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ÁCIDOS NUCLEICOS – EXTRAÇÃO DO DNA DO

MORANGO
Ana Carolina Araújo dos Santos
A sequência de aminoácidos de cada proteína na célula e a sequência nucleotídica
de cada RNA são especificadas pela sequência nucleotídica do DNA da célula. Um
segmento de uma molécula de DNA que contém a informação necessária para a síntese
de um produto biologicamente funcional, seja proteína ou RNA, é denominado gene.
Uma célula costuma ter muitos milhares de genes, e moléculas de DNA, não
surpreendentemente, tendem a ser muito grandes. O armazenamento e a transferência da
informação biológica são as únicas funções conhecidas do DNA. (LEHNINGER, 2014).
O morango é um fruto comumente utilizado nas práticas de laboratório de extração
de DNA porque são muito macios e fáceis de homogeneizar, produzem pectinases e
celulases, que são enzimas que degradam a pectina e a celulose, presentes nas paredes
celulares das células vegetais. Além disso, os morangos possuem oito cópias de cada
conjunto de cromossomos, sendo assim, é uma fruta que é fácil a extração do DNA.
A prática teve como objetivo compreender a técnica de extração da molécula de
DNA do morango, observando também o aspecto dessa mesma molécula. E também,
compreender o papel da maceração, do uso do detergente, do uso do sal e, finalmente, do
uso do etanol.

Para a realização da prática, primeiro os morangos foram cortados em cubos, em


seguida foram colocados em um saco plástico e macerados com o auxílio de um pistilo.
Em um béquer de 250 ml foram adicionados água morna, detergente incolor e de NaCl,
preparando uma solução de extração (Solução de Lise). Em seguida mistura-se o morango
macerado à solução de extração mexendo rigorosamente com um bastão de vidro por 300
segundos. Depois, em um funil pequeno foi colocado o filtro de papel, filtrando a solução
preparada anteriormente juntamente com o morango macerado, em um béquer de 600 mL
preenchendo. Adianta, no filtrado foi adicionado álcool gelado e esperou-se a contagem
no cronometro e após 120 segundos ocorreu a separação de fases. Por fim, após a
separação de fases com o auxílio de um bastão de vidro o material foi transferido para
uma placa de petri para ser analisado posteriormente.

De acordo com Lehninger (2014), molécula de DNA é composta por uma fita
dupla de nucleotídeos. As duas cadeias unem-se através de pontes de hidrogênio entre as
bases nitrogenadas dos nucleotídeos. As cadeias de nucleotídeos são formadas por uma
pentose associada a um ou mais grupos fosfato e a uma base nitrogenada. O DNA é
composto por uma desoxirribose e um grupo fosfato. As quatro bases nitrogenadas
contidas no DNA são: adenina, citosina, guanina e timina. Ao macerar o morango no
início do experimento é possível permitir que uma grande quantidade de moléculas de
DNA sejam liberar e assim obter melhor rendimento no processo de extração do DNA,
visto que, quanto mais se macera a fruta maior será sua superfície de contato com a
solução de lise e melhor a ação da solução sobre as células.
Utiliza-se água morna no procedimento com a finalidade de melhorar a ação do
detergente através do aumento da agitação das moléculas proporcionado pela mudança
de temperatura evitando assim a desagregação do DNA. E a adição de detergente se dá
devido a membrana plasmática e membrana nuclear serem compostas principalmente por
lipídeos por uma bicamada de fosfolipídios e os lipídios são insolúveis em água. Logo, a
função do detergente é desestruturar as moléculas de lipídeo das membranas desfazendo
as ligações fosfolipídicas. Dessa maneira, as membranas sofrem ruptura ocasionando na
desintegração do núcleo e cromossomos, deixando o DNA e as proteínas, dispersas no
álcool.

Enquanto, a adição de cloreto de sódio se dá devido a insolubilidade do DNA na


presença deste sal, porque o sódio neutraliza a carga negativa dos grupos fosfatos. O
etanol formará uma camada na superfície por ser menos denso que a solução aquosa.
Logo, a adição do NaCl proporciona um favorecimento para a extração de DNA.

Após a adição do álcool gelado na solução de lise misturada com o morango


macerado observou-se a precipitação do DNA. O álcool gelado causa a desidratação nas
moléculas de DNA, fazendo com que as mesmas encontrem-se em um estado de
aglutinação. Como o DNA possui densidade mais baixa do que os outros componentes
celulares, ele se eleva à superfície, sobre o álcool e a solução de lise com a fruta, formando
uma massa filamentosa e esbranquiçada, o que proporciona o surgimento de uma outra
fase na mistura heterogênea recém formada pelo álcool gelado e o ambiente salino. Sendo
assim, quanto mais o álcool estiver gelado melhor será o processo de precipitação e
extração do DNA.

O material precipitado no final do experimento contém o DNA do morango e a


pectina. Como o morango é muito rico em pectina, este embora tenha uma fácil extração
não propicia uma extração de DNA pura. Logo, o material gelatinoso separado na placa
de petri representa a pectina e o DNA.

Portanto, por meio do experimento, concluiu-se que o processo de extração do


DNA do morango é simples que não requer materiais e reagentes sofisticados para que a
extração do DNA ocorra. No entanto, para a extração do DNA o morango embora seja
uma fruta utilizada para o processo de extração, contem muita pectina, que no final resulta
na extração do DNA juntamente com pectina fazendo com que o experimento não seja
tão eficiente para a visualização do processo de extração.

REFERÊNCIA
NELSON, D. L. et al. Princípios de bioquímica de Lehninger. 6. ed. [s.l.] artmed, 2014.