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fonte. https://mesalivro.wordpress.com/livro-mesa/

LINHA: PROCESSOS ARTÍSTICOS CONTEMPORÂNEOS

JERUSA DA COSTA

Sobre a Produção da peça Livro Mesa

Ensaio visual desenvolvido com o intuito de tratar sobre o


tema espaço de relações que partiu de pesquisa de campo,
produção textual e imagética como complementares; visando não
uma criação ilustrativa de fatos, mas abrir campos para apresentar
a imagem como conteúdo complementar sem antes ter sido citado e
o próprio texto como imagem. A metodologia foi sendo formatada
durante o processo de trabalho e resultou em uma peça que é
caracterizada por uma sensação de colagem física, pela
transparência do material utilizado que permite a criação de
imagens que se modificam a cada troca de página.

Introdução

A peça Livro Mesa tem como conteúdo base: Um Breve Conto – Catálogo Sol, Ar,
conteúdos que se referem à produção do conto e das imagens, respectivamente.
Um Breve Conto é um conto que se passa dentro de um museu, e uma poesia concreta
que encerra a história. Faz parte do conteúdo teórico entrevistas cedidas por diretores de museus
da cidade (Curitiba), assim como o embasamento filosófico e demais referências necessárias
para a produção da peça. O tema é o espaço de relações, A metodologia desenvolvida ganhou
forma com o desenrolar da pesquisa, tomando por base um fato, que deu origem ao conto, ou
seja, partiu de dados coletados na época do ocorrido (fotos e autorização) que deram parâmetros
para a criação dos depoimentos fictícios, subsequente veio a necessidade de relacionar minha
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poética com o espaço da arte em que me insiro, assim, elaborei as pesquisas com os diretores
dos museus.
No conto, as personagens são independentes em suas falas, que se dão fragmentadas no
texto, porém seguem uma linearidade de fatos, o que é oportuno para instigar o posicionamento
pessoal dos leitores, visto que não há uma narrativa guiada por uma única personagem, e sim
uma sequencia de depoimentos fragmentados.
Desta forma tento ativar questionamentos sobre as imposições subjetivas que regem os
espaços públicos. É esta interelação entre espaços (físico x subjetivo) que é meu tema.
A atitude de não manifestação pode em vez de ser um fator de fortalecimento da
subjetividade imposta em determinado espaço físico. E até prosperar práticas que os sujeitos
não estejam em comum acordo ou não concordam em prorrogar. Mas em vezes, a não atitude
pode ser considerada um fator de estabilização de práticas que caracterizam o espaço.
A necessidade de ampliar o entendimento sobre a funcionalidade dos museus, levou-me a
entrevistar diretores de diferentes museus públicos da cidade, o que demonstrou, os diferentes
posicionamentos frente à administração dos espaços destinados a exposições culturais na cidade.
O mundo objetivo, tátil, palpável, este que habitamos, e, por habitar, formamos redes de
relações, indissociáveis de nossa sobrevivência foi o local de colheita de informação para o
desenvolvimento do conto, pois: “Olhar para um episodio a princípio insignificante pode ser
revelador se encarado como conhecimento indiciário”(GINZBOURG, 1989.)
Os modelos de estado e sociedade que nos influenciam desde a infância, moldam nossos
costumes, caracterizam a cultura e o comportamento que será visto historicamente como de
época. Os círculos da religiosidade, família e instituições de ensino são sinônimos de
caracterização social de um território, seja por características de miscigenação ou segregação.
Focando apenas no que consiste ao ensino da arte, que influencia diretamente a produção
cultural e que é indissociável do consumo de entretenimento cito Thierry de Duve (2012,p.65)
que trás a questão da organização das áreas de ensino das artes plásticas:
“Ao organizar o ensino por meios o desenho é a linha, a pintura a superfície, a escultura é
o volume, a fotografia é o índice, o cinema é o movimento, e o que mais? – passamos
inevitavelmente a fetichizar os meios em sua autonomia.”
Do espaço subjetivo-interativo faz parte o campo das comunicações no qual o sujeito cria
suas redes de relações com os espaços, coisas e sujeitos.
Evidenciar que a arte se sobrepõem a querelas institucionais ao tratar do tema espaço de
relações, através do próprio espaço que a valida, neste caso um museu, é a proposta. A
utilização de prédios públicos para produções publicitárias podem ser bem vindas, se pegarmos
como exemplo a Fundação Cartier, apesar de se tratar de órgão pertencente a entidade privada a
formação de atrativos para o público pode ser de grande valia se aplicado em favor do erário,
pois a estratégia dos empreendedores nos mostram benefícios para a instituição ao vincular o
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negócio ao movimento cultural, Allain Dominique Perrin, presidente da Cartier é também o


criador da Fundação Cartier, e liga o nome da instituição à arte contemporânea, criando assim
um valor simbólico vinculado a cultura contemporânea de reconhecimento entre seus clientes. A
prática de marketing cultural desenvolvida por empresas pode ser usufruída pela instituição
(museus) de maneira positiva, de modo a agregar mais público aos espaços, cedendo a imagem
em prol de lucros financeiros e contribuindo para uma intensificação da percepção da população
de que as artes pertencem aos seus costumes cotidianos.
Porém o ponto que mais interessa aqui é mostrar que o zelo pelas exposições é
indispensável para que o público desfrute do espaço que os artistas merecidamente ocupam,
pois, apenas depois de cumprirem os requisitos e etapas exigidos por editais é que eles tem a
possibilidade de ocupar tais espaços.
Se transportarmos pensamentos de artistas da décadas de 70 e 60 (Meireles e Beuys,
2010) respectivamente; “a estética fundamenta a arte e a arte fundamenta a cultura”, e a cultura
“atualmente está dissociada da sociedade, estando ela apenas relacionada a lei, ao dinheiro, ao
status de cada indivíduo”, este trabalho está em acordo com o que hoje pode-se considerar como
arte?
Na década de 60 Joseph Beuys (2010) registrou:
“Atualmente a cultura não tem nenhuma relação com a sociedade, e esta separação leva-
nos a uma conclusão perigosa: que a cultura está estritamente ligada à lei, à produção ao
dinheiro, ao produto nacional, ao status de cada indivíduo dentro da sociedade.”
E em 1970, Cildo Meireles:
“O deslocamento da produção artística do campo estritamente específico de suas
linguagens para o ambiente ampliado das relações culturais já foi enunciado como sendo uma
passagem da arte do campo estético para o político, uma vez que o que se faz hoje tende a estar
mais próximo da cultura do que da arte. Porque se a estética fundamenta a arte, é a política que
fundamenta a cultura.”
Se a estética fundamenta a arte, e a política a cultura, e; a cultura atualmente está
associada ao entretenimento da sociedade; sendo este relacionado ao status de cada indivíduo,
posso considerar que o conteúdo deste conto está pertinente com a produção em arte
contemporânea, visto que dedica-se ao espaço de relações?
Impossível falar em espaço de relações sem levar em consideração os posicionamentos
políticos, em sentido de posicionamentos sociais vinculados pelas redes de discursos que
mantém o status de cada indivíduo dentro das tramas sociais, pois, conforme Aristóteles (2001
p. 56): o homem por natureza; é um animal político (isto é, destinado a viver em sociedade)”, e
desta forma destinado ao desfrute do entretenimento público que é também função dos museus
na atualidade; a cultura de uma população pode ser mensurável pelo fluxo de pessoas que
frequentam este tipo de espaço? Como não ficar satisfeito em ver filas como aconteceram no
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Museu Oscar Niemayer em Curitiba em 2014 para ver exposições como a Magia de Escher e
Frida Kahlo – As suas fotografias ?
Pergunto-me como devem existir as instituições de artes nas sociedades de modelo
capitalista como a nossa? ‘Ser’ algo nesta sociedade significa no mínimo custos, estas
instituições devem viver de quais fins? Doações? Exclusivamente investimentos
governamentais? Fazer uso da economia a seu favor para a vitalidade das instituições pode
refletir numa maior autonomia para reger as linhas de pensamentos que as guiarão, refiro-me
apenas ao que acredito ser benfeitorias de conceber em qual tipo de economia está inserida, e
trabalhá-la não como contaminadora da arte, mas como parte da estrutura em que se inserem
objetivamente atores da área.
O conteúdo base também é composto por imagens, algumas desenvolvidas por mim,
outras apropriadas e modificadas, e se mesclam ao conto, não como ilustrações, mas como
conteúdos em si.

Sobre a Reedição da Revista Klaxon e a estrutura Livro-Mesa

A Revista Klaxon foi um mensário de artes bilíngue lançado após a Semana de Arte
Moderna de 1922 que teve representação internacional. No livreto que completa a reedição da
coletânea de revistas Daniel Rangel (2013, P.11) escreve, citando Chico Homem Melo & Eliane
Ramos organizadores do livro Linha do tempo do design no Brasil:
"a revista Klaxon manteve esse espírito de ruptura e de busca por uma linguagem gráfica
própria e tornou-se um clássico do design brasileiro: 'Confirmando a falta de unidade
subentendida na declaração inicial, as obras clássicas vinculadas ao grupo modernista são antes
um exercício de liberdade - são experimentações, mais do que uma tábua de valores visuais.
Dentre elas, os principais ícones são o catálogo de Di Cavalcanti, juntamente com a memorável
solução tipográfica da revista Klaxon’." Sem se preocupar em ser compreendida, mas em
construir, esclarecer, refletir..., Klaxon trás em sua primeira edição alguns 'parâmetros de sua
estética' como:
"Klaxon não se preocupará de ser novo, mas de ser actual... Klaxon sabe que a
humanidade existe. Por isso é internacionalista... klaxon é Klaxista...."
"Klakson cogita principalmente de arte, mas quer representar a época de 20 em diante.
Por isso é polymorpho, omnipresente, inquieto, cômico, irritante, contraditório, invejado,
insultado, feliz..."
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"Ha perto de 130 anos que a humanidade está fazendo manha. A revolta é justíssima.
Queremos construir a alegria... era do riso e da sinceridade..." (Revista Klaxon N1, 15 de maio
de 1922, p. 1, 2 e 3. Nota da Redação)
A nota da redação publicada na ocasião do lançamento da revista há 9 décadas tem o
frescor dos desejos da atualidade.
A reedição atual Klaxon Em Revista Fac-Similar foi lançada como coleção com as nove
edições originais, compostas em todas as edições com anexo Extra-texto (folha avulsa com
obras de artes visuais), um livreto organizado por Daniel Rangel e a edição Revista Klaxon N10
Extra-Texto.
O conteúdo Um Breve Conto, da peça Livro Mesa, assim como a edição Extra-texto, foi
elaborado com base em depoimentos inverídicos. Marilá Dardod e Fabio Morais, criaram um
texto como modelo de base para o desenvolvimento da Revista Klaxon N10, que não existia.
A Revista Klaxon N10 Extra-texto, segue uma estrutura de construção, que não prima
nem imagem nem texto, mas apresenta ambos como correntes para leitura visual, A primeira
página é composta por sobreposições de cada edição, e, assim sucede em todas as páginas. Há
uma observação a ser feita sobre a contra capa, na qual há carimbado (legível) a frase:
“Na Klaxon Extra-texto, as artes plásticas não se deixam subjulgar pelos escritores, ao
contrário, devora-os: mastigam seu palavrório, regurgitam e cospem de volta à página. Extra-
texto é isso.”(Revista Klaxon Extra-texto, contra capa)
Sem nenhuma imagem da edição original que foi espalhada por São Paulo em 9 de
fevereiro de 1923, os responsáveis pela atual edição da Revista Klaxon N10 utilizam colagem
gráfica para a produção desta impressão. A ‘Lenda XXX ou Edição Clandestina XXX’, título do
texto criado pelos desenvolvedores, que deu origem a edição da Revista Klaxon N10 Extra-
texto, que apresenta como característica colagem imagética textual, foi composta por impressões
sobrepostas dos conteúdos teóricos que formam imagens embaralhadas. Permitindo a
identificação apenas de alguns elementos gramaticais.
Um Breve Conto tem associado no corpo do texto pesquisa de campo e dados ilusórios,
desenvolvido como trabalho prático para o campo acadêmico; transformei em problemática à
criação o próprio dever de cumprir formalmente a apresentação escrita, transformei-a em
problema em si. Livro Mesa, peça que contém Um Breve Conto – Catálogo Sol, Ar é o título da
peça física na qual utilizei linhas embaralhadas obtidas com a sobreposição de folhas
transparentes, que dificulta ou impossibilita a leitura quando aglomeradas. Assim, surgiu maior
interesse pela reedição da Klaxon, principalmente pela N10, pela semelhança no processo de
criação.
Seria possível dizer que trabalhei com um certo tipo de colagem. As laudas sobrepostas
compõem o corpo do trabalho de forma que cada linha escrita conversa com as linhas dos
planos anterior e posterior pertencentes a cada uma das folhas. A colagem se dá no espaço
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físico, quando não há possibilidade de decifração da escrita e o olhar identifica apenas a imagem
borrada formada pelo emaranhado de letras. É a sobreposição de frases que defini a imagem a
ser identificada pelo olhar. A imagem depende da página que está sendo observada, pois,
conforme as folhas são viradas as imagens rareiam, deixando mais leve, o que no início do
manuseio parece embaralhado e obscuro.
Como uma teoria, que aplicada de forma distorcida, gera um resultado que é a peça em si,
Argan (1992, p.12), em seu livro Do Iluminismo aos Movimentos Contemporâneos diz:
“Afirmando a autonomia da arte e assumindo total responsabilidade do seu agir, o
artista não se abstrai da responsabilidade histórica, declara explicitamente, pelo contrário, ser
e querer ser do seu tempo, e, muitas vezes aborda, como artista, temáticas e problemas atuais.”
Uma produção a este tempo, deve conter o vigor da atualidade em que se encontra. Em
Um Breve Conto, são as relações sociais que despertam a temática em questão. O espaço
subjetivo permeia a todos os instantes a realidade concreta, pois redes de relações manipulam
atitudes, constroem os espaços e estão, necessariamente vinculadas a um tempo x lugar.

Um Breve Conto - produção do Catálogo Sol,Ar

Relato de: Modelo fotográfico


Remuneração: projeto SOL,AR - sem vínculo institucional
Horário de trabalho: não definido previamente, sujeito às necessidades do produtor.
Chegamos bem cedo. Ainda estava sendo feito o descarregamento da coleção que
iríamos fotografar. Aí ocorreu um pequeno desentendimento entre os funcionários do lugar e
nós, pessoas autorizadas a usufruir daquele espaço no fim de semana. Acredita que eles não
queriam descarregar!? Apontaram para as várias pessoas da equipe de produção e disseram que
não estavam envolvidos com o acontecimento. Até que nosso produtor conseguiu convencê-los
a trabalhar. Afinal não fomos contratados para carregar caixas e sim para valorar as roupas nas
fotos. Somos modelos, não assistentes de serviços gerais.

Relato de: Produtor de fotografia


Remuneração: contrato por projeto (?) - sem vinculo institucional
Horário de trabalho: definiu que a equipe deveria estar disponível a partir das 8h,
sem horário para sair.
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Esta é uma produção bem específica, pois meu cliente chegou com uma ótima
proposta de produzir o catálogo SOL,AR para a nova coleção de inverno da loja. Foi
irrecusável, pois ofereceu-me um casarão antigo com paredes lindíssimas para cenário. Não sei
como ele viabilizou o espaço. Só sei que tratava-se de um espaço de um órgão público. Disse-
me para definir quem seriam os participantes para providenciar a autorização. Alguns nomes já
eram certos, porém a lista só ficou completa conforme a equipe foi chegando. Sempre há
substituições de última hora.
Mas, como bem se diz, órgão público é uma bagunça mesmo. Quando chegou a
coleção, não queriam permitir a entrada de um caminhão grande no pátio. Ficaram alegando que
era permitida apenas a entrada de caminhões de pequeno porte no local! Nada que um
telefonema não resolvesse.
E isso nem foi problema. Incômodo maior foi a recusa dos vigias e funcionários de
serviços gerais a efetuarem a remoção dos baús e araras do caminhão para o piso superior.
Ficaram alegando que não foram contratados para esse fim. Dentre eles havia um
que era de outro prédio. Só estava temporário ali. O outro chegou falando que nem tinha
permissão para sair do seu posto do outro lado para ajudar...Burocrático esse!
Mas... fizemos tudo certo. Tínhamos a autorização por escrito! Enfim...
conseguimos começar as fotos, ainda no período da manhã.

Relato de: Mediadora de exposição


Remuneração: viabilizada pelo projeto aceito em Edital
Horário de trabalho : seg a sex, sáb e dom à tarde
Já na chegada estranhei tamanho movimento. Como já haveria visitantes se o
museu acabara de abrir e eu nem preparei as salas da mostra? Na entrada à direita é sempre o
mesmo manusear de luzes, ligar vídeos, abrir janelas...
Impossível crer em tamanho circo!
O espaço estava sendo utilizado para a produção do Sol,ar, um catálogo de loja de
roupas.
Tá. Entendi. Mas será que é tão difícil entender que este espaço já está ocupado
com duas exposições que estão abertas à visitação do público?
Acreditei que deveria haver um engano quanto à sala, pois o complexo é composto
por três prédios.
Mas tudo foi além. Havia essa autorização do responsável por aquelas salas, o qual
foi imediatamente solicitado. Ação efetuada diretamente pela artista de uma das mostras que foi
avisada por telefone.
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Logo chegou a mediadora da mostra do lado, a qual teve uma das salas
parcialmente desocupada. Mas a outra permaneceu com araras e assistentes alisando roupas
com vapor tarde adentro.
Que situação! O posicionamento do responsável foi: eu assino e tá liberado!

Relato de: Mediadora de exposição


Remuneração: viabilizada por edital
Horário de trabalho: seg. a sex, sab e dom à tarde
Conforme conversei por telefone com a artista, ela exigiu a desocupação da sala,
pois estamos no meio do período de exposição. É necessário que tudo esteja como a
idealizadora organizou. Dessa forma, peço que desocupem este local, pois o museu está em
funcionamento e, como vocês vêem, ele já está ocupado.
De qualquer forma, o diretor do museu está chegando para esclarecer a situação.
Seria ideal um intervalo até que tudo esteja esclarecido.

Relato do: responsável pelo espaço (diretor do museu)


Remuneração: definida pelo estado, paga pelos contribuintes civis
Horário de trabalho: definido pela instituição
Ahn? As mediadoras trabalham aos sábados!?
Pois então, retirem os utensílios de produção do catálogo e retomem depois do
término da hora delas.
Podem trabalhar noite adentro, porém retirem tudo daqui até amanhã de manhã,
pois domingo à tarde elas estarão aqui novamente.
Quanto às peças que estão em exposição, não as utilizem, se não quiserem arranjar
encrenca com as artistas. Uma delas já me ligou falando que se aparecer alguma peça, qualquer
mala que seja no catálogo, irá cobrar pela utilização. Creio que minha esposa, também artista e
que está no carro, faria o mesmo.
Espero que não me incomodem mais, pois estou com o fim de semana cheio.

Relato de: Artista Curadora


Remuneração: definida no projeto, viabilizada por edital
Horário de trabalho: definido especificamente pelas necessidades de preparação da
mostra, o que equivale a meses antes da abertura e aos três meses de exposição.
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Foram desocupadas as salas transformadas em "camarim" pelo que o diretor me


passou. Espero que nenhuma peça ou vídeo tenha sido danificado.
Quanto aos vidros, deverá ser efetuada a limpeza removendo qualquer resíduo de
laquês ou produtos similares, assim como não deve haver maços de cabelos correndo com vento
pelas salas. A higiene é importantíssima para o bem estar dos visitantes.
Não faço a mínima ideia de como foi autorizada essa produção de catálogo de
moda aí neste período. O importante é manter todas as peças em segurança, não será permitida a
utilização de nenhuma imagem que as contenham.
Quanto ao descaso institucional para a ocupação por edital, é realmente lamentável.
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Artistas e diretor não estavam em comum acordo.

Artistas nem sabiam o que estava se passando naquela linda manhã de sábado,
apenas os funcionários indignados por serem coagidos a trabalhar indevidamente.

O produtor nem ao menos sabia que o lugar era um museu. Achou que as peças
estavam todas à sua disposição, assim como o mobiliário das mostras. Não se sentiu
mal em ocupar um espaço como bem pretendia, pois cumpria sua parte em um
projeto e com as devidas autorizações.
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panos,tramasdeplanos
Linhas
Linhas
entrelinhas

entreplano

Entre Linhas

linhapano

Entre planos

Linhas entre planos

PLanos plaNOS. EntreLinhas

tramas nos panos planos


planostramas

Linhapano.

FUNDO. Negativo

entre NAS linhas


Linhas do plano
Panos de linhas
Linhas entre linhas

tramas nos panos planos


planos de tramas

FOrMas de UM plaNO
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Considerações...

Esse conto é uma ficção.


Qualquer coincidência com fatos verídicos apenas reafirma que as artes são
indissociáveis da vida burocrática!.

O objetivo desta pesquisa foi demonstrar as redes de relações através de um


conto, que foi desenvolvido em formato de depoimentos e teve como pano de fundo um
fato ocorrido em 2012 no Museu da fotografia. Foi ilustrada com fotos apropriadas da
internet de um catálogo de moda inverno, e teve como intenção percorrer as bordas
entre vida e criação em poéticas visuais.

REFERÊNCIAS

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna: Do iluminismo aos movimentos


contemporaneos. Companhia da Letras, Sao Paulo, 1992. p.12
ARISTÓTELES. A Política. Ex. Martins Claret. São Paulo, 2007. P. 56
BEUYS, Joseph. Cada homem um artista
MEIRELES, Cildo. Inserções em circuitos ideológicos. IN: Escritos de Artistas. Gloria
Ferreira e Cecilia Corim, Ed Zahar Rio de Janeiro, 2017.
Duve, Thierry de. Fazendo a escola (ou refazendo-a?). Ed. Argos. Chapecó, SC.
2012.
GINZBOURG, Carlo. Sinais: raizes de um paradigma indiciario. In: Mitos,
emblemas e sinais. Ed.Companhia das Letras, Sao Paulo, 1989.
KLAXON EM REVISTA. Reedição fac-similar. Instituto de Cultura Contemporânea
– ICCo. Ed. Cosac Naify. São Paulo. Livreto. Texto Agora é Klaxon! Daniel
Rangel. P.11
KLAXON EM REVISTA. Reedição fac-similar. Instituto de Cultura Contemporânea
– ICCo. Ed. Cosac Naify. São Paulo. klaxon Nº1. P.1, 2, e 3. Nota da Redação.
KLAXON EM REVISTA. Reedição fac-similar. Instituto de Cultura Contemporânea
– ICCo. Ed. Cosac Naify. São Paulo Klaxon N10 Extra-Texto, contra capa.
O’DOHERTY, Brian. No Interior do Cubo Branco: a ideologia do espaco da arte.
Martins Fontes, Sao Paulo, 2002. P.36 e P.125
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Conteúdo disponível online:

CAMPOS, Camila da Rocha, Para conhecer o mundo, basta entrar na loja.


http://www.ppgartes.uerj.br/spa/spa3/anais/camilla_campos_8_15.pdf

EXPOSIÇÃO ESCHER :
https://www.museuoscarniemeyer.org.br/exposicoes/exposicoes/escher

EXPOSIÇÃO FRIDA KAHLO:


https://www.museuoscarniemeyer.org.br/exposicoes/exposicoes/fridakahlo

FUNDAÇÃO CARTIER:
https://www.fondationcartier.com/en/?locale=en

REVISTA KLAXON:
http://icco.art.br/klaxon-ganha-reedicao?lang=port

REVISTA RECIBO:
Recibo n75, Edições Traplev, p. 45
https://issuu.com/recibo/docs/recibo75__online/64