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Gabriel Mário

Estudos comparativos da geodiversidade do embasamento e a cobertura


fanerozoica de Moçambique

Universidade Rovuma

Nampula

2020
Gabriel Mário

Estudos comparativos da geodiversidade do embasamento e a cobertura


fanerozoica de Moçambique

O presente Trabalho de carácter avaliativo da


cadeira de património geológico e
geoconservação que será entregue ao
Departamento da Ciências da Terra e
Ambiente, Curso de Licenciatura em
Geologia, 4º Ano. Leccionado pelo dr.
Sumalge Muteliha

Universidade Rovuma

Nampula

2020
Índice

Introdução...................................................................................................................................2
Resumo.......................................................................................................................................3
Objectivos...................................................................................................................................5
Objetivos geral...................................................................................................................5

Objetivos específicos.........................................................................................................5

Metodologia...............................................................................................................................5
Enquadramento geográfico do fanerozoico em Moçambique..............................................5
Conceitos gerais.........................................................................................................................5
Geodiversidade..........................................................................................................................6
O Fanerozoico em Moçambique..............................................................................................6
PALEOZÓICO EM MOÇAMBIQUE....................................................................................8
O Supergrupo do Karoo............................................................................................................9
Supergrupo do Karoo Inferior................................................................................................10
Formação de Moatize (PeM)...........................................................................................11

Grupo Beaufolt........................................................................................................................11
Suíte Murrupula Pan-Africana...............................................................................................12
MESOZOICO EM MOÇAMBIQUE....................................................................................13
Karoo Indiferenciado..............................................................................................................14
Karo Superior...........................................................................................................................16
Formações Vulcânicas do Karro Superior............................................................................17
Geologia Economica do Karoo..............................................................................................17
CENOZOICO EM MOÇAMBIQUE....................................................................................18
Quaternário...............................................................................................................................23
Recursos minerais e energéticos............................................................................................24
Conclusão.................................................................................................................................26
Resultados e discussão obtidos durante a elaboracao do trabalho.....................................27
Bibliografia..............................................................................................................................28
Introdução

Em Moçambique as formações do fanerozoico estende-se desde ao paleozoico ao


cenozoico, com estruturas que variam de micro a macro estruturas. O presente trabalho
faz menção acerca do Estudo comparativo da geodiversidade e do embasamento e a
cobertura fanerozoica de Moçambique.
A variação ou diversidade dos elementos abióticos contidos na estrutura de uma
paisagem pode ser entendida como geodiversidade. Esse termo procura atender a
necessidade dos pesquisadores da área de geociências ao se referirem ao complexo
físico da paisagem, ou do ecossistema, abrangendo os elementos abióticos como rochas,
formas de relevo, solos e rios (…). GRAY (2004) se refere à geodiversidade como a
diversidade natural dos elementos geológicos e geomorfológicos incluindo os minerais,
fósseis, solos, a paisagem e seus processos. A geodiversidade de uma área também
apresenta grande amplitude, ocorrendo desde a escala microscópica, como no caso de
minerais, até em grande escala, como montanhas, formações rochosas, feições
geomorfológicas e processos activos” (MANOSSO&ONDICOL (2012).
Resumo

Do ponto de vista geológico, o Fanerozoico em Moçambique é constituído


essencialmente por rochas sedimentares que se formaram entre 300 e 70 milhões de
anos. Essas rochas incluem também as formações eruptivas (magmáticas) como basaltos
e riólitos e se podem encontrar junto a fronteira de Namaacha. Ocupa quase na
totalidade as províncias de Inhambane, Gaza e Maputo e vai se estreitando para o norte
até ao curso do rio Rovuma ocupando 1/3 do território nacional. A cobertura
Fanerozóica em Moçambique compreende sedimentos terrestres e marinhos e rochas
(sub-) vulcânicas associadas pós-Pan-Africanas, geralmente (sub-) horizontais. Fazem
parte do Fanerozóico as formações de Karoo que se localizam nas províncias de Cabo
delgado, Niassa, Tete, Manica e sofala. Os segmentos de Karoo são caracterizados pela
sua origem continental e estão depositados nas falhas, sobretudo nas províncias de
Manica e Tete. (GTK Consortium, 2006).

O Paleozóico corresponde a metade do Fanerozóico (300 milhões de anos). Durante esta


era havia seis massas continentais principais. Reconstituição da posição das massas
continentais do paleozóico.

O Karoo distribui-se geograficamente pelas províncias de Niassa, Cabo-Delgado , Tete,


Manica e Sofala. Os sedimentos de Karoo são caracterizados pela sua origem
Continental e depositaram-se em bacias controladas por falhas e maior bacia encontra-
se situada na bordadura do Cratão Rodesiano com a forma de arco com concavidades
virada para SW que representa por manchas de Karoo na província de Tete e pelas de
Manica, e esta última representada pela mancha de Espungabera.

Os sedimentos do Cenozóico exibem características da margem continental passiva com


uma progradação em direcção ao limite da plataforma continental e talude continental.

Os sedimentos do Paleocénico – Eocénico são separados da rocha subjacente por


descontinuidade erosional.

As formações e rochas quaternárias estão espalhadas nos vales dos rios maiores e nas
depressões estruturais causadas por falhamento recente. Os maiores afloramentos de
rochas quaternárias ocorrem no rifte do Zambeze, onde cobrem rochas pertencendo ao
Supergrupo do Karoo e à Formação do Mágoè do Cretácico, principalmente a norte da
vila do Zumbo, a sul da Albufeira de Cahora Bassa e na extenção oriental do vale do
Zambeze em direcção ao Malawi. Também se depositaram sedimentos quaternários nas
estruturas de rifte isoladas de Mucangádzi e Candere, do Graben de Metendeze-Lumázi
e do rifte de N’Condédzi-Messambedeze. Perto do limite leste da folha de Chíduè
ocorre uma faixa relativamente estreita de depósitos quaternários
Objectivos

Objetivos geral
 Comparação da geodiversidade do embasamento e a cobertura do fanerozoico de
Moçambique (cenozoico, mesozoico e paleozoico)

Objetivos específicos
 Estudo das variaveis abioticas,
 Relaçao existente entre as e as formaçoes do fanerozoico em Moçambique.

Metodologia

O presente artigo científico é resultado da compilação de dados obtidos por consulta


bibliográfica e argumentação adicional para maior compreensão e simplificação do
mesmo, Foi baseado na tese de Ângelo Nhapacho Francisco Cumbe cuja temática é “O
Património Geológico de Moçambique: Proposta de Metodologia de Inventariação,
Caracterização e Avaliação”

Enquadramento geográfico do fanerozoico em Moçambique

Em Moçambique as formações da era fanerozoica estende-se desde a parte norte


(gondwana este), compostas de formações do mesozoico (gnaisses da orogenia pan-
Africana), prolongando-se ate a parte sul, composta essencialmente de formações da era
cenozoica (sedimentos, arenitos, calcário etc)

Conceitos gerais

Existem uma sequência conhecida de condições que favorecem a identificação e


qualificação de eventos geológicos para que este seja considerado um património
geológico.

Para um ambiente geológico ser considerado patrimônio geológico existem requisitos


ou princípios pré-estabelecidos que devem vigorar sobre este lugar, corpo ou ambiente
geológico. Assim podemos usar uma definição para limitar e diferenciar um patrimônio
de uma ocorrência ou evento geológico como foi definido por Brilha.Segundo (Brilha,
2005) definiu património geológico como sendo “o conjunto de geossítios inventariados
e caracterizados numa determinada área ou região”

A definição de patrimônio geológico proposta por Brilha geralmente esta associada a


termos como geodiversidade corresponde a inventariação e geossitios que será explícito
neste artigo científico.

Organizando em sequência primeiro temos:


a) Geodiversidade
b) Geossítios
c) Geoconservação
A compilação destes dois termos numa actividade simultânea que engloba
consequentemente factores do funcionamento hexagonal tais como: valores culturais,
intríscicos, econômicos, funcional, científico e estéticos que culminam em um
determinado valor único ou singular que caracteriza o lugar isso é chamado de
patrimônio geológico.

Geodiversidade

A geodiversidade compreende a primeira fase de estudo para a determinação de um


patrimônio geológico. É uma palavra formada por aglutinação de dois termos:

Geo= terra + diversidade= a variedade.


Brilha em suas analises concluiu que: “geodiversidade é a variedade de ambientes
geológicos, fenómenos e processos activos que dão origem a paisagens, rochas,
minerais, fósseis, solos e outros tipos de depósitos superficiais que constituem o suporte
para a vida na Terra” (Brilha, 2005).
Geralmente esta é representada graficamente de forma esquemática conhecidas como
mapas ou cartas geológicas. É nesta fase que se descreve detalhadamente todas as
variedades de estruturas geológicas o que facilita na identificação de estruturas, eventos
e ambientes com características peculiares que futuramente podem se tornar um
patrimônio, por outra e nesta fase que se identificam as características que tornam o
sítio singular.

Geossítio

Na Terra ocorrem sítios geológicos naturais excepcionais, do ponto de vista científico,


didáctico, cultural, turístico, etc., denominados geossítios. Os geossítios diferem de
outros sítios geológicos pelo seu carácter excepcional, o que pressupõe o
desenvolvimento de estratégias de inventariação e avaliação do seu valor ou relevância.

Património geológico

O património geológico é o conjunto de geossítios inventariados e caracterizados numa


determinada área ou região (Brilha, 2005). O património geológico é constituído pelo
conjunto de ocorrências geológicas representativas de uma determinada região, que
possuem reconhecido valor científico, pedagógico, cultural, turístico ou outro. O
património geológico pode ser dividido em património paleontológico, mineralógico,
hidrogeológico, geomorfológico, petrológico, etc. Esta subdivisão do património
geológico é feita de acordo com o conjunto de elementos geológicos que este
património engloba. O património paleontológico, por exemplo, é o património
geológico que é constituído pelo conjunto de geossítios de interesse paleontológico
excepcional, inventariados e caracterizados numa determinada área.

Geoconservação

O património geológico, assim como outros recursos naturais, também pode ser
modificado, danificado e até destruído por processos naturais e pela actividade humana
(actividade extractiva, desenvolvimento de obras, colheita de amostras para fins não
científicos, etc.). O património geológico é um recurso natural não renovável. A sua
destruição constitui, por isso, uma perda irrecuperável. Para assegurar a salvaguarda do
património geológico, desenvolvem-se actividades que visam a geoconservação. Assim,
as actividades que têm como finalidade a conservação e gestão sustentável do
património geológico e dos processos naturais a ele associados denominam-se por
geoconservação (Brilha, 2005).
Conservar todos os geossítios é uma tarefa bastante complicada. Para que se conserve
um geossítio, os valores ou atributos por este apresentados devem estar acima da média.
Assim, num conjunto de geossítios de uma determinada área, a prioridade para o
desenvolvimento de acções visando a conservação será dada aos geossítios que
apresentam atributos adicionais que os tornam preferíveis relativamente aos outros
(melhores condições de observação, facilidade de acesso, extensão, etc.).

GEODIVERSIDADE EM MOÇAMBIQUE

Moçambique é um país com uma grande extensão geográfica (799.380 Km2) e


caracteriza-se pela ocorrência de uma enorme geodiversidade da qual fazem parte todos
os tipos genéticos de rochas, com idades que vão desde o Arcaico ao Quaternário,
minerais (alguns deles raros), fósseis, lagos interiores, pântanos, zonas marinhas e
continentais, vários tipos de clima (tropical, subtropical, de altitude, semidesértico) e
por altitudes que vão de 0 a mais de 2.000 metros. Verifica-se ainda uma distribuição
contrastada dos aspectos da geodiversidade entre as várias regiões do país. Por exemplo,
nas regiões norte e centro as paisagens, os solos, as rochas, a cobertura vegetal, o padrão
dos rios, etc., diferem dos que ocorrem na zona sul.

Geologia de Moçambique

O continente africano em geral é composto por um conjunto de cratões e cinturões


móveis de idade arcaica, unidos por cinturões dobrados alongados de idade
proterozóico-câmbrica cobertos por sedimentos indeformados e rochas extrusivas
associadas, de idades neoproterozóica, carbónica tardia a jurássica inicial e cretácico-
quaternária (GTK Consortium, 2006a). A geologia de Moçambique é caracterizada pela
ocorrência de um soco cristalino com idade arcaica-câmbrica e por rochas com idade
fanerozóica. O soco cristalino é constituído por paragnaisses supracrustais
metamorfizados, granulitos e migmatitos, ortognaisses e rochas ígneas. Do ponto de
vista geodinâmico, o soco cristalino de Moçambique é composto por três terrenos4
diferentes, que colidiram e se juntaram durante o Ciclo Orogénico Pan-Africano.
Anteriormente à união pan- africana, cada terreno possuía um desenvolvimento
geodinâmico individual e específico. Na Notícia Explicativa da Carta Geológica de
Moçambique volume 4, estes terrenos são designados provisoriamente por Terreno do
Gondwana Este, Terreno do Gondwana Oeste e Terreno do Gondwana Sul (GTK
Consortium, 2006). O Terreno do Gondwana Sul abarca o Cratão do Zimbabwe e um
conjunto de unidades tectono- ou lito-estratigráficas nos cinturões dobrados
proterozóicos que foram carreados ou depositados no topo das margens norte e leste do
Cratão. A sua fronteira setentrional corresponde ao Cinturão pan-africano de
Damariano-Lufiliano-Zambeze e, parcialmente, à Zona de Cisalhamento de Sanângoè.
O Terreno do Gondwana Oeste engloba o Cratão do Congo/Tanzânia ou da África
Central e um conjunto de unidades tectono- ou lito-estratigráficas nos cinturões
dobrados do Proterozóico que foram carreados ou depositados sobre as margens sul e
oriental do Cratão. Na vizinha Tanzânia, a frente de carreamento do Cinturão de
Moçambique, com vergência para oeste, marca a fronteira entre os Terrenos do
Gondwana Oeste e Gondwana Este.

Terreno do Gondwana Oeste

O soco cristalino do Terreno do Gondwana Oeste compreende rochas ígneas e rochas


supracrustais metamorfizadas. As últimas incluem o Grupo de Chidzolomondo (Fig.
3.3), o Supergrupo de Zâmbuè (1200 – 1300 Ma), o Supergrupo do Fíngoè (1327 ± 16
Ma), o Grupo de Mualádzi, o Grupo de Cazula (1041 ± 4 Ma) e os ortognaisses e
paragnaisses do Rio Messuze. Fazem também parte do Terreno do Gondwana Oeste,
granitóides denominados por Suites Intrusivas Irumides como, por exemplo, o Granito
da Serra Chiúta (idade superior a 1021 Ma), o Granito do Rio Capoche (1201 Ma), a
Suite de Cassacatiza (1077 ± 2 Ma), a Suite de Tete (1047 ± 29 Ma, Fig. 3.6), a Suite de
Furancungo (1041 ± 4 Ma) e muitas outras.

Terreno do Gondwana Sul

O Terreno do Gondwana Sul é composto por um núcleo arcaico, sedimentos de


plataforma proterozóicos e cinturões dobrados proterozóicos (GTK Consortium,
2006b). Em Moçambique, na província de Tete, a Zona de Cisalhamento de Sanângoè
(ZCS) constitui a fronteira entre os Terrenos do Gondwana Oeste e Sul. As duas janelas
erosionais que formam grandes aprisionamentos na Suite de Tete compreendem a janela
ocidental do soco, conhecida como o Domo do Rio Chacocoma e uma janela oriental,
conhecida como o Domo do Rio Mazoe. Estando localizados a sul da Zona de
Cisalhamento de Sanângoè, ambos os domos pertencem ao Terreno do Gondwana Sul.
As litologias dos domos são atribuídas ao Granito de Chacocoma e à Formação de
Chíduè (GTK Consortium, 2006a). Na província de Manica ocorrem rochas
proterozóicas que podem ser divididas em três categorias, nomeadamente: (1)
sedimentos autóctones e vulcanitos do Grupo mesoproterozóico de Umkondo (~ 1102
Ma); (2) metassedimentos para-autóctones do Grupo de Gairezi; e metassedimentos
alóctones do Complexo mesoproterozóico do Báruè.

Na província de Manica ocorrem rochas proterozóicas que podem ser divididas em três
categorias, nomeadamente: (1) sedimentos autóctones e vulcanitos do Grupo
mesoproterozóico de Umkondo (~ 1102 Ma); (2) metassedimentos para-autóctones do
Grupo de Gairezi; e (3) metassedimentos alóctones do Complexo mesoproterozóico do
Báruè (GTK Consortium, 2006b).

Os cinturões de dobramentos proterozóicos, que ocorrem ao longo das margens norte e


leste do Cratão do Zimbabwe, estendem-se a Moçambique. O Cinturão do Zambeze, de
direcção E-W, parte do cinturão continental Damariano-Lufiliano- Zambeze, flanqueia
o Cratão do Zimbabwe a norte. Este cinturão orogénico abarca uma pilha de massas de
carreamento ou nappes, que incluem componentes arcaicos (> 2.5 Ga),
mesoproterozóicos (~ 1.0 – 1.4 Ga) e neoproterozóicos (0.8 – 0.5 Ga).

O Cinturão do Zambeze meridional é composto por duas nappes, nomeadamente o


Terreno Alóctone do Zambeze (Complexo de Mavuradonha e Complexo de Masoso) e o
Terreno Gnaissico Marginal (Grupo de Rushinga ~ 2.0 Ga). A margem leste do Cratão
de Kalahari é parte do Cinturão de Moçambique, com direcção N-S e compreende o
Grupo de Gairezi (2041 ± 15 Ma), o Complexo de Báruè e a Suite de Guro, com 867 ±
15 Ma (GTK Consortium, 2006c). A geologia do norte de Moçambique pode ser
subdividida em: (1) domínio estrutural da Faixa de Empurrão do Lúrio, (2) a própria
Faixa de Empurrão do Lúrio e (3) domínio estrutural sul da Faixa de Empurrão do
Lúrio, isto é, a sub-Província de Nampula.

Na zona norte de Moçambique, podem ser identificadas as seguintes unidades tectono-


estratigráficas:

 O Complexo da Ponta Messuli, que é um fragmento de soco paleoproterozóico


(1954 ± 15 Ma), constituindo a parte norte-noroeste do soco cristalino do norte
de Moçambique;
 O Grupo de Txitonga, de baixo grau e de idade desconhecida, sobrejacente no
complexo acima referido;
 O soco cristalino a sul do Graben de Maniamba, de idade do Karoo, e ao norte
da Faixa do Lúrio, predominantemente composto por gnaisses
mesoproterozóicos (1110 a 990 Ma), que fazem parte (de leste para oeste) dos
Complexos de Unango e de Marrupa, e por nappes pan-africanas,
compreendendo (de leste para oeste) os Complexos de M´Sawise, Muaquia,
Xixano, Nairoto, Montepuez, Lalamo e Meluco (GTK Consortium, 2006d;
Bingen et al., 2007).
A Faixa de Empurrão do Lúrio, de orientação WSW-ENE, separa o domínio estrutural
norte do bloco do soco cristalino sul da sub-Província de Nampula. Em termos
litológicos, a Faixa de Empurrão do Lúrio pode ser considerada como uma melange
tectónica, incluindo granulitos e gnaisses cisalhados, incorporados no Complexo de
Ocua e metassedimentos do Complexo de Montepuez (GTK Consortium, 2006d). O
soco cristalino da parte sul da sub-Província de Nampula, a sul da Faixa do Lúrio,
compreende o Complexo de Nampula e os Klippens de Monapo e de Mugeba (735 a
550 Ma), supostamente relacionados com a Faixa do Lúrio.
As rochas do Complexo de Nampula compreendem orto e paragnaisses
mesoproterozóicos (1125-1075 Ma) pertencentes à Suite de Mocuba, Grupo de Molócuè
(> 1125 Ma), Suite de Culicui (1075 Ma) e o Grupo do Alto Benfica, intruídas por
granitóides câmbricos e ordovícicos pan-africanos (530-450 Ma) pertencentes à Suite de
Murrupula e de Malema, e por pegmatitos (480-430 Ma) (GTK Consortium, 2006d).

Terreno do Gondwana Este


O terreno do Gondwana Este na província de Tete é composto por gnaisses
mesoproterozóicos pertencentes ao Grupo da Angónia e pela Suite de Ulonguè,
composta por rochas plutónicas neoproterozóicas (GTK Consortium, 2006a).

O Fanerozoico em Moçambique

Do ponto de vista geológico, o Fanerozoico em Moçambique é constituído


essencialmente por rochas sedimentares que se formaram entre 300 e 70 milhões de
anos. Essas rochas incluem também as formações eruptivas (magmáticas) como basaltos
e riólitos e se podem encontrar junto a fronteira de Namaacha. Ocupa quase na
totalidade as províncias de Inhambane, Gaza e Maputo e vai se estreitando para o norte
até ao curso do rio Rovuma ocupando 1/3 do território nacional. A cobertura
Fanerozóica em Moçambique compreende sedimentos terrestres e marinhos e rochas
(sub-) vulcânicas associadas pós-Pan-Africanas, geralmente (sub-) horizontais. Fazem
parte do Fanerozóico as formações de Karoo que se localizam nas províncias de Cabo
delgado, Niassa, Tete, Manica e Sofala. Os segmentos de Karoo são caracterizados pela
sua origem continental e estão depositados nas falhas, sobretudo nas províncias de
Manica e Tete. (GTK Consortium, 2006).

Cobertura fanerozóica

A cobertura do Fanerozóico em Moçambique engloba em geral todas as litologias


depositadas posteriormente ao Ciclo Orogénico Pan-Africano. Estas são geralmente
sedimentos sub-horizontais continentais a marinhos e rochas sub- vulcânicas associadas.
A cobertura fanerozóica divide-se (das formações mais antigas às mais recentes) em
Supergrupo do Karoo e sequências depositadas durante o desenvolvimento do Sistema
do Rifte da África Oriental. O Supergrupo do Karoo, depositado durante o evento do
Karoo, anuncia a separação abortada do Gondwana e pode ser dividido nos Grupos do
Karoo Inferior e do Karoo Superior (GTK Consortium, 2006b)
As sequências do Rifte Este-Africano compreendem uma associação de sedimentos e de
rochas sub-vulcânicas associadas, que podem estar relacionadas com o rifting, deriva e
dispersão do Gondwana.

As rochas do Karoo em Moçambique ocorrem em várias estruturas de rifte do tipo


graben. Estas constituem (de norte a sul) o Graben de Metangula (Província de Niassa),
a Bacia do Rovuma (Província de Cabo Delgado) e o Graben do Médio Zambeze
(Província de Tete). Mais para sul de Moçambique, o Karoo é representado por
vulcanitos básicos e ácidos dos estreitos monoclinais de Nuanétzi- Save com direcção
ENE-WSW a NE-SW, dos Libombos com direcção N-S a NNW- SSE e pelo cortejo
filoneano de Okavango, orientado WNW-ESW, todos pertencentes ao Karoo Superior.
O Graben do Médio Zambeze (orientado E-W), devido à sobreposição da tectónica
extensiva do Cretácico, pode ser dividido nos grabens do Luia e de Moatize, com
orientação NW-SE (GTK Consortium, 2006a).

A deposição dos sedimentos do Karoo Inferior teve início no período da glaciação de


idade correspondente ao Dwyka (Carbónico Superior) e termina no Pérmico. Em
Moçambique, os afloramentos do Karoo Inferior são representados pela Formação do
Vúzi. A Formação de Moatize, muito importante em termos económicos, foi depositada
durante o Pérmico Inferior com espessas camadas de carvão locais. O Karoo Inferior
termina com a deposição de sedimentos da Formação de Matinde durante o Pérmico
Médio a Superior. A Formação de Cádzi abrange o limite entre os Grupos do Karoo
Inferior e Superior (GTK Consortium, 2006a). O Karoo Superior compreende
formações compostas principalmente por sedimentos terrestres juntamente com rochas
sub-vulcânicas inter-estratificadas ou intrusivas do Triássico Inferior a Jurássico
Inferior. Na província de Tete, elas estão restritas aos pórfiros e felsitos de Búnguè, e a
basaltos, riolitos e diques máficos espalhados na área. As rochas ígneas são atribuídas
principalmente à Suite de Rukore (180 – 190 Ma), contemporânea e possivelmente
relacionada com a Suite da Gorongosa e com os vulcanitos do Monoclinal dos
Libombos (GTK Consortium, 2006a). Na província da Zambézia as litologias do Karoo
Superior ocorrem na Formação (Basáltica) de Chueza (GTK Consortium, 2006d). O
Supergrupo do Karoo (Carbónico Superior a Jurássico Inferior), manifestando uma fase
de rifting abortado, após um intervalo de ~ 40 Ma, é seguido por um período de rifte
continental, deriva e dispersão do Gondwana. Esta fase é contemporânea com o
desenvolvimento do Sistema do Rifte Este-Africano que teve início no Cretácico. Na
zona central e sul de Moçambique, este processo deu início ao surgimento do Rifte de
Luia e ao Graben do Baixo-Zambeze e ao desenvolvimento da bacia de Moçambique,
cuja base compreende rochas vulcânicas do Karoo Superior cobertas por sucessões
sedimentares do Cretácico Médio e mais jovens, porém com um hiato de ~ 40 Ma entre
estes (GTK Consortium, 2006c). Estas sucessões incluem uma série de sequências de
plataforma rasa e de águas mais profundas, restritas a várias estruturas de rifte e rochas
sub-vulcânicas associadas. Seis sequências deposicionais maiores, de idade cretácico-
terciária, podem ser reconhecidas e incorporadas no esquema estratigráfico para toda a
bacia. A primeira sequência representa a deposição de idade jurássica superior-
cretácica inferior do Grupo da Lupata no norte e a colocação contemporânea de rochas
vulcânicas da Província Alcalina de Chirua, com descontinuidades no Neocomiano (do
Berriasiano ao Barremiano) e no Aptiano.

Estratigrafia do fanerozoico em Moçambique

A segunda sequência representa a deposição durante o Cretácico Médio a Superior, das


Formações de Sena e de Domo e descontinuidade intra-senoniana a nível de toda a
bacia. A terceira sequência testemunha a deposição durante o Cretácico Superior até ao
Paleocénico, da parte basal da Formação de Grudja, separada da parte superior da
mesma formação e de Mágoè por uma descontinuidade e hiato do Paleocénico Inferior.
A zona centro de Moçambique também é caracterizada pela ocorrência de carbonatitos,
rochas alcalinas e metassomáticas associadas, particularmente próximo do vizinho
Malawi, representadas pelas chaminés vulcânicas carbonatíticas do Monte Salambídua,
Monte Lupata, Monte Muambe, Monte Chandava, Monte Cangombe, Cone Negose,
entre outros. A quarta sequência representa uma deposição eocénica da Formação de
Cheringoma sobre a descontinuidade do Eocénico Inferior e sob as descontinuidades
intra e tardi-oligocénicas.

A quinta sequência deposicional representa uma deposição durante o Paleocénico-


Pliocénico, das Formações de Mangulane, Tembe, Inhaminga, Maputo, Boane e
Salamanga e do “Complexo Deltaico do Zambeze” a leste, com produtos de erosão e de
reposição distribuídos por toda a parte. A sexta sequência é composta por depósitos
quaternários subdivididos em depósitos pleistocénicos, como por exemplo as dunas
interiores, grés costeiros, terraços fluviais e depósitos coluviais e depósitos holocénicos,
como por exemplo os depósitos de planície de inundação (eluviões) de composição
areno-argilosa e argilo-arenosa ou com composição argilosa, as dunas costeiras e
depósitos aluvionares (GTK Consortium, 2006b, 2006c e 2006d). Apesar de estes
depósitos quaternários formarem geralmente apenas uma camada de cobertura fina,
ocupam cerca de 90% da superfície de terreno da zona sul de Moçambique e da orla
marítima. As mudanças de fácies registam geralmente uma transição, em direcção a
leste, de depósitos terrestres, parálicos e marinhos de pouca profundidade, e de
depósitos marinhos típicos e espessos (GTK Consortium, 2006b).

Rochas sedimentares cretácico-terciárias foram expostas à erosão durante o Cenozóico


Superior, o que faz com que as épocas do Pliocénico, Pleistocénico e Holocénico
consistem essencialmente de produtos de alteração retrabalhados e desagregados.
Embora o Pleistocénico consista principalmente de areias de dunas erodidas,
avermelhadas e parcialmente consolidadas, a maior parte do Holocénico consiste de
aluviões recentes e de areias de dunas interiores e exteriores. As formações e rochas
quaternárias estão espalhadas nos vales dos rios maiores e nas depressões estruturais
causadas por falhamentos fanerozóicos.

Os maiores afloramentos de rochas quaternárias ocorrem no rifte do Zambeze, onde


cobrem rochas pertencentes ao Supergrupo do Karoo e à Formação do Mágoè do
Cretácico, principalmente a norte da vila do Zumbo, a sul da Albufeira de Cahora Bassa
e na extensão oriental do vale do Zambeze em direcção ao Malawi. Também ocorrem
sedimentos quaternários nas estruturas de rifte isoladas de Mucangádzi e Candere, do
Graben de Metendeze-Lumázi e do rifte de N´Condédzi-Messambedeze (GTK
Consortium, 2006a). Estas sequências deposicionais são separadas umas das outras por
descontinuidades angulares e períodos de não deposição ou erosão devido a ciclos de
transgressão-regressão, resultantes da interacção entre episódicas flutuações eustáticas
do nível do mar, subsidência da bacia e soerguimento continental (GTK Consortium,
2006c).

Evolução geodinâmica

Na zona noroeste de Moçambique, concretamente na província de Tete, a fronteira entre


os terrenos do Gondwana Este e Oeste é formada pela frente de carreamento da
Angónia, a qual possui vergência para oeste e ligeira inclinação para leste (GTK
Consortium, 2006a). No norte de Moçambique, o limite entre o Complexo
paleoproterozóico da Ponta Messuli (1954 ± 15 Ma) e o resto do soco cristalino
mesoproterozóico pode ser visto como sendo o limite entre o Gondwana Oeste e o
Gondwana Leste. O soco cristalino mesoproterozóico do norte de Moçambique continua
ao norte até aos “Granulitos Orientais” da Tanzânia (GTK Consortium, 2006d). A Zona
de Cisalhamento de Sanângoè constitui a fronteira entre os terrenos do Gondwana Oeste
e Sul . A sutura real encontra-se oculta algures sobre as rochas de cobertura
pertencentes ao rifte do Médio Zambeze. No período paleoproterozóico, ocorreu uma
extensão ao longo da margem leste do Cratão do Zimbabwe, responsável pela deposição
das sucessões dos Grupos de Gairezi e Rushinga, datadas de 2.04 Ga (GTK Consortium,
2006c). Com o fim do Ciclo Orogénico Eburniano (Ubendiano/Usagariano) no período
compreendido entre ~ 2.0 – 1.8 Ga, ocorreu a cratonização da margem meridional do
Cratão da África Central.

No período pós-Eburniano/pré-Grenvilliano verificou-se o rifting/deriva/ dispersão com


uma deposição na garganta irumide inicial (~ 1880 Ma) e na garganta kibariana entre
1.35 e 1.25 Ga. Idades semelhantes são conhecidas para o Bloco de Tete-Chipata, o
Ofiolito de Chewore (1393 ± 22 Ma) e alguns ortognaisses no segmento do Zambeze do
Cinturão Damariano-Lufiliano-Zambeze apresentando idades comparáveis (1352 ± 14
Ma). Em Moçambique, as rochas contemporâneas ao evento acima referido ocorrem no
soco cristalino da província de Tete e incluem as rochas supracrustais de Zâmbuè (1.3 –
1.2 Ga) e as rochas meta-vulcânicas do Supergrupo do Fíngoè (1327 ± 16 Ma).

O período Proterozóico-Ordovícico foi caracterizado por uma sucessão de eventos


compressivos e distensivos, que afectaram as placas litosféricas e resultaram na
formação de supercontinentes, seguida pela sua separação, migração e dispersão (GTK
Consortium, 2006c). Durante o Ciclo Orogénico Grenvilliano (~ 1.1 a 1.0 Ga) ocorreu
a colisão e encosto da margem continental meridional do Cratão da África Central ao
Bloco de Tete-Chipata aos 1046 ± 3 Ma, dando origem ao Supercontinente Rodinia. No
norte de Moçambique, ocorreu um evento dinamo-termal entre 1117 – 1095 Ma na sub-
Província de Nampula, manifestado pela deformação S1 na Suite de Mocuba (GTK
Consortium, 2006d).
Após a união do arco-de-ilha e da margem continental, o adelgaçamento crustal ou
colapso orogénico deu origem a uma fase de magmatismo bimodal maciço, manifestado
pela instalação aos 1050 – 1040 Ma de granitóides relacionados com a extensão, assim
como de charnoquitos e corpos bandados de anortositos máficos e ultramáficos,
incluindo a Suite de AMCG (Anortosito-Mangerito-Charnoquito-Granito) da província
de Tete, restrito ao Terreno granulítico do Luia. No período pós-Grenvilliano ocorreu o
rifting/deriva/dispersão com a instalação de rochas ígneas bimodais, incluindo o maciço
(ultra)básico bandado do Atchiza (864 ± 30 Ma), a Suite de Guro (~ 867 e 852 Ma) e a
Suite de Matunda (784 ± 36 Ma). No mesmo período, entre 800-730 Ma o Complexo
de Unango foi caracterizado por rifting e magmatismo alcalino e félsico de carácter
anorogénico ou intraplaca, representado pelos sienitos dos Montes Chissindo e
Naumale. No norte de Moçambique a crusta mesoproterozóica (Complexos de
Nampula, Unango, Marrupa, Nairoto e Meluco) é coberta por um conjunto de nappes
pan-africanos compostas predominantemente por litologias neoproterozóicas
pertencentes aos Complexos de Xixano, Lalamo, M´Sawize e Muaquia a norte do
Cinturão do Lúrio e aos Complexos de Mugeba e Monapo a sul do mesmo cinturão. No
Complexo de Xixano a 735 ± 4 Ma é registado um evento de fácies granulítica de alta
pressão, coevo com a intrusão de rochas plutónicas enderbíticas (742 ± 16) e granitos
com teor elevado de potássio (Bingen et al., 2007).

Rochas metamórficas de fácies granulítica de diversas composições, incluindo as


supracrustais consideravelmente mais jovens do Grupo do Alto Benfica (< 610 Ma),
ocorrem como vários Klippen com idades de 735 – 550 Ma (picos entre 640 e 590 Ma),
cobrindo rochas mesoproterozóicas de fácies de anfibolito no norte de Moçambique.

Durante o Ciclo Orogénico Pan-Africano (750 a ~ 550 Ma), ocorreu a colisão e união
do Gondwana Este e Oeste, que resultou na formação do Gondwana Norte e na
formação do Orógeno da África Oriental entre 690-580 Ma, seguido de colisão e
amalgamação do Gondwana Norte (= Gondwana Este + Oeste) com o Gondwana Sul
(Cinturão Damariano-Lufiliano-Zambeze) (GTK Consortium, 2006c e 2006a).

Durante o Pan-Africano há 580 Ma, ocorreu a translação de nappes sobre os Grupos de


Marrupa e de Nampula, e metamorfismo progrado nos Complexos de Ocua, Marrupa e
Unango (Bingen et al., 2007). A junção final do Gondwana Norte e Sul resultou no
desenvolvimento de zonas de cisalhamento sinistrógiras, como as faixas de Namama, de
direcção NNE e a do “Zimbabwe Oriental”, de direcção N-S e o rejuvenescimento de
antigas zonas de fraqueza, como o Deslocamento de Mbembeshi. A faixa de
cisalhamento pan-africana com direcção N-S, que ocorre ao longo da borda oriental das
rochas arcaicas do Cratão do Zimbabwe, manifesta a reactivação termal seguida de
arrefecimento por volta de 553 Ma (oeste) e 468 Ma (leste). O Deslocamento de
Mbembeshi foi activado entre os 566 e 538 Ma (GTK Consortium, 2006d).

O colapso tardi- a pós-pan-africano é reflectido por granitos datados de 492 ± 2 Ma e


pegmatitos (430 – 480 Ma), indicando que o episódio termal Pan-Africano continuou
pelo Fanerozóico (GTK Consortium, 2006d). As últimas idades são semelhantes às
idades 0.47 – 0.50 Ma dos granitos de Macanga e Sinda, na província de Tete.

Processos e fenómenos naturais actuais

Em seguida, são referidos alguns processos e fenómenos naturais actuais, geológicos ou


meteorológicos, com eventual impacte na vulnerabilidade dos geossítios.

Erosão

Em Moçambique a erosão ocorre por todo o país e deve-se a causas naturais e à acção
do Homem. A figura 3.15 ilustra as áreas do país susceptíveis à ocorrência de erosão.
Fora das grandes cidades, a erosão é incentivada por práticas agrícolas inadequadas que
incluem a desflorestação, geralmente com recurso às queimadas para a abertura de
campos de cultivo e ao corte de árvores para o fabrico de carvão vegetal usado como
fonte de energia por populações carenciadas. Nas cidades, a erosão é bastante induzida
pela actividade humana.

Cheias

A maior parte dos principais rios que correm em território nacional têm a nascente em
países vizinhos. Por isso, quando se verificam fortes chuvas no interior do continente,
Moçambique recebe grande parte da água, que por vezes causa inundações.

A localização de Moçambique a jusante, as características geomorfológicas do território


e a ineficácia dos sistemas de gestão hidrológica existentes fazem com que o país seja
periodicamente afectado por inundações catastróficas. Estas inundações têm afectado
principalmente as regiões ao longo das bacias hidrográficas dos rios, as zonas baixas e
locais ou zonas com sistema de drenagem inadequados. A figura 3.18 mostra as áreas do
país que são vulneráveis à ocorrência de cheias.

Ciclones

Em Moçambique, as principais zonas de incidência dos ciclones situam-se na costa,


apesar de alguns ciclones atingirem zonas do interior. O período chuvoso no país
decorre em geral de Outubro a Março, portanto, período de maior risco de ocorrência de
ciclones, embora estes também possam ocorrer fora desta época. Desde 1946, mais de
32 ocorrências de depressões tropicais e ciclones ocorreram até ao momento (INGC,
2003).

Estiagem
Existem várias definições de estiagem de acordo com o sector de actividade em causa.
Em termos agrícolas, considera-se período de estiagem quando a precipitação observada
não cobre as necessidades mínimas para garantir o crescimento vegetal normal das
plantas e não permite que as barragens tenham o encaixe anual necessário para garantir
o abastecimento normal à população, indústria e agricultura (INGC, 2003).

Sismos

Em Moçambique, ocorrem sismos, apesar de a maioria das ocorrências ser de


magnitude pouco perceptível. Nos últimos anos, os sismos têm sido mais frequentes e
perceptíveis ao cidadão comum e poderão estar relacionados com a evolução tectónica
que se está a verificar no sistema de riftes instalados no Miocénico ao longo da África
Oriental, representado em Moçambique pelo eixo Lago Niassa-Chire-Urema-Sofala.

Minerais, rochas e fósseis

Moçambique é caracterizado pela ocorrência de uma grande variedade de minerais e


rochas de vários tipos, com idades que vão desde o Arcaico ao Recente. Algumas das
ocorrências constituem recursos geológicos com interesse económico. Os fósseis
ocorrem em geral na Bacia do Rovuma a norte de Moçambique e, a sul, na Bacia de
Moçambique, em rochas sedimentares depositadas durante o desenvolvimento do
Sistema do Rifte da África Oriental. Dado o elevado número de recursos naturais que
Moçambique possui, no âmbito do presente trabalho apenas serão referidos alguns
exemplos com maior relevância geológica.

Minerais

Em Moçambique, ocorrem os seguintes tipos de mineralizações de ferro e manganês :


Fe-quartzito, Formações de Ferro Bandeadas (Banded Iron Formation – BIF);
metassedimentos com ferro e cobre e Fe-skarn; skarn com ferro e apatite; depósitos de
ferro e titânio de génese magmática; laterites com jazigos de ferro; jazigos de manganês
metassedimentar.

Jazigos de manganês ocorrem no Grupo de Rushinga, a sudoeste da província de Tete,


na fronteira com o Zimbabwe. Depósitos do tipo placers contendo ilmenite-rútilo e
zircão ocorrem em vários locais ao longo da costa moçambicana, principalmente nas
províncias da Zambézia e Nampula. As principais áreas onde ocorrem depósitos de
areias contendo minerais pesados (areias pesadas) são (Cílek, 1989): estuário de
Maputo; zona leste do Delta do Zambeze; norte de Pebane; zona próxima de Angoche.
Outras áreas de grande importância são a região norte-noroeste de Xai-Xai, ao longo do
vale do Limpopo, e depósitos do Pleistocénico de um provável paleodelta na parte sul
de Moçambique (Lächelt, 2004). Placers com baixo teor de Cr2O3 ocorrem em Pebane
e Angoche. Ocorrências de rútilo têm sido exploradas na zona norte de Pemba.
Depósitos de ilmenite e rútilo também ocorrem na zona sul de Moçambique, próximo de
Xai-Xai e Chongoene. O maior depósito de dióxido de titânio do mundo ocorre em
Chibuto, na província de Gaza, sul de Moçambique. Em geral, pode concluir-se que
concentrações de areias pesadas ocorrem ao longo de toda a costa moçambicana.

Os depósitos de areias pesadas mais importantes da zona costeira de Moçambique são


os de Moebase/Mecalonga/Tigen, na província da Zambézia, e de
Congolone/Quinga/Moma, na província de Nampula.

Ouro e prata

A prata ocorre parcialmente em associação com o ouro nas províncias de Tete e Manica.
Depósitos de ouro também ocorrem nas Províncias de Niassa, Cabo Delgado, Nampula,
Zambézia e Sofala (Lächelt, 2004). Existem diversas zonas auríferas em território
moçambicano, nomeadamente a região fronteiriça drenada pelo rio Luenha, a região do
Alto Ligonha-Nampula, a área marginal a norte da Suite de Tete, a área da faixa que
engloba as rochas do Supergrupo de Fíngoè, na região de Fíngoè, a região da Angónia e
a região de Manica. Estas três últimas ocorrências albergam promissoras jazidas de ouro
(Afonso & Marques, 1998). Em geral, em Moçambique, a exploração do ouro é feita
por garimpeiros usando métodos artesanais, os quais estão a destruir a paisagem e a
criar graves problemas de poluição de solos e rios, devido ao uso inadequado de
mercúrio para a concentração do ouro.

Andaluzite, cianite e silimanite

Andaluzite e silimanite desenvolvem-se em zonas de metamorfismo de contacto e


cianite em áreas submetidas a metamorfismo de alto grau, pelo que podem ocorrer em
vários locais ao longo do Cinturão de Moçambiqu. Estes minerais ocorrem em rochas
do Neoproterozóico do Complexo de Báruè e do Grupo de Gairézi. As mineralizações
ocorrem entre o contacto de xistos, quartzitos e calcários cristalinos. Outras ocorrências
situam-se no klippen de Monapo, próximo de Netia.

Rochas

Bauxite e sienito nefelínico

Em Moçambique ocorrem várias matérias-primas contendo alumínio (laterites, bauxite e


sienito nefelínico). A bauxite ocorre no monte Snuta na Serra de Moriangane, Serra
Vumba, na área de Chimanimani-Rotanda, Serra Suira (Zuira) e próximo de Catandica
na Província de Manica. Na província da Zambézia ocorrem várias intrusões de sienito
nefelínico, tais como por exemplo o monte Maúzo, Cargo, Serra Tundo, monte Derre,
etc. A mais importante e mais conhecida ocorrência de bauxite localiza-se no monte
Maúzo, a cerca de 46 km de Milange. O depósito do monte Maúzo é constituído por
sienito nefelínico com aegirina-augite, e é intersectado por diques fonolíticos
porfiríticos (Lächelt, 2004).

Pegmatitos
Minerais de metais raros, tais como tântalo e nióbio, assim como minerais de terras
raras ocorrem frequentemente associados a pegmatitos, e em menor grau a intrusões
alcalinas e carbonatitos. Os pegmatitos são comuns em todo o Proterozóico em
Moçambique e ocorrem, nomeadamente, nas seguintes áreas (Lächelt, 2004):

 Alto Ligonha (Província da Zambézia) e zona leste de Nampula;


 Inchope-Doerói (Províncias de Manica e Sofala);
 Monapo-Nacala (Província de Nampula);
 Norte de Ribáuè-Malema, sul de Nipepe (Províncias de Nampula, Zambézia e
Niassa);
 Área de Changara, Província de Tete.

Bentonite

A bentonite ocorre em Moçambique como produto de meteorização de riolitos e tufos


riolíticos. Os depósitos e ocorrências mais conhecidas e investigadas ocorrem nos
Pequenos Libombos, especialmente em Boane, a cerca de 35 km a sudoeste de Maputo
(Afonso & Marques, 1998; Lächelt, 2004).

Mármore

O mármore ocorre em todas as unidades do Proterozóico de Moçambique. Os depósitos


de mármore mais estudados são os de Montepuez e Netia. Outras ocorrências de
mármore existem em Metolola próximo de Morrumbala-Chire (província da Zambézia),
Matema ao longo do rio Zambeze (província de Tete) e em Malula a 50 km a norte de
Lichinga (província de Niassa). São também de assinalar as ocorrências de Mazeze,
Mesa e Negomano (província de Cabo Delgado), as de Massanga, Mungári e Madzuire
(província de Manica), e as de Chire-Morrumbala (província da Zambézia)

Granitos vermelhos e castanhos

Os granitos vermelhos são rochas granulares (granitos e sienitos) de cor vermelha ou


rósea, devido à coloração do feldspato potássico. Os granitos vermelhos ocorrem no
monte Tchonde (próximo de Meponda, na província de Niassa) (Fig. 3.31). No monte
Morrumbala, a oeste da província da Zambézia, ocorrem granitos vermelhos de grão
médio, sienitos alcalinos e sienitos alcalinos vermelhos.

Granitos negros

São dioritos e gabros de grão fino a médio, de cor cinzenta, cinzenta-escura a verde
conhecidos em Moçambique por “granitos negros”. Ocorrem frequentemente no soco
Proterozóico em Gôndola (província de Manica), em Memba próximo de Nacala
(província de Nampula) e em Buzimuana, a 60 km a leste de Tete.
Anortosito

Estas rochas ocorrem na província de Tete ao longo da linha-férrea que liga Necungas à
Beira (no distrito de Moatize), em Sicarabo e Chipera.

Labradorito

O labradorito pode ser encontrado em vários locais dentro da Suite de Tete (antigo
Complexo Gabro-Anortosítico de Tete). Grandes cristais de labradorite ocorrem a cerca
de 20 km a leste de Moatize.

Calcário

Em Moçambique, o calcário tem sido explorado como matéria-prima para a indústria de


construção (p.ex. na produção de cimentos). Cerca de metade dos calcários e calcários
dolomíticos são do Cretácico e Quaternário. Segundo Cílek (1989), nas Formações de
Cheringoma (Eocénico) e de Jofane (Miocénico), a sul de Moçambique, ocorrem
calcários puros. Os depósitos da área de Chire e de Canxixe-Maringué são reconhecidos
como contendo calcários puros de qualidade elevada (Lächelt, 2004).

Fósseis

No que diz respeito a fósseis, em Moçambique ocorrem bivalves (Astarté krenkeli,


Trigonia smeii, Megatrigonia conocardiformis) datados do Kimeridgiano Superior a
Portlandiano, que foram depositados juntamente com sedimentos de fácies marinho
pouco profundo (calcário arenítico com leitos micáceos no topo) na sequência do
desmembramento do continente Gondwana no Jurássico Superior, cuja flexura do bloco
da África Oriental possibilitou a ocorrência da transgressão marinha que atingiu o norte
de Moçambique. Estas rochas sedimentares e fósseis fazem parte da Formação de
Pemba (antiga Formação de Cucuni) na zona entre Nacala e Mossuril, na Bacia do
Rovuma.

O Cretácico foi caracterizado por dois ciclos transgressivos: o primeiro do Eocretácico,


que vai do Neocomiano ao Apciano, e o segundo do Mesocretácico- Neocretácico, que
vai do Turoniano ao Maestrichtiano (Afonso et al., 1998). A Bacia do Rovuma é
caracterizada pela ocorrência de bivalves (Megatrigonia schwarzi), gastrópodes e
equinodermes datados do Neocomiano, relacionados com a ocorrência de um ciclo
transgressivo de fácies nerítico, infralitoral no período Neocomiano-Albiano. Fauna de
amonites de idade apciana ocorre mais para leste da Bacia, juntamente com grés,
margas, calcários siltosos e argilas, característicos de um ambiente marinho de mar
aberto. Este conjunto faunístico e litológico faz parte da Formação de Pemba (Flores,
1961; Afonso et al., 1998; Bingen et al., 2007). A Formação marinha de Pemba passa
lateralmente para oeste para a Formação de Macomia (antiga Formação de Macondes)
de fácies flúvio-deltáico, onde ocorrem restos de vegetais e troncos silicificados em
rochas pelíticas, de idade apciana.
No Sul, na Bacia de Moçambique, ocorrem sedimentos finos com fauna abundante de
globigerinídeos e outros foraminíferos pelágicos e amonites (Mortoniceras,
Deiradoceras) datados de Barremiano-Albiano-Apciano, que assentam sobre grés
margo-argilosos e glauconíticos. Este pacote sedimentar é conhecido por Formação de
Maputo (Afonso et al., 1998; GTK Consortium, 2006b). No Neocretácico, na Bacia de
Moçambique, iniciou-se um novo ciclo transgressivo, no qual o mar avançou para oeste
cobrindo os terrenos da Formação de Sena. Sobre esta formação encontra-se a
Formação de Grudja, depositada numa Bacia orientada na direcção N-S, desde o rio
Save ao rio Zambeze. Os sedimentos da Formação de Grudja foram gerados num
ambiente litoral, evidenciado pela ocorrência de fósseis de ostras do tipo Alectronya
(lopha) ungulata, Hexogyres, Ostrea sp., Cardium sp., Cardita sp. e fragmentos de
Inoceramus sp., que se encontram na base da sequência, e parálico, sugerido pela
microfauna de foraminíferos (Cibicides sp., Nodosaria sp., Marginulita sp. e Robulus)
no topo (Afonso et al., 1998; GTK Consortium, 2006b).

No Terciário, na sequência da abertura do Oceano Índico, as flexuras produzidas na


margem oriental do bloco africano possibilitaram a instalação de dois tipos de bacias:
marinhas, que albergaram depósitos do Paleogeno, associados à transgressão eocénica, e
híbridas com a dualidade de depósitos marinhos a leste e depósitos continentais a oeste,
do Neogénico (Afonso et al., 1998).

Numulites, gastrópodes, equinodermes e restos de corais ocorrem na Bacia de


Moçambique, em calcários brancos pertencentes à Formação de Cheringoma,
juntamente com calcários oolíticos e calcários glauconíticos que são depósitos
transgressivos marinhos de mar aberto infralitoral, com águas claras e quentes,
pertencentes ao Eoceno (Flores, 1966; Afonso et al., 1998; GTK Consortium, 2006b).
Fig.1 Zonas de ocorrência do Fanerozóico em Moçambique

PALEOZÓICO EM MOÇAMBIQUE

O Paleozoico corresponde a metade do Fanerozóico (300 milhões de anos). Durante esta


era havia seis massas continentais principais. Reconstituição da posição das massas
continentais do paleozóico.

Cerca de três terços de Moçambique está coberto de rochas ígneas e metamórficas de


idade Arcáica a Neoproterózoico, localizando se no oeste, norte e este do país, enquanto
a zona sul do Zambeze e ao longo da costa ocorrem rochas fanerozóico. As formações
do fanerozóico estão por cerca de 237. 000 Km2 (~1/3 do País) e Dividem-se em 3
grandes grupos:

A: Supergrupo do Karoo;

B: Bacias Mesozóicas e Terciárias;

C: Formações Quaternárias.

Sendo que só se ira abordar sobre o grupo A, por ele fazer parte da era Paleozóica, A:
Supergrupo do Karoo:
 Sedimentar e vulcânico;
 Pérmico a Jurássico/início do Cretácico;
 Depositado em bacias de afundimento:
 Graben do Rio Lugenda;
 Graben de Lunho/ Maniamba;
 Graben do Alto-Zambeze;
 Bacias de Moatize e de Mucanha-Vúzi;
 Basaltos de Angoche;
 Rochas extrusivas das Cadeias dos Libombos e do Búzi-Save.
O Supergrupo do Karoo

Primeiros terrenos sedimentares datados paleontologicamente em Moçambique.


Formações inteiramente de origem continental. Assentam em discordância sobre as
formações precâmbricas. Sedimentos depositados após a fusão do gelo da calote glaciar
que cobria o Hemisfério Sul durante o Carbonífero Superior.

Geograficamente, as formações do Karoo podem dividir-se em 6 sectores:

1. Bacia de Namianba;
2. Graben de Lugenda;
3. Bacia do alto e baixo Zambeze;
4. Vale de Búzi;
5. Cadeia de Limbombos;
6. Basaltos de Angoche.
Fig.2 e 3: Graben de Namiamba e o Graben de Lugenda

Supergrupo do Karoo Inferior

A história deposicional dos sedimentos do Karoo Inferior começa com o período de


glaciação de idade Dwyka (Carbonífero mais tardio), representado pela Formação do
Vúzi. A Formação de Moatize economicamente muito importante foi depositada
durante o pérmico Inferior com espessas camadas de carvão locais. O Karoo Inferior
termina durante o pérmico Médio a Superior. A Formação de Cádzi abrange o limite
entre os Grupos do Karoo Inferior e Superior. Fazendo limite entre o paleozóico e o
mesozoico.

Litologia do Supergrupo de Karoo Inferior

Grupo Dwyca

Formação do Vúzi (CbV)

Flúvio-glaciar, do Carbonífero Superior, ocorre nas depressões mais baixas na paisagem


pré-Karoo e, consequentemente, só aparece exposta em alguns locais ao longo do limite
Fanerozóico-Proterozóico na margem norte da Albufeira de Cahora Bassa. A localidade
tipo localiza-se ao longo do Rio Vúzi, a sudeste do monte Cone Negose, onde a
formação contém uma sequência de rochas sedimentares de origem flúvio-glaciar e
fluvial, como conglomerados, grés feldspáticos, argilitos carbonosos, siltitos e camadas
carbonosas. No Rio Mucangádzi, ~19 km a oeste – também ocorre camada fina de
conglomerados assentando sobre rochas metavulcânicas do Supergrupo do Fingoé.

Grupo Ecca

Formação de Moatize (PeM)


Aflora entre a Suite de Tete e a fronteira com o Malawi. Faz contacto com o muro da
formação do Vúzi, formado por grés arcósicos brancos a acinzentados, com seixos
ocasionais, grés de grão fino, argilosos ou micáceos, com flora fóssil e argilitos negros
subordinados com camadas de carvão. Ao longo da margem norte do Rio Zambeze e do
lago de Cahora Bassa desenvolveram-se três grandes bacias carboníferas.

Formação de Matinde (PeT)


Compreende uma sucessão espessa de grés muito fino a grosseiros, saibrosos a seixosos,
com camadas intercaladas conglomeráticas de 2 – 5 m de espessura. Com litologia
principal na antiga vila de Carinde, e nas margens do Rio Sanângoè a leste da vila de
estima, afloram argilitos com finas camadas de carvão. Ao longo dos rios Mucangádzi e
Vúzi e a sul do Lago de Cahora Bassa ocorrem grés fossilífero, o grés de cor cinzenta
são de grão fino a grosseiro, e de composição arcósica a micácea.

Grupo Beaufolt
Formação de Cádzi (PeC)

Compreende grés arcósicos com estratificação entrecruzada, com horizontes


conglomeráticos e, em alguns lugares, calcários e grés carbonatados. Aflora
principalmente ao longo da margem sul do Lago de Cahora Bassa, formando cristas
longos, de inclinação suave para sul, no topo da Formação de Matinde. A crista mais
proeminente, a norte da aldeia de Magoé, contém grés amarelos claros a castanhos
avermelhados, de grão grosseiro, com camadas intercaladas de conglomerados de seixos
ou seixos de quartzo. Na margem norte do lago, afloram grés seixosos com camadas
finas intercaladas de conglomerados.

Suíte Murrupula Pan-Africana

As rochas são classificadas como granitos, álcali-granitos e monzogranitos e se


localizam no limite entre os granitos do tipo A e tipo S/I no diagrama FeOtotal/ MgO
vs. SiO2 (Eby 1990) e ao longo do limite entre VAG e Granito Sin-Colisional (Syn-
COLG) e na junção tripla entre VAG, Syn-COLG e WPG no diagrama de
discriminação geodinâmica de Pierce et al. (1984).

A idade Pan-Africana mais antiga é derivada do quartzo-monzonito Mopui, fracamente


deformado, fornecendo a idade de cristalização precisa de U-Pb Concórdia de 532±5
Ma (Macey & Armstrong, 2005). Seis plútons de granito indeformado e equigranular
fornecem idades de cristalização variando de 514 a 504 Ma (U-Pb SHRIMP), todas
idades concórdia (Macey & Armstrong, 2005, Roberts et al. dados inéditos). Estas
idades correspondem ao sobre-crescimento do zircão nas rochas Grenville/ Kibara
Mesoproterozóicos (538±8 Ma, 525±20, 505±10, 514±37, 555±12 e 502±80 Ma).

Suite de Niassa

A suite intrusiva de Niassa tem várias intrusões pan-africanas sienitícas a graníticas que
formam montanhas proeminentes a nordeste, e continua ao longo da fronteira com
Malawi, a sul da aldeia de Mandimba.

Duas determinações de idade confiáveis foram realizadas e deram as intrusões idades de


507±4 Ma e 514±35 Ma que correspondem a era Paleozóica (Norconsult, 2006).
Existem quatro grandes círculos complexos em áreas patrimoniais, nomeadamente:
monte Mentonia, monte Livigire, monte Nicucute e monte Tchonde. Excepto para
monte Tchonde, todos eles são de composição sienitíca. O monte Tchonde consiste em
sienítos alcalinos em torno de um núcleo de granitos alcalinos. Vários corpos de
granitos gnaissícos ligeiramente deformados são encontrados nesta suite.

Mapa de localização e distribuição da Suite de Niassa

A suite de Niassa é dominada pelas seguintes litologias:

MESOZOICO EM MOÇAMBIQUE

Karoo

O Karoo distribui-se geograficamente pelas províncias de Niassa, Cabo-Delgado , Tete,


Manica e Sofala. Os sedimentos de Karoo são caracterizados pela sua origem
Continental e depositaram-se em bacias controladas por falhas e maior bacia encontra-
se situada na bordadura do Cratão Rodesiano com a forma de arco com concavidades
virada para SW que representa por manchas de Karoo na província de Tete e pelas de
Manica, e esta última representada pela mancha de Espungabera.
A designação do Karoo, provêm da área do mesmo nome na Africa do Sul, onde aquele
sistema esta bem representado formando enormes bacias com a sequência geológica
bem caracterizada por fósseis. O que permitiu dividir o Karoo em andares a destacar:

-Dwyka,

-Ecca;

-Baufort

-Stormberg

Infelismente, em Moçambique a diferênciacao em vários andares torna-se difícil em


vertude das bacias serem irregulars, e a sequência geológica nao ser representada por
fósseis e litologias caracteristica. Sendo esta a razão em diferênciar o Karoo de
Moçambique em três divisões a destacar;

-Indiferenciado;

-Inferior;

-Superior

Karoo Indiferenciado

A designação do Karoo indiferenciado foi devido a posição estratigrafica de algumas


manchas e está distribuido em:

 Mancha de lago;
 Mancha de Lugenda;
 Mancha de Batonga;
 Mancha de Espungabera

 Mancha de Lago; estende-se na direcção NE-SW, entre Metangula e Mazoco e


delimitada em grande parte pelos rios Lunho e Jugo e caracterizam-se pela
seguinte sequência geológica segundo THOPSON (1881) e FREITAS (1953):

11-Grés argiloso

10- Xisto argiloso, cinzentos e avermelhados

9-Grés fino e conglomeraticos com troncos silicificados;

8-Xistos argilosos

7- Grés finisimo, argilo-ferruginosos, amarelo-arroxeados e micáceos;

6-Xistos argilosos, cinzentos azulados com intercalações lenticulares;


5-Xistos argilosos, vermelhos com dois leitos de grés ferruginosos;

4-Argilas vermelhas ou amarelas com duas camadas de grés argiloso.

3-Grés mais ou menos grosseiro;

2-Xistos carbonosos e carvão de Luchal;

1-Grés grosseiro e conglumerado de Luftiche;

 Mancha de Lugenda; estão situados ao longo do vale de Lugenda,


nomeadamente dos rios Luchimua, Mangira e Jutia, junto a confluência do rio
Lugenda com o seu afluênte Miruro. Segundo FIGUEREDO NUNES (1948), o
Karoo no vale de Lugenda é essencialmente formado por xistos com
intercalações de carvão e grés.
 Mancha de Batonga; situa-se a Noroeste de Maringué e desenvolve-se segundo
a orientação N-S, com uma largura aproximada de 20 km e comprimento de
cerca de 30 km. Segundo (BORGUES 1952, e FERRO e AFONSO 1963), a
litologia da mancha consta o seguinte:
 As camadas superiores são formadas por grés fino, feldspatico e argiloso, muito
compactos, esbranquisados, amarelados ou roseos.
 As camadas inferiores são constituidas por grés grosseiro, feldspaticos, friaveis,
avermelhados ou apresentando alternância de leitos avermelhados e cinzentos-
claros e por arcóssicos, grosseiro e vermelhados, microclinicos em que o
feldspato apresenta não muito rijo e compactos.

 Mancha de Espungabera; situa-se na região do mesmo nome ao longo do rio


Mepotepote. Segundo ANDRADE (1929) e FERREIRA DA SILVA (1954) e
AFONSO et al, concluiram que a sequência litológica é a que se segue:
 Grés de grão fino predominanteminente esbranquiçado e creme;
 Conglomerado ligado por um cimento clorítico-ferruginoso ou calcítica;
 Xistos cinzentos, pretos e avermelhados, intercalados com camadas de carvão.

 Série Produtiva; reveste-se de grande importância no aspecto económico,


porque engloba camadas de carvão e tem a representação extensa na bacia de
zambeze. Está melhor representada na bacia de Moatize e na região de Mecuco-
Chicoa, e é caracterizado fundamentalmente pela presença de xistos, grés
carbonoso, grés feldspatico, argilitos negros e xistos carbonosos, nos quais se
individualizam camadas de carvão por vezes de espessura apreciável. A idade da
série reprodutiva pode ser determinada devido a presença de numerosos fósseis
vegetais a saber:
 Glossopteris indica Schimper;
 Glossopteris browniano brongr;
 Glossopteris brancai Gothan, etc.
Esta flora permite-nos fazer a equivalência na Série Produtiva ao andar de Ecca médio a
Superior (pérmico inferior).

Tilitos é constituida fundamentalmente por conglomerado de origem glacial que se


associa a depositos fluvio-glacial.

Karoo Superior

Está representado pelo andar Stomberg costituido pelas seguintes unidades:

3-Riolitos e ignimbritos;

2-Basaltos;

1-Grés, conglomerados e margas.

Formações Vulcânicas do Karro Superior

As formações vulcânicas do Karoo superior, sendo estas que limitam o Paleozoico


Superior (Devônico, Carbonífero e Permico ) à Mesozoico, e tem larga representação
formando as seguintes manchas:

 Manchas do Rio Luia;


 Mancha da margem direito do Rio Zambeze;
 Mancha da margem direita do Rio Zambeze
 Mancha da região de Lupata-Doa – Canxixe
 Mancha da região do Búzi – Libombos.
Geologia Economica do Karoo

Economicamente Karoo encomtramos Germânio que é ligado aos carvoes, com uma
percentagem média de 100ppm; Ágatas, perlites bentonites.

Jurássico

Na carta geológica dividiu-se o jurássico sedimentar em três unidades a saber:

- Formação greso-conglomeratico de Tete

- Calcários de Moçambique e de Cabo Delgado;

- Grés inferior de Lupata.


Cretácico

O cretácico está representado em Moçambique pelas seguintes unidades:

- Formação de Grudja (calcarinito);

- Formação de Sena (Grés e conglomerados);

- Grés calcário e conglomerados;

- Grés, margas, calcários e xistos argilosos (Camada Megatrigónia Schwarzi);

- Camadas dos Macondes;

- Grés Superior de Lupata;

- Indiferenciado.

Rocha eruptivas Jurássicas-Cretácicas

As rochas eruptivas Jurássicas e Cretácicas localizam-se nos flancos de depressão do


Rifte e a sequência eruptiva processa-se do seguinte modo:

-Filões de quartzo e os de quartzo-brechoides;

-Carbonatitos e chaminês aglomeratico;

-Lavas alcalinas e rochas afins;

-Sienitos e granitos;

-Gabros.

CENOZOICO EM MOÇAMBIQUE

Os sedimentos do Cenozóico exibem características da margem continental passiva com


uma progradação em direcção ao limite da plataforma continental e talude continental.
Dois Ciclos sedimentares podem ser identificados na secção:

 Paleoceno – Eoceno
 Oligoceno – Neogeno
Os dois ciclos sedimentares são separados por uma descontinuidade.

Os sedimentos do Paleocénico – Eocénico são separados da rocha subjacente por


descontinuidade erosional. Eles são basicamente depósitos de plataforma continental
que se tornam de mar profundo em direcção a Leste. As formações identificadas como
sendo de fácies marinha pouco profunda são:

- arenito glauconítico

- Formação de Grudja Superior - argila


(Paleoceno – Eoceno) -margas com intercalações calcárias

(espessura de 300 – 400m)

- Formação de Cheringoma - Calcário numulítico com bandas


argilosas e arenito calcário
(Eoceno Médio – Eoceno Superior)
(espessura 250 m)

Em direcção a Este, as formações de mar pouco profundo são substituídas pelas


formações de mar profundo (basicamente calcarenitos).

Na parte central da Bacia de Moçambique em direcção ao Leste, verifica-se uma


mudança de fácies. Faixas de recifes formam barreiras entre as fácies calcárias e
argilosas. Como resultado de correlações detalhadas e interpretações sísmicas, foram
estabelecidos 3 níveis de depressões do Zambezi, nomeadamente do Paleoceno, Eoceno
Inferior e Eoceno Superior.

O limite da plataforma desloca-se gradualmente em direcção a Oeste, acompanhando a


transgressão do Paleoceno. O limite da plataforma é definido por depósitos calcários
com espessura de 100 – 150 m. A continuidade dos recifes de barreira é interrompida
por diversos canhões submarinos que cortam o limite da plataforma e são a fonte
principal do material clástico para os canhões submarinos

Em direcção ao Leste a zona do recife é limitada por um talude onde a sequência


compreende camadas finas de depósitos argilo-margosas.

Os depósitos Oligoceno – Neogene ocorrem como sedimentos dos paleo-deltas do


Limpopo e Zambezi.

O Complexo Deltaico do Zambezi é o maior complexo deltaico Cenozóico do Leste de


África. Atinge uma espessura de 400 m. Os fans deltaicos incorporam também
depósitos dos paleodeltas dos Rios Púngue e Buzi.

A secção é formada por areias, argilas e conglomerados com características de


empacotamento deltáico das camadas com numerosas descontinuidades e inlets
erosionais.
linha da costa Eoceno
linha da costa Eoceno
médio-tardio recente

Formação de Mapai
Linha da costa de paleoceno
A formação de Mapai é exposta principalmente na parte sul ocidental de Moçambique,
ao longo do Limpopo,

Vales do rio de Uanétzi e de Singuédzi, represa do Rio Massingir e dos Elefantes (rio
de Elefantes). No oeste ele unconformably onlaps o Lebombo do volcanics a unidade
do _ e localmente é coberta por Mazamba sandstones do roxo da formação de
Inhaminga. Total, a formação de Mapai underlies um _ em featureless paisagem
caracterizada por uma tampa fina de eolian Perto da represa de Massingir nas áreas
2331/2332 da folha, a natureza da unidade a mais lowermost de Mapai de encontro ao
as rochas sedimentary fossil-ricas subjacentes são unclear. as rochas fossiliferous
subjacentes podem ser correlacionadas com a formação cretaceous de Grujda unidades
mapeáveis. GTK (200ã) na formação de Mapai que contem sandstones e rochas
calcárias, que foram subdivididas mais na rocha calcária ou variedades do sandstone-
rolamento t das unidades era possível porque Os rios de Limpopo.
Formação De Mangulane (TeMG)

A formação do Mangulane compreende dois membros; isto é, o membro de Magude de


que é composto sandstones ferruginous, e o membro arenoso da pedra calcária.

Membro Da Pedra calcária (TeMl)

Além da pedreira de calcária de Mangulane área, exposições de pedras calcárias


arenosas da pedra calcária O membro ocorre perto do quarry, na inclinação de um
monte no lado oriental do lago Mandjaringa (placa 76).Aqui a rocha é cinzenta e
relativamente homogênea.as pedras calcárias são cobertas por alguns medidores de
ligeiramente areia avermelhada.

Formação De Tembe (TeT)

As rochas sedimentares da formação de Tembe aparecem para ser associado pròxima


com a formação de Maputo, particularmente no sul das áreas de Boane.Oucrops do A
formação de Tembe é relativamente rara; em do sul Moçambique somente alguns meios
lugares conhecido. os melhores afloramento ocorrem nos bancos do rio de Tembe e da
área 2632. A sedimentação nas rochas podem amplamente ser divididas em duas
unidades. Primeiramente, há rochas calcárias arenosas, silte, relativamente homogêneas.
Os fósseis macroscópicos são raros. Perto da estrada principal de Boane a Bela Vista, as
rochas situadas abaixo da formação fossilífera de Maputo. Em segundo lugar,
encontramos arenitos fossilíferos cinzentos e silte.

Formação De Maputo (TeP)

A formação de Maputo compreende uma escala de litologias incluindo arenitos


conglomerados e rochas calcárias arenosas. Os fosseis são relativamente comuns nas
rochas. Os arenitos incluem mais de 15 por cento da matriz de grão, e pode ser
denominada por greywackes.

A formação de Maputo pode ser subdividido em:

Sequência de arenitos conglomerados fino-alojados, com nódulos da rocha calcária,


exposto no banco do leito do rio de Maputo, até a beira da africa do sul, n folha da área
2632. a transgressão progrediu de sul ao norte e do leste ao oeste e, consequentemente,
os arenitos glauconiosos descansam diretamente no alto do resistido Basaltos do karoo
nas exposições ocidentais. Apresentando a espessura de ~200 m perto do banco do rio
Maputo, a unidade diminui para o norte, desaparecendo dentro dos arredores de Boane.
A transgressão cretácica adiantada parou aparentemente próximo entre o rio Maputo e
Boane, o norte de Machavire, os afloramentos cretáceos adiantados são escassos, com
somente exposições pequenas nos vales do Rios de Mazeminhama, de Tembe e de
Mahube. Ao oeste de Chalala, lá ocorre também rochas calcárias e Sandy aptian
marlstones com glauconite.

Formação De Boane (TeB)

Rochas atribuídas à formação de Boane (previamente A formação de arenito de Boane)


é exposta em torno algumas pequenas áreas no sul de Boane. A formação de Boane não
foi datada. GTK (200ã) atribuir-lhe uma idade de Paleoceno, no contraste com idade
geológica do cretáceo na escala de 1:250000.

Formação de Cheringoma (TeC)

A formação de Cheringoma forma uma correia contínua ao longo do limite do nordeste


na depressão de Zânguè-Urema área 1834 da folha e em áreas largas das tampas norte
do rio de Búzi na folha da área 1934.Separado por um hiatus de Paleoceno-Eoceno de
cretáceos subjacente os depósitos, desta formação são compostos de rochas calcárias
(inferiores) e pedras calcárias dolomítica e calcarenites (alto).Os horizontes maciços da
rocha calcária ocorrem dentro lugares nesta sucessão, com uma espessura máxima de
aproximadamente 70 fácies depositadas à formação Cheringoma corresponde a um
ambiente nerítica.

Jofane Formation (TeJ)

A formação de Jofane inclui a formação Morrumbene anterior na folha 2334, e estende


sobre mais de 300 quilômetros de 2430'S paralelo até o norte da boca salvaguarda do rio
é zona vasta dos afloramentos foi reconhecido em profundidades de 5 a 15 m em muitos
poços de água sobre a região inteira. Em mapas geológicos precedentes, as rochas
calcárias de Jofane foram indicados como a colheita para fora, quando, dentro fato, são
cobertos geralmente por um folheado fino de Depósitos quaternário. A formação e
Jofane consistem no branco ao amarelo-pálido, rochas calcárias e calcarenitos marinhos
calcários.

GTK (200ã) por seu turno subdividiu a formação de Jofane nas seguintes unidades (do
fundo ao alto):

 Membro Da Pedra calcária De Urrongas (TeJu),

 Cabe Calcarenite Membro (TeJc),

 sandstone com silici (TeJs) e

 Conglomeratic sandstone/reworked sandstone (TeJco).

Quaternário
As formações e rochas quaternárias estão espalhadas nos vales dos rios maiores e nas
depressões estruturais causadas por falhamento recente. Os maiores afloramentos de
rochas quaternárias ocorrem no rifte do Zambeze, onde cobrem rochas pertencendo ao
Supergrupo do Karoo e à Formação do Mágoè do Cretácico, principalmente a norte da
vila do Zumbo, a sul da Albufeira de Cahora Bassa e na extenção oriental do vale do
Zambeze em direcção ao Malawi. Também se depositaram sedimentos quaternários nas
estruturas de rifte isoladas de Mucangádzi e Candere, do Graben de Metendeze-Lumázi
e do rifte de N’Condédzi-Messambedeze. Perto do limite leste da folha de Chíduè
ocorre uma faixa relativamente estreita de depósitos quaternários. Os depósitos
quaternários podem ser subvividos em depósitos Pleistocênicos, como Dunas Internas,
Grés Costeiros (ou a ‘Rocha Praial’), Terraços Fluviais e Calcários Lacustres e
depósitos Holocénicos, como depósitos de planície de inundação de composição
arenoargilosa ou lamosa, dunas costeiros, areias e depósitos aluviais. Processos
exogénicos, notavelmente as significativas flutuações do nível do mar devido à
alternância de episódios glaciais e interglaciais, foram os principais controladores das
suas composições.

Os depósitos Pleistocénicos incluem (1) Cascalho e areia de terraços fluviais (Qt), (2)
Lama eluvial de planície de inundação (Qpi), (3) Colúvio (Qc), (4) Sedimento de praias
soerguidas/Areias(Grés) costeiros (Qcs), (5) Depósitos de areia argilosa de planície de
inundação eluvial (Qps) e (6) Detritos com seixos (Qp). O último forma formações
extensas, que são comuns nas vizinhanças da Cidade de Pebane (SDS 1738). Elas
ocorrem ao sul de terrenos gnéissicos e formam colinas levemente elevadas, quando
comparadas com outros depósitos Quaternários nas proximidades.

Os depósitos Holocênicos incluem (7) Lama argilosa de origem fluvio-marinho (Qsf),


(8) Areia aluvial, silte e cascalho (Qa) e (9) Dunas costeiros e depósitos de areia da
praia (Qd).
Mapa de distribuição de rochas quaternárias em

Em Moçambique.

Recursos minerais e energéticos

Os minerais pesados das areias costeiras, situados na orla marítima entre Nampula,
Zambézia, Maputo e Inhambane, são também uma potência para exploração de minerais
de Titânio, Zircónio e rutilo para Maputo e Inhambane, os projectos mais avançados
localizam-se nas areias pesadas de Chibuto e de Xai-xai -Chirringoene. Ao passo que
Nampula e Zambézia suas potências encontram-se nas areias pesadas de Moma
(Topuito) e pebane respectivamente As matérias-primas indústrias representam um
outro recurso importante. Na província de Maputo inclui riólitos para a indústria de
construção, na área entre Boane e Massinga, calcários para a indústria de cimento na
areia de Salamanga; Micro diamantes aluvionais no leito do rio Limpopo nos
calcoarenitos da formação Jofane a NNW de
Maputo. Para recursos energéticos o petróleo e
gás em palma e bacia do Rovuma.

LEGENDA
Conclusão

Como sabemos Moçambique é constituído por uma vasta gama de litologias da era
fanerozoica (proterozoica, mesozoica e cenozoica).A sua geodiversidade é vista ao
longo de toda extensão do território nacional, o trabalho teve enfoque nas litologia
formadas em eras pós cambriana dado que o tema de debate “ geodiversidades do
embasamento e cobertura fanerozoica em Moçambique.
Resultados e obtidos durante a elaboracao do trabalho

Durante a elaboração desse trabalho Constatei que as formações do Mesozoico com


grande impacto em Moçambique são Jurássico e Cretácico, sendo o Jurássico
manifestado pelas Formação greso-conglomertico de Tete, Calcários de Moçambique e
de Cabo Delgado, Grés inferior de Lupatar e Cretacico Indiferenciado, Camada dos
Macondes ( KIC), Grés Calcário e Conglomerados, Formação de Sena (Ksc) e
Formação do Grudja (Ksm).
Bibliografia

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Instituto de investigação científica tropical – Lisboa; DNG, Maputo, Moçambique.

GTK Consortium (2006a). Notícia Explicativa da Carta Geológica 1:250.000. Direcção

Nacional de Geologia, Volume 4, Maputo.

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Nacional de Geologia, Volume 1, Maputo.

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Nacional de Geologia, Volume 2, Maputo.

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SOUSA de Lopes António Lopes e Vasconcelos, Contribuição para o conhecimento dos


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