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CADERNO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE E DA VIDA

Prevalência de lesões musculoesqueléticas em praticantes de


capoeira

Prevalence of musculoskeletal injuries in capoeira practitioners

Diego Oliveira Araújo1, Magno da Paz2


1
Discente do curso de Educação Física do Centro Universitário UDF, Brasília, DF
2
Discente do curso de Educação Física do Centro Universitário UDF, Brasília, DF

RESUMO
A capoeira teve seu surgimento no Brasil, vinda de diferentes culturas africanas que aqui se agruparam, resistiram e
se recriaram, na expressão de um povo oprimido em busca de liberdade e dignidade, em busca de sua
sobrevivência. Hoje reconhecida como esporte nacional, sendo uma das práticas mais completas, pelo seu valor
histórico, educacional e cultural, estima-se que haja oito milhões de capoeiristas espalhados pelo mundo. E assim
com todo esse aumento da população de praticantes, a também o surgimento de traumas e lesões
osteomioarticulares. Neste sentido, o presente estudo tem o objetivo de analisar a prevalência de lesões
musculoesquelética em praticantes de capoeira. Foi realizada uma revisão bibliográfica com pesquisa descritiva.
Onde os critérios de inclusão no trabalho foram assuntos pertinentes ao tema e que respondessem à pergunta do
problema feito nas bases de dados: SciELO, PUBMED e Google Acadêmico. Foram incluídos estudos que
abordaram os seguintes termos: Capoeira; lesões; musicalidade; luta; dança. Sendo selecionado 21 artigos em
português e 1 em inglês, sem limite de ano de publicação e com acesso online ao texto completo.

Palavras-chave: (Capoeira, lesões, musicalidade, luta, dança.)

ABSTRACT:
The capoeira was emerged in Brazil, coming from different African cultures who had grouped here, who had resisted
and recreated, in the expression of an oppressed people searching for freedom and dignity, looking for their survival.
Today recognized as a national sport, being one of the most complete practice, for your historic value, educational
and cultural, it is estimated that there are eight million of capoeristas scattered around the world. With all this increase
in the population of practitioners, it also occurs the arising of traumas and osteomioarticular injuries. In this sense, the
present study aims to analyze the prevalence of musculoskeletal injuries in capoeira practitioners. A bibliographic
review was made, with a descriptive research. Where the criteria of inclusion in the work were pertinent subjects to
the theme and answered the question of the problem done in the data bases: SciELO, Pubmed and Google
academic. Were included studies that addressed the following terms: Capoeira; injuries; musicality: fight; dance. A
total of 21 articles were selected in Portuguese and 1 in English, with no year of publication limit and with online
access to the full text.

Keywords: (Capoeira, injuries, musicality, fight, dance.)

2.2018, pp.1-5.
* Prof.Bernado bernardo.assis@udf.edu.br

INTRODUÇÃO
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Segundo Vieira e Assunção (1998), a capoeira no Brasil tem origem de uma mistura africana com a
cultura indígena, que na palavra “caa” significa mato e “puera” que foi do mato, vindo do tupi-gurani onde os
índios utilizavam um ritual onde misturava música, dança e luta. Baseados em outros estudiosos, tendo
outros significados a capoeira, como: mato ralo ou gaiola grande, que a primeira definição seria mais aceita
pelos capoeiristas, que seria o local onde os escravos usavam para praticar. Em registros de prisões na
década XX no Rio de Janeiro, essa expressão era usada para designar tanto um conjunto de técnicas de
combate envolvendo armas brancas e golpes com pernas e cabeça, quanto um grupo de “arruaceiros” e
“malfeitores” que se opunham à polícia (VIEIRA e ASSUNÇÃO, 1998).
Em um mundo totalmente globalizado através da tecnologia, a capoeira se mantém intacta em seus
valores e tradições na atualidade. A capoeira vista como uma atividade desportiva além do desenvolvimento
de suas habilidades motoras, agrega valores sociais, afetivos e cognitivos, onde o indivíduo é ensinado a
trabalhar a coletividade e não a si próprio (SILVA e FERREIRA, 2012). Além desses benefícios já citado,
existe uma melhora na resistência aeróbica e muscular, flexibilidade, velocidades de reação e de
deslocamento, forças dinâmica, estática e explosiva, agilidade, equilíbrio, coordenação, ritmo e descontração
são outros benefícios adquiridos da prática regular da capoeira (NUNES e PEIXOTO, 2011).
A capoeira por estar bastante difundida não só no Brasil, mas em todo mundo e assim
consequentemente surge um aumento da população de praticantes, mas também o aumento de acidentes e
lesões. Como toda atividade física, a prática da capoeira também possui seus riscos, sendo assim, feito de
forma errônea pode acarretar traumas mecânicos como contusão, ruptura, laceração, entre outras lesões.
Sem a devida orientação, a sua má prática pode levar a um maior risco de lesões (STEIN, 1999). A hipótese
inicialmente estabelecida foi de que a capoeira por exigir movimentos complexos como saltos, acrobacias,
aterrissagens e movimentos circulares comumente realizados no solo e, na maioria das vezes de cabeça
para baixo, gerando uma sobrecarga nas articulações (GOMES NETO et al., 2012). Outro fator seria o
overtraining, que é o excesso de treinamento ou má periodização, volume de treinamento, o nível do
praticante, tempo de prática, intensidade do treinamento, condicionamento físico e a idade do praticante
(CARVALHO et al., 2013).
Com base neste contexto este estudo justifica-se em de reunir informações sobre as características dos
acometimentos traumáticos relacionados à prática da capoeira, o que foi uma motivação ao desenvolvimento
de um instrumento de avaliação a esse respeito, dessa forma é preferível mostrar a todos que praticam, tanto
aos alunos iniciantes quanto aos mestres e instrutores sobre risco de lesões envolvidos durante sua prática.
Com base neste contexto, a presente revisão bibliográfica tem como objetivo descrever as principais
causas de lesões em praticantes de capoeira.
METODOLOGIA
Para a realização deste trabalho foi realizada uma revisão bibliográfica de caráter descritivo onde
procurou informações referenciadas na literatura científica da prevalência de lesões acometidas em
praticantes de capoeira.
Foram usadas as seguintes palavras-chave, como motores de busca: Capoeira; lesões;
musicalidade; luta; dança; Capoeira; injuries; musicality; fight; dance . Utilizou-se para a pesquisa as bases de

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dados, Scientific Eletrônic Library Online (SCIELO) e National Library of Medicine (PUBMED). Outros critérios
utilizados para análise foram a seleção dos artigos que continham ao menos uma das palavras-chave, não
tendo limite do ano de publicação, e de idioma português e inglês. Os artigos que não se relacionavam com o
tema proposto foram excluídos. Para compor esta revisão bibliográfica foram utilizados 21 artigos.
A análise dos artigos encontrados foi feita por dois pesquisadores, de forma independente, de acordo
com os critérios de inclusão no estudo. Os artigos que não se encaixavam diretamente com o tema foram
excluídos. Depois de analisados os estudos selecionados foram feitas distribuições em tópicos, seguindo a
características da capoeira e lesões frequentes na capoeira.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Características da capoeira

A capoeira, de acordo com Vieira (2004), nasceu voltada para luta, criada num intuito de autodefesa
dos escravos da época. A diversidade de opiniões dos historiadores da história da capoeira, alguns acreditam
que foi originada na África, já outros defendem de que foi criada no Brasil. Para Souza (2011), acreditando na
primeira hipótese que a capoeira teve origem em Angola, que se caracterizava por ser uma luta, com uso
técnicas e mobilização do corpo, sendo a capoeira de angola a principal referência para o surgimento de
todos os outros estilos de capoeira, que uma dessas variações é capoeira regional criada pelo mestre Bimba.

A ginga, o rolê, aú, cocorinha, chapa de costas, benção, ponteira, meia lua de frente, rabo de arraia
ou meia lua de compasso, armada, martelo, queixada e salto mortal são movimentos básicos da Capoeira,
além da movimentação corporal, temos a musicalidade (ladainhas, chulas, corridos ou quadras) que traz a
história e o cotidiano dos mestres antigos, do sofrimento e a malandragem. (SOUZA, 2011).

Na atualidade, ocorreram algumas modificações em relação a prática da capoeira, onde o principal


incentivo é feito por um sistema de graduação, que são cordões de diferentes cores que simboliza o nível
hierárquico regido por cada grupo ou associação (PEREIRA, 2013). Hoje é reconhecida como esporte
nacional, sendo uma das práticas mais completas, pelo seu valor histórico, educacional e cultural. (SIMIM e
NOCE, 2012). De acordo com Matos e Menezes (2012), a capoeira é um excelente meio de autodefesa e de
condicionamento físico. Sendo assim justifica-se os benefícios vindo da prática da capoeira, pois aumenta
oxigenação no corpo, resistência aeróbica e muscular, melhora a eficiência do sistema circulatório, ajuda na
prevenção da obesidade, combate a depressão com ritmo e descontração, entre outras (SANTOS et al.,
2014).

Lesões frequentes na capoeira


Segundo Cohen e Abdalla (2003) conceituam a lesão como um dano causado por traumatismo físico
sofrido pelos tecidos do corpo.

Conforme relata Aguiar et al., (2010), qualquer atividade esportiva feita regularmente, não importando o
nível do atleta praticante, por si só, gera situações de risco para a ocorrência de lesões. E no caso dos
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atletas as lesões vem sendo o principal motivo para o afastamento das atividades desportivas (BELTRAMI
FILHO, 2010).

Por a capoeira conter movimentos como saltos, ginga, mudança de direção e na execução de alguns
golpes que exigem bastante do corpo, principalmente das articulações, ligamentos e a da musculatura,
podendo ocorrer o surgimento de algumas lesões, como: distensão, contusão, contratura muscular e
entorses. Vários fatores contribuem para o surgimento de lesões, como a falta de organização dos treinos,
sem o suporte técnico, estrutura inadequada, treinamento excessivo ou overtraining, e por ser um esporte de
bastante impacto.

E a capoeira sendo um dos esportes mais completos e trazendo muitos benefícios, existem alguns
pontos negativos que são as lesões. Na prática da capoeira, as articulações do joelho e do punho são as
principais regiões acometidas por lesões. O joelho por ser uma região utilizada com frequência nos
movimentos em que há uma torção ou giro onde os pés ficam fixos ao chão, onde os ligamentos colaterais e
medias ficam bastante expostos a lesões. Com isso poderá ocorrer o rompimento das fibras ligamentares,
dependo da gravidade a necessidade de uma intervenção cirúrgica. E por serem muito utilizadas em
eventuais rodas e treinos de capoeira, a uma sobrecarga excessiva nessas regiões (VIEIRA, 2004).

Em seu recente estudo Andrade (2016), analisou as características de lesões em praticantes de


capoeira. Em relação à distribuição das lesões por localização anatômica, 21 lesões (14%) acometeram
ombro; 21 lesões (14%) joelho; 20 lesões (13,3%) tornozelo; 17 lesões (11,3%) lombar; 12 lesões (8%)
punho; 10 lesões (6,7%) mãos e dedos; 9 lesões (6%) coxa; 8 lesões (5,3%) pé; 8 lesões (5,3%) pescoço; 7
lesões (4,7%) cotovelo; 7 lesões (4,7%) perna e 4 lesões (2,7%) virilha. As demais regiões: cabeça, fêmur,

antebraço e glúteo, apenas uma lesão acometeu cada uma dessas regiões e tórax duas lesões .

Tipos de lesões
De acordo Oliveira (2009), as lesões podem acontecer através de dois tipos de mecanismos. O
primeiro são os macrotraumatismos, onde o praticante pode situar no espaço, tempo e movimento qual gesto
desencadeou os primeiros sintomas, gerando uma incapacidade funcional imediata do segmento lesionado.
Já os microtraumatismos são movimentos repetidos feitos de forma exaustiva de elementos técnicos da
modalidade e de forma incorreta ou não obedecendo o período de recuperação.

Já outros autores como Safran, Mckeag e Camp (apud TORRES, 2004) mostram sete mecanismos
existentes onde o atleta pode sofrer algum tipo de lesão. As principais lesões são:
Lesão por contato: origina-se a partir de um contato traumático, em que a um choque entre dois
atletas ou um atleta se chocando em uma superfície;
Sobrecarga Dinâmica: resultado de uma deformação causada por uma tensão imediata ou
intolerável, gerando ruptura aguda de um tendão ou um estiramento muscula;
Excesso de uso ou sobrecarga: Lesão que resulta em várias tensões e pressões repetidas em
determinado segmento. Sendo que de 30% a 50% das lesões estão ligadas diretamente ao uso excessivo;

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Vulnerabilidade estrutural: Fadiga e/ou incapacidade de um determinado tecido, secundária à


sobrecarga, tensão ou estresse excessivo. Valgismo e varismo do joelho são exemplos de vulnerabilidade
estrutural;
Falta de Flexibilidade: Podendo acontecer desvios no contato entre as articulações, gerando uma
degeneração articular. Sendo assim um músculo encurtado ficando vulnerável a lesão;
Desequilíbrio muscular: Relacionado com a falta de flexibilidade, resultante pela utilização de
musculaturas impróprias; O uso excessivo e incorreto de uma determinada musculatura durante uma prática
esportiva, pode acabar resultando em desequilíbrios musculares secundários à fadiga muscular;
Crescimento Rápido: Observado na criança ou no adolescente em crescimento, por conta das
mudanças do sistema esquelético durante a maturação, enfatiza o desequilíbrio e a flexibilidade muscular.

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