n 5.900/96 e


30, I, e II, da Lei nº 6.771/2006), não dão autorização nem
poderes para elevar a penalidade de 300 (trezentas) para 1.352
(hum mil, trezentas e cinquenta e duas) UPFAL’s, não assiste
razão ao julgador em relação ao seu ponto de vista, pois a
autuada na defesa anexou diversos documentos e se o julgador
quissesse poderia ter pedido uma diligência para constatar tal
procedimento; a Decisão nº 18.083/2011 é inconsequente e tenta
somente postergar os efeitos da malograda ação fiscal. Por
fim, pede a Improcedência do autro de infração.

DAS CONTRA-RAZÕES AO RECURSO ORDINÁRIO

A CRF - Comissão de Representação Fiscal


apresentou contra-razões alegando:

1) Que, a autuada questiona a forma como foi


aumentado o valor de 300 (trezentas) UPFAL’s para 1.352 (mil,
trezentas e cinquenta e duas) UPFAL’s de forma equivocada, uma
vez que a inicial cobra 50 (cinquenta) UPFAL’s correspondentes
a R$ 810,50 (oitocentos e dez reais e cinquenta centavos), e a

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decisão singular cobra 1.352 (mil, trezentas e cinquenta e


duas) UPFAL’s correspondente a 1% (um por cento) do valor das
operações de saídas conforme 116-A, II, da Lei nº 5.900/96
vigente à época da autuação.

2) Que, a autuada não trata do mérito da


autuação, pois apenas renova a disponibilidade das informações
corrigidas no LRAICMS nº 06 (seis) esquecendo que o lançamento
do crédito tributário exclui a espontaneidade da apresentação
dessas informações, sendo sua alegação principal a quantidade
de UPFAL’s a ser aplicada como multa por descumprimento dessa
obrigação, transformada em fato gerador do crédito tributário,
tanto pela autuação, como pela decisão.

3) Que, o mérito da autuação reside na


apresentação de informações divergentes na DAC - Declaração de
Atividades do Contribuinte, obrigação acessória mensal, em
confronto com a escrituração dos livros fiscais nos meses de
agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro/2004, fato que
está devidamente comprovado pelos Relatórios de Cruzamento da
DAC com a Arrecadação de ICMS e débitos fiscais, comparados
com as cópias do LRAICMS nº 01 (um) conforme consta às fls.
11 a 33, do Processo inicial.

4) Que, as informações divergentes entre as


DAC’s e os livros fiscais não foram corrigidas antes da ação
fiscal para que a autuada tivesse o benefício da espontaneida,
assim, fica sujeita a penalidade prevista no artigo 116-A, II,
da Lei nº 5.900/1996, equivalente a 10 (dez) vezes o valor da
UPFAL acrescido de 05 (cinco) UPFAL para cada mês adicional em
atraso, até o limite de 300 (trezentas) UPFAL’s, tudo conforme
o artigo 30, da Lei nº 6.771/2006, que permite alterar a
aplicação da penalidade. Por fim, pede a Procedência do auto
de infração com a aplicação da penalidade prevista no artigo
116-A, II, da Lei nº 5.900/1996, na redação dada pela Lei nº
6.554/2004, vigente à época do lançamento. Assim, chegam os
autos a este Conselho para análise do Recurso Ordinário.

É o relatório.

I – PRELIMINAR DE OFÍCIO DA DECADÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO.


INTELIGÊNCIA DO ART. 173, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO
NACIONAL.

Analisando atentamente os autos, depreende-se que a


contribuinte foi autuada em razão de supostamente ter
apresentado as DACs dos meses de agosto, setembro, outubro,

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novembro e dezembro de 2004, com informações divergentes das


constantes nos seus livros fiscais obrigatórios, conforme
expressamente consta no AI 99.98386-001 carreado aos autos às
fls. 02 (proc. 1500-000106/2012).

O Código Tributário Nacional, especificamente em seu


art. 173, inciso I, preconiza que o direito de a Fazenda
Pública Estadual constituir o crédito tributário extingue-se
com decurso do prazo de 05 (cinco) anos, contados do 1º dia
do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter
sido efetuado. Vejamos:

Art. 173. O direito de a Fazenda Pública


constituir o crédito tributário extingue-se
após 5 (cinco) anos, contados:

I - do primeiro dia do exercício seguinte


àquele em que o lançamento poderia ter sido
efetuado;

Com efeito, a doutrina e jurisprudência pátria já


firmaram entendimento segundo o qual o descumprimento de
obrigação acessória, como é o caso da DAC, sujeita-se ao
previsto no art. 173, I, do CTN, consoante se verifica do
julgado do STJ, a saber:

TRIBUTÁRIO - EXECUÇÃO FISCAL - CONTRIBUIÇÃO


PREVIDENCIÁRIA - APRESENTAÇÃO DA GFIP -
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO -
DECADÊNCIA - REGRA APLICÁVEL: ART. 173, I, DO
CTN.
1. A falta de apresentação da Guia de
Recolhimento do FGTS e Informações à
Previdência Social (GFIP), assim como o
fornecimento
de dados não correspondentes aos fatos
geradores de todas as contribuições
previdenciárias devidas configura
descumprimento de obrigação tributária
acessória, passível de sanção pecuniária, na
forma da legislação de regência.

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2. Na hipótese, o prazo decadencial para a


constituição do crédito tributário é regido
pelo art. 173, I, do CTN, tendo em vista
tratar-se de lançamento de ofício, consoante
a previsão do art. 149, incisos II, IV e VI.
3. Ausente a figura do lançamento por
homologação, não há que se falar em
incidência da regra do art. 150, § 4º, do
CTN.
4. Recurso especial não provido. (STJ, REsp
1055540/SC, Ministra Eliana CalmonT2 -
SEGUNDA TURMADJe 27/03/2009)

Ora, as informações divergentes foram encontradas nas


DACs referentes aos meses de meses de agosto, setembro,
outubro, novembro e dezembro de 2004. Em sendo assim, em
obediência do disposto no art. 173, I, do CTN, o prazo para a
constituição do crédito tributário iniciou para a Fazenda
Pública a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em
que o lançamento poderia ter sido efetuado (2004), qual seja:
1º de janeiro de 2005.

Neste contexto, considerando que o prazo para a


constituição do crédito tributário extingue-se após o prazo
de 05 (cinco) anos, no presente caso, o prazo fatal para que
o lançamento seja efetuado e validamente notificado ao
contribuinte seria o dia 1º de janeiro de 2010.

Ressalte-se, por oportuno, que o marco final para


efeitos de contagem do prazo decadencial é a notificação
válida, ao sujeito passivo, do lançamento (ou auto de
infração) realizado, momento em que o crédito tributário é
validamente constituído. Nesse sentido segue o escólio da
doutrina pátria:

“O procedimento a que o CTN dá o nome de


lançamento, e tem por finalidade constituir o
crédito tributário, encerra-se com a
notificação feita ao sujeito passivo. A
partir desse momento, o lançamento torna-se
definitivo e o crédito tributário estará
definitivamente constituído.” (FREITAS,
Vladimir Passos de. (coord.). Código

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Tributário Nacional Comentado. 4ª Ed. Revista


dos Tribunais: São Paulo, 2007, p. 674)

No entanto, no caso em comento, vê-se que o auto de


infração somente foi lavrado em 04 de janeiro de 2010 e a
notificação válida apenas foi efetivada em 05 de janeiro de
2010, ou seja, quando já transcorridos mais de 05 (cinco)
anos da data prevista no art. 173, I, do CTN.

Destarte, considerando que a notificação do auto de


infração se deu em 05 de janeiro de 2010, constata-se que as
infrações ocorridas no exercício de 2004, indiscutivelmente,
foram alcançados pelo instituto da decadência tributária,
haja vista que entre a data dos fatos geradores e da
respectiva notificação ultrapassaram mais de 05 (cinco) anos.

Face ao exposto, com a devida vênia aos que


entendem de forma diversa, ACORDAM OS MEMBROS DA 1º CÂMARA
DO CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por maioria dos votos no
sentido de extinguir o crédito tributário em razão da
configuração da decadência do direito da Fazenda Pública
Estadual constituir o crédito tributário, ex vi do art. 156,
V, do CTN.

Sala das Sessões do CTE, em Maceió, 22 de janeiro de 2013.

SERGIO GUILHRME A. SILVA FILHO ODETE MINEIRO DA PAZ


PRESIDENTE RELATORA

PAULO DE TARSO DA COSTA SILVA SEGISMUNDO CERQUEIRA FILHO


JULGADOR COM VOTO VENCEDOR JULGADOR (CONTRA RELATORA)

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SESSÃO ORDINÁRIA: Nº01 – 1ª CÂMARA – REALIZADA: 22/01/2013


PROCESSO: 1500-000.106/2010 e CTE nº 470/2011.
ANEXOS: 1500-002.017/2010 e 1500-025.982/2011.
AUTUADA: MAR AZUL DIST. INPORT. E EXPORT. LTDA.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 24.104.165-1.
AUTO DE INFRAÇÃO: 99.98386-001, de 05/01/2010.
DECISÃO MONOCRÁTICA: 18.083/2011.
ASSUNTO: Recurso Ordinário.
AUTUANTE: Edgar Sarmento Pereira Filho.
RELATORA: Odete Mineiro da Paz.
RELATOR DO VOTO DE VISTA: PAULO DE TARSO DA COSTA SILVA
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA VASCONCELOS
ASSESSORIA: LIBERACI MARIA SOUZA GALINDO

ACÓRDÃO Nº011/2013

EMENTA: AUTO DE INFRAÇÃO – ICMS –


OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – AUSÊNCIA DE
ENTREGA DE DAC’S – DECURSO DO
PRAZO PREVISTO NO ART. 173 DO CTN
- NOTIFICAÇÃO AO SUJEITO PASSIVO
REALIZADA APÓS O PRAZO LEGAL –
DECADÊNCIA CARACTERIZADA- EXTINÇÃO
DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELA
DECADÊNCIA – INTELIGÊNCIA DO ART.
156, INCISO V DO CTN – LANÇAMENTO
PREJUDICADO.

Relatório

Trata-se de auto de infração lavrado contra a


empresa MAR AZUL DIST. INPORT. E EXPORT. LTDA, já qualificada,
tendo por objeto o lançamento do crédito tributário no valor
de R$ 810,00 (oitocentos e dez reais), por haver a empresa
autuada apresentado informações divergentes das que constam
nos seus livros fiscais obrigatórios quando da apresentação de
suas DAC’s – Declarações de Atividades do Contribuinte nos
meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro/2004.

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Apontados como infringidos os artigos 49,


inciso II, do RICMS/1991; 3°, do Decreto n° 38.469/2000; sendo
sugerida a aplicação da penalidade prevista no artigo 116-A,
inciso II, da Lei nº 5.900/1996.

Os autos estão instruídos com relatório de


dados cadastrais do contribuinte; cópia (xerox) do cartão de
autógrafo; cópia (xerox) do RUDFTO (Termos de Ocorrências);
Relatório de Cruzamento da DAC com Arrecadação do ICMS e
Débitos Fiscais (08/2004 a 12/2004); Espelhos da Declaração de
Atividades do Contribuinte – DAC’s (08/2004 a 12/2004); cópia
(xerox) do LRAICMS e extrato de arrecadação do contribuinte.
DA DEFESA

A autuada apresentou defesa, tempestiva,


alegando que houve cerceamento de defesa, pois a fiscalização
foi efetuada de forma rápida e por amostragem; agiu de boa-fé
e houve uma irregularidade na forma de apuração e transmissão
das informações à SEFAZ; sendo que esse equívoco poderia ter
sido regularizado se o autuante tivesse concedido um prazo
para apresentar as retificações, as declarações e os registros
fiscais devidamente regularizados e autenticados, acostando as
cópias do LRAICMS n° 06 e das DAC retificadas; a atuação não
foi conduzida segundo padrões éticos de probidade e boa-fé, de
acordo a lei e o direito. Por fim, pede que a autuação seja
julgada como improcedente.

A Comissão de Representação Fiscal, através do


Pedido de Diligência CRF nº 027/2010, solicitou ao autuante
que fosse intimada a autuada para subscrever a defesa que fora
apresentada sem sua assinatura possibilitando assim validá-la,
e não ser considerada inepta. Tal solicitação foi atendida
conforme informação fiscal à fl. 23, do Processo de defesa.

DAS CONTRA-RAZÕES

A CRF - Comissão de Representação Fiscal


apresentou contra-razões alegando que a defesa apresentada
pela autuada não inibe a autuação, pois tais alegações estão
desprovidas de suporte fático ou documental; não houve o
cerceamento de defesa, inclusive o próprio sócio tomou ciência
do auto de infração pessoalmente e apresentou defesa em tempo
hábil; descumpriu a legislação estadual vigente, conforme
provas nos autos, não trazendo provas do que alega. Por fim,
pede a procedência da autuação.

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Em 21/06/2011, foi proferida a Decisão nº


18.083/2011, de Primeira Instância, que julgou Procedente o
Lançamento com a ementa.

EMENTA: ICMS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS – Divergência


entre as informações constantes da Declaração de
Atividades do Contribuinte – DAC e as apostas nos
livros fiscais. Ilícito fiscal comprovado. Lançamento
PROCEDENTE. Ajuste da sanção pecuniária pelo juízo
administrativo, com fulcro na legalidade e na norma do
art. 30 da Lei Estadual nº 6.771/2006 e nos termos do
art. 116-A, inciso II da Lei nº 5.900/1996, com a
redação dada pela Lei nº 6.331/2002. Exação superior
à 400 (quatrocentas) UPFAL’s. Procedimento ordinário.

DO RECURSO ORDINÁRIO

A autuada apresentou Recurso Ordinário,


tempestivo, alegando:

1) Que, a decisão de Primeira Instância


aplicou a penalidade prevista no artigo 116, II, “b”, da Lei
nº 5.900/1996, estando fundamentada no artigo 56, da Lei nº
5.900/96, que prevê a criação de normas estipulando regras
para cumprir obrigações acessórias, e entre elas, editou uma
norma complementar estabelecendo regras para a entrega da DAC,
tendo o fiscal autuante errado ao vislumbrar na ação fiscal o
cometimento de várias infrações.

2) Que, o artigo 30, da Lei nº 6.771/06,


permite alterar a penalidade aplicada, o que fez o julgador
singular no intuíto de aumentar o ingresso de dinheiro aos
cofres estaduais, mesmo desconhecendo as provas que estão
anexadas a defesa, julgar procedente o auto de infração, assim
a decisão é ilegítima e frágil com inúmeras contradições de
interpretação quando da aplicação da legislação tributária, o
julgador singular numa sutil de demonstração de querer ser o
senhor da razão apressou-se em querer doutrinar, aludindo a
textos legais (Lei, Decreto, Instrução Normativa, etc), como
forma de fazer prevalecer sua interpretação como fundamento de
sua insustentável decisão.

3) Que, os artigos 56, da Lei n 5.900/96 e


30, I, e II, da Lei nº 6.771/2006), não dão autorização nem
poderes para elevar a penalidade de 300 (trezentas) para 1.352
(hum mil, trezentas e cinquenta e duas) UPFAL’s, não assiste
razão ao julgador em relação ao seu ponto de vista, pois a
autuada na defesa anexou diversos documentos e se o julgador
quissesse poderia ter pedido uma diligência para constatar tal

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procedimento; a Decisão nº 18.083/2011 é inconsequente e tenta


somente postergar os efeitos da malograda ação fiscal. Por
fim, pede a Improcedência do autro de infração.

DAS CONTRA-RAZÕES AO RECURSO ORDINÁRIO

A CRF - Comissão de Representação Fiscal


apresentou contra-razões alegando:

1) Que, a autuada questiona a forma como foi


aumentado o valor de 300 (trezentas) UPFAL’s para 1.352 (mil,
trezentas e cinquenta e duas) UPFAL’s de forma equivocada, uma
vez que a inicial cobra 50 (cinquenta) UPFAL’s correspondentes
a R$ 810,50 (oitocentos e dez reais e cinquenta centavos), e a
decisão singular cobra 1.352 (mil, trezentas e cinquenta e
duas) UPFAL’s correspondente a 1% (um por cento) do valor das
operações de saídas conforme 116-A, II, da Lei nº 5.900/96
vigente à época da autuação.

2) Que, a autuada não trata do mérito da


autuação, pois apenas renova a disponibilidade das informações
corrigidas no LRAICMS nº 06 (seis) esquecendo que o lançamento
do crédito tributário exclui a espontaneidade da apresentação
dessas informações, sendo sua alegação principal a quantidade
de UPFAL’s a ser aplicada como multa por descumprimento dessa
obrigação, transformada em fato gerador do crédito tributário,
tanto pela autuação, como pela decisão.

3) Que, o mérito da autuação reside na


apresentação de informações divergentes na DAC - Declaração de
Atividades do Contribuinte, obrigação acessória mensal, em
confronto com a escrituração dos livros fiscais nos meses de
agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro/2004, fato que
está devidamente comprovado pelos Relatórios de Cruzamento da
DAC com a Arrecadação de ICMS e débitos fiscais, comparados
com as cópias do LRAICMS nº 01 (um) conforme consta às fls.
11 a 33, do Processo inicial.

4) Que, as informações divergentes entre as


DAC’s e os livros fiscais não foram corrigidas antes da ação
fiscal para que a autuada tivesse o benefício da espontaneida,
assim, fica sujeita a penalidade prevista no artigo 116-A, II,
da Lei nº 5.900/1996, equivalente a 10 (dez) vezes o valor da
UPFAL acrescido de 05 (cinco) UPFAL para cada mês adicional em
atraso, até o limite de 300 (trezentas) UPFAL’s, tudo conforme
o artigo 30, da Lei nº 6.771/2006, que permite alterar a
aplicação da penalidade. Por fim, pede a Procedência do auto
de infração com a aplicação da penalidade prevista no artigo

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116-A, II, da Lei nº 5.900/1996, na redação dada pela Lei nº


6.554/2004, vigente à época do lançamento. Assim, chegam os
autos a este Conselho para análise do Recurso Ordinário.

É o relatório.

VOTO

I – PRELIMINAR DE OFÍCIO DA DECADÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO.


INTELIGÊNCIA DO ART. 173, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.

Analisando atentamente os autos, depreende-se que a


contribuinte foi autuada em razão de supostamente ter apresentado
as DACs dos meses de agosto, setembro, outubro, novembro e
dezembro de 2004, com informações divergentes das constantes nos
seus livros fiscais obrigatórios, conforme expressamente consta no
AI 99.98386-001 carreado aos autos às fls. 02 (proc. 1500-
000106/2012).

O Código Tributário Nacional, especificamente em seu art.


173, inciso I, preconiza que o direito de a Fazenda Pública
Estadual constituir o crédito tributário extingue-se com decurso
do prazo de 05 (cinco) anos, contados do 1º dia do exercício
seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Vejamos:

Art. 173. O direito de a Fazenda Pública


constituir o crédito tributário extingue-se após
5 (cinco) anos, contados:

I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele


em que o lançamento poderia ter sido efetuado;

Com efeito, a doutrina e jurisprudência pátria já firmaram


entendimento segundo o qual o descumprimento de obrigação
acessória, como é o caso da DAC, sujeita-se ao previsto no art.
173, I, do CTN, consoante se verifica do julgado do STJ, a saber:

TRIBUTÁRIO - EXECUÇÃO FISCAL - CONTRIBUIÇÃO


PREVIDENCIÁRIA - APRESENTAÇÃO DA GFIP - OBRIGAÇÃO
ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - DECADÊNCIA - REGRA
APLICÁVEL: ART. 173, I, DO CTN.
1. A falta de apresentação da Guia de
Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência
Social (GFIP), assim como o fornecimento

ACÓRDÃO Nº011/2013 Página 5


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de dados não correspondentes aos fatos geradores


de todas as contribuições previdenciárias devidas
configura descumprimento de obrigação tributária
acessória, passível de sanção pecuniária, na
forma da legislação de regência.
2. Na hipótese, o prazo decadencial para a
constituição do crédito tributário é regido pelo
art. 173, I, do CTN, tendo em vista tratar-se de
lançamento de ofício, consoante a previsão do
art. 149, incisos II, IV e VI.
3. Ausente a figura do lançamento por
homologação, não há que se falar em incidência da
regra do art. 150, § 4º, do CTN.
4. Recurso especial não provido. (STJ, REsp
1055540/SC, Ministra Eliana CalmonT2 - SEGUNDA
TURMADJe 27/03/2009)

Ora, as informações divergentes foram encontradas nas DACs


referentes aos meses de meses de agosto, setembro, outubro,
novembro e dezembro de 2004. Em sendo assim, em obediência do
disposto no art. 173, I, do CTN, o prazo para a constituição do
crédito tributário iniciou para a Fazenda Pública a partir do 1º
dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter
sido efetuado (2004), qual seja: 1º de janeiro de 2005.

Neste contexto, considerando que o prazo para a constituição


do crédito tributário extingue-se após o prazo de 05 (cinco) anos,
no presente caso, o prazo fatal para que o lançamento seja
efetuado e validamente notificado ao contribuinte seria o dia 1º
de janeiro de 2010.

Ressalte-se, por oportuno, que o marco final para


efeitos de contagem do prazo decadencial é a notificação válida,
ao sujeito passivo, do lançamento (ou auto de infração) realizado,
momento em que o crédito tributário é validamente constituído.
Nesse sentido segue o escólio da doutrina pátria:

“O procedimento a que o CTN dá o nome de


lançamento, e tem por finalidade constituir o
crédito tributário, encerra-se com a notificação
feita ao sujeito passivo. A partir desse momento,
o lançamento torna-se definitivo e o crédito
tributário estará definitivamente constituído.”
(FREITAS, Vladimir Passos de. (coord.). Código
Tributário Nacional Comentado. 4ª Ed. Revista dos
Tribunais: São Paulo, 2007, p. 674)

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No entanto, no caso em comento, vê-se que o auto de infração


somente foi lavrado em 04 de janeiro de 2010 e a notificação
válida apenas foi efetivada em 05 de janeiro de 2010, ou seja,
quando já transcorridos mais de 05 (cinco) anos da data prevista
no art. 173, I, do CTN.

Destarte, considerando que a notificação do auto de


infração se deu em 05 de janeiro de 2010, constata-se que as
infrações ocorridas no exercício de 2004, indiscutivelmente, foram
alcançados pelo instituto da decadência tributária, haja vista que
entre a data dos fatos geradores e da respectiva notificação
ultrapassaram mais de 05 (cinco) anos.

Face ao exposto, com a devida vênia aos que entendem de


forma diversa, ACORDAM OS MEMBROS DA 1ª CAMARA DO CONSELHO
TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por maioria de votos, votar no sentido de
extinguir o crédito tributário em razão da configuração da
decadência do direito da Fazenda Pública Estadual constituir o
crédito tributário, ex vi do art. 156, V, do CTN.

Sala das Sessões do CTE, em Maceió/AL, 22 de janeiro de


2012.

SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO ODETE MINEIRO DA PAZ


PRESIDENTE RELATORA

PAULO DE TARSO DA COSTA SILVA


JULGADOR - VOTO VENCEDOR

SEGISMUNDO CERQUEIRA FILHO


JULGADOR(ACOMPANHOU VOTO VENCEDOR)

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SESSÃO ORDINÁRIA: Nº01 – 1ª CÂMARA – REALIZADA:22/01/2013


PROCESSO: 1500-034.972/2006 e CTE n° 358/2010.
ANEXOS: 1500-014504/2007 e 1500-006.471/2010.
AUTO DE INFRAÇÃO: 70.00207-001, de 22/12/2006.
AUTUADA: PEPSICO DO BRASIL LTDA.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 24.100.302-4.
DECISÃO MONOCRÁTICA: 16.536/2010.
ASSUNTO: Reexame Necessário e Recurso Ordinário.
AUTUANTE: Maria Renaulde de Melo Mikos.
RELATORA: Odete Mineiro da Paz.
VOTO DE VISTA: PAULO DE TARSO DA COSTA SILVA
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO
ASSESSORIA:LIBERACI MARIA SOUZA GALINDO
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA VASCONCELOS

ACÓRDÃO Nº012/2013

EMENTA: AUTO DE INFRAÇÃO – ICMS –


CREDITAMENTO INDEVIDO – FATOS
OCORRIDOS ENTRE AGOSTO E DEZEMBRO DE
2001 – CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO
TRIBUTÁRIO APENAS EM MAIO DE 2007 –
DECADÊNCIA CONFIGURADA – EXTINÇÃO DO
CRÉDITO TRIBUTÁRIO – INTELIGÊNCIA
DOS ARTIGOS 173, I, E 156, V, DO CTN
– RECURSO CONHECIDO – MÉRITO
PREJUDICADO PELO RECONHECIMENTO DA
DECADÊNCIA DO CRÉDITO.

Relatório

Trata-se de auto de infração lavrado contra


PEPSICO DO BRASIL LTDA, já qualificada, tendo por objeto a
cobrança de crédito tributário no valor de R$ 917.562,79
(novecentos e dezessete mil, quinhentos e sessenta e dois
reais e setenta e nove centavos), por haver a empresa autuada
utilizado crédito fiscal incidente sobre a base de cálculo de
saídas tributadas cujos documentos fiscais, dentre estes, a
autorização oficial para gozo do benefício não foi constatada
pela fiscalização e/ou não foram apresentados quando da
realização da ação fiscal no exercício de 2001.

ACÓRDÃO Nº012/2013 Página 1


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Apontados como infringidos os artigos 34; 39,


§ 2º; e 93, da Lei nº 5.900/1996. Sugerida a aplicação da
penalidade prevista no artigo 00 da Lei n 5.900/1996.

A inical está instruida com planilha do auto


de infração; demonstrativo de débito; cópia da intimação
fiscal nº 44.358 de 24/11/2006; cópia do LRAICMS (07 a
12/2001); relatório de dados cadastrais do contribuinte; cópia
do cartão de autógrafo; e cópia dos Termos de Início e de
Encerramento de Fiscalização.

DA DEFESA

A autuada apresentou defesa, tempestiva


alegando que é tempestiva a defesa, pois foi intimada do auto
de infração em 08/05/2007; o auto de infração não pode
prevalecer em razão da decadência operada; a intimação e a
ciência do ato são indispensáveis à validade e a eficácia do
lançamento, entendimento adotado por respeitáveis juristas e
pelo STJ que já se manifestou nessa direção; se fosse possível
admitir a eficácia do lançamento em dezembro/2006, ainda assim
estaria alcançado pela decadência o período de agosto a
novembro de 2001, a Quaker Brasil Ltda sucedida pela
impugnante pleiteou com êxito a concessão de incentivos
fiscais, nos termos dos artigos 1º, e 2º, do Decreto nº
38.631/2000 pleito deferido pelo Parecer CT nº 111/2001; a
suposta infração foi praticada pela empresa Quaker Brasil
Ltda, a qual somente foi incorporada pela impugnante em 2002;
multa aplicada é improcedente; a incorporadora só é
responsável pelos tributos devidos até a data do ato da
sucessão, nos termos do artigo 132, do CTN sendo vedada sua
interpretação para abarcar as penalidades tributárias;
diferentemente do artigo 132, o artigo 134, do CTN ao atribuir
a responsabilidade tributária nas situações ali apontadas,
dispõe que esta se dará em relação à obrigação principal,
englobando indistintamente tributos e multas sancionatórias; o
valor da multa não chegou a integrar o passivo da empresa
sucedida, uma vez que a sua exigência foi formalizada somente
após o ato sucessório. Por fim, pede a improcedência da
autuação e a exclusão subsidiaria da multa.

DAS CONTRA-RAZÕES

A autuante apresentou contra-razões alegando


que não há decadência já que o lançamento foi efetivado em
tempo hábil e calcado na lei; a defesa não trouxe documentos
probatórios que proporcionasse o direito ao crédito. Por fim,
pede a procedência do auto de infração.

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Em 26/02/2010, foi proferida a Decisão nº


16.536/2010, de Primeira Instância que julgou procedente em
Parte o lançamento com a ementa.

EMENTA: ICMS. CRÉDITO INDEVIDO. 1- Utilização de


crédito presumido sem atendimento das condições
estabelecidas no Decreto nº 38.631/2000, inciso
VIII, do art. 5º; 2- Infração aos artigos 32 e 33
da Lei nº 5.900/96; 3- Defesa acolhida, apesar da
irregularidade da intimação, $5º, do art. 26 da
Lei nº 6.161/2000; 3.1- Arguição de decadência e
impugnação da penalidade; 4- Lançamento
prejudicado - período de agosto a outubro de 2001
- extinção do crédito tributário pela decadência,
artigos 150, $4º e 156, V do CTN; 5- Não cabimento
da multa; 5.1- Sujeito passivo resultante de
incorporação; 5.2- Fato gerador do imposto
ocorrido antes da sucessão; 5.3- Incorporadora não
responsável pela penalidade, porque surgida esta
obrigação após o referido ato, artigos 129 e 132
do CTN; 6- PROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO DO
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Reexame necessário, art. 48, I
da Lei nº 6.771/2006.

DO RECURSO ORDINÁRIO

A autuada apresentou Recurso Ordinário,


tempestivo, com as seguintes alegações:

1) EM PRELIMINAR

a) A decadência do crédito tributário no ano


de 2001, com base nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, bem
como, sua improcedência por fazer jus ao crédito tributário
utilizado, uma vez que atendeu integralmente aos requisitos
exigidos para sua fruição; a decisão singular declarou extinto
o crédito tributário dos meses de agosto, setembro e outubro
de 2001, dando por subsistente o crédito nos meses de novembro
e dezembro/2001, de maneira equivocada contrariando doutrina
(Leandro Paulsen, Paulo de Barros Carvalho, Sacha Calmon
Navarro Coelho, Luciano Amaro) e jurisprudência (RESp 73.594.
STJ. 1ª Turma; RESp. 784.218. STJ. 2ª Turma e AgRg no Resp
448.348. STJ. 1ª Turma), uma vez que o ordenamento jurídico
brasileiro não admite a existência de direitos eternos a
amparar a possibilidade de litígios sobre uma situação
específica durante período infinito ou indeterminado.

ACÓRDÃO Nº012/2013 Página 3


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2) NO MÉRITO

a) Que, com fundamento nos artigos 1º, e 2º,


do Decreto nº 38.631/2000, que dispões sobre o estímulo a
estabelecimentos de contribuinte do ICMS com atividade de
distribuição centralizada de produtos a Quaker Brasil Ltda,
sucedida pela autuada (Pepsico do Brsil Ltda) pleiteou com
êxito a concessão de incentivos fiscais, crédito presumido de
até 11% (onze por cento) do valor da base de cálculo do ICMS
destacado em saídas interestaduais de mercadorias relacionadas
no item 20, do Anexo II, do RICMS/91 e debitado no LRAICMS,
bem como, de até 50% (cinquenta por cento) do valor do ICMS
destacado em documentos fiscais de saídas dos demais produtos.

b) Que, estes créditos foram desautorizados


pelo fisco, quando a autuada estava autorizada a proceder como
fez, na medida em que seu pleito fiscal foi deferido nos
termos do Parecer CT nº 111/2001, tendo sido cumpridas todas
as condições para a fruição do incentivo; glosar os créditos
fiscais de ICMS aproveitados em razão desse incentivo fiscal
corresponde a cancelá-lo, situação absurda, haja vista, que o
mesmo foi concedido como fomento do desenvolvimento do Estado
das Alagoas e a autuada cumpriu as condições para sua fruição.

c) Que, mesmo que se entenda que o suposto


crédito tributário formalizado no auto de infração não foi
completamente atingido pela decadência e que a autuada não faz
jus aos benefícios instituidos pelo Decreto nº 38.631/2000 o
que se supõe apenas a título de argumentação, é certo que a
revogação do inciso VIII, do artigo 5º, e do parágrafo único
do artigo 4º, daquele Decreto, impõem o cancelamento total do
auto de infração, tendo em vista o princípio da retroatividade
benigna, restando claro que à época em que a Quaker Brasil
Ltda teve aprovado seu pedido de adesão aos benefícios criados
pelo Decreto nº 38.631/2000.

d) Que, o incentivo fiscal fora concedido sob


condição resolutiva da apresentação, dentro de 12 (doze)
meses, do documento previsto no artigo 4º, pu, sendo certo que
tal documento não é mais exigível o que torna o presente caso
subsumido ao disposto no artigo 106, II, “a”, do CTN; o que se
impõe, portanto, ao presente caso, a aplicação do artigo 106,
do CTN, eis que a não entrega do termo de compromisso à época
da autuação não é mais considerada uma infração ao Decreto nº
38.631/2000, de modo que não pode mais se cobrar legitimamente
um suposto crédito tributário em decorrência da violação a um
ato pretérito não mais considerado por lei como infração.

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Em 19/04/2010, a autuada através do Processo


1500-007.683/2010, efetuou um Pedido de Juntada de Documentos,
pelo anexou um instrumento de mandato (Procuração), o contrato
social e uma alteração e consolidação do contrato social, para
a ratificação dos atos anteriormente praticados.

DAS CONTRA-RAZÕES AO RECURSO ORDINÁRIO

A CRF - Comissão de Representação Fiscal


apresentou contra-razoes alegando que conforme entendimento do
julgador a autuada não teria direito ao benefício do crédito
presumido por falta de apresentação do Termo de Compromisso
(artigo 6º, VIII, do Decreto nº 38.631/2001); de acordo com o
artigo 150, § 4º, e 173, do CTN, os créditos tributários dos
meses de agosto, setembro e outubro/2001, estariam extintos
por decadência; em relação à multa aplicada, a autuada é
pessoa jurídica diversa daquela que realizou o fato gerador do
tributo, portanto, não cabe a multa aplicada nos termos do
artigo 132, do CTN. Por fim, pede que seja mantida a decisão
singular que julgou Procedente em Parte o lançamento. Assim,
chegam os autos a este Conselho Tributário Estadual para
análise do Reexame Necessário e do Recurso Ordinário.

É o relatório.

VOTO

I – PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO


ART. 173, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.

Analisando atentamente os autos, depreende-se que a


contribuinte foi autuada em razão de supostamente ter utilizado
crédito fiscal indevido durante o exercício de 2001, resultando na
falta de recolhimento de ICMS, conforme expressamente consta no AI
70.00207-001 carreado aos autos às fls. 02 (proc. 1500-
03497/2006).

Com efeito, as decisões da jurisprudência pátria têm oscilado


bastante quanto à aplicabilidade da regra decadencial contida no
art. 150, § 4º, do CTN, ou da regra prevista no art. 173, I, do
CTN, quando se trata de casos de creditamento indevido de ICMS,
semelhante ao caso versado nestes autos. No entanto, no presente
caso, qualquer que seja a regra aplicada, a decadência restará
configurada. Neste contexto, para efeitos de contagem do prazo
decadencial no presente julgamento, utilizaremos a regra contida
no art. 173, I, do CTN, que, inclusive, é mais favorável ao Fisco.

Pois bem. O Código Tributário Nacional, especificamente em


seu art. 173, inciso I, preconiza que o direito de a Fazenda

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Pública Estadual constituir o crédito tributário extingue-se com


decurso do prazo de 05 (cinco) anos, contados do 1º dia do
exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido
efetuado. Vejamos:

Art. 173. O direito de a Fazenda Pública


constituir o crédito tributário extingue-se após
5 (cinco) anos, contados:

I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o


lançamento poderia ter sido efetuado;

Ora, o creditamento indevido ocorreu durante o período de


agosto a dezembro do exercício de 2001. Em sendo assim, em
obediência do disposto no art. 173, I, do CTN, o prazo para a
constituição do crédito tributário iniciou para a Fazenda Pública
a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o
lançamento poderia ter sido efetuado (2001), qual seja: 1º de
janeiro de 2002.

Neste contexto, considerando que o prazo para a constituição


do crédito tributário extingue-se após o prazo de 05 (cinco) anos,
no presente caso, o prazo fatal para que o lançamento seja
efetuado e validamente notificado ao contribuinte seria o dia 1º
de janeiro de 2007.

Ressalte-se, por oportuno, que o marco final para


efeitos de contagem do prazo decadencial é a notificação válida,
ao sujeito passivo, do lançamento (ou auto de infração) realizado,
momento em que o crédito tributário é validamente constituído.
Nesse sentido segue o escólio da doutrina pátria:

“O procedimento a que o CTN dá o nome de lançamento, e tem por


finalidade constituir o crédito tributário, encerra-se com a
notificação feita ao sujeito passivo. A partir desse momento, o
lançamento torna-se definitivo e o crédito tributário estará
definitivamente constituído.” (FREITAS, Vladimir Passos de.
(coord.). Código Tributário Nacional Comentado. 4ª Ed. Revista dos
Tribunais: São Paulo, 2007, p. 674)

No entanto, no caso em comento, vê-se que a notificação


válida ao contribuinte somente foi efetivada em 08 de maio de
2007, ou seja, quando já transcorridos mais de 05 (cinco) anos da
data prevista no art. 173, I, do CTN.

Destarte, considerando que a notificação do auto de


infração se deu em 08 de maio de 2007, constata-se que as
infrações ocorridas no exercício de 2001, indiscutivelmente, foram
alcançados pelo instituto da decadência tributária, haja vista que
entre a data dos fatos geradores e da respectiva notificação
ultrapassaram mais de 05 (cinco) anos.

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Face ao exposto, com a devida vênia aos que entendem de


forma diversa, ACORDAM OS MEMBROS DA 1ª CAMARA DO CONSELHO
TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por maioria de votos, votar no sentido de
extinguir o crédito tributário em razão da configuração da
decadência do direito da Fazenda Pública Estadual constituir o
crédito tributário, ex vi do art. 156, V, do CTN.

Sala das Sessões do CTE, em Maceió/AL, 22 de janeiro de


2012.

SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO ODETE MINEIRO DA PAZ


PRESIDENTE RELATORA

PAULO DE TARSO DA COSTA SILVA


JULGADOR – VOTO VENCEDOR

SEGISMUNDO CERQUEIRA FILHO


JULGADOR(ACOMPANHOU VOTO VENCEDOR)

ACÓRDÃO Nº012/2013 Página 7


GOVERNO DO ESTADO
SECRETARIA DA FAZENDA
CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL

SESSÃO ORDINÁRIA: Nº 01 – REALIZADA: 22/01/2013 – 1ª CÂMARA


PROCESSO: SF-1500-001086/00; CAF-17940/00 E CTE-32/2011.
ANEXO: SF-1500-001094/00.
AUTO DE INFRAÇÃO: 016872, PROTOCOLADO EM 07/07/99.
DECISÃO MONOCRÁTICA: 17.444 DE 29/11/2010
AUTUADA: CÍCERA DE SOUZA SILVA – ME.
AUTUANTE: MARCOS FERNANDES DE LIMA E OUTRO.
RELATOR: SEGISMUNDO CERQUEIRA FILHO.
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA.
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO.

ACÓRDÃO Nº 014/2013

EMENTA: ICMS – ACUSAÇÃO DE FALTA DE


RECOLHIMENTO AOS COFRES ESTADUAIS DE
IMPOSTOS DEVIDOS NAS SAÍDAS DE
MERCADORIAS TRIBUTADAS. INSUBSISTÊNCIA DO
LANÇAMENTO FISCAL PELA COMPROVADA
CARÊNCIA DE MOTIVOS E PROVAS. DECISÃO
MONOCRÁTICA CONHECIDA E IMPROVIDA. AUTO
DE INFRAÇÃO IMPROCEDENTE.

I – RELATÓRIO

Trata o presente do Processo Administrativo Tributário


– PAT, do Reexame Necessário da Decisão Monocrática acima
referida, proferida pela Coordenadoria de Julgamento – CJ,
que entendeu pela improcedência do Auto de Infração nº
016872, lavrado pelo Fisco Estadual em desfavor da
contribuinte Cícera de Souza Silva – ME; objetivando a
cobrança do crédito tributário valorado em R$ 9.022,98 (nove
mil, vinte e dois reais e noventa e oito centavos), tendo
como suporte a acusação de haver a autuada, em tese, omitido
vendas de mercadorias nos exercícios fiscais de 1997 e 1998,

ACÓRDÃO CTE Nº 014/2013


GOVERNO DO ESTADO
SECRETARIA DA FAZENDA
CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL

irregularidade detectada pelo levantamento da conta do


estoque de mercadorias, de acordo com o lucro bruto real
acumulado.
Foram apontados como infringidos os artigos 5º - V e 2º
- I, parágrafo 12º da Lei Estadual nº 5.900/96; 49 – II e
VIII, parágrafo único e 1000 do RICMS, aprovado pelo Decreto
nº 35.245/91, sendo sugerido o apenamento da multa prevista
no artigo 84 da supracitada Lei nº 5.900/96 (fls. 02 e 02 –
v).
Os autos estão instruídos somente com os
demonstrativos de apuração do livro bruto real acumulado nos
exercícios de 1997 e 1998 e da cópia reprográfica do cartão
de autógrafos da contribuinte (fls. 03 usque 10).
Na qualidade de titular da empresa, a sua representante
legal apresentou suas razões de defesa, alegando que já fora
objeto de fiscalização nos exercícios de 1996 e 1997 e no
período compreendido entre os meses de Janeiro e Julho de
1998, por conduto do Auto de Infração nº 0330, lavrado em
29/09/1998, razão pela qual requeria a improcedência da ação
fiscal (fls. 24/25 – anexo).
Em data de 05/08/1999, os fiscais autuantes confirmaram
as alegações da defendente e, por entender que o AI sob
julgamento encontra-se prejudicado, sugerem a extinção e
conseqüente arquivamento do mesmo (fls. 12/13)
O ilustre Julgador Singular, considerando que o AI foi
lavrado violando o princípio do non bis in idem, a ação

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fiscal não pode ter seguimento, prolatando a decisão adiante


ementada:
“EMENTA – ICMS. SUPOSTA PRESUNÇÃO DE
SAÍDAS TRIBUTÁVEIS NÃO DECLARADAS NOS
LIVROS FISCAIS - § 12 DO ARTIGO 2º DA LEI
Nº 5.979/97. 1 – LANÇAMENTO INSUBSISTENTE
POR FALTA DE MOTIVOS E DE PROVAS (ART.
891, IV DO RICMS/97; 2 – IMPROCEDÊNCIA DO
LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO; 3 –
DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO NECESSÁRIO, ART.
48 – I DA LEI Nº 6.771/2006”.
Devidamente intimadas da Decisão Singular, as partes
não se manifestaram.
Assim chegam os autos a este colegiado para o devido
reexame e decisão.
É o relatório.

II – VOTO
Pela análise dos autos do presente PAT e de tudo quanto
nele consta, verifica-se que o contribuinte foi autuado pelo
AI nº 016872 em 07/07/1999, acusado de haver omitido vendas
de mercadorias nos anos de 1997 e 1998 (fls. 02 e 02 – v).
Ocorre que, em 29/09/98, foi ele autuado pelo AI nº
003330, estando o procedimento fiscal esteado no cometimento
da mesma infração – artigo 84 da Lei Estadual nº 5.900/96 –
(fl. 05 – anexo), fato reconhecido e confirmado pelos fiscais
autuantes (fls. 12/43).

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Acertada, pois, a Douta Decisão Singular que entendeu


pela improbabilidade do andamento do PAT relativo ao AI ora
sob julgamento, em razão de encontrar-se o mesmo
“obstacularizado em razão da legalidade, non bis in idem, por
que já alcançada a respectiva diferença apurada e de resto, o
imposto, pelo auto nº 03330/98”.
Complementando as irregularidades encontradas acima
reportadas, o AI nº 016872 não apresenta os documentos
fiscais indispensáveis para lastrear as acusações dos fiscais
autuantes, tornando o mesmo improcedente pela falta de
provas, a teor do que dispõe o artigo 891 – V, do RICMS/91.
Ante o exposto, ACORDAM OS MEMBROS DO CONSELHO
TRIBUTÁRIO ESTADUAL – CTE, por unanimidade de votos, conhecer
do Reexame Necessário e negar-lhe provimento para manter, na
íntegra, a correta decisão da CJ, julgando improcedente o AI
lançado na inicial, em decorrência da falta de motivação e de
provas.
Sala das Sessões do CTE, em Maceió, 22 de Janeiro de
2013.

SÉRGIO GUILHERME A. DA S. FILHO SEGISMUNDO CERQUERA FILHO


PRESIDENTE RELATOR

ODETE MINEIRO DA PAZ PAULO DE TARSO DA C. SILVA


JULGADORA JULGADOR

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SESSÃO ORDINÁRIA: Nº 01 – REALIZADA: 22/01/2013 – 1ª CÂMARA


PROCESSO: SF-1500-009900/2002; CJ-21.895/2007 E CTE 66/2011.
ANEXO: SF-1500-038337/2002.
AUTO DE INFRAÇÃO: 10.574, PROTOCOLADO EM 03/05/2002.
RECORRENTE: ESTADO DE ALAGOAS.
RECORRIDO: L. R. AIRES.
DECISÃO MONOCRÁTICA: 17.494/2010 DE 14/12/2010.
ASSUNTO: REEXAME NECESSÁRIO
RELATOR: SEGISMUNDO CERQUEIRA FILHO.
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA.
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO.

ACÓRDÃO Nº 015/2013

EMENTA: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – ACUSAÇÃO DA


AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS ACOMPANHADAS DE
DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA – CARÊNCIA DE PROVAS
DA RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE NA
EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS FALSAS – DECISÃO
SINGULAR CONHECIDA E IMPROVIDA – LANÇAMENTO
FISCAL IMPROCEDENTE.

I – RELATÓRIO

Cuida o presente Processo Administrativo Tributário –


PAT, do Reexame Necessário da Decisão Monocrática nº
17.494/2010, oriunda da Coordenadoria de Julgamento – CJ, que
entendeu pela Improcedência do Auto de Infração acima citado,
lavrado pela Fiscalização Fazendária Estadual em desfavor do
contribuinte L. R. Aires, tendo como lastro haver o mesmo, em
tese, registrado em seus livros fiscais, notas fiscais
inidôneas, com sua impressão feita mediante o emprego de
autorização falsa e com a utilização de crédito indevido dos
aludidos documentos fiscais.

Foram apontados como infringidos os artigos 15, inciso


III; 76; 77, inciso II e III, alíneas a e b, IV; 207, incisos
I, III e VII, alíneas a, b, c e IX da Lei Estadual nº
5.900/96, sendo sugerido o apenamento previsto no art. 105 da
Lei acima citada. (fls. 02 e 02 – v)
ACÓRDÃO CTE Nº 015/2013 Página 1
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O PAT está instruído com o Demonstrativo de Débito;


Relatório de Dados Cadastrais do Contribuinte; Notas Fiscais
de nº 000174, 000701, 000726, 000731, 000734 e 000740; Resumo
Geral de AIDF por Contribuinte; Cópias dos Livros de Registro
de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência e
do Cartão de Autógrafo. (fls. 03 usque 19)

A autuada, tempestivamente, apresentou suas razões de


defesa, aduzindo em síntese:

1) Ser quase impossível a qualquer contribuinte, detectar


se a documentação que acobertou a operação comercial
apresenta ou não irregularidade fiscal, como no
presente caso;

2) Na condição de adquirente da mercadoria, não teve a


autuada condições de conhecer se é irregular a emissão
de AIDF’s, se o talão de notas fiscais é falso e,
tampouco, se a perfuração mecânica das mesmas
apresenta imperfeições, missão que só pode ser
efetivada pela própria SEFAZ/AL, através dos seus
órgãos técnicos;

3) A aquisição de mercadorias acompanhadas da


correspondente nota fiscal e o seu registro no livro
próprio, sem saber da sua falsidade, não pode
caracterizar a acusação de cometimento de fraude
tributária;

4) A autuada não pode ser responsabilizada por ações


ilegais de terceiros, já que tão somente adquiriu a
mercadoria, registrou em seus livros a referida
aquisição e efetuou o pagamento do preço da mesma ao
fornecedor;

5) Por outra banda, é preciso notar que os dispositivos


legais apontados como violados não podem sustentar a
ação fiscal, já que foram feitos em descompasso com a
legislação em vigor;
ACÓRDÃO CTE Nº 015/2013 Página 2
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6) Finaliza sua defesa requerendo a improcedência do AI


contra ela lavrado. (fls. 02 usque 09 – anexo)

Em suas contra-razões, os fiscais autuantes afirmam que:

1) A defendente não comprova a aquisição, o recebimento e


o pagamento das mercadorias;

2) Existem, no caso, fortes indícios de cumplicidade


praticados pela autuada;

3) A autuada utilizou crédito fiscal baseado em


documentação inidônea, sendo assim, responsável pelo
pagamento de imposto devido;

4) Não foi acostado aos autos documentação capaz de


provar a regularidade dos documentos fiscais
registrados em seus livros;

5) Reafirmam a procedência do AI, ressaltando a


necessidade de remessa do processo fiscal, após
decisão final, ao Ministério Público, visando a
efetivação da devida investigação para a apuração do
cometimento por parte da autuada, de Crime Contra a
Ordem Tributária. (fls. 48/51 – anexo)

Encaminhados os autos à Coordenadoria de Julgamento – CJ,


o ilustre Julgador Singular entendeu que as provas
apresentadas pelos fiscais autuantes apontaram para a
irregularidade e inidoneidade das notas fiscais. Entretanto,
não pode ser imputada ao sujeito passivo, responsabilidade na
emissão daquelas notas fiscais, observando que “não basta
provar que o documento fiscal é inidôneo, mas principalmente
quem foi o responsável pela sua omissão”. Os artigos da
legislação tributária elencados na peça inicial reportam-se à
caracterização da inidoneidade do documento fiscal, mas não
pode atribuir responsabilidade, ou seja, uma nota fiscal
considerada inidônea, indicando na sua emissão o nome do seu
emitente e destinatário, não necessariamente prova o
ACÓRDÃO CTE Nº 015/2013 Página 3
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envolvimento dos indicados numa fraudulenta operação com


mercadorias que nela se baseou”. (fls. 53 usque 56 – anexo)

Ao final, o ilustre julgador de piso prolatou a Decisão


adiante ementada:

“EMENTA – ICMS E MULTA. 1. UTILIZAÇÃO


DE DOCUMENTO FISCAL INIDÔNEO. 2.
REGISTRO DE NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. 3.
DEMONSTRADA A INIDONEIDADE DA NOTA
FISCAL. 4. NÃO PROVADO A
RESPONSABILIDADE DO SUJEITO PASSIVO
PELO ILICITO TRIBUTÁRIO. 5. AUSENCIA DE
PROVAS. 6. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. 7.
REEXAME NECESSÁRIO, A TEOR DO ART. 84
DA LEI Nº 6.771/06”.

Devidamente intimadas da Decisão Singular, as partes não


se manifestaram. Assim, aportam os autos a este colegiado para
o Reexame Necessário.

É o relatório.

ACÓRDÃO CTE Nº 015/2013 Página 4


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II – VOTO.

Tratam os autos do presente litígio fiscal do Reexame


Necessário da Decisão de Primeira Instância, que entendeu pela
improcedência do lançamento do crédito tributário advindo do
AI nº 10.574.

Pela análise das peças processuais, verifica-se a


flagrante inidoneidade da documentação fiscal que acompanhou o
fornecimento de mercadorias ao autuado.

Entretanto, como bem observou o ilustre Julgador de Piso,


não se pode atribuir responsabilidade ao sujeito passivo pela
emissão das notas fiscais em questão, já que a Legislação
Tributária Estadual em voga “não prevê responsabilidade
presumida com inversão do ônus da prova”.

Os artigos citados na peça inicial, ou seja, os artigos


207 e 81 do RICMS referem-se a documento fiscal omitido com o
objetivo de fraudar o erário estadual.

In casu, a nota fiscal que acompanhou as mercadorias é


comprovadamente inidônea. Entretanto, esta comprovação não
prova uma suposta conivência do contribuinte na sua emissão e,
conseqüentemente, na sua responsabilidade.

Os fiscais autuantes, de maneira equivocada, estão a


exigir do contribuinte provas de que o mesmo está envolvido
com a emissão de documento falso, obrigação que cabe única e
exclusivamente às autoridades fiscais.
O artigo 891 do RICMS/AL é bem claro ao dispor no seu
inciso IV que o processo administrativo fiscal decorrente de
Auto de Infração deve ser instruído com as provas necessárias
à demonstração do fato argüido, inclusive cópias dos
documentos que serviram de base para a apuração das
irregularidades. (grifamos)

Pelo exposto, ACORDAM OS MEMBROS DO CONSELHO TRIBUTÁRIO


ESTADUAL – CTE, por unanimidade de votos e considerando a
carência de provas necessárias à imputação, ao contribuinte,
das acusações de haver procedido de maneira fraudulenta ao
ACÓRDÃO CTE Nº 015/2013 Página 5
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adquirir e registrar em seus livros próprios, mercadorias e


documentos fiscais, conhecer do Reexame Necessário e negar-lhe
provimento para manter na íntegra a Decisão Singular que
julgou Improcedente o AI nº 10.574, protocolado em 03/05/2002
pela ausência de provas.

Sala das Sessões do CTE, em Maceió, 22 de Janeiro de


2013.

SÉRGIO GUILHERME A. DA S. FILHO SEGISMUNDO CERQUEIRA FILHO


PRESIDENTE RELATOR

ODETE MINEIRO DA PAZ PAULO DE TARSO DA C. SILVA


JULGADORA JULGADOR

ACÓRDÃO CTE Nº 015/2013 Página 6


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SESSÃO ORDINÁRIA Nº02 ‘’’’’’’’ ‘
-REALIZADA: 25/01/2013- 2ª CÂMARA
PROCESSO: 1500-018595/2009 e CTE nº 390/2011.
ANEXO: 1500-002243/2011 (06 volumes).
AUTO DE INFRAÇÃO: 99.89732-0001.
AUTUADA: JADSON BEZERRA DE LIRA ME.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 248.29305-2
DECISÃO MONOCRÁTICA: 17.967/2011.
ASSUNTO: Reexame Necessário.
AUTUANTE(S): Raimundo Marques de Carvalho Neto.
RELATOR: Mário Sérgio Martins de Castro.
PRESIDENTE: PATRÍCIA MELO MESSIAS
ASSESSORIA: LIBERACI MARIA SOUZA GALINDO
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA VASCONCELOS

ACÓRDÃO Nº0 18/2013

EMENTA: ICMS. Obrigação Acessória.


Extravio de livros e notas
fiscais. Extravio parcialmente
suprimido, devido às provas em
contrário juntadas aos autos.
Correta a redução da penalidade
pela condição de microempresa do
contribuinte. Remessa necessária
conhecida e improvida. Decisão
singular mantida.
RELATÓRIO
Trata o Auto de Infração, lavrado contra a empresa
JADSON BEZERRA DE LIRA ME, já devidamente qualificada nos
autos, do lançamento de crédito, derivado de multa, no valor
de R$ 165.747,25 (cento e sessenta e cinco mil, setecentos e
quarenta e sete reais e vinte e cinco centavos), pelo fato de,
em tese, o sujeito passivo ter extraviado 03 (três) livros e
500 (quinhentas) notas fiscais, sendo destas, 300 (trezentas)
modelo D-1 e 200 (duzentas) modelo 1.
Foram apontados como transgredidos o art. 50, II e seu §
10, I da Lei nº 5.900/96, e art. 49, III do Regulamento do

Mário Sérgio Martins de Castro


ACÓRDÃO CTE Nº 18/2013 RELATOR 1
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ICMS, aprovado pelo Decreto nº 35.245/91, sendo aplicada a
penalidade prevista no artigo 119, I e II da Lei nº 5.900/96.
Sendo intimado por via postal com Aviso de Recebimento –
AR – e por Edital publicado no Diário Oficial do Estado, foi
lavrado o Termo de Revelia, já que a autuada não apresentou
defesa e nem recolheu o crédito tributário.
O processo foi então enviado para a Representação Fiscal
que, observando a condição de microempresa do contribuinte,
procedeu diligência para a Diretoria de Fiscalização – DIFIS –
com o intuito de que fosse dado o benefício da diminuição da
penalidade previsto no art. 135-A.
Em vista disso, o autuante aditou o auto de infração, no
qual reduziu a multa aplicada para R$ 46.401,13 (quarenta e
seis mil, quatrocentos e um reais e treze centavos).
Sendo notificado do referido aditamento, o sujeito
passivo, dessa vez, impugnou-o, afirmando que não houve
extravio e apresentando na peça defensória os 03 (três) livros
e 50 (cinquenta) notas fiscais modelo 1. Ao fim, pede pela
improcedência do lançamento de ofício.
A representação fiscal contrarrazou, opinando pela
procedência parcial do auto de infração, já que os livros e
parte dos documentos fiscais foram juntados na defesa, devendo
ser mantido o lançamento de ofício quanto aos não
apresentados.
Proferida a Decisão nº 17.967/2011, tendo a julgadora
singular decidido pela procedência parcial do lançamento com a
seguinte ementa:
EMENTA: ICMS. Obrigação Acessória.
Extravio de documentos fiscais. Extravio
parcialmente elidido, à vista das provas
em contrário, acostadas aos autos.
Infração ao art. 53 da Lei nº 5.900/1996
c/c art. 49, inciso VI e art. 221 do
RICMS, aprovado pelo Decreto nº
35.245/1991. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM
PARTE. Reexame necessário pelo Conselho
Tributário Estadual, nos termos do art.
48, inciso I, da Lei Estadual n°
6.771/2006.

Mário Sérgio Martins de Castro


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Foi a autuada intimada e a Comissão de Representação
Fiscal dado ciência da decisão singular.
Assim, chegam os autos a este Conselho para o Reexame
Necessário.

É o relatório.

VOTO
Trata-se de Reexame Necessário da Decisão nº
17.967/2011, de Primeira Instância, conforme ordenado no art.
48 da Lei nº 6.771/06, que julgou procedente em parte o
lançamento de ofício de multa devido a suposto extravio de
livros e notas fiscais, baseado em presunção relativa contida
no art. 50, § 10, I, da Lei nº 5.900/96, verbis:

Art. 50 (...)
§ 10. Presume-se extraviado, admitindo-se
prova em contrário, o livro fiscal,
documento fiscal ou formulário contínuo,
que:
I – solicitado pela Fazenda Estadual, não
tenha sido entregue no prazo máximo de 30
(trinta) dias;
(...)

Inicialmente, impende destacar que como o


contribuinte não interpôs Recurso Ordinário a esse Conselho
Tributário, o objeto deste julgamento limitar-se-á tão
somente ao reexame necessário da decisão de piso, ou seja, a
decisão pelo não extravio dos 03 (três) livros e 50

Mário Sérgio Martins de Castro


ACÓRDÃO CTE Nº 18/2013 RELATOR 3
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(cinquenta) notas fiscais modelo 1, motivada pelas provas
apresentadas na defesa e a redução da multa pelo julgador
singular, no qual decidiu pela aplicação do art. 135-A, da
Lei Estadual 5.900/96, transcrito a seguir, pelo fato do
contribuinte estar cadastrado como Microempresa:

Art. 135-A. No caso de contribuinte


cadastrado como AMBULANTE - AMB,
MICROEMPRESA - ME ou EMPRESA DE PEQUENO
PORTE - EPP, as multas previstas nesta
subseção serão reduzidas,
respectivamente, em 70% (setenta por
cento), 50% (cinqüenta por cento) e 30%
(trinta por cento), em qualquer caso, não
podendo ser inferior a 1 (uma) UPFAL.
Quanto ao não extravio dos referidos livros e documentos
fiscais, sobre presunções, assim se expressa Gonçalves:

“Presunções não são meios de prova, mas


forma de raciocínio pelas quais, por meio
de um fato, infere-se a existência de
outro, deduz-se de um fato conhecido e
provado outro, que se quer demonstrar...
A presunção geralmente parte de um
indício de prova. O indício é um sinal,um
vestígio, que em regra nada prova,mas que
por meio de presunções, pode levar à
convicção sobre determinada alegação...
Quando a presunção é absoluta não se
admite prova em contrário; quando
relativa, dispensa a produção de prova
por quem faz a alegação, mas permite a
prova em contrário pela parte adversa.”
grifo nosso. (GONÇALVES, Marcus Vinicius
Rios. Novo Curso de direito processual
civil, v 1. 5 ed., São Paulo: Saraiva,
2008,p.436) grifei

Constata-se, na defesa do contribuinte, a anexação dos


03 (três) livros e 50 (cinquenta) notas fiscais modelo 1 tidos
como extraviados à repartição fazendária. Portanto, afastada,
por meio de provas apresentadas a presunção juris tantum de
extravio desses livros e documentos fiscais.

Mário Sérgio Martins de Castro


ACÓRDÃO CTE Nº 18/2013 RELATOR 4
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Quanto a multa pelo benefício da redução de 50%
(cinqüenta por cento) expresso no art. 135-A da mesma lei,
pelo fato do contribuinte estar cadastrado como Microempresa,
constata-se também o acerto na decisão da Coordenaria de
julgamento, pois o fato enquadra-se perfeitamente ao caso aqui
julgado.
Ante o exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA DO
CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL-CTE, por unanimidade de votos
conhecer da presente remessa necessária e negar-lhe provimento
para manter a decisão da CJ ora em reexame.

Sala das Sessões do CTE, em Maceió, 25 de janeiro de 2013.

PATRÍCIA MELO MESSIAS MÁRIO SÉRGIO MARTINS DE CASTRO


PRESIDENTE RELATOR

JOSÉ PEDRO DA SILVA RODRIGO HOLANDA GUIMARÃES.


JULGADOR JULGADOR

ÁLVARO ARTHUR L. ALMEIDA FILHO


JULGADOR

Mário Sérgio Martins de Castro


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CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL
Rua General Hermes 80 Bom Parto 5º andar CEP 57.017-200
FONES: 3315-6190 – fax 3315-8273

SESSÃO ORDINÁRIA N°: 01 – 2° CÂMARA – REALIZADA: 15/01/2013


PROCESSO Nº: SF 033442/2006; CTE 528/2010.
AUTO DE INFRAÇÃO Nº: 99.56661-001, de 27/11/2006.
RECORRENTE: HIDROFREIOS RECUPERAÇÃO E COMÉRCIO DE PEÇAS
LTDA.
RECORRIDO: FAZENDA ESTADUAL.
RELATOR: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES.
PRESIDENTE: PATRÍCIA MELO MESSIAS.
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA VASCONCELOS

ACÓRDÃO N° 02/2013

EMENTA: NORMAS PROCEDIMENTAIS.


ALEGAÇÕES DE EXTRAVIO DE LIVROS
FICAIS BASEADA EM NÃO ATENDIMENTO À
SOLICITAÇÃO FISCAL. FICÇÃO LEGAL
QUE SÓ SE CONFIGURA COM O RECURSO
DO LAPSO TEMPORAL DE 30 DIAS APÓS A
INTIMAÇÃO PARA A APRESENTAÇÃO
DOCUMENTAL. INTELIGÊNCIA DO
ART.50,§10°, DA LEI N°5.900/96.
EXIGÊNCIA ATENDIDA. CASO FORTUITO
QUE DEPENDE, ALÉM DO REGISTRO
PERANTE A AUTORIDADE COMPETENTE, DA
DEVIDA COMPROVAÇÃO DO SINISTRO.
REEXAME DE OFÍCIO CONHECIDO E
PROVIDO, DECISÃO SINGULAR
REFORMADA. AUTO DE INFRAÇÃO
IMPROCEDENTE.

RELATÓRIO

Trata-se de recurso ordinário que move o


contribuinte epigrafado contrariado em sua pretensão pelo
teor da Decisão n. 16.512/10, da Douta Coordenadoria de
Julgamento, que diante da alegação da sinistro (roubo) em
relação à talonário de nota fiscal, rejeitou-a segundo os
argumentos bem resumidos pela ementa abaixo transcrita:

ACÓRDÃO Nº 02/2013 Página 1


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EMENTA: ICMS – OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS –


Extravio de documentos fiscais. (1)
Afasta a norma sobre extravio os
efeitos da denúncia espontânea da
infração pelo sujeito passivo (art.
119, p. único, da Lei 5.900/96, em
redação vigente à época do fato). 2)
Ausência de elementos a demonstrar a
comprovação e certificação, pela
autoridade competente, do fato
descrito pelo sujeito passivo como
suficiente a excluir a imputação
descrita. 3) Ilícito confessado nos
autos. 4) Lançamento PROCEDENTE.

Regularmente intimado, o contribuinte apresentou


oportuno recurso ordinário, pelo qual reitera os argumentos
deduzidos perante a primeira instância administrativa,
especialmente no que se refere a aplicabilidade dos
benefícios da denúncia espontânea, o que para si merecem
ser aplicados diante do fato de que, bem antes do início da
ação fiscal, teria registrado a ocorrência perante a
autoridade policial competente, comunicado ao órgão
fazendário, e ainda feito circular a ocorrência em jornal
de grande circulação da capital.

São estes os fatos, em essência.

VOTO

Compulsando os autos, de logo observamos que o


contribuinte, longe de confessar o fato, justifica a não
entrega da documentação solicitada pela intimação fiscal de
fl. 11 por fato que reputa já conhecido por parte da
autoridade fiscal. No caso, conforme sinistro registrado
perante a autoridade policial, comunicação deste a
autoridade fazendária e veiculação da notícia em jornal de
grande circulação.

Tais situações, no sentir deste julgador, já são


por si suficientes para afastar a materialidade da infração
imputada ao contribuinte, qual seja o extravio fundado no
não atendimento de intimação fiscal para a apresentação de
documentos.

E assim penso porque difícil imaginar que a


presunção legal possa continuar a ser aplicada quando

ACÓRDÃO Nº 02/2013 Página 2


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FONES: 3315-6190 – fax 3315-8273

previamente justificado a perda da posse dos respectivos


documentos.

De mais a mais, o sinistro se encontra


devidamente registrado perante a autoridade policial e
comunicado a esta autoridade fazendária, devendo-se
presumir a sua boa-fé até prova em contrário, sob pena de
invertermos a lógica das presunções legais para aplicação
de sanções por atos ilícitos.

Ou seja, o extravio aqui não seria presumido pelo


não atendimento à intimação fiscal, conforme consta do
texto da norma estadual, mas pela prática de um crime de
falsidade ideológica, sem qualquer indício neste sentido.

Pelo exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA DO


CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade, conhecer do
recurso para dar-lhe provimento, reformando a decisão
monocrática para julgar improcedente a autuação.

Sala de Sessões do CTE, em Maceió/AL, 15 de


janeiro de 2012.

PATRICIA MELO MESSIAS LUCIANO P. DE M. GOMES


PRESIDENTE RELATOR

MARIO SÉRGIO M. DE CASTRO JOSÉ PEDRO DA SILVA


JULGADOR JULGADOR

ÁLVARO ARTHUR A. L. FILHO


JULGADOR

ACÓRDÃO Nº 02/2013 Página 3


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SESSÃO ORDINÁRIA Nº: 04 – 2ª CÂMARA – REALIZADA EM: 28/01/2013
PROCESSO: 1500-011398 e CTE nº 304/2012.
ANEXO: 1500-014215/08.
AUTO DE INFRAÇÃO: 99.75213-002.
AUTUADA: FRIGORÍFICO IBÉRICO LTDA.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 241.02817-5
DECISÃO MONOCRÁTICA: 18.744/2012.
ASSUNTO: Reexame Necessário.
AUTUANTE(S): José Tarciso Bispo dos Santos.
RELATOR: Mário Sérgio Martins de Castro.
PRESIDENTE: PATRÍCIA MELO MESSIAS.
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA.

ACÓRDÃO Nº 20/2013

EMENTA: ICMS. Obrigação Acessória.


Suposto extravio de livros e notas
fiscais. Ausência de solicitação
prévia para apresentação das notas
fiscais. Remessa necessária conhecida
e improvida. Decisão singular
mantida.

RELATÓRIO
Trata o Auto de Infração, lavrado contra a empresa
FRIGORÍFICO IBÉRICO LTDA, já devidamente qualificada nos
autos, do lançamento de crédito, derivado de multa, pelo fato
de, em tese, o sujeito passivo ter extraviado 54.000
(cinqüenta e quatro mil) notas fiscais, modelo 1.
Foram apontados como transgredidos o art. 50, § 10, I
c/c art. 53 da Lei nº 5.900/96, e art. 49, III e VI, “a” do
Regulamento do ICMS, aprovado pelo Decreto nº 35.245/91,
sendo aplicada a penalidade prevista no artigo 119, II, “a”,
da Lei nº 5.900/96.
O autuado impugnou o lançamento de ofício, alegando, em
síntese, que:
a) os defendentes não são legitimados para a causa,
porquanto não mais integrariam o quadro societário da autuada
desde julho de 2007, e também, não há autorização legal para
responsabilização pessoal dos sócios, que somente ocorreria

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no caso de liquidação da sociedade com comprovada violação de
lei ou do estatuto social;
b) ocorreu vício formal do lançamento, uma vez que o
crédito tributário não foi devidamente especificado e
quantificado;
c) a penalidade imposta já foi cobrada em lançamentos
anteriores;
d) A multa é abusiva e desproporcional, violando os
princípios do não-confisco e da proporcionalidade.
Após, foi requisitada diligência (DILIGÊNCIA CRP
157/2010, fl. 50 do Processo Anexo), com o objetivo de
esclarecimento referente à alegação do autuado de que já
haviam sidos lavrados os autos de infração de nºs 99.75213-
003 e 99.76466-002 sobre o mesmo fato aqui julgado.
Sendo esclarecido pelo autuante que as autuações foram
distintas, já que o Auto de Infração nº 99.75213-003/2008,
refere-se a notas fiscais modelo 02 e a outra autuação,
referida pelo defendente, foi realizada por outro agente
fiscal, sobre outra matéria, de outra inscrição do
contribuinte (CACEAL: 241.05887-2).
Ocorreu, então, nova diligência (REQUISIÇÃO DE
DILIGÊNCIA Nº 088/2011, fls. 61 e 62 do Processo Anexo),
tendo o intuito de ser sanada a ausência nos autos da
intimação fiscal prévia ao auto de infração solicitando os
documentos fiscais, objeto da autuação, o que resultou em
nova intimação ao sujeito passivo para apresentação dos
documentos fiscais (Intimação Fiscal n.º 62150, de
16.08.2010, fl. 68 do processo anexo).
Conseguinte, o representante fiscal, em sede de
contrarrazões, observa que a autuação é decorrente da
presunção de extravio de documentos fiscais, tendo como
condicionante a solicitação de tal documentação previamente,
conforme o ditame legal do art. 50, § 10, I da Lei nº
5.900/96. E que não consta nos autos prova que o contribuinte
tenha sido solicitado a apresentar tais documentos fiscais.
Acrescenta que a falta dessa intimação anterior ao auto de
infração leva à sua nulidade, opinando pela improcedência do
lançamento de ofício.

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Proferida a Decisão nº 18.744/2012, tendo a julgadora
singular decidido pela nulidade por falta de motivo do
lançamento com a seguinte ementa:

EMENTA: ICMS. Obrigação Acessória.


Presunção legal de extravio de livros
fiscais – §10, inciso I, do art. 50 da
Lei nº 5.900/1996, com redação dada pela
Lei nº 6.331/2002. Inexistência de
intimação oficial prévia. Intimação
posterior não afasta a irregularidade.
Ilícito tributário não demonstrado.
Ausência de motivo. LANÇAMENTO NULO.
Reexame necessário pelo Conselho
Tributário Estadual, ex vi do art. 48,
inciso I e 49, §1º, da Lei Estadual nº
6.771/2006.

Foi a autuada intimada e a Comissão de Representação


Fiscal dado ciência da Decisão Singular.
Assim, chegam os autos a este Conselho para o Reexame
Necessário.
É o relatório.

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VOTO
Trata-se de Reexame Necessário da Decisão nº
18.744/2012, de Primeira Instância, conforme ordenado no art.
48 da Lei nº 6.771/06, que julgou nulo por falta de motivo o
lançamento de ofício de multa devida a suposto extravio de
notas fiscais, baseado em presunção relativa contida no art.
50, § 10, I, da Lei nº 5.900/96, verbis:
Art. 50 (...)
§ 10. Presume-se extraviado, admitindo-
se prova em contrário, o livro fiscal,
documento fiscal ou formulário contínuo,
que:
I – solicitado pela Fazenda Estadual,
não tenha sido entregue no prazo máximo
de 30 (trinta) dias;
(...)(grifos nosso)

Sobre presunções, assim se expressa Gonçalves 1:


“Presunções não são meios de prova, mas
forma de raciocínio pelas quais, por
meio de um fato, infere-se a existência
de outro, deduz-se de um fato conhecido
e provado outro que se quer
demonstrar... A presunção geralmente
parte de um indício de prova...” (grifos
nosso)

Pelo próprio conceito de presunção, deve-se partir de


um fato conhecido e provado para, então, se presumir o outro
fato. Se não for assim, seria como partir de uma presunção
para se chegar a outra presunção, o que seria inconcebível em
sentido lógico-jurídico.
Observa-se da interpretação do dispositivo supracitado,
que essa presunção legal somente pode ser aplicada quando
previamente solicitado pelo Fisco ao contribuinte os seus
documentos fiscais, não houvesse ocorrida as suas entregas.

1
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Novo Curso de direito processual civil, v 1. 5 ed., São Paulo:
Saraiva, 2008,p.436
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Ou seja, conforme a própria natureza das presunções, a
fiscalização deve comprovar o motivo - não entrega das notas
fiscais solicitadas prévia e regularmente - para se presumir
o extravio da documentação objeto da autuação.
E como bem se referiu o representante fiscal e
demonstrou o julgador singular em sua fundamentação, não há
prova de que houve intimação prévia legalmente válida
solicitando os documentos fiscais, objeto da autuação, para o
contribuinte como determina o art. 11 da Lei nº 6.771/2006:

Art. 11. A intimação do sujeito passivo


ou de pessoa interessada acerca de
qualquer ato, fato ou exigência fiscal,
quando não estiver prevista forma
diversa na legislação tributária, será
feita:
I - pessoalmente, pelo autor do
procedimento ou outro servidor a quem
for conferida a atribuição, mediante
aposição de data e assinatura do sujeito
passivo ou interessado, seu
representante legal ou preposto, no
próprio instrumento que se deseja
comunicar ou em expediente, com entrega,
quando for o caso, de cópia do
documento;
II - mediante remessa, pelo órgão
encarregado do preparo do processo, por
via postal ou qualquer outro meio ou
via, com Aviso de Recebimento - AR ou
com prova de entrega no endereço do
sujeito passivo ou interessado, de cópia
do instrumento ou de comunicação de
decisão ou circunstância constante de
expediente, alternativamente à forma
prevista no inciso I;
III - por edital publicado no Diário
Oficial do Estado, no caso de:
a) o sujeito passivo ou interessado
encontrar-se em lugar ignorado, incerto
ou inacessível, caso em que no processo
deverão ser anexados documentos
comprobatórios do fato ou declaração

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fundamentada;
...
c) não se efetivar a comunicação pela
forma prevista no inciso II, ainda que
não precedida da prevista no inciso I.
...
§ 2º No caso de inatividade do sujeito
passivo, especialmente tratando-se de
empresas desaparecidas ou com inscrição
cancelada ou baixada, sua intimação será
também efetivada em nome do titular, do
diretor, do administrador ou do sócio
com poderes de representação.

Não havendo solicitação nesse sentido, condição sine


qua non, não há presunção de extravio. Não há motivo para se
presumir.
Também não se pode lavrar o auto de infração por
presunção de extravio e depois intimar o contribuinte para a
apresentação das notas fiscais como se tentou fazer
posteriormente, já em fase de lide administrativa tributária.
A presunção não surge antes do fato indiciário, pressuposto
essencial para o referido fato presumido. Apenas a título de
ilustração, guardada suas devidas proporções, seria como
denunciar alguém penalmente para depois abrir o inquérito
policial para se investigar se realmente o sujeito passivo
teria cometido o crime ou não. Inconcebível tal lógica.
Portanto, sem embargo do previsto no artigo 7º, IV, da
Lei Estadual nº. 6.771/06, exemplificativo, temos que o ato
de lançamento tratado nos autos é nulo por inexistência de
motivo, conforme o disposto no artigo 2º, d e seu parágrafo
único, d, da Lei Federal nº. 4.717/65 2, ora reproduzido:

Art. 2º São nulos os atos lesivos ao


patrimônio das entidades mencionadas no
artigo anterior, nos casos de:
(...)
d) inexistência dos motivos;
(...)

2
Regula a ação popular.
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Parágrafo único. Para a conceituação dos
casos de nulidade observar-se-ão as
seguintes normas:
(...)
d) a inexistência dos motivos se
verifica quando a matéria de fato ou de
direito, em que se fundamenta o ato, é
materialmente inexistente ou
juridicamente inadequada ao resultado
obtido;

Diante do exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA DO


CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL - CTE, por unanimidade de votos,
conhecer da presente remessa necessária para NEGAR-LHE
PROVIMENTO, mantendo na íntegra a decisão singular ora em
reexame.
Conselho Tributário Estadual, Sala das Sessões, em
Maceió, 28 de janeiro de 2013.

PATRÍCIA MELO MESSIAS MÁRIO SÉRGIO MARTINS DE CASTRO


PRESIDENTE RELATOR

JOSÉ PEDRO DA SILVA ÁLVARO ARTHUR L. A. FILHO


JULGADOR JULGADOR

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SESSÃO ORDINÁRIA Nº: 04 – 2ª CÂMARA – REALIZADA EM: 28/01/2013


PROCESSO Nº: SF 1500-014366/2007; CTE 113/2012 E ANEXOS
AUTO DE INFRAÇÃO Nº: 99.60767-001 DE 16/05/2007
RECORRENTE: FAZENDA PÚBLICA ESTADUAL (REEXAME NECESSÁRIO)
RECORRIDA: CLAUDINETE DA SILVA – ME.
RELATOR: PEDRO ÍCARO CAVALCANTE DE BARROS.
PRESIDENTE: PATRÍCIA DE MELO MESSIAS.
ASSESSORIA: LIBERACI MARIA SOUZA GALINDO.
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA.

ACÓRDÃO Nº 021/2013

EMENTA: ICMS – OBRIGAÇÃO PRINCIPAL –


AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO ICMS
REFERENTE AO ESTOQUE EXISTENTE QUANDO
DO PEDIDO DE BAIXA DA EMPRESA – NÃO
COMPROVAÇÃO DO QUANTITATIVO EM ESTOQUE
DA EMPRESA NO MOMENTO DA SUA BAIXA –
REEXAME NECESSÁRIO CONHECIDO E
IMPROVIDO – LANÇAMENTO IMPROCEDENTE POR
INSUFICIÊNCIA DE PROVAS.

RELATÓRIO

Cuida o processo evidenciado em epígrafe do Auto de


Infração nº. 99.60767-001 de 16/05/2007, no qual a autoridade
fiscal afirma que a contribuinte deixou de recolher ICMS
proveniente das mercadorias constantes no estoque da empresa,
quando do pedido de baixa da inscrição no CACEAL no valor de
R$ 59.775,16 (cinquenta e nove mil, setecentos setenta e cinco
reais e dezesseis centavos). Imputou-se, ainda, as penalidades
previstas nos artigos 80 e 81 da Lei nº. 5.900/96, no montante
de R$ 29.887,58 (vinte e nove mil, oitocentos e oitenta e sete
reais e cinqüenta e oito centavos), dando por infringidos os
artigos 3º, inciso I e 49, inciso VIII, ambos do Regulamento
do ICMS, além do artigo 2º, §2º, inciso I, da Lei nº.
5.900/96, totalizando crédito tributário no importe de R$
89.662,74 (oitenta e nove mil, seiscentos e sessenta e dois
reais e setenta e quatro centavos)

Instruem os autos, a cópia do cartão de autógrafo,


do livro registro de inventário e do livro de ocorrências.

Antes que se procedesse a sua intimação, a Autuada


apresentou defesa alegando que: por se tratar de microempresa,

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recolhe o ICMS em valor fixo pelo regime de estimativa,


independente das compras e vendas realizadas no período; que
antes da baixa da empresa o estoque foi diluído com vendas
promocionais a baixo custo no intuito de zerar o estoque; que
o Auto de Infração não se encontra acompanhamento de todos os
documentos necessários a sua comprovação.

Em suas contrarrazões, sustenta o fiscal autuante


que mesmo com o recolhimento do ICMS por estimativa, a
legislação tributária mantém o dever da Autuada em recolher o
ICMS das mercadorias pertencentes ao seu estoque final no
momento da sua baixa. Argumenta, também, que a Autuada não
comprovou a comercialização das mercadorias do estoque,
acrescentando que a contribuinte encontrava-se em débito com
algumas parcelas do ICMS estimativa.

Encaminhado os autos à Coordenadoria de Julgamento,


foi solicitada a intimação da contribuinte e do fiscal
autuante para que apresentasse as notas fiscais e documentos
referentes ao recolhimento do ICMS antecipado e juntasse aos
autos cópia do relatório de recolhimento do ICMS, entretanto o
fiscal autuante respondeu que não seria da sua competência
complementar as provas decorrentes de alegações do sujeito
passivo.

Devolvidos os autos à Coordenadoria de Julgamento,


o julgador singular, com base no princípio da verdade material
e diante da recusa do fiscal autuante em produzir novas
provas, decidiu pela improcedência do lançamento por
insuficiência no acervo probatório necessário para corroborar
o cometimento da infração descrita nos autos.

Intimadas as partes, transcorreu o prazo para


apresentação de recurso sem manifestação, logo os autos foram
encaminhados ao Conselho Tributário Estadual para apreciação
da remessa necessária.

É o relatório.

VOTO

Consoante afirmamos no relatório, consiste a


presente análise em reexame necessário, nos moldes do art. 48,

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inciso I, da Lei nº. 6.771/06 1, na qual restou vencida


totalmente a Fazenda Pública.

Assim, nos casos de remessa necessária, importante


delimitarmos a matéria objeto da presente análise, sob pena de
estar-se estendendo a discussão e julgamento sobre matérias já
decididas e preclusas, na medida em que depreende-se da
redação do art. 48, inciso I, da Lei do PAT, que apenas a
parte da decisão monocrática contrária aos interesses da
Fazenda Pública é que deve ser objeto de revisão por este
Conselho Tributário.

No caso em apreço, entendeu o juízo de piso pela


improcedência do lançamento, na medida em que a autoridade
fiscal responsável não instruiu a autuação com os documentos
necessários à comprovação da infração supostamente cometida,
qual seja, ausência de recolhimento do ICMS das mercadorias
constantes no estoque, quando do pedido de baixa da inscrição
no CACEAL.

De fato, vislumbra-se dos autos não ser possível


comprovar a infração descrita a partir do acervo probatório
anexo. Isso porque enquanto o fiscal autuante apresentou o
levantamento de estoque da empresa Autuada referente ao dia
31/12/2006, mediante a juntada da cópia do Livro Registro de
Inventário, a Autuada somente encerrou suas atividades no dia
09/02/2007.

Notadamente, não há como se inferir que o estoque


armazenado pela Autuada no dia 31/12/2006 seja idêntico àquele
constante no momento da solicitação da baixa da empresa
ocorrida mais de 02 (dois) meses após o levantamento de
estoque apresentado nos autos.

Nesse sentido, assim dispõe o artigo 891, inciso


IV, do Decreto nº. 35.245/91:

Art. 891 O processo administrativo fiscal


decorrente de Auto de Infração deve ser
instruído com:

1
Art. 48. Quando contrárias à Fazenda Estadual, ficam sujeitas à reexame necessário:
I - por uma das câmaras do CTE, as decisões proferidas por julgador de primeira instância;
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IV - as provas necessárias à demonstração do


fato arguido, inclusive cópias dos documentos
que serviram de base para a apuração das
irregularidades.

Do mesmo modo, acrescenta o §1º, inciso II, do


artigo transcrito acima, que no caso das infrações referentes
ao encerramento das atividades da empresa, quando o estoque
remanescente não puder ser apurado com base nos documentos e
livros fiscais, deverão ser relatos os motivos impeditivos no
processo, o que parece não ser o caso dos autos, vejamos:

§ 1º Além das informações e documentos


previstos nos incisos do "caput" deste artigo,
deverá o processo administrativo fiscal
decorrente de Auto de Infração ser instruído
com:

II - quando a infração versar sobre


encerramento de atividade sem a devida
comunicação à Secretaria Executiva de Fazenda:
levantamento do estoque remanescente, tomando
por base os valores constantes em documentos e
livros fiscais a que tiver acesso;
impossibilitada a apuração do estoque em tais
moldes, os motivos pertinentes deverão ser
mencionados no processo;

Não obstante os atos administrativos gozem da


garantia da presunção de legitimidade, esta se denota
inequivocamente juris tantum, não isentando, pois, a
responsabilidade da autoridade fiscal comprovar os fundamentos
da autuação, consoante lição da professora Fabiana Del Padre
Tomé, vejamos:

Essa presunção, entretanto, não exime a


Administração do dever de comprovar a
ocorrência do fato jurídico, bem como das
circunstâncias em que este se verificou. É que,
sendo os atos de lançamento e aplicação de
penalidade vinculados e regidos, dentre outros,
pelos princípios da estrita legalidade e da
tipicidade, tais expedientes dependem,

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necessariamente, da cabal demonstração da


ocorrência dos motivos que os ensejaram. 2

Destarte, considerando-se que a autoridade fiscal


possuía os instrumentos necessários à apuração do estoque
remanescente da empresa Autuada no momento do pedido da sua
baixa, vez que poderia ter juntado as cópias dos Livros
Registro de Entrada e de Saída ou mesmo as respectivas notas
fiscais, mas não o fez, não há como se imputar à contribuinte
a infração descrita nos autos, restando prejudicado, em sua
totalidade, o lançamento tributário.

CONCLUSÃO

Diante do exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA


DO CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL – CTE, por unanimidade de
votos, conhecer do reexame necessário para, no mérito, negar-
lhe provimento, mantendo-se inalterada a decisão da
Coordenadoria de Julgamento no sentido de declarar a
improcedência total do lançamento tributário.

Sala das sessões do CTE, em Maceió/AL, 28 de


janeiro de 2013.

PATRÍCIA MELO MESSIAS PEDRO ÍCARO C. DE BARROS


PRESIDENTE RELATOR

JOSÉ PEDRO DA SILVA MÁRIO SÉRGIO M. DE CASTRO


JULGADOR JULGADOR

2
TOMÉ, Fabiana Del Padre. A Prova no Direito Tributário. 2ª ed. São Paulo: Noeses, 2008. p. 240.
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PROCESSO Nº: SF 1500-031234/2004; CTE 014/2012 E ANEXOS
AUTO DE INFRAÇÃO Nº: 62163 DE 26/10/2004
RECORRENTES: JOSÉ GERALDO BARBOZA – ME
FAZENDA PÚBLICA ESTADUAL (REEXAME NECESSÁRIO)
RECORRIDOS: OS MESMOS
RELATOR: PEDRO ÍCARO CAVALCANTE DE BARROS
PRESIDENTE: PATRÍCIA DE MELO MESSIAS
ASSESSORIA: LIBERACI MARIA SOUZA GALINDO
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO Nº 022/2013

EMENTA: ICMS – OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA –


AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO
REGISTRO DE INVENTÁRIO E NÃO ENVIO DOS
ARQUIVOS DO SINTEGRA NO PRAZO LEGAL –
REDUÇÃO DA PENALIDADE APLICADA EM 50% -
INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 135-A, DA LEI
Nº. 5.900/96 – COMPROVAÇÃO DO ENVIO DO
RELATÓRIO DO SINTEGRA NO MÊS DE
NOVEMBRO DE 2003 E INEXISTÊNCIA DA
OBRIGAÇÃO QUANTO AO MÊS DE ABRIL DE
2004 – EXCLUSÃO DA PENALIDADE – RECURSO
ORDINÁRIO E REEXAME NECESSÁRIO
CONHECIDOS E IMPROVIDOS – DECISÃO
MANTIDA. LANÇAMENTO PARCIALMENTE
PROCEDENTE.

RELATÓRIO

Tratam-se os autos de autuação fiscal, na qual a


autoridade responsável afirma que o contribuinte deixou de
escriturar o Livro Registro de Inventário dos exercícios de
2000 e 2001 no prazo legal, bem como não apresentou no prazo
regulamentar os arquivos do SINTEGRA dos meses de novembro de
2003 e fevereiro, março e abril de 2004, imputando-se as
penalidades previstas nos artigos 122 e 116-A, inciso I, da
Lei nº. 5.900/96, totalizando crédito tributário no valor de
R$ 5.187,20 (cinco mil, cento e oitenta e sete reais e vinte
centavos)

Instruem os autos, a cópia do cartão de autógrafo,


do Livro de Ocorrências e do Livro Registro de Inventário,
além do relatório informativo da situação fiscal do

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contribuinte, das DAC’s dos anos de 2000 e 2001 e do resumo do


débito do Auto de Infração.

Devidamente intimado, o Autuado apresentou defesa


argumentando que: A) ingressou com pedido de baixa da empresa
em 25/03/2004, sendo deferido apenas em 26/10/2004; B) o Livro
de Inventário dos exercícios de 2000 e 2001 não foi
escriturado, pois não houve estoque físico em 31/12/2000 e
31/12/2001, respectivamente; C) o relatório do SINTEGRA do mês
de novembro de 2003 foi enviado em 28/10/2004, dos meses de
fevereiro e março de 2004 em 30/08/2005 e que o relatório do
mês de abril de 2004 não foi enviado, porque a empresa
solicitou a sua baixa em 25/03/2004.

Remetido os autos à fiscal autuante, esta reitera a


procedência da autuação quanto à falta de escrituração do
Livro Registro de Inventário nos exercícios de 2000 e 2001 bem
como quanto à ausência de envio do relatório do SINTEGRA dos
meses de novembro de 2003, fevereiro e março de 2004.
Entretanto, concernente ao mês de abril de 2004, a fiscal
reconhece que o pedido de baixa da Autuada foi formalizado em
momento anterior à exigibilidade de entrega do relatório,
aditando o Auto de Infração para excluir a penalidade
referente ao citado período.

Intimada sobre o aditamento realizado, no valor de


R$ 4.863,00 (quatro mil, oitocentos e sessenta e três reais),
a Autuada reiterou os termos da sua defesa, acrescentando aos
autos novos documentos.

Após, os autos foram remetidos à Coordenadoria de


Julgamento, a qual, observando equívoco no cálculo da
penalidade imposta quanto à suposta não escrituração do Livro
Registro de Inventário nos exercícios de 2000 e 2001,
determinou a devolução do processo à fiscal responsável para
correção.

Realizado novo aditamento, totalizando crédito


tributário no valor de R$ 26.908,20 (vinte e seis mil,
novecentos e oito reais e vinte centavos), a Autuada foi
notificada, contudo não apresentou manifestação.

Em seguida, devolvidos os autos à Coordenadoria de


Julgamento, decidiu-se pela procedência em parte do
lançamento, na medida em que a julgadora refez os cálculos

ACÓRDÃO CTE Nº 022/2013 Página 2


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atinentes à penalidade imposta pela não escrituração do Livro


Registro de Inventário dos exercícios de 2000 e 2001,
aplicando a redução de 50% prevista no artigo 135-A, da Lei
nº. 5.900/96, bem com excluiu a penalidade referente à
ausência de entrega do relatório do SINTEGRA dos meses de
novembro/2003 e abril/2004, condenando a Autuada ao pagamento
de crédito tributário no importe de R$ 12.968,00 (doze mil,
novecentos e sessenta e oito reais), correspondente a 800
(oitocentas) UPFAL’s.

Inconformada com a decisão, a Autuada apresentou


Recurso Ordinário alegando que o estoque dos exercícios de
2000 e 2001 foi “zero”, sendo devidamente registrado, conforme
cópia do Livro Registro de Inventário anexa aos autos.

Encaminhado os autos à representação fiscal, esta


afirma que os argumentados da Recorrente são idênticos aos
apresentados em sua defesa e que já foram rejeitados pela
Coordenadoria de Julgamento, razão pela qual pleiteia a
manutenção do julgado recorrido.

Após, os autos forma encaminhados ao Conselho


Tributário Estadual para apreciação do Recurso Ordinário e do
Reexame Necessário.

É, no essencial, o relatório.

VOTO

Do Recurso Ordinário

Inicialmente, importa destacar os requisitos de


admissibilidade do Recurso Ordinário interposto pela Autuada,
em especial, a sua tempestividade.

Nesse sentido, preconiza o artigo 45, §1º, da Lei


do PAT, o prazo de 15 (quinze) dias para a interposição do
Recurso Ordinário, vejamos:

Art. 45. São cabíveis os seguintes recursos ao


CTE:

I - recurso ordinário; e

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§ 1º O prazo para recorrer será de 15 (quinze)


dias, contados da ciência da decisão.

Assim, considerando-se que a Autuada foi intimada


da decisão da Coordenadoria de Julgamento no dia 02/09/2011
(sexta-feira), conforme AR de fls. 95, tem-se que o Recurso
Ordinário é tempestivo, uma vez protocolado no dia 15/09/2011,
razão pela qual passamos a análise do recurso.

Sustenta a Recorrente que, conforme já demonstrado


em sua defesa, inclusive com a apresentação da cópia do Livro
Registro de Inventário, o estoque referente aos exercícios de
2000 e 2001 era “zero”, sendo estes devidamente escriturados
no Livro Registro de Inventário.

Consiste a autuação no descumprimento de obrigação


acessória pela Recorrente, qual seja, a não escrituração do
Livro de Registro de Inventário dos exercícios de 2000 e 2001
no prazo legal, devidamente prevista nos artigos 49, inciso
III 1 e 286, §§ 6º e 7º 2, do Decreto nº. 35.245/91.

Nesse ponto, a obrigação do contribuinte registrar


as informações no Livro de Registro do Inventário persiste
mesmo quando o estoque a ser escriturado é “zero” ou
inexistente, consoante preconiza o artigo 286, §8º, do Decreto
nº. 35.245/91, vejamos:

Art. 286. O livro Registro de Inventário,


modelo 7, destina-se a arrolar, pelos seus

1
Art. 49. São obrigações dos contribuintes:
III - conservar em seu poder, devidamente escriturados, os livros e documentos fiscais:*
a) até que ocorra a decadência dos créditos tributários decorrentes das operações ou prestações a que se referem,
no caso de inexistência de Auto de Infração, observando que:
1 - em se tratando de livros, o prazo se contará a partir do último lançamento nele consignado, quando obedecido
o prazo legal de escrituração;
2 - em se tratando de documento fiscal, a partir da data da emissão;
b) até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações ou prestações a que se referem,
no caso de existência de Auto de Infração, observado que o prazo correrá a partir da data da inscrição na Dívida
Ativa;
2
Art. 286. O livro Registro de Inventário, modelo 7, destina-se a arrolar, pelos seus valores e com
especificações que permitirá sua perfeita identificação, mercadorias, matérias-primas, produtos intermediários,
materiais de embalagem, produtos manufaturados e produtos em fabricação, existentes no estabelecimento na
época do balanço.
§6º - Se a empresa não mantiver escrita contábil, o inventário será levantado em cada estabelecimento no último
dia do ano civil.
§7º - A escrituração deverá ser efetivada dentro de 60 (sessenta) dias, contados da data do balanço referido no
"caput" ou, no caso do parágrafo anterior, do último dia do ano civil.
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valores e com especificações que permitirá sua


perfeita identificação, mercadorias, matérias-
primas, produtos intermediários, materiais de
embalagem, produtos manufaturados e produtos em
fabricação, existentes no estabelecimento na
época do balanço.

§8º - Inexistindo estoque, o contribuinte


mencionará esse fato na primeira linha, após
preencher o cabeçalho da página. (grifo nosso)

Com efeito, a partir da análise dos autos, em que


pese as alegações da Recorrente e a juntada da cópia do Livro
Registro de Inventário as fls. 39/43, verifica-se que o
referido Livro não se encontrava com as suas anotações devidas
no momento da fiscalização pelo Fisco Estadual.

Para tanto, basta observar a documentação acostada


ao auto de infração as fls. 08, na qual o Livro Registro de
Inventário apresenta-se sem qualquer anotação e confrontá-la
com a cópia do Livro Registro de Inventário anexada pela
Recorrente as fls. 39/43 para se notar que os registros foram
efetuados após a lavratura deste Auto de Infração.

Registre-se, por oportuno, que a fiscal responsável


pela autuação teve o cuidado de rasurar as demais folhas do
Livro Registro de Inventário após registrar a ocorrência,
contudo isso não impediu que a Recorrente tentasse efetuar as
anotações devidas em momento posterior a fiscalização, o que
reforça a infração cometida.

Assim, evidenciando-se nos autos o descumprimento


da obrigação acessória pela Recorrente não há como se acolher
suas alegações recursais, razão pela qual deverá ser mantida a
decisão da Coordenadoria de Julgamento no sentido de condenar
a Recorrente ao pagamento de multa pela não escrituração do
Livro Registro de Inventário dos exercícios de 2000 e 2001 no
prazo legal.

Do Reexame Necessário

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Em seguida, embora a julgadora singular tenha feito


a observação quanto à dispensa do Reexame Necessário no caso
em análise, entendo que devemos passar a sua apreciação.

Isso porque, levando-se em apreço o último


aditamento realizado nos autos, as fls. 56, no valor de R$
26.908,20 (vinte e seis mil, novecentos e oito reais e vinte
centavos) e o julgado proferido pela Coordenadoria de
Julgamento no sentido de condenar a Autuada ao pagamento de
crédito tributário no valor de R$ 12.968,00 (doze mil,
novecentos e sessenta e oito reais), resta demonstrado que a
decisão monocrática excluiu importância pecuniária superior a
400 (quatrocentas) UPFAL.

Nos casos de remessa necessária, importante


delimitarmos a matéria objeto da presente análise, sob pena de
estar-se estendendo a discussão e julgamento sobre matérias já
decididas e preclusas, na medida em que depreende-se da
redação do art. 48, inciso I, da Lei do PAT, que apenas a
parte da decisão monocrática contrária aos interesses da
Fazenda Pública é que deve ser objeto de revisão por este
Conselho Tributário.

No presente caso, entendeu o juízo de piso pela


aplicação da redução de 50% (cinquenta por cento) nas
penalidades imputadas a microempresas, nos termos do artigo
135-A da Lei nº. 5.900/96, assim redigido na época do fato:

Art. 135-A No caso de contribuinte cadastrado


como microempresa, as multas previstas nesta
subseção serão reduzidas em 50% (cinquenta por
cento).

*Artigo 135-A acrescentado pelo inciso IV do


artigo 2º da Lei nº 6.331/02.

De fato, com base no Relatório de Dados Cadastrais


constante nos autos, inexistem dúvidas quanto ao enquadramento
da Autuada como microempresa, logo plenamente aplicável a
citada redução na multa pela não escrituração do Livro
Registro de Inventário.

Do mesmo modo, não merece reforma a decisão


reexaminada no tocante à aplicação da anistia quanto ao não
envio dos documentos do SINTEGRA no mês de novembro de 2003.

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A Lei nº. 6.519/04 determinou a dispensa do


pagamento das multas aos contribuintes em situação irregular
quanto ao envio dos dados ao SINTEGRA, desde que estes
efetuassem a entrega ou retificação das informações até o
último dia do terceiro mês subsequente à entrada em vigor
desta Lei, ou seja, 31 de janeiro de 2005.

Destarte, como o contribuinte enviou os dados ao


SINTEGRA referentes ao mês de novembro de 2003 no dia
28/10/2004, acertadamente determinou a julgadora singular a
exclusão da penalidade então imputada, motivo pelo qual também
não merece reforma a decisão.

CONCLUSÃO

Diante do exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA


DO CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL - CTE, por unanimidade de
votos, conhecer do Recurso Ordinário e do Reexame Necessário
para, no mérito, negar-lhes provimento, mantendo-se sem
modificações a decisão da Coordenadoria de Julgamento no
sentido de decidir pela procedência parcial do lançamento e
condenar a Autuada pela não escrituração do Livro de Registro
de Inventário dos exercícios de 2000 e 2001 e pelo não envio
das informações do SINTEGRA dos meses de fevereiro e março de
2004, totalizando crédito tributário no valor de R$ 12.968,00
(doze mil, novecentos e sessenta e oito reais).

Sala das sessões do CTE, em Maceió/AL, 28 de


janeiro de 2013.

PATRÍCIA MELO MESSIAS PEDRO ÍCARO C. DE BARROS


PRESIDENTE RELATOR

JOSÉ PEDRO DA SILVA MÁRIO SÉRGIO M. DE CASTRO


JULGADOR JULGADOR

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SESSÃO ORDINÁRIA Nº 03 – 1ª CÂMARA – REALIZADA EM: 29/01/2013


PROCESSO: 1500-006.255/2005 E CTE Nº 331/2012.
ANEXOS: 1500-027.156/2005 E 1500-029.974/2010.
AUTO DE INFRAÇÃO: 016.306 DE 09/03/2005.
AUTUADA: MARIA CICERA DE LIMA OLIVEIRA.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 24.096.526-4.
DECISÃO MONOCRÁTICA: 17.312/2010.
ASSUNTO: RECURSO ORDINÁRIO.
AUTUANTE: AMAURI ALEXANDRE ALVES.
RELATORA: ODETE MINEIRO DA PAZ.
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO.
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO Nº 023/2013

EMENTA: ICMS - Obrigação Principal. 1)


Omissão de saídas de mercadorias
tributadas nos exercícios de 1999, 2000
e 2001, apurada através de Levantamento
da Conta Mercadorias mediante a
aplicação de lucro presumido no
percentual de 30% (trinta por cento).
2) Preliminar de decadência relativa a
1999, arguida e acatada de ofício. 3)
Lançamento procedente em parte. 4)
Recurso Ordinário conhecido e provido
em parte. Mantida em parte a decisão
singular.

Relatório

Trata-se de auto de infração lavrado contra


MARIA CICERA DE LIMA OLIVEIRA, já qualificada, tendo por
objeto a cobrança de crédito tributário no valor de R$
3.101,75 (três mil, cento e um reais e setenta e cinco
centavos), por haver a empresa autuada omitido vendas de
mercadorias nos exercícios de 1999 a 2001, fato comprovado por
levantamento da Conta Mercadorias e apuração do estoque com
lucro bruto real acumulado.

Apontados como infringidos os artigos 5º, V,


da Lei nº 5.077/1989; 2º, I, § 12, da Lei nº 5.900/1996; 49,
II, e VII, parágrafo único; e 1.000 do RICMS/91). Sendo
sugerida a aplicação da penalidade prevista no artigo 84, da
Lei Estadual nº 5.900/1996.

A inicial está instruída com relatório de


dados cadastrais do contribuinte; cópia (xerox) do cartão de

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autógrafo; resumo de débito; mapas de apuração de estoque com


lucro bruto real acumulado (1999 a 2001); cópias (xerox) do
LRAICMS; do LRIM e do livro RUDFTO.

DA DEFESA

A autuada apresentou defesa alegando que a


exigência do lucro mínimo de 30% (trinta por cento) não atende
às normas contidas no regime de lucro presumido e que a
fiscalização quer criar mecanismos de apuração que não constam
na legislação e que enfrenta problemas de ordem econômica e
financeira. Por fim, pede a anulação d autuação.

DAS CONTRARRAZÕES

O autuante apresentou contrarrazões alegando


que as omissões de vendas de mercadorias estão comprovadas
através do levantamento da conta estoque de mercadorias nos
exercícios fiscalizados e que a autuada não obedeceu aos
artigos 269, e 1.000 do RICMS/91. Por fim, pede a procedência
do auto de infração.

Em 13/10/2010, foi proferida a Decisão nº


17.312/2010, de Primeira Instância, que julgou procedente o
lançamento com a ementa.

EMENTA: ICMS. Obrigação Principal. Omissão de


saídas de mercadorias tributadas nos exercícios
de 1999 a 2001. Procedimento colidente com o
estipulado nos artigos 269 e 1000 do Regulamento
do ICMS. Ação fiscal subsistente. Auto de
Infração PROCEDENTE. Exigência do crédito
tributário sujeita ao procedimento especial
insculpido no artigo 36, II, §1º, IV da Lei Nº
6.771/06.

DO RECURSO ORDINÁRIO

A autuada apresentou Recurso Ordinário,


tempestivo alegando que lhe exigir lucro de 30% (trinta por
cento), já é motivo de anulação da autuação, pois este, não as
normas contidas no regime de lucro presumível; passa por
situação difícil, tendo fechado as portas por não conseguir
pagar os impostos, nem os fornecedores. Por fim, pede que a
autuação seja anulada.

Em 11/11/2010, a Coordenadoria de Julgamento


solicitou a Requisição de Diligência nº 239/2010, para que o

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fiscal o autuante coloque dia e hora em que foi lavrado o auto


de infração, apesar de já constarem tais dados na etiqueta de
protocolização, modificando o procedimento para Ordinário.

DAS CONTRARRAZÕES AO RECURSO ORDINÁRIO

A DRF - Diretoria de Representação Fiscal


apresentou contrarrazões alegando que os fatos geradores se
deram entre 1999 a 2001, gerando dúvidas sobre a metodologia
de verificação estar sob a égide do Decreto nº 38.075/1999 ou
da legislação anterior. Por fim, pede que a decisão singular
seja mantida. Assim, vêm os autos a este Conselho Tributário
Estadual para análise do Recurso Ordinário.

É o relatório.

Voto

Trata-se de Recurso Ordinário interposto


contra a Decisão nº 17.312/2010, de Primeira Instância, que
julgou procedente o lançamento constante do auto de infração
n° 016.306 de 09/03/2005.

A análise dos autos demonstra que a autuação


trata da omissão de saídas de mercadorias apurada através de
Levantamento da Conta Mercadorias mediante aplicação de lucro
presumido no percentual de 30% (trinta por cento), como prevê
o artigo 2º, § 12, da Lei Estadual nº 5.900/1996.

“Art. 2º - Considera-se ocorrido o fato gerador do ICMS no


momento:

§ 12 - Considera-se como montante a ser computado nas saídas


tributáveis em operações internas do contribuinte a
diferença positiva entre a saída de mercadorias tributadas,
tomando como valor o custo das mercadorias vendidas agregado
de 30% (trinta por cento), e a saída tributada efetivamente
declarada nos livros e/ou documentos fiscais próprios,
apurada no último dia do exercício financeiro da empresa, na
hipótese em que o contribuinte não possua escrituração
contábil para fins de apuração do lucro real.
(...)”

A aplicação do lucro presumido destina-se às


empresas que não possuem escrituração contábil, é o caso da
autuada que tem escrituração fiscal. Os mapas roteiros usados
pela fiscalização comprovam que a autuada no exercício de
2000, utilizou o percentual de 30% (trinta por cento) de
acordo com a legislação tributária vigente.

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EXERCÍCIO DE 2000

Estoque inicial R$ 1.492,92


Compras (líquidas) R$ 16.648,60
ICMS sobre compras (R$ 1.889,94)
Estoque Final (R$ 9.508,33)
Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) R$ 6.743,25
VA: 30% x CMV (artigo 2º, § 12, Lei 5.900/96) R$ 2.022,97
Vendas Apuradas R$ 8.766,22
Vendas Registradas R$ 10.510,50
Vendas apuradas < vendas registradas -

EXERCÍCIO DE 2001

Estoque inicial R$ 9.508,33


Compras (líquidas) R$ 13.893,29
ICMS sobre compras (R$ 1.569,02)
Estoque Final (R$ 8.442,67)
Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) R$ 13.389,93
VA: 30% x CMV (artigo 2º, § 12, Lei 5.900/96) R$ 4.016,97
Vendas Apuradas R$ 17.406,90
Vendas Registradas R$ 7.942,08
Vendas apuradas > vendas registradas R$ 9.464,82

DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM R$

Exercício Base de cálculo ICMS Multa Total


2001 9.464,82 1.609,01 804,50 2.413,51

Já no exercício de 2001, a autuada apurou


sua Conta Mercadorias utilizando o percentual de 30% (trinta
por cento) em desacordo com o artigo 2º, § 12, reproduzido, o
que resultou em diferença positiva, diferente do exercício de
2000, quando a diferença encontrada foi negativa, ou seja, o
percentual de 30% (trinta por cento) foi utilizado conforme as
previsões do artigo 2°, § 12. Nesta situação o lançamento é
Procedente em Parte.

Quanto à aplicação da penalidade, há de ser


aplicada aquela prevista no artigo 79, da Lei nº 5.900/1996,
uma vez que a penalidade sugerida na inicial, àquela prevista
no artigo 84, da mesma lei, se encontra revogada, e sua multa
foi reclassificada (reclassificação qualificada) para o artigo
79, da Lei nº 5.900/1996.

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LEI Nº 5.900/1996
“Art. 79 - Falta de recolhimento do imposto no prazo legal,
em situação não compreendida nas hipóteses previstas nos
artigos seguintes:

MULTA - Equivalente a 50% (cinquenta por cento) do valor do


imposto.
(...)”

O crédito tributário tem como valor R$


2.413,01 (dois mil, quatrocentos e treze reais e cinquenta e um
centavos), devendo ser recolhido com os acréscimos previstos
em lei.

Pelo exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 1ª CÂMARA


DO CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL – CTE, por unanimidade de
votos, conhecer do Recurso Ordinário, para dar-lhe provimento
parcial. Reformada parcialmente a decisão da Primeira
Instância Administrativa.

Sala das sessões do CTE, em Maceió, 29 de


janeiro de 2013.

SÉRGIO GUILHERME A. DA S. FILHO ODETE MINEIRO DA PAZ


PRESIDENTE RELATORA

SEGISMUNDO CERQUEIRA FILHO PAULO DE TARSO DA C. SILVA


JULGADOR JULGADOR

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SESSÃO ORDINÁRIA Nº: 03 – 1ª CÂMARA – REALIZADA EM: 29/01/2013


PROCESSO: 1500-009.188/2010 E CTE Nº 277/2012.
ANEXOS: 1500-013.661/2010 E 1500-020.618/2012.
AUTO DE INFRAÇÃO: 90.01164-002 DE 06/05/2010.
AUTUADA: MAXCASA COMERCIAL LTDA.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 24.601.400-8.
DECISÃO MONOCRÁTICA: 18.654/2012.
ASSUNTO: RECURSO ORDINÁRIO.
AUTUANTE: RAIMUNDO MARQUES DE CARVALHO NETO.
RELATORA: ODETE MINEIRO DA PAZ.
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO.
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA.

ACÓRDÃO Nº 024/2013

EMENTA: ICMS – Obrigação Principal. 1)


Aquisição de mercadorias com
documentação fiscal inidônea. 2)
Infração não comprovada. Lançamento
Improcedente. 3) Recurso Ordinário
conhecido e provido. Reformada a
Decisão da Primeira Instância
Administrativa.

Relatório

Trata-se de auto de infração lavrado contra a empresa


MAXCASA COMERCIAL LTDA, já qualificada, tendo por objeto a
cobrança de crédito tributário no valor de R$ 103.854,60
(cento e três mil, oitocentos e cinqüenta e quatro reais e
sessenta centavos) por ter a empresa autuada adquirido
mercadorias acompanhadas de notas fiscais falsificadas e/ou
adulteradas no período de janeiro a maio/2005, com indícios de
Crime Contra a Ordem Tributária, utilizando de sua inscrição
estadual nº 24.601.400-8, quando não era mais EPP - Empresa de
Pequeno Porte e sim empresa com inscrição normal 24.103.464-7.

Apontado como infringido o artigo 97, da Lei nº


5.900/1996. Sugerida a aplicação da penalidade prevista no
artigo 97, da Lei nº 5.900/1996.

A inicial está instruída com cópias do Livro RUDFTO


(termo de ocorrência fiscal); das intimações fiscais nºs
57621, 57780 e 58205; relatório de dados cadastrais do
contribuinte; cópias do LREM e da FAC.

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DA DEFESA

A autuada apresentou defesa alegando que pode ter havido


erro da contabilidade ao imprimir o LREM com o número de
inscrição do CACEAL trocado; as operações foram registradas
corretamente e o fisco não pode se ater a meros indícios para
apontar a prática de crime contra a ordem tributária previsto
na Lei nº 8.137/90, no qual deve ter dolo, supressão ou
redução do tributo, assim como, todas as ações meios previstas
na mencionada lei, nada disto ocorreu, pois a autuação se
baseia em presunção; foram juntados documentos fiscais das
operações regulares de aquisição de mercadorias, a autuada não
se valeu dos benefícios concedidos as Empresas de Pequeno
Porte; pagou o imposto através da sistemática de apuração
normal do ICMS; não foi observado o princípio da não
cumulatividade, pois os registros contábeis e o pagamento do
ICMS não foram considerados; não lhe foi dado o direito de
pedir cópias das notas fiscais aos seus fornecedores; houve
problemas na devolução dos documentos disponibilizados. Por
fim, pede a improcedência do auto de infração. Foram anexados
a Defesa os documentos que constam das fls. 29 a 1.489.

Em 27/10/2010, foi solicita a Diligência CRP nº 121/2010


(fl. 1493 do processo de defesa), para o autuante examinar a
escrituração fiscal da autuada, verificando se são procedentes
ou não as razões da defesa. Em resposta o autuante confirma as
razões postas na inicial.

Em 02/04/2011, a Coordenadoria de Julgamento solicitou a


Requisição de Diligência de nº 113/2011, pela qual os autos
foram encaminhados a DRF - Diretoria de Representação Fiscal
para apresentação das contrarrazões.

DAS CONTRARRAZÕES

A DRF - Diretoria de Representação Fiscal apresentou


contrarrazões alegando que é bastante verificar que a autuada
não refutou os fatos narrados na inicial, procurando
descaracterizá-los como ilícitos; o fato de ter havido um erro
por parte da contabilidade ao imprimir o LREM com o número de
inscrição no CACEAL trocado e as operações serem registradas
corretamente não possue o condão de afastar a responsabilidade
da autuada (artigo 136, do CTN); conforme o artigo 207, inciso
IX, do RICMS/91, a desconsideração dos documentos fiscais por
inidoneidade está justificada. Por fim, pede que a autuação
seja julgada procedente.

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Em 31/01/2012, foi solicitada a Requisição de Diligência


nº 027/2012, para intimação da autuada quanto a juntada de
documentos. Intimada a autuada não se pronunciou.

Em 20/06/2012, foi proferida a Decisão nº 18.654/20122,


de Primeira Instância, que julgou Procedente o lançamento com
a ementa.

EMENTA: ICMS - Aquisição de mercadorias


com documentação fiscal inidônea. 1)
Responsabilidade objetiva do contribuinte,
nos termos do art. 43 da Lei 4.418/82, que
independe da intenção do agente ou
responsável, ou da natureza e extensão dos
efeitos do ato. 2) Documentos fiscais
considerados inidôneos, ex vi do art.
207, inciso IX do RICMS/AL; 3)Infração
caracterizada pelo acervo probatório
acostado aos autos; 4)Auto de Infração
PROCEDENTE; 5) Remessa de cópia dos autos
ao Gabinete do Secretário de Estado da
Fazenda, após o trânsito em julgado da
decisão administrativa, nos termos do art.
814 do Regulamento do ICMS, para que se
comunique o fato (possível falsificação de
documentos fiscais) ao Ministério Público
Estadual para apuração de suposto crime
contra a ordem tributária.

DO RECURSO ORDINÁRIO

A autuada apresentou Recurso Ordinário, tempestivo, com


as seguintes alegações:

1) Que, o auto de infração descreve ter a autuada


adquirido mercadorias com notas fiscais falsificadas e/ou
adulteradas, apontando como prova apenas algumas páginas
do LREM; o pedido de diligência foi ignorado, sem nenhuma
fundamentação, ferindo a ampla defesa, pois a diligência
iria afastar o ilícito fiscal, fazendo prevalecer a
verdade material, como ensinam Odete Madauar; Celso
Antonio Bandeira de Mello; Sérgio Ferraz; Adilson Abreu
Dallari e Hely Lopes Meirelles; e decisões do STJ; a
diligência era elemento essencial a desqualificação do
lançamento, tornando-o nessa fase recursal, como
improcedente, e por este motivo reitera o seu
cumprimento; não há nada de errado nas aquisições de
mercadorias, todas as notas fiscais de entradas
correspondente ao período de 01/01/2005 a 19/05/2005,

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contém a inscrição correta de nº 24.601.400-8 conforme


consta das notas fiscais e do LRSM até porque não tem a
declaração de inidoneidade.

2) Que, houve um erro da contabilidade ao imprimir o LREM


inserindo elemento incorreto, troca do CACEAL; as
operações foram registradas, os lançamentos fiscais de
aquisição de mercadorias foram feitos sob a inscrição
correta; a autuação fere o princípio da não
cumulatividade, uma vez que desconsidera registros
contábeis, pagamentos do ICMS, a regra matriz do ICMS e
seus aspectos afins; deve ser intimada de todos os atos
do processo; pede a juntada de documentos e a realização
de diligência com intimação da empresa REDE FORTE
COMERCIAL LTDA, sua fornecedora, empresa situada no
Estado de São Paulo, para apresentar as notas fiscais do
período de 01/01/2005 a 19/05/2005. Por fim, pede que a
autuação seja julgada como improcedente.

DAS CONTRARRAZÕES AO RECURSO ORDINÁRIO

A DRF - Diretoria de Representação Fiscal apresentou


contrarrazões ao Recurso Ordinário alegando:

1) Que, é bastante se verificar que a autuada não refuta


os fatos apontados na peça inicial, apenas procura
descaracterizá-los como ilícitos; a alegação de ter
registrado as operações no LREM e de que houve erro na
inserção do número de inscrição, não afasta sua
responsabilidade, uma vez que o artigo 136, do CTN dispõe
que a responsabilidade por infração independe da intenção
do agente ou do responsável; restou comprovada a
aquisição de mercadorias pela autuada no período de
01/01/2005 a 19/05/2005, destinadas a inscrição estadual
nº 24.601.400-8, quando não era contribuinte na condição
de EPP empresa de pequeno porte, e sim, contribuinte com
inscrição estadual normal, sob o nº 24.103.464-7.

2) Que, o Recurso Ordinário somente repete as alegações


da defesa, que já foram enfrentadas e superadas; a
autuação atende o artigo 891, IV, do RICMS/91, a
diligência junto aos fornecedores é desnecessária, como
corroboram os artigos 7º, § 1º; 23; e 27, § 6º, todos da
Lei Estadual nº 6.771/2006; a autuação não está baseada
em mera presunção, conforme os artigos 43, paragráfo
único, da Lei nº 4.418/82; 21, Inciso IX; e 34, da Lei nº
5.900/1996; 49, Inciso VIII; 207; IX e X, do RICMS/91.
Por fim, pede que seja mantida a decisão singular e a

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procedência da autuação. Assim, chegam os autos a este


Conselho para análise do Recurso Ordinário.

É o relatório.

Voto

Trata-se de Recurso Ordinário, interposto contra a


Decisão nº 18.654/2012, de Primeira Instância, que julgou
Procedente o lançamento constante do auto de infração nº
90.01164-002 de 06/05/2010.

A análise dos autos demonstra que a inicial foi instruida


apenas com cópias do LREM contendo a inscrição estadual nº
24.601.400-8, onde se encontram escrituradas as notas fiscais
apontadas como inidôneas, referentes ao período de 01/01/2005
a 19/05/2005; bem como, que a autuada afirma que essa
inscrição foi posta no livro fiscal por engano, uma vez que
suas aquisições de mercadorias neste período foram feitas com
a inscrição de nº 24.103.464-7, como demonstram as notas
fiscais de entradas e as cópias do LRSM.

Em seu Recurso Ordinário a autuada insiste no pedido de


diligência para intimação de sua fornecedora empresa
localizada em São Paulo a fim de que forneça os arquivos das
notas fiscais emitidas naquele período, insistindo que ocorreu
apenas o registro errado da inscrição 24.601.400-8 no LREM, em
lugar da inscrição 24.103.464-7, o que não acarretou prejuizo
ao fisco, uma vez que o imposto foi apurado e pago com base na
sistemática normal de tributação, uma vez que não se valeu dos
benefícios concedidos as Empresas de Pequeno Porte nem cometeu
Crime Contra a Ordem Tributária. Observe-se que nesta situação
a autuada poderia ter anexado às cópias dessas notas fiscais,
uma vez que as mesmas constam como registradas em seu LREM.

Doutra banda, não resta nenhuma dúvida de que o autuante


tinha a obrigação legal de anexar cópias das notas fiscais
apontadas como inidôneas como exige o artigo 207, IX e X, do
RICMS/91, como prova da infração, bem como, de colocar no
campo próprio destinado a infração o referido artigo, fato que
não prejudica a autuação, mas que demonstra de certa forma
falta de atenção, haja vista, que a autuada tem o direito de
saber qual a acusação que sobre ela paira no auto de infração
e dela possa se defender plenamente conforme lhe asseguram os
princípios do contraditório e da ampla defesa.

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“Art. 207 - Considerar-se-á desacompanhada de documento


fiscal a operação ou prestação acobertada por documento
inidôneo, assim entendido, para esse efeito, aquele que:
(...)

IX - de qualquer modo, ainda que formalmente regular, tiver


sido emitido ou utilizado com dolo, fraude, simulação ou
erro, que possibilite, mesmo que a terceiro, o não
pagamento do imposto ou qualquer outra vantagem indevida.

X - for emitido por contribuinte com inscrição enquadrada


em situação cadastral diversa da ativa.
(...)”

As cópias do LREM por si só não provam que as notas


fiscais de aquisição de mercadorias foram emitidas para a
inscrição nº 24.601.400-8. Cabia ao autuante anexar cópias
destas notas fiscais como solicitado pela autuada na defesa,
que se frise, poderia ela mesma ter promovido essa anexação,
porém, este dever, cabe em primeiro lugar, ao próprio fisco,
haja vista, que a ele não é dado o direito de acusar sem
apresentar provas. Também é certo que deveria ter sido feita
uma diligência para comprovar se o ICMS do periodo (01/01/2005
a 19/05/2005) foi efetivamente apurado e recolhido dentro da
sistemática normal de tributação como afirma à autuada ou se
não houve pagamento, ocorrendo assim, a infração prevista no
Inciso IX, do artigo 207, do RICMS/91.

As cópias do LREM demonstram que a inscrição estadual nº


24.601.400-8, deve ter sido posta no LREM por engano, uma vez
que seus registros fiscais apontam lançamento a crédito do
imposto, assim como, as notas fiscais de saídas também apontam
que o imposto foi debitado. Não resta dúvida de que somente as
notas fiscais de entradas emitidas no período de 01/01 a
19/05/2005, poderiam comprovar que foram emitidas para a
inscrição de nº 24.601.400-8l. Não é possível atribuir
inidoneidade a notas fiscais apenas por serem de uma inscrição
estadual não autorizada naquele período, sem constar nos autos
a cópia de pelo menos uma delas.

Como atribuir inidoneidade às notas fiscais apenas por


presunção? Ao fisco não é dado o direito de acusar a autuada
de infringir o artigo 207, IX, e X, do RICMS/91, sem
apresentar qualquer prova, baseado apenas em cópias do LREM. A
acusação de inidoneidade está posta sobre as notas fiscais de
aquisições não sobre o LREM. Os autos estão desprovidos de
provas, as quais o fisco tinha o dever de apresentá-las. Nesta
situação o Lançamento é Improcedente.

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Pelo exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 1ª CÂMARA DO CONSELHO


TRIBUTÁRIO ESTADUAL – CTE, por unanimidade de votos, conhecer
do Recurso Ordinário, para dar-lhe provimento. Reformada a
decisão singular.

Sala das sessões do CTE, em Maceió, 29 de janeiro de


2013.

SÉRGIO GUILHERME A. DA S. FILHO ODETE MINEIRO DA PAZ


PRESIDENTE RELATORA

SEGISMUNDO CERQUEIRA FILHO PAULO DE TARSO DA C. SILVA


JULGADOR JULGADOR

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GOVERNO DO ESTADO
SECRETARIA DA FAZENDA
CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL

SESSÃO ORDINÁRIA Nº 04 – Realizada em 31/01/2013 – 1ª Câmara


PROCESSO: SF-1500-013614/2003; CJ-20.775/2005 E CTE-103/2012.
ANEXO: SF-1500-018815/2003.
AUTO DE INFRAÇÃO: 031963, PROTOCOLADO EM 08/05/2003.
DECISÃO MONOCRÁTICA: 18.523/2012.
AUTUADO: JOSÉ GONZAGA DE ALMEIDA.
AUTUANTE: LUIZ ALBERTO OLIVEIRA LEAL.
RELATOR: SEGISMUNDO CERQUEIRA FILHO.
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO Nº 025/2013

EMENTA: ICMS – ACUSAÇÃO DA FALTA DE


RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO NAS VENDAS
DE MERCADORIAS TRIBUTÁVEIS SEM A EMISSÃO
DA DEVIDA DOCUMENTAÇÃO FISCAL – PEDIDO DE
DILIGÊNCIA NÃO ATENDIDO – FALTA TOTAL DE
PROVAS CAPAZES DE SUSTENTAR O LANÇAMENTO
DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO – REEXAME NECESSÁRIO
CONHECIDO E IMPROVIDO – DECISÃO SINGULAR
MANTIDA NA ÍNTEGRA – AUTO DE INFRAÇÃO
IMPROCEDENTE.

I – RELATÓRIO

Cuida o presente Processo Administrativo Tributário – PAT,


do Reexame Necessário direcionado a este Conselho Tributário
Estadual – CTE pela Coordenadoria de Julgamento – CJ, que entendeu
pela Improcedência do Lançamento Fiscal intentado pela Fazenda
Estadual em desfavor do contribuinte acima nominado, via do qual
está sendo exigido do mesmo o crédito tributário no montante de R$
7.628,26 (sete mil, seiscentos e vinte e oito reais e vinte e seis
centavos), correspondente ao ICMS e respectiva multa, por haver o
contribuinte, em tese, efetuado a venda de mercadorias
desacompanhadas da necessária documentação fiscal, irregularidade
apurada através da insuficiência de caixa comprovada pelo
levantamento específico da aludida conta.

________________________________________________________________________________________
Acórdão CTE Nº025/2013 1
GOVERNO DO ESTADO
SECRETARIA DA FAZENDA
CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL

Foram apontados como transgredidos o disposto nos artigos 2º


- parágrafos 9º a 11º, 5º - inciso I e 31 da Lei Estadual nº
5.900/96; artigo 49 – incisos II, VII E VIII do RICMS aprovado
pelo Decreto nº 35.245/91, sendo sugerido o apenamento previsto no
artigo 84 da supracitada Lei nº 5.900/96 (fls. 02 e 02 – v).

Os autos estão instruídos com o Mapa de Auditoria do


Movimento Financeiro do exercício de 2001; Relação de Pagamento de
Compras a Prazo; Cópia dos Termos de Ocorrência Fiscal; Declaração
Anual do Contribuinte – DAC e cópias de vários documentos
relativos às despesas efetuadas em 2001 (fls. 03 usque 94).

Constata-se, no PAT, que o AR enviado ao contribuinte como


intimação fiscal foi firmado por pessoa sem autoridade para fazê-
lo, bem como inexiste nos autos cópia do edital publicado no
DOE/AL.

Na defesa apresentada em 30/06/2003, o autuado refuta a


prática das infrações apontadas, pedindo o arquivamento do AI
contra ele lavrado, tendo a autoridade autuante acatado as razões
defensórias e opinado pelo arquivamento do processo (fls.
123/124).

O ilustre Julgador Singular, considerando os termos das


contrarrazões apresentadas, fundamentadas em termos que
inviabilizam uma correta decisão, notadamente no pedido de
arquivamento do processo, determinou por conduto do Pedido de
Diligência nº 119/2011, a realização de uma investigação fiscal,
com o retorno dos autos à Diretoria de Fiscalização de
Estabelecimento – DIFIS, objetivando a apresentação de um
demonstrativo mensal dos valores inseridos no Mapa de Auditoria do
Movimento Financeiro, da juntada das provas indispensáveis à
apreciação do feito fiscal (fls. 233/235).

O fiscal autuante declara a impossibilidade de obter e


apresentar os documentos solicitados devido ao longo período de
inatividade da empresa e reafirma a sugestão de arquivamento do
PAT (fl. 11 – anexo).

________________________________________________________________________________________
Acórdão CTE Nº025/2013 2
GOVERNO DO ESTADO
SECRETARIA DA FAZENDA
CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL

O ilustre Julgador de Piso, considerando a falta de


apresentação, por parte do representante fiscal, dos documentos
requisitados, tornando impossível a apuração da liquidez e
comprovação do crédito tributário, decidiu pela Improcedência do
Lançamento Fiscal, prolatando a Ementa abaixo citada:

“EMENTA: ICMS. Levantamento Financeiro.


Apurada suposta insuficiência de caixa. 1
– Desregramento, tanto na verificação da
ocorrência do fato gerador da obrigação
correspondente, como na determinação da
matéria tributável; 2 – Determinação de
diligências na busca pela verdade
material, sem sucesso; 3 – Ausência dos
documentos necessários à apuração da
liquidez e certeza do crédito tributário,
parágrafo único do art. 118 da Lei nº
4.418/82; 4 – Sentença proferida,
inclusive, com base na duração razoável do
processo, inserida no rol de direitos e
garantias fundamentais, art. 5º, LXXVIII
da CF-88; 5 – Improcedência do Lançamento
do Crédito Tributário; 6 – Reexame
Necessário para o Conselho Tributário
Estadual, art. 48, I da Lei nº
6.771/2006”.

Devidamente intimados, a Representação Fiscal e o Defendente


não se manifestaram.

Assim chegam os autos a este Colegiado para análise do


Reexame Necessário.

É o relatório.

II – VOTO.

________________________________________________________________________________________
Acórdão CTE Nº025/2013 3
GOVERNO DO ESTADO
SECRETARIA DA FAZENDA
CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL

O exame dos autos e de tudo quanto neles conta, demonstra o


acerto da Decisão de Primeira Instância considerando Improcedente,
pela carência total de provas capazes de sua sustentação, o
lançamento de crédito tributário consubstanciado no AI nº 031963,
protocolado em 08/05/2003.

Com efeito, tendo sido acusado da falta de recolhimento do


ICMS referente à venda de mercadorias tributáveis no exercício de
2001, supostamente comprovada pela insuficiência de caixa
detectada, na ótica do fiscal autuante, pelo levantamento
específico daquela conta, o contribuinte apresentou sua defesa,
impugnando o lançamento do crédito fiscal, tendo a autoridade
autuante, sem enfrentar o mérito da questão, admitido as razões do
autuado e sugerido o arquivamento do PAT.

Considerando o “precário estado do lançamento inicial, tanto


no que se refere às provas, como na demonstração dos valores
lançados no Mapa de Auditoria do Movimento Financeiro”. O ilustre
Julgador Singular determinou a realização de diligência, tendo o
fiscal retornado os autos, confessando a impossibilidade de
apresentação de documentos e provas capazes de estear a acusação,
o que resulta na indiscutível ausência, tanto de provas do
cometimento da infração como das razões apresentadas pela defesa.

Ante o exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 1ª CÂMARA DO CONSELHO


TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade de votos, conhecer do Reexame
Necessário e negar-lhe provimento, para manter na íntegra a
Decisão Singular pela Improcedência do AI constante da inicial, a
teor do que determina o art. 118 da Lei Estadual nº 4.418/82 c/c
os requisitos do art. 142, do CTN.

Sala das Sessões do CTE, em Maceió, 31 de Janeiro de 2013.

SÉRGIO GUILHERME A. DA SILVA FILHO SEGISMUNDO CERQUEIRA FILHO


PRESIDENTE RELATOR

PAULO DE TARSO DA COSTA SILVA ODETE MINEIRO DA PAZ


JULGADOR JULGADORA
________________________________________________________________________________________
Acórdão CTE Nº025/2013 4
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SESSÃO ORDINÁRIA Nº 04 – Realizada em 31/01/2013 – 1ª Câmara


PROCESSO: 1500-014.189/1991 e CTE nº 419/2011.
ANEXOS: 1500-014.370/1991 E 1500-028.801/2010.
AUTO DE INFRAÇÃO: 032.554, de 16/02/2001.
AUTUADA: NIVALDO JATOBÁ EMPREENDIMENTOS AGROINDUSTRIAIS LTDA.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 24.058.185-7.
DECISÃO MONOCRÁTICA: 17.224/2010.
ASSUNTO: Recurso Ordinário.
AUTUANTE: Joaquim Narciso Costa Pereira e outros.
RELATORA: Odete Mineiro da Paz.
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO Nº 026/2013

EMENTA: ICMS – Obrigação Principal. 1)


Utilização de crédito fiscal indevido de ICMS da
cana própria no mês de março de 1989. 2) Falta
de recolhimento do ICMS – Substituto em entradas
de canas-de-açúcar de fornecedores no mês de
março de 1991. 3) Reconhecimento das infrações
pela autuada ao assinar o Termo de Adesão ao
Termo de Transação (16/09/2004), o qual se
encontra pendente de homologação por não
concordar a autuada com os valores apurados pelo
mediador da transação. 4) A Decisão Singular foi
proferida de acordo com a Lei Estadual nº
6.771/2006; não merecendo reforma. 5) Lançamento
Procedente. 6) Recurso Ordinário conhecido e
improvido. Mantida na íntegra a Decisão
Singular.

Relatório

Trata-se de auto de infração lavrado contra a


empresa NIVALDO JATOBÁ EMPREENDIMENTOS AGROINDUSTRIAIS LTDA, já
qualificada, tendo por objeto a cobrança de crédito tributário no
valor de Cr$ 45.747.844,08 (quarenta e cinco milhões setecentos e
quarenta e sete mil oitocentos e quarenta e quatro cruzeiros e
oito centavos), por haver a autuada:

1) Utilizado crédito fiscal indevido de ICMS


sobre a cana própria no mês de março/1989.

2) Deixado de recolher ICMS substituto pelas


entradas de cana de fornecedores no mês de março/1991.

Acórdão CTE 026/2013 1


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Apontados como infringidos o artigo 5º, X, § 5º;


56; 49, XIII, § 2º, da Lei nº 5.077/1989. Sendo sugerida a
aplicação das penalidades previstas nos artigos 104, e 107, da Lei
Estadual nº 5.077/1989.

Os autos estão intruidos com cópia do cartão de


autógrafo; demonstrativo de débito; da ficha de registro e
apuração de ICMS; do LRAICMS e do livro RUDFTO.

DA DEFESA

A autuada apresentou defesa alegando que o auto


de infração é nulo por não ter recebido cópias dos anexos que lhe
dão suporte e fundamentação; recolheu indevidamente por muito
tempo o ICMS sobre a transferência de suas canas próprias para a
indústria e o STF apreciou a Representação nº 1.384-4-AL,
declarando inconstitucional a cobrança do ICMS pelo estado de
Alagoas sobre tal operação; pleiteou em Ação Ordinária de
Repetição de Indébito a devolução do ICMS pago indevidamente, a
SEFAZ/AL reconheceu esse direito, propondo para acabar o litígio,
a assinatura de Instrumento Particular de Transação, pelo qual
todo e qualquer ICMS seria compensado sob a forma de crédito
fiscal, durante o prazo de 10 (dez) anos; não obstante a transação
ter entrado em vigor em 19/04/1989, foi lavrada a presente
autuação; para que o Estado de Alagoas pudesse promover a cobrança
pretendida no auto de infração era necessário que promovesse,
antes, no judiciário, a rescisão da Transação e enquanto esta não
for rescindida por decisão judicial transitada em julgado não pode
o fisco lavrar auto de infração de créditos utilizados pela
autuada. Por fim, pede a nulidade ou a improcedência do auto de
ainfração.

DAS CONTRARRAZÕES

O autuante apresentou contrarrazões alegando


que, apesar de não ser obrigatória a entrega de cópias dos anexos
a autuada, lhe foi entregue cópia do demonstrativo de débito e os
demais anexos está a sua disposição conforme artigos 138; 143, pu,
2º, da Lei Estadual n° 4.418/1982, não há nada que torne nulo o
auto de infração; durante a fiscalização não foram encontrados no
LRAICMS os créditos apontados pela autuada sob o título de
transação; caso exista a transação, enquanto não homologada
judicialmente poderá ser rescindida por uma das partes; mesmo que
a autuada tivesse valores de créditos fiscais oriundos da
transação suficientes para cobrir o saldo devedor restante de
março/91 (saldo de ICMS-substituo e de ICMS normal) não poderia
compensar esse valor com os créditos fiscais mencionados porque o
ICMS substituto não é um imposto gerado pelas vendas da autuada,

Acórdão CTE 026/2013 2


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mas é um imposto que era devido pelos fornecedores e por força


legal não era pago diretamente pelo fornecedor, vez que ficou sob
a guarda do contribuinte substituto, ou seja, da autuada fazer
repasse a SEFAZ/AL; não sendo o ICMS gerado pelas saídas da
autuada não pode ela agora querer compensar esse valor com
quaisquer outros créditos fiscais supostamente obtidos ou que
futuramente os obtenha. Por fim, pede Procedência da autuação.

Em 28/11/2006, pelo Despacho nº 287/2006, a


Coordenadoria de Julgamento encaminhou os autos a DIRAC para
declarar a remissão do crédito tributário nos termos da Lei nº
6.765/2006. Em Despacho fundamentado na IN nº 24/2007, a DIRAC
devolveu os autos a Coordenadoria de Julgamento informando que não
ocorrera a remissão apontada.

Em 13/04/2009, foi solicitada a Requisição de


Diligência nº 042/2009, para o fisco informar se o crédito
tributário objeto da presente autuação estava extinto total ou
parcialmente nos termos da transação de 2004. Em resposta o fisco
alega que a autuada está em situação indefinida.

Em 30/06/2009, foi solicitada a Requisição de


Diligência nº 083/2009, nos termos da solicitação anterior;
ocasião em que o fisco confirma a indefinição já apontada e alerta
que deve haver manifestação da Secretária de Fazenda ou da
Procuradoria da Fazenda do Estado de Alagoas.

Em 03/09/2009, foi solicitada a Requisição de


Diligência nº 117/2009, para que as requisições anteriores fossem
cumpridas. A Secretária de Estado Adjunta da Fazenda respondeu a
diligência encaminhando os autos de volta a Coordenadoria de
Julgamento, afirmando que enquanto não forem dirimidas as dúvidas
quanto à apuração do valor do crédito tributário alcançado pelos
Termos de Transação e Adesão em relação à autuada os procedimentos
de julgamento da lide não deverão ser interrompidos.

Em, 20/09/2010, foi proferida a Decisão nº


17.224/2010, de Primeira Instância, que julgou Procedente o
Lançamento com a ementa.

EMENTA - ICMS – Falta de recolhimento do imposto por


utilização indevida de crédito fiscal proveniente do
termo de transação conhecido como “Acordo dos
Usineiros” – Infração caracterizada - Lançamento
PROCEDENTE.

DO RECURSO ORDINÁRIO

Acórdão CTE 026/2013 3


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A autuada apresentou Recurso Ordinário de forma


tempestiva, alegando que mantém as razões apresentadas na defesa;
o fisco glosou a compensação entre seus débitos de ICM apurados
com seus créditos do mesmo imposto, usados com amparo no acordo
dos usineiros (doc 02), firmado entre o Estado de Alagoas e as
usinas alagoanas, para pôr fim às ações de Repetição do Indébito
sobre as operações com cana-de-açúcar de produção própria; na
defesa já defende a regularidade dos documentos emitidos, o que
não foi contestado pela Fazenda nem pelo julgador monocrático,
tendo juntado inclusive, o Termo de Transação; a despeito dos
documentos e dos fatos apontados a decisão recorrida manteve a
ação fiscal com fundamentos nos artigos 55, da Lei nº 5.077/89, e
96, da Lei nº 5.900/96, dispositivos distintos dos utilizados na
autuação; em respeito ao princípio da legalidade a improcedência
do lançamento deve ser reconhecida, pois não foi apontado pelo
julgador singular o dispositivo infringido pela autuada; se a
fundamentação da decisão é suficiente para a procedência do
lançamento nada tem a ver com a autuada que está sendo alvo de
punição sem amparo legal, fato que não é adimissível; utilizou os
créditos de ICM amparada no Acordo dos Usineiros, uma transação já
homologada judicialmente, onde a cláusula sexta do parágrafo
primeiro lhe permite utilizar créditos de ICMS transferidos, para
liquidar seus débitos de ICMS não podendo sofrer qualquer
restrição ou punição. Por fim, pede que a decisão singular seja
reformada e a autuação seja improcedente.

DAS CONTRARRAZÕES AO RECURSO ORDINÁRIO

A Diretoria de Representação Fiscal apresentou


contrarrazões com as seguintes alegações que, a autuada não
contesta a falta de recolhimento do ICMS apenas afirma que os
valores foram objeto do Termo de Transação; a afirmação de que a
decisão singular usou a fundamentação dos artigos 55, da Lei nº
5.077/89, e 96, da Lei nº 5.900/96, distintas daquela utilizada na
autuação, não procede, pois, o artigo 30, da Lei nº 6.771/2006,
permite ao órgão julgadotr alterar a definição jurídica constante
do lançamento, inclusive, relativamente à penalidade. Por fim,
pede a procedência da autuação. Assim, chegam os autos a este
Conselho Tributário Estadual para análise do Recurso Ordinário.

É o relatório.

Voto

Trata-se de Recurso Ordinário, tempestivo,


interposto contra a Decisão nº 17.224/2010, de Primeira Instância,

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que julgou Procedente o Lançamento constante do auto de infração


nº 032.554, de 16/02/2001.

A análise dos autos demonstra que a decisão


singular está correta, não merecendo reforma, haja vista, que os
artigos 55, da Lei Estadual nº 5.077/89; e 96, VI, do RICMS/91,
apenas complementam a fundamentação legal que foi posta na peça
inicial, artigos 5º, X, § 5º; 56; 49, XIII, § 2º; da Lei nº
5.077/1989, vigente a época da autuação; não tendo procedência a
alegação posta no Recurso Ordinário.
“Art. 5º - Ocorre o fato gerador do imposto:
(...)

X - na saída de mercadoria do estabelecimento extrator, produtor ou


gerador, para qualquer outro estabelecimento, de idêntica titularidade ou
não, localizado na mesma área ou em área continua ou diversa, destinada a
consumo ou a utilização em processo de tratamento ou de industrialização,
ainda que as atividades sejam integradas; (Lei nº 5.109 de 28.12.89);
(...)

§ 5º - Dar-se-á a diferimento do ICMS, para saída final dos produtos,


desde que a produção seja em propriedade agrícola, cuja posse e domínio
sejam efetivamente pertencentes às Empresas Industriais, e cujos produtos
resultantes sejam efetivamente sujeitos a tributação. (Lei nº 5.109 de
28.12.89). (Revogada pela Lei nº 5.374, de 20.07.92).
(...)”

“Art. 56 - O imposto é não cumulativo, compensando-se o que for devido em


cada operação relativa a circulação de mercadorias e ou prestação de
serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação
com o montante cobrado nas anteriores por este ou por outro Estado.
(...)”

“Art. 49 - São responsáveis pelo pagamento do imposto:


(...)

XIII - qualquer contribuinte, em relação aos produtos agropecuários de


produtores não inscritos, conforme disposto no Regulamento. (Redação da
Lei nº 5.374, de 20 de setembro de 1.992).
(...)

§ 2º - O responsável sub-roga-se em todos os direitos e obrigações do


contribuinte originário, ressalvando-se a Fazenda Estadual o direito de
exigir desde o cumprimento da obrigação não satisfeita pelo responsável.
(...)”

“Art. 55 - Os lançamentos do imposto serão feitos nos documentos e livros


fiscais, com a descrição das aperações ou prestações realizadas, na forma
prevista no Regulamento.
(...)

RICMS (APROVADO EPLO DECRETO Nº 35.245/91)

“Art. 96 - Fica vedado ao contribuinte creditar-se do imposto nas


seguintes hipóteses:
(...)

VI - as operações ou prestações em que o contribuinte não comprove, por


documento fiscal, que foi recebedor das mercadorias ou tomador dos
serviços;
(...)”

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Como afirma o julgador singular, à utilização


desses créditos provocou a falta de recolhimento do ICMS relativo
às operações com cana própria e nas entradas de cana dos
fornecedores, fato não contestado pela autuada que alega apenas
ter utilizado os créditos do imposto para fins de compensação com
os débitos apurados pelo fisco com respaldo no Acordo dos
Usineiros (1988/89), e num acordo posterior firmado muito tempo
depois (Termo de Transação).

É certo que o Acordo dos Usineiros (1988/89),


foi ultrapassado quando a Cooperativa dos Produtores de Açúcar e
Álcool do Estado de Alagoas assinou o Termo de Transação em 2004,
pondo um fim a utilização de créditos fiscais em certas situações.
É certo também que a autuada aderiu a este Termo de Transação ao
assinar em 16/09/2004, Termo de Adesão, indicando inclusive, o
presente auto de infração para extinção conforme os itens 3.3; 3.4
e 4.2, do Termo de Transação. Nesta situação impende se concluir
que a autuada ao assinar o Termo de Adesão ao Termo de Transação,
indicando inclusive, o presente auto de infração para extinção nas
condições ali acordadas, reconheceu a infração nos termos da
inicial, acarretando a desistência da que defesa já apresentara.

Portanto, não há mais que se falar em Acordo de


Usineiros nem em repetição de indébito. Esse reconhecimento do
crédito tributário ao assinar o Termo de Adesão dispensa a análise
de mérito, fato não considerado pelo julgador singular que
efetivamente analisou o mérito, proferindo sua decisão com
fundamentação na legislação tributária vigente, diferente do que
alega o Recurso Ordinário, uma vez que ao acrescentar os artigos
55, da Lei nº 5.077/1989 e o artigo 96, do RICMS/91, o julgador
apenas se valeu da prerrogativa conferida pelo artigo 30, da Lei
nº 6.771/2006, como afirma a Represetação Fiscal.

Doutra banda, há de ser observado que o Termo de


Adesão ao Termo de Transação, assinado pela autuada em
16/09/12004, ainda se encontra pendente de homologação, por não
concordar a autuada com os valores apurados pelo mediador da
transação. Nestes termos, é evidente que os créditos levantados
pela fiscalização se encontram passiveis de glosa, ao menos até
que se tenha uma definição terminativa quanto à sua legitimidade
de utilização. Os argumentos apresentados no Recurso Ordinário,
referentes ao Acordo dos Usineiros (1989, superado pelo Termo de
Transação) e pelo próprio Termo de Transação, apontado no Recurso
Ordinário, como sendo um acordo firmado muito tempo depois, não
tem o poder de interferir na decisão singular, haja vista, que a
autuada quando assinou o referido Termo de Adesão ao Termo de
Transação, reconhece a infração (nos termos da inicial), e por
consequência, renuncia a defesa apresentada. Nesta situação o

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Lançamento é Procedente como consta acertadamente da decisão


singular.

Quanto à aplicação da penalidade, hão de ser


mantidas as penalidades aplicadas pelo julgador singular, ou seja,
aquelas que foram sugeridas na peça inicial por sua subsunção aos
fatos uma vez que a autuada utilizou créditos fiscais indevidos em
duas situações distintas.

“Art. 104 - Falta de recolhimento do imposto de responsabilidade do


contribuinte substituto que o houver retido antecipadamente:

MULTA - equivalente a 200% (duzentos por cento) do valor do tributo


retido.
(...)”

“Art. 107 - Utilizar crédito indevido ou inexistente, desde que resulte


na falta de recolhimento do imposto:

MULTA - equivalente a 150% (cento e cinqüenta por cento) do valor do


imposto não recolhido, sem prejuízo do estorno do crédito.
(...)”

O crédito tributário tem como valor Cr$ 45.747.844,08


(quarenta e cinco milhões, setecentos e quarenta e sete mil,
oitocentos e quarenta e quatro cruzeiros e oito centavos); devendo
ser recolhido com os acréscimos legais.

Pelo exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 1ª CÂMARA DO


CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade de votos conhecer do
Recurso Ordinário, negar-lhe provimento. Mantida a Decisão
Singular.

Sala das sessões em Maceió, 31 de janeiro de 2013.

SÉRGIO GUILHERME A. DA SILVA FILHO ODETE MINEIRO DA PAZ

PRESIDENTE RELATORA

PAULO DE TARSO DA COSTA SILVA SEGISMUNDO CERQUEIRA FILHO


JULGADOR JULGADOR

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SESSÃO ORDINÁRIA Nº 04 – Realizada em 31/01/2013 – 1ª Câmara


PROCESSO: ASM 255/1991; 1500-014.192/1991 e CTE nº 423/2011.
ANEXOS: 1500-014.031/1191 e 1500-028.800/2010.
AUTO DE INFRAÇÃO: 032.552, de 16/02/2001.
AUTUADA: NIVALDO JATOBÁ EMPREENDIMENTOS AGROINDUSTRIAIS LTDA.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 24.058.185-7.
DECISÃO MONOCRÁTICA: 17.213/2010.
ASSUNTO: Recurso Ordinário.
AUTUANTE: Joaquim Narciso Costa Pereira e outros.
RELATORA: Odete Mineiro da Paz.
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO Nº 027/2013

EMENTA: ICMS – Obrigação Principal. 1)


Utilização de créditos fiscais indevidos
oriundos do ICMS da cana própria (01/01/1990 a
07/1991). 2) Falta de recolhimento do ICMS
transporte; do ICMS diferencial de alíquota; e
do ICMS sobre o bagaço de cana. 2)
Reconhecimento das infrações pela autuada ao
assinar o Termo de Adesão ao Termo de Transação
(16/09/2004), o qual se encontra pendente de
homologação por não concordar a autuada com os
valores apurados pelo mediador da transação. 3)
Decisão Singular proferida de acordo com a Lei
Estadual nº 6.771/2006, não merece reforma. 4)
Lançamento Procedente. 6) Recurso Ordinário
conhecido e improvido. Mantida na íntegra a
Decisão Singular.

Relatório

Trata-se de auto de infração lavrado contra a


empresa NIVALDO JATOBÁ EMPREENDIMENTOS AGROINDUSTRIAIS LTDA, já
qualificada, tendo por objeto a cobrança de crédito tributário no
valor de Cr$ 488.020.286,62 (quatrocentos e oitenta e oito
milhões; vinte mil; duzentos e oitenta e seis cruzeiros e
sessenta e dois centavos), por haver autuada:

1) Utilizado crédito fiscal indevido de ICMS da


cana própria nos meses de abril, julho e dezembro/1989; nos
períodos de janeiro a dezembro/1990 e janeiro a julho de 1991.

2) Deixado de recolher o ICMS transporte nos


períodos de setembro a dezembro/1989 e janeiro a julho/1990.

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3) Deixado de recolher o ICMS diferencial de


alíquotas nos períodos de outubro a dezembro de 1990 e de
janeiro a agosto de 1991.

4) Deixado de recolher o ICMS sobre o bagaço de


cana de outubro a dezembro/1990 e janeiro a abril/1991.

Apontados como infringidos os artigos 5º; 39;


48; e 56, da Lei Estadual nº 5.077/1989; os Decretos nºs
33.684/1989 e 34.214/1989. Sendo sugerida a aplicação das
penalidades previstas nos artigos 93; 102; 103, e 107, da Lei
Estadual nº 5.077/1989.

Os autos estão instruídos com relatório de dados


cadastrais do contribuinte; cópia (xerox) do cartão de autógrafo;
demonstrativos de débito e cópias do LRAICMS.

DA DEFESA

A autuada apresentou defesa alegando que a


exigência fiscal tem origem na utilização de créditos fiscais
autorizados pela administração estadual conforme Termo de
Transação celebrado entre a autuada e o Estado de Alagoas (Acordo
dos Usineiros), e por tal Termo de Transação estaria autorizada a
utilizar os créditos reportados até uma eventual e superveniente
rescisão do citado acordo pela via judicial; alega a falta de
legitimidade de cobrança do diferencial de alíquota do ICMS nas
aquisições destinadas ao ativo fixo e do consumo do bagaço de
cana utilizada no processo industrial.

DAS CONTRAR$RAZÕES

O autuante apresentou contrarrazões alegando a


irregularidade dos créditos aproveitados em face de suposta
inexistência do Termo de Transação celebrado pela autuada; e se
por acaso existente o citado Termo de Transação, este não poderia
ser utilizado, pois não foi devidamente homologado na via
judicial; se existente e aplicável o Termo de Transação, este não
poderia ser utilizado para compensar os débitos apurados nas
operações descritas na inicial.

Em 13/04/2009, foi solicitada a Requisição de


Diligência nº 042/2009, para o GTEI informar se o presente
crédito tributário está extinto por algum termo de transação.

Em 20/04/2009, o GTEI informa que a adesão de


NIVALDO JATOBÁ EMPREENDIMENTOS AGROINDUSTRIAIS LTDA, ao atual

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termo de transação, da forma como formalizada pelo mesmo, se


mostra indefinida, tendo em vista que o montante da obrigação
consignada não corresponde aquele calculado pelo mediador da
transação e por não ter havido, até o momento, a consecução
definitiva dos valores de suas obrigações tornando incerta a
destinação a ser dada aos seus processos administrativos.

Em 08/09/2009, foi solicitada a Requisição de


Diligência nº 119/2009, reiterando os termos da requisição
anterior quanto ao Termo de Transação.

Em 09/08/2010, a titular da Secretaria de Estado


Adjunta da Fazenda encaminha os autos à Coordenadoria de
Julgamento, alertando para o fato de que enquanto não forem
definitivamente dirimidas as dúvidas existentes com relação ao
valor do crédito tributário alcançado pelos Termos de Acordos em
relação à autuada os procedimentos administrativos quanto ao
julgamento da lide não deverão ser interrompidos.

Em 16/09/2010, foi proferida a Decisão nº


17.213/2010, de Primeira Instância, que julgou procedente o
lançamento com a ementa.

EMENTA - ICMS – Falta de recolhimento do imposto


por utilização indevida de crédito fiscal
proveniente do termo de transação conhecido como
“Acordo dos Usineiros” – Infração caracterizada -
Lançamento PROCEDENTE.

DO RECURSO ORDINÁRIO

A autuada apresentou Recurso Ordinário,


tempestivo, alegando:

1) Que, mantém as razões apresentadas na defesa;


pois, o fisco glosou a compensação entre seus débitos de ICM
apurados com seus créditos usados como amparo no acordo dos
usineiros (doc 02), firmado entre o Estado de Alagoas e as usinas
alagoanas, para pôr um fim às ações de Repetição do Indébito,
sobre as operações com cana-de-açúcar de produção própria, o que
não foi contestado pela Fazenda Estadual nem pelo julgador
monocrático, tendo juntado inclusive, o Termo de Transação e a
despeito dos documentos e dos fatos apontados a decisão recorrida
manteve a ação fiscal com fundamentos nos artigos 55, da Lei nº
5.077/89, e 96, da Lei nº 5.900/96, dispositivos distintos dos
utilizados na autuação.

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2) Que, a decisão singular faz confusão entre a


transação de 1988/1989, a qual a defesa se refere, e que é válida
e produtora de efeitos, com um acordo posterior, o qual foi
firmado muito tempo depois; pela transação de 1988/89, ainda
válida, não pode a autuada sofrer qualquer restrição ou punição
por de conduzir conforme essa transação que é válida e produtora
de efeitos, a qual, o julgador singular confunde com um acordo
firmado muito tempo depois (Termo de Transação de 2004); não há
fato gerador de ICMS na operação com bagaço de cana, de nada
adianta o julgador singular fundamentar sua incidência em lei
ordinária uma vez que o artigo 146, III, “a”, da CF/88, prevê que
a definição de fatos geradores está a cargo de Lei Complementar.
Por fim, pede a reforma da decisão singular e a improcedência da
autuação.

DAS CONTRARRAZÕES AO RECURSO ORDINÁRIO

A Diretoria de Representação Fiscal apresentou


contrarrazões alegando que a autuada não contesta a falta de
recolhimento do ICMS apenas afirma que os valores foram objeto do
Termo de Transação; a afirmação de que a decisão singular usou a
fundamentação dos artigos 55, da Lei nº 5.077/89, e 96, da Lei nº
5.900/96, distintas daquela utilizada na autuação, não procede,
pois, o artigo 30, da Lei nº 6.771/2006, permite ao órgão
julgadotr alterar a definição jurídica constante do lançamento,
inclusive, relativamente à penalidade. Por fim, pede a
procedência da autuação. Assim, chegam os autos a este Conselho
para análise do Recurso Ordinário.

É o relatório.

Voto

Trata-se de Recurso Ordinário, tempestivo,


interposto contra a Decisão nº 17.213/2010, de Primeira
Instância, que julgou Procedente o Lançamento constante do auto
de infração nº 032.552, de 11/10/1991.

A análise dos autos demonstra que a decisão


singular está correta, não merecendo reforma, haja vista, que os
artigos 55, da Lei Estadual nº 5.077/89; e 96, VI, do RICMS/91,
apenas complementam a fundamentação legal posta na peça inicial,
artigos 5º, X, § 5º; 48; 49, XIII, § 2º; e 56, da Lei nº
5.077/1989, vigentes a época da autuação.
“Art. 5º - Ocorre o fato gerador do imposto:
(...)

X - na saída de mercadoria do estabelecimento extrator, produtor ou


gerador, para qualquer outro estabelecimento, de idêntica titularidade

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ou não, localizado na mesma área ou em área continua ou diversa,


destinada a consumo ou a utilização em processo de tratamento ou de
industrialização, ainda que as atividades sejam integradas; (Lei nº
5.109 de 28.12.89);
(...)
§ 5º - Dar-se-á a diferimento do ICMS, para saída final dos produtos,
desde que a produção seja em propriedade agrícola, cuja posse e domínio
sejam efetivamente pertencentes às Empresas Industriais, e cujos
produtos resultantes sejam efetivamente sujeitos a tributação. (Lei nº
5.109 de 28.12.89). (Revogada pela Lei nº 5.374, de 20.07.92).
(...)”

“Art. 56 - O imposto é não cumulativo, compensando-se o que for devido


em cada operação relativa a circulação de mercadorias e ou prestação de
serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação
com o montante cobrado nas anteriores por este ou por outro Estado.
(...)”

“Art. 48 - Poderá ser atribuída a condição de substituto tributário:

I – Ao industrial, comerciante ou outra categoria de contribuinte, pelo


pagamento do imposto devido na operação ou operações anteriores.
(...)”

“Art. 49 - São responsáveis pelo pagamento do imposto:


(...)

XIII - qualquer contribuinte, em relação aos produtos agropecuários de


produtores não inscritos, conforme disposto no Regulamento. (Redação da
Lei nº 5.374, de 20 de setembro de 1.992).
(...)

§ 2º - O responsável sub-roga-se em todos os direitos e obrigações do


contribuinte originário, ressalvando-se a Fazenda Estadual o direito de
exigir desde o cumprimento da obrigação não satisfeita pelo
responsável.
(...)”

“Art. 55 - Os lançamentos do imposto serão feitos nos documentos e


livros fiscais, com a descrição das aperações ou prestações realizadas,
na forma prevista no Regulamento.
(...)

RICMS (APROVADO EPLO DECRETO Nº 35.245/91)


“Art. 96 - Fica vedado ao contribuinte creditar-se do imposto nas
seguintes hipóteses:
(...)

VI - as operações ou prestações em que o contribuinte não comprove, por


documento fiscal, que foi recebedor das mercadorias ou tomador dos
serviços;
(...)”

Como afirma o julgador singular à utilização


desses créditos indevidos provocou a falta de recolhimento do
ICMS relativo às operações de cana própria; de bagaço de cana; do
diferencial de alíquotas; do transporte e das entradas de canas
dos fornecedores, fato não contestado pela autuada que alega
apenas haver utilizado os seus próprios créditos fiscais do
imposto para fins de compensação com os débitos apurados pelo
fisco com respaldo no Acordo dos Usineiros de 1989/1990,
afirmando ainda, que o julgador singular confundiu esse acordo
com o Termo de Transação assinado em 2004.

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Observe-se, que a autuada assinou o Termo de


Adesão ao Termo de Transação, em 16/09/2004, indicando no seu
anexo entre os vários autos de infração, o que ora se analisa,
para extinção nos termos dos itens 3.3; 3.4 e 4.2, do Termo de
Transação. Daí impende, concluir-se, que a autuada ao assinar o
Termo de Adesão ao Termo de Transação, indicando inclusive, o
presente auto de infração para extinção nas condições ali
acordadas, reconhece a infração nos termos constantes na peça
inicial, fato que inclusive acarreta a desistência da defesa.

Assim, não há que se falar mais em Acordo dos


Usineiros (1989/1990), e muito menos em repetição de indébito, e
que é importante observar-se que o Termo de Adesão assinado em
16/09/2004, se encontra pendente de homologação, por não
concordar a autuada com os valores apurados pelo mediador da
transação. Nesta situação, resta evidente que os créditos
levantados e cobrados pelo fisco se encontram passiveis de glosa,
ao menos até que se tenha uma definição terminativa quanto à sua
legitimidade, valor e percentual de utilização.

Observe-se que no Recurso Ordinário é citado


apenas o Acordo dos Usineiros (1989/1990), não havendo nenhuma
alusão ao Termo de Acordo de 2004, apesar de haver a autuada
assinado Termo de Adesão em 16/09/2004, do qual anexou cópias,
fato que não interfere na decisão singular, haja vista, que ao
assinar o Termo de Adesão à autuada reconhece a infração nos
termos que constam na inicial, e conseqüência, entende-se que
desistiu da defesa. O Lançamento é Procedente conforme consta da
decisão proferida na Primeira Instância.

Quanto à aplicação da penalidade, hão de serem


mantidas aquelas aplicadas na decisão singular, quais sejam,
aquelas sugeridas na inicial por sua subsunção aos fatos, uma vez
que a autuada utilizou créditos fiscais indevidos e deixou de
recolher o imposto em diversas e distintas situações.

LEI Nº 5.077/1989

“Art. 93 - Falta de recoihimento do imposto no prazo legal não


compreendida nas hipóteses previstas nos artigos seguintes:

MULTA - equivalente a 100% (cem por cento) do valor do imposto.


(...)”

“Art. 102 - Falta de recolhimento do imposto de que o


contribuinte se tornou responsável, em razão de suspensão ou
diferimento:

MULTA - equivalente a 150% (cento e cinguenta por cento) do


imposto devido.
(...)”

Acórdão CTE 027/2013


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“Art. 103 - Falta de retenção do imposto, nas hipóteses de


substituição da respansabilidade tributária prevista na
legislação vigente:

MULTA - equivalente a 100% (cem por cento) do valor do imposto


não retido, sem prejuízo do recolhimento do tributo não retido.
(...)”

“Art. 107 - Utilizar crédito indevido ou inexistente, desde que


resulte na falta de recoihimento do imposto:

MULTA - equivalente a 150% (cento e cinquenta por cento) do


valor do imposto não recolhido, sem prejuizo do estorno do
crédito.
(...)”

O crédito tributário tem como valor Cr$


488.020.286,62 (quatrocentos e oitenta e oito milhões; vinte mil;
duzentos e oitenta e seis cruzeiros e sessenta e dois centavos);
devendo ser recolhido com os acréscimos legais.

Pelo exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 1ª CÂMARA


DO CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade de votos
conhecer do Recurso Ordinário, negar-lhe provimento. Mantida a
Decisão Singular.

Sala das Sessões, em Maceió, 31 de janeiro de 2013.

SÉRGIO GUILHERME A. DA SILVA FILHO ODETE MINEIRO DA PAZ

PRESIDENTE RELATORA

PAULO DE TARSO DA COSTA SILVA SEGISMUNDO CERQUEIRA FILHO


JULGADOR JULGADOR

Acórdão CTE 027/2013


CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL
Rua General Hermes 80 Bom Parto 5º andar CEP 57.017-200
FONES: 3315-6190 – fax 3315-8273

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GOVERNO DO ESTADO

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SESSÃO ORDINÁRIA N° 05 – Realizada: 01/02/2013 – 2ª CÂMARA


PROCESSO: 1500-010516/2011; 1500-090490/2009 (03 volumes),
1500-021667/2011, 1500-013332/2012 e CTE nº 201/2012.
AUTO DE INFRAÇÃO: 90.06736-001.
AUTUADA: SOL COMERCIAL LTDA.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 240.99296-2
DECISÃO MONOCRÁTICA: 18.579/2012.
ASSUNTO: Recurso Ordinário e reexame necessário.
AUTUANTE(S): Marco Cesar Lira de Araujo.
RELATOR: Mário Sérgio Martins de Castro.
VOTO DE VISTA/VENCEDOR: JOSÉ Pedro da Silva
PRESIDENTE: PATRICIA MELO MESSIAS
SECRETÁRIA: GENILZA COLHEO DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO Nº029 /2013

EMENTA: AUTUAÇÃO. TEOR DA DESCRIÇÃO DOS FATOS


TIDOS COMO INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA EM
DIVERGÊNCIA QUANTO A SUA TIPICIDADE. OFENSA AO
PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. PRESENTES OS VÍCIOS
DE NULIDADES TANTO NA AUTUAÇÃO QUANTO NO ATO
DECISÓRIO, TORNA-SE NECESSÁRIO O
RECONHECIMENTO, A DECLARAÇÃO PRÉVIA DA NULIDADE
DA PRÓPRIA AUTUAÇÃO, AO CONTRÁRIO DA DECLARAÇÃO
DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA DE FORMA
ISOLADA. ATENDIMENTO AO PRINCÍPIO DA CELERIDADE
DA TRAMITAÇÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO
TRIBUTÁRIO. RECURSO ORDINÁRIO CONHECIDO E
PROVIDO. AUTUAÇÃO NULA.

RELATÓRIO

Fundamentado o auto de infração na acusação fática de


não recolhimento do ICMS decorrente de omissão de saídas de

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ACÓRDÃO CTE Nº029/2013 1


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mercadorias relativas às operações detectadas pelos


pagamentos feitos pelos adquirentes por via de cartão de
crédito/débito, “... cujos documentos fiscais relativos a
estas operações de saídas não estavam escrituradas
regularmente nos livros fiscais próprios”.

Para comprovar o fato foi juntado: a) Demonstrativo da


diferença do cartão de crédito e livro fiscal 2007, 2008 e
2009 (fls. 10-12); b) cópia do livro Registro de Apuração do
ICMS (fls. 13-89) e c) Processo n. 1500-090490/2009 – AÇÃO
FISCAL OMISSÃO DE SAÍDAS.

Foram apontados como transgredidos as seguintes normas:


art. 1º; art. 2º, § 9º, II e V; art. 31, I, II e art. 50, §§
2º ao 7º, todos da Lei 5.900/96 c/c art. 272-B do RICMS/91.
Aplicada a penalidade previstas no artigo 83 da Lei nº
5.900/96.

Em síntese, a autuada apresentou defesa alegando que


nunca teria deixado de registrar as vendas mencionadas e que
todas as operações teriam sido lançadas nos livros fiscais
próprios, pedindo perícia técnica contábil para aferição
desses valores. Que seria indevida a apuração do ICMS normal
entre janeiro/2007 a dezembro/2008 por ser optante do SIMPLES
nos termos da lei 9.317/96 e LC n. 123/2006. Afirma também
que a multa aplicada teria caráter confiscatório.
A autoridade fiscal, em sede de contrarrazões, afirma
que a autuada não apresentou nenhum cálculo que alegou na
defesa. Com relação ao SIMPLES, teria sido excluída por ato
administrativo pela Receita Federal do Brasil. Ainda que as
administradoras de cartão de crédito/debito foram as
provedoras das movimentações financeiras da empresa e que,

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por parte do sujeito passivo, não houve comprovação de


emissão de documentos fiscais relativas a tais operações.

Proferida a Decisão nº 18.579/2012, tendo o julgador


singular decidido pela procedência parcial do lançamento com
a seguinte ementa:

EMENTA: ICMS. 1. A opção do sujeito


passivo em determinado período em fazer
o recolhimento de tributos por meio do
Simples Nacional não exclui a incidência
do ICMS nas operações de saídas de
mercadorias desacompanhada de documento
fiscal. 2. Não procede a alegação do
sujeito passivo de que teria registrado
a totalidade de suas vendas, uma vez que
todas aquelas lançadas no livro fiscal
Registro de Apuração do ICMS foram
consideradas e subtraídas do montante
recebido pelas Administradoras de
Cartões. 3. O conjunto probatório
acostado aos autos é suficiente para o
deslinde da questão não necessitando de
produção de prova pericial. 4. A
circunstância material que deu ensejo a
presunção legal foi provada com a
juntada de cópia do Extrato do SIMPLES,
do livro Reg. de Apuração do ICMS e dos
documentos recebidos das Administradoras
de Cartões, de onde foram extraídos e
confrontados os valores que resultou na

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Base de Calculo omitida do ICMS não


recolhido. 5. Não será acolhido o tipo
penal tributário sugerido do art. 83 da
lei 5.900/96, aplicação da penalidade
disposta no art. 79 da mesma Lei. 6.
Lançamento do crédito tributário
PROCEDENTE em parte. 7. Reexame
necessário para o Conselho Tributário
Estadual.

Da parte julgada improcedente, para reexame necessário,


o julgador singular remeteu os autos a este Conselho, na
forma estabelecida pelo art. 48, I, da Lei 6.771/06.
Intimada da decisão supracitada, a autuada pede, por
via de Recurso Ordinário, a nulidade processual, com retorno
dos autos ao juízo administrativo singular devido à recusa do
seu pedido de perícia contábil, para que o faça, já que houve
agressão aos princípios constitucionais da ampla defesa e
produção de provas. Assevera que não houve omissão de vendas,
pois todas foram registradas em livro fiscal próprio, como se
demonstrou em cálculo apresentado pela recorrente. Que seria
indevida a apuração do ICMS normal entre janeiro/2007 a
dezembro/2008 por ser optante do SIMPLES nos termos da lei
9.317/96 e LC n. 123/2006. Afirma também que a multa aplicada
teria caráter confiscatório.
Em resposta, pedindo pela procedência da ação fiscal, o
Representante Fiscal argumenta que não houve cerceamento de
defesa quanto ao pedido de perícia contábil negado, pois
compete, conforme previsto na Lei nº 6.771/2006, à autoridade
julgadora rejeitar requerimento de diligência ou perícia

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desde que em decisão fundamentada. Afirma que a autuada não


apresentou nenhum cálculo que alegou em seu recurso. Com
relação ao SIMPLES, teria sido excluída por ato
administrativo pela Receita Federal do Brasil. Que resta
configurada a conduta descrita no lançamento de ofício devido
a robustez das provas e ferimento a dispositivo legal.

É o relatório.

PRELIMINAR DE NULIDADE – CERCEAMENTO DE DEFESA.

Da análise do teor da peça vestibular é de se


constatar que a descrição dos fatos tidos como infração à
legislação tributária apresenta-se de forma incoerente e
imprecisa, acarretando dificuldade na defesa da empresa
autuada, quando o autuante ao consignar na fl. inicial, assim
como nos demonstrativos de fls. 10/12, os fáticos típicos da
infração, faz constar ao mesmo tempo a falta de recolhimento
do ICMS decorrente de omissão de saídas em razão de diferença
das vendas realizadas mediante cartões de crédito/débito em
confronto com as vendas efetivamente registradas e, falta de
recolhimento do imposto ensejada pela falta de escrituração
dos documentos fiscais relativos às operações de saídas, sem,
no entanto, identificar os respectivos documentos fiscais
(Notas Fiscais) sem a devida escrituração no livro próprio,
indicando como embasamento legal o Art. 83 da Lei nº.

5.900/96, segundo o qual disciplina in verbis: “Falta de


recolhimento do imposto, no todo ou em parte, quando os
documentos fiscais relativos às respectivas operações de
saídas não estejam escriturados regularmente nos livros

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fiscais próprios: MULTA – equivalente a 60% (sessenta por


cento) do valor do imposto.”

Ora, diante da ambigüidade da fundamentação


jurídica da autuação, a empresa, ou bem se defenderia da
acusação do registro de vendas inferior ao montante do
faturamento mediante cartão de crédito/débito, infração
típica do inc. V, § 9º, do Art. 2º, combinados com o Art. 79,
todos da Lei nº. 5.900/96, ou bem se defenderia da acusação
da falta de recolhimento do ICMS decorrente da omissão de
registro das notas fiscais emitidas, infração esta prevista
no reportado art. 83.

De forma que, não obstante o acerto até certo ponto do


voto proferido pelo eminente relator Mário Sérgio Martins de
Castro, concluindo pela nulidade da decisão a quo em razão da
mesma conter, também, vícios de nulidade, isto à luz do Art.
7º, inc. II, na sua segunda parte, tal nulidade não deve
sobrepor a nulidade prévia da própria autuação, do
lançamento, segundo a qual precede a toda e qualquer nulidade
subsequente, ou melhor, a conclusão pela nulidade da decisão
recorrida sem antes declarar a nulidade da própria autuação
quando presentes, in casu,os respectivos vícios, acarretaria
não só violação ao princípio da celeridade na tramitação do
próprio PAT, previsto no § 1º do Art. 2º, da Lei nº 6.771/06,
mais também, um procedimento discrepante da praticidade, com
reiteradas e desnecessárias decisões, ao invés de uma só
decisão no âmbito de preliminares acerca de nulidades e a
partir daí repetindo todos os atos, inclusive o ato decisório
de primeira instância.

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Portanto, como se vislumbra no caso vertente,


tanto a autuação, quanto a decisão recorrida contém vícios de
nulidades à luz do Art. 7º, inc. II, da Lei nº. 6.771/06 e
assim sendo, é de bom alvitre que se reconheça que se declare
previamente a nulidade do próprio lançamento e por extensão
os demais atos subseqüentes.

Isto posto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA DO


CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por maioria dos votos, conhecer
do recurso ordinário, para dar-lhe provimento, no sentido de
declarar nula por vício formal, previamente, a própria
autuação por ofensa ao princípio da ampla defesa.

Sala das Sessões do CTE, em Maceió, 01 de fevereiro de 2013.

PATRICIA MELO MESSIAS MARIO SÉRGIO MARTINS DE CASTRO


PRESIDENTE RELATOR

JOSÉ PEDRO DA SILVA


VOTO DE VISTA VENCEDOR

LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES ÁLVARO ARTHUR L. A. FILHO


JULGADOR (ACOMPANHOU VOTO DE VISTA) JULGADOR (ACOMPANHOU VOTO DE VISTA)

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PROCESSO: 1500-012384/11; CTE-263/12
ANEXOS: 1500-090929/09 (03 VOLUMES); 1500-015000/11; 1500-
017563/12
AUTO DE INFRAÇÃO Nº 70.00958-001
RECORRENTE: N. H. DA SILVA GÁS-ME
AUTUANTE: RONALDO GUEDES DE ARAUJO - Mat. 30.962
RELATOR: JOSÉ PEDRO DA SILVA
PRESIDENTE: PATRICIA MELO MESSIAS
SECRETÁRIA: GENILZA COLHEO DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO N° 030/2013

EMENTA: AUTUAÇÃO. TEOR DA DESCRIÇÃO


DOS FATOS TIDOS COMO INFRAÇÃO À
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA EM DIVERGÊNCIA
QUANTO A SUA TIPICIDADE. OFENSA AO
PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. RECURSO
CONHECIDO E PROVIDO. AUTUAÇÃO NULA.

RELATÓRIO

O presente lançamento tem como descrição dos


fatos a seguinte: “Deixou de recolher o ICMS decorrente da
omissão de saídas relativas às operações/prestações
realizadas cujos pagamentos foram feitos pelos adquirentes
por meio de cartão de crédito/débito ou similares, cujos
documentos fiscais relativos a estas operações de saídas não
estavam escriturados regularmente nos livros fiscais
próprios.”

No entanto, no “Campo Complemento” da descrição


dos fatos, constante da fl. inicial, o autuante assim
consignou: (...cujos documentos fiscais relativos a estas
operações de saídas não foram emitidos, nem seus valores
foram escriturados nos livros fiscais próprios, ficando
autuado a recolher o valor de montante de R$ 48.763,68
(quarenta e oito mil, setecentos e sessenta e três reais e
sessenta e oito centavos, sendo R$ 30.477,30 (trinta mil,

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quatrocentos e setenta e sete reais e trinta centavos) de


ICMS e R$ 18.286,38 (dezoito mil, duzentos e oitenta e seis
reais e trinta e oito centavos) de multa, conforme
demonstrativo de débito-anexo.”

Como instrução da autuação foram anexados, dados


cadastrais do contribuinte, intimação fiscal de nº 7000958,
demonstrativos do débito, termos de início e encerramento de
fiscalização e cópias, do cartão de autógrafos, da Declaração
Anual do Simples Nacional e do Proc. nº. 1500-090929/09.

Intimada da autuação, a empresa limita-se a


afirmar que não tem condições de recolher o débito levantado
pelo Fisco e que é micro-empresa, optante do Simples
Nacional.
Por ocasião da contestação da defesa, a
eminente Representante Fiscal insiste em afirmar que o
presente lançamento decorreu da falta de emissão de
documentos fiscais e ao mesmo tempo os respectivos valores
não foram escriturados nos livros fiscais próprios e que de
conformidade com o art. 26 da Lei Complementar nº 123/06, as
empresas de pequeno porte e as microempresas optantes pelo
Simples Nacional ficam obrigadas a emitir documento fiscal de
venda ou prestação de serviço.

Submetido o presente litígio fiscal a julgamento


por parte da instância monocrática, a mesma concluiu pela
procedência do lançamento nos termos da seguinte ementa:
“ICMS. Lançamento de crédito tributário decorrente de
descumprimento de obrigação principal. 1) Falta de
recolhimento do imposto decorrente da omissão de saídas de
mercadorias tributáveis em operações internas, apurada com
base em informações fornecidas pelas administradoras de
cartão de crédito e débito, confrontadas com as operações
declaradas pelo contribuinte. 2) Alíquota aplicável em
estrita obediência à legislação pertinente – Comprovada a
materialidade da infração. 3) LANÇAMENTO PROCEDENTE.”

Notificada da decisão, a empresa impetra recurso


para este Colegiado, reiterando os questionamentos da sua

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defesa e acrescenta que o maior valor das suas vendas está


sujeita ao regime de substituição tributária, segundo o qual
encerra a fase de tributação, tais como: Gás e Água mineral,
não cabendo assim a exigência do ICMS.

Por ocasião das contra razões do recurso, o Fisco


insiste na manutenção da decisão recorrida, aduzindo
inclusive o seu acerto mediante a correção da tipificação da
penalidade com a aplicação do art. 97 ao invés do art. 83,
todos da Lei nº. 5.900/96.

Em síntese é o relatório.

Voto.

PRELIMINAR DE NULIDADE.

CERCEAMENTO DE DEFESA

Da análise do teor da peça vestibular é de se


constatar que a descrição dos fatos tidos como infração à
legislação tributária apresenta-se de forma incoerente e
imprecisa, dificultando assim a defesa da empresa autuada,
isto porque, o autuante ao consignar na fl. inicial, assim
como nos demonstrativos de fls. 09,11,12 e 13, os fatos
típicos da infração, faz constar a falta de recolhimento do
ICMS decorrente de omissão de saídas em razão de diferença
das vendas realizadas mediante cartões de crédito em
confronto com as vendas efetivamente registradas e ao mesmo
tempo falta de recolhimento do ICMS em razão da falta de
escrituração dos documentos fiscais relativos às operações de
saídas, sem, no entanto, identificar os respectivos docs.
fiscais (Notas Fiscais) sem a devida escrituração no livro
próprio, apontando como embasamento legal o Art. 83 da Lei
nº. 5.900/96, segundo o qual disciplina, in verbis: “Falta de
recolhimento do imposto, no todo ou em parte, quando os
documentos fiscais relativos às respectivas operações de
saídas não estejam escriturados regularmente nos livros

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fiscais próprios: MULTA – equivalente a 60% (sessenta por


cento) do valor do imposto.”

Ora, diante da ambigüidade da fundamentação


jurídica da autuação, a empresa, ou bem se defenderia da
acusação do registro de vendas inferior ao montante do
faturamento mediante cartão de crédito/débito, infração
típica do inc. V, § 9º, do Art. 2º, combinados com o Art. 79,
todos da Lei nº. 5.900/96, ou bem se defenderia da acusação
da falta de recolhimento do ICMS decorrente da omissão de
registro das notas fiscais emitidas, infração esta prevista
no reportado art. 83.

Na verdade, nada impediria que a presente


autuação contivesse ao mesmo tempo as duas tipicidades de
infrações, desde que as mesmas estivessem bastante
instruídas, o que não se verificou.

Isto posto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA DO


CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade de votos,
conhecer do recurso para dar-lhe provimento no sentido de
declarar nula a autuação por ofensa ao princípio da ampla
defesa.

Sala das Sessões do CTE., em 1º de fevereiro de 2013.

PATRICIA MELO MESSIAS JOSÉ PEDRO DA SILVA


PRESIDENTE RELATOR

MARIO SERGIO MARTINS DE CASTRO ÀLVARO ARTHUR L. A. FILHO


JULGADOR JULGADOR

LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES


JULGADOR

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SESSÃO ORDINÁRIA Nº: 06 – 2ª CÂMARA – REALIZADA: 05/02/2013
PROCESSO: 1500-026911/2011; 1500-091075/2009 e 1500-38469/2011.
AUTO DE INFRAÇÃO: 70.00979-001.
AUTUADA: GILDEANE LIMA DE OLIVEIRA-ME.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 248.42212-0.
DECISÃO MONOCRÁTICA: 18.670/2012.
ASSUNTO: REEXAME NECESSÁRIO.
AUTUANTE(S): JOSÉ MAURICIO FIRMINO DA COSTA.
RELATOR: MÁRIO SÉRGIO MARTINS DE CASTRO.
PRESIDENTE: PATRÍCIA MELO MESSIAS.
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA VASCONCELOS.

ACÓRDÃO Nº 31/2013

EMENTA: ICMS. Obrigação Principal.


Materialidade dos fatos narrados de
maneira contraditória, ambígua e
imprecisa no auto de infração. Nulidade
formal do auto de infração por
cerceamento de defesa. Reexame
necessário conhecido e não provido.

RELATÓRIO
Fundamentado o auto de infração na acusação fática de
não recolhimento do ICMS decorrente de omissão de saídas de
mercadorias relativas às operações detectadas pelos
pagamentos feitos pelos adquirentes por via de cartão de
crédito/débito, “... cujos documentos fiscais relativos a
estas operações de saídas não estavam escrituradas
regularmente nos livros fiscais próprios”.

No entanto, no campo “Complemento” da descrição dos


fatos, do auto de infração em tela, o autuante também assim
estabeleceu: “... cujos documentos fiscais relativos a estas
operações de saídas não foram emitidos, nem seus valores
foram escriturados nos livros fiscais próprios...”

Como conjunto probatório foi juntado: a) cópia da


intimação fiscal n. 70966, 13/07/2011 (fl.08); b) Consulta
Exclusão do Simples Nacional (fl.10); c) Demonstrativo
Confronto com a planilha apresentada pela Sefaz e os valores
que constam no processo (fls. 14-16); d) Resumo Geral de AIDF
por contribuinte (fl.17); e) Relatório de cruzamento da DAC
com arrecadação do ICMS e débitos fiscais (fl.18); f) cópia
ACÓRDÃO CTE Nº 31/2013 Página 1
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do livro Registro de Apuração do ICMS (fls. 19-25); g)
Extrato do Simples Nacional (fls. 26); h) Declaração Anual do
Simples Nacional- DASN (fls. 27- 29), i) Relatório de
Movimentações Financeiras Visanet, Redecard, Hipercard (fls.
28-83, 111-135); j) Transferências eletrônicas de fundos
(cartão credito/debito) comparadas com faturamento (fls.84-
89).
Foram apontados como transgredidos as seguintes
normas: art. 1º; art. 2º, § 9º, II e V; art. 31 e art. 50, I,
II e §§ 2º ao 7º, todos da Lei 5.900/96 c/c art. 272-B do
RICMS/91. Aplicada a penalidade prevista no artigo 83 da Lei
nº 5.900/96.
Em síntese, a autuada apresentou defesa alegando que
gozaria dos direitos diferenciados do Simples Nacional LC n.
123/2006. E, por isso, pede correção do débito para dar
início ao pagamento.
A autoridade fiscal, em sede de contrarrazões, afirma
que constatou a idoneidade do procedimento fiscal e base de
calculo do imposto previsto no art. 50, §11º, art. 6º, I, da
lei 5.900/96, respectivamente. Asseverou que deixando de
cumprir as normas do Simples Nacional LC 123/2006 ficou
sujeito à exclusão e ao pagamento do imposto com alíquota do
contribuinte normal sobre a omissão de receitas presumidas
resultante do confronto das informações obtidas junto as
Administradoras de Cartões com aquelas contidas na declaração
anual do Simples Nacional.
Proferida a Decisão nº 18.670/2012, tendo o julgador
singular decidido pela procedência parcial do lançamento com
a seguinte ementa:

EMENTA: ICMS. 1. A opção do Simples


Nacional não exclui a incidência do ICMS
nas operações de saídas de mercadorias
desacompanhada de documento fiscal. 2. A
circunstância material que dá ensejo a
presunção legal foi devidamente provada
com a juntada do relatório das
Administradoras de Cartões, DASN,
Extrato do Simples Nacional. 3.
Aplicação da penalidade disposta no art.
79 da lei 5.900/96. 4. Lançamento do
crédito tributário PROCEDENTE em parte.
5. Reexame necessário para o Conselho
Tributário Estadual.

ACÓRDÃO CTE Nº 31/2013 Página 2


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A autuada intimada foi e a Comissão de Representação


Fiscal dado ciência da Decisão Singular.
Assim, chegam os autos a este Conselho para o Reexame
Necessário.
É o relatório.

VOTO

Primeiramente, observando as seguintes normas:

Lei Estadual nº. 6.161/2000, que regula o


processo administrativo no âmbito da
administração pública estadual:
Art. 53. A Administração deve anular seus
próprios atos, quando eivados de vício de
legalidade, e pode revogá-los por motivo de
conveniência ou oportunidade, respeitados os
direitos adquiridos.

Lei Estadual nº 6.771/2006, que dispõe sobre


o processo administrativo tributário - PAT,
e dá outras providências:
Art. 97-A. Aplicam-se subsidiariamente ao
processo administrativo tributário as normas
da Lei Estadual n° 6.161, de 26 de junho de
2000, e da Lei Federal n° 5.869, de 11 de
janeiro de 1973, - "Código de Processo
Civil.

Súmula do STF nº 346: A Administração


Pública pode declarar a nulidade dos seus
próprios atos.

Súmula do STF nº 473: A administração pode


anular seus próprios atos, quando eivados de
vícios que os tornam ilegais, porque deles
não se originam direitos; ou revogá-los, por
motivo de conveniência ou oportunidade,
respeitados os direitos adquiridos, e
ressalvada, em todos os casos, a apreciação
judicial.

Temos explicitado o princípio da autotutela, que é o


controle pela Administração Pública da legalidade de atos e
decisões administrativas, anulando-os quando vão de encontro
à lei.

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Partindo dessa premissa e analisando o auto de
infração objeto desse julgamento, verifico houve erro na
colocação das duas materialidades posta no lançamento de
ofício, o que implicaria em sua nulidade por cerceamento de
defesa.

Explico. Analisando a peça vestibular é de se


constatar que a descrição dos fatos imputados ao contribuinte
tidos como infração à legislação tributária apresenta-se de
forma incoerente e imprecisa, dificultando assim a defesa da
empresa autuada.

Isto porque, o autuante ao consignar na peça inicial,


assim como nos demonstrativos e outras provas trazidas aos
autos, os fatos típicos da infração, faz constar a falta de
recolhimento do ICMS decorrente de omissão de saídas em razão
de diferença das vendas realizadas mediante cartões de
crédito em confronto com as vendas efetivamente registradas
e, ao mesmo tempo, falta de recolhimento do ICMS em razão da
falta de escrituração dos documentos fiscais relativos às
operações de saídas, sem, no entanto, identificar as notas
fiscais sem a devida escrituração no livro próprio, apontando
como embasamento legal o Art. 83 da Lei nº. 5.900/96, segundo
o qual disciplina, in verbis: “Falta de recolhimento do
imposto, no todo ou em parte, quando os documentos fiscais
relativos às respectivas operações de saídas não estejam
escriturados regularmente nos livros fiscais próprios: MULTA
– equivalente a 60% (sessenta por cento) do valor do
imposto.”

Ora, diante da ambigüidade da fundamentação jurídica


da autuação, a empresa, ou bem se defenderia da acusação do
registro de vendas inferior ao montante do faturamento
mediante cartão de crédito/débito, infração típica do inc. V,
§ 9º, do Art. 2º, combinados com o Art. 79, todos da Lei nº.
5.900/96, ou bem se defenderia da acusação da falta de
recolhimento do ICMS decorrente da omissão de registro das
notas fiscais emitidas, infração esta prevista no reportado
art. 83.

Na verdade, nada impediria que a presente autuação


contivesse ao mesmo tempo as duas tipicidades de infrações,
desde que as mesmas estivessem bastante instruídas, o que não
se verificou.

ACÓRDÃO CTE Nº 31/2013 Página 4


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Portanto, havendo cerceamento de defesa pela
ambiguidade posta no auto de infração em tela, este é nulo
formalmente por determinação legal:

Lei 6.771/2006
Art. 7º São nulos:
...
II - os atos praticados e as decisões
proferidas com preterição do direito de
defesa;
...

Isto posto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA DO


CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL – CTE, por unanimidade de votos,
conhecer do reexame necessário para negar-lhe provimento, no
sentido de declarar nula a autuação por ofensa ao princípio
da ampla defesa.

Sendo o lançamento anulado por vício formal, fica


reaberto o prazo decadencial para uma nova ação fiscal do
objeto aqui tratado conforme previsto no art. 173, II, do
Código Tributário Nacional.

Sala das Sessões do CTE, em Maceió, 05 de fevereiro


de 2013.

PATRÍCIA MELO MESSIAS MÁRIO SÉRGIO M. DE CASTRO


PRESIDENTE RELATOR

LUCIANO P. DE M. GOMES JOSÉ PEDRO DA SILVA


JULGADOR JULGADOR

ÁLVARO ARTHUR L. A. FILHO


JULGADOR

ACÓRDÃO CTE Nº 31/2013 Página 5


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SESSÃO ORDINÁRIA Nº: 06 – 2ª CÂMARA – REALIZADA: 05/02/2013


PROCESSO Nº: SF 1500-016980/2004.
AUTO DE INFRAÇÃO Nº: 043256, de 02/07/2004.
RECORRENTE: FAZENDA ESTADUAL.
RECORRIDO: FEIJÓ E TEIXEIRA LTDA-ME.
RELATOR: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES.
PRESIDENTE: PATRÍCIA MELO MESSIAS.
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA VASCONCELOS.

ACÓRDÃO Nº 32/2013

EMENTA: NORMAS PROCEDIMENTAIS.


ALEGAÇÃO DE EXTRAVIO DE LIVROS
FISCAIS BASEADA EM NÃO ATENDIMENTO
À SOLICITAÇÃO FISCAL. INTIMAÇÃO QUE
INOBSERVOU A NORMA DE REGÊNCIA (LEI
5.900/96). PRESUNÇÃO DE EXTRAVIO
ILIDIDA. NULIDADE DA AÇÃO FISCAL.
Remessa Necessária Conhecida e não
Provida.

RELATÓRIO

Trata-se de remessa necessária que chega para


análise deste Colegiado Administrativo por força da norma
do art. 48 da Lei n ° 16.204/2009, em face da sucumbência
da Fazenda Estadual declarada pela Decisão n ° 16.439/2010,
da Douta Coordenadoria de Julgamento, que entendeu por
decretar improcedente o lançamento fiscal que imputou ao
contribuinte o extravio de livros e documentos fiscais.

A razão da sucumbência da Fazenda Estadual foi


devido à ausência de pressuposto de constituição válida da
presunção de extravio, que não teria observado os ditames
legais.

Eis a respectiva ementa:

EMENTA: ICMS. 1. Ação Administrativa Fiscal. 2.


Imposição de penalidade por extravio de livros e
documentos fiscais. 3. Ausência de pressuposto de
constituição válida do crédito tributário. 4.
Lançamento NULO. 5. Duplo grau de jurisdição

ACÓRDÃO CTE Nº 32/2013 Página 1


administrativa necessário – art. 48, Lei Estadual
n. 6.771/06.

Intimados, contribuinte e representação fiscal se


quedaram silentes.

São este os fatos que interessam ao julgamento.

VOTO

Compulsando os autos, observa-se que a


materialidade afastada do lançamento inicial reporta-se ao
extravio de livros e documentos fiscais, sendo este o
objeto da presente revisão.

Quanto à materialidade afastada pela Douta


Coordenadoria de Julgamento e ora em revisão, na esteira de
como já vem reiteradamente decidindo este Conselho
Tributário Estadual por julgamentos de suas duas Câmaras,
para fins de intimação do contribuinte deverá a autoridade
exatora observar, seja a intimação pessoal, seja a por
carta com aviso de recebimento. A opção editalícia é
excepcional e pressupõe a verificação de situações
definidas em lei, qual seja a negativa de assinatura pelo
contribuinte em caso de intimação pessoal ou a
impossibilidade de se efetivar por carta. Eis o que
estabelece o PAT sobre o assunto, mantendo o espírito da
lei que o antecedeu (Lei n ° 4.418/82):
Art. 11. A intimação do sujeito passivo ou de pessoa
interessada acerca de qualquer ato, fato ou exigência
fiscal, quando não estiver prevista forma diversa na
legislação tributária, será feita:
I - pessoalmente, pelo autor do procedimento ou outro
servidor a quem for conferida a atribuição, mediante
aposição de data e assinatura do sujeito passivo ou
interessado, seu representante legal ou preposto, no
próprio instrumento que se deseja comunicar ou em
expediente, com entrega, quando for o caso, de cópia do
documento;
II - mediante remessa, pelo órgão encarregado do preparo do
processo, por via postal ou qualquer outro meio ou via, com
Aviso de Recebimento - AR ou com prova de entrega no
endereço do sujeito passivo ou interessado, de cópia do
instrumento ou de comunicação de decisão ou circunstância
constante de expediente, alternativamente à forma prevista
no inciso I;

2
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III - por edital publicado no Diário Oficial do Estado, no


caso de:
a) o sujeito passivo ou interessado encontrar-se em lugar
incerto e não sabido;

b) recusa do sujeito passivo ou interessado, em assinar a


intimação pessoal, hipótese em que será lavrada declaração
nesse sentido, da qual constarão as assinaturas de 2 (duas)
testemunhas;
c) não se efetivar a comunicação pela forma prevista no
inciso II, ainda que não precedida da prevista no inciso I.

As normas acima apresentadas foram desrespeitadas


no procedimento de intimação do contribuinte, situação que,
sendo antecedente ao próprio auto de infração, macula sua
validade, pois lavrado com fundamento em premissa falsa,
qual seja o extravio baseado na inércia quanto ao
atendimento da solicitação (em edital) para a apresentação
de livros e documentos fiscais.

Ante ao exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA


DO CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL – CTE, por unanimidade de
votos, conhecer da remessa necessária para NEGAR-LHE
PROVIMENTO, mantendo incólume a Decisão n.º 16.439/2010, da
Coordenadoria de Julgamento.

Sala de Sessões do CTE, em Maceió/AL, 05 de


fevereiro de 2013.

PATRICIA MELO MESSIAS LUCIANO PONTES DE M. GOMES


PRESIDENTE RELATOR

MÁRIO SÉRGIO M. DE CASTRO JOSÉ PEDRO DA SILVA


JULGADOR JULGADOR

ÁLVARO ARTHUR L. A. FILHO


JULGADOR

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SESSÃO ORDINÁRIA Nº: 06 – 2ª CÂMARA – REALIZADA EM: 05/02/2013


PROCESSO Nº: SF 1500-011599/1997
AUTO DE INFRAÇÃO Nº: 014874
AUTUADA: FCC – FERRAGENS CONSTRUÇÕES E CONEXOES LTDA
RELATOR: ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
PRESIDENTE: PATRICIA MELO MESSIAS
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA VASCONCELOS

ACÓRDÃO 034/2013

EMENTA: Processo Administrativo


tributário. Recurso de Ofício.
Importância pecuniária excluída
inferior a 400 (quatrocentas) UPFAL.
Art. 48 Lei nº 6.771//2006. Recurso de
Ofício não conhecido.

RELATÓRIO

Trata-se de reexame necessário cujo objeto é a


decisão singular nº 18.563/2011. Esta, por sua vez, julgou
pela procedência parcial do lançamento do crédito tributário
do Auto de Infração nº 014874 de 30-05-1997.

Consta no Auto de Infração que o contribuinte deixou


de recolher os saldos devedor de ICMS normal, no todo ou em
parte, relativo ao período que compreende 1994 à 1996. Em
10/06/1997, a autoridade autuante propõe um aditamento
passando o crédito tributário para um montante de R$ 6.158,40.

A coordenadoria de julgamento, por seu turno, julgou


procedente em parte o lançamento nos termos da ementa abaixo:

EMENTA – ICMS – Obrigação principal. 1) Falta de


recolhimento do imposto referente ao saldo devedor
devidamente escriturado no livro fiscal próprio. 2)
Ausência de parte das provas materiais, in casu,
cópia do livro de registro de apuração do Icms do
período de apuração: 11 à 20-091994. 3) Ausência de
saldo devedor nos períodos de apuração “21 à 31-10-
94” e”01 à 10-03-95”. 4) Extrato de arrecadação
indicando recolhimentos, no todo ou em parte
concernente a diversos períodos de apuração exigidos
na inicial. 5) Aplicada a tipificação pena
tributárias de 50%(cinquenta por cento) do imposto

ACÓRDÃO CTE Nº 034/2013 Página 1


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devido, prevista no art. 81 da lei 5900 de 27-12-96,


por ser mais benéfica ao sujeito passivo, visto o
disposto no artigo 13 da lei 4418 de 27-12-82.
Infração caracterizada. Lançamento PROCEDENTE EM
PARTE...

De acordo com o voto do julgado singular o crédito


tributário foi reduzido para R$ 1.679,60(hum mil, seiscentos e
setenta e nove reais e sessenta centavos).

É o relatório.

VOTO

Com base no relatório já consubstanciado aos autos,


passo a analise decisão recorrida, observando apenas a parte
improcedente do lançamento, já que, apesar de regularmente
intimado, o contribuinte não apresentou recurso ordinário ao
CTE.

No presente caso, antes de analisar o mérito da


questão, em atenção o posicionamento adotada na decisão
recorrida, importante observar o que dispõe a Lei nº. 6771/06
em seu art. 48:

Art. 48. Quando contrárias à Fazenda Estadual,


ficam sujeitas a reexame necessário:

I - por uma das câmaras do CTE, as decisões


proferidas por julgador de primeira instância;

§ 2° O disposto no inciso I do caput deste


artigo não se aplica:
II - quando a importância pecuniária excluída
não exceder, na data da decisão, a 400
(quatrocentas) Unidades Padrão Fiscal do Estado
de Alagoas - UPFAL, podendo a regulamentação
aumentar este valor limite.

ACÓRDÃO CTE Nº 034/2013 Página 2


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Ora, observando a decisão recorrida, percebe que o


julgador singular reduziu o crédito tributário de R$ 6.158,40
para R$ 1.119,72, perfazendo uma redução de R$ 5.038,68(cinco
mil, trinta e oito reais e sessenta e oito centavos), assim
com o valor da UPFAL para o exercício de 2013 é de R$ 18,27,
400 UPFAL’s corresponde a R$ 7.308,00(sete mil trezentos e
oito reais).

Diante do exposto, como a importância pecuniária


excluída não ultrapassa 400(quatrocentas) UPFA´s, ACORDAM OS
MEMBROS DA 2ª CÂMARA DO CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por
unanimidade de votos, não conhecer do presente recurso de
ofício.

Sala de Sessões do CTE, em Maceió/AL, 05/02/2013.

PATRICIA MELO MESSIAS ÁLVARO ARTHUR L. DE A. FILHO


PRESIDENTE RELATOR

MÁRIO SÉRGIO M. D CASTRO LUCIANO P. DE M. GOMES


JULGADOR JULGADOR

JOSÉ PEDRO DA SILVA


JULGADOR

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SESSÃO ORDINÁRIA: Nº07 – 2ª CÂMARA – REALIZADA:07/02/2013


PROCESSO: 1500-015613/2011; 1500-091116/2009, 1500- 027165/2011; 1500-
015997/2012 e CTE 245/2012.
AUTO DE INFRAÇÃO: 70.01147-001.
AUTUADA: N S RACÕES LTDA ME.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 248.39064-3.
AUTUANTE: Jorge Ricardo de Souza.
RELATOR: Mário Sérgio Martins de Castro.
VOTO DE VISTA/VENCEDOR: JOSÉ PEDRO DA SILVA
PRESIDENTE: PATRÍCIA MELO MESSIAS
ASSESSORIA: LIBERACI MARIA SOUZA GALINDO
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA VASCONCELOS

ACÓRDÃO Nº035/2013

EMENTA: AUTUAÇÃO. TEOR DA DESCRIÇÃO


DOS FATOS TIDOS COMO INFRAÇÃO À
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA EM DIVERGÊNCIA
QUANTO A SUA TIPICIDADE. OFENSA AO
PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. PRESENTES
OS VÍCIOS DE NULIDADES TANTO NA
AUTUAÇÃO QUANTO NO ATO DECISÓRIO,
TORNA-SE NECESSÁRIO O RECONHECIMENTO,
A DECLARAÇÃO PRÉVIA DA NULIDADE DA
PRÓPRIA AUTUAÇÃO, AO CONTRÁRIO DA
DECLARAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO
RECORRIDA DE FORMA ISOLADA.
ATENDIMENTO AO PRINCÍPIO DA CELERIDADE
DA TRAMITAÇÃO DO PROCESSO
ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. RECURSO
CONHECIDO E PROVIDO. AUTUAÇÃO NULA.
RELATÓRIO
Fundamentado o auto de infração na acusação fática de
não recolhimento do ICMS decorrente de omissão de saídas de
mercadorias relativas às operações detectadas pelos
pagamentos feitos pelos adquirentes por via de cartão de
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crédito/débito, “... cujos documentos fiscais relativos a


estas operações de saídas não estavam escrituradas
regularmente nos livros fiscais próprios”.

Como conjunto probatório, foi juntado: a) cópia da


intimação fiscal n. 7001147/002, (fl.10); b) Demonstrativo
fiscal (fls. 12-13); c) cópia da declaração anual do Simples
Nacional (fls. 14-35); d) Processo 1500-091116/2009
(Relatórios Administradora Cartões, Extrato do Simples
Nacional).

Foram apontados como transgredidos as seguintes normas:


art. 1º; art. 2º, § 9º, II e V; art. 31 e art. 50, I, II, §§
2º ao 7º, todos da Lei 5.900/96 c/c art. 272-B do RICMS/91.
Aplicada a penalidade prevista no artigo 83 da Lei nº
5.900/96.

Apresentada a defesa pelo contribuinte e as


Contrarrazões pelo autuante, foi proferida a Decisão nº
18.616/2012, tendo o julgador singular decidido pela
procedência parcial do lançamento com a seguinte ementa:

EMENTA: ICMS. 1. O cerceamento do


direito de defesa e contraditório não
ficou configurado porque os autos do PAT
ficaram disponíveis ao representante
legal da pessoa jurídica. 2. As
operações

de vendas com recebimento por meio de


cartão de credito e/ou débito são
passíveis de averiguações fiscais. 3. A
opção do Simples Nacional não exclui a
incidência do ICMS nas operações de
saídas de mercadorias desacompanhada de

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documento fiscal. 4. Os documentos


enviados pelas Administradoras de cartão
de crédito e débito não contém nenhuma
macula. 5. O conjunto probatório
acostado aos autos é suficiente para o
deslinde da questão. 6. A instituição
legal de novo critério de apuração
posterior a ocorrência do fato gerador
não está obrigado a observância do
principio da irretroatividade e da
anterioridade. 7. A circunstância
material que dá ensejo a presunção legal
foi constatada por valores informados
pelas Administradoras de Cartões sem a
respectiva emissão de documento fiscal.
8. Não será acolhido o tipo penal
tributário sugerido do art. 83 da Lei n.
5900/96, mas aplicada a penalidade
disposta no art. 79 da mesma Lei. 9.
Lançamento do crédito tributário
PROCEDENTE em parte. 10. Reexame
necessário para o Conselho Tributário
Estadual

Da parte julgada improcedente, para reexame necessário,


o julgador singular remeteu os autos a este Conselho, na
forma estabelecida pelo art. 48, I, da Lei 6.771/06.
Intimada da decisão supracitada, a autuada pede, por
via de Recurso Ordinário, a reforma na íntegra da decisão de
piso e a declaração de “sem efeito” o lançamento fiscal
objeto dos autos, alegando, com os mesmos termos utilizados
em sua impugnação, em síntese: a) cerceamento de defesa por
não ter tido acesso às provas do auto de infração; b) por ser
optante do Simples Nacional, deveria ser aplicada, no máximo,

CTE Nº035/2013 Página 3


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a alíquota de 3,95% nos termos do Anexo I da Lei Complementar


n. 123/2006; c) provas seriam ilegais, pois teve sua
movimentação financeira indevidamente quebrada pelo fisco sem
qualquer formalidade legal ou autorização judicial ferindo
seu direito ao sigilo bancário e d) o auto de infração
abarcou os períodos de 2007, 2008 e 2009 em descompasso com
os princípios tributário da anterioridade e da
irretroatividade da lei, uma vez que a lei n. 6.970, de
04/08/2008 teria instituído novo fato gerador. Caso não haja
esse entendimento, que seja mantida a multa aplicada pelo
julgador da Coordenaria de Julgamento.

A Representação fiscal apresentou suas contrarrazões


solicitando a manutenção da decisão recorrida, apoiadas nos
fundamentos de que: a) o recurso é tempestivo, mas nao
deveria ser conhecido, já que repete os argumentos da
impugnação, todos rebatidos na decisão a quo; b) que foi
respeitado o princípio da anterioridade pois já estava em
vigor tanto a lei nº 5.900/96 quanto a de nº6.846/2007; c)
nao houve quebra de sigilo financeiro, pois as informações
fornecidas pelas administradoras de cartão se limitam ao
faturamento por meio de pagamento de crédito/débito; c)
correta exigência do imposto e penalidade à margem do regime
do Simples Nacional (art. 13, §1º, XIII, f, da LC n.
123/2006); d) o contribuinte não afastou a presunção com
contraprovas; e) as provas são lícitas e seriam suficientes
para demonstrar a infração arguida.

É o relatório.

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VOTO
PRELIMINAR DE NULIDADE – CERCEAMENTO DE DEFESA.

Da análise do teor da peça vestibular é de se constatar


que a descrição dos fatos tidos como infração à legislação
tributária apresenta-se de forma incoerente e imprecisa,
acarretando dificuldade na defesa da empresa autuada, quando
o autuante ao consignar na fl. inicial, assim como nos
demonstrativos de fls. 10/12, os fáticos típicos da infração,
faz constar ao mesmo tempo a falta de recolhimento do ICMS
decorrente de omissão de saídas em razão de diferença das
vendas realizadas mediante cartões de crédito/débito em
confronto com as vendas efetivamente registradas e, falta de
recolhimento do imposto ensejada pela falta de escrituração
dos documentos fiscais relativos às operações de saídas, sem,
no entanto, identificar os respectivos documentos fiscais
(Notas Fiscais) sem a devida escrituração no livro próprio,
indicando como embasamento legal o Art. 83 da Lei nº.
5.900/96, segundo o qual disciplina in verbis: “Falta de
recolhimento do imposto, no todo ou em parte, quando os
documentos fiscais relativos às respectivas operações de
saídas não estejam escriturados regularmente nos livros
fiscais próprios: MULTA – equivalente a 60% (sessenta por
cento) do valor do imposto.”

Ora, diante da ambigüidade da fundamentação jurídica da


autuação, a empresa, ou bem se defenderia da acusação do
registro de vendas inferior ao montante do faturamento
mediante cartão de crédito/débito, infração típica do inc. V,
§ 9º, do Art. 2º, combinados com o Art. 79, todos da Lei nº.
5.900/96, ou bem se defenderia da acusação da falta de
recolhimento do ICMS decorrente da omissão de registro das

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notas fiscais emitidas, infração esta prevista no reportado


art. 83.

De forma que, não obstante o acerto até certo ponto do


voto proferido pelo eminente relator Mário Sérgio Martins de
Castro, concluindo pela nulidade da decisão a quo em razão da
mesma conter, também, vícios de nulidade, isto à luz do Art.
7º, inc. II, na sua segunda parte, tal nulidade não deve
sobrepor a nulidade prévia da própria autuação, do
lançamento, segundo a qual precede a toda e qualquer nulidade
subsequente, ou melhor, a conclusão pela nulidade da decisão
recorrida sem antes declarar a nulidade da própria autuação
quando presentes, in casu,os respectivos vícios, acarretaria
não só violação ao princípio da celeridade na tramitação do
próprio PAT, previsto no § 1º do Art. 2º, da Lei nº 6.771/06,
mais também, um procedimento discrepante da praticidade, com
reiteradas e desnecessárias decisões, ao invés de uma só
decisão no âmbito de preliminares acerca de nulidades e a
partir daí repetindo todos os atos, inclusive o ato decisório
de primeira instância.

Portanto, como se vislumbra no caso vertente, tanto a


autuação, quanto a decisão recorrida contém vícios de
nulidades à luz do Art. 7º, inc. II, da Lei nº. 6.771/06 e
assim sendo, é de bom alvitre que se reconheça que se declare
previamente a nulidade do próprio lançamento e por extensão
os demais atos subseqüentes.

CTE Nº035/2013 Página 6


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Isto posto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CAMARA DO


CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por maioria de votos, conhecer
do recurso para dar-lhe provimento, porém, com a devida vênia
do nobre relator, no sentido de declarar nula por vício
formal, previamente, a própria autuação por ofensa ao
princípio da ampla defesa.

Sala de Sessões do CTE., em Maceió, 07 de fevereiro de 2013.

PATRICIA MELO MESSIAS MARIO SÉRGIO MARTINS DE CASTRO


PRESIDENTE RELATOR

JOSÉ PEDRO DA SILVA


VOTO DE VISTA VENCEDOR

LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES ÁLVARO ARTHUR L. A. FILHO


JULGADOR (ACOMPANHOU VOTO DE VISTA) JULGADOR (ACOMPANHOU VOTO DE VISTA)

CTE Nº035/2013 Página 7


CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL
Rua General Hermes 80 Bom Parto 5º andar CEP 57.017-200
FONES: 3315-6190 – fax 3315-8273

SESSÃO ORDINÁRIA: Nº07 – 2ª CÂMARA – REALIZADA: 07/02/2013


PROCESSO: 1500-019958/11; CTE-270/12
ANEXOS: 1500-090620/09 (02 VOL.); -015021/09;-031300/11 e
022031/12
AUTO DE INFRAÇÃO Nº 70.01172-001
RECORRENTE: ALVES & CIA. LTDA.
AUTUANTE: JOSÉ ARNALDO ROCHA BARBOSA
RELATOR: JOSÉ PEDRO DA SILVA
PRESIDENTE: PATRÍCIA MELO MESSIAS
ASSESSORIA: LIBERACI MARIA SOUZA GALINDO
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA VASCONCELOS

ACÓRDÃO Nº036/2013

EMENTA: AUTUAÇÃO. TEOR DA


DESCRIÇÃO DOS FATOS TIDOS COMO
INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA
EM DIVERGÊNCIA QUANTO A SUA
TIPICIDADE. OFENSA AO PRINCÍPIO
DA AMPLA DEFESA. RECURSO
CONHECIDO E PROVIDO. AUTUAÇÃO
NULA.

RELATÓRIO

O presente lançamento tem como descrição dos


fatos a seguinte: “Deixou de recolher o ICMS decorrente da
omissão de saídas relativas às operações/prestações
realizadas cujos pagamentos foram feitos pelos adquirentes
por meio de cartão de crédito/débito ou similares, cujos
documentos fiscais relativos a estas operações de saídas não

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estavam escriturados regularmente nos livros fiscais


próprios.”

Como dispositivos transgredidos o autuante aponta


o art. 83 e ao mesmo tempo os incs. II e V do § 9º do artigo
2º,todos da Lei nº 5.900/96.

Como instrução da autuação foram anexados, dados


cadastrais do contribuinte, intimação fiscal de nº
7001172,relatórios de movimentações financeiras das
Administradoras de Cartões de Crédito, relação de
transferências eletrônicas de fundos – Cartões de Crédito e
de Débito, Demonstrativo do Débito e Extrato do Simples
Nacional e cópias,dos termos de início e encerramento de
fiscalização,dos ofícios DIPLAF de nºs.
023/2009,024/2009,025/2009,026/2009,027/2009,028/2009,029/200
9,030/2009,031/2009,032/2009 e 033/200/09,da consulta fiscal
formulada pela DIPLAF e do PARECER PGE/PFE nº. 855/2010.

Intimada da autuação, a empresa suscita


preliminares de nulidades em decorrência: do não atendimento
do disposto no art. 5º, da CGSN 30/2008; da incompetência do
agente autuador; da documentação irregular; do excesso de
exação; quebra do sigilo bancário; inobservância do
procedimento legal pelo agente autuador; do cerceamento do
direito de defesa e da insubsistência das informações
utilizadas para autuação.

Por ocasião da contestação da defesa, o eminente


Representante Fiscal rebate os questionamentos feitos pela
empresa, acerca das nulidades, aduzindo que no caso dos
autos, a infração apurada cinge-se na saída de mercadoria
desacompanhada de documento fiscal e sem pagamento do
imposto.
Submetido o presente litígio fiscal a julgamento
por parte da instância monocrática, a mesma concluiu pela
procedência do lançamento nos termos da seguinte ementa:
“ICMS. Lançamento de crédito tributário decorrente de
descumprimento de obrigação principal. 1) Falta de

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recolhimento do imposto decorrente da omissão de saídas de


mercadorias tributáveis em operações internas, apurada com
base em informações fornecidas pelas administradoras de
cartão de crédito e débito, confrontadas com as operações
declaradas pelo contribuinte. 2) Alíquota aplicável em
estrita obediência à legislação aplicável– Comprovada a
materialidade da infração. 3) LANÇAMENTO PROCEDENTE.”

Notificada da decisão, a empresa impetra recurso


para este Colegiado, reiterando os questionamentos da sua
defesa e em seguida pugna pelo julgamento totalmente
improcedente do auto de infração com a sua conseqüente
extinção e arquivamento.

Por ocasião da contestação do recurso, o Fisco


insiste na manutenção da autuação, reiterando que a infração
indicada na autuação consiste em falta de emissão de
documentos fiscais por ocasião das saídas, apontando como
dispositivo transgredido, o art. 97 da Lei nº. 5.900/96.

Em síntese é o relatório.

Voto

PRELIMINAR DE NULIDADE.

CERCEAMENTO DE DEFESA

Da análise do teor da peça vestibular é de se


constatar que a descrição dos fatos tidos como infração à
legislação tributária apresenta-se de forma incoerente e
imprecisa, dificultando assim a defesa da empresa autuada,
isto porque, o autuante ao consignar na fl. inicial, assim
como nos demonstrativos de fls. 12,13 e 14, os fatos típicos
da infração, faz constar a falta de recolhimento do ICMS
decorrente de omissão de saídas em razão de diferença das
vendas realizadas mediante cartões de crédito em confronto
com as vendas efetivamente registradas e ao mesmo tempo falta

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de recolhimento do ICMS em razão da falta de escrituração dos


documentos fiscais relativos às operações de saídas, sem, no
entanto, identificar os respectivos docs. fiscais (Notas
Fiscais) sem a devida escrituração no livro próprio,
apontando como embasamento legal o Art. 83 da Lei nº.
5.900/96, segundo o qual disciplina, in verbis: “Falta de
recolhimento do imposto, no todo ou em parte, quando os
documentos fiscais relativos às respectivas operações de
saídas não estejam escriturados regularmente nos livros
fiscais próprios: MULTA – equivalente a 60% (sessenta por
cento) do valor do imposto.”

Enquanto o Art. 97 da Lei nº. 5.900/96, reportado


pelo nobre Representante Fiscal, não só quando da contestação
da defesa mais também na contestação do presente recurso,
assim preconiza: “Art. 97 – Entregar, remeter, transportar,
receber, estocar ou depositar mercadorias desacompanhadas de
documentos fiscais, ou sendo estes inidôneos:

MULTA – equivalente a 200% (duzentos por cento)


do valor do imposto.”

Ora, diante da ambigüidade da fundamentação


jurídica da autuação, a empresa, ou bem se defenderia da
acusação do registro de vendas inferior ao montante do
faturamento mediante cartão de crédito/débito, infração
típica do inc. V, § 9º, do Art. 2º, combinados com o Art. 79,
todos da Lei nº. 5.900/96, ou bem se defenderia da acusação
da falta de recolhimento do ICMS decorrente da omissão de
registro das notas fiscais emitidas, infração esta prevista
no reportado art. 83.

Na verdade, nada impediria que a presente


autuação contivesse ao mesmo tempo as duas tipicidades de
infrações, desde que as mesmas estivessem bastante
instruídas, o que não se vislumbra nos autos do processo.
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Isto posto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÃMARA DO


CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade de votos,
conhecero do recurso para dar-lhe provimento no sentido de
declarar nula a autuação por ofensa ao princípio da ampla
defesa.

Sala das Sessões do CTE., em 07 de fevereiro de


2013.

PATRÍCIA MELO MESSIAS JOSÉ PEDRO DA SILVA


PRESIDENTE RELATOR

MÁRIO SÉRGIO MARTINS DE CASTRO LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES


JULGADOR JULGADOR

ÁLVARO ARTHUR L. ALMEIDA FILHO


JULGADOR

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SESSÃO ORDINÁRIO:Nº07 – 2ª CÂMARA – REALIZADA: 07/02/2012


PROCESSO: 1500-026704/11; CTE-298/12
ANEXOS: 1500-090395/09 (03 VOLUMES); 1500-000306/12; 1500-
02323/12
AUTO DE INFRAÇÃO Nº 70.020690-001
RECORRENTE: ARTCOLLOR ARTIGOS FOTOGRÁFICOS LTDA-ME
AUTUANTE: LOUISE AMARAL DE ARAUJO – 52.903
RELATOR: JOSÉ PEDRO DA SILVA
PRESIDENTE: PATRÍCIA MELO MESSIAS
ASSESSORIA: LIBERACI MARIA SOUZA GALINDO
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA VASCONCELOS

ACÓRDÃO Nº037/2013

EMENTA: AUTUAÇÃO. TEOR DA


DESCRIÇÃO DOS FATOS TIDOS COMO
INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO
TRIBUTÁRIA EM DIVERGÊNCIA
QUANTO A SUA TIPICIDADE.
OFENSA AO PRINCÍPIO DA AMPLA
DEFESA. RECURSO CONHECIDO E
PROVIDO. AUTUAÇÃO NULA.

RELATÓRIO

O presente lançamento tem como descrição dos


fatos a seguinte: “Deixou de recolher o ICMS decorrente da
omissão de saídas relativas às operações/prestações
realizadas cujos pagamentos foram feitos pelos adquirentes
por meio de cartão de crédito/débito ou similares, cujos
documentos fiscais relativos a estas operações de saídas não
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estavam escriturados regularmente nos livros fiscais


próprios.”

No entanto, no “Campo Complemento” da descrição


dos fatos, constante da fl. inicial, a autuante assim
consignou: (O contribuinte omitiu receitas à tributação do
ICMS que foram detectadas através da comparação entre as
saídas declaradas e o faturamento em operações com cartões de
crédito e/ou débito, nos exercícios de 2007, 2008 e 2009,
tudo conforme planilhas demonstrativas anexas.”

Como instrução da autuação foram anexados,


cópias, da intimação fiscal de nº 7002069, dos termos de
início e encerramento de fiscalização, dos Ofícios DIPLAF de
nºs. 023/2009, 024/2009, 025/2009, 026/2009, 027/2009,
028/2009, 029/2009, 030/2009, 031/2009, 032/2009,033/2009 e
do PARECER PGE/PFE nº. 855/2010, além dos demonstrativos do
débito,Relatório de Movimentações Financeiras das
administradoras VisaNet, REDECARD, AMERICAN EXPRESS,
HIPERCARD, TRANSFERÊNCIAS ELETRÔNICAS DE FUNDOS (CARTÃO DE
CRÉDITO/DÉBITO) COMPARADA COM FATURAMENTO e Extrato do
Simples Nacional.

Intimada da autuação, a empresa contesta a


autuação, aduzindo em sede de preliminar a dificuldade a
ponto de impossibilitar a sua defesa, com menção ao art. 12
da Lei Complementar nº. 123/06, assim como a Resolução nº 30,
de 07 de fevereiro de 2008, do Comitê Gestor de Tributação
das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, além do Art.
5º, inc. LV da Constituição Federal.

Quanto ao mérito, alega inocorrência do fato


gerador, ilegalidade da alíquota aplicada, inadequação da
multa proposta, falta de prova, princípio da anterioridade da
lei e encerramento da fase de tributação mediante a
sistemática da substituição tributária.

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Por ocasião da contestação da defesa, a eminente


Representante Fiscal insiste em afirmar que o presente
lançamento decorreu da falta de emissão de documentos fiscais
e ao mesmo tempo os respectivos valores não foram
escriturados nos livros fiscais próprios e que de
conformidade com o art. 26 da Lei Complementar nº 123/06, as
empresas de pequeno porte e as microempresas optantes pelo
Simples Nacional ficam obrigadas a emitir documento fiscal de
venda ou prestação de serviço.

Submetido o presente litígio fiscal a julgamento


por parte da instância monocrática, a mesma concluiu pela
procedência do lançamento nos termos da seguinte ementa:
“ICMS. Lançamento de crédito tributário decorrente de
descumprimento de obrigação principal. 1) Falta de
recolhimento do imposto decorrente da omissão de saídas de
mercadorias tributáveis em operações internas, apurada com
base em informações fornecidas pelas administradoras de
cartão de crédito e débito, confrontadas com as operações
declaradas pelo contribuinte. 2) Alíquota aplicável em
estrita obediência à legislação pertinente – Comprovada a
materialidade da infração. 3) LANÇAMENTO PROCEDENTE.”

Notificada da decisão, a empresa impetra recurso


para este Colegiado, reiterando os questionamentos da sua
defesa e acrescenta que o maior valor das suas vendas está
sujeita ao regime de substituição tributária, segundo o qual
encerra a fase de tributação, não cabendo assim a exigência
do ICMS.

Por ocasião das contra razões do recurso, o Fisco


insiste na manutenção da decisão recorrida com enfrentamento
das preliminares suscitadas pela recorrente e no mérito,
reitera como dispositivos transgredidos dentre outros, o inc.
V, do § 9º, do Art. 2º e ao mesmo tempo o Art. 83, todos da
Lei nº. 5.900/96.

Em síntese é o relatório.

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Voto.

PRELIMINAR DE NULIDADE

CERCEAMENTO DE DEFESA

Da análise do teor da peça vestibular é de se


constatar que a descrição dos fatos tidos como infração à
legislação tributária apresenta-se de forma incoerente e
imprecisa, dificultando assim a defesa da empresa autuada,
isto porque, o autuante ao consignar na fl. inicial, assim
como nos demonstrativos de fls. 08, 09 e 10, os fatos típicos
da infração, faz constar a falta de recolhimento do ICMS
decorrente de omissão de saídas em razão de diferença das
vendas realizadas mediante cartões de crédito em confronto
com as vendas efetivamente registradas e ao mesmo tempo falta
de recolhimento do ICMS em razão da falta de escrituração dos
documentos fiscais relativos às operações de saídas, sem, no
entanto, identificar os respectivos docs. fiscais (Notas
Fiscais) sem a devida escrituração no livro próprio,
apontando como embasamento legal o Art. 83 da Lei nº.
5.900/96, segundo o qual disciplina, in verbis: “Falta de
recolhimento do imposto, no todo ou em parte, quando os
documentos fiscais relativos às respectivas operações de
saídas não estejam escriturados regularmente nos livros
fiscais próprios: MULTA – equivalente a 60% (sessenta por
cento) do valor do imposto.”

Ora, diante da ambigüidade da fundamentação


jurídica da autuação, a empresa, ou bem se defenderia da
acusação do registro de vendas inferior ao montante do
faturamento mediante cartão de crédito/débito, infração
típica do inc. V, § 9º, do Art. 2º, combinados com o Art. 79,
todos da Lei nº. 5.900/96, ou bem se defenderia da acusação
da falta de recolhimento do ICMS decorrente da omissão de
registro das notas fiscais emitidas, infração esta prevista
no reportado art. 83.

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Na verdade, nada impediria que a presente


autuação contivesse ao mesmo tempo as duas tipicidades de
infrações, desde que as mesmas estivessem bastante
instruídas, o que não se verificou.

Isto posto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA DO


CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade de votos,
conhecer do recurso para dar-lhe provimento no sentido de
declarar nula a autuação por ofensa ao princípio da ampla
defesa.

Sala das Sessões do CTE., em 07 de fevereiro de


2013.

PATRÍCIA MELO MESSIAS JOSÉ PEDRO DA SILVA


PRESIDENTE RELATOR

MÁRIO SÉRGIO MARTINS DE CASTRO LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES


JULGADOR JULGADOR

ÁLVARO ARTHUR L. ALMEIDA FILHO


JULGADOR

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SESSÃO ORDINÁRIA: Nº 05 – REALIZADA: 19/02/2013 – 1ª CÂMARA


PROCESSO: 1500-000.006/2008 E CTE Nº 307/2012.
ANEXOS: 1500-001.603/2008 E 1500-007.415/2009.
AUTO DE INFRAÇÃO: 99.62996-001, DE 02/01/2008.
AUTUADA: PROFERTIL PRODUTOS QUÍMICOS E FERTILIZANTES LTDA.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 24.053.541-3.
DECISÃO MONOCRÁTICA: 15.882/2009.
ASSUNTO: RECURSO ORDINÁRIO.
AUTUANTE: MARIA CÉLIA DE SOUZA GOMES E OUTRA.
RELATORA: ODETE MINEIRO DA PAZ.
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO

ACÓRDÃO 038/2013

EMENTA: ICMS - Obrigação principal. 1) Falta de


recolhimento de ICMS referente à prestação de
serviços de transporte iniciada no exterior 2)
Infração comprovada com base no Bill of Landing
e Declaração de Importação onde consta a venda
sob a condição INCOTERM: FOB. 3) Não aplicação
do 3º, do Decreto nº 35.399/1992. 4) Lançamento
Procedente. 5) Modificada a penalidade aplicada
em razão da revogação do artigo 84, da Lei nº
5.900/96, com reclassificação (reclassificação
qualificada) de sua multa para o artigo 79, da
mesma lei. 6) Recurso Ordinário conhecido e
improvido. Mantida em parte a decisão a quo.

Relatório

Trata-se de auto de infração lavrado contra a


empresa Profertil Produtos Químicos e Fertilizantes LTDA, já
qualificada, tendo por objeto a cobrança de crédito tributário
no valor de R$ 956.263,56 (novecentos e cinquenta e seis mil,
duzentos e sessenta e três reais e cinquenta e seis centavos),
por haver a empresa autuada deixado de recolher ICMS referente
à prestação de serviços de transporte iniciado no exterior em
importação de mercadorias isentas de ICMS através das notas
fiscais de nºs 4255; 4276; 4303; 4302; 4313; 4334; 4336; 4339;
4335 e 4476 (02/2006 a 02/2007); conforme INCOTERM FOB – FREE
ON BOARD (condição de venda) constantes nas DI’s - Declarações
de Importação, na qual o importador é o responsável pelo frete
internacional (a prestação de serviço).

Apontados como infringidos os artigos 1º,


parágrafo único, II; 2º, IX; 6º, X; 17, I, “b”, § 3º, IV; 18,

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§ 1º, II, da Lei nº 5.900/1996. Sugerida a aplicação da


penalidade prevista no artigo 84, da Lei nº 5.900/1996.

A inicial está instruída com relatório de


dados cadastrais do contribuinte; cópia (xerox) do cartão de
autógrafo; cópias de procuração; do livro RUDFTO; da intimação
fiscal nº 020/2006; da guia para liberação de mercadoria
estrangeira sem comprovação do recolhimento do ICMS; das notas
fiscais de entrada nºs 4255, 4276, 4303, 4302, 4313, 4334,
4336, 4339, 4335 e 447; memória de cálculo; cópias do Extrato
da Declaração de Importação; do Invoice - Fatura Internacional
e do Conhecimento Internacional (Bill of Landing).

DA DEFESA

A autuada apresentou defesa alegando que o


crédito tributário constituído é ilegítimo, pois a operação
realizada foi de circulação de mercadorias e o frete compôs o
preço do produto na base de cálculo do ICMS nos termos dos
artigos 12, IX, e 13, V, § 1º, II, “b” da LC 87/96; o ICMS
sobre o frete exigido no auto de infração está isento, pois a
norma excludente (artigo 3°, do Decreto nº 35.399/1992), é
enfática ao enunciar que a isenção dá-se na operação interna
da mercadoria importada pela autuada; as Guias de Liberação de
Mercadoria Sem Comprovação do Recolhimento do ICMS demonstram
no CAMPO 3.5 que o destaque do VALOR CIF (VMLD) EM R$
(CLÁUSULA CIF), ou seja, da operação de importação a
transferência da mercadoria foi realizada pela vendedora, não
havendo qualquer vinculação com a autuada; não há qualquer
menção da expressão INCONTERM: FOB – FREE ON BOARD (condição
de venda), pelo contrário, como visto, afirma-se apenas VALOR
CIF; a multa de 60% (sessenta por cento) é exorbitante,
colidindo com os artigos 5º, XXII; e 150, IV, da CF/88; agride
o direito à propriedade da autuada, por sua natureza
eminentemente confiscatória; devendo ser reduzida para 20%
(vinte por cento) nos termos do art. 81-A, da lei 5.900/1996.

DAS CONTRARRAZÕES

O autuante apresentou contrarrazões alegando


que a autuada ao importar as mercadorias, deveria ter efetuado
o pagamento do ICMS incidente sobre a prestação do serviço de
transporte das mesmas, conforme os artigos 2º, IX e XI; 6º, X,
17, IV, § 3º, I, “b”, e 18, da Lei nº 5.900/96; quanto ao
percentual da multa sugerida, cabe aos autuantes proporem a
aplicação da penalidade cabível, porém, quem as aplica, são os
julgadores. Por fim, pede a procedência da autuação.

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Em 18/03/2009, foi proferida a Decisão nº


15.882/2009, de Primeira Instância, que julgou procedente o
lançamento com a ementa.

EMENTA: ICMS. 1. Descumprimento da obrigação


principal, por deixar de recolher o ICMS. 2.
Prestação de serviço de transporte marítimo
iniciado no exterior comprovado pelo “Bill of
Landing”. 2. A Declaração de Importação corrobora
a condição de venda FOB. 3. Inaplicabilidade do
art. 3º do Decreto nº 35.399/92 no caso. 4. Multa
aplicada adequada. 5. Lançamento do crédito
tributário PROCEDENTE.

DO RECURSO ORDINÁRIO

A autuada apresentou Recurso Ordinário,


tempestivo, com as seguintes alegações:

1) Que, a operação praticada pela autuada foi


de circulação de mercadoria, compondo o frete, o preço dos
produtos a base de cálculo do ICMS devido; o Bill of Landing,
conhecimento internacional comprova a ocorrência do serviço de
tranporte internacional marítimo e as Guias de Liberação de
Mercadorias sem Comprovação do recolhimento do ICMS, expedidas
pela SEFAZ/AL no campo 3.5 faz o destaque do VALOR CIF (VMLD)
em R$ (cláusula CIF) sendo facilmente visível se o julgador
singular tivesse analisado o Doc 02 (dois) em que nas notas
fiscais os valores são discriminados e contém um item o valor
do frete. A base de cálculo do ICMS é o valor da operação
interna da mercadoria importada, cuja composição está o frete.

3) Que, a jurisprudência pátria consagra essa


assertiva conforme julgados do STJ reproduzidos. Deveras, não
houve qualquer claúsula FOB nesta operação que ensejasse a
contratação de uma empresa para transportar o bem adquirido
até o Porto de Maceió. A multa do artigo 84, da Lei nº
5.900/96, é espoliadora, afronta os artigos 5º, Inciso XXII, e
150, IV, da CF/88, conforme jurisprudência do STF. Deveria ter
sido aplicada a penalidade prevista no artigo 81-A, da mesma
lei, consoante princípio da razoabilidade defendido por Celso
Antonio Bandeira de Mello; Sacha Calmon Navarro Coelho e
Cláudio Renato do Canto Farág. Por fim, pede que a autuação
seja julgada improcedente.

DAS CONTRARAZÕES AO RECURSO ORDINÁRIO

A Diretoria de Representação Fiscal - DRF


apresentou contrarrazões alegando:

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1) Que, o Recurso Ordinário repete apenas as


alegações da defesa, já enfrentadas e superadas; a autuada
deixou de recolher ICMS na prestação de serviço de transporte
iniciada no exterior (2°, IX, da Lei nº 5.900/96), fato
comprovado pela análise do Bill Of Lading que comprova a
ocorrência do serviço de transporte internacional marítimo e
da Declaração de Importação a qual comprova que a condição de
venda foi INCOTERM:FOB; o valor cobrado a título de frete está
separado do valor da mercadoria, ou seja, o tomador do serviço
foi o destinatário, não o comprador, como alegado a autuada.

2) Que, a arguição contrária a multa com base


nos princípios da legalidade, presunção de constitucionalidade
das leis e reserva do judiciário, os agentes públicos devem
aplicar as normas e não questioná-las quanto a invalidade; da
documentação anexada aos autos resta induvidosa a legalidade
da exigência do crédito tributário exigido na inicial. Por
fim, pede a Procedência do auto de infração e a manutenção da
decisão de primeira instância. Assim, chegam os autos a este
Conselho para análise do Recurso Ordinário.

É o relatório.

Voto

Trata-se de Recurso Ordinário interposto


contra a Decisão nº 15.882/2009, de Primeira Instância, que
julgou procedente o lançamento constante do auto de infração
nº 99.62996-001, de 02/01/2008.

A autuação trata da falta de pagamento de


ICMS em operação de transporte iniciada no exterior, com
respaldo nos artigos 1º, PU; 2º, IX; 6º, X; 17, I, “b”, § 3º,
IV; e 18, § 1º, II; da Lei Estadual nº 5.900/1996. A decisão
singular considerou que o fato gerador da obrigação tributária
ficou comprovado com base nos conhecimentos internacionais
“Bill of Landing” nos quais consta a operação e na Declaração
de Importação emitida pela Receita Federal da qual consta que
o frete da operação foi prestado na condição INCOTERM:FOB onde
o valor do frete e o valor da mercadoria estão separados.

Quanto à alegação da autuada de as Guias de


Liberação de Mercadoria Estrangeira sem Recolhimento do ICMS
emitidas pela SEFAZ/AL, estão a indicar a condição CIF para a
prestação de serviço de transporte, não é verdadeira:

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FONES: 3315-6190 – fax 3315-8273

A um, porque essa informação foi colocada pela


autuada de forma equivocada ao emitir o referido documento,
pois quem primeiro teve acesso à mercadoria importada foi a
Receita Federal, que promoveu seu desembaraço de forma
correta, indicando na Guia de Desembaraço a situação
INCOTERM:FOB onde estão separados os valores cobrados a
título de frete e o valor da mercadoria, comprovando que nesta
situação o tomador do serviço de transporte foi o
destinatário, a autuada, e não o exportador como alega o
Recurso Ordinário.

A dois, não resta dúvida de que o campo 3.5


foi preenchido de forma equivocada pela autuada, uma vez que o
ICMS frete cobrado na peça inicial chegou ao Porto de Maceió
sob a condição FOB:INCOTERM como consta da Guia de Importação
emitida pela Receita Federal. Neste passo, a decisão singular
está correta, não restando dúvidas de que a relação jurídica
tributária se efetivou conforme o artigo 113, do CTN, tendo o
respaldo da legislação tributária vigente, Lei nº 5.900/1996.

CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (LEI Nº 5.172/1966)

“Art. 113 - A obrigação tributária é principal ou acessória:


§ 1º - A obrigação principal surge com a ocorrência do fato
gerador, tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade
pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela
decorrente.
(...)”

LEI Nº 5.900/1996

“Art. 1º - O imposto sobre operações relativas à circulação de


mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte
interestadual e intermunicipal e de comunicação - ICMS incide
sobre:

Parágrafo único - O imposto incide também sobre:


(...)

II - o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se


tenha iniciado no exterior;
(...)”

“Art. 2º - Considera-se ocorrido o fato gerador do ICMS no


momento:
natureza;
IX - do ato final do transporte iniciado no exterior;
(...)”

“Art. 6º - A base de cálculo do imposto é: (Art. 13 - LC)

X - no caso dos incisos IX e XI do art. 2º, o valor da


prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os
encargos relacionados com a sua utilização;
(...)”

ACÓRDÃO CTE Nº 038/2013 Página 5


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“Art. 17. As alíquotas do imposto são as seguintes:

I - nas operações e prestações internas e na importação de


mercadorias e bens e serviços do exterior:

b) 17% - (dezessete por cento), nos demais casos;

§ - 3º - Para efeito deste artigo, as alíquotas internas são


aplicadas quando:

IV - das prestações de serviço de transporte iniciado ou


contratado no exterior;
(...)”

“Art. 18 - Contribuinte é qualquer pessoa, física ou jurídica,


que realize, com habitualidade ou em volume que caracterize
intuito comercial, operação de circulação de mercadoria ou
prestação de serviços de transporte interestadual e
intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e
prestações se iniciem no exterior. (Art. 5º, LC)

§ 1º - É também contribuinte a pessoa física ou jurídica que,


mesmo sem habitualidade ou intuito comercial:

II - seja destinatária de serviço prestado no exterior ou cuja


a prestação se tenha iniciado no exterior;
(...)”

Com relação à isenção prevista no artigo 3º,


do Decreto nº 35.399/1992, é evidente a sua inaplicabilidade
ao presente caso, haja vista, que esta se aplica tão somente
as operações internas e interestaduais, não alcança operações
internacionais de prestação de serviço de transporte marítimo.
“Art. 3º - Ficam isentas do ICMS as operações internas dos produtos
arrolados nos artigos anteriores nas condições ali estabelecidas.
(...)”

Portanto, a decisão Singular está correta não


merecendo reformas. O crédito tributário encontra-se apurado
corretamente, conforme demonstrativo abaixo.

DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO DÉBITO


NFE Origem Desembaraço Navio Dec/Import CV Frete Dólar BC do frete
4255 Argélia 03/02/2006 Chalot Nar 06/0137240-3 FOB 96.000,00 2,2217 213.283,20
4276 Argélia 07/04/2006 Elena B 06/0398550-0 FOB 207.000,00 2,1344 441.820,80
4303 Argélia 19/07/2006 Elena B 06/0843402-1 FOB 184.500,00 2,2126 408.224,70
4302 Marrocos 12/07/2006 Regina V 06/0809730-0 FOB 122.624,00 2,1750 266.709,37
4313 Argélia 19/09/2006 C G George 06/1119044-8 FOB 220.375,00 2,1540 474.687,75
4334 Marrocos 08/11/2006 Magda T 06/1348997-1 FOB 81.900,00 2,1378 175.085,82
4336 Marrocos 08/11/2006 Magda T 06/1348971-8 FOB 131.300,00 2,1378 280.693,14
4339 Argélia 24/11/2006 Rojen 06/1425180-4 FOB 238.500,00 2,1623 515.708,50
4335 Marrocos 08/11/2006 Magda T 06/1348933-5 FOB 38.792,00 2,1378 82.929,53
4476 Argélia 02/02/2007 Sifnos Bay 07/0146227-7 FOB 309.000,00 2,1247 656.532,30
Total - - - - - - - 3.515.675,11

Quanto à aplicação da penalidade, o julgador


singular aplicou aquela que consta da inicial, multa do artigo
84, da Lei nº 5.900/1996, vigente à época em que foi proferida

ACÓRDÃO CTE Nº 038/2013 Página 6


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decisão; sendo que posteriormente a Lei nº 7.079/09, revogou o


artigo 84, reclassificando (Reclassificação qualificada) sua
penalidade (multa) para o artigo 79, da mesma lei, motivo pelo
qual, aplica-se a presente autuação a penalidade prevista no
artigo 79, da Lei nº 5.900/1996.

Nesta situação o crédito tributário tem como


valor o que abaixo se demonstra.

DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM R$

Base de cálculo do imposto 3.515.675,11


ICMS (17%) 597.664.73
Multa 298.832,36
Total 896.497,09

O crédito tributário no valor de R$ 896.497,09


(oitocentos e noventa e seis mil, quatrocentos e noventa e
sete reais e nove centavos), deverá ser recolhido com os
acréscimos previstos em lei.

Pelo exposto, ACORDAM OS MEMBROS DO CONSELHO


TRIBUTÁRIO ESTADUAL – CTE, por unanimidade de votos, conhecer
do Recurso Ordinário e negar-lhe provimento. Mantida a decisão
singular que julgou Procedente em Parte o lançamento com a
adequação da penalidade aplicada, acarretando sua redução.

Conselho Tributário Estadual, Sala das Sessões


em Maceió, 19 de fevereiro de 2013.

SÉRGIO GUILHERME A. DA S. FILHO ODETE MINEIRO DA PAZ


PRESIDENTE RELATORA

PAULO DE TARSO DA C. SILVA CARLOS HENRIQUE M. BRANDÃO


JULGADOR JULGADOR

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SESSÃO ORDINÁRIA: Nº 05 – REALIZADA: 19/02/2013 – 1ª CÂMARA.


PROCESSO: 1500-000.972/2002 E CTE Nº 333/2012.
ANEXOS: 1500-003.267/2002.
AUTO DE INFRAÇÃO: 021.998, DE 15/01/2002.
AUTUADA: R M A MARANHÃO SILVA.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 24.091.877-0.
DECISÃO MONOCRÁTICA: 17.396/2010.
ASSUNTO: REEXAME NECESSÁRIO.
AUTUANTE: RONALDO GUEDES DE ARAÚJO E OUTROS.
RELATORA: ODETE MINEIRO DA PAZ.
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA.
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO.

ACÓRDÃO 039/2013

EMENTA: ICMS - Obrigação Acessória. 1) Falta


de recolhimento de ICMS pela não escrituração
de notas fiscais no LREM na forma e no prazo
regulamentar. 2) Infração comprovada em parte
pela juntada de cópias das notas fiscais e do
LREM. 3) O Pagamento do Crédito Tributário
ocorreu antes do Reexame Necessário, não
havendo que se falar em crime contra a ordem
tributária. 4) Lançamento Procedente em
Parte. 5) Reexame Necessário conhecido e
improvido. Mantida a decisão singular.

Relatório

Trata-se de auto de infração lavrado contra a


empresa R M A MARANHÃO SILVA, já qualificada, tendo por objeto
a cobrança de crédito tributário no valor de R$ 9.037,17 (nove
mil e trinta e sete reais e dezessete centavos), por haver a
empresa autuada deixado de escriturar no LREM notas fiscais de
nºs 3969; 428; 1008; 1261; 1629; 1979; 2436; 3043; 3294; 3669;
3668; 4297; 5514; 5515; 5942; 6538; 7098; 7097; 7783; 8249;
9115; 9116; 9699; 11044; 11045; 22866; 23972; 24735; 24736;
24745; 24746; 844; 1194; 3037; 2996; 1570; 3827; 4179; 6573;
7504; 8523; 10017; 10970; 14845; 12719; 17788; 13629; 16838;
17876; 18434; 19273 e 19272; utilizando-se do artifício da
adulteração, rasurando e procedendo a registros incorretos no
LREM com o intuito de fraudar o fisco estadual; ficando o
referido livro retido para exame de grafotecnia e apuração do
Crime Contra a Ordem Tributária pelo Ministério Público.

Apontados como infringidos os artigos 31, §§


1º e 2º; e 49, II, III, VI, e VIII; e 280, do RICMS/91. Sendo

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sugerida a aplicação da penalidade prevista no artigo 105, da


Lei Estadual nº 5.900/1996.

A inicial está instruída com relatório de


dados cadastrais do contribuinte; cópia (xerox) do cartão de
autógrafo; planilha de apuração do débito; cópias das notas
fiscais apontadas como não escrituradas e o LREM nº 01 (um).

DA DEFESA

A autuada apresentou defesa, tempestiva,


alegando que o auto de infração, por sua natureza meramente
punitiva, não tem o condão de tornar exigível eventual crédito
tributário; o auto de infração deve ser declarado nulo por não
terem sido preenchidos os campos destinados ao seu ramo de
atividade; a qualificação do sócio/titular e do responsável
pela escrita fiscal e contábil, os cargos dos autuantes e a
qualificação completa da autuada, no campo da discriminação
dos fatos os autuantes indicaram o não recolhimento em face da
não escrituração de notas fiscais, para logo adiante constatar
que houve o registro incorreto, dessas mesmas notas fiscais;
no campo destinado às penalidades, consta o artigo 105, da Lei
nº 5.900/1996; c/c o artigo 848, do RICMS/91, que não guardam
relação com os fatos descritos; antes de qualquer ação fiscal,
constatando a falta de registro de algumas notas fiscais,
procedeu ao registro das mesmas no livro fiscal próprio; não
há como caracterizar a ocorrência de fraude, adulteração, ou
mesmo falsificação de documento fiscal com o intuito de
cometer fraude, por ter tentado sanar a omissão antes da ação
fiscal. Por fim, pede a improcedência do auto de infração.

CONTRARRAZÕES

O autuante apresentou contrarrazões alegando


que o lançamento é procedimento administrativo para verificar
a ocorrência do fato gerador da obrigação, identificar o seu
sujeito passivo, determinar a matéria tributável e calcular o
montante do crédito tributário aplicando se for ocaso a
penalidade cabível na forma disposta no artigo 126, da Lei nº
4.418/1982; a autuada deixou de escriturar as notas fiscais
relacionadas, utilizando-se de adulteração, rasura e efetuando
registros incorretos em seu LREM nº 01 (um) com o intuito de
fraudar o fisco; os valores registrados estão arredondados,
diferentes dos reais valores constantes das notas fiscais
relacionadas no auto de infração, estando lançados com outro
tipo de caneta (tinta com outra tonalidade); não foram
adicionados nas respectivas colunas (valor contábil, base de
cálculo, imposto creditado), ficando evidente que as notas

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fiscais não foram registradas no prazo regulamentar; sendo


intempetível esse lançamento, configurando dolo em virtude da
fraude praticada. Por fim, pede a procedência da autuação.

Em 09/11/2010, foi proferida a Decisão nº


17.396/2010, de Primeira Instância que julgou procedente em
parte o lançamento com a ementa.
EMENTA: ICMS. Lançamento de ofício. Não
escrituração de notas fiscais, no Livro Registro
de Entradas de Mercadorias, na forma e prazo
regulamentar. Ilícito comprovado mediante
anexação de cópias das referidas notas fiscais,
do citado Livro, bem como confissão da autuada.
Infração ao § 1º, do art. 50 da Lei nº
5.900/1996, combinado com o § 1º, do art. 275 do
RICMS/1991, bem como a norma antecedente do art.
121 da Lei nº 5.900/1996. Lançamento PROCEDENTE
EM PARTE. Após o trânsito em julgado, por
sugestão dos autuantes, encaminhar o Presente
para o Ministério Publico. Reexame Necessário
pelo CTE (art. 48 da Lei nº 6.771/2006).

Intimada desta decisão a autuada recolheu o


crédito tributário em 29/11/2010, no valor apontado na decisão
singular através de PPI (Decreto nº 4.147/2009). Assim, chegam
os autos a este Conselho para análise do Reexame Necessário.

É o relatório.

ACÓRDÃO CTE Nº 039/2013 Página 3


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Voto

Trata-se de Reexame Necessário da Decisão nº


17.396/2010, de Primeira Instância, que julgou procedente em
parte o lançamento constante do auto de infração nº 021.998.

Inicialmente, cabe observar-se que a autuação


trata da falta de recolhimento de ICMS em razão da falta de
escrituração no LREM de diversas notas fiscais mediante rasura
e adulteração com o intuito de fraudar o fisco estadual.

A análise dos autos demonstra que o Reexame


Necessário foi motivado pela redução do crédito tributário por
ter o julgador singular reduzido o valor do crédito tributário
julgando Procedente em Parte o Lançamento.

A autuada em sua defesa rebateu a acusação


sob a alegação de que registrara as notas fiscais, anexando
cópias do LREM. O julgador singular decidiu pela procedência
parcial do lançamento, afirmando que a autuada não deixou de
escriturar as notas fiscais, mas que escriturou seu LREM em
desacordo com a legislação, condenando-a a recolher a multa
prevista no artigo 121, da Lei Estadual nº 5.900/96, ou seja,
a recolher 05 (cinco) UPFAL’s; valor que foi recolhido pela
autuada em 29/11/2010, através de PPI (Decreto nº 4.147/2009);
não acarretando de logo a extinção do crédito tributário por
estar pendente a análise do Reexame Necessário.

DO REEXAME NECESSÁRIO

Está correto o julgador singular ao afirmar


que à autuada ao registrar as notas fiscais com algumas
rasuras e com alguns valores arredondados infringindo o artigo
275, do RICMS/91; porém, esses arredondamentos são valores tão
DIMINUTOS que não chegaram a causar prejuízo ao fisco, nem a
se constituir crime contra a ordem tributária.
“Art. 275 - O lançamento nos livros fiscais serão feitos a tinta,
com clareza, não podendo a escrituração atrasar-se por mais de 5
(cinco) dias, ressalvados os livros a que forem atribuídos prazos
especiais.
§ l º - Os livros não poderão conter emendas ou rasuras e seus
lançamentos serão somados nos prazos regulamentares.
(...)”

Quanto à aplicação da penalidade e ao crime


contra a ordem tributária, há de se discordar do fisco, haja
vista, que com a falta da totalização dos valores referentes
ao crédito do imposto a autuada deixou de utilizá-lo quando da
apuração do ICMS a recolher, prejudicando-se, fato que não tem

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subsunção com a penalidade prevista no artigo 105, da Lei


Estadual nº 5.900/1996. Como a autuada deixou de registrar seu
LREM de acordo com o artigo 275, do RICMS/91, há de se aplicar
neste caso, a penalidade prevista no artigo 121, da Lei nº
5.900/1996, como consta da decisão singular.
“Art. 121 - Não escriturar os livros fiscais na forma e prazos
regulamentares, a exceção do Livro de Registro de Inventário:
MULTA - de 05 (cinco) vezes a UPFAL por livro.
(...)”
Grifei...

Há de ser observado que a autuada já efetuou


o recolhimento total do crédito tributário através de PPI como
já demonstrado. Nesta situação, há de se reconhecer a extinção
do referido crédito por pagamento, nos termos do artigo 65, da
Lei Estadual nº 4.418/1982, não havendo mais que se falar em
crime contra a ordem tributária.
“Art. 65 - Extinguem o crédito tributário:
(...)
I - o pagamento;
(...)”

Pelo exposto, ACORDAM OS MEMBROS DO CONSELHO


TRIBUTÁRIO ESTADUAL – CTE, por unanimidade de votos, conhecer
do Reexame Necessário e negar-lhe provimento. Mantida a
decisão singular.

Sala das sessões do CTE, em Maceió, 19 de


fevereiro de 2013.

SÉRGIO GUILHERME A. DA S. FILHO ODETE MINEIRO DA PAZ


PRESIDENTE RELATORA

PAULO DE TARSO DA C. FILHO CARLOS HENRIQUE M. BRANDÃO


JULGADOR JULGADOR

ACÓRDÃO CTE Nº 039/2013 Página 5


GOVERNO DO ESTADO
SECRETARIA EXECUTIVA DE FAZENDA
CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL
____________________________________________________________________________________________

SESSÃO ORDINÁRIA: Nº13 – 2ª CAMARA – REALIZADA:05/04/2013


PROCESSO: SF 1500-004491/1991; CTE 1247/2010.
AUTO DE INFRAÇÃO: 049217, de 17/04/91
RECORRENTE: FAZENDA ESTADUAL.
RECORRIDO: ALONÇO SANTINO DOS SANTOS.
RELATOR: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES.
PRESIDENTE: PATRÍCIA DE MELO MESSIAS
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO Nº 04/2013

EMENTA: ICMS. FALTA DO RECOLHIMENTO DO


IMPOSTO. DEFICIÊNCIA NA INSTRUÇÃO DO
LANÇAMENTO FISCAL. INVIABILIDADE DA SUA
MANUTENÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 118,
PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI 4418/82 - NULIDADE DA
AUTUAÇÃO. REMESSA NECESSÁRIA CONHECIDA E NÃO
PROVIDA.

RELATÓRIO

Trata-se de remessa necessária que chega para análise deste Colegiado Administrativo conforme
imposição da norma jurídica contida no art. 48, da Lei n ° 6.771/2006 (PAT), isto em vista da decisão da Douta
Coordenadoria de Julgamento, donde resultou na sucumbência da Fazenda Estadual em face da decisão pela
improcedência do lançamento.

Em momento prévio ao anunciado reexame, convém destacarmos que o auto de infração


imputou ao contribuinte as seguintes condutas anti-jurídicas: (i) omitiu vendas de mercadorias no exercício de
1990; (ii) não recolhimento do ICMS no mês de 08/90; (iii) crédito indevido de ICMS por registro em
duplicidade de notas fiscais de entradas; (iv) não apresentação de balanço econômico no exercício de 1990; e, (v)
não escrituração do Livro De Inventário no exercício de 1990.

A despeito de regularmente intimado, o contribuinte não impugnou o lançamento contra si


lavrado, tendo sido lavrado o termo de revelia em 11/06/91.

Em junho de 1995, a então Coordenadora da primeira instância de julgamento, a saldosa


Conselheira Célia Braga de Albuquerque, determinou ao autuante que anexasse as provas da materialidade das
infrações relatadas na peça inicial.

ACÓRDÃO 004/2013 Página 1


GOVERNO DO ESTADO
SECRETARIA EXECUTIVA DE FAZENDA
CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL
____________________________________________________________________________________________

Em resposta, fora informado que o auto teria sido apropriadamente instruído à época do
lançamento, mas que em ato de má-fé retirados do processo, informando, ao final, pela inviabilidade da instrução
no momento.
O próximo ato praticado no curso do processo administrativo foi a decisão ora em reexame,
que entendeu pela nulidade do lançamento por ausência de provas.

Intimados, representação fiscal e contribuinte quedaram-se silentes.

É o que interessa ao julgamento.

VOTO

De fato, exsurge dos autos a total ausência de documentos que instruam a materialidade
informada pela fiscalização como hábil a fazer irromper o vínculo jurídico que estabelece ao contribuinte o dever
de recolher determinada quantia a título de tributo ao Estado.

Ademais, o fiscal não logrou êxito em sanar o defeito inicial da autuação quando instado a
fazê-lo em diligência.

O mesmo ocorre em relação ao suposto extravio, pois em momento algum dos autos foi trazido
à colação a intimação do contribuinte para apresentação dos respectivos documentos, o que autorizaria o
lançamento por presunção, se desatendida aquela.

Tais situações contrariam o que exige o art. 118, parágrafo único, da Lei n. 4.418/82, que exige
a regular instrução com elementos que sirvam a demonstrar a certeza e liquidez do crédito tributário, situação
que não se percebe dos autos. Confira-se o texto do preceptivo:

Art. 118 - As ações ou omissões contrárias à Legislação Tributária, serão apuradas em


Processo Administrativo Fiscal (PAF).

Parágrafo único - O Processo Administrativo Fiscal inicia na repartição fiscal competente,


mediante autuação dos documentos necessários à apuração da liquidez e certeza do crédito
tributário não regularmente recolhido, organizando-se à semelhança de autos forenses, com
folhas devidamente numeradas e rubricadas. (grifamos)

No mesmo sentido o art. 891, IV, do RICMS/AL, in vebis:

Art. 891 O processo administrativo fiscal decorrente de Auto de Infração deve ser instruído
com: (...)

IV - as provas necessárias à demonstração do fato argüido, inclusive cópias dos documentos


que serviram de base para a apuração das irregularidades.

Enfim, a deficiência da instrução prejudica a autuação, isto em virtude da impossibilidade deste


Órgão Julgador aferir os fatos relatados.

Sobre a matéria, e destacando a importância da regular instrução do lançamento fiscal,


abalizadas são as lições da professora Doutora MARIA RITA FERRAGUT, em artigo publicado no livro Curso
de Especialização em Direito Tributário. Estudos Analíticos em Homenagem a Paulo de Barros Carvalho.

ACÓRDÃO 004/2013 Página 2


GOVERNO DO ESTADO
SECRETARIA EXECUTIVA DE FAZENDA
CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL
____________________________________________________________________________________________

Editora Forense. Rio de Janeiro. 2005, p. 314/315, as quais recortamos algumas passagens e abaixo
reproduzimos:

“O distanciamento entre o objeto e o juízo, construído pelo ser cognoscente a seu respeito, é
inevitável. (...)

A verdade encontra-se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar
idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificar-se de sua exatidão jurídica.
Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. (...)

Ao referir-se a fatos, a prova deverá evidenciar a correspondência entre o enunciado e a


manifestação do evento. (...) Atingir o evento, que é passado, é impossível, bastando para o
mundo jurídico construí-lo de forma a provar sua existência ou inexistência.”

Não tendo assim se dado, correta a motivação da Coordenadoria de Julgamento, apenas


discordando este relator da suas conclusões, pois entendemos que deveriam ser pela nulidade em relação à
referida materialidade.

Ante ao exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA DO CONSELHO


TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade de votos, conhecer da presente remessa
necessária para NEGAR-LHE PROVIMENTO.

Sala de Sessões do CTE. Maceió/AL, 15 de janeiro de 2013.

PATRÍCIA MELO MESSIAS LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES


PRESIDENTE RELATOR

JOSÉ PEDRO DA SILVA MÁRIO SÉRGIO MARTINS CASTRO


JULGADOR JULGADOR

ÁLVARO ARTHUR L. A. FILHO


JULGADOR

ACÓRDÃO 004/2013 Página 3


SESSÃO ORDINÁRIA: Nº 05 – REALIZADA: 19/02/2013 – 1ª CÂMARA.
PROCESSO: 1500-000020/2008
AUTO DE INFRAÇÃO: N.º 99.72227-001, 26/12/2007.
RECORRENTE: CYCOSA CAMINHÕES LTDA.
RECORRIDO: ESTADO DE ALAGOAS.
RELATOR: PAULO DE TARSO DA COSTA SILVA
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO

ACÓRDÃO 041/2013

EMENTA: AUTO DE INFRAÇÃO – UTILIZAÇÃO


INDEVIDA CRÉDITO – INFRAÇÃO PARCIALMENTE
ELIDIDADE PELA RECORRENTE PELA APRESENTAÇÃO
DO DOCUMENTO DE ARRECADAÇÃO QUE ORIGINOU O
CRÉDITO FISCAL – AUTENTICIDADE DO DOCUMENTO
RECONHECIDA PELA DIRAC – RECURSO E REEXAME
NECESSÁRIO CONHECIDOS E PROVIDOS
PARCIALMENTE. DECISÃO REFORMADA
PARCIALMENTE.

RELATÓRIO

Trata-se de Recurso Ordinário interposto pela empresa


CYCOSA CAMINHÕES LTDA, em face da decisão n.º 18.040/2011
oriunda da Coordenadoria de Julgamento – CJ, que julgou
parcialmente procedente o crédito tributário cobrado neste
auto de infração n.º 99.72227-001.

Saliente-se que a infração materializada no presente


processo administrativo fiscal refere-se à utilização indevida
de crédito fiscal à maior, decorrente do ICMS antecipado pago,
determinando a falta de recolhimento de ICMS nos períodos de
novembro de 2004 e novembro de 2005.

A Coordenadoria de Julgamento, por sua vez, julgou


parcialmente procedente o auto de infração, reconhecendo o
fato de a Recorrente ter utilizado crédito indevido no valor
de R$ 16.473,29 no mês de novembro de 2004, e R$ 19,80
referente ao mês de novembro de 2005.

Em suas razões recursais, a Recorrente alega que “o


crédito tributário em foco refere-se ao pagamento do DAR no
valor de R$ 16.437,29, em 19/11/2004, não considerado pelo
autuante, tendo em vista a omissão da inscrição estadual no
citado documento, por este motivo, não foi localizado no banco
de dados desta Secretaria.” Em sendo assim, requer seja
reconhecida a improcedência do mencionado auto de infração.
ACÓRDÃO CTE Nº 041/2013 Página 1
Instado a se manifestar, a Representação Fiscal alega
que, “mesmo admitindo como verdadeiras as alegações da
recorrente, e comprovado o efetivo pagamento do DAR, por ela
mencionado, a compensação dos valores pagos, deve obedecer ao
procedimento que a lei determina”. Assim, requer a manutenção
da decisão da Coordenadoria de Julgamento.

Foi requisitada diligência por este Relator, no


sentido de confirmar a autenticidade do aludido documento de
arrecadação pela DIRAC, inclusive se o mesmo refere-se à
empresa autuada, uma vez que no DAR carreados aos autos pela
Recorrente não consta qualquer CACEAL no mesmo.

Em resposta à diligência, a DIRAC informou que: (i)


através de uma simples consulta ao Cadastro do Sistema Gestor,
qualquer servidor da SEFAZ pode verificar que o CNPJ n.º
04.757.705/0001-09 (utilizado no referido DAR) pertence ao
CACEAL 24101018-7 (fls. 39); (ii) o DAR acostado às folhas 09
do processo anexo 1500-023271/2011 pertence ao CACEAL
24101018-7 e foi devidamente recolhido aos cofres públicos
(folhas 39 e 40).

É o relatório.

VOTO

Assiste razão à Recorrente ao alegar que “o crédito


tributário em foco refere-se ao pagamento do DAR no valor de
R$ 16.437,29, em 19/11/2004, não considerado pelo autuante,
tendo em vista a omissão da inscrição estadual no citado
documento, por este motivo, não foi localizado no banco de
dados desta Secretaria.”

Com efeito, a resposta da DIRAC oferecida à


diligência solicitada por este Relator foi esclarecedora ao
assegurar “que o DAR acostado às folhas 09 do processo anexo
1500-023271/2011 pertence ao CACEAL 24101018-7 e foi
devidamente recolhido aos cofres públicos (folhas 39 e 40)”.

Em sendo assim, resta descaracterizada a infração


materializada nos autos quanto à utilização de crédito
indevido no valor de R$ 16.473,29, no mês de novembro de 2004,
uma vez que a própria DIRAC reconhece sua autenticidade e
efetivo recolhimento do imposto lançado como crédito, não
existindo qualquer dúvida no tocante que o referido DAR está

ACÓRDÃO CTE Nº 041/2013 Página 2


vinculado ao CACEAL da Recorrente, conforme expressamente
consignado pela DIRAC em sua resposta à diligência.

Contudo, o mesmo não se pode afirmar em relação ao


uso indevido do crédito de R$ 19,80 no mês de novembro de
2005, não havendo qualquer prova nos autos capaz de elidir a
aludida infração, devendo a mesma ser mantida nos autos.

Face ao exposto, ACORDAM OS MEMBROS DO CONSELHO


TRIBUTÁRIO ESTADUAL – CTE, por unanimidade de votos, conhecer
do Recurso Ordinário e do reexame necessário para, no mérito,
dar-lhes provimento parcial, no sentido afastar a infração
materializada nos autos quanto à utilização de crédito
indevido no valor de R$ 16.473,29, no mês de novembro de 2004,
mantendo a condenação apenas em relação ao uso indevido do
crédito fiscal no mês de novembro de 2005, no valor de R$
19,80, acrescido da multa prevista no art. 93 da Lei 5.900/96.

Sala das Sessões do CTE, em Maceió/AL, 19 de


fevereiro de 2013.

SÉRGIO GUILHERME A. DA S. FILHO PAULO DE TARSO DA C. SILVA


PRESIDENTE RELATOR

ODETE MINEIRO DA PAZ CARLOS HENRIQUE M. BRANDÃO


JULGADORA JULGADOR

ACÓRDÃO CTE Nº 041/2013 Página 3


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SESSÃO ORDINÁRIA: Nº 06 – REALIZADA: 21/02/2013 – 1ª CÂMARA.


PROCESSO: 1500-014.406/2000 E CTE Nº 306/2011.
ANEXO: 1500-015.296/2000.
AUTO DE INFRAÇÃO: 019.270, DE 06/09/2000.
AUTUADA: I M DA SILVA.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 24.096.498-5.
DECISÃO MONOCRÁTICA: 17.904/2011.
ASSUNTO: REEXAME NECESÁRIO.
AUTUANTE: OZEAS TAVARES DA SILVA E OUTROS.
RELATORA: ODETE MINEIRO DA PAZ.
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA.
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO.

ACÓRDÃO 042/2013

EMENTA: ICMS – Obrigação principal. 1) a)


Omissão de saidas apuradas através de
Levantamento Físico de Estoque. b) Omissão de
receitas apuradas por Levantamento Físico de
Estoque. 2) Infrações não comprovadas por
falta de provas não sendo possível apurar
omissão de receitas através do Levantamento
físico de Estoque. 3) Lançamento improcedente.
4) Reexame Necessário conhecido e provido.
Reformada a decisão a quo por ser improcedente
o lançamento.

Relatório

Trata-se de auto de infração lavrado contra I


M DA SILVA, já qualificada, tendo por objeto a cobrança de
crédito tributário no valor de R$ 24.178,18 (vinte e quatro
mil, cento e setenta e oito reais e dezoito centavos), por
haver a empresa autuada:

1) Omitido saídas de mercadorias referente ao


periodo de 01/01/2000 a 20/07/2000, fato apurado mediante
Levantamento Físico de Estoque.

2) Omitido receitas mediante aquisição de


mercadorias com Caixa 2 (dois), no período de janeiro/2000 a
julho/2000, apurado através de Levantamento Físico de Estoque.

Apontados como infringidos os artigos 1º, I;


2º, I, § 2º, II; 6º, I, e XII, da Lei nº 5.900/1996; e 2º, I;
49, II, VII e VIII; 54, VI; 136, I; 143; 145, I; 280, § 2º, do
RICMS/91. Sugerida a aplicação da penalidade prevista no
artigo 84, da Lei nº 5.900/1996.

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A inicial está instruida com demonstrativo do


débito; cópia do LRIM; Termo de contagem de estoque existente
em 20/07/2000; Mapa de Controle físico de mercadoria (CFM) e
Mapa Controle Quantitativo de mercadoria (CQM).

DA DEFESA

A autuada apresentou defesa alegando que o


auto de infração não pode cobrar omissão de receita apurada
através de Levantamento Físico do estoque de Mercadorias; não
teria embasamento legal, haja vista, que o valor constante do
demonstrativo de débito encontra-se em conflito com o artigo
5º, II, da CF/88. Por fim, pede a improcedência da autuação

DAS CONTRARRAZÕES

O autuante apresentou contrarrazões alegando


que a autuada em nenhum momento teria contestado a diferença
proveniente da falta de emissão de documento fiscal nas saídas
de mercadorias; a omissão de receitas consiste na aquisição de
mercadorias com Caixa 2 (dois), ou seja, com receita de origem
não comprovada; não apresentou provas que pudessem alterar o
teor da autuação. Por fim, pede a procedência da autuação.

Em 05/05/2011, foi proferida a Decisão nº


17.904/2011, de Primeira Instância, que julgou Procedente em
Parte o Lançamento com a ementa.

EMENTA: ICMS. 1. A acusação fática imputada sobre


a presunção de saída ref. 2000 será acolhida uma
vez que ficou caracterizada a aquisição de
mercadorias cuja entrada não foi escriturada no
livro registro de entradas. (art. 2º, I, §2º, II,
da lei 5900/96), bem como a diferença de estoque
no levantamento fiscal. (art. 2º, I, §9º, VII, da
lei 5900/96) 2. O levantamento fiscal foi
acompanhado das provas documentais: a) controle
físico da mercadoria (CFM); b) controle
quantitativo de mercadoria (CQM); c) cópias do
livro registro de inventário relativo aos
estoques existentes em 31/12/1999 e Termo de
contagem física de estoque existente em
20/07/2000. 3. Base de cálculo do ICMS conforme
disposto no art. 6, XII, b, XVII, da Lei n.
5900/96. 4. Aplicação da multa do art. 79 da lei
5900/96, em razão da revogação do art. 84, e por
ser mais benéfica ao réu porque enuncia no seu
preceito secundário uma multa equivalente a 50%
do imposto devido. 5. Lançamento do crédito

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tributário PROCEDENTE em parte. 6. Reexame


necessário ao Conselho Tributário Estadual.

A autuada foi intimada da decisão singular,


não se pronunciando. A Diretoria de Representação Fiscal tomou
ciência da mesma decisão, não se pronunciou. Assim, chegam os
autos a este Conselho para Reexame Necessário.

É o relatório.

Voto

Trata-se de Reexame Necessário da Decisão nº


17.904/2011, de Primeira Instância, que julgou Procedente em
Parte o Lançamento constante do auto de infração n° 019.270.

A análise dos autos demonstra que os autos


tratam de omissão de saídas e de omissão de receitas apuradas
através de Levantamento Físico do Estoque.

Com relação à omissão de vendas, primeira


infração, diferentemente do julgador singular, entendo que os
documentos utilizados na contagem do estoque não se prestam a
tal apuração, bem como, não estão acompanhados de cópias das
notas fiscais (entradas e saídas) conforme exigia a legislação
vigente à época da autuação.
“Art. 891 - O processo fiscal contencioso deverá ser instruído,
consoante a infração detectada, com os seguintes documentos:
(...)

V - cópia dos documentos que serviram de base para a apuração das


irregularidades, em qualquer caso;
(...)”

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Quanto à infração, por omissão de receitas,


como bem afirma a autuada em sua defesa, não se pode apurar a
conta caixa e principalmente a ocorrência de Caixa 2 (dois) a
partir de Levantamento do estoque Físico de Mercadorias. Não
resta nenhuma dúvida de que o Lançamento apesar instruido com
vasta documentação fiscal, a mesma comprova sua improcedência
nas duas situações, haja vista, na primeira, faltar à prova
principal, cópias das notas fiscais, e na segunda, as provas
não se prestaria a comprovação de omissão de receitas.

Pelo exposto, ACORDAM OS MEMBROS DO CONSELHO


TRIBUTÁRIO ESTADUAL – CTE, por unanimidade de votos, conhecer
do Reexame Necessário e dar-lhe provimento. Reformada a
decisão singular, em razão da Improcedência do Lançamento.

Sala das Sessões do CTE, em Maceió, 22 de


fevereiro de 2013.

SÉRGIO GUILHERME A. DA S. FILHO ODETE MINEIRO DA PAZ


PRESIDENTE RELATORA

PAULO DE TARSO DA C. SILVA CARLOS HENRIQUE M. BRANDÃO


JULGADOR JULGADOR

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SESSÃO ORDINÁRIA: Nº 06 – REALIZADA: 21/02/2013 – 1ª CÂMARA.


PROCESSO: 1500-000388/2001 E CTE N.º 06/2012
AUTO DE INFRAÇÃO: N.º 021221, DE 04/01/2001.
AUTUADA: KWIKASAIR CARGAS EXPRESSAS S/A.
RELATOR: PAULO DE TARSO DA COSTA SILVA.
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA.
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO.

ACÓRDÃO 043/2013

EMENTA: AUTO DE INFRAÇÃO – OBRIGAÇÃO


ACESSÓRIA – FATOS GERADORES DE 1996, 1997 E
1998 – AUTO DE INFRAÇÃO DATADO DE JANEIRO
DE 2001 – ADITAMENTO DO AUTO INFRAÇÃO EM
FEVEREIRO DE 2007 – VIOLAÇÃO AO ARTIGO 149,
§ ÚNICO C/C ART. 173 DO CTN –
IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DO LANÇAMENTO –
DECURSO DO PRAZO – DECADÊNCIA CONFIGURADA –
CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO – INTELIGÊNCIA
DO ART. 156, V, DO CTN.

RELATÓRIO

Trata-se de auto de infração lavrado contra a


empresa KWIKASAIR CARGAS EXPRESSAS S/A, no importe de R$
1.621,00 (mil e seiscentos e vinte e um reais), em razão de a
empresa ter deixado de apresentar os balanços (Declarações do
Movimento Econômico) nos exercícios de 1996 a 1998.

O auto de infração foi lavrado com fundamento no


art. 49, XIV, b, § 1º do RICMS/AL, aprovado pelo Decreto n.º
35.245/91, sendo sugerida a aplicação da penalidade prevista
no art. 116, I, da Lei 5.900/96.

Em sede de defesa administrativa, a autuada alega


que a acusação fiscal de ausência de entrega de balanço,
embora verdadeira, ocorreu devido a circunstâncias alheias a
sua vontade, uma vez que os mesmos existiam, apenas não foram
encontrados para entregar ao fiscal quando exigido.

O agente fiscal, por sua vez, alega que a defesa da


autuada é intempestiva, uma vez que apresentada fora do prazo
legal. No mérito, requer a manutenção do auto de infração.

Foi requisitada diligência (058/2001) no sentido de


ser efetuada nova intimação do sujeito passivo determinando a
apresentação dos balanços exigidos na inicial, uma vez que

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inexiste nos autos a prova da intimação da contribuinte.


Solicita, ainda, que o fiscal justifique o valor da multa
aplicada.

Em resposta, o fiscal alegou não ser necessária uma


nova intimação da autuada, tendo em vista que a autuada já
apresentou os balanços por ocasião de sua defesa, porém os
mesmos não estão autenticados. Quanto à multa, o mesmo alega
que arbitrou o valor constante no auto de infração, em razão
de se tratar de uma multa fixa.

Foi requisitada nova diligência (021/2002), no


sentido de que sejam juntados os livros fiscais necessários ao
julgamento do processo. Em resposta, o fiscal informou a
impossibilidade de cumprir a diligência, uma vez que a empresa
desapareceu.

Mais uma vez foi requisitada diligência (005/2006),


determinando a remessa do processo a SARE a fim de que proceda
a correta instrução do processo. A SARE, por sua vez, remeteu
aos autos para o fiscal autuante a fim de que o mesmo cumpra
as diligências anteriormente solicitadas.

Em resposta, o fiscal autuante aditou o auto de


infração, o que resultou no aumento do crédito tributário para
o importe de R$ 9.823,26 (nove mil, oitocentos e vinte e três
reais e vinte e seis centavos). Registre-se que o aditamento
ocorreu em 08 de fevereiro de 2007, ou seja, mais de 06 (seis)
anos após a lavratura do auto de infração.

A autuada foi intimada do através de correspondência


enviada para o domicílio de seu Diretor, que apresentou
requerimento nos autos dando ciência da sua retirada da função
de Diretor da empresa autuada, inclusive anexando a Ata de
Assembleia Geral Ordinária que comprova sua alegação.

Submetido os autos ao crivo da Coordenadoria de


Julgamento - CJ, esta proferiu decisão no sentido de julgar o
auto de infração parcialmente procedente quanto ao exercício
de 1996, reclassificando a multa para o mínimo legal, porém,
em relação aos exercícios de 1997 e 1998, a CJ declarou a
nulidade da autuação.

No essencial, é o relatório.

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VOTO

Mediante uma simples análise dos autos, percebe-se


facilmente que o mesmo encontra-se recheado de nulidades de
todas as formas e espécies. Porém, existe uma delas que se
destaca, qual seja: a decadência do direito do Fisco para
proceder ao aditamento do auto de infração após mais de 06
(seis) anos de sua lavratura, conforme fundamentação que passo
a expor.

Compulsando atentamente os autos, depreende-se que o


auto de infração foi lavrado em 04 de janeiro de 2001, cujo
objeto refere-se às infrações ocorridas nos exercícios de
1996, 1997 e 1998, enquanto que o aditamento ao auto de
infração ocorreu apenas em 08 de fevereiro de 2007.

Ora, o Código Tributário Nacional preconiza


expressamente em seu art. 149, parágrafo único, que “a revisão
do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o
direito da Fazenda Pública.” A doutrina explica o que se
entende por “não extinto o direito da Fazenda Pública”, senão
vejamos:
“Decadência e preclusão. Mesmo nos casos em que
a revisão do lançamento é admitida pela lei,
existe o fator tempo a ser considerado. Assim,
estabelece o parágrafo único deste art. 149 que
a revisão do lançamento só pode ser iniciada
enquanto não estiver extinto o direito da
Fazenda Pública.
Que direito? A resposta é dada pelo art. 173,
que cuida da extinção do direito de a Fazenda
Pública constituir o crédito tributário. Como o
crédito tributário é constituído pelo
lançamento, pode-se dizer que a revisão deste
somente será possível enquanto não estiver
extinto o direito de efetuá-lo, isto é,
enquanto não se operar a decadência, em razão
do decurso do prazo previsto no art. 173.”
(VLADIMIR PASSOS DE FREITAS - Código Tributário
Nacional Comentado, p. 674)

Neste contexto, não restam dúvidas de que a revisão


do lançamento somente seria possível se efetuada no prazo
previsto no art. 173 do Código Tributário Nacional, isto é,
dentro do prazo de 05 (cinco) cinco anos, contados do primeiro
dia seguinte da ocorrência do fato gerador.

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In casu, o último fato gerador descrito no presente


auto de infração refere-se ao exercício de 1998, o que
significa dizer que o prazo limite para que seja efetuado o
lançamento ou que este seja revisto de ofício pelo agente
fiscal seria 31 de dezembro de 2003.

Em sendo assim, não nos resta alternativa se não a de


extinguir o crédito tributário materializado neste auto de
infração, em razão da decadência do direito do Fisco em
efetuar a revisão do lançamento. É importante esclarecer,
ainda, que o lançamento originalmente efetuado encontra-se
eivado de vício insanável, uma vez que o fiscal aplicou a
multa de forma arbitraria, sem obediência aos ditames legais.

Face ao exposto, ACORDAM OS MEMBROS DO CONSELHO


TRIBUTÁRIO ESTADUAL – CTE, por unanimidade de votos, conhecer
do reexame necessário para dar-lhe provimento, no sentido de
ser extinto o crédito tributário por força da decadência, ex
vi do art. 173 c/c com o art. 149, § único, e art. 156, V,
todos do Código Tributário Nacional.

Sala das Sessões do CTE, em Maceió/AL, 21 de


fevereiro de 2013.

SÉRGIO GUILHERME A. DA S. FILHO PAULO DE TARSO DA C. SILVA


PRESIDENTE RELATOR

ODETE MINEIRO DA PAZ CARLOS HENRIQUE M. BRANDÃO


JULGADORA JULGADOR

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PROCESSO: 1500-020931/2007; E CTE 179/2012.
AUTO DE INFRAÇÃO: N.º 70.00224-004, DE 21/05/07.
AUTUADO: M H P ARAÚJO.
RELATOR: PAULO DE TARSO DA COSTA SILVA.
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA.
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO.

ACÓRDÃO 044/2013

EMENTA: AUTO DE INFRAÇÃO – OBRIGAÇÃO


PRINCIPAL – AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ICMS
– OMISSÃO DE VENDA DE MERCADORIA – INFRAÇÃO
DESCARECTERIZADA – EQUÍVOCOS NO LEVANTAMENTO
DO ESTOQUE DE MERCADORIAS - REEXAME
NECESSÁRIO CONHECIDO E IMPROVIDO – DECISÃO DA
CJ MANTIDA. AI IMPROCEDENTE.

RELATÓRIO

Cuida-se de reexame necessário da decisão n.º


18.605/2012 proveniente da Coordenadoria de Julgamento - CJ, que
julgou improcedente o auto de infração n.º 70.00224-004, de
21/05/07, conforme se extrai da ementa do julgamento, a saber:

EMENTA – ICMS. Falta de recolhimento do imposto


constatada mediante levantamento da “Conta
Mercadoria”, realizado nos exercícios de 2002,
2004 e 2005. Inconsistência da planilha elaborada
pelo Fisco para demonstração do débito apurado.
Ausência de provas da materialidade dos fatos
imputados. Ilícitos fiscais não caracterizados.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO IMPROCEDENTE. Reexame
necessário pelo Conselho Tributário Estadual, nos
termos do art. 48 da Lei n.º 6.771/06.
O auto de infração, objeto deste processo
administrativo fiscal, possui os seguintes elementos:
INFRAÇÃO: Omitiu vendas de mercadorias nos
exercícios de 2002, 2004 e 2005, tomando-se como
base de cálculo a diferença positiva entre o
custo das mercadorias vendidas agregado ao lucro
de 30% e as saídas efetivamente declaradas nos
livros fiscais, fato comprovado através de

ACÓRDÃO CTE Nº 044/2013 Página 1


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levantamento específico na sua conta Estoque de


Mercadorias, considerando o lucro bruto real
acumulado.
FUNDAMENTO LEGAL: Art. 2º, § 12º, da Lei 5.900/96
c/c art. 1.000, do RICMS/AL, aprovado pelo
Decreto n.º 35.245/91, aplicando-se a multa
prevista no art. 84 da Lei 5.900/96.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO (IMPOSTO E MULTA): R$
13.343,79 (treze mil, trezentos e quarenta e três
reais e setenta e nove centavos).
Em sede de defesa, a autuada requer a improcedência do
auto de infração, sob o argumento de que o levantamento
realizado pelo fiscal encontra-se viciado, uma vez que o fiscal
considerou na apuração da infração as mercadorias
comercializadas através de substituição tributária, assim como
não foi excluída do vergastado levantamento as mercadorias
isentas ou não tributadas.
Instada a se manifestar, o autuante reiterou os termos
da autuação, pugnando, ao final, pela sua procedência, sob o
argumento de que a contribuinte não apresentou provas de suas
alegações.
Assim chegam os autos ao Conselho Tributário Estadual
para reexame necessário da decisão da Coordenadoria de
Julgamento, nos termos do art. 48, I, da Lei 6.771/96.
No essencial, é o relatório.

VOTO
Cuida-se de reexame necessário da decisão n.º
18.605/2012 proveniente da Coordenadoria de Julgamento - CJ, que
julgou improcedente o auto de infração n.º 70.00224-004, de
21/05/07, por entender que o levantamento realizado pelo fiscal
de tributos não se amolda com os ditames legais estabelecidos na
Lei 5.900/96.

Com efeito, o levantamento da conta mercadoria visa


verificar a exatidão dos lançamentos fiscais efetuados em
determinado exercício por contribuinte que não possua
escrituração contábil para fins de apuração do lucro real,

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tomando-se por base o disposto no art. 2º, §12º da Lei 5.900/96,


in verbis:

Art. 2º Considera-se ocorrido o fato gerador do


ICMS no momento:

...

§ 12 - Considera-se como montante a ser computado


nas saídas tributáveis em operações internas do
contribuinte, a diferença positiva entre a saída
de mercadorias tributadas, tomando como valor o
custo das mercadorias vendidas agregado de 30%
(trinta por cento), e a saída tributada
efetivamente declarada nos livros e/ou documentos
fiscais próprios, apurada no último dia do
exercício financeiro da empresa, na hipótese em
que o contribuinte não possua escrituração
contábil para fins de apuração do lucro real.

No presente caso, depreende-se dos autos que o autuante


não observou legislação tributária estadual com a devida atenção
ao concluir que houve omissão de vendas de mercadorias nos
exercícios indicados, conforme bem consignado pela Coordenadoria
de Julgamento, in verbis:

“Analisando os autos verifica-se que o


procedimento fiscal não se amolda ao fim que se
propõe, pois os parâmetros que resultaram as
diferenças apuradas não estão em conformidade com
o comando legal, senão vejamos.

I – demonstram as cópias de livros fiscais anexas


que parte do valor das mercadorias
comercializadas pela empresa está consignada na
coluna “outras – sem crédito do imposto” ou
coluna “outras – sem débito do imposto”.
Entretanto, conforme planilhas de apuração da
“Conta Mercadorias” de fls. 12 a 14, as operações
ali computadas, todas são tributadas;

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II – o ICMS SOBRE COMPRAS foi computado na


“coluna débito” ao invés da “coluna crédito”;

III – não obstante a juntada de novos documentos


ao processo, não se tem demonstrada a origem dos
valores aproveitados a título de “compras não
contabilizadas”, constantes na coluna “débito”
das referidas planilhas, contrariando o disposto
no art. 891, IV, do RICMS/AL.

Face ao exposto, ACORDAM OS MEMBROS DO CONSELHO


TRIBUTÁRIO ESTADUAL – CTE, por unanimidade de votos, conhecer do
reexame necessário para negar-lhe provimento, mantendo na
íntegra a decisão da CJ, que julgou improcedente o auto de
infração.

Sala de sessões do CTE, em Maceió/AL, 21 de fevereiro de


2013.

SÉRGIO GUILHERME A. DA S. FILHO PAULO DE TARSO DA C. SILVA


PRESIDENTE RELATOR

ODETE MINEIRO DA PAZ CARLOS HENRIQUE M. BRANDÃO


JULGADORA JULGADOR

ACÓRDÃO CTE Nº 044/2013 Página 4


SESSÃO ORDINÁRIA: Nº 06 – REALIZADA: 21/02/2013 – 1ª
CÂMARA.
PROCESSO: 1500-015297/2000 – ANEXO: 1500-015883/2000 –
CTE: 384/2011
AUTO DE INFRAÇÃO: 3274
AUTUADA: PAULO FERREIRA NUNES.
ASSUNTO: REEXAME NECESSÁRIO.
RELATOR: CARLOS HENRIQUE DE MENDONÇA BRANDÃO.
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA.
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO.

ACÓRDÃO 045/2013

EMENTA – ICMS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE


VENDAS DE MERCADORIAS NOS ANOS DE 1998 E
1999. LEVANTAMENTO FINANCEIRO.
INCONSISTÊNCIA DOS ELEMENTOS
COMPROBATÓRIOS DO ILÍCITO TRIBUTÁRIO
RELATIVO AO ANO DE 1999. AUTO DE INFRAÇÃO
PROCEDENTE EM PARTE. REEXAME NECESSÁRIO
IMPROVIDO. AUTO DE INFRAÇÃO PROCEDENTE EM
PARTE.

RELATÓRIO

Trata-se de reexame necessário em virtude da


Decisão de Primeira Instância Administrativa n.º
17.859/11, a qual julgou procedente em parte o auto de
infração n.º 3274 de 26/09/2000, assim ementando:

ICMS. PROCEDIMENTO ORDINÁRIO.


1. Lançamento de ofício de crédito
tributário. 2. Omissão de saídas de
mercadorias depreendida de levantamento
financeiro – Lei n.º 5.900/96, artigo 2º,
§§ 9º e 10º. 3. Fato indiciário
(desembolso superior à receita)
parcialmente demonstrado nos autos. 4.
Presunção legal relativa não infirmada
pela defesa. 5. Lançamento PROCEDENTE EM
PARTE. 6. Duplo grau de jurisdição
administrativa necessário – artigos 48 e
49, § 1º, Lei 6.771/06.

O
auto de infração constituiu crédito tributário
no valor de R$ 11.561,61 (imposto e multa do art. 87 da
Lei n.º 5.900/96) pela presunção de omissão de vendas de

ACÓRDÃO CTE Nº 045/2013 Página 1


mercadorias, apurada através de levantamento financeiro
relativo aos anos de 1998 e 1999.

Instrui o processo: demonstrativo de débito;


planilhas “Auditoria do Movimento Financeiro) – 1998 e
1999; cartão de autógrafos; ficha de Atualização
Cadastral; termos de início e encerramento de
fiscalização; livros Diários n.º 13 e 14; e, finalmente,
balanços patrimoniais de 1997 e 1999.

A empresa autuada apresentou defesa pugnando pela


improcedência do lançamento alegando, em síntese: a) que
as mercadorias que comercializa estão sujeitas à
sistemática da substituição tributária; b) deveria ter
sido deduzido pelo fisco o saldo de caixa; c) não há saldo
credor de caixa.

Em sua contrarrazões, o fiscal pediu a procedência


da autuação, face a constatação de despesas efetuadas
através de recursos de origem clandestina.

Intimados da decisão da Coordenadoria de


Julgamento, o contribuinte e a representação fiscal não se
pronunciaram.

Por fim, os autos foram encaminhados a este


Conselho Tributário para julgamento do reexame necessário.

É o relatório.

VOTO

Trata-se da constituição de crédito tributário


pela suposta omissão de vendas de mercadorias, presumida a
partir de levantamento financeiro relativo aos anos de
1998 e 1999, que, a princípio, demonstraria a ausência de
caixa que justificasse despesas efetuadas pela empresa.

O Julgador monocrático, por sua vez, considerou


que os dados levantados pelo fiscal autuante do ano de
1999, notadamente a divergência entre o saldo de caixa em
dezembro 1998 e o saldo de caixa no começo de 1999, são
inconsistentes.

Nesse contexto, verifica-se que a planilha


elaborada pelo fiscal autuante (fls. 15) contém erro que
impossibilita a real apuração da movimentação financeira

ACÓRDÃO CTE Nº 045/2013 Página 2


do ano de 1999 e, em decorrência, a presunção de omissão
de vendas de mercadorias.

Assim, não se desincumbiu o Fisco em demonstrar


a ocorrência dos fatos descritos no auto de infração,
razão pela qual, ACORDAM OS MEMBROS DO CONSELHO TRIBUTÁRIO
ESTADUAL – CTE, por unanimidade de votos, conhecer do
reexame necessário para negar-lhe provimento, julgando
procedente em parte o auto de infração, mantendo na
íntegra a decisão da Coordenadoria de Julgamento.

Sala de Sessões do CTE, em Maceió, 21 de


fevereiro de 2013.

SÉRGIO GUILHERME A. DA S. FILHO CARLOS HENRIQUE M. BRANDÃO


PRESIDENTE RELATOR

ODETE MINEIRO DA PAZ PAULO DE TARSO DA C. SILVA


JULGADORA JULGADOR

ACÓRDÃO CTE Nº 045/2013 Página 3


SESSÃO ORDINÁRIA: Nº 06 – REALIZADA: 21/02/2013 – 1ª CÂMARA.
PROCESSO: 1500-010422/1998 - CTE 497/2011
AUTO DE INFRAÇÃO: 1593
EMPRESA: IRMÃOS PINTO & C IA. LTDA
RELATOR: CARLOS HENR IQQUE DE MENDONÇA BRANDÃO
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA S ILVA FILHO

ACÓRDÃO 046/2013

EMENTA – ICMS. AUSÊNC IA DA


ASSINATURA DO FISCAL AUTUANTE. AUTO
DE INFRAÇÃO NULO. REEXAME
NECESSÁR IO CONHEC IDO E IMPROVIDO.
AUTO DE INFRAÇÃO NULO.

RELATÓRIO

Trata-se da constituição de crédito tributário no importe de R$


19.867,96 (dezenove mil, oitocentos e sessenta e sete reais e noventa e
seis centavos), em razão de o contribuinte ter deixado “de recolher aos
cofres da Fazenda Estadual a Importância de R$ 13.245,31 (treze mil,
duzentos e quarenta e cinco reais e trinta e um centavos) relativo ao
ICMS normal não recolhido durante o exercício de 1995, apurado através
de levantamento da conta corrente do ICMS e verificação de sua escrita
fiscal”.

Foram apontadas transgressões aos artigos 49, II, VI “a”, VIII ,


81 IV “b” e 100 do RICMS, sendo sugerida a aplicação da penalidade
prevista no artigo 824 do mesmo diploma legal.

Instruem o lançamento: cópia do Cartão de Autógrafo; Relatório


de Dados Cadastrais; Mapa Roteiro de Levantamento Básico da Conta
Corrente do ICM; Relatório de Fiscalização; Ficha informativa de
Registros e Apuração do ICM; cópia do Livro Registro de Apuração do
ICM; e termos de início e encerramento de fiscalização.

ACÓRDÃO CTE Nº 046/2013 Página 1


O contribuinte foi considerado intimado através do edital CAT nº
249-97/0.3, publicado no Diário Oficial do Estado de Alagoas em
20/06/1997.

Termo de revelia lavrado em 07/08/1997.

Em 16/04/1998 os autos foram encaminhados à 1ª CRAF


solicitando providências, “uma vez que o fiscal autuante não assinou o
Auto de infração”. Em 19//08/1998, o auto de infração foi assinado por
fiscal totalmente estranho ao auto de infração.

Através da decisão n.º 18.182/11 a Coordenadoria de Julgamento


julgou nulo o auto de infração por vício de forma, ante a ausência da
assinatura do fiscal autuante.

Intimados, o contribuinte e o fiscal não se manifestaram.

Por fim, os autos foram encaminhados a este Conselho Tributário


para julgamento do reex ame necessário.

É o relatório.

ACÓRDÃO CTE Nº 046/2013 Página 2


VOTO

Em análise reexame necessário da decisão da


Coordenadoria que entendeu pela nulidade do auto de infração por vício
de forma, ante a ausência da assinatura do fiscal autuante.

Com razão o Julgador de piso.

Nesse diapasão estabelece o Código Tributário Nacional,


em seu artigo 142, in verbis:

Art. 142. Compete pri vati vamente à autoridade administrativa


constituir o crédito tributário pelo lançamento, assi m
entendido o pr ocedi mento administrati vo tendente a verificar a
ocorrência do fato gerador da obri gação correspondente,
deter minar a matéria tributável, calcular o montante do tributo
devido, identificar o s uj eito passivo e, sendo o caso, propor a
aplicação da penalidade cabível .

A ausência da assinatura no auto de infração corresponde


a ausência da própria autoridade lançadora, situação que
inequivocamente impõe a conclusão da nulidade do documento.

A rigor, nenhum crédito foi constituído.

ACÓRDÃO CTE Nº 046/2013 Página 3


Não se trata de rigor excessivo. Até porque a legislação
estadual dispõe que “incorreções ou omissões não acarretam a nulidade
do processo, quando dele constarem elementos suficientes para
determinar com segurança a natureza da infração e a pessoa do infrator”
(art. 126, § 2º, da Lei 4.4418/82).

No caso dos autos, não há qualquer segurança dos


elementos constantes no indigitado auto de infração, na medida em que o
próprio fiscal que supostamente os não subscreve o documento.

Sobre o tema, os Tribunais têm decidido:

TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIV IL. EMBARGOS À


EXECUÇÃO FISCAL. INSUFIC IÊNCIA DE GARANT IA.
CONHECIMENTO DOS EMBARGOS. AUTO DE INFRAÇÃO.
AUSÊNCIA DE ASSINATURA DA AUTORIDADE
AUTUANTE. NULIDADE INSANÁVEL. EX ISTÊNCIA DO
CRÉDIT O COMPROMETIDA. I – Confor me pacífica
j urisprudência do STJ, a garantia parcial do j uízo não inibe o
conheci mento dos embar gos à execução fiscal, podendo o
reforço ser efetivado a qualquer tempo. II – A ausência de
assinatura do agente fiscal responsável pela lavratura do auto
de infração (art.10, do Decreto 70.235/72) constitui causa de
nulidade insanável, havendo quem defenda que compromete a
própria existência do ato por ele representado, expondo o
contribuinte a uma série de riscos incompatí veis com a
segurança e transparência que se espera da atividade fiscal. III
– A mera aposição de visto por super visor que não participou
do ato documentado não supre a deficiência essencial
caracterizada pela falta de assinatura. IV – Apelação e remessa
não providas. AC 200002010220909 Desembar gador Federal
ANTONIO HENRIQ UE C. DA SILV A TRF2 DJU -
Data::27/04/2009

ACÓRDÃO CTE Nº 046/2013 Página 4


Ante o exposto, ACORDAM OS MEMBROS DO
CONSELHO TRIBUTÁR IO ESTADUAL – CTE, por unanimidade de
votos, conhecer do reexame necessário para, no mérito, negar-lhe
provimento, julgando nulo o auto de infração n.º 1593.

Sala de Sessões do CTE, em Maceió, 21 de fevereiro de


2013.

SÉRGIO GUILHERME A. DA S. FILHO CARLOS HENRIQUE M. BRANDÃO


PRESIDENTE RELATOR

ODETE M INEIRO DA PAZ PAULO DE TARSO DA C. S ILVA


JULGADORA JULGADOR

ACÓRDÃO CTE Nº 046/2013 Página 5


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SESSÃO ORDINÁRIA: Nº07 – 1ª CÂMARA – REALIZADA:26/02/2013


PROCESSO:1500-016461/2000;ANEXO:016138/2008
CTE-334/12
AUTO DE INFRAÇÃO: 023441
AUTUADA: ATALAIA VEICULOS LTDA.
REEXAME NECESSÁRIO
RELATOR: CARLOS HENRIQUE DE MENDONÇA BRANDÃO
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO
ASSESSORIA: LIBERACI MARIA SOUZA GALINDO
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA VASCONCELOS

ACÓRDÃO Nº 047/2013

EMENTA – ICMS. FALTA DO


RECOLHIMENTO DO IMPOSTO.
AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO VÁLIDA DO
CONTRIBUINTE NO PRAZO
DECADENCIAL. DECADÊNCIA
CONFIGURADA. REEXAME NECESSÁRIO
CONHECIDO E PROVIDO. EXTINÇÃO
DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.

RELATÓRIA

Trata-se de reexame necessário em virtude da


Decisão de Primeira Instância n.º 18.765/2012, a qual
julgou procedente em parte o auto de infração o auto
de infração n.º 023441 que constituiu crédito
tributário correspondente a imposto no valor de R$
5.057,54 (cinco mil e cinquenta e sete reais e
cinquenta e sete centavos) e multa no montante de R$
R$ 5.057,54 (cinco mil e cinquenta e sete reais e
cinquenta e sete centavos), em razão do contribuinte

ACÓRDÃO Nº047/2013 Página 1


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ter deixado de recolher o ICMS “em face de medida


judicial em favor do remetente, impedindo a retenção
do ICMS por substituição tributária, ..., referentes a
operações com combustível ou lubrificante derivados de
petróleo (...)”.

Foram apontadas transgressões ao art. 155,


XII, b da CF 1988, 2º e 7º da Lei Complementar
87/1996, 23, I e 24 , I, parágrafo único, da Lei
5.900/96, 1º, IV e § 2º da Lei 5.572/1993, 458, 461,
§2º e 3º do RICMS. Tendo sido sugerida a penalidade
prevista no art. 79 da Lei 5.900/96.

Instrui o processo: dados cadastrais;


“Planilha para Digitação do Auto de Infração”;
“Demonstrativo do Débito Apurado”; duas notas fiscais;
cartão de autógrafos, dentre outros.

Após a tentativa frustrada de intimar o


contribuinte via postal, houve em 29/11/2000
publicação no Diário Oficial do Estado de Alagoas
edital comunicando a contribuinte acerca da lavratura
do auto de infração.

Em 10/02/2001 houve a confecção do termo de


revelia.

Através de despacho de fls. 30, a DIRAC


entendeu que a tentativa de notificação do
contribuinte via postal não era válida, na medida em
que “à época do envio do AR a firma encontrava-se com
seu cadastro CANCELADO, conforme doc. 05, sendo a
correspondência endereçada à firma, onde a mesma
retornou à SEFAZ, doc. Fl. 12”. Nesse contexto sugeriu
notificação do contribuinte na pessoa dos seus sócios
através de AR/Edital, “uma vez que a empresa encontra-
se atualmente INATIVA-BAIXADA”.

Finalmente, em 29/07/2008, a empresa foi


notificada através de AR.

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A Representação Fiscal e o Contribuinte


tomaram ciência da decisão singular, todavia não se
pronunciaram. Por fim, os autos foram encaminhados a
este Conselho Tributário para julgamento do reexame
necessário.

É o relatório.

VOTO

Trata-se da constituição de crédito


tributário pela suposta falta de recolhimento de ICMS
lastreada em medida judicial em favor do remetente da
mercadoria, impedindo a retenção do ICMS por
substituição tributária.

Muito embora não tenha sido consignado no


auto de infração, as notas fiscais de fls. 08/09
indicam que o fato gerador do imposto em tese ocorreu
no dia 09/02/1998. O auto de infração foi
confeccionado em 09/10/2000, no entanto a constituição
definitiva do crédito tributário somente se operou em
29/07/2008, após a devida intimação do sujeito
passivo.

Isso ocorreu pela inobservância do Fisco que


a empresa encontrava-se com seu cadastro cancelado no
momento que enviou a correspondência para o endereço
da própria empresa. Somente em 2008 o erro foi sanado,
com a intimação via postal para o endereço dos sócios.

Ou seja, no momento em que foi enviada em


2000 a intimação ao sujeito passivo, assim como o
edital publicado em 29/11/2000, a empresa estava com
seu cadastro cancelado, de tal forma que não supriram
a necessidade de intimação.

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O contribuinte em sua defesa requereu a


extinção do crédito tributário em face do lapso
temporal.

Nesse contexto, é inafastável a aplicação do


artigo 173 do Código Tributário Nacional, que dispõe:

Art. 173. O direito de a Fazenda Pública


constituir o crédito tributário extingue-
se após 5 (cinco) anos, contados:

I - do primeiro dia do exercício seguinte


àquele em que o lançamento poderia ter
sido efetuado;

II - da data em que se tornar definitiva a


decisão que houver anulado, por vício
formal, o lançamento anteriormente
efetuado.

Parágrafo único. O direito a que se refere


este artigo extingue-se definitivamente
com o decurso do prazo nele previsto,
contado da data em que tenha sido iniciada
a constituição do crédito tributário pela
notificação, ao sujeito passivo, de
qualquer medida preparatória indispensável
ao lançamento.

Tendo em vista o interregno de mais de 5


(cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a
sua constituição definitiva, com a devida intimação do
contribuinte, deve ser extinto o crédito tributário
pela decadência, a teor do que prescreve o artigo 173
do CTN, in verbis:
Art. 156. Extinguem o crédito
tributário:
I – (omissis);
V – a prescrição e a decadência;

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Ante o exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 1ª


CAMARA DO CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por
unanimidade de votos, conhecer do reexame necessário,
para julgar prejudicado o auto de infração em virtude
da decadência, nos termos do artigo 156 do Código
Tributário Nacional. Crédito tributário extinto pela
decadência.

Sala de Sessões do CTE, 26 de fevereiro de


2013.

SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO CARLOS HENRIQUE DE MENDONÇA BRANDÃO


PRESIDENTE RELATOR

PAULO DE TARSO DA COSTA SILCA ODETE MINEIRO DA PAZ


JULGADOR JULGADORA

MARIA LOPES MILHOMES


JULGADORA

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SESSÃO ORDINÁRIA: Nº07 – 1ª CÂMARA – REALIZADA:26/02/2013


Processo: 1500-018.863/2003 e CTE nº 274/2011.
Anexo: 1500-023.540/2003.
Auto de Infração: 005.986, de 30/06/2003.
Autuada: LOJAS BEM VINDAS LTDA.
Inscrição Estadual: 24.085.619-8.
Decisão Monocrática: 17.716/2011.
Assunto: Reexame Necessário.
Autuante: Ivanise Barbosa Maia.
Relatora: Odete Mineiro da Paz.
Presidente: Sérgio Guilherme Alves da Silva Filho
Assessoria: Liberaci Maria Souza Galindo
Secretária: Genilza Coelho de Oliveira Vasconcelos

ACÓRDÃO NºO48/2013

EMENTA: ICMS – Obrigação principal. 1)


Omissão de saídas de mercadorias apurada
através de levantamento financeiro exercicio
de 200l. 1.1) Lançamento Improcedente por
falta de provas. 2) Omissão de vendas
presumida nos termos do artigo 2º, § 12, da
Lei nº 5.900/1996, no exercício de 2002. 2.1)
Infração comprovada. Reduzido o valor do
crédito tributário em razão da aplicação da
penalidade prevista no artigo 79, da Lei nº
5.900/1996. 2.2) Lançamento Procedente em
Parte. 3) Reexame Necessário conhecido e
improvido. Mantida a Decisão singular.

Relatório

Trata-se de auto de infração lavrado contra a


empresa LOJAS BEM VINDAS LTDA, já qualificada, tendo por
objeto a cobrança de crédito tributário no valor de R$
31.185,63 (trinta e um mil, cento e oitenta e cinco reais e
sessenta e três centavos), por haver a empresa autuada:

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1) No exercício de 2001, omitido vendas


proveniente de diferença apurada no levantamento financeiro.

2) No exercício de 2002, omitido vendas


proveniente das vendas registradas incompatíveis com o
percentual de lucro mínimo exigido pela legislação.

Apontados como infringidos os artigos 49, II,


VII, VIII, e parágrafo único; 54, I; 130; 136; 269 e 1000, do
RICMS/91; 50, da Lei nº 5.900/1996. Sendo sugerida a aplicação
da penalidade prevista no artigo 84, da Lei nº 5.900/1996.

A inicial está instruida com a FAC - Ficha de


Atualização Cadastral; Declaração Anual do Contribuinte – DAC
(2001 e 2002); cópia do LRAICMS (2001 e 2002); demonstrativo
de apuração do débito (2001 e 2002); cópia dos Termos de
Início e Encerramento de Fiscalização; e Mapa Roteiro do
Levantamento Financeiro de 2001.

DA DEFESA

A autuada apresentou defesa alegando que o


lucro mínimo exigido pela legislação estadual não condiz com a
realidade atual do comércio; as operações de compras e vendas
de 2001 são financeiramente viáveis. Por fim, pede que o auto
de infração seja improcedente.

DAS CONTRARRAZÕES

A autuante apresentou contrarrazões alegando


a legalidade do lançamento por considerar que o mesmo foi
efetuado com base na legislação estadual e nos documentos da
empresa; a defesa é insubsistente devendo ser determinada a
revelia. Por fim, pede a procedência do auto de infração.

Em 28/02/2011, foi proferida a Decisão nº


17.716/2011, de Primeira Instância, que julgou Procedente em
Parte o Lançamento com a ementa.

EMENTA: ICMS. 1- Omissão de Saídas baseada em


hipotético levantamento financeiro; 1.1- Não
observados os requisitos essenciais inerentes
ao levantamento => não investigada a possível
existência de compras a prazo - artigos 774 e
775 do RICMS/91, e art. 2º, §10 da Lei
nº5.900/96, com redação dada pela Lei
nº5.979/97; 1.2- Falta de provas; 1.3-
IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO; 2- Diferença

ACÓRDÃO Nº048/2013 Página 2


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FONES: 3315-6190 – fax 3315-8273

tributável apurada com base no §12 do art. 2º


da Lei nº5.9000/96, com redação dada pela Lei
nº5.979/97; 2.1- Conjunto probatório
determinante para definir a natureza da
infração e a motivação do lançamento; 2.2-
Ato administrativo endireitado pelo julgador,
sem que o fato tenha acarretado prejuízo à
defesa do sujeito passivo, §1º do art. 7º da
Lei nº6.771/2006; 2.3- PROCEDÊNCIA PARCIAL DO
LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO; 3- Duplo
grau de jurisdição administrativa necessário,
art. 48, I da Lei nº6.771/2006.

A autuada foi intimada da decisão singular e


não se pronunciou. A Diretoria de Representação Fiscal tomou
ciência da mesma decisão, não se pronunciando. Assim, chegam
os autos a este Conselho para análise do Reexame Necessário.

É o relatório.

Voto

Trata-se de Reexame Necessário da Decisão nº


17.716/2011, de Primeira Instância, que julgou Procedente em
Parte o Lançamento constante do auto de infração nº 005.986.

Observe-se que o Reexame Necessário tem por


motivo a redução no valor do crédito tributário.

1) NA PRIMEIRA INFRAÇÃO

A análise dos autos demonstra que o Mapa


Roteiro do exercício de 2001, elaborado pelo fisco (fls. 65 e
72, processo inicial), não retrata o levantamento financeiro
de competência da fiscalização (artigos 774, e 775, do
RICMS/91; e 2º, § 10, da Lei nº 5.900/96, na redação da Lei nº
5.979/97, haja vista, nele constarem apenas os valores
referentes a entradas e saídas de mercadorias, deixando o
fisco de apropriar outras rubricas da Conta Caixa, referentes
as despesas e as receitas. Assim, tal erro de procedimento
aliado a falta de provas afasta a omissão de saídas apurada
mediante levantamento financeiro. Nesta infração o Lançamento
é Improcedente como acertadamente decidiu o julgador singular.

2) NA SEGUNDA INFRAÇÃO

A omissão de vendas de mercadorias oriunda


do registro de vendas incompatível com o percentual de lucro

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mínimo exigido, 30% (trinta por cento), no exercício de 2002,


efetivamente ocorreu; ficando a infração comprovada, sendo o
lançamento procedente. Observe-se, porém, que foi aplicada a
penalidade prevista no artigo 79, da Lei nº 5.900/1996, na
redação da Lei nº 7.079/2009, haja vista, que a penalidade
sugerida na peça inicial, àquela prevista no artigo 84, mesma
Lei, foi revogada e sua multa reclassificada (reclassificação
qualificada) para o referido artigo 79, acarretando redução no
valor do crédito tributário como consta da decisão singular.
“Art. 79 - Falta de recolhimento do imposto no prazo legal, em
situação não compreendida nas hipóteses previstas nos artigos
seguintes:

MULTA - Equivalente a 50% (cinqüenta por cento) do valor do imposto.


(...)”

Portanto, ACORDAM OS MEMBROS DA 1ª CÂMARA DO


CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade de votos, julgar
o Lançamento Procedente em Parte e a decisão singular não
merece qualquer reforma. Sendo que nesta situação o crédito
tributário tem como valor o que abaixo se encontra
demonstrado.

DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO

Exercício ICMS Multa Total


2002 R$ 3.239,09 R$ 1.619,54 R$ 4.858,63

O crédito tributário no valor de R$ 4.858,63


(quatro mil, oitocentos e cinquenta e oito reais, sessenta e
três centavos), deverá ser recolhido com os acréscimos legais.

Conselho Tributário Estadual, Sala das Sessões,


em Maceió, 26 de fevereiro de 2013.

SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO ODETE MINEIRO DA PAZ


PRESIDENTE RELATORA

CARLOS HENRIQUE DE MENDONÇA BRANDÃO MARIA LOPES MILHOMES


JULGADOR JULGADORA

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GOVERNO DO ESTADO DE ALAGOAS
SECRETARIA DO ESTADO DA FAZENDA
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SESSÃO ORDINÁRIA Nº 08 – Realizada em 28/02/2013 – 1ª Câmara
Processo n.º 1500-012355/1996; CTE nº 324/2010
Auto de Infração n.º 020539, de 01/04/1996.
Recorrente: Estado de Alagoas
Recorrido: ASTRAL Comércio Exportação e Importação Ltda.
Fiscal Autuante: Ricardo Queiroz de Araujo – Mat. 29.770
Conselheiro Relator: Paulo de Tarso da Costa Silva
Presidente: Sérgio Guilherme Alves da Silva Filho
Secretária: Genilda Coelho de Oliveira

ACÓRDÃO Nº 050/2013

EMENTA: AUTO DE INFRAÇÃO – AUSÊNCIA DE


RECOLHIMENTO DO ICMS – INSTRUÇÃO
PROBATÓRIA DEFICIENTE – ÔNUS DA PROVA DA
FAZENDA PÚBLICA – INFRAÇÃO NÃO
CARACTERIZADA – AUTO DE INFRAÇÃO
IMPROCEDENTE - REEXAME NECESSÁRIO
CONHECIDO E IMPROVIDO - DECISÃO DA CJ
MANTIDA NA ÍNTEGRA PELOS SEUS PRÓPRIOS
FUNDAMENTOS.

RELATÓRIO

Trata-se de Auto de Infração lavrado em desfavor da contribuinte ASTRAL


COMERCIO EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, no importe de R$ 92.981,35
(noventa e dois mil, novecentos e oitenta e um reais e trinta e cinco centavos), em razão de
supostamente ter cometido a seguinte infração:

“Após efetuar o preenchimento do MAPA roteiro nº LF05-


levantamento da conta financeira, onde ficou constatado que o
contribuinte deixou registrar vendas, cujos recursos foram aplicados
em pagamentos, durante o exercício de 1995, fato constatado através
do confronto entre comprovantes de receitas e despesas, no valor
base de cálculo, de R$ 290.575,76 (Duzentos e noventa mil e
quinhentos e setenta e cinco e setenta e seis centavos), gerando um
crédito de ICMS, para a Fazenda Pública Estadual, no valor de R$
49.397,87 (Quarenta e nove mil e trezentos e noventa e sete e oitenta
e sete centavos), e multa, no valor de R$ 29.638,72 (Vinte e nove mil e
seiscentos e trinta e oito reais e setenta e dois centavos).

Finalizando, foi apurado através do levantamento físico do estoque,


diferença nas vendas no valor base de cálculo, de R$ 51.267,54
(Cinquenta e um mil e duzentos e sessenta e sete reais e cinquenta e
quatro centavos), gerando um ICMS, no valor de R$ 8.715,48 (Oito
mil reais e setecentos e quinze reais e quarenta e oito centavos), e

Acórdão CTE nº 050/2013 1


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multa, de R$ 5.228,28 (Cinco mil e duzentos e vinte e oito e vinte e
oito centavos).”

Segundo consta no auto de infração, a autuada infringiu os seguintes


dispositivos legais da legislação tributária estadual, a saber: artigos 65 §2º I e 73 IV, de 12 de
junho de 1988, sendo sugerida a penalidade cominada no artigo 98, da lei nº 5.077, de 12 de
junho 1989.

A Autoridade acostou ao Auto de Infração a cópia dos dados cadastrais do


contribuinte, cartão de autógrafo, ficha informativa de registros e apuração do I. C. M, mapa-
roteiro, controle quantitativo de mercadorias – CQM, cópia dos livros de registro de entrada,
saída, inventário e apuração do ICMS, formando este processo administrativo nº 1500-
012355/1996 e 1500-003927/1996.

A autuada foi validamente notificada da autuação em 08 de março de 1996,


ocasião em que restou silente quanto à autuação, não apresentando qualquer tipo de
resistência, motivo pelo qual foi lavrado o competente termo de revelia (fls. 94), datado de 18
de junho de 1996.

No entanto, após a lavratura do termo de revelia, a Autuada apresentou defesa


pugnando pela improcedência do auto de infração, sob o argumento de que o auto de infração
possui inúmeras falhas insanáveis, especialmente quando no confronto de receitas e despesas
não foi considerado as compras a prazo nem tampouco as saídas realizadas através de
máquina registradora.

Em resposta à defesa, o fiscal autuante alegou que o fato de não discriminar os


meses em que a empresa não tinha receitas não foi efetuado, pois o Mapa Roteiro utilizado
por esta fiscalização não contempla tal exigência. Por fim, alega que a documentação
apresentada a esta fiscalização não dispunha dos lançamentos de saídas realizados através de
máquina registradora.

Foi requisitada diligência (045/2004) no sentido de o fiscal autuante


complementar o acervo probatório constante nos autos com a consequente devolução de prazo
para defesa.

Em resposta, o fiscal alegou que procurou a empresa no endereço que consta


no auto de infração, assim como seus representantes legais, porém não logrou êxito, pois a
mesma não se encontrava estabelecida naquele logradouro e os vizinhos não sabem
informações sobre seu “paradeiro”, ressaltando que o contribuinte encontra-se com situação
cadastral “NÃO HABILITADO”. Diante do exposto, solicita que autuada seja notificada a
comparecer a SEFAZ, a fim de apresentar documentos que comprovem a sua defesa.

Foi requisitada nova diligência (153/2006), no sentido de que sejam juntados


os livros fiscais necessários ao julgamento do processo. Em resposta, o fiscal informou a
impossibilidade de cumprir a diligência, uma vez que a empresa desapareceu.

Mais uma vez foi requisitada diligência (005/2006), determinando a remessa


do processo a SARE a fim de que proceda a correta instrução do processo. A SARE, por sua

Acórdão CTE nº 050/2013 2


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vez, remeteu aos autos para o fiscal autuante a fim de que o mesmo cumpra as diligências
anteriormente solicitadas.

Submetido os autos à Coordenadoria de Julgamento, esta, através da decisão


nº. 18.159/2011 julgou totalmente improcedente a autuação, em razão da ausência de provas
da infração, mormente quando fiscal autuante reconhece que sequer analisou os livros e
documentos fiscais da empresa.

Assim, chegam os autos a este Conselho Tributário Estadual para análise do


reexame necessário, de acordo com o artigo 48, I da Lei nº. 6.771/2006.

No essencial, é o relatório.

VOTO

Trata-se de reexame necessário da decisão nº. 18.159/2011 originária da


Coordenadoria de Julgamento – CJ, que julgou totalmente improcedente o auto de infração n.º
020539, de 1º de janeiro de 1996, por entender que o fiscal autuante não conseguiu comprovar
as alegações materializadas no auto de infração.

Analisando atentamente os autos, percebe-se o acerto na decisão da CJ quanto


à improcedência da autuação, especialmente quando o próprio fiscal reconhece que não
analisou os lançamentos formalizados através de máquina registradora (fls. 265),
demonstrando, sem sombra de dúvida, a inconsistência da autuação. Vejamos o que preconiza
a CJ em sua decisão:

“Acerca da segunda imputação – a omissão de saídas apuradas


mediante levantamento físico de estoque – observa este juízo que,
como suscita o Pedido de Diligência n.º 045/2004, o servidor
responsável pela ação fiscal “deixa claro não ter havido a análise
dos livros e documentos do contribuinte indicada para a fiscalização
realizada, muito menos a formação de um conjunto probatório hábil
a demonstrar a ocorrência das infrações capituladas na inicial”,
fato este que motivou tentativas de instrução processual intentadas
por esta Coordenadoria.

(...)

Conclui este juízo, portanto, que apesar de existirem nos autos


indícios da conduta de omissão de saídas, constatados por dois tipos
de levantamentos diferentes e que podem ter englobado os mesmos
valores, tais indícios não são suficientes para sustentar nenhuma
das infrações apontadas, ante a inexistência de um conjunto
probatório para tanto, respondendo a Fazenda Pública pela

Acórdão CTE nº 050/2013 3


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consequência de sua não produção por se tratarem estes de fatos
constitutivos do crédito tributário, razão pela qual decide este juízo
singular pela improcedência do lançamento.”

Face ao exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 1ª CÂMARA DE


JULGAMENTO DO CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade de votos,
conheço do reexame necessário para, no mérito, negar-lhe provimento, mantendo na íntegra a
decisão da Coordenadoria de Julgamento pelos seus próprios fundamentos, declarando
improcedente o auto de infração.

Sala de sessões do Conselho Tributário Estadual, em Maceió/AL, 27 de fevereiro de 2013.

SÉRGIO GUILHERME A. DA S. FILHO PAULO DE TARSO DA COSTA SILVA


PRESIDENTE RELATOR

ODETE MINEIRO DA PAZ MARIA LOPES MILHOMES


JULGADORA JULGADORA (Pelas Conclusões)

CARLOS HENRIQUE MENDONÇA BRANDÃO


JULGADOR

Acórdão CTE nº 050/2013 4


Governo do Estado
Secretaria da Fazenda
Conselho Tributário Estadual
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SESSÃO ORDINÁRIA Nª 08 – Realizada em 28/02/2012 – 1ª Câmara


PROCESSO: 1500-00324/2000 ANEXO: 1500-06181/2000
AUTO DE INFRAÇÃO: 03746 - CTE: 347/2011
INTERESSADO: PEREIRA ROCHA COM. E IMP. LTDA.
REEXAME NECESSÁRIO
RELATOR: CARLOS HENRIQUE DE MENDONÇA BRANDÃO
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA S. FILHO
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO Nº 051/2013

EMENTA: ICMS. PRESUNÇÃO DE


OMISSÃO DE VENDAS DE
MERCADORIA. LEVANTAMENTO
ESPECÍFICO DA CONTA.
INSUFICIÊNCIA DE CAIXA
CARACTERIZADO E NÃO
CONTESTADO PELO
CONTRIBUINTE. REDUÇÃO DA
MULTA. ART. 79 DA LEI 5.900.
RECURSO ORDINÁRIO E
REEXAME NECESSÁRIO
CONHECIDOS E IMPROVIDOS.
AUTO DE INFRAÇÃO
PROCEDENTE

Trata-se de crédito tributário no valor de R$ 13.106,75 (treze


mil, cento e seis reais e setenta e cinco centavos), correspondente a R$
5.242,70 (cinco mil, duzentos e quarenta e dois reais e setenta centavos)
de ICMS e R$ 7.864,05 (sete mil, oitocentos e sessenta e quatro reais e
cinco centavos) de multa, “por ter efetuado vendas de mercadorias
tributáveis em operação interna sem documentação fiscal. Fato
comprovado pela insuficiência do Caixa apurada através de levantamento
específico desta conta, considerando-se os documentos de receitas e
despesas efetuadas pelo contribuinte no período examinado”.

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Acórdão CTE nº 051/2013 1


Governo do Estado
Secretaria da Fazenda
Conselho Tributário Estadual
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Foram considerados infringidos os artigos 2º, § 9º e 11º, 31 e


50 da lei 5900/96, artigo 49, II, VII e VIII do RICMS. Sendo sugerida a
penalidade prevista no artigo 87 da lei 5900/96.

Instrui o processo: dados cadastrais, cartão de autografo,


planilha para digitação do auto de infração, auditoria do movimento
financeiro e duplicatas e recibos de terceiro quitados, dentre outros.

O contribuinte apresentou contestação pugnando pela


nulidade do auto de infração, alegando que a diferença de movimentação
encontrada não foi detalhada adequadamente. Aduziu, ainda, que a
diferença presumida foi aporte de capital efetuado pelos sócios, face a
grave crise existente no mercado consumidor naquele momento.

O autuante, apresentando suas contrarrazões, afirma que o


contribuinte, em não apresentando os documentos comprobatórios do
aporte de capital por ele referido, teria feito por mero "esquecimento".
Alega ainda, que a diferença encontrada na auditoria procedida trata-se
de "caixa dois".

Em decisão de primeira instancia, contida as fls. 102/106, do


anexo 1500-06181/2000, o julgador singular julgou procedente o auto de
infração referido, alterando, entretanto, penalidade imposta ao
contribuinte ao aplicar o artigo 79 da lei 5900/96, em lugar do artigo 87
da mesma lei, contido no auto de infração em tela, reduzindo o crédito
tributário para R$ 7.864,05 (sete mil, oitocentos e sessenta e quatro reais
e cinco centavos).

Intimado, o contribuinte interpôs recurso ordinário


renovando suas alegações de defesa ao auto de infração. A Representação
Fiscal pugnou pela manutenção da decisão da Coordenadoria de
Julgamento.

Por fim, os autos foram encaminhados ao CTE para


julgamento do reexame necessário e recurso ordinário.

E o relatório.

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Acórdão CTE nº 051/2013 2


Governo do Estado
Secretaria da Fazenda
Conselho Tributário Estadual
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VOTO

Em análise recurso ordinário e reexame necessário em


virtude da decisão da Coordenadoria de Julgamento, que decidiu pela
procedência do auto de infração, que constituiu crédito tributário em
razão da presunção de omissão de vendas de mercadorias no exercício de
1998.
A mencionada presunção tem como lastro auditoria realizada
pelo fiscal autuante, baseada em declaração do próprio contribuinte e
documentos fiscais da empresa, todos anexados ao auto de infração.

Analisando dos elementos constantes nos autos, verifica-se


facilmente a insuficiência de caixa no ano de 1998. Vale dizer que o
próprio contribuinte reconhece esse fato. Seja através de sua defesa ou
mesmo pelos dados contidos em sua declaração à fl. 08 dos autos
principais.

No caso em comento deve ser levada a efeito a presunção


legal da omissão de vendas de mercadorias pela insuficiência de caixa,
levantada pelo fiscal e confessada pela empresa recorrente.

Diferentemente do que alega a recorrente em seu recurso, o


auto de infração está robustamente comprovado através dos documentos
colacionados, que evidenciam o cometimento da infração tributária.

Por outro lado, também concordo com o julgador de piso ao


reclassificar a multa para o art. 79 da Lei 5.900/96, por ser mais benéfica
ao contribuinte.

Ante o exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 1ª


CÂMARA DO CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade

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Acórdão CTE nº 051/2013 3


Governo do Estado
Secretaria da Fazenda
Conselho Tributário Estadual
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de votos, conhecer do recurso ordinário e reexame necessário para, no


mérito, negar-lhes provimento, mantendo na íntegra a decisão da
Coordenadoria de Julgamento.

Sala do CTE, em Maceió, 28 de fevereiro de 2013

SÉ RGI O GUI L HE R ME A. D A S. FI LHO C AR L O S H E N RI QU E M . B R AN D ÃO


P RE SI DE NT E RE L AT O R

ODE T E MI NE I R O D A P AZ M ARI A LOP E S MI LH O MES


J U LG AD O R A J U LG AD O R A

P AU LO DE T AR SO D A CO ST A SI L V A
J U LG AD O R

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Acórdão CTE nº 051/2013 4


Governo do Estado
Secretaria da Fazenda
Conselho Tributário Estadual
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SESSÃO ORDINÁRIA Nª 08 – Realizada em 28/02/2012 – 1ª Câmara


PROCESSO: 1500-002581/1998 ANEXO: 1500-002582/1998
AUTO DE INFRAÇÃO: 064686
CTE : 98/2012
REEXAME NECESSÁRIO
INTERESSADO: J. LOPES COMERCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA
AUTUANTE: EDNAR T. BARROS
RELATOR: CARLOS HENRIQUE DE MENDONÇA BRANDÃO

ACÓRDÃO Nº 052/2013

EMENTA – ICMS. FALTA DE


ESCRITURAÇÃO DOS LIVROS
REGISTRO DE INVENTÁRIO,
REGISTRO DE APURAÇÃO DO ICM,
REGISTRO DE UTILIZAÇÃO DE
DOCUMENTOS FISCAIS E TERMOS DE
OCORRÊNCIAS E REGISTRO DE
SAÍDAS. AUSÊNCIA DE
DEMONSTRATIVO DETALHADO DO
DÉBITO. REEXAME NECESSÁRIO
CONHECIDO E IMPROVIDO. AUTO DE
INFRAÇÃO NULO.

Trata-se de reexame necessário em virtude da Decisão de


Primeira Instância n.º 18.423/2011, a qual julgou nulo o auto de infração n.º
064686 que constituiu crédito tributário correspondente à multa no valor de
770 UPFAL, em razão de o contribuinte ter deixado de escriturar na forma e
prazo regulamentares livros fiscais.

Foram apontadas transgressões aos arts. 275 e 269 do Decreto


n.º 35245/91. Tendo sido sugerida a penalidade prevista nos arts. 859 e 865
do mesmo diploma legal.

Instruem o processo, dados cadastrais e Cópias dos livros


Registro de Inventário, Registro de Apuração do ICM, Registro de Utilização
de Documentos Fiscais e termos de Ocorrências e Registro de Saídas.

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Acórdão CTE nº 051/2013 1


Governo do Estado
Secretaria da Fazenda
Conselho Tributário Estadual
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Muito embora não conste a intimação do contribuinte, foi


lavrado “Termo de Revelia” em 16/03/1996.

Posteriormente, em 10/03/1998, a empresa apresentou defesa


juntamente com cópias dos livros tidos por não escriturados, alegando, em
síntese: a) que não é verdade que os livros não foram escriturados; b) que é
comércio varejista de combustíveis, substituído no pagamento do ICMS.

O fiscal pugnou pela procedência do auto.

O processo foi baix ado em diligência por duas vezes, a fim de


que o fiscal apresentasse demonstrativo do débito, nos moldes do artigo 891
do R ICMS.

As diligências não foram atendidas.

A Coordenadoria de Julgamento decidiu pela nulidade do Auto


de Infração, assim ementando:

Ementa: ICMS. 1. Falta de escrituração dos livros fiscais: a)


Registro de Inventário; b) Registro de Apuração do ICMS; c)
Registro de Utilização de Documentos Fiscais e termos de
Ocorrências; d) Registro de Saídas de Mercadorias. 2. Não
apresentação da Declaração do Movimento Econômico.
Equivocado demonstrativo do crédito tributário apurado.
LANÇAMENTO NULO, por vício de forma, nos termos do art.
2º, “b”, da Lei Federal 4.717/1965.
Remessa dos autos ao Conselho Tributário Estadual para
reexame necessário, nos termos do art. 48, inciso I da Lei nº
6.771/2006.

Intimados, a Representação Fiscal e o contribuinte não se


manifestaram.

É o relatório.

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Acórdão CTE nº 051/2013 2


Governo do Estado
Secretaria da Fazenda
Conselho Tributário Estadual
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VOTO

Com razão a Coordenadoria de Julgamento.

Observa-se que nos autos não consta qualquer planilha dos


cálculos utilizados pelo fiscal autuante que demonstre a exatidão do crédito
apurado, imprescindível à sua inscrição em dívida ativa.

Sobre o tema, dispõe o artigo 891 do R ICMS:

Art. 891. O processo fiscal contencioso deverá ser


instruído, consoante a infração detectada, com os
seguintes documentos:
I – (...)
II – demonstrativo detalhado do débito,
datilografado, sem rasuras ou emendas não
ressalvadas:

A ausência do demonstrativo detalhado do débito


impossibilita a aferição da certeza do valor apurado pelo fiscal autuante e,
em decorrência, mitiga a observância aos princípios constitucionais do
contraditório e ampla defesa.
Ante o exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 1ª CÂMARA
DO CONSELHO TRIBUTÁR IO ESTADUAL, por unanimidade conhecer do
reexame necessário para negar-lhe provimento, mantendo na íntegra a
decisão da Coordenadoria de Julgamento. Auto de infração nulo.

Sala de Sessões do CTE, 28 de fevereiro de 2013.

SÉ RGI O GUI L HE R ME A. D A S. FI L HO C AR L O S H E N RI QU E M . B R AN D ÃO
P RE SI DE NT E RE L AT O R

ODE T E MI NE I R O D A P AZ M ARI A LOP E S MI LH O ME S


J U LG AD O R A J U LG AD O R A

P AU LO DE T AR SO D A CO ST A SI L V A
J U LG AD O R

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Acórdão CTE nº 051/2013 3


GOVERNO DO ESTADO
SECRETARIA EXECUTIVA DA FAZENDA
CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL
2ª CÂMARA

SESSÃO ORDINÁRIA Nº: 09 – 2ª CÂMARA – REALIZADA EM: 05/03/2013


PROCESSO Nº: 1500-007568/1996; CTE 162/2011.
AUTO DE INFRAÇÃO Nº: 069563, de 21/11/1995.
RECORRENTE: FAZENDA ESTADUAL.
RECORRIDO: A INSINUANTE COMÉRCIO LTDA.
RELATOR: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES.
PRESIDENTE: PATRÍCIA MELO MESSIAS.
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO Nº 053/2013

EMENTA: ICMS. FALTA DO RECOLHIMENTO


DO IMPOSTO. DEFICIÊNCIA NA
INSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO FISCAL.
INVIABILIDADE DA SUA MANUTENÇÃO.
INTELIGÊNCIA DO ART. 118, PARÁGRAFO
ÚNICO, DA LEI 4418/82 -
IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. REMESSA
NECESSÁRIA CONHECIDA E NÃO PROVIDA.

RELATÓRIO

Trata-se de remessa necessária que chega para análise


deste Colegiado Administrativo conforme imposição da norma
jurídica contida no art. 48, da Lei n. 6.771/2006 (PAT),
isto em vista da Decisão n. 17.263/2010, da Douta
Coordenadoria de Julgamento, donde resultou na sucumbência
da Fazenda Estadual em face do reconhecimento da
improcedência da autuação.

Segundo a decisão em reexame, o autuante haveria


deixado de instruir suficientemente o seu trabalho com
documentos de onde teriam sido extraídas as respectivas
informações, especialmente a contagem física do estoque,
invalidando, assim, a presunção de omissão de receitas.

Regularmente intimados, fiscais autuantes e


contribuinte se quedaram silentes.

Este é o relatório.

Passo a decidir.

VOTO

De início, convém delimitarmos o exato objeto de


exame por parte desta instância administrativa ad quem.

ACÓRDÃO CTE Nº 053/2013 Página 1


Pois bem. Em se tratando de reexame de ofício, a
matéria a qual devemos nos debruçar refere-se,
exclusivamente, àquela em que a Fazenda Estadual fora
sucumbente, salvo temas cujo reconhecimento seja de ofício.

No caso, a proposta de reexame deve perpassar pelas


conclusões da instância singela dispostas no relato supra.

Assim como bem pontuado pela Coordenadoria de


Julgamento, a autuação não foi instruída com uma série de
informações essenciais a legitimar o levantamento. Não há
cópias da contagem física do estoque, por exemplo.

De fato, exsurge dos autos a ausência de documentos


que instruam suficientemente a materialidade informada pela
fiscalização como hábil a fazer irromper o vínculo jurídico
que estabelece ao contribuinte o dever de recolher
determinada quantia a título de tributo ao Estado.

Tais situações contrariam o que exige o art. 118,


parágrafo único, da Lei n. 4.418/82, que exige a regular
instrução com elementos que sirvam a demonstrar a certeza e
liquidez do crédito tributário, situação que não se percebe
dos autos. Confira-se o texto do preceptivo:

Art. 118 - As ações ou omissões contrárias à


Legislação Tributária, serão apuradas em Processo
Administrativo Fiscal (PAF).

Parágrafo único - O Processo Administrativo


Fiscal inicia na repartição fiscal competente,
mediante autuação dos documentos necessários à
apuração da liquidez e certeza do crédito
tributário não regularmente recolhido,
organizando-se à semelhança de autos forenses,
com folhas devidamente numeradas e rubricadas.
(grifamos)

No mesmo sentido o art. 891, IV, do RICMS/AL, in


vebis:

Art. 891 O processo administrativo fiscal


decorrente de Auto de Infração deve ser instruído
com: (...)

IV - as provas necessárias à demonstração do fato


argüido, inclusive cópias dos documentos que
serviram de base para a apuração das
irregularidades.

ACÓRDÃO CTE Nº 053/2013 Página 2


Enfim, a deficiência da instrução prejudica a
autuação, isto em virtude da impossibilidade deste Órgão
Julgador aferir os fatos relatados.

Sobre a matéria, e destacando a importância da


regular instrução do lançamento fiscal, abalizadas são as
lições da professora Doutora MARIA RITA FERRAGUT, em artigo
publicado no livro Curso de Especialização em Direito
Tributário. Estudos Analíticos em Homenagem a Paulo de
Barros Carvalho. Editora Forense. Rio de Janeiro. 2005, p.
314/315, as quais recortamos algumas passagens e abaixo
reproduzimos:

“O distanciamento entre o objeto e o juízo,


construído pelo ser cognoscente a seu respeito, é
inevitável. (...)

A verdade encontra-se ligada à prova, pois é por


meio desta que se torna possível afirmar idéias
verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou
certificar-se de sua exatidão jurídica. Ao
direito somente é possível conhecer a verdade por
meio das provas. (...)

Ao referir-se a fatos, a prova deverá evidenciar


a correspondência entre o enunciado e a
manifestação do evento. (...) Atingir o evento,
que é passado, é impossível, bastando para o
mundo jurídico construí-lo de forma a provar sua
existência ou inexistência.”

Ante ao exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA DO


CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL – CTE, por unanimidade de
votos, no sentido de conhecer da presente remessa
necessária para NEGAR-LHE PROVIMENTO.

Sala de Sessões do CTE, em Maceió/AL, 05 de março de


2013.

PATRÍCIA MELO MESSIAS LUCIANO PONTES DE M. GOMES


PRESIDENTE RELATOR

MÁRIO SÉRGIO M. DE CASTRO ÁLVARO ARHUR L. A. FILHO


JULGADOR JULGADOR

JOSÉ PEDRO DA SILVA


JULGADOR

ACÓRDÃO CTE Nº 053/2013 Página 3


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SESSÃO ORDINÁRIA Nº: 09 – 2ª CÂMARA – REALIZADA EM: 05/03/2013


PROCESSO Nº: SF 1500-030472/2004; CTE 533/2011
AUTO DE INFRAÇÃO Nº: 041686, de 03/09/2004.
RECORRENTE: AUTO POSTO CAMELO LTDA
AUTUANTE: GENIVAL LIMA DE CARVALHO
RELATOR: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
PRESIDENTE: PATRÍCIA MELO MESSIAS
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO Nº 054/2013

EMENTA: ICMS.OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.DECURSO


DO PRAZO QUÍNQUENAL ENTRE O FATO GERADOR
APONTADO E A INTIMAÇÃO DO SUJEITO
PASSIVO. DECADÊNCIA. INCIDÊNCIA DA REGRA
DO ART. 150, §4 DO CTN. REEXAME DE
OFÍCIO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. EXTINÇÃO
DO CREDITO TRIBUTÁRIO.

RELATÓRIO

Trata-se de reexame ex ofício que chega para


análise deste Colegiado Administrativo em atenção à regra do
art. 48 da Lei n ° 6.771/2006, em face do teor da Decisão n
° 18.294/2011, da Douta Coordenadoria de Julgamento, que
declinou pela improcedência da autuação.

Antes do reavaliação proposto, prudente uma breve


incursão nos atos e fase já vencidos.

Pois bem.

A peça de lançamento relatou a omissão de vendas e


a consequente falta de recolhimento do imposto, o que teria
sido apurado mediante levantamento de estoque de
mercadorias, em que se considerou o lucro bruto acumulado
dos exercícios de 1999 e 2000.

Após tentativa infrutífera de intimar o


contribuinte em sua sede social, este foi finalmente

ACÓRDÃO CTE Nº 054/2013 Página 1


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notificado com a intimação do sócio da empresa em


07/07/2006.

A defesa tempestivamente apresentada sustentou


exclusivamente a decadência dos créditos tributários,
resguardando-se o contribuinte a discutir o mérito após a
devolução dos documentos referentes ao período do
lançamento, os quais sustentou estar de posse do fiscal
autuante.

O processo então seguiu para julgamento,


tendo a Coordenadoria de Julgamento entendido pela
improcedência do auto de infração, sob a justificativa de
serem insuficientes para confirmar a materialidade da
conduta relatada os documentos que instruíram a peça
acusatória.

Intimados, contribuinte e representação


fiscal quedaram-se silentes.

Em essência, são esses os fatos relevantes ao


julgamento do reexame de ofício.

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VOTO

Embora concordando com as conclusões a que chegou


a Douta Coordenadoria de Julgamento ao retratar a ausência
de elementos fáticos probatórios suficientes à conformação
da materialidade da autuação, entendo, em que pese o §1º do
art. 23 do PAT (Lei n ° 6.771/2006), que trata da defesa
administrativa do contribuinte, prescrever que “A matéria
relacionada com a situação que constitua o objeto da lide
deverá ser alegada de uma só vez.”, partimos da premissa de
que existem matérias que deverão ser objeto de apreciação de
ofício e preliminar pelo julgador, entre elas a existência
de eventual decadência dos créditos lançados pelo auto de
infração.

Nesta esteira estão, inclusive, os precedentes dos


Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, o que,
aliás, se colhe de passagem do acórdão da 3ª Câmara do
Segundo Conselho lavrado nos autos do processo n °
13964.000083/00-18, de relatoria do Conselheiro,
representante fazendário, o Prof. Emanuel Dantas de Assis:

“Decadência é matéria de ordem pública, a ser reconhecida de


ofício quando estabelecida por lei, como, aliás, já
determina o art. 210 do Código Civil de 2002. Somente a
decadência convencional é que não é suprida de ofício,
embora possa ser requerida a qualquer época, não se
submetendo à preclusão (art. 211 do mesmo Código).”

Neste sentido está também a recente jurisprudência


do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA:

RECURSO ORDINÁRIO – MANDADO DE SEGURANÇA – ADMINISTRATIVO –


REDUÇÃO DE PROVENTOS – DECADÊNCIA – MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA
– RECONHECIMENTO DE OFÍCIO – 1. Consoante orientação firmada
por esta corte, o ato que implica na redução de proventos é
de efeitos concretos, razão pela qual a impetração de
mandado de segurança contra tal ato deve ocorrer no prazo
legal de cento e vinte dias, sob pena de decadência.
Ressalva do entendimento da relatora. 2. A decadência,
matéria de ordem pública, pode ser reconhecida de ofício em
sede de recurso ordinário. Precedentes. 3. Processo extinto
com julgamento do mérito. (STJ – ROMS 200201435897 – (15463)
– SC – 6ª T. – Relª. Min.Maria Thereza de Assis Moura – DJU
19.11.2007 – p. 00291)

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Também assim vem entendendo este Colegiado


Administrativo em diversos de seus julgados.

Portanto, em razão da competência desta instância


administrativa julgadora para apreciar de ofício a questão
da decadência de eventuais créditos tributários lançados na
ação fiscal, assim passamos a proceder.

A decadência em matéria tributária possui regime


jurídico próprio, e é regida, por delegação constitucional
(CF, art. 146, inciso III, alínea ‘b’), pelo Código
Tributário Nacional.

O legislador complementar, então, estabeleceu


regras sobre o comentado instituto jurídico (decadência), em
vista, precipuamente, da modalidade de lançamento adotada
para cada espécie tributária.

Para o caso dos tributos sujeitos ao lançamento


por homologação, ao qual está sujeito o ICMS, o prazo
decadencial é regido pelo 4º do art. 150 do CTN, cuja
redação se transcreve:

Art. 150. (...)

§ 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5


(cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador;
expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha
pronunciado, considera-se homologado o lançamento e
definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a
ocorrência de dolo, fraude ou simulação.

Assim, em sendo o marco inicial do prazo


decadencial fixado, em lei, pela ocorrência do fato gerador,
ou seja, pela realização no mundo fenomênico da hipótese
normativa contida na regra matriz de incidência tributária,
o que se efetiva com a saída da mercadoria do sujeito
passivo (saída do gás para Sergipe), deduz-se que observados
05 (cinco) anos sem que o Fisco se pronuncie sobre os
procedimentos/recolhimentos fixados no caput e demais §§ do
citado art. 150, estariam estes tacitamente homologados,
logo, decaída a faculdade da autoridade fazendária de revê-
los. Isto diante da extinção do crédito, por homologação
tácita, na dicção dos citados dispositivos legais.

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Sobre o assunto cumpre atentarmos para a sempre


abalizada lição de JOSÉ EDUARDO SOARES DE MELO, para quem
“tendo sido realizados os fatos geradores do IPI, ICMS, ISS,
Cofins, PIS, o Fisco só poderá efetuar o lançamento no prazo de
cinco anos contados de cada fato, ou período de apuração (mensal,
se for o caso). Tendo a empresa vendido mercadorias em 20 de
setembro de 2001, sem considerar o ICMS, o Fisco só poderá lançar
este tributo dentro de cinco anos contados a partir de 1º de
outubro de 2001, com termo final em 30 de setembro de 2006.” 1.

No caso em apreço, em tendo sido o sujeito


passivo, ora Recorrente, notificado da lavratura do auto de
infração em 07 (sete) de julho de 2006 (dois mil e cinco) 2 ,
tem-se como consectário que eventuais créditos tributários
apurados em 1999 e 2000 estão decaídos, logo, extintos, na
esteira do art. 156, inciso V, do CTN.

Isto posto, ACORDÃO OS MEMBROS DA 2º CÂMARA DO


CONSELHO ESTADUAL – CTE, por unanimidade de votos,
integrando as razões acima às da instância singela, conhecer
do reexame de ofício, para negar-lhe provimento.

Sala de Sessões do CTE, em Maceió/AL, 05 de março


de 2013.

PATRÍCIA MELO MESSIAS LUCIANO P. DE M. GOMES


PRESIDENTE RELATOR

JOSÉ PEDRO DA SILVA ÁLVARO ARTHUR L. A. FILHO


JULGADOR JULGADOR

1
In Lançamento Tributário e Decadência. Dialética. Fortaleza: 2002, p. 361.
2
“Até que o sujeito passivo seja notificado, o auto de infração carece de eficácia, como título
hábil para afastar a decadência do direito de constituir o crédito tributário.” (REsp
73.594/PR. STJ, 1ª T, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros. DJU 04.03.96)

ACÓRDÃO CTE Nº 054/2013 Página 5


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ACÓRDÃO CTE Nº 054/2013 Página 6


GOVERNO DO ESTADO
SECRETARIA EXECUTIVA DE FAZENDA
CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL
____________________________________________________________________________________________

PROCESSO: 1500-028084/2002 e CTE 126/2012.


ANEXO(S): 1500-017053/2004 e 1500-034193/2011.
AUTO DE INFRAÇÃO: 029839.
AUTUADA: KARAKOLA COMÉRCIO E REP LTDA.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 240.97669-0.
DECISÃO MONOCRÁTICA: 18.162/2011.
ASSUNTO: Reexame Necessário e Recurso Ordinário.
AUTUANTE(S): Neuda Cavalcante Abreu.
RELATOR: Mário Sérgio Martins de Castro.
PRESIDENTE: PATRÍCIA MELO MESSIAS
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA

RELATÓRIO
Trata o Auto de Infração, lavrado contra o
contribuinte KARAKOLA COMÉRCIO E REP LTDA, já devidamente
qualificado nos autos, do lançamento de crédito, derivado de
multa, pelos fatos de, em tese, o sujeito passivo não ter
comunicado à Secretaria de Fazenda o encerramento de suas
atividades comerciais, não apresentado 500 (quinhentas) notas
fiscais, 01 (um) livro fiscal e não entregue 01 (uma)
Declaração de Informação Mensal do ICMS – DIM - solicitados
pelo Diário Oficial do Estado.
Como substratos legais foram dados como infringidos o
art. 49, II, III e IV do Regulamento do ICMS aprovado pelo
Decreto nº 35.245/91, e proposta a aplicação das penalidades
previstas nos art. 119, I, “a”, II, “a” e “b” e art. 130, II,
da Lei nº 5.900/1996.
Em síntese, temos o seguinte percurso administrativo
processual dos autos: em impugnação, o contribuinte confirmou
que deixara de comunicar ao Fisco o encerramento das
atividades do estabelecimento, por desconhecer a legislação,
porém, não reconhece as infrações de não apresentação de
livros e documentos fiscais. Isso porque não tinha
conhecimento da solicitação para apresentá-los. Afirma que os
livros e documentos fiscais encontram-se devidamente
autenticados e escriturados, na matriz e na posse de seu
contador. Informa ainda que está entrando com solicitação de
baixa da sua inscrição estadual. Requer nova apreciação dos
motivos que originou o auto de infração e que o mesmo seja
cancelado.
Em sede de contrarrazões, o fiscal autuante alega que o
Auto de Infração decorreu de tarefa fiscal, balizada no
Relatório Informativo da Situação Fiscal do Contribuinte e
ACÓRDÃO Nº 126/2012 Página 1
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Relatório Geral de AIDF por Contribuinte. Afirma que o


contribuinte foi notificado para se pronunciar por via de
editais. Espelha-se na afirmativa do sujeito passivo,
referente à baixa da inscrição estadual, para afirmar a
procedência da autuação.
Proferida a Decisão nº 18.162/2011, de Primeira
Instância, tendo a julgadora singular decidida pela
procedência em parte do lançamento com a seguinte ementa:

EMENTA: ICMS. Obrigação Acessória. 1.


Deixar de requerer à repartição fazendária
a baixa de sua inscrição cadastral, em
decorrência do encerramento de atividades
do estabelecimento, constitui infração à
legislação tributária – ilícito fiscal
caracterizado. 2. Presunção legal de
extravio de livros e documentos fiscais –
descaracterizado o extravio por não ter se
consumado a presunção preconizada no §10,
do art. 50, da Lei nº 5.900/1996.
Intimação prévia sem seguir a ordem posta
pelo art. 131, da Lei nº 4.418/1982.
Lançamento PROCEDENTE EM PARTE. Reexame
necessário pelo Conselho Tributário
Estadual, nos termos do art. 48, inciso I,
da Lei Estadual n° 6.771/2006.

Da parte julgada improcedente, para reexame necessário, o


julgador singular remeteu os autos a este Conselho, na forma
estabelecida pelo art. 48, I, da Lei 6.771/06.
Intimada da Decisão de Primeira Instância em 24/09/2011,
a autuada apresentou Recurso Ordinário ao Conselho Tributário
Estadual em 11/10/2011, objetivando a alteração única e
exclusivamente do valor da multa fixada na decisão singular.
Coloca que em vez da multa aplicada de 100 (cem) vezes a
Unidade Padrão Fiscal do Estado – UPFAL – conforme redação
dada pela lei nº 6.556/2004 ao art. 130 da Lei nº 5.900/96,
deveria, pelo princípio da irretroatividade, ser aplicada 10
UPFAL em redação anterior à referida alteração do art. 130.
Em resposta, pedindo pela manutenção da decisão nº
18.162/2011, o representante fiscal argumenta que o fato de não
comunicar à repartição fazendária a baixa de sua inscrição
cadastral, em decorrência do encerramento de atividades do
estabelecimento, é incontroverso, já que foi confirmado pelo sujeito
passivo devendo permanecer a multa de 100 UPFAL.
ACÓRDÃO Nº 126/2012 Página 2
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É o relatório.
VOTO
Tratando inicialmente do Reexame Necessário, delimito o
voto à análise da improcedência do lançamento efetivado por
meio do Auto de Infração nº 029839, sob o fundamento da
irregularidade na intimação do sujeito passivo requerendo a
apresentação de livros, notas fiscais e Declaração de
Informação Mensal do ICMS – DIM – todos solicitados para
apresentação ao Fisco estadual exclusivamente pelo Diário
Oficial do Estado conforme Edital nº 32/2002.
Verificando o suposto extravio de livro e notas fiscais,
acertadamente decidiu o julgador singular. O fato jurídico do
possível extravio deles determina a existência da devida
intimação, contendo a solicitação dos documentos 1. Sendo que
ficou constatado que em nenhum momento houve intimação válida,
conforme os meios elencados no art. 131 da Lei nº 4.418/82 2,
para apresentação dos referidos livro e talonários, de acordo
com a redação aplicável à época, já que a referida intimação
foi única e exclusivamente por via de edital publicado na
imprensa oficial.

Lei nº 5.900/96:

Art. 50 - Os contribuintes e as demais pessoas obrigadas à inscrição deverão, de acordo com a respectiva
atividade e em relação a cada um de seus estabelecimentos:
.....
§ 10. Presume-se extraviado, admitindo-se prova em contrário, o livro fiscal, documento fiscal ou formulário
contínuo,que:
I – solicitado pela Fazenda Estadual, não tenha sido entregue no prazo máximo de 30 (trinta) dias;
...

2
Art. 131 - A intimação será feita:
I - pelo autor do procedimento ou outro servidor a quem for conferida a atribuição, comprovando-se pelo
"ciente" do intimado, seu mandatário ou preposto;
II - pela declaração expressa de recusa do intimado, por quem proceder à intimação;
III - pela ciência dada na repartição ao interessado ou seu representante, em razão de comparecimento
espontâneo ou a chamado do órgão onde se encontre o processo;
IV - por via postal, comprovando-se pelo "Aviso de Recepção (AR)", assinado pelo intimado, seu representante
ou por quem o fizer em seu nome;
V - por edital.
§ 1º - Na impossibilidade de se proceder na forma dos incisos I a IV deste artigo, a intimação será feita por
edital, anexando-se uma via ao processo e certificando-se nos autos a sua publicação, com indicação da página e
da data do Diário Oficial.
...
ACÓRDÃO Nº 126/2012 Página 3
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Como se observa pela norma posta, a intimação por Edital


deveria ser a última providência a ser adotada pela Fazenda
quando da solicitação dos documentos ao contribuinte, após
tentativas frustradas de intimação pessoal ou por via postal
(§ 1º, do art. 131, da lei nº 4.418/82).
Quanto à DIM, apesar da obrigação por parte do
contribuinte de entrega desse documento fiscal sem a
necessidade de intimação prévia, o que averiguo dos autos é
que não se sabe qual DIM está faltando entregar. O auto de
infração faz referência ao Edital nº 32/2002 que solicitava as
DIMs dos anos de 1997 a 2001. Já o Relatório Informativo da
Situação Fiscal do Contribuinte informa da omissão de 3 (três)
DIMs de 2002. Qual DIM falta entregar então? Ou seja, não há
como o contribuinte se defender de tal fato implicando nesse
caso cerceamento de defesa.
Como se vê claramente nos autos, os fundamentos
utilizados pelo Douto Julgador da Coordenadoria de Julgamento
estão corretos. Não foram atendidas pelo autuante tais
exigências probatórias para fundamentar seu lançamento de
ofício, tendo como conseqüência jurídica a não comprovação das
situações de fato das infrações aqui analisadas em sede de
reexame necessário.
Quanto ao recurso ordinário, em sede preliminar, temos
que, de acordo com o art. 32 da Lei nº 6.771/2006 3, o edital de
intimação da ciência da decisão nº 18.162/2011 foi publicado,
em 29 de agosto de 2011 e, estando a autuada com sua inscrição
cadastral em situação inativa-baixada, a intimação pessoal
endereçada à representante legal da empresa, por meio de Aviso
de Recebimento – AR, entregue em 24/09/2011 (sábado).
Há, nesta situação de recebimento da intimação no
endereço constante no Cadastro de Contribuintes do Estado,
presunção legal da efetividade da intimação 4.

3
Art. 32. O sujeito passivo será intimado da decisão ou acórdão por meio de edital, publicado no Diário Oficial
do Estado, devendo ser remetida, por meio de AR, correspondência para o seu endereço tributário, dando-lhe
conhecimento dessa intimação.
Parágrafo único. Considera-se efetivada a intimação na data do recebimento do AR no endereço tributário do
intimado.
4
Lei 6.771/06:
Art. 12. Considera-se efetivada a intimação:
...
§ 1º Presume-se cientificado o sujeito passivo ou interessado, por via postal, quando houver o recebimento do
AR no local correspondente ao seu endereço tributário, constante no Cadastro de Contribuintes do Estado

ACÓRDÃO Nº 126/2012 Página 4


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Averiguo também que a recorrente apenas protocolou


recurso junto a este Conselho Tributário no dia 11/10/2011.
De acordo com o § 1º do art. 45, da lei nº 6.771 5, de
2006, que disciplina sobre o processo Administrativo e
Tributário no estado de Alagoas, o prazo para apresentar
recurso ao Conselho Tributário Estadual é de 15(quinze) dias
contínuos, contados da ciência da decisão, excluído o dia de
início e incluído o dia do vencimento, estes sempre devendo
ser dias de expediente normal no órgão 6.
Logo, o prazo iniciou-se em 26/09/2011 e finalizou em
10/10/2011, o recurso voluntário resta indubitavelmente
intempestivo, devendo ser indeferido de plano 7. Descabe,
portanto, análise da peça recursal por este juízo
administrativo.
Diante do exposto, voto no sentido de conhecer da
presente remessa necessária para NEGAR-LHE PROVIMENTO,
mantendo na íntegra a decisão singular ora em reexame e não
conhecer do recurso voluntário por manifesta intempestividade
ressalvado o direito de a autuada recorrer quanto ao
reconhecimento da intempestividade, perante o Pleno desse
Conselho, no prazo de 15 (quinze) dias, contados da ciência
desta decisão, nos termos do art. 5.º, § 2.º da Lei nº
6.771/06 8.

5
Art. 45. São cabíveis os seguintes recursos ao CTE:
I - recurso ordinário; e
II -...
§ 1º O prazo para recorrer será de 15 (quinze) dias, contados da ciência da decisão.
6
Lei 6.771/2006:
Art. 9º Os prazos processuais serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia de início e incluindo-se o dia
do vencimento.
§ 1º Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que tramite o processo ou
onde deva ser praticado o ato.
7
Lei nº 6.771/2006:
Art. 5º A petição será indeferida de plano pela autoridade ou órgão responsável pela apreciação da matéria,
conforme o caso, se intempestiva, se postulada ou assinada por pessoa sem legitimidade ou se inepta, vedada a
recusa de seu recebimento ou protocolização.
§ 1º A petição será considerada:
I - intempestiva, quando apresentada fora do prazo legal;
8
Lei nº 6.771/2006:
Art. 5º...
§ 2º É assegurado ao interessado o direito de impugnar o indeferimento da petição declarada intempestiva,
viciada de ilegitimidade ou inepta no prazo de 15 (quinze) dias contados da ciência, mediante petição dirigida à
autoridade ou órgão competente imediatamente superior àquele que proferiu o indeferimento.
ACÓRDÃO Nº 126/2012 Página 5
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Quanto ao argumento da impossibilidade da aplicação da


multa em 100 (cem) UPFAL, verifico que tal multa já estava
vigendo à época do lançamento pela redação dada ao art. 130 da
Lei nº 5900/96 pelo art. 1º da Lei nº 6.005/1998. Aplicar as
10 (dez) UPFAL requeridas pelo contribuinte conforme redação
originária do citado art. 130 seria dar efeito de
ultratividade da norma já revogada quando da ocorrência do
fato aqui julgado.
Conselho Tributário Estadual, Sala das Sessões, em
Maceió, 05 de outubro de 2012.

Mário Sérgio Martins de Castro


Relator

EMENTA- ICMS. Obrigação Acessória.


Extravio de livros e documentos
fiscais: irregularidade na
intimação. Nao identificação do
período da DIM não entregue:
cerceamento de defesa. Reexame
necessário conhecido, para negar-
lhe provimento. Recurso Ordinário
não conhecido em razão da
intempestividade de sua
apresentação. Decisão Singular
mantida na integra.

ACÓRDÃO Nº 126/2012 Página 6


GOVERNO DO ESTADO
SECRETARIA EXECUTIVA DE FAZENDA
CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL
____________________________________________________________________________________________

SESSÃO ORDINÁRIA Nº: 09 – 2ª CÂMARA – REALIZADA EM: 05/03/2013


PROCESSO Nº: SF 1500-009229/2004
AUTO DE INFRAÇÃO Nº: 009785 de 13/04/2004
AUTUADA: DUMONT BEBIDAS LTDA.
RELATOR: ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
PRESIDENTE: PATRÍCIA MELO MESSIAS
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO Nº 056/2013

Ementa: Recurso de ofício. Redução da


penalidade descrita no art. 79 da lei
n. 5.900de 1996. Penalidade mais
benéfica ao contribuinte Art. 106, II
“C”. Recurso conhecido e improvido.

RELATÓRIO

Trata-se de reexame necessário cujo objeto é a decisão


singular nº 18.433/2001. Esta, por sua vez, julgou pela
procedência parcial do lançamento do crédito tributário do
Auto de Infração em epigrafe.

No referido Auto de Infração, consta que a empresa


recorrida deixou de recolher ICMS incidentes sobre as
exportações, assim foi determinando o recolhimento de R$
50.113,03(cinquenta mi, cento e treze reais e três centavos)
sendo imputada a multa descrita no art. 79 da lei nº 5.900/96,
que a época da lançamento correspondia a 100%(cem por cento)
do crédito lançado.

A Coordenadoria de Julgamento, após analisar a defesa do


contribuinte, julgou parcialmente procedente o lançamento do
crédito tributário, nos termos da ementa abaixo:

EMENTA: ICMS. Falta de recolhimento do


imposto incidente na importação de
mercadorias no estabelecimento
importador, não se comprova a
existência de qualquer medida judicial
suspendendo a exigência fiscal. Ilícito
fiscal comprovado. Redução da
penalidade, em vista de alteração
legislativa. PROCEDÊNCIA PARCIAL DO
LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.

ACÓRDÃO CTE Nº 056/2013 Página 1


GOVERNO DO ESTADO
SECRETARIA EXECUTIVA DE FAZENDA
CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL
____________________________________________________________________________________________

Reexame necessário pelo Conselho


Tributário Estadual, nos termos do art.
48 da Lei Estadual nº 6.771/06 (duplo
grau de jurisdição administrativa
necessário).

Percebe-se que o lançamento foi mantido em sua


integralidade, com exceção do crédito decorrente da sanção
imposta que reduziu em razão da mudança da legislação.

Intimado o contribuinte e a representação fiscal do teor


da decisão esses quedaram silentes.

É o relatório.

ACÓRDÃO CTE Nº 056/2013 Página 2


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VOTO

Com base no relatório já consubstanciado aos autos, passo


ao voto acerca do reexame necessário da decisão nº
18.433/2012, que decidiu pela procedência parcial do crédito
tributário em tela.

Ora, quanto à aplicação da multa, deve-se observar que no


caso em liça sequer houve alteração da capitulação da multa,
pois o julgador singular manteve o art. 79 da lei nº 5.900/96,
alterando apenas o percentual da multa que passou de 100% para
50%. Logo, observando-se o princípio da retroatividade da lei
mais benéfica, previsto no art. 106, II “C” do CTN, vê-se o
acerto do julgado singular.

Diante do exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA DO


CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL – CTE, por unanimidade de votos,
conhecer do recurso, para negar-lhe provimento, mantendo a
decisão singular e, pois, pela procedência em parte do
lançamento do crédito tributário.

Sala de Sessões do CTE, em Maceió, 22/02/2013.

PATRÍCIA MELO MESSIAS ÁLVARO ARTHUR L. A. FILHO


PRESIDENTE RELATOR

MÁRIO SÉRGIO M. DE CASTRO LUCIANO P. DE M. GOMES


JULGADOR JULGADOR

JOSÉ PEDRO DA SILVA


JULGADOR

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SESSÃO ORDINÁRIA Nº 09 – Realizada em 05/03/2013 – 2ª Câmara


PROCESSO N º.: SF 1500-005122/1996 – CTE 134/2012
AUTO DE INFRAÇÃO Nº.: 070693 de 04/10/1995
RECORRIDO: Mapel – Maceió e Peças – Ltda.
RELATOR: ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
PRESIDENTE: Patrícia Melo Messias
ASSESSORIA: Liberaci Maria Souza Galindo

ACÓRDÃO Nº 057/2013

EMENTA: PROCEDIMENTO ESPECIAL. Não


conhecimento do recurso voluntário.
Art. 46 da Leil 6.771/2006

Relatório

Trata-se de recurso voluntário com a finalidade de


reformar a decisão nº. 18.282/2011 proferida pela
Coordenadoria de Julgamento, a qual entendeu pela procedência
total.

Consoante o Auto de Infração dispõe, o contribuinte


não recolheu o ICMS decorrente de substituição tributária,
pois foi constatado em operações de aquisição de mercadorias
sujeitas ao regime de substituição que não houve a retenção
antecipada do tributo devido pelo remetente.

O julgado singular ao observar que os argumentos de


defesa se prendiam exclusivamente a inconstitucionalidade da
norma que fundamente a o lançamento, entendeu pela
procedência do mesmo, sem apreciar o mérito, consoante se
observa da ementa abaixo:

EMENTA – ICMS – Obrigação principal – Falta de


recolhimento do imposto em operações de aquisição
de produtos sujeitos ao regime de substituição
tributária sem a retenção antecipada, pelo
recorrente, do tributo devido – Defesa versada em
arguição de inconstitucionalidade de legislação
infraconstitucional – Impossibilidade exame do
mérito (ex vi art. 23, §3º da Lei 6.771/06) –
Autuação PROCEDENTE.

Em sede de Recurso voluntário, o contribuinte


arguiu, primeiramente, a prescrição intercorrente, ao afirmar

Acórdão CTE 057//2013


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que a partir da lavratura do auto de infração tem inicio o


prazo prescricional, e como transcorreram mais de cinco anos
entre a constituição do crédito(04/10/1995) e a ciência da
decisão que julgou procedente o lançamento
tributário(17/11/2011), teria decorrido a prescrição
intercorrente, alega ainda que:

1. A nulidade do lançamento por vício de


forma, sob o argumento de que não foram
cumpridos os requisitos do decreto nº
35.245/1991, ao não ser identificada a
atividade econômica do contribuinte, bem
como por não constar o dia, hora e local da
lavratura;

2. O lançamento é nulo por ser baseado em


legislação revogada, ao demonstrar que a
auto de infração descreve com infringidos
os arts. 15, XIII e art. 17, III § 1º e §
2º do decreto nº 35.245/1991, os quais
foram revogados pelo art. 57 do decreto
1.147/2003;

3. As operações interestaduais de compra de


petróleo, lubrificantes e combustíveis
líquidos são imunes;

4. A multa de 100%(cem por cento) seria


confiscatória;

Ao se manifestar sobre as razões recursais a


representação fiscal afirmar que:

1. Reconhece a morosidade do trâmite


processual, porém não há norma que
reconheça a prescrição intercorrente;

2. As nulidades arguidas não preenchem as


hipóteses da norma estadual descritas no
art. 7º da lei nº 6.771/2006;

3. A norma que fundamenta o lançamento estava


em vigor quando da lavratura do auto,
portanto aplicada ao caso concreto;

4. Não há imunidade nas operações, pois as


notas fiscais não demonstram o recolhimento
do imposto pelo remetente;

Acórdão CTE 057//2013


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É o relatório

Pelo exposto, ACORDAM OS MENBROS DA 2ª CÂMARA DO


CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade de votos,
observando que o valor do crédito tributário não ultrapassa o
valor de 400(quatrocentos) UPFAL, nos termos do art. 36 do
inciso II da Lei nº 6.771/2006, vê-se que o procedimento
aplicado ao caso em liça é o especial, portanto em atenção ao
art. 46 da Lei nº 6.771/2006, não conhecer do Recurso
Ordinário.

Sala das Sessões do CTE, em Maceió, 05 de março de 2013.

PATRICIA MELO MESSIAS ÁLVARO ARTHUR L. DE A. FILHO


PRESIDENTE RELATOR

JOSÉ PEDRO DA SILVA MARIO SÉRGIO M. DE CASTRO


JULGADOR JULGADOR

LUCIANO PONTES DE M. GOMES


JULGADOR

Acórdão CTE 057//2013


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SESSÃO ORDINÁRIA Nº 09 – 2ª CÂMARA – REALIZADA EM: 05/03/2013


PROCESSO: 1500-014040/11; CTE-198/12
ANEXOS: 1500-090011/09 (04 VOLUMES); 1500-021128/11; 1500-
013679/12
AUTO DE INFRAÇÃO Nº 70.00947-001
RECORRENTE: A.S.DOS SANTOS - PAPELARIA
AUTUANTE: WELLINGTON VASCONCELOS DE SOUZA – Mat. 51.602
RELATOR: JOSÉ PEDRO DA SILVA
PRESIDENTE: PATRÍCIA MELO MESSIAS
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO Nº 058/2013

EMENTA: AUTUAÇÃO. TEOR DA DESCRIÇÃO


DOS FATOS TIDOS COMO INFRAÇÃO À
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA EM DIVERGÊNCIA
QUANTO A SUA TIPICIDADE. OFENSA AO
PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. RECURSO
CONHECIDO E PROVIDO. AUTUAÇÃO NULA.

RELATÓRIO

O presente lançamento tem como descrição dos


fatos a seguinte: “Deixou de recolher o ICMS decorrente da
omissão de saídas relativas às operações/prestações
realizadas cujos pagamentos foram feitos pelos adquirentes
por meio de cartão de crédito/débito ou similares, cujos
documentos fiscais relativos a estas operações de saídas não
estavam escriturados regularmente nos livros fiscais
próprios.”

No entanto, no “Campo Complemento” da descrição


dos fatos, constante da fl. inicial, o autuante mencionou:
“PLANILHA COM O DEMONSTRATIVO DO DÉBITO ANEXA AO AUTO DE
INFRAÇÃO”, segundo a qual consiste no confronto de valores
fornecidos pelas Administradoras de Cartões de Crédito e os
valores efetivamente registrados a título de saídas pela
empresa autuada, conforme fls. 06 e 07.

ACÓRDÃO CTE Nº 058/2013 Página 1


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Como instrução da autuação foram anexados, dados


cadastrais do contribuinte, demonstrativo do débito, DAC,
Relatórios de Movimentações Financeiras das Administradoras
de Cartões de Crédito VisaNet, Hipercard e cópias, dos
termos de início e encerramento de fiscalização, da Intimação
Fiscal de nº 7000947/002, dos Ofícios DIPLAF de Nºs. 023 a
033/2009, seguidos das Intimações Fiscais de Nºs. 56.702 a
56.713 e Extratos do Simples Nacional.

Intimada da autuação, a empresa requer em sede de


preliminar a nulidade da autuação em razão do cerceamento de
defesa, assim como em decorrência da quebra do sigilo fiscal
sem autorização judicial.

Por ocasião da contestação da defesa, o eminente


Representante Fiscal alega que o Dec. nº. 3.724/01 instituiu
um procedimento administrativo fiscal para a “quebra” do
sigilo fiscal onde duas condições são indispensáveis,
procedimento de fiscalização em curso e indispensabilidade da
violação de dados. Condições estas observadas na presente
autuação.

Submetido o presente litígio fiscal a julgamento


por parte da instância monocrática, a mesma concluiu pela
procedência do lançamento nos termos da seguinte ementa:
“ICMS. 1. A argüição de cerceamento do direito de defesa e
contraditório será rejeitada porque os autos do PAT ficaram
disponíveis ao representante legal da pessoa jurídica. 2. As
operações de vendas com recebimento por meio de cartão de
crédito e/ou débito são passíveis de averiguações fiscais. 3.
A opção do Simples Nacional não exclui a incidência do ICMS
nas operações de saídas de mercadorias desacompanhada de
documento fiscal. 4. A instituição legal de novo critério de
apuração posterior a ocorrência do fato gerador não está
obrigado a observância do princípio da irretroatividade e da
anterioridade. 5. A circunstância material que dá ensejo a
presunção legal de saídas de mercadorias tributadas em
operação interna sem o pagamento do imposto foi devidamente
caracterizada e provada tendo embasamento na diferença de

ACÓRDÃO CTE Nº 058/2013 Página 2


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valores entre o relatório das Administradoras de cartão de


crédito e débito com o Extrato do Simples. 6. Não será
acolhido o tipo penal tributário sugerido do art. 83 da Lei
n. 5900/96, mas aplicada a penalidade disposta no art. 79 da
mesma Lei. 7. Lançamento do crédito tributário PROCEDENTE em
parte. 8. Reexame necessário para o Conselho Tributário
Estadual.

Notificada da decisão, a empresa impetra recurso


para este Colegiado, ratificando os termos da sua defesa na
primeira instância, requerendo a nulidade do processo e da
decisão recorrida em razão da quebra ilegal do sigilo
bancário e do cerceamento de defesa.

Por ocasião das contra razões do recurso, o Fisco


insiste na manutenção da decisão recorrida, aduzindo
inclusive o seu acerto mediante a correção da tipificação da
penalidade com a aplicação do art. 97 ao invés do art. 83,
todos da Lei nº. 5.900/96.

Em síntese é o relatório.

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Voto.

PRELIMINAR DE NULIDADE.

CERCEAMENTO DE DEFESA.

Da análise do teor da peça vestibular é de se


constatar que a descrição dos fatos tidos como infração a
legislação tributária apresenta-se de forma incoerente e
imprecisa, dificultando assim a defesa da empresa autuada,
isto porque, o autuante ao consignar na fl. inicial, assim
como nos demonstrativos de fls. 09,11,12 e 13, os fatos
típicos da infração, faz constar a falta de recolhimento do
ICMS decorrente de omissão de saídas em razão de diferença
das vendas realizadas mediante cartões de crédito em
confronto com as vendas efetivamente registradas e ao mesmo
tempo falta de recolhimento do ICMS em razão da falta de
escrituração dos documentos fiscais relativos às operações de
saídas, sem, no entanto, identificar os respectivos docs.
fiscais (Notas Fiscais) sem a devida escrituração no livro
próprio, apontando como embasamento legal o Art. 83 da Lei
nº. 5.900/96, segundo o qual disciplina, in verbis: “Falta de
recolhimento do imposto, no todo ou em parte, quando os
documentos fiscais relativos às respectivas operações de
saídas não estejam escriturados regularmente nos livros
fiscais próprios: MULTA – equivalente a 60% (sessenta por
cento) do valor do imposto.”

Ora, diante da ambigüidade da fundamentação


jurídica da autuação, a empresa, ou bem se defenderia da
acusação do registro de vendas inferior ao montante do
faturamento mediante cartão de crédito/débito, infração
típica do inc. V, § 9º, do Art. 2º, combinados com o Art. 79,
todos da Lei nº. 5.900/96, ou bem se defenderia da acusação
da falta de recolhimento do ICMS decorrente da omissão de
registro das notas fiscais emitidas, infração esta prevista
no reportado art. 83.

Na verdade, nada impediria que a presente


autuação contivesse ao mesmo tempo as duas tipicidades de

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infrações, desde que as mesmas estivessem bastante


instruídas, o que não se verificou.

Isto posto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA DO


CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL – CTE, por unanimidade de votos,
conhecer do recurso para dar-lhe provimento no sentido de
declarar nula a autuação por ofensa ao princípio da ampla
defesa.

Sala das Sessões do CTE, em Maceió, 01/02/2013.

PATRÍCIA MELO MESSIAS JOSÉ PEDRO DA SILVA


PRESIDENTE RELATOR

MÁRIO SÉRGIO M. DE CASTRO ÁLVARO ARTHUR L. A. FILHO


JULGADOR JULGADOR

LUCIANO PONTES DE M. GOMES


JULGADOR

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SESSÃO ORDINÁRIA Nº: 09 – 2ª CÂMARA – REALIZADA EM: 05/032/2013


PROCESSO: 1500-015694/11; CTE-281/12
ANEXOS: 1500-090667/09 (03 VOLUMES); 1500-033813/11; 1500-
020317/12
AUTO DE INFRAÇÃO Nº 70.01221-001
RECORRENTE: CACAU SHOW ALAGOAS COMÉRCIO DE CHOCOLATES LTDA-
EPP
AUTUANTE: JORGE RICARDO DE SOUZA – Mat. 51.572
RELATOR: JOSÉ PEDRO DA SILVA
PRESIDENTE: PATRÍCIA MELO MESSIAS
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO Nº 059/2013

EMENTA: AUTUAÇÃO. TEOR DA DESCRIÇÃO


DOS FATOS TIDOS COMO INFRAÇÃO À
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA EM DIVERGÊNCIA
QUANTO A SUA TIPICIDADE. OFENSA AO
PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. RECURSO
CONHECIDO E PROVIDO. AUTUAÇÃO NULA.

RELATÓRIO

O presente lançamento tem como descrição dos


fatos a seguinte: “Deixou de recolher o ICMS decorrente da
omissão de saídas relativas às operações/prestações
realizadas cujos pagamentos foram feitos pelos adquirentes
por meio de cartão de crédito/débito ou similares, cujos
documentos fiscais relativos a estas operações de saídas não
estavam escriturados regularmente nos livros fiscais
próprios.”

No entanto, no “Campo Complemento” da descrição


dos fatos, constante da fl. inicial, o autuante assim
consignou: “Deixou de recolher o ICMS, decorrente da omissão
de saídas relativas às operações/prestações, cujos pagamentos
foram realizados, por meio de crédito/débito, fato comprovado
através do confronto entre os valores de vendas, informados
pelas Administradoras de cartão de crédito/débito (VISANET,
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REDECARD, AMERICAN EXPRESS e HIPERCARD)/ Livro de Apuração do


ICMS (Período: 01/01/2007 a 30/06/2007) e DASN(Período:
01/07/2007 a 31/07/2009)”.

Como dispositivos transgredidos foram apontados


dentre outros, os incs. II e V do § 9º do Art. 2º e o Art.
83, todos da Lei nº. 5.900/96.

Como instrução da autuação foram anexados, dados


cadastrais do contribuinte, demonstrativo do débito,
Relatórios de Movimentações Financeiras das Administradoras
de Cartões de Crédito VisaNet, Redecard, Hipercard e cópias,
da Intimação Fiscal de nº 7001221/002, do Livro Reg. de
Apuração do ICMS, dos Termos de início e encerramento de
fiscalização, dos Ofícios DIPLAF de Nºs. 023 a 033/2009,
seguidos das Intimações Fiscais de Nºs. 56.702 a 56.713, das
Declarações Anual do Simples Nacional e dos Extratos do
Simples Nacional.

Intimada da autuação, a empresa requer em


sede de preliminar a nulidade da autuação em razão da ofensa
ao princípio da legalidade tributária, quando da aplicação da
alíquota de 17% (dezessete por cento) ao invés da alíquota
entre 1.25% a 3.95%, cerceamento de defesa, assim como em
decorrência da quebra do sigilo bancário sem autorização
judicial.

Por ocasião da contestação da defesa, o


eminente Representante Fiscal alega que a omissão de vendas
foi observada mediante confronto entre as vendas declaradas
ao Fisco pela impugnante e os valores constantes nos extratos
fornecidos por administradoras de cartões de crédito/débito,
cujo fornecimento das informações tem como embasamento legal,
o § 11, incs. I e II, do Art. 50 da Lei nº. 5.900/96.

Submetido o presente litígio fiscal a


julgamento por parte da instância monocrática, a mesma
concluiu pela procedência do lançamento nos termos da
seguinte ementa: “ICMS – PROCEDIMENTO ORDINÁRIO. 1.

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Lançamento de ofício de crédito tributário e impositivo de


penalidade. 2. Descumprimento de obrigação tributária
principal. Omissão de saídas. 3. Revelia. 4. Supressão legal
da jurisdição administrativa fiscal pelos efeitos da revelia.
Envio dos autos à Diretoria de Representação Fiscal-DIRF,
por força do artigo 13, § 2º, da Lei nº 6.771/06.

Não obstante a recomendação para remessa dos


autos à Representação Fiscal por parte do julgador de
primeira instância, diante da suposta revelia da autuada, a
mesma não fora atendida e em ato contínuo efetivou-se a
devida notificação da empresa da decisão de piso.

Notificada da decisão, a empresa impetra recurso


para este Colegiado, reiterando o requerimento de nulidade da
autuação em razão da ofensa ao princípio da legalidade, da
amplitude da defesa, assim como em decorrência da quebra do
sigilo bancário e do cerceamento de defesa consistente no não
conhecimento da sua defesa sob o fundamento de
intempestividade da mesma por parte do julgador monocrático,
quando à luz do EDITAL-DIRAC Nº 186/2011, de 06.09.2011, a
defesa foi apresentada tempestivamente, pelo menos levando em
consideração a sua boa-fé diante dos termos do reportado
edital, segundo o qual padece de invalidez diante dos artigos
11, incs. II e III, “c” e 12, III, todos da Lei nº. 6.771/06
não comportando assim a conclusão pela revelia da autuada.

Por ocasião da contestação do recurso, A


Representação Fiscal, preliminarmente, admite erro da
Administração ao publicar o EDITAL-DIRAC Nº 186/2011,
conforme mandamento contido no Art. 12, § 1º, da Lei do PAT,
concluindo pela análise da defesa apresentada pela autuada,
apontando como dispositivo legal o Art. 14, parágrafo único,
da Lei nº. 6.771/06 e no mérito, reitera os mesmos argumentos
quando da contestação da defesa da recorrente.

Em síntese é o relatório.

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VOTO.

PRELIMINAR DE NULIDADE.

CERCEAMENTO DE DEFESA

Da análise do teor da peça vestibular é de se


constatar que a descrição dos fatos tidos como infração à
legislação tributária apresenta-se de forma incoerente e
imprecisa, dificultando assim a defesa da empresa autuada,
isto porque, o autuante ao consignar na fl. inicial, assim
como nos demonstrativos de fls. 13 e 14 os fatos típicos da
infração, faz constar a falta de recolhimento do ICMS
decorrente de omissão de saídas em razão de diferença das
vendas realizadas mediante cartões de crédito/débito em
confronto com as vendas efetivamente registradas e ao mesmo
tempo aponta no lançamento falta de recolhimento do ICMS em
razão da falta de escrituração dos documentos fiscais
relativos às operações de saídas, sem, no entanto,
identificar os respectivos docs. fiscais (Notas Fiscais) sem
a devida escrituração no livro próprio, indicando como
embasamento legal o Art. 83 da Lei nº. 5.900/96, segundo o
qual disciplina, in verbis: “Falta de recolhimento do
imposto, no todo ou em parte, quando os documentos fiscais
relativos às respectivas operações de saídas não estejam
escriturados regularmente nos livros fiscais próprios: MULTA
– equivalente a 60% (sessenta por cento) do valor do
imposto.”

Ora, diante da ambigüidade da fundamentação


jurídica da autuação, a empresa, ou bem se defenderia da
acusação do registro de vendas inferior ao montante do
faturamento mediante cartão de crédito/débito, infração
típica do inc. V, § 9º, do Art. 2º, combinados com o Art. 79,
todos da Lei nº. 5.900/96, ou bem se defenderia da acusação
da falta de recolhimento do ICMS decorrente da omissão de
registro das notas fiscais emitidas, infração esta prevista
no reportado art. 83.

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Rua General Hermes 80 Bom Parto 5º andar CEP 57.017-200
FONES: 3315-6190 – fax 3315-8273

De forma que, os atos praticados com preterição


do direito de defesa no Processo Administrativo Tributário
são nulos, conforme mandamento previsto no Art. 7º, inc. II,
da Lei nº. 6.771/06, verbis:

“Art. 7º São nulos:”

I – (...)

“II – os atos praticados e as decisões proferidas


com preterição do direito de defesa;”

Na verdade, nada impediria que a presente


autuação contivesse ao mesmo tempo as duas tipicidades de
infrações, desde que as mesmas estivessem instruídas, o que
não se verifica.

Isto posto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA DO


CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade de votos,
conhecer do recurso para dar-lhe provimento no sentido de
declarar nula por vicio formal a autuação por ofensa ao
princípio da ampla defesa.

Sala das Sessões do CTE, em Maceió, 05/03/2013.

PATRÍCIA MELO MESSIAS JOSÉ PEDRO DA SILVA


PRESIDENTE RELATOR

MÁRIO SÉRGIO M. DE CASTRO ÁLVARO ARTHUR L. A. FILHO


JULGADOR JULGADOR

LUCIANO PONTES DE M. GOMES


JULGADOR

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GOVERNO DO ESTADO
SECRETARIA DE ESTADO DE FAZENDA DE ALAGOAS
CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL
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SESSÃO ORDINÁRIA: Nº 02 – REALIZADA: 18/01/2013 – 2ª CÂMARA
PROCESSO: 1500-013203/2011 e CTE nº 206/2012.
AUTO DE INFRAÇÃO: 70.00871-001.
AUTUADA: Zenite Almeida de Azevedo ME.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 248.38188-1
DECISÃO MONOCRÁTICA: 18.603/2012.
ASSUNTO: Recurso Ordinário e reexame necessário.
AUTUANTE(S): Louise Amaral de Araújo.
RELATOR: Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho.
VOTO DE VISTA VENCEDOR: Mário Sérgio Martins de Castro.
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA
PRESIDENTE: PATRICIA MELO MESSIAS

ACÓRDÃO Nº06 /2013

EMENTA- ICMS. Obrigação


Principal. falta de recolhimento
de ICMS pelo sujeito passivo
devido à omissão de saídas
relativas às operações/prestações
realizadas nos quais os
pagamentos foram feitos pelos
adquirentes por meio de cartão de
crédito/débito ou similares,
cujos documentos fiscais
relativos a estas operações de
saídas não estavam escriturados
regularmente nos livros fiscais
próprios. Defeso ao julgador
alterar a materialidade dos fatos
narrados no auto de infração.
Nulidade da decisão recorrida.
Recurso conhecido e provido. Retorno
dos autos à primeira instância para
novo julgamento.

RELATÓRIO
Fundamentado o auto de infração na acusação fática de
não recolhimento do ICMS decorrente de omissão de saídas de
mercadorias relativas às operações detectadas pelos
pagamentos feitos pelos adquirentes por via de cartão de
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crédito/débito, “... cujos documentos fiscais relativos a
estas operações de saídas não estavam escrituradas
regularmente nos livros fiscais próprios”.
Foram apontados como transgredidos as seguintes normas:
art. 1º; art. 2º, § 9º, II e V; art. 31, I, II e art. 50, §§
2º ao 7º, todos da Lei 5.900/96 c/c art. 272-B do RICMS/91.
Aplicada as penalidades previstas nos artigos 83 e 93 da Lei
nº 5.900/96.
Em síntese, a autuada apresentou defesa alegando que o
levantamento fiscal seria inconsistente, pois a empresa
estaria no regime do Simples Nacional no período fiscalizado,
estando suas vendas comprovadas por meio de notas fiscais D-
1.
A autoridade fiscal, em sede de contrarrazões, afirma
que o conjunto probatório trazido pela fiscalização comprova
que os pagamentos das vendas por via de cartão de
crédito/débito foram muito maiores que os montantes de vendas
declarados pelo contribuinte.
Proferida a Decisão nº 18.603/2012, tendo o julgador
singular decidido pela procedência parcial do lançamento com
a seguinte ementa:

EMENTA: ICMS. 1. A opção do sujeito


passivo em determinado período em fazer
o recolhimento de tributos por meio do
Simples Nacional não exclui a incidência
do ICMS nas operações de saídas de
mercadorias desacompanhada de documento
fiscal. 2. Não procede a alegação do
sujeito passivo uma vez que todas as
vendas com documento fiscal e declaradas
no Extrato do Simples Nacional foram
consideradas e subtraídas do montante
recebido pelas Administradoras de
Cartões. 3. A circunstância material que
deu ensejo a presunção legal foi provada
com a juntada de cópia do Extrato do
Simples, e dos documentos recebidos das
Administradoras de Cartões, de onde
foram extraídos e confrontados os
valores que resultou na Base de Calculo
omitida do ICMS não recolhido. 4. Não
será acolhido o tipo penal tributário

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sugerido do art. 83 da lei 5.900/96,
aplicação da penalidade disposta no art.
79 da mesma Lei. 5. Lançamento do
crédito tributário PROCEDENTE em parte.
6. Reexame necessário para o Conselho
Tributário Estadual.

Da parte julgada improcedente, para reexame necessário,


o julgador singular remeteu os autos a este Conselho, na
forma estabelecida pelo art. 48, I, da Lei 6.771/06.
Intimado da decisão supracitada, por via de Recurso
Ordinário, a autuada pede a nulidade ou a “insubsistência”
tanto do auto de infração quanto da decisão de piso devido à
falta de comprovação material do ilícito fiscal, não havendo
fato gerador nem multa a serem cobrados. Também há de se
considerar os créditos pertinentes às entradas e os
antecipados já pagos.
Em resposta, pedindo pela procedência da ação fiscal, o
Representante Fiscal argumenta que pelo acervo probatório
acostado nos autos ficou constatada a presunção legal de
falta de recolhimento do imposto pelas saídas de mercadorias
tributáveis sem a documentação fiscal correspondente,
conforme confronto de informações declaradas pelo autuado e
os fornecidos pelas administradoras de cartão de
crédito/débito. Além do que o sujeito passivo não trouxe
provas que afastasse a acusação e crédito tributário aqui
cobrado.
É o relatório.

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VOTO

Tratando primeiramente do recurso ordinário, correta


está a defesa recursal colocada pelo contribuinte ao afirmar
a falta de comprovação da materialidade posta na decisão a
quo, o que implicaria em sua nulidade.

Isso porque a descrição fática narrada na peça inicial


é o não recolhimento do ICMS decorrente de omissão de saídas
de mercadorias relativas às operações detectadas pelos
pagamentos feitos pelos adquirentes por via de cartão de
crédito/débito, “... cujos documentos fiscais relativos a
estas operações de saídas não estavam escrituradas
regularmente nos livros fiscais próprios” (grifo nosso) (pg.
02 do processo principal).

O que se extrai do lançamento de ofício é que no plano


dos fatos existiam notas fiscais relativas a essas operações
e que elas não foram escrituradas nos livros próprios. Até
porque só se pode escriturar notas fiscais já emitidas

Tal fato tem sua individualidade bem delineada,


inclusive com seu correspondente abstrato previsto na norma
do art. 83 da Lei nº 5.900/96 1

Porém o que se vê na decisão de piso é que houve


alteração da realidade material, uma nova descrição dos fatos
imputados ao contribuinte pelo julgador monocrático, quando
afirma que “... os documentos fiscais das operações de saídas
não escriturados regularmente nos livros fiscais mencionados
na descrição fática se referem aqueles documentos que
deixaram de ser emitidos e escriturados em razão da omissão
de receitas...”. Ou seja, diversamente do exposto na peça
vestibular, onde haveria a existência de documentos fiscais,
o julgador de piso conclui que não houve a emissão das notas
fiscais quando da ocorrência das operações em que incidiriam
o ICMS.

1
Art. 83 - Falta de recolhimento do imposto, no todo ou em parte, quando os documentos fiscais relativos às
respectivas operações de saídas não estejam escriturados regularmente nos livros fiscais próprios:
MULTA - equivalente a 60% (sessenta por cento) do valor do imposto.

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Não cabe ao julgador dar nova interpretação ao fato
material em que se baseia o lançamento de ofício. Pode sim
configurar definição jurídica diversa da que constar no auto
de infração. Uma decisão administrativa que altera
materialidade dos fatos lançados de ofício agride os
princípios da segurança jurídica e da legalidade 2, além de
ocorrer arbitrariedade e cerceamento de defesa em prejuízo ao
contribuinte 3.

Temos aqui que o livre convencimento do julgador não


pode ser confundido com arbítrio para modificação da
realidade dos fatos. Como bem leciona Neder e Lopez 4:
“Afinal, o contribuinte não se defende da capitulação legal
da infração e sim, da descrição fática, dos fatos, nela,
narrados”.

Tanto é assim que a lei que rege o nosso processo


administrativo tributário claramente proíbe que o julgador
modifique as circunstâncias matérias que originaram o auto de
infração 5.

Diante do exposto, ACORDAM OS MEMBROS DO CONSELHO


TRIBUTÁRIO ESTADUAL – CTE por maioria de votos,no sentido de
conhecer do recurso ordinário dando-lhe provimento, de forma
que, à luz do Art. 7º e 30, da Lei nº. 6.771/06, a decisão
prolatada pelo julgador monocrático é nula por alterar a
materialidade dos fatos narrados no auto de infração nº
70.00871-001. Pelo motivo da nulidade da decisão, também
acordam pelo não conhecimento do reexame necessário.

2
Art. 2º Na instauração, preparo, instrução, tramitação e decisão do processo administrativo tributário,
contencioso ou não, serão atendidos os princípios da oficialidade, da legalidade, da verdade material, da
ampla defesa e do contraditório, sem prejuízo de outros princípios de direito.
3
Art. 7º São nulos:
...
II - os atos praticados e as decisões proferidas com preterição do direito de defesa;
...
4
Marcos Vinícius Neder, Maria Teresa Martinez Lópes. Processo administrativo fiscal federal comentado. 3ª
ed. São Paulo: Dialética, 2010. Pg 285.
5
Art. 30. Desde que mantidas as mesmas circunstâncias materiais em que se fundou o ato original de
constituição do crédito tributário, poderá o julgador dar ao fato apurado definição jurídica diversa da que
constar no auto de infração, inclusive relativamente: (grifo nosso)
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Intime-se a recorrente e em seguida retornem os autos à
primeira instância para uma nova decisão, observando que a
lei que rege o nosso processo administrativo tributário
claramente proíbe que o julgador modifique as circunstâncias
matérias que originaram o auto de infração.

Ressalva-se que os Conselheiros Álvaro Almeida Filho e


Luciano Maya Gomes concordam com as razões acima delineadas,
entretanto, em atenção ao art. 249, p. 2º, do CPC, entendiam
desde já pela possibilidade do julgamento do mérito do
lançamento.

Conselho Tributário Estadual, Sala das Sessões, em


Maceió, 18 de janeiro de 2013.

PATRÍCIA MELO MESSIAS ÁLVARO ARTHUUR LOPES DE ALMEIDA


PRESIDENTE(acompanhou voto de vista) RELATOR

MÁRIO SÉRGIO M. DE CASTRO


JULGADOR(voto de vista vencedor)

LUCIANO PONTES DE M. GOMES JOSÉ PEDRO DA SILVA


JULGADOR(acompanhou relator) JULGADOR(acompanhou voto de vista)

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SESSÃO ORDINÁRIA Nº: 09 – 2ª CÂMARA – REALIZADA EM: 05/03/2013


PROCESSO: 1500-018816/2001 E CTE 556/2011.
ANEXO(S): 1500-021673/2001 E 1500-001224/2003.
AUTO DE INFRAÇÃO: 067439.
AUTUADA: L F TELEINFORMÁTICA LTDDA.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 240.98242-8-6
DECISÃO MONOCRÁTICA: 18.346/11.
ASSUNTO: REEXAME NECESSÁRIO.
AUTUANTE(S): MARIA DAS GRAÇAS T. CORTEZ.
RELATOR: MÁRIO SÉRGIO MARTINS DE CASTRO.
PRESIDENTE: PATRÍCIA MELO MESSIAS.
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO Nº 060/2013

EMENTA: ICMS. Obrigação Principal.


Omissão de entradas e saídas de
mercadorias apurada através de
levantamento físico de estoque. Valor
excluído em julgamento singular não
excede a 400 (quatrocentas) Unidades
Padrão Fiscal do Estado de Alagoas -
UPFAL. Remessa necessária não
conhecida. Decisão de piso mantida.

RELATÓRIO
Trata o Auto de Infração do lançamento de crédito
tributário composto de imposto e multa originariamente no
valor de R$ 4.418,31 (quatro mil, quatrocentos e dezoito
reais e trinta e um centavos), pelos fatos de, em tese, o
sujeito passivo, conforme levantamento específico de estoque
no exercício de 2000 e no período entre 01/01/2001 e
25/06/2001, ter adquirido e vendido mercadorias tributáveis
sem documentação fiscal.
Foram considerados infringidos o art.50, I da Lei
5.900/96 e o art. 49, II, III e IV do Regulamento do ICMS,
aprovado pelo Decreto n.º 35.245/91. Aplicaram-se as
penalidades dos art. 84 e 97 da Lei 5.900/96.
Instruem os autos, como provas principais da infração:
cópia dos termos de inicio e encerramento de fiscalização
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lavrados em livro fiscal próprio, demonstrativo do débito,
planilhas de “Controle Físico de Estoque de Mercadorias”
relativas aos exercícios de 2000 e 2001, relatórios de
Movimentação de Mercadorias referentes às entradas e saídas
no período fiscalizado, Termo de Contagem de Estoque, lavrado
em 21 de junho de 2001, cópia do Livro Registro de Inventário
relativo ao final do exercício de 2000.
Em sua defesa, o contribuinte requer diligência, pois o
levantamento fiscal feito conteria diversas irregularidades,
embasando tal argumento, em síntese, nos seguintes fatos:
1. No levantamento físico de estoque de 2000, a
fiscalização considerou 07 (sete) aparelhos
celulares kit fone Gradiente Chroma adquiridos
pela nota fiscal nº 58112 e 07 (sete) aparelhos
Gradiente Chroma vendidos sem nota fiscal, sendo
que são o mesmo produto, o que regularizaria o
saldo de estoque dele cobrado;
2. Houve problemas nas referências de notas fiscais e
seus produtos relacionados, listando diversos
casos nesse sentido, que influenciariam nas
quantidades encontradas no levantamento fiscal;
3. Ocorreram vendas e aquisições de mercadorias com
notas fiscais lançadas nos livros fiscais e
descriminadas na impugnação que não foram
consideradas;
4. Ocorreram erro de estoque final em 2000 e 2001
relativos às capas de celular Chroma ca 7000
Em breve resumo, nas contrarrazões, a autuante revisa o
lançamento e responde da seguinte maneira:
1. O contribuinte não apresentou nenhum documento que
comprovasse a igualdade dos celulares defendida
pelo sujeito passivo ;
2. Corrigiu o lançamento em relação à diferença do
item 6 da planilha de 2000, e que o restante do
levantamento desse ano está correto;
3. Corrige, como defendido pelo contribuinte, também
alguns itens do período fiscalizado de 2001, e
acrescenta outros;
4. O estoque final encontrado em 2001 foi ratificado
pelo sujeito passivo no termo de contagem.

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Depois da juntada de novos documentos pelo autuado,
onde se destaca a Declaração emitida em nome da Norteldata e
Celular Brasil, sobre os celulares Ericsson T18 e Chorma
Gradiente TD-700, a autoridade fiscal, outra diferente da que
lançou originariamente de ofício, se manifesta pela preclusão
da apresentação desses documentos.
Em três diligências requisitadas pela Coordenadoria de
Julgamento, no sentido de revisão de itens, análise de
documentos apresentados pelo contribuinte, obtenção de
declarações de fabricantes de celular para melhor
identificação destes, juntada de notas fiscais mencionadas na
defesa e nas contrarazões, comprovação dos preços unitários
dos produtos objeto da autuação, e intimação ao contribuinte,
ocorreu como resposta um aditamento ao auto de infração,
passando o crédito tributário cobrado para R$ 4.924,73
(quatro mil, novecentos e vinte e quatro reais e setenta e
três centavos), sendo apensas novas planilhas do “Controle
físico da mercadoria” e a efetivação da intimação da revisão
do lançamento.
Decidiu, então, com o nº 18.346/11, a julgadora
singular pela improcedência do auto de infração. A decisão
foi ementada da seguinte forma:

EMENTA: ICMS – (1) Aquisição de


mercadorias desacompanhadas de
documentos fiscais. (2) Não recolhimento
de ICMS por omissão de saídas de
mercadorias tributáveis. (A)
Inexistência de provas a sustentar as
conclusões encontradas, não contendo os
autos as cópias das notas fiscais
relacionadas nos autos a demonstrar as
conclusões apontadas pelos servidores e
a base de cálculo da exigência
tributária. (B) Por se tratar de
elemento constitutivo do lançamento,
cabe a prova acerca dos fatos à Fazenda
Estadual nos termos do art. 142, da Lei
Federal 5.172/66 - Código Tributário
Nacional; e art. 49, da Lei Estadual
4.418/82 - Código Tributário do Estado
de Alagoas, respondendo esta pelo ônus
de sua não produção, nos termos do art.
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333 da Lei Federal 5.869/73 - Código de
Processo Civil. (C) Lançamento
IMPROCEDENTE. (D) Remessa dos autos ao
Conselho Tributar Estadual para reexame
necessário, nos termos do art. 48, I, da
Lei Estadual 6.771/06.

Foi a autuada intimada, não se manifestando, e a


Comissão de Representação Fiscal dado ciência da Decisão
Singular.
Assim, chegam os autos a este Conselho para o Reexame
Necessário.
É o relatório.

VOTO
Trata-se de Reexame Necessário da Decisão nº 18.346/11,
de Primeira Instância, conforme disposto no art. 48, I da Lei
nº 6.771/06.
Em sede preliminar, compulsando os autos, constata-se
que não é possível o reexame necessário por essa Corte
Administrativa. Embora tenha constado da ementa e da parte
dispositiva do julgado o reexame necessário do lançamento de
ofício, a Fazenda Estadual, pela Decisão nº 18.346/11, restou
sucumbente em importância pecuniária que não excedeu, na data
da decisão, a 400 (quatrocentas) Unidades Padrão Fiscal do
Estado de Alagoas – UPFAL - (art. 48, I e § 2º, II, da Lei nº
6.771/2006) 1.
Também não houve impetração de Recurso Ordinário por
parte do sujeito passivo no prazo legal, conforme facultado
pela referida decisão singular ao contribuinte.

1
Lei 6.771/06:
Art. 48. Quando contrárias à Fazenda Estadual, ficam sujeitas à reexame necessário: (NR)
I - por uma das câmaras do CTE, as decisões proferidas por julgador de primeira instância; (NR)
...
§ 2° O disposto no inciso I do caput deste artigo não se aplica: (AC)
...
II - quando a importância pecuniária excluída não exceder, na data da decisão, a 400 (quatrocentas) Unidades
Padrão Fiscal do Estado de Alagoas - UPFAL, podendo a regulamentação aumentar este valor limite.
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Logo, o feito NÃO está abrangido pela competência do
Conselho Tributário do Estado de Alagoas.
Diante do exposto, bem como do dispositivo acima
elencado, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA DO CONSELHO
TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade de votos, não conhecer
do reexame necessário em tela, mantendo a decisão de piso.

Conselho Tributário Estadual, Sala das Sessões, em


Maceió, 05 de março de 2013.

PATRÍCIA MELO MESSIAS MÁRIO SÉRGIO M. DE CASTRO


PRESIDENTE RELATOR

JOSÉ PEDRO DA SILVA LUCIANO P. DE M. GOMES


JULGADOR JULGADOR

ÁLVARO ARTHUR L. A. FILHO


JULGADOR

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SESSÃO ORDINÁRIA Nº 10- Realizada em 08/03/2013 – 2ª Câmara


PROCESSO N º: SF 1500-019571/2001
AUTO DE INFRAÇÃO Nº: 013405 de 12/07/2001
RECORRIDO: P. J. DOS SANTOS SILVA
RELATOR: ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
PRESIDENTE: PATRÍCIA MELO MESSIAS
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO 061/2013

EMENTA- ICMS – Lançamento de ofício de


crédito tributário. Ausência de Provas.
Impossibilidade de caracterização do
Ilícito Fiscal. Recurso de Ofício
conhecido e improvido. Decisão Singular
mantida.

Trata-se de reexame necessário da decisão


administrativa nº 18.618/2012, que julgou pela procedência
parcial lançamento do crédito tributário constante do Auto de
Infração em epígrafe, que em sua descrição fática o
contribuinte não teria escriturado o livro de registro de
inventário do exercício de 2000, e extraviado os livros
fiscais de registro de entrada e saída e de apuração do ICMS.

Com base na descrição acima, fora lançado o crédito


tributário no valor de R$ 16.858,40(dezesseis mil, oitocentos
e cinquenta e oito reais e quarenta centavos).

Regulamente notificada, a contribuinte apresentou


defesa, enquanto a autoridade autuante defendeu a manutenção
do lançamento. Ao analisar os autos a coordenadoria de

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julgamento, por sua vez, entendeu pela procedência parcial,


consoante se depreende da ementa abaixo:

EMENTA: ICMS. PROCEDIMENTO ORDINÁRIO. 1. Imposição de


penalidade por descumprimento de obrigação tributária
acessória. 2. Não escrituração do livro fiscal de
Registro de Inventário e extravio dos livros Registro de
Entrada, Registro de Saídas e Apuração do IMCS, de
numeração 01. 3. Demonstrado somente a não escrituração
do livro. 4. Ausência de provas com relação ao extravio
de livros fiscais. 5. Devida aplicação da penalidade pela
não escrituração de livro fiscal. 6. Acertamento do valo
da multa. 7. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE. 9. Reexame
necessário.

VOTO

Como não há recurso voluntário, em face da


procedência parcial do lançamento, e observando que não é
hipótese de pedido de recisão decisão, através da
representação fiscal, nos termos do art. 51 da lei nº
6.771/2006, resta realizar o reexame da parte da decisão que
julgou improcedente o lançamento.
Observa-se que o julgador singular ao afasta a
acusação de extravio de livros fiscais, sustenta seu
posicionamento no fato de não haver provas que demonstrem que
os livros realmente existiam, pois apenas foram juntadas
cópias dos termos de abertura dos livros fiscais.
Outro ponto, que demonstra o acerto do julgado
singular, é a ausência de regular intimação para apresentação
dos livros, ora, realmente não como presumir o extravio de
livros, quando o contribuinte não é intimado para apresenta-
los, portanto não há provas da infração excluída pelo julgador
singular.

O Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente


ao processo administrativo tributário, prescreve em seu art.
333, I, que o autor é responsável pela produção da prova
quando buscar demonstrar o fato constitutivo do seu direito,
nos seguintes termos: art. 333 do Código de Processo Civil:

Art. 333. O ônus da prova incumbe:

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I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do


seu direito;

No caso em deslinde, como já explicitado, seria


necessário intimar o contribuinte para apresentar os livros e
assim presumir o extravio, portanto não há como transferir
esse ônus ao contribuinte, já que sequer foi intimado para
apresentar os livros fiscais. Neste passo se depreende do
RICMS:

Art. 891 O processo administrativo fiscal decorrente de Auto de Infração deve ser
instruído com:

(...)

IV - as provas necessárias à demonstração do fato argüido, inclusive cópias dos


documentos que serviram de base para a apuração das irregularidades.

Ora, diante das normas acima, é bastante dizer que


referido ônus de juntar os documentos necessários para
corroborar a infração indicada recai sobre o fisco, haja vista
que alegou suposto ato constitutivo de um direito da Fazenda,
qual seja, o crédito tributário. Lastreia-se, assim, a
irregularidade fiscal presente.
Em razão do exposto, vê-se que a autoridade fiscal
falhou no que diz respeito à instrução probatória da parte
julgada improcedente e ora em análise.

Ora, não basta a alegação ou indícios que indiquem a


infração consubstanciada, há, pois, a necessidade de que
demais cópias dos documentos fiscais sejam acostadas a fim de
dirimir as dúvidas concernentes às supostas divergências de
informações apresentadas.

Corroborando tal entendimento, precisa é a lição de


Fabiana Del Padre Tomé:

“Os princípios da legalidade e da tipicidade na esfera da


tributação, por exemplo, exigem que a relação
obrigacional seja desencadeada apenas se efetivamente
verificado o fato conotativamente descrito na hipótese de
incidência tributaria, razão pela qual faz-se
imprescindível que tanto os atos de lançamento e de
aplicação de penalidades como as decisões proferidas no
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curso de processo administrativo tributário sejam


pautados em provas. É mediante a linguagem das provas que
se alcança a verdade lógica...” 1

Pelas razões acima, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA DO


CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade de votos,
conhecer do reexame e manter a decisão recorrida, que
considerou PROCEDENTE EM PARTE a ação fiscal

Sala de Sessões do CTE, em 18/01/2013.

PATRÍCIA MELO MESSIAS JOSÉ PEDRO DA SILVA


PRESIDENTE RELATOR

MÁRIO SÉRGIO MARTINS DE CASTRO ÁLVARO ARTHUR L. A, FILHO


JULGADOR JULGADOR

1
TOMÉ, Fabiana Del Padre. Curso de Especialização em Direito Tributário: estudos analíticos em homenagem a Paulo de Barros
Carvalho. / Coordenador: Eurico Marcos Diniz de Santi. Rio de Janeiro: Forense. p. 559.
4
Acórdão CTE 061/2013
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SESSÃO ORDINÁRIA Nº 10 – Realizada em 08/03/2013


PROCESSO N º.: SF 1500-016491/2006
AUTO DE INFRAÇÃO Nº.: 99.51247-001
RECORRENTE: Liga Metal Comércio e Representações Ltda
RELATOR: ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
VOTO VENCEDOR: JOSÉ PEDRO DA SILVA
PRESIDENTE: PATRÍCIA MELO MESSIAS
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO Nº 62/2013

EMENTA: ICMS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO


DE NOTAS FISCAIS RELATIVAS AO
EXERCÍCIO ANTERIOR NO LIVRO
PRÓPRIO. PROVAS DA INFRAÇÃO
MEDIANTE IDENTIFICAÇÃO DO
RESPECTIVO FORNECEDOR, ALÉM DAS
CÓPIAS DOS DOCS. FISCAIS E DO LIVRO
REG. DE ENTRADAS. INVERSÃO DO ÔNUS
DA PROVA PARA O CONTRIBUINTE NOS
TERMOS DO ART. 333, INC. II DO CPC.
RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.
DECISÃO SINGULAR MANTIDA.

RELATÓRIO

Trata-se de recurso voluntário, visando a reforma da


decisão administrativa nº 18.552/2012 proferida pela Coordenadoria
de Julgamento, a qual se posicionou pela procedência do lançamento
do crédito tributário constante do Auto de Infração em epigrafe, nos
termos a ementa abaixo:

EMENTA: ICMS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE MERCADORIAS


REALIZADAS EM EXERCÍCIOS ANTERIORES. 1) Incidência da
norma veiculada no art. 2º, § 9º, II, da Lei Estadual nº
5.900/96. 2) Viabilizados ao sujeito passivo o
contraditório e ampla defesa, sob a perspectiva da
disposição normativa invocada. 3) Ilícito fiscal
comprovado. 4) PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO
TRIBUTÁRIO.

De acordo com a descrição apresentada no Auto de Infração


1
Acórdão CTE nº 62/2013
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a recorrente “Deixou de escriturar no Livro de Registro de Entradas


de Mercadorias documentos(s) fiscal(ais) referente(s) a entrada(s)
tributáveis realizadas em exercícios(s) anteriores(s) a este,
conforme abaixo discriminado.”, segundo a descrição dos fatos as
notas não registradas foram emitidas pela empresa BOEHLER THYSSEN
TÉCNICA DE SOLDAGEM LTDA, durante específicos meses dos exercícios
de 2002 e 2003, sendo portanto lançado um crédito tributário no
valor de R$ 247.112,04(duzentos e quarenta e sete mil, cento e doze
reais e quatro centavos), sendo R$ 82.370,68(oitenta e dois mil,
trezentos e setenta reais e sessenta e oito centavos) relativos ao
ICMS e o restante à multa de 200%(duzentos por cento) aplicada nos
termos do art. 107 da lei nº 5.900/96.

Por oportuno, transcreve-se o relato da decisão recorrida


a partir da síntese da impugnação até o fim da instrução para
decisão da coordenadoria de julgamento, nos seguintes termos:

5. A autuada apresentou impugnação ao feito em 03/08/2006, conforme inicial do Processo SF


1500-019757/2006 (processo anexo), pugnando-se nulidade do feito fiscal, arguindo, em
substância: a) que teria havido cerceamento do direito de defesa, por não ter sido feita as
juntadas das vias das Notas Fiscais retiradas na repartição de fronteira, e dos canhotos do
recebimento das mercadorias, com data de recebimento mais identificação e assinatura do
recebedor, o que configura infração ao art. 889-B do RICMS/91, porque a infração não teria
sido descrita de forma “precisa”; b) que se caracterizaria, por consequência, ofensa ao devido
processo legal, à ampla defesa e ao contraditório; c) que não constaria nos autos nem uma
prova clara de que teria havido a entrada em seu estabelecimento relativamente às mercadorias
constantes nas Notas Fiscais arroladas no feito, questionando a materialidade do lançamento, e
aduzindo que teria havido descumprimento no que concerne à previsão do art. 891,V, do
RICMS/91, porquanto, segundo afirma, o autuante teria baseado a ação fiscal em documento
do arquivo do emitente, ou seja, nas vias das Notas Fiscais reservadas para arquivo do
emitente, “quando deveria fazer a juntada das vias das Notas Fiscais retiradas pelo posto
fiscal de fronteira do estado onde está estabelecido o adquirente ou destinatário das
mercadorias, ou os CTRC nas transportadoras credenciadas com a identificação e assinaturas
de quem recebeu e conferiu as mercadorias por quem realmente recebeu as referidas
mercadorias e cópias dos documentos que comprovam os pagamentos das duplicatas referente
a aquisição das mercadorias, para que proporcionem plena e clara convicção da
materialidade da inflação a Legislação Tributária” (sic; fl. 09 dos autos do processo anexo).
6. A Fiscalização Estadual, em sede de contrarrazões, por meio do agente fiscal que
promoveu o lançamento, rechaça as alegações da defesa, na forma do excerto a seguir
transcrito “ipsis verbis” (fls. 19 e 20 dos autos do processo anexo): “A prova maior de que o
contribuinte adquiriu as mercadorias são as cópias das Notas Fiscais constantes dessa
autuação, todas em seu nome, endereço e telefone do Sr. Genival, que é um dos sócios
gerentes da LIGA METAL COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. / Todas as Notas
Fiscais foram enviadas pelo remetente, via SEDEX, (cópia) folha 125 do processo. / Vale
ressaltar que todas mercadorias foram adquiridas da empresa BOEHLER THYSSEN
TÉCNICA EM SOLDAGEM LTDA, sediada em São Paulo – SP, e constatamos quando da
fiscalização, que resultou nessa autuação, que em média 70% do total de compras mensais
registradas no seu livro de entradas, referente ao período fiscalizado, foram efetuadas da
empresa supracitada. Daí temos a certeza que essas mercadorias foram mesmo adquiridas
pela empresa LIGA METAL COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA.” (sic)
7. Aportando o processo na Coordenadoria de Julgamento, foi solicitado o saneamento
processual, mediante “Requisição de Diligência n° 104/2007” (fls. 23 a 24 do processo anexo),
especificamente para apensação de elementos probatórios do recebimento, por parte da
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autuada, das mercadorias constantes Notas Fiscais de cópias acostadas nos autos, e intimação
da autuada para fazer prova das providências tomadas relativamente à negativa da condição de
adquirente dessas mercadorias.
8. Retornando à instância julgadora sem solução, foram emitidas as “Requisições de
Diligência” 038/2008 e 047/2009 (fls. 31 e 41 do processo anexo), reiterativas da “Requisição
de Diligência n° 104/2007”.
9. Não tendo sido obtida resposta adequada, e sobrevindo inovação legislativa de
natureza procedimental, a primeira instância, valendo-se da “Requisição de Diligência n°
139/2011” (fl. 48 dos autos do processo anexo), requestou a intimação do sujeito passivo “para
fazer prova da improcedência da presunção firmada a partir do art. 2°, § 9°, II, da Lei Estadual
n° 5.900/96 – presunção da ocorrência de operações internas, tributadas, sem pagamento do
imposto, a partir da omissão do registro referente à entrada onerosa das mercadorias, originada
em documento por outro sujeito passivo – restaurando-se, com a intimação, o devido processo
legal”.
10. Em atendimento à “Requisição de Diligência n° 139/2011”, a Diretoria de
Arrecadação e Crédito Tributário – DIRAC, emitiu a “Notificação 296/2011” (fls. 61, 63 e 65
do processo anexo), encaminhada ao estabelecimento da pessoa jurídica e aos endereços dos
sócios.
11. Na sequência, tem-se a anexação de cópia do “Edital DIRAC n° 269/2011”,
emitido para mesmo fim intimatório (fl. 72 dos autos do processo em anexo).
12. Transcorrido o prazo para manifestação do sujeito passivo sem pronunciamento de
sua parte, forma os autos encaminhados a esta Coordenadoria de Julgamento, por conduto do
“Despacho DIRAC n° 056/2012”, de 02/02/2012 (fl. 77 do processo anexo).

Regularmente intimado da decisão da Coordenadoria de


Julgamento, o contribuinte apresenta, tempestivamente, recurso
ordinário, alegando em síntese que:

a)O lançamento decorre do procedimento fiscal, através do


qual foi solicitada da recorrente seus livros, notas de entradas e
saída, duplicatas, documentos de arrecadação, balanço patrimonial,
e, ao mesmo tempo, foi requerido à empresa Boehler Thyssen Técnica
de Soldagem Ltda., as notas emitidas para a recorrente durante
01/01/2002 a 31/12/2003.

b)O julgador singular “desde de setembro de 2007”


apresenta requisições de diligências com a finalidade de comprovar o
ingresso das mercadorias em Alagoas e no estoque da recorrente, o
que demonstra que as provas dos autos não são capazes de comprovar a
infração;

c) As notas fiscais anexas aos autos não comprovam o seu


ingresso no Estado de Alagoas, pois não há carimbo do posto fiscal,
nem sequer o recebimento da recorrente;

d) Em fevereiro de 2010 foi sugerido o arquivamento dos


autos até que a SEFAZ-SP atendesse a diligência solicitada;

e) Não resta provado nos autos que a recorrente recebeu


as mercadorias, já que as notas apresentadas correspondem à segunda
via, proveniente do arquivo da recorrente e, portanto, não comprovam
3
Acórdão CTE nº 62/2013
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o ingresso no Estado de Alagoas e sequer no estabelecimento da


recorrente;

f) Caberia a Sefaz-AL requisitar no seu próprio sistema a


prova do ingresso da mercadoria no Estado;

g) O comando do art. 2ª, § 9º da Lei nº 5.900/96 não é


norma processual e sim material, portanto estaria “equivocada a
interpretação” do julgador singular ao aplicar a lei ao presente
caso, pois a alteração ocorreu em 2008, enquanto o período do fato
gerador compreende alguns meses dos exercícios de 2002 e 2003;

h)A presunção apenas pode ser admitida quando existir um


fato certo, enquanto no caso dos autos não há certeza da omissão do
registro das mercadorias, pois não restou provado sua entrada no
Estado nem na empresa;

Encaminhado os autos à representação fiscal, a mesma ao


contrarrazoar o recurso defendeu a manutenção da decisão recorrida,
nos seguintes termos:

a) O contribuinte deixou de escriturar no livro de


registro de entrada de mercadorias notas relativas à mercadorias
tributáveis;

b) É “totalmente admissível” a presunção sustentada


pela decisão recorrida, nos termos da legislação aplicada;

c)Restou provado o descumprimento da obrigação


acessória, pois não foram escriturados corretamente o livro de
registro de entrada de mercadorias;

É o relatório

VOTO DISSIDENTE VENCEDOR

A regra geral do ônus da prova compete ao autor, quanto ao fato


constitutivo do seu direito, como bem afirmou o eminente relator no seu voto, tendo como
respaldo legal para tanto, o inc. I, do Art. 333 do CPC.

No entanto, atentando-se para a descrição dos fatos constante da peça


vestibular dos autos, o autuante não só apontou o emitente das notas fiscais destinadas ao
estabelecimento da autuada, mais também, a discriminação das respectivas notas fiscais,
conforme fls. 11/12, além das cópias das referidas notas fiscais e do próprio Livro Reg. de
Entradas (fls. 13 usque 99,vol.01 e fls. 101/124, vol. 02)

Portanto, é de se concluir que as referidas infrações estão devidamente


4
Acórdão CTE nº 62/2013
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caracterizadas diante da identificação da empresa emitente dos docs. fiscais, assim como
diante das cópias dos documentos fiscais, acarretando assim a inversão do ônus da prova,
conforme previsão do inc. II, do Art. 333 do CPC. Logo, competiria a empresa recorrente
buscar provas junto ao fornecedor e apresentá-las no sentido de elidir a pretensão do Fisco, o
que não fez, limitando-se a afirmar que não restou comprovado o recebimento das
mercadorias, até porque, seria mais cômodo, menos oneroso com relação ao mesmo encargo
atribuído ao Fisco.

Ante o Exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA


DO CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por maioria de votos,
conhecer do recurso para negar-lhe provimento, mantendo a
decisão singular.

Sala de Sessões do CTE., em Maceió, 08 de março de 2013.

PATRÍCIA MELO MESSIAS ÁLVARO ARTHUR LOPES DE A. FILHO


PRESIDENTE RELATOR

JOSÉ PEDRO DA SILVA MÁRIO SÉRGIO MARTINS DE CASTRO


VOTO VENCEDOR JULGADOR (Votou Contra Relator)

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SESSÃO ORDINÁRIA Nº: 10 – 2ª CÂMARA – REALIZADA EM: 08/03/2013


PROCESSO: 1500-006179/2007 e CTE 354/211.
ANEXO(S): 1500-009111/2007.
AUTO DE INFRAÇÃO: 70.00069-001.
AUTUADA: DISTRIBUIDORA SANTA CLARA LTDA.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 241.04544-4.
DECISÃO MONOCRÁTICA: 17.857/2011.
ASSUNTO: Reexame necessário.
AUTUANTE(S): Manoel Alves Feitosa Filho.
RELATOR: Mário Sérgio Martins de Castro.
PRESIDENTE: PATRÍCIA MELO MESSIAS.
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO Nº063 /2013

EMENTA- ICMS.Mercadoria entrada


como bonificação, brinde ou doação.
Falta da 1ª via da nota fiscal.
Multa reclassificada pelo Julgador
singular. REEXAME NECESSÁRIO. VALOR
EXCLUÍDO PELO JUÍZO SINGULAR
INFERIOR A 400 UPFAL. NÃO
CONHECIMENTO DA REMESSA NECESSÁRIA.
DECISÃO SINGULAR MANTIDA.

RELATÓRIO
Trata-se de Auto de Infração, lavrado contra a empresa
DISTRIBUIDORA SANTA CLARA LTDA., já devidamente qualificada,
que tem por objeto a cobrança de crédito tributário, composto
de imposto e multa, no valor total de R$ 19.681,11 (dezenove
mil e seiscentos e oitenta e um reais e onze centavos).
Alega o autuante que a autuada utilizou crédito
indevido decorrente de:

Acórdão CTE Nº 063/2013 1


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a) notas fiscais registradas fora do prazo, sem a
autorização da SEFAZ;
b) registro superior ao constante do documento fiscal;
c) mercadoria sujeita à substituição tributária;
d) mercadoria entrada como bonificação, brinde ou
doação;
e) documento fiscal emitido por ME ou EPP;
f) falta da 1ª via da nota fiscal; e
g) nota fiscal inidônea (utilizando selo fiscal
autorizado para outro contribuinte.
Atribuída infração aos artigos: 39, § 2º, c/c com o
caput do 34, e o 93, da Lei nº 5.900/1996, com as alterações
da Lei nº 6.348/2002, 35 e 36, da Lei nº 5.900/1996, alterada
pela Lei nº 5.979/1997 c/c o 207, inciso IX, 250, 251, 275,
280, § 2º, 774, inciso VII e 971, todos do Regulamento do
ICMS aprovado pelo Decreto nº 35.245/1991. Como penalidade,
foi aplicada a prevista no artigo 93 da Lei nº 5.900/1996.
Inconformada com a infração imputada, a autuada
contesta aduzindo, basicamente, que:
a) as notas fiscais nºs 000679, 000710, 011614, 039642,
001702, 438146, 438147 foram registradas dentro do prazo;
b) em relação às notas fiscais 002260 (emitida por J B
da Silva Alimentos) e 000228 (emitida por José Carlos dos
Santos Irmãos), a alegação não tem consistência, visto que
cabe a DMT, juntamente com a DICAD, a fiscalização e não a
autuada;
c) a empresa Comercial Novo Brasil não é cadastrada
como ME e nem como EPP;
d) no que diz respeito à utilização de crédito relativo
à mercadoria - “sidra valenciana - maçã” e “álcool” - sujeita
a substituição tributária, que o produto é sujeito a este
tipo de tributação;
e) no que tange ao crédito proveniente de
“bonificação”, remete ao art. 664/665 do Regulamento
doICMS/AL.

Acórdão CTE Nº 063/2013 2


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Pede, ao final, que seja desconsiderado o lançamento de
ofício.
Nas contra-razões, o autuante alega que:
a) a escrituração deve ser realizada dentro do período,
mês a mês, e ainda, o documento só tem validade de 24 (vinte
e quatro) horas dentro do Estado de Alagoas, por força de
legislação;
b) se a autuada pesquisasse na internet a situação
cadastral de J B da Silva Alimentos, teria visto que ela se
encontra cancelada desde 09 de janeiro de 2004;
c) quanto ao fornecedor José Carlos dos Santos Irmãos,
o mesmo não faz parte desse Processo;
d) em momento algum chamou a empresa Comercial Novo
Brasil como empresa de pequeno porte. O único caso citado
como crédito de EPP está contido na nota fiscal 000014,
emitida em 05/09/2005;
e) no que pertine à utilização de crédito de mercadoria
sujeitas a substituição tributária, a mesma afirma, de forma
incoerente, que o produto “sidra valenciana - maçã” e
“álcool”, são produtos sujeitos a este tipo de tributação,
mas contesta a autuação;
f) encerrada a fase administrativa, devem os autos
seguir para o Ministério Público.
O autuante finaliza, solicitando a procedência do
lançamento.
Proferida a Decisão nº 17.857/2011, tendo o julgador
singular decidido pela procedência parcial do lançamento,
reduzindo o crédito tributário cobrado para R$ R$ 17.579,30
(dezessete mil e quinhentos e setenta e nove reais e trinta
centavos, com a seguinte ementa:

EMENTA. ICMS. UTILIZOU CRÉDITO INDEVIDO


DECORRENTE DE:
a) notas fiscais registradas fora do
prazo, sem a devida autorização da
SEFAZ. Ilícito configurado (§ 4º, do
art. 34, e art. 55, da Lei nº
5.900/1996, c/c o art. 93 do
RICMS/1991);

Acórdão CTE Nº 063/2013 3


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b) registro superior ao constante do
documento fiscal. Configurada a acusação
(§ 2º do art. 34 da Lei nº 5.900/1996);
c) mercadoria sujeita a substituição
tributária. Infração devidamente
demonstrada (§ 8º, do art. 2º, da Lei nº
5.900/1996, c/c o § 3º, do art. 280 do
RICMS/1991);
d) mercadoria entrada como bonificação,
brinde ou doação. Infração inexistente.
e) documento fiscal emitido por ME ou
EPP. Comprovado o ilícito (inciso II, do
art. 22, da Lei nº 6271/2001);
f) falta da 1ª via da nota fiscal.
Infração não demonstrada, ausência de
provas; e
g) nota fiscal inidônea (utilizando selo
fiscal autorizado para outro
contribuinte). Ilícito configurado (o
art. 34 da Lei nº 5.900/1996, c/c o 207
do RICMS/1991).
Multa reclassificada pelo Julgador.
Lançamento PROCEDENTE EM PARTE.
Remessa ao CTE para o Reexame Necessário
(art. 48, da Lei nº 6.771/2006).

A autuada foi intimada e a Comissão de Representação


Fiscal dado ciência da Decisão Singular.
Assim, chegam os autos a este Conselho para o Reexame
Necessário.
É o relatório.

VOTO

Acórdão CTE Nº 063/2013 4


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Em sede preliminar, verifico que não foi atendido o


requisito para conhecimento da remessa necessária.
Isso porque, como dispõem o inciso II, do art. 43 e
inciso II, do §2º, do artigo 48, da Lei 6.771/2006, não serão
objeto de reapreciação pelo Conselho Tributário Estadual os
julgados singulares em que a quantia excluída, na data da
decisão, não ultrapasse 400 (quatrocentas) UPFAL:
Art. 43. A competência para julgamento
do processo administrativo tributário
decorrente de Auto de Infração, após
julgamento de primeira instância, é do
CTE, exceto:
...
II – na decisão contrária à Fazenda
Estadual quando a importância pecuniária
excluída não exceder, na data da
decisão, a 400 (quatrocentas) Unidades
Padrão Fiscal do Estado de Alagoas –
UPFAL.

Art. 48. Quando contrárias à Fazenda


Estadual, ficam sujeitas à reexame
necessário:

§ 2° O disposto no inciso I do caput


deste artigo não se aplica:

II - quando a importância pecuniária


excluída não exceder, na data da
decisão, a 400 (quatrocentas) Unidades
Padrão Fiscal do Estado de Alagoas -
UPFAL, podendo a regulamentação aumentar
este valor limite.

No caso aqui julgado, considerando que o montante


excluído é menor que o piso de alçada estabelecido pelas
normas acima citadas, entendemos não ser o caso em exame
hipótese de reexame de ofício.
Portanto, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA DO CONSELHO
TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade de votos, não conhecer
da remessa necessária, uma vez que a quantia excluída pelo
julgado singular é inferior ao limite de 400 (quatrocentas)

Acórdão CTE Nº 063/2013 5


GOVERNO DO ESTADO
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CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL
___________________________________________________________________________________________
UPFAL previsto nos artigos 43, II e 48, §2º, inciso II, da
Lei nº. 6.771/06.

Conselho Tributário Estadual, Sala das Sessões, em


Maceió, 08 de fevereiro de 2013.

PATRÍCIA MELO MESSIAS MÁRIO SÉRGIO M. DE CASTRO


PRESIDENTE RELATOR

JOSÉ PEDRO DA SILVA ÁLVARO ARTHUR L. A. FILHO


JULGADOR JULGADOR

Acórdão CTE Nº 063/2013 6


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SESSÃO ORDINÁRIA Nº: 10 – 2ª CÂMARA – REALIZADA EM: 08/03/2013
PROCESSO: 1500-005030/2009 (05 volumes) e CTE nº 29/2012.
ANEXO(S): 1500-012059/2009 (02 volumes).
AUTO DE INFRAÇÃO: 99.89346-002.
AUTUADA: DISBALA – DISTRIBUIDORA DE BALAS LTDA - ME.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 241.04706-4
DECISÃO MONOCRÁTICA: 18.293/11.
ASSUNTO: REEXAME NECESSÁRIO.
AUTUANTE(S): Mônica Lima de Aquino.
RELATOR: Mário Sérgio Martins de Castro.
PRESIDENTE: PATRÍCIA MELO MESSIAS.
SECRETÁRIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO Nº064/2013

EMENTA: ICMS. Obrigação Principal.


ICMS. Obrigação Principal. Falta de
recolhimento do ICMS antecipado de
mercadorias. Aditamento julgado
procedente. Remessa necessária não
conhecida. Decisão de piso mantida.

RELATÓRIO
Trata o Auto de Infração, lavrado contra a empresa
DISBALA – DISTRIBUIDORA DE BALAS LTDA - ME, já devidamente
qualificada nos autos, do lançamento de crédito tributário
relativo a imposto e multa no valor de R$ 30.627,54 (trinta
mil, seiscentos e vinte e sete reais e cinqüenta e quatro
centavos), pelos fatos de, em tese, o sujeito passivo não ter
recolhido o “ICMS ANTECIPADO” na aquisição de mercadorias
efetuada em outras unidades da Federação entre 2005 e 2007.
Imputadas as infrações ao art. 1.º c/c art. 3.º da Lei
Estadual 6.474/04 e art. 13, § 1º, XIII, “g”, da Lei
Complementar nº 123/2006, foi aplicada a sanção prevista no
art. 90-A da Lei Estadual 5.900/96.

Acórdão CTE Nº64/2013


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A autuada impugna o lançamento, requerendo mais uma
oportunidade para apresentação de outras provas, já que houve
pouco tempo para analisar os autos. Alega também que todas as
notas fiscais estão carimbadas pela SEFAZ e escrituradas no
Livro Registro de Entradas. Ou, se não houve o recolhimento
antecipado, foi porque não foram incluídas pela SEFAZ na sua
cobrança corriqueira. Que já houve o pagamento de quatro
notas fiscais relacionadas pela fiscalização, citando-as e
trazendo o documento de arrecadação e o Termo de Apreensão nº
34635 como provas.
Em sede de Contrarrazões e diligência, o representante
da Fazenda Estadual responde que, com a publicação do Edital
DIRAC nº 125/2009, foi concedido mais trinta dias para a
impugnação, havendo prazo suficiente para que o autuado se
defendesse. E com relação ao termo de apreensão citado, o
mesmo se refere às notas fiscais com mercadorias sujeitas à
substituição tributária desacompanhadas da Guia Nacional de
Recolhimento Substituição Tributária – GNRS, enquanto que a
autuação diz respeito ao não recolhimento do ICMS antecipado.
Em nova diligência, o auto de infração foi aditado
devido à impossibilidade de se exigir o pagamento do ICMS
antecipado para as mercadorias sujeitas à substituição
tributária referidas no termo de apreensão supracitado. O
novo valor lançado foi R$ 28.844,92 (vinte e oito mil
oitocentos e quarenta e quatro reais e noventa e dois
centavos).
Então houve o pagamento do aditamento do auto de
infração pelo contribuinte.
Daí foi proferida a Decisão nº 18.293/11, tendo o
julgador singular decidido pela procedência parcial do
lançamento com a seguinte ementa:
EMENTA: ICMS – Não recolhimento do ICMS
Antecipado previsto na Lei Estadual
6.474/04. (1) Inexistência de lesão ao
exercício das garantias constitucionais
relativas ao exercício do contraditório
e da ampla defesa, sendo franqueada ao
sujeito passivo livre vista dos autos

Acórdão CTE Nº64/2013


GOVERNO DO ESTADO
SECRETARIA DE ESTADO DE FAZENDA DE ALAGOAS
CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL
___________________________________________________________________________________________
nos termos do art. 893, § 3º do RICMS.
(2) Constatado nos autos que alguns dos
documentos relacionados nos autos
continham mercadorias sujeitas à
sistemática de tributação por
substituição tributária, ou seja, não
sujeitas à tributação nos termos da Lei
Estadual 6.474/04, razão que motivou a
revisão do lançamento, nos termos do
art. 149 do CTN. (3) Reconhecimento pelo
sujeito passivo da existência da
infração em relação aos fatos
remanecentes, procedendo este com o
pagamento. (4) Lançamento PROCEDENTE EM
PARTE. (5) Dispensado reexame necessário
pelo Conselho Tributário Estadual das
decisões contrárias à Fazenda Estadual
cuja importância pecuniária excluída não
exceder, na data da decisão, a 400
(quatrocentas) Unidades Padrão Fiscal do
Estado de Alagoas – UPFAL, nos termos do
art. 48, § 2º, II da Lei 6.771/06, em
sua redação dada pela Lei 7.078/09.

Foi a autuada intimada, não se pronunciando, e a


Comissão de Representação Fiscal dado ciência da Decisão
Singular.
Assim, chegam os autos a este Conselho. É o relatório.
VOTO
Trata-se de Reexame Necessário da Decisão nº 18.293/11,
de Primeira Instância, conforme disposto no art. 48, I da Lei
nº 6.771/06.
Em sede preliminar, compulsando os autos, constata-se
que não é possível o reexame necessário por essa Corte
Administrativa. Inclusive tal fato está acertadamente
registrado na ementa (fl. 101 do processo anexo) e na parte
dispositiva do julgado (fl. 105 do processo anexo).
Isso porque, como dispõem o inciso II, do art. 43 e
inciso II, do §2º, do artigo 48, da Lei 6.771/2006, não serão

Acórdão CTE Nº64/2013


GOVERNO DO ESTADO
SECRETARIA DE ESTADO DE FAZENDA DE ALAGOAS
CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL
___________________________________________________________________________________________
objeto de reapreciação pelo Conselho Tributário Estadual os
julgados singulares que não sejam contrárias a Fazenda
Pública ou que quando contrárias, a quantia excluída, na data
da decisão, não ultrapasse 400 (quatrocentas) UPFAL:

Art. 43. A competência para


julgamento do processo administrativo
tributário decorrente de Auto de
Infração, após julgamento de primeira
instância, é do CTE, exceto:
...
II – na decisão contrária à Fazenda
Estadual quando a importância
pecuniária excluída não exceder, na
data da decisão, a 400 (quatrocentas)
Unidades Padrão Fiscal do Estado de
Alagoas – UPFAL.
...
Art. 48. Quando contrárias à Fazenda
Estadual, ficam sujeitas à reexame
necessário:

§ 2° O disposto no inciso I do caput


deste artigo não se aplica:

II - quando a importância pecuniária


excluída não exceder, na data da
decisão, a 400 (quatrocentas)
Unidades Padrão Fiscal do Estado de
Alagoas - UPFAL, podendo a
regulamentação aumentar este valor
limite.

No caso aqui julgado, considerando que o aditamento foi


julgado procedente, não havendo montante do crédito
tributário excluído menor que o piso de alçada estabelecido
pelas normas acima citadas, entendo da mesma maneira da

Acórdão CTE Nº64/2013


GOVERNO DO ESTADO
SECRETARIA DE ESTADO DE FAZENDA DE ALAGOAS
CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL
___________________________________________________________________________________________
julgadora de piso, ou seja, não ser o caso em exame hipótese
de reexame de ofício.
Também não houve impetração de Recurso Ordinário por
parte do sujeito passivo no prazo legal, conforme facultado
pela referida decisão singular ao contribuinte.
Logo, o feito NÃO está abrangido pela competência do
Conselho Tributário do Estado de Alagoas.
Diante do exposto, bem como do disposto na norma acima
elencado, ACORDAM OS MEMBROS DA 2ª CÂMARA DO CONSELHO
TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade de votos, não conhecer
do reexame necessário em tela, mantendo a decisão de piso.

Conselho Tributário Estadual, Sala das Sessões, em


Maceió, 08 de março de 2013.

PATRÍCIA MELO MESSIAS MÁRIO SÉRGIO M. DE CASTRO


PRESIDENTE RELATOR

JOSÉ PEDRO DA SILVA ÁLVARO ARTHUR L. A. FILHO


JULGADOR JULGADOR

Acórdão CTE Nº64/2013


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FONES: 3315-6190 – 3315-3772 – fax 3315-8273

,
SESSÃO ORDINÁRIA Nº 09 – Realizada em 12/03/2013 – 1ª Câmara
PROCESSO: SF-1500 013355/1998; CTE-152/2011
ANEXO: SF-1500 000778/1999
AUTO DE INFRAÇÃO: 067377, PROTOCOLADO EM 29/12/98
AUTUADA: RICARDO MORCERF WANDERLEY
AUTUANTE: TATIANA TAVARES SARMENTO E OUTRA
RELATORA: MARIA LOPES MILHOMES
VOTO VENCEDOR: ODETE MINEIRO DA PAZ
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO

ACÓRDÃO Nº 065/2013

EMENTA: ICMS–Obrigação Principal. 1) Omissão


de saídas de mercadorias tributadas nos
exercícios de 1994, 1995, 1996 e 1997,
apurada através de Levantamento Financeiro
Simplificado. 2) Infração não comprovada, por
não existir nos autos cópias de quaisquer
despesas ou receitas auditadas nos exercícios
apesar de a autuada reconhecer que cometeu
“falhas” no exercício de 1994. 3) Lançamento
Improcedente. 4) Reexame Necessário conhecido
e provido. Reformada a decisão singular em
razão da total Improcedência do Lançamento.

RELATÓRIO

Trata-se o presente de Reexame Necessário, ao CTE,


nos termos do art. 48, Inciso I, da Lei Estadual 6771/06
relativo à Decisão nº 17634/2011, referente ao Auto de
Infração nº067377, protocolado em 29/12/1998, lavrado contra a
empresa Ricardo Morcerf Wanderlei qualificada na peça
exordial, com alegação das autuantes de que não conseguiu
suprir as “necessidades de recursos para cobertura das
despesas efetuadas nos exercícios de 1994, 1995, 1996 e 1997,
fato comprovado através de levantamento financeiro
simplificado”.

Acórdão CTE nº 065/2013 1


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Alegam ainda, as autuantes, que devido à atividade


do contribuinte e que este não forneceu dados das contas
clientes, fornecedores, bancos, empréstimos e caixa,
consideraram tributada a diferença apurada por meio do
levantamento fiscal adotado.

DA DECISÃO DA COORDENADORIA DE JULGAMENTO

O julgador singular informa que, a autuada


apresentou defesa afirmando que no ano de 1994 houve a falha
constatada pela fiscalização e que as diferenças apontadas
pelos autuantes foram acobertadas pelo titular da empresa com
recursos adquiridos de outras atividades, que não efetuou
compras nem realizou vendas a prazo e que nos exercícios de
1996 e 1997, no item “Empréstimos Comprovados”, devem ser
considerados os valores de “R$ 4.000,00 e R$ 7.000,00,
respectivamente" (fls. CJ 48).
As autuantes contestaram a defesa pedindo a
manutenção do Auto de Infração ressaltando que, a intenção do
autuado é procrastinar a ação fiscal, pois não comprovou os
argumentos usados na Defesa.
O julgador de 1ª instância fundamenta sua decisão
observando que a fiscalização não acostou aos autos as provas
relacionadas ao “Levantamento Financeiro Simplificado – Caixa
Anual de fl. 11 e dos registros apontados nas Planilhas
Auxiliar para Levantamento Financeiro de fls. 12 a 15”, porém
o autuado reconheceu o débito no exercício de 1994. Refez os
cálculos aplicando ao invés da multa do art. 84, da Lei
Estadual 6771/2006, revogada pela Lei 7079/09, a multa do art.
79 da mesma Lei.
Conclui julgando Procedente Parcial a ação fiscal.
Notificados autuada e Representação Fiscal, ambos
se manifestaram
Assim me chegam os autos que ora relatei.

VOTO VENCEDOR

Acórdão CTE nº 065/2013 2


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Análise dos autos demonstra que a autuação


cobra uma infração apurada através de Levantamento Financeiro,
nos exercícios de 1994, 1995, 1996 e 1997. A autuada na defesa
afirma que reconhece a falha do exercício de 1994, fato que
levou o julgador singular a decidir pela Procedência Parcial do
Lançamento em razão desse reconhecimento.

Observe-se, que nos autos não consta em nenhum


dos exercícios fiscalizados, qualquer documento das despesas,
bem como, das receitas, inclusive, no exercício de 1994, onde a
autuada reconheceu “falha”, desatendendo o que determina o
artigo 89l, do RICMS/91. Portanto, não existe nenhum documento
que permita se apontar com segurança qual o real valor dessa
falha, ou seja, a infração praticada naquele exercício.
“Art. 891 - O processo fiscal contencioso deverá ser instruído,
consoante a infração detectada, com os seguintes documentos:
(...)

V - cópia dos documentos que serviram de base para a apuração das


irregularidades, em qualquer caso;
(...)

Neste contexto, deve prevalecer a verdade


material e diferentemente do julgador de Primeira Instância,
entendo que o Lançamento é Improcedente por falta de provas,
inclusive no exercício de 1994.

Pelo exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 1ª CÂMARA


DO CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por maioria de votos, conhecer
do Reexame Necessário, dar-lhe provimento. Reformando a decisão
singular em razão de ser totalmente Improcedente o Lançamento.

Conselho Tributário Estadual, Sala das Sessões,


em Maceió, 12 de março de 2013.

SÉRGIO GUILHERME ALVES DA S. FILHO MARIA LOPES MILHOMES


PRESIDENTE RELATORA (VOTO VENCIDO)

ODETE MINEIRO DA PAZ CARLOS HENRIQUE M. BRANDÃO


JULGADORA - VOTO VENCEDOR JULGADOR (CONTRA RELATORA)

Acórdão CTE nº 065/2013 3


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SESSÃO ORDINÁRIA Nº 09 – Realizada em 12/03/2013 – 1ª Câmara


PROCESSO: 1500-033.486/2005 e CTE nº 184/2012.
ANEXO: 1500-023.668/2006.
AUTO DE INFRAÇÃO: 060.830, de 13/12/2005.
AUTUADA: R C CONSTRUÇÕES LTDA.
INSCRIÇÃO ESTADUAL: 24.075.979-6.
DECISÃO MONOCRÁTICA: 18.589/2012.
ASSUNTO: Reexame Necessário.
AUTUANTES: Marco Antônio Barroso e outro.
RELATORA: Odete Mineiro da Paz.
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO

ACÓRDÃO Nº 066/2013

EMENTA: ICMS – Obrigação Principal. 1)


Aquisição de mercadorias sem documentação
fiscal por empresa de construção civil para
aplicação em suas obras. 2) Infração
comprovada. Lançamento Procedente em Parte em
razão da redução no valor do crédito
tributário pela aplicação do artigo 79, em
lugar do artigo, 97, ambos da Lei Estadual nº
5.900/96. 2) Reexame Necessário conhecido e
improvido. Mantida a decisão singular.

Relatório

Trata-se de auto de infração lavrado contra a


empresa R C CONSTRUÇÕES LTDA, já qualificada, tendo por objeto
a cobrança de crédito tributário no valor de R$ 148.979,25
(cento e quarenta e oito mil, novecentos e setenta e nove
reais e vinte e cinco centavos), por haver a empresa autuada
adquirido mercadorias sem documentação fiscal no período de
janeiro/2000 a dezembro/2002.

Apontados como infringidos os artigos 2º, II,


§ 2º, II; 21, VI, da Lei nº 5.900/1996; e 49, III, “a”, item
2; 54, VI; e 71, V do RICMS/91. Sugerida a aplicação da
penalidade prevista no artigo 97, da Lei nº 5.900/1996.

A inicial está instruída com relatório de


dados cadastrais do contribuinte; cópias (xerox) do cartão de
autógrafo; Mapa de Levantamento Físico dos materiais usados
nas obras; cópia do livro RUDFTO.

Acórdão CTE nº 066/2013 1


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DA DEFESA

A empresa autuada apresentou defesa, alegando


a nulidade do auto de infração por manifesto defeito em sua
formação e a improcedência por estar desobrigada do pagamento
do imposto e multa, pois não foi intimada para a apresentação
da documentação fiscal e por não ser contribuinte do ICMS; o
reconhecimento da decadência de parte dos créditos fiscais
pretendidos; a juntada em 15 dias de documentos fiscais para
desconstituir as imputações lançadas na ação fiscal. Por fim,
pede a improcedência da autuação.

DAS CONTRARRAZÕES

O autuante apresentou contrarrazões alegando


que não tem razão à autuada de que não fora intimada para
pagamento do débito ou para apresentar impugnação, inclusive,
com cerceamento de vistas ao processo, já que a autuação foi
enviada por AR contendo em anexo o ofício expedido pela da
DIRAC-Diretoria de Arrecadação e Crédito Tributário convidando
a autuada para pagar o débito ou oferecer defesa; a autuada
está equivocada quanto aos dispositivos em que se lastreia a
autuação, uma vez que os dispositivos legais e regulamentares
apontados no verso da peça inicial (infrigências aos artigos
2º II; § 2º, II; 21,VI da Lei nº 5900/96; e artigos, 49, III,
“a”, item 2; 54,VI; 71,V do RICMS, aprovado pelo Decreto nº
35.245/91); não ocorreu a alegada decadência parcial a teor do
artigo 173, I, do CTN, vez que a autuada tomou conhecimento da
autuação através do Termo de Encerramento de Fiscalização no
livro RUDFTO. Por fim, pede que a autuação seja procedente.

Em 16/12/2008, mediante o Despacho nº 227/08,


os autos foram encaminhados a PGE/PFE para se pronunciar a
cerca da decadência, tendo a mesma se pronunciado mediante o
Parecer PGE/PFE nº 1225/2009, decidindo pela impossibilidade
de aplicação do instituto da decadência.

Em 10/01/2012, foi solicitada a Requisição de


Diligência nº 014/2012, para DIRAC intimar à autuada e os
sócios a apresentarem cópias autenticadas dos documentos de
identificação a fim de validar ou não a defesa apresentada em
11/09/06. Em resposta a DIRAC acostou à referida documentação.

Em 26/04/2012, foi proferida a Decisão nº


18.589/2012, de Primeira Instância que julgou Procedente em
Parte o Lançamento com a ementa.

Acórdão CTE nº 066/2013 2


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EMENTA: ICMS – Aquisição de mercadorias sem


documentos fiscais, por empresa de construção
civil, para aplicação em suas obras. . 1.
Rejeição da nulidade do Auto de Infração, pois
não basta a mera imperfeição do ato em relação
a forma prevista pela legislação, é necessário
a prova do efetivo prejuízo. 2. O fato
descrito ficou devidamente comprovado no
levantamento de estoque da obra e
demonstrativo fiscal que evidenciou a
diferença entre o material utilizado na obra,
conforme memorial descritivo das
características e especificações técnicas dos
edifícios e o material adquirido com nota
fiscal. 3. Ilícito fiscal caracterizado. 4.
Não será acolhido o tipo penal tributário
sugerido do art. 97 da Lei n. 5900/96, pelo
teor do art. 79 da mesma Lei, melhor
enquadrar-se ao fato descrito, sendo também
mais benéfico para a autuada, por enunciar no
seu preceito secundário multa equivalente a
50% do imposto devido. 5. Lançamento do
crédito tributário PROCEDENTE EM PARTE. 5.
Reexame necessário pelo Conselho Tributário
Estadual.

A autuada foi intimada da decisão singular,


não se pronunciando. A Diretoria de Representação Fiscal tomou
ciência da mesma decisão, não se pronunciando. Assim, chegam
os autos a este Conselho para o Reexame Necessário.

É o Relatório.

Voto

Trata-se de Reexame Necessário da Decisão nº


18.589/2012, de Primeira Instância que julgou Procedente em
Parte o Lançamento constante do auto de infração nº 060.830.

A análise dos autos demonstra que o Reexame


Necessário se refere à redução no valor do crédito tributário
pela aplicação da penalidade prevista no artigo 79, em lugar
da que fora sugerida na inicial, aquela prevista no artigo 97,
da mesma lei. Observe-se que a autuada não interpos Recurso
Ordinário o que dispensa a análise de mérito.

Quanto à aplicação da penalidade prevista no


artigo 79, da Lei nº 5.900/96, a decisão singular não merece

Acórdão CTE nº 066/2013 3


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reforma, haja vista, que esta Câmara e o pleno deste Conselho


já tem decidido pela aplicação do referido artigo 79, nos
casos em que a infração foi apurada mediante levantamento
efetuado com base nos livros e documentos fiscais.
“Art. 79 - Falta de recolhimento do imposto no prazo legal, em
situação não compreendida nas hipóteses previstas nos artigos
seguintes:

MULTA - Equivalente a 50% (cinqüenta por cento) do valor do


imposto.
(...)”

Nesta situação o crédito tributário tem como


valor R$ 74.489,62 (setenta e quatro mil; quatrocentos e
oitenta e nove reais e sessenta e dois centavos), conforme
consta à fl. 65, do Processo de Defesa, devendo ser recolhido
com os acréscimos previstos em lei.

Pelo exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 1ª


CÂMARA DO CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade de
votos, conhecer conhecer do Reexame Necessário, negar-lhe
provimento. Mantida a decisão singular em razão da Procedência
Parcial do Lançamento.

Conselho Tributário Estadual, Sala das Sessões


em Maceió, 12 de março de 2013.

SÉRGIO GUILHERME ALVES DA S. FILHO ODETE MINEIRO DA PAZ


PRESIDENTE RELATORA

MARIA LOPES MILHOMES CARLOS HENRIQUE M. BRANDÃO


JULGADORA JULGADOR

Acórdão CTE nº 066/2013 4


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SESSÃO ORDINÁRIA Nº 09 – Realizada em 12/03/2013 – 1ª Câmara


PROCESSO: SF-1500 006756/1994; CTE-36/08
ANEXO: SF-1500 000194/2008
AUTO DE INFRAÇÃO: 053486, PROTOCOLADO EM 02/02/1993
AUTUADA: CENTER NAUTICA LTDA.
AUTUANTE: TATIANA TAVARES SARMENTO E OUTRA
RELATORA: MARIA LOPES MILHOMES
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO

ACÓRDÃO Nº 067/2013

EMENTA: ICMS – FALTA DE


RECOLHIMENTO DO IMPOSTO.
TRANSCORRIDOS 14 ANOS DA REVELIA
DO AUTUADO SEM QUE ESTE TIVESSE
CONHECIMENTO. OCORRÊNCIA DE
PRESCRIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPOSTA Á
CONSULTA DA SEFAZ PGE/PFE/COORD Nº
16/2013.
REEXAME NECESSÁRIO PROCEDIDO E
NÃO PROVIDO. DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA
MANTIDA INTEGRALMENTE.

RELATÓRIO

Trata-se o presente de Reexame Necessário e


Recurso deste Reexame, ao CTE, nos termos do art. 48,
Inciso I, da Lei Estadual 6771/06 relativo à Decisão nº
15525/07, referente ao Auto de Infração nº 053486,
protocolado em 02/02/1993, lavrado contra a empresa
Center Náutica, qualificada na peça exordial, com
alegação do autuante de que:

Acórdão CTE Nº67/2013 1


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“Cancelou a N. F. C-1 nº 000011, emitida em


30/01/92 não deixando anexadas no talonário as 1ª, 2ª e
3ª vias do documento fiscal” e em 17/6/92 emitiu a N. F.
C-l 00035 no valor de Cr$ 2.000.000,00, alegando redução
de 20% na base de cálculo inteiramente desamparada
legalmente pelo art. 8º, anexo II do RICMS, e totalmente
em desacordo com a exatidão matemática, visto que 20% do
valor da operação (Cr$ 15.000.000,00 conforme recibo nº
0079 emitido pela autuada, em anexo) jamais
corresponderia ao valor destacado no documento fiscal”.

DA DECISÃO DA COORDENADORIA DE JULGAMENTO

O julgador singular informa que foi lavrado


Termo de Revelia em Março de 1993(fls. 5) e que foi
levantada a hipótese de remissão do crédito tributário.
O julgador monocrático fundamenta sua decisão
informando que já foram transcorridos mais de 14 anos da
revelia do autuado, ocorrendo assim, os efeitos da
prescrição tributária, extinguindo o crédito tributário
na forma dos art.s 156, V, e 174, ambos do Código
Tributário Nacional.
Conclui o julgador de 1ª instância, julgando
prejudicado o lançamento e extinto, pela prescrição, o
crédito tributário, relativo ao auto de infração, objeto
da lide, tendo em vista os arts. 22, I, 28 e 29 da Lei

Acórdão CTE Nº67/2013 2


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Estadual 6771/06; 156, V, do CTN/66, e 269, IV e 329 da


Lei Federal 5869/73 – CPC.
Notificados autuada e autuante, apenas este
se manifestou.

DO RECURSO DE OFÍCIO.

O autuante contesta a decisão de 1ª instância


observando que no art. 174, do CTN “a prescrição
tributária, se materializa unicamente, em face dos
créditos tributários definitivamente constituídos” e que
a constituição definitiva dos créditos tributários
estaduais decorre das decisões administrativas
transitadas em julgado, e do procedimento, de ofício, por
parte da Procuradoria da Fazenda dos Estados, o
ajuizamento de ação executiva fiscal”.
Esclarece ainda, o autuante, que o art. 219,
parágrafo 5º, 269 IV do CPC, tidos como base autorizativa
para a prescrição tributária, dizem respeito apenas “ao
princípio da garantia do juiz natural”, ou seja, ao juiz
de direito nos processos de execução fiscal.

Finaliza o autuante, solicitando a nulidade


da Decisão nº 15527/2007, e que os autos sejam devolvidos
à Coordenadoria de Julgamento para novo julgamento

Acórdão CTE Nº67/2013 3


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VOTO

Analisando os autos e tudo mais que nele consta


observei que o julgador singular não julgou o mérito do Auto
de Infração 053486, objeto da lide, por considerar o
lançamento prejudicado e extinto por prescrição do crédito
tributário nele constante.
O ofício PGE/PFE/COORD nº 0016/2013 de 14/2/2013,
protocolado na Sefaz sob nº 1500 6479/2013 relativo à
resposta à consulta formulada pelo CTE referente à prescrição
e decadência do crédito tributário, uniformiza o entendimento
de que:
(...)
”a norma do art. 141 da Lei Estadual nº
4418/82 (hoje revogada) era de natureza
processual, devendo sua nova redação,
dada pela Lei Estadual nº 5983/97, ser
aplicada, a partir da vigência desta
última, a todos os processos então em
curso. Desta forma, não mais exigível, a
partir de 20/12/97, o julgamento
administrativo quando revel o
contribuinte, tal como previsto na
redação original do art. 141 em menção.
Por decorrência, ficou também decidido
que o dia 20/12/97 será o marco inicial
da prescrição para os créditos
tributários consignados em processos
administrativos iniciados antes da
edição da Lei 8983/97, cujo julgamento,
desnecessariamente, se tenha realizado a
partir daquela data (...)”.

Continua ressaltando que “Tendo a prescrição, de


tal sorte, se iniciado no dia 20/12/97, seu termo final foi
20/12/2002.”

Acórdão CTE Nº67/2013 4


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Rua General Hermes 80 Bom Parto 5º andar CEP 57.017-200
FONES: 3315-6190 – 3315-3772 – fax 3315-8273

No parecer da PGE é esclarecido que somente na


hipótese de que: (...)
“o processo administrativo em que
revel o contribuinte, não se tratando de
falta de recolhimento de tributos
apurados e escriturados nos livros
fiscais próprios, deveria ser julgado
até 19/12/97, pela aplicação da lei
anterior (revogada), prevê a figura do
‘julgamento de ofício’; não o sendo,
passa-se a contar o prazo prescricional
a partir da lei nova (20/12/97), que não
mais prevê a necessidade do julgamento
de ofício”

Continua afirmando que “Nessa hipótese, e somente


nela, podem ambas as instâncias administrativas reconhecer a
prescrição, utilizando-se dos balizamentos indicados pela
PGE” e que nos demais casos a competência para reconhecimento
da prescrição é da PGE.
O Auto de Infração foi lavrado em 20/1/93 e o
Termo de Revelia foi lavrado em 16/3/1993, porém só o
autuante tomou conhecimento deste, no dia 21/7/1994.
O julgamento de 1ª instância está datado de
18/12/2007. Feita intimação à autuada, infrutífera, por AR,
foi publicado o Edital a respeito em 24/1/2008.
Diante do exposto submeto a este colegiado a
apreciação da presente, ressaltando que entendo que o parecer
da PGE, neste caso, dá competência ao CTE para julgamento da
prescrição.
Sendo assim, ACORDAM OS MEMBROS DA 1ª CÂMARA DO
CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade de votos,
acompanhar integralmente o julgador de primeira instância.

Acórdão CTE Nº67/2013 5


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Proceder ao Reexame Necessário do julgamento e do recurso,


negando-lhe provimento.

Sala das Sessões do CTE, em 12 de Março de 2013.

SÉRGIO GUILHERME ALVES DA S. FILHO MARIA LOPES MILHOMES


PRESIDENTE RELATORA

ODETE MINEIRO DA PAZ CARLOS HENRIQUE M. BRANDÃO


JULGADORA JULGADOR

Acórdão CTE Nº67/2013 6


GOVERNO DO ESTADO
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SESSÃO ORDINÁRIA Nº 09 – Realizada em 12/03/2013 – 1ª Câmara


PROCESSO: 1500-011448/1998
AUTO DE INFRAÇÃO: 050835
AUTUANTE: ROBERTO JORGE G. F. DA SILVA
REEXAME NECESSÁRIO
RELATOR: CARLOS HENRIQUE DE MENDONÇA BRANDÃO
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO

ACÓRDÃO Nº 068/2013

EMENTA – ICMS. OBRIGAÇÕES


ACESSÓRIAS. DEIXAR DE APRESENTAR
MOVIMENTO ECONÔMICO E DECLARAÇÃO
DE VALOR ADICIONADO PARA FINS DE
APURAÇÃO DO ÍNDICE DE PARTICIPAÇÃO
DOS MUNICÍPIOS CONSTITUEM
INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA
ESTADUAL. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO
VÁLIDA DO CONTRIBUINTE NO PRAZO
DECADENCIAL. DECADÊNCIA
CONFIGURADA. REEXAME NECESSÁRIO
CONHECIDO E PROVIDO. EXTINÇÃO DO
CRÉDITO TRIBUTÁRIO.

Trata-se de reexame necessário em virtude da Decisão de Primeira


Instância n.º 13.936/02, a qual julgou procedente em parte o auto de infração o
auto de infração n.º 050835 que constituiu crédito tributário correspondente a
multa no valor de CR$ 94.686.704,57 (noventa e quatro milhões, seiscentos e
oitenta e seis mil, setecentos e quatro cruzeiros e cinquenta e sete centavos), em
razão do contribuinte ter deixado de apresentar a Declaração do Movimento
Econômico e Declaração de Valor Adicionado para fins de apuração do Índice de
Participação dos Municípios, referente ao ano de 1992, bem como extraviado o
Livro Registro de Inventário.

Acórdão CTE nº 068/2013 1


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Foram apontadas transgressões ao art. 49, II e III, “a”, item 1 e IV do


RICMS, sendo sugerida as penalidades previstas nos artigos 859, I e IV e 862 do
RICMS.

Instrui o processo: cópia do Registro de Utilização de Documentos


Fiscais e Termos de Ocorrências dados cadastrais; dados cadastrais; e, Diário
Oficial do Estado de Alagoas.

O auto de infração foi confeccionado em 16/06/1993. Em 16/09/1998,


o contribuinte foi intimado da lavratura do auto de infração.

No dia 29/10/1998 foi lavrado “Termo de Revelia”.

Através da Decisão n.º 13.936/02 a Coordenadoria de Julgamento


julgou procedente em parte o auto de infração, assim ementando:
EMENTA: ICMS – OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Deixar
de apresentar Movimento Econômico e Declaração de
Valor Adicionado para fins de apuração do Índice de
Participação dos Municípios constituem infrações à
legislação tributária estadual. Descaracterizada a infração
relativa ao extravio do Livro Registro de Inventário.
Ausência de contestação. Ilícitos comprovados. Auto de
Infração PROCEDENTE EM PARTE.

Intimado em 31/03/2005, o contribuinte não apresentou recurso.

Por fim, os autos foram encaminhados a este Conselho Tributário para


julgamento do reexame necessário.

É o relatório.

Acórdão CTE nº 068/2013 2


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VOTO

Trata-se da constituição de crédito tributário pelo suposto extravio


de Livro de Registro de Inventário de Mercadorias e por ter o contribuinte deixado
de apresentar a Declaração do Movimento Econômico e Declaração de Valor
Adicionado para fins de apuração do Índice de Participação dos Municípios,
referente ao ano de 1992.

Em que pese o auto de infração ter sido confeccionado no dia


18/06/1993, o intimação do contribuinte somente ocorreu em 16/09/1998, através
de edital publicado no Diário Oficial do Estado.

Essa intimação, por sua vez, foi defeituosa, uma vez que não
observou que o contribuinte estava com sua situação cadastral “cancelada”, de
modo que o crédito tributário não foi constituído até a presente data.

È flagrante a ocorrência da decadência no presente caso.

O artigo 173 do Código Tributário Nacional, dispõe:

Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário


extingue-se após 5 (cinco) anos, contados:

I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento


poderia ter sido efetuado;

II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por


vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.

Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se


definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em
que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação,

Acórdão CTE nº 068/2013 3


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ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao


lançamento.

Tendo em vista o interregno de mais de 5 (cinco) anos entre a


ocorrência do fato gerador e a sua constituição definitiva, com a devida intimação
do contribuinte, deve ser extinto o crédito tributário pela decadência, a teor do que
prescreve o artigo 173 do CTN, in verbis:

Art. 156. Extinguem o crédito tributário:


I – (omissis);
V – a prescrição e a decadência;

Deve-se destacar que antes mesmo da publicação do edital


(16/09/1998) já havia transcorrido o prazo decadencial de 5 (cinco) anos.

Ante o exposto, ACORDAM OS MEMBROS DA 1ª CÂMARA DO


CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por unanimidade de votos,
conhecer do reexame necessário, para julgar prejudicado o auto de infração em
virtude da decadência, nos termos do artigo 156 do Código Tributário Nacional.

Sala de Sessões do CTE, 12 de março de 2013.

SÉRGIO GUILHERM E ALVES DA S. FILHO CARLOS HENRIQUE M. BRANDÃO


PRESIDENTE RELATOR

MARIA LOPES MILHOMES ODETE MINEIRO DA PAZ


J ULGADORA JULGADORA

Acórdão CTE nº 068/2013 4


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SESSÃO ORDINÁRIA Nº 09 – Realizada em 12/03/2013 – 1ª Câmara


PROCESSO: 1500-018903/2003; ANEXO: 1500-026537/2003
AUTO DE INFRAÇÃO: Nº 037756 - CTE: 108/2012
INTERESSADO: MC DA SILVA ATACADO
FISCAL: MÁRIO JORGE TENÓRIO FORTES
RELATOR: CARLOS HENRIQUE DE MENDONÇA BRANDÃO
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO

ACÓRDÃO Nº 069/2013

EMENTA: ICMS. FALTA DE


RECOLHIMENTO. PRESUNÇÃO DE SAÍDAS
SEM EMISSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS.
AUSÊNCIA DE PROVAS QUE SUSTENTEM O
AUTO DE INFRAÇÃO. REEXAME
NECESSÁRIO CONHECIDO E IMPROVIDO.
DECISÃO RECORRIDA MANTIDA NA
ÍNTEGRA.

Trata-se da constituição de crédito tributário no valor de R$ 20.876,38


(vinte mil, oitocentos e setenta e seis reais e trinta e oito centavos) correspondente
a imposto e multa, em virtude de o sujeito ter supostamente deixado de recolher
ICMS no ano de 2002 por omissão de saídas de mercadorias depreendida de
constatação de passivo fictício e embaraçado a ação fiscal.

Foram aplicadas as penalidades cominadas nos artigos 87 e 135, da lei


5.900/96.

Instruem a exordial: “Levantamento da Conta Fornecedores”;


Declaração Anual do Contribuinte (DAC) – 2002; e cópia de duplicatas.

Intimado, o contribuinte apresentou impugnação ao auto alegando, em


síntese: a) que a autuação, decorrente de mera suposição, é inócua e desprovida de
provas; b) não se demonstrou a ocorrência de fato gerador do imposto; c) requer a
nulidade do auto de infração por ser contrário à legislação e aos princípios a
princípios constitucionais.

Em suas contrarrazões, a fiscal pugnou pela procedência do

Acórdão CTE nº 068/2013 1


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lançamento.

Através da Decisão nº 18.403/2011 a Coordenadoria de J ulgamento j ulgou


improcedente o lançamento, assi m ementando:

EMENTA – ICMS. P ROCEDIMENTO O RDINÁRIO.


1. Lançamento de ofício de crédito tributário. 2. passi vo
fictício. Embaraço a ação fiscal. 3. Ilícitos não comprovador.
4. Lançamento IMPROCEDENTE. 5. Duplo grau de
j urisdição administrativa necessário – artigos 48 e 49, § 1º,
Lei nº 6.771/06.

Intimados, o contribuinte e a representação fiscal não se


manifestaram.

Por fim, os autos foram encaminhados ao CTE para reexame


necessário.

É o relatório.

VOTO
Trata-se da constituição de crédito tributário pela suposta falta de
recolhimento de ICMS no exercício de 2002, incidente sobre as saídas tributadas
efetivadas sem a devida emissão de documentos fiscais, bem como multa pelo
embaraço à ação fiscal.

Como suporte fático, o fiscal autuante juntou ao auto de infração


apenas levantamento da conta fornecedores, DAC e algumas duplicatas. Esses
elementos mostram-se insuficientes para a caracterização dos ilícitos tributários
narrados no auto de infração.

Muito embora na DAC conste pequenas inconsistências, não se pode


afirmar a saídas de mercadorias sem a emissão de documentos fiscais, conforme
asseverou o julgador Manoel Omena Farias Júnior: “No máximo, os autos denotam
erro no preenchimento da Declaração Anual do Contribuinte (DAC) – 2002.”

No caso em tela observa-se a ausência completa de elementos que


sustentem o auto de infração lavrado.

Acórdão CTE nº 068/2013 2


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Não basta a simples descrição dos fatos jurídicos ou ilícitos


tributários, na medida em que a Administração detém o dever de prová-los, norma
contida, inclusive, no próprio R ICMS, em seu artigo 891, V, que exige cópias dos
documentos necessários a apuração do tributo devido.

Assim, não se desincumbiu a administração do dever de comprovar a


ocorrência dos fatos descritos no auto de infração, de modo que ACORDAM OS
MEMBROS DA 1ª CÂMARA DO CONSELHO TRIBUTÁRIO ESTADUAL, por
unanimidade de votos, conhecer do reexame necessário, para negar-lhe
provimento, julgando improcedente o auto de infração, mantendo na íntegra a
decisão do julgador singular.

Sala de Sessões do CTE, 12 de março de 2013.

SÉRGIO GUILHERM E ALVES DA S. FILHO CARLOS HENRIQUE M. BRANDÃO


PRESIDENTE RELATOR

MARIA LOPES MILHOMES ODETE MINEIRO DA PAZ


J ULGADORA JULGADORA

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SESSÃO ORDINÁRIA Nº 09 – Realizada em 12/03/2013 – 1ª Câmara


PROCESSO: 1500-009884/2002 ANEXOS: 1500-016035/2002 E 1500-
002285/2012
AUTO DE INFRAÇÃO Nº 010579
INTERESSADA: DOLCE BRUNO LTDA
AUTUANTE: JOSÉ ADILTON ALVES SANTOS E OUTRO
RELATOR: CARLOS HENRIQUE DE MENDONÇA BRANDÃO
SECRETARIA: GENILZA COELHO DE OLIVEIRA
PRESIDENTE: SÉRGIO GUILHERME ALVES DA SILVA FILHO

ACÓRDÃO Nº 070/2013

EMENTA: ICMS. FALTA DE


RECOLHIMENTO DO ICMS COMO
SUBSTITUTO TRIBUTÁRIO. RECURSO
ORDINÁRIO PREJUDICADO EM VIRTUDE
DA LIQUIDAÇÃO DO CRÉDITO
TRIBUTÁRIO NO CURSO DO PROCESSO
ADMINISTRATIVO. APLICAÇÃO DA
PENALIDADE PREVISTA NO ARTIGO 84
DA LEI 5.900/96. REEXAME NECESSÁRIO
CONHECIDO E IMPROVIDO. DECISÃO
MANTIDA NA ÍNTEGRA. EXTINTO O
CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO
PAGAMENTO

RELATÓRIO

Trata-se de auto de infração para exigência de crédito tributário


correspondente a R$ 29.580,26 (vinte e nove mil, quinhentos e oitenta reais e seis
centavos), sendo R$ 14.790,13 (quatorze mil, setecentos e noventa reais e treze
centavos) de ICMS e R$ 14.790,13 (quatorze mil, setecentos e noventa reais e
treze centavos) de multa.

O auto de infração consigna que o contribuinte “(...) não recolheu o


ICMS como substituto tributário destacado nas notas fiscais de compras de
mercadorias para comercialização, realizadas nos exercícios de 2000 a 2001”.

Foram tidos como infringidos os artigos 1º, I; 2º, I; 6º XIII “a”, e 23,

Acórdão CTE nº 070/2013 1


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I da lei 5900/96, tendo sido aplicada a multa de prevista no artigo 90 do mesmo


diploma legal.

Instruem os autos: Relação das notas foscais adquiridas de


fornecedores diversos sem inscrição estadual, resumo de débito, Cartão de
autógrafo, relatório de dados cadastrais, notas fiscais, livro de registro de entradas
de mercadorias, livro de registro de apuração do ICMS, entre outros.

A empresa autuada apresentou a defesa, alegando, em síntese, que está


no regime de estimativa, portanto, paga o ICMS sob este regime, conforme consta
no seu livro de registro de utilização de documentos fiscais e termos de
ocorrências– LRUDFTO.

Em sua contrarrazão, o fiscal autuante pugnou pela procedência do


auto.

Através da Decisão nº 18.426/2011 a Coordenadoria de J ulgamento


decidiu pela procedência parcial do auto de infração, assim ementando:

EMENTA – ICMS – 1) Lançamento de ofício de


crédito tributário. 2) Falta de recolhimento do
ICMS destacado nos documentos fiscais de
entradas, na qualidade de contribuinte
substituto tributário, quando das aquisições
internas de mercadorias oriundas de
fornecedores diversos, sem inscrição estadual.
3) Alteração da penalidade para a prevista no
artigo 84 da lei 5900 de 27-12-96, que, uma vez
revogado pela lei 7079/09, reclassifica-se para o
artigo 79 da lei 5900/96, em cumprimento ao
artigo 13 da lei 4418 de 27-12/82. Infração
caracterizada. Lançamento PROCEDENTE em
parte. Remessa dos autos ao Conselho
Tributário Estadual para reexame necessário,