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Indicar os motivos da explosão populacional do século XIX.

Entre 1800 e 1914 a população mundial duplicou devido:

Decréscimo da mortalidade;
Melhoria das condições de higiene (novos hábitos; novas normas de construção);
Melhoria da alimentação (fim das crises de abastecimento);
Progressos na medicina (vacinas; anestesia; prática da desinfecção);
Elevada taxa de natalidade até 1870.

O que teve como resultados também o aumento da esperança média de vida.

Justificar a expansão urbana.

No decurso do século XIX, o número de cidades aumenta pelos seguintes factores:

Explosão demográfica;
Transformações económicas e êxodo rural;
Imigração;
Ideias de promoção e modernidade.

Teve como consequências não só a redistribuição geográfica como a alteração da distribuição


da população activa: recuo do sector primário e o crescimento do secundário e terciário.

Caracterizar o novo urbanismo oitocentista.

O crescimento urbano trouxe, no entanto, alguns problemas, nomeadamente de circulação, de


falta de espaço e habitação, de higiene e saúde pública, assim como de desregramento social e
delinquência e de abastecimento. As dificuldades materiais e morais decorrentes do
urbanismo selvagem dos primeiros tempos levaram as autoridades municipais a repensar as
cidades. Um novo urbanismo iria crescer:

Ao Centro, vão sendo construídos edifícios emblemáticos do poder da burguesia; as zonas


verdes são cuidadosamente arranjadas, as ruas e os passeios pavimentados, uma nova
atenção será também dada à rede de esgotos e saneamento assim como aí vão rasgar grandes
praças e avenidas arborizadas. Este meio deixa de ter condições para albergar as vagas
sucessivas de pessoas que aí acorrem. Dá-se então a sua expulsão para os bairros adjacentes.

Em redor das cidades cativam-se os terrenos onde, no meio da maior desordem se vão
acumular fábricas e habitações. Surgem assim os subúrbios, moradas dos recém-chegados que
aí se distribuem segundo a sua origem.

Analisar os movimentos migratórios da sociedade oitocentista.


Grandes correntes migratórias atravessam o século XIX.

A nível das migrações internas, o fluxo era do campo para a cidade – êxodo rural e havia ainda
as migrações regionais/deslocações sazonais de trabalhadores, que teve como implicações a
diminuição, envelhecimento e estagnação do mundo rural.

A emigração também por si era um episódio vivo, nomeadamente por factores demográficos e
económicos, como na Europa do Sul e Oriente, pelo povoamento denso; Inglaterra pelo
desemprego tecnológico e Irlanda e Alemanha a fome de 1840 e as dificuldades económicas
ou por factores político-religiosos devido a movimentos revolucionários fracassados ou às
políticas coloniais de muitos estados europeus. Válvula de escape para múltiplas tensões
sociais, a emigração trouxe um novo equilíbrio de forças a nível mundial. A uma Europa
doravante envelhecida, contrapôs-se uma América dinâmica e empreendedora.

Evidenciar a unidade e a diversidade da nova sociedade de ordens.

As transformações politicas e económicas ocorridas na Europa ao longo do século XIX


acabaram por alterar profundamente as estruturas sociais do mundo ocidental, nascendo
então um novo tipo de sociedade: a sociedade de classes.

A ideologia liberal, ao proclamar a igualdade jurídica de todos os homens, ao abolir os antigos


estatutos jurídicos das ordens e ao acabar com os privilégios do nascimento, termina com o
predomínio social e político da aristocracia. Temos uma sociedade mais flexível e mais
dinâmica, onde as distinções entre homens radicam agora no seu poder económico, situação
profissional, grau de instrução e cultura; onde terão mais hipótese de ascender socialmente.
As diferenças existentes entre eles resultariam somente de diferenças naturais inatas.

São duas as classes sociais em que se divide a sociedade oitocentista: burguesia e proletariado.
No que respeita a burguesia, a diversidade de estatutos económico-profissionais e de padrões
socioculturais, e a constante mobilidade dos seus elementos, fazem dela um grupo
heterogéneo e com uma hierarquia complexa. Sendo o grupo dominante, impôs a sua
mentalidade e estilo de vida aos restantes estratos da sociedade.

Distinguir as classes burguesas quanto ao estatuto económico e aos valores e


comportamentos assumidos.

É possível analisar dois grandes grupos no seio da burguesia: a alta burguesia e a classe média.

A Alta, além de controlar pontos-chave da economia (bancos, transportes, indústrias), exerce


cargos políticos (desde deputado a ministro) e a nível de comportamentos, aos poucos, foram
definindo e impondo valores próprios: o enaltecimento do trabalho, do mérito, do estudo, da
competência e esforço pessoal; a iniciativa e a poupança; a moderação, prudência e ambição à
crença no valor da família moralmente conversadora, de conduta séria e honesta.

No que fala à classe média, era um patamar inferior composto por pequenos empresários;
possuidores de rendimentos; empregados comerciais; profissionais liberais; empregados de
escritório e funcionários públicos e professores. Classificamo-lo então como o grupo mais
heterogéneo, composto por milhões de indivíduos, por várias camadas sociais e profissionais.

Caracterizar a condição operária.

Com a Revolução Industrial nasceu a fábrica, e com a fábrica nasce o operário. A este apenas
pertence a força dos seus braços, que vende ao empresário a troco de um ordenado. Também
chamado de proletário, conheceu o inferno pelas duras condições em que viveu, desde:

Salário miserável, dependentes do jogo da oferta e da procura;


Condições de labor péssimas, em espaços degradados e impróprios;
Contratos de trabalho unilaterais: estipulavam as obrigações mas não os seus direitos.

A um trabalho esgotante, feito muitas vezes no limite da resistência, somavam ainda…

Valor elevado de rendas que levou à sublocação de espaços degradados no centro das
cidades – caves húmidas e sótãos abafados – arrendados a preços especulativos;
Alimentação insuficiente e desequilibrada (à base de pão, batata, água, ovo, salsicha);
As más condições de vida e trabalho reflectiam-se ainda na degradação das relações
familiares: violência conjugal/doméstica; dissolução do casamento; filhos ilegítimos.

Relacionar a condição operária com as doutrinas socialistas.

Os graves problemas sociais decorrentes da industrialização deram origem a muitas críticas.


Todos se afirmavam a favor de uma sociedade mais justa e igualitária. É neste contexto que
nas primeiras décadas do século XIX vão aparecer as primeiras propostas socialistas, que no
seu conjunto vão ficar conhecidas por socialismo: utópico e o marxismo.

O socialismo utópico era a doutrina que defende a supressão de qualquer diferença entre
todas as classes sociais, propunham a planificação da economia e a propriedade social dos
meios de produção. A verdade é que, muito idealista e pouco sistematizada, não teve grande
implantação, acabando esquecido e ultrapassado pelo socialismo científico, o marxismo. Este,
ao contrário do primeiro, assentava em sólidos princípios doutrinários e num minucioso
programa de acção com uma definição exaustiva dos objectivos e meios de luta.

Expor os princípios do marxismo.

Marx partia de uma análise da história da humanidade à qual aplicou três ideias:

A dialéctica de Hegel: processo pelo qual o pensamento se desenvolve segundo a


ritmo ternário – tese, antítese, síntese – aplicado à realidade histórica;
De toda a realidade exterior a mais importante era a económica, chamada de infra-
estrutura, condicionadora das relações de produção, sociais e até de políticas;
Nas relações sociais era frequente ver interesses antagónicos, entre os que
dominavam meios de produção e os que se submetiam, daí resultava a luta de classes.