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O Peso do Senhor
por

Vincent Cheung

“Peso da palavra do SENHOR contra Israel” (Malaquias 1:1).

Muitas pessoas crêem que a palavra “peso”, quando usada num contexto
profético, não se refere somente à profecia em geral, mas também ao
pronunciamento de julgamento. Calvino diz: “Onde quer que essa palavra é
expressa, ela deve ser entendida sempre como algum julgamento de Deus”.
Verhoef elabora: “Podemos concordar com a opinião de que na profecia a
palavra... geralmente adquire um sentido ameaçador ligado com a natureza
catastrófica de muitas profecias. Nesse sentido, a palavra geralmente denota um
pronunciamento de importância extrema, uma profecia de julgamento”.

Em Jeremias 23, lemos que a palavra se tornou uma forma do ímpio ridicularizar
os profetas, que às vezes traziam mensagens sobre o julgamento iminente de
Deus contra os pecados do povo. Jeremias 23:33-34 diz:

Quando, pois, te perguntar este povo, ou qualquer profeta, ou


sacerdote, dizendo: Qual é o peso do SENHOR?, então, lhe dirás:
Vós sois o peso, eu vos deixarei, diz o SENHOR. E, quanto ao
profeta, e ao sacerdote, e ao povo que disser: Peso do SENHOR, eu
castigarei o tal homem e a sua casa.

Como Feinberg argumenta, é melhor traduzir “Qual é o peso?”, no versículo 31


como“Vocês são o peso!” – como em, “Que peso (vocês são)!”. Por causa dos
pecados do povo, os profetas de Deus estiveram trazendo palavras de julgamento
para eles, prefaciando-as com “O peso do Senhor”. Mas ao invés de se
arrependerem dos seus pecados, os ouvintes começaram a achar tais mensagens
como de certa forma um peso. Assim, eles começaram a usar esse termo em seus
desafios depreciativos contra os profetas, dizendo: “Qual é o peso do SENHOR
desta vez?”.

Hoje em dia encontramos muitas pessoas que da mesma forma acham que os
requerimentos de Deus são pesados. Para elas, os mandamentos de Deus limitam
sua liberdade e parecem ser antiquados com relação à nossa cultura. Aqueles que
pregam os princípios bíblicos sem concessão são freqüentemente chamados de
inflexíveis e intolerantes, colocando demandas irracionais sobre o povo. Por
outro lado, João nos lembra que amar a Deus é obedecer aos seus mandamentos,
e isso não deveria parecer pesado para nós: “Porque nisto consiste o amor a
Deus: em obedecer aos seus mandamentos. E os seus mandamentos não são
pesados” (1 João 5:3, NVI).

A natureza rebelde do coração humano não mudou desde os dias de Jeremias.


Desde então o povo tem crescentemente se fatigado com as constantes

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advertências e insistências dos profetas. Ou, como alguns reclamariam hoje,


parece que alguns ministros estão sempre pregando sermões de “maldição e
trevas”, de pecado e de julgamento. Mas eles não percebem que pode haver boas
razões para se pregar essas mensagens.

As pessoas consideraram a palavra de Deus como pesada, e disseram aos


profetas: “Qual é o peso do SENHOR agora?”. Para tal irreverência grosseira,
Deus respondeu: “Sois vós! Vós sois o peso!”. Assim, há um jogo de palavras
aqui em Jeremias – enquanto numa ocorrência o peso se refere à mensagem da
profecia, no próximo ele se refere ao povo como um grupo problemático aos
olhos de Deus. Ele continua para observar que esse é um peso que Deus lançaria
em breve sobre os ombros deles: “Eu vos deixarei, diz o SENHOR”.

Não somente aqueles que se chamam de incrédulos fazem tais reclamações


contra Deus. Cristãos professos por toda a parte acham difícil viver a vida cristã,
e eles frequentemente se queixariam contra requerimentos bíblicos, e as
restrições que Deus colocou sobre eles. Eles adoram chamar a atenção para os
“sacrifícios” que eles já fizeram, e como seria irracional pedir que eles fizessem
mais. Tais “cristãos” formam o que pode ser o maior peso da igreja. Certamente,
a maioria dessas pessoas são falsos conversos, que nunca foram regenerados e
ainda estão caminhando para o inferno.

O ímpio e o carnal tendem a culpar o piedoso e obediente por seus problemas.


Assim, Acabe disse para Elias: “És tu o perturbador de Israel?” (1 Reis 18:17).
Mas Elias respondeu: “Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu
pai, porque deixastes os mandamentos do SENHOR e seguistes os baalins” (v.
18). São aqueles que “deixaram os mandamentos do SENHOR” que são os
problemáticos da sociedade, não aqueles que seguem fielmente a Deus.

Aqueles que se convertem ao Cristianismo são frequentemente acusados de


causar divisões na família. Isso inclui como falsos conversos que se chamam de
cristãos perseguem, nas suas próprias famílias, os verdadeiros conversos que
consideram sua fé seriamente. Tais conflitos ocorrem entre pais e filhos, marido e
esposa, irmãos e irmãs, e entre amigos. Os cristãos deveriam dizer aos seus
acusadores: “É você, não eu, quem está causando o problema nesse
relacionamento. É você quem está se rebelando contra o Senhor, e, portanto, é
você quem deve mudar”. Incrédulos também acusam os cristãos de outros
conflitos e divisões na sociedade, e muitos que se chamam de cristãos são
covardes demais para permitir que os pecadores pensem de outra forma.

Cristãos que estão seguindo fielmente a Deus não são responsáveis pelas divisões
familiares e conflitos sociais. Eles não devem ser acusados, como se tivessem
feito algo errado. Ninguém tem o direito de comprometer a verdade para manter
uma falsa unidade. São aqueles que estão em oposição às Escrituras que Deus
considera como responsáveis pelos problemas da sociedade. Não-cristãos,
incluindo falsos conversos, são os problemas da sociedade. De fato, os cristãos
são os únicos que estão impedindo que a sociedade de torne ainda pior.

Todo cristão deveria examinar a si mesmo para ver se ele considera a palavra de
Deus como sendo pesada em alguma área, e se questiona a justiça ou sabedoria
de Deus de alguma forma. Nós achamos um peso estudar ou orar? Nós nos
queixamos que os nossos relacionamentos são prejudicados por causa das

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reivindicações de Deus sobre as nossas vidas? Nós expressamos desgosto pelo


fato de que os padrões bíblicos às vezes nos impedem de prosperar
financeiramente? Essas são indicações de uma mente não-regenerada e até
mesmo não-convertida, cujas atitudes não estão submissas à palavra de Deus.
Mas pelo poder do Espírito Santo, é possível para o eleito obedecer a palavra de
Deus, e se deleitar em seus mandamentos.

Extraído e traduzido de Vincent Cheung, Commentary on Malachi, (PDF, p.


8-10):

Nota sobre o autor: Vincent Cheung é o presidente da Reformation Ministries


International [Ministério Reformado Internacional]. Ele é o autor de mais de
vinte livros e centenas de palestras sobre uma vasta gama de tópicos na teologia,
filosofia, apologética e espiritualidade. Através dos seus livros e palestras, ele
está treinando cristãos para entender, proclamar, defender e praticar a
cosmovisão bíblica como um sistema de pensamento abrangente e coerente,
revelado por Deus na Escritura. Ele e sua esposa, Denise, residem em Boston,
Massachusetts. [http://www.rmiweb.org/]

Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto


Cuiabá-MT, 05 de dezembro de 2005.

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