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Caroline Badzinski e Franciele Finck – Ciências Biológicas Bacharelado 2007 -

Biologia Molecular

HISTONAS

Em biologia, as histonas são as principais proteías que compõem a cromatina.


Atuam como a matriz na qual o DNA se enrola. Têm um papel importante na regulação dos
genes. São encontradas no núcleo das céulas eucariotas. As histonas das Archaea são
semelhantes às histonas percursoras nos eucariotas.

Classes

São conhecidas 5 classes de histonas:

* H1 (também chamada H5)


Possuem cerca de 220 aminoácidos (PM = 23.000 dáltons) e apresenta o menor grau
de conservação durante a evolução. Elas mostram variações entre as diferentes espécies e,
mesmo, entre diferentes tecidos de uma mesma espécie. Em alguns tecidos, a H1 é
substituída por histonas especiais. Por exemplo, em eritrócitos nucleados de aves, a histona
H5 é encontrada em substituição à histona H1.
A histona H1 é necessária para que os complexos histona-DNA (a H1 liga-se
externamente ao centro do nucleossomo e ao DNA de ligação, constituindo o nucleossomo)
formem uma fibra de 30 nm de espessura, enrolando assim o DNA de uma forma ainda
mais eficaz.
* H2A, H2B, H3 e H4
As histonas H2a, H2B, H3 e H4 são moléculas menores, com 102 a 135
aminoácidos. A seqüência de aminoácidos dessas histonas se conservou de modo
excepcional durante a evolução. As histonas H3 e H4 apresentam seqüências idênticas em
organismos tão distintos quanto a ervilha e o boi, sugerindo que elas desempenham funções
idênticas em todos os eucariontes. Os tipos H2A e H2B possuem também seqüências
idênticas, com algumas variações espécie-específicas. Duas histonas de cada classe (H2A,
H2B, H3 e H4) agregam-se para formar um nucleossomo, juntamente com DNA, o
chamado octâmero.
O octâmero possui o aspecto de um cilindro de baixa altura, com cerca de 10 nm de
diâmetro. Acha-se envolto por uma pequena porção de DNA, que corre quase duas vezes
sua circunferência. Visto que cada volta equivale a 83 pares de nucleotídeos, e o segundo de
DNA associado ao nucleossomo contém, no total, 146 pares de nucleotídeos. Os
nucleossomos se encontram separados entre si por porções de DNA "espaçadores", de
comprimento variável, contendo 20 a 60 pares de nucleotídeos. A alternância de
nucleossomos em seguimentos espaçadores da à cromatina a aparência de um colar de
contas. Tendo em vista que, comumente, um gene contém cerca de 10 mil pares de
nucleotídeos, nele pode-se encontrar aproximadamente 50 nucleossomos separados por
outras porções de DNA espaçadores. Ressalta-se que o tratamento da cromatina com
enzimas que degradam o DNA (nucleases ou DNAases) provoca cortes apenas nos
segmentos espaçadores, de modo que os nucleossomos, mesmo desunidos entre si, ficam
íntegros, tanto seus octâmeros de histonas como as porções de DNA associadas a eles.
Para poder caber no pequeno espaço que o núcleo lhe oferece, a cromatina de cada
cromossomo deve sofrer novos e sucessivos graus de enrolamento, cada vez mais
profundos.
Em uma primeira fase, os próprios nucleossomos se enrolam sobre si e geram uma
estrutura helicoidal chamada de solenóide, de 30 nm de diâmetro. Cada volta do solenóide
contém cerca de seis nucleossomos. Suspeita-se que tanto estes como os futuros
enrolamentos dependem das histonas H1, que, além disso, estabilizariam as fibras de 30
nm. Devemos assinalar que, a intervalos quase regulares, o enrolamento que origina as
fibras de 30 nm se interrompe, de modo que se observam, entre setores de 30 nm, porções
curtas de cromatina mais delgada. Neles, o DNA se encontra associado a proteínas não-
histonas, em sua maioria reguladoras da atividade gênica.
No entanto acromatina cada vez mais se compacta. Assim, a fibra de 30 nm forma
laços ou alças de diferentes comprimentos, os quais emanam em um eixo constituído por
proteínas não-histona. O conjunto de eixos protéicos compõe várias armações ou
arcabouços, de modo que, em cada base de cada laço, as porções de cada DNA associadas a
cada um destes eixos levem o nome SAR (do inglês scaffold associated regions). Os
extremos dos laços se acham firmemente unidos aos eixos protéicos, porém não se sabe
ainda como as SAR se sujeitam a eles. Considera-se que cada laço possa constituir uma
unidade de replicação do DNA e, provavelmente, uma unidade de transcrição, isto é, um
gene.
Funções

Assciação entre DNA e Histonas

As histonas funcionam como a matriz na qual o DNA se enrola. Formam um


complexo juntamente com os grupos fosfatados do DNA carregados negativamente. Elas
são carregadas positivamente, sendo conhecidas por "proteínas básicas". As cargas
positivas são fornecidas por uma alta proporção de aminoácidos lisina e arginina. Têm um
papel importante na regulação dos genes. Ao compactarem o DNA, permitem que os
genomas eucarióticos de grandes dimensões caibam dentro do núcleo das células. Podem
sofrer modificações pós-translacionais. Estas modificações podem desempenhar um papel
importante na regulação dos genes, de maneira epigenética. A regulação ocorre na caixa
TATA.
Algumas histonas são denominadas "ricas em lisina" e outras "ricas em arginina".
Em geral, são encontradas somente nos organismos em que a diferenciação celular ocorre
(eucariotas).
A complexação das histonas além de causar um aumento do diâmetro do DNA, de
cerca de 20 a 30 ângstrons, muda também as propriedades físicas do DNA. A temperatura
de fusão (temperatura na qual os fios de DNA mudam da forma de hélice dupla regular para
a forma de fio simples) é bastante aumentada.

Estrutura
As histonas são ricas em lisina e arginina. São solúveis em água. Nas moléculas das
histonas, geralmente distinguem-se três regiões: uma região globular, devido ao
enovelamento da cadeia polipeptídica, localizada entre duas regiões filamentosas. Os
aminoácidos básicos encontram-se principalmente no segmento filamentoso N-terminal.
Seus aminoácidos estão sujeitos a modificações pós-translacionais, essencialmente N-
terminais, mas também nos domínios globulares. Exemplos de modificações deste tipo são:
metilação, acetilação, fosforilação e ribosilação.
Geralmente, os genes mais ativos têm menos histonas ligadas. Durante a interfase,
as histonas estão intimamente associadas a genes inativos.
A estrutura das histonas tem sido bem conservada em termos evolutivos.

História
As histonas foram descobertas em 1884 por Albrecht Kossel. A palavra "histona" é
datada do fim do século XIX e deriva da palavra alemão "Histon", de origem incerta: talvez
do grego histanai ou de histos. Até a década de 1990, as histonas eram vistas somente como
matriz para o enrolamento do material genéico (DNA). Só a partir dessa altura foi
descoberto o papel regulador das histonas.

Referências
ROBERTIS, De Jr. Biologia celular e molecular. 14.ª ed. Guanabara Koogan, 2003. 260-
263 p.

JUNQUEIRA & CARNEIRO. Biologia celular e molecular. 7.ª ed. Guanabara Koogan,
2000. 147-150 p.

Histonas. Disponível em http://www.tiosam.com/videos.asp?q=Histonas. Acessado em 06


de maio de 2008.

Histonas. Disponível em http://www.ufv.br/dbg/labgen/genmol.html. Acessado em 06 de


maio de 2008.

Histonas. Saber Web. Disponível em http://www.saberweb.com.br/genetica/histona.htm.


Acessado em 06 de maio de 2008.