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Aula 06

SOLIDARIEDADE PASSIVA (Art. 275 a 285)

Conceito CRG “Relação obrigacional, oriunda de lei ou de


vontade das partes, com multiplicidade de devedores,
sendo que cada um responde pela totalidade da
prestação, como se fosse o único devedor”.

- Representa preciosa cautela para a garantia dos direitos


obrigacionais (WBM).

- Há unificação dos devedores, possibilitando maior


segurança ao credor no que tange o recebimento do
crédito.

- Cada um dos devedores está obrigado à prestação na


sua integralidade, como se houvesse contraído sozinho a
obrigação inteira.

Exemplos na lei

- Art. 942, parágrafo único; art. 154; art. 828, II, 585;
art. 12 do CDC; art. 2 da Lei de Locação; etc.
CONSEQUÊNCIAS JURÍDICAS

a) Direito do credor

Art. 275 – Trata do principal efeito da solidariedade, qual


seja, conferir ao credor o direito de exigir de qualquer dos
devedores o cumprimento integral da prestação.

- Trata-se de uma faculdade e não de um dever, pois o


credor não usá-la ou usar apenas em parte, exigir o
cumprimento de todos os devedores ou de alguns ou
apenas parte da dívida.

- Neste caso, poderá o devedor chamar ao processo (art.


77 do CPC) os demais codevedores solidários.

- Não é conveniente que o credor processe os devedores


em processos distintos, pois há risco de decisões
conflitantes (as ações devem ser reunidas para julgamento
em conjunto).

b) Morte de um dos devedores solidários

Art. 276 – Simetria com a disposição do art. 270. A


obrigação é dividida entre os herdeiros

Antes da partilha, o credor pode exigir do espólio a dívida


por inteiro. Depois da partilha, sobre os herdeiros recaí a
obrigação de pagar a dívida inteira (todos juntos são como
se fossem um único devedor) e o credor não poderá
cobrar toda a dívida de um único herdeiro, pois responde
apenas pelo valor do seu quinhão.

c) Consequências do pagamento parcial e da


remissão – Art. 277

O pagamento parcial, naturalmente, reduz o débito.


Portanto, o credor somente poderá o saldo remanescente,
obstando, assim, o enriquecimento indevido.

O perdão concedido a um dos codevedores extingue a


dívida na parte a ele correspondente, não podendo cobrar
o débito sem dedução da parte remitida (Art. 388)

d) Cláusula, condição ou obrigação adicional

A cláusula, condição ou obrigação adicional estipulada


entre um dos codevedores e o credor não poderá agravar
a posição dos demais (Art. 278)

O CC protege os devedores solidários que não foram


partes em tais obrigações, não foram ouvidas e não deram
consentimento.

Na relação do credor com os codevedores, presume-se


que estes, uns aos outros, deram mandato recíproco, para
se representar. Assim, cada codevedor é representante de
todos e de cada um nas referidas relações.
Ocorre que este poder de representação não pode ser
ilimitado, pois deve ser interpretado no sentido de que a
representação só é válida nos atos tendentes à extinção
ou conversação da dívida, à melhoria da condição em face
do credor e não mais.

Desta forma, nenhum dos devedores esta autorizado a


estipular, com o credor, cláusula que piore a posição dos
representados.

e) Impossibilidade da prestação

f) Renúncia da solidariedade

A solidariedade é um benefício instituído em favor do


credor, de modo que ele pode abrir mão, conforme art.
282 do CC.

- Se feita em prol de todos devedores, a renúncia é


absoluta e o credor deverá cobrar a dívida, um a um,
devidamente fracionada, não havendo que se falar em
solidariedade passiva.

- Passa cada devedor a ser responsável pela sua quota-


parte, obrigações distintas, separadas, sujeitas às regras
comuns.
- Se em proveito de um ou alguns, a renúncia é relativa,
respondendo os demais de acordo com as regras da
solidariedade.

- A solidariedade prosseguirá relativamente aos demais


codevedores, pois se um dos coobrigados for insolvente, a
parte da dívida será rateada entre todos os codevedores,
inclusive com os contemplados pelo benefício da renúncia
da solidariedade (art. 283)

g) Responsabilidade pelos juros (Art. 280)

Mesmo se o retardamento culposo da obrigação seja


imputável a um devedor, os demais também respondem
pelos juros moratórios, ainda que posteriormente, os
demais codevedores possam cobrar, de forma regressiva,
referido valor (juros) do devedor culposo (relação interna).

Juros são o rendimento do capital, são frutos civis, bens


acessórios, que como tais, seguem o principal. Os juros
moratórios são devidos em virtude do inadimplemento e
correm a partir da constituição em mora.

h) Meios de defesa dos devedores (Art. 281)

As exceções pessoais (vícios de consentimento,


incapacidade, inadimplemento de condição, etc.)
peculiares de cada devedor, só podem ser deduzidas pelo
próprio interessado. Entretanto, as defesas comuns
(objetivas – reportam ao objeto da obrigação) pode ser
deduzida por qualquer um, aproveitando a todos.

- RELAÇÃO INTERNA ENTRE OS CODEVEDORES

Há uma apuração, um rateio da responsabilidade entre


os próprios codevedores, pois entre eles a obrigação é
divisível.

(Direito de regresso) Art. 283 – o débito se divide e


cada devedor responde apenas pela sua quota na dívida
comum.

Art 284 – já falei antes, o credor não pode dispor de


direito alheio

Art. 285 – O empréstimo aproveitou apenas um credor,


e os outros só avalizaram a dívida pois são amigos. Neste
caso, se o avalista saldar, poderá cobrar o valor total do
devedor principal e apenas uma quota do outro avalista.