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Supremo Tribunal Federal

Ementa e Acórdão

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08/10/2013 PRIMEIRA TURMA

AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 764.665 S ÃO


PAULO

RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI


AGTE.(S) : VALDIR SAMPAIO
ADV.(A/S) : ELIEZER PEREIRA MARTINS E OUTRO(A/S)
AGDO.(A/S) : ESTADO DE SÃO PAULO
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO

EMENTA

Agravo regimental no recurso extraordinário com agravo.


Administrativo. Militar. Prequestionamento. Litispendência. Coisa
julgada. Extinção do feito sem julgamento de mérito. Negativa de
prestação jurisdicional. Não ocorrência. Princípios do devido processo
legal, do contraditório e da ampla defesa. Ofensa reflexa. Reexame de
fatos e provas. Impossibilidade. Precedentes.
1. Não se admite o recurso extraordinário quando os dispositivos
constitucionais que nele se alega violados não estão devidamente
prequestionados. Incidência da Súmula nº 282/STF.
2. A jurisdição foi prestada pelo Tribunal de origem mediante
decisão suficientemente motivada.
3. Inadmissível, em recurso extraordinário, a análise da legislação
infraconstitucional e o reexame dos fatos e das provas dos autos.
Incidência das Súmulas nºs 636 e 279/STF.
4. Agravo regimental não provido.
ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da


Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sob a Presidência do
Senhor Ministro Luiz Fux, na conformidade da ata do julgamento e das
notas taquigráficas, por unanimidade de votos, em negar provimento ao
agravo regimental, nos termos do voto do Relator.

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ARE 764665 AGR / SP

Brasília, 8 de outubro de 2013.

MINISTRO DIAS TOFFOLI


Relator

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AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 764.665 S ÃO


PAULO

RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI


AGTE.(S) : VALDIR SAMPAIO
ADV.(A/S) : ELIEZER PEREIRA MARTINS E OUTRO(A/S)
AGDO.(A/S) : ESTADO DE SÃO PAULO
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO

RELATÓRIO

O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):


Valdir Sampaio interpõe tempestivo agravo regimental contra
decisão em que conheci de agravo para negar seguimento ao recurso
extraordinário, com a seguinte fundamentação:

“Vistos.
Valdir Sampaio interpõe agravo contra a decisão que não
admitiu recurso extraordinário interposto contra acórdão da
Primeira Câmara do Tribunal de Justiça Militar do Estado de
São Paulo, assim ementado:

‘POLICIAL MILITAR - Pedido de anulação de ato de


demissão com a consequente reintegração ao cargo -
Acolhimento da preliminar fazendária e provimento do
agravo retido interposto - Ocorrência de litispendência e
de ofensa à coisa julgada - Inaplicabilidade, "in casu", da
Súmula nº 304 do STF - Impossibilidade legal de
duplicação de avaliação judicial do mérito - Inexistência
de fato novo - Extinção do processo sem resolução de
mérito, nos termos do art. 267, V, do Código de Processo
Civil - Apelo prejudicado - Votação unânime’.

Opostos embargos de declaração, não foram providos.


Sustenta o agravante, nas razões do recurso

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extraordinário, violação dos artigos 5º, incisos II, V, X, LIV e LV,


37, caput, 84, inciso IV, 93, inciso IX, 125, § 4º e 5º, e 133 da
Constituição Federal.
Decido.

Anote-se, inicialmente, que o recurso extraordinário foi


interposto contra acórdão publicado após 3/5/07, quando já era
plenamente exigível a demonstração da repercussão geral da
matéria constitucional objeto do recurso, conforme decidido na
Questão de Ordem no Agravo de Instrumento nº 664.567/RS,
Tribunal Pleno, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, DJ de
6/9/07.
Todavia, apesar da petição recursal haver trazido a
preliminar sobre o tema, não é de se proceder ao exame de sua
existência, uma vez que, nos termos do artigo 323 do Regimento
Interno do Supremo Tribunal Federal, com a redação
introduzida pela Emenda Regimental nº 21/07, primeira parte, o
procedimento acerca da existência da repercussão geral
somente ocorrerá ‘quando não for o caso de inadmissibilidade do
recurso por outra razão’.
A irresignação não merece prosperar, haja vista que os
dispositivos constitucionais indicados como violados no recurso
extraordinário carecem do necessário prequestionamento.
Incide na espécie a Súmula nº 282 desta Corte.
Registre-se que, no caso dos presentes autos, o acórdão
recorrido se restringiu, tão somente, a reconhecer a ocorrência
de litispendência em razão do julgamento denegatório de
mandado de segurança anteriormente impetrado pelo ora
recorrente que, consequentemente, formou coisa julgada.
Ressalte-se, também, que a jurisprudência deste Supremo
Tribunal Federal é firme no sentido de que afronta aos
princípios constitucionais da legalidade, do devido processo
legal, da ampla defesa e do contraditório, dos limites da coisa
julgada, da prestação jurisdicional, bem como da caracterização
da litispendência em face da legislação processual
infraconstitucional, podem configurar apenas ofensa indireta

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ou reflexa à Constituição da República, o que não enseja


reexame em recurso extraordinário. Anote-se:

‘Recurso extraordinário: descabimento: controvérsia


decidida à luz da legislação infraconstitucional pertinente,
tanto no que concerne à alegação de litispendência, como
de violação à coisa julgada: não se presta o recurso
extraordinário para o exame de ofensa reflexa à
Constituição: incidência, mutatis mutandis, a Súmula 636’
(AI nº 628.105/DF-AgR, Primeira Turma, Relator o
Ministro Sepúlveda Pertence, DJ de 14/9/07);

‘AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO


EXTRAORDINÁRIO. AMBIENTAL. COMÉRCIO,
DISTRIBUIÇÃO E TRANSPORTE DE MADEIRA
MOGNO. 1. Impossibilidade de análise da configuração
de continência ou litispendência: limites objetivos da coisa
julgada. 2. Aquisição anterior à Instrução Normativa n.
17/2001. Controvérsia decidida com base em norma
infraconstitucional. Ofensa constitucional indireta. 3.
Agravo regimental ao qual se nega provimento’ (RE nº
640.584/DF-AgR, Primeira Turma, Relatora a Ministra
Cármen Lúcia, DJe de 1/3/12).

‘CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL CIVIL.


HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DECISÃO BASEADA
NA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL LOCAL.
SÚMULA 280 DO STF. LIMITES DA COISA JULGADA.
OFENSA REFLEXA. AGRAVO IMPROVIDO. I - O
acórdão recorrido dirimiu a questão dos autos com base
na legislação infraconstitucional local aplicável à espécie.
Incidência da Súmula 280 desta Corte. II - Esta Corte tem
se orientado no sentido de que a discussão em torno dos
limites objetivos da coisa julgada, matéria de legislação
ordinária, não dá ensejo à abertura da via extraordinária.
III - Agravo regimental improvido’ (AI nº 601.325/PR-AgR,

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Primeira Turma, Relator o Ministro Ricardo


Lewandowski, DJ de 17/8/07);

‘1. O trânsito do extraordinário é inviável para


debater tema processual, de índole ordinária, relativo ao
reexame dos julgamentos proferidos na instância inferior,
para fins de nulidade, por suposta ausência de sua
fundamentação. 2. Inviável o processamento do apelo
extremo para rediscutir matéria infraconstitucional
relativa aos limites objetivos da coisa julgada. 3. Agravo
regimental improvido’ (AI 476.322/AM-AgR, Segunda
Turma, Relatora a Ministra Ellen Gracie, DJ de 18/11/05).

Ante o exposto, conheço do agravo para negar seguimento


ao recurso extraordinário.
Publique-se.”

Insiste o agravante que foram violados os arts. 5º, incisos II, LIV e
LV; 93, inciso IX; e 125, § 5º, da Constituição Federal e que a ofensa aos
mencionados dispositivos constitucionais seria direta.
Aduz, ainda, in verbis:

“É certo que o Tribunal a quo não adentrou ao mérito, haja


vista o acolhimento da preliminar fazendária e provimento do
Agravo Retido, extinguindo-se o processo sem resolução do
mérito, contudo, o julgamento perante o Tribunal a quo é nulo
por violação ao Artigo 5º, incisos II, LIV E LV e Artigo 93,
inciso IX da C.F., por não terem sido acolhidos os embargos
declaratórios opostos, bem como por ter se dado em
descompasso ao disposto no § 5º do artigo 125 da C.F., pois do
julgamento participou um Juiz da classe dos militares, sendo
que, conforme constou das razões recursais, tal questão apenas
surgiu após o julgamento da apelação, não havendo que se falar
em falta de prequestionamento.”

É o relatório.

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AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 764.665 S ÃO


PAULO

VOTO

O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):


Não merece prosperar a irresignação.
Conforme consignado na decisão agravada, o art. 125, § 5º, da
Constituição Federal carece do necessário prequestionamento, haja vista
que os acórdãos proferidos pela Corte de origem não cuidaram da
referida norma.
Ressalte-se que não prequestiona a matéria constitucional a sua
suscitação, pela primeira vez, em embargos declaratórios, sendo certo,
ainda, que, no julgamento dos referidos embargos, o Tribunal de Justiça
limitou-se a afirmar que sua composição é de todos conhecida, uma vez
que prevista em regimento interno, e que, portanto, a alegação de
violação da mencionada norma constitucional, somente suscitada na
petição de embargos de declaração, constituiria inovação recursal, uma
vez que não teria “constado expressamente da petição do apelo e
tampouco da inicial”. Incidência da Súmula nº 282/STF.
Nesse sentido:

“AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE


INSTRUMENTO. AUSÊNCIA DE PEÇA ESSENCIAL.
SÚMULA 288 DO STF. PREQUESTIONAMENTO, AUSÊNCIA.
SÚMULA 282 DO STF. EXAME DE MATÉRIA DE DATO E DE
CLÁSULAS CONTRATUAIS. SÚMULA 279 E 454 DO STF.
AGRAVO IMPROVIDO. I – Ausência de peça essencial à
compreensão da controvérsia. Incidência da Súmula 288 do STF.
II- É dever processual da parte zelar pela correta formação do
instrumento. III – Como tem consignado o tribunal, por meio da
Súmula 282, é inadmissível o recurso extraordinário se a
questão constitucional suscitada não tiver sido apreciada no
acórdão recorrido. Ademais, a tardia alegação de ofensa ao

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texto constitucional, em embargos de declaração, não supre o


prequestionamento. IV – A apreciação do RE demanda o exame
de matéria de fato e a interpretação de cláusulas contratuais.
Incidência das Súmulas 279 e 454 do STF. V – Agravo
regimental improvido” (AI nº 636.270/RJ-AgR, Primeira Turma,
Relator o Ministro Ricardo Lewandoski, DJe de 12/9/08).

Por outro lado, o entendimento desta Corte firmou-se no sentido de


que o art. 125, § 5º, da Constituição Federal contém a exigência de que as
demandas que tenham por objeto ato disciplinar cometido por militar
sejam julgadas, em primeiro grau por juiz de direito, não fazendo
nenhuma menção acerca do julgamento colegiado de tais demandas.
Ademais, colhe-se do voto condutor do acórdão recorrido, proferido
no julgamento da apelação:

“Preliminarmente, há que se apreciar e dar provimento ao


Agravo Retido interposto pela Fazenda Pública, no qual se
alega litispendência por ocasião da propositura da presente
ação, pelo rito ordinário, em razão de julgamento precedente de
mandado de segurança impetrado pelo ora Agravado,
igualmente com intuito reintegratório e que foi julgado em
2005, com apreciação do mérito.
(…)
Como se demonstrou anteriormente, o pretenso direito do
Apelante foi por ele postulado (e julgado) no mandado de
segurança impetrado inicialmente, cuja decisão formou, por via
de consequência, coisa julgada (...)
(…)
Não bastam novos argumentos ou teses jurídicas
diferentes constantes da causa de pedir pata afastar-se a
litispendência ou a ofensa à coisa julgada. Nova ação apenas
legitimar-se-ia desde que fundada em fato novo.”

Verifica-se que a Corte de origem extinguiu, sem julgamento de


mérito, a ação ordinária proposta pelo ora agravante, por ter vislumbrado

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a ocorrência de litispendência relativamente a anterior mandado de


segurança, também por ele impetrado contra o ora agravado, Estado de
São Paulo, no qual igualmente pleiteava sua reintegração à corporação, já
havendo, inclusive a formação de coisa julgada no mencionado writ.
É certo que, para concluir de modo diverso, seria necessário
interpretar a legislação processual pertinente e reexaminar o conjunto
fático-probatório dos autos, o que é inviável em recurso extraordinário.
Incidência das Súmulas nºs 636 e 279/STF. Nesse sentido, anote-se:

“PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO


AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO
EXTRAORDINÁRIO INTERPOSTO CONTRA ACÓRDÃO
PROFERIDO EM AÇÃO CAUTELAR. IMPOSSIBILIDADE.
SÚMULA 735/STF. ALIMENTOS PROVISIONAIS.
CABIMENTO. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL.
OFENSA CONSTITUCIONAL REFLEXA. LITISPENDÊNCIA.
REEXAME DE FATOS E PROVAS. ÓBICE DA SÚMULA
279/STF. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA
PROVIMENTO” (AI nº 692.209/SP-AgR, Segunda Turma,
Relator o Ministro Teori Zavascki, DJe de 18/9/13).

“AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO


EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. DECISÃO QUE NÃO
EXAMINA O MÉRITO DO MANDADO DE SEGURANÇA
POR CONSTATAR A OCORRÊNCIA DE LITISPENDÊNCIA E
COISA JULGADA. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL.
AGRAVO IMPROVIDO. I – Se a decisão de origem limitou-se a
verificar, no caso concreto, a ocorrência de coisa julgada e
litispendência a impedir o exame da matéria de fundo debatida
no Mandado de Segurança, não há falar em questão
constitucional que possibilite o conhecimento do
extraordinário. Nessas circunstâncias, o tema decidido é
exclusivamente infraconstitucional. II – Agravo regimental
improvido” (ARE nº 717.630/SC-AgR, Segunda Turma, Relator
o Ministro Ricardo Lewandowski, DJe de 12/8/13).

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“AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO


EXTRAORDINÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. MULTA POR
LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. LITISPENDÊNCIA.
IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO
INFRACONSTITUCIONAL E DO REEXAME DE PROVAS
(SÚMULA 279). OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA.
AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA
PROVIMENTO” (RE nº 594.053/RN-AgR, Primeira Turma,
Relatora a Ministra Cármen Lúcia, DJe de 30/4/10).

Anote-se, ainda, que não há falar em negativa de prestação


jurisdicional ou em inexistência de motivação no julgado recorrido, uma
vez que a decisão está suficientemente motivada, não obstante contrária à
pretensão do recorrente, tendo o Tribunal de origem explicitado suas
razões de decidir.
A exigência constitucional é que o órgão judicante fundamente as
razões que entendeu suficientes à formação de seu convencimento, e não
que se manifeste sobre todos os argumentos apresentados pela defesa.
Sobre o tema, os seguintes precedentes:

“PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. ALEGAÇÃO DE


AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. 1. O fato de a decisão ser
contrária aos interesses da parte não configura negativa de
prestação jurisdicional ou ausência de fundamentação. 2.
Agravo regimental a que se nega provimento” (AI nº
809.411/SP-AgR, Segunda Turma, Relatora a Ministra Ellen
Gracie, DJe de 20/6/11).

“PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM


AGRAVO DE INSTRUMENTO. DEVIDO PROCESSO LEGAL,
AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. OFENSA REFLEXA
AO TEXTO CONSTITUCIONAL. ART. 93, IX, DA
CONSTITUIÇÃO. DECISÃO SUFICIENTEMENTE
FUNDAMENTADA. ANÁLISE DE FATOS E PROVAS.
IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 279 DO STF. AGRAVO

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IMPROVIDO. I - A alegada violação aos postulados


constitucionais do devido processo legal, ampla defesa e
contraditório, em regra, configura ofensa reflexa ao texto
constitucional. II - A exigência do art. 93, IX, da Constituição,
não impõe seja a decisão exaustivamente fundamentada,
bastando que o julgador informe, de forma clara e concisa, as
razões de seu convencimento, tal como ocorreu no caso em tela.
III - Necessidade do reexame do contexto fático probatório que
envolve a matéria, o que é inadmissível em recurso
extraordinário. Incidência da Súmula 279 do STF. IV - Agravo
regimental improvido” (AI nº 653.010/DF-AgR, Primeira
Turma, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, DJ de
29/8/08).

Por fim, a jurisprudência desta Corte está consolidada no sentido de


que a afronta aos princípios da legalidade, do devido processo legal, da
ampla defesa e do contraditório, dos limites da coisa julgada e da
prestação jurisdicional, quando depende, para ser reconhecida como tal,
da análise de normas infraconstitucionais, configura apenas ofensa
indireta ou reflexa à Constituição da República, o que não enseja reexame
em recurso extraordinário. Nesse sentido, anote-se:

“DIREITO PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÃO DE


VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DO
DEVIDO PROCESSO LEGAL. MATÉRIA
INFRACONSTITUCIONAL. REEXAME INCABÍVEL NO
ÂMBITO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Impossibilidade
de exame em recurso extraordinário de alegada violação, acaso
existente, situada no âmbito infraconstitucional. Agravo
regimental a que se nega provimento” (AI nº 836.830/MA-AgR,
Primeira Turma, Relatora a Ministra Rosa Weber, DJe de
26/4/12).

“AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO


EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PROCESSUAL CIVIL.
OBRIGAÇÃO DE FAZER. PLANO DE SAÚDE

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EMPRESARIAL. INDEFERIMENTO DA PRODUÇÃO DE


PROVAS. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ARTIGO 5º, LV, DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL. OFENSA REFLEXA. AGRAVO
REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Os postulados da legalidade,
do devido processo legal, da ampla defesa, da motivação dos
atos decisórios, do contraditório, dos limites da coisa julgada e
da prestação jurisdicional, quando a verificação de sua ofensa
dependa do reexame prévio de normas infraconstitucionais,
revelam ofensa indireta ou reflexa à Constituição Federal, o
que, por si só, não desafia a abertura da instância
extraordinária. Precedentes: AI 804.854-AgR, 1ª Turma, Rel.
Min. Cármen Lúcia, DJe de 24/11/2010; e AI 756.336-AgR, 2ª
Turma, Rel. Min. Ellen Gracie, DJe de 22/10/2010. 2. Agravo
regimental desprovido” (ARE nº 644.667/RS-AgR, Primeira
Turma, Relator o Ministro Luiz Fux, DJe de 5/10/11).

Nego provimento ao agravo regimental.

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Extrato de Ata - 08/10/2013

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PRIMEIRA TURMA
EXTRATO DE ATA

AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 764.665


PROCED. : SÃO PAULO
RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI
AGTE.(S) : VALDIR SAMPAIO
ADV.(A/S) : ELIEZER PEREIRA MARTINS E OUTRO(A/S)
AGDO.(A/S) : ESTADO DE SÃO PAULO
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO

Decisão: A Turma negou provimento ao agravo regimental, nos


termos do voto do Relator. Unânime. Não participou,
justificadamente, deste julgamento, o Senhor Ministro Roberto
Barroso. Presidência do Senhor Ministro Luiz Fux. 1ª Turma,
8.10.2013.

Presidência do Senhor Ministro Luiz Fux. Presentes à Sessão os


Senhores Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Rosa Weber e
Roberto Barroso.

Subprocuradora-Geral da República, Drª Cláudia Sampaio


Marques.

Carmen Lilian Oliveira de Souza


Secretária da Primeira Turma

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