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HISTÓRIA DA ARQUITETURA: HISTORICISMO GÓTICO, ARTS & CRAFTS,

ART NOUVEAU
07/04/20

O que veremos hoje: movimentos surgidos no decorrer do século XIX e princípios do século XX
que recusam, criticam, abandonam os ideais do Classicismo refugiando-se no delírio, no sonho
que pode ser carcterizado em termos arquitetônicos pela ornamentação. O primeiro, o
Historicismo Gótico, também chamado de Neogótico, é uma crítica ao Classicismo e, mais
particularmente, a racionalidade que desembocou na Revolução Industrial. Teóricos como
Pugin, Ruskin ou Morris questionaram a indústria, o tratamento dado aos operários. O Arts &
Crafts, base de alguns movimentos modernos é ainda mais radical desejando cortar os laços
com a indústria, exaltando o trabaho artesanal. A Art Nouveau, por sua vez, apesar
sequestrada pelos burguesia, também foi revolta contra o historicismo ao pregar a liberdade
do arquiteto para crir.
HISTORICISMO GÓTICO
O movimento Românticoi ganhou um tom sério com a emergência do historicismo gótico
eclesiástico. Gradativamente, detalhes góticos foram inseridos em prédios, jardins e móveis.
Na Inglaterra, Nicholas Hawksmoor colocou campanários góticos em Westminster (1723) e
James Gibbs uma flecha gótica na fachada de Saint Martin in the Field.
De acordo com Leonardo Benévolo o êxito do movimento neogótico na arquitetura se deu em
1830 junto com o início das reformas sociais e urbanísticas ocorridas na Inglaterra e na França5
. Nesta época em Paris, o plano Haussmann elaborado pelo Barão Georges Eugène Haussmann
(1809-1891) reestruturou toda a cidade, que por consequência da industrialização encontrava
muito cheia de pessoas e doenças. Diversas cidades tiveram sua urbanização inspirada pelo
plano parisiense, como Bruxelas e Florença na Europa, Cidade do México, São Paulo e Rio de
Janeiro na América. O teórico inglês Augustus Welby Nothmore Pugin (1812-1852) a partir de
1831 publicou diversos volumes sobre o gótico e projetou a Casa do Parlamento em Londres.
Posteriormente, outro teórico inglês, John Ruskin escreveu The Seven Lamps of Architecture
(1849) e The Stones of Venice (1853) onde defendeu que a arquitetura contemporânea
deveria possuir um ideal revivalista.
Pugin (1812-1852) criou os seguintes princípios para orientação do movimento neogótico : 1) A
decoração como simples enriquecimento da estrutura essencial; 2) A adequação das
construções às características dos materiais empregados; 3) A correspondência entre interior e
exterior; 4) A exclusão de qualquer elemento que não seja necessário à comodidade, à
estrutura e à conveniência; 5) A capacidade de exprimir claramente o fim ao qual cada edifício
é destinado. Na classificação de Pugin percebe-se que a estrutura da construção foi primordial
para esses teóricos, sendo a decoração secundária...
Na França, o arquiteto Viollet-le-Duc ii escreveu um dicionário sobre a arquitetura francesa e
aplicou seus conhecimentos à restauração de construções góticas como Saint Chapelle e Notre
Dame de Paris. Seus estudos foram referência para diversos outros arquitetos, principalmente
quando inseriu o ferro nas construções de pedra, precedendo o Art Nouveau. “A construção
gótica, não é de fato como a construção antiga, monobloco, absoluta nos seus meios; ela é
dúctil, livre e questionadora como o espírito moderno”.
Um prodigioso criador de móveis, tecidos, vestimentas, adereços eclesiásticos, cerâmicas e
vitrais, Pugin também foi um autor combativo, cujos livros teriam um importante efeito não
apenas sobre a arquitetura da revivescência gótica, mas também sobre o Movimento Artes e
Ofícios no fim do século XIX, e no pensamento de fundo do movimento modernista do século
XX. Ele acreditava que o edifício não devia ter nenhuma característica que não fosse necessária
a conveniência, a construção ou ao decoro, e que o ornamento devia limitar-se a estrutura
essencial do edifício. Era contra todas as formas de imitação e zombava do que via como
arquitetura vistosa, inconsistente, extraída de estilos históricos típicos de contos de fadas.
ARTS & CRAFTS
O rápido ritmo da industrialização na Inglaterra do século XIX criou uma nova ordem social
baseada em investimentos em empreendimentos mecânicos e comerciais. Produtos feitos em
fábricas, do sabão ao aço, eram distribuídos amplamente e elevaram em geral, o padrão da
vida material. Porém, nem tudo deu certo. Cidades industriais, por exemplo, cercadas por
longos casarios degradantes para os trabalhadores, cresciam no centro da Inglaterra, onde a
energia hidráulica e o o carvão mineral estavam amplamente disponíveis. Muitos ficaram
preocupados com o declínio do padrão artístico dos produtos manufaturados, uma vez que
projetistas com educação formal não participavam da criação de tais itens no processo de
produção industrial.
JOHN RUSKIN
Duas questões e impuseram para muitos intelectuais ligados as artes e arquitetura - os valores
sociais e a qualidade artística dos produtos manufaturados - deram origem ao movimento
artes e ofícios (Arts & Crafts), que floresceu entre 1850 e 1900 na Grã-Bretanha. John Ruskin
(1819-1900), prolífico crítico de arte e da sociedade, pode ser considerado o pai dos ideais do
Movimento Artes e Ofícios. A seu ver, a revolução industrial era um erro lamentável que
exercia uma influência corruptível na sociedade. Ruskin evitava o progresso tecnológico
sempre que possível, insistindo, por exemplo, em usar carruagens em vez de viajar de trem e
defendendo com o vigor o retorno ao trabalho artesanal, no qual a obra refletia a forma da
ferramenta e a presença da mão do trabalhador. Como Pugin antes dele, Ruskin associava
altos valores morais há certos estilos históricos nos quais acreditava estarem a verdade e a
beleza da construção. Ele desprezava profundamente aqueles que sonhavam em ensinar
projeto industrial aos alunos.
WILLIAM MORRIS e o Movimento ARTS & CRAFTS
Os discursos e escritos de Ruskin influenciaram significativamente uma nova geração de
homens sensíveis, que colocaram seus ideais em prática. Na Inglaterra, o líder desse grupo
ativista foi William Morris (1834-1896), um aluno de religião de Oxford que abandonou a
teologia e passou a estudar arquitetura e pintura depois de entrar em contato com os
ensinamentos de Ruskin. Após se casar, Morris não encontrou nenhuma casa que alcançasse
seus padrões de projeto; por isso, pediu que seu amigo, o arquiteto Philip Web (1831-1915),
projeta-se aquela que ficou conhecida como a Casa Vermelha de Bexleyheath, edificação de
tijolos vermelhos que resgatava o vernacular doméstico medieval. A abordagem direta da
estrutura e o uso sincero dos materiais surpreendiam os visitantes contemporâneos, que
também ficavam impressionados com a utilização dos detalhes decorativos no interior.

Encorajado por Ruskin e Morris, os arquitetos do Movimento Artes e Ofícios abominavam a


era da máquina e detestavam o uso de estruturas de aço e concreto armado que haviam se
interposto em sua visão “medieval”. Queriam casas inglesas (igrejas, prefeituras e pubs)
construídas por honestos artesãos ingleses, descendentes dos construtores de catedrais. Tudo
precisava ser feito a mão. Apenas materiais locais poderiam ser usados. As formas de
construção deviam ser honestamente expressas. O estilo gótico era o preferido do Arts &
Crafts e detalhes como acabamentos ogivais sobre as janelas mostram isso. Eles acreditavam
que o Gótico era uma volta aos bons tempos, quando a arte dos artesãos era mais valorizada e
não a "austeridade" da indústria. Além disso, o “revival” remetia à cultura inglesa, bem
diferente do classicimos greco-romano.
No geral, são características do Arts and Crafts na Arquitetura:
1) planta aberta e simples; 2) uso de materiais naturais; 3) uso de cores das primárias às
médias (vermelho, azul, amarelo, verde oliva, beringela...); 4) criação de armários embutidos e
móveis feitos à mão; 5) muitas cerâmicas; 6) artesanatos locais na decoração, como
tapeçarias.
Era um novo estilo para um novo cliente - patronos de classe média mergulhados na poesia e
nas pinturas dos pré-rafaelitas. Para eles, as casas no estilo Artes e Ofícios ofereciam uma fuga
a dura realidade bem Inglaterra industrial pontos não havia nenhum estilo fixo pontos
Além do mundo refinado da casa de campo inglês, o Movimento afetaria o projeto da casa
comum ou suburbana do século XX, dos conjuntos residenciais dos governos locais e de casas
grandiosas e humildes em toda a extenção do Império Britânico e em partes da Europa
Central, especialmente Viena (Secessão) tinha vínculos estreitos os praticantes do Artes e
Ofícios.
ART NOUVEAU
Um novo estilo, extremamente decorativo, surgiu durante a era conhecida como “La Belle
Époque” (1880-1905), aproximadamente). Inspirado em várias fontes, incluindo o Barroco
Tardio e o Rococó, o Historicismo Gótico, o Movimento Artes e Ofícios, o Historicismo Celta e
as artes do Japão e da China, Foi um estilo muito praticado, que recebeu nomes diferentes em
países distintos. Era conhecido como Art Nouveau na França, na Inglaterra e nos Países Baixos;
“Stile Liberty” ou “Stile Florale” na Italia; e “Jugendstil” na Alemanha. Independentemente do
nome, ele abandonava os múltiplos estilos vitorianos retrógrados e tentava produzir algo
realmente novo. As sinuosas linhas presentes em obras do Barroco tardio e do Rococó se
transformaram em composições orgânicas vagamente inspiradas informa de vegetais e
animais. Na verdade, é possível fazer um paralelo com arte Celta ou estilo animal no início da
Idade Média, embora as curvas da Arte Nouveau tenham a liberdade de mudar de largura e
direção, o que ultrapassava a prática medieval.
O Art Nouveau foi menos um estilo e mais um movimento Internacional. Ele expressava a
diversidade e a ambiguidade das complexas investigações sócio políticas que tomavam lugar
em arquitetura e urbanismo. Curvas sinuosas, linhas orgânicas são suas características mais
familiares; as formas Art Nouveau, contudo, são muito mais variadas e complexas. Emergindo
a partir dos movimentos de reforma no projeto em meados do século XIX - especialmente
Artes & Crafts e esteticismo no Reino Unido - o Art Nouveau surgiu numa época de crescente
Internacionalização nas artes, em grande parte pela disseminação de periódicos e por
exposições internacionais na Europa e nos Estados Unidos.
No entanto, se olharmos além da superfície floridas das obras da Art Nouveau, veremos forças
mais substanciais presentes. Por um lado, arquitetura da Arte Nouveau manifestava, por meio
da esbelta construção de ferro , o tipo de estrutura independente direta e expressiva
defendida pelo racionalista Viollet-le-Duc. Por outro, a momentos - nos interiores do estilo art
Nouveau – em que o espaço propriamente dito parece fluir e a amplidão se torna dominante;
essas características foram precursoras de experimentos espaciais mais radicais de arquitetos
do início do século XX, como Adolfo Loos.
VICTOR HORTA E HECTOR GUIMARD
VICTOR HORTA - Os arquitetos do movimento transformaram a necessidade estrutural em
uma linguagem de curvas com derivação orgânica ponto o primeiro inovador foi Victor Horta,
arquiteto belga que projetou a casa Tassel, em Bruxelas, construída em 1892-93. Horta
incorporava desenhos com formas vegetais ondulantes nos tratamentos superficiais de pisos,
paredes e tetos e também nos elementos estruturais, como escadas, balaustradas e gradis dos
balcões.
Na Maison du Peuple (1896-99), posterior, ele explorou a relação estrutural com formas
vegetais, especialmente no auditório do pavimento superior, onde tesouras de telhado de
ferro ondulantes se fundiam com suportes verticais assim como os galhos que brotam do
tronco de uma árvore. Até o balcão foi esculpido em forma curvilínea, com os delicados
suportes se encerrando como gradis protetores. A expressiva linearidade da construção de
ferro foi muito bem manipulada no primeiro edifício belga com fachada de ferro e vidro;
porém, sua planta baixa era bastante tradicional, com eixo central e eixo transversal no
pavimento térreo.
HECTOR GUIMARD (1867-1942) É o arquiteto francês mais conhecido pelos projetos neste
estilo. Suas obras mais famosas foram feitas entre 1899 e 1904 na entrada do Metropolitan, ou
métro, o sistema de metrô de Paris. São marquises sobre as escadas que descem do passeio e,
para elas, Guimard concebeu vários projetos que utilizavam redemoinhos e curvas de ferro
batido, alguns deles sustentando coberturas de vidro. A unidade desses pequenos projetos é
impressionante, pois todos os elementos foram habilmente integrados as formas vegetais. Os
postes para luminárias são finalizados por lâmpadas elétricas com a forma de um botão de
flor, enquanto padronagens inspirados em folhas são usados para preencher os gradis. Os
outros projetos de arquitetura de Guimard refletem sua habilidade em mesclar o decorativo e
o funcional, como fica evidente no Castelo Bèranger (1894-98), edifício de apartamentos
localizado em Paris, no qual há um equilíbrio entre o medievalismo latente e a decoração
assimétrica livre de ferro e cerâmica, formando um todo unificado.
ANTONIO GAUDI (1852-1926)
Na Espanha, a Art Nouveau chegou a sua expressão mais idiossincrática na obra de Antônio
Gaudí, catalão influenciado pelos escritos de Ruskin que começou como historicista gótico. Em
função de seu interesse pelos estilos medievais, foi chamado, em 1884, para coordenar a
construção da Sagrada Família em Barcelona, igreja iniciada dois anos antes por outro
historicista gótico e ainda hoje inacabada. Durante as obras da Sagrada Família e da Capela de
Colónia GÜell, onde pendurou os sacos de areia em cordas e os cobriu com lonas para
determinar as seções ideais das abóbadas, Gaudí se afastou gradualmente do historicismo
gótico para adotar um estilo extremamente pessoal que usou em edifícios de apartamentos,
casas e projetos de paisagismo, além de edificações eclesiásticas. Embora suas formas
curvilíneas tridimensionais, a decoração floral e os planos plásticos e ondulantes se aproximem
mais da Arte Nouveau do que qualquer outro movimento estilístico, a obra de Gaudí, em
última análise, resiste a categorização. A Sagrada Família, por exemplo, conserva sugestões
estruturais góticas, mas possui uma forte presença escultórica, cheia de torres, enriquecida
com detalhes incrivelmente elegantes que, evidentemente, não são góticas. A fachada da
Natividade é um conjunto de elementos erodidos que se fundem, com quatro grandes flechas
se destacando.
O projeto de Gaudí para a Casa Milá (1905-07), um grande edifício de apartamentos em
Barcelona, possui uma plasticidade ondulante na fachada e uma planta baixa curvilínea que se
tornam possíveis em função das expressivas paredes externas portantes. Não há paredes
estruturais no interior, o que deu ao projetista a liberdade necessária para esculpir espaços
individuais não ortogonais, todos diferentes entre si.
Os projetos criados para o Parque Güell (1900-14), loteamento situado na paisagem
acidentada a oeste de Barcelona, permitiram uma ampla fusão de formas naturalistas nas
passarelas, nas escadas e nos acentos. As abóbadas se apoiam em ângulos oblíquos e uma
passarela em forma de gruta; a escada corre como lava; e os bancos, adaptando-se às curvas
irregulares de uma pessoa sentada, serpenteiam ao longo da borda da praça no pavimento
superior. Os acabamentos e detalhes com azulejos cerâmicos contribui com superfícies
duráveis e um toque adequado de fantasia. O parque informal, amorfo e tortuoso apresenta
um projeto total e muito original.

CHARLES RENNIE MACKINTOSH (1868-1928)


As interpretações extremamente individualistas da Art Nouveau feitas por Gaudí encontraram
um paralelo escocês na obra de Mackintosh, projetista talentoso cuja carreira como arquiteto
foi curta. Mackintosh e um pequeno grupo de amigos trabalhavam principalmente em
Glasgow, na Escócia, onde desenvolveram um estilo único que está relacionado à Art Nouveau
no uso de curvas derivadas das formas naturais. Outras influências também são percebidas na
sua obra, incluindo as formas volumosas da arquitetura dos senhores feudais escoceses e a
delicada decoração entrelaçada da arte Celta. Sua arquitetura tende a apresentar volumes
bem marcados habilmente compostos, com interiores iluminados e espaços acentuados por
sutis curvas atenuadas ou padrões lineares geralmente simétricos. Como os arquitetos da Arte
Nouveau, Mackintosh dedica muita atenção aos móveis, luminárias e detalhes, como as
ferragens de janela.
A SEZESSION DE VIENA
Na região do Império Austro-Húngaro, o Art Nouveau foi expresso de uma maneira mais
revolucionária, sob a bandeira da Secessão. Para Viena, isso significava um rompimento com
sistemas acadêmicos conservadores para estabelecer uma abordagem para a produção criativa
inteiramente inspirada na Arts & Crafts, particularmente a abordagem promovida pela Escola
de Artes de Glasgow na Escócia. Artistas, arquitetos projetistas, entre os quais Josef Hoffmann
(1870-1956), Joseph Maria Olbrich (1867-1908) estabeleceram a Secessão de Viena em
3/04/1897.
Olbrich se tornou o principal arquiteto da Secessão de Viena, influenciado em parte pela obra
de Mackintosh. Como Mackintosh, Olbrich encontrou uma base essencialmente ortogonal
para suas formas de arquitetura, ornamentando-as com a vegetação controlada da Art
Nouveau. Se comparadas com as obras franceses ou belgas, os projetos de Olbrich parecem
demasiadamente pesados em simétricos agora chega
O membro mais antigo do grupo, mas não seu fundador, era Otto Wagner (1841-1918),
arquiteto neoclássico que foi promovido ao posto de professor de arquitetura na Academia de
Belas Artes de Viena em 1894. Após seu ingresso na vida acadêmica, Wagner parece ter
mudado de filosofia, afastando-se da arquitetura arqueologicamente correta e se
aproximando de uma expressão moderna e mais racional, adequada às exigências de sua
época.
Os projetos mais notáveis de Wagner foram as 36 estações para o sistema de metrô de Viena.
Embora menos exuberante do que é a obra de Guimard para o metrô de Paris, os projetos de
Wagner utilizam os ornamentos estilizados característicos em ferro fundido e batido.

REFERÊNCIAS
BENEVOLO, Leonardo. História da arquitetura moderna. São Paulo: Ed. Perspectiva, 2009.
FAZIO, Michael; MOFFETT, Marian; WODEHOUSE, Lawrente. A história da arquitetura
mundial. 3ed. Porto Alegre: AMGH, 2011.
GLANCEY, Jonathan. A história da arquitetura. São Paulo: Ed. Loyola, 2001.
TUDO SOBRE ARQUITETURA. São Paulo, Sextante: 2014.
i
Romantismo na Arquitetura - foi um movimento artístico, político e filosófico que surgiu no século XVIII
influenciando artistas e escritores ao privilegiar as emoções, valores pessoais, subjetividade e
vulnerabilidade em seus trabalhos.
O movimento foi forte na Literatura e nas Artes, mas também mudou a arquitetura na época. O Romantismo
Arquitetônico nasceu na Inglaterra e teve destaque entre os séculos XVIII e XIX, surgindo como oposição
à arquitetura neoclássica. O estilo é marcado pelo resgate da arquitetura medieval, do Oriente, e o
predomínio de temas exóticos ou pitorescos, isto é, aspectos excêntricos, inusitados e que fugiam da
simetria exaltada na arquitetura neoclássica.
Características: Rejeição das regras da arquitetura neoclássica (ordem, proporção, simetria, harmonia);
Irregularidade espacial e volumétrica; Sentido orgânico das formas; Elementos pitorescos na decoração; Uso
de cores
ii
Em meio a um ambiente familiar frequentado por intelectuais, arquitetos, pintores e historiadores, Eugène
Emmanuel Viollet-le-Duc (1814-1879) construiu sua formação profissional nas áreas da Arquitetura e do Desenho,
onde seus estudos minuciosos e sua grande experiência em canteiros de obra lhe proporcionaram o domínio sobre as
técnicas construtivas, os estilos arquitetônicos, e, principalmente, sobre a arquitetura da Idade Média.
E num contexto de atividades intensas que sua produção intelectual foi consolidando sua linha de ação e suas teorias
sobre a restauração, confirmando, mais tarde, o que hoje conhecemos como “restauração estilística”, ou seja, um
processo que, baseado na unidade formal e estilística das edificações buscava criar um modelo idealizado na “pureza”
de seu estilo.
O pensamento leduciano acreditava que todas as partes retiradas de um monumento, deveriam ser substituídas por
equivalentes de melhor material e por meios mais eficazes. Afirmava que era de bom senso do arquiteto substituir as
tesouras de madeira de uma cobertura, já degradada e infestada por insetos, por uma em ferro de igual desenho e
proporção. Em um caso como este, ou na obrigação de instalar um novo equipamento não previsto no uso original,
deveria se fazê-lo não tentando dissimular esse novo elemento, mas sim, utilizar a sua inserção como ênfase à nova
fase do projeto.
Defendia a ideia de reutilização funcional das edificações, lhes atribuindo utilizações concretas enquanto arquiteturas,
com o objetivo de torná-las úteis à sociedade. De certa forma, Viollet-le-Duc estabeleceu um novo entendimento de
restauração que reflete, ainda hoje, nos pensamentos contemporâneos.
Sua atitude mais polêmica e duvidosa era quando se colocava no lugar do construtor original da edificação supondo o
que o mesmo faria em caso de se defrontar com os problemas de restauração. De certa maneira, Viollet-le-Duc
conduziu suas ações a luz da realidade construtiva Gótica entendendo como lícitas às modificações que propunha,
pois esse tipo de intervenção não era contrária a própria historicidade do monumento. A aplicação desse método o
levou, muitas vezes, ao campo da hipótese e da imaginação.
Desta forma, Viollet-le-Duc, muitas vezes, deixou seu excelente conhecimento sobre a arquitetura criar cenários
completamente irreais, modificando as edificações no estado em que as encontrava, e, especialmente, no caso das
ruínas de Pierrefonds, para algo que poderia nunca ter existido, nem mesmo nas ideias do construtor original.