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RELATÓRIO SOBRE A APRENDIZAGEM NA CAIXA DE SKINNER

Sujeito experimental: Nara


Peso: 188g
Origem: NAL
Nascimento: Maio de 2010
Privação: 41 horas

1) TREINO AO BEBEDOURO E MODELAGEM

O experimento se iniciou em 25/11/2010, com o primeiro exercício, o “treino


ao bebedouro”, cujo objetivo era fazer com que o animal se aproximasse da
barra ao ouvir o barulho de funcionamento do bebedouro, ao qual ela está
acoplada. Para isso, ele deve associar o som ao ato de beber água, eliminando
alguns efeitos emocionais causados pelo ruído. O animal estava em privação de
36 horas e o experimento teve início às 09h20min.

Ao colocarmos o sujeito experimental na caixa de Skinner, observamos seu


repertório inicial, caracterizado por movimentos baixos e comedidos. Aos poucos,
começou a explorar o ambiente. A barra foi pressionada, no modo manual, a cada
10 minutos. Entretanto aos 20 minutos de experiência, o sujeito bateu o focinho
na barra, de baixo para cima, passando a se comportar de forma mais arredia,
dando as costas à barra e procurando possíveis saídas da caixa. O experimento
foi encerrado, ao final dos 60 minutos previstos sem que se concluísse o treino ao
bebedouro.

O exercício teve continuidade uma semana depois, no dia 02/09/2010, às


09h15min. Desta vez, o tempo de privação foi aumentado para 40 horas. O
animal encontrou o bebedouro logo no segundo minuto de experimento, bebendo
seguidamente até o sexto minuto, tendo atingido uma freqüência acumulada de 6
respostas. Foi dado como concluído o treino ao bebedouro, já que o sujeito já o
localizava perfeitamente, passando-se ao exercício de modelagem do
comportamento de pressionar a barra que aciona o bebedouro.

A modelagem em questão teve como objetivo final fazer com que o sujeito
pressionasse a barra e obtivesse água sem a intervenção dos experimentadores.
Para isso, adotou-se o reforçamento seletivo de respostas.
No início, foram reforçados os comportamentos que posicionavam seu corpo em
direção à barra do bebedouro. A partir do 12ª minuto, passamos a reforçar
somente a aproximação ao bebedouro. O comportamento mais próximo ao
desejado foi o de encostar o focinho na barra, sendo o experimento interrompido
pós 1h e 21 minutos. Observou-se que o repertório do rato permanecia composto
de movimentos muito rasteiros, quase não tirando as patas do chão, exceto para
esfregar uma na outra rapidamente, o que acontecia longe da barra.

O exercício de modelagem teve continuidade em 16/09/2010, às 09h20min ,


estando o animal em 40 horas de privação. Passou-se a reforçar também os
comportamentos que importavam em retirar as patas do solo. Com isso, ao final
da sessão, o sujeito chegou a tocar ambas as patas na barra, de forma alternada.

A sessão findou às 10h54min , sem conclusão da modelagem, porém com


grande avanço comportamental em relação ao objetivo.

O exercício teve continuidade, novamente, em 16/09/2010, às 09h30min,


estando o animal em 41 horas de privação. Continuou-se reforçando a
aproximação à barra e os comportamentos de subir, o animal já apoiava as duas
patas na barra. Após 22 reforços, o sujeito conseguiu pressionar a barra com
força suficiente e descer em direção ao bebedouro. Nesse ponto, a chave da
caixa de controle foi modificada de ‘manual’ para ‘automático’.
Observamos 34 reforços no modo automático e então, foi dada como concluída a
modelagem, às 10h44min, já que o sujeito já havia relacionado o ato de
pressionar a barra com a presença de água no bebedouro
Respostas Tempo
acumuladas
2 1
4 2
8 3
10 4
11 5
12 6
13 7
16 8
18 9
19 11
20 16
22 18
23 19
24 29
25 31
28 35
30 36
31 40
33 41
34 43
35 44
36 56
37 58
41 59
47 60

2) DISCRIMINAÇÃO DE ESTÍMULOS
A discriminação em questão teve como objetivo final fazer com que o
sujeito experimental só pressionasse a barra diante do estímulo luminoso,
eleito como discriminante (Sd), extinguindo o operante no período escuro
(Sdelta). Para isso, adotou-se o reforçamento seletivo do operante, fornecendo
a água, manualmente, apenas na presença do estímulo discriminante.

No dia 30/09/2010, foi iniciado o exercício, estando o animal em 40 horas


de privação. Anotava-se o número de respostas operantes fornecidas em Sdelta
após cada período sucessivo de Sd. Durante os treze primeiros períodos de
mensuração do nível de extinção de resposta, a discriminação não surtiu o efeito
desejado, chegando o animal a aumentar sua freqüência de respostas no período
escuro, como se tivesse que insistir para que o reforço fosse apresentado. Além
disso, o processo de extinção pode produzir um sentimento de frustração, o que
hipoteticamente é observado no momento em que o animal fareja, ergue-se e
anda pela caixa, próximo a barra, sem, no entanto, tocá-la e também ao deitar-se,
sem movimentos. Esse efeito indesejado de insistência foi delineado ao longo da
sessão, sem contudo se lograr a extinção do operante no período Sdelta.

O exercício foi interrompido às 11h50min. Observamos que não havia uma


diferença muito grande na luminosidade. Era utilizada a luminosidade de nível 3
da caixa (recomendada pelos instrutores), mas as persianas estavam abertas e
havia pessoas trabalhando com outras experiências que necessitavam de uma
certa iluminação exterior.
Por fim, o exercício foi retomado em 07/10/2010, estando o animal em 40
horas de privação. Houve, inicialmente, um retorno do comportamento de
pressionar insistentemente a barra no período de Sdelta. Após o décimo período
sucessivo o animal foi diminuindo as respostas na ausência do estímulo até que,
a partir do décimo sexto período, começou a abster-se de pressionar a barra na
ausência do estímulo luminoso, só o fazendo durante a apresentação desse
estímulo discriminativo.

Após cinco períodos de Sdelta sem a emissão do operante, deu-se por


concluído o exercício de discriminação de estímulos, às 10h50min, já que o
animal já discriminava que só apareceria água quando a barra fosse pressionada
na presença da luz.

Períodos sucessivos Respostas acumuladas


1 4
2 12
3 24
4 32
5 38
6 47
7 61
8 79
10 89
11 93
12 94
13 94
14 101
15 111
16 113
17 113
18 113
19 113
20 113
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E FILOSOFIA

DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA

LABORATÓRIO DE ESTUDOS DO COMPORTAMENTOI HUMANO


E ANIMAL

EXPERIMENTO DE APRENDIZAGEM

Ingrid Rohem de Souza Santos

Jorge Manoel Caldeira

Professor Elton H. Matswshima

Disciplina: Aprendizagem e Memória