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CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DO


PARANÁ - CRF-PR

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ


UEM
DEPARTAMENTO DE FARMÁCIA

CURSO DE EXTENSÃO

Capacitação à Distância

“Indicação Farmacêutica em Transtornos


Menores”

Organização

Comissão de Farmácia de Dispensação – CFD


CRF-PR
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CURSO: Indicação Farmacêutica em Transtornos Menores
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Comissão de Farmácia de Dispensação – CFD


CRF-PR

Coordenador
Valquires Souza Godoy

Membros

Clayton de Oliveira Beloni


Fernanda Cristina Ostrovski Sales
Gislene Mari Fujiwara
José Antônio Zarate Elias
José Carlos Tozetto Vettorazzi
Márcio Augusto Antoniassi
Marco Antônio Costa
Rafael Bayouth Padial
Sheila Karina Luders Meza
Suzane Virtuoso

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AGRADECIMENTOS

Aos alunos de graduação do Curso de Farmácia da UEM, pela


colaboração na elaboração do material didático para a realização do curso.

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SUMÁRIO

1 PREFÁCIO.............................................................................................................6

2 CONCEITOS..........................................................................................................11
2.1 SERVIÇOS FARMACÊUTICOS......................................................................... 11
2.2 ATENÇÃO FARMACÊUTICA............................................................................. 12
2.3 SEGUIMENTO/ACOMPANHAMENTO FARMACOTERAPÊUTICO..................13
2.4 ATENDIMENTO FARMACÊUTICO....................................................................14
2.5 CONSULTA FARMACÊUTICA...........................................................................14
2.6 INDICAÇÃO FARMACÊUTICA...........................................................................16
2.7 INTERVENÇÃO FARMACÊUTICA.....................................................................17
2.8 PROBLEMAS DE SAÚDE.................................................................................. 18
2.9 TRANSTORNO MENOR DE SAÚDE.................................................................19
2.10 USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS...........................................................19
2.11 AUTOMEDICAÇÃO.......................................................................................... 20
2.12 MEDICAMENTOS ISENTOS DE PRESCRIÇÃO – MIPS................................ 22
2.13 PRESCRIÇÃO FARMACÊUTICA.....................................................................22

3 BASE LEGAL PARA USO DE MIPS..................................................................... 24

4 PRINCIPAIS INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS E REAÇÕES ADVERSAS


ENVOLVENDO MIPS................................................................................................28

5 PROCESSO RACIONAL DE SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS...........................32

6 TRANSTORNOS MENORES E ALGORITMOS DE DECISÃO.............................39


6.1 TRANSTORNOS MENORES RESPIRATÓRIOS................................................39
6.1.1 Congestão Nasal...............................................................................................39
6.1.2 Gripe e Resfriado..............................................................................................42
6.1.3 Tosse................................................................................................................ 45

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6.1.4 Rinite................................................................................................................. 49
6.1.5 Sinusite............................................................................................................. 53
6.2 TRANSTORNOS MENORES RELACIONADOS À DOR MODERADA............... 56
6.2.1 Cefaléia e Enxaqueca....................................................................................... 56
6.2.2 Dor de Dente e Gengivas.................................................................................. 62
6.2.3 Dor de Garganta............................................................................................... 66
6.2.4 Dores Osteomusculares.................................................................................... 69
6.3 TRANSTORNOS MENORES DIGESTIVOS....................................................... 77
6.3.1 Azia (Pirose)...................................................................................................... 77
6.3.2 Diarreia.............................................................................................................. 80
6.3.3 Constipação Intestinal....................................................................................... 83
6.3.4 Enjôo, Náusea e Vômito................................................................................... 88
6.3.5 Flatulência......................................................................................................... 92
6.3.6 Má Digestão...................................................................................................... 95
6.3.7 Distúrbios Hepáticos......................................................................................... 99
6.3.8 Refluxo Gastresofágico..................................................................................... 105
6.3.9 Cólicas Intestinais............................................................................................. 108
6.4 TRANSTORNOS MENORES DERMATOLÓGICOS........................................... 111
6.4.1 Acne.................................................................................................................. 111
6.4.2 Aftas e Afecções Bucais................................................................................... 114
6.4.3 Herpes Labial.................................................................................................... 117
6.4.4 Picadas de Insetos............................................................................................ 120
6.4.5 Queimaduras..................................................................................................... 123
6.4.6 Urticária............................................................................................................ 126
6.4.7 Assaduras........................................................................................................ 130
6.4.8 Calosidades..................................................................................................... 133
6.4.9 Verrugas.......................................................................................................... 135
6.4.10 Caspa e Seborréia.......................................................................................... 138
6.4.11 Micoses de pele.............................................................................................. 141
6.5 TRANSTORNOS MENORES DO SISTEMA CIRCULATÓRIO........................... 144
6.5.1 Hemorróidas...................................................................................................... 144

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6.5.2 Varizes.............................................................................................................. 147


6.6 TRANSTORNOS MENORES EM DISTÚRBIOS DO SISTEMA NERVOSO....... 149
6.6.1 Insônia............................................................................................................. 149
6.6.2 Ansiedade......................................................................................................... 153
6.7 FEBRE................................................................................................................. 157
6.8 TRANSTORNOS MENORES EM NUTRIÇÃO.................................................... 162
6.8.1 Hipovitaminoses e Hipervitaminoses................................................................ 163
6.8.2 Obesidade......................................................................................................... 170
6.8.3 Complemento Alimentar................................................................................... 175
6.8.4 Suplementação Esportiva................................................................................. 177
6.8.5 Inapetência....................................................................................................... 180
6.9 TRANSTORNOS MENORES EM TRATO GENITURINÁRIO............................. 183
6.9.1 Vaginites........................................................................................................... 184
6.9.2 Cistite................................................................................................................ 188
6.9.3 Uretrite.............................................................................................................. 191
6.10 TRANSTORNOS MENORES EM PARASITOSES........................................... 194
6.10.1 Parasitoses Intestinais.................................................................................... 194
6.10.2 Parasitoses da Pele........................................................................................ 198
6.11 TABAGISMO...................................................................................................... 201
6.12 TRANSTORNOS OFTALMOLÓGICOS............................................................ 208

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................... 212

ANEXOS.................................................................................................................... 228
ANEXO A - MODELOS DECLARAÇÃO DOS SERVIÇOS FARMACÊUTICOS........ 229
ANEXO B - MODELO DE PRESCRIÇÃO FARMACÊUTICA.................................... 234
ANEXO C - MODELO DE PRONTUÁRIO FARMACÊUTICO................................... 235
ANEXO D - MODELO DE FICHA DE ENCAMINHAMENTOS AO SERVIÇO
MÉDICO..................................................................................................................... 236

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1 PREFÁCIO

O Farmacêutico é o profissional perito no medicamento e que presta, além da


dispensação orientada dos medicamentos, vários serviços farmacêuticos à
comunidade em que está inserido. Para tanto, desenvolve suas atividades nas mais
diversas áreas de atuação, sendo que dentre elas destaca-se a farmácia de
dispensação pública ou privada; a farmácia de manipulação alopática, homeopática,
dermatológica e veterinária; a farmácia hospitalar; o laboratório de análises clínicas;
o serviço público (Núcleo de Apoio à Saúde da Família NASF, Vigilância Sanitária,
Farmacoepidemiologia); a indústria farmacêutica, de alimentos e cosmética; a
pesquisa e o ensino (graduação, pós-graduação); a distribuição e o transporte de
medicamentos, insumos e correlatos; as terapias alternativas (acupuntura,
fitoterapia, outras); a estética; a polícia científica; os gases e misturas de uso
terapêutico, entre outras.
Além de todas estas áreas, o farmacêutico também tem importante
participação em outras frentes, como nas entidades filantrópicas, nas conferências
de saúde, através dos Conselhos Municipais e Estaduais de Saúde, nas campanhas
de saúde e tantos outras às quais empresta todo o seu arsenal de conhecimento e
disposição a serviço da saúde da população.
Procurando mostrar toda a importância do farmacêutico como profissional de
saúde à população em geral é que o Conselho Federal de Farmácia – CFF vinculou,
em 2012, na mídia nacional uma peça publicitária de valorização da profissão,
enfatizando a participação efetiva do farmacêutico no dia-a-dia das pessoas, não
apenas quando se trata de medicamentos e de cuidados, mas também na indústria
de alimentos, na indústria cosmética e nas análises clínicas.
A campanha usou dois motes: “Farmacêutico. Sempre perto de você” e “Tem
sempre um farmacêutico perto de você”, através dos quais busca mostrar à
população que, mesmo que não percebam, sempre tem um farmacêutico atuando
nos serviços e na elaboração de produtos do seu cotidiano, seja ele um
medicamento, um cosmético ou, até mesmo, um alimento.

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A importância do farmacêutico para a saúde das pessoas é historicamente


conhecida. Mas para que tenha seu trabalho reconhecido é preciso sempre se
atualizar, capacitar e buscar novos conhecimentos. Esta condição faz com que o
farmacêutico adquira, junto à população, a credibilidade e confiança necessárias
para que se torne cada vez mais um profissional “indispensável à sua saúde”.
Parte desta confiança e credibilidade está depositada nos serviços
farmacêuticos que são facultados aos profissionais desenvolverem no âmbito da
farmácia de dispensação, previsto na Resolução RDC 44/2009 da Agência Nacional
de Vigilância Sanitária – ANVISA e que garante o acesso rápido e seguro a toda a
população quando necessitarem destes serviços.
Dentre os serviços farmacêuticos permitidos está: a administração de
medicamentos injetáveis e a inaloterapia; a perfuração de lóbulo auricular para
colocação de brincos; a verificação de parâmetros fisiológicos (pressão arterial e
temperatura corporal); a aferição de parâmetros bioquímicos (glicemia capilar); o
acompanhamento farmacoterapêutico e; o que motivou este curso, a indicação
farmacêutica em transtornos menores.
É uma prática, quase que habitual em nosso cotidiano, usar medicamentos
vendidos sem a necessidade de prescrição médica em farmácias e drogarias.
Termos como automedicação, autocuidado e indicação de medicamentos sem
receita médica são utilizados para nominar este tipo de terapia medicamentosa. Os
medicamentos utilizados para esta finalidade são classificados atualmente como
“Medicamentos Isentos de Prescrição” ou simplesmente MIPs. Mas, em outras
épocas, foram taxados até mesmo de “anódinos”, isto é, medicamentos de pouca
importância e que produzem pouco ou nenhum mal.
Facilmente identificados nas farmácias por não possuírem as tarjas vermelhas
(ou pretas, nos psicotrópicos) com as frases de alerta da exigência da prescrição
médica – “medicamentos sem tarja”, estes produtos não são tão inofensivos assim e
podem causar mal maior se utilizado de forma errada e/ou por pacientes que
apresentam alguma restrição ao seu uso. Pessoas que sofrem de alguma patologia
que pode ser agravada com o uso indevido dos MIPs engrossam os grupos

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potenciais para desenvolver contra-indicações à administração sem orientação


profissional destes medicamentos.
A facilidade de acesso aos MIPs, garantidas pelas resoluções dos órgãos de
vigilância sanitária que os disponibilizam em gôndolas de auto-atendimento (ou auto-
serviço) nas farmácias e drogarias em alguns Estados brasileiros aumentam
potencialmente os riscos de intoxicações e agravos de doenças em virtude do uso
indiscriminado e sem orientação destes medicamentos pela grande maioria da
população.
Existe uma dicotomia entre facilidade de acesso e uso sem orientação dos
MIPs que contradiz com o interesse de consolidar cada vez mais o farmacêutico
como profissional da saúde e seu indispensável papel neste contexto.
Com este objetivo, o Conselho Federal de Farmácia (CFF), após consulta
pública e a realização de debates entre órgãos de classe, instituições de ensino e
profissionais, através de audiências públicas, aprovou em plenário e deu publicidade
à Resolução nº 586, de 29 de agosto de 2013 que “regula a prescrição farmacêutica
e dá outras providências”. Com o advento desta resolução o farmacêutico também
passa a ser prescritor de medicamentos, desde que seguindo regras nela previstas.
O farmacêutico passa a “documentar” seus atos, respeitando seus limites de
atuação, seguindo protocolos de decisão para tratar de doenças e agravos
considerados transtornos menores de saúde, orientando, de forma documentada, o
paciente a usar corretamente os medicamentos.
Por sua vez, o paciente passa a ter no farmacêutico um profissional de saúde
de fácil acesso e que assume responsabilidades perante seu estado atual de saúde,
com práticas terapêuticas seguras, eficazes e de melhor custo benefício.
Neste cenário, emerge a necessidade de oferecer a estes profissionais
conhecimentos mínimos acerca de uma indicação/prescrição farmacêutica
embasada em princípios éticos e científicos, para que atuem de forma a mostrar à
população sua fundamental importância no processo saúde/doença quando se tratar
de transtornos menores (TM), oferecendo a ele subsídios para se afirmar no cuidado
do paciente, na farmácia pública e privada.

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Esse curso tem como objetivo principal suprir o profissional farmacêutico de


informações sobre a indicação/prescrição farmacêutica em transtornos menores e o
uso correto dos MIPs.
Em um primeiro momento serão enfatizadas algumas definições acerca dos
serviços farmacêuticos, da atenção farmacêutica, da consulta farmacêutica, dos
transtornos menores e outros termos que devem estar bem claros para que os
profissionais farmacêuticos, quando forem indicar/prescrever um medicamento ao
seu paciente, o façam de forma consciente, esclarecida e fundamentada em
conhecimento técnico e científico.
Os capítulos seguintes trazem um quadrocom as principais legislações que
regem este serviço farmacêutico no âmbito das farmácias e drogarias, as interações
medicamentosas e reações adversas envolvendo os MIPs e o processo racional de
seleção de medicamentos, conhecimentos extremamente importantes na hora de
indicar/prescrever um medicamento ao paciente.
O sexto capítulo pode ser considerado o mais importante, pois nele serão
abordados os principais transtornos menores e seus respectivos algoritmos de
decisão para intervenção do farmacêutico, buscando sistematizar as consultas
farmacêuticas e a decisão de intervir no TM ou de encaminhar o paciente ao serviço
médico.
Por fim, encontrará nos anexos modelos da Declaração dos Serviços
Farmacêuticos (DSF), documento que obrigatoriamente deve ser emitido após a
execução de cada serviço farmacêutico e da Ficha de Encaminhamento ao Serviço
Médico (FESM) a ser preenchida pelo farmacêutico quando este entender que os
sinais e sintomas do paciente não se tratam de um TM ou a terapia (medicamentosa
ou não) adotada inicialmente não foi resolutiva e, portanto, há necessidade de
encaminhamento ao serviço médico. Os modelos de prescrição farmacêutica e de
prontuário farmacêutico também serão encontrados nos anexos.
Lembre-se: nenhum curso, livro, manual ou outro meio de aquisição de
conhecimento pode transmitir tudo o que você deve saber. Assim sendo, na
plataforma do curso, além do material básico de leitura obrigatória, estão postados

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textos complementares, artigos e publicações sobre o tema, bem como sugestão de


livros e canais de informações a respeito de TM.
Existe um provérbio que diz: “na vida é assim: uns armam o circo, outros
batem palma". Parabéns pela iniciativa de buscar novos conhecimentos, com
certeza, este será um importante passo para que você faça a diferença na profissão
farmacêutica.
Seja bem vindo(a)!
Bom curso!

Farm. Valquires Souza Godoy


Coordenador da Comissão de Farmácia de Dispensação – CFD
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2 CONCEITOS

2.1 SERVIÇOS FARMACÊUTICOS

João (2010), diz que somente o farmacêutico inscrito no Conselho Regional


de Farmácia de sua jurisdição poderá prestar serviços farmacêuticos, em farmácias
e drogarias, sendo os serviços farmacêuticos os seguintes: elaboração do perfil
farmacoterapêutico, avaliação e acompanhamento da terapêutica farmacológica de
usuários de medicamentos; determinação quantitativa do teor sanguíneo de glicose,
mediante coleta de amostras de sangue por punção capilar, utilizando-se de medidor
portátil; verificação de pressão arterial; verificação de temperatura corporal;
aplicação de medicamentos injetáveis; execução de procedimentos de inalação e
nebulização; realização de curativos de pequeno porte; perfuração do lóbulo
auricular para colocação de brincos; participação em campanhas de saúde e
prestação de assistência farmacêutica domiciliar.
O termo serviço farmacêutico, conforme definição da Organização Pan-
Americana da Saúde (OPAS) se refere ao grupo de prestações relacionadas com
medicamentos, destinadas a apoiar as ações de saúde que demanda a comunidade
através de uma atenção farmacêutica que permita a entrega dos medicamentos a
pacientes hospitalizados e ambulatoriais, com critérios de qualidade da
farmacoterapia. São partes integrantes dos serviços e programas de saúde,
representam um processo que abarca a administração de medicamentos em toda e
cada uma de suas etapas constitutivas, a conservação e controle da qualidade,
seguridade e eficácia terapêutica dos medicamentos, o seguimento e avaliação da
utilização, a obtenção e divulgação da informação sobre medicamentos e a
educação permanente dos demais membros do grupo de saúde, o paciente e a
comunidade para assegurar o uso racional de medicamentos.

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2.2 ATENÇÃO FARMACÊUTICA

“Atenção Farmacêutica é um modelo de prática profissional que consiste na

provisão responsável da farmacoterapia com o propósito de alcançar


resultados concretos em resposta à terapêutica prescrita, que melhorem a qualidade
de vida do paciente. Busca prevenir ou resolver os problemas farmacoterapêuticos
de maneira sistematizada e documentada. Além disso, envolve o acompanhamento
do paciente com dois objetivos principais: responsabilizar-se junto com o paciente
para que o medicamento prescrito seja seguro e eficaz, na posologia correta e
resulte no efeito terapêutico desejado; atentar para que, ao longo do tratamento, as
reações adversas aos medicamentos sejam as mínimas possíveis e quando
surgirem, que possa ser resolvido imediatamente, ou seja, é um conceito de prática
profissional em que o usuário do medicamento é o mais importante beneficiário das
ações do farmacêutico, o centro de sua atenção” (PEREIRA e FREITAS, 2008).
“É um conceito de prática profissional no qual o paciente é o principal
beneficiário das ações do farmacêutico. A atenção é o compêndio das atitudes, dos
comportamentos, dos compromissos, das inquietudes, dos valores éticos, das
funções, dos conhecimentos, das responsabilidades e das habilidades do
farmacêutico na prestação da farmacoterapia, com objetivo de alcançar resultados
terapêuticos definidos na saúde e na qualidade de vida do paciente” (Conselho
Federal de Farmácia, 2010).
“Atenção farmacêutica é a provisão responsável do tratamento farmacológico
com o propósito de alcançar resultados concretos que melhorem a qualidade de vida
do paciente” (VIEIRA, 2007).

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2.3 SEGUIMENTO/ACOMPANHAMENTO FARMACOTERAPÊUTICO

Para Bisson (2007), o processo de seguimento farmacoterapêutico (SFT) de


um paciente é a principal atividade da atenção farmacêutica. Este processo é
composto de três fases principais: anamnese farmacêutica, interpretação de dados e
processo de orientação.
A principal ferramenta de trabalho do farmacêutico no seguimento
farmacoterapêutico é a informação. O seguimento de pacientes pode ser realizado
tanto no âmbito ambulatorial como em hospitais, farmácias públicas e no domicílio
do paciente.
Seguir um paciente significa acompanhá-lo; portanto, o trabalho de
seguimento envolve documentação, consultas de retorno nos casos ambulatoriais e
vínculo profissional farmacêutico-paciente, que só se concretiza com confiança
mútua adquirida ao longo do tempo.
Porém Dáder (2008) descreve que o Seguimento Farmacoterapêutico trata-se
de um procedimento operativo simples que permite realizar-se em qualquer
paciente, em qualquer âmbito assistencial, de forma sistematizada, continuada e
documentada. Seu desenvolvimento permite registrar, monitorar e avaliar os efeitos
da farmacoterapia que utiliza um paciente, através de formas simples e claras.
Atualmente, define-se Acompanhamento Farmacoterapêutico (AFT) como “o
serviço profissional que tem como objetivo detectar problemas relacionados com
medicamentos (PRM), para prevenir e resolver os resultados negativos associados à
medicação (RNM). Este serviço implica em compromisso e deve ser disponibilizado
de um modo contínuo, sistemático e documentado, em colaboração com o doente e
com os profissionais do sistema de saúde, com a finalidade de atingir resultados
concretos que melhorem a qualidade de vida do doente” (Hernández et al., 2007).
Existem várias causas de RNM, entre elas a não adesão ao tratamento
farmacológico.

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2.4 ATENDIMENTO FARMACÊUTICO

O atendimento farmacêutico objetiva prestar um serviço de qualidade,


completo e uniforme ao paciente, além de facilitar a comunicação entre os outros
profissionais de saúde, tendo como referencial teórico a Atenção Farmacêutica
(MELO, 2002).

É o ato em que o farmacêutico, fundamentado em sua práxis, interage


eresponde às demandas dos usuários do sistema de saúde, buscando a
resolução de problemas de saúde, que envolvam ou não o uso de
medicamentos. Este processo pode compreender escuta ativa, identificação
de necessidades, análise da situação, tomada de decisões, definição de
condutas, documentação e avaliação, entre outros (IVAMA, et al., 2002)

2.5 CONSULTA FARMACÊUTICA

No Brasil, após o Consenso Brasileiro de Atenção Farmacêutica, realizado em


2002, foi proposto o seguinte conceito para Atenção Farmacêutica: “É um modelo de
prática farmacêutica, desenvolvida no contexto da assistência farmacêutica.
Compreende atitudes, valores éticos, comportamentos, habilidades, compromissos e
co-responsabilidades na prevenção de doenças, promoção e recuperação de saúde,
de forma integrada à equipe de saúde. É a interação direta do farmacêutico com o
usuário, visando uma farmacoterapia racional e à obtenção de resultados definidos e
mensuráveis, voltados para a melhoria da qualidade de vida. Esta interação também
deve envolver as concepções dos seus sujeitos, respeitada as suas especificidades
biopsicossociais, sob a ótica da integralidade das ações de saúde (MARQUES,
2005).
A prática da Atenção Farmacêutica engloba várias atividades, entre elas se
encontra a chamada Consulta Farmacêutica.
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A atenção farmacêutica deve estar adequada às demandas dos usuários da


farmácia comunitária ou do serviço onde o farmacêutico esteja inserido. O
farmacêutico deve especializar sua consulta nos problemas comuns de sua região e
nas queixas que normalmente são mal atendidas no balcão da farmácia. Em outras
palavras, o perfil epidemiológico da região e as necessidades dos pacientes devem
ser os fatores-guia da construção do serviço clínico farmacêutico. Isso pode incluir o
atendimento de transtornos menores, métodos contraceptivos, uso de
medicamentos por gestantes, problemas dermatológicos e cosméticos, pacientes
polimedicados com dificuldades de adesão, pacientes idosos fragilizados ou
pacientes crônicos que necessitam de cuidado continuo. A consulta farmacêutica é
única. O método clínico de atenção farmacêutica é único. Mudam os problemas do
paciente, os procedimentos e as prioridades do plano de cuidado (CORRER; OTUKI,
2011).
Na prática diária o farmacêutico atenderá seus pacientes um a um, em
consultas individualizadas. Inicialmente, o objetivo será coletar e organizar dados do
paciente. Para isso utilizam-se técnicas de semiologia farmacêutica e entrevista
clínica. É aberta uma ficha para registro do atendimento, que será arquivada no
prontuário do paciente. De posse de todas as informações necessárias, o
farmacêutico será capaz de revisar a medicação em uma abordagem clínica e
identificar problemas relacionados à farmacoterapia presentes e potenciais do
paciente. Será elaborado então um plano de cuidado em conjunto com o paciente,
que pode incluir intervenções farmacêuticas e/ou encaminhamento a outros
profissionais. Deverá ser entregue ao paciente ao final da consulta a Declaração de
Serviço Farmacêutico, que registra e materializa o atendimento. Por fim, o
farmacêutico deve agendar o retorno ou a frequência de seguimento, a fim de avaliar
os resultados de suas condutas. Todo processo é reiniciado no surgimento de novos
problemas, queixas ou mudanças significativas no tratamento (CORRER; OTUKI,
2011).
De acordo com Goodman et al, (2010) o farmacêutico têm como
responsabilidade legal e profissional de oferecer aconselhamento sobre a
medicação em muitas situações – mesmo que os ambientes de trabalho nem

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sempre propícios para isso – podendo orientar e apoiar os pacientes, discutindo


sobre os medicamentos prescrito e seu uso. Como quase sempre vêem o paciente
mais freqüente que o médico, os farmacêuticos que reservam algum tempo para
interar-se do tratamento de um paciente podem ajudar a identificar a adesão e
outros problemas, bem como notificar o médico quando apropriado.
Consulta farmacêutica refere-se ao serviço que se realiza quando o paciente
consulta o farmacêutico sobre o possível tratamento de um problema de saúde
concreto, ou seja, sintomas ou síndromes menores para os quais a legislação
permite a dispensação de um medicamento sem prescrição médica ou resultará em
derivação ao médico quando necessário (DADER; MUNOZ; MARTÍNEZ, 2008).

2.6 INDICAÇÃO FARMACÊUTICA

“É um processo no qual o farmacêutico recomenda ao paciente um


medicamento de venda sem prescrição obrigatória, adequado ao estado
fisiopatológico do mesmo, considerando as preferências do doente, durante o
processo o paciente assume a responsabilidade por sua melhoria de saúde, através
da administração dos medicamentos indicados pelo farmacêutico, destinados à
prevenção e ao alívio de queixas autolimitadas, sem recurso à consulta médica”
(ORDEM DOS FARMACÊUTICOS, 2006).
“A indicação farmacêutica é um ato profissional, no qual o farmacêutico se
responsabiliza pela seleção de um medicamento que não necessita de prescrição
médica, visando aliviar ou resolver o problema de saúde do paciente ou encaminhar
o paciente ao médico quando seu problema necessite de sua atuação” (BISSON,
M.P, 2008).
“A indicação farmacêutica é um ato onde o farmacêutico faz a seleção de um
medicamento de venda livre, visando aliviar ou resolver o problema do paciente ou
encaminhá-lo ao médico quando o referido problema necessite de sua atuação”

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(DADER, Maria José Faus; MUÑOZ, Pedro Amariles; MARTINEZ-MARTINEZ,


Fernando, 2008).

2.7 INTERVENÇÃO FARMACÊUTICA

Segundo Amaral et al (2008), o conceito de intervenção farmacêutica é


usado para denominar todas as ações da qual o farmacêutico participa ativamente
como nas tomadas de decisão, na terapia dos pacientes e também na avaliação dos
resultados. Por isso, torna-se imprescindível para o farmacêutico ter a noção exata
de sua competência, e dos limites de sua intervenção no processo saúde–doença.
Já Sánchez et al (2010) entende intervenção farmacêutica como toda ação adotada
pelo farmacêutico com a finalidade de solucionar um problema, potencial ou real,
relacionado com a medicação ou nutrição e pelas necessidades de cuidados dos
pacientes.
De forma mais didática, Ruiz (2009) define intervenção farmacêutica como as
ações realizadas pelo farmacêutico relacionadas à farmacoterapia ou ao paciente
com o fim de prevenir e solucionar resultados negativos dos medicamentos. Esta
intervenção pode ser realizada então em dói níveis:
1. Na farmacoterapia: esta intervenção é direcionada ao clínico/médico como fim
de que se modifique um tratamento por inefetividade, insegurança ou quando
o medicamento não é adequado para a enfermidade que se pretende tratar,
ou inadequado para preservar ou melhorar os resultados alcançados.
2. Na educação do paciente: neste caso se pretende que o paciente tome
interesse por seu tratamento, conheça os fármacos que toma e que a
administração dos mesmos seja adequada. Isso se realiza mediante
conselhos práticos sobre os medicamentos, indicando sua utilização e forma
de combater os possíveis efeitos adversos que produzem. Incluindo
informações a respeito de sua enfermidade e conselhos para melhorar sua
qualidade de vida.

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A intervenção farmacêutica é um ato planejado, documentado e realizado


junto ao usuário e profissionais de saúde, que visa resolver ou prevenir problemas
que interferem ou podem interferir na farmacoterapia, sendo parte integrante do
processo de acompanhamento/ seguimento farmacoterapêutico (ANTUNES, 2010).
Estudos reforçam a idéia de que a intervenção farmacêuticatem reduzido o
número de eventos adversos, aumenta a qualidade assistencial e diminui custos
hospitalares (NUNES, 2008).
As ações do farmacêutico, no modelo de atenção farmacêutica, em sua
grande maioria, são atos clínicos individuais. Mas as sistematizações das
intervenções farmacêuticas e a troca de informações dentro de um sistema de
informação composto por outros profissionais de saúde podem contribuir para um
impacto em nível coletivo e na promoção do uso seguro e racional de
medicamentos. (AMARAL; AMARAL; PROVIN, 2008).

2.8 PROBLEMAS DE SAÚDE

Na consulta ao Oxford Textbook of Public Health não foi encontrada uma


definição específica para “problema de saúde pública”, entretanto chama a atenção
que o primeiro princípio que deve ser atendido para implantação de qualquer medida
de rastreamento é que a condição investigada seja “um importante problema de
saúde pública”. O texto enfatiza que ao se julgar sobre recomendações de
rastreamento deve-se considerar a “carga de mortalidade, morbidade e sofrimento
causados pela condição” (COSTA; VICTORA, 2006).
De forma semelhante, Daly et al. (2002) apontam como critérios definidores
de problema de saúde pública na área de saúde bucal a prevalência da condição, o
impacto da condição no nível individual, seu impacto na sociedade (do ponto de
vista econômico) e se a condição pode ser prevenida ou se existe um tratamento
efetivo disponível.

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Para Castellanos (1997), o estabelecimento da diferença entre ‘necessidade’


e ‘problema de saúde’ vincula-se ao conceito de ‘situação de’ saúde. De acordo com
o autor, esta se define pela consideração das opções dos atores sociais envolvidos
no processo, não podendo ser compreendida à margem da intencionalidade do
sujeito que a analisa e interpreta. Assim, as necessidades são elaboradas por
intermédio de análises e procedimentos objetivos. Os problemas demandam
abordagens mais complexas, configurando-se mediante a escolha de prioridades
que envolvem a subjetividade individual e coletiva dos atores em seus espaços
cotidianos.

2.9 TRANSTORNO MENOR DE SAÚDE

Um problema de saúde banal, auto-limitante em si e de cura espontânea, com


menos de 7 dias de duração e que não tem qualquer relação com a clínica de outros
problemas de saúde sofridos pelo paciente, nem com os efeitos desejados ou não,
dos medicamentos que toma. (MACHUCA; BAENA; FAUS, 2005)
Problemas de saúde menores englobam condições que por sua natureza não
exigem a mobilização de recursos terapêuticos aparentemente sofisticados.
(VALENZUELA; URIBE; CALDERÓN, 2010)
Os transtornos menores são aqueles considerados não graves e que
respondem ao tratamento sintomático com medicação de venda livre e/ou medidas
não farmacológicas. (UEMA; SALDE, 2004)

2.10 USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS

O uso racional de medicamentos é definido como um processo que


compreende a prescrição apropriada; a disponibilidade oportuna e a preços

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acessíveis; a dispensação em condições adequadas; e o conjunto de doses


indicadas, nos intervalos definidos e no período de tempo indicado de medicamentos
eficazes, seguros e de qualidade (JOÃO, 2010).
Uso racional de medicamentos, de acordo com a Organização Mundial de
Saúde (OMS), é quando os pacientes recebem medicamentos apropriados para
suas condições clínicas em doses adequadas às suas necessidades individuais, por
um período adequado e ao menor custo para si e para a comunidade (Ministério da
Saúde, 2007).
O Uso racional de medicamentos é uma prática que consiste em maximizar
os benefícios obtidos pelo uso dos fármacos, em minimizar os riscos
(acontecimentos não desejados) decorrentes de sua utilização e reduzir os custos
totais da terapia para o indivíduo e a sociedade (MOTA et al., 2008).

2.11 AUTOMEDICAÇÃO

A Automedicação, prática muito comum, vivenciada por civilizações de todos


os tempos, é um procedimento caracterizado pela iniciativa do doente ou de seu
responsável em obter ou produzir e utilizar um produto que acredita que lhe trará
benefícios no tratamento de doenças ou alívio dos sintomas, sendo uma forma
importante de cuidados pessoais e de resposta a sintomas.
A automedicação inclui várias formas através das quais o indivíduo ou os
seus responsáveis decidem, sem nenhuma avaliação médica, que eles farão o uso
de uma determinada droga, acabando por utilizar até mesmo medicamentos de
outros membros da família ou amigos, sobras de prescrições anteriores (PEREIRA,
Francis; BUCARETCHII, Fábio; CORDEIRO, Stephan, 2007).
A propaganda de medicamentos nos meios de comunicação de massa
constitui um estímulo frequente para a automedicação, pois acaba explorando o
desconhecimento dos consumidores acerca dos produtos e seus efeitos adversos
(BARROS E SÁ, Mirivaldo; BARROS, José; OLIVEIRA SÁ, Michel, 2007).

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Ainda de acordo com Barros e Sá; et al, o baixo poder aquisitivo da população
e a precariedade dos serviços de saúde contrastam com a facilidade de se obter
medicamentos, sem realizar alguma consulta e sem possuir receita médica, em
qualquer farmácia, onde, não raro, encontra-se o estímulo do balconista interessado
em ganhar uma comissão pela vendado medicamento. Mesmo nas camadas
privilegiadas, que têm amplo acesso aos serviços médicos, a automedicação ganha
espaço, havendo uma grande tendência para a busca de solução imediata para as
enfermidades, a fim de não interromper as atividades cotidianas ou possibilitar um
pronto retorno a elas.
Os prejuízos mais frequentes decorrentes da automedicação incluem, entre
outros, gastos supérfluos, atraso no diagnóstico e na terapêutica adequados,
reações adversas ou alérgicas, e intoxicação. Alguns efeitos adversos ficam
mascarados, enquanto outros se confundem com os da doença que motivou o
consumo, e criam novos problemas, os mais graves podendo levar o paciente à
internação hospitalar ou à morte (BARROS E SÁ, Mirivaldo; BARROS, José;
OLIVEIRA SÁ, Michel, 2007).
Segundo a Organização Mundial de Saúde e o Ministério da Saúde, o
mercado brasileiro dispõe de mais de32 mil medicamentos. Diversos medicamentos
que deveriam ser utilizados apenas com prescrição médica são vendidos de forma
indiscriminada pelo estabelecimento farmacêutico, pelo fato de que, no Brasil, a
farmácia não é reconhecida com uma unidade de saúde e, sim, um ponto comercial
de vendas de medicamento e produtos correlatos. Estes medicamentos, vendidos
sem receita médica, possibilitam a automedicação, onde o indivíduo, motivado por
fatores socioeconômicos - culturais, por si só, reconhecem os sintomas da sua
doença e os trata (CERQUEIRA et al., 2005, citado por SOUZA, Hudson; SILVA,
Jennyff; NETO, Marcelino, 2008).
A automedicação inadequada, tal como a prescrição errônea, pode ter como
conseqüência efeitos indesejáveis, enfermidades iatrogênicas e mascaramento de
doenças evolutivas, representando, portanto, problema a ser prevenido. Certamente
a qualidade da oferta de medicamentos e a eficiência do trabalho dasvárias
instâncias que controlam este mercado também exercem papel de grande relevância

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nos riscos implícitos na automedicação (ARRAIS, 1997, citado por SOUZA, Hudson;
SILVA, Jennyff; NETO, Marcelino, 2008).
Diante deste contexto, verifica-se o quão necessário é a existência de
medidas preventivas de modo a contribuir para a diminuição diária de riscos
causados pela automedicação, tornando real a conscientização da população
quanto ao perigo dos efeitos adversos que a grande maioria dos medicamentos
pode causar.

2.12 MEDICAMENTOS ISENTOS DE PRESCRIÇÃO – MIPS

Os medicamentos isentos de prescrição (MIPs), também chamados de


medicamentos de venda livre ou OTC (sigla inglesa de “over the counter” – sobre o
balcão), segundo o Ministério da Saúde, “aqueles cuja embalagens não possuem
tarja e cuja dispensação pode ser realizada sem a necessidade de uma prescrição
médica” (COSTA, 2005).
São estes medicamentos que são indicados pela própria Organização
Mundial da Saúde (OMS, 2008), para o autocuidado das pessoas, ou seja, adotando
os princípios da automedicação. No entanto, o uso irracional destes medicamentos
pode causar inúmeros problemas aos pacientes.
O consumo inadequado dos medicamentos, pode estar sendo motivada por
diversos fatores, esta prática de automedicação irracional está vinculada a
população em tratar doenças auto-identificadas, para tal consomem medicamentos
disponíveis sem necessidade de prescrição ou sem tarja, denominados de
medicamentos isentos de prescrição (MIPs), não excluindo a isenção de orientação
e acompanhamento (DADER, 2008).

2.13 PRESCRIÇÃO FARMACÊUTICA

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Segunda o CFF (2013):

define-se a prescrição farmacêutica como ato pelo qual o


farmacêutico seleciona e documenta terapias farmacológicas e
não farmacológicas, e outras intervenções relativas ao cuidado
à saúde, visando à promoção, proteção e recuperação da
saúde, e à prevenção de doenças e de outros problemas de
saúde”. Ainda segundo o CFF (2013) a “prescrição
farmacêutica constitui uma atribuição clínica do farmacêutico e
deverá ser realizada com base nas necessidades de saúde do
paciente, nas melhores evidências científicas, em princípios
éticos e em conformidade com as políticas de saúde vigentes”.

No Brasil o modelo de prescrição farmacêutica adotada é a dependente,


podendo ser: colaborativa onde o médico faz o diagnóstico e o farmacêutico
seleciona, inicia, monitora, modifica e continua ou descontinua o tratamento;
suplementar onde o médico faz o diagnóstico, seleciona e inicia a terapia
medicamentosa e o farmacêutico realiza o manejo – monitora, modifica, registra
fatos clínicos e reencaminha, podendo prescrever todos os medicamentos
constantes de uma lista pré-definida e consulta o médico sempre que necessário;
repetiçãodeprescrição onde o farmacêutico atua na continuidade de um tratamento
já iniciado, conforme protocolos de atenção; prescrição ou indicação farmacêutica
baseada em formulários de medicamentos, sendo exclusiva para determinadas
doenças e agravos à saúde.
Inicialmente, os medicamentos isentos de prescrição médica ou odontológica
(MIPs) serão os permitidos para prescrição farmacêutica, ou medicamentos que
exijam prescrição médica ou odontológica desde que condicionado à existência de
diagnóstico prévio e previsto em programas, protocolos, diretrizes ou normas
técnicas, aprovados para uso no âmbito de instituições de saúde ou quando da
formalização de acordos de colaboração com outros prescritores ou instituições de
saúde.
Poderá ser farmacêutico prescritor aquele que comprovar junto ao Conselho
Regional de Farmácia de sua jurisdição possuir título de especialista na área clínica
que inclua habilidades e conhecimentos em boas práticas de prescrição,

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fisiopatologia, semiologia, comunicação interpessoal, farmacologia clínica e


terapêutica.

3 BASE LEGALPARA USO DE MIPS

Quadro 1 – Base Legal do MIPs


ANO LEGISLAÇÃO TEMA
o
Regulamenta a Lei n . 9.294 de 15 de julho de 1996, que
o dispõe sobre as restrições ao uso e à propaganda de
Decreto n . 2.018, de 01
1996 produtos fumígenos, bebidas alcoólicas, medicamentos,
de outubro de 1996.
terapias e defensivos agrícolas, nos termos do § 4º do art.
220 da Constituição
Aprova Norma Técnica para orientar a abertura,
Resolução da Secretaria
funcionamento, as condições físicas, técnicas e sanitárias,
de Estado de Saúde do
1996 e a dispensação de medicamentos em farmácias e
Estado do Paraná nº 54,
drogarias.
de 03 de junho de 1996.
Resolução do Conselho
Aprova o regulamento técnico das Boas Práticas de
Federal de Farmácia (CFF)
2001 Farmácia.
nº 357, de 20 de abril de
2001.
Resolução ANVISA RDC Dispõe sobre o enquadramento na categoria de venda de
2003 nº 138, de 29 de maio de medicamentos.
2003 (Ver Tabela 1 – GITE)
Dispõe sobre rotulagem de medicamentos e dá outras
Resolução ANVISA RDC
providências, determina as informações que devem estar
2003 nº 333, de 19 de novembro
contidas nas embalagens primárias e secundárias dos
de 2003.
medicamentos isentos de prescrição.
Dispõe que as farmácias e drogarias poderão fracionar
medicamentos a partir de embalagens especialmente
desenvolvidas para essa finalidade de modo que possam
Resolução ANVISA RDC ser dispensados em quantidades individualizadas para
2006 nº 80, de 11 de maio de atender às necessidades terapêuticas dos consumidores e
2006. usuários desses produtos, desde que garantidas às
características asseguradas no produto original registrado e
observadas às condições técnicas e operacionais
estabelecidas nesta resolução.
Determina a publicação da “LISTA DE MEDICAMENTOS
FITOTERÁPICOS DE REGISTRO SIMPLIFICADO”. Nesta
lista fixa-se a necessidade ou não da prescrição médica
Instrução Normativa
para venda de fitoterápicos, além de informar dados como:
2008 ANVISA nº 5, de 11 de
nomenclatura botânica, nome popular, parte utilizada,
dezembro de 2008
padronização/marcador de qualidade, derivado de droga
vegetal, indicações/ações terapêuticas, concentração da
forma farmacêutica, via de administração e restrição de

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uso.
Resolução ANVISA RDC Dispõe sobre a propaganda, publicidade, informação e
2008 nº 96, de 17 de dezembro outras práticas cujo objetivo seja a divulgação ou promoção
de 2008. comercial de medicamentos.
Dispõe sobre Boas Práticas Farmacêuticas para o controle
Resolução ANVISA RDC sanitário do funcionamento, da dispensação e da
2009 nº 44, de 17 de agosto de comercialização de produtos e da prestação de serviços
2009. farmacêuticos em farmácias e drogarias e dá outras
providências.
Instrução Normativa
Dispõe sobre a relação de produtos permitidos para
2009 ANVISA nº 09, de 17 de
dispensação e comercialização em farmácias e drogarias.
agosto de 2009.
Aprova a relação dos medicamentos isentos de prescrição
que poderão permanecer ao alcance dos usuários para
Instrução Normativa obtenção por meio de auto-serviço em farmácias e
2009 ANVISA nº 10, de 17 de drogarias. No caso somente os medicamentos fitoterápicos,
agosto de 2009. os administrados por via dermatológica e os medicamentos
sujeitos a notificação simplificada poderão permanecer ao
alcance do usuário.
Altera os artigos 40 e 41 da RDC 44/2009. Exigência de
Resolução ANVISA RDC cartaz na área permitida para os MIPs com a orientação:
2012 nº 41, de 27 de julho de “MEDICAMENTOS PODEM CAUSAR EFEITOS
2012. INDESEJADOS. EVITE A AUTOMEDICAÇÃO INFORME-
SE COM O FARMACÊUTICO”.
Resolução do Conselho
Federal de Farmácia nº
2013 Regula a prescrição farmacêutica e dá outras providências.
586, de 29 de agosto de
2013.

Quadro 2 - Lista de Grupos e Indicações Terapêuticas Específicas (GITE)


Grupos Terapêuticos Indicações Terapêuticas Observações
Antiacneicos tópicos Acne, acne vulgar, rosácea Restrições: Retinóides
Acidez estomacal, azia, Restrições: metoclopramida,
Antiácidos, antieméticos,
desconforto estomacal, dor de bromoprida, mebeverina,
eupépticos, enzimas digestivas
estômago, dispepsia inibidor da bomba de próton
Enjôo, náusea, vômito,
epigastralgia, má digestão,
queimação
Restrições: loperamida infantil,
Antidiarreicos Diarreia, desinteria
opiáceos
Cólica, cólica menstrual,
Antiespasmódicos dismenorreia, desconforto pré- Restrições: mebeverina
menstrual
Cólica biliar/renal/intestinal
Restrições: adrenérgicos,
Alergia, coceira/prurido, coriza,
Anti-histamínicos corticóides que não a
rinite
hidrocortisona de uso tópico
Alérgica, urticária, picada de
inseto, ardência, ardor
Antisseborréicos Caspa
Antissépticos orais Aftas, dor de garganta, profilaxia
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das cáries
Restrições: adrenérgicos,
Antissépticos ocular
corticoides
Antissépticos da pele e
Assaduras, dermatite de fraldas
mucosas
Disúria, dor/ardor/desconforto
Antisséptico urinário
para urinar
Antisséptico vaginal tópicos Higiene íntima, desodorizante
Suplemento vitamínico e/ou
mineral: pós-
cirúrgico/cicatrizante; auxiliar
nas anemias carenciais; dietas
restritivas e inadequadas; em
doenças
crônicas/convalescença; em
idosos; em períodos de
crescimento acelerado; na
gestação e aleitamento; para
Aminoácidos, vitaminas,
recém-nascidos, lactentes e
minerais
crianças em fase de
crescimento; para prevenção do
raquitismo; para a
prevenção/tratamento auxiliar
na desmineralização óssea pré
e pós menopausal;
antioxidantes; para prevenção
da cegueira noturna/xeroftalmia;
como auxiliar do sistema
imunológico
Lombalgia, mialgia, torcicolo,
dor articular, artralgia,
Permitidos: naproxeno,
Antiinflamatórios inflamação da garganta, dor
ibuprofeno, cetoprofeno
muscular, dor na perna, dor
varicosa, contusão
Dor nas pernas, dor varicosa,
Antiflebites
sintomas de varizes
Eructação, flatulência,
Antifisético
empachamento, estufamento
Micoses de pele, frieira (pé de Permitidos: tópicos que não
Antifúngico atleta), micoses de unha, pano contenham princípios ativos de
branco uso sistêmico
Antihemorroidários Sintomas de hemorróidas Permitidos: tópicos
Permitidos: mebendazol,
Antiparasitários orais Verminoses
levamizol
Piolhos, sarna, escabiose,
Antiparasitários tópicos
carrapatos
Alívio dos sintomas do
Antitabágicos Restrições: bupropiona
abandono do hábito de fumar
Dor, dor de dente, dor de
cabeça, dor abdominal e
Analgésicos, antitérmicos pélvica, enxaqueca, sintomas
da gripe e do resfriado, febre,
cefaléia
Descamação, esfoliação da
Ceratolíticos
pele, calos, verrugas

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Feridas, escaras, fissuras de


Cicatrizantes
pele e mucosas, rachaduras
Distúrbios digestivos e
Colagogos, coleréticos
hepáticos
Descongestionantes nasais Congestão nasal, obstrução
Restrições: vasoconstritores
tópicos nasal
Emolientes cutâneos Hidratante
Secura nos olhos, falta de
Emoliente ocular
lacrimejamento
Expectorantes, sedativos da Tosse, tosse seca, tosse
tosse produtiva
Prisão de ventre,
Laxantes, catárticos obstipação/constipação
intestinal, intestino preso
Reidratante oral Hidratação oral
Torcicolo, contratura muscular,
Relaxantes musculares
dor muscular
Rubefaciantes Vermelhidão/rubor
Tônico oral Estimulante do apetite
Fonte: Anvisa (2003).

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4 PRINCIPAIS INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS E REAÇÕES ADVERSAS


ENVOLVENDO MIPS

O Uso Racional de medicamentos é caracterizado quando o medicamento


selecionado é adequado ao paciente, sua condição clínica e é utilizado na
concentração, posologia e tempo de tratamento adequado, representando um custo
acessível para o próprio paciente e para a sociedade (OMS, 2002).
Ainda segundo a Organização Mundial da Saúde (WHO, 2010), mais de 50%
de todos os medicamentos são incorretamente prescritos, dispensados e vendidos;
e mais de 50% dos pacientes os usam incorretamente. Mais de 50% de todos os
países não implementam políticas básicas para promover uso racional de
medicamentos.
Este uso abusivo, insuficiente ou inadequado de medicamentos com o
emprego concomitante de múltiplos fármacos torna-se comum e traz consigo risco
elevado de interações entre medicamentos. Isso pode acarretar efeitos adversos, ou
os efeitos terapêuticos dos fármacos associados podem ser alterados, podendo
levar a sérios riscos a saúde da população (Stockely, 2002).
No entanto, em se tratando de medicamentos, sejam eles tarjados ou não,
sempre se sugere um risco à saúde. Não é porque um medicamento é caracterizado
como isento de prescrição (MIP) que não possa ocasionar efeitos indesejáveis,
mesmo sendo utilizado corretamente. Um exemplo pode ser dado pelo ácido
acetilsalicílico, usado como antiinflamatório pode causar problemas no trato
digestivo, especialmente gastrites e úlceras. Até mesmo os mais inocentes
antigripais podem trazer em sua composição substâncias (vasoconstritores) que
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podem alterar a pressão arterial ou que possam causar sonolência (anti-


histamínicos)(Lacy et al., 2007).
A própria ANVISA reconhece que a automedicação deve ser evitada e que o
farmacêutico deve ser consultado. Mesmo agora, quando autorizou a retirada dos
MIPS de traz do balcão, estes deverão ser acompanhados nas gôndolas com a
inscrição: “Medicamentos podem causar efeitos indesejados. Evite automedicação,
informe-se com o farmacêutico" (Galato, 2012).
No quadro3 seguem algumas interações medicamentosas entre os MIPs e
outros medicamentos e suas consequências.

Quadro 3 - Principais Interações Medicamentosas dos MIPs.

MEDICAMENTOS PRINCIPAIS INTERAÇÕES

- AINES: potenciação da toxicidade.


- Ácido Ascórbico (Vitamina C): aumento dos níveis plasmáticos dos
salicilatos por diminuição da sua eliminação urinária.
- Etanol: aumento da incidência e severidade da hemorragia gastrintestinal.
Ácido
- Ibuprofeno: diminuição das concentrações plasmáticas de ibuprofeno pelo
Acetilsalicílico
aumento da metabolização ou da eliminação.
- Nimesulida: aumento do risco de sangramento.
- Ranitidina: aumento dos níveis séricos do AAS.
- Tenoxicam: aumento da toxicidade.

- AINES: diminuição do efeito terapêutico dos AINES e da absorção digestiva.


- Atenolol: diminuição do efeito por via oral.
- Atorvastatina: diminuição dos níveis séricos.
Antiácidos - Benzodiazepínicos: diminuição da disponibilidade por via oral.
- Cefaclor: diminuição do efeito terapêutico.
- Cetoconazol: diminuição do efeito terapêutico.
- Ciprofloxacino: diminuição do efeito terapêutico.

- Paracetamol: antagonismo dos efeitos tóxicos do paracetamol, aumentando


Acetilcisteína
a eliminação dos seus metabólitos hepatotóxicos.

Ácido Ascórbico - Antibióticos aminoglicosídeos: diminuição do efeito no trato urinário.


- Anticoagulantesorais: diminuição do efeito anticoagulante.
(Vitamina C) - Etinilestradiol: aumento de fenômenos de tromboembolismo.
- Ticlopidina: aumento do risco de hemorragia.

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- Cianocobalamina (VitaminaB12): perda do efeito da Vit. B12 dada por via


oral.

Clotrimazol - Betametasona: aumento da suscetibilidade a infecções.

- Epinefrina ou Norepinefrina: aumento do risco de hipertensão severa e


Dexclorfeniramina
prolongada.

- DepressoresdoSNC: potenciação da depressão do SNC.


Dextrometorfano - Etanol: potenciação da depressão do SNC.
- IMAO: excitação, confusão, hiperpirexia.

- Ciclosporina: diminuição terapêutica da ciclosporina.


- Clorpromazina: aumento do efeito antipirético. Risco de hipotermia grave.
Dipirona
- Etanol: potenciação da toxicidade.
- Sulfonilureias: diminuição do efeito hipoglicemiante.

- Cetoprofeno: aumento do risco de sangramentos.


Ibuprofeno - Digoxina: aumento do risco de intoxicação digitálica pelo aumento dos
níveis séricos da digoxina.

Lactulose - Diuréticospoupadoresdepotássio: alteração do efeito da lactulose.

- Álcool, analgésicos opióides, anfetaminas, ansiolíticos,


anticonvulsivantes, reserpina, ácido valpróico: aumento da depressão do
Loratadina SNC.
- Amitriptilina, anticolinérgicos, clomipramina: aumento da depressão do
SNC e dos efeitos anticolinérgicos.

- Cimetidina: aumento do risco de toxicidade pelo aumento dos níveis séricos


Mebendazol
do mebendazol.

- Ergocalciferol (VitaminaD): diminuição do efeito da Vit. D.


Óleo Mineral - Retinol (VitaminaA): risco de deficiência vitamínica concomitante ao uso
crônico do óleo mineral.

- Anovulatóriosorais: diminuição da intensidade e da duração do efeito


analgésico do paracetamol.
- Anticoagulantesorais: potenciação do efeito anticoagulante.
Paracetamol - AINES: potenciação dos efeitos farmacológicos e tóxicos.
- Carbamazepina: aumento da toxicidade do carbamazepina.
- Cigarro: diminuição do efeito farmacológico do paracetamol.
- Clorpromazina: hipotermia.

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- Etanol: potenciação do efeito hepatotóxico do paracetamol.

- Isotretinoína: potenciação da toxicidade de ambos.


Retinol - ÁcidoRetinóico: aumeto da possibilidade de sintomas clínicos similares à
(Vitamina A) hipervitaminose A.
- Varfarina: potenciação do efeito anticoagulante.

Piridoxina - Glimepirida: aumento do efeito hipoglicemiante.


(Vitamina B6) - Levodopa: diminuição do efeito antiparkinsoniano.

- Antibióticos aminoglicosídeos, colchicina, etanol, fenobarbital:


Cianocobalamina diminuição dos níveis séricos da Vit. B12.
(Vitamina B12) - Prednisona: potenciação do efeito da Vit. B12 na anemia perniciosa.

Fonte: P.R. Vade-mécum (2006/2007)

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5 PROCESSO RACIONAL DE SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS

O farmacêutico, ao atender um paciente que procura a farmácia solicitando


como proceder mediante determinado sintoma ou problema de saúde, tem duas
opções de intervenção: tratá-lo na farmácia ou encaminhá-lo para outro serviço de
saúde.Tal prestação de serviço, para ser realizada, requer do profissional
competências e habilidades na tomada de decisão. Do ponto de vista sanitário, a
atuação do farmacêutico em transtornos menores apresenta grande importância,
pois a farmácia, nesses casos, funciona como porta de entrada do sistema de saúde
e o farmacêutico passa a ser o único profissional em contato com o usuário antes da
utilização de medicamentos.
Para tomada de tal decisão (encaminhamento ao médico X indicação de
medicamentos isentos de prescrição), cabe ao profissional raciocinar rapidamente
sobre o processo clínico relatado pelo paciente, pois em geral, o tempo de duração
de um atendimento não ultrapassa 15 minutos. Para facilitar e dar maior segurança
ao farmacêuticoneste processo pode ser adotado os passos: análise da situação,
tomada de decisão e tratamento, os quais se encontram explanados a seguir.

1) Análise da situação

Inicialmente, o farmacêutico deve ouvir atentamente e coletar informações


sobre o paciente. Ao final dessa etapa que, pode ser chamada de entrevista clínica,
o farmacêutico deve ter conhecimento de informações suficientesque o auxiliem na
tomada de decisão sobre o caso. Como estratégia, pode ser utilizadas as iniciais da
palavra “INDICO” no intuito de ajudar na memorização dos componentes dessa

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entrevista (Quadro 4).

Quadro 4 - Anagrama para avaliação do paciente na indicação de medicamentos


isentos de prescrição.
I- Identificação do paciente: idade, sexo, hábitos
N – Natureza dos sinais/sintomas/severidade

D – Desde quando/ Tempo


I – Iniciou algum tratamento? Melhorou? Piorou?
C – Co-morbidades e medicamentos em uso
O – Outras situações especiais (gravidez, lactação, situação social, alergias,etc)
Fonte: CORRER (2006).

Na “Identificação do paciente”, o farmacêutico deve identificar aspectos


básicos referentes ao paciente que está sofrendo o transtorno (que nem sempre é a
mesma pessoa que procura pelo medicamento). Dados a serem considerados: sexo,
idade, aspectos menos objetivos, como estado de saúde aparente (O paciente
aparenta boa nutrição? Boa higiene pessoal? Articula-se com facilidade ou
apresenta dificuldade ao andar ou falar?).
Sobre a “Natureza dos Sinais/Sintomas”, o farmacêutico deve coletar uma
breve descrição sobre o problema de saúde que levou o paciente à
farmácia.Normalmente, constitui-se de um ou dois sintomas primários, descritos pelo
paciente que irá descrevê-lo com suas próprias palavras. Nesta etapa, sete fatores
que compõem a história da doença atual do paciente devem ser considerados:
localização (precisamente, dos sintomas), caracterização, severidade (leve,
moderada ou grave), tempo, ambiente, fatores que modificam (geram alívio ou
agravo) e outros sintomas associados. Estas informações permitem ao farmacêutico
avaliar a real gravidade do problema e se existe necessidade de encaminhamento
ao médico.
No Quadro 5estão relatados alguns sintomas que sempre requerem
encaminhamento ao médico, pela sua gravidade e por sugerirem manifestações de
doenças graves.

Quadro 5 - Resumo dos sintomas que requerem encaminhamento imediato ao


médico
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REGIÃO AFETADA SINTOMAS


Tórax Dor no peito
Falta de ar
Chiado (sibilo)
Edema nos tornozelos (sinal de descompensação cardíaca)
Catarro com sangue
Palpitações
Tosse persistente
Tosse comprida (coqueluche)
Infecção de garganta
Catarro mucóide, colorido (esverdeado)
Ouvidos Dor
Secreção
Redução / perda da audição
Hipersensibilidade auditiva
Zumbido
Tontura / vertigem
Trato gastrointestinal Dificuldade de engolir
Vômito com sangue
Diarréia com sangue
Vômito associado à constipação
Perda de peso
Alteração prolongada no hábito de evacuação
Olhos Olhos vermelhos e doloridos
Olhos vermelhos e com secreção
Redução / perda da acuidade visual
Visão dobrada (diplopia)
Trato Geniturinário Dificuldade para urinar
Sangue na urina
Cistite acompanhada de dor abdominal ou lombar
Cistite acompanhada de febre
Secreção uretral
Secreção vaginal
Sangramento vaginal durante a gravidez
Outros Rigidez na nuca
Rigidez na nuca acompanhada de febre
Vômito persistente
Fonte: CORRER, 2006.

Para cumprimento do item referido no Quadro 2 como“desde quando”,o


farmacêutico deve considerar que a duração dos sintomas é parte importantíssima
da história da doença atual do paciente, representando um dos mais importantes
critérios na avaliação da necessidade de atendimento médico.
Machuca et al. (2005), recomendam que transtornos com evolução superior a
7 dias devem ser encaminhados ao médico. Este período de tempo pré-
determinado, entretanto, pode não ser adequado para alguns problemas de
saúde.Neste contexto, cabe ao farmacêutico conhecer as características clínicas
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específicas dos principais transtornos menores passíveis de tratamento na farmácia


para que, com segurança, tenha condições de avaliar sobre a necessidade ou não
de encaminhamento ao médico ou seleção de medicamento isento de prescrição.
Justifica-se a necessidade de perguntar sobre o “inicio de algum tratamento”
considerando que, em muitos casos, os pacientes procuram a farmácia após já
terem tentado algum tipo de tratamento (farmacológico ou não), sem sucesso. Cabe
ao farmacêutico, portanto,perguntar sobre o uso anterior de medicamentos para o(s)
mesmo(s) sintoma(s) do momento. Tais informações possuem grande potencial de
auxílio na estimativada gravidade do problema e na seleção de medicação
apropriada. Faz-se importante citar que geralmente, transtornos cujo tratamento
anterior tenha falhado indicam maior gravidade. Casos em que uma medicação
potencialmente adequada já tenha sido feita, semmelhora dos sintomas, podem
indicar necessidade de encaminhamento ao médico. Além disso, o farmacêutico
também deve observar se o paciente utilizou medicação adequada ao problema de
saúde e se a posologia foi adequada(dose, freqüência e duração). Destaca-se que
em muitos casos, falhas no tratamento dos sintomas devem-se a utilização incorreta
da medicação, mesmo em transtornos menores.
Ao investigar sobre “co-morbidades e medicamentos em uso”, leva-se em
consideração que muitos pacientes apresentam doenças crônicas, ou outras
condições clínicas concomitantes, que podem tanto indicar maior gravidade dos
sintomas apresentados, assim como limitar o espectro de medicamentos isentos de
prescrição.
O uso de medicamentos contínuos também deve ser investigado, pois pode
tanto representar contra-indicações ao uso de certos medicamentos (p.ex. AINES
em pacientes sob uso de anticoagulantes), como podem ser a própria causa da
sintomatologia relatada (reações adversas ao medicamento). Neste ultimo caso,
verifica-se a necessidade de encaminhamento ao médico, preferencialmente
acompanhado de informe escrito emitido pelo farmacêutico, uma vez que exigirá
reavaliação da prescrição.
Sabe-se que grupos populacionais definidos apresentam características
fisiológicas específicas que devem ser consideradas pelo farmacêutico na sua

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tomada de decisão. Justifica-se, portanto, perguntar ao paciente sobre a existência


de “outras situações especiais”, as quais estão devidamente citadas a seguir:
 Gravidez e lactação: representam condições importantes que podem limitar
significativamente as opções de tratamento na farmácia, ao mesmo tempo
podem ser acompanhadasdo surgimento de vários tipos de transtornos
considerados menores (p.ex. fraqueza, náuseas, constipação, entre outras).
Além disso, o risco de teratogenicidade, ou a passagem do medicamento
para o leite materno e conseqüente efeito farmacológico no bebê, requerem
que o farmacêutico saiba interpretar informações sobre o risco do uso de
certos medicamentos nesses períodos. A classificação mais conhecida de
risco na gravidez foi desenvolvida pelo FDA Americano e subdivide os
medicamentos em A,B,C, D e X e encontra-se demonstrada no Quadro 6 a
seguir.

Quadro 6 -Categorias de risco do uso de medicamentos na gravidez, segundo o


Food and Drug Administration (FDA).
Categoria A: medicamentos para os quais não foram constatados riscos para o feto em ensaios
clínicos cientificamente desenhados e controlados;
Categoria B: medicamentos para os quais os estudos com animais de laboratório não demonstraram
risco fetal (mas não existem estudos adequados em humanos) e medicamentos cujos estudos com
animais indicaram algum risco, mas que não foram comprovados em humanos em estudos
devidamente controlados;
Categoria C: medicamentos para os quais os estudos em animais de laboratório revelaram efeitos
adversos ao feto, mas não existem estudos adequados em humanos e medicamentos para os quais
não existem estudos disponíveis;
Categoria D: medicamentos para os quais a experiência de uso durante a gravidez mostrou
associação com o aparecimento de más- formações, mas que a relação risco-benefício pode ser
avaliada;
Categoria X: medicamentos associados com anormalidades fetais em estudos com animais e em
humanos e ou cuja relação risco-benefício contra indica seu uso na gravidez.
Fonte: CORRER (2006).

 Experiências anteriores de reações alérgicas a medicamentos: também


devem ser investigados antes da seleção de medicamentos isentos de
prescrição. Trata- se de uma precaução que pode fazer grande diferença.
 Aspectos referentes às condições sócio-econômicas do paciente: podem
influenciar diretamente o tipo de tratamento a ser recomendado pelo
farmacêutico, assim como as instruções referentes ao encaminhamento para

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outros serviços de saúde.

2) Tomada de decisão
Nesta etapa o farmacêutico, baseado nas informações obtidas e analisadas
anteriormente, decide entre encaminhar o paciente ao médico ou então, indicar
determinado tratamento isento de prescrição para otranstorno menor.
Caso o farmacêutico decida encaminhar o paciente ao médico deverá fazê-lo
de forma orientada, de modo que o usuário compreenda seu estado e siga as
orientações.Neste caso, o farmacêutico deve diferenciar claramente casos de maior
gravidade, que requerem atendimento imediato, daqueles de gravidade moderada
ou leve que não carecem de encaminhamento de urgência.Orienta-se que o
profissional desenvolva o hábito de preencher informes escritos de encaminhamento
do paciente ao médico. Esse tipo de registro pode ser muito útil ao médico, pois
fornece informações já reunidas por um profissional da saúde, assim como ajudam o
paciente durante a consulta. Além disso, o atendimento ganha em seriedade e pode
transmitir uma imagem positiva de profissionalismo ao paciente e prescritor sobre a
farmácia e o farmacêutico.

3) Tratamento
Caso decida tratar o paciente através de metodologia adequada considere o
transtorno relatado como menor, o farmacêutico deveeleger a melhor terapêutica
para o caso. A escolha da melhor opção terapêutica (farmacológica ou não) deve
basear-se em informações científicas sólidas e na experiência clínica do profissional.
A soma desses dois fatores aumenta as chances de sucesso terapêutico e contribui
para o uso racional de medicamentos. Para tanto, o farmacêutico deve dispor de
fontes de informação confiáveis sobre medicamentos que vão além daquelas
fornecidas pela indústria (bulas ou bulários). Ressalta-se que a escolha adequada
de determinada farmacoterapia leva em conta os seguintes aspectos: eficácia
comprovada, segurança, facilidade de uso pelo paciente e custo.
Nesta etapa, deve-se questionar o paciente sobre que medicamentos já
utilizou para situações semelhantes, e se algum medicamento já lhe produziu

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alguma experiência desagradável. Preferências a respeito de marcas,


medicamentos genéricos e condições econômicas para aquisição do medicamento
também devem ser consideradas.
Finalmente, devem ser considerados os medicamentos isentos de prescrição
disponíveis para serem indicados e as características do paciente.
Imprescindivelmente devem ser tomados todos os cuidados necessários para
promoçãodo uso racional da farmacoterapia indicada:
 Explicações claras sobre finalidade e efeito;
 Definição sobre tempo para obter o efeito;
 Orientações: como, quando e por quanto tempo tomar o medicamento;
 Automonitoramento;
 Informações adicionais;
 Certificar-se que o paciente entendeu as orientações;
 Fornecimento de material de apoio (folder, folhetos explicativos, imãs).
Deve-se lembrar que, tão importante quanto avaliar e orientar o paciente na
escolha do medicamento é educá-lo para o autocuidado daquele momento em
diante. O paciente deve ser orientado sobre o que fazer caso os sintomas não
melhorem com as medidas adotadas e deve saber claramente quanto tempo esperar
até os efeitos surgirem. O seguimento do paciente para avaliação dos resultados da
indicação também pode ser muito útil na identificação precoce de problemas
relacionados aos resultados terapêuticos (p.ex. não efetividade ou surgimento de
reações adversas). Para tanto, o farmacêutico deve manter um registro do
atendimento realizado e incluir uma forma de contato do paciente. Se não for
possível contatar posteriormente todos os pacientes atendidos, deve-se buscar pelo
menos avaliar os resultados terapêuticos daqueles considerados mais graves ou de
maior risco.

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6 TRANSTORNOS MENORES E ALGORITMOS DE DECISÃO

6.1 TRANSTORNOS MENORES RESPIRATÓRIOS

As patologias que afetam o sistema respiratório podem ter caráter crônico,


como a asma e a DPOC, ou agudo, como gripes, resfriados, rinites e outras. Os
agentes etiológicos são diversos como bactérias, vírus, irritantes químicos, fungos e
outros.
Quando falamos em transtornos menores respiratórios, devemos ter como
foco as doenças agudas, causadas pelos vírus ou irritantes. As crônicas, geralmente
causadas por maus hábitos como o tabagismo, ou por microorganismo como as
bactérias e fungos que necessitam de avaliação médica e tratamento com
antimicrobianos e antifúngicos respectivamente, que são medicamentos de
prescrição médica.
Neste capítulo abordaremos as doenças respiratórias mais comuns que
afetam as pessoas e que são passíveis de tratamento não farmacológico ou com
medicamentos isentos de prescrição médica.

6.1.1 Congestão Nasal

 Definição
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A obstrução nasal é a sensação de dificuldade de passagem do ar através


das narinas. Principalmente ocorre por vasodilatação dos vasos sanguíneos da
mucosa nasal, podendo afetar uma ou ambas as narinas. Além das fossas nasais, o
ar precisa passar pela região da rinofaringe, que é a transição entre o nariz e a
orofaringe, a região da garganta. A obstrução nasal pode ocorrer por alterações em
qualquer uma dessas áreas que fazem parte do trajeto do ar durante a respiração.
 Etiologia
A congestão nasal é, na verdade, um sintoma que pode acompanhar doenças
banais, como resfriados ou outras doenças de etiologia diversa (alérgicas,
infecciosas, hormonais), podendo até ser indicativo de malformações e tumores.
 Sinais e Sintomas
O sintoma mais comum é a presença de espirros e de quantidade aumentada
de muco que flui com facilidade, fazendo com que o paciente se queixe de
dificuldadespara respirar em decorrência da obstrução de uma de ambas as narinas
e/ou rinorreia.
 Tratamento Não Farmacológico
Limpar cuidadosamente as narinas, sempre utilizando lenço de papel
descartável, cuidando para não assuar com muita força para evitar sangramento.
Manter os ambientes limpos evitando o acúmulo de poeira. Evitar locais poluídos.
 Tratamento Farmacológico
Os medicamentos anti-histamínicos poderão ser indicados como:
- Maleato de Dexclorfeniramina: Histamin®, Polaramine®.
- Maleato de Bronfeniramina + Cloridrato de Fenilefrina: Decongex Plus ®,
Descon Rinus®.
- Loratadina: Claritin®, Alergaliv®, Clarilerg®, Cloratadd®, Histadin®, Loradine®,
Loralerg®, Loranil®, Loremix®, Neo Loratadin®.
Como complemento ao tratamento sistêmico poderá ser indicado a lavagem
nasal comsolução salina isotônica (Cloreto de Sódio 9%), estimulando a eliminação
de secreções: Rinosoro®, Neosoro H®, Neosoro Infantil®, Sorine Infantil®, Sinustrat®,
Salsep®, Fluimare®, Maxidrate®, Snif®, Sorine SSC®, Afrin Natural®.

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Figura 1 – Algoritmo Congestão Nasal


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6.1.2 Gripe e Resfriado

 Definição
As gripes e resfriados englobam um conjunto de processos infecciosos
agudos das vias respiratórias de causa viral. Cursam com febre, cefaleia, dor
muscular generalizada e debilidade. A principal causa gripe é o vírus Influenza e
seus múltiplos sorotipos, que mudam a cada ano. Já o resfriado tem como maior
agente o Rhinovírus.
 Etiologia
A maioria dos casos de gripe se apresenta no contexto de surtos epidêmicos,
que a cada ano aparecem no final do outono e início do inverno, no qual facilita seu
reconhecimento e tratamento. Também podem aparecer casos esporadicamente ao
longo do ano, de difícil diagnóstico, que podem ser indistinguíveis de outros
processos respiratórios agudos causados por múltiplos vírus e outros agentes, como
o Mycoplasmapneumoniae. Igualmente, as faringites estreptocócicas e as
pneumonias bacterianas podem manifestar-se com sintomas similares de uma gripe.
 Sinais e Sintomas
Manifesta-se como um processo respiratório de início brusco e clínica
variável, que pode sugerir desde uma síndrome catarral, um resfriado comum a um
processo mais grave. O mais frequente é a presença de febre de início brusco
(temperatura ≥ 37,8ºC), geralmente mais acentuada em crianças do que em adultos,
com a curva térmica usualmente declinando após 2 a 3 dias e normalizando em
torno do sexto dia de evolução.
Outros sintomas habitualmente aparecem subitamente, como:
- Dor de cabeça (cefaleia)
- Dores musculares (mialgia)
- Calafrios
- Mal-estar
- Tosse seca
- Dor de garganta

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- Artralgias
- Prostração
- Rinorreia
- Dor nos olhosou irritação da conjuntiva
A astenia é frequente durante a gripe, especialmente nos idososque pode
prolongar-se por várias semanas.Com frequência o paciente pode se queixar de dor
e sibilos no peito.
 Tratamento Não Farmacológico
Repouso e hidratação adequada; ao tossir, cobrir a boca com lenço
descartável ou pano; repousar em ambiente ventilado; evitar locais públicos e
aglomerado de pessoas.
 Tratamento Farmacológico
O tratamento da gripe e resfriado se dá nos sintomas do paciente. Podem ser
utilizados medicamentos com formulações que associam analgésicos e anti-
histamínicos, podendo ser encontrados ainda, associados a descongestionantes e
vitamina C. Ex: Apracur, Fluviral, Resfenol, Multigrip, Resprin, Resfryneo,
Coristina D, Benegrip.
Também poderão ser indicados medicamentos em formulações isoladas com
objetivo de sanar sintomas como dor de cabeça, coriza, congestão nasal, febre, dor
muscular, dor de garganta e outros sintomas. Exemplos:
- Anti-histamínicos: dexclorfeniramina, loratadina, Bronfeniramina +
Fenilefrina.
- Analgésicos e antitérmicos: paracetamol, ácido acetilsalicílico e dipirona.
- Antiinflamatórios: naproxeno, cetoprofeno, ibuprofeno.

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Figura 2 – Algoritmo Gripe e Resfriado


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6.1.3 Tosse

 Definição
A Tosse é a expulsão súbita, ruidosa, mais ou menos repetida e violenta de ar
dos pulmões. Esta expulsão é uma resposta reflexa que é desencadeada por
estímulos que atuam dentro e fora das vias respiratórias. Esta resposta reflexa é
gerada em um centro localizado no bulbo raquidiano, que se relaciona com o centro
respiratório, porém funciona independente do mesmo. É um mecanismo de defesa,
cuja finalidade é limpar as vias respiratórias de mucos, corpos estranhos, obstruções
ou produtos irritantes, de modo que o processo respiratório possa continuar
normalmente (CORDERO).
A tosse pode ser classificada como produtiva, onde tem a presença de
secreção (muco), e seca ou improdutiva, geralmente causada por processos
alérgicos decorrentes de alérgenos que penetram no sistema respiratório.
O tempo de duração da tosse também é um indicativo de intervenção
farmacêutica ou não, devendo o farmacêutico tratar as agudas e encaminhar os
pacientes com relatos de tosse a mais de 8 semanas (crônica).
 Etiologia
São várias as causas que podem originar a tosse: infecções (virais ou
bacterianas, que geralmente produzem muco), alergias (rinites alérgicas, sazonal ou
perene, e asma alérgica), mudanças bruscas de temperatura, ambientes
contaminados, o cigarro, poeira, alguns medicamentos e patologias do trato r

espiratório e gastrointestinal de maior ou menor gravidade (CORDERO).


Ainda a doença do refluxo gastresofágico, doenças pulmonares obstrutivas como a
asma e a DPOC, infecções traqueobroncopulmonares como a tuberculose, micoses,
abscessos e a coqueluche, bronquite crônica do cigarro, medicamentos (IECAS,
AINES, -bloqueadores) e doenças cardíacas.
 Sinais e Sintomas

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Algumas características da tosse devem ser observadas antes de instituir o


tratamento. Dentre elas a presença ou não de expectoração (produtiva ou não), o
volume expectorado por dia, o aspecto da secreção (purulenta, sanguinolenta, pio
sanguinolenta), o horário que ocorrem as crises de tosse com maior intensidade e
frequência, e os sinais e sintomas concomitantes – febre, dispnéia, chiado, dor
torácica, sintomas nasais e os sinais/sintomas de cardiopatia.
 TratamentoNão Farmacológico
Aumento da ingestão hídrica para fluidificar as secreções; deixar a criança em
decúbito dorsal com cabeceira elevada ao dormir; inalação com 3 a 5 ml de soro
fisiológico 0,9% três vezes ao dia; remover a umidade, mofo ou bolor da casa;
manter a casa ventilada; evitar fumar, principalmente na presença da criança ou
adultos com tosse; oferecer dieta fracionada; repouso com restrição de atividades
físicas diárias.
 Tratamento Farmacológico

Para iniciar o tratamento farmacológico da tosse devem ser observadas suas


principais características e manifestações, com presença ou não de secreções.
 Antitussígeno: uso em tosses secas e sem a presença de muco: Clobutinol
(Clobutinol Genérico®), Cloperastina (Seki®, Tilugen®), Dextrometorfano (Xarope
Vick®, Trimedal Tosse®), Dropropizina (Vibral®, Atossion®, Ecos®, Eritos®, Flextoss®,
Tussiflex®, Neotoss®, Gotas Binelli®).
 Mucolítico: estes promovem a liquefação do muco diminuindo a viscosidade
da secreção brônquica: Acetilcisteína (Acetilcisteína Genérico®, Flucistein®,
Fluimucil®,, Nac®, Aires®, Fluteína®, Cetilplex®)
 Expectorante: estimula os mecanismos de eliminação do muco, como o
movimento ciliar, que impulsiona a secreção até a faringe. Tem ação irritante da
mucosa brônquica para facilitar a expulsão das secreções além de estimular as
glândulas secretoras (células caliciformes e glândulas de muco), incrementando a
quantidade de fluidez do muco: Ambroxol (Ambroxol Genérico ®, Mucosolvan®,
Neossolvan®, Ambroflux®, Broncoflux®, Expectuss®, Fluibron®,,Mucoxolan®,
Sedavan®), Bromexina (Bromexina Genérico®, Bisolvon®, Bequidex®, Clarus®,
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Bisuran®, Bontoss®, Bromexpec®), Carbocisteína (Mucofan®, Mucolitic®, Broncofan®,


Fluitoss®, Mucocis®, Mucocistein®, Mucoflux®, Mucotoss®, Mucolisil®), Guaifenesina
(Guaifenesina Genérico®, Xarope Vick®), Guaco.

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Figura 3– Algoritmo Tosse


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6.1.4Rinite

 Definição
É a inflamação da mucosa de revestimento nasal, mediada por IgE, após
exposição a alérgenos, cujos sintomas são reversíveis espontaneamente ou com
tratamento. Classicamente as rinites alérgicas podem ser classificadas em: sazonal,
perene, circunstancial e ocupacional.
 Etiologia
 Ácaros da poeira doméstica: no Brasil, os ácaros são os principais
causadores de Rinite Alérgica pois o clima quente e úmido favorece a
sua multiplicação, especialmente nos quartos de dormir, onde as
pessoas passam muitas horas. Os ácaros alimentam-se de todo tipo de
matéria orgânica, como papel, lã, pelos de animais, fungos e pele
descamada.
 Pólen das plantas: normalmente as pessoas queixam-se mais no início
da primavera, piorando pela manhã e em dias com muito vento.
 Fungos: é também conhecido como “bolor”, existe no ar e desenvolve
mais no outono. Os alérgicos aos fungos, referem mais queixas à
noite, em ambientes úmidos, sentindo-se melhores em ambientes
secos;
 Determinados alimentos: existem diversos alimentos que podem
causar uma piora das alergias de uma forma geral, incluindo a Rinite
Alérgica. Os mais comuns são ovo, chocolates, peixes, trigo, glúten,
corantes artificiais, leite de vaca, amendoim, dentre outros.
 Pêlos e penas de animais domésticos: gato, cachorro, pássaros, etc.
 Poluentes ambientais: fumaça de cigarro é o principal deles.
 Cheiros fortes:perfumes, desinfetantes e cloro de piscina;
 Arcondicionado: poeira, ácaros e fungos.
 Sinais e Sintomas:

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A rinite alérgica em geral acompanha-se de prurido e de lacrimejamento


ocular, podendo ocorrer também prurido no conduto auditivo externo, palato e
faringe. Vale ressaltar que muitas vezes os sintomas que predominam são os
oculares, como prurido ocular, hiperemia conjuntival, lacrimejamento, fotofobia e dor
local. A congestão nasal é queixa frequente, podendo ser intermitente ou
persistente, bilateral ou unilateral, alternando com o ciclo nasal e tende a ser mais
acentuada à noite.
 Tratamento Não Farmacológico
Evitar os alérgenos, através de medidas de controle ambiental. Diversos
fatores ambientais são agentes importantes na precipitação e exacerbação de
sintomas alérgicos respiratórios. As medidas de controle ambiental são
fundamentais para prevenção e controle dos sintomas de alergia respiratória e
mesmo na redução do uso das medicações.
As principais medidas a serem orientadas no ambiente são:
• Orientar sobre a importância de arejar o ambiente com a abertura das
janelas da casa e entrada do sol por algumas horas em todos os cômodos da
casa ou, pelo menos, no quarto de dormir;
• Procurar colocar a cama da criança alérgica no lugar mais arejado e
quente evitando deixá-la encostada na parede, que é fria;
• Orientar quanto ao risco de crises em locais com mofo, como umidade
em banheiros, cozinha e armários, e a importância de eliminação e controle
do mofo;
• Orientar quanto à limpeza da casa, evitando levantar muito pó durante
a limpeza, se possível utilizar pano úmido para a limpeza diária;
• Evitar uso de tapetes e carpetes no quarto da criança, evitando móveis
e objetos desnecessários que possam juntar pó;
• Evitar acúmulo de objetos, brinquedos, caixas dentro do quarto.
Sempre que possível, conservar roupas, livros e objetos dentro de
armários fechados;
• Se possível evitar o uso de colchões ou bicamas debaixo da cama ou
cama Box, para facilitar a limpeza e evitar o acúmulo de poeira;

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• Orientar quanto ao uso de roupas e cobertores de lã: lavar cobertores e


colchas a cada duas semanas ou recobrir com tecido de fácil lavagem, e
colocá-los no sol sempre que possível, assim como colchões e travesseiros.
As cortinas também devem ser lavadas frequentemente e de preferência usar
cortinas de tecidos leves;
• Evitar, se possível, lugares empoeirados como porões e depósitos;
• Evitar uso de brinquedos de tecido, principalmente de pelúcia;
• Caso a criança seja comprovadamente alérgica a animais domésticos,
faça o possível para mantê-los longe do quarto da criança;
• Evitar exposição aos cheiros fortes de perfumes, produtos de limpeza,
principalmente em aerossóis;
• Se possível evitar deixar plantas dentro de casa;
• Manter a criança longe de fumantes e evitar o uso de cigarro dentro de
casa;
• Procurar eliminar baratas e outros insetos: a inspeção frequente é o
primeiro passo para o extermínio de baratas, associado aos métodos de
limpeza e redução do acesso aos restos de comida. Evitar uso de produtos
químicos ou venenos para eliminação de insetos;
• Orientar sobre o uso de condicionadores de ar e aparelhos
umidificadores que podem gerar fungos para o ambiente. O uso desses
aparelhos deve ser restrito e a manutenção dos mesmos não deve ser
esquecida.
 Tratamento Farmacológico
Os principais medicamentos recomendados para uso em rinites alérgicas são
os anti-histamínicos:
- Dexclorfeniramina: Maleato de Dexclorfeniramina Genérico®, Polaramine®,
Histamin®, Polaryn®
- Loratadina: Loratadina Genérico®, Claritin®, Neo Loratadin®, Histadin®,
Alergaliv®, Clarilerg®, Cloratadd®, Loralerg®, Loranil®, Loradine®.
- Bronfeniramina + Fenilefrina: Decongex Plus®, Descon Rinus®.

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Figura 4 - Algoritmo Rinite


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6.1.5 Sinusite

 Definição
A sinusite é uma inflamação dos seios paranasais, a qual é desencadeada
pela entrada de microrganismos na mucosa nasal. Também está associada à rinite
alérgica. (MIRANDA-NETO, M. H., CHOPARD, 2008)
 Etiologia
Suas causas são, na maioria das vezes, devido a fatores ambientais, como a
variação de temperatura, aglomerações humanas, etc. Isso aumenta a
susceptibilidade a uma infecção viral, bacteriana ou mesmo fúngica, sendo o
principal meio de transmissão os aerossóis, provenientes do espirro de uma pessoa
contaminada por algum desses agentes infecciosos.
 Sinais e Sintomas
Seus sintomas característicos são dores nos ossos da face, dores nas raízes
dos dentes, sensação de cabeça pesada. Inicialmente, a sinusite pode ser
confundida como uma forte dor de dente, a qual posteriormente evolui para uma
suposta enxaqueca e, finalmente, os sintomas acima, os quais são acompanhados
por coriza, onde as secreções possuem cor geralmente amarelada (MIRANDA-
NETO, M. H., CHOPARD, 2008).
 Tratamento Não Farmacológico
Consiste na nebulização de uma solução de cloreto de sódio a 0,9% em cada
narina, para fluidificar as secreções, facilitando assim sua eliminação.
 Aplique um pano úmido e quente no rosto várias vezes ao dia.
 Beba muito líquido para diluir o muco.
 Use spray com solução salina no nariz várias vezes ao dia.
 Use um umidificador e evite ar condicionado para evitar ressecamento
 Tratamento Farmacológico
Para diminuir a coriza, pode-se administrar um anti-histamínico, loratadina, por
exemplo, na dose de 10mg uma vez ao dia, para adultos, e para crianças acima de 2
anos de idade, 5mg uma vez ao dia. A indicação farmacêutica é feita para o
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combate dos sintomas com analgésicos e antitérmicos. O uso de solução salina para
limpeza nasal também é recomendado (Ex: Neosoro H, Salsep, Rinosoro).
Em casos crônicos ou que necessitem de antiinflamatórios ou antibióticos para o
combate aos agentes causadores da sinusite, encaminha-se ao médico.

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Figura 5 - Algoritmo Sinusite


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6.2 TRANSTORNOS MENORES RELACIONADOS À DOR MODERADA

6.2.1 Cefaleia e Enxaqueca

As cefaleias são os sintomas mais frequentemente relatados em consultórios


médicos, envolvendo indivíduos de ambos os sexos e todas as faixas etárias. É uma
condição limitante no que se refere à qualidade de vida do paciente, interferindo
tanto na vida social quanto profissional, a qual apresenta sua produtividade reduzida
(BIGAL et al., 2000; OLIVEIRA; PELÓGIA, 2011).
De acordo com a International Association for the Study of Pain (IASP, 2011),
a proporção de mulheres que apresentam enxaqueca é de dois a três para cada
homem; a prevalência das cefaleias surge normalmente na puberdade e crianças e
adolescentes do sexo feminino também apresentam maiores chances de
desenvolver outros episódios de cefaleias e enxaquecas quando comparados ao
sexo masculino.
As causas de cefaleia são diversas, sendo as decorrentes de alterações
funcionais do sistema nervoso central as mais comuns. De acordo com a
intensidade e a frequência, as cefaleias podem ser extremamente incapacitantes. A
cefaleia do tipo tensional é mais comum do que a enxaqueca. As dores de cabeça
frequentes ou crônica do tipo tensional são incapacitantes (IASP, 2011; SILVA
JÚNIOR et al., 2012).
Para a Organização Mundial de Saúde (WHO, 2007), os tipos de cefaleia
mais comuns na atenção primária são enxaqueca, cefaleia tensional, cefaleia em
salvas e por excesso do uso de medicamentos, decorrentes principalmente do
tratamento das enxaquecas e cefaleias tensional prévias.
Por interferir em seus cotidianos, muitos pacientes procuram tratamento para
cefaleia sem acompanhamento médico, recorrendo à automedicação ou a indicação
de medicamentos por amigos ou familiares, sendo os antiinflamatórios não-
esteroidais os mais utilizados (OLIVEIRA; PELÓGIA, 2011).
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 Definição
As cefaleias são dores difusas que podem acometer vários locais da cabeça
e/ou pescoço (PERETTA, 2005).
A enxaqueca é uma cefaleia recorrente, que pode ser de intensidade de
moderada a grave, e que normalmente vem associada a sintomas gastrintestinais
(náuseas e vômito) e, em alguns pacientes, neurológicos (sensibilidade à luz e
barulho) (WELLS, 2006; WANNMACHER, 2010).
Segundo a International Headache Society (Sociedade Brasileira de Cefaleia -
SBCe, 2006), as cefaleias são classificadas em:
a) Cefaleias primárias:
 Migrânea (enxaqueca)
 Cefaleia do tipo tensional
 Cefaleia em salvas e outras cefaleias trigêmino-autonômicas
 Outras cefaleias primárias
b) Cefaleias secundárias:
a. Cefaleia atribuída a trauma cefálico ou cervical
b. Cefaleia atribuída a doença vascular craniana ou cervical
c. Cefaleia atribuída a transtorno intracraniano não-vascular
d. Cefaleia atribuída a uma substância ou a sua retirada
e. Cefaleia atribuída a infecção
f. Cefaleia atribuída a transtorno da homeostase
g. Cefaleia ou dor facial atribuída a transtorno crânio, pescoço, olhos,
ouvidos, nariz, seios da face, dentes, boca ou outras estruturas faciais
ou cranianas
h. Cefaleias atribuídas a transtorno psiquiátrico
 Etiologia
As cefaleias primárias são aquelas não acompanhadas de lesões ou
enfermidades, sendo sua etiologia não definida. As cefaleias secundárias ocorrem
como resultado de enfermidades de órgãos ou estruturas próximas à cabeça ou
relacionadas com esta (GHERPELLI, 2002; MARQUES, 2008).

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Dentre as cefaleias primárias, as mais frequentes são as enxaquecas e as do


tipo tensional. Apesar de normalmente ocorrerem em episódios esporádicos e de
fraca intensidade de dor, as cefaléias do tipo tensional destacam-se pela sua
prevalência, enquanto as enxaquecas, pela intensidade da dor, que frequentemente
limita as atividades diárias do indivíduo (GHERPELLI, 2002; IASP, 2011).
As cefaléias do tipo tensional podem ser desencadeadas por tensão
emocional, sobrecarga postural e estresse físico ou psíquico, situações em que
ocorre a contratura constante da musculatura posterior do crânio, pescoço, couro
cabeludo ou da área cervical (PERETTA, 2005; MARQUES, 2008).
Alguns estímulos são capazes de determinar o surgimento de uma crise de
enxaqueca em indivíduos predispostos, e dentre eles destacam-se: estresse, falta
de alimentação e sono, ingestão de álcool e certos alimentos como chocolate,
laranja, comidas gordurosas e lácteas, uso de medicamentos vasodilatadores,
exposição a ruídos altos, odores fortes ou temperaturas elevadas, mudanças súbitas
da pressão atmosférica, alterações climáticas, exercícios intensos, queda dos níveis
hormonais que ocorre antes da menstruação e uso de contraceptivos orais. A
enxaqueca crônica tem sido associada ao excesso de medicação, distúrbios
temporo-mandibulares, apneia obstrutiva do sono e obesidade (PERETTA, 2005;
WANNMACHER, 2010).
 Sinais e Sintomas
Os principais tipos de cefaléias primárias podem ser diferenciados conforme
sua sintomatologia, apresentada no Quadro 7.

Quadro 7- Sinais e sintomas das principais cefaléias primárias


TIPO DE CEFALEIA SINAIS E SINTOMAS
Dor de cabeça unilateral e pulsante recorrente, geralmente
Enxaqueca sem aura acompanhado de náuseas, vômitos, vertigens, fotofobia e/
ou fonofobia. Ocorre piora com exercícios físicos.
Acompanhada de crises de sintomas neurológicos focais
reversíveis (faíscas luminosas ou alucinações), que se
Enxaqueca com aura
desenvolve em 5 a 20 minutos, com duração de até 60
minutos.
Dor difusa, de intensidade leve a moderada, bilateral, que
Cefaleia do tipo Tensional por vezes se estende da parte de cima da cabeça até a
parte de trás e base do crânio.
Cefaleia em salvas Crises de dor intensa, exclusivamente unilateral, na região

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orbital, supra-orbital, temporal ou em combinação destas


áreas. As crises podem ocorrer de duas a oito vezes ao dia,
com duração de 15 a 180 minutos. As crises podem estar
associadas ao inchaço abaixo do olho, coriza e
lacrimejamento, sendo que estes sinais surgem no mesmo
lado da dor.
Fonte: PERETTA (2005); SBCe (2006).

 Tratamento Não Farmacológico


Para pacientes que apresentam episódios frequentes de cefaléia é importante
orientar que os fatores desencadeantes devem ser evitados, visando minimizar as
crises.
Durante as crises as seguintes orientações podem ser repassadas
(PERETTA, 2005):
 Fazer massagens circulares nas temporas ou outros locais afetados;
 Permanecer em locais escuros e livres de ruídos;
 No caso das cefaleias tensionais, recomendar um banho com água
morna, deixando a água escorrer por vários minutos sobre os ombros;
 Repouso;
 Evitar a ingestão de chocolates e outros alimentos gordurosos, bebidas
alcoólicas e com cafeína.
 Tratamento Farmacológico
O tratamento farmacológico é utilizado normalmente na fase aguda e visa
proporcionar alívio rápido, completo e efetivo da dor e sintomas associados, sem
gerar efeitos adversos (PERETTA, 2005; OLIVEIRA; PELÓGIA, 2011).
Diversas classes de medicamentos podem ser usadas, isoladas ou
combinadas, para o tratamento das crises, dependendo da intensidade, dos
sintomas e da resposta ao fármaco utilizado. Em geral, podem ser empregados
analgésicos, anti-inflamatórios não-esteroidais e antieméticos quando necessário
(PERETTA, 2005; MARQUES, 2008). Outras classes podem ser utilizadas, porém
há necessidade de avaliação e prescrição médica (Quadro 8).

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Quadro 8 - Medicamentos utilizados no alívio de crises de enxaqueca


Alcalóides do ergot: ergotamina, di-hidroergotamina
Triptanas: sumatriptana, zolmitriptana, naratriptana, rizatriptana, eletriptana, almotriptana,
frovatriptana
Analgésicos não opióides e AINE: ácido acetilsalicílico, paracetamol, ibuprofeno, naproxeno,
ácido tolfenâmico
Combinação de ácido acetilsalicílico, paracetamol e cafeína
Combinação de analgésicos opióides e não opióides: codeína + paracetamol
Antieméticos: metoclopramida
Coadjuvante: cafeína
Fonte: WANNMACHER, 2010

Os analgésicos são os medicamentos de escolha para o tratamento das


cefaléias na fase aguda. Seu uso deve ser iniciado logo após o surgimento dos
primeiros sintomas e mantido por até no máximo três a quatro dias (PERETTA,
2005).
Nos casos de enxaquecas pode-se fazer uso de um antiemético para
amenizar os sintomas de náuseas, vômitos e vertigens (MARQUES, 2008;
WANNMACHER, 2010).

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Figura 6 – Algoritmo Cefaléia e Enxaqueca


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6.2.2 Dor de Dente e Gengivas

A dor de dente e/ou tecidos periodontais é uma das razões mais comuns para
a procura de cuidado médico-odontológico, incluindo nos serviços de urgência.
Assim como outros tipos de dores, a de dente interfere na qualidade de vida do
indivíduo, impedindo ou dificultando atividades diárias tendo, portanto, importante
impacto sócioeconômico (LACERDA et al., 2004; BASTOS et al., 2005).
As causas diretas mais comuns são a cárie dentária e as periodontites, sendo
a primeira uma das principais causas da extração dentária (BASTOS et al., 2005;
ALEXANDRE et al., 2006).
Freire e colaboradores (2012) apontam como os principais fatores associados
a dor de dente, os demográficos, socioeconômicos, familiares, psicológicos e
culturais, além da condição de saúde bucal e comportamentos relacionados. A maior
prevalência está relacionada às condições adversas de vida, à maior exposição aos
comportamentais de risco à saúde e condições socioeconômicas desfavoráveis.
 Definição
A dor de dente, ou odontalgia, pode ser definida como um tipo de dor orofacial
originada nos dentes e suas estruturas de suporte, como consequência de doenças
ou traumatismo dental e periodontais (FREIRE et al., 2012).
 Etiologia
A cárie é citada por vários autores como o principal responsável pelas dores
de dente, porém, existem outros problemas que podem levar ao desenvolvimento da
dor, como as doenças das gengivas, as aftas, candidíase, o bruxismo, próteses mal-
ajustadas e os problemas na articulação temporomandibular (PERETTA, 2005;
ALEXANDRE et al., 2006)
 Sinais e Sintomas
A dor de dente decorrente das cáries tem seu início ou pioram pelo contato
dos dentes com o calor, frio com a pressão exercida sobre eles ao morder. Estes
sintomas estão presentes também nos casos em que há desgaste dos dentes
(PERETTA, 2005).

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Em casos de dores nas gengivas, com presença de inchaço e/ou


sangramento, deve-se suspeitar da presença de placa bacteriana, responsável pelas
gengivites e periodontites (PERETTA, 2005).
As aftas surgem como úlceras de tamanhos variados na mucosa oral,
enquanto a candidíase se manifesta como placas brancas, com aspecto de gotas de
leite. Nestes casos, a dor piora após comer ou beber algo.
 TratamentoNãoFarmacológico
Para manter a saúde bucal é importante sempre orientar o correto uso de fio
dental e escova dental após as refeições, evitando assim a formação de placa
bacteriana (Figuras 7e 8).

Figura 7- Escovação correta dos dentes Figura 8: como usar o fio dental corretamente
Fonte: www.colgate.com.br Fonte: www.colgate.com.br

A adequada higienização da boca é importante não apenas na prevenção,


mas também no alívio e regressão das dores de dente e/ou gengivas, pois evita o
acúmulo de restos de alimentos e microorganismos no local já lesionado.
 Tratamento Farmacológico
Para as dores ocasionadas por inflamação das gengivas ou aftas pode-se
recorrer ao uso de enxaguantes bucais contendo antiinflamatórios, antissépticos
e/ou anestésicos, como os contendo benzidamina (Flogoral®), tirotricina e quinosol
(Malvatricin®) e clorexidina (Periogard®).

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No tratamento farmacológico da dor de dente são utilizados analgésicos como


ibuprofeno e paracetamol, porém, o encaminhamento ao odontólogo é essencial
para melhor investigação das causas (PERETTA, 2005).

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Figura 9 – Algoritmo Dor de Dente e Gengivas

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6.2.3 Dor de Garganta

 Definição
A dor de garganta se manifesta em quase todas as enfermidades da faringe,
inflamatórias ou neoplásicas. Caracteriza-se por apresentar dor à deglutição
(odinofagia). Com frequência, a odinofagia provoca dor reflexa nos ouvidos. Pode
ocorrer também na neuralgia do glossofaríngeo, associada à dor periauricular.
 Etiologia
Os processos inflamatórios agudos da mucosa orofaríngea são mais comuns
na criança que no adulto. As principais causas são infecções virais e afecções
ambientais.
A profissão do paciente poderá influir em certas doenças. Assim é que a
faringite granulosa crônica é comum nos profissionais da voz: cantores, professores,
oradores, leiloeiros. Determinados indivíduos que trabalham em ambiente frio, com o
uso de ar condicionado, são frequentemente predispostos a surtos inflamatórios
agudos da faringe.
O mau estado de conservação dos dentes, notadamente cáries de 3º grau,
geralmente em consequência de más condições socioeconômicas, por vezes
desencadeia surtos de amigdalite ou faringite aguda.
 Tratamento Não Farmacológico
 Evitar os irritantes faríngeos como fumo, líquidos muito quentes ou frios,
alimentos ásperos.
 Ingerir líquidos (principalmente crianças).
 Usar pastilhas sem açúcar.
 Lavar frequentemente as mãos, cobrir a boca ao tossir.
 Evitar esfregar os olhos.
 Utilizar umidificadores em ambientes de baixa umidade. Podem aliviar
ou prevenir algumas irritações da garganta causadas pela respiração de
ar seco com a boca aberta.
 Tratamento Farmacológico

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 Analgésicos: paracetamol, dipirona, ácido acetilsalicílico.


 Antiinflamatórios: ibuprofeno, cetoprofeno.
 Pastilhas: cetilpiridínio,benzocaína + tirotricina, difenidramina + cloreto
de amônio + citrato de sódio, mentol + eucaliptol + timol.
 Spray bucal: benzidamina, benzocaína + cetilpiridínio, própolis.

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Figura 10 – Algoritmo Dor de Garganta

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6.2.4 Dores Osteomusculares

A dor é a queixa mais comum em casos de distúrbios osteomusculares e


principal causa de afastamento e incapacidades em trabalhadores em muitos
países, pois estão estreitamente relacionados ao trabalho (IASP, 2009; BRASIL
2012).
As síndromes dolorosas de origem osteomuscular mais comuns incluem
bursites, tendinites, fibromialgia e os distúrbios relacionados ao trabalho, que podem
surgir como consequência de esforço repetitivo e do uso excessivo (IASP, 2009).

 Distensões musculares e entorses


 Definição
Distensão muscular é o estiramento ou esforço excessivo de alguma parte do
músculo ou tendão. Dependendo da gravidade da lesão, a distensão pode ser
apenas um estiramento exagerado do músculo ou tendão, como também sua
ruptura parcial ou total (FINKEL; PRAY, 2007; NATIONAL INSTITUTE OF
ARTHRITIS AND MUSCULOSKELETAL AND SKIN DISEASES – NIAMS, 2012).
Entorse é o rompimento parcial ou total das fibras de um ligamento de suporte, na
qual a cápsula articular associada sofre lesão por estresse. Ocorre quando a
articulação é submetida a um movimento maior que sua amplitude (PERETTA, 2005;
FINKEL; PRAY, 2007).
 Etiologia
A distensão muscular pode ser causada por esforço excessivo dos músculos.
Ocorre normalmente durante a prática esportiva, porém, podem ocorrer
também durante os afazeres das atividades cotidianas e no trabalho (FINKEL;
PRAY, 2007).
Podemos classificar as distensões em aguda e crônica. A distensão aguda
ocorre quando os tendões e os músculos são solicitados a fazer uma contração
repentina e de forte intensidade, enquanto a crônica é resultante do desgaste

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muscular por movimentos repetitivos e prolongados (FINKEL; PRAY, 2007; NIAMS,


2012).
As entorses podem ocorrer em quaisquer situações em que os ligamentos
são sujeitos a um estiramento brusco, como uma queda ou uma torção repentina.
Normalmente, as entorses ocorrem quando as pessoas caem e pousam com
um braço estendido ou torcem o joelho quando estão com o pé firmemente plantado
no chão. O tipo mais comum é o de tornozelos, porém, frequentemente ocorrem
casos de entorses em ombros, joelhos, punhos e dedos (NIAMS, 2009; NIAMS,
2012).
 Sinais e Sintomas
Normalmente as distensões causam dor, hematomas, inchaço e dificuldade
para movimentação do local. Quanto maior a gravidade da lesão, maior a dificuldade
de mobilidade. Nas distensões crônicas a dor costuma ser de menor intensidade,
normalmente ao se movimentar o músculo ou tendão lesionado (MANUAL MERCK,
2009; NIAMS, 2012).
Os sinais e sintomas mais comuns nas entorses são dor, inchaço, equimose,
instabilidade e perda da capacidade funcional. No entanto, podem variar em
intensidade, dependendo da gravidade da entorse (FINKEL; PRAY, 2007; NIAMS,
2012).
A gravidade da entorse depende do grau de estiramento ou de rotura dos
ligamentos. Na entorse grau 1, os ligamentos podem estirar-se, mas não se
rompem. Nestes casos o local não costuma doer ou inchar em demasia. Numa
entorse moderada (grau 2), os ligamentos rompem-se parcialmente, ocorre
inflamação, hematomas e geralmente é dolorosa e há dificuldade para andar. Na
entorse grave (grau 3), os ligamentos se rompem completamente, causando inchaço
e hemorragia sob a pele. Como resultado, o tornozelo torna-se instável e incapaz de
suportar o peso (MANUAL MERCK, 2009; NIAMS, 2012).
 Tratamento Não Farmacológico
As seguintes orientações devem ser dadas nos casos de entorses e
distensões:
 Repouso do local lesionado;

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 Durante as primeiras 24 a 48 horas da lesão, aplicar de gelo local em


sessões de 20 a 60 minutos;
 Comprimir o local utilizando bandagens específicas.
 Tratamento Farmacológico
O tratamento farmacológico das distensões e entorses visa amenizar os
sintomas de dor e inchaço, utilizando-se para tal, analgésicos e antiinflamatórios
como ibuprofeno, cetoprofeno e naproxeno.

 Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (dort) / lesões por


esforço repetitivo (ler)
 Definição
O Ministério da Saúde (BRASIL, 2012) define as lesões por esforços
repetitivos e os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho como danos
decorrentes da utilização excessiva, imposta ao sistema musculoesquelético e da
falta de tempo para recuperação. DORT e LER são utilizados como sinônimos.
Refere-se a condições que envolvem os nervos, tendões, músculos e estruturas de
suporte do corpo, como tendinite, tenossinovite, bursite, epicondilite, síndrome do
túnel do carpo e mialgias. Esse distúrbio provoca dor e inflamação e pode alterar a
capacidade funcional da região comprometida (BERNARD, 1997).
 Etiologia
DORT/ LER é causado por agressões contínuas a uma ou mais estruturas do
corpo, como esforços repetidos ou que exigem força na sua execução, vibração,
postura inadequada e estresse. Os membros superiores são os mais afetados. Os
profissionais com maior risco de exposição são pessoas que trabalham com
computadores, em linhas de montagem e de produção ou operam britadeiras,
digitadores, músicos, esportistas e pessoas que fazem trabalhos manuais, como
tricô e crochê (PERETTA, 2005; FINKEL; PRAY, 2007).
 Sinais e Sintomas
Os principais sintomas são dor nos membros superiores e nos dedos,
dificuldade para movimentá-los, formigamento, fadiga muscular, alteração da
temperatura e da sensibilidade, redução na amplitude do movimento e inflamação.

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Estes sintomas podem aparecer concomitantes ou não. Frequentemente são causas


de incapacidade laboral temporária ou permanente (FINKEL; PRAY, 2007; BRASIL,
2012).
 Tratamento Não Farmacológico
A principal orientação ao paciente com DORT/ LER é o repouso da estrutura
comprometida.
Algumas recomendações podem ser dadas para prevenção:
 Procurar manter as costas eretas, os ombros relaxados e os braços
apoiados em encosto confortável enquanto estiver trabalhando
sentado;
 Levantar-se, andar e alongar a cada hora, se possível;
 Utilizar equipamentos adequados, como apoios de pés, cadeiras com
apoio de braços entre outros.
 Tratamento Farmacológico
Nas crises agudas de dor, o tratamento inclui o uso de analgésicos e
antiinflamatórios, como ibuprofeno, naproxeno e cetoprofeno.

 Bursite
 Definição
Bursite é a inflamação da bursa, uma bolsa que contém o líquido sinovial, que
envolve as articulações, promovendo o bom deslizamento entre ossos, tendões e
tecidos musculares. A bursite ocorre principalmente nos ombros, cotovelos e joelhos
(MANUAL MERCK, 2009; NATIONAL INSTITUTE OF ARTHRITIS AND
MUSCULOSKELETAL AND SKIN DISEASES - NIAMS, 2011).
 Etiologia
As causas mais comuns de bursite incluem traumatismos diretos, infecções,
lesões por esforços, uso excessivo das articulações,movimentos repetitivos, artrite,
gota, doenças da tireóide e diabetes (NIAMS, 2011).
 Sinais e sintomas

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Os principais sintomas da bursite são dor, inchaço, inflamação e limitação de


movimento, porém os sintomas específicos dependem da localização da bolsa
inflamada (PERETTA, 2005; MANUAL MERCK, 2009).
 Tratamento Não Farmacológico
 Repouso do local afetado;
 Aplicações de gelo local;
 Evitar as atividades que causaram a inflamação;
 Fazer exercícios de alongamento, fortalecimento muscular e dos tendões
ou fisioterapia apenas sob a orientação de um profissional especializado.
 Tratamento Farmacológico
Os analgésicos e antiinflamatórios podem auxiliar no alívio dos sintomas.
Entre eles, paracetamol, ibuprofeno, cetoprofeno e naproxeno.

 Tendinites
 Definição
Tendinite é a inflamação dos tendões, estruturas fibrosas flexíveis e
resistentes responsáveis pela junção dos músculos aos ossos (MANUAL MERCK,
2009; SHEON, 2013).
 Etiologia
Assim como a bursite, as tendinites normalmente surgem em consequência
do uso excessivo e repetitivo da estrutura atingida, porém, podem ocorrem em
decorrência de uma lesão súbita e intensa (PERETTA, 2205; SHEON, 2013). Os
tendões estão também mais sujeitos a lesões com o aumento da idade, pois tem sua
flexibilidade reduzida (NIAMS, 2011).
 Sinais e Sintomas
Dor ao mover ou tocar as articulações próximas do tendão. As bainhas que
protegem os tendões podem inchar ou endurecer, causando uma sensação áspera
que se pode sentir ou escutar quando a articulação se move (PERETTA, 2005;
MANUAL MERCK, 2009).
 Tratamento Não Farmacológico

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 Repouso do tendão dolorido, evitando as atividades ou movimentos


causadores da inflamação;
 Aplicar gelo no local por 10 a 15 minutos, uma a duas vezes ao dia;
 Fazer exercícios de alongamento antes de atividades físicas.
 Tratamento Farmacológico
Os analgésicos e antiinflamatórios podem auxiliar no alívio dos sintomas.
Entre eles, paracetamol, ibuprofeno, cetoprofeno e naproxeno.

 Síndrome fibromiálgica / fibromialgia


 Definição
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dor disseminada crônica,
que pode que afeta músculos, tendões e ligamentos e fadiga. Pacientes com
fibromialgia apresentam pontos sensíveis no corpo, principalmente no pescoço,
ombros, costas, quadris, braços e pernas. Esses pontos ficam sensíveis ao toque e
compressão (NIAMS, 2011; SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA –
SBR, 2011).
 Etiologia
A fibromialgia não possui causa específica conhecida, porém algumas
condições já foram associadas ao desenvolvimento da mesma, como eventos
estressantes ou traumáticos, lesões repetitivas, algumas doenças, predisposição
genética para menor tolerância à dor (SBR, 2011; NIAMS, 2012).
Foi verificado ainda que alguns fatores provocam piora da dor, como o
excesso de esforço físico, estresse emocional, uma infecção, exposição ao frio, sono
ruim ou trauma (NIAMS, 2012).
 Sinais e Sintomas
O principal sintoma da fibromialgia é a dor crônica disseminada. Além da dor,
a síndrome normalmente é acompanhada de fadiga (cansaço), problemas para
dormir, dor de cabeça, dor no período menstrual, problemas de concentração e
memória, formigamento das extremidades, sensibilidade à temperatura, luz e
barulho, ansiedade e depressão (SBR, 2011; NIAMS, 2012).
 Tratamento Não Farmacológico

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O tratamento da fibromialgia consiste no manejo dos sintomas através do uso


de medicamentos e melhora da condição geral de saúde. Para tanto, deve-se
aconselhar o paciente:
 Tentar ter um sono repousante;
 Exercitar-se;
 Evitar excesso de trabalho;
 Manter alimentação saudável.
Muitos pacientes relatam melhora dos sintomas com terapias
complementares, como acupuntura, massagens terapêuticas, fisioterapia, ioga,
pilates e terapia cognitiva (MEDLINEPLUS, 2008; NIAMS, 2012).
 Tratamento Farmacológico
O controle da dor pode ser realizado com o uso de paracetamol ou outros
antiinflamatórios não-esteroidais, como ibuprofeno e naproxeno.

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Figura 11 – Algoritmo Dores Osteomusculares


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6.3 TRANSTORNOS MENORES DIGESTIVOS

6.3.1 Azia (Pirose)

 Definição
A azia, ou pirose, é o ardor (queimação) que normalmente inicia-se na parte
posterior do esterno e pode se propagar em direção faringe na forma de ciclos ou
golfadas (Soares, 2002).
A azia é resultado da ação do suco gástrico fora do estômago (Soares, 2002).
 Etiologia
Comumente, a azia é ocasionada pela própria alimentação do paciente como
o consumo de alimentos com elevado grau de condimentos, café (induz a secreção
de suco gástrico) e também bebidas alcoólicas(Soares, 2002).
A pirose também é uma característica sintomática de diversas patologias
entre elas:
- Refluxo gastresofágico;
- Gastrite;
- Úlcera de “stress”
- Ulcerações induzidas por fármacos;
- Úlceras pépticas (Soares, 2002; GOODMAN & GILMAN, 2012).
 Sinais e Sintomas
Ardor (queimação) do esôfago em direção a faringe.
 Tratamento Não Farmacológico
O tratamento não-farmacológico consiste na reeducação alimentar do
paciente objetivando a diminuição ou a eliminação de alimentos que desencadeiam
a pirose como café, bebidas alcoólicas, alimentos com condimentos, entre
outros(Soares, 2002).
 Tratamento Farmacológico
Para o tratamento da pirose normalmente se utiliza antiácidos como:
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- Bicarbonato de sódio;
- Carbonato de sódio;
- Alumínio (hidróxido de alumínio),
- Magnésio (óxidos de magnésio),
- Bismuto.

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Figura 12 – Algoritmo Azia (Pirose)


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6.3.2 Diarreia

 Definição
Diarréia é decorrente de anormalidades funcionais do tubo digestivo, que
produzam redução da absorção de nutrientes ou do aumento da secreção de água e
eletrólitos, resultando no aumento do número de evacuações e diminuição da
consistência das fezes.
 Etiologia
As principais etiologias das diarreias são bactérias, protozoários, metazoários,
vírus e medicamentos de uso comum com potencial de causar diarreia.
 Sinais e Sintomas
Presença de mais de três evacuações com consistência líquida ou
semilíquida durante um período de 24 horas. Na maioria das vezes, há desconforto
abdominal tolerável e que se resolve espontaneamente, em horas ou em poucos
dias, sem tratamento; podeestar acompanhada de sangramento, dor abdominal,
febre e outros sintomas.
 Tratamento Não Farmacológico
O paciente ou cuidador deve ser orientado a observar o estado de hidratação:
está urinando bem, com a boca úmida.
Reidratação oral: oferecer líquidos em pequenas doses e com bastante
frequência; sucos naturais de cenoura, maçã, goiaba ou caju, leite de soja, água de
coco.
Oferecer alimentos leves em pequenas porções: gelatina, sopinhas (batata,
arroz, cenoura, mandioca, mandioca salsa), purê de batata, caldos, creme de arroz,
biscoito de polvilho, biscoito de água e sal, torrada.
Evitar: leite integral, laranja, mel, lingüiça, salsicha, hambúrguer, verduras
(folhosos), mamão, melão, chocolate, doces, alimentos mal cozidos.
 Tratamento Farmacológico

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A diarreia geralmente é autolimitante e um mecanismo de defesa. Portanto o


uso de Antidiarreicos tem que ser feito com cautela para não agravar um possível
quadro de infecção.
Reidratante oral: Pedialyte®, Aquaben®, Rehidrazol®, Hidraplus®, Prati-Sal®.
Repositores da flora intestinal: Saccharomyces boulardii - Floratil®, Repoflor®,
Flomicin®, Leiba®, Beneflora®.

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Figura 13 – Algoritmo Diarreia


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6.3.3 Constipação Intestinal

 Definição
É o movimento lento das fezes ao longo do intestino, geralmente associadas
a fezes secas e endurecidas no cólon descendente devido ao maior tempo
disponível para reabsorção de água. (GUYTON & HALL, 1998; MARTINOFF, 2008).
Além da progressão lenta das fezes que ocasiona dificuldade para evacuar, está
associada também a outros fatores, como dor, sensação de evacuação incompleta,
inexistência de urgência evacuatória, diminuição do volume das fezes e/ou em
formato de pequenos círculos (MARTINOFF, 2008).
 Etiologia
Pode ocorrer como consequência de uma patologia intestinal grave, da ação
de medicamentos (tranquilizantes anticolinérgicos, antidepressivos, anti-
hipertensivos, opióides, antiácidos), da alteração de estilos de vida e de erros
alimentares. A maioria dos casos se deve a erros habituais cometidos dia a dia:
ingestão de teores fracos de fibras e de água; a falta de exercícios físicos constitui
um fator agravante assim como o abuso de laxantes (SOARES, 1995). Em casos de
desidratação, o cólon absorve toda a água que ele conseguir das fezes, tornando a
eliminação difícil por estarem ressecadas e endurecidas (BLASI & FAGUNDES,
2004; MARTINOFF, 2008). A motilidade do intestino delgado é aumentada por ação
de toxinas bacterianas, por agentes irritantes físicos ou químicos, ou ainda, por
obstrução mecânica. Por vezes, especialmente idosos, grandes massas de matéria
fecal podem acumular-se no reto dilatado, pela tonicidade reduzida da musculatura
retal, que pode provocar falta de resposta ao reflexo de defecação. Nestas
condições pode ser necessário administrar alguns laxantes amolecedores das fezes
ou mesmo enemas.
A constipação ainda pode ter caráter passageiro, como resultado de uma
alteração súbita dos estilos de vida, de situações de estresse como viagens,
mudança de emprego, de local onde se toma refeições, etc.

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Outras causas são: negligencia em defecar quando há vontade, o que


enfraquece os reflexos da defecação; falta da aquisição do hábito de uma defecação
regular; insensibilidade do reto ao reflexo de defecar, uma vez iniciado por ação da
massa fecal; esgotamento cerebral; ingestão excessiva de alimentos que endurecem
as fezes, como queijo, chocolate, etc; distúrbios retais/anais (hemorróidas, fissuras);
obstrução (câncer de intestino); condições metabólicas, neurológicas e
neuromusculares (diabetes mellitus, doença de Parkinson, esclerose múltipla);
condições endócrinas (hipotireoidismo, feocromocitoma), assim como também há
doenças do cólon comumente associadas à constipação, entre elas, a síndrome do
intestino irritável e doença diverticular (CUNHA, 2008).
 Sinais e Sintomas
Ligeira anorexia, enjôo e distensão abdominal (SOARES, 1995).Segundo o
Comitê Internacional Roma II, são considerados constipados aqueles que
apresentam dois ou mais desses sintomas, no mínimo em um quarto das
evacuações, referidos por, pelo menos, três meses (não necessariamente
consecutivos) no último ano (MARTINOFF, 2008; CUNHA, 2008):
- Menos de três evacuações por semana;
- Esforço ao evacuar;
- Presença de fezes endurecidas ou fragmentadas;
- Sensação de evacuação incompleta;
- Sensação de obstrução ou interrupção da evacuação;
- Manobras manuais para facilitar as evacuações.
 Tratamento Não Farmacológico
1. Consumo de fibras (25 a 30 g/dia): aumenta o volume fecal e diminui o
tempo de trânsito intestinal, pois são resistentes à digestão e à absorção
no intestino delgado (MARTINOFF, 2008; CUNHA, 2008).
2. Ingestão de líquidos: cerca de dois litros de líquidos por dia para que
haja manutenção adequada da homeostase corporal; além disso, a água
proporciona a lubrificação do intestino, facilitando, assim, a motilidade na
eliminação das fezes (MARTINOFF, 2008).

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3. A prática de exercícios físicos contribui para os movimentos peristálticos


e para o ato da defecação (CUNHA, 2008).
4. Escolha de um horário para defecação para que se obtenha, num tempo
relativamente curto, o despertar do reflexo da evacuação, a sensação
retal da vontade de evacuar, repetitivamente, aproximadamente no
mesmo horário e diariamente (CUNHA, 2008).
5. Uma massagem feita da direita para a esquerda com a mão espalmada,
se realizada, após 30 minutos das refeições, pode contribuir para a
estimulação da motilidade intestinal (ANDRADE, 2003).
6. Ingestão de alimentos probióticos.
 Tratamento Farmacológico
Ao se utilizar laxantes, estes devem ser administrados na menor dose eficaz e
pelo menor tempo possível para evitar abuso, pois além de perpetuar a dependência
dos fármacos, o hábito do uso de laxantes pode levar à perda excessiva de água e
eletrólitos (CUNHA, 2008).
1. Colóides hidrofílicos e agentes formadores de bolo fecal:
São fibras (farelo de trigo, mucilagens, innatura ou contidos em
medicamentos industrializados) que buscam reproduzir o que acontecia
fisiologicamente com uma ingestão correta de fibras pela alimentação. Estes
produtos utilização prolongada não oferecem riscos colaterais importantes, mas
podem, numa fase inicial, aumentar alguns sintomas desconfortáveis, como
distensão e dor abdominais, meteorismo e flatulência. Além disso, pacientes
com sintomas obstrutivos, megacólon ou megarreto não devem ingerir fibras,
sendo necessário tratar primariamente, antes de se iniciar a suplementação com
fibras. Ex: TriFibra Mix®, Metamucil®, AgioFibra®, Loraga®, Biofiber®,
PlantaBen®, Povata®(CUNHA, 2008; ANDRADE, 2003).
2. Agentes osmóticos:
São substâncias pouco ou inabsorvíveis pelo intestino delgado que por causa
de sua osmolaridade, retêm água na luz intestinal fluidificando as fezes e
estimulando a peristalse. Ex: Laxantes salinos, lactulose, sorbitol, manitol,
polietilenoglicóis, supositório de glicerina (CUNHA, 2008; ANDRADE, 2003).

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3. Agentes umectantes e emolientes fecais


O óleo mineral por ser uma substância oleosa, não digerida pelas enzimas
humanas, lubrifica a parede intestinal e o bolo fecal facilitando sua passagem
pela luz colônica. No entanto, o óleo mineral pode levar ao desenvolvimento de
reações na mucosa intestinal, o que pode levar a eliminação de óleo pelo
esfíncter anal e interferência na absorção de substâncias lipossolúveis, como as
vitaminas. Em idosos, há risco de refluxo do óleo para a árvore respiratória,
podendo ocasionar pneumonite lipoídica.Ex: Nujol®, Purol®, Óleo Mineral®,
Laxol® (CUNHA, 2008; ANDRADE, 2003).
4. Laxantes estimulantes (irritantes):
São substâncias derivadas das antraquinonas, que agem sobre o plexo
mientérico, aumentando a motilidade colônica e a secreção de água pelo íleo e
cólon. Embora eficientes no seu efeito imediato, não são aconselháveis para
prescrição generalizada, e/ou por períodos prolongados, pois esses laxativos
inicialmente eficazes, tendem a ter suas doses aumentadas com o tempo de uso
(pela destruição das terminações nervosas intestinais), além de sintomas
dolorosos abdominais que, potencialmente, podem provocar. Ex: Senna
alexandrina (Senan®, Senareti®, Lacass®), Picossulfato de Sódio (Guttalax®,
Diltin®, Rapilax®), Cáscara Sagrada, Bisacodil (Lacto Purga®, Dulcolax®,
Bisalax®, Plesonax®), utilizados isoladamente ou em associações (CUNHA,
2008; ANDRADE, 2003).

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Figura 14 – Algoritmo Constipação Intestinal


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6.3.4 Enjôo, Náusea e Vômito

 Definição
Náusea pode ser definida como um desconforto na região abdominal,
associado à vontade de vomitar em decorrência do estímulo de receptores
mecânicos do tarto gastrointestinal e do sistema vestibular. (GODIN, et al., 2009)
Para Morrow & Rosenthal, náusea é a sensação da necessidade de vomitar e
geralmente vem acompanhada de outros sintomas como sudorese fria, ptialismo,
hipotonia gástrica, refluxo, dentre outros. Vômito é o ato de expulsar o conteúdo
gástrico através da boca de forma rápida e forçada devido ao fato da contração do
músculo da parede torácica e abdominal. O vômito é um importante mecanismo de
defesa para expulsar substâncias que sejam irritativas ao organismo (CAVACO, et
al., 1995)
Segundo o Consenso Brasileiro de Náuseas e Vômitos (2011), o vômito, ou
êmese, pode ser dividida em três fases: pré-ejeção, ejeção e pós ejeção. A fase da
pré-ejeção corresponde a náusea, que é caracterizada pelo relaxamento estomacal,
inibição da secreção do ácido gástrico, diminuição da pressão intratorácica e
aumento da pressão abdominal. A fase da ejeção é caracterizada por uma grande
contração retrógrada do intestino delgado para o estômago e em seguida, há um
aumento da pressão no tórax e abdome, em decorrência de contrações dos
músculos abdominais e diafragma. Consequentemente, hé uma compressão no
estômago, forçando seu conteúdo para a boca. Por fim, segue-se a fase de pós-
ejeção que normalmente é caracterizada por alívio da náusea, dependendo da
causa do problema.
 Etiologia
As causas de náuseas e vômitos são várias e podem ocorrer devido a
transtornos que ocorrem dentro ou fora do tubo digestivo (SIERRA; JÍMENEZ;
LÓPEZ, 2006). Portanto, a história clínica do paciente é importante e deve ser
investigada.

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De acordo com o Consenso Brasileiro de Náusea e Vômito, a etiologia de


náuseas e do vômitos podem ser as seguintes:

Quadro 9- Etiologia de Náuseas e Vômitos


Candidíase orofaríngea
Gastrointestinais Gastroparesia
Constipação e obstrução intestinal
Opióides
Antibióticos
Drogas Ainti-inflamatórios não esteroidais
Digoxina
Ferro
Hipercalcemia
Metabólica
Insuficiência renal
Quimioterapia
Radioterapia
Toxicidade
Infecção
Síndrome paraneoplásica
Neurológica Metástase no sistema nervoso central
Psicossomáticos Ansiedade e Medo
Fonte: Consenso Brasileiro de Náusea e Vômito. ABCP, 2011.

 Sinais e Sintomas
Ânsia, náusea e vômito.
 Tratamento Não Farmacológico
O gengibre (Zingiber officinale) vem sendo utilizado no tratamento de náuseas
e vômitos em diversos pacientes que fazem tratamento quimioterápico. O
mecanismo de ação ainda não é plenamente conhecido, mas já foi categorizado
como um aditivo alimentar peloFDA (Food and Drug Administration). No Brasil, é
comercializado na forma de amido, pó, balas, cristais e bebidas (BARRETO;
TOSCANO; FORTES, 2012).
Segundo o Projeto Diretrizes da Associação Médica Brasileira e do Conselho
Federal de Medicina (2007), a acupuntura é um ótimo método de prevenção de
náuseas e vômitos pós-operatórios induzidos por drogas. A estimulação elétrica
nervosa transcutânea também podem reduzir os sintomas de náuseas e vômitos.

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O mesmo projeto também afirma que a hipnose, o relaxamento, a


visualização, a aromaterapia e a ioga são intervenções indicadas para o controle de
náuseas e vômitos.
 Tratamento Farmacológico
A neurofarmacologia do centro do vômito ainda não está bem elucidada, mas
sabe-se que os antagonistas dopaminérgicos, muscarínicos e dos receptores H1 da
histamina possuem atividades antieméticas. A metoclopramida e a domperidona são
exemplos de antagonistas dopaminérgicos utilizados no tratamento farmacológico da
êmese (Consenso Brasileiro de Náuseas e Vômitos, 2011)
Além destes, há diversos medicamentos que podem ser utilizados no
tratamento concomitante de náuseas e vômitos: bromoprida e cloridrato de
ondansetrona.
Para o tratamento isolado de êmese, pode ser utilizado, além dos já citados
acima, o cloridrato de granisetrona.
Com relação aos medicamentos de venda livre, não há nenhum disponível
para o tratamento de náuseas e vômitos.

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Figura 15 – Algoritmo Enjôo, Náusea e Vômito


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6.3.5 Flatulência

 Definição
É a sensação de dor abdominal e difusa, mal estar e distenção do estômago
que se deve frequentemente a uma quantidade excessiva de gases intestinais.
(Soares, 2002).
 Etiologia
A formação dos gases no aparelho digestivo deve-se a reação de
fermentação causada por parte das bactérias intestinais que atuam para que ocorra
a quebra dos carboidratos e as proteínas quando passam pelo intestino. (Soares,
2002).
 Sinais e sintomas
Os sintomas compreendem a distensão do abdômen, dor, aumento excessivo
de gases odoríferos que dão ao flato o seu odor característico, podendo ocorrer até
diarréia. (Soares, 2002).
 Tratamento Não Farmacológico
Recomenda-se que o paciente evite comer alimentos que induzem o
aparecimento da flatulência como legumes e cereais, como feijões, ervilhas, grão de
bico e castanhas. Evitar alimentos ricos em gorduras. Em algumas pessoas a
ingestão de adoçantes a base de Sorbitol e açúcar de frutas (frutose) também
aumentam os flatos. Mastigar bem os alimentos, ingerir bastante líquido e evitar falar
durante as refeições para diminuir o volume de ar deglutido. (Soares, 2002).
 Tratamento Farmacológico
Os fármacos para flatulência atuam de diferentes formas, destacando-se a
simeticona ou dimeticona, o carvão vegetal ativado e as enzimas digestivas.
A simeticona é um absorvente tenso ativo que atua na redução da formação
de espuma gastrointestinal, diminuindo a acumulação de gases. Os comprimidos
devem ser mastigados e não engolidos não excedendo500mg/dia e as gotas devem
ser administradas de 0,6ml até 4 vezes ao dia. (Soares, 2002).

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O carvão vegetal ativado possui grande capacidade de adsorver gases a sua


superfície, mas nos dias de hoje está em desuso. (Soares, 2002).
As enzimas digestivas vão facilitar a digestão dos alimentos por processo
natural, impedindo a intensa formação de gases. (Soares, 2002).

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Figura 16 – Algoritmo Flatulência


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6.3.6 Má Digestão

 Definição
As múltiplas definições atribuídas à má digestão ou dispepsia como também é
chamada, se baseiam nas diferentes combinações dos sintomas referidos, como dor
ou desconforto abdominal nos quadrantes superiores do abdômen podendo ou não
estar relacionada à ingestão de alimentos e/ou regurgitações, náuseas e saciedade
fácil (Barbara et al, 1989; Horrocks et al, 1975).
As dispepsias podem ser classificadas em diferentes tipos, porém os dois
principais são: 1)Dispepsia não ulcerosa ou funcional: há a presença de sintomas
dispépticos, porém não é detectada outra patologia ou lesão que provoque tais
sintomas; 2)Dispepsia orgânica: há sintomas dispépticos, porém há outra patologia
relacionada aos sintomas, como úlceras pépticas, refluxo gastresofágico,
pancreatite, entre outras doenças do trato digestivo (Colin-Jones, 1988).
 Etiologia
A dispepsia é uma síndrome muito comum e com múltiplas etiologias. Há
pesquisas com os seguintes fatores:
1) Função motora gástrica: alterações na função motora gástrica pode levar
à plenitude pós prandial, um dos sintomas da má digestão (Quartero et al,
1998; Scolapio et al, 1996).
2) Sensibilidade visceral: a hipersensibilidade visceral provoca sensibilização
dos nervos periféricos aferentes gerando respostas acentuadas, este fator
está muito relacionado a dispepsia funcional.
3) Helicobacter pylori: A influência desta bactéria na dispepsia ainda não foi
definida, porém a erradicação da H. pylori induz a uma melhora na
sintomatologia da dispepsia funcional. Então, acredita-se que este micro-
organismo causa disfunção da musculatura lisa do estômago provocando
alterações no órgão e deixando-o mais sensível (Tack et al., 2004; Sarnelli et
al., 2003).

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4) Fatores psico-sociais: em indivíduos que apresentam quadros de


ansiedade, depressão e neuroticismo há maior predisposição em
desenvolver dispepsia (Scolapio et al., 1996).
É visto que a dispepsia é o resultado da agregação de fatores sociais e
patológicos (Drossman et al., 1999; Berstad, 2000).
 Sinais e Sintomas
Os sintomas relacionados à dispepsia estão sempre associados ao aparelho
digestório alto, sendo os mais característicos a dor epigástrica caracterizada por
uma lesão tecidual na região do epigástrio levando a uma sensação desagradável e,
o desconforto pós prandial. No entanto outros sintomas também são associados à
má digestão, como sensação de queimação na região do epigástrio, conhecida
como pirose epigástrica, além do quadro de plenitude pós-prandial havendo a
sensação de que o alimento permanece por tempo prolongado no estômago e ainda
a saciedade precoce, tendo se a sensação de saciedade logo após o inicio da
refeição não condizendo com a quantidade de alimento ingerido (Vakil et al, 2005).
Os sintomas de náuseas e vômitos também são comuns (Silva, 2008).
 Tratamento Não Farmacológico
O tratamento não farmacológico deve ser composto por um plano de
intervenção dietética e comportamental. Dessa forma, as refeições devem ser
realizadas vagarosamente, assim como refeições que já fizeram mal ao paciente e
líquidos gaseificados devem ser evitados (Feinle-Bisset et al., 2006). Quanto a
intervenção comportamental, o paciente deve ser orientado da importância de seu
bem-estar psíquico, além de horas adequadas de sono, prática de exercícios físicos
e interrupção do fumo.
 Tratamento Farmacológico
O tratamento farmacológico deve ser o mais especifico possível em relação
aos sintomas apresentados. Para alívio dos sintomas mais brandos, com
ocorrências casuais, principalmente após ingestão de bebidas alcoólicas, alimentos
gordurosos ou de difícil digestão, são recomendados: Engov®, Sal de Fruta®,
Estomazil®, Gastrol®, Eparema®, Epocler®, Sonrisal®, Bisuisan®, Eno Tabs®,

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Xantinon®, Figatil®, Pepsamar®. Para as intercorrências mais severas deve seguir o


algoritmo de decisão e encaminhar ao médico.

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Figura 17 – Algoritmo Má Digestão


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6.3.7 Distúrbios Hepáticos

 Definição
O fígado é um dos maiores e mais complexos órgãos que o organismo
possui. O componente básico pertencente ao fígado é o hepatócito (célula hepática).
Os hepatócitos estão dispostos nos lóbulos do fígado de modo que se assemelham
a uma parede de tijolos e, entre eles, se encontram vasos chamados de sinusóides
hepáticos, que estão circundados por uma bainha denominada de fibras reticulares
(DEF, 2011).
Ao contrario de como a maioria pensa, o fígado não é apenas um órgão que
auxilia na digestão. O fígado também exerce uma função de glândula mista, tanto
exócrina, que libera secreções em uma rede de canais que se abrem em uma
superfície externa, como endócrina, que atua na liberação de hormônios na corrente
sanguínea (DEF, 2011).
O fígado exerce muitas funções no organismo, onde as principais são:
destruição das hemácias velhas; produção de bile; emulsificação de gorduras;
armazenamento de glicose em forma de glicogênio e sua liberação; armazenamento
de vitamina A, B12, D e E, e armazenamento de alguns minerais (como o ferro e o
cobre); síntese de colesterol; síntese de proteínas pertencentes ao plasma;
produção de algumas gorduras, como por exemplo, os triglicerídeos; conversão de
amônia em uréia; é responsável pela biotransformação de varias toxinas e drogas;
biotransformação de medicamentos em substâncias menos nocivas para que
possam ser excretados. Além destas, e não menos importantes, o fígado possui,
aproximadamente, outras 220 funções (DEF, 2011).
Assim sendo, o fígado é um órgão de extrema importância para o organismo.
Uma deficiência do fígado, dependendo da gravidade, pode colocar a vida do
paciente em risco. Existem muitas doenças que comprometem a integridade do
fígado e, mesmo com sua grande capacidade de regeneração, em alguns casos
muito graves a única solução é o transplante. Por outro lado, existem outras
situações que não são graves, entretanto, existe a necessidade da proteção
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hepática para manter a integridade das células hepáticas e toda a estrutura do


lóbulo hepático (DEF, 2011).
 Etiologia
Abaixo estão algumas causas dos problemas relacionados ao fígado.
 Excesso de gordura no fígado;
 Intoxicação pelo excesso de ingestão de bebidas alcoólicas;
 Uso indiscriminado de medicamentos;
 Exageros alimentares;
 Hepatite;
 Sinais e Sintomas
Quando existe algum tipo de lesão no fígado, os primeiros sintomas
apresentados são a dor abdominal do lado direito e a barriga inchada. Além destes
dois sintomas, o paciente também pode apresentar:
 Pele e olhos amarelados (icterícia);
 Urina com coloração amarelada ou escura;
 Tontura;
 Dores de cabeça;
 Gosto amargo na boca;
 Enjoo/vômito;
 Falta de apetite;
 Cansaço;
 Aumento de peso;
 Fezes com coloração amarelada, cinzenta, negra ou até mesmo sem cor;
 Coceira generalizada;
 Tratamento Não Farmacológico
O tratamento indicado no caso de lesões hepáticas leves são os seguintes:
 Beber bastante água;
 Ingerir alimentos leves, sem frituras e gorduras;
 Não ingerir bebidas alcoólicas;
 Não fazer o uso de medicamentos desnecessários;
 Descansar;
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 Tratamento Farmacológico
Os medicamentos que são capazes de oferecer esse tipo de proteção são
chamados de hepatoprotetores (antitóxicos). Esses medicamentos devem ser
usados quando ocorrem os seguintes problemas: uma infiltração gordurosa no
hepatócito; pequena insuficiência hepática; uso ou abuso de substâncias
hepatotóxicas; má digestão por causas hepáticas; utilização de medicamentos com
potencial hepatotóxico; prevenção e tratamento das agressões tóxicas, metabólicas
e infecciosas ao hepatócito; em situações em que ocorre sobrecarga das funções
hepáticas, como por exemplo, dietas ricas em gorduras (DEF, 2011).
Existem alguns tipos de hepatoprotetores, que podem ser:
Lipotrópicos e metilantes
Esses medicamentos são capazes de reduzir ou impedir que ocorra um
acúmulo anormal de gordura no fígado. Exemplos: colina e inusitol (DEF, 2011).
Tiólicos e seus precursores
Exemplo: cisteína. Um dos papeis biológicos da cisteína é atuar como
precursora da taurina e do GSH, que são úteis na desintoxicação do organismo e
também por atuar na proteção do fígado e do cérebro contra o dano de bebidas
alcoólicas, drogas e metabolitos (Santos, 2005).
Hiperamoniêmicos
Exemplo: ornitina e arginina. O tratamento com estes compostos tem como
objetivo aumentar a capacidade do organismo em reduzir a amônia circulante (DEF,
2011).
Drogas que possuem múltiplas funções
Exemplo: silimarina (lipotrópica, inibidora da entrada de substâncias tóxicas
no hepatócito e estabilizadora, que impede a lipoperoxidação causada pelos radicais
livres) e metionina (lipotrópica, metilante e tiólica, que reduz a infiltração de gordura
e impede a esteatose hepática) (DEF, 2011).
 Fitoterapia
Além desses tratamentos, pode ser feito o uso de plantas medicinais que
auxiliam na proteção hepática. São elas:

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103

 Carqueja (Baccharis genistelloides)


A Carqueja apresenta propriedades antivirais, estomáquicas,
analgésicas e anti-inflamatórias (Gene, 1996). Por conta dessas propriedades, a
carqueja é utilizada em vários tipos de enfermidades.Um estudo demonstrou que o
extrato aquoso bruto de carqueja protegeu o fígado contra lesões e prolongou o
tempo de sobrevivência em camundongos tratados com uma toxina hepática
(Soicke, 1987).
 Erva Tostão (Boerhaavia diffusa)
As raízes da Erva Tostão são conhecidas por auxiliar no tratamento de
diversas desordens hepáticas. Em 1997, um estudo demonstrou sua evidente
proteção do fígado através de parâmetros bioquímicos como TGO, TGP, fosfatase
ácida e fosfatase alcalina (Chandan, 1991; Rawat, 1997).
 Picão Preto (Bidens pilosa)
No Brasil e na China, o Picão Preto é comumente utilizado para o
tratamento de icterícia, obstrução e edema do fígado e outras doenças relacionadas
a esse órgão. Sendo assim, foi realizado um estudo sobre a sua propriedade
hepatoprotetora, concluindo que a Bidens pilosa pode proteger danos causados ao
fígado induzido por várias toxinas e tem potencial de amplo espectro contra agentes
anti-hepáticos (Chin, 1996).
 Boldo (Peumus boldo)
Na fitoterapia atual, o Boldo é utilizado na Europa, América do Norte,
América do Sul e na América Latina no tratamento de cálculo biliar, insuficiência e
congestão hepática (Lanhers, 1991).
Um estudo indicou que o extrato de boldo apresentou significativa
atividade hepatoprotetora em hepatócitos isolados de ratos (metodologia in vitro) na
hepatotoxicidade induzida por hidroperóxido de terc-butila, reduzindo a peroxidação
lipídica e a secreção da enzima lactato desidrogenase (LDH), sendo que essa
eficácia in vitro foi reforçada por uma hepatoproteção in vivo, pois o extrato da planta
foi capaz de reduzir o extravasamento enzimático da alanina aminotransferase em
camundongos tratados com tetracloreto de carbono (Bannach, 1996; Jimenez;
2000).
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104

 Alcachofra (Cynara scolymus)


Estudos demonstraram que o extrato das folhas da Alcachofra
apresentou efeitos benéficos na vesícula biliar, na estimulação da secreção de bile,
na desintoxicação do fígado e na redução dos níveis de colesterol no sangue
(Gebhardt, 1997).
 Guaco (Mikania cordifolia)
O Guaco é largamente utilizado na América do Sul como depurador do
sangue e do fígado. Suas propriedades hepatoprotetoras foram demonstradas em
um estudo de 1994, onde foi possível observar uma notável indução da atividade de
uma enzima microssomal hepática, a uridino difosfoglicuronil transferase (Byshayee,
1994).

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Figura 18 – Algoritmo Distúrbios Hepáticos


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106

6.3.8 Refluxo Gastresofágico

 Definição
O refluxo gastresofágico é considerado uma afecção crônica decorrente do
fluxo retrógrado de parte do conteúdo gastroduodenal para o esôfago, e tem como
consequência um variável espectro de sintomasassociados ou não a lesões
teciduais. (NASI, 2006)
 Etiologia
É causado pelo retorno involuntário repetitivo do conteúdo gástrico para o
esôfago e pode ser de origem fisiológica ou patológica. O Refluxo gastroesofágico
(RGE) fisiológico é mais comum nos primeiros meses de vida , onde podem haver
regurgitações pós alimentares. Já o RGE patológico pode ter origem multifatorial e
envolve a função do esfíncter esofágico inferior, o peristaltismo esofágico e o
esvaziamento gástrico (NORTON, PENNA, 2000)
 Sinais e Sintomas
Pirose retroesternal, regurgitação são os sintomas mais comuns, mas podem
ocorrer também manifestações extra-esofágicas respiratórias, como tosse e asma
brônquica, e otorrinolaringológicas como disfonia e pigarro. (Federação Brasileira de
Gastroenterologia, 2003)
 Tratamento Não Farmacológico
• Elevação da cabeceira da cama (15 cm);
• Moderar a ingestão dos seguintes alimentos, na dependência da correlação
com sintomas: gordurosos, cítricos, café, bebidas alcoólicas, bebidas
gasosas, menta, hortelã, produtos à base de tomate ou chocolate;
• Cuidados especiais com medicamentos potencialmente “de risco”, como
colinérgicos, teofilina, bloqueadores de canal de cálcio, alendronato;
• Evitar deitar-se nas duas horas posteriores às refeições;
• Suspensão do fumo;
• Redução do peso corporal em obesos;

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 Tratamento Farmacológico
- Alcalinos (ou antiácidos): são empregados para neutralizar a secreção ácida
gástrica, servindo apenas para controle imediato dos sintomas.

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Figura 19 – Algoritmo Refluxo Gastresofágico


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6.3.9 Cólicas Intestinais

 Definição
As cólicas intestinais são dores de forte intensidade, que acontecem na região
abdominal, e são acompanhadas principalmente por diarreias e espasmos intensos
 Etiologia
Os alimentos são selecionados para absorção no intestino delgado. O que
não é aproveitado é levado ao intestino grosso, através do movimento peristáltico,
próprio de órgãos ocos, onde o bolo alimentar é empurrado para frente, por meio
dessas contrações coordenadas e sucessivas. No intestino grosso se processa a
absorção da água. Alguns alimentos aceleram o processo e lesam a mucosa,
causando diarreia. E alguns retardam o trânsito dos alimentos.
Comendo em excesso, essas contrações poderá ser alterada, perdendo a
regularidade e se tornando espasmódicas, causando assim, as cólicas intestinais.
Nos recém-nascidos as cólicas acontecem como consequência da
imaturidade do controle intestinal, e também há um desconforto devido a não
eliminação dos gases produzidos pela fermentação do leite ingerido.
 Sinais e Sintomas
Dores de forte intensidade, diarreias e espasmos intensos.
No lactente além de haver um choro muito forte, ele se estica, fica vermelho,
as mãos ficam crispadas, as coxas fletidas sobre o abdômen, eliminação de gases
com frequência
 Tratamento NãoFarmacológico
Melhorar a alimentação, tornando-a mais saudável;
Exercícios diários para manter o metabolismo rápido, melhorando a digestão;
Beber muita água;
Chá de camomila;
Aquecer a região abdominal com bolsa quente,
 Tratamento Farmacológico

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- Butilbrometo de Escopolamina (Buscopan®), Butilbrometo de Escopolamina


+ Dipirona Sódica (Buscopan Composto®, Dorspan®, Espasmodid®), Simeticona
(Luftal®, Flagass®, Finigas®, Flatol®, Flucolic®, For Gas®, Neo Dimeticon®),
Papaverina (Atroveran®, Elixir Paregórico®).

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Figura 20 – Algoritmo Cólicas Intestinais


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6.4 TRANSTORNOS MENORES DERMATOLÓGICOS

6.4.1 Acne

 Definição
A acne vulgar é uma doença inflamatória crônica, porém mais frequente na
adolescência. Seu aparecimento é maior entre os pacientes do sexo masculino
devido a influência androgênica.
 Etiologia
Na adolescência ocorre o desenvolvimento das unidades pilossebáceas,
combinação da glândula sebácea e folículo piloso, devido a estimulação dos
hormônios androgênicos. O sebo, produzido pela glândula sebácea é liberado no
canal do folículo piloso. Neste então, além de haver sebo, há também a presença de
células e uma população microbiana mista, principalmente, Propionibacterium
acnes. O sebo é hidrolisado por uma lipase produzida pelo P. acnes, onde
transformam os triglicerídeos, presentes no sebo, em substâncias irritantes para a
pele.
Com o aumento da ceratinização folicular, produção de sebo, lipólise
bacteriana dos triglicerídeos do sebo em substâncias irritantes para a pele, e
inflamação, se forma o chamado microcomedão, onde a acne se inicia. Devido a
estimulação da glândula, a produção de sebo é aumentada, contribuindo para a
formação do comedão, precursor de todas as lesões acneicas. O comedão pode ser
fechado, onde obstrui a drenagem do sebo e pode haver ruptura, ou aberto, quando
a parte terminal do folículo se dilata. A acne caracterizada por comedões abertos e
fechados não é inflamatória, porém se há a ruptura da parede folicular do comedão,
determinada pelo P. acnes, seu conteúdo é liberado podendo originar lesões
inflamatórias.
 Sinais e Sintomas

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A acne vulgaris pode ser inflamatória, onde há a presença de comedões


abertos e fechados, e não inflamatória, onde há a presença de pápulas, pústulas
e/ou nódulos.
São caracterizados por cravos, espinhas, cistos e, dependendo da
intensidade do caso, abcessos na pele.
Causam dor, coceira e irritação nas áreas afetadas. Essas lesões
predominam-se na face, peito, ombro e costas.
 Tratamento Não Farmacológico
Como uma das características da pele acneica é a seborreia, os produtos
utilizados na higiene devem ser pouco detergentes, evitando a seborreia reacional e
a irritação, suaves e emolientes:
-Sabões e sabonetes; Sabonetes líquidos antissépticos; Pains ou
Syndets; Emulsões de limpeza
-Devem usar filtro solar, pois o sol promove uma hiperceratinização da
superfície cutânea e do folículo, agravando a acne.
-Soluções antissépticas
-Pelling químico
-Extração de comedões
 Tratamento Farmacológico
-Ácido Salicílico3 a 10% + Enxofre 2 a 10% (Dermic®); Ácido glicólico 5 a
30%; Resorcinol 1 a 2% (associado ao ácido salicílico); Ácido Azelaico 20%
(Azelan®, Dermizan®, Dermazelaic®); Ácido Mandélico; Lactato de Amônio, Peróxido
de Benzoila (Acnase®, Acnezil®).

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Figura 21 – Algoritmo Acne


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6.4.2 Aftas e Afecções Bucais

 Definição
As úlceras aftosas, ou popularmente conhecidas como aftas, são os tipos de
ulcerações mais comuns que acometem geralmente a mucosa bucal, gengivas e
língua.
Têm a forma de pequenas vesículas normalmente brancas ou levemente
amareladas, com bordas avermelhadas e medindo aproximadamente 1centímetro de
diâmetro.
 Etiologia
Como ainda não se sabe ao certo qual a causa das úlceras aftosas várias
possibilidades não estão descartadas. Dentre elas podemos citar a relação com uma
disfunção imune local; deficiências de vitamina B12, ácido fólico e ferro; alterações
hormonais como alergias alimentares, estresse e trauma; defeito de cicatrização da
mucosa.
 Sinais e Sintomas
Alguns sintomas generalizados que aparecem por volta de 1 a 2 dias antes,
marcam o surgimento das aftas como dor, febre, ardor ou queimação na região
afetada e mal estar. Após o aparecimento da vesícula a lesão dura de 3 a 10 dias
para cicatrizar.
 Tratamento Não Farmacológico
Fazer dieta com restrições de frutas e alimentos cítricos uso de suplemento
de proteínas, gelo aplicado dentro de 24 horas, após tocar as lesões sempre lavar
as mãos, evitar beijar, não esfregar o local ou tocar nos olhos, não compartilhar
toalhas de rosto, pratos, talheres, medicamentos e cosméticos, fazer bochechos
com água morna e solução salina.
Tratamento Farmacológico
- Para alívio da dor, pode fazer uso de Benzocaína 2% em spray oral ou
analgésicos orais como Ácido Acetilsalicílico, Paracetamol, Ibuprofeno.

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- Para alívio dos sintomas, o uso de soluções orais contendo Cloreto de


Benzalcônio ou solução salina ajuda a limpar e acalmar as mucosas.
- Para acelerar a cicatrização das ulcerações podem ser aplicadas
soluções contendo Tartarato de Bismuto e Sódio + Procaína +
Neomicina + Mentol (Bismu-Jet®, Aftine®), Rubra Rosa (Aftjet®), ou
pomadas a base de Matricariachamomilla (Colutóide®, Ad-Muc®).
- Produtos contendo vaselina branca são recomendados para que não
haja fissuras na lesão no processo de cicatrização. A aplicação de
protetores solares labiais e filtros como a pomada de Óxido de Zinco
protegem o local dos raios solares que podem agravar a situação.

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Figura 22 – Algoritmo Aftas e Afecções Bucais


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6.4.3 Herpes Labial

 Definição
Herpes labial é um tipo de Herpes simples, causado pelo Herpes hominis
virus, que causa uma condição aguda caracterizada por erupções de um ou mais
grupos de vesiculas de caráter eritematoso. Este tipo de infecção localiza-se nos
lábios e é acompanhado por dor e prurido
 Etiologia
Existem dois diferentes tipos do vírus do herpes simples. O vírus do herpes
simples tipo 1 (HSV-1) é o mais comum na população em geral e frequentemente
está ligado às infecções dos lábios, da boca e do rosto. Este tipo do vírus
geralmente é adquirido durante a infância. É caracterizado por provocar lesões
bucais e labiais e picos febris e sua transmissão ocorre por contato direto com saliva
infectada (Fitzpatrick et al, 1997). O vírus do herpes simples tipo 2 (HSV-2) não está
relacionado à manifestações de herpes labial.
 Sinais e Sintomas
A primeira infeccção geralmente é assintomática e costuma ocorrer na
infância, porém em raros casos pode manifestar-se na forma de gengivoestomatite
herpética aguda. Caracteriza-se por múltipas vesículas, que se irrompem
rapidamente, deixando erosões na boca, gengiva, língua e lábios.
Podem ocorrer casos recorrentes em razão de excessiva exposição à luz
solar, estresse, quadros febris, menstruação ou após menarca e ainda outras
situações que enfraquecem o sistema imunológico do indivíduo como câncer, HIV e
uso de alguns corticosteróides. Esses processos recorrentes levam ao
surgimementos de novas vesículas nos lábios, e frequentemente se limitam a tal,
não causando sintomas mais graves.
O individuo portador de herpes simples recorrente nos lábios pode prever com
atecedência de até 24 horas o surgimento dos primeiros sinais e sintomas clinico,

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caracterizados pelo surgimento de vesículas e bolhas, isto porque o local se


apresenta edemaciado, dolorido e com prurido (Consollaro et al, 2009).

 Tratamento Não Farmacológico


A base do tratamento não farmacológico se fundamenta aos cuidados locais
de higiene, destacando a importância na assepsia correta das mãos, evitar o contato
direto com outras pessoas e não machucar as vesículas da herpes. Além disso, a
boa higiene é fundamental para prevenir uma infecção secundária por bactérias, o
que agravaria o caso.
O rompimento das vesículas com instrumentos perfurantes adequados e
esterilizados pode diminuir o periodo da recorrência, porém é uma atitude arriscada,
em razao da possibilidade de transmissão do vírus em outras regiões vizinhas.
Porém, há evidências de que o rompimento das vesículas quando feito
corretamente, em associação a um medicamento adequado, reduz o período da
lesão e as manifestações clínicas.
Como outras formas para o tratamento não farmacológico destacam as
formas paleativas preventivas, como a aplicação de gelo na região afetada
(Fitzpatrick, 1997) e o uso de éter nessa mesma região, já que tal substância atua
sobre a membrana lipídica do vírus. Pode se fazer uso também de acupuntura e
terapia de florais.
 Tratamento Farmacológico
No tratamento farmacológico não há opções de medicamentos isentos de
prescrição, uma vez que a farmacoterapia contra o herpes labial é fundamentada em
anti-virais.

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Figura 23 – Algoritmo Herpes Labial


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6.4.4 Picadas de Insetos

 Definição
As picadas são lesões cutâneas provocadas por vários agentesvivos
atravésde injeção de substâncias endógenas dos vetores: vespas, abelhas,
mosquitos, moscas, pulgas, percevejos, aranhas, carrapatos, escorpiões, águas-
vivas, etc...

 Etiologia
Vespas e abelhas produzem picadas dolorosas por introduzir seu veneno na
picada. Os mosquitos picam e sugam o sangue. As aranha introduzem veneno ao
morder, os Carrapatosanexam na pele entre10e 12 dias,e perfuram a pele para
sugar, enquanto a Água viva entra em contato com a pele comseus tentáculosque
disparam veneno.
 Sinais e Sintomas
O quadro clínicovaria deleve desconforto local até formas graves
com comprometimento geral do paciente.
Vespas e abelhas produzem picadas dolorosas seguido por uma reação local,
com edema e prurido, geralmente resolvido em poucas horas. Ela pode durar por
dias. Algumas pessoas são alérgicas e podem sofrer reações graves como dispneia,
urticária e perda de consciência. Excepcionalmente, podem ser fatais. Este mesmo
quadro pode ocorrer quando as mordidas são numerosas (mais de 50).
Os mosquitos provocam pápulas pruriginosas que diminuem
espontaneamente em alguns dias. Em alguns pacientes, há uma reacção local mais
intensa. Às vezes, a lesão pode ser infectada pelo coçar. Hipersensibilidade à
picadas de mosquito, é caracterizada por intensas reações locais e sintomas
sistêmicos.
Picadas de Pulgas costumam produzir pápulas com distribuição irregular e
às vezes linear, muito prurido e geralmente nas extremidades.

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As picadas de insetos produzem uma ou mais pápulas volumosas com um


ponto central e inflamação circundante. Localizado mais comumente nas nádegas e
membros inferiores.
As aranha causam edema acompanhado de uma reação eritematosa cutâneo
local ou necrose hemorrágica e muitas vezes é centro violáceo acompanhado por
dor.
Os Carrapatosproduzem umapápulaeritematosa.
Escorpiões só provocam lesões auto-limitantes e só ocasionalmente desencadeam
reações anafiláticasem pacientessensibilizadose reações tóxicas sistêmicas.
Água viva produzuma erupçãopapularcom dor intensa, latejante, com sensação de
queimação.As lesõespodem evoluir para bolhas que vão deixar uma cicatriz
permanente.
 Tratamento Não Farmacológico
Assegurar a retirada do agente causador. No caso das abelhas podem deixar
o seu ferrão na pele. Deve-se retirar delicadamente raspando a pele. O carrapato
precisa ser removido todo, com uma pinça. A água viva deve ser removida com uma
pinça ou com luvas os tentáculos que estão colados à pele.Limpe a área da picada
com água e sabão. No caso da água viva é aconselhável usar vinagre ou água do
mar para limpar a área afetada.Aplique gelo para a mordida ou compressas frias por
15 minutos para diminuir a dor.
Se necessário, elevar o membro afetado para diminuir a absorção do veneno.
Remova anéis e objetos que podem comprimir no caso de edema.
 Tratamento Farmacológico
Analgésicos: Se necessário, paracetamol.Às vezes, a picada de escorpião é
tão dolorosa que precisa de tratamento analgésico IV. Não são recomendadas
opiáceos porque podem aumentar o efeito da toxina.Dexclorfeniramina oral (anti-
histamínico) se coceira e / ou edema.Clorexidina (anti-séptico) no local se
necessário.Evite aplicar anti-histamínicos tópicos.Se o edema local for intenso pode
ser utilizado corticosteróides tópicos (creme de hidrocortisona).

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Figura 24: Picadas de Insetos


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6.4.5 Queimadura

 Definição
Lesões dos tecidos orgânicos em decorrência de uma agressão.:
Podem ser classificadas em queimaduras de 1º, 2º e 3° graus, quanto a
profundidade da lesão;
Queimaduras de 1° grau - aquelas em que é afetada somente a camada mais
superficial da pele (epiderme) e os cabelos;
Queimaduras de 2° grau - também é afetada a camada mais abaixo da pele
(derme) e as estruturas associadas;
Queimadura de 3° grau - ocorre a destruição dos folículos pilosos, glândulas
sebáceas, sudoríparas e tecido subcutâneo;
 Etiologia
Trauma de origem térmica resultante da exposição a chamas, líquidos
quentes,
superfícies quentes, frio, substâncias químicas, radiação, atrito ou fricção
 Sinais e Sintomas
Os sintomas das queimaduras variam segundo o seu grau.
- As queimaduras de 1º grau levam ao surgimento de uma vermelhidão na
pele (que se torna branca quando pressionada) e uma desidratação leve. Em certos
casos, elas podem provocar febre baixa.
- As queimaduras de 2º grau levam ao aparecimento de “flictenas” (inchaços
ou bolhas) e vermelhidão na pele (que se torna branca quando pressionada).
Quando a queimadura é profunda, ela provoca um choque cardiovascular e uma
queda de pressão, portanto consulte rapidamente um médico, se for o caso.
- As queimaduras de 3º grau são muito profundas, consequentemente, elas
podem destruir os músculos e os tendões, e até prejudicar os ossos. A sua cor é
geralmente branca e não muda quando pressionada. Nesses casos extremos, estas
queimaduras podem levar um indivíduo à morte, sobretudo se este for uma criança
ou uma pessoa idosa, portanto consulte imediatamente um médico.

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 Tratamento Não Farmacológico


A ação do farmacêutico deve conter-se apenas ao aconselhamento de
substâncias a utilizar e técnicas de tratamento no caso de queimaduras pouco
graves de 1° grau e de 2° grau pouco extensas.A terapia com água fria pode reduzir
o processo inflamatório secundário às queimaduras térmicas. A área queimada deve
ser imersa imediatamente sob um jato de água fria, devendo também ser mantida
estática e debaixo de água até supressão da dor.Normalmente não são necessários
outros tratamentos para queimaduras leves.Caso ocorra a formação de bolhas e
estas se rompam, pode-se utilizar um anti-séptico a base de clorexidine para a
limpeza do local.
 Tratamento Farmacológico
Os objetivos do tratamento de queimaduras são aliviar a dor e diminuir a
inflamação.
Para alívio da dor recomenda-se paracetamol por via oral.
Para o alivio da dor em queimaduras leves e queimaduras solares podem ser
empregados anestésicos tópicos, lembrando que não se devem aplicar sobre feridas
abertas. Para favorecer a regeneração da pele, em geral nos processos de
cicatrização aconselha-se a utilizar cremes hidratantes a base de uréia e acido
láctico.

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Figura 25 – Algoritmo Queimadura


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6.4.6 Urticária

 Definição
A palavra urticária está relacionada a lesões de pele que podem estar
associadas a lesões contendo prurido, relevo, pápula, eritema e podendo
apresentar-se de formas diversas.
A manifestação urticariforme pode assumir quatro tipos básicos:
– Eritema: manchas vermelhas, confluentes, causadas por vasodilatação, que
desaparecem quando é feita uma pressão no local.
– Pápula: lesão sólida e circunscrita, menor que 1 cm de diâmetro; possui
relevo.
– Placa: geralmente chamamos “placa” à lesão maior que 1 cm, também em
relevo, com superfície geralmente plana.
– Urtica: é uma lesão com relevo, consistente, circunscrita, pequena, de
coloração vermelho-róseo ou branco-porcelana, efêmera, circundada por um halo
eritematoso ou de coloração mais clara que a pele normal.
A urticária pode ser classificada pela duração, lesões com duração menor do
que seis semanas são consideradas agudas; episódios que persistem além de seis
semanas são chamados de crônicos. No entanto, é necessário não confundir
manifestações agudas repetidas com manifestações de urticária crônica.
A urticária aguda pode ser dividida em dois tipos, dependendo da velocidade
de formação da pápula (lesão sólida da pele) e do seu tempo de duração. Um tipo
produz lesões que duram 1 a 2 horas, há imediata desgranulação de mastócitos. O
segundo tipo produz importante infiltrado celular e as lesões podem durar até 36
horas. Está relacionado com reações a drogas, alimentos, urticária por pressão,
urticária crônica e urticária vasculite.
A urticária crônica caracteriza-se por infiltrado perivascular não necrosante de
células mononucleares (linfócitos T CD4+ e monócitos) com variável acúmulo de
eosinófilos, neutrófilos e mastócitos.

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 Etiologia
Produzida e armazenada nos grânulos citoplasmáticos de mastócitos e
basófilos, a histamina é liberada em grandes quantidades já durante a fase imediata
da reação alérgica.
Dessa forma, a urticária é causada por uma degranulação cutânea dos
mastócitos atribuída a mecanismos imunológicos e não imunológicos. Em algumas
circunstâncias a etiologia não pode ser estabelecida, sendo classificada como
idiopática.
Outras condições podem desencadear a urticária: medicamentos, infecções,
contato direto com agentes químicos e/ou protéicos, estímulos físicos (pressão, frio,
calor etc. e auto-imunidade.
A urticária aguda é freqüentemente uma reação alérgica mediada por IgE,
comum em crianças e adultos. É um processo autolimitado desencadeado pela
ativação e desgranulação dos mastócitos da pele, com secreção de histamina,
leucotrienos, fatores ativados de plaquetas (PAF), enzimas do tipo triptase e
quimase, bem como citocinas e quimiocinas. Esse processo é ativado quando o
alérgeno para o qual o paciente é alérgico, por exemplo, alimento, alcança os
mastócitos da pele pela via sanguínea, fixando-se à molécula de IgE. Além de
alimentos, são causas comuns de urticária aguda drogas, como a penicilina, e
venenos de insetos como abelhas, vespas e formiga de fogo (lava-pé). Entretanto,
qualquer alérgeno que possa disseminar-se pelo corpo, e para o qual haja uma
resposta do tipo IgE, é potencialmente causa de urticária aguda. Assim, os
alérgenos podem penetrar no organismo pela via oral ou injetada. Em algumas
circunstâncias, o alérgeno pode produzir lesões urticarianas localizadas, quando a
penetração na pele se dá pelo contato com suficiente exposição, p. ex., contato com
luvas de látex.
Não é incomum pacientes com urticária aguda desenvolverem outras
manifestações, como edema de glote, cólicas, diarréia e hipotensão.
A urticária crônica é diagnosticada quando as pápulas e o edema estiverem
presentes por mais do que seis semanas e quando a manifestação não seja o
resultado de episódios recorrentes de urticária aguda.

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 Sinais e Sintomas
Geralmente possuem uma elevação clara central (pápula) cercada por
eritema. Essas lesões são tipicamente arredondadas. O eritema, devido à dilatação
dos vasos das camadas superficiais da pele, é causado por reflexos neuronais
locais. A pápula é causada pelo aumento da permeabilidade dos capilares e o
extravasamento desse fluido comprime os vasos sob a pápula de tal modo que a
sua área central aparece clara.
A histamina exerce seus efeitos nas doenças alérgicas interagindo
principalmente com os receptores H1 presentes nos diferentes órgãos. No nariz, a
histamina estimula as terminações nervosas sensoriais (prurido e espirros), aumenta
a permeabilidade vascular (edema e obstrução) e as secreções glandulares (coriza).
Na pele, provoca vasodilatação e aumento da permeabilidade vascular (eritema e
edema) e estimula as terminações nervosas sensoriais (prurido). Nos pulmões, atua,
principalmente, na musculatura lisa brônquica (broncoconstrição).
 Tratamento Não Farmacológico
- Atenção às vias aéreas, respiração e circulação;
- Uso de repelentes de insetos;
- Evitar a ingestão de alimentos que possam causar urticária.
 Tratamento Farmacológico
Os bloqueadores de receptores H1 são úteis no tratamento de alergias
causadas por antígenos que agem nos mastócitos sensibilizados por anticorpos IgE.
Por exemplo, os anti-histamínicos são os fármacos de escolha para o controle dos
sintomas da rinite alérgica e da urticária, pois a histamina é o principal mediador.
Eles são mais eficazes se utilizados de forma profilática, antes da exposição
ao alérgeno, do que quando os sinais já se manifestam.
Medicamentos utilizados no tratamento de urticária: Dexclorfeniramina
(Polaramine®, Histamin®), Loratadina (Claritin®, Neo Loratadina®, Loralerg®,
Histadin®)

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Figura 26 – Algoritmo Urticária


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6.4.7 Assaduras

 Definição
As assaduras são alterações na pele de um indivíduo causadas por um fator
externo, onde haverá o aparecimento de lesões, as quais podem variar em níveis de
gravidade.
 Etiologia
São causadas pelo atrito da pele com algum tecido de algodão, geralmente
roupas íntimas (em bebês, as fraldas), em que há substâncias provenientes
principalmente das fezes, que se não for feita uma higiene adequada, causam
irritações na pele devido a fricção e ao crescimento de bactérias no local.
Sinais e Sintomas
Os sintomas mais aparentes caracterizam-se pela vermelhidão, alta
sensibilidade, descamação, ardor, e, em casos mais graves, lesões profundas.
 Tratamento Não Farmacológico
Para prevenir as assaduras, nos bebês, a troca frequente das fraldas e a
correta limpeza das partes que ficaram em contato com os resíduos corporais são
fundamentais.
Em outras partes do corpo, o ideal é o uso de roupas com tecidos mais
suaves, e a utilização de cremes hidratantes para a prevenção.
 Tratamento Farmacológico
Utiliza-se pomadas contendo óxido de zinco, com aplicação no local da
assadura. Sua função é a de antiinflamatório, aumentando a degradação de
colágeno dos tecidos lesados através de metalo proteinases. Estimula a
multiplicação de células da epiderme, atuando como cicatrizante; forma também
uma camada protetora no local, impedindo o contato da pele com as fezes e urina.
Não há registros de reações adversas e de contra-indicação.
Em casos mais complicados de assaduras, podem ser utilizados pomada
contendo óxido de zinco em associação à nistatina.

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Existem ainda pomadas formuladas usadas profilaticamente para assaduras:


Dexpantenol (Bepantol Baby®, Neopantol®, Cicatenol®), Retinol + Colecalciferol +
Óxido de Zinco + Óleo de Fígado de Bacalhau (Hipoglós®, Babyglós®)

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Figura 27 – Algoritmo Assaduras

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6.4.8 Calosidades

 Definição
Calos são zonas de hiperqueratose (excesso de queratina) reacional.
 Etiologia
Ocorrem em local de proeminência óssea depois de muito tempo sofrendo
hiperpressão e atrito.
 Sinais e Sintomas
No local inicial aparece discreta celulite com extravasamento de líquido e
discreto espessamento da camada córnea da epiderme. Em um segundo estágio, o
calo é bem localizado com uma capa córnea circular e profundamente se situa a
"raiz" do calo, que é muito doloroso e com mais forças e atritos agindo sobre o calo,
podem surgir mais tarde, fissuras. Pode ocasionar dor e dificuldade para
andar/movimentar, mas também ulcerar e infectar-se e até ocasionar artrite séptica
em caso terminal.
 Tratamento Não Farmacológico
Suspensão da causa determinante do aumento de pressão na região
propensa a ter a calosidade. O uso de recursos ortésicos, como calçados com
câmaras anteriores amplas, calçados de material macio, palmilhas de descarga,
palmilhas monobloco para a redistribuição de cargas, espaçadores digitais,
acolchoamentos digitais, barras antecapitais e retrocapitais, pelotes retrocapitais,
solas convexas e de material viscoelástico, lâminas e calços de silicone, etc..., fazer
a higiene da lesão com recursos físicos (abrasão) e em último caso, tratamento
cirúrgico.
 Tratamento Farmacológico
Medicamentos do grupo terapêutico dos Ceratolíticos e do grupo terapêutico
dos Calicidas. Exemplos: Calotrat®, Calicida®, Verrux®, Duofilm®.

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Figura 28 – Algoritmo Calosidades


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6.4.9 Verrugas

 Definição
As verrugas são consideradas como proliferações benignas provenientes da
epiderme da pele e mucosas causadas por infecções pelo vírus papiloma humano
(HPV).
 Etiologia
Sabe-se que o principal meio de transmissão do vírus é por contato direto de
uma pessoa infectada com uma pessoa não infectada, sendo que, a prevalência da
manifestação de verrugas está entre crianças e adultos jovens com o seu pico de
manifestação dos 12 aos 16 anos de idade.(Bogliolo, 6ª Ed.)
A transmissão do HPV é viável quando existir soluções de continuidade
traumática da epiderme, macerações ou ambas.
Pacientes com a imunidade celular acometida de alguma forma se tornam mais
susceptíveis a infecção, e assim, para a manifestação clínica desta, a verruga.
 Sinais e Sintomas
As verrugas, geralmente, se manifestam na forma de um papiloma de
dimensões pequenas, duras ou moles, com formas achatadas ou filiformes,
arredondadas ou ovais, com cores que variam entre o amarelo castanho,
acinzentada ou preta, podendo se manifestar de forma isolada ou acompanhadas
com outras verrugas.
 Tratamento Não Farmacológico
Para a escolha do tratamento deve-ser avaliar as características das
manifestações como extensão e número, assim, como o paciente deve ser avaliado
sobre seu estado imunológico e sobre seu grau de comprometimento com o
tratamento. Sendo que, para o tratamento das verrugas não existe uma terapia
antiviral específica, logo, o tratamento consiste na destruição do tecido acometido
pelo vírus. Contudo, o tratamento deve ser seguro, eficaz, indolor e de fácil
aplicação.

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Com intervenção do médico, alguns tratamentos não farmacológicos são


utilizados como:
- Criocirurgia com dióxido sólido ou azoto líquido;
- Eletrocoagulação;
- Excisão cirúrgica;
- Laser de dióxido de carbono.
 Tratamento Farmacológico
Com a finalidade de destruir as células acometidas é utilizado para
otratamento farmacológico queratolíticos com aplicação tópica que resulta na
eliminação das células infectadas com o HPV levando uma leve inflamação que
torna o vírus mais vulnerável a ação do sistema imunitário. Dentre as substâncias
utilizadas para esta finalidade estão (Soares, 2002):
- Ácido láctico;
- Ácido salicílico;
- Formaldeído e glutaraldeído;
- Extrato de cantaridina;
- Ácido tricloroacético,

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Figura 29 – Algoritmo Verrugas


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6.4.10 Caspa e Seborréia

 Definição
A dermatite seborréica é uma alteração crônica, não contagiosa e recorrente.
Ela consiste em uma inflamação que ocorre nas áreas da pele onde existe um
maior número de glândulas sebáceas. E é caracterizada por placas eritemato-
descamativas arredondadas, ovaladas, localizadas em áreas mais oleosas como
couro cabeludo, face, colo e dorso.

 Etiologia
As causas são ainda pouco conhecidas, mas acredita-se que haja uma
relação com o fungo Pityrosporum ovale, presente na pele associada à composição
do sebo, que em condições normais, também é importante na manutenção do pH da
pele, principalmente o pH ácido que tem ação antimicrobiana e antifúngica. As
alterações que ocorrem na composição do sebo (aumento de colesterol e dos
triglicérides), aumentam o pH da pele, facilitando a supercolonização desse fungo.
Esses dois lipídios têm a capacidade de facilitar a formação de filamentos do
P. ovale, por elevar o pH da pele. E, devido às características lipófilas, este micro-
organismo concentra-se particularmente em regiões ricas em glândulas sebáceas,
ocasionando eritema e prurido. A dermatite seborréica apresenta um caráter crônico,
com tendência a períodos de melhora e piora. A doença costuma agravar-se, no
inverno, em situações de fadiga ou estresse emocional, por ingestão de alimentos
gordurosos e bebidas alcoólicas, fumo e banhos quentes.
 Sinais e Sintomas
Apresenta-se como uma descamação seca, em flocos, em pequenas placas
que rapidamente se espalham pelo couro cabeludo.
 Tratamento Não Farmacológico
Manter os hábitos de higiene. Manter o couro cabeludo sempre seco para não
facilitar a crescimento do fungo. Ter bons hábitos alimentares. Evitar banhos

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quentes. Usar xampus cosméticos com formulações anticaspa para lavagem dos
cabelos.
 Tratamento Farmacológico
Xampus contendo Cetoconazol; (fungistático)
Xampus contendo Piroctona olamina; (fungistático)
Xampus contendo ácido salicílico e enxofre; (queratolitico e antiséptico)
Xampus contendo redutores como Coaltar;

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Figura 30 – Algoritmo Caspa e Seborreia


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6.4.11 Micoses de Pele

 Definição
A micose de um modo geral é um dos problemas mais comuns e simples da
pele, que acomete freqüentemente pessoas de todas as idades. Trata-se de uma
doença infecciosa que, se não for tratada adequadamente, pode trazer muito
desconforto e mal estar, além de ser altamente contagiosa.Os agentes causadores
são os fungos como por exemplo, o causadores da micose de pele ,a Pitiríase
versicolor (Malassezia sp), Tinea nigra (Phaeoannelomyces werneckii)ouCandidíase
(Candida sp) entre outras, são classificadas em Micoses superficiais.
Esses agentes, microscópicos, crescem com facilidade em ambientes
quentes e úmidos e podem se expandir mais intensamente na pele das pessoas e
dos animais.Micoses de pele (superficiais): são definidas, quando fungos parasitam
apenas a camada mais superficial do estrato córneo, induzem somente alterações
estéticas, assintomáticas ou em alguns casos pruridos intensos, passando por
sensação de ardor.
 Etiologia
Pitiríase versicolor: as principais causas, como os fatores predisponentes, alta
temperatura e alta umidade relativa do ar, pele com elevada produção de sebo e
sudorese, alguns fatores genéticos e uso de terapias imunossupressora. Infecção
fúngica superficial, benigna, agente etiológico Malassezia sp, faz parte da flora.
Tinea nigra: o principal agente etiológico Phaeoannelomyces werneckii,
cresce em temperaturas elevadas, resto de vegetais, esgotos e no próprio solo.
Candidíase: como principal agente causador Candida spp, quando o sistema
imunológico está enfraquecido, o fungo pode crescer, provocando feridas (lesões)
na boca e na língua, tomar medicamentos esteróides, estar com a saúde debilitada
(baixa imunidade), tomar altas doses de antibióticos ou tomar antibióticos por muito
tempo também aumenta o risco, entre outros.
 Sinais e Sintomas

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Pitiríaseversicolor: Geralmente, lesões hipopigmentadas ou hiper-


pigmentadas nas áreas expostas ao sol na pele não bronzeada, sendo mais
freqüente em parte superior do tronco, braços e região da cintura, podendo ser
levemente descamativas.
Tinea nigra: Trata-se de lesões de tonalidade marrom ou negra, freqüente na
palma das mãos ou planta dos pés, de aspecto arredondado, normalmente não
descamativa e bordas bem delimitadas.
Candidíase: Forma-se placas eritematosas brilhantes, de bordas irregulares,
nas mulheres os sinais mais freqüentes são na região inframámaria e região
perineal.Aparece como lesões aveludadas e esbranquiçadas na boca e na língua.
Sob esse material esbranquiçado, há tecido vermelho que podem sangrar
facilmente, as lesões podem aumentar lentamente em número e tamanho.
 Tratamento Não Farmacológico
Pitiríase versicolor:usar sabonetes e xampus com antifúngicos, para evitar
que a pele acumule sebo e/ou sudorese, a pele necessita de tempo para recuperar-
se, evitar lugares com elevada umidade relativa do ar. (Lacaz et al., 2002).
Tinea nigra:não freqüentar lugares com temperaturas e umidade elevadas,
manter a pele limpa e seca evitar, usar sabonetes neutros, utilizar talcos ou loções,
não utilizar roupas que tenham atrito com a áreas, provocando irritação, lave lençóis
e roupas diariamente.
Candidíase: Lavar sempre com sabonete neutro, utilizar escova de dente com
cerdas macias, em pessoas diabéticas sempre controlar a glicemia.
 Tratamento Farmacológico
Os medicamentos antifúngicos utilizados para combater as micoses de pele e
que são isentos de prescrição médica são todos os de uso tópico, ficando os de uso
sistêmico para o tratamento médico. Exemplos: Miconazol, Clotrimazol, Cetoconazol.

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Figura 31 – Algoritmo Micoses da Pele


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6.5 TRANSTORNOS MENORES DO SISTEMA CIRCULATÓRIO

6.5.1Hemorróidas

 Definição
Hemorróidas são veias dilatadas na região anal que manifestam sintomas e
por isto é melhor referir como doença hemorroidária. É um problema frequente na
população geral. Existem dois tipos de hemorróidas: internas e externas, de acordo
com a posição. As hemorróidas externas se formam no canal anal e região externa,
sendo recobertas por uma pele bem sensível. Ao contrário, as internas estão na
parte bem interna do ânus e são recobertas pela mucosa intestinal.
 Etiologia
A postura ereta característica da raça humana, influencia aumentando a
pressão nas veias do ânus. Fatores, tais como: defecação difícil, uso crônico de
laxativos, longos períodos sentado no banheiro, gravidez, além de rotinas
profissionais ou esportivas, podem ainda aumentar mais esta pressão dentro das
veias, o que as leva a dilatar. Algumas doenças hepáticas como cirrose aumentam a
pressão sanguínea na veia porta, conduzindo por vezes a formação das
hemorróidas. A hereditariedade (herança genética) também é reconhecida como um
fator importante para o desenvolvimento de hemorróidas.
 Sinais e Sintomas
Os sintomas mais comuns ocorrem durante a defecação: dor, sangramento,
prolapso. Algumas vezes, o prolapso é redutível (volta sozinho para dentro após a
evacuação). Outras vezes é necessário empurrá-las para dentro. O sangramento
pode ter intensidade variável, mas geralmente é vermelho vivo. Uma inchação
persistente após defecar pode gerar uma sensação de inflamação, produzindo um
desconforto e sendo muito doloroso. A coceira (prurido) ao redor do ânus é também
um sintoma comum.Mulheres grávidas desenvolvem sintomas com freqüência ao

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final da gestação e que acabam melhorando após a gravidez. Contudo, podem


continuar apresentando problemas crônicos e devem procurar cuidados médicos.
 Tratamento Não Farmacológico
Sintomas leves normalmente são tratados através da correção dos hábitos
alimentares, aumentando ingestão de água e de fibras. São boas fontes de fibras os
cereais, os alimentos integrais, as frutas e os vegetais. Abolir o uso do papel
higiênico, fazer a higiene após evacuação com banhos de assento. Diminuir o
esforço para evacuar é muito importante para não piorar o problema.
 Tratamento Farmacológico
Agentes tópicos (pomadas e gel) e supositórios de venda livre são usados
frequentemente no tratamento empírico das hemorróidas sintomáticas, tendo ação
adstringente, antiinflamatória e antisséptica.
Medicamentos venotônicos à base de plantas estimulam a circulação local, e
os analgésicos de uso oral, acalmam a dor.
Produtos tópicos mais usados: hamamélis, mentol, lidocaína, atropa
belladona, policresuleno. (Hemovirtus®, Proctyl®)
Produtos fitoterápicos uso oral: Castanha da índia, hamamelis.
Produtos uso oral para dor: paracetamol e ibuprofeno.

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Figura 32 – Algoritmo Hemorróidas


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6.5.2 Varizes

 Definição
São dilatações ou tortuosidades anormais das veias do corpo humano, mais
comuns são as varizes de membros inferiores de 10% da população,
predominantemente no sexo feminino.
 Etiologia
Um dos principais fatores para o desenvolvimento das varizes é o hereditário
ou familiar, outro fator importante é o hormonal, gravidez e menopausa.
Algumas profissões que obrigam a posição ortostática durante longos
períodos de tempo, também precipitam o aparecimento clínico destas varizes.
Obesidade e alimentação pobre em fibras são fatores adjuvantes.
 Sinais e Sintomas
Os sintomas são mais acentuados no final do dia e em temperaturas
elevadas.Inchaço, peso e dor nas pernas; veias visíveis e aumentadas; tornozelos
levemente inchados; descoloração marrom nos tornozelos; pode ocorrer também
ardência e prurido; ulceras de pele próxima ao tornozelo (frequentemente visto em
casos mais graves).
 Tratamento Não Farmacológico
O tratamento é geralmente preventivo e conservativo. Solicita se evitar ficar
em pé por longos períodos, deixar as pernas erguidas ao se deitar, usar meia
elástica. A prática de exercícios físicos e peso corporal adequado também previnem
o aparecimento. Aplicação de compressas frias sobre as veias tem efeito
vasoconstritor.
 Tratamento Farmacológico
São utilizados medicamentos flebotônicos, que ajudam o sistema vascular,
Castanha da Índia, Hamamelis, aplicados sobre a pele (pomadas ou gel) ou podem
ser ingeridos.Pomadas a base de polissulfato de mucopolissacarídeo auxiliam na
inflamação e dor.Medicamentos via oral para dor como paracetamol e ibuprofeno
podem ser utilizados.
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Figura 33 – Algoritmo Varizes


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6.6 TRANSTORNOS MENORES EM DISTÚRBIOS DO SISTEMA NERVOSO

6.6.1 Insônia

 Definição
Todas as dificuldades referentes ao sono são denominadas distúrbios do
sono.
 Etiologia
Os distúrbios do sono incluem: a dificuldade de adormecer ou de manter-se
adormecido, dormir em momentos inconvenientes, tempo total de sono excedido ou
comportamentos que perturbam o sono.
Um sono de qualidade é necessário para a manutenção da saúde e
fundamental para a sensação de bem-estar do indivíduo (MARTINEZ, 2003).
Sinais e Sintomas
Os distúrbios do sono mais frequentes são:
 Apneia do sono: caracterizada por obstrução parcial ou completa das
vias aéreas superiores durante o sono que ocorre em episódios
recorrentes. O fluxo de ar diminui na hipopneia ou fica completamente
interrompido na apneia. Esses eventos respiratórios são geralmente
interrompidos por microdespertares (MARTINS, 2007).
 Insônia: dificuldade em adormecer ou manter o sono. Na manhã
seguinte a sensação de sono não reparador reflete-se com
irritabilidade, fadiga e agressividade (MORIN, 2006; ROSSINI, 2002;
REIMÃO, 1996).
 Pesadelos ou Terrores Noturnos: ocorrem normalmente nas crianças
que também são sonâmbulas, mas podem persistir até a idade adulta.
 Síndrome de Narcolepsia: a narcolepsia é caracterizada por
sonolência diurna excessiva com ataques de sono irresistíveis e

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cataplexia, que consiste em atonia muscular súbita que provoca a


queda do indivíduo (NETO et al, 2010).
 Sonambulismo: marcha durante o sono, não estando associado a
sonhos. Emcrianças, tende a desaparecer com a idade. Nos adultos
pode ser secundário à ansiedade ou a abusos de medicamentos para
dormir, especialmente em idosos.
 Síndrome das “Pernas Inquietas”: sensações de dor e comichão nas
pernas que provocam movimentos contínuos dos membros inferiores e
retardam o início do sono.
 Tratamento Não Farmacológico
Ao escolher uma estratégia para o tratamento de distúrbios do sono torna-se
indispensável a identificação de fatores que contribuem para este estado.Uma boa
higiene do sono é fundamental, e pode, por vezes, resolver a situação. Algumas
dicas:
 Manter um horário regular tanto para se deitar quanto para acordar;
 Ir para a cama somente quando sentir sono, e dormir apenas o
suficiente para se sentir recuperado;
 Manter o ambiente do quarto adequado para o sono, evitando ruídos,
luz excessiva, ou televisão ligada;
 Praticar uma atividade relaxante antes dormir (leitura, música calma,
etc.);
 Evitar utilizar o quarto como seu local de trabalho ou de discussão.
 Jantar moderadamente em horário regular adequado.
 Evitar dormir durante o dia.
 Evitar a consumo de bebidas estimulantes (café, chá), de tabaco e de
álcool durante a tarde e noite.
 Praticar exercício físico com regularidade, porém nunca próximo da
hora de deitar.
 Tratamento Farmacológico
Nesse tópico trataremos de distúrbios leves do sono, os quais com ajuda de
medicamentos podem ser controlados, amenizados, ou solucionados.

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Sintocalmy;
Passiflora incarnata L;
Pasalix;
Passiflora incarnata L. + Crataegus oxyacantha L. + Salix alba L;
Maracugina;
Passiflora alata+ Erythrina mulungu + Crataegus oxyacantha
A duração do tratamento por uso contínuo não deve ultrapassar 3 meses
sempre respeitando a dosagem recomendada.

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Figura 34 – Algoritmo Insônia


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6.6.2 Ansiedade

 Definição
A ansiedade é um estado emocional com componentes psicológicos e
fisiológicos, que faz parte do espectro normal das experiências humanas, sendo
propulsora do desempenho. Ela passa a ser patológica quando é desproporcional à
situação que a desencadeia, ou quando não existe um objeto específico ao qual se
direcione. A ansiedade e os diferentes graus de distúrbio do sono atingem grande
parte da população.
 Etiologia
A ansiedade é um estado emocional, com a experiência subjetiva de medo ou
outra emoção relacionada, como terror, horror, alarme, pânico; A emoção é
desagradável, podendo ser uma sensação de morte ou colapso iminente; É
direcionada em relação ao futuro. Está implícita a sensação de um perigo iminente.
Não há um risco real, ou se houver, a emoção é desproporcionalmente mais intensa;
 Sinais e Sintomas
Há desconforto corporal subjetivo durante o estado de ansiedade. Sensação
de aperto no peito, na garganta, dificuldade para respirar, fraqueza nas pernas e
outras sensações subjetivas. Existem manifestações corporais involuntárias, como
secura da boca, sudorese, arrepios, tremor, vômitos, palpitação e dores abdominais.
 Tratamento Não Farmacológico
Dependendo da situação particular do doente, para o tratamento da
ansiedade generalizada podem ser usados métodos como, por exemplo,
psicoterapia. Também há referências a resultados benéficos com exercício físico e a
treinos de relaxamento como aqueles praticados em Ioga.
 Tratamento Farmacológico
Os medicamentos usados no tratamento desse distúrbios causam grandes
efeitos colaterais e na sua maioria induzem a dependência, por isso, médicos e
pacientes buscam hoje por alternativas naturais que possuem maio segurança e são
usados para tratar transtornos leves, levando assim demandas importantes para o
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uso de fitoterápicos. Dentre eles, estão disponíveis evidências para a utilização dos
os extratos de camomila, passiflora, melissa, entre outros. Há os que apresentam
atividade hipnótica e sedativa, outros em que é observada uma diminuição
significativa em latência de sono, outros como antidepressivos, mas, de uma
maneira geral, mas todos contribuem para a melhoria da qualidade do sono.
 Passiflora
Conhecida popularmente no Brasil como maracujá, apresenta uso tradicional
importante como ansiolítico e sedativo. As espécies mais conhecidas e para as
quais há relatos na literatura são: P. actinea; P. alata; P. edulis; P. incarnata e P.
quadrandularis. Sendo a P. alata citada pela farmacopéia Brasileira e a P. incarnata
empregada em diversos medicamentos.
Dentre inúmeros componentes químicos os mais importantes no efeito
terapêutico são: Os flavonóides C-glicosilados. Para P. alata ao relatados : vitexina,
isovitexina, orientina e isoorientina entre outros.
O extrato de maracujá tem efeito depressor sobre o SNC. O fitoterápico
formulado a base desse extrato vem sendo indicado no tratamento de insônia,
irritação, agitação e impaciência nervosa, sintomas comuns da vida moderna, cujo
cotidiano é normalmente repleto de situações criticas: excesso de atividade,
problemas financeiros, falta de descanso e lazer, problemas de relacionamento,
entre outros (Larzelere & Wiseman, 2002).
O efeito sedativo do maracujá se dá pela sua atuação no SNC, prolongando o
período do sono, aumentando os níveis de GABA e proporcionando relaxamento.
O uso desta planta com álcool ou outras drogas sedativas-hipnóticas poderá
aumentar a intensidade de sonolência tendo efeito aditivo.
Seu uso concomitante com inibidores da monoamino oxidase também não é
recomendado.
Exemplo de medicamentos comercializados a base de Passiflora são:
MARACUJÁ (Herbarium), CALMAM (Ativus), SINTOCALMY (Aché), PASALIX
(Marjan), RITIMONEURAN (Kleyhertz), dentre inúmeros outros, todos a base de P.
incarnata;
 Matricaria chamomilla L.

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Com o extrato de camomila, foi observada uma diminuição significativa em


latência de sono. Nenhum efeito significativo foi produzido sobre o tempo total de
vigília, sobre o tempo de sono não-REM ou sobre o período de sono REM.
(Shinomiya et al., 2005).
A camomila é muito utilizada popularmente na forma de chá. A infusão das
flores de Camonila é utilizada para diminuir a agitação, induzir levemente o sono e
ajudar na sua manutenção.
Como não apresenta a mesma eficácia clinica dos outros fitoterápicos já
citados a camomila é usada apenas como coadjuvante em associação como outros
fitoterápicos ou isoladamente na formulação de creme dado seu efeito calmante
para a pele injuriada.
Exemplo de associações comercializados contendo Matricaria chamomilla
são: CALMAPAX (Delta) e os cremes CAMOMILA (Herbarium) e KAMILLOSAN
(Aché).
 Melissa officinalis L.
A Melissa officinalis é conhecida popularmente como erva-cidreira e tem sido
relatado seu uso para modulação do humor e do desempenho cognitivo (Kenedy et
al., 2003).
A melissa assim como a camomila é muito utilizada popularmente na forma
de chá. A infusão das flores de Melissa é utilizada para o combate da insônia,
agitação e ansiedade.
Na indústria é pouco empregada em medicamentos isolados dado seu baixo
efeito terapêutico e por isso assim como a camomila é usado como adjuvante em
associação com outro fitoterápicos mais potentes como o maracujá.
Exemplo de associação comercializada contendo Melissa officinalis é:
CALMAPAX (Delta). Seu uso vem se expandindo em produtos homeopáticos.

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Figura 35 – Algoritmo Ansiedade


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6.7 FEBRE

 Definição
A febre é uma resposta fisiológica do organismo e é caracterizada por um
aumento da temperatura corporal.
Febre (ou pirexia) é a elevação da temperatura corporal para além dos limites
considerados normais (ver Quadro 7). A febre não é uma doença, mas um sintoma.
Até certo ponto, ela possui papel adaptativo positivo de defesa orgânica e não
necessita de intervenção médica rápida na maioria dos casos.
A febre é uma reação orgânica primitiva contra algum mal que esteja afetando
o organismo.
A temperatura usual do corpo varia, em geral, entre 36°C e 37,2°C.
Em caso de infecção, inflamação ou de certas doenças a temperatura
corporal pode aumentar acima do valor considerado normal, isto é uma reação de
defesa do organismo contra os agressores.
Fala-se de febre a partir da temperatura de 37,5 ° C, considerando mais ou
menos (±) 0,4°C de variabilidade individual da temperatura corporal e também de
possíveis alterações ao longo do dia (mais baixa durante a manhã, mais elevada à
noite).
Esta variação é devido à produção de cortisol, um hormônio secretado
especialmente nas primeiras horas da manhã, que tem atividade antiinflamatória
potente e, assim, reduz a temperatura do corpo, por exemplo após uma infecção.
 Etiologia
A febre pode ser causada por vários fatores (tais como pirogênios exógenos,
isto é, os elementos externos ao corpo, capazes de causar febre) ou doenças.
- Os agentes infecciosos, como vírus, bactérias, protozoários ou fungos (que
causam doenças tais como: resfriado, gripe, meningite, gripe aviária, dor de
garganta, gastroenterites, sarampo, malária, rubéola)
- Corpos estranhos (alérgenos, o transplante)
- Células cancerosas

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- Alteração de um órgão ou de tecido (infarto)


- Drogas
A febre geralmente ocorre em resposta a substância pirogênicas (o mais
conhecido é a interleucina1 a 6), que são secretados pelos macrófagos como
resposta inflamatória. Essas substâncias pirogênicas agem proporcionando
liberação de prostaglandinas que agem no centro termorregulador, o hipotálamo
anterior, reconfigurando o set point da termorregulação para uma temperatura mais
alta, e ao fazê-lo, evoca os mecanismos de aumento de temperatura do corpo,
fazendo-o aumentar a temperatura a níveis acima do normal (níveis homeostásicos)
O corpo tem várias técnicas para aumentar a temperatura:
- aumento da temperatura corporal - tremores, que envolvem movimentos
físicos e que produzem calor;
- diminuição da perda de calor - vasoconstrição, ou seja, a diminuição do fluxo
sanguíneo da pele, reduzindo a quantidade de calor perdido pelo corpo.
 Sinais e Sintomas
O sinal principal da febre é a elevação da temperatura corporal. A pessoa
febril geralmente apresenta sensação de frio, taquicardia, sudorese, calafrios,
adinamia, sonolência.
 Como se mede a temperatura corporal
A temperatura corporal pode ser grosseiramente avaliada colocando-se o
dorso da mão na testa ou no pescoço da pessoa que se supõe febril. Para ser
verificada com maior exatidão, utiliza-se um termômetro. O termômetro pode ser
colocado na boca, na axila, na membrana timpânica ou no ânus.
As temperaturas medidas em várias partes do corpo apresentam valores diferentes:
 A temperatura axilar pode variar entre 35,5°C e 37°C, com média de 36 a
36,5°C.
 A temperatura bucal varia entre 36°C e 37,4°C.
 A temperatura retal entre 36°C e 37,5°C.
Medida na axila, método mais comum entre nós, chama-se de estado febril
quando a temperatura está até 37,5°C e, após este valor, denomina-se “febre”.

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A temperatura corporal normal geralmente é mais elevada no primeiro ano de


vida, ao fim do dia mais que pela madrugada ou pela manhã e nas mulheres mais
que nos homens, guardando certa relação com o ciclo menstrual.
Normalmente, as crianças são mais afetadas pela febre que os adultos,
porque todos os vírus e bactérias ainda são desconhecidos do organismo delas.
Muitas vezes o médico se baseia, para estabelecer uma hipótese diagnóstica,
muito mais nos padrões assumidos pela febre do que nos valores numéricos dela.
Assim, há febres contínuas, febres intermitentes, febres altas, febres baixas,
febres que variam consistentemente com o ritmo circadiano e que são mais
frequentes pela manhã ou pela tarde, febres periódicas, etc. Estes padrões podem
orientar o diagnóstico de quadros clínicos distintos.

Quadro 10 -Variação de Temperatura Corporal


Estado Térmico Temperatura (ºC)
Subnormal 34-36
Normal 36-37
Estado febril 37-38
Febre 38-39
Febre alta (pirexia) 39-40
Febre muito alta (hiperpirexia) 40-41
Fonte: Ministério da Saúde, 2003.

 Tratamento Não Farmacológico


- A primeira medida, é o repouso na cama. O ficar em casa.
- Facilitar o processo digestivo. Fazer uma dieta de fruta ou sucos.
Normalmente quando se tem febre, não se tem fome, e não se tem porque não se
deve comer. Não obriguem as crianças a comer com febre. Os sucos de frutas vão
alimentá-las e hidratá-las. O suco de laranja combate a febre. O limão contribui para
baixar a temperatura. Suco de maçã, também é benéfico.
- Ir bebericando água frequentemente.

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- Aplicar compressas molhadas. Enrolar uma toalha molhada em água fria


(temperatura que sai da torneira), na zona da barriga das pernas, quando quente,
trocar. Compressa pequena de água fria na testa.
 Tratamento Farmacológico
O combate à febre deve ser feito por meio de medidas gerais e mediante o
uso de medicamentos antitérmicos.
O tratamento da febre com antitérmicos não deve ser instituído rotineiramente
de maneira aleatória. Admite-se que na criança eutrófica, sadia, em bom estado
geral, pode-se permitir temperatura corpórea de 38°C ou mais (segundo alguns
autores até 39°C) sem uso de drogas antipiréticas. Estas são reservadas para
aqueles casos em que a febre causa desconforto, incômodo ao paciente,
prejudicando o sono e a alimentação, gerando problemas adicionais e inquietação
nos pais.
Nas crianças com idade entre 6 meses e 5 anos, que apresentam
suscetibilidade a convulsões (com antecedentes pessoais e/ou familiares),
preconiza-se iniciar os antitérmicos já com a temperatura em ascensão, sem se
aguardar o limite de 38°C ou mais, na tentativa de se prevenir a convulsão febril.
Não obstante ser indicação discutível e controvertida deve-se utilizar o
antitérmico, como antes mencionado.
A terapia antipirética é também muito útil para aqueles pacientes com doença
cardiopulmonar crônica, doença metabólica e doença neurológica.
Quando se optar pelo tratamento farmacológico da febre deve-se eleger uma
das drogas antipiréticas disponíveis: ácido acetilsalicílico (AAS), dipirona,
paracetamol, ibuprofeno.

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Figura 36 – Algoritmo Febre


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6.8 TRANSTORNOS MENORES EM NUTRIÇÃO

 Definição
Desde os primórdios da civilização deu-se muita importância ao ato de comer,
tanto que foram elaboradas normas de comportamento, estabelecendo-se uma
rotina estética e uma etiqueta que valoriza a arte de comer (CAMPADELLO, 2006).
A alimentação é o meio pelo qual recebemos e assimilamos os mais
diferentes nutrientes necessários para os nossos processos metabólicos. Para que o
nosso corpo funcione bem, precisamos de algumas substâncias que têm cada uma
delas, uma função especial em nosso corpo (FONSECA, 2009)
A alimentação e a saúde estão intimamente ligadas. Tanto que existem
evidências científicas que apontam o impacto que a alimentação saudável tem sobre
a prevenção das mortes prematuras causadas por doenças cardíacas e câncer e no
surgimento das doenças crônicas não-transmissíveis como a diabetes e a
hipertensão (BRASIL, 2005).
O farmacêutico que atua em farmácia de dispensação tem papel importante
na orientação dos seus pacientes na reeducação alimentar, no controle do peso e
nos casos de carências nutricionais. Para tanto é necessário conhecer sobre as
doenças e agravos em conseqüência da má alimentação, seja ela por excesso ou
por deficiência nutricional.
Neste capítulo serão abordados os principais nutrientes para nosso corpo, as
formas de carência nutricional (ver astenia, inapetência e hipovitaminoses), de
excesso (ver obesidade e hipervitaminoses) e quando o indivíduo necessita de
suplementação nutricional em decorrência de alguma doença que o impeça de
manter uma alimentação considerada normal (ver suplementação alimentar) ou
ainda participam de programas de treinamento esportivo que demandam maior
aporte energético em função do excesso de atividade física a que são submetidos
(ver suplementação esportiva).

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6.8.1 Hipovitaminoses e Hipervitaminoses

 Etiologia
As vitaminas são compostos orgânicos essenciais para as reações
metabólicas específicas no meio celular e são vitais para o funcionamento e
crescimento normal dos organismos (VANNUCCHI, 2010), por isso precisam ser
ingeridas através dos alimentos ou administradas por meio de suplementos.
A classificação das vitaminas fundamenta-se pela forma de absorção
intestinal e no seu armazenamento no organismo, sendo divididas em lipossolúveis
(A, D, E, K) e hidrossolúveis (B1, B2, B3, B5, B12, B6, C, H, ácido fólico). As
lipossolúveis depositam-se na gordura corporal e são absorvidas conforme
necessidade do organismo. As hidrossolúveis não são absorvidas através da fase
lipofílica no intestino e, desta forma, eliminadas mais rapidamente com a urina, pois
são solúveis em água.
 Sinais e Sintomas
A deficiência das vitaminas produz sérios distúrbios no organismo,
ocasionando carência ou as chamadas hipovitaminoses (CAMPADELLO, 2006).
Porém, algumas vitaminas quando, em excesso, podem acarretar prejuízos à saúde.
Quando isto ocorre, chamamos de hipervitaminoses (VANNUCCHI, 2010).
Lipossolúveis
A vitamina A ou caroteno tem como função no organismo proteger os olhos, as
mucosas e a pele. Sua carência pode causar hiperqueratose folicular, cegueira
noturna (xeroftalmia), conjuntivite, esterilidade e lesões da pele. A deficiência grave
pode resultar a xerose conjuntival e a degeneração da córnea (ceratomalácia) que
levam a cegueira permanente. Nas crianças, aumenta a gravidade das doenças
infecciosas, a anemia por deficiência de ferro e distúrbios do crescimento. O
excesso de Vitamina A pode ser teratogênica durante os primeiros meses de
gestação e causar a hipercarotenemia (coloração amarelada da pele).
A vitamina D ou ergosterol é derivado de alguns esteróis e são convertidos
nas formas ativas da vitamina D através da irradiação ultravioleta. É responsável
pela formação dos ossos e o crescimento. A deficiência resulta em hipocalcemia,

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osteomalácia (adultos), raquitismo (crianças), câimbras, dentes fracos, dores


musculares, miopia e osteoporose. O excesso de vitamina D pode levar a altas
concentrações séricas de cálcio e fosfatos, podendo ocorrer calcificações
metastáticas e lesão renal.
A vitamina E ou tocoferol tem forma ativa representada pelo alfa-tocoferol que
tem atuação como antioxidante, neutralizando os radicais livres em ambiente
lipofílico (membranas celulares). Sua ação previne contra as doenças
cardiovasculares e o envelhecimento precoce. Também alivia a fadiga corporal,
aumenta a potência sexual masculina e a fertilidade. Além disto, ajuda o organismo
a assimilar a vitamina A. Sua ausência pode provocar aborto, envelhecimento
precoce, esterilidade, fraqueza e impotência sexual.
A vitamina K ou Menadiona é fundamental tanto nos fatores de coagulação do
sangue como nos anticoagulantes. Sua deficiência pode causar hemorragias e
também o aborto. O grupo de risco para a carência da vitamina K inclui os recém-
nascidos, os hepatopatas ou pessoas com dieta pobre da vitamina e que estão
fazendo uso de antibióticos por tempo prolongado, pois estes impedem sua
absorção.
Hidrossolúveis
A vitamina B1 ou Tiamina em combinação com o fósforo forma o pirofosfato
(TPP), componente principal do ciclo do ácido cítrico (Krebs). A deficiência de
tiamina leva a diminuição da síntese de ATP e alterações do metabolismo de
carboidratos, gorduras e proteínas. Por suas funções essenciais no sistema nervoso
a tiamina é conhecida como vitamina antineurítica. Sua carência pode provocar o
beribéri (fraqueza muscular e dificuldades respiratórias); a Síndrome de Wernicke-
Korsakoff (alterações motoras oculares, ataxia e distúrbios mentais) que tem como
causa principal, o alcoolismo; úlceras, estresse e produção insuficiente de leite nas
mulheres.
A vitamina B2 ou Riboflavina tem função antioxidante com importante papel
na prevenção das doenças aterosclerótica (infarto, AVC), no combate do
envelhecimento precoce e na produção de energia (metabolismo das gorduras,
carboidratos e proteínas). A deficiência provoca lesões nos cantos da boca e nos

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lábios, na língua causa dor, secura e vermelhidão, anormalidades na pele


(descamação, dermatite seborréica) e nos olhos (conjuntivites, catarata).
Vitamina B3 ou Niacina atua nas reações de óxido-redução envolvidas no
catabolismo da glicose, dos ácidos graxos, das cetonas corporais e dos
aminoácidos. Protege os nervos e a circulação. Sua carência pode causar a pelagra
(dermatite, diarréia, alterações mentais - demência, fadiga, insônia, apatia,
convulsões, catatonia, alucinações, psicose orgânica e, até mesmo, a morte). O
alcoolismo é a causa mais comum da pelagra, resultado da dieta pobre em
nutrientes e da má absorção pelas células hepáticas.
A vitamina B5 ou Ácido Pantotênico atua na produção de energia, com
importância no metabolismo, no crescimento, para a pele, nervos e no sistema
imunológico. Sua carência pode provocar depressão, envelhecimento precoce,
cefaléias, cãibras, dores nos pés, disfunção intestinal e infecções no trato
respiratório superior.
A vitamina B6 ou Piridoxina tem como função primordial o metabolismo de
aminoácidos. Também é utilizada pelo organismo na proteção hepática, para os
nervos e pele e na produção de sangue. Sua carência pode provocar anemia,
vertigem, convulsões e problemas na pele e no cérebro. Seu aporte integra o
tratamento da distrofia muscular e do alcoolismo. Na gravidez é usado para prevenir
retardo mental no feto e combater náuseas e vômitos na gestante.
A vitamina B12 ou Cianocobalamina é importante para o sangue, digestão e
nervos. Tem papel relevante no controle da anemia e aumenta o poder de
concentração e a capacidade da memória. Além de ser fundamental para o
crescimento das crianças. Sua deficiência pode provocar dificuldades de locomoção,
sintomas de esquizofrenia, fraqueza muscular, neurites, glossites, estomatites e
anemias (perniciosa e megaloblástica).
A vitamina C ou Ácido Ascórbico tem ação antioxidante e neutralizador de
radicais livres, atuando na prevenção de doenças cardíacas, carcinomas e outras
doenças degenerativas. Também participa da produção do colágeno, da carnitina,
dos ácidos biliares e na absorção intestinal de ferro não-heme. O escorbuto é um
quadro clássico da deficiência de vitamina C no organismo, caracterizado por fadiga,

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depressão, gengivites, petéquias, baixa cicatrização e sangramento nas cavidades


corporais. Sua deficiência pode causar má formação óssea nas crianças.
A vitamina H ou Biotina está envolvida no crescimento regular e normal das
crianças e na formação da pele. Na sua deficiência a pessoa apresenta sinais como
cansaço, inapetência, insônia, depressão, anemia, dor muscular, dermatite e
eczemas.
O Ácido Fólico ou Folato é um elemento essencial para a síntese de DNA e
RNA. Em razão disto, tem papel fundamental na formação de novas células e do
sangue. Sua carência pode causar anemia megaloblástica e danos no
desenvolvimento do feto, por isto, é recomendado o uso por mulheres em estado
gestacional. Além disto, sua falta pode provocar distúrbios digestivos (diarréia),
doenças cardíacas e mentais e glossite.
 Tratamento Não Farmacológico
Nas hipovitaminoses leves, onde apenas sinais de carência são detectados, o
incremento na alimentação poderá ser suficiente para restaurar as necessidades
diárias da vitamina escassa. Para tanto, são fontes naturais de vitaminas:
 Vitamina A (caroteno): provém de duas fontes - a Vitamina A pré-formada,
presente nos alimentos de origem animal (principalmente fígado), e o ß-
caroteno e outras pró-vitaminas carotenóides, presentes nos alimentos de
origem vegetal (cenoura; folhas verdes – acelga, chicória, espinafre,
folhas de beterraba, rúcula; batata doce; abóbora; manga; nabo).
 Vitamina D (ergosterol): as fontes são de origem vegetal (ergocalciferol ou
D2) e animal (colecalciferol ou D3) - peixes, óleo de fígado de bacalhau,
leite, manteiga e gema de ovo.
 Vitamina E (tocoferol): é encontrada na aveia, germe de trigo, óleos
vegetais, pão integral, peixes, verduras (folhas verdes), grãos, nozes e
amêndoas. Fontes animais incluem ovos (gema), fígado e carnes em
geral.
 Vitamina K (menadiona): vegetais folhosos (brócolis, couve, couve-flor,
espinafre, escarola, alface, repolho, folhas de cenoura), tomate, óleos

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vegetais (soja, canola, oliva), gema de ovo, batata, germe de trigo, aveia,
leite de vaca e fígado (principalmente o de porco).
 Vitamina B1 (tiamina): cereais integrais (arroz, pão, grãos, germe de
trigo), fígado, amendoim, leite, aves, peixes, leguminosas, frutos do mar,
levedo de cerveja, castanha-do-pará e a soja.
 Vitamina B3 (niacina): levedo de cerveja, amendoim grãos integrais,
miúdos, carnes magras, aves, peixes, ovos, abacate e farelo de trigo.
 Vitamina B6 (piridoxina): o levedo de cerveja, o germe de trigo, as carnes
(músculo), fígado, amendoim, milho, batata, aveia, melão, repolho,
cereais integrais.
 Vitamina B12 (cianocobalamina): é encontrada apenas em produtos de
origem animal: carnes, fígado, ovos, leite e derivados.
 Vitamina C (ácido ascórbico): frutas cítricas (laranja, limão, acerola,
manga, caju, goiaba, abacaxi, outras) e vegetais (couve, brócolis,
salsinha, couve-flor, pimentão, batata e tomate).
 Vitamina H (biotina): leite, fígado, carnes vermelhas, levedo de cerveja,
arroz integral, nozes, amendoim, vegetais e frutas (principalmente na
maçã).
 Ácido Fólico (folato): frutas cítricas, leveduras, vegetais verdes escuros
frescos (cozimento diminui em 50% a 95% seu teor nos alimentos, pois é
altamente suscetível à oxidação), fígado (de galinha) e outras vísceras,
amendoim, ovo e cereais, cenoura, lentilha, abacate, gema de ovo, melão
e damasco.
 Os agravos devido à hipervitaminoses são mais raros, porém alguns são
descritos:
 Vitamina A (caroteno): efeito teratogênico nos primeiros meses de
gravidez (doses >15.000 UI/dia); hipercarotenemia (pele amarelada);
intoxicação aguda (dose >500.000UI) com quadro de hipertensão
intracraniana, esfoliação da pele e necrose hepatocelular; intoxicação
crônica (doses >25.000UI/dia) caracterizada por alopecia, ataxia,

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dermatite, calcificação de partes moles, necrose hepatocelular e


dislipidemia.
 Vitamina D (ergosterol): leva a altas concentrações séricas de cálcio e
fosfatos e consequente calcificações metastáticas e lesão renal.
 Vitamina B1 (tiamina): doses excessivas (>400mg/dia) podem causar
letargia, ataxia e redução da tonicidade do trato gastrointestinal.
 Vitamina C (ácido ascórbico): doses > 500mg/dia em adultos podem
causar náuseas e diarréia; a acidificação da urina e o aumento da síntese
de oxalato podem causar cálculos renais.
 Tratamento Farmacológico
O uso de suplementação de vitaminas acontece quando a sua carência,
associada ou isolada, oferece algum risco à saúde, apresentando sinais e sintomas
característicos da deficiência. Em algumas pessoas essa carência se manifesta em
decorrência de doenças ou por seu modo de vida, sendo necessário um aporte
maior de nutrientes: mulheres grávidas, doentes crônicos, idosos, adolescentes em
fase de crescimento, alcoólatras, fumantes, em recuperação cirúrgica, vegetarianos,
com problemas ortodônticos, entre outras.
 Vegetariano ou com restrição de uso de produtos lácteos: suplementos de
vitaminas D e B12, cálcio, ferro e zinco.
 Fumante: vitamina C.
 Alcoólatra: vitamina B1, vitamina B6, vitamina C, vitamina D e ácido fólico.
 Grávida: ácido fólico.
 Grávida ou em fase de amamentação: vitamina A, vitamina C, vitamina B1,
vitamina B6, vitamina B12, ácido fólico, ferro e cálcio.

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Figura 37 – Algoritmo Hipovitamisoses e Hipervitaminoses


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6.8.2 Obesidade

 Definição
A obesidade pode ser compreendida como um agravo de caráter multifatorial
envolvendo desde questões biológicas às históricas, ecológicas, econômicas,
sociais, culturais e políticas. O modo de viver da sociedade moderna tem
determinado um padrão alimentar que, aliado ao sedentarismo, em geral não é
favorável à saúde da população (BRASIL, 2006).
O excesso de peso corporal não é apenas um problema estético, já que os
obesos têm maior chance de desenvolver doença como hipertensão, diabetes,
problemas articulares, dificuldades respiratórias, artrite gotosa, cálculos biliares e até
algumas formas de câncer (CRF-PR, 2006). Já está comprovado que estar acima do
peso aumenta as chances de uma pessoa desenvolver câncer, principalmente os de
mama, intestino, próstata, esôfago e estômago (INCA, 2012).
A obesidade é um processo biológico de acúmulo de energia, basicamente
sob a forma de gordura, que ocorre quase sempre por um consumo de calorias
superior à usada pelo organismo para sua manutenção e realização das atividades
do dia a dia (CRF-PR, 2006). Esta gordura acumulada pode ser considerada como
excessiva quando o seu grau de armazenamento no organismo está associado a
riscos para a saúde, devido às complicações metabólicas decorrentes (OMS, 1995).
Em termos, a obesidade pode ser definida pelo excesso de peso corporal,
sendo que o Índice de Massa Corporal (IMC) é um dos principais métodos de
avaliação sobre as condições de peso de um indivíduo.
Este índice é estimado pela relação entre o peso e a estatura, através de um
cálculo matemático expresso em kg/m2 (ANJOS, 1992).
Desenvolvido por Adolphe Lambert Jacques Quételet, matemático belga, o
cálculo de IMC é utilizado até os dias de hoje. Dentre as suas principais vantagens,
destaca-se a facilidade de aplicação, visto que o índice é calculado de forma
bastante simples, dividindo-se o peso (em kg) pela altura ao quadrado (em metros)
(IMC, 2013).

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A Organização Mundial de Saúde (OMS) adota o Índice de Massa Corporal


para determinação do excesso de peso corporal. Contudo, com algumas restrições
para sua aplicação, não sendo indicado para avaliação das crianças, idosos e
pessoas musculosas.
Este índice é apenas usado como parâmetro para o diagnóstico inicial da
obesidade, sendo necessário, a critério médico, exames complementares.

PESO
IMC =
ALTURA X ALTURA

O resultado obtido pela equação deverá ser comparado a uma tabela que
indica a situação do indivíduo em relação ao seu peso corporal:

Valor IMC Situação


<18,5 Abaixo do peso ideal
Entre 18,5 e 25 Peso ideal
Entre 25 e 30 Sobrepeso
>30 Obeso
Tabela 3: Índice de Massa Corporal
Fonte: OMS

 Etiologia
Muitos são os fatores que podem causar a obesidade, sendo que variam de
pessoa para pessoa. Fatores genéticos, desordens endócrinas (p.ex.:
hipotireoidismo), maus hábitos alimentares, inatividade física e o uso de
medicamentos (glicocorticóides, antidepressivos tricíclicos e outros) são os mais
evidentes (FRANCISCHI, 2000; WANNMACHER, 2004).

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) a falta de atividade física


aliada à má alimentação são os maiores causadores da obesidade, sendo o
sedentarismo responsável por 54% do risco de mortes por infarto, 50% por derrame
cerebral e 37% por câncer (SBEM, 2013).
 Sinais e Sintomas
A obesidade por si não apresenta sinais ou sintomas aparentes. Porém,
várias são as comorbidades associadas ao excesso de peso, sendo a obesidade
considerada como um dos mais importantes fatores de risco para as doenças não
transmissíveis, como as cardiovasculares e o diabetes (FRANCISCHI, 2000).

 Tratamento Não Farmacológico


A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) aconselha
como estratégia de tratamento da obesidade, considerar além do aspecto estético,
uma questão primordial que é a saúde do paciente. “Atingir um bom peso deve vir
acompanhado de mudanças no hábito alimentar, condicionamento físico e saúde
psíquica, proporcionando condições para um crescimento, amadurecimento e
envelhecimento saudáveis” (SBEM, 2013).
O tratamento não farmacológico da obesidade deve priorizar a diminuição da
ingestão calórica com adoção de uma reeducação alimentar. A alimentação deve
basear-se em uma dieta hipocalórica pobre em gorduras, principalmente as gorduras
de origem animal (saturadas) como carne bovina, pele de aves e gema de ovo. Os
açúcares simples também devem ser abolidos. O ideal é que o planejamento seja
elaborado por um profissional de nutrição onde os alimentos calóricos são
substituídos por hipocalóricos. Um bom plano de reeducação alimentar deve
priorizar a saúde do paciente e evitar os agravos decorrentes das dietas restritivas
absolutas. O paciente deve ser orientado a usar a pirâmide de alimentos para
planejar uma alimentação saudável:
 - Ingerir em maior quantidade: verduras, legumes, frutas e cereais
integrais (grãos, pães, arroz e massas) e detrimento dos cereais
refinados.

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 - Ingerir moderadamente: laticínios e carnes brancas pobres em


gorduras (aves sem pele, peixes).
 - Ingerir em pequenas quantidades: carnes gordas (bovina, suína,
embutidos) óleos (frituras), manteiga/margarina, açúcares e doces.
Aliado a modificação no hábito alimentar o paciente deverá adotar um
programa de atividade física que, orientado por um profissional, seja capaz de
aumentar o gasto calórico e promover a oxidação de gordura corporal.
Os exercícios físicos também aumentam a captação de glicose no tecido
periférico (músculos), diminuindo a resistência à insulina (FERREIRA & REPETTO,
2010).
 Tratamento Farmacológico
O tratamento farmacológico da obesidade, no âmbito da farmácia de
dispensação, utilizando do arsenal de medicamentos isentos de prescrição, se dá à
base de formulações indicadas para auxiliar nas terapias de redução de peso
complementar as medidas não-farmacológicas.
- Medicamentos: os medicamentos que podem ser indicados como adjuvantes
no tratamento da obesidade, são formulações que contém na sua composição,
basicamente, fitoterápicos à base de fibras naturais como a quitosana, a spirulina, o
colágeno, fibra de maçã entre outros.
CUIDADO: o farmacêutico deve estar muito atento com formulações que são
lançadas no mercado sem comprovação científica e/ou registro no Ministério da
Saúde que, na maioria das vezes, levam em sua composição, além das fibras
informadas, laxantes e diuréticos, que, além de proibidas, podem ser prejudiciais à
saúde dos pacientes.

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Figura 38 – Algoritmo Obesidade


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6.8.3 Complemento Alimentar

 Definição
Existem condições, principalmente de saúde, que impedem algumas pessoas
de se alimentarem adequadamente. Esta situação pode levar à desnutrição e
oferecer risco de agravamento do estado de saúde deste paciente, principalmente
crianças e idosos. Para tanto, existem formulações que podem ser utilizadas para
suplementar esta carência nutricional, oferecendo os nutrientes essenciais para os
processos metabólicos do corpo.
 Etiologia
A dificuldade ou incapacidade de se alimentar adequadamente através da
ingestão normal de alimentos durante as refeições decorrem de situações que
envolvem o modo de vida destas pessoas ou doenças que as acomete como: as
mulheres grávidas, os portadores de doenças crônicas (diabetes, câncer, celíacos),
pessoas idosas, alcoólatras, pacientes em recuperação de cirurgias, problemas
odontológicos, crianças com estomatite, entre outras que incapacitam a alimentação
normal ou que requerem uma dieta mais rica em nutrientes.
 Sinais e Sintomas
Perda de peso, flacidez e ressecamento da pele, tontura, náusea, vômito,
perda da consciência, prostração, cansaço, sonolência, dor de cabeça, tremores,
perda da memória, alucinações.
 Tratamento Não Farmacológico
Quando possível, consumir alimentos ricos em vitaminas e minerais como
carnes, cereais, derivados do leite, verduras, frutas e legumes. Se necessário, faça
pequenas porções e ofereça em intervalos menores de tempo.
 Tratamento Farmacológico
Fórmulas contendo vitaminas, minerais, gorduras, fibras alimentares,
carboidratos e proteínas. Exemplos: Sustagen®, Nutren®, Nutren Kids®, Ensure®,
Sustare®.

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Figura 39 – Algoritmo Complemento Alimentar


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6.8.4 Suplementação Esportiva

 Definição
Os suplementos alimentares são compostos formulados para oferecer um
aporte maior de nutrientes aos atletas praticantes de atividades esportivas intensas
ou de alta performance com elevado gasto calórico nos treinos e nas competições.
Segundo o Ministério da Saúde (1998), os suplementos são somente vitaminas e
minerais, combinados ou isolados, que servem para complementar a dieta diária de
uma pessoa saudável, devendo conter no máximo até 100% da Ingestão Diária
Recomendada (IDR) de vitaminas ou minerais, não podendo substituir os alimentos
e não ser considerados como uma dieta exclusiva. Os produtos que ultrapassar os
valores de IDR serão classificados como medicamentos.
 Etiologia
Os praticantes de atividade física necessitam de uma alimentação equilibrada,
com aporte nutricional adequado para o seu dia-a-dia de treinos. Três nutrientes
produtores de energia são exigidos pelo corpo durante o exercício físico:
carboidratos, lipídios e proteínas. As vitaminas e minerais também são importantes,
pois auxiliam no metabolismo energético e na formação dos tecidos (músculos).
Para que o atleta tenha um bom desempenho, é fundamental que seus hábitos
alimentares atendam às suas necessidades nutricionais, assim, promovendo a
saúde (BIZARRO, 2011). Uma boa alimentação, repouso e treinamento adequado
são suficientes para que o atleta tenha um bom desempenho em suas atividades.
Porém, existem atletas de competição que gastam muitas calorias devido à
freqüência e intensidade dos treinos. Para estes, os nutricionista orientam a
utilização de suplementos alimentares, já que apenas a alimentação normal não é
suficiente para suprir as necessidades calóricas que os treinos e as competições
requerem.
Os suplementos alimentares para atividade esportiva, também chamados
de“recursosergogênicos nutricionais”, servem principalmente para aumentar o tecido

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muscular, a oferta de energia para o músculo e a taxa de produção de energia no


músculo (ALVES, 2002).
 Classificação e Designação dos Suplementos:
A legislação brasileira classifica os suplementos em seis categorias (BRASIL,
2010):
I. Suplemento hidroeletrolítico para atletas: produto destina a auxiliar a
hidratação;
II. Suplemento energético para atletas: produto destinado a complementar as
necessidades energéticas;
III. Suplemento protéico para atletas: produto destinado a complementar as
necessidades protéicas;
IV. Suplemento para substituição parcial de refeições de atletas: produto
destinado a complementar as refeições de atletas em situações nas quais o
acesso a alimentos que compõem a alimentação habitual seja restrito;
V. Suplemento de creatina para atletas: produto destinado a complementar os
estoques endógenos de creatina;
VI. Suplemento de cafeína para atletas: produto destinado a aumentar a
resistência aeróbica em exercícios físicos de longa duração.
 Tratamento Não Farmacológico
Alimentação equilibrada e ajustada ao tipo de atividade física praticada,
baseada em alimentos energéticos (carboidratos e gorduras), reguladores
(vitaminas, sais minerais e fibras) e construtores (proteínas).Antes do treino ou da
competição é importante ingerir carboidratos como pães, bolachas, massas, etc.,
que fornecerão energia rapidamente para o organismo. Durante e após o exercício
físico é necessário hidratar bem o organismo consumindo bastante água.
 Tratamento Farmacológico
Vários são os suplementos produzidos e comercializados no Brasil, sendo os
principais classificados como:
 Alimentos Compensadores: contém variada concentração de
macronutrientes (proteínas, gorduras e carboidratos) com objetivo de
adequação destes nutrientes na dieta do atleta.

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 Aminoácidos de Cadeia Ramificada (BCAA): formulados a partir de


variadas concentrações de aminoácidos de cadeia ramificada (valina,
leucina e isoleucina) que aumentam a oferta de energia ao praticante de
atividade física.
 Antioxidantes: auxilia na eliminação dos radicais livres produzidos
durante a atividade física intensa.
 Carboidratos: tem como função principal o fornecimento de energia,
aumentando a disposição durante o treinamento e promovendo rápida
recuperação após o exercício físico. Ex: Dextrose, Matodextrina.
 Hipercalóricos: suplementos composto de carboidratos, aminoácidos
essenciais e proteínas, com alto valor energético. São indicados para
pessoas que tem o metabolismo muito acelerado e que querem ganhar
peso com o desenvolvimento de massa magra. Ex: Whey Protein, Whey
isolado, colágeno, albumina, creatina, glutamina.
 Hiperproteicos: suplementos de proteínas que contribui para o
crescimento muscular. Ex: Albumina, Whey Pro, Total Whey, Whey 3W,
Iso Whey, Amino Liquid, Proteína da soja, Levedura de cerveja, Power
Max.
 Polivitamínicos e Poliminerais: as vitaminas regulam os processos
metabólicos. Os suplementos de vitaminas e minerais buscam melhorar
o crescimento muscular e a sua recuperação após os treinos e, fornecer
energia e resistência ao organismo.
 Repositores Energéticos: apresentam em sua composição carboidratos
(90%), podendo ou não ser acrescidos de vitaminas e minerais. Mantém
os níveis de energia para o atleta durante o treino.
 Repositores Hidroeletrolíticos: possuem carboidratos e eletrólitos (cloreto
e sódio). Ajudam na reposição de líquidos e sais perdidos na
transpiração durante o exercício físico.
 Termogênicos: estes suplementos visam manter o metabolismo
acelerado para uma maior queima calórica, com isto melhora o
desempenho nos treinos e auxilia na redução do peso corporal. Pode ser

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formulado em associações ou específicos. Ex: cafeína, guaraná, chá


verde, taurina, óleo de cártamo.
Os atletas praticantes de atividades físicas de esforço intenso devem procurar
orientação nutricional com profissional habilitado - nutricionista, na hora de fazer
aquisição de suplementos. Este irá avaliar as necessidades complementares e os
produtos que poderão contribuir para a melhora do seu desempenho, evitando riscos
à saúde.

6.8.5 Inapetência

 Definição
O apetite é o desejo de comer, de se alimentar, de saciar a fome e assim,
suprir de nutrientes o organismo, mantendo os níveis de energia necessários para o
metabolismo. É regulado através de um complexo sistema de informação nervosa
entre o aparelho digestivo, tecido adiposo e o cérebro.A diminuição do desejo de se
alimentar é que chamamos de inapetência ou falta de apetite.
 Etiologia
A inapetência pode ter origem patológica (anorexia, doenças bucais e do
sistema digestivo, câncer e outras) ou apenas de comportamento (mais frequente
em crianças e idosos). Esta falta de apetite pode levar a desnutrição e, em casos
específicos, a doenças como anemia ferropriva em crianças.
Nas crianças é importante ficar atento aos fatores que interferem no seu
apetite, que é variável e irão depender de fatores como idade, atividade física,
condição física e psíquica, refeição anterior e temperatura ambiente (SBP, 2011).
Os pais ou cuidadores devem observar os períodos da dentição - primeira e a
troca pela segunda dentição. Nessa fase, a inapetência é muito comum, pois as
crianças ficam irritadas e com muita sensibilidade nas gengivas, fazendo com que

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recusem alguns tipos de alimentos, principalmente os mais duros e consistentes,


devendo, portanto, ser evitados, dando preferência para os líquidos e pastosos.
Nos idosos, além da falta de apetite decorrente de problemas de saúde e do
uso ou falta de próteses dentárias, a desnutrição pode ocorrer também pela pouca
absorção de nutrientes devido à idade.
 Sinais e Sintomas
Perda de peso, falta de ganho de peso (crianças), retardo ou diminuição na
velocidade de crescimento da criança, cansaço, sonolência, indisposição, diminuição
da micção e das evacuações, dores estomacais, náuseas, vômitos, prostração,
irritabilidade, entre outros.
 Tratamento Não Farmacológico
É fundamental adotar horários determinados para as refeições, em locais
próprios e calmos, de preferência longe da televisão ou algo que tire a atenção do
ato de alimentar-se.
Refeições com intervalos e porções menoresajudam no processo nutricional,
evitando as grandes refeições, que muitas vezes não são bem toleradas por
algumas pessoas. A inclusão de frutas nos intervalos e legumes e verduras durante
as refeições são importantes para uma dieta equilibrada e rica em fibras.
Oferecer alimentos que agradam o paladar do inapetente é uma ferramenta
importante para restabelecer sua vontade de comer.
 Tratamento Farmacológico
Polivitamínicos e poliminerais e estimulantes do apetite: cobamamida,
ciproeptadina e outros.

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Figura 40 – Algoritmo Inapetência


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6.9 SINTOMAS MENORES EM TRATO GENITURINÁRIO

O sistema urinário é composto pelos rins, ureteres, bexiga e uretra. Sua


principal função é manter a homeostasia do organismo, regulando líquidos e
eletrólitos, removendo os resíduos e fornecendo hormônios envolvidos na produção
de eritrócitos, metabolismo ósseo e manutenção da pressão arterial.
O aparelho genital masculino externo é formado pelo pênis, escroto e
testículos. Estes órgãos estão sujeitos a lesões, inflamações ou infecções, que
podem ter origem sexual ou não e evoluir para problemas nos órgãos internos,
principalmente a uretra.
Os órgãos reprodutores femininos incluem basicamente a vulva e a vagina,
responsáveis por permitir a entrada do esperma no corpo e proteger os órgãos
genitais internos de agentes infecciosos.
Os transtornos que acometem o sistema geniturinário estão relacionados aos
hábitos de higiene, comportamento sexual, idade, presença de doenças crônicas
como o diabetes, e capacidade física e mental do paciente.
As infecções do trato urinário, que englobam a cistite e a uretrite, são
normalmente ocasionadas pela presença de microorganismos, principalmente
Escherichia coli, sendo frequente em homens e mulheres sexualmente ativos e
idosos. Estas infecções podem também ser relacionadas às doenças sexualmente
transmissíveis. A má evolução destes transtornos pode acarretar no
comprometimento dos órgãos envolvidos e no desequilíbrio metabólico.
As afecções dos órgãos genitais podem ser associadas à proliferação de
microorganismos normalmente presentes na flora local, ao contato com agentes
irritantes ou na presença de patógenos relacionados às doenças sexualmente
transmissíveis. As infecções dos genitais femininos podem levar ao
comprometimento da fertilidade, sendo que em gestantes, ocorre aumento da
probabilidade de prematuridade e neonatos de baixo peso.

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6.9.1 Vaginites

 Definição
É a inflamação da vagina. Quando acomete o genital externo, denomina-se
vulvovaginite (Vicente; Dáder, 2008).
 Etiologia
De modo geral, as vaginites ocorrem em resposta à alteração da flora normal
da vagina, a qual normalmente consegue impedir a proliferação de agentes
patógenos. Algumas condições contribuem para o desequilíbrio da flora vaginal, tais
como alterações hormonais decorrentes da gravidez, amamentação, menopausa e
uso de anticoncepcionais, diabetes e uso de antibióticos ou corticosteróides e
infecções. De acordo com sua causa, as vaginites podem ser dividas em infecciosa
e não infecciosa (Vicente; Dáder, 2008; Finkel; Pray,2007).

a) Vaginites infecciosa:
 Bacteriana: causa mais frequente de vaginites. Ocorre devido ao
desequilíbrio da microflora vaginal, propiciando o desenvolvimento de
outras como a Gardnerella vaginalis em conjunto com bactérias
anaeróbias e lactobacilos;
 Fúngica: causada pelo desenvolvimento leveduras, principalmente
Candida albicans (candidíase);
 Parasitária: classificada como uma doença sexualmente transmissível,
ocasionada pela presença de Trichomonas vaginalis;
 Outros patógenos: de natureza sexualmente transmissível, podem ser
causadas pelo vírus Herpes simplex ou por bactérias como Neisseria
gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis

b) Vanigites não infecciosa:


 Atrófica: em decorrência da menopausa, quando ocorre a diminuição
de hormônios, o tecido vaginal torna-se mais fino e sensível;
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 Alérgica: hipersensibilidade a produtos como látex de preservativos,


lubrificantes, vaginais, desodorantes, sabonetes e outros;
 Outras causas: higiene vaginal inadequada e uso frequente de duchas
vaginais
 Sinais e sintomas
O principal sintoma das vaginites é a alteração do muco vaginal (corrimento),
que pode ser aumentado e apresentar coloração e odor diferentes do habitual.
Outros sintomas incluem prurido, sensação de queimação ao urinar, dor,
dispareunia, eritema e inflamação da vagina e/ou da região vulvar. Infecções
bacterianas e por Trichomonas vaginalis podem sem assintomáticas (Vicente;
Dáder, 20??;Biggsl; Williams, 2009).
A caracterização do corrimento vaginal pode auxiliar na diferenciação das
vaginites. No caso das fúngicas, ou candidíase, ocorre a presença de corrimento
intenso branco, com aspecto de leite coalhado, sem alteração no odor, em conjunto
com irritação e coceira na região. Nas vaginites bacterianas o corrimento costuma
ser intenso amarelo ou acinzentado com odor de peixe e irritação local, enquanto
nas por Trichomonas vaginales, o corrimento apresenta-se amarelo-esverdeado de
aspecto espumoso. Nas vaginites atrófica ocorre diminuição da quantidade de muco
e coceira (Biggsl; Williams, 2009).
 Tratamento Não Farmacológico
Alguns cuidados são importantes na prevenção das vaginites:
 Fazer higienização adequada da vagina, podendo utilizar sabonetes de
pH neutro;
 Evitar a utilização frequente de duchas vaginais;
 Evitar o uso de roupas íntimas apertadas e de tecido sintético;
 Evitar o uso de desodorantes íntimos ou produtos não adequados para a
região;
 Utilizar preservativos durante as relações sexuais para evitar as doenças
sexualmente transmissíveis;
 Nos casos de vaginites atrófica, pode-se recomendar a utilização de
lubrificantes vaginais para amenizar os sintomas.
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 Tratamento Farmacológico
Quando há suspeita de infecção por Candida albicans, além das medidas não
farmacológicas, pode-se utilizar antimicóticos tópicos, como clotrimazol e miconazol.
Em alguns casos é recomendada a utilização de antimicóticos sistêmicos, sendo
necessária a avaliação e prescrição médica.
As vaginites bacterianas e parasitárias devem ser avaliadas pelo médico, pois
há necessidade da utilização de antimicrobianos tanto de uso oral quanto tópico.

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Figura 41 – Algoritmo Vaginites


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6.9.2 Cistite

 Definição
É uma inflamação e/ou infecção da bexiga.
 Etiologia
Em geral, é causada pela bactéria Escherichia coli, presente na flora
intestinal, porém, pode também ser causada por outras bactérias, como o bacilo
Koch, e por fungos.
As cistites podem também ser de natureza não infecciosa, sendo suas causas
não totalmente conhecidas. No entanto, alguns fatores como banhos de espuma,
uso de desodorantes íntimos, espermicidas e alguns quimioterápicos, tratamento
radioterápico na região pélvica e histórico de repetidas infecções urinárias estão
associados ao surgimento de cistites.
Alguns alimentos podem causar irritação no trato urinário, como tomate,
adoçantes, cafeína, chocolate e álcool.
 Sinais e Sintomas
Os sinais e sintomas mais comuns são: dor ou queimação ao urinar, urgência
e aumento na frequência para urinar, pressão no abdômen inferior, urina com
coloração avermelhada, esbranquiçada ou com odor forte, febre (raro) e cansaço.
 Tratamento Não Farmacológico
 Ingerir dois a quatro litros de água por dia, para aumentar a diurese e
reduzir a população bacteriana;
 Fazer micções completas e frequentes para evitar acúmulo de urina na
bexiga;
 Evitar ingestão de álcool, refrigerantes e café;
 Evitar relações sexuais durante a fase aguda;
 Realizar higiene adequada da região da vagina e ânus, de preferência
utilizando água e sabonete neutro.
 Tratamento Farmacológico

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O emprego de antiespasmódicos, analgésicos e antiinflamatórios pode ajudar


a aliviar os sintomas. Antissépticos urinários como Sepurin® (Metenamina + Cloreto
de metiltionínio) e Pyridium® (fenazopiridina) podem ser recomendados.
A utilização de antibióticos deve ser considerada, principalmente em casos
reincidentes. Neste caso, é necessário o encaminhamento ao médico.

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Figura 42 – Algoritmo Cistite


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6.9.3 Uretrite

 Definição
É a inflamação e/ou infecção da uretra, canal que leva a urina da bexiga para
o meio externo do corpo.
 Etiologia
A uretrite pode ser causada por bactérias e fungos presentes na flora
intestinal como Escherichia coli e Candida albicans, ou outros patógenos associados
às doenças sexualmente transmissíveis como Trichomonas vaginalis, Neisseria
gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis, Herpes simplex vírus, citomegalovirus e HPV.
Outros fatores incluem hipersensibilidade a produtos como lubrificantes
vaginais e espermicidas.
O desenvolvimento das uretrites, principalmente as de origem sexualmente
transmissíveis, está associado ao número de parceiros sexuais, comportamento de
risco sexual como a relação anal sem preservativo e ao histórico de doenças
sexualmente transmissíveis.
 Sinais e Sintomas
Nos homens, os sinais e sintomas mais comuns são sangue na urina ou
sêmen, dor e queimação ao urinar, corrimento do pênis, urgência e aumento na
frequência de urinar, coceira, vermelhidão ou inchaço no pênis ou virilha, dor
durante as relações sexuais ou ejaculação e febre.
Nas mulheres, pode ocorrer dor abdominal, dor e queimação ao urinar, febre
e calafrios, urgência e aumento na frequência de urinar, dor pélvica e corrimento
vaginal.
 Tratamento Não Farmacológico
 Quando de origem não infecciosa, orientar o paciente a evitar a causa,
como o trauma físico e uso de produtos químicos (espermicidas,
lubrificantes);
 Orientar sobre higienização adequada dos órgãos genitais;
 Orientar sobre a abstinência sexual durante o período de tratamento;
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 Orientar sobre a prática de relação sexual sem preservativos e DSTs.


 Tratamento Farmacológico
O tratamento farmacológico das uretrites de origem infecciosa depende do
microrganismo envolvido. Pode-se recomendar a utilização de analgésicos,
antiinflamatórios não-esteroidais e antissépticos urinários para alívio dos sintomas,
porém, deve-se fazer o encaminhamento médico para definição do antimicrobiano
apropriado.

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Figura 43 – Algoritmo Uretrite


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6.10 SINTOMAS MENORES EM PARASITOSES

6.10.1Parasitoses Intestinais

 Definição
Muitas pessoas abrigam helmintos de uma espécie ou de outra (RANG;
DALE; RITTER, 2001). Os parasitos intestinais, popularmente chamados de vermes,
é um grupo de organismos que vivem dentro do intestino humano, provocando as
verminoses (FONSECA, 2009). No Brasil, principalmente nas regiões mais pobres, o
poliparasitismo é a patologia mais frequente, particularmente na população infantil,
configurando um grave problema de saúde pública (FIGUEIRA, 2006).
 Etiologia
Os seres humanos constituem os hospedeiros primários (definitivos) na
maioria das infecções helmínticas. A maioria dos helmintos tem sua reprodução
sexual no hospedeiro humano, produzindo ovos ou larvas que são eliminados do
corpo e infectam o hospedeiro secundário (RANG, DALE, RITTER, 2001).
Os parasitos mais comuns são os adquiridos pela ingestão de alimentos
contaminados por matéria fecal, já que esses organismos são expulsos pelas fezes
das pessoas infectadas. Frutas e verduras mal lavadas, água contaminada, carnes
cruas ou mal cozidas, mãos sujas, objetos contaminados como, chupetas, copos,
pratos, talheres e até pés descalços (alguns parasitos tem propriedade de penetrar
na pele humana intacta) são meios contaminantes de verminoses intestinais
(FONSECA, 2009).
Dentre os parasitas intestinais, os principais são:
 Tênias (cestóides): Taenia saginata, Taenia solium, Hymenolepisnana,
Diphyllobothrium latum.

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196

 Nematódeos: Ascaris lumbricóides (lombriga), Enterobius vermicularis


(oxiúro), Tricuris trichiura, Strongiloides stercoralis, Necator americanus,
Ankylostoma duodenale (ancilóstomos).

 Sinais e Sintomas
Muitos vermes não provocam nenhum sintoma no hospedeiro. Outros
provocam sintomas leves como dor abdominal, cólicas, náuseas, vômitos e diarreia.
Porém alguns podem causar doenças graves como anemia e obstrução intestinal.
 Sintomas mais comuns:
 Vômito: giardíase e estrongiloidíase.
 Diarreia crônica, distensão abdominal: amebíase e tricocefalíase grave.
 Prurido anal e vulvar com irritabilidade e sono intranquilo: enterobíase.
 Prolapso retal: tricocefalíase.
 Sangue nas fezes e anemia: ancilostomíase e tricocefalíase.
 Eosinofilia: estrongiloidíase, ancilostomíase e ascaridíase.
 Eliminação de vermes nas fezes ou pelo vômito: ascaridíase.
 Tratamento Não Farmacológico
 Tomar cuidados básicos de higiene.
 Lavar bem os alimentos antes de consumir, especialmente as usadas
cruas como frutas e verduras.
 Usar água fervida ou filtrada para consumo e também para o preparo
da alimentação.
 Andar sempre calçado.
 Fazer higienização das mãos antes de comer ou depois de usar
sanitários.
 Não comer em lanchonetes, bares ou restaurantes de higiene
duvidosa.
 Comunidade: atitudes para melhorar (ou solucionar) os problemas de
saneamento básico (água tratada, coleta de esgoto e de lixo) e de
moradia. Desenvolver programas de educação para a saúde.
 Tratamento Farmacológico
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Para introdução da terapia medicamentosa deve observar os sinais e


sintomas, porém estes não são conclusivos para determinar o helminto causador da
verminose.
A identificação do parasito é realizada através de exame de fezes. Contudo,
em nosso meio, devido à altíssima prevalência de parasitose intestinal, podemos
dispensar a solicitação de exame parasitológico de fezes em crianças acima de 1
ano de idade e que não tenham feito uso de antiparasitário nos últimos 6 meses
(FIGUEIRA, 2006).
Os anti-helmínticos de amplo espectro são os mais recomendados pela OMS
para tratar as infecções causadas por diferentes tipos de vermes.
Entre os anti-helmínticos, os MIPs são:
 Mebendazol: de amplo espectro indicado para tratar Ascaris
lumbricóides, Enterobius vermiculares, Ancylostoma duodenale, Necator
americanus, Trichiuris trichiura, Hidatidose. Nomes comerciais:
Mebendazol Genérico®, Panfugan®, Neo Mebend®, Paraverm®.
 Levamisol: Ascaris lumbricóides. Nome comercial: Ascaridil®.

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Figura 44 – Algoritmo Parasitoses Intestinais


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6.10.2 Parasitoses da Pele

 Definição
A maioria dos parasitos cutâneos são insetos minúsculos que se escondem
dentro da pele, fazendo dela o seu habitat natural. Alguns vivem na pele algumas
etapas do seu ciclo biológico e outros são permanentes, depositando seus ovos e se
reproduzindo (FONSECA, 2009).
Escabiose: dermatose parasitária contagiosa e transmissível pelo contato
direto (FIGUEIRA, 2006) também conhecida como sarna.
Pediculose: infecção contagiosa, exclusivamente do homem, caracterizada
por prurido e infecções secundárias do couro cabeludo.
 Etiologia
Escabiose: é ocasionada pelo ácaro Sarcoptes scabieihominis, atingindo os
espaços interdigitais, axilas, cintura, nádegas, mamas e pênis. Apresenta um quadro
de lesão em forma de túnel (sulcos retos ou sinuosos, pápulas lineares que
terminam em uma vesícula), isto se dá porque o parasito se alimenta da queratina, a
camada mais superficial da pele. Para depositar seus ovos, a fêmea penetra na pele
do hospedeiro. Cada ovo libera de 6 a 10 novos parasitas a cada 2 semanas.
Pediculose: é causada pelo Pediculos humanos capitis. O mais comum é o
piolho da cabeça, porém existe o que se desenvolve na região pubiana, chamado
popularmente de “chato”, este, produz uma lesão chamada de ftiríase.
 Sinais e Sintomas
Escabiose: irritação local e prurido (exacerbação noturna). Em função da
coçadura surgem lesões na pele que podem dar origem a infecções secundárias por
germes oportunistas.
Pediculose: prurido intenso e infecções secundárias do couro cabeludo.
 Tratamento Não Farmacológico
Escabiose: por se tratar de um parasita próprio dos humanos, a transmissão
do S.scabiei se dá pelo contato direto entre pessoas contaminadas com outra sadia.
Em decorrência do prurido intenso produzido pelo parasita, as mãos acabam sendo
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200

um importante fator de transmissão dos ácaros. Para evitar este contágio, o doente
deve evitar locais com aglomeração de pessoas enquanto faz tratamento
medicamentoso. É importante trocar, lavar, ferver e expor ao sol as roupas íntimas e
de cama para evitar o contágio entre os familiares e convivas.
Pediculose: cuidar dos cabelos, principalmente das crianças em idade
escolar, verificando a presença de piolhos e lêndeas; retirar as lêndeas com pente
fino, após a aplicação de solução com água morna e vinagre, em partes iguais; não
compartilhar pentes, escovas de cabelo, bonés, chapéus e objetos pessoais; medida
radical – remoção de todos os cabelos.
 Tratamento Medicamentoso
Escabiose: uso de escabicidas (inseticidas que matam o ácaro sem causar
danos a pele). Eles devem ser aplicados no corpo inteiro, tomando o cuidado com os
olhos, nariz e boca. Os membros da família devem fazer tratamento mesmo antes de
apresentar os sintomas. Medicamentos: Monossulfiram (Sarfiram ®, Tetmosol®,
Sulfitrat®); Benzoato de Benzila (Acarsan®, Sanasar®); Permetrina 5% (Keltrina
Plus®, Pioletal Plus®, Piodrex®); Permanganato de Potássio em caso de desidrose
(vesículas palmoplantares).
Pediculose: Deltametrina (Escabin®, Deltacid®, Deltalab®, Deltametren®,
Pediderm®, Deltapil®); Permetrina 1% (Kwell®, Nedax®, Tindal®, Toppyc®, Keltrina®,
Clean Hair®).

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Figura 45– Algoritmo Parasitoses da Pele


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202

6.11 TABAGISMO

Atualmente, o tabagismo é considerado um problema de saúde pública, tanto


pelo número expressivo de fumantes quanto pelos óbitos relacionados ao consumo
do tabaco (INCA, 2007; AMB/ ANS, 2011). Até o ano de 2011, existiam cerca de 1,3
bilhões de fumantes com idade de 15 ou mais anos, sendo aproximadamente 30
milhões no Brasil. O número anual de óbitos relacionados ao tabagismo ultrapassa 5
milhões no mundo e 200 mil no Brasil (INCA, 2007; ANVISA, 2013).
De acordo com Relatório da Organização Mundial da Saúde (WHO, 2008)
sobre a Epidemia Global de Tabagismo, o tabaco fumado é responsável por até 90%
de todos os cânceres de pulmão. O tabagismo está relacionado também com mais
de 50 doenças, atingindo principalmente os aparelhos respiratório (principalmente
doença pulmonar obstrutiva crônica – DPOC), cardiovascular (aterosclerose,
acidente vascular cerebral), digestivo (refluxo gastroesofageco), genitourinário
(disfunção erétil, infertilidade), neoplasias malignas (cavidade oral, faringe, esôfago,
estômago, pâncreas, cólon, reto, fígado e vias biliares, rins, bexiga, mama, colo de
útero, vulva, leucemia mieloide), na gravidez e no feto e outras, como
envelhecimento da pele, psoríase, osteoporose, artrite reumatoide, doença
periodental, cárie dental, estomatites, leucoplasias, língua pilosa, pigmentação
melânica, halitose, queda das defesas imunitárias (AMB/ ANS, 2011).
O tabagismo pode ser considerado uma doença pediátrica, pois o consumo
do tabaco inicia-se geralmente na adolescência, em média entre 13 e 14 anos de
idade (INCA 2007; AMB/ ANS, 2011). De acordo com a Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios – Tabagismo 2008 (IBGE, 2009), entre as pessoas de 15
anos ou mais de idade detectou-se um percentual de 17,5% que fumam. A
prevalência ocorre em homens, na população de faixa etária entre 25 e 44 anos de
idade, de menor grau de instrução e menor renda per capita.

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203

 Definição
O tabagismo é o ato de se consumir cigarros ou outros produtos que
contenham tabaco, cuja droga ou princípio ativo é a nicotina (PINSKY; BESSA,
2004).
A OMS reconhece o tabagismo como uma doença crônica gerada pela
dependência da nicotina, estando por isso inserido na Classificação Internacional de
Doenças (CID-10), no grupo dos Transtornos Mentais e de Comportamento
decorrentes de uso de substâncias psicoativas (INCA, 2007; MEDEIROS, 2010).
 Etiologia
Determinantes sociais apresentam importante influencia na decisão de se
consumir ou não o tabaco, principalmente na fase da adolescência, período no qual
normalmente se inicia o consumo. O ato de fumar é associado a uma imagem de
rebeldia, liberdade, poder, inteligência e sucesso pelos jovens, características
desejadas para aceitação social (BRASIL, 2003; INCA, 2007).
Outros determinantes sociais incluem o fácil acesso aos produtos derivados
do tabaco, o baixo custo e o comércio ilegal de produtos contrabandeados
(INCA,2007).
A nicotina é uma substância altamente aditiva e após ser fumada leva apenas
alguns segundos para iniciar alterações na liberação de neurotransmissores. Por
mimetizar a ação da acetilcolina e promover liberação de norepinefrina e dopamina,
a nicotina proporciona estimulação inicial, seguida de sensação calmante. No
entanto, a tolerância aos efeitos da nicotina se desenvolve em curto período,
resultando na necessidade de aumento da quantidade do mesmo, levando o usuário
a aumentar o uso continuamente (FINKEL; PRAY,2007).
Quando o uso da nicotina é interrompido, ocorre um aumento drástico na
atividade da acetilcolina, resultando na produção de sintomas de abstinência (como
inquietação, irritabilidade e descontentamento). Esses sintomas de abstinência
tornam difícil a interrupção do ato de fumar. Uma vez dependente, o indivíduo
precisa de uma ingestão constante de nicotina para atingir um estado normal de
sensação (FINKEL; PRAY, 2007).

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204

 Sinais e sintomas
Os fumantes normalmente apresentam as seguintes características: voz
grossa e grave, tosse seca, odor de cigarro nos cabelos e vestimentas, manchas
amareladas nos dentes e nos dedos das mãos e pele envelhecida precocemente
(FINKEL; PRAY, 2007).
Além dos aspectos físicos, a dependência à nicotina conta com três
componentes básicos: dependência física, psicológica e comportamental (BRASIL,
2001; MEDEIROS, 2010).
A dependência psicológica ocorre quando o cigarro serve de apoio aos
estados de frustração, depressão, ansiedade ou pressão social. A física envolve a
ação da nicotina sobre o organismo, sendo que sua falta é responsável pelos
sintomas da síndrome de abstinência quando se deixa de fumar. A dependência
comportamental refere-se ao hábito de fumar (MEDEIROS, 2010).
A síndrome de abstinência é caracterizada por ansiedade, depressão,
irritabilidade, dificuldade de concentração, bradicardia, hipertensão, diminuição da
atenção e tempo de reação mais lento. O surgimento destes sintomas no início do
processo da cessação dificulta a interrupção do ato de fumar (MEDEIROS, 2010).
 Tratamento Não Farmacológico
Algumas estratégias podem ser utilizadas para a cessação de fumar, entre
elas, a abordagem cognitivo-comportamental, recomendada pelo Ministério da
Saúde (BRASIL,2001), a qual combina intervenções cognitivas com treinamento de
habilidades comportamentais.
Os componentes principais dessa abordagem envolvem a detecção de
situações de risco de recaída e o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento,
estimulando o autocontrole ou automanejo para que o indivíduo possa aprender
como escapar do ciclo vicioso da dependência, e a tornar-se assim um agente de
mudança de seu próprio comportamento (BRASIL, 2001).
Na abordagem inicial é muito importante conhecer o histórico de dependência
e situação motivacional do paciente, podendo utilizar para tal, as seguintes
perguntas:
1. Você fuma? Há quanto tempo?

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2. Quantos cigarros você fuma por dia?


3. Quanto tempo após acordar acende o 1º cigarro?
4. O que você acha de marcar uma data para deixar de fumar? Em
caso de resposta afirmativa, perguntar: Quando?
5. Já tentou parar? (Se a resposta for afirmativa, fazer a pergunta 6).
6. O que aconteceu?
A pergunta 1 informa sobre a condição do fumante, assim como o tempo de
exposição, assim como o tempo de exposição agentes tóxicos do tabaco. É possível
diferenciar o usuário em fase experimental do dependente.
As perguntas 2 e 3 informam sobre o grau de dependência à nicotina.
Pacientes que fumam 20 ou mais cigarros ao dia e/ou acendem o primeiro cigarro
até 30 minutos após acordar, possivelmente, terão mais dificuldades em deixar de
fumar por apresentarem uma dependência química mais intensa, podendo
necessitar de uma abordagem diferenciada com apoio medicamentoso.
As perguntas 4 e 5 informam sobre o grau de motivação para deixar de fumar.
Fumantes que já tentaram ou mostram interesse em deixar de fumar serão mais
receptivos à sua abordagem.
A pergunta 6 ajuda a identificar o que ajudou e o que atrapalhou a deixar de
fumar. Essas barreiras devem ser trabalhadas na próxima tentativa.
É muito importante orientar o paciente quanto às dificuldades que irá
encontrar, como o hábito de fumar em momentos de estresse e os sintomas da
síndrome de abstinência.
 Estratégias para cessação de fumar
Algumas estratégias podem ser utilizadas na cessação de fumar. Apresente
as opções ao paciente, avaliem as possibilidades e deixe a escolha a cargo dele. A
seguir, algumas recomendadas pelo Ministério da Saúde (2001).
a) Método de Parada Imediata
Neste método o paciente determina uma data na qual deixará de fumar,
independente do número de cigarros fumados diariamente. Na data determinada, o
usuário não deverá ter cigarros, porque essa medida diminuirá os riscos de, diante
de uma forte vontade de fumar, você acender o cigarro por tê-lo perto.

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b) Parada Gradual
Na parada gradual o paciente também deve marcar uma data para parar de fumar,
porém, esta data não deve ser maior que duas semanas do início da cessação.
Este método consiste na redução do número de cigarros consumidos durante o dia.
Por exemplo, se um fumante consome 30 cigarros por dia, o esquema de parada
seria reduzir 5 cigarros ao dia, até a parada total no sétimo dia.
Pode-se também optar pelo adiamento da hora do primeiro cigarro. Neste caso, se
um fumante normalmente consome o primeiro cigarro às 8 horas da manhã, no
segundo dia ele fumará às 10 horas, no terceiro às 12 horas e assim por diante, até
que o sétimo dia seja seu primeiro dia sem cigarros.
 Tratamento Farmacológico
A utilização de medicamentos no processo de cessação de fumar tem por
objetivo minimizar os sintomas da síndrome de abstinência (BRASIL, 2001).
No âmbito dos medicamentos isentos de prescrição, podem ser utilizados os
medicamentos nicotínicos (Terapia de Reposição de Nicotina), que são encontrados
na forma de gomas de mascar e adesivos transdérmicos.
Os pacientes devem ser orientados a parar de fumar ao iniciarem os
medicamentos, pois o uso concomitante pode ocasionar sintomas de super
dosagem de nicotina, que incluem taquicardia, náuseas, vômito, tontura e fraqueza
(BRASIL, 2001; FINKEL; PRAY, 2007).
 Gomas de mascar
As gomas de mascar estão disponíveis no mercado nas dosagens de 2mg e
4mg. Pacientes que fumam 20 ou menos cigarros ao dia devem iniciar com gomas
de 2mg, enquanto pacientes que fumam mais de 20 cigarros ao dia devem iniciar
com as de 4mg, seguindo o esquema abaixo:
1ª – 4ª semana: 1 goma a cada 1 a 2 horas
5ª – 8ª semana: 1 goma a cada 2 a 4 horas
9ª – 12ª semana: 1 goma a cada 4 a 8 horas
As gomas devem ser mastigadas lentamente até que o sabor se torne
acentuado, ou que o paciente sinta formigamento. Neste momento, a goma deve ser

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parada de mastigar e repousada entre a bochecha e a gengiva, até


desaparecimento do formigamento. O processo deve ser repetido por 30 minutos.
Durante o processo o paciente não deve ingerir qualquer tipo de líquido.
Podem ser utilizados até o máximo de 15 gomas ao dia (BRASIL, 2001; FINKEL;
PRAY, 2007).
 Adesivos transdérmicos
Os adesivos estão disponíveis nas dosagens de 21mg, 14mg e 7mg. Devem
ser aplicados em uma área da pele sem lesões, limpa, preferencialmente na região
do tronco ou braços, fazendo um rodízio do local da aplicação a cada 24 horas. A
região deve estar protegida da exposição direto ao sol (BRASIL, 2001; FINKEL;
PRAY, 2007).
Pacientes que fumam 20 ou mais cigarros por dia devem adotar o seguinte
esquema:
Semana 1 a 4: adesivo de 21mg a cada 24 horas
Semana 5 a 8: adesivo de 14mg a cada 24 horas
Semana 9 a 12: adesivo de 7mg a cada 24 horas
Pacientes que fumam de 10 a 20 cigarros ao dia, ou que fumam em até
30 minutos após acordarem devem adotar o seguinte esquema:
Semana 1 a 4: adesivo de 14mg a cada 24 horas
Semana 5 a 8: adesivo de 7mg a cada 24 horas

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Figura 46 – Algoritmo Tabagismo


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6.12 TRANSTORNOS OFTALMOLÓGICOS

 Definição
Inúmeras doenças sistêmicas podem levar a alterações do olho e seus
anexos; além disso, o quadro oftalmológico pode ser o primeiro sinal de algumas
enfermidades. É importante, então, ter conhecimento das principais associações de
doenças sistêmicas com quadros oculares, para que diagnósticos e tratamentos não
sejam postergados indevidamente, o que poderia levar a um aumento da morbidade
ocular e do indivíduo como um todo. (DGS, 2012)
 Etiologia, Sinais e Sintomas
Dentre os transtornos oftalmológicos, mencionam-se olhos ressecados,
irritação ocular, falta de lacrimejamento e secura nos olhos, a qual pode apresentar
sintomatologias e queixas distintas.
 Olhos ressecados/seco: é caracterizado pela diminuição da produção de lágrima
ou deficiência em alguns de seus componentes, ou seja, pouca quantidade e/ou má
qualidade da lágrima. Este distúrbio no filme lacrimal e na superfície ocular pode
produzir áreas secas sobre a conjuntiva e córnea, o que facilita o aparecimento de
lesões. Os sintomas são de ardor, irritação, sensação de areia nos olhos, dificuldade
para ficar em lugares com ar condicionado ou em frente do computador e olhos
embaçados ao final do dia (APOS, 2013). A doença está relacionada à exposição a
determinadas condições do meio ambiente (poluição, computador), trauma
(queimaduras químicas), alguns medicamentos, idade avançada, uso de lentes de
contato, menopausa nas mulheres e doenças do sistema imunológico (síndrome de
Sjögren, Stevens-Johnson e outras). Quando não diagnosticada e corretamente
tratada, pode evoluir para lesão da superfície ocular e, em alguns casos, até a perda
da visão (SCHOR, 2004).
 Olhos vermelhos: qualquer pessoa pode ficar com os olhos vermelhos
ocasionalmente. Geralmente, é uma situação temporária e nada preocupante, mas é
um sinal de atenção. Olho vermelho também pode significarfalta de oxigênio.

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210

 Alergias nos olhos: o olho é um alvo fácil para alérgenos e substâncias irritantes,
porque, tal como a pele, estão expostos e são sensíveis. As alergias nos olhos
também são conhecidas como ‘conjuntivites alérgicas’, e constituem uma reação a
alérgenos do interior e do exterior, como pólen, bolores, ácaros do pó ou pêlos e
pele de animais domésticos. Estes atingem os olhos causando inflamação da
conjuntiva, o tecido que reveste o interior das pálpebras e ajuda a manter úmidas as
pálpebras e o globo ocular. As alergias nos olhos não são contagiosas. (MANUAL
OFTALMOLOGIA, 2008). Outras substâncias irritantes, como sujeira ou fumaça,
cloro, e mesmo vírus e bactérias, podem aumentar o efeito das alergias nos olhos,
ou causar sintomas de irritação similares às alergias nos olhos em pessoas que não
são alérgicas. Os principais sintomas dessas alergias envolvem a vermelhidão, com
prurido, ardor, lacrimejamento e edemas com uma sensação de areia nos olhos.
Estes sintomas podem ser acompanhados por corrimento ou coceira nasal, espirros,
tosse ou uma dor de cabeça bem na região central da testa (KANSKI, 2008).
 Tratamento Não Farmacológico
 Precauções com o ambiente: vento, sol, fumaça de cigarro, poluição,
lugares fechados, ar condicionado e monitores de computador;
 Cuidados a exposição de agentes químicos;
 Higienização efetiva de lentes de contato;
 Evitar contato direto manual do paciente com a região ocular;
 Pisque com maior frequência, para manter um filme de umidade
confortável;
 Tratamento Farmacológico
Os fármacos usados por via tópica em oftalmologia são administrados sob a
forma de colírios (preparações liquidas), géis ou pomadas oftalmológicas que são
aplicadas no fundo dos sacos conjuntivais. Normalmente, a maior parte dos
fármacos administrados sob a forma de colírio é eliminado pelas vias lacrimais, num
período de 15 a 30 segundos após a instilação. A drenagem nasal pode ser reduzida
usando colírios viscosos ou diminuindo o volume de cada instilação. É, por isso,
recomendável algum espaçamento (5 minutos) entre gotas quando se instilam duas
ou mais em cada administração para maximizar os efeitos oculares.
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 Nafazolina: é indicado no alívio da vermelhidão do olho devido a pequenas


irritações e como lubrificante prevenindo irritação ainda maior: Ex: Moura
Brasil®; Claril®;Lerin®; Clanistil®.
 Dextrano 70; Hipromelose; Carboximetilcelulose, Carmelose e Glicerol:
indicado para ser instilado nos olhos sempre que necessário para
proporcionar alívio dos sintomas de olho seco e irritação. Usado no
tratamento do ardor e irritação devida ao olho seco e desconforto causado por
condições ambientais tais como fumaça, poeira, poluentes, produtos
químicos, raios solares, vento e calor excessivo. Ex: Trisorb®; Lacrima Plus®;
Lacribell®; Filmcel®; FreshTears®, Lacrifilm®.

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Figura 47 – Algoritmo Oftalmológicos


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226 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ - UEM
COMISSÃO DE FARMÁCIA DE DISPENSAÇÃO - CFD
CURSO: Indicação Farmacêutica em Transtornos Menores
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MIRANDA-NETO, M. H., CHOPARD, R. P.,Anatomia Humana, 3.ed., Gráfica Editora


Clichetec, 2008.

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227 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ - UEM
COMISSÃO DE FARMÁCIA DE DISPENSAÇÃO - CFD
CURSO: Indicação Farmacêutica em Transtornos Menores
228

http://pediatriasaopaulo.usp.br/upload/pdf/357.pdf

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-
72992002000500021&lang=pt

- Dicionário das Especialidades Farmacêuticas;

- Goodmam e Gilman- As Bases Farmacológicas da Terapêutica;

- Amorin JE; Perez MCJ – Doença Vascular Periférica,Varizes dos Membros


Inferiores 1999.

Brasil. Ministério da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz. FIOCRUZ. Vice Presidência


de Serviços de Referência e Ambiente. Núcleo de Biossegurança. NUBio Manual de
Primeiros Socorros. Rio de Janeiro. Fundação Oswaldo Cruz, 2003. 170p.

Brasil. Ministério da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz. FIOCRUZ. Vice Presidência


de Serviços de Referência e Ambiente. Núcleo de Biossegurança. NUBio Manual de
Primeiros Socorros. Rio de Janeiro. Fundação Oswaldo Cruz, 2003. 170p.

CORDEIRO, C.H.G., CHUNG, M.C., SACRAMENTO, L.V.S. Interações


medicamentosas de fitoterápicos e fármacos: Hypericum perforatum e Piper
methysticum. Rev. bras. farmacogn. vol.15 no.3 João Pessoa July/Sept. 2005.

PROVENCI, G. Investigação da atividade ansiolítica de Passiflora alata curtis


(PASSIFLORACEAE). Dissertação (mestrado). UFRGS. Faculdade de Farmácia.
Programa de pós graduação em Ciências Farmacêuticas. Porto Alegre, 2007.

SILVA, A.L. Análise química de espécies de Valeriana brasileiras. Dissertação


(doutoradod). UFRGS. Faculdade de Química. Programa de pós graduação em
Química. Porto Alegre, 2009.

NUNES, A. SOUSA, M. Utilização da Valeriana nas Perturbações de ansiedade e do


sono Qual a Melhor evidência?. Acta Med Port. 2011; 24(S4):961-966.

VELOSO, D.P., GUIDINI, P., COMÉRIO R.M., SILVA A.G. Plantas utilizadas em
fitomedicamentos para os distúrbios do sono. Natureza on line 6 (1): 29-35.

CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DO PARANÁ – CRF-PR


228 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ - UEM
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CURSO: Indicação Farmacêutica em Transtornos Menores
229

ANEXOS

ANEXO A - MODELOS DE DECLARAÇÃO DOS SERVIÇOS FARMACÊUTICOS

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CURSO: Indicação Farmacêutica em Transtornos Menores
230

FARMÁCIA HIGÉIA
CNPJ: 00.000.000/0000-00 Insc. Est: 000.00000-00
Avenida Santa Gemma, 3820- Fone: (95) 4444-2222 - Alexandria - PR
e-mail: galeno@farmaciahigeia.com
Número:________
DECLARAÇÃO DE SERVIÇOS FARMACÊUTICOS

Nome:_________________________________________________________________
Sexo: Masculino ( ) Feminino ( ) Idade: _______anos
Endereço:______________________________________________________________
Cidade:__________________________Estado:_______Fone:( )________________
Nome do responsável (em caso de menor):____________________________________

CUIDADO FARMACÊUTICO: VERIFICAÇÃO DE PRESSÃO ARTERIAL


DATA: HORA: VALOR VERIFICADO: VALOR NORMAL:

____/____/20___ ____:____hr. _____X____mmHg 120mmHg X 80mmHg


IMPORTANTE: Este procedimento não tem finalidade de diagnóstico e não substitui a consulta
médica ou realização de exames laboratoriais.

FATORES DE RISCO ASSOCIADOS:


 Doença Cardíaca  Diabetes  Colesterol  Triglicérides
 Fumo  Histórico Familiar Doença Renal
 Outros:
 Usa Medicamento: ( ) Não ( ) Sim: ________________________ dose:______________

RECOMENDAÇÕES ÚTEIS NO CONTROLE DA HIPERTENSÃO:


 Redução do peso corporal.
 Redução da ingestão de sódio (sal).
 Ingerir alimentos ricos em potássio (ex: vegetais de cor verde-escuro).
 Redução do consumo de bebidas alcoólicas.
 Praticar exercícios físicos regularmente.
 Tomar medidas antiestresse.
 Controlar o colesterol e o triglicérides.
 Controlar o Diabete Melito.
 Evitar o consumo de drogas que elevem a Pressão Arterial (Ex: cafeína, antiinflamatórios,
anticoncepcionais).
 Tomar corretamente a medicação quando prescrita pelo médico.
 Visitar regularmente seu médico para nova avaliação clínica e terapêutica.
________________________________ _____________________________________
Assinatura do Paciente Dr. Claude Galien
Farmacêutico – CRF-PR No. 65589
Data: ____/_____/_____

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CURSO: Indicação Farmacêutica em Transtornos Menores
231

FARMÁCIA HIGÉIA
CNPJ: 00.000.000/0000-00 Insc. Est: 000.00000-00
Avenida Santa Gemma, 3820- Fone: (95) 4444-2222 - Alexandria - PR
e-mail: galeno@farmaciahigeia.com

Número: _______

DECLARAÇÃO DE SERVIÇOS FARMACÊUTICOS


Nome:_________________________________________________________________
Sexo: Masculino ( ) Feminino ( ) Idade: _______anos
Endereço:______________________________________________________________
Cidade:__________________________Estado:_______Fone:( )_________________
Nome do responsável (em caso de menor):____________________________________

CUIDADO FARMACÊUTICO: VERIFICAÇÃO DA TEMPERATURA CORPORAL AXILAR

DATA: HORA: VERIFICADO: VALOR NORMAL:


____/____/20___ ____:____hr ________OC 36,8 OC
IMPORTANTE: Este procedimento não tem finalidade de diagnóstico e não substitui a consulta médica ou realização de exames
laboratoriais.
O QUE SE DEVE SABER:
 Febre é a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais.
 Sintomas: calafrios, sudorese, sonolência, mal-estar geral, enrijecimento do rosto e calor na fronte.
O QUE SE DEVE FAZER PARA REDUZIR A FEBRE:
 Tomar banho morno.
 Ingerir quantidade extra de líquidos.
 Manter-se em repouso.
CONSULTAR O MÉDICO SE:
 Aparecer sintomas novos.
 A febre durar mais de três dias.
o
 A temperatura do corpo for superior a 38 C por mais de 24 horas. No caso de crianças, se for superior
o
a 39 C.
 Houver qualquer mudança de comportamento em nível de consciência.
BUSCAR ATENDIMENTO MÉDICO IMEDIATAMENTE SE:
o
 A temperatura corporal elevar-se a mais de 40,6 C.
 Houver convulsões.
 Houver dificuldades de respirar.
________________________________ _____________________________________
Assinatura do Paciente Dr. Claude Galien
Farmacêutico – CRF-PR No. 65589
Data: ____/_____/_____

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CURSO: Indicação Farmacêutica em Transtornos Menores
232

FARMÁCIA HIGÉIA
CNPJ: 00.000.000/0000-00 Insc. Est: 000.00000-00
Avenida Santa Gemma, 3820- Fone: (95) 4444-2222 - Alexandria - PR
e-mail: galeno@farmaciahigeia.com

Número:____
DECLARAÇÃO DE SERVIÇOS FARMACÊUTICOS
Nome:_________________________________________________________________
Sexo: Masculino ( ) Feminino ( ) Idade: _______anos
Endereço:______________________________________________________________
Cidade:__________________________Estado:_______Fone:( )________________
Nome do responsável (em caso de menor):____________________________________

APLICAÇÃO DE MEDICAMENTOS INJETÁVEIS

Medicamento/Concentração Lote Validade Posologia Via de Administração


( )IM ( )EV ( )SC

Local Administrado:
( )Glúteo Direito ( )Glúteo Esquerdo ( )Deltóide Direito ( )Deltóide Esquerdo
( )Outro:___________________________ ( )EV (Direito) ( )EV Esquerdo
( )SC local:__________________________
Prescritor: CRM/CRO:

________________________________ _____________________________________
Assinatura do Paciente Dr. Claude Galien
Farmacêutico – CRF-PR No. 65589
Data: ____/_____/_____

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CURSO: Indicação Farmacêutica em Transtornos Menores
233

FARMÁCIA HIGÉIA
CNPJ: 00.000.000/0000-00 Insc. Est: 000.00000-00
Avenida Santa Gemma, 3820- Fone: (95) 4444-2222 - Alexandria - PR
e-mail: galeno@farmaciahigeia.com

Número: _______
DECLARAÇÃO DE SERVIÇOS FARMACÊUTICOS
Nome:_________________________________________________________________
Sexo: Masculino ( ) Feminino ( ) Idade: _______anos
Endereço:______________________________________________________________
Cidade:__________________________Estado:_______Fone:( )________________

PERFURAÇÃO DO LÓBULO AURICULAR PARA COLOCAÇÃO DE BRINCOS

Pistola (fabricante) Lote CNPJ

Brinco (fabricante) Lote CNPJ Lado direito Lado esquerdo


S( ) N( ) S( ) N( )

INSTRUÇÕES PÓS-PERFURAÇÃO (PARA AS PRIMEIRAS 4 SEMANAS)


1- Sem remover os brincos, esfregar os lóbulos na frente e atrás 2 vezes por dia com algodão
umedecido em álcool 70% ou Clorexidina.
2- Após usar sabonete ou shampoo, enxaguar bem com água para evitar que qualquer resto do
produto químico permaneça no furo dos lóbulos e ao redor dos brincos. (repetir o item 1)
3- Girar os brincos 2 ou 3 vezes por dia.
4- Os brincos não devem ser retirados por 4 a 6 semanas.
5- Em caso de reação alérgica, retirar o brinco e procurar o farmacêutico ou médico.
Importante: nos próximos 6 meses usar brincos de aço inoxidável ou banhados a ouro (menos argola).
Brincos de má qualidade podem causar problemas.
Atenção: o farmacêutico não se responsabiliza pelos problemas ocasionados por outros brincos senão os
utilizados na perfuração e/ou se algumas destas instruções não forem seguidas.

TERMO DE AUTORIZAÇÃO
Declaro que recebi, li, entendi e estou ciente das informações a respeito do brinco, da pistola, do
procedimento de perfuração do lóbulo auricular e dos cuidados pós-perfuração, comprometendo-
me a segui-los, sendo essencial para evitar edemas e infecções posteriores que podem ser causados
pela higiene inadequada após a perfuração do lóbulo auricular. Autorizo o procedimento (se menor
de 18 anos de idade, esta deve ser assinada pelos pais ou guardião legal):
_______________________________________________.
________________________________ _____________________________________
Assinatura do Paciente Dr. Claude Galien
Farmacêutico – CRF-PR No. 65589
Data: ____/_____/_____
CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DO PARANÁ – CRF-PR
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234

FARMÁCIA HIGÉIA
CNPJ: 00.000.000/0000-00 Insc. Est: 000.00000-00
Avenida Santa Gemma, 3820- Fone: (95) 4444-2222 - Alexandria - PR
e-mail: galeno@farmaciahigeia.com

Número: ________

DECLARAÇÃO DE SERVIÇOS FARMACÊUTICOS

Nome:_________________________________________________________________
Sexo: Masculino ( ) Feminino ( ) Idade: _______anos
Endereço:______________________________________________________________
Cidade:__________________________Estado:_______Fone:( )________________
Nome do responsável (em caso de menor):____________________________________
CUIDADO FARMACÊUTICO: INDICAÇÃO FARMACÊUTICA EM TRANSTORNOS MENORES

Sinais e Sintomas:
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________

Medicamento/Concentração Lote Validade Posologia

Plano de Acompanhamento (intervalo) ( ) 2 dias ( ) 4 dias ( ) 6 dias


IMPORTANTE: Este procedimento não tem finalidade de diagnóstico e não substitui a consulta médica ou realização de exames
laboratoriais.

RECOMENDAÇÕES:
1- Tome/use os medicamentos sempre nos horários indicados na etiqueta da embalagem.
2- Tome/use os medicamentos durante o tempo estipulado na etiqueta da embalagem.
3- Tome/use os medicamentos sempre nas dosesrecomendadas pelo farmacêutico.
4- Nunca tome/use medicamentos sem orientação do médico ou do farmacêutico.
5- Nunca tome/use medicamentos que não foram indicados para você.
6- Caso os sintomas não desapareçam ou se agravem, procure atendimento médico.
________________________________ _____________________________________
Assinatura do Paciente Dr. Claude Galien
Farmacêutico – CRF-PR No. 65589
Data: ____/_____/_____

CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DO PARANÁ – CRF-PR


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235

ANEXO B - MODELO DE PRESCRIÇÃO FARMACÊUTICA

M O D E LO
Não Regulamentado
Apenas sugestão

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236

ANEXO C - MODELO DE PRONTUÁRIO FARMACÊUTICO

PRONTUÁRIO FARMACÊUTICO PARA PRESCRIÇÃO


Sinais e sintomas:
________________________________________________________
________________________________________________________
_______________________
Medicamento/concentração:_______________________
Lote:_________________________________________
Validade: _____________________________________
Posologia: _____________________________________
Plano de acompanhamento (intervalo)
( ) 2 dias
( ) 4 dias M O D E LO
( ) 6 dias
Data: ____/_____/_____ Não Regulamentado
_______________________________________
Apenas sugestão
Assinatura do Usuário / responsável
_______________________________________
Assinatura do Farmacêutico CRF/PR

ANEXO D - MODELO DE FICHA DE ENCAMINHAMENTO AO SERVIÇO MÉDICO

NOME DA FARMÁCIA
Razão Social e CNPJ
Endereço Completo

Nome do Farmacêutico Responsável Técnico


CRF-PR no 00000

Paciente:____________________________________________________
Idade:______anos. Sexo: ( ) Masc. ( ) Fem.
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237

Endereço:___________________________________________________
Fone:_______________________________________________________
Cidade:__________________________________________UF:________

Queixas do Paciente:
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

Sinais Verificados:
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

Intervenção Farmacêutica: ( ) Sim ( ) Não


Se SIM, qual: ( ) Farmacológica ( ) Não farmacológica
 Farmacológica (medicamentos indicados/prescritos):
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
 Não farmacológica:
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
Encaminho o paciente pelos seguintes motivos: _____________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________

(Cidade), _____de _______________de 20______

________________________________________
Dr. Farmacêutico
CRF-PR no. 00000

CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DO PARANÁ – CRF-PR


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