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Universidade de Aveiro | Departamento de Comunicação e Artes

U.C.: Multiculturalismo na Educação


Docente: Rosa Madeira

Texto de Reflexão

Na sequência dos conteúdos abordados nesta unidade curricular, foi proposto um texto
de reflexão que me fizesse revisitar e enriquecer o que até aqui aprendi. Para tal, usei como
recurso as anotações das aulas, a entrevista a Zygmunt Bauman sobre os efeitos da modernidade
na sociedade, a leitura do artigo de Ruth Negreiros da Silva acerca do conceito de identidade de
Bauman e Stuart Hall, e o documentário de Miguel Januário "Europe: the land of humanity".
Sendo todas estas fontes, na minha opinião, muito interessantes e com muito conteúdo de
reflexão, seleccionarei apenas alguns temas que me marcaram.
O primeiro conceito marcante para mim, foi o de identidade. Gostei particularmente da
entrevista feita a Zygmunt Bauman acerca das alterações que este conceito tem vindo a sofrer
ao longo das épocas. Não muito distante da ideia de Bauman, Hall refere que o conceito de
identidade apresenta três principais concepções ao longo da História: no século XVIII a identidade
era algo imutável; no final do século XVII e inícios do século XIX, a essência da identidade do
indivíduo mantinha-se mas era influenciável pela sociedade em que estaria integrado; já o sujeito
pós moderno tem uma identidade instável, provisória, em que “muitos ‘eus’ convivem num único
ser”. Bauman refere que Sartre, no início do século XX, afirmava que se devia criar o ‘projeto da
vida’, que esse seria o nosso objetivo de cada dia, ano após ano. No entanto, nos dias de hoje, é
difícil sabermos o que acontecerá connosco no próximo ano e, por isso, é difícil para um indivíduo
hoje acreditar num ‘projeto da vida’. Achei muito interessante o facto de o conceito de identidade
sofrer estas alterações ao longo dos anos.
Outro conteúdo que me captou atenção foi a referência de Bauman a dois eventos que
são irreversíveis. O primeiro, é que o mundo se tornou interdependente. As conexões, relações,
interdependências ou comunicações multiplicaram-se por todo o mundo, e que pela primeira vez
na História, encontramo-nos num único lugar. “Estamos todos no mesmo barco”. Ora, associo a
este tema à situação em que vivemos na atualidade, que é a presença da pandemia da COVID-
19. Esta pandemia, de certa forma, conecta todo o mundo com o mesmo objetivo, que é a saúde
pública. Por essa razão, hoje estão todos a lutar pela saúde própria e do próximo, isolando-se da
sociedade, fazendo um esforço pelo bem comum. O segundo evento referenciado por Bauman é
o dilema ambiental. O ser humano decidiu gerir a natureza para que atendesse às necessidades
humanas e desta forma, teria controlo do que acontecesse no mundo. Todos os resultados do
sucesso da ciência e sociologia que esta ação nos trouxe, só nos fez chegar ao que agora sabemos
que é o limite da suportabilidade do planeta.
Por último, achei relevante o tema da vida como criação, uma vez que Bauman refere
que muitos filósofos consideravam a vida de Sócrates a mais relativamente perfeita possível que
se podia imaginar. E pergunta-nos se, por essa razão, devemos imitar o estilo de vida dele.
Bauman responde que não, que as pessoas que imitam a forma de vida de outra pessoa não serão
felizes. Achei este tema pertinente uma vez que me parece que é bastante evidente nas redes
sociais atualmente. Um indivíduo cria uma identidade que muitas vezes não corresponde à
realidade. Ou, muitas vezes, numa outra perspetiva, observando os estilos de vida “falsos” ou
não, de outras pessoas nas redes sociais, vendo nelas a existência de felicidade, tentamos imitar
essa forma de viver. No entanto, temos de ser nós a criar a nossa forma de viver no intuito de
sermos felizes.
Apesar de ter enriquecido e refletido sobre mais assuntos presentes nas fontes de
recurso a este texto, falo apenas de uma seleção, tentando cumprir a extensão devida deste
texto. Deixo ainda um agradecimento pela partilha de informação que também contribuiu para a
mutação da minha identidade.

Sofia Raquel Lopes Carneiro Pais (n.º mec.: 95097)

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