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Gemé João Sabonete

Geodiversidade de Moçambique no Arcaico


(Licenciatura em Geologia com Habilidades em Mineração)
l

Universidade Rovuma
Nampula
2020
GeméJoão Sabonete

Geodiversidade de Moçambique no Arcaico

Trabalho de carácter avaliativo a ser entregue a


faculdade de Geociencias, da cadeira de
Património geológico e geoconservação 4˚ Ano,
Curso de Geologia, Leccionada pelo dr. Sumalge
Mutelia

Universidade Rovuma

Nampula

2020

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Índice
Resumo.......................................................................................................................................4

Introdução...................................................................................................................................5

Metodologia................................................................................................................................6

Localização Geográfica de Mocambique....................................................................................6

3.1 Enquadramento Geológico de Moçambique.........................................................................6

Geodiversidade...........................................................................................................................7

3.3 Variáveis Geológicos de Moçambique.................................................................................8

3.4 Fenómenos E Eventos Geológicos No Arcaico..................................................................10

Mega E Morfoestruturas...........................................................................................................12

4.1 Aspectos Especiais da Geodiversidade de Moçambique....................................................15

4.2 Parques Nacionais...............................................................................................................15

4.3 Reservas nacionais..............................................................................................................16

Conclusão..................................................................................................................................17

Bibliografia...............................................................................................................................18

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1. Resumo
Olhando para uma visão das variáveis geodiversas constata-se que Moçambique ocupa uma
posição privilegiada em termos de potencialidade. Pois nesse relatório que tem como tema a
geodiversidade de Moçambique no período arcaico podemos notar variação de recursos tanto
geológicos, biológicos, paisagísticos pois vários fenómenos e eventos geraram essa variação.
E não só a geologia de Moçambique é caracterizada pela ocorrência de um soco cristalino
com idade arcaica-câmbrica olhando para questão de eventos no arcaico podemos notar que
No começo do Arcaico, o fluxo de calor da Terra era aproximadamente três vezes maior que é
hoje. O calor extra pode ter sido remanescente da acreção planetária, da formação do núcleo
de ferro, e parcialmente causado pela maior produção radioactiva de núcleos atómicos de vida
curta, tais como urânio-235.

Atendendo a questão morfoestrutural de Moçambique gozámos de uma vasta geomorfologia


pois segundo Bondyrev (1983), a geomorfologia de Moçambique pode ser descrita pelas
morfoestruturas que a seguir se descrevem, Superfícies dos cumes e cristas, de origem
intrusivo-tectónica, vales e lagos e extensos rios, Depressões erosivo-desnudadas e de
acumulação entre outras formas de relevo desde a crusta oceânica ate a continental.

No que tange aspectos especiais olha-se mas para o valor que este recurso representa
infelizmente o aspecto de geoconservação no nosso país ainda não vigora no raciocínio da
maior parte dos habitantes, mas tem questões que são preservados como lugares culturais
parque nacionais estruturas geológicas muito excepcionais.

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1.2 Introdução
Na Terra ocorrem sítios geológicos naturais excepcionais, do ponto de vistacientífico,
didáctico, cultural, turístico entre outros., denominados geossítios. Os geossítiosdiferem de
outros sítios geológicos pelo seu carácter excepcional, o que pressupõe odesenvolvimento de
desse trabalho cientifico que tem como tema a Geodiversidade de Moçambique no Arcaico,
trabalho este que visa trazer uma visão geral de como a geodiversidade em Moçambique se
caracteriza em função das suas variáveis geológicas, trazendo assim uma ordem de ideia no
que tange a mega e morfoestruturas localizadas nas distintas regiõesde Moçambique. Foi
descrito também os principais eventos e fenómenos que ocorreram no arcaico e os principais
terrenos existentes concomitantes a esses eventos.

É abordado também alguns aspectos especiais e de extrema preservação como formações


geológicas excepcionais, parques nacionais assim como reservasque são património de muito
valor para o povo moçambicano.

Este trabalho cientifico e composto pela seguinte estrutura nomeadamente:

 Introdução;
 Desenvolvimento
 Conclusão

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2. Metodologia
2.1 Método Bibliográfico

O método bibliográfico é um método muito importante para uma investigação científica visto
que este faz um levantamento de diversas bibliografias já publicadas sejam livros, revistas
publicadas ou avulsas e impressas escrita [ CITATION LAK92 \l 1033 ].

Numa primeira etapa procedeu-se a um levantamento da situação emMoçambique em matéria


de geoconservação, nomeadamente no referente a: definiçãodo sua geodiversidadecontexto
geológico; áreas especias em Moçambique.

Na segunda etapa, procedeu-se a uma pesquisa da informação actualmentedisponível sobre a


geologia de Moçambique, tendo em vista a elaboração de uma síntesesobre a geodiversidade
que ocorre em território Moçambicano no período Arcaico.

2.2 Localização Geográfica de Mocambique

Moçambique localiza-se a sudeste do continente africano. É limitado a leste pelo


Oceano Índico, a norte pela Tanzânia, a noroeste pelo Malawi e Zâmbia. A oeste fazfronteira
com o Zimbabwe, África do Sul e Swazilândia, e a sul com a África do Sul.Em termos de
coordenadas geográficas, Moçambique situa-se entre as latitudes10º 27´ Sul e 26º 52´ Sul e
entre as longitudes 30º 12´ Este e 40º 51´ Este (Barca, 1992;Muchangos, 1999).O seu
território enquadra-se no fuso horário 2 (dois), o que lhe confere duashoras de avanço em
relação ao Tempo Médio Universal (Muchangos, 1999).Moçambique tem uma superfície total
de 799.380 km2 dos quais 13.000 km2 sãoocupados pelas águas interiores que incluem os
lagos, albufeiras e rios (Barca, 1992).

2.3Enquadramento Geológico de Moçambique

A geologia de Moçambique é caracterizada pela ocorrência de um soco cristalino com idade


arcaica-câmbrica e por rochas com idade fanerozóica. O soco cristalino é constituído por
paragnaisses supracrustais metamorfizados, granulitos e migmatitos, ortognaisses e rochas
ígneas. Do ponto de vista geodinâmico, o soco cristalino de Moçambique é composto por três
terrenos diferentes, que colidiram e se juntaram durante o Ciclo Orogénico Pan-Africano.
6
Anteriormente à união panafricana, cada terreno possuía um desenvolvimento geodinâmico
individual e específico. Na Notícia Explicativa da Carta Geológica de Moçambique volume 4,
estes terrenos são designados provisoriamente por Terreno do Gondwana Este, Terreno do
Gondwana Oeste e Terreno do Gondwana Sul (GTK Consortium, 2006).

O Terreno do Gondwana Sul abarca o Cratão do Zimbabwe e um conjunto de unidades


tectono- ou lito-estratigráficas nos cinturões dobrados proterozóicos que foram carreados ou
depositados no topo das margens norte e leste do Cratão. A sua fronteira setentrional
corresponde ao Cinturão pan-africano de Damariano-Lufiliano-Zambeze e, parcialmente, à
Zona de Cisalhamento de Sanângoè.

O Terreno do Gondwana Oeste engloba o Cratão do Congo/Tanzânia ou da


África Central e um conjunto de unidades tectónicas ou lito-estratigráficas nos cinturões
dobrados do Proterozóico que foram carreados ou depositados sobre as margens sul e
oriental do Cratão. Na vizinha Tanzânia, a frente de carreamento do Cinturão de
Moçambique, com vergência para oeste, marca a fronteira entre os Terrenos do
Gondwana Oeste e Gondwana Este, mais para sul, em Moçambique, esta sutura não está bem
definida, mas no Bloco de Tete-Chipata (um pequeno fragmento tectónico rodeado pela Zona
de Cisalhamento de Sanângoè e pelo Deslocamento de Mwembeshi), esta sutura corresponde
supostamente ao contacto entre o domínio maior orientado WSW-ENE e o Grupo da
Angónia orientado NW-SE. Com a mesma orientação anterior, a Suitede Furancungo
representa supostamente o muro da massa carreada da Angónia, mas pertence ao
Terreno do Gondwana Oeste.

O Terreno do Gondwana Este na Tanzânia abarca o soco cristalino (Granulitos


Orientais), a leste da sutura pan-africana. Mais para sul compreende rochas no Malawi e
na parte norte de Moçambique (GTK Consortium, 2006)

2.4 Geodiversidade
É a variedade de ambientes geológicos, fenómenos eprocessos activos que dão origem a
paisagens, rochas, minerais, fósseis, solos e outrostipos de depósitos superficiais que
constituem a base para a vida na Terra (Brilha,2005).

Moçambique é um país com uma grande extensão geográfica (799.380 Km2) e


caracteriza-se pela ocorrência de uma enorme geodiversidade da qual fazem parte todos
os tipos genéticos de rochas, com idades que vão desde o Arcaico ao Quaternário,
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minerais (alguns deles raros), fósseis, lagos interiores, pântanos, zonas marinhas e
continentais, vários tipos de clima (tropical, subtropical, de altitude, semidesértico) e
por altitudes que vão de 0 a mais de 2.000 metros. Verifica-se ainda uma distribuição
contrastada dos aspectos da geodiversidade entre as várias regiões do país. Por exemplo,
nas regiões norte e centro as paisagens, os solos, as rochas, a cobertura vegetal, o padrão dos
rios, diferem dos que ocorrem na zona sul.

3. Variáveis Geológicos de Moçambique

Moçambique é um país que apresenta uma elevada geodiversidade e um grande potencial em


termos de recursos geológicos. A grande geodiversidade deste país é mencionada, por
exemplo, nos trabalhos de Lehto e Gonçalves (2008) e Cumbe (2007). Segundo este último
investigador, existem vários locais geológicos em Moçambique que devem ser conservados e
apresentados às populações devido à sua importância científica, pedagógica e turística, entre
outros aspectos. Estes locais incluem, para além da diversidade litológica, uma grande
diversidade de minerais, de fósseis e de recursos geológicos.Os minerais e as rochas
desempenham um papel cadamais importante na indústria e no desenvolvimento
moçambicanos. No entanto, a baixa utilização dos recursos geológicos deste país está
relacionada com o seu conhecimento incompleto mas, também, com a falta de infra-estruturas
que possibilitem a sua exploração edistribuição. No entanto, esta situação tem vindo a alterar-
se devido ao desenvolvimento da exploração de gás natural, carvão e areias pesadas. Espera-
se que a exploração destes recursos geológicos contribua para a melhoria do investimento e da
qualidade de vida da população. Em Moçambique existem recursos geológicos de elevado
valor económico, nomeadamente, areias, calcários, mármores, ouro aluvionar, margas,
cascalho, argilas, ilmenite, gemas e gás natural (Cumbe, 2007; Hofmann & Martins, 2012;
Lehto & Gonçalves, 2008). O depósito de carvão da bacia de Moatize (província de Tete), por
exemplo, constitui uma das maiores reservas a nível mundial, tendo atingido uma exploração
de 4 Mton em 2013, com capacidade para virem a ser exploradas 22 Mton anuais (Vale,
2015). Outro exemplo são as reservas de petróleo, que se estimam em 20 mil Mbarris (Lusa,
2015)Por outro lado, tendo em conta a existência de areia ricas em minerais pesados ao longo
dos 2700 km de costa, Moçambique tem potencial para se tornar o principal produtor mundial
de minerais de titânio e zircónio. As nascentes termais são abundantes ao longo dos riftes na
fronteira Oeste, com a África do Sul e o Zimbabué, com potencial para a produção de energia
(Hofmann & Martins, 2012). Atualmente as empresas de exploração têm investido em
minerais energéticos (carvão, gás natural e urânio), titânio e zircónio em areias pesadas, ouro
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e pedras preciosas, fosfato, tântalo e fluorite, entre outros minerais industriais (Hofmann &
Martins, 2012), os principais recursos de Moçambique, nas várias províncias, são os que a
seguir se discriminam. O diatomito tem-se acumulado em muitas depressões fluviais e
lagonais, desde a província de Inhambane até à província de Maputo, No que concerne as
reservas de gás natural estima-seque Moçambique possui mais de 2,8 mil milhões de m3 deste
recurso na província de Cabo Delgado. Nesta província existem margas e ainda mármores na
região de Montepuez.
Na província de Nampula podem ser encontradas pedras preciosas como o berilo e a
turmalina, bem como ouro aluvionar e também areias pesadas na região de Moma, onde
existem reservas estimadas de 842 Mton. Na província de Zambézia salientam-se as
ocorrências de areias pesadas, calcários, margas e pedras preciosas como o berilo e a
turmalina. Nesta província ocorrem depósitos de caulinite e de outros minerais de argila em
pegmatitos e sienitos meteorizados, na província de Tete, além dos depósitos de carvão,
destacam-se as ocorrências comuns de urânio, que é utilizado como mineral energético,
pedras preciosas, como o berilo e a turmalina. Nesta província é também, explorado
anortosito para exportação. Existe também uma grande quantidade de apatite ao longo do rio
Zambézia e de ouro a Norte do Lago Cahora Bassa. Na província de Manica destacam-se os
depósitos de carvão em Espungabera, próximo da fronteira com o Zimbabué, e de bauxite na
Mina de Penhalonga, onde já foram extraídas, em 2006, 11 069 ton desta rocha. Nesta
província também é explorado gabro, para exportação, e margas. Na mesma província
localizam-se, na região Espungabera-Dombe-Chibabava, várias nascentes
termais com potencial para exploração. Além disso, existem depósitos de caulinite e outros
minerais de argila em pegmatitos e sienitos meteorizados. A exploração de ouro é também
importante nesta província, existindo reservas de 93 toneladas, destacando-se os depósitos
aluviais dos rios Revuè, Inhamucarra, Muza e Chimezi. Por seu lado, o depósito de
Mundonguara é explorado para extração de cobre, níquel, ouro e prata, existindo reservas
estimadas de 123 000 ton. Na província de Sofala destaca-se a exploração de petróleo que tem
ocorrido nos últimos anos. Além disso, existe um grande potencial para a exploração de
calcário.

A província de Niassa apresenta granitos em elevada quantidade, carvão, argilas, mármores,


margas e quimberlitos. Embora os quimberlitos sejam a rocha-mãe de diamantes, ainda não se
registou a presença de diamantes nestas rochas. O carvão e os quimberlitos podem ser
encontrados na região de Maniamba, na bacia de Metangula. A bacia do Niassa apresenta
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reservas de carvão de cerca de 223 Mton. Os mármores de Malulo têm grande aplicação como
pedra ornamental, existindo reservas de 42 Mton. O teor em nefelina do Monte
Chissindo varia entre 20% e 35%, estando as reservas avaliadas em 329 Mton de sienitos
nefelínicos. A nefelina deste depósito pode ser utilizada como minério de alumínio (Afonso &
Marques, 1993; Lehto & Gonçalves, 2008; Vasconcelos, 2014).

Na província de Inhambane salientam-se as ocorrências de gás natural nos campos de Pande e


deTemane, de gesso em Temane e de calcário em Urrongas. Na província de Gaza existem,
entre outros, reservas de areias pesadas e diatomito, este último encontrado na margem Sul do
rifte do leste africano. Nesta província têm sido encontrados alguns diamantes, de reduzidas
dimensões, nos rios Limpopo e Singédzi, provavelmente resultantes do transporte efetuado
por estes cursos de água. Relativamente aos minerais pesados, destacam-se os depósitos de
Chibuto e de Xai-Xai. O depósito de minerais pesados de Chibuto é um dos maiores do
mundo, possuindo, pelo menos, 14 000 Mton de areias\ ricas em ilmenite. O depósito de Xai-
Xai contém 66% de ilmenite, 1,4% de zircão e 0,5-0,7% de rútilo. Na parte Sul desta
província ocorrem também depósitos de areias e cascalho ao longo do Rio dos Elefantes e do
Rio Limpopo.

3.1Fenómenos E Eventos Geológicos No Arcaico

No começo do Arcaico, o fluxo de calor da Terra era aproximadamente três vezes maior que é
hoje. O calor extra pode ter sido remanescente da acreção planetária, da formação do núcleo
de ferro, e parcialmente causado pela maior produção radioactiva de núcleos atómicos de vida
curta, tais como urânio-235.

Apesar de alguns poucos grãos minerais conhecidos serem mais antigos, as mais velhas
formações rochosas expostas na superfície terrestre de Moçambique, rochas do arcaico são
provenientes da Groenlândia, do Escudo Canadense, Austrália ocidental e África meridional.
Apesar de os primeiros continentes terem se formado durante este éon, rochas dessa idade
compõem apenas 7% dos crátons actuais do mundo; mesmo considerando a erosão e a
destruição de formações passadas, a evidência sugere que apenas 5-40% da crosta continental
actual formou-se durante esta era.

A maior parte das rochas arcaicas que existem são metamórficas e ígneas, o grosso das
últimas intrusivas. A actividade vulcânica era consideravelmente maior que hoje, com
numerosos hot spots, rift vales, e erupção de lavas incomuns como as komatiíticas. Rochas

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ígneas intrusivas como os grandes sills e volumosas massas plutónicas de granito e diorito,
intrusões em camadas máficas a ultramáficas, anortositos e monzonitos conhecidos como
sanuquitoides predominam por todos os remanescentes cratônicos cristalinos da crosta arcaica
que existem hoje.

Em contraste com o Proterozoico, as rochas do arcaico são com frequência sedimentos de


água profunda totalmente metamorfizados, tais como grauvaques, lamitos, sedimentos
vulcânicos e formações de ferro em bandas. Rochas carbonadas são raras, indicando que os
oceanos eram mais ácidos do que durante o Proterozoico, devido ao dióxido de carbono
dissolvido. Greenstone Belts são típicos das formações arcaicas, consistindo de rochas
metamórficas alternadamente de alto e baixo grau. As rochas de alto grau eram derivadas de
arcos de ilhas vulcânicas, enquanto as de baixo grau representam sedimentos do fundo do mar
erodidos de arcos de ilhas vizinhas e depositados numa bacia adjacente. Em suma, Greenstone
Belts representam protocontinentes suturados.

Não houve grandes continentes até tarde no Arcaico, pequenos protocontinentes eram a
norma, impedidos de convalescer em unidades maiores pela alta taxa de actividade geológica.
Esses protocontinentes félsicos provavelmente se formaram em hot spots ao invés de zonas de
subdução, a partir de uma variedade de processos: diferenciação ígnea de rochas máficas para
produzir rochas intermediárias e félsicas, magma máfico fundindo mais rochas félsicas e
forçando a granitização de rochas intermediárias, fusão parcial de rochas máficas, e alteração
metamórfica de rochas sedimentares félsicas. Tais fragmentos continentais podem não ter sido
preservados se eles não eram flutuantes ou afortunados o bastante para evitar zonas de
subdução energéticas.

As temperaturas parecem ter sido próximas dos níveis modernos, com água líquida presente,
devido à presença de rochas sedimentares dentro de certos gnaisses altamente deformados.
Astrónomos pensam que o sol era cerca de um terço menos quente, o que contribuiria para
baixar as temperaturas globais em relação ao que de outra forma seria esperado. Pensa-se que
esse efeito era contrabalançado por quantidades de gases de efeito estufa maiores do que as
verificadas mais tarde na história da Terra. A ausência de grandes continentes impediria o
consumo elevado de dióxido de carbono, através do intemperismo das rochas. A falta de
organismos clorofilados também evitaria o consumo de dióxido de carbono. A atmosfera era
então rica desse gás, e praticamente sem oxigénio

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.

3.2 Mega E Morfoestruturas

Segundo Bondyrev (1983), a geomorfologia de Moçambique pode ser descrita


pelas morfoestruturas que a seguir se descrevem;

a) Superfícies dos cumes e cristas, de origem intrusivo-tectónica

Fazem parte deste grupo morfoestrutural:

 Relevos em patamar da zona do rifte; São representados pela elevação de Cheringoma, a


leste do maciço de Gorongosa. O planalto está muito peneplanizado pelo facto de este se
situar na intersecção dos grabens de Chire-Urema e Zambeze. As altitudes variam entre
210 e 220m.
 Relevos de desligamento;
 Relevos intrusivos em patamar;
 Relevos básicos;
 Relevos granitos; Este tipo de relevo é muito comum em Moçambique e pode ser visto em
todo território, a norte do rio Búzi.
b) Superfícies dos cumes e cristas, de origem intrusivo-tectónica e erosivo-desnudada

Este grupo morfoestrutural é caracterizado por:

 “Inselbergs” graníticos

Os “inselbergs” e formas relacionadas ocorrem principalmente nos distritos de Nampula e de


Ruvama-Mavago. Alguns exemplos são os “inselbergs” clássicos de Murrupula (1.098m),
Nambiuca (1.288m) e Maadja (1.182m;)

 Maciços erosivos-desnudados;
 Relevos graníticos aplanados e em vias de rejuvenescimento;

Estas estruturas ocorrem no nordeste de Moçambique, no distrito de Meluco (província de


Cabo Delgado) e entre os rios Metamboa e Mucanha (província de Tete). Distinguem-se quer
pelas altitudes, quer pela própria posição no quadro geral do relevo. A morfoestrutura de

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Meluco, por exemplo, é uma elevação que tem aspecto de mesa, com pequenas elevações de
altitude variando entre 550 a 700m.

 Relevos em cúpula de origem sedimentar;

O exemplo mais representativo desta morfoestrutura é o planalto de Mueda, em particular na


sua parte periférica, onde os depósitos quaternários foram removidos e todas as formas
principais são constituídas em arenitos. Este tipo de morfoestruturas também pode ser
observado na parte sul do rio Save, constituindo as elevações de Tome (174 m) e Panda (219
m). O carácter e o aspecto destas morfoestruturas foram determinados pela natureza das suas
litologias.

 Relevos suaves nas formações do Karoo

As litologias (arenitos, tilitos, conglomerados, xistos), determinou uma dissecção vertical


significativa. A desnudação selectiva originou uma paisagem de colinas grandes, mais
características nos vales dos rios Lunho e Messinge (província de Niassa) e no curso inferior
dos rios Panhame, Choe, Impata, Daque, Muze (afluentes da margem direita do rio Zambeze,
província de Tete). As altitudes na província de Tete variam de 700 a 750 m e na província de
Niassa de 180 a 250 m. As morfoestruturas têm geralmente um aspecto aplanado e côncavo,
relacionado com a tectónica e com as particularidades da\ sedimentação das rochas do Karoo
no graben de Messinge e do Médio Zambeze.

c) Vertentes, vales e fundos dos rios

Este grupo morfoestrutural é caracterizado por:

 Deslocamentos tectónico-gravíticos;
 Fundos e vertentes dos vales sem aluviões típicos;
 Fundos e vertentes dos vales com terraços rochosos e outros com aluviões pouco
espessos;
 Leitos antigos cortando grés e conglomerados (Cretácico Superior – Quaternário
Inferior)Leitos abandonados cortando depósitos eluviais do Quaternário Inferior;
 Plataformas litorais recobertas por conglomerados e arenitos cretácicos.

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d) Depressões erosivo-desnudadas e de acumulação

As depressões erosivo-desnudadas e de acumulação são:

 Depressões ocupadas por lagos ;

Estas morfoestruturas ocorrem principalmente a sul de Moçambique, nasprovíncias de Gaza e


Inhambane. Contudo, também ocorrem nos arredores deLichinga na província de Niassa. As
principais morfoestruturas deste tipo estãorepresentadas por lagos na parte continental
(Inhatuco, Nhangul, Marrângua). A zona litoral é caracterizada pela ocorrência de lagoas
limitadas pordunas, do lado do oceano (Maiene, Massava, Quissico

 Depressões e colinas com cobertura de aluvião e proluvião;


 Fundos de depressões entre escarpas (zonas de rifte com sedimentos)
e) Planícies de origem de acumulação;

Fazem parte deste conjunto morfoestrutural:

Planícies de sopé com cobertura bem marcada de aluvião, proluvião e eluvião Estas
morfoestruturas ocupam vastos espaços nas zonas Central e Norte de Moçambique. As
altitudes raras vezes ultrapassam os 350-400 m, mas, no distrito de Nampula, e entre os rios
Rovuma e Luatize, os numerosos inselbergs dão à paisagem um aspecto particular e
completamente distinto.

Pequenas elevações (250 metros), constituídas por depósitos de material


quaternário indiferenciado;

 Planície constituída por depósitos de cores vermelha, de grão grosseiro, do Pleistocénico


Inferior;
 Planícies e depressões constituídas por areias brancas de grão fino e restos de formações
dunas antigas, parcialmente pantanosas, do Pleistocénico Inferior;
 Planícies baixas de natureza sedimentar flúvio-marinha;
 Terraços;
 Planícies de acumulação marinha;
 Planícies costeiras com mangal;
 Praias arenosas:

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Estas formas ocupam uma faixa praticamente contínua da costa moçambicana, desde a Ponta
de Ouro, no extremo sul, até à foz do rio Rovuma no extremo norte.

f) Relevo submarino

No que diz respeito a tectonica-estrutural, a geomorfologia de Moçambique podeser descrita


em termos de (Bondyrev, 1983)

3.3Aspectos Especiais da Geodiversidade de Moçambique

As Zonas de especiais são áreas territoriais delimitadas, representativas do património natural


nacional, destinadas à conservação da biodiversidade e de ecossistemas frágeis ou de espécies
de animais ou vegetais (Lei de Florestas e Fauna Bravia No. 10/99 de 07 de Julho, Capítulo II
- Protecção dos Recursos Florestais e Faunísticos, Artigo 10). A Lei de Florestas e Fauna
Bravia define para Moçambique as seguintes Zonas de Protecção:

a) Parques Nacionais;

b) Reservas Nacionais

3.4Parques Nacionais

Em Moçambique, os Parques Nacionais (Tabela são zonas deprotecção total delimitadas,


destinadas à propagação, protecção, conservação e maneioda vegetação e de animais bravios,
bem como à protecção de locais, paisagens ouformações geológicas de particular valor
científico, cultural ou estético e pararecreação pública, representativos do património
nacional (Lei de Florestas e FaunaBravia No. 10/99 de 07 de Julho, Artigo 11). Um exemplo é
o Parque Nacional dasQuirimbas que foi estabelecido através do Decreto 14/2002, de 6 de
Junho, situado naProvíncia de Cabo Delgado.

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Tabela .1.1Parques Nacionais de Moçambique. Fonte: MITUR, 2004.
Localização
Nome Área (km2)
(Província)
Parque Nacional de
Sofala 5.370
Gorongosa
Parque Nacional do
Inhambane 6.000
Zinave
Parque Nacional do
Inhambane 1.600
Bazaruto
Parque Nacional do
Gaza 7.000
Banhine
Parque Nacional do
Gaza 1.000
Limpopo
Parque Nacional das
Cabo Delgado 7.500
Quirimbas

3.5Reservas nacionais

As Reservas Nacionais são zonas de protecção totaldestinadas à protecção de certas espécies


de flora e fauna raras, endémicas, em vias deextinção ou que denunciem declínio, e os
ecossistemas frágeis, tais como zonashúmidas, dunas, mangais e corais, bem como a
conservação da flora e fauna presentesno mesmo ecossistema (Lei de Florestas e Fauna
Bravia No. 10/99 de 07 de Julho,Artigo 12)

Tabela 1.2 Reservas Nacionais de Moçambique. Fonte: MITUR, 2004.


Localização (Província) Nome Área (km2)
Maputo Reserva Especial de Maputo 700
Inhambane Reserva de Pomene 200
Sofala Reserva de Marromeu 1.500
Zambézia Reserva do Gilé 2.100
Niassa Reserva do Niassa 42.200

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4. Conclusão

Moçambique é caracterizado pela ocorrência de uma grande diversidadegeológica, da qual


fazem parte alguns sítios geológicos de carácter excepcional mas que no entanto ainda não
estão inventariados e valorizados, podemos concluir que Em Moçambique ocorrem todos os
tipos genéticos de rochas, com idades quevão desde o Arcaico ao Quaternário. Mas olhando
para as formações do arcaico podemos identificar na província de Manica alguns complexos e
grupos são embasados com terrenos do arcaico pode se identificar também na província de
Tete e Niassa terrenos do arcaico mas com baixa fluência.

Do ponto de vista geodinâmico, pertencem três terrenos diferentes (Terreno doGondwana


Este, Terreno do Gondwana Oeste e Terreno do Gondwana Sul), quecolidiram e se
amalgamaram durante o Ciclo Orogénico Pan-Africano.

Após leituras, discussões, analises, das variáveis geológicas concluí que Moçambique é um
país rico em recursos minerais, alguns dos quais têm sidoexplorados. As características e a
sua evolução geológica apontam para a existência deum potencial mineral ainda maior, o qual
poderá ser descoberto com o evoluir doconhecimento geológico do país.

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4.1 Bibliografia

AFONSO, R. S., Marques, J. M. & Ferrara, M. (1998). A evolução geológica de Moçambique


Instituto de Investigação Científica Tropical, Lisboa; Direcção Nacional de Geologia,Maputo;

BONDYREV, I. V. (1983). Notícia explicativa (provisória) da Carta Geomorfológica de


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